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Curso Exu na fronteira da Quimbanda e da Umbanda | Por Jorge Scritori

A relação de incorporação nas Q+ K+, trazem uma relação diferenciada do modelo atual da
Umbanda. Em modelos xamânicos espalhados pelo mundo, o Xamã, como agente de uma
cultura ou povoado, possui o entendimento que um espirito pode se tornar um ser aliado ao
seu trabalho, e que se em algum momento o mesmo tomar o seu corpo, coisas de ordem
danosa a saúde mental e corporal pode acontecer de forma desastrosa.

Tenho chamado a atenção em muito neste curso sobre a situação de pessoas que
incorporam aleatoriamente e possuem um déficit de saúde cada vez mais crescente em
sua vida. É preciso ficar atento a alguns fatores e em caso de necessidade ou risco,
interromper o processo por um tempo ou de forma efetiva.

Gostaria de deixar aqui a recomendação da leitura do livro “A erva do Diabo” de Carlos
Castaneda. Neste livro a questão dos aliados fica de forma bem clara e peculiar.

Procure poupar o seu organismo caso você venha de quadros de doenças físicas.
Lembre-se que a energia que sustenta o processo é você.

Algumas linhas são de apresentação e costumes antigos bem agressivos ao corpo e a
psique do médium. Alguns exemplos de ordem prática.


O s C a b o c lo s Q u im b a n d e ir o s

Nesta Linha os espíritos se apresentam como caboclos ou índios brasileiros, índios
norte-americanos e em alguns casos, espíritos de Tatas e Yayas optaram por irradiar nas
matas. A especialidade destes exus são trabalhos de morte, cura e descarrego.

Oferendas:
Recebem o padê em encruzilhadas que tenham árvores frondosas por perto. Jamais podem
ser agraciados em encruzilhadas que não possuam árvore. Em certas ocasiões, podem
receber as oferendas nas matas. Esta Linha recebe sangue humano, bebem marafo,
cerveja branca e absinto.

Incorporação:
Apresentam-se agressivos, batendo no peito do médium de forma muito violenta.
O Chefe dessa Linha, Caboclo Pantera Negra, explica-nos que apenas uma minoria de
exus desta Linha são civilizados (“branqueados”). A maioria fez parte de tribos que viviam
isoladas do mundo, sendo muito comum a presença de caboclos e exus canibais nesta
Linha.



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Assentamento:
É a única Linha em que os Assentamentos não recebem garfo de Exu. Ele é feito em
panela de barro e levam penas. Em vez do tradicional ekodidé, são utilizadas penas de
aves guerreiras, como o condor, águia, falcão e etc.
Outra particularidade é o uso do arco e flecha no Assentamento, que é usado pelo espírito
para alvejar os inimigos. O restante dos axés segue como manda a Kimbanda.

Características de seus Aparelhos:
De modo geral, gostam de algum tipo de fetiche ou exotismo no momento do ato sexual.
Dificilmente um homossexual trabalha com essa Linha. Quando o médium é mulher, esta
adquire características masculinas. Não gostam de beber ou usar drogas. Costumam fumar
charutos e cachimbos. São muito cuidadosos com a higiene pessoal.

Trabalhos:
Costumam fazer trabalhos com caldeirão, insetos, pós, muitas ervas, terra de formigueiro e
ossos de animais. Também podem usar ossos humanos.

Comando:
Chefe da Linha: Caboclo Pantera Negra.
Ministros principais: Caboclo Arranca Toco, Caboclo Treme Terra, Caboclo Jibóia,
Caboclo Mata de Fogo, Caboclo Águia Valente, Caboclo Corcel Negro e Caboclo do Monte.



P a n t e r a N e g r a : E x u o u C a b o c lo ?

