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Musgo

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Bryophyta sensu stricto, os musgos, é um filo cosmopolita de pequenas plantas
Bryophyta sensu stricto
criptogâmicas não vasculares, de organização simples, que tipicamente crescem em densos
musgos
tufos, sendo mais comuns em habitats húmidos e sombrios. Cada planta individual é
geralmente composta por filídios (folhas) simples, na maior parte das espécies com apenas Ocorrência: Carbonífero[1] – presente
uma célula de espessura, ligados a um eixo central, o cauloide, que pode ser ramificado,
mas que tem apenas um papel limitado na condução de água e de nutrientes. Apesar de
algumas espécies apresentaremtecido condutor formado por hidroides, este apresenta fraco
desenvolvimento e é estruturalmente diferente dos tecidos com funções similares das
plantas vasculares.[3] Os musgos não produzem sementes, apresentando um ciclo de vida
caracterizado por alternância de gerações do tipo heterofásico e heteromórfico, pelo que
após a fertilização desenvolvem esporófitos compostos por um fino pedúnculo não
ramificado, a seta (ou seda), encimado por uma única cápsula contendo os esporos. Os
musgos apresentam tipicamente 0,2-10 cm de altura, apesar de algumas espécies poderem Tufo de musgos.
ser muito maiores, com os musgos do género Dawsonia a atingirem até 50 cm de altura.
Classificação científica
Estão descritas cerca de 12 000 espécies de musgos,[4] repartidas por cerca de 700 géneros.
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Sub-reino: Embryophyta
Índice
Superdivisão: Bryophyta sensu lato
Descrição Bryophyta
Divisão: Schimp. sensu stricto
Ciclo de vida e reprodução
Ciclo de vida
Subdivisões e classes[2]
Reprodução sexual
Fertilização por animais
Subdivisão Takakiophytina
Reprodução vegetativa
Nanismo das plantas masculinas Classe Takakiopsida
Reparação das cadeias de ADN Subdivisão Sphagnophytina
História geológica Classe Sphagnopsida
Classificação Subdivisão Bryophytina
Ecologia e conservação Classe Andreaeopsida
Habitat
Classe Andreaeobryopsida
Relação entre musgos e cianobactérias
Classe Oedipodiopsida
Conservação
Classe Tetraphidopsida
Etnobotânica Classe Polytrichopsida
Cultivo Classe Bryopsida
Inibição do crescimento de musgos
Muscinários Sinónimos
Usos tradicionais
Usos comerciais presentes Musci L.
Referências
Muscineae Bisch.

Ver também
Ligações externas

Descrição
Os musgos, geralmente referidos na literatura científica por «briófitos», nas modernas
classificações pertencem à superdivisão Bryophyta sensu lato, juntamente com outros
dois filos, Marchantiophyta (as hepáticas) e Anthocerophyta (os antóceros), com os
quais apresentam semelhanças morfológicas.

Essas parecenças morfológicas, a que se junta a similitude de hábito e de preferência de


habitat, levam a alguma confusão entre os musgos, os líquenes, os antóceros e as
hepáticas.[5] Em consequência, espécies de todos estes grupos são por vezes
impropriamente designadas por «musgos» na linguagem comum. Contudo, apesar de os
líquenes poderem superficialmente apresentar algumas semelhanças com os musgos,
pertencem a grupos filogeneticamente remotos.[5]:3 Tufos de musgo na base de árvores
(Allegheny National Forest, Pennsylvania).
Já no que tange às hepáticas e antóceros, a proximidade filogenética é maior, estando
estes taxa tradicionalmente agrupados com as restantes "plantas não vasculares" na
antiga divisão Bryophyta. Para além de serem plantas avasculares, todos eles apresentam
uma alternância de gerações que tem como fase dominante do ciclo de vida a geração de
gametófito haploide. Este predomínio da fase haploide contrasta com o padrão comum
em todas as plantas vasculares (planta com sementes e pteridófitos), nas quais a geração
de esporófito diploide domina o ciclo de vida. Quando se reproduzem pela via sexual, os
musgos produzem esporos, jamais flores ou sementes.

São plantas criptógamas, isto é, em que o órgão reprodutor está escondido, ou possuem
os órgãos reprodutores inconspícuos. Apresentam como pigmentos fotossintéticos a
Micrografia de um filídio deBryum
clorofila a, a clorofila b, xantofila e carotenos. A sua substância de reserva é o amido. A capillare mostrando a camada fina de
parede celular é composta por celulose. células (uma única célula de espessura)
com cloroplastos e grânulos de amido.
A generalidade das espécies são pequenas plantas herbáceas não vasculares, de
organização simples, sem vasos lignificados condutores de água e sais minerais, que
absorvem água e nutrientes principalmente através da suas folhas, nas quais também
assimilam dióxido de carbono através da fotossíntese.[6][7]

O gametófito (com número cromossómico n) é formado por um talo, geralmente


diferenciado em rizoide, cauloide e filoides, sendo em geral reconhecível pelos filoides
(ou filídios) em forma de lança, por vezes com nervura, dispostos em espiral (simetria
radiada) ao longo do cauloide (ou caulídio), o qual pode ser erecto (musgos
acrocárpicos) ou rastejante (musgos pleurocárpicos). A geração esporófita é geralmente
formada por um pé (conjunto de células que estão imersas nos tecidos do gametófito, dos
Esporófitos com cápsulas (Yorkshire
quais recebem nutrientes), uma seda (filamento mais ou menos longo, não ramificado) Dales).
que suporta uma única cápsula (onde se formam os esporos).

As estruturas dos musgos, mesmo quando estão presentes tecidos condutores e hidroides, são pouco eficientes na transmissão de água e
nutrientes, o que aumenta a dependência de água, explicando a preferência dos musgos por ambientes húmidos. Pelas mesmas razões,
geralmente atingem poucos centímetros de altura, justamente por não possuírem vasos especializados de condução de seiva. Esta é aliás uma
das diferenças mais marcantes, já que os musgos diferem dasplantas vasculares por não terem traqueídeos de xilema ou vasos condutores.

