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REALIDADE AUMENTADA

Ciências • Vida na Terra


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7
Fernando Gewandsznajder

Ciências
Vida na Terra

Fernando Gewandsznajder
O Projeto Teláris reúne coleções consagradas de autores
líderes do mercado.
Multidisciplinar, oferece a melhor solução de conteúdo
para alunos, no meio impresso e digital, além de ferramentas
e serviços para professores e escolas.
O Projeto Teláris – Ciências foi feito pensando em você.
Aqui você vai encontrar discussões, questionamentos e ex-
plicações sobre temas como ambiente, vida, saúde, tecnolo-
gia, ética e muito mais.
Cada livro busca também despertar sua curiosidade e seu prazer
de descobrir.
Conhecer Ciências vai ajudá-lo a compreender melhor o mundo
que está à sua volta.
Dessa forma, você estará mais bem preparado para enfrentar o
desafio, que é de todos nós, de contribuir para que as condições de
vida no nosso planeta fiquem cada vez melhores.

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O nome do Projeto Teláris se
inspira na forma latina telarium,
que significa "tecelão", para evocar
o entrelaçamento dos saberes
na construção do conhecimento.

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Com rea da
a
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7
Fernando Gewandsznajder

Ciências
Vida na Terra

Fernando Gewandsznajder
(Pronuncia-se Guevantznaider.)
• Licenciado em Biologia pelo Instituto de Biologia da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ)
• Mestre em Educação pelo Instituto de Estudos Avançados
em Educação da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ)
• Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-RJ)
• Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da UFRJ
• Ex-professor de Biologia do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro (Autarquia
Federal – MEC)
• Autor de: Dinossauros; Nutrição; Sexo e reprodução; O método nas
ciências naturais (Editora Ática) e O que é o método científico (Editora
Pioneira)
• Coautor de: Biologia hoje (3 volumes); Biologia – volume único; Origem e
história da vida (Editora Ática) e O método nas ciências naturais e sociais
(Editora Pioneira Thomson Learning)

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Diretoria de conteúdo e inovação pedagógica
Mário Ghio Júnior
Diretoria editorial
Lidiane Vivaldini Olo
Gerência editorial
Luiz Tonolli
Editoria de Ciências e Biologia
José Roberto Miney
Edição
Helena Pacca e Daniella Drusian Gomes
Arte
Ricardo de Gan Braga (superv.),
Andréa Dellamagna (coord. de criação),
Mauro Fernandes (editor de arte),
e Casa de Tipos (diagram.)
Revisão
Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Rosângela Muricy (coord.),
Ana Carolina Nitto, Ana Paula Chabaribery Malfa,
Luís Maurício Boa Nova, Vanessa de Paula Santos
e Brenda Morais (estag.)
Iconografia
Sílvio Kligin (superv.),
Karina Tengan (pesquisa),
César Wolf e Fernanda Crevin (tratamento de imagem)
Ilustrações
Adilson Secco, Christiane S. Messias, Hiroe Sasaki,
Ingeborg Asbach, Joel Bueno, Julio Dian,
KLN Artes Gráficas, Luís Moura, Luiz Iria, Mauro Nakata
e Rodval Matias
Cartografia
Eric Fuzii, Marcelo Seiji Hirata, Márcio Santos de Souza,
Robson Rosendo da Rocha
Foto da capa: irabel8/Shutterstock/Glow Images

Direitos desta edição cedidos à Editora Ática S.A.


Avenida das Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor C
Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902
Tel.: 4003-3061
www.atica.com.br / editora@atica.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Gewandsznajder, Fernando
Projeto Teláris : ciências : ensino fundamental
2 / Fernando Gewandsznajder. -- 2. ed. -- São Paulo :
Ática, 2015. -- (Projeto Teláris : ciências)
Obra em 4 v. para alunos do 6º ao 9º ano.
Conteúdo: 6º ano. Planeta Terra -- 7º ano. Vida na
Terra -- 8º ano. Nosso corpo -- 9º ano. Matéria e
energia.
1. Ciências (Ensino fundamental) I. Título.
II. Série.
15-02980 CDD-372.35

Índice para catálogo sistemático:


1. Ciências : Ensino fundamental 372.35

2015
ISBN 978 85 08 17224 5 (AL)
ISBN 978 85 08 17223 8 (PR)
Cód. da obra CL 738814
CAE 542 421 (AL) / 542 422 (PR)
2a edição
1a impressão
Impressão e acabamento

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Apresentação

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Conheça seu
livro de Ciências

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Unidade

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Carlos Caeta

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15
da vida no Capítulo

Aves e
partida biente
mam’feros
Ponto depos de plantas e como estão adaptad as partes
os ao am

ncipais gru a dess


são os pri de cada um as
1. Quais portância umas dess
em? qual é a im ntificar alg Se você tivesse de escolher uma característica que só as aves possuem, qual
em que viv has, flor e fruto – er para ide escolheria? A capacidade de voar? Não se esqueça de que há aves, como o pinguim e

iz, ca ule, fol tos po demos faz a ema, que não voam! Já o morcego, um mamífero, é capaz de voar.
2. Ra
? Qu e experimen pla ne ta? po r qu e Neste capítulo veremos que as aves são os únicos animais atuais com penas. Elas

da planta s do
ipais bioma sses biomas? Co
mo e não ajudam somente o voo: as penas ajudam também a manter constante a temperatu-

dos princ
ra do corpo das aves. Essas estruturas são tão importantes que permitem que os pinguins
funções? cada um vocando
ne consigam viver em regiões geladas e até nadar em águas de baixas temperaturas.
identificar r humano vem pro
15.1 Grupo de
No caso dos mamíferos, veremos que eles possuem uma característica exclusi-
3. Como
pinguins-imperadores
se 227
erações o
va: o pelo. A pelagem também ajuda a manter constante a temperatura do corpo, como (Aptenodytes

4. Que alt
patagonicus) em

2
-los? você verá neste capítulo. iceberg no continente
preservá
devemos
antártico.

Momatiuk - Eastcott/Corbis/Latinstock
A quest‹o Ž
Que diferenças existem entre o corpo das aves e o dos répteis? Que
adaptações ao voo há no corpo das aves? Nós, seres humanos, pertencemos
ao grupo dos mamíferos. Você sabe dizer por quê? Conhece outros animais
desse grupo? O que significa dizer que as aves e os mamíferos são animais
endotérmicos? Que semelhanças existem entre a reprodução das aves e a
dos répteis? E quais as diferenças e as semelhanças entre o corpo das aves
sa chuva e o dos mamíferos?
agem apó
água e folh
gotas de
Detalhe de

226

199

1 Abertura da Unidade 2 Abertura dos capítulos 3 Boxes


Apresenta uma imagem e um breve Todos os capítulos se iniciam Não deixe de ler os boxes que aparecem
texto de introdução dos temas com uma ou mais imagens ao longo dos capítulos. Eles contêm
abordados. e um texto introdutório que vão informações atualizadas que
prepará-lo para as descobertas que contextualizam o tema abordado no
Os ícones azuis que aparecem na
você fará no decorrer do seu estudo. capítulo e demonstram a importância e
abertura indicam o número e o tema
as aplicações da ciência.
de cada Unidade para que você possa A questão é
se localizar com mais facilidade. Nesta seção há perguntas sobre os
conceitos fundamentais do capítulo. 4 Informações
Ponto de partida
Nesta seção há algumas questões
Tente responder à questão complementares
no início do estudo e volte a Diversas palavras ou expressões
sobre os assuntos que serão
ela ao final do capítulo. destacadas em azul estão ligadas por
desenvolvidos
Será que as suas ideias um fio a um pequeno texto na lateral
na Unidade.
vão se transformar? da página. Esse texto fornece
informações complementares sobre
determinados assuntos.

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Ao estudar Ciências você começa a compreender os fenômenos do dia a dia de forma
diferente. Isso o tornará capaz de buscar dados e evidências que fundamentem seus
argumentos. Quando você estuda Ciências, se torna mais apto a acompanhar os
noticiários, a ler jornais e revistas e a discutir questões atuais. Assim, poderá ter uma
participação mais ativa na sociedade.
Veja como os livros desta coleção estão organizados.

Ciência e saúde
Esquistossomose Essa doença também é
conhecida como Os dinossauros
Cuidado com estes aracnídeos! esquistossomíase,
O esquistossomo (Schistosoma mansoni) é o verme causador da esquistossomose. Dinossauro vem Os dinossauros se espalharam pelo ambiente terrestre no período compreendi-
xistose, doença do de deimos, ‘terrível’,
A aranha-armadeira (gênero Phoneutria) é A picada da aranha-de-jardim, ou tarântula No Brasil, essa doença é mais comum no Nordeste e no norte de Minas Gerais, mas caramujo e está e sažros, ‘lagarto’. do entre 248 milhões e 65 milhões de anos atrás. Isso foi muito antes do aparecimen-
assim chamada porque, ao se sentir em perigo, (gênero Lycosa), costuma provocar apenas dor local. também há registros de casos em outras regiões. presente em vários Dinossauro significa, to de seres humanos no planeta.
apoia-se nas pernas traseiras e ergue as dianteiras, O escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é o mais Ao contrário das planárias e das tênias, os esquistossomos têm sexos separados. países da América Latina portanto, ’lagarto Os primeiros dinossauros eram pequenos, se comparados aos gigantes que viriam
e da África. terrível’.
“armando” o ataque. Mede cerca de 8 centímetros e perigoso. Sua picada pode ocasionar problemas car- O macho tem cerca de 1 centímetro de comprimento e costuma abrigar a fêmea, que depois. Veja alguns exemplos de dinossauros na figura 14.11.
tem cor cinza ou marrom, como você pode observar díacos e respiratórios, e até levar à morte. Por isso, é mais longa e fina, em um canal do corpo. Ao longo da história da Terra ocorreram várias extinções em massa, isto é, o desa-
Vem daí o nome
na figura 11.14. requer tratamento com soro antiescorpiônico e outros Esses vermes vivem nas veias do fígado e do intestino delgado do ser humano. Schistosoma, do grego parecimento de muitas espécies diferentes em períodos de tempo relativamente curtos
Às vezes, a aranha-armadeira procura o interior medicamentos. Entre outros sintomas, podem provocar diarreia, problemas no fígado, pâncreas, baço schistos, ‘fendido’, e (lembre-se de que, do ponto de vista da evolução, um período de tempo curto pode ser
das casas. Em geral, sua picada provoca apenas dor O escorpião marrom, ou escorpião escuro (Tityus soma, ‘corpo’.
e intestino, além de dores no abdome. A barriga da pessoa contaminada fica muito de milhares de anos). Uma dessas extinções ocorreu há cerca de 65 milhões de anos,
local, mas também pode causar problemas cardíacos, bahiensis), é menos perigoso, mas, em caso de picada,
dilatada por causa do acúmulo de líquido (plasma do sangue). Por isso, a quando várias espécies de plantas, invertebrados e répteis — inclusive os dinossauros —
principalmente em crianças e idosos. A pessoa picada também é necessário procurar atendimento médico.
Quando a fêmea põe os ovos, estes atravessam as paredes das veias e do intes- esquistossomose é deixaram de existir.
deve procurar atendimento médico, pois pode ser ne- Embora as aranhas-caranguejeiras tenham as- conhecida também por
tino e caem no espaço interno desse órgão, sendo eliminados com as fezes do doen-
cessário o uso de soro antiaracnídico (esse soro con- pecto assustador (são grandes e peludas), a picada das “barriga-d’água”.
te. Acompanhe o ciclo do esquistossomo na figura 9.6.
tém anticorpos que defendem o organismo contra os espécies que se encontram no Brasil costumam cau-
efeitos da peçonha) e outros medicamentos. sar apenas dor de curta duração. Mas, se houver outros Quando os ovos atingem a água doce, eles originam pequenas larvas, os miracídios. Johann
Brands A Compsognato (Jurássico), com
tetter/A
kg-Imag 60 cm a 90 cm de comprimento B
A viúva-negra (gênero Latrodectus) recebe esse sintomas, deve-se procurar atendimento médico. Eles penetram no corpo de certos caramujos, se multiplicam e se transformam em outras es/Albu
m/Latin
stock e pesando cerca de 3 kg, caçava
nome porque a fêmea devora o macho após a fecun- Para evitar acidentes com aranhas e escorpiões, larvas, as cercárias. As cercárias saem do caramujo e nadam livremente na água. pequenos lagartos.

dação. A picada desse aracnídeo pode provocar, além é aconselhável sacudir as roupas e os calçados antes As larvas podem penetrar no corpo humano através da pele das pessoas que O local em que elas
de dor local, dor no abdome e, em alguns casos, alte- de usá-los; andar sempre calçado; evitar o acúmulo entram na água contaminada de lagoas ou riachos. penetram fica vermelho,
rações cardíacas. É necessário atendimento médico, de entulho, lixo, tijolos, telhas, madeiras, etc. próximo Pela circulação, as larvas chegam às veias do fígado. Depois migram para as veias dolorido e coça.
Joe Tucc
iaron
principalmente a crianças, idosos, gestantes e pessoas às residências; e não pôr a mão embaixo de madeiras do intestino, aonde chegam já transformadas em vermes adultos, machos e fêmeas, e/SP
L/Lat
insto
ck
com problemas cardíacos. ou dentro de buracos.

3 4
que vão acasalar e produzir ovos.
As picadas da aranha marrom (gênero Loxosceles)
podem provocar febre, anemia e até mau funcionamento
dos rins. Também nesse caso é necessário atendimento
médico, para uso de soro e de outros medicamentos.
Em casos de picada por aranha ou escorpião
deve-se procurar socorro médico imediato. Pode ser
necessária a aplicação de soro específico, pois a picada
de algumas espécies pode trazer risco de vida.
Embora os vermes da esquistossomose possam ser eliminados com o uso de me-
dicamentos, é muito importante a adoção de medidas de prevenção da doença, tais como:
• implantar tratamento de esgotos para impedir que os ovos atinjam a água;
• fornecer água de boa qualidade à população e informá-la sobre a doença e seu mo-
do de transmissão, para que se evite o contato com a água contaminada;
Miracídio vem do grego
meirakion e significa
‘indivíduo jovem’.
Cercária vem do grego
kerkos e significa
5 Velocirraptor (Cretáceo), com 3 m de comprimento e
1 m de altura, caçava em bandos.

C
Fotos: Fabio Colombini/Acervo do fot—grafo

• combater o caramujo. Para isso podem ser usados produtos químicos ou o controle
‘cauda’. A cercária pode
viver até 48 horas.
biológico, utilizando-se, por exemplo, peixes que se alimentam do caramujo.
f ot ó g ra fo
vo d o
c er
9.6 Representação do b in i
/A

fêmea om
ciclo da esquistossomose.

l
Co
io
Os elementos não estão em

b
Fa
escala. Cores fantasia. D Argentinosaurus huinculensis,
o maior animal terrestre,
com 45 m de comprimento
e pesando 100 toneladas.
Aranha marrom Aranha-de-jardim
Leonello Calvetti/Shutterstock/Glow Images

O fóssil foi descoberto


(Loxosceles sp.) (Lycosa erythrognatha)
macho (cerca de 1 cm de comprimento) na Argentina.

Vermes adultos vivem Caramujo que participa do


nas veias do fígado. ciclo da esquistossomose.
(A concha pode chegar
até cerca de 40 mm de
Cercária sai do caramujo

Lat L RF/
diâmetro.)

k
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e penetra na pele.

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ins
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Tiranossauro (Cretáceo), com

rk Gar
Ovos passam 15 m de comprimento e 6 m de altura.

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para o intestino. Um dos maiores carnívoros do Cretáceo.

Ilustrações: Luis Moura/


Aranha-armadeira Escorpião marrom Viúva-negra

Arquivo da editora
(Phoneutria sp.) (Tityus bahiensis) (Latrodectus sp.)
Larva penetra no caramujo e se
11.14 Exemplos de aranhas e escorpiões que podem causar acidentes para o ser humano. Ovos saem com as Ovos originam larvas reproduz, originando novas 14.11 Alguns dinossauros (os elementos das ilustrações não
fezes e caem na água. (miracídios). larvas, as cercárias. estão na mesma escala; cores fantasia).

154 Capítulo 11 • Artrópodes e equinodermos Unidade 3 • O reino animal 125 192 Capítulo 14 • Répteis

Atividades Leitura especial Ponto de chegada


Pesca sustentável e as comunidades tradicionais • Você aprendeu que os seres vivos podem ser muito conhecido como evolução, ocorre ao longo de milhares
Trabalhando as ideias do capítulo diferentes entre si, mas sabe também que eles têm de anos e por isso não conseguimos percebê-lo. Mas,
O extrativismo é a atividade que consiste em retirar do Brasil. Os peixes capturados servem, primordialmen-
do meio ambiente recursos para sobrevivência, para fins te, de fonte de alimento das comunidades que vivem muitas coisas em comum, como o fato de todos serem entre as várias provas de que isso acontece, estão os
1. Cite algumas características exclusivas das aves. i ) Sacos aéreos e ossos ocos.
comerciais ou industriais. Esses recursos podem ser de próximo a rios ou na costa. Por isso, a preservação do formados por células. Aprendeu também que a célula fósseis. Você sabe que, entre outros fatores, as trans-
j ) Canto produzido na siringe.
2. Um estudante afirmou que o voo é uma caracte- origem mineral, como a prata, o cobre e o ouro; vegetal, habitat e das espécies é fundamental não somente para realiza diversas funções que mantêm a vida. E ainda formações sofridas pelas espécies são provocadas por
k) Endoesqueleto.
rística presente em todas as aves. Você concorda como o látex; ou animal, como os peixes provenientes o equilíbrio do ecossistema, como também para a sobre- que, com o auxílio de microscópios, é possível observar mutações (alterações nos genes) e pela seleção natu-

Suryara Bernardi/Arquivo da editora


l ) Pele seca com escamas e rica em queratina.
com essa afirmação? Justifique sua resposta. da pesca. Esta última é uma das atividades extrativistas vivência das pessoas. e estudar as células. Você já sabe que, nos seres plu- ral (alguns seres vivos deixam mais descendentes do
m) Epiderme permeável.
3. Por que as aves conseguem se manter ativas mais tradicionais e importantes da Amazônia e na costa ricelulares, as células estão organizadas em tecidos, que outros).
14. Observando o crânio de mamífero da foto a seguir,
mesmo em climas muito frios? os quais podem formar órgãos que, por sua vez, orga-
• Um dos efeitos da evolução é a adaptação dos seres
Ricardo Beliel/Brazil Photos/LightRocket/Getty Images

você diria que se trata de um animal herbívoro ou


nizam-se em sistemas.
4. Aponte uma semelhança entre as penas das aves de um animal carnívoro? Por quê? vivos ao ambiente. Agora que você sabe disso, procure
e as escamas dos répteis. • Além disso, você aprendeu que a maioria dos seres vivos perceber algumas adaptações que estão presentes nos
obtém energia dos alimentos por meio da respiração seres vivos ao observá-los.
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

5. Por que as penas das aves aquáticas não ficam


encharcadas quando elas estão na água? celular. E viu que, enquanto alguns seres vivos, os auto-
tróficos, sintetizam o açúcar, um alimento, outros, os
• Pode parecer estranho, mas por muito tempo acredi-
6. Os músculos peitorais da maioria das aves são tou-se que um ser vivo pudesse surgir espontanea-
heterotróficos, nutrem-se de outros seres vivos.
bem desenvolvidos. Por que isso acontece? mente da matéria sem vida. Nesta Unidade, você

7. Cite duas adaptações do esqueleto das aves rela-


• Embora possa parecer que as plantas não reagem ao conheceu alguns experimentos, como os de Redi e

6 7 8
ambiente, você aprendeu nesta Unidade que todos os Pasteur, que abalaram essa ideia e mostraram que
cionadas ao voo.
15.29 Crânio de mamífero seres vivos reagem a ele. As plantas que crescem na um ser vivo vem sempre de outro ser vivo.
8. Qual é a função da moela?
15. Ao estudar as aves e os mamíferos, um estudan-
direção da luz são um exemplo disso.
• Finalmente, você aprendeu que a classificação cien-
9. Que tipo de adaptação existe no bico do beija-flor? te disse que uma das diferenças entre os dois gru- • Você conheceu os dois tipos básicos de reprodução: a tífica dos seres vivos procura dar uma ideia da evolu-
10. Explique como a fecundação e o ovo das aves es- pos é que, enquanto todas as aves são ovíparas, assexuada e a sexuada. Além disso, já sabe dizer por ção da vida na Terra e que é importante usar uma no-
tão adaptados ao ambiente terrestre. os mamíferos são todos vivíparos. Ele está corre- que os filhos são parecidos com os pais: é a hereditarie- menclatura única (em latim) para evitar que haja con-
to em suas afirmações? Explique. dade, que se explica pela transmissão dos genes dos fusão de nomes em línguas diferentes.
11. Que características de aves e dinossauros apare-
cem em fósseis como o do arqueópterix? O que 16. Observe a foto a seguir e responda às questões. pais para os filhos.
• Prepare-se agora para estudar os principais grupos
essas características indicam? • Pode ser difícil de acreditar, mas as espécies de seres representantes dos cinco reinos (Monera, Protista,
Stephen Coburn/Shutterstock/Glow Images

1 Homem de origem indígena pescando em região alagada da floresta Amazônica. Para


capturar os peixes, ele usa um instrumento conhecido como zagaia. vivos se modificam ao longo do tempo. Esse processo, Fungi, Animalia, Plantae).
12. Qual é a função das glândulas sudoríferas nos ma-
Sta
n
zel

míferos? E dos pelos? As comunidades pesqueiras no Brasil são formadas por aproxima-
/u llste
in b

13. No caderno, indique se cada uma das caracterís- damente 800 mil trabalhadores que têm na pesca artesanal sua prin-
i
ld/Ge

cipal, ou única, forma de sustento. Muitos desses pescadores fazem


ticas a seguir é encontrada entre os anfíbios, os
tty Image

parte de uma cultura conhecida como caiçara. A palavra caa-içara é


répteis, as aves ou os mamíferos. (Atenção: a mes-
de origem tupi-guarani: caa significa ‘galhos’, ‘paus’; içara significa
s

ma característica pode estar presente em mais de


‘armadilha’. O termo denomina as comunidades de pescadores tradi-
um grupo.)
cionais dos estados de São Paulo e Paraná e do sul do estado do Rio de
a) Ovo com casca. 15.30 Cão (rottweiler; altura do tronco de 60 cm a 70 cm).
Janeiro.
b) Fecundação interna.
a) O que está acontecendo entre a fêmea e seus Em decorrência do vasto conhecimento de pesca adquirido ao
c) Animais endotérmicos.
filhotes? longo dos últimos 30 anos, muitos caiçaras abandonaram a pesca apenas
d) Penas. para consumo próprio e passaram a trabalhar em grandes barcos de pesca
b) A foto lembra duas características exclusivas
e) Respiração pulmonar. comercial. Eles recebem porcentagens da pesca de acordo com sua espe-
dos mamíferos. Quais são elas?
f ) Desenvolvem-se com metamorfose. cialidade e, em épocas em que a pesca é proibida, voltam para seus lares e
g) Fecundação externa. 17. Por que os mamíferos aquáticos, como a baleia e recebem um subsídio do governo.
h) Respiração cutânea (pela pele) importante. o golfinho, sobem à tona para respirar?
2 Pescador faz a manutenção de seu barco de pesca em Ilhabela, São Paulo.

218 Capítulo 15 • Aves e mamíferos


284 65

5 Glossário 7 Leitura especial


Os termos grafados em azul remetem Esta seção constitui um diferencial
ao glossário na lateral da página. porque contextualiza os temas do Este ícone indica que há
Ele apresenta o significado e a origem volume, aplicando-os a um novo conteúdo digital disponível em:
de muitas palavras. formato. A leitura recupera diversos www.projetotelaris.com.br
contextos de Ciências com um foco
6 Atividades diferente do que foi usado na maior
parte do livro.
Ao final de cada capítulo você vai
encontrar questões para organizar e Este ícone indica que há
fixar os conceitos mais importantes,
8 Ponto de chegada
conteúdo digital exclusivo
trabalhos em equipe, propostas de Apresenta uma visão geral dos
para o professor disponível em:
pesquisas e atividades práticas ligadas a principais conteúdos da Unidade para
www.projetotelaris.com.br
experimentos científicos. que você possa refletir sobre o que
aprendeu.

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Sumário 1
Unidade
Vida, matéria e energia

Ponto de partida, 9 Capítulo 3 • Os seres vivos se


reproduzem... e as espécies
Capítulo 1 • Estudando a célula, 10
evoluem, 29
1. Conhecendo a célula, 11
1. Os dois tipos de reprodução, 30
2. Os tecidos, 13
2. Por que os filhos são
3. Órgãos e sistemas, 14
parecidos com os pais?, 32
4. O microscópio, 15
3. As espécies evoluem, 33
Atividades, 18
4. Darwin, Wallace e a evolução, 39
Atividades, 41
Capítulo 2 • Em busca de matéria e
energia, 20
Capítulo 4 • A origem da vida, 45
1. Crescimento, desenvolvimento e
1. A ideia de geração espontânea, 46
renovação, 21
2. Pesquisando a origem da vida, 49
2. Respiração celular e fotossíntese, 21
Atividades, 51
3. Reagindo ao ambiente, 23
4. Matéria, energia e
transformações, 23 Capítulo 5 • Classificação dos seres
Atividades, 25 vivos, 55
1. Critérios de classificação, 56
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

2. O trabalho de Lineu, 57
3. Os arquivos da vida, 58
4. Os reinos dos seres vivos, 60
Atividades, 61

Ponto de chegada, 65

2
Unidade

Os seres mais simples

Ponto de partida, 67 7. As bactérias e a nossa saúde, 80


Atividades, 83
Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a
saúde do corpo, 68 Capítulo 7 • Protozoários, algas e
fungos, 90
1. Como são os vírus, 69
1. Uma célula com núcleo, 91
2. Nossas defesas naturais, 70
2. Os protozoários, 91
3. Ciência e tecnologia em
3. As algas, 94
defesa do corpo, 71 4. Os fungos, 96
4. Os vírus e a nossa saúde, 73 Atividades, 101
5. Como são as bactérias, 78
6. As bactérias e o ambiente, 79 Ponto de chegada, 109
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

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3

Sumário
Unidade
O reino animal

Ponto de partida, 111 Capítulo 12 • Peixes, 164


1. O corpo dos peixes, 165
Capítulo 8 • Poríferos e cnidários, 112
2. A reprodução dos peixes, 170
1. O modo de vida das esponjas, 113
3. A evolução dos peixes, 171
2. A vida dos cnidários, 115
Atividades, 173
Atividades, 118
Capítulo 9 • Verminoses: uma Capítulo 13 • Anfíbios, 176
questão de saúde, 121 1. O corpo dos anfíbios, 177
2. Reprodução, 180
1. Os platelmintos, 122
3. Os grupos de anfíbios, 181
2. Os nematoides, 126
4. A evolução dos anfíbios, 183
Atividades, 130
Atividades, 184
Capítulo 10 • Anelídeos e
moluscos, 133 Capítulo 14 • Répteis, 185
1. Os anelídeos, 134 1. O corpo dos répteis, 186
2. Os moluscos, 136 2. Reprodução, 187
Atividades, 140 3. Grupos de répteis, 188
4. A evolução dos répteis, 191
Capítulo 11 • Artrópodes e
Atividades, 194
equinodermos, 145
1. Como são os artrópodes, 146
Capítulo 15 • Aves e mamíferos, 199
2. Insetos, 147
3. Crustáceos, 152 1. As aves, 200
2. Os mamíferos, 206
4. Aracnídeos, 153
Atividades, 218
5. Quilópodes e diplópodes, 155
6. Equinodermos, 156
Ponto de chegada, 224
Atividades, 158

4
Unidade

As plantas e o ambiente

Ponto de partida, 227 2. Tundra, 262


3. Taiga, 262
ock
Capítulo 16 • Briófitas e 4. Florestas Temperadas, 263 y/L
a ti
ns t

am
pteridófitas, 228 5. Mata de Araucárias, 263 Al

1. As briófitas, 229 6. Florestas Tropicais, 264


2. As pteridófitas, 231 7. Manguezais, 268
Atividades, 234 8. Campos e Cerrado, 269
9. Desertos, 271
Capítulo 17 • As plantas com sementes: 10. Mata dos Cocais, 272
gimnospermas e angiospermas, 235 11. Caatinga, 272
1. Gimnospermas, 236 12. Pantanal, 273
2. Angiospermas: raiz, caule e folhas, 240 13. Ecossistemas aquáticos, 274
3. Angiospermas: flores, Atividades, 279
frutos e sementes, 246
4. A reprodução assexuada das plantas, 253 Ponto de chegada, 283
Atividades, 254
Leitura especial, 284
Capítulo 18 • Planeta Terra: Recordando alguns termos, 286
ambientes terrestre e aquático, 259 Leitura complementar para o aluno, 291
1. Sol, Terra e clima, 260 Bibliografia, 296

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1
Unidade

Mexrix/Shutterstock/Glow Images

Plantas jovens crescendo no solo.

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Vida, matéria
e energia
O planeta Terra é cheio de vida. São tantos seres vivos diferentes!
Mas, apesar de toda a diversidade, todos eles têm características em comum.
Você vai conhecer melhor os seres vivos nesta Unidade.

Ponto de partida
1. O que todos os seres vivos têm em comum?
2. Como os seres vivos utilizam a matéria e a energia do ambiente?
3. Por que os filhos são parecidos com os pais?
4. Que relação há entre a evolução e a adaptação dos seres vivos ao ambiente?
5. Por que a classificação dos seres vivos é importante para a ciência?

008_019_U01_C01_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 9 5/8/15 4:16 PM


Capítulo

1 Estudando
a célula
Há cerca de trezentos anos, descobrimos algo surpreendente: os
seres vivos são formados por pequenas unidades que são, elas próprias,
vivas. É o trabalho conjunto dessas unidades vivas que permite todas as
atividades complexas que os seres vivos realizam.

Steve Gschmeissner/Science Photo Library/Latinstock


Células humanas da Prepare-se para conhecer os seres vivos por dentro e observar
parte interna da boca
vistas ao microscópio
coisas impossíveis de serem vistas a olho nu.
óptico (aumento de
cerca de 400 vezes).
Biophoto Associates/Arquivo da editora

Ameba vista ao
microscópio.
As amebas são seres
vivos unicelulares. Em
geral, medem cerca de
0,7 mm de diâmetro.

A questão é
O que é uma célula? Como sabemos que elas existem? Como as
1.1 Células vistas
células se organizam em nosso corpo de forma a participar das diversas
ao microscópio.
As células foram coloridas funções vitais?
artificialmente.

10

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1 Conhecendo a célula
Pluricelular vem do latim
Animais e plantas são formados por muitas células e por isso são chamados pluri, que significa
seres pluricelulares. Nosso corpo, por exemplo, é formado por um número muito gran- ‘muitos’, + celular.

de delas: cerca de 65 trilhões. Mas existem também seres formados por uma única Unicelular vem do latim
célula: são os chamados seres unicelulares, como a ameba da figura 1.1. e significa ‘um’, + celular.

A maioria das células mede menos que a décima parte de um milímetro. Algumas, Célula-ovo é a célula que
dá origem a todas as
como a célula-ovo humana, chegam a medir um décimo de milímetro. Não é comum
células do nosso corpo.
encontrar células muito maiores do que isso, mas a ameba representada na figura mede
Citologia vem do grego
cerca de 0,7 mm. kytos, que significa
Como é possível estudar estruturas tão pequenas como as células? Por causa ‘célula’; e logos, ‘estudo’.
do seu tamanho, as células devem ser estudadas por meio de técnicas e instrumentos,
como o microscópio de luz ou óptico. Esse tipo de microscópio possui várias lentes de
Mikros, em grego, significa
aumento e assim possibilita a ampliação da imagem da célula. ‘pequeno’; e skopeo,
Foi com a ajuda do microscópio que os cientistas descobriram a existência da ‘examinar’. Óptico vem do
grego optikós, ‘que tem
célula. Observe na figura 1.2 células de uma planta aquática, a elódea (Egeria densa).
relação com a visão’.
Para medir elementos tão pequenos quanto a célula, os cientistas criaram uni- Conheça mais sobre o
dades de medida menores que o milímetro. Uma das mais usadas é o micrômetro, microscópio no boxe das
páginas 16 e 17.
que corresponde à milésima parte do milímetro. A maioria das células mede de 10 a
100 micrômetros (ou de 0,01 a 0,1 milímetro).
O símbolo do
À medida que progrediam os estudos sobre a célula, descobriu-se que ela se micrômetro é μm. ‘μ’ (mi)
alimenta, cresce e realiza as diversas funções que mantêm a vida. A célula passou é uma letra grega que
então a ser considerada a menor parte viva de um organismo: a unidade da vida. indica a milionésima
parte da unidade a que é
A parte da Biologia que estuda a célula é denominada citologia. anexado, e ‘m’ é o
símbolo do metro.

1.2 Células vegetais vistas ao Nuridsany & Marie


ud e Per
C la en no
microscópio. As células foram u/S
cie
n
coloridas artificialmente.

ce
Ph
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ESG/Arquivo da editora

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/Latinsto
ck

Células da elódea
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

(Egeria densa) vistas ao


microscópio óptico
(aumento de cerca de
Por dentro da célula 250 vezes).

Para uma cidade funcionar corretamente, é necessário que a distribuição de ali-


mentos, o sistema de transportes, o fornecimento de energia, a remoção do lixo, o
sistema educacional e muitos outros serviços estejam em harmonia.
Algo semelhante ocorre com a célula: ela é formada por diversas partes, que
funcionam em conjunto e a mantêm viva. Vamos examinar as três principais partes da
célula: a membrana plasmática, o citoplasma e o núcleo. A função da membrana plasmá-
tica (do grego plasma, que significa ‘molde’) é controlar o que entra na célula e o que sai dela.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 11

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Essa membrana facilita a entrada de substâncias importantes para a célula, como a
glicose, um açúcar. É uma estrutura tão fina que não pode ser vista com o microscópio
óptico. Para vê-la, é preciso usar um aparelho que aumenta ainda mais a imagem: o
microscópio eletrônico. Nas plantas, a membrana plasmática é envolvida por uma
outra estrutura, a parede celular, que é rígida e participa da sustentação da célula.
O citoplasma é um material gelatinoso formado por água, sais minerais e outras
substâncias. Nele encontram-se as organelas, que realizam diversas funções dentro
da célula. Nas células das plantas há também o vacúolo, uma cavidade cheia de líquido,
Organela vem do grego
e os cloroplastos, organelas de cor verde que realizam a fotossíntese. Veja a figura 1.3.
e significa ‘pequeno
órgão’ ou ‘pequeno (Você vai estudar a fotossíntese no próximo capítulo.)
instrumento’. No núcleo existem minúsculos fios chamados cromossomos. Mais adiante você
verá que há células sem núcleo, com cromossomos no citoplasma. Cada cromosso-
mo é formado por uma sequência de genes, que controlam as atividades das células
e influenciam nas várias características dos seres vivos, como a altura e a cor dos
olhos.
Os genes são formados por uma substância química de nome complicado, o
ácido desoxirribonucleico ou, abreviadamente, DNA. Na língua portuguesa, o nome
No Brasil é comum
ácido desoxirribonucleico pode ser abreviado por ADN.
adotar a sigla DNA, que Pode-se dizer que os genes contêm informações, ou instruções, que comandam
vem do inglês. as atividades celulares. Assim, podemos dizer que o núcleo da célula funciona como
um centro de comando.
Veja na figura 1.3 esquemas simplificados de uma célula animal e de uma célula
vegetal, com algumas organelas em seu interior. Lembre-se de que as células são
microscópicas. Não se preocupe com o nome das organelas neste momento: você vai
estudá-las melhor no 8o ano.

Célula animal Célula vegetal

núcleo citoplasma
mitocôndria

vacúolo cloroplasto
retículo
endoplasmático

centríolo
(ou centro celular)
Ilustrações: Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

ribossomos complexo
golgiense núcleo parede celular

membrana
plasmática lisossomo membrana plasmática

1.3 Esquemas simplificados de uma célula animal e de uma célula vegetal. (Os elementos das figuras não estão na mesma
escala. Isso significa que algumas partes das figuras foram reduzidas e outras ampliadas em relação ao seu tamanho natural.
Pode-se usar também a expressão “figura sem escala”. As células são microscópicas. Cores fantasia.)

