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EXERCÍCIOS

ELEMENTOS MORFOLÓGICOS E PROCESSOS DE FORMAÇÃO


Profa. Fernanda Zucarelli

(UFC - adaptada) Em Os verdes abutres da colina, encontram-se vocábulos de origem tupi, como é o caso do topônimo Acaraú,
que pode significar “rio dos acarás”. Abaixo seguem alguns outros nomes de origem tupi, que você deve examinar para resolver as
questões 01 e 02.

Ibipiranga: ‘terra vermelha’ Itaú: ‘rio de pedras’


Ibiúna: ‘terra preta’ itatinga: ‘pedra branca’
ibituba: ‘abundância de terras’ itapiranga: ‘pedra vermelha’
piratuba: ‘abundância de peixes’ pacatuba: ‘abundância de pacas’
maracanatuba: ‘abundância de maracanãs’ caatinga: ‘mato branco’
ocatinga: ‘casa branca’ Ubatuba: ’abundância de palmeiras’

1) Extraia dos exemplos acima o segmento que, em tupi, significa:


Terra _______________________ Mato ______________________
Peixe _______________________ Pedra _____________________
Palmeira _______________________ Casa _____________________

2) Escreva, em tupi, a palavra que traduz a ideia das expressões abaixo:


Casa preta___________________Rio de maracanãs_____________________
Terra branca_____________________ Casa de pedras___________________

3) (UFC) Para responder esta questão, utilize o quadro que segue.

Em: – O noivo de Florzinha! Disseram as três, por meio de um choque isócrono de cotovelos, a palavra destacada significa ao
mesmo tempo, ou seja, as duas personagens tocaram no cotovelo uma da outra ao mesmo tempo.

ISO + CRONO

MESMO TEMPO

Forme uma palavra para cada item abaixo, utilizando as informações dadas.

a) instrumento usado na medição dos intervalos de tempo =


b) que tem sons ou vozes diferentes =
c) casamento com pessoa do mesmo grupo social =
d) estudo da divisão do tempo e fixação de datas =
e) estudo do som =
f) que tem dedos iguais =
g) que ocorre fora do tempo habitual =
h) que tem só um dedo =
i) acasalamento com um só =
j) escrita, ou representação gráfica, dos sons =

4) (UEMS) Os elementos em negrito nas palavras: “dignidade”, lamentável”, “altíssimo” e “otimamente” veiculam,
respectivamente, as seguintes noções:

a) intensidade – modo – qualidade – possibilidade


b) qualidade – possibilidade – intensidade – modo
c) qualidade – agente – finalidade – origem
d) possibilidade – intensidade – qualidade – direção
e) agente – negação – finalidade – circunstância
Leia com atenção

As Palavras Invenetas*

Atenção, críticos dos governos Lula e Fernando Henrique, seu repertório esculhambativo está prestes a se multiplicar.
"Brasilha" é um lugar cercado de isolamento por todos os lados e "chiclética", a moral que se abandona com facilidade. Mas é
preciso cuidado para não entrar numa “ ecolojinha”, vendendo a natureza como se cuidasse dela. Mais atenção ainda tenham os
muito malas. "Filosofisma" batiza a fala vazia, cheia de pompa, e "chatosfera" é a sala de batepapo furado.
Atenção todos: chegou novo vocabulário na praça, de palavras que não existem, mas encaixam feito luva às situações e
conceitos que projetam. Elas estão no Pequeno Dicionário Ilustrado de Palavras Invenetas, um ricamente ilustrado vocabulário
de palavras inexistentes, criadas pelo arquiteto, designer e jornalista Marcílio Godói, para quem inventar uma palavra é criar um
lugar, alargar uma fronteira.
- Em geral, as pessoas tratam a palavra como se fosse uma coisa pura e pronta. Mas mesmo os puristas notaram que a
língua é ser em movimento, é massa que se molda. É guiada, não guia. O livro é um convite a que todos façam palavras. É uma
aposta para ver se as pessoas percebem outras fronteiras do idioma - diz Godói. Não nego à língua o termo de entretenimento. O
idioma tem de fazer as pessoas brincarem. A brincadeira é a primeira maneira de a criança ficar interessada pelo idioma.
Em suas atividades profissionais, ao longo dos anos, Godói desenvolveu com as palavras um forte senso de economia. -
Quando invento uma expressão como "classisísmico", o estilo retrô que abala a arquitetura atual, é a isto que remeto: uma
sociedade que perdeu o senso da crítica não registra o próprio tempo nas coisas que faz.
O livro aspira deliberadamente ampliar a rede de sentidos dos vocábulos, em fogosa brincadeira, em deleitosa poesia.
Que inventar uma palavra pode ser uma tentação mais forte do que nós. Significa introduzir um conceito que, por princípio, não
existia, mas a necessidade de representação dele assim o exigiu. É impor como realidade uma representação intermediária, um
modo particular de ver as coisas que, bem-sucedido, se expande a um grupo maior de pessoas, quem sabe a toda uma época.
Essa é a utopia que transforma um livro divertido na superfície em algo muito mais ambicioso no projeto.