Os gametófitos dos musgos, a fase persistente, apresentam caulídeos (talos) que podem ser simples ou ramificados, erectos (nos musgos
acrocárpicos) ou prostrados (nos musgos pleurocárpicos). Os filídios (folhas) são simples, geralmente com apenas uma camada de células de
espessura, desprovidos de espaços interiores condutores de ar, frequentemente com nervuras centrais espessadas. Não apresentam raízes, tendo
em seu lugar rizoides filamentosos que ancoram a planta ao substrato, única função destas estruturas, já que não absorvem água ou nutrientes
(função reservada aos filídios). Nesta estrutura distinguem-se das hepáticas (Marchantiophyta), pois estas apresentam rizoides multicelulares.
Outras diferenças, que não são universais para todos os musgos e hepáticas, são a presença nos musgos de caules claramente diferenciados com
filídios nervurados, com formas simples, não profundamente lobados ou segmentados, nunca arranjados em três fileiras.

Os esporófitos, a fase produtora de esporos do ciclo de vida da planta que constitui a geração diploide multicelular, são de vida curta e
totalmente dependentes do gametófito para fornecimento de água e nutrição. As cápsulas produtoras de esporos, os esporângios, são produzidos
na extremidade de longos pedúnculos não ramificados, a seta, cada um dos quais produz uma única cápsula. Esta última característica distingue
os musgos dos polisporangiófitos, o grupo que inclui todas as plantas vasculares. Por outro lado, na maioria dos musgos a cápsula produtora de
esporos cresce e matura apenas após o alongamento da seta se ter concluído, o que os distingue das hepáticas, nas quais a cápsula matura antes
do alongamento.[7]

Os musgos ocorrem sobre os mais variados tipos de substrato, como troncos e ramos de árvores (corticícolas), folhas (epífilas), troncos em
decomposição (epíxilas), solo (terrícolas) ou rochas (rupícolas), geralmente em locais húmidos, já que são dependentes da água para a
reprodução.

Apesar da preferência generalizada por ambientes húmidos e ombrófilos, existem espécies de musgos que toleram condições ambientais
extremas e por isso ocorrem nos mais variados ecossistemas e numa grande diversidade de habitats, sendo distribuídos por todo o mundo. São
encontrados desde a região boreal nas margens do Oceano Árctico até as florestas tropicais, desertos e ambientes submersos, mas nunca no
ambiente marinho. Muitos musgos são espécies pioneiras na colonização de ambientes modificados, incluindo os ruderais, sendo eficazes no
combate à erosão do solo e na manutenção da humidade dos ecossistemas. São muito eficazes nainterceptação da água da chuva, captando água
e nutrientes a partir da atmosfera. Também desempenham um papel importante no fornecimento de habitat para múltiplas espécies animais, com
destaque para os insectos.

[2] das quais cerca de 1 650 espécies ocorrem no Brasil.


É estimada uma diversidade de aproximadamente 12 000 espécies,

O maior valor económico dos musgos é serem o principal constituinte da turfa (principalmente os musgos do género Sphagnum), embora
também sejam usados para fins decorativos, em jardins e no comércio florista. Entre os usos tradicionais de musgos estão o uso como
isolamento térmico em estruturas e vestuário e a utilização da sua capacidade de absorver líquidos, que no esfagno ultrapassa as 20 vezes o peso
seco da planta.

Ciclo de vida e reprodução

Ciclo de vida
O ciclo de vida dos musgos apresenta uma alternância de gerações em que o
gametófito constitui a fase evidente e dominante, enquanto o esporófito é muito
menor e nutricionalmente dependente do gametófito.

As plantas vasculares, como a generalidade dos seres vivos, têm no núcleo


celular das suas células vegetativas (correspondentes à estrutura somática da
planta, ou seja, ao esporófito) pelo menos dois conjuntos de cromossomas,
sendo por isso consideradas organismos diploides (número cromossómico =
2n), ou seja, cada cromossoma tem um par que contém a mesma informação
genética ou similar. Em contraste, as células vegetativas dos musgos (tal como
as hepáticas e os antóceros) constituem o gametófito e por isso têm apenas um
único conjunto de cromossomas em cada núcleo celular, sendo por isso
haploides (número cromossómico =n), ou seja, existe uma única cópia de cada
cromossoma em cada núcleo celular. Contudo, cumprindo o princípio da
alternância de gerações, há um período no ciclo de vida dos musgos, a geração
esporofítica, em que apresentam um conjunto duplo de cromossomas
emparelhados.

Reprodução sexual
O ciclo de vida dos musgos inicia-se com um esporo haploide que germina para Ciclo de vida de um musgo típico (Polytrichum
produzir um protonema, o qual pode assumir a forma de uma massa de commune).
filamentos enrolados ou ser uma estrutura taloide. Os protonemas dos musgos
crescem e formam massas que parecem um minúsculo e fino feltro verde sobre superfícies como o solo húmido, casca de árvores, rochas,
cimento ou qualquer outra superfície razoavelmente estável. O protonema é um estágio transitório na vida do musgo, do qual cresce o
gametóforo ("portador de gâmetas"), estruturalmente diferenciado em hastes (os cauloides) e filídios (as folhas). Uma única esteira de
protonemas pode conduzir ao desenvolvimento de vários gametóforos, resultando num tufo de musgo, o hábito mais comum e familiar deste
grupo de plantas.
Os órgãos sexuais dos musgos desenvolvem-se a partir das pontas das hastes ou
ramos do gametóforo. Os órgãos femininos, designados por arquegónios, são
protegidos por um grupo de folhas modificadas conhecidas por periquetas. Os
arquegónios são pequenos grupos de células em forma de taça com um pescoço
aberto (venter), através do qual o gâmeta masculino (anterozoides ou esperma)
penetra e nada até ao óvulo, a oosfera. Os órgãos masculinos são conhecidos
como anterídios e são fechados por folhas modificadas que formam uma
estrutura designada por perigónio. Em alguns musgos, as folhas circundantes
dos órgãos sexuais formam uma taça que, ao encher de água da chuva, permite Ciclo de vida de um musgo.
a formação de respingos pela queda de gotículas de água da chuva, permitindo
que o anterozoide contido no copo seja transportado pelos salpicos para as
plantas vizinhas.

