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COMTUT

COMPANIA DE TEATRO DA UTFPR - CP

Apresenta:

Alice no País das Maravilhas


Um conto de Lewis Caroll

Em um Musical por Amauri Ornellas


Sumário

INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3

A História................................................................................................................................................ 3

As Músicas............................................................................................................................................. 3

Lista de Personagens .......................................................................................................................... 4

Lista de Músicas ................................................................................................................................... 5

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS ................................................................................................... 7

1 – O Coelho Branco .......................................................................................................................... 8

2 – Tweedledee e Tweedledum ..................................................................................................... 12

3 – O Gato Risonho ........................................................................................................................... 15

4 – A Lagarta Azul ............................................................................................................................. 18

5 – A Lebre de Março ....................................................................................................................... 20

6 – O Chapeleiro Maluco ................................................................................................................ 23

7 – A Rainha de Copas .................................................................................................................... 26

8 – O Valete ........................................................................................................................................ 30

9 – Alice ............................................................................................................................................... 34

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INTRODUÇÃO

A História

Baseado na história clássica de Lewis Caroll, o musical Alice no País das Maravilhas conta a
história de Alice, uma aluna de dança que só está interessada naquilo que gosta, o que
não inclui o Rock, de repente ela é levada pela toca do coelho ao País das Maravilhas e
encontra um grupo de rebeldes que se declararam contra a tirana Rainha de Copas que
baniu a dança de todo o País das Maravilhas.

O Rock Nacional os guiará nesta aventura para encontrar o Valete e colocá-lo no trono.
Para isso contarão com a ajuda de um Gato Risonho, uma Lagarta Azul, os Gêmeos
Tweedle e uma Lebre Louca de Março.

As Músicas

O Rock sempre foi a voz daqueles que se declaram contra o sistema, portanto não poderia
haver outro estilo senão esse para conduzir essa história. Capital Inicial, Ira!, Engenheiros do
Hawaii, entre outros nomes compõem a trilha sonora deste musical.

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Lista de Personagens

Alice

Professora de Balé

Rebeldes (5)

Coelho Branco

Tweedledee

Tweedledum

Gato Risonho

Lagarta Azul

Lebre de Março

Chapeleiro Maluco/ Valete

Rainha de Copas

Ana

Soldados da Rainha de Copas

Corte da Rainha de Copas

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Lista de Músicas

01 - A Saga (1:31)

Ira!

02 - Memórias de Uma Boneca de Cristal (1:35)

Luka

03 - Sem Direção (1:13)

Capital Inicial

04 - Era Um Garoto que como Eu Amava os Beattles e os Rolling Stones (2:10)

Engenheiros do Hawaii

05 - Problema Seu (1:18)

RPM

06 - Palavras ao Vento (0:58)

Capital Inicial

07 - Alucinação (1:27)

Engenheiros do Hawaii

08 - O Hino (1:27)

Strike

09 - Eu Não Sei na Verdade Quem Eu Sou (1:35)

O Teatro Mágico

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Lista de Músicas (Continuação)

10 - Quase sem Querer (1:43)

Legião Urbana

11 - Veraneio Vascaína (1:26)

Capital Inicial

12 - Intro - Máscara (0:19)

Pitty

13 - Máscara (1:26)

Pitty

14 - Algum Dia (1:38)

Capital Inicial

15 - A Valsa do Inferno (3:10)

Capital Inicial

16 – O Jogo Virou (1:13)

Strike

17 - Partir Andar (1:35)

Hebert Vianna

18 - Altos e Baixos (4:32)

Capital Inicial

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ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

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1 – O Coelho Branco

[1] A SAGA

As cortinas lentamente se abrem e mostram Alice dançando. A professora de dança entra


no palco e dá três batidas firmes no chão. A música para enquanto Alice vai parando de
dançar.

PROFESSORA: Alice, não! Já disse que você precisa se esforçar mais, nunca vai conseguir se
não praticar!

ALICE: Mas eu não quero fazer essa coreografia, eu não gosto desse tipo de música.

PROFESSORA: Não depende do que você gosta ou não, Alice. O recital é em poucas
semanas e você sabe que tem que fazer.

ALICE: Ainda assim eu não quero! Eu quero fazer valsa, tango, não gosto de Rock, é
estranho...

PROFESSORA: Me desculpe, Alice, mas você precisa aprender que há muito mais a se fazer
do que só aquilo que queremos ou gostamos. E o Rock não é estranho... se você
aprendesse a ouvi-lo descobriria que vocês dois tem muito em comum. Agora tire as
sapatilhas e vá pra casa, amanhã nós continuamos.

ALICE: Sim, senhora!

A Professora sai do palco balançando a cabeça decepcionada.

ALICE: Muito em comum... muito em comum... Deus me livre. Prefiro ficar na minha.

[2] – MEMÓRIAS DE UMA BONECA DE CRISTAL

Alice senta-se e começa a tirar as sapatilhas quando percebe algo estranho e olha para
trás, atrás do palco, discretamente, passa o Coelho Branco.

ALICE: Quem está aí?! [Silêncio] Ei, você!

Alice sai do palco à procura do Coelho Branco.

O Coelho Branco entra no palco e olha para o relógio.

COELHO BRANCO: Ah... Já estou atrasado, não devia ter ficado tanto... Ela não pode me
seguir...

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O Coelho Branco sai do palco e Alice entra.

ALICE: Aquilo era... um Coelho?? Não...

Alice sai do palco, volta o Coelho.

COELHO BRANCO: Que menina teimosa, não tenho tempo para ficar me escondendo. A
Rainha vai mandar me cortarem a cabeça se souber que estive aqui em cima, ai, ai, ai...
[Olha novamente para o relógio] Não, não, não... Caramba, carambola... Preciso ir
embora... Comecei a falar rimado de novo, significa que estou ficando nervoso...

[3] - SEM DIREÇÃO

Entra o Coelho Branco esbaforido.

COELHO BRANCO: Cheguei... Espero que a reunião não esteja no fim... É que tinha uma
garota lá de cima correndo atrás de mim...

REBELDE 1: Coelho! Sabe muito bem que não deve ir até a superfície, são ordens da Rainha.
Se você for pego...

REBELDE 2: Você parece nervoso, conseguiu despistar a garota?

COELHO BRANCO: Sim, sim... Acho que sim.

REBELDES: Acha que sim?

COELHO BRANCO: Ora essa, acho que sim, ela não deve ter me seguido até o fim, a toca
é um lugar confuso até mesmo para mim! Eu gosto de ir lá em cima, onde as pessoas
podem dançar, lá é onde eu deveria estar.