No rico universo místico da Umbanda, existem entidades pouco conhecidas e estudadas.
Com o tempo, é natural que algumas delas sejam esquecidas por nós. Uma delas é
Pantera Negra, celebrado por uns como caboclo e por outros como exu.
Seu Pantera era mais conhecido pelos umbandistas de antigamente, quando muito terreiro
era de chão batido, caboclo falava em dialeto, bradava alto e cuspia no chão.
Nas sessões ele comparecia sempre sério, voz de trovão, abraçando bem apertado o
consulente que atendia. Não gostava muito de falatório, queria mesmo é trabalhar.
O tempo foi passando e raramente o encontramos nos centros, tendas e outros
agrupamentos de nossa Umbanda de hoje. Aonde terá ido Seu Pantera?

Estes caboclos são espíritos oriundos de tribos brasileiras muito
isoladas e desconhecidas, ou de tribos das ilhas do Caribe, Venezuela, México e mesmo
dos Estados Unidos.




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Índios fortíssimos, arredios e alguns até brutos, eles gostam de marcar seus “cavalos”,
ordenando que coloquem na orelha uma pequena argola e no braço uma espécie de pulseira
de ferro.
Ainda costumam receber suas oferendas em encruzilhadas na mata, na vizinhança de uma
grande árvore. Podem ser assentados em potes de barro com ervas especiais,
terra de aldeia indígena e outros elementos secretos que são consagradas por sacerdotes
iniciadas nos mistérios destes espíritos.
Os mais conhecidos Caboclos Quimbandeiros, além de Pantera Negra, são: Caboclo
Pantera Vermelha, Caboclo Jiboia, Caboclo Mata de Fogo, Caboclo Águia Valente, Caboclo
Corcel Negro e Caboclo do Monte.
Pantera Negra aparece como caboclo e exu, mesmo fora da Umbanda. Na região Sul do
Brasil, principalmente, o encontramos dentro de um grupo muito especial, chamado de
Caboclos Africanos.
Ali ele se manifesta com o nome de Pantera Negro Africano, ao lado de Arranca-Caveira
Africano, Arranca-Estrela Africano e Pai Simão Africano, entre outros. A maneira de atuar
destes entes é muito parecida com a dos Caboclos Quimbandeiros típicos. Alguns
adeptos e médiuns que trabalham com estas entidades, acreditam que é o mesmo Pantera.

Porém Seu Pantera Negra vai além. Seu culto é encontrado nos Estados Unidos e no
Caribe.
David Lopez, um santero de Porto Rico. Quando ele fez dezesseis anos, sua tia, Dona
Carita, o levou a uma festa de Orixá e ali ele desmaiou. Aconselhado por um babalawo,
David resolveu fazer o santo. Antes da iniciação para seu Orixá, como de costume no
Caribe, foi celebrado um ritual em honra aos ancestrais (eguns). Na celebração, incorporou
em nosso amigo um espírito de índio bravíssimo... Batia muito no seu magro peito e
vociferava como se estivesse em uma guerra. Quando foi pedido o seu nome, disse o
indígena: - Sou Pantera Negra!

No Haiti ele tem correspondência mágica com a entidade Papa Agassou (Pai Agassou) e
aparece como uma negra pantera e não mais como índio.
A tradição considera que ele veio da África, da região do antigo Daomé, onde era celebrado
como totem e protetor da Casa Real. O primeiro nobre desta linhagem, contam os mais
velhos, foi um homem-fera, pois tinha pai pantera e mãe humana.
Agassou é muito temido, pois é profundamente justo e não perdoa os fracos de caráter.
Poucos médiuns conseguem suportar a incorporação dele ou de outros espíritos da família
das panteras. É preciso muita preparação, firmeza de pensamento e moralidade. Do
contrário, e isto realmente acontece, o médium começa a sangrar muito durante a
incorporação. É terrível.
Em outras ilhas do Caribe também encontramos seguidores de Pantera Negra. Alguns o
invocam como espírito indígena e outros como uma força africana, meio homem, meio




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felino.
No Brasil, ouve-se as mesmas recomendações de pessoas que cultuam ou trabalham com
Pantera Negra.

Em certos rituais de Pajelança Cabocla podemos ouvir o bater incessante do maracá e o
chamado do pajé, que canta:

Yawara ê!
Yawara ê!
Hey yawara,
Yawara pixuna,
Pixuna ê, yawara,
Yawara, yawara!