Os musgos podem ser tanto dioicos (semelhante à dioecia nas plantas com flor)
ou monoicos (semelhante à monoecia nas plantas com flor). Nos musgos
dioicos, os órgãos sexuais masculinos e femininos são suportados em diferentes
plantas gametófitas. Em musgos monoicos (também por vezes chamados
autoicos), os órgãos de ambos os sexos são produzidos na mesma planta. Na
presença de água, o anterozoide libertado pelo anterídio move-se até ao
arquegónio e ocorre a fertilização, levando à produção de um esporófito
diploide. Os anterozoides dos musgos são biflagelados, isto é, apresentam dois
flagelos que ajudam na propulsão no percurso entre o anterídio e o arquegónio.
Uma vez que o anterozoide necessita de nadar até ao arquegónio, a fertilização Um tufo de musgos com gametófitos (as estruturas
baixas semelhantes a folhas) e esporófitos (as
não pode ocorrer sem água. Algumas espécies (por exemplo, Mnium hornum e
estruturas altas, pedunculadas).
várias espécies de Polytrichum) mantêm em torno dos anterídios as chamadas
"taças de salpico", estruturas em forma de taça que se enchem de água da chuva
e permitem que as gotas de chuva formem salpicos cujas gotículas transportam
os anterozoides a vários decímetros de altura, aumentando a distância de
fertilização.[8]

Após a fertilização, o zigoto inicia um rápido processo de divisão celular


produzindo um esporófito imaturo que força o seu alongamento através do tubo
do arquegónio (o canal do ventre ou venter), emergindo sobre a planta-mãe. O
esporófito demora de 3 a 6 meses a atingir a maturidade. O corpo do esporófito
é constituído por um longo e fino talo, designado por seta, que termina numa
cápsula encerrada por uma estrutura designada por opérculo. A cápsula e o
opérculo são, por sua vez, envoltos por uma estrutura em forma de coifa, a
caliptra (coifa), que é haploide, dado constituir o resíduo do tubo de arquegónio Caliptra do musgo Tortula muralis.
deslocado pelo crescimento do esporófito. A caliptra geralmente murcha e cai
quando a cápsula está madura.

No interior da cápsula, as células produtoras de esporos sofrem repetidas meioses, dando origem a esporos haploides, os quais, após serem
libertados para o ambiente, vão germinar e começar novo ciclo de vida.

Embora possa estar ausente em alguns musgos, a abertura da cápsula, a boca, é geralmente rodeada por um conjunto de dentículos que forma
uma estrutura designada porperistoma. A função do peristoma é, após adeiscência, ajudar na dispersão dos esporos.

Embora a hidrocoria e a zoocoria tenham sido observadas, a maioria das espécies de musgos é anemocórica, dependendo do vento para
dispersar os esporos. Alguns géneros desenvolveram estratégias de dispersão que envolvem, para além da presença de um peristoma
denticulado, mecanismos de ejecção dos esporos da cápsula para o ar. Um dos mais notáveis é o género Sphagnum, cuja cápsula projecta os
esporos a 10-20 cm acima da planta utilizando a libertação explosiva de ar comprimido dentro da cápsula, mecanismo que é capaz de imprimir
uma grande aceleração inicial aos esporos.[9][10]

Fertilização por animais


Tal como acontece com as plantas com flor, a fertilização dos musgos também aproveita da mobilidade de animais, especialmente de
microartópodos como os colêmbolos (Collembola) e os ácaros (Acari), que podem transportar os anterozoides entre plantas e favorecer a
fertilização[11] ou dispersar os esporos, sendo o processo mediado porodores emitidos pelos musgos.

Estudos realizados sobre a espécie Ceratodon purpureus (Dicranales) demonstraram que as plantas masculinas e femininas emitem diferentes e
complexos odores através da produção de compostos orgânicos voláteis distintos.[12] As plantas femininas emitem mais compostos odorantes
do que as plantas masculinas e durante o estudo oscolêmbolos escolheram preferencialmente as plantas do sexo feminino. Um estudo descobriu
que a presença de colêmbolos aumenta a taxa de fertilização do musgo, sugerindo uma relação mediada pela emissão de odores, análoga à
relação planta-polinizador encontrada em muitasplantas com semente.[12]

A espécie Splachnum sphaericum (Splachnales) apresenta mecanismos sofisticados de polinização por insectos, em tudo semelhantes aos
utilizados pelas plantas com flor, atraindo moscas para os seus esporângios através da emissão de um cheiro forte a carniça e fornecendo uma
forte sugestão visual sob a forma de um anel saliente de coloração vermelha localizado abaixo de cada cápsula de esporos. As moscas atraídas
pelo musgo carregam os esporos para as fezes frescas de herbívorosbosta),
( [13]
o habitat preferido das espécies deste género de musgos.

Reprodução vegetativa
A reprodução vegetativa também está presente nos musgos já que muitas espécies, entre as quais Ulota phyllantha (Orthotrichales), produzem
estruturas vegetativas verdes, pequenas gemas, nos filídios ("folhas") e nos caulídios (hastes). As gemas separam-se da planta-mãe e são
arrastadas pelo vento ou pela água e formam novas plantas sem necessidade de percorrer o ciclo de fertilização. Esta é uma forma de
reprodução assexual, e os indivíduos geneticamente idênticos a que dão origem podem conduzir à formação de populações
clonais.