REBELDE 1: Eu sei, Coelho... todos nós nos sentimos assim, mas você deve tomar mais
cuidado, os túneis estão cheios de guardas da Rainha.

Entra Alice

ALICE: O que está acontecendo aqui?

REBELDES: COELHO!!!

COELHO BRANCO: A minha cabeça vai rolar, a Rainha vai mandar me matar, [cai na
cadeira] eu vou seu enforcado... ou degolado... ou enforcado e degolado!

ALICE: Nunca vi um coelho falante, ainda mais um coelho que fala rimado!

COELHO BRANCO: Em breve não vai mais ver, porque esse coelho aqui vai morrer... E você
ainda acha engraçado... pode ser que eu fique numa corda, pendurado!

REBELDE 3: Não seja tão dramático, Coelho, nós vamos dar um jeito nisso!
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COELHO BRANCO: Dar um jeito?! Dar um jeito?! Você fala isso porque não é a sua cabeça
que vai rolar, se fosse, você não ia ficar tão calmo pra falar!

ALICE: – Mas quem vai matar o Coelho?!

COELHO BRANCO: – É Senhor Coelho pra você!!

REBELDE 4: – A Rainha de Copas, quem mais? Ela manda matar todo mundo que não segue
as suas ordens!

ALICE: Mas isso é um absurdo! Ninguém pode sair por aí mandando matar todo mundo!

REBELDE 5: Diga isso para a Rainha.

ALICE: Alguém deveria fazer alguma coisa.

REBELDE 1: Estamos fazendo, a Rainha é uma tirana e nós somos os líderes da Resistência,
estamos nessa reunião porque precisamos colocar o herdeiro legítimo no trono, o Valete.

ALICE: E onde ele está?

REBELDE 2: Boa pergunta, em algum lugar na floresta.

COELHO BRANCO: Vocês podem voltar a prestar atenção no que eu tenho pra falar?
Enquanto eu ainda tenho a cabeça no lugar!

REBELDE 3: Dramático!!

COELHO BRANCO: Vocês podem ensinar política do País das Maravilhas pra ela outra hora,
temos um problema mais sério agora!

REBELDE 4: Que seria...?!?!

COELHO BRANCO: Minha cabeça! Eu gostaria que ela ficasse em cima no meu pescoço,
mas parece que ninguém aqui se importa nem um pouco. E se eu morrer, viu? ... [vira para
Alice] Quero que saiba que a culpa é sua, porque me seguiu.

ALICE: Me desculpe, não era a minha intenção, mas eu não estou entendendo o que está
acontecendo aqui...

REBELDE 5: Deixa eu explicar. Você está no País das Maravilhas... que não anda tão
maravilhoso assim!

ALICE: País... das Maravilhas...? Sério isso?

REBELDE 4: Tá, ele não anda tão maravilhoso assim, pelo menos não tão maravilhoso desde
que a Rainha de Copas proibiu a dança.

ALICE: Proibiu a dança?!

REBELDES: Proibiu a dança!!

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REBELDE 3: O País das Maravilhas sempre foi conhecido pela alegria do povo e pela dança.
A Rainha era uma dançarina, hoje ela odeia a dança. Desde que ela baniu a dança nada
anda muito maravilhoso.

REBELDE 2: O Valete é a nossa única esperança, só ele pode tomar o trono da Rainha de
Copas!

REBELDE 1: É por isso que precisamos encontrá-lo logo!

ALICE: E quem é esse Valete?

REBELDE 1: Ele é o herdeiro legítimo.

REBELDE 2: É o cara...

REBELDE 3: Era um garoto que, como eu... como nós... amava os Beatles e os Rolling Stones.

[4] – ERA UM GAROTO QUE, COMO EU, AMAVA OS BEATLES E OS ROLLLING STONES

REBELDE 4: Se a Rainha nos visse agora nossas cabeças rolariam fácil, fácil.

REBELDE 1: Essa reunião foi marcada porque acabamos de descobrir que a Rainha vai fazer
um Baile-não-dançante hoje a noite, seria o momento perfeito para nos infiltrarmos e
invadirmos o castelo.

REBELDE 2: Mas para isso precisamos encontrar o Valete e convencê-lo a se unir a causa!

REBELDE 3: É, mas eu ouvi dizer que ele está maluco, maluco maluquinho!

COELHO BRANCO: Mais respeito, ele ainda é o Valete!

REBELDE 4: Já está falando normalmente, Coelho.

COELHO BRANCO: Estou melhor, obrigado.

ALICE: Onde vocês vão encontrar o Valete?

REBELDE 5: Agora ele mora na floresta, vamos precisar da ajuda do Gato.

ALICE: E onde encontramos o Gato?

REBELDE 1: Não é tão fácil assim, garota.

ALICE: Meu nome é Alice.

REBELDE 2: Não é tão fácil assim, Alice.

REBELDE 3: Você não encontra o Gato. O Gato encontra você!

ALICE: Mas que coisa mais confusa...

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COELHO BRANCO: Bem vinda ao País das Maravilhas. Você ainda não viu nada... mas se
quisermos encontrar o Valete a tempo para o Baile não dançante temos que ir logo.

ALICE: Mas e eu?

COELHO BRANCO: Você vem junto, os túneis estão cheios de guardas da Rainha, não vou
me arriscar a levar você de volta à superfície e se eu ficar e morrer a culpa é sua, então
você vai vir com a gente e vai nos ajudar a encontrar o Valete e consertar tudo isso.

ALICE: Mas eu tenho coisas a fazer lá em cima.

COELHO BRANCO: Ora essa, deveria ter pensado nisso antes de seguir um coelho pela sua
toca. Sem chance de você voltar lá pra cima...

REBELDE 4: É melhor nos separamos, poderemos ser mais rápidos assim.

REBELDE 5: Combinado!

Saem todos do palco, Alice sendo puxada pela mão pelo Coelho.

2 – Tweedledee e Tweedledum

No palco vazio entram o Coelho Branco e Alice.

ALICE: Para qual lado vamos?

COELHO BRANCO: Para aquele lado, os gêmeos Tweedle moram por aqui, talvez tenham
alguma informação sobre o Valete ou sobre o Gato.

ALICE: Gêmeos quem?

COELHO BRANCO: Tweedle, gêmeos Tweedle, se é que vamos conseguir tirar alguma
informação deles...

Entram Tweedlledee e Tweedledum.

DEE: O que vocês fazem por aqui?

DUM: Eu é que ia perguntar, o que vocês fazem por aqui?

DEE: Mas eu já perguntei...

COELHO BRANCO: Estamos precisando de ajuda.

DUM: Bem, eu sou o Tweedledee e ele é o Tweedledum.

