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TRANSFORMADORES

O fenômeno da indução eletromagnética possibilitou o desenvolvimento de inúmeros


dispositivos, entre eles o transformador, capaz de alterar os valores da tensão e da corrente
elétrica alternada.

Em 1884, na exposição de eletricidade realizada na cidade de Turim, Itália, o inventor


francês Lucien Gaulard apresentou um aparelho destinado a transmitir energia elétrica em
grandes distâncias. Esse dispositivo, que funcionava por meio de corrente alternada, foi o
primeiro transformador de uso industrial. A patente do invento foi comprada pelo
empresário norte-americano George Westinghouse. Anos mais tarde, Nikola Tesla, cientista
sérvio naturalizado norte-americano, realizou estudos no campo do eletromagnetismo e foi
autor de invenções importantíssimas utilizando transformadores. Pode ser atribuído a ele o
desenvolvimento de todo o conceito e sistema de geração e transmissão de energia
elétrica na forma alternada, além do aperfeiçoamento dos transformadores

O transformador é uma máquina elétrica estática, que altera a tensão e a corrente elétrica
para valores adequados de acordo com a aplicação específica do projeto.
O enrolamento que recebe a tensão da rede é o enrolamento primário, e o que fornece
tensão para a carga, o secundário. Os enrolamentos primário e secundário estão enrolados
em um núcleo ferromagnético, porém eletricamente isolados. Essa separação entre o
primário e o secundário está representada na figura abaixo:

Vamos analisar a figura acima: Quando se aplica ao enrolamento primário uma tensão
elétrica, cria-se uma corrente. Surge, então, um campo magnético, que alcança o
enrolamento secundário, pois ambos compartilham o mesmo núcleo. Observando agora a
figura 1.96b, percebemos que, ao inverter o sentido da tensão no primário, o campo
magnético também inverte de sentido. A inversão de sentido pode ser interpretada como
movimento, e, de acordo com o princípio da indução eletromagnética, magnetismo
associado a movimento gera eletricidade. Portanto, no enrolamento secundário, gera-se
uma tensão elétrica, que ao ser entregue a uma carga, fornece uma corrente elétrica. Esta é
a razão pela qual o transformador somente funciona com corrente alternada.

Se aplicarmos uma tensão contínua no primário ao invés de uma tensão alternada, o


transformador não irá funcionar. Isto ocorre porque não haverá inversão no sentido da
corrente, e por conseguinte, geração de movimento para, associado ao magnetismo, gerar
corrente elétrica no enrolamento secundário.

Uma das aplicações dos transformadores é na alteração da tensão e da corrente elétrica nas
usinas geradoras de energia elétrica, possibilitando que elas atendam o maior número
possível de consumidores finais que utilizam a tensão em diferentes valores: industrial,
comercial e residencial. As usinas hidroelétricas usam a água dos reservatórios de grandes
lagos ou rios para mover as turbinas. Já as usinas termoelétricas empregam combustíveis
fósseis ou energia nuclear, cujo vapor faz girar as turbinas. Em geral, as usinas hidroelétricas
e termoelétricas ficam distantes dos grandes consumidores de energia elétrica, e esta chega
até eles por meio de linhas de transmissão, estações e subestações. Durante o percurso, são
utilizados inúmeros transformadores, que não apenas alteram o valor da tensão e controlam
a corrente, como mantêm a potência elétrica estável e reduzem as perdas por efeito Joule.
Outra vantagem dos transformadores é que os cabos usados na linha de transmissão não
precisam ser muito grossos.
Durante a transmissão, ocorrem perdas de energia nos cabos, porque estes, apesar de
apresentarem baixa resistência elétrica, são muito longos. Para amenizar as perdas,
instalam-se subestações de energia. Assim, quando a tensão é mais uma vez elevada, as
perdas são compensadas. Ao chegar próximo aos consumidores, a tensão deve ser reduzida,
para não oferecer risco à vida e também para fazer funcionar os aparelhos elétricos,
eletrônicos e eletroeletrônicos na tensão adequada.

SÍMBOLO DOS TRANSFORMADORES

Os traços colocados no símbolo entre as bobinas do primário e secundário indicam o núcleo


de ferro laminado. O núcleo de ferro é empregado em transformadores que funcionam em
baixas frequências (50Hz, 60Hz, 120Hz). Transformadores que funcionam em frequências
mais altas (kHz) geralmente são montados em núcleo de ferrite. A figura abaixo mostra o
símbolo dos dois tipos de transformadores.