Nanismo das plantas masculinas


Nas espécies de musgosdioicas, onde existem indivíduos exclusivamente com órgãos reprodutores masculinos, é frequente o surgimento de um
fenómeno de nanismo masculino. Este fenómeno, designado por filodioicia, é comum em animais marinhos, mas que entre as plantas terrestres
apenas foi observado nos briófitos.[14]

O nanismo das plantas masculinas (filodioicia) ocorre principalmente quando esporos dispersos pelo vento germinam sobre plantas femininas
dando origem a plantas masculinas, ficando o seu crescimento restrito a alguns milímetros. Em algumas espécies o nanismo é geneticamente
determinado, sendo que todos os esporos que dêem origem a plantas masculinas ao germinar produzem espécimes anãs.[15] Contudo, é mais
frequente que o nanismo seja determinado por factores ambientais, ficando restrito aos esporos que germinem sobre plantas femininas, enquanto
[15][16][17][18]
que os que germinam isoladamente, apesar de masculinos, atingem dimensões semelhantes às das plantas femininas.

Neste último caso, sendo o nanismo determinado pela presença da planta feminina, as plantas masculinas anãs, quando transplantadas de junto
das plantas femininas para outro substrato, desenvolvem rebentos de dimensões normais. Esta constatação sugere que são as plantas femininas
que emitem substâncias que inibem o crescimento das plantas masculinas que sobre elas crescem e que possivelmente também aceleram o
aparecimento da maturação sexual.[17][18] A natureza dessa substância, ou substâncias, é desconhecida, mas a fitormona auxina poderá estar
envolvida.[15]

O nanismo das plantas masculinas que crescem sobre plantas femininas deverá aumentar a eficiência da fertilização ao minimizar a distância
entre os órgãos reprodutivos masculinos e femininos. Apontando nesse sentido, foi observado que a frequência de fertilização está
positivamente correlacionada com a presença de plantas masculinas afectadas por nanismo em várias espécies ondefilodioicia
a ocorre.[19][20]

Plantas masculinas anãs ocorrem em diversas linhagens filogeneticamente afastadas[20][21] e está a ser demonstrado ser mais comum do que
previamente se acreditava.[20] Por exemplo, estima-se que entre 25% a 50% de todas as espécies de musgos pleurocárpicos com dioicia
apresentam nanismo masculino.[20]

Reparação das cadeias de ADN


A espécie de musgo Physcomitrella patens tem sido utilizada como organismo modelo para estudar as formas como as plantas reparam o ADN
após danos sofridos no seumaterial genético, especialmente o mecanismo de reparação conhecido porrecombinação homóloga.[22]

Se a planta não consegue reparar os danos no ADN das suas células somáticas, por exemplo os resultantes de quebra em cadeias duplas, as
células podem perder a sua função normal ou podem morrer. Se tal ocorre durante o processo de meiose (parte do ciclo de reprodução sexual),
podem ficar inférteis.[22]
O genoma de P. patens foi sequenciado, o que tem permitido a identificação de diversos genes envolvidos na reparação do ADN.[22] Espécimes
mutantes de P. patens que apresentam defeitos em passos chave do processo de recombinação homóloga têm sido utilizados para estabelecer a
forma como o mecanismo de reparação funciona nas plantas. Por exemplo, um estudo conduzido com recurso a uma linhagem mutante de P.
patens que apresenta defeitos em RpRAD51, um gene que codifica a proteína que está no centro da reacção de reparação recombinacional,
[23]
produziu resultados que indicam que a recombinação homóloga é essencial para reparar rupturas de dupla cadeia no ADN desta planta.

Da mesma forma, estudos realizados com mutantes que apresentam defeitos nos genes
Ppmre11 ou Pprad50 (que codificam uma proteína chave
do complexo MRN, o principal sensor de rupturas de dupla cadeia de ADN) mostram que estes genes são necessários para a reparação de danos
[24]
no ADN, bem como para o normal crescimento e desenvolvimento da planta.

História geológica
O registo fóssil dos musgos é esparso devido à sua natureza frágil e ao predomínio de estruturas com paredes macias e facilmente decompostas.
Fósseis de musgos livres de ambiguidade foram recuperados de estratos tão antigos como depósitos do Pérmico inferior da Antártida e Rússia, e
num caso são apontados fósseis de musgos datados do Carbonífero.[25] Tem sido proposto que fósseis de estruturas tubulares datadas do
Silúrico são restos macerados dacaliptra de musgos.[26]

Os musgos parecem evoluir 2–3 vezes mais lentamente que ospteridófitos (fetos), gimnospérmicas e angiospérmicas.[27]

Investigação recente mostra que o rápido desenvolvimentos dos musgos poderá explicar a origem das idades do gelo que ocorreram no
Ordoviciano. Quando os ancestrais dos atuais musgos começaram a se expandir na terra há cerca de 470 milhões de anos, absorveram grandes
quantidades de CO2 da atmosfera terrestre e extraíram minerais das rochas, secretando ácidos orgânicos que dissolveram as rochas sobre as
quais se fixaram. As rochas quimicamente alteradas, por sua vez, reagiram com o CO2 atmosférico e contribuíram para a formação de novas
rochas carbonatadas cálcicas no oceano em resultado do arraste pela erosão de iões de cálcio e magnésio libertados das rochas silicatadas da
crusta terrestre.[28]

As rochas degradadas também libertaram grandes quantidades de fósforo e ferro que acabaram nos oceanos, onde causaram grande crescimento
de algas, resultando no sequestro de mais carbono do ar sob a forma de carbono orgânico, extraindo mais dióxido de carbono da atmosfera.
Pequenos organismos decompondo os nutrientes criaram grandes áreas anóxicas (pobres em oxigénio), o que resultou numa extinção em massa
[28][29]
de espécies marinhas, enquanto os níveis de CO2 caíam em todo o mundo, permitindo a formação de calotas de gelo sobre os polos.