DEE: Não! Eu sou o Tweedledee e ele é o Tweedledum.

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DUM: E o que foi que eu disse?!

DEE: Disse que eu era o Tweedldum e você o Tweedledee.

DUM: Não! Isso foi o que você disse! Eu disse que eu era o Tweedledee e você o
Tweedledum!

DEE: Mas eu só seria o Tweedledum se você fosse o Tweedledee, o que de fato não é
verdade, já que eu sou o Tweedledee e você é o Tweedledum.

DUM: Se de fato você fosse quem você diz que é então eu não seria quem eu sou e você
seria outra pessoa.

ALICE: Vocês não sabem quem é quem?!

DEE: É claro que eu sei quem sou, ele que não sabe quem é!

DUM: Se você tivesse certeza de quem é então eu saberia quem sou, o que de fato sei, já
que é você que não sabe quem é.

COELHO BRANCO: Ora essa! Calem-se os dois!

DEE: Falou o cachorrinho da Rainha!

DUM: Coelhinho da Rainha!

COELHO BRANCO: Vocês sabem muito bem que eu estou do lado de vocês contra a
Rainha!

DEE: E quem disse que estamos do seu lado?!

DUM: Não estamos?

DEE: Estaríamos se estivéssemos.

DUM: [Para Alice] E o que vocês precisam?

ALICE: Procuramos pelo Valete!

DEE: Não vão encontrar ele não!

ALICE: Mas por quê?

COELHO BRANCO: Por que ele não é mais o Valete, esqueceu? Ele agora é um chapeleiro.

DUM: Procuram pelo Chapeleiro Maluco?!

COELHO BRANCO: Exatamente.

DEE: Neste caso não vão por este caminho. [Aponta para um lado]

DUM: Não, não vão por este caminho! [Aponta para o outro lado]

ALICE: Então pra que lado vamos?!

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DEE: Para qualquer um, eu não ligo!

DUM: Nem um pouquinho!

COELHO BRANCO: Precisamos encontra-lo antes do Baile-não-dançante da Rainha!

DEE e DUM: Isso é problema seu!

ALICE: Vocês não se importam com o futuro de vocês? A Rainha é má.

DUM: Não faz sentido.

DEE: Não faz diferença.

[5] – PROBLEMA SEU

DEE: Mas suponhamos que talvez...

DUM: Haja a possibilidade...

DEE: De pensar no caso...

DUM: De ajudarmos vocês...

DEE: Eu daria esse conselho

DUM: Se vocês quiserem mesmo ter alguma chance de convencer o Chapeleiro a voltar a
ser o Valete...

DEE: O que eu duvido muito...

DUM: Vão precisar encontrar a Lagarta Azul.

DEE: A Lagarta?

DUM: A Lagarta!

DEE: A Lagarta!

COELHO BRANCO: Mas ela é perigosa!

DUM: Mas é o único caminho...

ALICE: Quem é a Lagarta?!

COELHO BRANCO: A Lagarta é uma das criaturas que você deve evitar o máximo possível,
não sei se é uma boa ideia procura-la. Se bem que ela pode ser de muita ajuda. Ela é uma
feiticeira muito poderosa...

DEE: Boa sorte!

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DUM: É só seguir o caminho...

DEE: Qualquer caminho...

DUM: Aquele caminho...

DEE: Todos os caminhos levam à Lagarta...

DUM: E todos os caminhos fogem da Lagarta...

DEE: Digam oi ao Gato por mim se o encontrar.

DUM: Digam oi ao Gato por mim se o encontrar, odeio aquele gato.

DEE: Qual gato?

DUM: O Gato Risonho...

DEE: Mas você gostava dele....

DUM: Eu gostaria se gostasse...

DEE: Eu acho que gosto, mas não estou gostando de gostar, acho que gostaria de não
gostar...

DUM: Simples assim, não gostando...

Os gêmeos vão se afastando por um lado enquanto Alice e o Coelho Branco se afastam
para outro.

3 – O Gato Risonho

ALICE: E agora, o que faremos?

COELHO BRANCO: Eu não queria ter que encontrar com a Lagarta...

ALICE: Se ela é tão perigosa como diz... também não queria ter que encontrá-la.

COELHO BRANCO: É nesses momentos que o Gato seria de muita ajuda!

A luz ilumina o lado do palco onde o gato lambe a pata sossegadamente

GATO: E é nesses momentos que o Gato aparece... Olá.

COELHO BRANCO: Então você está aí, seu pilantra.

GATO: Ei! O Gato nem chega e já vem você com sete pedras na mãos... Será que não se
ensina mais educação na corte da Rainha de Copas?

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COELHO BRANCO: Gato, não me venha com essas histórias... precisamos encontrar o
Chapeleiro.

GATO: Eu sei... procuram pelo Chapeleiro Maluco.

COELHO BRANCO: Não o chame assim, ele ainda é o herdeiro do trono.

GATO: Não o chame assim, ele ainda é o herdeiro do trono... Coelho, Coelho, Coelho, eu
o chamo de Maluco porque é o que ele é, um Chapeleiro Maluco, assim como o Gato
Risonho é o Gato Risonho e a Rainha é de Copas.

ALICE: Mas você não é o Gato Risonho?

GATO: Quem mais o Gato seria?

ALICE: Então por que você se chama de o Gato?

GATO: De que mais o Gato chamaria o Gato?!

ALICE: Eu me chamo Alice e não fico me chamando de a Alice...

GATO: E do que você se chama?

ALICE: Eu digo eu...

GATO: E o Gato chama o Gato de Gato.

ALICE: Mas isso é muito confuso...

GATO: Confusa é você! Eu...

COELHO BRANCO: Gato, você tem alguma notícia do Valete?

GATO: Você quer saber do Chapeleiro Maluco?

COELHO BRANCO: É...

GATO: Da última vez que o Gato o viu ele estava tomando chá com a Lebre de Março.

COELHO BRANCO: E onde fica a casa da Lebre?

GATO: Não! Ele estava na casa dele, a Lebre que foi lá.

COELHO BRANCO: E onde fica a casa dele?

GATO: Aqui na Floresta!

ALICE: Isso a gente sabe!

GATO: Então por que pergunta?

ALICE: Mas nós não sabemos onde exatamente...

GATO:Ah! Isso o Gato sabe!

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COELHO BRANCO: Pode nos dizer?

GATO: O que vocês querem com o Chapeleiro?

COELHO BRANCO: Vamos leva-lo de volta ao castelo, ele deve ser o Rei do País das
Maravilhas!

GATO: Mas por quê?!? Ele é um ótimo chapeleiro, até fez uma cartola para o Gato.

