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Como usar os gêneros digitais em sala de aula

Com a BNCC, ferramentas como WhatsApp e Messenger podem ser usadas na criação
de textos – e não apenas em Língua Portuguesa

Por: Débora Garofalo


Aproveitar o uso de celular e tablet em sala de aula para ensinar gêneros digitais é uma
prática que pode se tornar mais comum a partir da BNCC Foto: Getty Images
Você já parou para pensar como a tecnologia vem mudando a forma que interagimos com
as coisas e também com as pessoas? Essas mudanças provocaram alterações também na
linguagem, transformando gêneros textuais existentes em gêneros digitais.

Os gêneros textuais são incontáveis e adaptáveis a diferentes realidades e situações


comunicativas. Com a acessibilidade e facilidade da internet criaram-se novos gêneros e
outros assumiram diferentes formas, comprovando que estão a serviço das necessidades
reais de seu tempo – modificando a relação entre leitor e autor.

Se antes enviávamos cartas, nós as substituímos por e-mails e hoje por mensagens
instantâneas como WhatApp, Messenger ou Telegram. Embora os meios tenham sido
transformados, a estrutura de comunicação e a forma com a qual nos expressamos
continuam seguindo parâmetros que estabelecem uma relação dialógica com formas
textuais preexistentes.

Ao escrever uma mensagem instantânea, temos a estrutura textual em mente: iniciamos com
uma pergunta sobre a pessoa (Oi, tudo bem?) e finalizamos com uma despedida (Beijos),
respeitando tipologias ou gêneros e níveis de linguagem. Esses novos gêneros têm
influenciando as práticas de leitura e escrita digitais, causando um grande impacto na
comunicação e trazendo dinamismo à comunicação digital.
Como a BNCC prevê a utilização dos gêneros digitais
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trata a tecnologia como uma competência que
deve atravessar todo o currículo de forma a privilegiar as interações multimidiáticas e
multimodais, proporcionando uma intervenção social, de forma crítica, significativa,
reflexiva e ética nas diversas práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao comunicar,
acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolvendo problemas.
A referência geral é que, em cada ano de ensino, o professor deve contemplar gêneros que
lidam com informação, opinião e apreciação, gêneros multissemióticos e hipermidiáticos,
próprios da cultura digital e das culturas juvenis. As formas também são diversas, como
ações e funções que podem fazer parte de atividades de uso e reflexão: curar, seguir/ser
seguido, curtir, comentar, compartilhar, remixar entre outros.

Como reconhecer um gênero digital


Os gêneros digitais podem ser grandes ferramentas educacionais para o processo de ensino
e aprendizagem. Os gêneros possibilitam interação, através do estudo desses enunciados e
contato com condições e finalidades específicas, não apenas do currículo, mas também pelo
estilo de linguagem. Isso faz com que não apenas a disciplina de Língua Portuguesa seja
privilegiada, mas sim todas as áreas do conhecimento. As características dos gêneros
digitais são:

O que muda com os gêneros digitais


A comunicação, o diálogo em si passam por uma mudança. As redes sociais estão repletas
de gêneros, sendo que o mais comum é o post. Este pode ser marcado por linguagem
informal ou formal, dependendo de seu objetivo, tendo, inclusive, alguns emoticons que
compensam a ausência da entonação e facilitam a comunicação verbal e nossa interação.
Redes sociais Foto: Getty Images
Uso dos gêneros digitais na sala de aula
Os gêneros digitais diminuem a distância entre o professor e os alunos, permitindo que
novas práticas e atividades sejam desenvolvidas para aguçar a leitura e a escrita. Por
consequência, temos uma ampliação de formas comunicativas que, devido a sua estrutura,
podem variar de acordo com o histórico social e campo tecnológico. Os gêneros digitais,
portanto, podem ser variáveis, versáteis e transmutáveis, estando em constante evolução.
Gama dos gêneros digitais
Com a nova configuração dos gêneros, teremos muitas mudanças, principalmente nos livros
didáticos, que estarão sofrendo alterações, para atender e mesclar a cultura juvenil e
incorporar os gêneros digitais, sem perder sua importância e essência na aprendizagem.
Reunimos aqui alguns dos gêneros digitais para inspirar você no trabalho em sala de aula.
Além de utilizar o computador, muitos podem ser produzidos com o auxilio de celular e
tablets. Vamos lá?

Vlogs. Um blog em que os conteúdos predominantes são os vídeos. A grande diferença


