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LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS

“Não basta ser alfabetizado para realmente saber ler. Há leitores que deixam
os olhos passarem pelas palavras, enquanto sua mente voa por esferas
distantes. Esses lêem apenas com os olhos. Só percebem que não leram
quando chegam ao fim de uma página, um capítulo ou um livro. Então
devem recomeçar tudo de novo porque de fato não aprenderam a ler. É
preciso ler, mas, também é preciso saber ler. Não adianta orgulhar-se que
leu um livro rapidamente em algumas dezenas de minutos, se ao terminar a
leitura é incapaz de dizer sobre o que acabou de ler”.
Galliano (1986:70)

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A LEITURA E SEU APRIMORAMENTO


A leitura é tão significativa que nos motiva ao aprendizado logo nos primeiros anos de nossas vidas. Sem a leitura o
avanço no conhecimento científico torna-se impossível, pois nos detemos ao discurso dos outros.
Podemos afirmar que a leitura constitui um fator decisivo, porque, através dela, temos a oportunidade de ampliar e
aprofundar os estudos, visto que os textos formam uma fonte praticamente inesgotável de conhecimentos.
Normalmente existem duas espécies de leitura: uma praticada por cultura geral ou entretenimento desinteressado,
que ocorre quando você lê uma revista ou um jornal; e outra que requer atenção especial e profunda concentração mental,
realizada por necessidade de saber, como por exemplo, quando você lê um livro, um texto de estudo ou uma revista
especializada.
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa, orienta-se dedicada atenção no que se está lendo, caso
contrário a leitura será superficial e, portanto, pouco entendida.
Além de atenção, há necessidade de velocidade na leitura. Pela orientação de Galliano (1986:70), ao ler um
parágrafo, o leitor deve fazer uma leitura rápida, obedecendo as pausas que, com um bom treinamento, passam ser momentos de
fixação.
Em um texto já existem as pausas, que se apresentam em forma de pontuação, já efetivadas pelo autor. A pontuação
tanto assinala as pausas e entonação na leitura, como também serve para separar palavras, expressões e orações que devem ser
destacadas.
Uma outra finalidade da pontuação é esclarecer o sentido da frase. A duração da pausa é também um problema
importante, porque está diretamente relacionada com a sustentação da atenção do leitor no texto. A leitura é tanto melhor quanto
mais curta é a pausa de fixação dos olhos.
Com relação a velocidade na leitura proveitosa, Galliano (1986:79) ressalta que “campo de visão, quanto à leitura, é
o número de palavras que os olhos são capazes de absorver numa única parada. Quando encontram seu momento de fixação
eles enfocam uma palavra, mas são capazes de captar outras tantas à esquerda e à direita da enfocada. Ora, quanto maior for o

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número de palavras captadas entre uma pausa e outra, maior será o campo de visão do leitor. E quanto mais amplo for este
campo, melhor será a leitura, pois em cada parada poderá absorver maior quantidade de texto, ou seja, abranger maior ‘extensão’
do conteúdo expresso pelas palavras”.
Se o seu campo de visão for estreito, limitando somente a palavra que você está lendo naquele momento, torna-se
prejudicial e sua leitura fica comprometida, e, portanto, lenta. Quando o comportamento ocorre desta maneira, sua percepção
acaba ligando palavras sem sentido, devido às interrupções das pausas e o ritmo apropriado. Quanto mais lenta é a leitura, mais
facilmente a atenção se dispersa.
Convém você aumentar o seu campo de visão, treinando absorver na leitura o máximo de palavras à esquerda e à
direita da palavra enfocada no momento da leitura.
Outra orientação importante sugerida por Galliano (1986:80) para você tornar a leitura mais veloz é a seguinte: ao
enfocar a última palavra de uma linha, passe rapidamente para a primeira palavra da linha seguinte, mas já se fixando nas
palavras que se encontram no centro desta mesma linha.
Cada assunto requer uma velocidade própria de leitura. A velocidade visual e mental de um livro técnico é diferente
da de uma história em quadrinhos, pois a literatura de ficção pode ser absorvida mais rapidamente do que uma obra teórica
especializada, já que exige menos reflexão por parte do leitor.
Após um bom treinamento em sua leitura, mostrando sensíveis melhoras, que unem melhor rendimento com maior
velocidade de leitura, não se pode esquecer que, para o domínio de um texto, exige-se: avaliação, discussão e aplicação. É
preciso questionar a validade do texto, discutir com outras pessoas, porque, às vezes, a opinião de outras pessoas permite a
descoberta de pontos importantes que passaram despercebidos durante a leitura, ou então acrescenta informações em alguns
aspectos, bastante relevantes. Discutir é também uma forma de melhor analisar e avaliar o que se lê. Para concluir o significado
da leitura, devemos fazer aplicação, quando possível, do conteúdo lido. Tal procedimento corresponde ao coroamento final da
aprendizagem de um texto absorvido.