COELHO BRANCO: Por que o País das Maravilhas precisa da dança de volta! Precisamos
encontrá-lo para que ele arrume toda essa bagunça...

GATO: Dança... dança... O Gato sente falta da dança... mais do que de chapéus...

ALICE: Você pode nos ajudar a trazê-la de volta, é só dizer onde encontramos o Valet....
Chapeleiro!

GATO: Bem... vocês vão precisar da ajuda da Lagarta Azul...

COELHO BRANCO: Não, ela não!

GATO: Sim... ela sim! O Gato pode ensiná-los a encontrar o Chapeleiro, mas sem a Lagarta
o Gato não garante que o Chapeleiro queira se tornar o Valete.

ALICE: Por que não?!

GATO: Entre outras coisas porque ele é Maluco!

ALICE: Acho melhor desistir senhor Coelho. Estou com medo dessa Lagarta...

GATO: Não! Não desista! Você está na pista certa.

[6] – PALAVRAS AO VENTO

GATO: Isso realmente é muito bom. Encontrarão a Lagarta por este caminho...

A luz vai se apagando do lado do Gato.

ALICE: Gato!!

A luz acende subitamente.

GATO: Sim!

ALICE: Os gêmeos Tweedle mandaram dizer oi.

GATO: Achei que eles odiassem o Gato... mas nesse caso: Oi.

A luz vai se apagando do lado do gato até se escurecer por completo.

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4 – A Lagarta Azul

O Coelho Branco e Alice andam pelo palco na ponta dos pés.

ALICE: Ainda falta muito?

COELHO BRANCO: Não, se estamos no caminho certo já devemos estar bem perto...

ALICE: Mas eu não sei se isso é bom, por mim a gente podia estar bem longe mesmo!

COELHO BRANCO: Concordo, concordo....

Entra a Lagarta, calmamente.

LAGARTA: Quem... são... ... vocês?

ALICE: Eu sou a Alice...

LAGARTA: Quem... são... vocês?

ALICE: Ora, já disse, meu nome é Alice, e ...

LAGARTA: E quem disse que o seu nome diz quem você é?

ALICE: Mas quem mais eu seria? Eu sou Alice.

LAGARTA: Alice... Alice... mas se eu te chamar por outro nome... ainda seria você?

ALICE: Eu não sei... acho que ainda seria eu... mas eu teria outro nome...

LAGARTA: Então o seu nome não diz nada sobre você...

ALICE: Olhando por esse lado, acho que a senhora está certa...

LAGARTA: Então me responda... Quem... é... você?

ALICE: Eu achei que sabia... mas agora não tenho certeza...

LAGARTA: E você... Coelho Branco... não o vejo há muito tempo... ainda trabalha na corte
da Rainha?

COELHO BRANCO: Sim... e não... Ainda trabalho na corte da Rainha, mas não por vontade
minha.

ALICE: Você trabalha na corte da Rainha?!?!

COELHO BRANCO: Sim, mas faz parte do plano, eu estou do lado dos rebeldes por debaixo
do pano.

LAGARTA: Então você planeja trair a Rainha?

COELHO BRANCO: Não... bem... sim... mas faço isso pelo bem de todos, o reino não pode
ficar na mão dessa louca.

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LAGARTA: Mas se você trabalha para a Rainha e planeja algo contra ela... isso faz de você
um traidor... não faz? Que malvado, Coelho.

COELHO BRANCO: Sim... mas... digo... não... mas eu não sou malvado, você não deve olhar
por esse lado...

LAGARTA: Não há esse lado ou aquele lado, não há lado certo ou errado... são todos lados
da mesma moeda... ou você é um traidor ou não é... ou você está do lado da Rainha ou
não está. Coelho... o que você é?

COELHO BRANCO: Eu sou o Coelho Branco, mensageiro da corte da Rainha para ser franco.

LAGARTA: E se você for contra a Rainha, o que isso faz de você?

COELHO BRANCO: Certamente ainda serei o Coelho Branco, contanto que eu não esteja
morto, e certamente o Valete vai me deixar continuar sendo mensageiro, mesmo porque
eu sou ligeiro.

LAGARTA: Então você procura pelo Valete, contra a Rainha de Copas e espera um cargo
na corte dele... [para Alice] menina... o que isso parece à você?

ALICE: Traição...

LAGARTA: Parece que temos um acordo aqui... o Coelho Branco é um traidor, você diz que
é pelo bem do reino, mas eu acho que é pelo seu próprio bem.

COELHO BRANCO: Mas... eu sei que não sou... sou?!

LAGARTA: Meu trabalho está feito por aqui.

ALICE: Ei, espere!

LAGARTA: Algo mais?

ALICE: Quem é você?!

LAGARTA: Eu?!

ALICE: É, você!

LAGARTA: Eu não sou ninguém...

ALICE: Mas você está aqui, e você é alguém pra mim... afinal eu estou falando com você!

LAGARTA: E isso faz de mim alguém?

ALICE: Certamente, eu acho que você é que não sabe quem é.

LAGARTA: E por que eu deveria saber quem sou, acreditar que não sou ninguém é melhor
pra mim...

ALICE: Então por que fica perguntando quem são as outras pessoas?

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LAGARTA: Porque quero saber quem elas são, não eu.

ALICE: Pois deveria perguntar a sim mesma, quem você é.

LAGARTA: Eu não estou interessada em nenhuma teoria... Amar e mudar as coisas me


interessa mais...

[7] – ALUCINAÇÃO

LAGARTA: O que você quer de mim? Alice.

ALICE: Queremos encontrar o Valete.

LAGARTA: Posso te mostrar onde encontrar o Chapeleiro, o Valete não...

ALICE: Você pode nos dizer como fazer do Chapeleiro o Valete novamente?

LAGARTA: Não... mas você já aprendeu como fazer...

ALICE: Eu não sei...

LAGARTA: Essa é a resposta... Você deve fazer o Chapeleiro pensar sobre quem ele é,
quando ele responder “não sei”, você estará a meio caminho de encontrar o Valete.

ALICE: Só isso?

LAGARTA: Encontre a Lebre de Março. Ela pode ser muito convincente, principalmente em
relação ao Chapeleiro. Só isso.

ALICE: Muito obrigada....

LAGARTA: Não... eu agradeço... Alice.

A Lagarta sai lentamente pelo mesmo lado que entrou.

5 – A Lebre de Março

ALICE: Quem é essa tal Lebre de Março?

COELHO BRANCO: Quando o Valete abandonou o castelo e veio morar na floresta foi ela
quem o ajudou... eles são muito amigos... amicíssimos! Ah... Ela é completamente pirada.