TIPOS DE ENROLAMENTOS

É possível construir transformadores com mais de um secundário, de forma a obter diversas


tensões diferentes. Este tipo de transformador é muito utilizado em equipamentos
eletrônicos. Com relação ao tipo de enrolamentos que os transformadores podem ter, os
mesmos podem ser: simples, múltiplo ou com derivações. A figura abaixo ilustra alguns
exemplos de tipos de enrolamentos:
O transformador da figura (a) é chamado também de center-tap e é muito utilizado em
circuitos retificadores. No transformador da figura (b) a tensão aplicada no primário fica
dividida no secundário. Por exemplo:

POLARIDADE DOS TRANSFORMADORES

O transformador pode, de acordo com o sentido do enrolamento, defasar a tensão de saída


em relação à tensão de entrada. Se o sentido do enrolamento primário coincidir com o do
enrolamento secundário (tipo subtrativo) teremos as tensões de entrada e saída em fase. Se
o primário e o secundário forem enrolados no sentido oposto (aditivo) as tensões estarão
defasadas de 180º. Para facilitar a identificação, costuma-se na simbologia do
transformador, colocar um ponto definindo o sentido do enrolamento. A figura abaixo
ilustra essas situações. Veja abaixo:
Num transformador com derivação central no secundário, como mostra a figura abaixo,
teremos em relação ao terminal central, duas tensões de mesma amplitude, porem
defasadas em 180º. Em alguns casos de aplicação, como nos retificadores, essa defasagem
se faz necessária para o devido funcionamento do circuito.

PERDAS NO TRANSFORMADOR.

Um transformador real apresenta perdas de potência quando está em funcionamento. Estas


perdas são no cobre e no ferro.

As perdas no cobre ocorrem devido ao aquecimento provocado pela resistência ôhmica das
bobinas, onde parte da energia será dissipada na forma de calor. Uma das formas de reduzir
as perdas no cobre é usando ventiladores que forçam a circulação de ar.
As perdas no ferro ocorrem porque ele sofre grande aquecimento devido à passagem do
fluxo magnético. Isto provoca a histerese magnética e as correntes parasitas no ferro. Para
atenuar o efeito das correntes parasitas os núcleos dos transformadores são formados por
ferro silicoso laminado. As lâminas interrompem as correntes parasitas, pois são isoladas
entre si. A laminação não impede o aquecimento, mas o reduz sensivelmente:

A histerese magnética é um fenômeno típico de materiais ferromagnéticos e significa atraso


ou retardo. Este fenômeno ocorre porque materiais ferromagnéticos se magnetizam
rapidamente quando sofrem influência do campo magnético, porém, não se desmagnetizam
tão rapidamente quando o campo é retirado. Assim, existe um atraso entre o magnetizar e o
desmagnetizar, este atraso é a histerese que resulta em perdas de energia.

Encontrando as perdas no cobre

As perdas no cobre dos transformadores podem ser encontradas através de ensaio. Este
ensaio necessita alguns cuidados, pois o secundário do transformador é colocado em curto-
circuito. Um varivolt inicialmente zerado deverá elevar a tensão no primário até que a
corrente do secundário chegue ao seu valor nominal. Um amperímetro deverá monitorar
esta corrente.

As perdas de potência no cobre será o produto entre a tensão e a corrente medidos no


primário do transformador.
Encontrando as perdas no ferro

As perdas no ferro dos transformadores também são encontradas através de ensaio, porém,
agora o secundário fica aberto. Este não requer muitos cuidados, basta ligar o primário com
a tensão nominal e medir a corrente no primário. O produto tensão x corrente no primário
com o secundário aberto será a potência perdida no ferro.

RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO

A aplicação de uma tensão CA ao primário de um transformador resulta no aparecimento de


uma tensão induzida no seu secundário. Aumentando-se a tensão aplicada ao primário, a
tensão induzida no secundário aumenta na mesma proporção. Verifica-se para o caso do
exemplo da figura abaixo que a tensão do secundário é sempre a metade da tensão aplicada
no primário.

A relação entre as tensões no primário (VP) e secundário (VS) depende da relação entre
o número de espiras no primário (NP) e secundário (NS).Num transformador com
primário de NP espiras e secundário de NP/2 espiras, a tensão no secundário será a
metade da tensão no primário, ou seja VS = VP/2. Verifica-se que o resultado da relação
NS/NP é o mesmo da relação VS/VP. Logo, pode-se escrever:
O resultado da relação (VS/VP) é denominado de relação da transformação.

CLASSIFICAÇÃO DO TRANSFORMADOR QUANTO À RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO

Quanto à relação de transformação, os transformadores podem ser classificados em três


grupos:

 Transformador elevador.
 Transformador abaixador.
 Transformador isolador.