Classificação
A etimologia do vocábulo «musgo» provém do termo latino muscu,[30] utilizado para
designar de forma genérica os briófitos.

Tradicionalmente, os musgos eram agrupados juntamente com os membros dos grupos


Marchantiophyta (hepáticas) e Anthocerotophytas (antóceros) na divisão Bryophyta
(briófitos ou Bryophyta sensu lato), na qual os musgos eram classificados na classe
Musci. Esta definição de Bryophyta, no entanto, é parafilética, pelo que nas modernas
classificações tende a ser separada em três divisões: (1) Bryophyta sensu stricto; (2)
Marchantiophyta; e (3) Anthocerotophyta. Nestas classificações, a divisão Bryophyta
sensu stricto contém exclusivamente os musgos.[31][32]

Na presente circunscrição taxonómica do agrupamento, nele incluindo apenas os


musgos, a classificação mais consensual das briófitas organiza a divisão Bryophyta
sensu stricto nas seguintes oito classes:[33]

Divisão Bryophyta sensu stricto

Subdivisão Takakiophytina

Classe Takakiopsida
Subdivisão Sphagnophytina "Muscinae" (ilustração deKunstformen der
Natur de Ernst Haeckel , 1904).
Classe Sphagnopsida
Subdivisão Bryophytina

Classe Andreaeopsida
Classe Andreaeobryopsida
Classe Oedipodiopsida
Classe Tetraphidopsida
Classe Polytrichopsida
Classe Bryopsida

Tendo em conta os actuais conhecimentos dafilogenia e composição dos Bryophyta, é possível construir o seguintecladograma.[2][34]

Marchantiophyta (hepáticas)

Anthocerotopsida (antóceros)

Tracheophyta (plantas vasculares

Takakiophytina Takakiopsida

Sphagnophytina Sphagnopsida

Andreaeopsida

Andreaeobryopsida
Bryophyta sensu stricto
Oedipodiopsida
Bryophytina
Polytrichopsida
Neomusci
Cenomusci Tetraphidopsida
Altamusci
Bryopsida

Seis da oito classes de briófitos contêm cada apenas um ou dois géneros. A classe Polytrichopsida inclui 23 géneros e a classeBryopsida agrupa
a maioria da diversidade dos musgos, com mais de 95% das espécies descritas a pertencer a este grupo.

A classe Sphagnopsida, os musgos formadores de turfeiras, para além de taxa conhecidos apenas do registo fóssil, agrega apenas dois géneros
extantes, Ambuchanania e Sphagnum. Contudo, o género Sphagnum é rico em diversidade, apresenta distribuição natural muito alargada e
grande importância económica na formação de turfas e no uso como material. Estes musgos de grandes dimensões contribuem para a formação
de extensos pântanos acídicos, as turfeiras, com grandes implicações no ciclo hidrológico e na taxa de decomposição da matéria orgânica e na
retenção de carbono da atmosfera. Os filídios (folhas) das espécies do génerosSphagnum apresentam uma alternância de grandes células mortas
com células fotossintéticas, servindo as células mortas para armazenar água. Para além destas características únicas, que permitem a estas
plantas armazenar grandes volumes de água, distinguem-se dos restantes musgos por apresentarem um protonema taloso ramificado (com
aspecto achatado e expandido) eesporângios que rompem na maturidade numa forma explosiva dedeiscência.

As classes Andreaeopsida e Andreaeobryopsida distinguem-se pelos rizoides bisseriados (com duas filas de células), pelo protonema
multisseriado (muitas camadas de células) e por esporângios que, ao contrário da maioria dos musgos que apresenta cápsulas que abrem no topo
na deiscência, fendem ao longo de linhas longitudinais.

A classe Polytrichopsida apresenta filídios (folhas) com conjuntos paralelos de lamelas, abas de células ricas em cloroplastos que formam
"folhos" laterais. Estas células para além da sua função fotossintética podem a ajudar a conservar humidade ao recobrirem parcialmente as
superfícies onde ocorre a troca de gases com a atmosfera. Os membros da classe Polytrichopsida diferem dos restantes musgos em vários
detalhes do seu desenvolvimento e anatomia, podendo atingir dimensões maiores do que quaisquer outros musgos. Por exemplo, a espécie
Polytrichum commune forma tufos com até 40 cm de altura, mas o musgo mais alto que se conhece, também um membro dos Polytrichidae, é
provavelmente Dawsonia superba, uma espécie nativa daNova Zelândia e outras partes da Australásia.

Ecologia e conservação

Habitat
Os gametófitos dos musgos são autotróficos fotossintéticos, pelo que requerem
suficiente luz solar para que a fotossíntese possa ocorrer com suficiente eficiência.[35]
Como a tolerância ao ensombramento varia com a espécie, tal como ocorre com as
restantes plantas, a radiação solar é um dos principais factores limitantes à distribuição
espacial dos musgos. Contudo, a maior parte dos musgos, ao contrário do que ocorre
com as plantas vasculares, apresenta sérias dificuldades em manter a hidratação em
situações de insolação directa, razão pela qual a maioria das espécies ombrófila.
é

As limitações em hidratação, típicas das plantas avasculares, levam a que na maior parte
dos biomas os musgos ocupem maioritariamente habitats que correspondem a biótopos
húmidos e sombrios, tais como áreas florestadas e margens de cursos de água e encostas Densa massa de colónias de musgos
íngremes voltadas para ângulos em que o sol não ilumina directamente, falésias e epífitos sobre árvores numa floresta
despenhadeiros. Note-se que em regiões de clima frio e húmido, especialmente quando costeira.
correspondem a grande frequência de céus nublados ou de ocorrência de nevoeiros, os
musgos podem ocupar qualquer tipo de habitats, mesmo os mais expostos à radiação
solar directa. Apesar das limitações apontadas, existem espécies de musgos adaptadas a
habitats ensolarados e sazonalmente secos, tais como os rochedos alpinos, os muros e as
calçadas ou dunas consolidadas.