ALICE: Ela é perigosa?

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COELHO BRANCO: Você ouviu quando eu disse que ela é completamente pirada? Claro
que ela é perigosa.

ALICE: E porque Lebre de Março?

COELHO BRANCO: Achei que fosse meio óbvio, foi porque ela enlouqueceu em março.

ALICE: E como ela vai nos ajudar se é louca?

COELHO BRANCO: Ela sempre participou dos eventos mais importantes da corte, ela sabia
fazer as coisas acontecerem, nenhum acontecimento era um acontecimento completo
sem a presença da Lebre, se conseguirmos um pouco de lucidez, ela pode fazer qualquer
coisa acontecer.

ALICE: Parece muito útil olhando por esse lado... mas e como vamos deixá-la lúcida
novamente?

COELHO BRANCO: Alice, se importaria de me fazer um favor?

ALICE: Claro! O que precisa?

COELHO BRANCO: Que você pare de fazer perguntas como uma matraca!

ALICE: Me desculpe, é que não entendo muito bem as coisas por aqui.

COELHO BRANCO: Nem eu entendo... fique tranquila, logo, logo você acostuma.

ALICE: Espero não ficar tanto tempo...

COELHO BRANCO: Também espero que você vá embora o mais rápido possível... não
aguento responder tantos por quês.

ALICE: Parece que todo mundo aqui é louco.

Entra a Lebre de Março com uma xícara de chá.

COELHO BRANCO: Lebre!

LEBRE DE MARÇO: Lebre!

COELHO BRANCO: Não me reconhece? Sou eu, o Coelho Branco.

LEBRE DE MARÇO: Oh, sim, claro, como pude me esquecer? Coelho Branco. Como vai?

COELHO BRANCO: Muito bem, obrigado e você?

LEBRE DE MARÇO: Você?! Você?! Isso são modos de se dirigir à uma rainha?

COELHO BRANCO: O que está dizendo?

LEBRE DE MARÇO: Não me reconhece? Sou eu, a Rainha da Inglaterra!

COELHO BRANCO: O quê?!

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LEBRE DE MARÇO: Quem mais eu seria?!

COELHO BRANCO: Quem você é! A Lebre.

LEBRE DE MARÇO: Lebre é você!

COELHO BRANCO: Não! Eu sou um coelho, o Coelho Branco.

LEBRE DE MARÇO: Nesse caso muito prazer senhor Coelho Branco.

COELHO BRANCO: Nós já nos conhecemos.

LEBRE DE MARÇO: Sim, eu sei, acabamos de nos apresentar.

COELHO BRANCO: Não, já nos conhecíamos antes.

LEBRE DE MARÇO: E você não se lembrou de mim?! Que vergonha.

COELHO BRANCO: Você é que não se lembrou de mim, eu... o Coelho Branco.

LEBRE DE MARÇO: Nesse caso muito prazer senhor Coelho Branco.

ALICE: Acho que isso não vai dar em nada. Ela não sabe nem quem é!

LEBRE DE MARÇO: E quem é você, mocinha?

ALICE: Alice, muito prazer!

LEBRE DE MARÇO: Olá Alice-muito-prazer. Você tem um nome... criativo.

ALICE: Não! Meu nome é Alice.

LEBRE DE MARÇO: Parece que é a senhorita que não sabe quem é.

ALICE: Eu já discuti isso hoje, não vou discutir de novo.

LEBRE DE MARÇO: Que seja! E dizem que eu sou a louca.

COELHO BRANCO: Lebre, precisamos encontrar o Chapeleiro.

LEBRE DE MARÇO: Acabei de tomar chá com ele.

COELHO BRANCO: Precisamos convencê-lo a voltar a ser o Valete, precisamos que ele
assuma o trono do País das Maravilhas.

LEBRE DE MARÇO: Bem, eu acabei de tomar chá com ele, ele não disse nada sobre voltar
a ser o Valete, ou talvez tenha dito e eu me esqueci, ou talvez não, ou talvez ele tenha dito
que não diria nada sobre dizer que deve voltar a ser o Valete.

ALICE: Precisamos muito dele, e precisamos de você.

LEBRE DE MARÇO: Eu?!

COELHO BRANCO: Sim, você pode nos ajudar a trazer a dança e a alegria de volta ao País
das Maravilhas.
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LEBRE DE MARÇO: Mas dizem por aí que eu sou louca...

ALICE: E é...

LEBRE DE MARÇO: E por que precisariam da ajuda de alguém louco? Devem estar muito
desesperados!!

ALICE: Você não faz ideia...

LEBRE DE MARÇO: Bem...

COELHO BRANCO: Você é a melhor de todas!

LEBRE DE MARÇO: Mas você é o Coelho...

COELHO BRANCO: E qual a diferença?

LEBRE DE MARÇO: Você não é louco.

COELHO BRANCO: Quem disse?

LEBRE DE MARÇO: Você também é?

COELHO BRANCO: Somos todos loucos aqui... E você é melhor do que eu Lebre, você pode
fazer as coisas acontecerem!

LEBRE DE MARÇO: Você acha?

COELHO BRANCO: Tenho certeza! E então, vai nos ajudar com o Chapeleiro?

LEBRE DE MARÇO: Acho que sim...

ALICE: Então você está de volta?

LEBRE: Querida...

[8] – O HINO

6 – O Chapeleiro Maluco

Entram Alice, o Coelho Branco e a Lebre de Março.

COELHO BRANCO: Você tem certeza que o caminho é esse né?

LEBRE DE MARÇO: Claro, já estamos perto.

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ALICE: O que é aquilo?

LEBRE DE MARÇO: “Aquilo” é a casa do Chapeleiro...

Entra o Chapeleiro e toda a mesa de chá.

LEBRE: Olá chapeleiro.

CHAPELEIRO: Olá, Lebre... veio tomar chá?

LEBRE DE MARÇO: Eu adoraria...

COELHO BRANCO: Lebre!

LEBRE DE MARÇO: Ah, sim, claro... quase me esqueci... não posso.

CHAPELEIRO: Por que? É alérgica a chá?

LEBRE DE MARÇO: Claro que não...

CHAPELEIRO: Se não é alérgica então pode tomar chá!

LEBRE DE MARÇO: Olhando por esse lado, não vejo porquê não.

ALICE: Lebre!

LEBRE DE MARÇO: Ah, sim claro... quase me esqueci... não posso.

CHAPELEIRO: Por que? É alérgica a chá?

COELHO BRANCO: Viemos por outro motivo.

CHAPELEIRO: Que falta de educação a minha, você trouxe visita e eu nem ofereci chá...
vocês gostariam de chá?