Yawara Pixuna, quer dizer Pantera Negra. Alguns traduzem como Onça Negra. O canto
acima pode ser utilizado para afastar espíritos maléficos, que fogem ao ouvir este nome
mágico.

Caboclo ou Exu, Pantera ou Onça, brasileiro ou estrangeiro, ele é mais um mistério que
Zambi animou. O tempo passa, mas Pantera Negra ainda persiste.

Salve Pantera Negra!

Antes de entrar no assunto de assentamentos e firmezas, segue mais uma tabela
de ervas de exu. Material de suma importância para ambos os conceitos.

Amendoeira: Seus galhos são usados nos locais em que o homem exerce suas atividades
lucrativas. Na medicina caseira, seus frutos são comestíveis, porém em grandes
quantidades causam diarreia de sangue. Das sementes fabrica-se o óleo de amêndoas,
muito usado para fazer sabonetes por ter efeitos emolientes, além de amaciar a pele.

Amoreira: Planta que armazena fluidos negativos e os solta ao entardecer; é usada pelos
sacerdotes no culto a Eguns. Na medicina caseira, é usada para debelar as inflamações da
boca e garganta.

Angelim-amargoso: Muito usado em marcenaria, por tratar-se de madeira de lei. Nos
rituais, suas folhas e flores são utilizadas nos abô dos filhos de Nanã, e as cascas são
utilizadas em banhos fortes com a finalidade de destruir os fluidos negativos que possam
haver, realizando um excelente descarrego nos filhos de Exu. A medicina caseira indica o
pó de suas sementes contra vermes. Mas cuidado! Deve ser usada em doses pequenas.




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Aroeira: Nos terreiros de Candomblé este vegetal pertence a Exu e tem aplicação nas
obrigações de cabeça, nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas
purificações de pedras. É usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de
feridas e úlceras, e resolve casos de inflamações do aparelho genital. Também é de grande
eficácia nas lavagens genitais.

Arrebenta Cavalo: No uso ritualístico esta erva é empregada em banhos fortes do
pescoço para baixo, em hora aberta. É também usado em magias para atrair simpatia. Não
é usada na medicina caseira.

Arruda: Planta aromática usada nos rituais porque Exu a indica contra maus fluidos e
olho-grande. Suas folhas miúdas são aplicadas nos ebori, banhos de limpeza ou
descarrego, o que é fácil de perceber, pois se o ambiente estiver realmente carregado a
arruda morre. Ela é também usada como amuleto para proteger do mau-olhado. Seu uso
restringe-se à Umbanda. Em seu uso caseiro é aplicada contra a verminose e
reumatismos, além de seu sumo curar feridas.

Avelós - Figueira-do-diabo: Seu uso se restringe a purificação das pedras do orixá antes
de serem levadas ao assentamento; é usada socada. A medicina caseira indica esta erva
para combater úlceras e resolver tumores.

Azevinho: Muito utilizada na magia branca ou negra, ela é empregada nos pactos com
entidades. Não é usada na medicina popular.

Bardana: Aplicada nos banhos fortes, para livrar o sacerdote das ondas negativas e
eguns. O povo utiliza sua raiz cozida no tratamento de sarnas, tumores e doenças
venéreas.

Beladona: Nas cerimônias litúrgicas só tem emprego nos sacudimentos domiciliares ou de
locais onde o homem exerça atividades lucrativas. Trabalhos feitos com os galhos desta
planta também provocam grande poder de atração. Pouco usada pelo povo devido ao alto
princípio ativo que nela existe. Este princípio dilata a pupila e diminui as secreções
sudorais, salivares, pancreáticas e lácteas.

Beldroega: Usada na purificação das pedras de Exu. O povo utiliza suas folhas, socadas,
para apressar cicatrizações de feridas.

Brinco-de-princesa: É planta sagrada de Exu. Seu uso se restringe a banhos fortes para
proteger os filhos deste orixá. Não possui uso popular.