Transformador Elevador

Denomina-se transformador elevador todo o transformador com uma relação de


transformação maior que 1 (NS > NP). Devido ao fato de que o número de espiras do
secundário é maior que do primário, a tensão do secundário será maior que a do primário. A
figura abaixo mostra um exemplo de transformador elevador, com relação de transformação
de 1,5.

Se uma tensão de 100VCA for aplicada ao primário, a tensão no secundário será de 150V.

Transformador Abaixador ou Rebaixador

É todo o transformador com relação de transformação menor que 1 (NS<NP). Nesse tipo de
transformador, a tensão no secundário é menor que a no primário. A figura abaixo mostra
um exemplo de transformador rebaixador, com relação de transformação de 0,2.
Nesse transformador, aplicando-se 50VCA no primário, a tensão no secundário será 10V. Os
transformadores rebaixadores são os mais utilizados em eletrônica, para rebaixar a
tensão das redes elétricas domiciliares (110V ou 220V para tensões de 6V, 12V e 15V
necessárias à maioria dos equipamentos).

Transformador Isolador

Denomina-se de isolador o transformador que tem uma relação de transformação igual 1


(NS = NP). Como o número de espiras do primário é igual ao do secundário, a tensão no
secundário é igual à tensão no primário. A figura abaixo mostra um exemplo:

Esse tipo de transformador é utilizado para isolar eletricamente um aparelho da rede


elétrica, pois a energia elétrica absorvida pelo primário é convertida em campo magnético e
depois convertida novamente em energia elétrica no secundário. Ou seja, a energia é
transferida unicamente através da variação do campo magnético. Os transformadores
isoladores são muito utilizados em laboratórios de eletrônica para que a tensão presente nas
bancadas seja eletricamente isolada da rede.

CLASSIFICAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR QUANTO AO MATERIAL DO NÚCLEO

Núcleo de ferromagnético

No caso de um transformador com núcleo de ferromagnético, são usadas chapas de aço


laminadas, no geral chapas de aço de silício, para diminuir as perdas por correntes parasitas.

Núcleo de ar

Os transformadores com núcleo de ar consistem em na localização das bobinas, que ficam


em contato direto com a atmosfera.

[foto e símbolo de um transformador de núcleo de ar]

CLASSIFICAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR QUANTO AO NÚMERO DE FASES

Monofásicos: Esse tipo de transformador é próprio para alimentação de circuitos de


comando ou de uso industrial. O transformador usado em casas também é o monofásico, ele
transforma 127 V em 220 V e 220 V em 127 V.

Trifásico: Esse é o tipo de transformador que vemos nas ruas, ele recebe a tensão da
subestação de distribuição e em um nível de tensão de 13800 V e transforma em 127 V ou
220 V.
Polifásico: Possui eficiência relativamente alta, estes transformadores fornecem a tensão
para sistemas que necessitam de mais fases através do sistema trifásico. Esse tipo de
transformador varia de 3 a 6 fases. Esses sistemas que necessitam de mais fases são
especialmente para retificação de medida de onda completa devido aos seus componentes.

RELAÇÕES DE POTÊNCIA NO TRANSFORMADOR

O transformador é um dispositivo que permite modificar os valores de tensão e corrente


em um circuito de CA. Em realidade, o transformador recebe uma quantidade de energia
elétrica no primário, transforma em campo magnético e converte novamente em energia
elétrica disponível no secundário, como pode ser visto na figura abaixo:

A partir deste fato, podemos concluir que o transformador absorve uma potência no
primário. Lembrando que potência significa quanta energia elétrica está sendo entregue no
secundário por segundo (1 Watt = 1 Joule/segundo). Vamos chamar a potência recebida no
primário de PP. Admitindo-se que não existam perdas por aquecimento do núcleo, pode-se
concluir que toda a potência absorvida no primário está disponível no secundário. Vamos
chamar a potência do secundário de PS. Se não existem perdas, pode-se afirmar que:

Considerando-se o transformador ideal, pode-se escrever também:

Onde:

VS = Tensão aplicada no secundário


VP = Tensão aplicada no primário
IS = Corrente elétrica no secundário
IP = Corrente elétrica no primário
No caso de transformadores com mais de um enrolamento no secundário, a potência
absorvida da rede pelo primário é a soma das potências fornecidas a todos os secundários.
Isto sem considerar as perdas. Assim, podemos escrever:

Sendo:

PP = Potência total absorvida pelo primário


PS1 = Potência aplicada ao secundário 1
PS2 = Potência aplicada ao secundário 2
PN = Potência aplicada ao secundário N

Se considerarmos as perdas, podemos reescrever a relação de potência entre o primário e o


secundário, da seguinte forma:

PP = PS + P(Fe) + P(Cu)
Sendo:

PP = Potência total absorvida pelo primário


PS = Potência aplicada ao secundário
P(Fe) = Potência perdida pelo ferro
P(Cu) = Potência perdida pelo cobre

RENDIMENTO DO TRANSFORMADOR

O rendimento (η) do transformador é a relação entre a potência recebida pelo primário (PP)
e a potência aplicada no secundário (PS).