* Invenetas = que dão na veneta.


Costa Pereira Junior, Luiz. Revista Língua Portuguesa,
n° 29, 2008. (adaptado)

5) (UFSM/PEIES) Na coluna da esquerda, apresentam-se ilustrações retiradas da própria obra de Marcílio Godói; na coluna da
direita, palavras invenetas definidas no início do texto (§ 1). Com base nessas definições e na leitura atenta das ilustrações,
associe as colunas.

A sequência correta é
a) 5 - 3 - 1.
b) 1 - 3 - 4.
c) 2 - 3 - 4.
d) 5 - 4 - 3.
e) 2 - 4 - 3.
6) (UFSM/PEIES) A questão 5 apresenta palavras invenetas e suas ilustrações. Esses verbetes foram retirados da obra de Marcílio
Godói. Leia-os atentamente para responder ao que se pede.

Na leitura do desenho e da explicação que acompanham ALMANHAC, percebe-se que uma________________ contribuiu para
Marcílio Godói criar a nova palavra.

Em JORNÁUSEA, ocorre o aproveitamento criativo de uma tendência na fala: em palavras como " papel" e "jornal", a sequência
vogal + l em final de sílaba é oralizada como um ditongo ____________________.

Considerando as palavras que, combinadas, formam PELÉXICO, nota-se que a nova expressão mantém a referência a duas áreas
da atividade humana: o futebol e a ____________________ .

Assinale a alternativa que completa, respectivamente, as lacunas.


a) onomatopeia - crescente - política
b) abreviatura - decrescente - linguagem
c) onomatopeia - decrescente - linguagem
d) abreviatura - crescente - política
e) onomatopeia - crescente - linguagem

7) (FGV-ECO) Leia os versos do poeta Manoel de Barros.

Ele só andava por lugares pobres


E era ainda mais pobre
Do que os lugares pobres por onde andava.
.....................................................................
O homem usava um dólmã de lã sujo de areia
e cuspe de aves.
Mas ele nem tô aí para os estercos.
Era desorgulhoso.
Para ele a pureza do cisco dava alarme.
E só pelo olfato esse homem descobria as cores do
amanhecer.

Quanto ao processo de formação de palavras, nos versos há um neologismo, criado por meio de prefixo e de sufixo, e uma palavra
formada por parassíntese. Trata-se, respectivamente, de
a) tô e descobria.
b) dólmã e estercos.
c) pureza e alarme.
d) desorgulhoso e amanhecer.
e) cuspe e olfato.

8) (FGV-Eco - adaptada) Leia o poema de Manuel Bandeira.

Mudança
A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos
A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes,
Achando tudo aquilo uma grande palhaçada...
As xícaras e pires fazendo tlin-tlin-tlin-tlin
As gaiolas dos passarinhos cantando em coro com os próprios passarinhos
Oh! a alegria das coisas com aquela mudança
Para onde? Não importa! Desde que não seja
Este eterno mesmo lugar!

Explique o processo de formação das palavras zanga e tlin-tlin-tlin-tlin.

Leia os quadrinhos e o texto abaixo para responder à questão 09.

WATTERSON, Bill. Calvin e Haroldo. Disponível em: <http://depositodocalvin.blogspot.com/2009/calvin-haroldo-tirinha-


537.html>. Acesso em: 6 abr. 2009.

– Deram-me esta bela gravata... como um presente de desaniversário!


– Por favor, me perdoe... – disse Alice, muito confusa.
– Não estou ofendido, e você não precisa se desculpar – disse Humpty Dumpty.
– O que quero dizer, senhor, é... o que é um presente de desaniversário?
– Um presente oferecido quando não é seu aniversário, naturalmente. [...]. Bem, isso demonstra que há trezentos e
sessenta e quatro dias por ano em que você pode receber presentes de desaniversário.
– Certamente – concordou Alice.
– E somente um em que você consegue receber presentes de aniversário, percebe? Esta é que é a glória!

CARROLL, Lewis. Alice no país do espelho. Porto Alegre: L&PM, 2004. p. 115-117.

9) (UEG - adaptada) Os quadrinhos e o texto acima apresentam palavras não dicionarizadas, mas que podem ser facilmente
compreendidas por qualquer falante de português. Transcreva essas palavras e explique seu processo de formação a partir de
outros exemplos da língua portuguesa.

Analise a tira do cartunista Angeli e responda à questão:

10) (UFMS) Sobre os enunciados da tira, é correto afirmar:


(001) As palavras e-mail, blog e twitter não fazem parte do léxico da língua portuguesa.
(002) A palavra orkutzinho não é uma construção possível na língua portuguesa.
(004) A palavra orkutzinho pode ser entendida como um neologismo da língua portuguesa.
(008) O uso excessivo de palavras estrangeiras dão à tira um caráter metonímico.
(016) Os estrangeirismos presentes na tira pertencem ao mesmo campo semântico.