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Cabeça-de-nego: No ritual a rama é empregada nos banhos de limpeza e o bulbo nos


banhos fortes de descarrego. Esta batata combate reumatismo, menstruações difíceis,
flores brancas e inflamações vaginais e uterinas.

Cajueiro: Suas folhas são utilizadas pelo axogun para o sacrifício ritual de animais
quadrúpedes. Em seu uso caseiro, ele combate corrimentos e flores brancas. Põe fim a
diabetes. Cozinhar as cascas em um litro e meio de água por cinco minutos e depois fazer
gargarejos, põe fim ao mau hálito.

Cana-de-açúcar: Suas folhas secas e bagaços são usadas em defumações para purificar
o ambiente antes dos trabalhos ritualísticos, pois essa defumação destrói eguns. Não
possui uso na medicina caseira.

Cardo-santo: Essa planta afugenta os males, propicia o aparecimento do perdido e faz
cair os vermes do corpo dos animais. Na medicina caseira suas folhas são empregadas em
oftalmias crônicas, enquanto as raízes e hastes são empregadas contra inflamações da
bexiga.

Catingueira: É muito empregada nos banhos de descarrego. Seu sumo serve para fazer a
purificação das pedras. Entretanto, não deve fazer parte do axé de Exu onde se depositam
pequenos pedaços dos axés das aves ou bichos de quatro patas. Na medicina caseira ela
é indicada para menstruações difíceis.

Cebola-cencém: Essa cebola é de Exu e nos rituais seu bulbo é usado para os
sacudimentos domiciliares. É empregada da seguinte maneira: corta-se a cebola em
pedaços miúdos e, sob os cânticos de Exu, espalha-se pelos cantos dos cômodos e
embaixo dos móveis; a seguir, entoe o canto de Ogum e despache para Exu. Este trabalho
auxilia na descoberta de falsidades e objetos perdidos. O povo utiliza suas folhas cozidas
como emoliente.

Cunanã: Seu uso restringe-se aos banhos de descarrego e limpeza. Substituiu em parte,
os sacrifícios a Exu. A medicina caseira indica os galhos novos desta planta para curar
úlceras.

Erva-preá: Empregada nos banhos de limpeza, descarrego, sacudimentos pessoais e
domiciliares. O povo usa o chá desta erva como aromatizante e excitante. Banhos quentes
deste chá melhoram as dores nas articulações, causadas pelo artritismo.

Facheiro-Preto: Aplicada somente nos banhos fortes de limpeza e descarrego. Na
medicina caseira, ela é utilizada nas afecções renais e nas diarreias.




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Fedegoso Crista-de-galo: Esta erva é utilizada em banhos fortes, de descarrego, pois é


eficaz na destruição de Eguns e causadores de enfermidades e doenças. Seus galhos
envolvem os ebó de defesa. Com flores e sementes desta planta é feito um pó, o qual é
aplicado sobre as pessoas e em locais; é denominado “o pó que faz bem”. Na medicina
caseira atua com excelente regulador feminino. Além de agir com grande eficácia sobre
erisipelas e males do fígado. É usada pelo povo, fazendo o chá com toda erva e bebendo a
cada duas horas uma xícara.

Fedegoso: Misturada a outras ervas pertencentes a Exu, o fedegoso realiza os
sacudimentos domiciliares. É de grande utilidade para limpar o solo onde foram riscados os
pontos de Exu e locais de despacho pertencentes ao deus da liberdade.

Figo Benjamim: Erva usada na purificação de pedras ou ferramentas e na preparação do
fetiche de Exu. É empregada também em banhos fortes nas pessoas obsediadas. No uso
popular, suas folhas são cozidas para tratar feridas rebeldes e debelar o reumatismo.

Figo do Inferno: Somente as folhas pertencentes a este vegetal são de Exu. Na liturgia,
ela é o ponto de concentração de Exu. Não possui uso na medicina popular.

Folha da Fortuna: É empregada em todas as obrigações de cabeça, em banhos de
limpeza ou descarrego e nos abôs de quaisquer filhos-de-santo. Na medicina caseira é
consagrada por sua eficácia, curando cortes, acelerando a cura nas cicatrizações,
contusões e escoriações, usando as folhas socadas sobre os ferimentos. O suco desta
erva, puro ou misturado ao leite, ameniza as consequências de tombos e quedas.