A escolha do substrato também varia substancialmente de acordo com as espécies. As


espécies de musgo podem ser classificadas em função da preferência por classes de
substrato, sendo comum agrupar as espécies, ou grupos de espécies, entre outras, nas
seguintes categorias: (1) musgos típicos das rochas e dos substratos rochosos; (2) Musgos com esporófitos bem
musgos típicos dos solos minerais expostos; (3) musgos típicos dos solos perturbados, desenvolvidos sobre uma rocha nua.
grupo que inclui a maioria das espécies ruderais; (4) musgos típicos dos solos ácidos e
zonas húmidas fortemente acidificadas, grupo que inclui as espécies típicas das turfeiras
e dos pântanos distróficos; (5) musgos típicos dos solos calcários e das rochas detríticas
carbonatadas; (6) musgos típicos das áreas de nascentes difusas de água em falésias e das
áreas de pulverização de cascatas; (7) musgos das zonas permanentemente encharcadas
das margens de cursos de água; (8) musgos dos solos humosos fortemente ensombrados,
típicos do sub-bosque de florestas; (9) musgos dos troncos caídos, troncos e restos de
madeira queimados, bases dos troncos de árvores; e (10) musgos epífitos e epífilos
crescendo sobre troncos e ramos de árvores, caules e folhas.

As espécies de musgos que crescem sobre as árvores ou à sua sombra imediata são Musgos numa turfeira.
muitas vezes específicas, aparecendo sempre associadas a determinadas espécies
arbóreas, ou grupo de espécies. Existem espécies que preferem coníferas em detrimento
de árvores de folha larga, espécies que preferem os carvalhos face às faias e outras
espécies similares, e vice-versa.[7] Apesar de ser muito frequente encontrar musgos que
crescem sobre as árvores comoepífitas, nunca são parasitas às árvores.

Os musgos também ocorrem com frequência em estruturas construídas, incluindo em


fissuras entre pavimentos de estradas e ruas nas épocas de maior disponibilidade de
humidade e sobre telhados e coberturas de edifícios. Algumas espécies adaptadas a áreas
perturbadas e ensolaradas estão bem adaptadas às condições urbanas e são
frequentemente encontradas nas cidades e em áreas fortemente ruderalizadas. Exemplos
dessas espécies são Rhytidiadelphus squarrosus, frequente em cidades do noroeste da Esporófitos jovens de Tortula muralis.
América do Norte, Bryum argenteum, um musgo cosmopolita comum em calçadas, e
Ceratodon purpureus, um musgo avermelhado, cosmopolita, comum sobre telhados nas
regiões temperadas e subtropicais.

Algumas musgos são totalmente aquáticos, como ocorre com a espécie Fontinalis antipyretica, um musgo comum em águas estagnadas, e
outros, como os membros do género Sphagnum, habitam pântanos, turfeiras e cursos de água de escoamento muito lento.[7] Estes musgos
aquáticos estão libertos das restrições impostas pela dificuldade de manter a hidratação na falta de estruturas vasculares eficientes, pelo que
podem exceder em muito o comprimento médio dos musgos terrestres, sendo, por
exemplo, comuns plantas com mais de 20-30 cm entre as espécies deSphagnum.

Por outro lado, a fertilização nos musgos requer que o anterozoide (o esperma
masculino) nade até atingir a oosfera. Esse requisito implica que, independentemente do
tipo de habitat de ocorrência, os musgos requeiram a presença de água líquida durante
pelo menos parte do ano para poderem completar a fertilização. Apesar disso, muitos
musgos podem sobreviver durante períodos de dessecação, por vezes de alguns meses de
[35]
duração, revivendo em poucas horas após a re-hidratação.
Musgos sobre uma estrutura de retenção
Considera-se que em geral, particularmente nas latitudes mais elevadas do hemisfério de terras.
norte, o lado norte das árvores e das rochas geralmente apresenta um crescimento de
musgos mais luxuriante do que os outros lados.[36] A explicação assumida assenta na
maior insolação do lado sul, a qual cria um ambiente mais seco e por isso menos
propício ao desenvolvimento muscinal. A sul do equador, o inverso seria verdadeiro. No
entanto, os naturalistas apontam que os musgos na realidade crescem melhor no lado
mais húmido das árvores e das rochas, independentemente da orientação.[6] Em alguns
casos, especialmente nos climas ensolarados em latitudes temperadas do norte, este será
o lado norte, mais sombreado, da árvore ou da rocha. Em encostas íngremes, pode ser o
lado voltado para a parte mais alta. Para os musgos que crescem nos ramos das árvores,
o lado mais húmido é geralmente o lado superior do ramo em troços que se posicionam
horizontalmente ou perto das ramificações. Em climas húmidos com céus
frequentemente nublados, todos os lados dos troncos e das rochas podem ser igualmente Jardins de musgos em Bloedel Reserve,
suficientemente húmidos para um bom desenvolvimento dos musgos. Por outro lado, Bainbridge Island, Washington State.
diferentes espécies de musgos apresentam diferentes requisitos de humidade e
ensombramento, crescendo em diferentes secções da mesma árvore ou rocha.

Relação entre musgos e cianobactérias


Nas florestas boreais, algumas espécies de musgos desempenham um importante papel no fornecimento de azoto assimilável ao ecossistema
devido à sua relação com cianobactérias fixadoras de azoto. Nesta relação de carácter simbiótico, as cianobactérias colonizam os musgos, dos
quais recebem suporte físico para permanecerem expostas à radiação solar, abrigo e hidratação, e em troca proporcionam azoto fixo. Por sua vez
os musgos, quando decompostos ou por lixiviação, libertam para o solo o azoto fixo juntamente com outros nutrientes, especialmente "após
[37]
perturbações como ciclos de secagem-hidratação e eventos de fogo", tornando-o disponível para todo o ecossistema.