12 Capítulo 1 • Estudando a célula

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2 Os tecidos
Como as células, que são tão pequenas, podem fazer, por exemplo,
nosso braço levantar pesos?
Evidentemente, uma única célula não é capaz disso. Os músculos, como

Leonello Calvetti/SPL/Latinstock
o bíceps do braço, são formados por muitas células, que podem se contrair
de forma organizada. Todas as células desse músculo diminuem de compri-
mento ao mesmo tempo e na mesma direção e, assim, produzem uma força bíceps
contraído
capaz de movimentar o braço — nesse caso, o uso da expressão “a união faz
a força” é bastante adequado. Veja a figura 1.4.
Se você observar parte de um animal ou de uma planta ao microscópio, verá
que as células se reúnem em grupos e que cada um deles tem uma função. Esses
conjuntos de células agrupados que desempenham determinada função são denomi- 1.4 A contração do
nados tecidos. bíceps, um músculo,
faz o braço dobrar e até
Seguindo o mesmo raciocínio, é possível perceber que uma única célula não é capaz levantar peso.
de proteger ou revestir toda a superfície do corpo humano. São necessárias muitas (Esquema simplificado.
Cores fantasia.)
células para formar uma camada protetora. Essas células que revestem o corpo cons-
tituem um tecido chamado de epiderme. Veja exemplos de tecidos na figura 1.5.
Richard J. Green/Photo Researchers, Inc./Latinstock

queratina
pelos
derme epiderme
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

epiderme
adiposo
tecido

derme
1.5 Ilustração de pele
Entre os vegetais também se encontram células especializadas. Algumas apre- humana (um órgão) e
alguns tecidos: a
sentam muitos cloroplastos, organelas verdes que realizam fotossíntese. Outras epiderme, a derme e o
células formam a epiderme, camada que protege a planta. Observe a figura 1.6. tecido adiposo (sob a
pele). Na foto, pele ao
microscópio de luz ou
óptico (aumento de cerca
de 100 vezes). (Os
Pejo/Shutterstock/Glow Images

elementos da ilustração
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

não estão na mesma


escala. Cores fantasia.)

Sin
cla
i rS
ta
m
m
ers
/Sc
ien ce Photo Library/

1.6 Epiderme da cebola representando um tecido Um tecido, a epiderme da


Lat
ins

vegetal (ilustração feita com base em imagem cebola (microscópio de luz


t oc
k

produzida por microscópio de luz). Observe, à ou óptico; aumento de cerca


direita, a ampliação da imagem. de 80 vezes).

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 13

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3 Órgãos e sistemas
Atenção! Os tecidos podem agrupar-se e formar um órgão. Um exemplo de órgão é o
Existe uma proposta estômago, que se constitui de várias camadas de tecidos: uma delas forra e protege o
de criar um
vocabulário único estômago por dentro, além de produzir substâncias que realizam a digestão; outra
para as ciências da camada abriga os vasos sanguíneos; e uma terceira é capaz de se contrair e ajudar a
saúde, que seja
aceito no mundo misturar os alimentos com as substâncias que realizam a digestão.
todo. De acordo com Um grupo de órgãos que trabalham em conjunto e de forma harmoniosa consti-
essa nova
terminologia tui um sistema. O coração, as artérias e as veias compõem o sistema circulatório (ou
anatômica, sistema cardiovascular), que impulsiona o sangue e o conduz pelo corpo. O estômago, o intes-
digestivo passa a
ser sistema
tino, o fígado, a vesícula biliar, o pâncreas, a boca, as glândulas salivares e mais alguns
digestório; entre órgãos formam o sistema digestório, responsável pela digestão e absorção dos ali-
outras alterações. mentos. Observe a representação do nosso sistema digestório na figura 1.7.
Neste livro serão
apresentadas a Todos os sistemas, reunidos e trabalhando de modo coordenado, formam um
nomenclatura atual organismo.
e a tradicional para
que você possa se Você pode perceber, portanto, que os seres vivos são muito mais organizados
familiarizar com que a matéria sem vida. Na matéria sem vida não há, por exemplo, células, tecidos
essas mudanças.
ou órgãos.
Calve tti/Sh utter s
nello toc
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Im
ag

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estômago

/Shutterstock/Glow
n go
L ue Im
ag
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Al

cavidade do
estômago
Leonello Calvetti/Shutterstock/Glow Images

vasos
sanguíneos

Detalhe dos
tecidos que
formam o
intestino.

1.7 Organização do corpo em células, tecidos, órgãos e sistemas. (Os elementos da ilustração não
estão na mesma escala. Cores fantasia. Células e tecidos ilustrados com base em imagens obtidas
por microscópio óptico.)

14 Capítulo 1 • Estudando a célula

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4 O microscópio

Germano Luders/Arquivo da editora


Já vimos que os microscópios são formados
por conjuntos de lentes que possibilitam a amplia-
ção de imagens. As lentes são de material trans-
parente, por isso são atravessadas facilmente pela
luz. Alguns tipos de lente, além disso, podem for-
necer imagens aumentadas dos objetos.
Na figura 1.9 você pode observar as partes de
um microscópio óptico. Você vai aprender mais
sobre lentes, microscópios e outros instrumentos
ópticos no livro do 9o ano.
O material a ser examinado — que pode ser 1.8

uma gota de água contendo organismos muito pequenos (microrganismos) — é posto


sobre uma lâmina de vidro. Dependendo do material utilizado, pode ser necessário
cortá-lo em lâminas muito finas para que a luz o atravesse.
Em seguida, põe-se um pouco de água sobre o material. Às vezes também são
usados corantes, produtos que tingem certas partes da célula e criam um contraste
que facilita a observação.
Para visualizar melhor
Cobre-se então o material com uma lâmina de vidro muito fina, a lamínula. A luz o núcleo da célula,
emitida por uma lâmpada ou refletida por um espelho atravessa o material e passa usa-se, por exemplo,
pela objetiva, lente que está próxima ao material examinado. A maioria dos microscó- um corante chamado
azul de metileno, que
pios possui um conjunto de três objetivas, cada uma com capacidade de aumento di- torna o núcleo azulado.
ferente: pode haver, por exemplo, uma objetiva que aumente 10 vezes, outra que au-
mente 40 vezes e uma terceira que amplie 100 vezes a imagem do objeto.
Depois a luz atravessa a ocular, lente que fica próxima aos olhos do observador.
O aumento total que o microscópio permite é o produto entre a capacidade de amplia-
ção da lente ocular e a capacidade de ampliação da lente objetiva. Portanto, se a ocular
aumenta 10 vezes e a objetiva aumenta 40 vezes, a imagem observada vai ser am-
pliada 400 vezes.
(*Atenção: não aponte o
lente ocular espelho para o Sol, pois o
reflexo dele, se atingir o
canhão olho, pode causar lesões
observador na retina.)
parafuso
macrométrico revólver

lente ocular
lente
lente objetiva
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

condensadora
Kalabukhava Iryna/Shutterstock/Glow Images
KLN Artes Gráficas/Arquivo da editora

lentes objetivas
platina

objeto diafragma

espelho* ou
lâmpada
fonte
luminosa
feixe de base
luz
1.9

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 15

008_019_U01_C01_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 15 5/8/15 4:17 PM


Ciência e História
A invenção do microscópio e a descoberta da célula
O microscópio, como muitas outras invenções, Já em 1665, o cientista inglês Robert Hooke
foi aperfeiçoado aos poucos, graças ao trabalho de (1635-1703; pronuncia-se “huk”, com a letra “h” aspi-
vários técnicos e cientistas. O aprimoramento de téc- rada) observou pedaços de cortiça com o auxílio de
nicas e equipamentos é muito comum em ciência: cada um microscópio formado por duas ou mais lentes as-
cientista contribui com um pequeno “tijolo” para a sociadas dentro de um tubo de metal. Veja na figura
construção do conhecimento científico. Vejamos um 1.10 o instrumento de Hooke.
pouco da história dessa invenção. Ele conseguiu ver pequenos espaços na cortiça,
As lentes de aumento começaram a ser usadas que chamou de células (diminutivo, em latim, de cella,
no século XIV para corrigir problemas de visão. No ‘pequeno cômodo’). Hoje sabemos que o que Hooke tinha
início, as imagens obtidas eram muito distorcidas. visto, na realidade, era o envoltório das células vegetais,
Para alguns historiadores, os primeiros micros- a chamada parede celular. Dentro do envoltório havia
cópios, que eram bem simples e ampliavam apenas um espaço vazio e já sem vida, pois o conteúdo já tinha
cerca de 20 vezes, teriam sido criados em 1590 pelos morrido e desaparecido. Reveja a figura 1.10.
fabricantes de óculos holandeses Hans e Zacharias Em 1674, chegou às mãos de Hooke uma carta
Janssen (pai e filho). com desenhos do comerciante holandês de tecidos

E d wa r d K
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Dr. Cecil H. Fox/Photoresearchers/Latinstock

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1.10 Microscópio utilizado por Hooke e ilustração, feita por ele, de um pedaço
de cortiça observado com o instrumento (o corpo do microscópio tinha cerca
de 15 cm de comprimento). No alto, cortiça vista ao microscópio eletrônico
(aumento de cerca de 4 400 vezes).

16 Capítulo 1 • Estudando a célula

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Anton van Leeuwenhoek (1632-1723; pronuncia-se Mas ainda havia uma questão: de onde vinham
“lêvenhuk”), que afirmava ter descoberto um mundo as células? Em 1800, muitos acreditavam que seres
de animais em uma gota de água da chuva. vivos podiam se originar da matéria sem vida. Alguns
Leeuwenhoek se dedicava ao estudo da natureza e achavam, por exemplo, que as células podiam surgir
tinha notável habilidade para polir lentes e torná-las de algum líquido do corpo.
muito finas. Ele usava essas lentes para examinar as Em 1858, o médico alemão Rudolf Virchow (1821-
fibras do tecido e atestar sua qualidade. Com o material -1902; pronuncia-se “fírchov”) propôs que toda célula
que ele produziu e usando técnicas de iluminação ele provém de outra, querendo dizer que uma célula é
foi capaz de aumentar a imagem dos objetos até 270 capaz de se reproduzir. Virchow fez mais uma afirma-
vezes. Com isso ele pôde observar microrganismos ção ousada para a época: as doenças seriam conse-
com apenas 0,003 mm (três milésimos de milímetro) quência de problemas nas células.
de comprimento. Leeuwenhoek disse uma vez que Em 1931, os engenheiros alemães Ernst Ruska
“Tudo o que descobrimos até agora é insignificante se (1906-1988) e Max Knoll (1897-1969) usaram feixes
comparado ao que podemos encontrar no grande te- de elétrons e construíram os primeiros microscópios
souro da natureza”. E ele não estava exagerando: os eletrônicos. Eles se basearam para isso em estudos do
seres microscópicos constituem provavelmente mais físico alemão Hans Busch (1884-1973), sobre o desvio
de 90% de todos os indivíduos do planeta! da trajetória de elétrons ao passarem por campos
Mesmo assim, as descobertas de Leeuwenhoek magnéticos (um fenômeno que você vai estudar no
não tiveram muito impacto na comunidade científica. 9o ano). Com os microscópios eletrônicos era possível
Os médicos estavam preocupados com o tratamento conseguir imagens ampliadas em até 400 mil vezes.
das doenças e as observações ao microscópio não Veja a figura 1.11.
pareciam ajudar nesse objetivo. Como vemos, a descoberta e o aperfeiçoamento
Ao longo do século XVIII, lentes melhores foram do microscópio, assim como o estudo da célula e de
sendo desenvolvidas. Mas foi no século XIX que o mi- outras descobertas científicas, foi fruto do trabalho de
croscópio óptico ganhou a aparência que tem hoje. muitos cientistas, ao longo de várias gerações.
Na década de 1820, o botânico escocês Robert
Brown (1773-1858; pronuncia-se “bráun”) descobriu
um pequeno corpo no interior de vários tipos de célu-
Andrew Syred/Science Photo Library/Latinstock

las e o chamou de núcleo. Em 1838, o botânico alemão 1.11 Bactérias (em


Matthias Schleiden (1804-1881; pronuncia-se laranja) na ponta de um
alfinete ao microscópio
“xláiden”) concluiu que a célula era a unidade básica
eletrônico (cores
de todas as plantas. Um ano mais tarde, o zoólogo ale- artificiais). O diâmetro
mão Theodor Schwann (1810-1882; pronuncia-se da ponta do alfinete é de
0,03 mm e o
“xvan”) generalizou esse conceito para os animais.
comprimento da
Surgia, assim, a teoria celular de Schwann e Schleiden: bactéria é de 0,005 mm.
“Todos os seres vivos são formados por células”.

Mundo virtual
hc.cienciahoje.uol.
s/>
com.br/fabrica-de-tecido

Fábrica de tecidos
<http://chc.cienciahoje.uol.com.br/fabrica-de-tecidos/>
Reportagem sobre como impressoras 3-D podem contribuir para a produção de órgãos do corpo humano.
Reprodução/<http://c

Microscópio virtual
<http://sites.aticascipione.com.br/microscopio/>
Objeto educacional digital que apresenta a história e o funcionamento do microscópio, além da visualização
de tecidos de perto e Galeria de imagens.
O que são seres vivos? – Ensino de Ciências
<www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/seres_vivos.htm>
Página que apresenta os critérios que diferenciam os seres vivos de seres não vivos e como estes podem
ser classificados.
Acesso em: mar. 2015.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 17

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Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

Organize suas ideias


A atividade Trabalhando as ideias do capítulo ajuda você a revisar o que aprendeu. Além disso, você pode usar
essa atividade como um roteiro, elaborando um resumo do capítulo. Mas não vale só copiar as respostas! Tente re-
digir de fato o roteiro, dando-lhe organização — um começo, um desenvolvimento e um final —, além de coerência e
objetividade. É importante também prestar atenção ao vocabulário e à ortografia.

1. Como os cientistas conseguem estudar as células, d) As células da pele podem ser observadas a
considerando que elas são tão pequenas? olho nu.
e) Tecidos são formados por reuniões de células.
2. Por que dizemos que a célula é a unidade da vida?
f ) O coração é um exemplo de tecido.
3. Você aprendeu que a célula pode ser dividida em três g) O estômago é exemplo de um órgão.
partes principais. Agora, no caderno, escreva o nome h) Os órgãos fazem parte de sistemas.
de cada uma delas e associe as partes numeradas
5. Observe na figura abaixo um esquema simplifi-
da figura com a função que elas desempenham:
cado de uma célula-tronco encontrada no em-
a) controla a entrada e a saída de substâncias; brião e em algumas outras partes do corpo.
b) contém os cromossomos; As células-tronco têm cerca de 10 micrômetros
c) contém as organelas. ( μm) de diâmetro e podem se transformar em
I II III células de vários tecidos do corpo. Pesquisas fei-
tas com esse tipo de célula buscam contribuir
para a cura de doenças (cores fantasia).

Célula-tronco humana
SPL/Latinstock

Banco de Imagens/Arquivo da editora


I

II
1.12

III
4. No caderno, indique as afirmativas verdadeiras.
a) Todos os seres vivos são formados por muitas 1.13

células.
b) A membrana plasmática envolve a célula. a) Qual o tamanho da célula-tronco em milímetros?
c) A célula não é viva. b) Que parte da célula cada número está indicando?

Mexa-se!

Com o microscópio o ser humano aumenta sua capacidade de investigar o mundo e passa a descobrir coisas que
os órgãos dos sentidos, sozinhos, são incapazes de perceber. Com auxílio de professores de Física e de História,
faça um resumo sobre outros instrumentos que também ampliam nossa capacidade de observação.

18 Capítulo 1 • Estudando a célula

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Pense um pouco mais

1. Veja o texto escrito por um pesquisador no sécu- para regiões mais quentes em certas épocas do
lo XVII: ano. Mas não é isso que o ditado quer dizer. Os
ditados populares tentam passar algum ensina-
“(...) pude perceber claramente que toda a
cortiça era perfurada e porosa, assemelhando-se mento. Como você poderia relacionar esse ditado
a um favo de mel (...) esses poros (...) não eram mui- com algo que estudou neste capítulo e que se re-
to profundos e eram semelhantes a um grande fere a células, tecidos e órgãos?
número de pequenas caixas.”
3. Um músculo contém: as células musculares, célu-
A partir do que você aprendeu neste capítulo, res- las capazes de se contrair; vasos sanguíneos, que
ponda: levam alimento e oxigênio para as células; nervos,
a) Que instrumento o pesquisador estava usando? que dão o sinal para a contração do músculo; e o
b) O que você acha que ele viu? tecido conjuntivo, que contém gordura, proteínas
c) Quem seria esse pesquisador? e vários tipos de célula.

2. Você conhece o ditado “Uma andorinha só não faz Com base nessas informações, responda: o mús-
verão”? De fato, as andorinhas voam sempre em culo é um tecido, um órgão ou um sistema? Justi-
grandes grupos e migram de regiões mais frias fique sua resposta.

Aprendendo com a prática


Os elementos da ilustração não estão na
Se na escola em que você estuda existe um laboratório A mesma escala. Cores fantasia.
com microscópio, lâminas e lamínulas, este experimen-
to pode ser realizado com o auxílio do professor.
Corte uma cebola e
Material separe uma escama.

Ilustrações: Ingeborg Asbach/Arquivo da editora


• Uma cebola
• Uma pinça
• Corante azul de metileno
• Lâminas para microscopia
• Lamínulas para microscopia
• Microscópio óptico

Procedimentos
• Antes de iniciar a prática, preste atenção às recomenda- Faça um pequeno B
ções: o material utilizado deve ser suficientemente fino corte na parte interna
da escama e retire com
para ser atravessado pela luz e estar bem iluminado pela a pinça uma película
fonte de luz (espelho ou lâmpada). Deve-se começar a bem fina.
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

observação com a objetiva de menor aumento.


• Olhando por fora do aparelho, gire o parafuso macromé-
trico e abaixe o canhão do microscópio até a objetiva C
ficar bem perto da lâmina. Então, olhando pela ocular,
levante o canhão até a imagem ficar em foco. Para obter Ponha a escama em lâmina
com um corante, como o azul
um ajuste mais preciso, mexa no parafuso micrométrico. de metileno, cubra com a
lamínula e leve ao microscópio;
• Você pode usar o microscópio, com a ajuda do professor, espere alguns minutos e
para observar células de cebola. Veja as instruções na observe com a objetiva de
menor aumento e depois com
figura 1.14. Depois, no caderno, desenhe as partes da
1.14 a de maior aumento.
célula que você observou e identifique-as.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 19

008_019_U01_C01_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 19 5/8/15 4:17 PM


Capítulo
Em busca de

2 matéria
e energia
Nós já vimos que os seres vivos constituem-se de células e que são mais orga-
nizados do que a matéria sem vida. Essa organização, assim como o crescimento e o
desenvolvimento, depende da capacidade dos seres vivos de interagir com o ambien-
te, por meio da nutrição, da reprodução e da capacidade de reagir a estímulos. Conhe-
ceremos agora como os seres vivos se desenvolvem e como acontece sua interação
com o ambiente e com outros seres vivos.

fo
gra
otó
of
od
c erv
i/A
bin
olom
bi oC
Fa

2.1 Jacaré-de-papo-amarelo
saindo do ovo, onde se A questão é
desenvolveu a partir de uma
célula-ovo. Depois ele cresce e Quais são as funções do alimento? Que processo libera a energia dos
atinge até 2,5 m de comprimento
na fase adulta.
alimentos? Em que diferem a nutrição das plantas da dos animais?
As plantas são capazes de reagir ao ambiente?

20

020_028_U01_C02_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 20 5/8/15 4:16 PM


1 Crescimento, desenvolvimento
e renovação
Todos os seres vivos têm origem em outro ser vivo. Desde o seu aparecimento,
eles se desenvolvem, crescem, se reproduzem e morrem. Essa série de mudanças
constitui o ciclo de vida, ou ciclo vital.
O crescimento dos seres pluricelulares ocorre principalmente pelo aumento do
número de células. Como você vai ver no próximo capítulo, todos nós já fomos uma
única célula, a célula-ovo. Essa célula se dividiu e originou duas novas
células. E cada uma delas cresceu e se dividiu em mais duas, origi-
nando quatro, depois oito, 16, 32, 64… Veja a figura 2.2.
À medida que o corpo toma forma, as células se especia- 1a divisão

lizam e se tornam diferentes umas das outras. Surgem então

SPL/Latinstock
os tecidos, os órgãos e os sistemas. Até chegar o momento célula-ovo
em que o organismo se torna sexualmente maduro, ou seja,
quando é capaz de se reproduzir.
Para crescer e se desenvolver, o organismo retira substâncias
do ambiente e as transforma. Essas transformações produzem uma
série de outras substâncias usadas na construção do corpo.
Ao comparar uma célula-ovo com o organismo já adulto, é fácil perce-
massa de células
ber que o adulto é maior e mais pesado. Durante o desenvolvimento do orga-
nismo, o número de células das plantas e dos animais aumenta, por isso eles
ganham massa e volume. 2.2 Desenvolvimento
inicial de uma célula-ovo
E como é possível aumentar o número de células e construir um ser adulto? até a formação de uma
Basicamente, com o aumento da quantidade de substâncias que alimentam as células. pequena massa de
células.
E essas substâncias — essa matéria — vêm dos alimentos.
Você pode não ver, mas todos os dias muitas células de sua pele morrem. Mesmo
assim, o número de células da pele não diminui.
Como se explica esse fenômeno? É simples: certas células da pele se dividem ou
se multiplicam e fazem a reposição das células que morreram.
Pode-se concluir que a nutrição é importante não apenas para o crescimento,
mas também para a renovação do organismo. Muitas substâncias e células se perdem
e precisam ser repostas. O material necessário para essa reposição também é obtido
do alimento.

2 Respiração celular e fotossíntese


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Andar, pensar, falar, descansar… Para fazer qualquer coisa, nosso organismo
precisa de energia. O crescimento e a renovação do corpo também necessitam de O gás oxigênio chega
energia. Até durante o sono o corpo usa energia para se aquecer, bombear o sangue aos pulmões e é levado
para os órgãos e produzir novas células. É o alimento a fonte dessa energia. Nos seres até as células pelo
sangue. Esse processo
vivos, essa energia é liberada no interior das células, por meio da respiração. que leva o oxigênio do ar
Quando alguém se refere à respiração, geralmente pensa no processo em que o até as células e devolve
pulmão se enche de ar e esvazia. Porém, o processo pelo qual os seres vivos conse- gás carbônico é
chamado de respiração
guem obter a energia dos alimentos é a respiração celular. E, para realizar esse pro-
orgânica.
cesso, a maioria dos organismos utiliza o oxigênio do ambiente.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 21

020_028_U01_C02_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 21 5/8/15 4:16 PM


Vamos entender melhor o que é a respiração celular. A partir da digestão de alguns
alimentos, o nosso organismo consegue obter um açúcar conhecido como glicose. No
interior das células, essa substância se combina com o gás oxigênio retirado do am-
biente, transformando-se em gás carbônico e água. Esse processo libera energia, que
passa a ser utilizada pelo ser vivo.
Assim como os outros animais, nós obtemos açúcar e diversos alimentos inge-
Fotossíntese vem do rindo outros seres vivos.
grego photos, que E as plantas? Como será que elas obtêm esse açúcar, já que elas não se alimen-
significa ‘luz’, e
synthesis, ‘compor’, tam de outros seres vivos? Será que elas retiram a glicose do solo? E por que será que
‘produzir’, ‘fabricar’. a maioria das folhas é verde?
Ao contrário dos animais, as plantas são capazes de produzir matéria orgânica a
Em inorgânica, in, em
latim, indica negação.
partir da água e do gás carbônico que retiram do ambiente por meio da fotossíntese.
Portanto, inorgânico Nesse processo, os vegetais transformam água e gás carbônico em glicose utilizando
significa ‘não orgânico’. a energia da luz do Sol.
Veja a seguir as etapas da fotossíntese e acompanhe a explicação na figura 2.3.
I. A planta absorve o gás carbônico do ar e a água da terra.
II. O gás carbônico e a água são levados para as células das folhas, que contêm
um pigmento de cor verde chamado clorofila. Esse pigmento absorve a ener-
gia da luz do Sol e está localizado dentro de organelas chamadas cloroplastos.
III. A energia absorvida pela clorofila é usada para transformar o gás carbônico e
a água em glicose.
IV. Além da glicose, a fotossíntese produz oxigênio, que é eliminado no ambiente,
mas pode ser usado pela própria planta em sua respiração celular.
Com a glicose formada pela fotossíntese e pelos sais minerais que a planta
retira do solo, a planta produz outros açúcares e substâncias, como as gorduras e
as proteínas, que fazem parte de seu corpo. Os açúcares, as gorduras e as proteí-
nas são chamados de substâncias orgânicas. Essas substâncias são encontradas
principalmente no corpo dos seres vivos (daí o nome orgânico, de organismo). Já
2.3 Na fotossíntese,
a planta fabrica açúcar
a água, o gás carbônico, o oxigênio e os sais minerais são substâncias minerais, ou
usando gás carbônico, inorgânicas. Essas substâncias são encontradas
água e energia da luz. em grande quantidade principalmente fora dos
(Os elementos da
ilustração não estão na gás organismos.
mesma escala; cores carbônico A expressão “substância orgânica” foi criada
luz solar
fantasia.)
em uma época em que se pensava que elas só po-
deriam ser produzidas por organismos vivos, por
algo chamado de “força vital”.
Com o tempo, a estrutura química das subs-
tâncias orgânicas foi sendo desvendada e, em
1828, o químico alemão Friedrich Wöhler (1800-
-1882) produziu em laboratório, a partir de subs-
tâncias inorgânicas, a ureia. Essa substância orgâ-
nica é encontrada na urina de vários animais. Hoje,
Luis Moura/Arquivo da editora

inúmeras substâncias orgânicas são fabricadas em


laboratório.
água
Agora você já sabe por que as folhas geral-
mente são verdes: essa é a cor da clorofila. Às vezes,

22 Capítulo 2 • Em busca de matéria e energia

020_028_U01_C02_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 22 5/8/15 4:16 PM


Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo
porém, ela fica escondida pela cor de outros pigmentos que existem na folha, como
você pode ver na figura 2.4.
Como você acabou de ver, no interior dos seres vivos ocorrem importantes trans-
formações químicas. O conjunto dessas transformações é chamado metabolismo.
Você vai entender mais sobre reações químicas no livro do 9o ano.
Vimos também que as plantas usam a energia da luz do Sol para produzir açúcar
a partir de gás carbônico, água e sais minerais retirados do ambiente. A partir do açúcar,
os vegetais obtêm as outras substâncias importantes para seu organismo. Dizemos, 2.4 Nem sempre a cor
verde da clorofila, que
então, que as plantas têm nutrição autotrófica, ou que são seres autotróficos. está presente na folha,
Já os animais não são capazes de realizar fotossíntese. Dizemos que eles têm aparece.
nutrição heterotrófica, isto é, são seres heterotróficos: dependem dos açúcares e de
outras substâncias produzidas pelos vegetais e por outros animais. Mesmo quando
comemos um bife, por exemplo, estamos comendo parte de um boi, que, por sua vez, Metabolismo vem de
comeu capim (ou ração). Assim, nós e outros animais fazemos parte de uma cadeia metabolos, que significa
alimentar, em que os vegetais são os produtores e os animais são os consumidores. ’transformar’.

Esses e outros conceitos fazem parte da ideia de cadeia alimentar, estudada no 6o ano. Autotrófico vem de
autós, que significa ‘por
si próprio’, mais trophé,
‘alimento’.
3 Reagindo ao ambiente Heterotrófico vem de
Se uma pessoa nos chama, viramos o rosto na direção dela. Ao ver uma onça, o hétero, ‘diferente’, e
trophé, que significa
macaco foge. E o bebê chora quando sente a picada da injeção. Esses exemplos mos- ‘alimento’.
tram que os seres vivos reagem a estímulos, como sons, luzes, produtos químicos e
outros fatores do ambiente.

Adam Hart-Davis/Science Photo Library/Latinstock


Essa capacidade de reagir a estímulos chama-se irritabilidade. É ela que permi-
te ao ser vivo conseguir alimento, defender-se, evitar certos estímulos prejudiciais e
reagir a várias outras situações.
Mas e as plantas, também reagem a estímulos? As plantas não parecem se mo-
vimentar, e outras relações delas com o ambiente também não são muito evidentes.
Mas as plantas se movimentam e também reagem a certos estímulos, mas, em geral,
com menos rapidez que os animais.
Você já reparou que, dentro de casa, certas plantas se curvam na direção da ja-
2.5 Planta (tomate)
nela e ficam com as folhas voltadas para a claridade? Observe a figura 2.5. crescendo em direção à luz
(cerca de 7 cm de altura).

4 Matéria, energia e transformações


Você já sabe que o alimento fornece matéria e energia para os seres vivos.
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Matéria e energia são


De modo simplificado, podemos dizer que matéria é tudo o que ocupa lugar no conceitos importantes em
espaço. A matéria forma as estrelas, os planetas, o corpo dos seres vivos, o ar, os ciência, e você entenderá
mais sobre esses
objetos à sua volta — e muito mais.
conceitos ao longo de seu
A matéria é formada por substâncias químicas, que você vai estudar com mais estudo em Ciências.
detalhes no 9o ano. É importante você saber agora que substâncias químicas podem
sofrer transformações. Isso acontece, por exemplo, com uma vela. Quando a vela
queima, sua principal substância química, a parafina, reage com o gás oxigênio do ar
dando origem a duas outras substâncias químicas: gás carbônico e vapor de água.
As transformações químicas alteram a natureza da matéria e, consequentemen-
te, suas propriedades. As substâncias formadas são diferentes das originais. No caso

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 23

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da vela, a parafina e o gás oxigênio se transformam em gás carbônico e água, entre
outras substâncias.
Outra transformação que observamos frequentemente ocorre em frutas, como
a maçã. Depois de a fruta ser descascada, sua superfície fica escura. Você sabe por
2.6 Passageiros em
viagem de inspeção a um
quê? Isso ocorre devido ao contato de certas substâncias presentes na maçã com o
trecho da Estrada de oxigênio do ar. Trata-se de uma transformação química. Também ocorrem transfor-
Ferro Madeira-Mamoré,
mações químicas quando a gasolina é usada como combustível, quando o leite é trans-
em 1910, na região Norte
do Brasil. formado em iogurte, quando uma fruta verde amadurece e na formação de ferrugem.
O ser humano usa a transformação de substâncias da natureza

Dana B. Merrill/Arquivo da editora


criando um imenso número de novos materiais, como plásticos, aço,
tintas, medicamentos, etc. E usa as transformações de energia na
indústria, nos transportes, em máquinas, etc. Veja a figura 2.6.
No corpo dos seres vivos também ocorrem transformações
químicas a todo momento. Em nosso tubo digestório, as substân-
cias que compõem os alimentos são transformadas em outras. No
interior das células, por exemplo, a glicose combina-se com o gás
oxigênio e é transformada em gás carbônico e água, liberando
energia. É a respiração celular, como acabamos de ver.
E o que é energia? Essa definição não é fácil e este é um con-
ceito que você vai aprimorar ao longo de seu aprendizado em
Ciências. Por enquanto, pense em energia como a capacidade de realizar um trabalho.
Ao levantar um livro que está na mesa, por exemplo, você está realizando um trabalho.
Existem diversas formas de energia na natureza. E elas podem se transformar
umas nas outras.
O ser humano aprendeu a conhecer e a aproveitar as transformações de energia
É importante saber
também que a energia para criar máquinas e aparelhos que facilitam nossa vida. Você sabe que a televisão e
não pode ser criada nem o computador, por exemplo, só funcionam se receberem energia — a energia elétrica.
destruída: quando uma
Essa energia é transformada em outras formas de energia, que podem ser emitidas
forma de energia se
transforma em outra, a na forma de luz, som e calor.
quantidade total de Quando uma lâmpada está acesa, por exemplo, ela está transformando energia
energia continua a elétrica em luz, que é uma forma de energia chamada energia eletromagnética. A luz
mesma. Isso é uma lei
científica. É a chamada é formada por ondas, chamadas ondas eletromagnéticas capazes de formarem ima-
lei da conservação da gens dos objetos em nossos olhos. Os raios X, a radiação ultravioleta e as ondas de
energia. rádio, por exemplo, são também formadas por ondas eletromagnéticas, só que nossos
olhos não formam imagens com essas ondas. No volume do 9o ano você vai saber mais
sobre formas de transferência de energia.
Nosso organismo também precisa de energia para manter-se em atividade: ele
se vale da energia química, fornecida pelos alimentos.

Mundo virtual

Alimentação: comportamento e fisiologia


<www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/4_diversidade/alimentacao/Documentos/4.presa_predador.htm>
Página que trata das adaptações dos diferentes seres vivos à alimentação autotrófica e heterotrófica.
Ecologia: ecossistema e cadeia alimentar
<http://educar.sc.usp.br/ciencias/ecologia/cadeia.html>
Página do Centro de Divulgação Científica e Cultural, que explica conceitos básicos relacionados às
Reprodução/<www2.ibb.unesp
cadeias alimentares e ao fluxo de energia nos ecossistemas e contém exemplos e exercícios resolvidos Museu_Escola/4_diversidade/alimen .br/
tacao/
Documentos/4.presa_predador.htm>
para reflexão sobre o tema.
Acesso em: mar. 2015.

24 Capítulo 2 • Em busca de matéria e energia

020_028_U01_C02_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 24 5/8/15 4:16 PM


Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

1. Você aprendeu que a nutrição é fundamental para 4. Uma pessoa afirmou que poderia viver de luz,
os seres vivos. Agora, indique no caderno as pala- como as plantas. Explique por que essa pessoa
vras que completam corretamente cada frase. está errada.
• Não podemos ficar muito tempo sem comer, por-
5. Copie as frases a seguir no caderno, separando-
que ficaríamos sem (a) para realizar as atividades
-as em duas colunas: na primeira, registre as que
do corpo, como andar, pensar, falar e muitas ou-
correspondem ao processo de fotossíntese e, na
tras coisas.
segunda, escreva as que correspondem à respi-
• Além disso, muitas células estão morrendo e pre- ração celular.
cisam ser repostas. Por isso, o alimento é funda-
a) É realizada por animais e plantas.
mental também para a (b) do corpo.
b) Não é encontrada nos animais.
• Você sabia que já foi uma única célula, chamada
célula-ovo? Hoje você é formado por muitas célu- c) Produz açúcar.
las. Por isso, o alimento é importante também para d) Produz gás carbônico.
o (c) e o (d) do corpo. e) Consome gás oxigênio.
• Você já sabe que os seres vivos passam por diver-
f ) Consome açúcar.
sas fases durante a existência deles: nascem,
crescem, se reproduzem e morrem. Essas etapas g) Consome gás carbônico.
fazem parte do chamado (e). h) Produz gás oxigênio.
i ) Depende da luz para ocorrer.
2. Em geral, as células não aumentam de tamanho.
Então, como é possível que o seu corpo cresça? 6. Indique no caderno apenas as afirmativas verda-
deiras.
3. Você aprendeu neste capítulo o significado de vá- a) A glicose é o combustível do corpo.
rios termos: fotossíntese, respiração celular, b) Os animais dependem das substâncias orgâ-
clorofila, açúcar, nutrição autotrófica e nutrição nicas produzidas pelos vegetais.
heterotrófica, metabolismo. Agora, indique no
c) A glicose é transformada em gás carbônico e
caderno as palavras que completam correta-
água pela fotossíntese.
mente cada frase.
d) Ao contrário dos animais, as plantas não reagem
• O processo pelo qual os seres vivos conseguem a estímulos.
obter energia do alimento é chamado de (a) e o e) Os seres heterotróficos dependem dos seres
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

processo pelo qual as plantas produzem (b) utili- autotróficos para sobreviver.
zando gás carbônico e água é chamado de (c). f ) Os seres heterotróficos têm capacidade de sin-
Nesse último processo, a energia da luz é absorvi- tetizar seu próprio alimento, pois realizam a
da inicialmente pela (d). fotossíntese.
• As plantas têm um tipo de nutrição especial, cha- g) Os animais são seres autotróficos.
mado de (e). Já os animais apresentam outro tipo
de nutrição, a (f).
7. Por que uma planta precisa de luz para crescer?

• Finalmente, a respiração, a fotossíntese e todas as 8. Um estudante disse que as plantas não são capa-
transformações químicas que ocorrem no ser vivo zes de reagir ao ambiente. Que exemplo você pode
fazem parte do (g). dar para mostrar que isso não é verdade?

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 25

020_028_U01_C02_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 25 5/8/15 4:16 PM


Pense um pouco mais

1. Uma hemácia, também chamada de glóbulo ver- 5. Você aprendeu que a energia se manifesta sob vá-
melho, circula apenas cerca de quatro meses no rias formas na natureza. Aprendeu também que
sangue, sendo depois destruída. Muitas células do uma forma de energia pode ser transformada em
corpo humano também estão constantemente outra. Imagine então que uma pessoa tome o café
sendo destruídas e eliminadas, como ocorre com da manhã e dê uma corrida até uma academia.
as células da camada superficial da pele. Como o a) Ao tomar o café da manhã, que tipo de energia
número dessas células se mantém constante no a pessoa está incorporando ao seu organismo?
corpo? b) O pão contém amido, uma substância formada
por muitas moléculas de glicose. Que tipo de ser
2. Uma pessoa estava em uma sala escura. De re-
vivo produz a glicose, que energia foi utilizada
pente, as luzes foram acesas. Observe o que acon-
para isso e como se chama esse processo?
teceu com os olhos dela.
6. As fotos mostram a planta dioneia, também co-
Fotos: Natural History Museum/Arquivo da editora

nhecida como papa-moscas. Além de fazer fo-


tossíntese, essa planta se alimenta de insetos. Ela
cresce em locais cujo solo é pobre em certos sais
minerais e o inseto é digerido e usado para “com-
plementar” sua alimentação.