Juá - Juazeiro: É usada para complementar banhos fortes e raramente está incluída nos
banhos de limpeza e descarrego. Seus galhos são usados para cobrir o ebó de defesa. A
medicina caseira a indica nas doenças do peito, nos ferimentos e contusões, aplicando as
cascas, por natureza, amargas.

Jurema Preta: Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, a Jurema Preta é usada nos
banhos de descarrego e nos ebó de defesa. O povo a indica no combate a úlceras e
cancros, usando o chá das cascas.

Jurubeba: Utilizada em banhos preparatórios de filhos recolhidos ao ariaxé. Na medicina
caseira, o chá de suas folhas e frutos propiciam um melhor funcionamento do baço e
fígado. É poderoso desobstruente e tônico, além de prevenir e debelar hepatites. Banhos
de assentos mornos com essa erva propiciam melhores às articulações das pernas.






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Lanterna Chinesa: Utilizada em banhos fortes para descarregar os filhos atacados por
eguns. Suas flores enfeitam a casa de Exu. Popularmente, é usada como adstringente e a
infusão das flores é indicada para inflamação dos olhos.

Laranjeira do Mato: Seu uso se restringe a banhos fortes, de limpeza e descarrego. Na
medicina caseira ela atua com grande eficácia sobre as cólicas abdominais e também
menstruais.

Mamão Bravo: Planta utilizada nos banhos de limpeza, descarrego e nos banhos fortes.
Além de ser muito empregada nos ebó de defesa, sendo substituída de três em três dias,
porque o orixá exige que a erva esteja sempre nova. O povo a utiliza para curar feridas.

Maminha de Porca: Somente seus galhos são usados no ritual e em sacudimentos
domiciliares. O povo a indica como restaurador orgânico e tonificador do organismo. Sua
casca cozida tem grande eficácia sobre as mordeduras de cobra.

Mamona: Suas folhas servem como recipiente para arriar o ebó de Exu. Suas sementes
socadas vão servir para purificar o otá de Exu. Não tem uso na medicina popular.

Mangue Cebola: No ritual, a cebola é usada nos sacudimentos domiciliares. Corte a
cebola em pedaços miúdos e, entoando em voz alta o canto de Exu, a espalhe pela casa,
nos cantos e sob os móveis. Na medicina caseira, a cebola do mangue esmagada cura
feridas rebeldes.

Mangueira: É aplicada nos banhos fortes e nas obrigações de ori, misturada com aroeira,
pinhão-roxo, cajueiro e vassourinha-de-relógio, do pescoço para baixo. Ao terminar, vista
uma roupa limpa. As folhas servem para cobrir o terreiro em dias de abaçá. Na medicina
caseira é indicada para debelar diarreias rebeldes e asma. O cozimento das folhas, em
lavagens vaginais, põe fim ao corrimento.

Manjerioba: Utilizada nos banhos fortes, nos descarregos, nas limpezas pessoais e
domiciliares e nos sacudimentos pessoais, sempre do pescoço para baixo. O povo a indica
como regulador menstrual, beneficiando os órgãos genitais. Utiliza-se o chá em cozimento.

Maria Mole: Aplicada nos banhos de limpeza e descarrego, muito procurada para
sacudimentos domiciliares. O povo a indica em cozimento nas dispepsias e como
excelente adstringente.

Mata Cabras: Muito utilizado para afugentar eguns e destruir larvas astrais. As pessoas
que a usam não devem tocá-la sem cobrir as mãos com pano ou papel, para depois




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despachá-la na encruzilhada. O povo indica o cozimento de suas folhas e caules para tirar
dores dos pés e pernas, com banho morno.

Mata Pasto: Seus galhos são muito utilizados nos banhos de limpeza, descarrego, nos
sacudimentos pessoais e domiciliares. O povo a indica contra febres malignas e
incômodos digestivos.