COELHO BRANCO: Precisamos de você, Chapeleiro...

ALICE: Não você... você... mas quem você pode ser.

CHAPELEIRO: Precisam de uma cartola?

ALICE: Não!

LEBRE DE MARÇO: Tem certeza?! Ele faz excelentes cartolas, já viu a do Gato Risonho? Ele
que fez...

CHAPELEIRO: Que tal um chapéu coco, meia-cartola, colchê, casquete, panamá, gorro,
fedora, boina?

ALICE: Não queremos um chapéu;

CHAPELEIRO: Se não é por um chapéu e não é para um chá... então por que vieram
procurar um chapeleiro?

COELHO BRANCO: Porque precisamos do Valete.


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CHAPELEIRO: [silêncio] Hum, desculpe, receio não poder ajudar com isso, tenham um ótimo
dia, a saída é por ali...

ALICE: Espere!

CHAPELEIRO: Não tem chá para vocês! E, Lebre... não traga mais visitas, essas são muito
desagradáveis.

LEBRE DE MARÇO: Chapeleiro... você deve escutá-los.

CHAPELEIRO: Não devo nada! Eles querem falar de coisas que eu não quero ouvir, se não
quero ouvir então não vou ouvir.

ALICE: Precisamos que você faça algo por todo o reino, pelo País das Maravilhas!

CHAPELEIRO: Todos precisam de algo... sempre me mandando fazer coisas... Eu faço


chapéus, sou só um chapeleiro, o Valete está morto...

COELHO BRANCO: Não, não está. Eu sei que ele está aí dentro... e sei que ele se importa
com o País das Maravilhas, se importa com a música.

CHAPELEIRO: O que você quer dizer com isso?

LEBRE DE MARÇO: Todo mundo está proibido de dançar, temos que viver escondidos, o
Rock então, é um sonho distante...

CHAPELEIRO: Mas eu não posso ser o Valete... não quero ser o Valete.

ALICE: Às vezes precisamos fazer mais do que queremos ou gostamos... temos obrigações.

CHAPELEIRO: Mas por que eu?

ALICE: Porque você é quem você é...

CHAPELEIRO: E quem eu sou?

ALICE: Me diga você...

CHAPELEIRO: Por que temos criar conceito pra tudo? O que é isso, ou o que é aquilo...

[9] – EU NÃO SEI NA VERDADE QUEM EU SOU

CHAPELEIRO: Você acha que eu posso voltar, Lebre?

LEBRE DE MARÇO: Acho que você deve.

CHAPELEIRO: E tudo isso?

COELHO BRANCO: Tudo isso ainda é seu... você pode ter quando quiser...

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LEBRE DE MARÇO: Chapeleiro...

CHAPELEIRO: Eu acho que devo ir, então...

ALICE: Você pode descobrir que ser o Valete pode não ser tão ruim.

LEBRE DE MARÇO: Pense nas vantagens!

CHAPELEIRO: [ri entre o choro] Isso é. Eu só queria provar pra todo mundo que eu não
precisava provar nada pra ninguém.

COELHO BRANCO: Você vai se sair bem! Eu sei.

CHAPELEIRO: Vamos. Já fiquei longe tempo demais.

[10] – QUASE SEM QUERER

7 – A Rainha de Copas

Entram no palco o Coelho Branco, a Alice, a Lebre de Março e o Valete, por outro lado
entram os soldados da Rainha de Copas marchando compassadamente.

SOLDADO 1: Alto!

SOLDADO 2: Alto!

SOLDADO 3: Alto!

SOLDADO 4: [pausa] Ahh... Alto!

COELHO BRANCO: Vixi... Deixa que eu falo com eles... [para os soldados] Boa tarde,
cavalheiros.

SOLDADO 1: Não temos nada para tratar com você, Coelho.

SOLDADO 2: Nada para tratar com o Coelho.

SOLDADO 1: Fomos informados que um grupo suspeito.

SOLDADO 3: Um grupo suspeito...

SOLDADO 1: Que foi visto dançando.

SOLDADO 4: É. Visto dançando...

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COELHO BRANCO: Grupo... [pigarreia] suspeito... eu não vi nada não, não sei de nada à
respeito...

SOLDADO 4: E por que a mocinha ali está de sapatilha?

Soldado 1 olha feio para o Soldado 4.

SOLDADO 4: Desculpa...

SOLDADO 1: E por que a mocinha ali está de sapatilha?

SOLDADO 2: A mocinha ali.

SOLDADO 3: Está de sapatilha por que?

COELHO BRANCO: Err... Sapatilha... que sapatilha?

Alice tenta esconder os pés.

SOLDADO 1: Eu acho que vocês estão escondendo alguma coisa.

SOLDADO 2: Estão escondendo alguma coisa...

SOLDADO 3: É o que eu acho...

SOLDADO 4: [pausa]Ahh... É isso aí...

SOLDADO 1: A Rainha não vai gostar quando souber desses seus envolvimentos...

SOLDADO 2: Esses seus envolvimentos, a Rainha não vai gostar.

COELHO BRANCO: Vocês não estão insinuando que eu possa... estar planejando contra a
Rainha de Copas?

SOLDADO 1: É bom você ter uma ótima desculpa, Coelho.

SOLDADO 3: Uma excelente desculpa, Coelho.

SOLDADO 1: Vocês estão presos, em nome da Rainha de Copas!!

SOLDADOS (TODOS): Rainha de Copas!!

COELHO BRANCO: Ahh... COOOOOORRE!!!

[11] – VERANEIO VASCAÍNA

Fica somente Alice sob custódia dos Guardas.

SOLDADO 1: Pelo menos a dançarina nós pegamos.

SOLDADO 2: A bailarina, pelo menos.

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ALICE: Meu nome é Alice.

Eles vão saindo do palco, levando Alice presa.

SOLDADO 1: Quero só ver a cara da Rainha de Copas quando souber que o Coelho Branco
está envolvido.

[12] – INTRO - MÁSCARA

RAINHA DE COPAS: O que vocês querem aqui? Não estão vendo que eu tenho um Baile
não-dançante para organizar?

SOLDADO 1: É que temos uma prisioneira... acusada de dançar... Vossa Majestade.

RAINHA DE COPAS: Acusada de quê?!

SOLDADO 2: Acusada de dançar...

RAINHA DE COPAS: Você está me dizendo que existe alguém... alguém, preste atenção.
Existe alguém, fora da corte, que ousa dançar aqui no País das Maravilhas? Muito bem
então, como todos sabem há uma punição para quem por pego dançando, e essa
punição é modesta, eu poderia ser uma rainha tirana e condenar alguém a algo muito pior,
mas como eu não sou assim a pena é somente... decapitação. O que, vejam só, é muito
bom hoje, já que nada anima mais um Baile-não-dançante do que uma boa e tradicional
decapitação. Cabeças rolando sempre empolgam os convidados.

