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STEVE J.

STERN, “Paradigmas da conquista, história, historiografia e política”

Em face do contexto de rememoração dos quinhentos anos do aporte de Colombo na


América, marco simbólico da conquista espanhola, e dos impasses gestados acerca deste
processo, o ensaio promove uma reflexão sobre o seu significado. Stern advoga contra os
anseios contemporâneos de despolitização do debate, alegando que, do ponto de vista histórico,
a trajetória da conquista, tal como se desenrolou, foi intrinsicamente relacionada às
sensibilidades e controvérsias políticas. A dimensão central do texto passa por evidenciar o
caráter não monolítico do grupo de conquistadores, procurando apontar para as múltiplas visões
de mundo que os mobilizavam, bem como para a emergência de rivalidades e disputas políticas
associadas a elas – “uma luta política para definir os termos de coexistência, colaboração e
contradição entre suas visões” (p.37) – e, por fim, para os decisivos efeitos dessas disputas nos
rumos da conquista. Isso ganha contornos mais concretos por meio das utopias da conquista
(riqueza, preeminência social, evangelização) que mobilizavam os espanhóis nos primórdios
deste processo. A narrativa subsequente estrutura-se a partir das mútuas implicações destes
paradigmas, explorando, entre outros aspectos, o surgimento de facções; a relação com o
processo de expansão; os debates que engendraram e as frustrações decorrentes.
O texto, posto que advoga em favor do político, insere-se dentro do campo da história
cultural. Seu recorte temporal concentra-se na primeira ou duas gerações da história pós-
conquista e sua escala de análise é a América espanhola em processo de colonização. Procura-
se analisar o significado da conquista pela perspectiva da história e da historiografia,
começando pela história, o que é importante do ponto de vista da construção de sua
argumentação. Seu foco de análise é restrito, recaindo sob os conquistadores, “suspende
artificialmente a dupla visão necessária para compreensão da época” (p.44). O envolvimento
dos ameríndios aparece na análise, porém em relação a suas implicações sobre os paradigmas
dos colonizadores. Dentre os principais conceitos agenciados, o das utopias dos conquistadores
designadas como de riqueza, de preeminência social e de evangelização cristã. Agencia-se
também a ideia de conquistadores e ameríndios. A noção de política, por sua vez, permeia o
texto inteiro, vinculada a intenção do texto de defender uma história da conquista assinalada
pelas sensibilidades políticas. O texto estabelece também uma clara relação passado-presente.
As implicações historiográficas do texto orbitam em torno de sua capacidade de costurar
a dimensão política e cultural, evidenciando as mútuas relações entre esses aspectos. Stern
promove uma crítica a certas análises culturais e advoga em favor da inserção do político no
contexto da análise.

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