Fotos: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


2.7

Que estímulo provocou essa reação? Como se


chama essa propriedade dos seres vivos? Res-
ponda no caderno.
3. Um estudante mudou um vaso de plantas de po-
sição, virando as folhas para o lado oposto ao da
janela. Depois de algumas semanas, ele obser-
2.8 Dioneia fechando-se ao ser tocada por um inseto
vou que a planta cresceu na direção da janela. (a folha tem de 5 cm a 16 cm de comprimento).
Como você explica isso? Esse crescimento fa-
vorece um processo que ocorre nas plantas. Que a) Quais as duas características presentes em
processo é esse? todos os seres vivos que aparecem no exem-
4. Quando uma criança não quer comer, às vezes plo da dioneia?
seus pais lhe dizem, tentando convencê-la: “Saco b) A dioneia tem nutrição autotrófica, hetero-
vazio não para em pé”. Explique o significado trófica ou de ambos os tipos? Justifique sua
dessa expressão em termos biológicos. resposta.

26 Capítulo 2 • Em busca de matéria e energia

020_028_U01_C02_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 26 5/8/15 4:16 PM


Aprendendo com a prática

1. Para realizar esta atividade, inicialmente, providen- • Estique a folhinha com a ajuda do pincel.
cie o que se pede. Depois siga as orientações. • Cubra a montagem com a lamínula.
Material • Com a ajuda do professor, ponha a lâmina no mi-
croscópio e observe. Se a planta estiver um pouco
• Um copo pequeno ou um tubo de vidro usado em
fora de foco, mexa no parafuso micrométrico se-
laboratórios (tubo de ensaio).
guindo a orientação do professor (é preciso cui-
• Uma colherzinha de café de bicarbonato de sódio.
dado para não quebrar a lamínula ou a lâmina, nem
• Um ramo da planta aquática elódea, que pode ser se machucar).
encontrado em lojas que vendem aquários e peixes.
a) Faça um desenho do que você observou. Que
• Meio copo de água.
estruturas podem ser vistas no interior das
Procedimentos células da elódea?
• Ponha a água no copo ou no tubo de ensaio (veja b) Que estruturas responsáveis pela cor verde
a figura 2.9). da planta você pôde enxergar? Por que a eló-
• Dissolva nela o bicarbonato de sódio, que serve para dea não sobreviveria sem essas estruturas?
aumentar a concentração de gás carbônico na água
e, com isso, diminuir o tempo 3. Para realizar esta atividade, inicialmente, providen-
do experimento. cie o que se pede a seguir:
• Com uma colher, misture
Material
bem e espere uns 10 minutos.
• Quatro ou cinco sementes de feijão.
• Ponha o ramo de elódea no
copo e deixe-o em um lugar • Uma caixa de sapatos.
onde bata a luz do Sol. • Uma latinha rasa (que seja mais baixa que a caixa
de sapatos) com terra de jardim.
Depois de algum tempo,
AP Photo/A. Parramón

você vai observar que se • Tesoura sem ponta para cortar papel.
formam bolhas no copo. Procedimentos
Responda: • Plante as sementes de feijão na latinha e espere
a) Que tipo de gás forma que germinem (aguarde até que as folhas brotem
essas bolhas? e fiquem fora da casca).
b) Qual é o fenômeno res- 2.9
• Recorte uma janela em um dos lados menores da
ponsável pela produção do gás? caixa de sapatos. Ponha a latinha com as plantas
c) O que ocorreria com a produção desse gás se ainda pequenas dentro da caixa e tampe-a.
o tubo ficasse em um local escuro? • Deixe a caixa em um lugar iluminado, não muito
quente e protegido contra a chuva.
2. Para realizar esta atividade, inicialmente, providen-

Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Depois de uns três dias, retire a tampa da caixa. Se


cie o que se pede a seguir: a terra estiver seca, ponha água na latinha e feche
Material logo a caixa.
• um ramo de elódea Espere de três a quatro dias e observe as plan-
• uma lâmina e uma lamínula tinhas.
• um pincel
Responda:
• um conta-gotas
Procedimentos a) O que ocorreu?

• Ponha uma das folhinhas da elódea em uma lâmina b) Que estímulo determinou a reação da planta?
de vidro e cubra-a com uma gota de água. c) Por que esse fenômeno é útil para a planta?

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 27

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Mexa-se!

1. Neste capítulo você viu que as plantas rea-

John Kaprielian/Photoresearchers,Inc./Latinstock
gem à luz do ambiente. Veja a Figura 2.10.
Mas essa não é a única reação a estímulos
encontrada nas plantas. O crescimento de
certas plantas, agarrando-se a suportes
como grades ou cercas, por exemplo, é re-
sultado de uma reação ao estímulo mecâ-
nico produzido por outro corpo. Ao encon-
trar um objeto em seu caminho, a planta
reage enrolando-se no suporte. Esse tipo
de reação das plantas — de enrolar-se em
um suporte — é muito lento e, por isso, não
o percebemos imediatamente. O que po-
demos observar é seu resultado, e mesmo
assim, só após algum tempo. A reação de
algumas plantas, no entanto, pode ser bem
rápida. Há uma plantinha que fecha as fo-
lhas quando alguma coisa as toca. Então
pesquise:

2.10 Planta crescendo em direção à luz.

a) Um exemplo de planta que cresce enrolando-se em um suporte. Se possível, consiga fotos dessa planta.
b) Como é o nome da plantinha que fecha as folhas quando são tocadas. Se possível, consiga fotos ou vídeos
para mostrar essa reação.

2. Pesquise em livros, na internet ou em outras fontes o que são organismos aeróbios e anaeróbios.

Atividade em grupo

Escolham um dos temas abaixo para pesquisa.

1. No 8o ano, vocês vão aprender sobre a importância da alimentação. Mas, por ora, pesquisem quais são
os grupos de alimentos que devem estar presentes todos os dias em uma alimentação equilibrada.

2. Vocês já devem ter notado que certas plantas só florescem em determinadas épocas do ano. É que
muitas reagem à duração relativa dos dias e das noites ao longo do ano. Outras, porém, produzem
flores de acordo com a temperatura ou a quantidade de água disponível.

Então, discutam e investiguem as seguintes questões sobre o ambiente em que vocês vivem:
a) Como são as estações do ano na região em que vocês moram? Quando se iniciam e quando terminam?
E no restante do Brasil?
b) E o regime das chuvas: como costuma ser em sua região? E no restante do Brasil?
c) Que plantas costumam florescer? Em que períodos?

28 Capítulo 2 • Em busca de matéria e energia

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Capítulo
Os seres vivos se

3 reproduzem...
e as espécies
evoluem
Você já deve ter percebido que os seres vivos se reproduzem e que os filhotes
são semelhantes aos pais. Esse fenômeno é conhecido como hereditariedade. Mas
por que de um casal de cachorros não nasce um gato?
Você não acha que esse fato merece uma explicação? Neste capítulo você vai
entender esse fenômeno e também vai descobrir que nem todos os seres vivos se
reproduzem da mesma maneira. E mais: que de vez em quando surgem novas carac-
terísticas. São essas novidades que causam mudanças nas espécies de seres vivos
3.1 Cadela amamenta
em nosso planeta. seus filhotes.
Nikolai Tsvetkov/Shutterstock/Glow Images

A questão é
Quais são os dois tipos básicos de reprodução?
Que diferenças existem entre esses dois tipos? Por que
os filhos são semelhantes aos pais? Algumas espécies do
passado não existem mais hoje: como podemos estudá-las?
O que são mutações? O que vem a ser seleção natural?

29

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1 Os dois tipos de reprodução
Assexuada significa
‘sem sexo’. Reprodução Você sabe por que certos alimentos estragam rapidamente fora da geladeira? Ou
assexuada é, portanto, por que determinadas doenças, como a cólera e o tétano, são perigosas e exigem
aquela que ocorre sem
a união de células
tratamento médico imediato?
reprodutoras Essas duas situações estão relacionadas com a atividade das bactérias, seres
(ou gametas). vivos unicelulares que medem entre 0,0002 mm e 0,02 mm. Algumas bactérias se
reproduzem sobre alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Bactérias são
Gameta vem do grego
gamos, ‘casamento’. conhecidas também porque prejudicam a saúde de outros seres vivos. Mas há também
bactérias que atuam na reciclagem da matéria na natureza, importantes para o equi-
Espermatozoide, do
líbrio ecológico, como veremos no Capítulo 7.
grego sperma, ‘semente’;
e zoon, ‘animal’. Em geral, a reprodução das bactérias ocorre por simples divisão, ou seja, a célu-
la bacteriana se divide em duas. Em condições ideais, isto é, com alimento disponível
Óvulo, do latim ovulu, e na temperatura adequada, uma bactéria pode dividir-se a cada vinte minutos.
‘pequeno ovo’.
Nesse tipo de reprodução, chamado de reprodução assexuada, formam-se duas
bactérias exatamente iguais à original. Veja a figura 3.2.

Cnri/Science Photo Library/Latinstock


3.2 Bactéria se reproduzindo (imagem ao microscópio eletrônico; aumento de cerca de 30 mil vezes;
cores artificiais).

Outros seres unicelulares e alguns animais também apresentam reprodução


assexuada. A maioria das plantas pode se reproduzir de duas maneiras: sexuada ou
assexuada.
Na reprodução sexuada são produzidas células especiais, célu-
las reprodutoras chamadas de gametas, que se unem para
formar uma nova célula, diferente das duas que lhe de-
ram origem. A partir dessa nova célula desenvolve-
-se outro organismo.
A maioria das espécies com reprodução se-
xuada apresenta indivíduos do sexo feminino e
Eye of Science/Science Photo Library/Latinstock

indivíduos do sexo masculino. O sexo masculino


produz uma célula reprodutora — o gameta mas-
culino — e o sexo feminino produz outra — o ga-
meta feminino. Nos animais, o gameta masculino
é chamado de espermatozoide, e o gameta femi-
nino é conhecido como óvulo.

3.3 Espermatozoides (em azul) ao redor do óvulo


(em vermelho) vistos ao microscópio eletrônico com
aumento de cerca de 700 vezes (cores artificiais).

30

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Quando os dois gametas se unem, dão origem a uma única célula. A união dos
gametas é chamada de fecundação, e a célula formada por essa união é a célula-ovo,
Fecundação vem do
ou zigoto. latim fecundare, que
O zigoto sofre uma série de divisões, que produz mais células e origina um novo significa ‘fertilizar’ (pode
ser usado também o
ser vivo. Observe na figura 3.4 a representação da reprodução humana, um exemplo
termo fertilização).
de reprodução sexuada (na espécie humana, a célula que se une ao espermatozoide
Zigoto vem do grego
ainda está em fase de ovócito II). Você vai saber mais sobre a reprodução humana no zygos, que significa
livro do 8o ano. ‘juntos’, ‘união’.
Luis Moura/Arquivo da editora

3.4 A união do
espermatozoide com o ovócito II
(no interior do sistema genital
fecundação feminino) forma uma nova célula,
a célula-ovo, que origina um
novo organismo.
(Os espermatozoides,
o ovócito e as outras células são
ovócito II microscópicos; os elementos da
espermatozoide
ilustração não estão na mesma
escala; cores fantasia.)
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

A célula-ovo
se divide.

embrião

Um novo ser vivo


é formado.
As células
resultantes da
célula-ovo se
dividem.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 31

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2 Por que os filhos são parecidos
com os pais?
Vimos que é chamada hereditariedade a capacidade dos seres vivos de gerar
Cromossomo, do grego seres semelhantes. Mas como isso acontece?
khroma, ‘cor’; e soma,
‘corpo’. Esse nome se
O material genético encontrado no núcleo das células contém genes que podem
explica pelo fato de que, influenciar características do indivíduo, como a cor dos olhos ou dos cabelos ou a for-
quando as células são ma do nariz. Os genes são formados por uma substância química chamada de ácido
tratadas com corantes,
desoxirribonucleico ou, abreviadamente, DNA, como você viu na página 12, e se en-
essas estruturas ficam
coloridas. contram no interior das células, em estruturas chamadas cromossomos (figura 3.5).

núcleo

cromossomos

célula

Luis Moura/Arquivo da editora


3.5 O núcleo da célula e os
cromossomos humanos. (A célula é
microscópica. Os elementos da
ilustração não estão na mesma escala.
Cores fantasia.)

núcleo

Mas será que nossas características dependem apenas dos genes?


É bom você saber, desde já, que as características de um organismo não depen-
dem apenas dos genes. Elas são o resultado de uma ação conjunta entre os genes e o
ambiente. Por isso, duas pessoas com genes idênticos para a altura, por exemplo,
Mesmo os gêmeos
idênticos, que poderão ter estaturas distintas se tiverem tido uma alimentação muito diferente du-
possuem os mesmos rante o período de crescimento. O ambiente também influencia bastante na persona-
genes, podem lidade: os pais, os parentes, os amigos e tudo o que ocorre durante a vida de uma
apresentar
características muito pessoa são fatores relevantes para a sua formação. Você vai saber mais sobre here-
distintas conforme se ditariedade ao longo do estudo de Ciências.
desenvolvem. Há outra coisa que você deve saber a respeito dos genes: eles são capazes de se
duplicar, isto é, de produzir cópias de si mesmos. No processo de reprodução assexuada
de seres unicelulares, como as bactérias, os genes produzem cópias idênticas de si
mesmos. Quando a célula se divide ao meio, essas cópias passam para as novas cé-
lulas formadas. Por isso, nessa forma de reprodução os novos indivíduos são absolu-
tamente idênticos ao primeiro. Isso acontece a não ser que haja mudança acidental,
como você vai ver adiante.

32 Capítulo 3 • Os seres vivos se reproduzem... e as espécies evoluem

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Quando a reprodução ocorre por meio do sexo, o espermatozoide carrega cro-
mossomos com genes vindos das células do pai, e o óvulo carrega cromossomos com
genes vindos das células da mãe.
Nesse caso, os filhotes gerados são semelhantes aos pais, mas não exatamente
iguais a eles. Essa variação acontece porque os filhotes são o resultado de uma com-
binação dos genes paternos com os genes maternos.
Dizemos, então, que a reprodução sexuada origina indivíduos geneticamente
diferentes e, portanto, maior variedade de indivíduos.

Ciência e sociedade
Por que aprender Ciências
Ao aprender Ciências, você vai ter o prazer de E não apenas isso: ao ligar a televisão, ler notícias
descobrir explicações para uma série de fenômenos na internet ou em jornais e revistas aparecem a todo
e satisfazer sua curiosidade. E vai também aumentar momento alguma informação que, para ser bem com-
seu conhecimento sobre a natureza. preendida, necessita de um conhecimento básico de
Para o físico Albert Einstein (1879-1955), existe Ciências. Por isso aprender Ciências é fundamental
uma paixão pelo entendimento, tal como uma paixão para entender o que acontece hoje, para participar de
pela música. Para ele, essa paixão é comum nas crian- decisões que afetam o seu bem-estar, a saúde da co-
ças, mas muitas pessoas a perdem posteriormente. letividade e do ambiente.
Que tal desenvolver e conservar a curiosidade e o pra-
zer de buscar explicações?

3 As espécies evoluem
Você já deve ter visto em filmes ou livros o animal representado na figura 3.6: o
tiranossauro, extinto há milhões de anos e que tinha mais de 6 metros de altura.
O tiranossauro pertence ao 3.6 Tiranossauro: carnívoro
que media aproximadamente
grupo de animais conhecidos 6 m de altura e 15 m de
como dinossauros. Eles vive- comprimento. (Cores fantasia.)
ram na Terra durante cerca de
150 milhões de anos, mas há
65 milhões de anos estavam
todos extintos.
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

O estudo dos dinossauros nos


mostra fortes evidências de que os se-
res vivos nem sempre foram como
Roval Matias/Arquivo da editora

você os conhece hoje. Eles passaram


por várias transformações ao longo do tempo. Es-
sas mudanças que ocorrem ao longo do tempo com
as populações de seres vivos é chamada evolução. O
estudo da evolução nos ajuda a descobrir a origem de
cada grupo de ser vivo atual e a entender a enorme
diversidade de organismos em nosso planeta.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 33

029_044_U01_C03_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 33 5/8/15 4:17 PM


Muitos organismos que desapareceram deixaram restos ou marcas nas rochas: os
fósseis. Observe a figura 3.7. Um fóssil pode se formar quando um animal, uma planta ou
Fóssil vem do latim
fossile, que significa um outro ser vivo qualquer morre e é soterrado por sedimentos antes de se decompor.
‘tirado da terra’. O processo de decomposição das partes duras de um ser vivo, como os ossos, é mais
lento. Por isso, os fósseis encontrados, em sua maioria, são partes duras de animais.
Paleontologia vem do
grego palaiós, ‘antigo’;
A Paleontologia é a ciência que estuda os seres vivos no passado da Terra.
óntos, ‘ser’; lógos, Estudando fósseis de ossos de dinossauros, por exemplo, podemos ter uma ideia
‘estudo’. da altura, do peso e até da forma de se locomover do animal. Os dentes e as garras
também podem indicar seu tipo de alimentação. Isso porque cada animal está adap-
Os animais carnívoros,
por exemplo, têm tado ao ambiente e a determinado modo de vida.
dentes pontiagudos e Às vezes, sais minerais do solo ou da água penetram em ossos, dentes, conchas
afiados, que permitem
e em outras partes resistentes do corpo, tornando-os duros. Essas partes do corpo
prender, perfurar e
comer carne. são então substituídas por minerais e sua forma original é preservada. Outras vezes,
o organismo é completamente destruído, mas sua marca fica esculpida na rocha. Para
ter uma ideia do modo como se forma esse tipo de fóssil, consiga uma massa de
modelar e pressione alguns objetos (uma moeda, uma chave, uma concha, etc.) sobre
a massa e observe o molde do objeto na massa. Agora veja a marca de pegadas de
dinossauros na figura 3.7. Para ter uma ideia da aparência de outro tipo de fóssil, você
pode também preencher o molde com cola, deixar a cola secar de um dia para outro
e retirar a cola endurecida da massa.
3.7 Existem vários tipos
O estudo da evolução nos ajuda a descobrir a origem de cada grupo de ser vivo
de fósseis. Na ilustração,
formação de um fóssil atual e a entender a enorme diversidade de organismos.
de peixe. Na foto, fósseis
de pegadas de dinossauro.

Ilustrações: Gary Hincks/Science Photo Library


sedimentos

sedimentos

Rocha formada por sedimentos.

A formação de um fóssil. (Esquemas sem escala. Cores fantasia.)


Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Fósseis de pegadas
de dinossauro
(Sousa, Paraíba).

34 Capítulo 3 • Os seres vivos se reproduzem... e as espécies evoluem

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Ciência e tecnologia
A idade dos fósseis
Os cientistas conseguem calcular aproximada- O tempo que o urânio e os outros elementos
mente a idade de uma rocha e do fóssil que ela contém. levam para sofrer essas transformações é conhecido
Isso acontece porque as rochas possuem uma quan- pelos cientistas. Assim, medindo, por exemplo, a
tidade muito pequena de certos elementos químicos quantidade relativa de urânio e chumbo que a rocha
que, bem lentamente, vão se transformando em ou- contém, eles podem calcular a idade aproximada da
tros. O urânio, por exemplo, é um elemento químico rocha e do fóssil nela depositado. Esses elementos,
que, bem lentamente, se transforma em outro elemen- como o urânio, são chamados elementos radioativos,
to, o chumbo. Você vai conhecer melhor os elementos e funcionam, então, como uma espécie de “relógio
químicos e suas transformações no 9o ano. natural”.

As mutações e a evolução
Um grande avanço no estudo da hereditariedade ocorreu quando os cientistas
começaram a observar um tipo de mosca conhecido como “mosquinha da banana”,
ou drosófila.
Essas moscas se reproduzem rapidamente em frascos com material nutritivo e
apresentam características que podem ser facilmente observadas e estudadas, entre
elas a cor dos olhos e o formato da asa.
Nesses cultivos, de vez em quando, nascem algumas moscas com características
novas. Algumas têm asas atrofiadas; outras têm asas com a extremidade enrolada;
outras ainda possuem cor de olhos diferente. Há também aquelas que nascem com
problemas sérios e morrem em pouco tempo. Veja a figura 3.8.

3.8 Drosófilas (cerca de


3 mm de comprimento):
uma de olhos vermelhos
e outra mutante de olhos
brancos (ao microscópio
eletrônico; cores
artificiais).
Photoresearchers/Photoresearchers/Latinstock
Cheryl Power/Science Photo Library/Latinstock

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 35

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Como esses fenômenos podem ser explicados?
As mutações são mudanças acidentais que ocorrem nos genes e fazem surgir
genes diferentes dos originais. Assim, moscas com quatro asas podem surgir do cru-
zamento de moscas com duas asas por mutação, isto é, mudanças que ocorrem nos
genes de vez em quando. Elas são relativamente raras e podem ser provocadas por
certas substâncias químicas que se encontram no ambiente ou por radiações, como
os raios ultravioleta do Sol ou os raios X.
A capacidade de
provocar mutações é As mutações também podem surgir no processo de divisão assexuada de se-
uma das razões pelas res vivos unicelulares. Por exemplo, ao se dividir em duas, uma bactéria pode origi-
quais devemos nos nar outra com uma pequena mudança genética. Mutações podem aparecer também
proteger dos raios
solares. na produção de gametas, em organismos pluricelulares com reprodução sexuada.
Se esses gametas mutantes participarem da fecundação, poderão dar origem a um
indivíduo cujas células vão apresentar alterações genéticas.
Lembre-se de que os genes controlam diversas características de um ser
vivo. Mutações, portanto, podem originar novas características. Mas elas são im-
previsíveis, não é possível saber qual característica vai aparecer. Muitas dessas
mutações prejudicam o organismo, causando doenças e até a morte. Às vezes,
porém, facilitam a sobrevivência ou a reprodução de um novo ser vivo. É isso que
você vai estudar a seguir.

Ciência e sociedade
Variabilidade dos seres vivos
O meio ambiente influencia muito nas caracte- fluência em seu desenvolvimento emocional, afetivo,
rísticas dos seres vivos. Fatores como a luz, a tempe- intelectual e social.
ratura, a quantidade de água disponível, a presença ou A diversidade de costumes, tradições e conhe-
não de outras espécies, por exemplo, agem sobre os cimentos que os povos adquirem e passam para novas
organismos e o seu desenvolvimento. gerações deve ser respeitada e preservada, pois é um
No caso da espécie humana, a cultura e as ex- importante fator que contribui para a formação do ser
periências vividas por cada um exercem grande in- humano.

A seleção natural
Imagine que em um bando de ursos-brancos do polo norte tenha nascido um
urso com membros locomotores mais musculosos. Você considera que essa carac-
terística seja positiva ou negativa para a sobrevivência do animal? Uma musculatu-
ra mais desenvolvida pode, por exemplo, tornar o animal mais rápido. Assim, ele terá
mais facilidade para conseguir alimento e até parceiros para se reproduzir. Assim, é
possível que esse urso seja mais apto a sobreviver do que os demais.
Podemos dizer que essa nova característica pode contribuir para que esse urso
musculoso deixe descendentes que poderão herdar os genes que o fazem ter membros
mais musculosos. Assim, serão também mais rápidos nas caçadas e, da mesma forma,
terão mais chances de sobreviver. Um membro locomotor mais musculoso é, portan-
to, uma adaptação, ou seja, uma característica que facilita a sobrevivência do urso.

36 Capítulo 3 • Os seres vivos se reproduzem... e as espécies evoluem

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Outra adaptação é a pelagem grossa, que confere maior proteção contra o frio
(figura 3.9).
Com o passar do tempo, o que você imagina que pode acontecer com a popula-
ção de ursos? Se os genes para membros mais musculosos for de fato uma adaptação,
é possível prever que o número de ursos mais rápidos vai aumentar ao longo de algu-
mas gerações e que, depois de certo tempo, praticamente toda a população será for-
mada por ursos rápidos.
Vamos fazer agora o raciocínio inverso: suponha que apareçam ursos mais len-
tos ou ursos com poucos pelos no corpo. Ambos os tipos encontrariam dificuldade
de sobreviver e teriam pouca chance de deixar descendentes. O número deles não
aumentaria ao longo das gerações. Pelo contrário, tenderia a diminuir, e eles poderiam
até desaparecer.
O que se vê é que alguns indivíduos possuem características que aumentam suas
chances de sobrevivência e reprodução. Assim, o número de descendentes com essas
características tende a crescer ao longo do tempo. Com outros indivíduos ocorre o
contrário, e o número de seus descendentes diminui. Esse processo é chamado de
seleção natural e sua teoria foi desenvolvida pelos cientistas britânicos Charles Darwin
(1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913).
De acordo com a teoria da evolução, novas características podem surgir por mu-
tações, ou seja, por mudanças nos genes. As mutações geram novos genes e, conse-
quentemente, novas características. Algumas delas aumentam a chance de um orga-
nismo sobreviver e deixar mais descendentes; outras podem prejudicá-lo de alguma
forma e talvez até impedi-lo de deixar descendentes; outras, por fim, podem não fazer
nenhuma diferença para a sobrevivência do organismo. 3.9 A pelagem grossa
A reprodução sexuada, por combinar genes maternos e paternos, também do urso-polar
(2 m a 3,40 m de
produz combinações novas de genes e de características. Portanto, é igualmente comprimento) é uma
importante no processo de evolução. Você vai saber mais sobre evolução ao longo adaptação que permite
sua sobrevivência em um
do estudo de Ciências.
clima frio.

Uryadnikov Sergey/Shutterstock/Glow Images

37

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Ciência e tecnologia
Insetos resistentes a pesticidas
Nos últimos anos tem sido cada vez mais comum tipos de mutações. Entre esses mutantes, podem
encontrar em mercados os chamados “alimentos or- surgir insetos resistentes ao inseticida. Quando o
gânicos”. Você sabe por que alguns alimentos são agrotóxico é aplicado, a maioria dos insetos morre,
chamados assim? mas os mutantes resistentes não são destruídos. Eles
Alimentos orgânicos são aqueles produzidos se reproduzem, transmitindo a resistência a seus
em condições especiais, geralmente sem o uso de descendentes. Aos poucos, a quantidade de indiví-
certos produtos químicos, como os agrotóxicos, tam- duos sensíveis diminui, enquanto aumenta a popu-
bém chamados defensivos agrícolas ou pesticidas. lação de resistentes (figura 3.10).
Os agrotóxicos são usados, por exemplo, para impe- Ao longo do estudo de Ciências, você vai conhecer
dir que insetos destruam a lavoura. No entanto, após alternativas ao controle de insetos. Entre elas, o desen-
mais de sessenta anos de uso, muitas espécies de volvimento de agrotóxicos menos agressivos e que se
insetos tornaram-se resistentes a vários pesticidas. degradam naturalmente após algum tempo, o uso de
Como isso ocorreu? predadores e parasitas para combater pragas, o uso de
A reprodução de insetos que atacam as planta- plantas transgênicas. É importante acentuar que o uso
ções costuma ser bastante rápida. Essa rapidez au- dessas e de outras tecnologias deve ser acompanhado
menta o número de insetos que apresentam variados por agrônomos e outros profissionais da área.

1 2

BlueRingMedia/Shutterstock/Glow Images

3 4
3.10 Após o uso de
inseticidas, o número de
insetos resistentes
(representados pela cor
cinza) aumenta, pois os
insetos mais sensíveis
ao produto são
eliminados. Trata-se de
um caso de seleção
natural.
A ilustração mostra
gafanhotos que têm
entre 1 cm e 8 cm de
comprimento.
(Cores fantasia.)

38 Capítulo 3 • Os seres vivos se reproduzem... e as espécies evoluem

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4 Darwin, Wallace e a evolução
No século XVIII, o pensamento predominante era o de que cada espécie teria
surgido de maneira independente e permaneceria sempre com as mesmas carac-
terísticas. Mas alguns cientistas passaram a defender a ideia de que as espécies
se transformam.
Em 1831, o inglês Charles Darwin (1809-1882) partiu para uma expedição a
bordo do navio H. M. S. Beagle, que tinha a missão inicial de explorar a costa da
América do Sul, indo depois para a Nova Zelândia e para a Austrália. A viagem co-
meçou em 1831 e durou quase cinco anos (figura 3.11).
Na época dessa viagem, ainda era comum a ideia de que os animais e as plan-
tas mantinham as mesmas características ao longo do tempo. A existência de
fósseis, porém, sugeria que organismos diferentes tinham habitado a Terra no pas-
sado. Além disso, a geologia começava a revelar que nosso planeta tinha passado
por muitas transformações.
Durante a viagem, Darwin
coletou e estudou muitas espé-
cies de animais e plantas. Ele
também observou que os ani-
mais de uma ilha do arquipélago
de Galápagos não eram neces-
sariamente parecidos com os de
outras ilhas, mas com os do
continente mais próximo. Dedu-
ziu então que alguns animais do
continente tinham migrado para
as ilhas vizinhas e, por algum
processo, se tornado um pouco
diferentes do que eram.
Nas ilhas Galápagos, Darwin
observou várias espécies de pás-
saros. Apesar de parecidas, cada
espécie possuía um bico diferen-
te, adaptado a um tipo de alimen-
N
tação. Por exemplo: as espécies
que comiam sementes duras ti- O L

nham bicos fortes, enquanto


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

S
aquelas que comiam insetos em
troncos de árvores apresentavam 0 600 1200

QUILÔMETROS
bicos pontudos, e assim por dian-
te (figura 3.12).

3.11 Mapa representando a


rota de passagem do Beagle
pela América do Sul.
Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. São Paulo: Abril.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 39

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Após retornar à Inglaterra, Darwin continuou
suas pesquisas, tentando responder às perguntas
geradas por suas observações. Ele sabia que os
indivíduos de uma população não são todos idênti-
cos e que algumas de suas características são here-
Stubblefield Photography/Shutterstock/Glow Images

ditárias. Na época de Darwin, porém, os genes não eram


conhecidos e não se sabia a origem dessas variações.
Darwin observou também que, apesar de muitos animais e
plantas produzirem grande número de descendentes, a população não
aumentava. Concluiu então que muitos indivíduos morriam antes de se reproduzirem,
e que indivíduos que apresentassem certas características específicas tinham mais
chance de sobreviver e de deixar descendentes.
Essas e outras observações feitas por Darwin levaram à consolidação da ideia de
3.12 Duas espécies de que, ao longo do tempo, as características favoráveis são conservadas na população
tentilhões observadas
por Darwin em e as prejudiciais, eliminadas. Darwin chamou esse processo de seleção natural. Esse
Galápagos. A semelhança processo seria responsável pelas mudanças em uma população, favorecendo a so-
entre as espécies de
tentilhões do arquipélago
brevivência ou a reprodução dos indivíduos mais adaptados.
(acima) e os tentilhões do Em 1859, Darwin publicou suas ideias no livro A origem das espécies e a se-
continente (costa
ocidental da América do
leção natural. O curioso é que, em 1858, depois de já ter começado a escrever seu
Sul, abaixo) levou Darwin livro, Darwin recebeu uma carta do cientista inglês Alfred Russell Wallace (1823-
a supor que uma espécie -1913), na qual ele relatava ter chegado às mesmas conclusões sobre a seleção
ancestral do continente
teria dado origem às natural. Os dois apresentaram juntos seus trabalhos num encontro de uma socie-
espécies insulares. dade científica em Londres. Mas, a princípio, a apresentação não despertou grande
(Os tentilhões medem de
10 cm a 20 cm de interesse na comunidade.
comprimento.) Com o tempo, no entanto, essas ideias acabaram provocando intensas discussões.
Para muitas pessoas, era difícil aceitar que as espécies não tinham sido criadas de uma
forma definitiva. Afinal, ninguém podia ver uma espécie se transformando em outra!
Mais difícil ainda era aceitar que a própria espécie humana tinha surgido por evolução,
a partir de outros animais.
Mas as ideias evolucionistas acabaram ganhando aprovação dos cientistas pela
capacidade que têm de explicar um imenso número de fatos. Essa foi a grande contri-
buição da teoria de Darwin. Embora muitos cientistas prefiram falar em “teoria de Darwin-
-Wallace”, o nome de Darwin acabou ficando mais conhecido — em parte devido ao seu
livro, que apresentava inúmeras evidências a favor da evolução pela seleção natural.

Mundo virtual
nesp.br>

Caminhos de Darwin no Rio de Janeiro


.ibb.u

<www.casadaciencia.ufrj.br/caminhosdedarwin/>
Reprodução/<www2

Explora os locais por onde passou o naturalista Charles Darwin em sua


Tu

visita ao Rio de Janeiro. Organizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia,


i
de

a Casa da Ciência da UFRJ e o Projeto Caminhos Geológicos/DRM-RJ.


Ro
y
/M
ind

Como é a reprodução dos animais?


en

<www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Origami/Documentos/index.htm>
Pic
tur

Site que apresenta informações e características sobre representantes dos vertebrados utilizando origamis.
es/
La
tin

Jogo da evolução – Estadão


sto
ck

<www.estadao.com.br/infograficos/jogos-da-evolucao,ciencia,303394>
Dois jogos que permitem que os alunos testem seus conhecimentos sobre a seleção natural e a evolução
dos seres humanos.
Acesso em: mar. 2015.

40

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Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

1. A ilustração, em cores fantasia, e a foto a seguir 4. Neste capítulo você aprendeu que os seres vivos
mostram a reprodução de uma ameba. Esse ser podem mudar ao longo do tempo. Agora, no ca-
vivo, microscópico, divide-se em dois e dá origem derno, escreva os termos que substituem as letras
a duas novas amebas. entre parênteses:
As mudanças que ocorrem nos genes e podem
passar dos pais para os filhos são chamadas de
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

(a). Essas mudanças fazem com que os seres vi-


vos sejam diferentes. Com isso, alguns organismos
têm mais chance de sobreviver e se reproduzir.
O processo é chamado de (b). Essa transformação
que ocorre com grupos de seres vivos ao longo do
tempo é chamada de (c).
Dr. Stanley Flegler/Visuals Unlimited, Inc./Latinstock

5. Leia as frases a seguir e indique no caderno apenas


as afirmativas verdadeiras.
a) A união dos gametas é chamada de fecun-
dação.
b) O gameta feminino é chamado de célula-ovo.
c) Hereditariedade é a capacidade que os seres
vivos têm de gerar seres semelhantes através
dos genes.
d) As mutações aparecem apenas quando há re-
produção sexuada.
3.13 Ameba com cerca de 0,7 mm. (Imagem ao microscópio
e) Indivíduos mais adaptados têm mais chance
eletrônico. Cores artificiais.)
de sobreviver.
Agora, responda às questões: f ) O gameta masculino dos animais é chamado
a) Que tipo de reprodução a figura representa? de espermatozoide.

b) Os indivíduos produzidos nesse tipo de repro- g) Mutações são mudanças que ocorrem nos
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

dução são geneticamente iguais? genes.

c) A reprodução humana é desse tipo? h) Algumas mutações que ocorrem em um indi-


víduo podem passar para seus descendentes.
2. Explique por que na reprodução sexuada os filhos i ) Mutações são sempre vantajosas para a so-
são semelhantes aos pais. brevivência.

3. Pode-se cortar um pedaço do caule de uma plan- j ) Adaptações são características que dificultam a
ta, como a bananeira, e produzir com ele uma sobrevivência ou a reprodução de um ser vivo.
muda, que vai crescer e se tornar outra bananeira k ) Na reprodução sexuada os filhos são idênticos
igual à primeira. Que tipo de reprodução é essa? a um dos pais.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 41

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6. Leia as características abaixo e responda às ques- b) Quais delas existem nos animais, mas não es-
tões no caderno: tão presentes nas plantas?

• capacidade de reproduzir-se; c ) Quais características aparecem tanto em plan-


tas como em animais?
• presença de clorofila;
• capacidade de locomoção; 7. O que são fósseis? Qual sua importância para o
• hereditariedade; estudo da evolução?

• capacidade de realizar fotossíntese; 8. Alguns seres vivos, como as bactérias, medem


• capacidade de realizar respiração celular; apenas cerca de 1 milésimo de milímetro, mas em-
• capacidade de reagir a estímulos; bora sejam tão pequenos, são muito mais com-
plexos que um grão de areia, por exemplo. Não é
• são formados por uma ou mais células;
fácil definir vida, mas sabemos que os seres vivos
• sofrem mutações.
possuem características que, em conjunto, permi-
a) Quais dessas características existem nas plan- tem separá-los da matéria sem vida. Cite algumas
tas, mas não estão presentes nos animais? dessas características.