Mussambê de Cinco Folhas:
Obs: Sejam eles de sete, cinco, ou três folhas, todos possuem o mesmo efeito, tanto nos
trabalhos rituais, quanto na medicina caseira. Esta erva é utilizada por seus efeitos
positivos e por serem bem aceitas por Exu no ritual de boas-vindas. Na medicina caseira é
excelente para curar feridas.

Ora-pro-nobis: É erva integrante do banho forte. Usada nos banhos de descarrego e
limpeza. É destruidora de eguns e larvas negativas, além de entrar nos assentamentos dos
mensageiros Exus. No uso caseiro, suas folhas atuam como emolientes.

Palmeira Africana: Suas folhas são aplicadas nos banhos de descarrego ou de limpeza.
Não possui uso na medicina caseira.

Pau D`alho: Os galhos dessa erva são utilizados nos sacudimentos domiciliares e em
banhos fortes, feitos nas encruzilhadas, misturadas com aroeira, pinhão branco ou roxo. Na
encruzilhada em que tomar o banho, arrie um mi-ami-ami, oferecido a Exu, de preferência
em uma encruzilhada tranquila. Na medicina caseira ela é usada para exterminar
abscessos e tumores. Usa-se socando bem as folhas e colocando-as sobre os tumores. O
cozimento de suas folhas, em banhos quentes e demorados, é excelente para o
reumatismo e hemorroidas.

Picão da Praia: Não possui uso ritualístico. A medicina caseira o indica como diurético e
de grande eficácia nos males da bexiga. Para isso utilize-o sob a forma de chá.

Pimenta Darda: “Aplicada em banhos fortes e nos assentamentos de Exu. Na medicina
caseira, suas sementes em infusão são anti-helmínticas, destruindo até ameba.

Pinhão Branco: Aplicada em banhos fortes misturadas com aroeira. Esta planta possui o
grande valor de quebrar encantos e em algumas ocasiões substitui o sacrifício de Exu.
Suas sementes são usadas pelo povo como purgativo. O leite encontrado por dentro dos
galhos é de grande eficácia colocado sobre a erisipela. Porém, deve-se ter cuidado, pois
esse leite contém uma terrível nódoa que inutiliza as roupas.





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Pinhão Coral: Erva integrante nos banhos fortes e usadas nos de limpeza e descarrego e
nos ebó de defesa. Na medicina caseira o pinhão coral trata feridas rebeldes e úlceras
malignas.

Pinhão Roxo: No ritual tem as mesmas aplicações descritas para o pinhão branco. É
poderoso nos banhos de limpeza e descarrego, e também nos sacudimentos domiciliares,
usando-se os galhos. Não possui uso na medicina popular.

Pixirica - Tapixirica: No ritual faz parte do axé de Exu e Egun. Dela se faz um excelente
pó de mudança que propicia a solução de problemas. O pó feito de suas folhas é usado na
magia maléfica. Na medicina caseira ela é indicada para as palpitações do coração, para a
melhoria do aparelho genital feminino e nas doenças das vias urinárias.

Quixambeira: É aplicada em banhos de descarrego e limpeza para a destruição de eguns
e ao pé desta planta são arriadas obrigações a Exu e a Egun. Na medicina caseira, com
suas cascas em cozimento, atua como energético adstringente. Lavando as feridas, ela
apressa a cicatrização.

Tajujá - Tayuya: É usada em banhos fortes, de limpeza ou descarrego. A rama do tajujá é
utilizada para circundar o ebó de defesa. O povo a indica como forte purgativo.

Tamiaranga: É destinada aos banhos fortes, banhos de descarrego e limpeza. É usada
nos ebó de defesa. O povo a indica para tratar úlceras e feridas malignas.

Tintureira: Utilizada nos banhos fortes, de limpeza ou descarrego. Bem próximo ao seu
tronco são arriadas as obrigações destinadas a Exu. O povo utiliza o cozimento de suas
folhas como um energético desinflamatório.