entre um vlog e um blog está no formato da publicação: em lugar de publicar textos e
imagens, o vlogger ou vlogueiro faz um vídeo sobre o assunto do qual quer tratar. O site
que os internautas mais utilizam para publicar os seus vídeos é o YouTube. Para isso, o
vlogger precisa criar um canal no site, que funcionará como um vlog para seus vídeos. No
entanto, existem outras inúmeras plataformas destinadas a este conceito de "página
pessoal", muitas gratuitas.
Meme. O termo remete ao humor e é bastante conhecido e utilizado no "mundo da
internet", referindo-se ao fenômeno de "viralização" de uma informação. Qualquer vídeo,
imagem, frase, ideia, música que se espalhe entre vários usuários rapidamente, alcançando
muita popularidade, se enquadra na definição de viralização. O meme pode ser um
instrumento muito poderoso para falar sobre um assunto, podendo ser produzido pelos
alunos para abordar um tema.
Podcasts. É como um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem é o conteúdo
direcionado. Você pode ouvir o que quiser, na hora que bem entender. Basta acessar e clicar
no Play ou baixar o episódio. Você pode explorar esse gênero em diversas áreas do
conhecimento, ao colocar o aluno no centro do processo aprendizagem para produzir um
conteúdo ou agrupar os alunos para que criem seus podcasts em conjunto.
Gifs. É um formato de imagem de mapa de bits muito usado na world wide webpara
imagens fixas e criar animações. Você pode produzir gifs com seus alunos utilizando, por
exemplo, o Scratch, que é um software livre de linguagem de programação por blocos, fácil
e interativo.
Chats. Um bate papo em tempo real, conhecido pelas redes sociais. Um dos mais famosos é
o TweetChat, no qual é possível produzir minicontos ou emitir diversas opiniões, com um
limite de 280 caracteres.

Como as metodologias ativas favorecem o


aprendizado
O principal objetivo das metodologias ativas é incentivar os alunos a aprender de forma
autônoma e participativa, a partir de situações reais
O principal objetivo deste modelo de ensino é incentivar os alunos para que aprendam de
forma autônoma e participativa, a partir de problemas e situações reais. A proposta é que o
estudante esteja no centro do processo de aprendizagem, participando ativamente e sendo
responsável pela construção de conhecimento.

Para o professor José Moran, da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador de


mudanças na Educação, a tecnologia traz hoje integração de todos os espaços e tempos. O
processo de ensinar e aprender acontece numa interligação simbiótica, profunda, constante
entre o que chamamos mundo físico e mundo digital. Não são dois mundos ou espaços, mas
um espaço estendido, uma sala de aula ampliada – que se mescla, hibridiza constantemente.

Aprendizagem baseada em problemas


A aprendizagem baseada em problemas, project based learning (PBL), tem como propósito
fazer com que os estudantes aprendam através da resolução colaborativa de desafios. Ao
explorar soluções dentro de um contexto especifico de aprendizado, que pode utilizar a
tecnologia e/ou outros recursos, essa metodologia incentiva a habilidade de investigar,
refletir e criar perante a uma situação.
O professor atua como mediador da aprendizagem, provocando e instigando o aluno a
buscar as resoluções por si só. O docente tem o papel de intermediar nos trabalhos e
projetos e oferecer retorno para a reflexão sobre os caminhos tomados para a construção do
conhecimento, estimulando a critica e reflexão dos jovens.

Aprendizagem baseada em projetos


A aprendizagem baseada em projetos também é fundamentada na Aprendizagem baseada
em Problemas, porém exige que os alunos coloquem a mão na massa ao propor que os
alunos investiguem como chegar à resolução. Um bom exemplo disso é o movimento
maker, “faça você mesmo”, que propôs nos últimos anos o resgate da aprendizagem mão na
massa, trazendo o conceito “aprendendo a fazer”.
Roteiro para aprendizagem baseada em projetos
Aprendizagem entre times
A aprendizagem entre times, team based learning (TBL), tem por finalidade a formação de
equipes dentro da turma, através do aprendizado que privilegia o fazer em conjunto para
compartilhar ideias.
O professor pode trabalhar essa aprendizagem através de um estudo de caso ou projeto, para
que os alunos resolvam os desafios de forma colaborativa. Dessa forma, eles aprendem uns
com os outros, empenhando-se para formar o pensamento crítico, que é construído por meio
de discussões e reflexões entre os grupos.

Sala de aula invertida


A sala de aula invertida, flipped classroom, pode ser considerada um apoio para trabalhar
com as metodologias ativas, que tem como objetivo substituir a maioria das aulas
expositivas por extensões da sala de aula em outros ambientes, como em casa, no
transporte.
Nesse modelo, o estudante tem acesso a conteúdo de forma antecipada, podendo ser online
para que o tempo em sala de aula seja otimizado, fazendo com que tenha um conhecimento
prévio sobre o conteúdo a ser estudado e interaja com os colegas para realizar projetos e
resolver problemas. É uma ótima maneira de fazer com que os estudante se interesse pelas
aulas e participe ativamente da construção de seu aprendizado, ao se beneficiar com um
melhor planejamento de aula e com a utilização de recursos variados, como vídeos,
imagens, e textos em diversos formatos.

Para o professor José Moran, essa mescla entre sala de aula e ambientes virtuais é
fundamental para abrir a escola ao mundo e, ao mesmo tempo, trazer o mundo para dentro
da escola.

Benefícios de trabalhar com as metodologias ativas


São muitos os benefícios ao trazer as metodologias ativas para dentro da sala de aula. Entre
os que pontuo a seguir, o principal é a transformação na forma de conceber o aprendizado,
ao proporcionar que o aluno pense de maneira diferente (já ouviu falar em fora da caixa?) e
resolver problemas conectando ideias que, em princípio, parecem desconectadas.

Crie situações de aprendizagem


Utilize as metodologias ativas, como resolução de problemas e aprendizagem por projetos,
com questões norteadoras:

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