De olho nos textos

Leiam os textos abaixo e depois respondam às Agora, usando apenas uma palavra, explique
questões. no caderno o que ocorreu com as bactérias.
d) Consulte em dicionários o significado das pa-
Texto 1
lavras que você não conhece, redigindo então
Bactérias e antibióticos de próprio punho uma definição para essas
Quando usamos antibióticos (substâncias palavras.
que servem para destruir as bactérias que causam
as doenças) por muito tempo, há o risco de surgi-
rem bactérias resistentes, que não morrem com Texto 2
esse tipo de medicamento. Esse fenômeno se ex- A evolução segundo Lamarck
plica porque algumas bactérias que aparecem
naturalmente podem ser resistentes ao antibióti- No início do século XIX, o naturalista Jean-
co. O medicamento passa, portanto, a eliminar -Baptiste Pierre Antoine de Monet, conhecido
apenas os indivíduos sensíveis. As formas resis- como Lamarck (1744-1829), explicava a transfor-
tentes vão sobreviver e dar origem a descendentes. mação das espécies por meio de duas leis: a lei do
Depois de algum tempo, teremos uma população uso e desuso e a lei da herança das características
inteira de organismos resistentes. adquiridas.

a) Entre os termos que você estudou neste capí- De acordo com a lei do uso e desuso, um
tulo, qual deles pode explicar a afirmação a órgão desenvolvia-se com o uso e atrofiava-se
seguir: “... algumas bactérias que aparecem com o desuso. Assim, o pescoço comprido da
naturalmente podem ser resistentes ao anti- girafa teria surgido com o esforço desse animal
biótico.”? para atingir as folhas no alto das árvores. A se-
b) Que parte do texto exemplifica a ideia de sele- gunda lei afirma que o caráter adquirido (resul-
ção natural? tante do desenvolvimento pelo uso ou da atrofia
pelo desuso) seria transmitido aos descenden-
c) Releia a frase a seguir, extraída do texto.
tes. Assim, os filhotes dessas girafas já nasce-
“Depois de algum tempo, teremos uma riam com pescoço maior devido ao esforço de
população inteira de organismos resistentes.” seus pais.

42 Capítulo 3 • Os seres vivos se reproduzem... e as espécies evoluem

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Hoje sabemos que apenas os genes dos ga- b) Essa explicação é verdadeira? Por quê?
metas são passados para os descendentes. Portan-
c) Como Darwin explicaria o pescoço comprido
to, alterações no corpo do ser vivo devido ao esfor-
da girafa? E qual a expressão que ele criou para
ço de certos órgãos não são transmitidas aos des-
explicar isso?
cendentes, já que essas alterações não provocam
mudanças nos genes dos gametas. d) Consulte em dicionários o significado das pa-
lavras que você não conhece, redigindo então
a) Pela explicação de Lamarck, se uma pessoa
de seu próprio punho uma definição para essas
fizesse muito exercício de musculação, os filhos
palavras.
dessa pessoa teriam mais facilidade de ficar
com músculos mais fortes?

Pense um pouco mais

1. O verme de corpo achatado da foto, conhecido 3. Observe a foto do inseto conhecido como bicho-
como planária, é capaz de esticar o corpo e dividir- -pau. Pela imagem, que tipo de adaptação você
-se em dois. Depois, cada metade origina a meta- acha que esse inseto possui? Que vantagem essa
de que está faltando, formando, assim, dois indi- característica lhe dá?
víduos completos. Que tipo de reprodução é esse?

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


Justifique sua resposta.
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

3.14 Planária (cerca de 5 cm de comprimento).


3.15 Bicho-pau (cerca de 25 cm de
comprimento, com as antenas).
2. Muitas plantas usadas na alimentação humana e
muitos animais domésticos, como as diversas ra- 4. Em uma floresta com muitas árvores com tronco
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

ças de cães, gatos, galinhas e gado, surgiram por de cor clara viviam mariposas com asas também
ação humana. Esse processo é chamado seleção de cor clara. Havia ainda algumas poucas maripo-
artificial. Os cães, por exemplo, vieram de um an- sas com asas de cor escura. As mariposas mais
tepassado dos lobos. escuras eram vistas com mais facilidade pelos
a) Como conseguimos obter variedades de va- pássaros que se alimentavam de mariposas. Com
cas capazes de produzir mais leite e varieda- a poluição, os troncos das árvores acabaram fican-
des de plantas que produzem muitos grãos do com a cor escura. O que deve ter acontecido ao
comestíveis? longo do tempo com o número de mariposas es-
b) Quais são as semelhanças e as diferenças en- curas? Como você explica isso e como se chama
tre esse processo e a evolução? esse processo?

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 43

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5. Que adaptação está bem visível em cada um dos animais a seguir? Como cada adaptação ajuda na sobrevi-
vência do animal?

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

O. Alamany E. Vicens/Corbis/Latinstock
Peter Barrett/Shutterstock/Glow Images

Leão (1,70 m a 2,5 m de Jabuti (até 70 cm de comprimento). Ouriço-cacheiro (em torno de 10 Golfinho (entre 1,30 m e 4 m
comprimento, fora a cauda). cm a 35 cm de comprimento, fora de comprimento).
a cauda).
3.16

6. A frase “Todas as células do corpo se originam de uma única célula” está correta? Justifique sua resposta.

7. Muitas lagartas que vivem sobre as folhas são verdes. Qual é a vantagem de a lagarta ter essa cor?

8. Em uma ilha havia dois tipos de sementes: as grandes e as pequenas. Havia também dois tipos de pássaros:
os de bico grande e os de bico pequeno. Só os pássaros de bico grande conseguiam quebrar e comer as
sementes maiores. Após um longo período de seca, as sementes menores praticamente haviam desapare-
cido. O que deve ter acontecido com o número de cada tipo de pássaro durante a época da seca? Justifique
sua resposta.

De olho nos quadrinhos

Leia o trecho da história em quadrinhos abaixo e depois responda às questões.

Mauricio de Sousa Produções

3.17

3.17

a) Não existem mais dinossauros: mas como sabemos que eles já existiram?
b) Horácio, um personagem criado por Maurício de Sousa que representa um filhote de tiranossauro, encon-
trou um fóssil bem à vista. Mas não é tão fácil achar fósseis. Restos de animais e plantas geralmente são
decompostos por microrganismos, com o passar do tempo. Em algumas situações, no entanto, esses
restos são preservados e dão origem a fósseis. Você conseguiria dar um exemplo de uma situação em que
isso acontece?
c) Apenas com base no osso que Horácio encontrou, é difícil afirmar se o animal era carnívoro. Que parte fos-
silizada do animal indicaria melhor esse aspecto?

44 Capítulo 3 • Os seres vivos se reproduzem... e as espécies evoluem

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Capítulo

4 A origem
da vida
Até hoje, os cientistas já descreveram mais de 2 milhões de espécies de seres vivos
— e sabemos que o número total de espécies é bem maior. Neste capítulo você verá 4.1 A foto mostra a
diversidade do grupo de
algumas explicações sobre a origem da vida formuladas ao longo do tempo e vai enten- insetos que inclui
der como os cientistas testam seus “palpites”, também conhecidos como hipóteses. borboletas e mariposas.

Butterfly Hunter/Shutterstock/Glow Images

A questão é
Você conhece a teoria da geração espontânea? E o que os
experimentos de Redi e Pasteur têm a ver com essa teoria? E sabe
ainda como a ciência atual tenta explicar a origem da vida na Terra?

45

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1 A ideia de geração espontânea
Você já viu algum alimento mofado, como a fruta da figura 4.2? Sabe-
Aaron Amat/Shutterstock

ria explicar como o mofo aparece nos alimentos?


Examinando o mofo mais de perto, com a ajuda de um microscópio, é
possível perceber que ele se desenvolve sobre o alimento. O mofo cresce,
se alimenta e se reproduz, ou seja, é um ser vivo. Os mofos e bolores fazem
parte de um grupo de seres vivos conhecidos como fungos, que você vai
estudar no Capítulo 9.
Hoje não é novidade o fato de que um ser vivo se forma a partir de
Dani Vincek/Shutterstock/Glow Images

outro ser vivo. Mas da Antiguidade até pelo menos o início do século XVII
acreditava-se que pequenos seres vivos, como moscas e girinos (larvas
de sapos), podiam nascer a partir da matéria sem vida (bruta). Afinal, nin-
guém ainda havia observado o desenvolvimento desses animais a partir
de ovos. Pensava-se também que pequenos vermes surgiam da carne em
decomposição. Às vezes observava-se que larvas de moscas apareciam
4.2 Uma laranja e um em carne podre, que sapos e outros animais saíam da lama dos pântanos
pedaço de pão mofados.
O mofo é um ser vivo que e que lombrigas cresciam no intestino humano.
pertence ao grupo dos Até metade do século XIX muitos cientistas e filósofos acreditavam que a vida
fungos.
surgia da matéria sem vida. Essa teoria é chamada geração espontânea ou abiogênese
e nos mostra que a observação pode nos levar a conclusões erradas. Por isso, ao
tentar explicar como alguma coisa ocorre, não é suficiente que o cientista apenas
observe com cuidado a natureza. Ele deve também testar sua explicação provisória
Abiogênese é um termo
que vem de a, ‘sem’; ou, como se diz em ciência, sua hipótese. Você vai ver como isso foi feito em relação
bios, ‘vida’; e genesis, à geração espontânea.
‘origem’.

O experimento de Redi
Nem todos aceitavam a ideia da geração espontânea. Em 1668, o médico italiano
Francesco Redi (1626-1697) reparou que pequenos “vermes” apareciam em lugares
frequentados por moscas, como a carne em decomposição. Supôs então que eles
fossem, na realidade, larvas provenientes de ovos que tinham sido depositados pelas
moscas adultas e que então não surgiriam por geração espontânea a partir da carne,
como muitos afirmavam na época.
Redi elaborou, então, um experimento para testar sua hipótese. Essa é uma ca-
racterística importante da atividade científica: formular hipóteses que possam ser
testadas por meio de observações ou experimentos. Acompanhe pela figura 4.3.
Vidros preparados por Redi Alguns dias depois

4.3 Francesco Redi


Luis Moura/Arquivo da editora

observou que, nos vidros


abertos, as moscas carne
entravam e saíam
livremente, o que não
podia ocorrer nos frascos
cobertos pelo tecido.
(Os elementos da figura
não estão na mesma vidro aberto (presença vidro fechado com gaze larvas de
escala. Cores fantasia.) de moscas na carne) (ausência de moscas na carne) moscas

46 Capítulo 4 • A origem da vida

045_054_U01_C04_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 46 5/8/15 4:17 PM


O médico colocou pedaços de carne em vários frascos de vidro. Alguns ele
manteve abertos; outros ele cobriu com um tecido fino de algodão, que permitia a
renovação do ar. Mesmo que o frasco fosse tampado, era importante que houvesse
a entrada de ar porque, segundo os defensores da teoria da geração espontânea, o
ar continha um elemento fundamental para a geração da vida.
Se a teoria da geração espontânea fosse verdadeira, as larvas de moscas deveriam
aparecer tanto nos frascos abertos como naqueles cobertos com gaze. Mas, depois de
alguns dias, surgiram larvas apenas nos frascos abertos.
Redi mostrou, com isso, que as larvas surgiam apenas quando moscas entravam
em contato com a carne dos frascos abertos. Essa evidência contrariava a teoria da
geração espontânea. As moscas conseguiam entrar nos frascos abertos e depositar
seus ovos sobre a carne, mas não conseguiam entrar naqueles cobertos pelo tecido.
Para descobrir se estava certo, Redi fez uma experiência científica, ou experi-
mento. É por meio de observações ou de experimentos que os cientistas testam
suas hipóteses.
Esse tipo de experimento em que se comparam duas situações é chamado de
teste controlado. Observe que Redi pôs o mesmo tipo de carne no mesmo tipo de
frasco, nas mesmas condições, com uma única diferença: em alguns frascos ele não
Redi controlou o
deixou que as moscas entrassem para colocar seus ovos. Redi utilizou então um gru- acesso das moscas
po de frascos abertos, que serviu de grupo de controle, e um grupo de frascos fechados, e de seus ovos à carne
que é chamado de grupo experimental, isto é, um grupo no qual se faz alguma altera- em alguns frascos.

ção para se testar uma hipótese.

O experimento de Pasteur
Mesmo depois de Redi provar que as larvas provinham de ovos postos por
moscas adultas, muitas pessoas continuaram acreditando na ideia da geração es-
pontânea em relação aos seres microscópicos. Afinal, essa parecia ser uma teoria 4.4 O experimento de
bem mais simples para explicar a origem dos microrganismos. Pasteur tinha o objetivo
de derrubar a ideia de que
Em 1864, o cientista francês Louis Pasteur (1822-1895) realizou um experimen-
os microrganismos
to para demonstrar que os microrganismos estão presentes no ar. Para entender esse surgem por geração
experimento, observe a figura 4.4 enquanto você lê as explicações a seguir. espontânea. (Os
elementos da ilustração
não estão na mesma
escala. Cores fantasia.)
O caldo de carne esfria. A poeira
e os microrganismos ficam Balão quebrado: os
retidos na curvatura do gargalo. microrganismos aparecem.
O caldo de
Luis Moura/Arquivo da editora
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

carne é fervido.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 47

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Pasteur ferveu caldo de carne em um balão de vidro com
gargalo em forma de S (também chamado vidro com “pesco-
ço de cisne”). Quando o caldo de carne esfriou, o ar entrou no
frasco, por que o gargalo estava aberto, mas a poeira e os mi-
crorganismos ficaram retidos na curva do gargalo. Por isso,
mesmo depois de muitos dias, nenhum microrganismo havia
surgido no caldo de carne. Pasteur, então, quebrou o gargalo
do frasco. Sem o gargalo, os microrganismos do ar caíram no
Everett Collection/Latinstock

caldo. Dias depois, havia muitos deles no caldo.


Com esse experimento, Pasteur (figura 4.5) mostrou que
os microrganismos poderiam ter vindo do ar, e não surgido por
geração espontânea.
Por que foi importante deixar o vidro aberto?
Observe que, no experimento de Pasteur, o vidro esteve
4.5 Balões de vidro sempre aberto e o ar não foi impedido de entrar. Porém, devido
usados por Pasteur. à curvatura do gargalo, os microrganismos não atingiam o caldo
e, portanto, não se reproduziam nele. Assim, não era possível argumentar que os or-
ganismos não surgiam porque o caldo não entrava em contato com o ar.
Hoje a ideia de que um ser vivo vem de outro ser vivo parece óbvia. Mas, se você
pensar que nem sempre foi assim, vai perceber que essa descoberta científica foi, de
fato, muito importante.

Ciência e tecnologia
A conservação dos alimentos
Você acabou de conhecer o experimento impor- Ao longo do estudo de Ciências você vai conhe-
tante de Pasteur que serviu como uma evidência con- cer melhor algumas técnicas de conservação do ali-
tra a teoria da geração espontânea. Reflita agora sobre mento. Entre elas: a refrigeração e o congelamento,
a importância desse experimento para a conservação que diminuem a atividade e reprodução de microrga-
dos alimentos. Se um alimento for esterilizado pelo nismos causadores de doenças; a secagem pelo sol e
calor e acondicionado de modo que não entre em con- o salgamento, que retiram água dos alimentos e dos
tato direto com o ar (figura 4.6), ele poderá ser conser- germes, dificultando sua reprodução; os aditivos quí-
vado por muito tempo. Essa é uma aplicação tecnoló- micos, que além de conservar servem para dar cor,
gica essencial dos experimentos de Pasteur e do aroma, sabor ou consistência a um produto.
conhecimento acumulado ao longo do tempo por
GM
EVIP
muitas pesquisas. HOT
O/S
hutt
erst
ock/G
Você já deve ter lido o termo “pasteurizado” em low
Ima
ges

embalagens de leite. Na pasteurização do leite, ele é


aquecido e resfriado rapidamente, de modo que a
maioria dos microrganismos não consegue sobreviver.
Mas nem todas as bactérias são destruídas nesse pro-
cesso, e é por isso que o leite deve ser sempre conser-
vado na geladeira. Já o chamado “leite longa vida” é 4.6 Salsichas
aquecido em temperaturas mais altas e, enquanto não conservadas em
for aberto, pode ser conservado fora da geladeira, embalagem que impede
o contato com o ar.
observando-se o prazo de validade.

48 Capítulo 4 • A origem da vida

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2 Pesquisando a origem da vida
Já vimos como Redi e Pasteur provaram que não existe geração espontânea de
vida. Sabemos então que um organismo vivo sempre tem origem em um organismo
não vivo. Mas houve um tempo em que não existia nenhum ser vivo sobre a Terra:
nenhuma planta, nenhum peixe, nenhum inseto, nenhuma bactéria… Então, como
surgiu a vida na Terra?
A temperatura do nosso planeta era tão alta que impedia a manifestação de qual-
quer forma de vida. Isso ocorreu há 4,6 bilhões de anos, quando a Terra havia acabado
de se formar.
Somente cerca de 600 milhões de anos depois, a Terra esfriou o suficiente para
que o vapor de água se condensasse e surgissem no planeta as chuvas e água líquida
em abundância.
Na década de 1920, o russo Aleksandr Ivanovich Oparin (1894-1980) e o inglês John
B. S. Haldane (1892-1964) lançaram uma hipótese para explicar a origem da vida na Terra.
Os dois cientistas achavam que a atmosfera da Terra primitiva era diferente da
atual: ela seria constituída de metano (gás comum nos pântanos), amônia (substância
hoje encontrada em muitos produtos de limpeza) e hidrogênio, além de vapor de água.
A figura 4.7 procura dar uma ideia da Terra primitiva.
Com a energia das descargas elétricas que acompanhavam as tempestades e a
energia dos raios ultravioleta do Sol, os gases atmosféricos teriam se combinado e for-
mado diversas substâncias químicas. Entre as substâncias formadas estavam algumas
que atualmente são muito comuns no corpo dos seres vivos, como os açúcares, as
gorduras e as proteínas. Essas substâncias são chamadas de substâncias orgânicas.
Levadas para os mares pelas chuvas, elas se combinaram, passaram por mais
transformações e produziram novas substâncias químicas.
Muito importante nesse momento foi o aparecimento de uma substância capaz
de se duplicar, ou seja, de fabricar cópias de si mesma — uma espécie de gene primi-
tivo. Esse gene produziria dois genes idênticos a ele, depois quatro, e assim por diante.
De acordo com Oparin e Haldane, os genes primitivos se associaram a outras subs-
tâncias, como as proteínas. Dessa forma, teria surgido algo parecido com uma célula, só
que muito mais simples — uma espécie de bactéria mais simples que as bactérias de hoje.
A formação do primeiro ser vivo a partir da matéria sem vida só teria sido possí-
4.7 Ilustração da Terra
vel em condições que não existem mais – e, mesmo assim, esse processo teria leva- primitiva, ainda sem vida.
do muitos milhões de anos para ocorrer. Assim, ao longo de mais de 3 bilhões de anos, Podem ser vistos vulcões
em erupção e meteoritos
surgiram novas formas de vida pelo processo de evolução. caindo sobre a Terra.
Não foram apenas os seres vivos que mudaram com o tempo. O ambiente físi- (Os elementos da
ilustração não estão na
co do planeta também passou por muitas alterações. Os continentes se moveram, mesma escala; cores
Julio Dian/Arquivo da editora fantasia.)

49

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juntando-se, separando-se ou distanciando-se; o nível dos mares se alterou, inun-
dando imensas áreas de terra e depois recuando.
Vales e cadeias de montanhas se formaram, rios inundaram áreas anteriormen-
te desertas. Vulcões entraram em erupção, meteoritos provocaram a formação de
Extinção é a destruição
ou o desaparecimento imensas crateras. Tudo isso afetou muito o clima e a evolução da vida, provocando a
de algo. extinção de muitos tipos de organismos e a formação de outros.
Vários aspectos da teoria de Oparin e Haldane têm sido criticados. Alguns cien-
tistas acham que os primeiros seres vivos podem ter surgido no fundo dos oceanos,
ao redor de fontes ou fendas hidrotermais, que são como chaminés de água quente e
compostos minerais aquecidos pelo magma. Outros acham que a vida na Terra surgiu
a partir de compostos orgânicos trazidos por cometas e meteoritos. O fato é que os
cientistas continuam a pesquisar e a buscar novas evidências para explicar a origem
da vida na Terra. E com essas pesquisas, nosso conhecimento sobre a origem e a
evolução da vida aumenta cada vez mais.
Para facilitar o estudo da evolução da vida, costuma-se dividir a história da Terra
em grandes intervalos de tempo, que são subdivididos em intervalos menores. São os
éons, eras, períodos e épocas. Os éons Proterozoico, Arqueano e Hadeano são reuni-
4.8 Divisões usadas dos na divisão conhecida como Pré-Cambriano. O Éon Hadeano é uma divisão informal
para estudar a história (não oficial). Veja a figura 4.8.
da vida na Terra.

Éon Era Período Época Início (milhões de anos atrás)


Holoceno (atual) 0,01
Quaternário
Pleistoceno 2,6
Plioceno 5,3
Cenozoica Mioceno 23
Terciário Oligoceno 34
Eoceno 56
Paleoceno 65
Cretáceo 145
Fanerozoico Mesozoica Jurássico 200
Triássico 251
Permiano 299
Carbonífero 359
Devoniano 416
Paleozoica
Siluriano 444
Ordoviciano 488
Cambriano 542
-Cambriano

Proterozoico 2 500
Pré-

Arqueano 4 000
Hadeano 4 600

Mundo virtual

Golpe fatal na geração espontânea – Ciência hoje


<http://cienciahoje.uol.com.br/banco-de-imagens/lg/protected/ch/234/memoria.pdf/view>
Especial que relembra a publicação de Pasteur sobre como a fermentação resulta da ação de microrganismos.
Origem da vida – Só Biologia
<www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/origem_da_vida.php>
Página com texto explicativo que trata das teorias para o surgimento da vida e o experimento de Louis Pasteur. Reprodução/<
http://ciencia
com.br/banco hoje.uol.
-de-im
Acesso em: mar. 2015. protected/ch
/234/memori agens/lg/
a.pdf/view>

50 Capítulo 4 • A origem da vida

045_054_U01_C04_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 50 5/8/15 4:17 PM


Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

1. Você viu que no experimento de Redi havia carne a) Segundo a biogênese, carne em putrefação
em vários vidros, alguns abertos e outros cobertos pode originar vermes.
com um tecido que impedia a entrada de moscas b) Os experimentos de Redi e Pasteur contribuí-
no vidro. Então, responda: ram para derrotar a teoria da abiogênese.
a) Que teoria Redi estava tentando derrubar? c) O experimento de Pasteur foi importante para
b) Se Redi estivesse enganado, o que deveria ter mostrar que os seres microscópicos não sur-
acontecido nos vidros? giam por geração espontânea.
c) Qual foi o resultado obtido nesse experimento
e o que Redi mostrou? 4. Você estudou a teoria da origem da vida dos cientis-
tas Oparin e Haldane. Agora, no caderno, disponha
2. Você aprendeu que Pasteur ferveu caldo de car- os acontecimentos na ordem correta: substâncias
ne em um balão de vidro com gargalo em forma orgânicas, primeiro ser vivo, gases da atmosfera,
de S. Agora, responda: substância capaz de se duplicar.
a) O que Pasteur pretendia provar com esse ex-
perimento? 5. Uma ideia comum entre as pessoas do século XVI
b) Por que foi importante deixar o vidro aberto? era que as folhas mortas de certas árvores, quando
c ) Qual foi o resultado do experimento de Pasteur? caíam na terra, transformavam-se em aves, e as
que caíam na água, transformavam-se em peixes.
3. Leia as frases a seguir e indique no caderno apenas Essa ideia faz parte de uma teoria aceita na época.
as afirmativas verdadeiras. Qual era essa teoria?
Hulton-Deutsch Collection/Corbis/Latinstock

Ria Novosti/Science Photo Library/Latinstock


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

4.9 Nas fotos, Oparin (à esquerda) e Haldane.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 51

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Aprendendo com a prática

Para realizar esta atividade prática, formem gru- Troquem as caixas entre si. Cada grupo vai tentar
pos. Depois, selecionem dois objetos conhecidos. descobrir quais objetos estão dentro delas. Atenção!
Podem ser, por exemplo: lápis, bola de pingue- As caixas não podem ser abertas, devem ser apenas
-pongue, borracha, tesoura sem ponta, colher, sacudidas. Depois de verificar se acertou os objetos,
tampa de garrafa, entre outros. Ponham os obje- cada grupo deve responder à seguinte questão: qual
tos dentro de uma caixa de madeira ou de pape- é a semelhança entre a atividade que vocês realiza-
lão que fique bem fechada. ram e o modo como o cientista trabalha?

Mexa-se!

1. Construa um calendário, comparando os 4,6 bi- Hoje, acredita-se que a atmosfera primitiva não
lhões de anos da Terra com um ano de 365 dias. tinha exatamente os mesmos gases usados nes-
Use a Matemática (se tiver alguma dúvida, con- se experimento e que a origem da vida é um as-
sulte um professor dessa disciplina) para descobrir sunto que deve ser ainda muito discutido.
a data que corresponde, aproximadamente, aos Agora, pesquise como foi, em linhas gerais, o
seguintes fatos: experimento de Miller. Depois, procure também
a) aparecimento dos primeiros seres vivos (há uma ilustração do aparelho construído pelo
cerca de 3,5 bilhões de anos); cientista.
b) aparecimento dos primeiros peixes (há cerca

Science Photo Library/Latinstock


de 500 milhões de anos);
c) aparecimento e extinção dos dinossauros (há
cerca de 220 e 65 milhões de anos, respecti-
vamente).

2. Para representar a história da Terra, pode-se tam-


bém fazer uma tira de papel com 1 m de compri-
mento (ou 1 000 mm). Nesse caso, a tira repre-
sentaria os 4,6 bilhões de anos do planeta. Use
uma régua e seus conhecimentos de Matemáti-
ca (peça auxílio ao professor de Matemática, se
achar necessário) para marcar na tira os pontos
correspondentes:
a) ao aparecimento dos primeiros seres vivos;
b) ao aparecimento dos primeiros peixes;
c) ao aparecimento dos dinossauros;
d) à extinção dos dinossauros.

3. Em 1953, o cientista norte-americano Stanley


Miller (1930-2007) realizou um experimento em
que tentou mostrar que os gases da atmosfera
primitiva poderiam, em certas condições, formar
algumas substâncias que se encontram nos seres
vivos. 4.10 Retrato do cientista Stanley Miller

52 Capítulo 4 • A origem da vida

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Pense um pouco mais

1. O médico e filósofo belga Jan Baptista van Helmont 3. Imagine que a vida na Terra tenha chegado do es-
(1577-1644) elaborou, no século XVII, a seguinte paço, na forma de seres microscópicos muito sim-
“receita” para produzir ratos por geração espon- ples, semelhantes às bactérias, vindos dentro de
tânea: “Põem-se em um canto sossegado e pou- um asteroide que caiu no planeta. Isso é suficien-
co iluminado de um galpão camisas sujas. Sobre te para resolver o problema da origem dos primei-
elas espalham-se grãos de trigo. Como resultado, ros seres vivos no Universo? Por quê?
21 dias depois, surgirão ratos. O mais notável é que
esses ratos não são filhotes, mas surgem de um 4. No início do século XVII, pensava-se que as plantas
salto, totalmente formados”. Com relação a essa absorviam todos os seus nutrientes do solo. Para
“receita”, responda: testar essa hipótese, Van Helmont (o médico
mencionado na questão 1) cultivou uma muda de
a ) Qual era a ideia que estava por trás dessas
salgueiro em um vaso. Cinco anos mais tarde,
instruções do médico para a produção
constatou que o salgueiro estava quase 75 kg
de ratos?
mais pesado, mas que a terra do vaso diminuíra
b) Com base no que você aprendeu, critique a em apenas 57 g. Van Helmont explicou essas di-
“receita” de Van Helmont. ferenças afirmando que, para crescer, a planta
havia utilizado também a água usada para regar
Sheila Terry/Science Photo Library/Latinstock

a planta.

Agora que você viu os experimentos de Redi e


Pasteur, você pode perceber que o experimen-
to de Helmont, entre outros problemas, não foi,
de fato um teste controlado. Hoje sabemos que
o aumento de peso da planta não se deve ape-
nas à água ou ao solo, mas também a algo mais
que foi absorvido pela planta. O que deve ser
esse algo mais? (Releia o Capítulo 2, se achar
necessário.)

5. Plantas podem ser cultivadas sem terra em frascos


com água e diversos sais minerais (nitratos, fos-
fatos, etc.). Como você testaria a hipótese de que
um dos sais, o nitrato, é necessário para o cresci-
mento das plantas?
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

6. O trabalho de Redi é um bom exemplo de como o


cientista trabalha, ou seja, como ele aplica mé-
4.11 Retrato de Jan Baptista van Helmont, século XVII, todos para chegar a um resultado. Alguns cha-
de autoria desconhecida. mam esses métodos de científicos. Esse proce-
dimento pode ser resumido de forma geral, da
2. Alguns agricultores envolvem a goiaba ainda seguinte maneira:
verde com um saquinho de papel parafinado,
1. O cientista observa um fato.
que é fechado e amarrado no ramo da árvore.
Em que isso ajuda a evitar o aparecimento do 2. O cientista formula um problema relacionado
bicho de goiaba? ao fato observado.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 53

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3. O cientista pensa numa hipótese para re- Spallanzani acreditou então ter demonstrado
solver o problema. A hipótese é uma espé- que os microrganismos tinham vindo do ar, e
cie de solução provisória que ele dá para o não surgido por geração espôntanea no caldo
problema. de carne. Argumentou-se, no entanto, que a
falta de ar impedia a geração espôntanea de
4. O cientista faz observações ou experimentos
ocorrer. Se o ar pudesse entrar, a geração teria
para testar a hipótese. Para diminuir as chances
ocorrido. Então, responda: por que o experi-
de erro, ele realiza, sempre que possível, um
mento de Pasteur foi mais decisivo que o de
teste controlado: compara duas situações pa-
Spallanzani para derrubar a ideia de geração
recidas, que se diferenciam num único fator.
espôntanea?
5. O cientista analisa os resultados do experi-
mento para verificar se a sua hipótese está 8. Para cultivar as mosquinhas da banana, os cien-
correta. tistas põem algumas delas dentro de pequenas
Então, associe cada um dos procedimentos a seguir garrafas com uma pasta nutritiva no fundo,
a uma etapa do método descrito anteriormente. como a da foto abaixo. Depois eles tapam a
abertura da garrafa com um pedaço de gaze.
a) Redi comparou vidros abertos com carne podre
Suponha agora que um cientista tenha esque-
a vidros tampados com carne, mas tampados
cido uma garrafa aberta e as mosquinhas
com tecido.
tenham fugido. E, apesar disso, ele tenha obser-
b) Redi supôs que as larvas viessem dos ovos das vado pequenos “vermes” desenvolvendo-se
moscas. na pasta. Como você explicaria o aparecimento
c) Redi observou larvas surgindo da carne podre desses “vermes”?
e moscas voando ao redor dela.

Dr Jeremy Burgess/Science Photo Library/Latinstock


d) O resultado do teste mostra que as larvas vêm
de ovos de moscas, e não surgem por geração
espôntanea.

e) As larvas surgem por geração espôntanea ou


se desenvolvem de ovos de moscas?

7. Mesmo depois de Redi ter provado que as larvas


surgiam de ovos postos por moscas adultas, mui-
tas pessoas continuaram a pensar que os seres
microscópicos (microrganismos) podiam surgir por
geração espôntanea. Afinal, eles pareciam bem
mais simples do que larvas de moscas ou ratos.
No fim do século XVIII, o padre e pesquisador ita-
liano Lazzaro Spallanzani (1729-1799) tentou
demonstrar o contrário, ou seja, que os micror-
ganismos não surgiam por geração espôntanea.
Spallanzani ferveu por uma hora vários frascos
com caldo de carne, destruindo assim os orga-
nismos ali presentes. Manteve alguns frascos
abertos e fechou outros pouco antes de inter-
romper a fervura. Resultado: os microrganismos
4.12 Cultivo de mosquinhas em recipiente de vidro com pasta
surgiram apenas nos frascos abertos. nutritiva

54 Capítulo 4 • A origem da vida

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Capítulo

5 Classificação dos
seres vivos
Biodiversidade é a variedade de espécies de todos os seres vivos existente em
F

ab
io
Co
determinado lugar ou no planeta como um todo. Já foram descritos e nomeados

lo m
bi ni
cerca de 2 milhões de espécies de seres vivos em toda a Terra, mas ainda não se

/ A c e r vo d o f o t ó gr
sabe seu número total – ele pode variar de 10 milhões a 100 milhões.
Você já foi a um supermercado? Observe que os produtos estão arrumados

afo
em seções diferentes, de acordo com o tipo de produto, o que facilita achar aquilo que
você quer. Os cientistas também organizam os seres vivos reunindo-os em grupos
segundo algum critério: o grupo das aves, o grupo dos mamíferos, o grupo dos insetos,
Besouro sobre folha
etc. Essa classificação serve para facilitar o estudo dos seres vivos e nos ajuda a en-
tender a origem e a evolução das espécies, como você vai ver neste capítulo.

5.1 Alguns representantes de diferentes grupos de animais. As fotos não estão em proporção.

Saí-azul macho
Rita Barreto/Acervo da fotógrafa

Filhote de anta

Rita
Barr
eto/A
cerv
o da fo
tógr
afa

A questão é
Com que objetivo os cientistas classificam os seres
vivos? Quais os reinos em que os seres vivos são
classificados? O que é uma espécie? Como é escrito o
nome científico de uma espécie?

55

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1 Critérios de classificação
Tradicionalmente, o ser humano classifica os seres vivos de acordo com seus
interesses práticos. Por exemplo: se eles podem servir de alimento ou não; se podem
Taxonomia vem de taxis, ser criados ou cultivados; se podem causar danos às construções humanas, etc.
‘arranjo’, ‘ordem’; nomos,
‘lei’; mais o sufixo ia, A parte da Biologia que estuda a classificação dos seres vivos é chamada
‘qualidade de’. taxonomia.
Os taxonomistas têm um objetivo diferente com a classificação. Eles agrupam os
seres vivos com base em semelhanças no corpo dos seres vivos, no funcionamento
e no desenvolvimento do organismo, no modo de reprodução e até por semelhanças
entre seus genes.
As semelhanças, e também as diferenças, utilizadas na classificação biológica dos
seres vivos ajudam a entender a história da vida, e como os diversos grupos evoluíram.
Veja esta comparação:
Essa classificação, portanto, procura mostrar as relações de parentesco evolutivo
uma pessoa é mais entre os seres vivos.
parecida com seu irmão Veja por exemplo, na figura 5.2, o lobo e o cão pastor-alemão. Eles são parecidos?
(eles têm os mesmos
Você sabe dizer por quê?
pais e avós) do que com
seu primo (eles têm Os cães surgiram há cerca de 15 mil anos, por domesticação de antepassados dos
apenas dois avós em lobos atuais. Por essa razão, os cães e os lobos estão no mesmo grupo. Já os gatos,
comum).
por exemplo, surgiram de um gato selvagem, animal diferente daquele que originou os
cães. Por isso, os gatos devem ficar em um grupo diferente do grupo dos cães. Isso
significa que os lobos e os cães são mais aparentados entre si em termos de evolução
do que os lobos e os gatos, ou os cães e os gatos.
nst ock
/Ala my/Lati
aphy
ho to gr
er P
au m
Nu
ssb 5.2 Antepassados dos lobos
y
Ro atuais foram domesticados e
deram origem aos cães.

Andyworks/iSt
ock/Ge
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ages

Lobo (1 m a 1,5 m de comprimento, fora a cauda).

Cão pastor-alemão (65 cm a 1 m de comprimento de tronco).