SOLDADO 2: E tem algo mais...

RAINHA DE COPAS: Mais?!?! Será que tudo vai acontecer hoje?

SOLDADO 1: O Coelho Branco também está envolvido.

RAINHA DE COPAS: Envolvido com o que?

SOLDADO 1: Com os criminosos.

RAINHA DE COPAS: Assim fica difícil... E onde ele está?

SOLDADO 2: Ele conseguiu fugir, Majestade, junto com mais dois rebeldes.

RAINHA DE COPAS: E o que vocês estão fazendo aqui que não foram atrás deles?!

SOLDADOS 1 E 2: Err... que... ahh...

RAINHA DE COPAS: Ótimo, saibam que pelo menos duas cabeças vão rolar hoje, a dessa
bailarinazinha aqui e a do Coelho, se não o encontrarem até a hora do baile, vai ser a da
bailarina e as suas! Agora vão, que eu cuido dessa aqui.

SOLDADOS 1 E 2: Sim, Vossa Majestade.


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Só fica um guarda.

RAINHA DE COPAS: E quem é a senhorita?

ALICE: Bem... até hoje de manhã eu tinha certeza, mas agora nem tanta.

RAINHA DE COPAS: E quem você acredita que é agora, meu bem?

ALICE: Com certeza eu não sou mais a mesma Alice que saiu da aula de dança mais cedo.

RAINHA DE COPAS: Bem, você pode acreditar que é qualquer pessoa... ou coisa, Os outros
podem achar o que quiserem, que é estranho, ou bizarro, eu não ligo, desde que seja você.
Eu estou interessada em saber sobre a sua vida, sem máscaras.

[13] – MÁSCARA

RAINHA DE COPAS: Tá vendo, não precisa sair por aí rodopiando.

ALICE: Meu nome é Alice.

RAINHA DE COPAS: Alice... Alice, vamos fazer um acordo, você responde as minhas
perguntas e eu penso no seu caso com carinho. Pode ser?

ALICE: [Acena positivamente com a cabeça] Eu só quero ir pra casa.

RAINHA DE COPAS: E de onde você vem, Alice?

ALICE: Da superfície...

RAINHA DE COPAS: Mas todo mundo sabe que é estritamente proibido visitar a superfície...
Como você chegou até aqui?

ALICE: Por favor, eu só quero ir embora.

RAINHA DE COPAS: Nós temos um acordo, você precisa responder as minhas perguntas, se
lembra?

ALICE: Eu segui o Coelho Branco.

RAINHA DE COPAS: Ora, ora, então teremos duas decapitações hoje.

ALICE: Mas você me prometeu que eu poderia ir embora.

RAINHA DE COPAS: Não, não prometi, eu disse que pensaria com carinho no seu caso. Pois
bem, deixe-me pensar... [faz uma pausa, pensativa]. É, vai ser decapitação mesmo. Vai
servir de exemplo pra esses rebeldes... Falando em rebeldes... quem eram os outros dois que
estavam com o Coelho Branco?

ALICE: Eu não sei...

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RAINHA DE COPAS: Você não está mentindo pra mim não é, meu bem?

Alice acena negativamente com a cabeça.

RAINHA DE COPAS: Esperamos que realmente não esteja... [para fora] ANA!

Entra Ana, a acompanhante da Rainha.

ANA: Sim, Vossa Majestade.

RAINHA DE COPAS: Dê um jeito nessa aqui, ela vai ser decapitada hoje.

ANA: Sem julgamento?

RAINHA DE COPAS: Sem julgamento.

ALICE: Eu não tenho direito a julgamento?

RAINHA DE COPAS: Não!

ANA: Você precisa exigir um julgamento, sua boba.

ALICE: Pois então eu exijo um julgamento.

ANA: Agora você tem direito [para a Rainha de Copas] Ela tem direito

RAINHA DE COPAS: [Para Ana] Eu realmente não sei porque ainda não mandei te matarem.
[Para Alice] Você será julgada hoje durante o baile, e depois executada. [Para o Guarda]
Leve-a daqui, eu tenho um baile pra organizar.

A Rainha de Copas sai.

ANA: Depois você me agradece.

ALICE: Você... está do lado dos Rebeldes?

ANA: Claro!

Alice e Ana saem pelo lado oposto ao da Rainha.

8 – O Valete

O cenário é a sala dos rebeldes, estão os 5 rebeldes, o Coelho Branco, a Lebre de Março e
o Valete.

COELHO BRANCO: E agora? Precisamos de um plano para resgatar a Alice.

REBELDE 1: E temos que seguir com o plano para tomar o trono.

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REBELDE 2: Vamos ter que fazer algumas mudanças no plano.

REBELDE 3: Mas nem sabemos se ela ainda está viva.

VALETE: Então precisamos fazer algo rápido.

REBELDE 4: É muito bom tê-lo de novo, Valete. Mas é melhor seguirmos o plano.

LEBRE DE MARÇO: Quem é Alice?

COELHO BRANCO: Ela é minha responsabilidade, não posso deixá-la para morrer!

REBELDE 5: Então o que faremos? Mudamos o plano ou seguimos o plano?

VALETE: Nós vamos resgatá-la, hoje durante o Baile-não-dançante.

REBELDE 1: O Valete é quem manda!

Entra Ana.

ANA: Olá!

COELHO BRANCO: Ana!

REBELDE 2: Que bom te ver!

REBELDE 3: Você tem informações sobre a Alice?

ANA: Ela vai ser julgada durante o baile!

REBELDE 4: Ela vai ser julgada?

ANA: [Acena positivamente com a cabeça] Vocês precisam ir rápido! E eu preciso voltar
agora.

REBELDE 5: Obrigado, Ana.

Sai Ana.

COELHO BRANCO: Pelo menos sabemos que ela estará viva até o Baile.

VALETE: Ótimo, já tenho um plano!

REBELDE 1: Então vamos!

LEBRE DE MARÇO: Vamos!! Quem é Alice?

O cenário é trocado e entra a corte da Rainha de Copas e o cenário do Baile-não-


dançante.

RAINHA DE COPAS: Não é maravilhoso um Baile-não-dançante?

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ANA: Com certeza, Vossa Majestade.

RAINHA DE COPAS: Eu não sei porque esse povo insiste em querer dançar... coisa cafona...
Ah, falando em dançar... [bate palmas para chamar a atenção] Hoje, especialmente para
vocês, nós teremos uma decapitação!