Conservação
O principal factor de risco para a conservação das espécies de musgos é a destruição de habitat, especialmente a desflorestação e as queimadas.
Outro factor de risco é o uso de herbicidas e a poluição, já que muitas espécies de briófitos são sensíveis à presença de compostos químicos.

Etnobotânica

Cultivo
Os musgos são frequentemente considerados comoervas daninhas em relvados, mas em alguns casos são deliberadamente encorajados a crescer
por razões estéticas ou princípios filosóficos, situação bem exemplificada nos jardins tradicionais japoneses. Na cultura japonesa, nos antigos
jardins dos templos, os musgos podem ser utilizados para embelezar uma cena de floresta, considerando-se que adicionam uma sensação de
calma, idade e quietude às paisagens de jardim. O musgo também é usado em técnicas bonsai para recobrir o solo e coadjuvar na criação da
impressão de idade avançada das plantas.[38]

As regras de cultivo dos musgos não estão amplamente estabelecidas. As colecções de musgo são muitas vezes iniciadas usando amostras
transplantadas da natureza em sacos de retenção de água. No entanto, algumas espécies específicas de musgo podem ser extremamente difíceis
de manter fora do seu habitat natural, dados os seus complexos requisitos únicos de combinações de luz, humidade do ar e do solo, química do
substrato, abrigo de vento e outros factores ambientais.
As técnicas de cultivo de musgos a partir de esporos são ainda menos conhecidas. Os esporos dos musgos caem constantemente sobre as
superfícies expostas, trazidos pelo vento e pela chuva. As superfícies com condições favoráveis para determinada espécie de musgo serão
tipicamente colonizadas por esse musgo após alguns anos de exposição ao vento e à chuva. Materiais porosos e capazes de reter humidade,
como tijolos, madeiras e certas misturas de betão grosso e poroso são facilmente colonizadas por musgos desde que tenham humidade adequada
e ensombramento. As superfícies também podem ser preparadas utilizando substâncias ácidas, incluindo soro de leite, iogurte, urina ou misturas
suavemente moídas de musgo, água ecomposto (de preferência acídico obtido porcompostagem de ericáceas).

Em regiões de clima frio e húmido, como nas regiões costeiras do noroeste da América do Norte, os musgos são por vezes deixados
naturalmente crescer como um substituto dos relvados, por precisarem de pouca ou nenhuma manutenção, não sendo necessário o corte,
[39]
fertilização ou rega. Neste caso, asgramíneas da relva são consideradas como as ervas daninhas.

Os paisagistas da área deSeattle, por vezes, recolhem pedregulhos e troncos derrubados contendo musgos para posterior instalação em jardins e
paisagens urbanas. Os jardins florestados de muitas partes do mundo podem incluir um tapete de musgos naturais.[35] A Bloedel Reserve, na
ilha de Bainbridge, no estado de Washington, é famosa pelo seu jardim de musgos. Aquele jardim de musgos foi criado pela remoção dos
arbustos do sub-bosque e da cobertura herbácea e pelo desbaste das árvores de forma a permitir que os musgos preenchessem naturalmente o
espaço deixado livre.[40]

Os musgos são por vezes utilizados na construção de telhados verdes. As vantagens dos musgos sobre as plantas superiores na construção de
coberturas de edifícios incluem cargas de peso mais reduzidas, aumento da absorção de água, ausência de requisitos de fertilizantes e alta
tolerância à seca. Como os musgos não possuem verdadeiras raízes, exigem menos meio de plantio do que as plantas superiores com sistemas
radiculares extensos. Com uma selecção de espécies adequadas ao clima local, os musgos utilizados nos telhados verdes não precisam de
[41]
irrigação uma vez estabelecidos e são de muito baixa manutenção.

Inibição do crescimento de musgos


Os musgos podem causar sérios prejuízos em viveiros, especialmente quando as plântulas são cultivadas em vasos ou contentores similares, e
em alguns tipos de estufas.[42] Nestes casos, o crescimento vigoroso de musgos pode inibir a germinação ou a emergência das plântulas e a
penetração da água e dos fertilizantes até às raízes das plantas.

O crescimento dos musgos pode ser inibido recorrendo a vários métodos, entre os quais:

Diminuição da disponibilidade deágua através de drenagem;


Aumento da luz solar directa;
Aumento de número e recursos disponíveis para plantas competitivas, como gramíneas;
Aumento do pH do solo com a aplicação decal;
Aumento do pisoteio ou perturbação manual da camada de musgo com um ancinho;
Aplicação de produtos químicos tais comosulfato ferroso (por exemplo, em relvados) oulixívia (por exemplo, em superfícies
impermeabilizadas);
Em operações de viveirista em contentores, a aplicação de materiais minerais grosseiros, como areia, cascalho e rocha, é
utilizada para permitir a drenagem rápida da superfície dos recipientes de plantas, o que desencoraja o crescimento de
musgos.
A aplicação de produtos que contenham sulfato ferroso ou sulfato ferroso amónico (sal de Mohr) mata os musgos, pelo que esses ingredientes
são típicos em produtos comerciais de controlo de musgo e emadubos para relvado que tenham esse objectivo adicional. Oenxofre e o ferro são
nutrientes essenciais para algumas plantas concorrentes, como as gramíneas. Destruir os musgos presentes não impedirá o crescimento de novos
[43]
musgos, a menos que as condições favoráveis ao seu crescimento sejam alteradas.

Muscinários
No norte da Europa e na América do Norte existiu no final do século XIX uma moda passageira de criação de colecções vivas de musgos,
conhecidas por muscinários (em inglês mosseries). Essa moda levou ao estabelecimento de colecções em muitos jardins botânicos britânicos e
norte-americanos.