Tiririca: Esta plantinha de escasso crescimento apresenta umas pequeninas batatas
aromáticas. Estas são levadas ao fogo e, em seguida, reduzida a pó, o qual funciona como
pó de mudança no ritual. Serve para desocupar casas e, colocadas embaixo da língua,
desodoriza o hálito e afasta eguns.

Urtiga Branca: É empregada nos banhos fortes, nos de descarrego e limpeza e nos ebó
de defesa. Faz parte nos assentamentos. O povo a indica contra as hemorragias
pulmonares e brônquicas.

Urtiga Vermelha: Participa em quase todas as preparações do ritual, pois entra nos
banhos fortes, de descarrego e limpeza. É axé dos assentamentos de Exu e utilizada nos
ebó de defesa. Esta planta socada e reduzida a pó, produz um pó benfazejo. O povo indica
o cozimento das raízes e folhas em chá como diurético.



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Vassourinha de Botão: Muito empregada nos sacudimentos pessoais e domiciliares. Não


possui uso na medicina popular.

Vassourinha de Relógio: Ela somente participa nos sacudimentos domiciliares. Não
possui uso na medicina caseira.

Xiquexique: Participa nos banhos fortes, de limpeza ou descarrego. São axé nos
assentamentos de Exu e circundam os ebó de defesa. O povo indica esta erva para os
males dos rins.



A s s e n t a m e n t o s , f ir m e z a s , t r o n q u e ir a s e c a s a d e e x u

Os modelos atuais se diferem em muitos dos conceitos mais antigos. Hoje em dia a carga
yorubá é muito presente nos processos de assentamento.
Peço muita atenção neste assunto no que foi colocado em vídeo e as firmezas que serão
passadas.
O assentamento acontecia com maior autenticidade longe dos ambientes urbanos e de
concreto, onde um assentamento guardava um ente espiritual como protetor do barracão.

Nos dias de hoje tudo se resume a grandes panelas e caldeirões com elementos dentro.
Nada contra a quem segue este modelo, mas nos afastamos e em muito da natureza das
coisas.As tronqueiras de antigamente deram lugares as casas de Exu por uma questão de
necessidade urbana. Antigamente onde se “plantava” o assentamento de Exu, não existem
mais condições para isso a não ser por aqueles que ainda mantem o culto foram dos
centros urbanos.

As tronqueiras de antigamente deram lugares as casas de Exu por uma questão de
necessidade urbana. Antigamente onde se “plantava” o assentamento de Exu, não existem
mais condições para isso a não ser por aqueles que ainda mantem o culto foram dos
centros urbanos.



O P r im e ir o P r e t o V e lh o

Uma antiga lenda contada por velhos juremeiros do Nordeste, diz que o primeiro mestre
negro que chegou ao Brasil se chamava Joaquim.



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Este era seu nome de batismo cristão. Seu nome africano, provavelmente em língua
kimbundu, se perdeu.
Mestre Joaquim era sábio de nascença. Na Mãe África, em terras de Angola, desde cedo
ele observava os kimbandas ou curandeiros locais. Joaquim aprendia tudo o que via.
Levado por um tio paterno, um grande kimbanda, ele recebeu cedinho a sua iniciação no
culto.
Joaquim foi ensinado a observar a Natureza e a descobrir o mistério atrás de cada folha,
raiz e árvore.
Mãe Ntoto, o grande Nkizi (espírito natural e transcendente) da Terra, acolheu o jovenzinho
e transmitiu sua bênção regeneradora a ele.
Crescido, o rapaz não teve tempo de formar família. Guerras tribais o levaram longe da
aldeia, onde foi aprisionado e embarcado para a distante nação brasileira. Desembarcando
em porto nordestino, foi vendido. Trabalhou na lavoura dia após dia. Quieto, mas não
passivo, observou o sofrimento de seu povo. Nas poucas horas de
tranquilidade atendia aos doentes. Com o auxílio dos espíritos de Mãe Ntoto, descobriu as
funções das ervas que aqui cresciam. Preparava breves, poções e mezinhas.