11) (UNIFEI) Observe a correlação estabelecida com a palavra sublinhada e assinale a opção correta:

a) “Tão dizendo que Damião maluqueceu. Ninguém sabe que rumo tomou...” (Jorge Amado) – É comum, na Língua Portuguesa,
formar verbos a partir de adjetivos pelo processo de parassíntese.
b) “Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.”
(Manuel Bandeira) – A alteração fonética observada é decorrente do processo de composição por justaposição.
c) “Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil / se chama liricamente / Brasileiramente /
Estrada do Generalíssimo Deodoro” (Manuel Bandeira) – Emprega-se o sufixo –íssimo na formação de adjetivos no grau
superlativo absoluto analítico.
d) “Desde que vosmicê me fechou o corpo pras balas que nunca perdi um tiro, nunca me meteu medo ter de derrubar um
desinfeliz...” (Jorge Amado) – O emprego de dois prefixos que indicam negação e/ou oposição, como recurso estilístico, reforça o
sentido da palavra.

12) (FGV) Leia atenciosamente


O Coronel e o Lobisomem

— Que faniquito é esse? Respeite a patente e deixe de ficar sestrosa.


Foi quando, sem mais nem menos, deu entrada no meu ouvido aquele assobio fininho, vindo não atinei de onde. Podia ser
cobra em vadiagem de luar. Se tal fosse, a mula andava recoberta de razão. Por isso dei prazo de espera para que a peçonha da
cobra saísse no claro. Nisso, outro assobio passou rentoso de minha barba, com tanta maldade que a mula estremeceu da anca ao
casco, ao tempo em que sobrevinha do mato um barulho de folha pisada. Inquiri dentro do regulamento militar:
— Quem vem lá?
(CARVALHO, José Cândido de. O coronel e o lobisomen. 46. ed.
Rio de Janeiro: Rocco, 2000, pp. 177-179 )

No texto, fininho apresenta:


a) Sufixo aplicado ao adjetivo e tem sentido intensificador.
b) Sufixo aplicado ao substantivo e tem sentido emotivo.
c) Sufixo aplicado ao advérbio e tem sentido diminutivo.
d) Sufixo aplicado ao adjetivo e tem sentido pejorativo.
e) Sufixo aplicado ao substantivo e tem sentido aumentativo.

Gabarito

1) Para responder à questão 01, o aluno deve examinar o elenco de palavras fornecido na questão, para, a partir da comparação entre elas,
depreender a parte da palavra portuguesa que, em tupi, corresponde a mato, pedra, casa, terra, peixe e palmeira. Algumas formas do tupi já são
bastante difundidas, porque presentes na toponímia cearense, outras correspondem a palavras na língua portuguesa, a exemplo de oca.
Comparando-se itatinga, itaú e itapiranga, obtém-se a sequência ita, que significa ‘pedra’. A partir da identificação de tinga, como significando
‘branco’, o candidato já pode depreender oca (de ocatinga) e caa (de caatinga), significando, respectivamente, ‘casa’ e ‘mato’. Tendo
identificado piranga (a partir de itapiranga) como significando ‘vermelho’, chega-se a ibi (de ibipiranga), ‘terra’. De ibituba, obtém tuba,
‘abundância’. E, a partir de tuba, depreendem-se pira (de piratuba) e uba (de ubatuba).

2) Para formar o vocábulo correspondente a ‘casa preta’, ocaúna, o candidato depreende una, ‘preta’, de ibiúna. Para formar o vocábulo
correspondente a ‘rio de maracanãs’, maracanaú, o candidato depreende ú, ‘rio’, de itaú. Para a formação de ibitinga (ibi + tinga), ‘terra branca’,
e itaoca (ita + oca), ‘casa de pedras’, o candidato já dispõe de subsídios, obtidos na resolução do exercício 1.

3) a) cronômetro; b) heterófono; c) isogamia; d) cronologia; e) fonologia; f) isodátilo; g) heterócrono; h) monodátilo; i) monogamia; j)


fonografia.

4) B
“idade” indica qualidade; “vel”, possibilidade; “íssimo”, intensidade e “mente”, modo.

5) E
Para responder, deve-se interpretar os desenhos, por exemplo, a imagem de um dos prédios que representa Brasília será relacionado à “Brasilha”.

6) C
Pelo contexto, deve-se preencher as lacunas com “onomatopéia”, “decrescente” e “linguagem”.

7) D
Tem-se “desorgulhoso” como derivação prefixal e sufixal e “amanhecer” como parassíntese.

8) O termo zanga é formado por redução (zangão, zangar) e tlin-tlin-tlin-tlin por onomatopeia.

9) As palavras são “sobremesariano” e “desaniversário”. A primeira é formada a partir do processo morfológico de sufixação (sobremesa + iano),
como acontece em “vegetariano” (vegetal + iano). A segunda é formada pelo processo de prefixação (des + aniversário), como em “desculpar”
(des + culpar), por exemplo. [Também serão considerados outros exemplos que indiquem os processos de sufixação e prefixação]

10) 020 (004+016)

11) D

12) A
“inho” em “fininho” altera um adjetivo e indica que o assobio era intenso.