Num transformador ideal, o rendimento é 100% ou igual a 1. Se considerarmos as perdas


pelo ferro e pelo cobre, o rendimento é sempre menor do que 100% ou menor do que 1.

FATOR DE POTÊNCIA DO TRANSFORMADOR

O fator de potência é uma relação entre potência ativa e potência reativa. Ele indica a
eficiência com a qual a energia está sendo usada. Um alto fator de potência indica uma
eficiência alta e inversamente um fator de potência baixo indica baixa eficiência. No
transformador as perdas influenciam diretamente no fator de potência, que é dado por:
O TRANSFORMADOR COMO CASADOR DE IMPEDÂNCIAS

SALA DA ELÉTRICA

Trafo – O Transformador Monofásico

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Trafo – O Transformador Monofásico

O Trafo ou transformador pode ser considerado a máquina elétrica responsável por realizar a
transformação da energia elétrica proporcionando a redução ou elevação da tensão elétrica
alternada. Podemos observar a aplicação desta máquina elétrica em sistemas de redução da
tensão em circuitos eletrônicos presente em diversos equipamentos, como por exemplo em
eletrodomésticos onde a tensão deve ser rebaixada para níveis menores disponibilizando
tensões de pequenas escalas utilizadas por este circuitos eletrônicos, é o caso de um
carregador de celular que reduz a tensão de 127 ou 220V para uma tensão de 9V por exemplo.
Recentemente publicamos como montar um trafo monofásico

Características construtivas de um Trafo

Um transformador monofásico simples (também conhecido como Trafo) pode ser dividido em
três principais partes:

 Enrolamento Primário
 Enrolamento Secundário
 Núcleo

O Enrolamento Primário de um trafo simboliza o a bobina responsável por receber a tensão


elétrica que será transformada no Enrolamento Secundário, estes dois enrolamentos,
comumente chamados de bobinas, envolvem um material ferromagnético(o Núcleo). Observe
a ilustração a seguir:

Simbologias utilizadas para representar um “trafo”

Tradicionalmente, quando representados em diagramas elétricos, os transformadores possuem


simbologias que expressam seus dois enrolamentos (primário e secundário) como pode-se
observar na ilustração a seguir:

Outras simbologias são apresentadas em diversas literaturas disponíveis, no entanto, as


simbologias acima apresentadas são as mais usuais para transformadores monofásicos.
Princípio de funcionamento

Baseado no princípio de indução eletromagnética, o transformador (trafo) realiza a


transformação da energia elétrica (mais precisamente a tensão elétrica) a partir de um fluxo
magnético variável originado de uma corrente elétrica alternada. A tensão elétrica alternada
inserida ao enrolamento primário do transformador irá gerar um fluxo magnético variável que
será responsável por induzir no secundário uma tensão elétrica induzida de polaridade oposta

Perdas no transformador

Como qualquer máquina elétrica, parte da potência gerada pelo transformador é consumida
pelas perdas existente no próprio transformador, sendo assim, conhecendo as características
da potência elétrica em corrente alternada podemos concluir que a potência elétrica total
gerada pelo transformador é denominada Potência Aparente e a potência que se perde no
funcionamento do transformador é a Potência Reativa. Abaixo estão as principais perdas
encontradas no funcionamento do transformador:

 Perda por Histerese


 Perda por Foucault
 Perdas no Cobre

EXEMPLOS DE TRANSFORMADORES

Na figura abaixo, temos exemplos de transformadores de uma fonte de PC. Lembrando que
uma fonte de alimentação de PC tem a finalidade de converter a tensão alternada de 110 ou
220V da rede elétrica e entregar para o PC tensões de +3,3V, +5V, +12V e -12V.
Abaixo, temos outra figura mostrando o transformador principal de uma fonte de PC:

Na figura abaixo, temos como outro exemplo, o transformador que se vê na rua. Ele é um
típico transformador de potencia trifásico. Ele recebe a tensão que vem da estação de
distribuição, que está no nível de 13,8 KV (13800 Volts) e transforma em 127 e 220V.