56 Capítulo 5 • Classificação dos seres vivos

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2 O trabalho de Lineu
Você deve ter percebido que, algumas vezes, usamos o termo “espécie”. Mas o
que esse termo significa exatamente?
Espécie é o conjunto de organismos semelhantes entre si e capazes de cruzar e De acordo com esse
gerar descendentes férteis. Assim, todas as onças-pintadas pertencem à mesma mesmo conceito, todos
espécie, porque cruzam entre si e podem gerar filhotes férteis, isto é, também são os leões africanos
pertencem à mesma
capazes de ter filhotes. Alguns indivíduos de diferentes espécies podem cruzar entre espécie. Mas as
si, mas os filhos são quase sempre estéreis. É o caso do cruzamento do jumento com onças-pintadas e os
a égua, que origina a mula e o mulo (ou burro). leões africanos
pertencem a espécies
Em meados do século XVIII, o botânico e médico sueco Carl von Linné (1707-1778), diferentes, porque, em
ou Lineu, criou um sistema científico de classificação dos animais usando a espécie condições naturais, não
como unidade básica. Mesmo assim, Lineu acreditava que o número de espécies no há cruzamento e
geração de filhotes
mundo era fixo, ou seja, que elas não evoluíam. Essa era a ideia mais comum entre os férteis.
cientistas da época.
Lineu também reuniu as espécies semelhantes em um mesmo grupo, o gênero.
Por exemplo, o gato doméstico e o gato selvagem europeu são espécies diferentes
que pertencem ao mesmo gênero. Eles pertencem ao gênero Felis. Já o cão e o lobo
pertencem a outro gênero, Canis.
Sheila Ter
ry/S
Para organizar seu sistema de classificação, Lineu criou uma nomenclatu- cien
ce
Ph
ot
o
ra para os seres vivos usando o latim para dar nome às espécies e aos outros Li
br
a

ry
grupos. O uso de um único nome facilita a comunicação entre os cientistas

/L
at
in
sto
e evita confusões. Se não existisse essa nomenclatura, a mesma espé-

ck
cie poderia receber vários nomes, em línguas diferentes.
Você já ouviu dizer que o nome da espécie humana é Homo sa-
piens? Sabe o que isso quer dizer?
A nomenclatura criada por Lineu é chamada de binomial, por-
que cada espécie recebe dois nomes, sempre escritos em latim ou
adaptados para essa língua. Assim, a espécie humana foi chamada
de Homo sapiens; a bananeira é a Musa paradisiaca; a espécie mais
comum de barata é a Periplaneta americana; a de gatos domésticos é a
Felis catus; etc. 5.3 Lineu
A primeira palavra do nome científico da espécie corresponde ao nome do gênero.
Assim, se o gato-dourado-africano é chamado de Felis aurat, o gato selvagem europeu
é Felis silvestris. Ambos pertencem ao gênero Felis, um grupo maior que reúne, além
dessas duas espécies, o gato do deserto (Felis margarita) e o gato-da-selva (Felis chaus),
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

entre outras. Já a onça-pintada (Panthera onca), o tigre (Panthera tigris) e o leão (Pan-
thera leo) fazem parte do gênero Panthera.
Observe que o nome do gênero, e apenas ele, é escrito sempre com inicial maiús-
cula: Canis, Felis, Panthera, Homo, etc. A primeira palavra que compõe o nome da
espécie é sempre escrita com inicial maiúscula, e a segunda, com inicial minúscula:
Canis lupus, Felis aurat, Homo sapiens, etc.
Além disso, tanto o gênero como a espécie costumam ser destacados do texto Sapiens é uma palavra
usando-se um tipo de letra diferente, como o tipo inclinado que está sendo usado de origem latina que faz
parte do nome científico
neste livro, chamado de itálico, ou, quando escritos à mão, sublinhando-se os nomes da espécie humana;
desta forma: Homo sapiens, Felis aurat, etc. significa ‘sábio’.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 57

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3 Os arquivos da vida
Inicialmente, os seres vivos foram reunidos em grandes grupos chamados de
reinos. O reino animal (Animalia, em latim), por exemplo, reúne organismos pluricelu-
lares que ingerem outros organismos. Já no reino vegetal encontram-se os organismos
pluricelulares que fazem fotossíntese.
Um reino pode ser dividido em grupos menores, chamados filos. Para acompanhar
No caso das plantas
pode-se usar também a explicação a seguir, consulte a figura 5.4, na página seguinte. Ela ilustra os diversos
o termo divisão no grupos a que pertence a onça-pintada.
lugar de filo.
O reino dos animais está dividido em vários filos.
• No filo dos artrópodes, por exemplo, estão os animais que apresentam esqueleto
externo rígido e pernas articuladas. Esse filo reúne, entre outros, animais como ba-
ratas, aranhas, camarões, siris e lacraias.
• No filo dos cordados (Chordata, em latim) encontram-se os animais que apresentam
coluna vertebral. Nele estão incluídos o ser humano, os cães, os tubarões, os sapos
e muitos outros animais. O nome cordado vem do fato de os embriões desses animais
possuírem uma estrutura semelhante a um bastão na posição da coluna vertebral.
Esse bastão de células é chamado corda dorsal. Na maioria dos cordados, a corda
dorsal é substituída no adulto pela coluna vertebral.
Cada filo, por sua vez, pode ser subdividido em grupos menores, chamados de
classes. Exemplos: o filo dos cordados inclui, entre outras:
• a classe dos anfíbios, animais como os sapos e as rãs, que passam a primeira fase da
vida na água;
• a classe das aves, que reúne os animais com penas, como as corujas, os papagaios,
os patos e as harpias;
• a classe dos mamíferos (Mammalia, em latim), formada por animais com pelos e
glândulas mamárias, como os seres humanos, a onça-pintada, o urso-pardo, o lobo-
-guará, entre outros.
Cada classe é dividida em ordens. Na classe dos mamíferos estão, por exemplo,
O esquema abaixo
ajuda a compreender a ordem dos carnívoros (onças, gatos, lobos, cães, leões, etc.) e a ordem dos primatas
que há uma hierarquia (macacos, ser humano).
entre os grupos, indo
Cada ordem é dividida em famílias. Veja, por exemplo, a ordem dos carnívoros. Ela
do mais geral, o reino,
para o mais particular, inclui, entre outras:
a espécie. (As letras
são as iniciais dos
• a família dos canídeos, que tem como representantes o lobo, a raposa, o cão, o
diversos grupos.)
coiote, etc.;
• a família dos felídeos, que tem como representantes o leão, a onça, o tigre, o gato, etc.
R Uma família é composta de gêneros. Na família dos felídeos, estão o gato domés-
F tico e o gato selvagem europeu, que pertencem ao gênero Felis, enquanto o leão e a
C onça-pintada fazem parte do gênero Panthera. Em certos casos, são utilizadas divisões
O
intermediárias entre esses grupos. Por exemplo: subordem (entre ordem e família) e
F
G superordem (entre classe e ordem).
Cada gênero pode reunir várias espécies:
E
• no gênero Panthera encontra-se a onça-pintada (Panthera onca), o leão (Panthera
leo) e o tigre (Panthera tigris);
• o gênero Felis inclui as espécies Felis catus (gato doméstico) e Felis silvestris (gato
selvagem europeu), entre outras.

58 Capítulo 5 • Classificação dos seres vivos

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Fotos: Luiz Cláudio Marigo/Opção Brasil Imagens (onça-pintada); AppStock/Shutterstock (tigre); Anan Kaewkhammul/Shutterstock (lobo-guará); Arterra Picture Library/
Alamy/Latinstock (gato selvagem europeu); Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo (rã-touro, borboleta); Rita Barreto/Acervo da fotógrafa (mico-leão-dourado)
Animalia
Reino

onça-pintada tigre lobo-guará gato selvagem rã-touro borboleta mico-leão-


europeu -dourado
Chordata
Filo

onça-pintada tigre lobo-guará gato selvagem rã-touro mico-leão-


europeu -dourado
Mammalia
Classe

onça-pintada tigre lobo-guará gato selvagem mico-leão-


europeu -dourado
Carnivora
Ordem

onça-pintada tigre lobo-guará gato selvagem


europeu
Felidae
Família

onça-pintada tigre gato selvagem


europeu
Panthera
Gênero

onça-pintada tigre
Panthera
Espécie

onca

onça-pintada

5.4 Classificação da onça-pintada (Panthera onca; 1,90 m a 2,10 m de comprimento). Nas fotos aparecem também (tamanhos
aproximados): o tigre (Panthera tigris; 1,40 m a 2,80 m de comprimento), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus; cerca de 80 cm de
altura), o gato selvagem europeu (Felis silvestris; 65 cm de comprimento), a rã-touro (Rana catesbeiana; 15 cm de comprimento), a
borboleta (Morpho anaxibia; 15 cm de envergadura) e o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia; 20 cm de comprimento).

Ciência e História
A história da classificação dos seres vivos
A chegada dos europeus ao continente ameri- e desenvolvimento dos frutos. Outro sistema foi de-
cano levou à descoberta de riquezas naturais – entre senvolvido pelo inglês John Ray (1627–1705), basean-
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

elas uma variedade imensa de plantas importantes do-se no tipo de habitat, distribuição, morfologia e
para o comércio, alimentação e medicamentos. Esse fisiologia. Além dos interesses econômicos, havia
novo mundo estimulou exploradores e pesquisado- também a preocupação entre os cientistas em encon-
res a coletar plantas e desenvolver um sistema que trar princípios capazes de organizar a natureza, inclu-
facilitasse distinguir uma planta da outra entre cen- sive os seres vivos.
tenas de variedades. A partir do trabalho de John Ray, Lineu desenvol-
Vários sistemas foram sendo desenvolvidos. Um veu o sistema hierárquico de classificação com cinco
deles pelo italiano Andrea Caesalpino (1519-1603), que categorias: classe, ordem, gênero, espécie e variedade,
propôs um sistema de classificação de plantas em entre outras contribuições. Seu sistema serviu de base
1583, usando como critérios o tipo de tronco e a forma para os modernos sistemas de classificação.

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 59

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4 Os reinos dos seres vivos
Por centenas de anos os cientistas dividiram os seres vivos em apenas dois rei-
nos: o animal e o vegetal. Mas, com o desenvolvimento do microscópio e o aumento
Decomposição é a
do conhecimento humano sobre a evolução dos seres vivos, ficou claro que vários
transformação dos
cadáveres e resíduos organismos não podiam ser enquadrados em nenhum desses dois reinos.
dos seres vivos (fezes, Assim, os organismos foram divididos em cinco reinos:
urina, etc.) em sais
minerais e outras • Reino Monera. Nele estão as bactérias, incluindo-se nesse grupo também as ciano-
substâncias que podem bactérias (antes denominadas de cianofíceas). As cianobactérias apresentam cloro-
ser aproveitadas pelas fila e têm a capacidade de realizar fotossíntese. Algumas bactérias podem nos causar
plantas e outros seres
doenças como: cólera, tuberculose, tétano, sífilis, etc. Outras espécies de bactérias são
autotróficos.
importantes para a decomposição da matéria orgânica. Outras, ainda, são utilizadas
o ck
tin st
/L a
er
/S
PL pelo ser humano na fabricação de alimentos, como iogurtes e alguns queijos.
h
nt
• Reino Protista. Abriga todos os seres unicelulares que possuem núcleo. Os protistas
ue
G
rd
Ge

heterotróficos, ou seja, aqueles que se alimentam de outros organismos são cha-


mados protozoários. Um exemplo é a ameba, que pode ser comparada com uma
massa gelatinosa que se desloca “espichando” partes de si mesma. Outro exemplo
são as algas unicelulares, que realizam a maior parte da fotossíntese nos ambientes
aquáticos. Muitos cientistas incluem aqui as algas vermelhas, verdes e pardas, que,
em geral, são pluricelulares, mas não possuem tecidos verdadeiros.
• Reino Fungi. Engloba os fungos. A maioria é pluricelular. O corpo desses seres é
5.5 Ameba em imagem formado por uma série de fios chamados hifas. Todos têm células com núcleo e são
obtida por microscópio
óptico (aumento de cerca
heterotróficos: absorvem substâncias orgânicas (açúcares, gorduras, proteínas e
de 30 vezes). outras substâncias típicas dos seres vivos) do ambiente.

PL
/L a
tin s
to ck • Reino Animalia. Compreende os animais. São pluricelulares e têm células dota-
H
y de
/S
das de núcleo. Ingerem a matéria orgânica de que necessitam de outros seres
ex

vivos. São capazes de movimentação, pelo menos em alguma fase do ciclo


Al

de vida, como as larvas dos corais.


• Reino Plantae. Corresponde às plantas. São seres pluricelulares com
células dotadas de núcleo. Como são autotróficos, realizam fotossíntese.
Alex Hyde/SPL/Latinstock

Apresentam tecidos e órgãos especializados, e suas células são cobertas


por uma substância dura, a celulose. Para muitos autores, algumas algas,
como as algas verdes, são plantas; outros classificam todas as algas como
protistas.

Mundo virtual

Classificação e nomenclatura dos seres vivos – Educar


<http://educar.sc.usp.br/ciencias/seres_vivos/seresvivos2.html>
Página que, além de explicar como se dá a classificação dos seres vivos e
o sistema binomial de nomenclatura, propõe questões para reflexão e
autoavaliação.
Museu Escola do IB
5.6 Fungo crescendo Reprod
ução/<w
<www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/seres_vivos_ ww.sob
iologia.
sobre tomate. No detalhe, com.br>
classificacao.htm>
as hifas com estruturas
Página mantida pela Universidade Estadual Paulista que trata da classificação dos seres vivos com
de reprodução.
textos simples e didáticos.
Classificação dos seres vivos – Só Biologia
<www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/bioclassifidosseresvivos.php>
Página que apresenta textos informativos sobre classificação dos seres vivos e filogenia.
Acesso em: mar. 2015.

60 Capítulo 5 • Classificação dos seres vivos

055_065_U01_C05_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 60 5/8/15 4:18 PM


Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

1. A figura a seguir representa os diversos grupos de 5. Se duas espécies de organismos pertencem à


seres vivos: começa pelo grupo com a maior va- mesma classe, elas pertencerão obrigatoriamen-
riedade de organismos, os reinos, e termina com te à(ao) mesma(o):
o grupo com a menor variedade, a espécie. Então,
a) família.
no caderno, identifique cada grupo representado
b) gênero.
por letra.
c) espécies.

reino
d) filo.
B
C
E
6. Ao recolher o trabalho de casa, o professor de
D
espécie Ciências observou que os alunos escreveram o
nome da espécie humana de várias formas:
F

Homo Sapiens

5.7
Homo sapiens

homo sapiens

2. “Conjunto de organismos capazes de cruzar entre homo Sapiens


si e produzir descendentes férteis.” Essa frase é a
Sapiens
definição de um conceito importante em ciência.
Qual é esse conceito? Homo

3. Por que as onças-pintadas recebem o mesmo


No caderno, escreva corretamente o nome cien-
nome científico: Panthera onca?
tífico da espécie humana.

4. Veja a seguir alguns anfíbios (sapos, rãs e perere-


cas) brasileiros ameaçados de extinção e seus 7. A espécie humana atual recebe a denominação de
nomes científicos: Homo sapiens, mas já existiram outras espécies
que podem ter sido nossas ancestrais, como o
• sapinho-de-barriga-vermelha: Melanophryniscus
Australopithecus afarensis e o Homo erectus. Há
dorsalis;
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

cerca de 200 mil anos, existia outras espécies apa-


• sapinho-narigudo-de-barriga-vermelha: Melano-
rentada evolutivamente com a nossa: Homo ne-
phryniscus macrogranulosus;
anderthalensis.
• perereca: Hyla cymbalum, Hyla izecksohni;
Então, responda:
• perereca-verde: Hylomantis granulosa;
• rãzinha: Adelophryne baturitensis, Adelophryne a) Quantas espécies são mencionadas no texto?
maranguapensi, Thoropa lutzi, Thoropa petro- b) Quantos gêneros foram mencionados?
politana. c) Qual seria nosso parente evolutivo mais próxi-
Responda no caderno: quantos gêneros e quantas mo: o Homo erectus ou o Australopithecus
espécies diferentes aparecem nessa lista? afarensis? Por quê?

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 61

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8. Você aprendeu neste capítulo que os seres vivos podem ser classificados em cinco reinos: Monera, Protista,
Plantae, Animalia e Fungi. Agora, no caderno, classifique cada um dos seres vivos a seguir em um desses
reinos.

abelha roseira
bolor
cogumelo

gato
rato

bactéria ameba

cão
papagaio laranjeira
samambaia

couve-flor aranha barata

De olho no texto

Leia o texto abaixo e depois responda às questões.

Novo gambá identificado na Austrália


Após dez anos de estudos e análises de mais de 400 gambás, a equipe do biólogo David Lindenmayer, da
Universidade Nacional da Austrália, propôs que os gambás da espécie Trichosurus caninus, que vivem nas flo-
restas da Austrália, sejam divididos em duas espécies distintas. Os gambás que vivem no nordeste e leste da
Austrália manteriam o nome científico original da espécie (Trichosurus caninus), enquanto os gambás que
habitam regiões extremas do sudeste passariam a pertencer à espécie Trichosurus cunninghami (em home-
nagem ao cientista Ross Cunningham, da equipe).

Para os pesquisadores, a separação é necessária devido às diferenças observadas entre as duas populações:
o gambá do nordeste e leste da Austrália tem orelhas e pés menores e cauda maior que a espécie que habita o
sudeste, entre outras diferenças. Além disso, a análise do DNA (o material químico dos genes) dos gambás tam-
bém mostra uma diferença suficiente para essa separação.

Fontes: LINDENMAYER, D. B.; DUBACH, J.; VEGGERS, K. L. Geographic Dimorfism in the


Mountain Brushtail Possum (Thrichosurus caninus) – the Case for a New Species. Australian Journal of Zoology.
V. 50, N. 4, 2002, p. 369-393; ESTEVES, Bernardo. Ciência Hoje on-line, 12/12/02.
Disponível em: <www.uol.com.br/cienciahoje/ch.htm>.
(Textos adaptados para fins didáticos.)

a) A que gênero pertence o gambá australiano do texto?


b) Que características dos gambás foram utilizadas para defender a separação em duas espécies?
c) Se os cientistas estiverem corretos, você esperaria encontrar na natureza filhos resultantes do cruzamen-
to entre os dois tipos de gambás?

62 Capítulo 5 • Classificação dos seres vivos

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Pense um pouco mais

1. Leia esta adivinha popular: 2. Leia este texto do poeta Mário Quintana:
Cada vez que o poeta cria uma borboleta, os
O que é, o que é?
leitores exclamam: “Olha uma borboleta”. O crítico
É filho de égua e não é cavalo ajusta os nasóculos* e, ante aquele pedaço esvoa-
É filho de jumento e não é jumento çante de vida, murmura: “Ah, sim, um lepidóptero…”.
Parece cavalo, mas não é cavalo Por que os cientistas usam nomes aparentemen-
Parece jumento, mas não é jumento te complicados em vez de nomes comuns para se
Tem pais, mas não tem filhos referirem a plantas e animais?
*Nasóculos são óculos sem hastes que se usavam antigamente.

O animal em questão é um burro (se for macho) 3. Qual deve ser o grupo mais heterogêneo, isto é, com
ou uma mula (se for fêmea) e é resultado do cru- mais diferenças entre si: um grupo de seres da mes-
zamento de uma égua com um jumento. ma família, com vários gêneros diferentes, ou um
Com base nessa adivinhação, explique por que o grupo de seres de mesmo filo, mas de classes di-
jumento e a égua são considerados espécies ferentes? Responda no caderno e justifique sua
distintas. resposta.
Yva Momatiuk/Minden Pictures/Latinstock

Kit Houghton/Corbis/Latinstock
Mula (até 2,70 m de comprimento, fora a cauda).

Bryan Costin/Acervo do fotógrafo


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Égua (cerca de 2,20 m de comprimento, fora a cauda).


5.8 Jumento (cerca de 2,70 m de comprimento, fora a cauda).

Unidade 1 • Vida, matéria e energia 63

055_065_U01_C05_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 63 5/8/15 4:18 PM


4. Observe o quadro abaixo com a classificação de alguns animais.

Pinguim- Morcego-
Grupo Ser humano Onça Gato Urso-polar
-do-cabo -orelhudo
Reino Animalia Animalia Animalia Animalia Animalia Animalia
Filo Chordata Chordata Chordata Chordata Chordata Chordata
Classe Mammalia Mammalia Mammalia Aves Mammalia Mammalia
Ordem Primata Carnivora Carnivora Sphenisciformes Carnivora Chiroptera
Família Hominidae Felidae Felidae Spheniscidae Ursidae Vespertilionidae
Gênero Homo Panthera Felis Spheniscus Thalarctos Plecotus
Spheniscus Thalarctos Plecotus
Espécie Homo sapiens Panthera onca Felis catus
demersus marmitas auritus

Agora responda às questões abaixo e justifique suas respostas usando as informações do quadro:
a) A que famílias pertencem a onça, o gato e o urso? Na escala evolutiva, a onça é mais próxima do gato ou do urso?
b) Em termos evolutivos, o ser humano é mais próximo do morcego ou do pinguim?
c) Em termos evolutivos, a onça é mais próxima do urso ou do morcego?

5. Compare na figura os ossos de nossos braços, os ossos das patas dianteiras dos gatos, os ossos da nadadeira
das baleias e os ossos das asas dos morcegos.

Luis Moura/Arquivo da editora


Ser humano Gato Cavalo Morcego Baleia

5.9 Figura sem escala. Cores fantasia.


a) Qual é a função de cada um dos órgãos mencionados?
b) Apesar de terem funções diferentes, os órgãos têm os mesmos tipos de ossos arrumados de forma seme-
lhante. Como você explica essa semelhança?

Mexa-se!

Pesquise (em livros, revistas, na internet) o que é uma subespécie e como o nome de uma subespécie é escrito.

64 Capítulo 5 • Classificação dos seres vivos

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Ponto de chegada
• Você aprendeu que os seres vivos podem ser muito conhecido como evolução, ocorre ao longo de milhares
diferentes entre si, mas sabe também que eles têm de anos e por isso não conseguimos percebê-lo. Mas,
muitas coisas em comum, como o fato de todos serem entre as várias provas de que isso acontece, estão os
formados por células. Aprendeu também que a célula fósseis. Você sabe que, entre outros fatores, as trans-
realiza diversas funções que mantêm a vida. E ainda formações sofridas pelas espécies são provocadas por
que, com o auxílio de microscópios, é possível observar mutações (alterações nos genes) e pela seleção natu-
e estudar as células. Você já sabe que, nos seres plu- ral (alguns seres vivos deixam mais descendentes do
ricelulares, as células estão organizadas em tecidos, que outros).
os quais podem formar órgãos que, por sua vez, orga-
nizam-se em sistemas.
• Um dos efeitos da evolução é a adaptação dos seres
vivos ao ambiente. Agora que você sabe disso, procure
• Além disso, você aprendeu que a maioria dos seres vivos perceber algumas adaptações que estão presentes nos
obtém energia dos alimentos por meio da respiração seres vivos ao observá-los.
celular. E viu que, enquanto alguns seres vivos, os auto-
tróficos, sintetizam o açúcar, um alimento, outros, os
• Pode parecer estranho, mas por muito tempo acredi-
tou-se que um ser vivo pudesse surgir espontanea-
heterotróficos, nutrem-se de outros seres vivos.
mente da matéria sem vida. Nesta Unidade, você
• Embora possa parecer que as plantas não reagem ao conheceu alguns experimentos, como os de Redi e
ambiente, você aprendeu nesta Unidade que todos os Pasteur, que abalaram essa ideia e mostraram que
seres vivos reagem a ele. As plantas que crescem na um ser vivo vem sempre de outro ser vivo.
direção da luz são um exemplo disso.
• Finalmente, você aprendeu que a classificação cien-
• Você conheceu os dois tipos básicos de reprodução: a tífica dos seres vivos procura dar uma ideia da evolu-
assexuada e a sexuada. Além disso, já sabe dizer por ção da vida na Terra e que é importante usar uma no-
que os filhos são parecidos com os pais: é a hereditarie- menclatura única (em latim) para evitar que haja con-
dade, que se explica pela transmissão dos genes dos fusão de nomes em línguas diferentes.
pais para os filhos.
• Prepare-se agora para estudar os principais grupos
• Pode ser difícil de acreditar, mas as espécies de seres representantes dos cinco reinos (Monera, Protista,
vivos se modificam ao longo do tempo. Esse processo, Fungi, Animalia, Plantae).

Suryara Bernardi/Arquivo da editora

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2 Unidade

S. Lowry/Shutterstock/Glow Images

Bactérias vistas ao microscópio eletrônico.

66

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Os seres
mais simples
Os organismos que você vai estudar nesta Unidade são, na maioria, microscópicos.
Ou então, como muitos fungos, não têm tecidos nem órgãos. Eles se encontram em
toda parte, até mesmo no corpo humano.

Ponto de partida
1. Qual é o papel das bactérias, das algas e dos fungos no equilíbrio dos
ecossistemas?
2. Que doenças são provocadas por vírus, bactérias e protozoários e como
podemos nos defender delas?
3. Que produtos do cotidiano o ser humano obtém a partir dos fungos?
4. Que experimento nos ajuda a estudar a atividade das leveduras?

67

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Capítulo
Vírus, bactérias

6 e a saúde
do corpo
Todo ano, emissoras de rádio, de televisão, jornais e sites lembram aos pais sobre
as datas em que deverão levar os filhos para serem vacinados. Com as vacinas con-
seguimos evitar uma série de doenças — incluindo aquelas causadas por alguns vírus
e bactérias, como veremos neste capítulo.
Fernando Favoretto/Criar Imagem
6.1 Médica vacina
criança em campanha
de vacinação. São Paulo
(SP), em 2013.

A questão é
Você sabe como são os vírus e
como eles se reproduzem? Você
já teve dengue ou catapora?
Qual é a diferença entre vacina e
soro? Qual é a principal diferença
entre a célula de uma bactéria e
a célula de animais e plantas?
Por que as bactérias são
importantes para o ambiente?
Como são transmitidas as
doenças causadas por bactérias,
como a cólera, e de que maneira
podemos nos prevenir contra
elas? Por que é importante lavar
as mãos antes das refeições, ao
chegar da rua e depois de ir ao
banheiro?

68

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1 Como são os vírus
Os vírus não são formados por células, não respiram nem se alimentam como
os outros seres. Mas, quando estão no interior de uma célula, como a bactéria da Vírus vem do latim virus,
figura 6.3, eles conseguem se reproduzir. Os vírus são muito menores que as bac- que significa ‘veneno’.
térias, que por sua vez são quase todas muito menores que as células do corpo
humano. Por isso, os vírus não podem ser vistos nem mesmo com o auxílio do mais
potente microscópio óptico.
Com a criação do microscópio eletrônico e de outras técnicas foi possível verificar Substância orgânica
que os vírus não são formados por células. encontrada no corpo de
A organização dos vírus é muito simples: eles são formados de material genético seres vivos. Carne, leite
e ovos são alimentos
envolto por cápsulas de proteína, que às vezes apresentam substâncias adicionais. ricos em proteínas.
Na maioria dos vírus o material genético é o mesmo que forma os genes dos
outros seres vivos — o DNA (ácido desoxirribonucleico). Em alguns vírus, porém, o
material genético é formado por uma substância semelhante ao DNA, o RNA (ácido
ribonucleico). Veja alguns tipos de vírus na figura 6.2.

Vírus da poliomielite Vírus do tabaco Bacteriófago: vírus que ataca bactérias Vírus da gripe

cápsula material genético lipídios proteínas


material genético material genético
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

cápsula de
proteína

6.2 Estrutura de alguns vírus (tamanhos variam entre 0,03 µm e 0,3 µm de comprimento. O micrômetro é a material genético
milésima parte do milímetro. Os elementos da figura não estão na mesma escala. Cores fantasia).

Por apresentarem uma organização muito simples, os vírus não têm como pro-
duzir as próprias proteínas. Portanto, só conseguem se reproduzir quando invadem
Em bacteriófago, fago
uma célula e passam a comandar a produção de proteínas virais. Veja, na figura 6.3, significa ‘comer’.
a reprodução de um vírus chamado bacteriófago. Esse vírus usa substâncias da Bacteriófago é o tipo de
bactéria para produzir cópias de seu material genético e de sua cápsula. No fim do vírus que ataca, ou seja,
“come” bactérias.
processo, a bactéria, cheia de vírus, arrebenta e libera os novos vírus. Se algum
desses vírus entrar em contato com outra bactéria, o processo recomeça.
Eye of Science/Science Photo Library/Latinstock

Luis Moura/Arquivo da editora


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Vírus introduz produção de mais produção de novos vírus vírus liberados


DNA na bactéria. DNA (do vírus) proteínas (do vírus)

6.3 Na foto ao lado, bactéria vista ao microscópio eletrônico ao ser atacada por dezenas de vírus
(colorizada por computador). Na ilustração, reprodução de um vírus bacteriófago. (Bactérias têm
entre 0,5 μm e 1 μm de comprimento, e vírus são, em média, 10 vezes menores. O micrômetro é a
milésima parte do milímetro. Cores fantasia.)

Unidade 2 • Os seres mais simples 69

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2 Nossas defesas naturais

Luis Moura/Arquivo da editora


anticorpos Como os vírus se reproduzem apenas quando dominam as células e as utilizam
em benefício próprio, são chamados de parasitas intracelulares obrigatórios. Aliás,
os vírus causam doenças justamente porque conseguem destruir as células que eles
parasitam.
Estamos em permanente contato com uma grande quantidade de seres micros-
cópicos que se encontram no ambiente. Alguns deles causam infecções, mas nem por
isso ficamos doentes o tempo todo. Isso acontece por que o organismo humano pos-
sui defesas contra esses microrganismos.
microrganismo
invasor Uma dessas defesas é feita pelos anticorpos, que se ligam aos organismos inva-
sores e ajudam a destruí-los. Todos os anticorpos são específicos, isto é, cada um
ataca apenas determinado tipo de microrganismo. Para cada novo tipo de microrga-
nismo, é produzido um novo tipo de anticorpo. Isso porque o anticorpo se encaixa em
certas estruturas do vírus, chamadas de antígenos, tal como uma chave se encaixa
em uma fechadura. Observe na figura 6.4.
A reação do organismo, porém, não é instantânea, porque a velocidade de pro-
dução dos anticorpos pode variar de acordo com a doença (tipo de vírus) e com as
anticorpos condições de saúde da pessoa que contraiu o vírus. No caso do sarampo, uma criança
atacada pelo vírus pode apresentar vários sintomas da doença até ficar curada. Porém,
depois que essa criança estiver curada, algumas células do corpo dela vão guardar
uma “lembrança” desse invasor. São as células especiais, que estão prontas para
entrar em ação e reagir rapidamente (produzir os anticorpos específicos) caso novos
vírus do sarampo penetrem no organismo.
Existem casos em que essas células permanecem no organismo pelo resto da
microrganismo vida. É por isso que pessoas que já tiveram sarampo, catapora e outras doenças cau-
invasor sadas por vírus dificilmente terão essas doenças novamente. Nesses casos, a produ-
6.4 Anticorpos atacam ção de anticorpos não para, e isso garante a imunidade (defesa) permanente.
bactérias (elas são cerca
de cem vezes maiores
que os anticorpos; figura
sem escala; cores
fantasia).
Ciência e História
A descoberta do vírus
Atenção! Em 1886, o químico alemão Adolf Mayer (1843–1942) realizou experimentos que
No sarampo, assim indicaram que uma doença que afeta as folhas do tabaco, chamada mosaico do tabaco,
como em outras podia ser transmitida inoculando a seiva de uma planta em outra. O problema é que o
doenças, não
suposto agente infeccioso não podia ser observado nem ao microscópio.
podemos contar só
com nossas defesas Em 1892, o cientista russo Dmitri Ivanovski (1864–1920) escreveu um artigo em que
naturais. demonstrava que o agente infeccioso da doença do tabaco podia passar por filtros capazes
É preciso sempre
de reter bactérias. Em 1898, de forma independente, o biólogo holandês Martinus Beijerinck
consultar um
médico. Somente (1851–1931) realizou um experimento semelhante, com a mesma conclusão, e usou pela
ele pode dar a primeira vez o termo “vírus” para esse agente. Esse termo significa ‘veneno’ em latim.
orientação correta
para o tratamento da
Foi somente em 1935 que o químico estadunidense Wendell M. Stanley (1904–1971)
doença. Por isso, isolou pela primeira vez o vírus causador da doença do tabaco (TMV). Então, com auxílio
não tome do microscópio eletrônico foi possível visualizar e descobrir a estrutura química desse
medicamentos por
conta própria! e de outros vírus.

70 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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3 Ciência e tecnologia em defesa
do corpo
Os medicamentos conhecidos como antibióticos são muito eficientes contra as
bactérias, mas não produzem nenhum efeito contra os vírus. Há alguns medicamentos
específicos contra certos tipos de vírus, como o do herpes, o da gripe e o da Aids. São
chamados de antivirais.
Para prevenir-se contra os vírus, é preciso recorrer às vacinas. Por isso a
vacinação de crianças com idade inferior a 5 anos é tão importante. Elas podem
prevenir, por exemplo, a poliomielite, ou paralisia infantil. Não existe tratamento ou
O vírus da poliomielite
medicação específicos para essa doença. Graças às campanhas de vacinação, há pode atacar o sistema
muitos anos nenhum caso da doença é registrado no Brasil. Mesmo assim, a vaci- nervoso e provocar
nação é necessária. Como o vírus ainda existe em outros países, ele pode chegar paralisia e até mesmo
a morte.
ao território brasileiro.
Hoje, existem vacinas contra vírus, bactérias e outros parasitas que podem ser
fabricadas com partes dos microrganismos (os antígenos), microrganismos mortos ou
com microrganismos atenuados, aqueles que já não podem causar a doença.
Microrganismos
Quando tomamos uma vacina, um microrganismo, ou parte dele, é introduzido modificados por
em nosso organismo. Como ele está morto ou atenuado, não é capaz de causar a produtos químicos,
doença, mas pode estimular a produção de anticorpos e das células especiais, que calor ou outros
procedimentos.
estão prontas para produzir anticorpos com mais rapidez, caso ocorra nova invasão
desse microrganismo.
Com esse procedimento, a defesa do organismo contra determinado invasor
fica fortalecida. E, caso haja nova invasão, o vírus será destruído antes de causar a
doença. Mas os anticorpos são específicos: agem apenas contra o invasor em
questão e não contra outro.
Por ser um tratamento preventivo, na maioria das vezes, a vacina deve ser
Há também algumas
aplicada antes de um indivíduo contrair o microrganismo. Há vacinas, por exemplo, vacinas curativas, que
contra sarampo, rubéola, caxumba, catapora, poliomielite, raiva, gripe, febre amare- devem ser aplicadas
depois que a pessoa
la e certos tipos de hepatite, e os cientistas estão sempre pesquisando vacinas con-
foi exposta ao
tra outras doenças. microrganismo.
Mas e se uma pessoa já contraiu uma virose, o que pode ser feito?
O soro terapêutico (ou, simplesmente, soro) é produzido com o sangue de algum
animal (geralmente o cavalo) que já contém anticorpos contra o vírus. Isso porque o animal
é previamente “vacinado” contra ele.
O animal recebe substâncias do próprio vírus (antígenos) ou vírus inativados e pro-
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

duz os anticorpos específicos. Posteriormente, parte de seu sangue é retirada e usada na


produção do soro.
O soro é indicado para pessoas que já tenham contraído o vírus, pois assim o com- O soro antiofídico é
bate ao vírus é acelerado. Contudo, o soro não proporciona defesa permanente, como obtido a partir do
ocorre com a maioria das vacinas. sangue de um animal
de grande porte, como
Também existem soros produzidos para neutralizar certas substâncias tóxicas que, o cavalo, que produz
quando entram no organismo, causam danos rapidamente. agentes de defesa
Por exemplo, quando uma pessoa é picada por uma serpente peçonhenta, é contra o veneno
inoculado em
dado o soro antiofídico. A pessoa picada precisa receber urgentemente um soro seu organismo.
com anticorpos específicos contra a peçonha da serpente.

Unidade 2 • Os seres mais simples 71

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Caso contrário, poderá morrer antes que seu corpo tenha tempo de reagir.
A figura 6.5 ilustra esse caso.

1 Primeiro, retira-se
o veneno da cobra. 2 Em seguida, injetam-se
pequenas doses desse
veneno no cavalo em
intervalos de 5 dias.

4 A única parte utilizada do sangue é o plasma, solução rica em sais


minerais, proteínas, hormônios e anticorpos. As hemácias (glóbulos
vermelhos) são devolvidas ao animal. Por meio de um processo de
centrifugação retira-se o fibrinogênio, principal proteína do plasma,
que sem ele se transforma em soro. Depois de uma série de testes
químicos, o soro é envasado e distribuído para hospitais.

5 O soro é injetado em
pessoas picadas por
serpentes.

Ilustrações: Mauro Nakata/Arquivo da editora


3 Passados 30 dias, o
sistema imunológico do
animal cria anticorpos que
neutralizam a ação do
veneno. Então, retiram-se
de 6 a 8 litros de sangue
do cavalo em intervalos de
48 horas.

6.5 Produção de soro antiofídico (contra picadas de serpente). (Figura sem escala. Cores fantasia.)

Ciência e saúde
Saúde: uma questão social
A saúde pode ser considerada um estado de equi- O atendimento médico e hospitalar no Brasil é
líbrio físico e mental, que permite ao ser humano viver feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelas ope-
bem em seu ambiente. Quando esse equilíbrio é rom- radoras privadas de saúde.
pido, uma doença pode se instalar. As causas para isso Entre as políticas públicas de saúde, destaca-se
são várias: ataque de parasitas (doenças transmissí- o Programa Nacional de Imunizações, com suas cam-
veis), más condições de nutrição e sanitárias, fatores panhas nacionais de vacinação da população.
hereditários, ação de poluentes, etc. No Brasil, o Estado A caderneta de vacinação é um documento em
tem um papel importante na preservação da saúde, que são registradas as vacinas que a pessoa tomou e
dando assistência médica, propiciando boa educação e a data em que foram aplicadas. Esse documento deve
saneamento básico (água tratada e rede de esgoto), estar sempre atualizado e ser apresentado em con-
garantindo a segurança pública, entre outras ações. sultas médicas, matrículas em escolas, etc.