A corte aplaude

RAINHA DE COPAS: É um julgamento na verdade, mas é certeza de decapitação! [Para


fora] Tragam a prisioneira!

Alice é arrastada para o palco por dois soldados.

RAINHA DE COPAS: Essa mocinha aqui veio lá da superfície e foi pega dançando entre um
grupo de rebeldes.

A corte começa a cochichar.

RAINHA DE COPAS: Como todos sabem, a punição por esse crime é a morte, mas ela pediu
um julgamento então, aqui estamos nós. Declaro esse julgamento iniciado. Você tem algo
a dizer em sua defesa?

ALICE: Você não pode fazer isso, eu não tenho direito a um advogado?

RAINHA DE COPAS: Querida, não há ninguém nesse mundo que possa te livrar dessa.

O valete e o Coelho Branco saem do meio da corte.

VALETE: Não é bem assim, não.

ALICE: Valete!

RAINHA DE COPAS: Valete? Mas... mas...

COELHO BRANCO: Por essa você não esperava, não é? Vossa Majestade.

RAINHA DE COPAS: Coelho! Como você pôde?

VALETE: É hora de por um fim nisso.

RAINHA DE COPAS: O que você pretende, hã? Acha que é só chegar e eu vou te devolver
o trono de mão beijada? Não senhor. [Para o Coelho] E você, Coelho Branco, como pôde
ir atrás desse traidor? Ele abandonou o País das Maravilhas, ele foi viver lá fora, ele nunca
ligou pra nada, e não acredito que ele tenha mudado.

[14] – ALGUM DIA

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RAINHA DE COPAS: Seus traidores! Como ousam? Eu vou garantir que todos vocês sejam
decapitados, estão estragando meu Baile-não-dançante! Eu nunca vou permitir que você
seja Rei no País das Maravilhas, Valete. Guardas!

Entram os guardas da Rainha

COELHO BRANCO: Alice, exija um julgamento por combate dançante.

RAINHA DE COPAS: Vocês não...

VALETE: Você deu início ao julgamento, você não tem escolha.

ALICE: Eu exijo um julgamento por combate dançante!

RAINHA DE COPAS: Ora essa... então quais são os seus termos?

COELHO BRANCO: Se a Alice ganhar você vai embora para sempre e deixa o trono do País
das Maravilhas para o Valete. Se ela perder os rebeldes vão embora do País das Maravilhas
e o Valete abdica de qualquer pretensão ao trono, para sempre.

RAINHA DE COPAS: Alice ganha e eu vou embora, para sempre, Alice fica viva. Alice perde
os rebeldes vão embora, para sempre, o Valete morre. Tudo ou nada!

ALICE: Não!

RAINHA DE COPAS: Esses são os meus termos e são justos!

VALETE: Nós aceitamos!

ALICE: Por favor, não! Eu não posso, Valete.

COELHO BRANCO: Eu já te vi dançar dezenas de vezes, Alice. Você pode fazer isso, eu sei.

ALICE: Coelho...

COELHO BRANCO: Você escolhe seu par e a música.

VALETE: Eu vou com você...

ALICE: Eu escolho uma valsa, com o Valete.

RAINHA DE COPAS: Só?

ALICE: Sim.

RAINHA DE COPAS: Eu escolho meu par [escolhe um dos guardas] e como você só escolheu
uma valsa, vai ser a Valsa do Inferno!

COELHO BRANCO: Não!

RAINHA DE COPAS: Sim! Ela disse uma valsa, eu estou respeitando. Espero que tenha pés
firmes, Alice, porque sua cabeça logo vai rolar...

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-

[15] – A VALSA DO INFERNO

ALICE: Você perdeu!

RAINHA DE COPAS: Isso é impossível!

ALICE: Até hoje de manhã, um coelho falante, um gato risonho e uma Lebre Louca também
eram...

COELHO BRANCO: Você está fora!

RAINHA DE COPAS: Não! Não! Isso não é justo! Prendam eles, prendam todos!

VALETE: Você perdeu, não é mais a Rainha. Levem-na daqui!

Os guardas levam-na esperneando.

VALETE: Sabia que conseguiria. O País das Maravilhas tem uma dívida com você.

ALICE: Pois é... Mas a única coisa que eu quero mesmo é voltar pra casa.

VALETE: Poderia ficar um pouco mais? Temos um Baile!

ALICE: Não sei...

VALETE: Por favor.

ALCE: Se você diz...

COELHO BRANCO: Não é só um baile... é o baile de coroação do Valete.

[16] – O JOGO VIROU

9 – Alice

ALICE: O que acontece agora, Coelho?

COELHO BRANCO: Agora o País das Maravilhas está livre da Rainha de Copas. Tudo vai
voltar ao normal.

ALICE: E o Valete?

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COELHO BRANCO: Ele vai ficar bem, mas se ele fugir de novo eu sei onde te encontrar.

VALETE: Pode ficar tranquilo, Coelho. Dessa vez eu fico. [Para Alice] E queria que você
ficasse também.

ALICE: Eu não posso.

VALETE: Por que não?

ALICE: Eu tenho obrigações a cumprir lá em cima.

VALETE: Entendo. Mas você promete que volta?

ALICE: Volto.

COELHO BRANCO: Nesse caso acho que é hora de eu te levar embora, Alice.

VALETE: Eu vou ficar esperando.

O Coelho pega Alice pela mão.

[17] – PARTIR, ANDAR

PROFESSORA: Alice, Alice, acorde.

ALICE: O que aconteceu?

PROFESSORA: Você deve ter adormecido.

ALICE: Adormecido?

PROFESSORA: Já é tarde, vamos, eu te levo pra casa.

ALICE: Eu tive um sonho tão estranho, tinha um Coelho Branco falante e uma Lagarta Azul
e um Gato que ria...

PROFESSORA: Que coisa mais absurda, Alice. De onde você tira essas coisas?

ALICE: E tinha um príncipe, um príncipe não, um Valete.

PROFESSORA: Alice, você tem cada ideia.

ALICE: E tinha muito rock.

PROFESSORA: Então você está sonhando com Rock agora? Deve ter sido um pesadelo.

ALICE: Na verdade, não foi tão ruim... foi até muito legal, tirando o fato de eu quase morrer,
claro. Acho que o Rock merece uma chance.

PROFESSORA: Eu não faço ideia do que você está falando, mas se está dizendo que vai dar
uma chance pro rock, eu fico muito feliz, garanto que não vai ser arrepender.
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ALCE: Sei que não.

Saem.

[18] – ALTOS E BAIXOS

-FIM-

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