Aquelas estruturas são tipicamente construídas a partir de abrigos em barrotes e pranchas de madeira, com telhado plano, abertos do lado norte
(mantendo assim sempre a sombra). Amostras de musgos eram instaladas nas fendas entre os lâminas de madeira. Os musgos assim cultivados
são regularmente humedecidos para manter o crescimento.
Usos tradicionais
As sociedades pré-industriais utilizaram os musgos que cresciam nas suas regiões para múltiplos usos, com destaque para os povos das regiões
circumpolares da Eurásia e da América do Norte.

Os lapões e muitas tribos norte-americanas usaram musgos para confeccionar camas.[6][35] Os musgos também foram usados como isolamento
térmico, tanto para habitações quanto roupas. Tradicionalmente, em alguns países escandinavos e na Rússia musgo seco era usado como
isolamento entre toros em cabanas de troncos. Também as casas tribais do nordeste dos Estados Unidos e do sudeste do Canadá usavam musgo
para preencher fendas em casas de madeira.[35] Os povos das regiões circumpolares e alpinas usaram musgos para isolamento em botas e luvas.
[35]
Ötzi, o Homem do Gelo dos Alpes, tinha botas preenchidas com uma camada isolante de musgo.

Nas regiões europeias onde ocorreesfagno era comum o seu uso na confecção de almofadas e em trabalhos de estofador
.

A capacidade do musgo seco para absorver fluidos tornou o seu uso prático tanto para fins médicos como culinários. Os povos tribais da
[35]
América do Norte usavam musgos parafraldas, compressas para feridas e para absorção do fluido menstrual.

As tribos do Pacífico Noroeste, nos Estados Unidos e Canadá, usaram os musgos para limpar o salmão antes da secagem e para assar a fogo
lento e cozer a vapor bolbos de Camassia (quamash ou camas) em escavações cheias de musgo molhado que ardia lentamente, mantendo
temperaturas elevadas e saturação de vapor de água durante muitas horas. As cestas de armazenamento de alimentos e cestas de fervura de
[35]
alimentos destes povos eram também forradas com musgos.

Nas regiões rurais do Reino Unido, a espécie Fontinalis antipyretica era tradicionalmente utilizada para extinguir fogos, já que pode ser
facilmente encontrada em grandes quantidades e rapidamente recolhida nas margens de cursos de água lentos, sendo capaz de reter grandes
volumes de água que ajudavam a apagar as chamas. Este uso histórico está reflectido no seu epíteto específico antipyretica, cujo significado
aproximado é "contra o fogo".

Na Finlândia, musgos das turfeiras foram usados para fazer pão em períodos defome.[44]

Usos comerciais presentes


Continua a existir um mercado substancial para musgos recolhidos da natureza. Os usos
para os musgos em espécie estão principalmente no comércio florista e para a decoração
do lar. No México, os musgos são utilizados em decorações natalícias, o mesmo
ocorrendo em Portugal, Espanha e diversas regiões de tradição ibérica.

Entre os produtos derivados dos musgos, especialmente do género Sphagnum, merece


particular destaque a turfa, de que são o principal componente, extraída para uso como
combustível, como aditivo do solo em horticultura e jardinagem e para defumar malte na
produção de whisky escocês (Scotch whisky).

Num outro uso similar, musgos do géneros Sphagnum, conhecidos por esfagnos,
Biorreactor (biorreactor de musgos) para
geralmente da espécies S. cristatum e S. subnitens, são colhidos enquanto ainda em cultivo da espécie Physcomitrella patens.
crescimento e secos para serem usados em viveiros e na horticultura como meio de
cultura de plantas.

A prática da colheita de esfagno não deve ser confundida com a colheita de turfa. O esfagno pode ser colhido de forma sustentável e orientada
para que volte a crescer, enquanto que a colheita de "turfa de musgo" geralmente é considerada como causa de danos ambientais significativos,
pois as turfeiras são exploradas com pouca ou nenhuma oportunidade de recuperação.

Alguns esfagnos podem absorver volumes de água correspondentes a 20 vezes o seu próprio peso seco.[45] Essa propriedade levou a que na
Primeira Guerra Mundial se utilizassem musgos do género Sphagnum como compressas de primeiros socorros no tratamento de soldados
feridos, já que aquelas compressas absorvem líquidos três vezes mais depressa do que o algodão, são capazes de reter melhor os líquidos,
distribuir melhor os líquidos através da estrutura da compressa e eram consideradas pelos feridos como mais frescas, suaves e menos
irritantes.[45] Também se afirmava que tinham suaves propriedades antibacterianas. O seu uso comercial começ
a a ganhar novamente interesse.

Alguns povos nativos das Américas que costumavam usar Sphagnum para confeccionar fraldas e lenços sanitários continuam com essa prática
no Canadá.[46]
A espécie Physcomitrella patens está a ser usada de forma crescente em biotecnologia. Entre os mais importantes exemplos deste uso conta-se a
identificação de genes dos musgos com implicações para a melhoria genética de cultivares ou para a saúde humana[47] e o desenvolvimento de
técnicas seguras de fabricação de produtos biofarmacêuticos complexos em biorreactores de musgos desenvolvidos pela equipa científica
liderada por Ralf Reski.[48]

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Ver também
Embryophyta
Líquen

Ligações externas
Information, diagrams and photos
Moss description
Moss grower's handbook- 2.39MB, PDF file
The British Bryological Society
Picture Gallery of Mosses
World of Mosses - Watercolour paintings of moss by Robert Muma
Tree of life - Bryophyta (texto em inglês).
Ordem Musci em Jussieu, Antoine Laurent de (1789). G" enera Plantarum, secundum ordines naturales disposita juxta
methodum in Horto Regio Parisiensi exaratam "
Ordem Musci em Gallica
Encyclopædia Britannica online

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