72 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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4 Os vírus e a nossa saúde
Atenção!
Muitas doenças infecciosas atingem a espécie humana. Às vezes, como no caso As informações
da gripe, elas surgem, espalham-se rapidamente e atingem grande número de pes- apresentadas neste
capítulo têm o
soas em uma região: são as epidemias (epi é um prefixo grego que significa ‘sobre’, objetivo de ajudar as
e demos, ‘povo’). Outras vezes a doença persiste por vários anos em uma região e pessoas a conhecer
melhor as doenças
afeta um número relativamente grande de pessoas: são as endemias (en é um pre-
relacionadas com os
fixo grego que significa ‘dentro’). Quando a doença se espalha por muitos lugares do vírus. Contudo, elas
planeta, temos uma pandemia (pan é um prefixo grego que significa ‘todo’). não substituem a
consulta ao médico,
Os vírus podem causar várias doenças no ser humano: gripe, resfriado, poliomie- nem podem ser
lite, febre amarela, herpes, sarampo, catapora, rubéola, caxumba, entre outras. Agora, usadas para
diagnóstico,
vamos estudar três viroses que atingem a espécie humana: a dengue, a raiva e a Aids. tratamento ou
prevenção de
doenças.
A dengue
Essa virose é causada por um vírus transmitido pela picada de duas espécies de
mosquito: o Aedes aegypti (figura 6.6) e o Aedes albopictus. No Brasil, só temos a pri-
Dengue é uma palavra
meira espécie. O mosquito transmite o vírus da dengue, ou seja, ele é o vetor da doença.
de origem espanhola
Os sintomas da dengue são febre alta, mal-estar, muito cansaço, dores de e significa ‘dengoso’ ou
cabeça, nos olhos, nos músculos e nas articulações, além de vômito, diarreia e ver- ‘requebrado’: por causa
das dores nos músculos
melhidão no corpo.
e nas articulações, os
Pessoas com dengue devem procurar atendimento médico porque os vômitos e doentes da dengue
diarreia provocam rápida desidratação. Além de reposição de sais e líquidos e repouso, balançam um pouco
um médico pode indicar remédios para baixar a febre. o corpo (“requebram”)
ao andar.
O mosquito vetor da dengue põe ovos em águas paradas. Por isso, é preciso
ficar atento para não deixar água acumulada em vasos de plantas, latas, pneus velhos,
garrafas, etc. É preciso também tampar reservatórios, como caixas-d’água. Outra
medida importante é o uso de produtos que matam as larvas ou os insetos adultos. 6.6 Aedes aegypti
(4 mm a 6 mm de
Veja a figura 6.6. comprimento), mosquito
transmissor da dengue, e
sua larva (1 mm a 6 mm
de comprimento).
o
do fotógraf
/Acervo
bini
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73

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Se uma pessoa for infectada novamente, mas por uma variedade diferente do
vírus, pode surgir a dengue hemorrágica. Nesse caso, os sintomas são febre, dor de
cabeça, dores musculares, queda de pressão, dores no estômago e sangramentos
no nariz ou em órgãos internos. É necessário rápido atendimento médico.

Coloque o lixo em Jogue no lixo todo Mantenha o saco


sacos plásticos e objeto que possa de lixo bem fechado
mantenha a lixeira acumular água, e fora do alcance
bem fechada. como embalagens de animais até
Não jogue lixo em usadas, potes, latas, o recolhimento
terrenos baldios. copos, garrafas pelo serviço
vazias, etc. de limpeza urbana.

Encha de areia Se você não colocou Se você tiver vasos de


até a borda os areia e acumulou plantas aquáticas,
pratinhos dos água no pratinho da troque a água e lave o
vasos de planta. planta, lave-o com vaso principalmente por
escova, água e dentro com escova,
sabão. Faça isso uma água e sabão pelo
vez por semana. menos uma vez por
semana.

Não deixe a água Remova folhas, Mantenha a


da chuva galhos e tudo o que caixa-d’água sempre
acumulada sobre possa impedir a água bem fechada com
a laje. de correr pelas tampa adequada.
calhas.

Mantenha bem Lave semanalmente Lave principalmente


tampados tonéis por dentro com por dentro com escova
e barris de água. escova e sabão os e sabão os utensílios
tanques utilizados usados para guardar
para armazenar água em casa, como
água. jarras, garrafas, potes,
baldes, etc.

6.7 Folheto de campanha Tabela construída com base nas informações do site:
<http://portalsaude.saude.gov.br>.
contra a dengue

A raiva (ou hidrofobia)


O vírus da raiva ataca o sistema nervoso. É transmitido por mordidas de morcegos
que se alimentam de sangue, ou de cães, gatos ou ratos. A saliva desses animais tam-
bém pode transmitir a doença.
Se uma pessoa tocar em um animal que possa estar contaminado, deve pro-
curar o serviço de saúde mais próximo. Se for mordida, deve lavar a ferida com água
e sabão e procurar o posto de saúde mais próximo para receber a vacina e o soro
antirrábico, antes que os sintomas da doença (dor de cabeça forte, febre alta, con-
trações musculares que dificultam o ato de engolir, entre outros) se manifestem.
Aliás, foi a dificuldade de engolir água que deu origem ao termo hidrofobia para no-
mear essa doença. É importante ressaltar que, se não houver atendimento médico
rápido, essa doença pode ser fatal.
Hidrofobia vem de hidro,
que significa ‘água’; e É muito importante manter em dia a carteira de vacinação de cães, gatos e outros
fobia, ‘medo’. animais de estimação, seguindo sempre as instruções do médico veterinário.

74 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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A Aids
O nome dessa doença vem de sua sigla em inglês que significa ‘síndrome da
imunodeficiência adquirida’. Esse nome foi dado porque a doença faz com que a pes-
Síndrome indica um
soa infectada tenha mais dificuldade em combater microrganismos causadores de conjunto de sintomas
doenças infecciosas, como as bactérias. Ele ataca e destrói certas células do sistema típicos de uma doença.
imunitário, ou imunológico.
Por causa da baixa imunidade, o indivíduo com Aids fica sem defesas até contra O vírus causador da
doenças que não prejudicam pessoas com sistema imunitário normal. São esses mi- Aids é chamado HIV,
crorganismos que podem causar a morte. A pessoa contaminada pode ficar mais sigla em inglês que
significa vírus da
vulnerável a infecções, como pneumonia, toxoplasmose, micoses (infecções por fun-
imunodeficiência
gos), tuberculose, etc. humana.
O paciente com Aids pode apresentar também certos tipos raros de câncer, como
o sarcoma de Kaposi, que provoca lesões na pele, no estômago e no intestino. Há casos
de manifestações de problemas no sistema nervoso, como perda da memória e da
coordenação dos movimentos.
Entre o momento em que uma pessoa é contaminada pelo vírus e aquele em que
aparecem os primeiros sintomas pode passar algum tempo — até mais de dez anos,
em alguns casos. Como os sintomas iniciais variam, somente um médico pode fazer o
diagnóstico preciso.
Há testes que indicam se a pessoa está contaminada com o vírus (figura 6.8).
Fazer esse teste é importante, entre outras razões, porque a pessoa contaminada,
mesmo sem apresentar sintomas, pode transmitir o vírus.
Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

6.8 Campanha de incentivo ao teste


do HIV como forma de prevenir
contaminações e antecipar o tratamento,
no caso de resultado positivo.

Unidade 2 • Os seres mais simples 75

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Atualmente, existem medicamentos que ajudam os portadores do HIV a levar
uma vida relativamente normal por muitos anos (figura 6.9). Isso não significa, entre-
O vírus sofre
tanto, que eles eliminaram o vírus. Por enquanto, a Aids não tem cura.
mutações com muita O vírus HIV é encontrado principalmente no sangue, no esperma, na secreção
frequência. Esse é um vaginal e no leite das mulheres portadoras. Também é encontrado em quantidade
dos motivos pelos
muito pequena na saliva, na urina, no suor e na lágrima, mas não há casos de trans-
quais é difícil criar uma
vacina contra a Aids. missão do vírus por esses fluidos.
É fundamental que as pessoas se protejam contra o HIV, mas sem que se crie uma
discriminação contra as pessoas portadoras do vírus. Veja abaixo como o vírus pode
ser transmitido de uma pessoa para a outra.

Tang Chhin Sothy/A


gên
cia
• Relação sexual. Uma pessoa pode ser infectada por seu parceiro durante
Fra
n ce
-Pr
uma relação sexual sem proteção, isto é, sem o uso de camisinha. O vírus
es
se
pode passar do esperma contaminado para outra pessoa pela muco-
sa da vagina e do ânus. Pode também passar das secreções vaginais
para a mucosa da uretra ou penetrar por pequenas lesões na pe-
le do pênis.
O vírus também pode ser transmitido no sexo oral, pas-
sando das secreções de uma pessoa contaminada pela muco-
sa da boca de outra pessoa.
Em princípio, o vírus não é transmitido em beijos de lín-
gua. No entanto, a transmissão pode ocorrer caso haja feridas
com sangramento (o vírus passaria nesses casos pelo sangue,
e não pela saliva).
Não há relatos de transmissão por picadas de insetos, abra-
ços e apertos de mão, de uso compartilhado de toalhas, de talheres,
de pratos ou de copos, de alimentos, de beijos no rosto, de tosse e
espirros, de banhos de piscina ou contato social com pessoa portadora
6.9 Médico entrega
numerosas embalagens do vírus.
de medicamentos usados
no tratamento da Aids. • Transfusão de sangue. A fiscalização dos bancos de sangue pelo governo fez dimi-
nuir muito o risco de transmissão por transfusões de sangue ou derivados dele
(plasma, por exemplo, que é o líquido do sangue onde estão mergulhados os ele-
mentos sólidos) contaminados pelo vírus nas principais regiões do Brasil. O doador
de sangue não corre o risco de contrair o vírus HIV.

• Seringas e agulhas contaminadas. Esse tipo de transmissão é comum entre os de-


pendentes de drogas injetáveis. Isso ocorre porque várias pessoas costumam usar
a mesma seringa. Uma única gota de sangue contaminado que fique na seringa é
suficiente para infectar outra pessoa.

Esta é uma das razões • Gravidez. As mães portadoras do vírus podem transmiti-lo para seu filho durante a
pelas quais todas as gravidez, na hora do parto ou durante a amamentação, mas se seguirem as re-
mulheres devem comendações médicas, como o uso de antirretrovirais na gravidez e para o recém-
procurar o médico logo
-nascido, a possibilidade de infecção no bebê diminui para menos de 1%. Sem
no início da gravidez.
Ele deve pedir exames tratamento, pode ser de cerca de 20%. As mães portadoras não devem ama-
e acompanhar a mentar (é usado leite artificial).
gestação.
• Objetos cortantes contaminados. É o caso de lâminas de barbear, tesouras, alicates
de unha e instrumentos de corte utilizados por médicos, manicures e dentistas, ou

76 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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em tatuagens e acupuntura. Por isso, todos esses objetos devem ser sempre limpos
e esterilizados em estufas (com temperatura superior a 60 ºC, por no mínimo
30 minutos) ou com produtos químicos (álcool, água sanitária, etc.).
Para evitar a contaminação pelo vírus HIV é preciso tomar alguns cuidados: usar
camisinha nas relações sexuais, exigir a esterilização de objetos que possam entrar
em contato com sangue (como lâmina de barbear, tesoura, alicate de unha) e também
de instrumentos usados por médicos e dentistas (bisturis, pinças, alicates, seringas,
etc.). Em relação a seringas e agulhas, devem ser usadas sempre as descartáveis.

Ciência e História
A teoria dos germes como causadores de doenças
No final do século XIX começou a se pensar que Semmelweis pediu que todos lavassem as mãos com
muitas doenças são causadas por diferentes tipos de água clorada antes de trabalhar no parto, o que fez
microrganismos (também chamados de germes). Um com que a taxa de mortalidade caísse bastante.
dos precursores da teoria dos germes foi o cientista Somente após as pesquisas de Pasteur, entre
italiano Agostino Bassi (1773–1856), que no início do 1860 e 1864, e do trabalho de outros cientistas, como
século XIX realizou experimentos demonstrando que o alemão Robert Koch (figura 6.10), é que se passou
um microrganismo causava uma doença no bicho- a aceitar que algumas doenças eram causadas por
-da-seda. Hoje sabemos que se tratava de um fungo microrganismos. Koch estabeleceu alguns princípios
microscópico. que deveriam ser usados para definir se uma doença
Ficou famosa também a história do médico hún- era ou não causada por microrganismos. Um indício,
garo Ignaz Semmelweis (1818-1865). Ele observou, em por exemplo, de que uma doença é causada por um
1847, que muitas mulheres que se internavam para dar microrganismo é encontrar grande quantidade desse
à luz em uma maternidade na Áustria desenvolviam microrganismo em pessoas doentes e não em pes-
uma febre que podia levá-las à morte. Depois de mui- soas saudáveis.
tas observações e estudos, ele suspeitou que as grá- Hoje sabemos que outros fatores, como o siste-
vidas eram contaminadas por algo que estava sendo ma imune, além dos microrganismos, são relevantes
carregado pelos médicos depois da autópsia. Então, para a instalação de doenças infecciosas.

Cavallini James/BSIP/Alamy/Latinstock
Gary Brown/SPL/Latinstock
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

6.10 Caricatura do microbiologista alemão Robert Koch (1843-1910). Ao lado, a bactéria causadora da tuberculose Mycobacterium
tuberculosis em microscópio óptico, com uso de corantes (aumento de cerca de 16 mil vezes).

Unidade 2 • Os seres mais simples 77

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5 Como são as bactérias
As bactérias são organismos unicelulares e seu material genético (DNA) não está
separado do citoplasma por uma membrana, como nas células de animais e plantas.
Portanto, ao contrário dessas células, as bactérias não possuem núcleo. Dizemos que
são procariontes ou procariotos (do grego pro, ‘antigo’; kariyon, ‘núcleo’; onthos, ‘ser’).
Ao redor da membrana da célula há um envoltório que protege a bactéria. Esse
envoltório recebe o nome de parede celular. Algumas bactérias apresentam filamen-
tos, os flagelos, que permitem o deslocamento da célula. Veja a figura 6.11.
parede celular material genético (DNA)

Luis Moura/Arquivo da editora


6.11 Desenho
simplificado de partes de
uma bactéria (figura
rotação
sem escala; cores
dos flagelos
fantasia). Bactérias
medem entre 0,5 µm e
1 µm de largura (o citoplasma
micrômetro é a milésima
parte do milímetro).
membrana plasmática
flagelo
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

bacilos A largura ou diâmetro das bactérias varia de 0,5 a 1 micrômetro. Elas podem
ser classificadas de acordo com sua forma. Algumas são esféricas e recebem o
nome de cocos (do latim coccus, ‘grão’); outras parecem um bastão: são os bacilos
(do latim baccillus, ‘bastonete’). Há ainda os vibriões, bactérias que têm o formato
de vírgula. E algumas, como as espiroquetas (do grego spira, ‘espiral’ e chaîte, ‘pelo’),
têm a forma de hélice, como um saca-rolhas.
coco
Observe, na figura 6.12, que algumas bactérias vivem isoladas, ao passo que
outras formam grupos com várias bactérias unidas entre si: são as colônias. As colô-
estafilococo
(cocos em nias também recebem nomes de acordo com sua forma: há, por exemplo, os estrep-
cachos) tococos (do grego, streptós ,‘cadeia’), que são cadeias de cocos, e os estafilococos
(do grego, staphyle, ‘cacho’), que são cachos de cocos, etc.
estreptobacilo A maioria das bactérias alimenta-se de substâncias orgânicas que obtém do am-
biente, ou seja, elas são heterotróficas. Mas existem também as bactérias autotróficas,
estreptococo
(cocos em fileiras) que são capazes de produzir, por si mesmas, as substâncias orgânicas (açúcares, gor-
duras, proteínas, etc.) de que necessitam utilizando substâncias minerais do ambiente.
Certas bactérias autotróficas fazem fotossíntese, isto é, fabricam açúcares usan-
do a energia solar, a água e o gás carbônico. Entre elas podemos citar as cianobactérias.
6.12 A ilustração mostra
formas e tipos de colônias de Algumas cianobactérias, como as da figura 6.13, organizam colônias em forma
bactérias. (Figura sem escala; de fios. Elas são encontradas na água, em solos úmidos ou em associação com
cores fantasia.)
fungos, quando formam organismos chamados de liquens.
KLN Artes Gráficas/Arquivo da editora
Sinclair Stammers/SPL/Latinstock

6.13 Colônia de
cianobactérias vistas ao
microscópio óptico.
(Figura sem escala. Cores
Oscillatoria Anabaena
fantasia.)

78 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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Algumas bactérias usam o oxigênio do ar na respiração, são as chamadas bactérias
aeróbias (aeros, que significa ‘ar’, e bios, ‘vida’). Outras não dependem do gás oxigênio
para conseguir energia e por isso são chamadas bactérias anaeróbias (an significa ‘sem’).
Essas bactérias utilizam um processo conhecido como fermentação para obter energia.

Eye of Science/Science Photo Library/Latinstock


A fermentação realizada por bactérias é aproveitada em muitas indústrias. Por
exemplo, a fermentação dos lactobacilos, bactérias que transformam o açúcar do leite
em ácido lático, é utilizada na produção de iogurte.
Na maioria das vezes, as bactérias se multiplicam por reprodução assexuada, isto
é, por uma divisão simples da célula em duas. Observe a figura 6.14. Às vezes, uma bac-
téria se liga a outra e um trecho do DNA (o material químico que forma o gene) é trans-
ferido de uma para a outra. Esse processo é chamado conjugação.. Após a troca, elas se
separam. Desse modo, um gene que confere resistência a um antibiótico, por exemplo,
pode se espalhar em uma população de bactérias.
Luis Moura/Arquivo da editora

DNA

duas células (bactérias) 6.14 Esquema simplificado de


reprodução de bactéria (0,5 μm
duplicação do DNA a 1 μm de diâmetro; cores fantasia).
Na foto acima, bactéria se dividindo
em duas (microscópio eletrônico;
divisão do citoplasma imagem colorizada por computador).

Ciência e saúde
Estudar as bactérias mudou nosso cotidiano
A descoberta de bactérias patogênicas, que são medidas usam o calor ou substâncias químicas para
aquelas que causam doenças, levou o ser humano a destruir as células bacterianas. O frio da geladeira
adotar uma série de medidas importantes para pre- diminui a atividade desses organismos, dificultando
servar a saúde. sua reprodução.
Algumas dessas medidas fazem parte de nosso Descobrir como as bactérias se reproduzem ou
dia a dia, como lavar as mãos antes das refeições, como podem ser destruídas foi importante para a saú-
evitando que bactérias presentes nas mãos conta- de em geral e também especificamente na medicina.
minem o alimento; filtrar ou ferver a água que bebe- Por causa dessas descobertas foram introduzidas
mos; desinfetar ferimentos; ferver o leite e outros práticas mais seguras para médicos e pacientes, como
alimentos e conservá-los na geladeira; etc. Essas a esterilização de instrumentos em salas de cirurgia.

6 As bactérias e o ambiente
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Muitas bactérias se nutrem das substâncias que se encontram em organismos


mortos ou em seus detritos, fezes e urina. Esse processo é chamado de decomposição.
Alguns fungos também participam dela.
Na decomposição, as substâncias orgânicas (açúcares, gorduras, etc.) que se
encontram no corpo dos seres vivos são transformadas em substâncias minerais (gás
carbônico, água, sais minerais, etc.). Estas, por sua vez, são absorvidas por plantas e
outros seres autotróficos e utilizadas na fabricação de substâncias orgânicas. Você
estudou o processo de decomposição no 6o ano. O que acha que aconteceria se não
existissem seres decompositores?

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Sem as bactérias e os fungos não haveria decomposição e reciclagem da maté-
ria: folhas, troncos, fezes e cadáveres de animais se acumulariam no solo ou na água.
Sem as substâncias minerais originárias da decomposição, não haveria nutrientes para
as plantas e outros seres autotróficos. Sem os organismos autotróficos, os animais e
Você percebe como os outros seres heterotróficos deixariam de existir.
diversos seres vivos Certas bactérias se associam a outros seres vivos e conseguem alimento sem
estão ligados entre si? lhes causar nenhum prejuízo. É o caso de muitas bactérias que vivem sobre a pele e
Cada um depende de
outros seres para no intestino humano. Esse tipo de associação entre organismos, em que um deles se
sobreviver. Por isso é beneficia sem causar prejuízo ao outro, é chamado de comensalismo. O nome “co-
importante preservar a mensal” é dado a cada um daqueles que comem juntos na mesma mesa.
biodiversidade do
planeta.
Algumas bactérias, porém, habitam o corpo de organismos vivos, onde se repro-
duzem e se alimentam, causando-lhes doenças. Essas bactérias são chamadas pa-
rasitas (do grego para, ‘ao lado’, e sitos, ‘alimento’). Nesse caso, um dos organismos se
beneficia da relação e o outro sofre algum prejuízo. Esse tipo de relação é chamado
parasitismo, e o organismo que abriga o parasita é chamado hospedeiro.
Outras bactérias podem trazer benefícios ao organismo ao qual se associa. Em
nosso intestino, por exemplo, vivem bactérias que ingerem parte de nosso alimento e
produzem algumas vitaminas importantes para certas funções do nosso organismo.
Quando a associação entre dois organismos de espécies diferentes traz benefícios
para ambos, como nesse exemplo, a relação entre eles é chamada mutualismo (do
latim mutuare, ‘trocar’).

7 As bactérias e a nossa saúde


Atenção!
O organismo humano dispõe de várias linhas de defesa contra os microrganismos.
As informações
deste capítulo têm o A primeira é formada pela epiderme — a parte externa da pele — e pelas mucosas — o
objetivo de ajudar as tecido que forra as cavidades do corpo, como o tubo digestório ou as vias respiratórias
pessoas a conhecer
melhor as doenças (nariz, traqueia, brônquios, bronquíolos).
relacionadas às Se o microrganismo conseguir ultrapassar essa primeira linha de defesa, será ata-
bactérias. Contudo,
elas não substituem cado por células especiais, como certos glóbulos brancos do sangue que “comem” bac-
a consulta ao térias. Esse processo é conhecido como fagocitose e está esquematizado na figura 6.15.
médico nem podem
ser usadas para
A outra linha de defesa é a produção de anticorpos, que você estudou anteriormente
diagnóstico, neste capítulo.
tratamento ou Quando as defesas naturais não são suficientes, podem ser usados antibióticos,
prevenção de
doenças. vacinas e soros específicos contra o germe invasor.

glóbulo branco
Juergen Berger/Science Photo Library/Latinstock

bactéria
Luís Moura/Arquivo da editora

6.15 Esquema de glóbulo branco


fagocitose de bactéria por
glóbulo branco do sangue
(figura sem escala; cores
fantasia). destruição da
bactéria
Na foto, glóbulo branco
fagocitando bactérias,
visto ao microscópio
eletrônico (cores artificiais; Vesícula com
bactérias
aumento de cerca de substâncias que
10 mil vezes). digerem a bactéria.

80 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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Leptospirose e cólera
As bactérias patogênicas (que causam doenças) podem ser transmitidas de di-
versas maneiras: por gotículas de saliva dos doentes ou portadores (como no caso da
tuberculose, lepra, difteria, coqueluche, escarlatina, pneumonia, meningite); por con-
tato com alimento, água ou objeto contaminado (disenteria bacilar, tétano, tracoma,
leptospirose, cólera, febre tifoide, botulismo); ou por contato sexual (gonorreia, sífilis).
A leptospirose é transmitida por meio da água e de alimentos contaminados pela
urina de animais portadores da bactéria, principalmente o rato. Precisa ser tratada com
rapidez, porque a doença pode ser fatal. O risco de contrair leptospirose aumenta no
período das enchentes. Veja mais detalhes na figura 6.16.
Ilustrações: Paulo Nilson/Arquivo da editora

Leptospirose: o que é? vem ser jogados fora, outros precisam de tratamento


A leptospirose é uma doença causada por uma bacté- especial nessas situações; também é importante limpar
ria presente na urina do rato que normalmente se es- e desinfetar a caixa-d’água.
palha pela água suja das enchentes e esgotos.

Como as pessoas se contaminam?


As pessoas podem ficar doentes quando entram em
contato com água ou lama contaminadas pela urina de
roedores (ratazanas, ratos de telhado e camundongos).
A bactéria entra na pele, com ou sem ferimentos, quan-
do em contato com essas águas.

Alguns cuidados para se prevenir da doença:


Evite o contato com água ou lama de enchentes ou es- Medidas práticas para evitar a presença
gotos. Impeça que crianças nadem ou brinquem nesses de roedores:
locais, que podem estar contaminados pela urina dos Manter os alimentos guar-
ratos. dados em recipientes bem
Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulho e fechados e à prova de roe-
esgoto devem usar botas e luvas de borracha para evi- dores (latas de vidro, alumí-
tar o contato da pele com água e lama contaminadas nio) em locais elevados do
(se isso não for possível, usar sacos plásticos duplos solo. Manter a cozinha lim-
amarrados nas mãos e nos pés). pa sem restos de alimentos
Após as águas baixarem, será necessário retirar a lama para evitar a presença de roedores.
e desinfetar o local (sempre se protegendo). Deve-se Retirar as sobras de alimento ou ração de animais do-
lavar o chão, paredes e objetos caseiros, desinfetando mésticos antes do anoitecer e manter limpos os vasi-
com água sanitária na lhames de alimentação, evitando restos alimentares
proporção de 4 xícaras que atraem os roedores.
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

de café deste produto Manter os terrenos baldios e as margens de córregos


para um balde de 20 li- limpos e capinados e não jogar lixo
tros de água, deixando nesses locais.
agir por 10 minutos. Evitar entulhos e acúmulo de ob-
Tenha cuidado com os jetos nos quintais, como telhas,
alimentos que tiveram madeiras e materiais de constru-
contato com água de ção, pois podem servir de abrigo
enchente. Alguns de- ao roedor.

6.16 Texto com base nas informações do site: <http://portal.saude.gov.br>.

Unidade 2 • Os seres mais simples 81

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Ciência e saúde
Importante: não tome antibióticos sem receita médica!
Tomar antibióticos sem receita médica é peri- Em certos casos, os antibióticos podem causar
goso para a saúde. Por isso, não adote como base problemas ao organismo, que devem ser diagnosti-
tratamentos feitos por outra pessoa ou indicados por cados e tratados pelo médico.
vizinhos, amigos e parentes. O uso de antibióticos sem controle médico pode
Os antibióticos são eficientes apenas quando provocar a seleção de bactérias resistentes ao medi-
usados por certo intervalo de tempo e na dosagem camento. Isso significa que, em uma segunda utiliza-
correta — e isso só o médico pode determinar. ção, o antibiótico pode não fazer mais efeito.

A cólera (ou o cólera) é uma doença provocada por um vibrião chamado Vibrio
cholerae. O contágio ocorre por ingestão de alimentos e água contaminados ou por
contato com fezes ou vômitos de pessoas infectadas.
A bactéria se instala no intestino humano e provoca diarreia intensa, líquida e
esbranquiçada. Outros sintomas são cólicas, vômitos e cãibras. A doença pode levar à
Diante de tantas morte por desidratação, entretanto, com tratamento rápido e adequado, a chance de
doenças provocadas por cura é grande.
vírus e bactérias, você
Para prevenir doenças como a cólera, os alimentos devem ser protegidos contra
não acha que é bastante
importante lavar as moscas e outros animais. Frutas, verduras e legumes, quando comidos crus, devem
mãos antes das ser lavados e deixados de molho por 30 minutos em água com produto à base de
refeições, ao chegar da cloro, na quantidade indicada na embalagem do produto. Antes de preparar os alimen-
rua e depois de ir ao
banheiro? tos ou comê-los, é preciso sempre lavar as mãos.
É fundamental também que as autoridades competentes melhorem as condições
de saneamento básico da população, fornecendo água tratada e rede de esgoto.

Ciência e tecnologia
Bactérias e a biotecnologia
Há muito tempo os microrganismos são usados humanos, mas sua composição não é exatamente igual.
para produzir coalhadas, queijos, bebidas alcoólicas e Assim, por meio do envolvimento de muitas equipes de
outros produtos. Mais recentemente, porém, as bac- cientistas, a engenharia genética conseguiu desenvolver
térias têm sido usadas para produzir proteínas huma- uma técnica para produção de insulina igual à humana.
nas, como a insulina. Para produzir a insulina, o gene humano que
A insulina é um hormônio que algumas pessoas, contém as informações para a produção do hormônio
chamadas diabéticas, não produzem ou a produzem é inserido no DNA bacteriano. Então as bactérias pas-
em pequena quantidade. Em certos casos, essas pessoas sam a se multiplicar, produzindo insulina igual à hu-
precisam receber injeções de insulina diariamente. mana. A reprodução dessas bactérias ocorre em apa-
Esse hormônio também é produzido pelos porcos relhos especiais. Periodicamente, certa quantidade de
e pode ser extraído desses animais para ser usado em bactérias é obtida, e a insulina humana é extraída.

Mundo virtual

Quando os microrganismos salvam vidas


<http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/286/quando-os-microrganismos-salvam-vidas>
Matéria sobre o uso de bactérias, fungos e protozoários para a produção de medicamentos.
Acesso em: mar. 2015.
br>
iahoje.uol.com.
Reprodução/<cienc

82 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

1. Leia os itens a seguir e indique as afirmativas ver- 4. No caderno, identifique as afirmativas corretas.
dadeiras no caderno. a) O soro serve para uma pessoa se prevenir de
a) Os vírus podem ser vistos ao microscópio óptico. uma doença durante o resto da vida.
b) Os vírus, como todos os seres vivos, são for- b) Para se prevenir contra a poliomielite, é preciso
mados por células. tomar uma vacina.
c) Bacteriófago é o nome dos vírus que atacam c) Uma pessoa picada por serpente peçonhenta
as bactérias. deve receber uma vacina.
d) Os vírus podem ser combatidos com antibióticos. d) A vacina contém anticorpos.
e) Pessoas contaminadas com o vírus da Aids e) A vacina estimula a produção de anticorpos.
podem permanecer meses sem desenvolver f ) A vacina pode ser fabricada com microrganis-
os sintomas da doença. mos mortos ou atenuados, ou então com par-
f ) Os vírus só se reproduzem no interior das cé-
tes desses microrganismos.
lulas dos animais.
g) A chance de os seres humanos contraírem a 5. Por que algumas doenças provocadas por vírus
raiva diminui se cães e gatos forem vacinados. não atacam a mesma pessoa mais de uma vez?
h) O vírus da Aids atua sobre o sistema imune 6. Apesar de ser causada por vírus, a gripe pode se
(sistema de defesa) e diminui a resistência do manifestar outras vezes em uma pessoa que teve
organismo. a doença e se curou. Explique por que isso é pos-
i ) Existem vacinas que imunizam totalmente as sível, sabendo que o vírus da gripe sofre mutações
pessoas contra o vírus da Aids.
e que os anticorpos são específicos.
j ) Os antibióticos são muito efetivos no combate
aos vírus. 7. Indique no caderno quais afirmativas sobre a den-
gue são corretas.
2. Há várias medidas para prevenir doenças, mas
a) Pode ser transmitida pela picada de um tipo de
apenas uma das frases a seguir refere-se a uma
mosquito.
medida importante no combate à dengue. Indique
b) Em alguns casos, podem ocorrer sangramen-
no caderno qual é essa frase.
tos fatais.
a) Usar camisinha durante as relações sexuais.
c) Evitando-se o acúmulo de água em vasos de
b) Não ingerir alimentos contaminados.
plantas, latas, pneus, etc., essa doença pode
c) Evitar o acúmulo de água parada em vasos,
latas, etc. ser prevenida.
d) Não beber água contaminada. d) Pode ser transmitida por espirro ou tosse.
e) Evitar a ingestão de carne crua. e ) Podem ocorrer febres altas e fortes dores no
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

corpo.
3. Há várias maneiras de uma pessoa contrair doen-
ças, mas apenas um dos itens a seguir indica um 8. Como a Aids pode ser comprovadamente trans-
modo de contrair a raiva. Escreva no caderno qual mitida? Indique no caderno os itens que respon-
é esse modo. dem corretamente à pergunta.
a ) Respirando o ar de um lugar onde existem pes- a) Por relações sexuais sem camisinha com pes-
soas contaminadas. soas contaminadas.
b) Por meio de picada de certas espécies de b) Por meio de picada de mosquito.
mosquitos. c) Por aperto de mão e abraço.
c) Por mordida de animais contaminados. d) Pelo uso compartilhado de seringas e agulhas
d) Por relações sexuais sem camisinha. contaminadas.

Unidade 2 • Os seres mais simples 83

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e) Por transfusão de sangue contaminado. e) Pode ser transmitida pelo ato sexual, por trans-
f ) Da mãe portadora do vírus para o filho, duran- fusão de sangue, seringas contaminadas ou da
te a gravidez ou amamentação. mãe para o filho durante a gravidez.
g) Por ferimentos com instrumentos cortantes ou f ) Provoca contrações musculares que dificultam
perfurantes que estejam contaminados. o ato de engolir água ou comida.
h) Conversando com um indivíduo contaminado g) Para combater sua transmissão, não se deve
com o vírus da Aids. acumular água em vasos de plantas, latas, etc.
h) O uso de preservativo (“camisinha”) é uma for-
9. Qual é o principal efeito do vírus da Aids no orga- ma de evitar essa doença.
nismo?
13. Um estudante afirmou que as bactérias são pre-
10. Por que é difícil conseguir uma vacina contra a judiciais ao ser humano, pois provocam inúmeras
Aids? doenças. Você concorda com essa afirmação?
Por quê?
11. Quanto à forma, como podem ser classificadas as
duas bactérias das imagens abaixo? 14. No caderno, substitua as letras entre parênteses
por palavras que completem corretamente cada
Fotos: Bsip Vem/Keystock

afirmativa.
Algumas bactérias formam grupos com várias
bactérias unidas entre si. Esse conjunto de bacté-
rias forma uma (a).
As bactérias com formas esféricas são chamadas
de (b).
As bactérias que utilizam o gás oxigênio para obter
energia e dependem desse gás para sobreviver
são chamadas de bactérias (c).
Já as bactérias que realizam a fermentação são
chamadas de bactérias (d).

15. Indique as afirmativas verdadeiras no caderno.


a) As bactérias são pluricelulares.
b) Todas as bactérias causam doenças no ser
humano.
6.17
c ) As bactérias são importantes para a reciclagem
12. No caderno, relacione as doenças a seguir com da matéria na natureza.
suas características: d) As bactérias possuem material genético.
1. dengue 2. raiva 3. Aids e) Bactérias são utilizadas na produção de
iogurtes.
a) O vírus ataca o sistema imunitário e diminui a
f ) As cianobactérias possuem clorofila.
resistência do organismo a infecções.
b) É transmitida pela picada de um tipo de mos-
quito. 16. No caderno, indique a maneira correta de combater
c) Pode ser transmitida por mordida de cães, a cólera.
ratos e outros animais contaminados. a) Por destruição do mosquito transmissor.
d) Seus sintomas são dores musculares e nas b) Com saneamento básico e higiene pessoal.
articulações, febre alta, dor de cabeça e, em c) Vacinando cães e gatos.
alguns casos, hemorragias. d) Evitando ter relações sexuais sem camisinha.

84 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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Pense um pouco mais

1. Um estudante fez a seguinte afirmação: “Os vírus, des (a partir de 6 meses), caso haja risco de in-
por serem muito simples, devem ter surgido e fecção respiratória, por exemplo. No caderno,
evoluído antes das primeiras células”. Com base explique por que as pessoas precisam tomar
no que você aprendeu sobre a reprodução dos essa vacina todos os anos. Que propriedade do
vírus, explique por que essa afirmação está vírus explica esse fato?
errada.
7. A varíola é uma virose transmitida por gotículas de
2. Uma bactéria conhecida como salmonela pode saliva dos portadores do vírus ou pelo uso de ob-
provocar infecções intestinais, com cólicas, vômi- jetos contaminados. Causa febre e lesões puru-
tos e febre. O doente precisa receber logo trata- lentas (com pus) na pele, as quais secam e dei-
mento médico para evitar a morte por desidrata- xam cicatrizes. Essa doença atacou a humanida-
ção. Alguns cientistas vêm tentando usar certos de por mais de 3 mil anos e, entre 1896 e 1980,
vírus para combater essa bactéria. Explique por provocou cerca de 300 milhões de mortes.
que essa tentativa pode dar certo. A doença foi erradicada em 1980, mas alguns ví-
rus foram preservados em laboratório. Qual foi a
3. Em 1885, o cientista Louis Pasteur obteve suces- principal medida que tornou possível a erradica-
so em suas pesquisas sobre determinada doença. ção da varíola?
Ele conseguiu produzir uma vacina que salvou da
morte um garoto mordido por um cão doente. Po- 8. “Guarde garrafas vazias com o gargalo voltado para
rém, ele nunca viu — e jamais veria — o microrga- baixo.” Que doenças essa recomendação ajuda a
nismo responsável pela doença. evitar? Justifique a sua resposta.
a) A que tipo de doença o texto se refere? Que
pista você usou para descobrir isso? 9. Hoje, quando um novo vírus surge, ele tem mais
b) Por que Pasteur nunca chegou a ver o micror- chance de se espalhar pelo mundo do que antiga-
ganismo responsável pela doença? mente. Você sabe explicar por quê?

4. Você já ouviu falar dos vírus de computador? São 10. O gráfico a seguir mostra o número de casos de
programas que podem invadir computadores e dengue registrados no mundo por décadas, de
causar problemas na máquina. Que semelhanças 1960 a 2007. (Use uma régua para facilitar a leitu-
e diferenças existem entre os vírus de computa- ra do gráfico.)
dor e os vírus que atacam o ser humano e outros
organismos? Dengue pelo mundo
Número de casos
5. O tratamento da Aids tem aumentado muito a 1 200 000
média de vida dos portadores do vírus. No en- 1 000 000
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

tanto, em alguns países da África, essa média 800 000


continua baixa. Você sabe dizer por que isso 600 000
acontece? O que pode ser feito para melhorar 400 000
essa situação? 200 000
0 Anos
1960- 1970- 1980- 1990- 2000-
6. A vacina contra a gripe costuma ser indicada para -1969 -1979 -1989 -1999 -2007
pessoas com mais de 60 anos de idade, pois o Adaptado de: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS).
6.18
risco de complicações causadas pela doença é
maior nessa faixa etária. Mas o médico também a) Durante esse período, o número de casos de
pode indicar a vacina para pessoas de outras ida- dengue aumentou ou diminuiu?