Quando tinha chance, amoitava-se e penetrava no mato, onde falava com os espíritos
locais, invocava os ancestrais e rezava aos Minkizi (o conjunto dos Nkizi).
Certo dia foi procurado por um índio velho, que administrava uma pequena propriedade de
capataz branco. O índio tinha observado as atividades de Joaquim no mato e ficou muito
curioso...uma amizade forte e espiritual nasceu deste encontro.
Foi com este índio que Joaquim conheceu os poderes da Jurema.
Numa noite ele bebeu da cuia de Jurema do velho tuxaua, sentiu seu corpo frio como a
morte, percebeu a mente crescer e ganhar asas... A alma de Joaquim voou pelos céus e
viu as casas ficarem pequeninas, a Lua ficar mais perto e as estrelas parecerem mais
brilhantes. Lá no firmamento parecia existir uma luz desconhecida e
ele seguiu até lá. O luzeiro foi ficando mais perto e Joaquim encontrou uma aldeia, com
gente, casa e tudo. Um cacique desconhecido chegou perto dele e o recebeu com alegria e
dignidade. Joaquim entrara misteriosa na Cidade dos Mestres, na Aldeia do Juremal!

O que ele realmente viu e aprendeu lá, nunca contou a ninguém. Mas quando voltou à terra
dos encarnados, ele não era mais um Joaquim, era o Mestre Joaquim!
O tempo corria e nosso mestre, ainda escravo, foi consumindo seu corpo no serviço
desumano imposto a sua raça. Uma tarde ele se aconchegou depois do trabalho, fechou os
olhos e morreu. Sua alma foi levada novamente para a Cidade Santa e entrou triunfalmente
no santuário da Mãe Jurema, louvado pelos mestres e mestras, profetas e guerreiros.
Certa madrugada uns caboclos montaram uma mesa (sessão espiritual de jurema),
cantaram e abriram as portas reais.
Os mestres do Outro Mundo foram baixando um após o outro.




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Curso Exu na fronteira da Quimbanda e da Umbanda | Por Jorge Scritori

Tudo era harmonia e beleza! Um caboclo maduro e mais escuro cantou:



“Mestre Joaquim, é kimbanda! Veio trabalhar, é kimbanda! Mestre Joaquim é de Angola, é
kimbanda! É kimbanda!”

(nos Pontos ou Linhos mais modernos e populares, a palavra “é kimbanda”, ou seja “é
curandeiro”, transformou-se em squimbanda”. Daí perdemos o sentido tradicional africano)

Esta foi a primeira vez que Mestre Joaquim acostou (baixou ou incorporou na linguagem
dos juremeiros) e desde então começou seu eterno exercício de caridade, fruto do amor
maior e da ciência sublime. Mestre Joaquim de Angola, de cachimbo na mão e chapéu na
cabeça: o Rei negro da Jurema Sagrada!
O tempo passou depressa... A Umbanda ainda não tinha nascido, mas Mestre Joaquim já
procurava outros agrupamentos para levar a sua missão. O negro bantu nunca temeu seus
ancestrais e sempre colocou suas almas benditas no coração quente que batia de
saudades. Lá nas praias do Nordeste, nas montanhas de Minas Gerais ou no sopé dos
morros cariocas, nosso mestre juremeiro africano batia sua bengala e dava seu nome: Pai
Joaquim de Angola! Imagem da bondade, da sabedoria e da humildade.

Quando a Umbanda veio a este mundo, gestada na luz de Cristo, no Axé dos Orixás e
Minkizis e abençoada pela energia dos pajés, Pai Joaquim foi um dos primeiros guias a se
apresentar.
Afinal já era preto velho diplomado! Pai Joaquim baixou e nunca parou de trabalhar.

“Pai Joaquim, ê, ê,
Pai Joaquim, ê á,
Pai Joaquim veio de Angola,
Pai Joaquim é de Angola, Angola á!”

(Usamos neste artigo a palavra Kimbanda em seu sentido tradicional: curandeiro ou xamã
bantu. Não é, portanto, uma referência ao quimbandeiro ou praticante da
Quimbanda, culto sincrético com poucos elementos bantus).












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