Unidade 2 • Os seres mais simples 85

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b) Em que períodos o número de casos ficou aci- terminada infecção. No laboratório, é realizada a
ma de 400 mil? coleta de uma amostra do material com bacté-
c) Em que período o número de casos de dengue rias, antes de ser administrada a medicação. Esse
foi menor que o dobro do período anterior? material é posto sobre uma placa com os nu-
trientes necessários para o crescimento da bac-
11. Algumas bactérias são capazes de se nutrir das téria. Depois, são colocados pequenos discos,
moléculas encontradas no petróleo e em alguns cada qual com um tipo de antibiótico. Passado
plásticos. Pensando nessa característica, explique algum tempo, pode-se observar o crescimento
como poderiam ser utilizadas pelo ser humano em das bactérias. A figura a seguir mostra alguns
benefício do planeta. desses discos. Cada número representa um tipo
de antibiótico. A parte verde-claro corresponde
12. Existem bactérias que vivem no tubo digestório às bactérias e a parte mais escura, às regiões
de bois e vacas e se nutrem de parte das substân- onde não houve crescimento de bactérias. Que
cias orgânicas que eles comem. O animal, por sua antibiótico o médico deve ter receitado para o
vez, não pode viver sem as bactérias, porque elas paciente? Por quê?
digerem a celulose (material que envolve a célula
dos vegetais) que o animal come. Considerando 2 1

essas informações, responda:


a) Quem é o beneficiado nessa relação? Existe
alguém prejudicado?
b) Que nome esse tipo de relação recebe?

Adilson Secco/
Arquivo da editora
3

13. Os antibióticos indicados pelo médico são usados 4


para combater as infecções causadas por bac- 7

térias. Em certos casos, o médico pode pedir um


5 6
exame, chamado antibiograma, para fazer a es-
6.19
colha do melhor antibiótico para combater de-

Mexa-se!

1. Elabore um texto defendendo a importância da 3. Veja essas duas afirmações:


vacinação para a saúde do indivíduo e da popula-
a) Não se deve comprar um alimento enlatado se
ção em geral.
a embalagem estiver estufada, nem consumir
alimentos de procedência duvidosa, cuja boa
2. Ainda se discute se os vírus devem ser conside- conservação não seja garantida.
rados seres vivos, já que eles apresentam algumas
b) Existe um medicamento, que, entre outras apli-
propriedades dos organismos quando estão den-
cações, serve para diminuir temporariamente
tro de uma célula. Quando estão fora dela, no en-
rugas na testa ou em torno dos olhos.
tanto, parecem cristais sem vida. Compare o vírus
com um ser vivo típico. Das características pre- Pesquise que tipo de bactéria patogênica pode
sentes nos seres vivos em geral (presença de cé- estar presente na lata estufada ou em alimentos
lulas, nutrição, crescimento, reação a estímulos, malconservados, por que a lata fica estufada e
movimentos, reprodução, hereditariedade e evo- como é o nome da doença causada por essa bac-
lução), quais as que os vírus também possuem? E téria. Pesquise, também, qual a relação que existe
quais as que eles não possuem? entre as duas afirmações acima.

86 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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De olho nos textos

Essa atividade dever ser feita em conjunto com os trabalhadores até recebiam dinheiro para o banho
professores de Ciências e de História. como parte do salário). Acredita-se que cidades
que tomaram essas medidas preventivas (Milão
Texto 1 e Nuremberg, por exemplo) tiveram nesse perío-
do os menores índices de mortalidade em toda a
A peste bubônica
Europa.
Do Extremo Oriente veio um mal de virulên- HISTÓRIA EM REVISTA 1300-1400: a era da calamidade.
Rio de Janeiro: Abril Livros. 1992. (Texto adaptado.)
cia sem precedentes que, entre 1346 e 1352, arrasou
pelo menos 1 da população europeia. A maior onda a) Como eram as condições de vida (moradia, sa-
3 neamento, etc.) nessa época na Europa?
de mortalidade em toda a história ficou conhecida
b) Quais eram as medidas adotadas nesse perío-
como Peste Negra ou peste bubônica.
do para tratar os doentes?
A doença atacava de três formas, todas cau-
sadas pela bactéria Pasteurella pestis. A peste c) De acordo com o texto, que medidas foram
pneumônica atacava os pulmões e a septicêmica mais eficazes no combate à peste?
infectava a corrente sanguínea. A peste bubônica, d) Em sua opinião, por que essas medidas foram
a terceira e mais conhecida, derivava seu nome mais eficazes? Em que sentido medidas pre-
das inchações do tamanho de um ovo, conhecidas ventivas como essas ajudam, mesmo hoje, no
como bubos ou bubões. No começo da doença, combate a doenças?
apareciam esses bubos no pescoço, nas axilas e
nas virilhas. Depois vinham a febre alta e os delí- e) Consulte em dicionários o significado das pa-
rios. As vítimas de constituição mais forte conse- lavras que você não conhece, redigindo então,
guiam sobreviver e experimentavam a dor aguda de próprio punho, uma definição para essas
da ruptura dos bubos. Em geral, a morte era o úni- palavras.
co alívio para a dor.

Os sábios da época colocavam a culpa da Texto 2


infecção no movimento dos planetas, na putrefa- Doenças emergentes
ção do ar pelos cadáveres, ou no contato com cor-
pos ou roupas infectados. Alguns até desconfia- A gripe aviária é provocada por um tipo do
vam que o olhar de um doente era fatal. Os verda- vírus que causa influenza (gripe) nas aves. Ele pode
deiros culpados, os ratos que infestavam a maioria ser transmitido para seres humanos pelo contato
das casas da época e cujas pulgas estavam con- com a carne de animais contaminados ou de obje-
taminadas com a bactéria da peste, só seriam tos contaminados com as fezes desses animais. O
identificados muitos séculos depois. calor destrói o vírus.

Os doutores receitavam misteriosas poções A gripe aviária pode provocar pneumonia e


de ervas e outros ingredientes que incluíam, por afetar rins e fígado, levando o paciente à morte. Sua
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

exemplo, melaço de dez anos e serpente picadi- transmissão é mais difícil que a da gripe comum,
nha, bem como a ruptura dos bubos. Ao tentar mas a doença é mais grave por atacar diretamente
uma sangria, o médico descobria que o sangue de os pulmões.
uma vítima da peste era espesso e preto, às vezes
A febre hemorrágica é causada pelo vírus
coberto por uma espuma verde.
Ebola, transmitido de uma pessoa contaminada
Muito mais eficazes foram as medidas de para outra pelo contato direto com sangue, suor,
prevenção, tomadas por poucas comunidades: saliva e sêmen. Ela provoca febre alta, dores no cor-
construção de muros ao redor das moradias; pa- po, vômitos, diarreia e hemorragias nos órgãos in-
vimentação e limpeza das ruas; remoção do lixo; ternos e na pele e, em geral, em cerca de dez dias, a
estímulo aos hábitos de higiene pessoal (alguns pessoa morre.

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Não há tratamento específico, mas, se as víti- houver febre, vômitos ou sangue nas fezes, é pre-
mas forem isoladas e mantidas em condições higiê- ciso procurar logo assistência médica.
nicas adequadas, a epidemia pode ser controlada.

Ilustrações: Mauro Nakata/Arquivo da editora


O Ebola e o vírus da gripe aviária fazem parte Como identificar a desidratação
de um grupo de vírus que circulam em animais ou Leve a criança ao serviço de saúde se ela apresentar
populações humanas que vivem em áreas isoladas alguns destes sintomas:
e que, no contato com outras populações podem se • Olhos fundos, sede exagerada, boca e pele secas,
espalhar para outros locais. ausência ou pequena produção de lágrima e pouca
urina.
a) Que informação no texto sugere que uma me-
Modo de preparo do soro de
dida para evitar a contaminação pelo vírus da
sais de reidratação oral
gripe aviária é a de comer carne e ovos bem
Ponha todo o pó de um
cozidos?
envelope de sais de reidratação
b) Que informação no texto sugere que, com o em um litro de água e mexa
desenvolvimento dos meios de transporte, bem.
algumas doenças podem se espalhar pelo Atenção!
mundo?
• Use todo o pó do envelope.
c) Consulte em dicionários o significado das • Não adicione açúcar nem sal ao soro.
palavras que você não conhece, redigindo de • Não ferva o soro depois de
prepará-lo.
seu próprio punho uma definição para essas
• O soro deve ser usado por 24 horas.
palavras. Depois disso, jogue fora o que sobrou
e prepare um novo litro de soro.
• Na falta da solução de reidratação oral,
Texto 3 é possível preparar o soro caseiro.
Importante: usar a colher-medida.
Diarreia: risco de
desidratação Preparo do soro caseiro

Algumas diarreias são causadas por bactérias


(e também por alguns vírus e outros microrganis-
mos) transmitidas por água e alimentos contami-
nados. Isso acontece em regiões mais pobres, onde
não há água limpa nem rede de esgotos ou fossas
sépticas.

Na diarreia, a pessoa sente cólicas e as fezes


são eliminadas com mais frequência e são mais
líquidas. Embora as diarreias leves parem espon-
taneamente em muitos casos, é necessário repor a 1 copo cheio 1 medida 2 medidas rasas
água e os sais minerais perdidos – isso é muito im- de água limpa rasa de sal de açúcar

portante especialmente para crianças pequenas e Prove o soro caseiro. Ele deve ser menos salgado que
idosos, que correm maior risco de desidratação, o a lágrima.
que pode levar à morte se não houver pronto aten-
6.20
dimento médico. Por isso é preciso procurar o mé-
dico ou a unidade de saúde. Para repor a água e os
Agora responda às questões:
sais, os postos de saúde fornecem o soro de reidra-
tação oral e as instruções corretas para seu uso. a) Por que é importante que a pessoa com diarreia
Veja a figura 6.20. não fique sem se hidratar?
Se houver sinais de desidratação, se a diarreia b) A diarreia é a principal causa de mortalidade in-
for intensa ou durar mais de 24 horas ou, ainda, se fantil entre as populações pobres dos países

88 Capítulo 6 • Vírus, bactérias e a saúde do corpo

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menos desenvolvidos. (Mortalidade infantil é o c) Explique por que quanto maior o desenvol-
número de crianças que morrem antes de com- vimento econômico de um país menor é a
pletar um ano de idade num grupo de mil nas- mortalidade infantil por diarreia.
cidas vivas.) Por que você acha que a morte por d) Consulte em dicionários o significado das
diarreia é mais frequente nessas regiões? Que palavras que você não conhece, redigindo de
medidas podem contribuir para a diminuição da seu próprio punho uma definição para essas
mortalidade infantil por diarreia nesses países? palavras.

Atividade em grupo

Escolham e desenvolvam uma das atividades a para dar uma palestra sobre a doença. Depois,
seguir. Depois, exponham os resultados da pes- apresentem o trabalho para a classe e a co-
quisa para a classe e a comunidade escolar (alunos, munidade escolar.
professores e funcionários da escola e pais ou a ) raiva;
responsáveis), com o auxílio de ilustrações, fotos
b ) dengue;
ou vídeos.
c ) Aids.
1. Com o auxílio dos professores de Ciências e de
História, pesquisem (em livros, CD-ROMs, na 3. Com o auxílio dos professores de Ciências e de
internet, etc.) as principais epidemias de gripe História, façam pesquisas (em livros, CD-
que ocorreram no século XX: quando e onde -ROMs, na internet, etc.) sobre a Revolta da
começaram e o número de mortes que provo- Vacina (qual era a situação social do Rio de Ja-
caram. Pesquisem também as consequências neiro em 1904 e quem foi o médico envolvido
sociais dessas epidemias. na campanha de vacinação, etc.).

2. Escolham uma das doenças indicadas a seguir 4. Pesquisem a história da descoberta do vírus
para pesquisar. Procurem dados atualizados da Aids.
sobre essa doença no Brasil e no município em
5. Depois de conseguirem um calendário básico
que vocês vivem. Com o auxílio do professor
de vacinação em postos de saúde, façam um
de Matemática, construam gráficos que mos-
resumo das doenças prevenidas por vacinas
trem a evolução da doença ao longo do tempo
que constam no calendário. Apresentem as
e, com a ajuda dos professores de Geografia
características da varíola e expliquem também
e de História, confeccionem mapas do Brasil
como ela foi erradicada.
e do mundo com as áreas de maior incidência
dessa doença. Elaborem uma campanha de 6. Pesquisem (em livros, CD-ROMs, na internet,
combate a ela. A campanha deve incluir pe- etc.) os cuidados que devemos ter ao comprar
quenos textos, escritos em linguagem aces- e manipular os alimentos e também para con-
sível a leigos, sobre as formas de transmissão,
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

servá-los em casa para garantir a higiene.


os cuidados para a prevenção, etc. Podem ser
criados cartazes, frases de alerta (slogans), 7. Pesquisem as principais características (modo
figuras, letras de música, etc. Não se esque- de transmissão, prevenção, etc.) das seguintes
çam de avisar que o diagnóstico e o tratamen- doenças causadas por bactérias: tuberculose,
to de uma doença devem ser orientados por pneumonia, coqueluche, meningite, tétano,
médicos. Se possível, convidem um médico gonorreia, sífilis, botulismo.

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Capítulo

7.1 Mosquito do gênero


7 Protozoários,
algas e fungos
Todos os anos, cerca de 250 milhões de pessoas contraem malária no mundo. No
Brasil, essa doença é endêmica principalmente nos estados da Amazônia Legal (Acre,
Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão).
Anopheles (de 6 mm a
15 mm), que pode
A malária é causada por um protozoário do gênero Plasmodium, que é transmitido
transmitir o protozoário pela picada de um mosquito. Ela é endêmica também em muitas regiões da África.
causador da malária.

A questão é
Milhões de pessoas no mundo ficam
doentes por causa de alguns tipos de
protozoários. Que protozoários são
esses, que doenças eles provocam e
como podemos nos prevenir? E por
que as algas são importantes para a
vida aquática? Quais são alguns usos
Sinclair Stammers/SPL/Latinstock

que o ser humano faz das algas?


Como é o corpo de um fungo? Onde
podemos encontrar fungos no
ambiente? Como é o modo de
reprodução desses seres vivos?
Quais são os benefícios e os prejuízos
que os fungos podem nos causar?

90

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1 Uma célula com núcleo
Eucarionte, de eu, que
Ao contrário das bactérias, os protistas são formados por células dotadas de significa ‘verdadeiro’,
núcleo: são organismos eucariontes ou eucariotos. Eucarionte é o nome dado ao or- ‘bom’; e kariyon, que
significa ‘núcleo’.
ganismo cujas células têm núcleo verdadeiro, isto é, núcleo com membrana. É o caso
dos protistas e também dos fungos, das plantas e dos animais. Procarionte do grego
Mas não é apenas a existência de núcleo que diferencia os eucariontes dos pró, ‘anterior’; karyon,
‘núcleo’; onthos, ‘ser’.
procariontes. Outras estruturas celulares, como as mitocôndrias, organelas que
participam da respiração celular, e os cloroplastos, organelas em que ocorre a fotos- Protozoário é uma
síntese, também só existem em eucariontes. palavra que deriva do
grego protos, ‘primitivo’;
Os protistas unicelulares são, geralmente, microscópicos. Alguns, entretanto,
zoon, ‘animal’, mais o
podem ser vistos a olho nu, pois atingem entre 1 milímetro e 2 milímetros. Alguns são sufixo ário, ‘origem’.
autotróficos: produzem os açúcares de que necessitam, transformando os materiais
inorgânicos por meio da fotossíntese. São as algas. Outros são heterotróficos: retiram Ameba é um termo que
vem do grego e significa
seu alimento do ambiente em que vivem. São os protozoários. ‘aquele que muda’.

Pseudópode vem do

2 Os protozoários grego pseudos, que


significa ‘falsos’, e podos,
‘pés’.
A reprodução dos protozoários é, geralmente, assexuada: a célula se parte em
dois ou mais pedaços e dá origem a novos protozoários, idênticos ao indivíduo origi- Fagocitose vem do
nal. Veja a figura 7.2. Mas existem protozoários que também realizam a reprodução grego phagein, ‘comer’,
e kytos, ‘célula’, mais o
sexuada. Nesse caso, produzem gametas ou trocam material genético entre si.
sufixo ose, ‘condição de’.
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

7.2 Reprodução
assexuada da ameba, um
protozoário. As amebas
medem, em média, 0,7 mm.
(Figura sem escala. Cores
fantasia.)
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

A capacidade de locomoção varia entre os diversos grupos de protozoários. Você


sabe como eles se movimentam?
As amebas parecem massas de gelatina que se arrastam vagarosamente. Elas
mudam constantemente de forma. Partes de seu citoplasma espicham e encolhem e,
desse modo, impulsionam a ameba. Esses “tentáculos” gelatinosos de citoplasma são
chamados de pseudópodes.
A ameba usa os pseudópodes também para envolver e capturar outro ser vivo
(algas unicelulares e outros protozoários, por exemplo) que lhe servirá de alimento.
Essa forma de capturar outro ser vivo é chamada de fagocitose.

Unidade 2 • Os seres mais simples 91

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Outros protozoários têm o corpo recoberto por um grande número de cílios, que
funcionam como remos e fazem o protozoário se deslocar na água. A corrente de água
Filamentos são fios de
diâmetro muito provocada pelo movimento dos cílios também traz alimentos, que podem ser até mes-
pequeno. mo outros seres unicelulares. Protozoários que apresentam esse tipo de locomoção
são classificados como protozoários ciliados.
Existem também protozoários que nadam e capturam o alimento com o auxílio
de flagelos (do latim flagellum, que significa ‘chicote’). Menos numerosos e mais longos
Atenção!
As informações
que os cílios, os flagelos são filamentos que se agitam como pequenos chicotes. Esses
deste capítulo têm o protozoários estão reunidos no grupo dos flagelados. A figura 7.3 mostra um tripanos-
objetivo de ajudar as somo, que faz parte desse grupo.
pessoas a conhecer
melhor as doenças Há ainda os protozoários que não têm nenhuma estrutura de locomoção. É o caso
relacionadas aos do plasmódio, que causa no ser humano uma doença conhecida como malária, que
protozoários.
Contudo, elas não você vai estudar mais adiante.
substituem a
consulta ao médico
e nem podem ser
usadas para
Os protozoários e a nossa saúde
diagnóstico, Alguns protozoários parasitas causam sérias doenças à humanidade. Muitas
tratamento ou
prevenção de dessas doenças afetam permanentemente um número considerável de pessoas em
doenças. determinada região – é a chamada doença endêmica. Conheça agora algumas ende-
mias brasileiras.
Doença de Chagas. É causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi,
O termo cruzi é uma
homenagem a um descoberto em 1909 pelo cientista brasileiro Carlos Chagas (1879-1934).
cientista brasileiro, A doença é transmitida pelo inseto conhecido como barbeiro, que recebe esse
Oswaldo Cruz
nome porque geralmente pica o rosto das pessoas.
(1872-1917), um dos
pioneiros no estudo das O barbeiro pode adquirir o protozoário ao sugar o sangue de cães, gatos e animais
doenças tropicais no silvestres, como tatus, gambás e roedores, ou o de uma pessoa doente. Ele suga o san-
Brasil e responsável por gue de uma pessoa e, ao mesmo tempo, junto à picada, elimina fezes, que é justamente
campanhas de
erradicação de doenças, onde o protozoário está. Quando o indivíduo se coça, o tripanossomo penetra na ferida.
como a peste bubônica. Depois o tripanossomo viaja pela circulação sanguínea e pode atingir vários ór-
gãos, como o coração, o fígado, o tubo digestório e o cérebro, instalando-se em um
deles ou em vários.
Nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença, mas, em cerca de 30%
dos casos, aparecem problemas no coração e no sistema digestório, que, com o tem-
po, podem levar à morte. A doença é mais perigosa em pessoas desnutridas. Veja o
ciclo da doença de Chagas na figura 7.3.
Luis Moura/Arquivo da editora

Ao sugar o sangue, o
barbeiro se infecta com
o protozoário.

protozoários
no sangue

Barbeiro (cerca
de 2 cm de
comprimento)

7.3 Ciclo do Trypanosoma cruzi (cerca de 20 mm As fezes com tripanossomos


de comprimento, fora o flagelo; figuras sem escala; flagelo entram no sangue através do
cores fantasia). orifício da picada.

92 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 92 5/8/15 4:18 PM


Há medicamentos que agem na fase inicial da doença de Chagas, mas nem sem-
pre apresentam bons resultados. O protozoário também
pode ser transmitido ao
O ambiente ideal para o abrigo do barbeiro e sua reprodução são as frestas das feto por mães
paredes das casas de sapé ou de pau a pique (construídas com barro socado sobre contaminadas, por
uma armação de varas e troncos), de onde ele sai à noite para se alimentar de sangue. transfusões de sangue
infectado ou por
O combate ao barbeiro com inseticidas e a construção de casas de alvenaria ajudam
alimentos contaminados
a diminuir muito essa forma de transmissão. pelas fezes do barbeiro.
Leishmaniose. Existe mais de uma forma dessa doença. No Brasil e em outros
países da América Latina, são comuns a leishmaniose tegumentar americana e a leish- bi ni/ Ac e rvo d o f ot
lom ó gr a
Co
maniose visceral americana. A primeira provoca feridas na pele e nas mucosas da boca Fa
b io fo

e do nariz. A segunda ataca vários órgãos internos.


O responsável por essas doenças é um protozoário flagelado do gênero
Leishmania. Ele é transmitido pela picada de certos tipos de mosquito, conhecidos
como mosquitos-palha ou biriguis. Veja a figura 7.4.
A prevenção é feita pelo tratamento do doente e pelo combate ao mosquito.
Malária. Conhecida também como maleita, impaludismo ou sezão, essa doença
é muito comum na região amazônica e em algumas áreas da região Nordeste.
A malária é causada pelo plasmódio, protozoário transmitido de pessoas doentes
L ib rar y/ La tin
ho t o st o
eP
para pessoas sadias pela picada de mosquitos do gênero Anopheles. Reveja a figura 7.1. O ie nc
ck
Sc

parasita chega ao fígado pela circulação sanguínea, onde se multiplica. Depois, ele passa a
proliferar dentro dos glóbulos vermelhos (ou hemácias). Quando estão repletas de plas-
módios, as hemácias se rompem e liberam os parasitas para infeccionar novas células.
Em geral, a destruição das hemácias provoca acessos de febre em intervalos de
tempo regulares, tremores, calafrios, anemia e dor de cabeça.
Há medicamentos contra a doença, e o tratamento das pessoas com malária
ajuda a combater a transmissão da doença a outras pessoas. Mas é fundamental
também combater o mosquito transmissor e suas larvas, assim como usar telas nas
7.4 Acima, o
portas e janelas, além de redes protetoras, chamadas de mosquiteiros (tratados com mosquito-palha (1 mm a
inseticidas biodegradáveis), ao redor das camas e nas janelas. A transmissão pode 3 mm de comprimento),
transmissor da
ocorrer também por transfusão do sangue contaminado pelo protozoário, uso com- leishmaniose e, abaixo, o
partilhado de seringas e agulhas contaminadas e da mãe para o bebê na hora do protozoário do gênero
Leishmania visto ao
parto, caso a mãe esteja infectada. microscópio eletrônico
Portanto, não basta combater o mosquito transmissor: é preciso também que as (aumento de cerca de 2 mil
populações tenham acesso a medicamentos, serviços de saúde e saneamento básico. vezes; cores artificiais).

Ciência e sociedade
O preço da pesquisa
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

O desenvolvimento de um novo medicamento pesquisa de doenças que atingem as pessoas mais


pode consumir milhões de dólares, mas pode tam- pobres dos países em desenvolvimento, como ma-
bém dar muito lucro para a empresa, pois quem qui- lária, leishmaniose e tuberculose. Por essa razão, es-
ser produzir o medicamento tem de pagar determi- sas doenças são conhecidas como “negligenciadas”.
nada quantia à companhia detentora da patente por Para diminuir esse problema, o governo e algu-
muitos anos. mas fundações devem destinar verbas para pesquisa
Por isso há muitas vezes um interesse maior e produção de medicamentos em órgãos públicos de
em pesquisar medicamentos que atendam pessoas pesquisa e em universidades dos próprios países em
capazes de comprá-los. Isso pode deixar de lado a desenvolvimento.

Unidade 2 • Os seres mais simples 93

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3 As algas
As algas possuem clorofila e realizam fotossíntese, produzindo oxigênio e
servindo de alimento para outros seres vivos. Além da clorofila, algumas delas apre-
y/L
atin
stock sentam outras substâncias coloridas ou pigmentos que lhes conferem co-
rar
L ib
Ph
ot
o lorações avermelhadas, douradas, etc.
e

Elas podem ser unicelulares ou pluricelulares. Vivem na água doce ou


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cie
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salgada ou na terra firme, em ambientes úmidos.


Ka
red

Assim como nos protozoários, a principal forma de reprodução é a


Manf

assexuada, embora haja espécies que também se reproduzam por meio


do sexo.
As diatomáceas são as algas unicelulares mais abundantes em ma-
res e lagos. Essas belas algas possuem carapaças de sílica (material de
que é feita a areia), duras e transparentes como o vidro (que também é
feito de sílica). Observe algumas dessas carapaças na figura 7.5.
7.5 Diatomáceas vistas Você já deve ter visto algas verdes nas praias. Elas também são cha-
ao microscópio óptico
(aumento de cerca de
madas clorofíceas e apresentam a coloração verde porque esse pigmento é mais
60 vezes). abundante que os demais. Algumas clorofíceas são unicelulares, outras, pluricelu-
lares. O corpo das algas plurice-
Dennis Johnson/Corbis/Latinstock

lulares é formado por um talo,


isto é, um conjunto de células no
qual não se distinguem tecidos
ou órgãos típicos (raiz, caule, fo-
lhas, etc.). Veja a figura 7.6.

7.6 Alga verde (gênero Ulva) conhecida


como alface-do-mar, encontrada presa às
rochas do litoral brasileiro (a parte achatada,
em forma de lâmina, tem entre 10 cm e
15 cm de comprimento).

Nas feofíceas, ou algas pardas, são mais abundantes os pigmentos marrons.


Muitas algas pardas são comestíveis e também utilizadas como adubo na agricultura.
Veja a figura 7.7. De outras, são extraídos produtos gelatinosos, como a algina, usados
para dar consistência e textura a alimentos industrializados, como cremes, sorvetes,
Clorofícea quer dizer pudins, pasta de dente, tintas, entre outros.
‘alga verde’: khloros
Photo Researchers/Latinstock

significa ‘verde’; e
phycos, ‘alga’.

Feofícea quer dizer ‘alga


parda’: phaios significa
‘pardo’; e phycos, ‘alga’.

7.7 Exemplo de alga parda.


Sargassum, alga encontrada
no litoral brasileiro que pode
ser usada como adubo
(atinge vários metros
de comprimento).

94

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 94 5/8/15 4:18 PM


Nas rodofíceas, ou algas vermelhas, há maior abundância de pigmentos verme-
lhos. Algumas espécies são ricas em sais de cálcio e contribuem para a formação dos
Rodofícea quer dizer
chamados recifes calcários. Outras, conhecidas como nori na culinária japonesa, são ‘alga vermelha’: rhodon
usadas como alimento. Veja a figura 7.8. significa ‘vermelho’; e
Das algas vermelhas são extraídos também produtos utilizados na indústria de phycos, ‘alga’.

alimentos, como a carragenina e o ágar, espessantes (para dar consistência) em ali-


mentos industrializados, como iogurtes, carnes, achocolatados, entre outros.

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


ora
dit
dae
ivo
qu
/Ar
iro
ibe
xR
Ale

O sushi, uma comida japonesa, é um rolinho de arroz


Alga vermelha (gênero Cryptonemia; cerca de 20 cm de altura). com alga vermelha nori (parte escura do rolinho) e
7.8 Algas vermelhas recheios variados (peixe, vegetais, etc.).

Ciência e tecnologia
A importância econômica das algas
O ágar, que forma uma espécie de gela-

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


tina, é utilizado na indústria alimentícia para
dar consistência a pudins, sorvetes, cremes,
maioneses, geleias, etc. Na indústria farma-
cêutica, é empregado na produção de cápsulas
de vitaminas e medicamentos. É utilizado tam-
bém na indústria de cosméticos. Misturado a
substâncias nutritivas, o ágar é utilizado como
meio de cultura de bactérias e fungos em la-
boratórios de pesquisa. Veja a figura 7.9.
Assim, pode-se compreender por que
cerca de 4 milhões de toneladas de algas são
colhidas por ano em todo o mundo.
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

Elas podem ser cultivadas em tanques,


no fundo do mar, ou em cordas na superfície,
em áreas protegidas de ventos fortes e
correntezas.
No litoral brasileiro, encontra-se a
Laminaria brasiliensis (que forma o “mar das
bananeiras” entre o Rio de Janeiro e a Bahia).
Várias espécies do gênero Sargassum podem
ser vistas no sul do país, e a alga vermelha do
gênero Gracilaria é comum no Nordeste. 7.9 Placas de ágar com culturas de bactérias

Unidade 2 • Os seres mais simples 95

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 95 5/8/15 4:19 PM


4 Os fungos
Assim como as bactérias, os fungos são importantes decompositores. Eles se
Fab
io Co
lombini/Acervo d
o fo
tóg
alimentam de substâncias orgânicas de folhas mortas, de cadáveres e de outros
ra
fo
resíduos orgânicos que se encontram no solo e na água. Dessa forma, devolvem os
sais minerais e a água ao ambiente, contribuindo para a reciclagem da matéria.
Porém sua grande capacidade de decompor matéria orgânica pode nos
causar problemas: os fungos destroem alimentos estocados, roupas, papéis, couro
e muitos outros produtos. Foi o que aconteceu com a laranja da figura 7.10.
Existem muitos fungos parasitas de plantas, que podem destruir plantações
inteiras. E há também fungos parasitas de animais, como aqueles que se instalam
no corpo humano e causam a frieira, a micose, a candidíase oral (o popular “sapinho”)
e outras doenças semelhantes.
Apesar disso, os fungos também são importantes para o ser humano: alguns
7.10 Laranja mofada deles (chamados de cogumelos) são comestíveis, outros são utilizados na fabricação
O primeiro antibiótico
de álcool, bebidas alcoólicas, pães, queijos e antibióticos. Além disso, os fungos mantêm
descoberto, no final da certas relações ecológicas importantes para a sobrevivência de outras espécies, como
década de 1920, a você verá ao estudar os liquens.
penicilina, foi extraído A ciência que estuda os fungos é a Micologia (do grego mykes, ‘cogumelo’ e logos,
de um fungo.
‘tratado’). Pelo que você acaba de ver, esse estudo pode ter aplicações práticas
importantíssimas.
Algumas pessoas podem achar os fungos parecidos com as plantas. Porém eles
não têm clorofila nem fazem fotossíntese, como as plantas. E, apesar de serem
heterotróficos como os animais, os fungos também não se parecem com eles. Mas, se
não são animais nem vegetais, a que reino os fungos pertencem?
Por terem características próprias, que não são encontradas em outros seres
vivos, os fungos foram classificados em um reino só deles: o reino Fungi.
A maioria dos fungos Alguns fungos (as leveduras) são unicelulares, mas a maioria deles é pluricelular.
tem respiração aeróbia,
Observando um cogumelo ou um pouco de mofo ao microscópio, veremos que o corpo
ou seja, eles utilizam o
oxigênio no processo dele se compõe de um conjunto de filamentos, as hifas (do grego hyphé, que significa
de respiração celular. ‘teia’). Elas estão entrelaçadas e formam o micélio (do grego mykes, que significa ‘cogu-
Mas na ausência de melo’ e élio, que sugere ‘tecido’), um conjunto que lembra uma minúscula teia de aranha.
oxigênio, alguns deles,
O corpo dos fungos não é constituído apenas pela parte visível dos cogumelos
como as leveduras,
podem realizar a (chamada de corpo de frutificação), que muitas vezes tem a forma de um guarda-chu-
fermentação, isto é, va. As hifas do fungo penetram na matéria orgânica ou no corpo de organismos mortos,
liberar energia dos digerindo e absorvendo essas substâncias. Uma parte dessas substâncias é usada na
alimentos sem utilizar
oxigênio no processo.
construção do corpo do fungo; a outra serve de fonte de energia na respiração.

A reprodução dos fungos


Você sabe como os fungos, que não se movimentam, podem se espalhar por todo
o planeta?
Observe a figura 7.11, na página seguinte. Os fungos geram células microscópicas,
os esporos, que podem ser levadas pelo vento. Os esporos dos cogumelos são pro-
duzidos no corpo de frutificação. Quando um esporo cai sobre a matéria orgânica, como
uma fatia de pão ou uma fruta, ele se multiplica e dá origem às hifas, que se ramificam e
penetram no material. É assim que um novo fungo se forma. A produção de esporos,
portanto, permite que organismos que não se deslocam, como os fungos, espalhem-se
por novos ambientes.

96 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 96 5/8/15 4:19 PM


corpo de hifas
frutificação
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

esporos

esporo

Os esporos caem no
solo e dão origem a
novos fungos.

7.11 Reprodução dos fungos. As hifas têm entre 5 µm e 10 µm de diâmetro. (Esquema sem escala. Cores fantasia.)

Agaricus campestri: cogumelo comestível


(3 cm a 7 cm de altura).
Conheça melhor alguns fungos
Cogumelos e orelhas-de-pau são fungos bastante co-
muns. Veja a figura 7.12. Alguns, como o Agaricus campestri
s
en
ag

(conhecido pelo nome francês de champignon), são comestíveis.


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Outros, como a Amanita muscaria, são venenosos. Por isso não


ns/Prti

é uma boa ideia colher cogumelos para comer. Antes é preciso


Delfim Ma

saber quais são venenosos e quais não são. Só uma pessoa que
os conhece bem consegue diferenciar uns dos outros.

7.12 Exemplos de fungos.

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Cogumelo orelha-de-pau (Pycnoporus


sanguineus) em tronco na mata Atlântica.

97

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 97 5/8/15 4:19 PM


O bolor preto (Rhizopus stolonifer) também é um fungo bastante familiar. Ele
cresce na superfície de alimentos úmidos e os destrói. Veja na figura 7.13 um esquema
de como isso acontece.
Claude Nuridsany Marie Perennou/Science Photo Library/Latinstock

esporos

Ingeborg Asbach/Arquivo da editora


7.13 Acima, o bolor
do pão (imagem ao Alguns fungos, como os do gênero Aspergillus, contaminam os alimentos com
microscópio; aumento de
cerca de 50 vezes) produz substâncias extremamente tóxicas, como as aflatoxinas, que podem causar câncer de
esporos que se dividem e fígado no ser humano. Eles têm mais chance de se desenvolver em certos alimentos
originam mais fungos.
No desenho, o fungo está
armazenados em locais úmidos, como o milho, o trigo e o amendoim. Por isso, os órgãos
aumentado, como se o responsáveis pela vigilância sanitária precisam fiscalizar esses produtos para asse-
observássemos ao
gurar que eles não sejam contaminados pela aflatoxina.
microscópio óptico.
(Figura sem escala. Cores O levedo de cerveja (Saccharomyces cerevisiae) é um fungo unicelular que obtém
fantasia.)
energia por fermentação e, nesse processo, transforma o açúcar que está presente
naturalmente nos alimentos em álcool e gás carbônico. Por isso, é utilizado na produção
de álcool e de bebidas alcoólicas, como o vinho e a cerveja.
O levedo de cerveja encontra-se também no fermento biológico e é utilizado na
produção do pão: o gás carbônico produzido na fermentação faz a massa crescer e
ficar leve e macia. Com o calor do forno, o fungo morre, e o álcool e o gás carbônico
produzidos na fermentação evaporam.
Outro fungo muito importante para a humanidade é o Penicillium, que produz a peni-
cilina, o primeiro antibiótico descoberto. Veja a figura 7.14. Os fungos desse gênero são
empregados também na produção de certos queijos, como o camembert e o roquefort.
Dr. Jeremy Burgess/Science Photo Library/Latinstock

7.14 Fungo do gênero


Penicillium visto ao
microscópio eletrônico
(aumento de cerca de
400 vezes; cores artificiais).

98

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Fa
b
Outro exemplo de medicamento extraído dos fungos é a ciclosporina, que di- io
Co
lom
bin
i/A
minui as chances de rejeição de órgãos transplantados. Como você vê, preservar a ce
rvo
do
fot
óg
biodiversidade do planeta acaba tendo consequências benéficas para a nossa própria raf
o

espécie. Além disso, a preservação é um dever moral, um valor em si mesmo.


Alguns fungos são parasitas de plantas cultivadas (veja a figura 7.15). Eles
podem contaminar plantações inteiras de batata, trigo e outros vegetais, tor-
nando esses alimentos impróprios para o consumo humano. É o caso do
Claviceps purpurea: ele ataca cereais e produz substâncias tóxicas ao ser
humano, que podem causar envenenamento. Na Europa medieval, milha-
res de pessoas morreram depois de comer cereais e derivados infectados
por esse fungo.

Os liquens
Os liquens apresentam-se em várias formas e cores; às vezes lembram
pequenas plantas. Crescem sobre o solo, rochas ou troncos de árvores, tan-
to nas regiões quentes dos desertos quanto nas regiões geladas (figura 7.16).
Mas os liquens não são plantas, e sim associações entre fungos e algas verdes
(clorofíceas) ou entre fungos e cianobactérias (cianofíceas).
Os fungos retiram água e sais minerais das rochas, solos ou troncos e da água das
7.15
chuvas ou do ar. Com esses nutrientes, a alga (ou a cianobactéria) produz, por fotossín-
Folha de café
tese, as substâncias orgânicas necessárias ao seu próprio crescimento e ao do fungo. O atacada pelo
fungo protege também a alga contra o sol ou a perda de água em regiões secas. Nesse fungo causador da
ferrugem do cafeeiro
caso, ambos os parceiros são beneficiados e essa relação é conhecida como mutualismo. (o comprimento da
A associação entre fungos e algas permite que o líquen cresça em locais onde folha varia em torno
de 30 cm a 90 cm).
outros seres vivos não sobrevivem. Por isso dizemos que os liquens são seres coloni-
zadores: são eles, em geral, os primeiros organismos a se instalar em regiões sem vida.
Pedaços de liquens levados pelo vento (ou pela água ou por animais) chegam,
por exemplo, a uma rocha, onde se instalam e começam a se reproduzir, ocupando
áreas cada vez maiores. Com o tempo, alguns liquens morrem, e seus restos formam
uma pequena área de solo onde outros vegetais podem crescer.
Os liquens criam assim condições para que outros orga-
nismos se desenvolvam na região.

7.16 Liquens sobre árvore

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Os fungos e a nossa saúde
Muitos fungos vivem na pele e nas mucosas sem causar
Science Photo Library/Latinstock

maiores danos. Em certas circunstâncias, porém, os fungos podem


se reproduzir rapidamente e provocar infecções, conhecidas como
micoses. O uso abusivo de antibióticos, o calor e o acúmulo de suor
ou de umidade favorecem a instalação de micoses.
As micoses mais comuns ocorrem na pele, no cabelo, na unha
e nos pelos. Veja a figura 7.17. Algumas micoses podem atingir
órgãos internos, como os pulmões. Em geral, as que provocam
infecções mais graves atacam pessoas com deficiência nas defe-
7.17 Esporos do fungo conhecido como pé de atleta
sas do corpo, como os portadores de HIV.
sobre a pele (microscópio eletrônico, aumento de cerca Como os fungos se desenvolvem melhor no calor e na umidade,
de 2 mil vezes; imagem colorizada por computador).
após o banho, é importante enxugar-se bem, principalmente entre os
dedos dos pés e na virilha. Evite emprestar ou pedir emprestado chuteiras, sapatos, meias
e calções e procure não ficar tanto tempo de tênis. Se observar coceira, descamação ou
pequenas vesículas na pele, em especial nos pés, ou mudança na pele, procure o médico.

Ciência e História
A descoberta da penicilina
Em 1928, o cientista escocês Alexander Fleming cultivado e a quantidade de antibiótico produzida era
(1881-1955) estava cultivando um tipo de bactéria pa- muito pequena.
togênica em placas de vidro quando observou um Somente no início da década de 1940 a penicilina
fenômeno estranho. Uma das placas tinha sido con- foi purificada, concentrada e testada, em pesquisas
taminada por um fungo e, ao seu redor, havia uma que envolveram equipes de cientistas, como o aus-
região clara, na qual nenhuma bactéria crescia. traliano Baron Florey (1898-1968), Ernst Boris Chain
Pensou, então, que talvez o fungo produzisse uma (1906-1979), entre outros, passando então a ser pro-
substância capaz de impedir o crescimento de bacté- duzida comercialmente.
rias. O fungo era uma espécie de Penicillium e a subs- Essa produção possibilitou o tratamento das
tância produzida foi chamada penicilina (figura 7.18). feridas de guerra durante a Segunda Guerra Mundial
Fleming já vinha pesquisando substâncias an- (1939-1945). Dr. Jeremy Burgess/SPL/Latinstock

tibacterianas havia algum tempo. Seu interesse pode


ter sido motivado pela sua observação dos terríveis 7.18 Fungo Penicillium
ferimentos dos soldados durante a Primeira Guerra chrysogenum, usado no
passado na produção do
Mundial (1914-1918). Surgia, assim, o primeiro anti-
antibiótico penicilina, crescendo
biótico. O problema é que o fungo era difícil de ser em um meio de cultura (ágar).

Mundo virtual
hoje.uol.
com.br>

O poder das algas


http://ciencia

<http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/reuniao-anual-da-sbpc-2010/o-poder-das-algas/>
Reportagem sobre os usos e aplicações das algas em diferentes áreas do cotidiano.
Reprodução/<

Cianobactérias garantem oxigênio na Terra


<www2.uol.com.br/sciam/noticias/cianobacterias_garantem_oxigenio_na_terra.html>
Reportagem sobre o estudo que indica que seriam as cianobactérias as responsáveis pela
existência de oxigênio na atmosfera terrestre.
Acesso em: mar. 2015.

100 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

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Atividades

Trabalhando as ideias do capítulo

1. Qual é o significado do termo eucarionte? a) A que grupo pertence o protista heterotrófico


da foto?
2. Qual é a principal diferença, em termos de nutrição,
entre as algas e os protozoários? b) Qual é o modo de locomoção dele?

3. A figura a seguir mostra dois protozoários: o pri- c) Como se chama essa forma de capturar outro
meiro pertence ao gênero Didinium e o segundo, ser vivo e qual é a função dela?
ao gênero Trichomonas. 5. Em relação à doença de Chagas, responda às per-
Didinium sp. Trichomonas guntas a seguir no caderno.
a) Qual é o protozoário causador da doença?
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

b) Como a doença é transmitida?


c) Que medidas preventivas podem ser adota-
das?
d) Como esse protozoário se locomove?
e) Que cientista descobriu o protozoário?
7.19 Figura sem escala. Cores fantasia.
6. Qual é o protozoário causador da leishmaniose?
a) Qual é o meio de locomoção do primeiro pro- Como essa doença é transmitida e como podemos
tozoário? E o do segundo? preveni-la?
b) As estruturas que servem de meio de locomo- 7. Um estudante afirmou que a malária pode ser con-
ção têm também outra função. Que função é traída por transfusão de sangue. Você acha que
essa? ele está certo? Justifique sua resposta.
4. Na imagem a seguir, um protista heterotrófico ten-
8. Leia os itens abaixo. No caderno, indique apenas
ta envolver um protista autotrófico (alga verde
as afirmativas verdadeiras.
unicelular).
a) Alguns protistas são autotróficos e outros são
Visuals Unilimited/Corbis/Latinstock

heterotróficos.
b) As algas produzem alimento e oxigênio no am-
biente aquático.
c) Em regiões onde há malária, o uso de telas em
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

portas e janelas, além de cortinados nos leitos,


ajuda a evitar a transmissão da doença.
d) O controle do sangue para a transfusão ajuda
a evitar a transmissão da doença de Chagas.
e) O transmissor da doença de Chagas é um pro-
tozoário ciliado.
f ) O transmissor da malária é um protozoário com
flagelos.
7.20 Imagem vista ao microscópio óptico; aumento de
cerca de 100 vezes. g) As células dos protistas não possuem núcleo.

Unidade 2 • Os seres mais simples 101

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 101 5/8/15 4:19 PM


h) Alguns fungos são comestíveis; outros são 16. Você sabe dizer por que se enxugar bem após o
venenosos. banho previne micoses?
i ) O tratamento dos doentes com malária ajuda
a combater a transmissão da doença. 17. Nesta Unidade você estudou os reinos Monera e
Protista. E passou a saber muita coisa sobre os ví-
j ) A vacinação ajuda a prevenir a malária.
rus, as bactérias, os protozoários, as algas e os
k ) A doença de Chagas é transmitida por meio das fungos. Agora, escreva no caderno o nome (não
fezes do mosquito do gênero Aedes. precisa ser o nome científico) ou o grupo de cada
l ) Alguns fungos fazem a decomposição da ma- um dos elementos que aparecem nas figuras (a foto
téria orgânica. corresponde ao organismo que aparece na ilustra-
ção ao lado dela, em cores fantasia). Escreva tam-
9. Qual é a importância das algas unicelulares para a bém o reino a que cada organismo pertence.
vida aquática? (Atenção! Os vírus não se enquadram em nenhum
reino. Lembre-se também de que um micrômetro
10. Cite um exemplo de alga unicelular que tenha nu- é a milésima parte do milímetro.)
trição autotrófica.
A

Bsip, Cavallini James/Science Photo Library/Latinstock


11. No caderno, substitua as letras entre parênteses
por palavras que completam corretamente cada
afirmativa:
a) O corpo dos fungos é formado por fios muito
finos, chamados de (a). O conjunto desses fios
forma o (b). 0,1 µm (diâmetro)

b) Os fungos se espalham produzindo células


chamadas de (c).
c) As doenças causadas por fungos nos seres
humanos são chamadas de (d).
d) Alguns fungos são usados para a produção de Visto ao microscópio eletrônico
(imagem colorizada por
álcool. Neste processo, os fungos obtêm ener- computador).
gia do alimento pelo processo de (e).

Michael Abbey/Photo Researchers, Inc./Latinstock


B
12. Um aluno disse que os cogumelos são plantas.
Outro aluno mostrou que existe uma diferença
importante entre a nutrição dos fungos e a das
plantas. Qual é essa diferença?

25 µm
13. Certos fungos crescem especificamente sobre (comprimento)
fezes de animais, das quais retiram alimento. Qual
é a importância desses fungos para o equilíbrio da
natureza?

14. Que relação existe entre os fungos, os pães e as


bebidas alcoólicas?

15. Que organismos estão presentes em um líquen?


Visto ao microscópio de luz ou
Quais são os benefícios dessa associação para óptico entre células do sangue
cada um dos seres vivos envolvidos? (com o uso de corantes).

102 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

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Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo
C 18. Escreva no caderno quais das doenças da lista a
seguir são causadas por fungos, vírus, bactérias
e protozoários.
a) Cólera.
b) Pé de atleta.
c) Aids.
7 cm a 15 cm (diâmetro)
d) Malária.
e) Doença de Chagas.
f ) Raiva.

19. Entre os organismos mostrados na atividade 17,


indique:

Eye Of Science/Science Photo Library/Latinstock


D
a) Os que só se reproduzem no interior das células.
b) Os que têm núcleo individualizado, isto é, com
membrana nuclear ao redor do material ge-
nético.
c) Os que são formados por células.
0,2 µm (comprimento)
d) Os que são pluricelulares.
e) Aquele cujo corpo é formado por hifas.
f ) Os que são eucariontes.
Visto ao microscópio eletrônico g) O que é pluricelular e faz fotossíntese.
(imagem colorizada por computador).
h) O eucarionte que se locomove por flagelo.
Cnri/Science Photo Library/Latinstock

E
20. O protozoário abaixo é conhecido como paramé-
cio (gênero Paramecium).

cílios

M. I. Walker/Science Photo Library/Latinstock


núcleo
2 µm (comprimento)

Visto ao microscópio eletrônico


(imagem colorizada por computador).
20 µm Visto ao microscópio de luz
Dennis Johnson/Corbis/Latinstock
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

F (comprimento) ou óptico (cores artificiais).


7.22

a) Qual é a organela responsável pela locomoção


desse protozoário?
10 cm a 15 cm
(comprimento da lâmina) b) Por que o núcleo nos permite dizer que se tra-
ta de um protista e não de uma bactéria?
c ) Se o paramécio mede 20 micrômetros de com-
primento, quantos paramécios caberiam enfi-
7.21 leirados em um milímetro?

Unidade 2 • Os seres mais simples 103

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 103 5/8/15 4:20 PM


Pense um pouco mais

1. À medida que interfere na natureza, o ser huma- 6. Observe a figura 7.18, na página 100, e responda:
no altera o modo de viver de vários outros se- a) Como o fungo chegou até o ágar?
res, que passam a habitar as moradias das pes- b) Por que não houve crescimento de bactérias
soas. Que doença provocada por protozoário ao redor do fungo?
está relacionada a um tipo de moradia do c ) Alexander Fleming, o descobridor da penicilina,
ser humano? disse: “Não inventei a penicilina. A natureza é
que a fez”. Explique o que o cientista quis dizer
2. A tabela abaixo mostra o número de casos de ma- com essa afirmação.
lária ao longo dos anos na região amazônica.
7. Certos fungos microscópicos produzem uma subs-
Ano Número de casos tância pegajosa que recobre suas hifas. Protozoá-
rios e outros seres muito pequenos ficam presos
2005 606 067
a elas e servem de alimento ao fungo. Outros pro-
2006 549 398 duzem hifas circulares que podem se estreitar
como se fossem laços em uma corda e prender
2007 457 434 indivíduos “distraídos”, como o verme microscó-
pico ilustrado abaixo. O verme é então digerido
2008 314 754 pelo fungo.

2009 306 342

7.23 Fonte: Informações com base nos dados do Ministério da


Saúde, 2013. nematódeo

a) Qual é o protozoário causador da malária?


7.24 Fungos
b) Como ele penetra no organismo humano?
laços do capturando um
c) Que consequências essa doença traz para o fungo verme. (Ilustrado
como visto ao
organismo? microscópio, com
d) De acordo com a tabela acima, o número de aumento de cerca
de 200 vezes.
casos de malária na região amazônica aumen- Cores fantasia.)
tou ou diminuiu?
No caderno, escreva qual é o tipo de relação que
e) Que medidas devem ter sido usadas para com-
existe entre os seres vivos descritos nesse exem-
bater essa doença?
plo. Justifique sua resposta.
3. Cite uma semelhança e uma diferença entre a den-
gue e a malária. 8. Certos fungos produzem esporos recobertos por
uma massa grudenta e de cheiro desagradável,
4. Neste capítulo você estudou os organismos que, pelo menos para nós, seres humanos, mas muito
nos ecossistemas aquáticos, desempenham pa- atraente para as moscas. Os esporos ficam gru-
pel semelhante ao das plantas nos ambientes dados às pernas das moscas, que os levam con-
terrestres. Que organismos são esses? Justifique sigo. Que vantagem isso traz para o fungo?
essa comparação.
9. O maior organismo da Terra é um fungo do gênero
5. Uma pessoa disse que contraiu malária ao usar Armillaria (foto A, figura 7.25), que vive sob o solo
pratos e talheres de outra pessoa que tinha essa da Floresta Nacional de Malheur (Estados Unidos)
doença. Você concorda com essa afirmativa? e ocupa uma área subterrânea de 8,9 quilômetros
Por quê? quadrados, o equivalente a 1220 campos de futebol.

104 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

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Esse tipo de fungo se nutre da madeira das árvores 10. As euglenas, como a da foto a seguir, são algas
(foto B, figura 7.25) e, em muitos casos, a árvore que existem principalmente em água doce.
morre ou fica com o crescimento prejudicado.
Esses seres possuem uma organela capaz de
Escreva no caderno o nome da relação ecológica, detectar luz e se movimentam por batimento
citada na página anterior, entre o fungo e as árvo- de um fio longo e fino, que promove uma corrente
res. Justifique sua resposta. de água. A maioria das euglenas têm clorofila e são
k
sto c
atin capazes de realizar fotossíntese, como outras al-
y/L
b rar
Li
o
Ph
ot gas. Mas na ausência de luz, alimentam-se de
e
nc

matéria orgânica dissolvida na água.


ie

A
Sc
ht/
rig

Andrew Syred/Science Photo Library/Latinstock


nW
Joh

Science Photo Library/Latinstock


B

7.26 Euglena (microscópio eletrônico; aumento de cerca de


1 500 vezes; imagem colorizada por computador).

a) Como se chama a organela responsável pela


locomoção da euglena?
b) Qual a vantagem de a euglena ter uma orga-
nela capaz de detectar a luz?
7.25 Na foto A, fungos do gênero Armillaria (diâmetro
entre 3 cm e 15 cm). Em B, dano em tronco de árvore c) A euglena tem nutrição autotrófica ou hetero-
causado por fungos do gênero Armillaria. trófica?

De olho nos quadrinhos

Leia os quadrinhos a seguir e responda à questão. © Fernando Gonsales


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

7.27 Níquel Náusea: com mil demônios. São Paulo: Devir, 2002. p. 33.

Por que a ameba “não vê graça” em espelhos que modificam a forma do corpo?

Unidade 2 • Os seres mais simples 105

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De olho no texto

Leia o texto abaixo e depois responda às questões.


Os protozoários tripanossomos estão entre os animais mais graciosos. A emoção de observar as ondu-
lações desses organismos, à medida que se movem entre as células do sangue de mamíferos, é, certamente,
pelo menos equivalente à observação de pássaros tropicais altamente coloridos em seus ambientes naturais.
READ, C. P. Parasitismo animal. São Paulo: Polígono, 1974. p. 27.

a) O texto mostra a admiração do autor por protozoários. Porém, traz uma informação que hoje já não é
considerada correta. Descubra que informação é essa. Justifique sua resposta.
b) Cite uma doença causada por um tripanossomo.
c) Consulte em dicionários o significado das palavras que você não conhece, redigindo de próprio punho uma
definição para essas palavras.

Michael Abbey/Science Source/Latinstock


7.28 Micrografia óptica mostrando o Trypanosoma cruzi entre hemáceas (cada uma tem cerca de 7 µm de diâmetro).

Atividade em grupo

1. Escolham uma das doenças indicadas a seguir para gua Portuguesa), sobre as formas de transmissão,
pesquisar. Procurem dados atualizados sobre essa os cuidados para a prevenção, etc. Podem ser cria-
doença no Brasil e no município em que vocês vi- dos cartazes, frases de alerta (slogans), figuras,
vem. Com auxílio do professor de Matemática, letras de música, etc. Não se esqueçam de avisar
construam gráficos que mostrem a evolução da que o diagnóstico e o tratamento de uma doença
doença ao longo do tempo e, com a ajuda dos pro- devem ser orientados por médicos. Se possível,
fessores de Geografia e de História, confeccionem convidem um médico para uma palestra sobre a
doença. Depois, apresentem o trabalho para a clas-
mapas do Brasil e do mundo com as áreas de maior
se e a comunidade escolar.
incidência dessa doença. Elaborem também uma
campanha de combate a ela. A campanha deve a) Doença de Chagas.
incluir pequenos textos, escritos em linguagem b) Malária.
acessível a leigos (consultem o professor de Lín- c) Leishmaniose.

106 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

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2. Escolham um dos cientistas abaixo e façam uma 5. Procurem na internet uma receita para fazer pão
pesquisa, em livros ou na internet, entre outras caseiro com fermento biológico e outra para fazer
fontes, sobre a vida dele. Deem ênfase aos tra- iogurte. Expliquem que organismos estão envol-
balhos realizados por eles. vidos nesses processos e que função eles de-
sempenham. Pesquisem também uma receita de
a) Carlos Chagas.
pão ázimo (vejam o que isso significa no dicioná-
b) Oswaldo Cruz. rio) e expliquem por que ele não cresce tanto nem
fica tão fofo como o outro pão.
Depois, exponham o trabalho para a comunidade
escolar. 6. Pesquisem o que são micorrizas e qual é a impor-
tância delas para o ambiente.
3. Pesquisem o que é mar de sargaços (onde fica,
qual é a origem desse nome, etc.) e o que é maré 7. No século XIX, um fungo destruiu plantações de
vermelha. batata na Irlanda, provocando fome e morte. Pes-
quisem os detalhes dessa história e as implicações
4. Pesquisem as principais características (modo sociais desse fato.
de transmissão, prevenção, etc.) das seguin-
tes doenças causadas por protozoários: toxo- 8. Pesquisem as características de alguns tipos de
plasmose, disenteria amebiana, giardíase, tri- micoses, como a tinha do pé, ou pé de atleta, e a
comoníase. candidíase.

Aprendendo com a prática

1. Antes de realizar a atividade prática com a orien- • Com o conta-gotas, pingue uma gota da água do
tação do professor, siga os procedimentos neces- vidro sobre uma lâmina de microscópio. Ponha
sários para a observação de microrganismos ao alguns fiapos de algodão sobre a gota de água
microscópio. e cubra tudo com uma lamínula. Com o papel
absorvente, retire o excesso de água ao redor
Material da lamínula.
• Um microscópio. • Com a ajuda do professor, observe ao microscópio
o material que você preparou. Use primeiro as len-
• Lâminas e lamínulas.
tes de menor aumento e depois as de maior au-
• Um conta-gotas. mento, e tente identificar alguns seres vivos que
• Um pequeno chumaço de algodão. se encontram na cultura.

• Papel absorvente. Agora, com base no que você observou, responda:


Livro para análise do Professor. Venda proibida.

por que é importante lavar bem as frutas e verdu-


• Folhas de alface e água filtrada em filtro de carvão
ras antes de comê-las?
ativado, que remove o cloro.

• Vidro de conserva com tampa. 2. Veja o que é necessário para realizar esta ativida-
de, que deve ser realizada sob a supervisão do
Procedimentos professor. Siga as orientações a seguir.
• Consiga algumas folhas de alface sem lavar. Mer-
Material
gulhe-as no vidro de conserva com a água filtra-
da sem cloro. Tampe o vidro e deixe-o em um • Uma laranja.
local iluminado por uns três dias. • Uma fatia de pão de forma.

Unidade 2 • Os seres mais simples 107

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• Uma tigela de vidro em que caiba a laranja. • Uma colher de sobremesa de açúcar.
• Um pires. • Dois copos com água filtrada (até a metade).
• Palitos.
• Papel filme ou plástico transparente.
• Um pouco de água (uma xícara de café, por
• Elásticos.
exemplo).
• Microscópio, lâminas e lamínulas. • Conta-gotas.

• Microscópio, lâminas e lamínulas.


Procedimentos
• Ponha a laranja na tigela de vidro e guarde-a em Procedimentos
um local escuro e quente. Umedeça a fatia de pão
e coloque-a sobre o pires, que deverá ser guar-
• Em um dos copos com água, adicione o açúcar e
um quarto do tablete de fermento. Em outro copo,
dado em local escuro e quente também.
ponha apenas água e um quarto de fermento.
• Observe diariamente a laranja e o pão. Quando
começarem a mofar, colha um pouco do mofo com • Tape os dois copos com papel filme (ou plástico
o palito. transparente), prenda-os com elástico e deixe-os
em local pouco iluminado.
• Espalhe o mofo sobre as lâminas de vidro. Pingue
uma gota de água, cubra com a lamínula e exami- • Prepare uma lâmina com uma gota da mistura de
ne as lâminas ao microscópio. fermento e água e observe-a ao microscópio. De-
senhe e explique o que pôde observar.
a) Desenhe o que você pôde observar e identifi-
que as partes do mofo. • Após algumas horas, examine os dois copos.

b) Explique como o mofo apareceu no pão e na a) Como está o plástico nos dois copos?
laranja. b) Destampe os dois copos e veja se há diferenças
c) Por que foi preciso umedecer o pão? entre o cheiro deles.

d) Por que o mofo se desenvolveu na laranja e no c) Como você explica a diferença no plástico e no
pão, mas não no vidro da tigela ou no pires? cheiro entre os dois copos? Qual é o nome des-
se fenômeno? Por que ele só ocorreu em um
3. Esta prática também deve ser realizada sob a su- dos copos?
pervisão do professor.
d) O que foi produzido e o que foi consumido nes-
Material se fenômeno?

• Um tablete de fermento para pão (guarde o table- e) Se o fermento tivesse sido fervido, o fenôme-
te na geladeira até o dia da prática). no teria ocorrido? Por quê?
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

7.29 Fermento biológico usado no preparo de pães.

108 Capítulo 7 • Protozoários, algas e fungos

090_109_U02_C07_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 108 5/8/15 4:20 PM


Ponto de chegada
algas, aprendeu que muitas delas têm grande
• Você já sabe que os vírus não são formados por cé-
lulas e que a estrutura deles é muito simples. Sabe importância econômica, pois são usadas como ali-
também que eles só se reproduzem no interior das mentos ou na extração de vários produtos.
células vivas. Também é capaz de identificar algumas • Estudou também várias doenças endêmicas e sabe
doenças causadas por vírus, como a raiva, a dengue que algumas delas, infelizmente, são encontradas
e a Aids, e como são transmitidas. Aprendeu que as no Brasil, como é o caso da doença de Chagas, da
vacinas e os soros também são usados para nos de- leishmaniose e da malária. Conheceu ainda as me-
fender dos vírus, e por isso pode valorizar a impor- didas que devem ser tomadas para combater essas
tância da vacinação e de outras medidas preventivas. doenças e aprendeu a fazer campanhas educativas
destinadas à comunidade escolar sobre algumas
• Sabe que uma bactéria é formada por uma célula com
doenças causadas por microrganismos.

Suryara Bernardi/Arquivo da editora


uma estrutura mais simples (procariota) do que as
células dos outros grupos de organismos (eucario- • Percebeu que já pode ter comido algum fungo (na
tas). E conhece a importância das bactérias para a forma de cogumelo, por exemplo) ou algum alimen-
reciclagem da matéria no ambiente e de seu uso na to produzido por ele, como o pão ou o queijo. E que
produção de iogurtes. Assim, não tem mais motivos talvez já tenha tomado algum antibiótico derivado de
para achar que todas as bactérias provocam doenças, fungo. Já sabe também como é o corpo de um fungo,
porém não deve deixar de conhecer como são trans- como ele se alimenta e que relações ecológicas man-
mitidas a leptospirose e a cólera, entre outras doenças tém com outros seres vivos.
que você pode pesquisar para se prevenir.
• Finalmente, pode realizar uma pesquisa sobre al-
• Conheceu dois grupos de protistas: as algas (auto- gumas micoses e realizar uma prática simples com
tróficas) e os protozoários (heterotróficos). Entre as leveduras.

109

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3 Unidade

CBPIX/Shuterstock/Glow Images

Cardume de peixes.

110

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O reino
animal
Provavelmente, muitos dos animais que você conhece são vertebrados.
O termo vertebrado indica que esse grupo de animais apresenta, entre outras
características, um crânio e uma coluna vertebral.
Os vertebrados constituem apenas 5% das espécies animais.
Os outros 95% são formados por organismos que podemos chamar de invertebrados.
Nesta Unidade você vai conhecer os principais filos do reino animal.

Ponto de partida
1. Quais as principais características e que adaptações encontramos em cada
grupo de animais?
2. Por que é importante preservar a biodiversidade de nosso planeta? Quais são as
ameaças a essa biodiversidade?
3. Que doenças são transmitidas pelos vermes e como podemos nos prevenir delas?
4. Que relações ecológicas e econômicas há entre cada grupo e o ser humano?

111

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Capítulo

8 Poríferos e
cnidários
Os recifes, como os da figura abaixo, são muito procurados por mergulhadores e
cientistas por sua beleza e diversidade. Eles são encontrados em locais específicos dos
oceanos, onde a água é clara e quente, e são ecossistemas complexos formados por
vários tipos de organismos. A estrutura rígida que forma o recife pode ser originada do
esqueleto produzido por um grupo de cnidários, como veremos adiante. Além dos
cnidários, os poríferos e muitos outros organismos podem fazer parte de um recife.
8.1 Recife de coral nas
ilhas Fiji Os poríferos vivem sempre fixos, enquanto os cnidários podem viver fixos ou se
mover com as correntes. Conheceremos mais sobre esses dois grupos a seguir.
Dirscherl Reinhard/Hemis.FR/Agência France-Presse

A questão é
Como é o corpo das esponjas? Onde elas vivem e como se alimentam?
Água-viva, coral, anêmona... O que esses animais têm em comum? Como se
formam os recifes de corais e qual a importância deles para o ambiente?
Como essas espécies se alimentam e se defendem de predadores?

112

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1 O modo de vida das esponjas
Os poríferos são animais muito simples, conhecidos também como esponjas.
Vem daí o nome do filo,
O corpo desses animais é cheio de pequenas aberturas chamadas poros. Ele é um pouco porífero, que quer dizer
diferente do corpo dos outros animais, pois não tem órgãos nem tecidos típicos, por exem- ‘portador de poros’.
plo. Outra diferença: os poríferos são os únicos animais que não possuem células nervosas.
As esponjas são organismos aquáticos sem meios de locomoção. Vivem presas
às rochas e a outros pontos fixos, como o madeiramento dos portos. Dizemos que as

Ethan Daniels/SPL/Latinstock
esponjas são animais sésseis. Como você acha, então, que elas conseguem obter
alimento? É simples: em vez de irem até o alimento, fazem o alimento vir até elas.
Dentro da esponja há células com um fio, o flagelo. Essas células movimentam o
flagelo e fazem uma corrente de água penetrar pelos poros do corpo do animal. A água
que atravessa os poros passa pela cavidade central do corpo das esponjas, o átrio, e
sai por uma abertura situada na parte de cima, o ósculo. Veja a figura 8.2.
ósculo

corrente
da água
Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

poro

espículas

8.2 As esponjas
possuem poros que
permitem a entrada e a
saída de corrente de água
do corpo delas.
Com a água, chega o
átrio
coanócito alimento. (As células são
coanócito
microscópicas; figura sem
escala; cores fantasia.) Na
foto, esponja-barril, que
pode alcançar 2 m de
diâmetro.
alimento

Na água que atravessa a esponja existem seres microscópicos (bactérias, algas,


protozoários, etc.) e restos minúsculos (partículas) de organismos mortos. As células Coanócito é um termo
flageladas capturam esse alimento, que é digerido dentro delas e distribuído para as de origem grega, que
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

vem de choane, ‘funil’, e


outras células.
kytos, ‘célula’.
As células flageladas têm uma espécie de colarinho membranoso em forma de
funil. Por isso, são chamadas de coanócitos.
As esponjas são chamadas de animais filtradores, pois o corpo delas parece uma As espículas podem
ser de calcário
peneira ou um filtro: à medida que a água passa por seus poros, as pequenas partícu-
(material das conchas
las de alimento são retidas. de alguns animais e de
O corpo de algumas esponjas é sustentado por uma rede de fios de proteína. certas rochas, como o
mármore) ou de sílica
Outras esponjas possuem pequenos espinhos, as espículas. Essa diferença é impor-
(material dos grãos de
tante para a classificação das esponjas em grupos. areia, usado para fazer
Mas, se as esponjas são animais sésseis, como elas se reproduzem? vidro).

Unidade 3 • O reino animal 113

110_120_U03_C08_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 113 5/8/15 4:18 PM


A reprodução das esponjas
As esponjas podem se reproduzir de maneira as-
sexuada ou sexuada. Na reprodução assexuada, um
grupo de células se multiplica e forma pequenos brotos.
Esses brotos podem permanecer presos ao corpo da
esponja que os produziu ou se soltar. Quando se soltam,
eles originam um indivíduo isolado. Esse tipo de repro-

Jeffrey L. Rotman/Corbis/Latinstock
dução é chamado de brotamento. Veja a figura 8.3.
As esponjas possuem grande capacidade de
regeneração. Isso quer dizer que células separadas
de uma esponja podem se reunir e formar uma nova
esponja.
Na reprodução sexuada são produzidos esper-
8.3 Brotos formando-se
no corpo de esponja
matozoides e óvulos. Os espermatozoides são móveis.
(diâmetro do maior ósculo: Depois de serem produzidos por uma esponja, eles nadam até outro indivíduo da mes-
cerca de 5 cm).
ma espécie, onde encontram um óvulo, que é imóvel. Da fecundação forma-se uma
larva (um estágio que sofre metamorfose e se transforma em adulto), que nada e, após
se fixar, transforma-se em uma esponja adulta.

Ciência e tecnologia
Esponjas e medicamentos
No corpo de muitas esponjas existem substân- como a Aplysina caissara (figura 8.4), e muitas pesqui-
cias tóxicas, que são uma forma de defesa contra pre- sas estão sendo feitas para identificar e testar uma série
dadores. Os cientistas vêm estudando essas substân- de substâncias que poderão servir de medicamento.
cias e produzindo diversos medicamentos a partir Como se vê, além de evitar desequilíbrios eco-
delas. O AZT, uma das primeiras drogas utilizadas para lógicos, preservar a biodiversidade significa preser-
combater o vírus da Aids, foi produzido com substân- var a possibilidade de fabricar novos medicamentos,
cias químicas extraídas de uma esponja. entre muitos outros benefícios, sem esquecer con-
Há mais de 10 mil espécies de esponjas conheci- siderações éticas, como a de não provocar a extinção
das no mundo. No Brasil existem cerca de 500 espécies, de outras espécies.
João Carraro/Acervo do fotógrafo
8.4 A esponja Aplysina caissara
(largura máxima de 20 cm), que
produz substâncias antitumorais.

114 Capítulo 8 • Poríferos e cnidários

110_120_U03_C08_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 114 5/8/15 4:19 PM


2 A vida dos cnidários
O corpo de alguns cnidários, como a actínia ou anêmona-do-mar, os corais e a
hidra, é cilíndrico, com uma abertura na parte superior, que corresponde à boca. Em
geral são sésseis (não se deslocam voluntariamente do seu ponto de fixação) ou então Cnidários vem de
knidós, termo grego que
se movimentam pouco. Cnidários com essa forma corporal são chamados de pólipos.
significa ‘urticante, que
Outros, como a água-viva, são móveis e têm o corpo em forma de sino, com uma queima’. Esse nome
abertura correspondente à boca localizada na parte inferior (em relação ao desloca- surgiu da irritação
mento do animal). Cnidários como esses são chamados de medusas. provocada pelos
tentáculos desses
Ao redor da boca, ambas as formas — pólipos e medusas — possuem tentáculos, animais, semelhante a
que o animal utiliza na captura do alimento. Veja a figura 8.5. uma queimadura.
Alvaro E. Migotto/Acervo do fotógrafo

Alvaro E. Migotto/Acervo do fotógrafo


8.5 Forma pólipo
(anêmona, com cerca de
4 cm de diâmetro) e forma
medusa (água-viva, com
cerca de 8 cm de diâmetro)
dos cnidários. (Figura sem
escala. Cores fantasia.)

Peter Scoones/Science Photo Library/Latinstock


Há ainda cnidários que vivem ligados
e parecem ser um único indivíduo. Essa reu-
nião de diversos indivíduos em que cada um
tem sua função caracteriza uma colônia,
como os corais e a caravela-portuguesa.
Observe a figura 8.6.
Esse organismo é uma colônia com-
posta de vários pólipos com funções dife-
rentes: um pólipo é flutuador (estrutura
cheia de gás, com cerca de 30 cm de altu-
Livro para análise do Professor. Venda proibida.

ra); outros formam longos tentáculos, que


podem atingir 20 m de comprimento, es-
pecializados na defesa e na captura de
alimentos (peixes, camarões, etc.); outros
ainda cuidam da digestão do alimento e da
reprodução da colônia.

8.6 Caravela-portuguesa
(Physalia physalis) flutuando
na superfície da água.

Unidade 3 • O reino animal 115

110_120_U03_C08_TELARIS_Ciencias7_Mercado2016.indd 115 5/8/15 4:19 PM


Como os cnidários se alimentam
O corpo dos cnidários é recoberto por um tecido denominado epiderme. Nele
existem células que liberam toxinas e são chamadas cnidócitos ou cnidoblastos, mais
concentradas nos tentáculos.
8.7 Células de ataque e
defesa dos cnidários.
As células são
microscópicas. (Figura sem
nematocisto
escala. Cores fantasia.)

Ingeborg Asbach/Arquivo da editora


opérculo

núcleo

Cnidócito com o nematocisto recolhido. Cnidócito descarregando a toxina.


Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

Quando o cnidócito é tocado, um pequeno fio se desenrola e sua


cavidade do corpo ponta penetra na pele da presa, injetando nela uma toxina.
A toxina é capaz de paralisar e matar pequenos animais, como
peixes, crustáceos e vermes, que servem de alimento aos cnidários.
boca
Por liberarem substâncias tóxicas, alguns cnidários podem
ser perigosos. Não toque neles nem mesmo se encontrar algum
tentáculos morto na areia da praia. As toxinas produzidas pelos cnidários po-
dem provocar irritações semelhantes a queimaduras e até reações
alérgicas fortes.
O alimento ingerido pela boca vai para a cavidade do corpo,
onde a maior parte é digerida e absorvida. Os restos não digeridos
são eliminados pela própria boca, pois os cnidários não têm ânus
8.8 Água-viva (medusa). (figura 8.8).
A existência de uma cavidade digestória nos cnidários explica a origem do outro
nome desse filo: celenterado (do grego koilos, que significa ‘oco’, e énteron, ‘intestino’).

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/Getty I mag es
A reprodução dos cnidários
Lib
oto
tif
ic/
Ph Nos cnidários encontram-se as duas formas de reprodução: a assexua-
en
ci
da e a sexuada.
S
rd
fo
Ox

A reprodução assexuada ocorre geralmente por brotamento, como


nas esponjas. Observe esse tipo de reprodução na figura 8.9. Se o bro-
to permanecer ligado ao animal original, pode se formar uma colônia.
É o que ocorre com os corais e com a caravela.
Na reprodução sexuada, há produção de gametas, fecundação
e formação de uma larva móvel. O desenvolvimento é, portanto, in-
direto (com formação de larva).
broto
8.9 Reprodução por brotamento em uma
hidra (3 mm a 10 mm de altura).

116 Capítulo 8 • Poríferos e cnidários

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