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A eficiência de uma boa leitura está, geralmente, relacionada com o ambiente. É preciso, portanto, que o leitor
proporcione condições ambientes favoráveis para efetuar sua leitura, de modo que se sinta fisicamente confortável para dedicar
toda a sua atenção ao que lê.
Para um bom rendimento na leitura, devem ser evitados: má iluminação, agitação, posição de má acomodação do
corpo e barulho. Estes fatores perturbam a concentração e conduzem à dispersão das idéias. Quando as condições ambientais
não são propícias para a leitura, torna-se difícil captar o sentido do que se lê.
Caso seja impossível dispor de condições ambientais favoráveis, deve-se estabelecer um determinado controle,
concentrando bem mais na leitura, esquecendo os fatores externos.
O que também colabora com uma boa leitura é o silêncio interior. Cada leitor pode desenvolver seu processo
pessoal. A preparação mental por alguns minutos, buscando a concentração, é uma ótima técnica para se obter o silêncio interior,
e tem mostrado ser um fator positivo em numerosos estudantes.
Um outro fator preponderante na leitura de um texto é o domínio do vocabulário. Se o leitor tem o hábito de ler
freqüentemente e sua leitura é ampla e abrange vários assuntos distintos, então deve realmente dominar um vocabulário
significativo. Existem vocábulos de uso comum, popular e geral, e vocábulos especializados, de uso restrito a determinadas áreas.
Quando o vocabulário do leitor for reduzido, constitui-se um obstáculo à leitura proveitosa.
Quando se desconhece o significado de certas palavras, a melhor maneira é consultar um dicionário, a fim de que
seu sentido seja imediatamente esclarecido. Outra possibilidade consiste em prorrogar este esclarecimento, dando-lhe a
possibilidade de ocorrer no prosseguimento da leitura, isto é, tentar descobrir o sentido do vocábulo desconhecido, através do
contexto em que está inserido. Uma palavra mal compreendida ou mal interpretada pode definir ou mudar todo o sentido do texto.
Quando esta palavra acontece de ser a palavra-chave, então a situação será ainda mais desastrosa.

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ESTUDO DO TEXTO
Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma visão global, para que
possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem
reflexão por aqueles que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem. Devemos compreender,
analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de permitir a compreensão, a análise, a síntese e a
interpretação de seu conteúdo.
‫٭‬Analisar – decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las.
‫٭‬Sintetizar – reconstituir o texto decomposto pela análise.
‫٭‬Interpretar – tomar uma posição própria a respeito das idéias enunciadas no texto, isto é, dialogar com o autor.

Antes de analisar um texto, convém sublinhar, esquematizar e resumir.

Como sublinhar:
Sublinhar é passar um traço abaixo de uma palavra ou frase. Hoje, com o emprego do computador, podemos
sublinhar de uma outra forma, ora digitando em negrito, ora em itálico. Galliano (1986:86) sugere as seguintes etapas para o
leitor sublinhar corretamente:
I – Ler atentamente o texto e questioná-lo, procurando encontrar as respostas para os questionamentos iniciais.
II – Assinalar em uma folha de papel os termos, conceitos, idéias etc, que deverão ser pesquisados após a leitura
inicial.
III – Fazer a segunda leitura e, a partir daí, sublinhar a idéia principal, os pormenores mais significativos, enfim, os
elementos básicos da unidade de leitura.
A prática possibilitará que o leitor perceba que raramente será necessário sublinhar uma oração inteira. Quase
sempre é uma palavra-chave que se apresenta como elemento essencial. Na realidade, a regra fundamental é sublinhar apenas o

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que é importante para o estudo realizado, e somente depois de estar seguro dessa importância. O correto é que, ao ler o
sublinhado, seja possível obter claramente o conteúdo do que foi lido.

Como esquematizar:
Esquematizar é fazer um esquema do que se leu, que na realidade corresponde a uma representação gráfica e
sintética do texto. O esquema é montado em uma seqüência lógica, que apresenta as principais partes do conteúdo do texto,
mediante divisões e subdivisões. Ele facilita a compreensão do texto, permitindo uma reflexão melhor, além de possibilitar a rápida
recordação da leitura no caso de consultas futuras. Exemplo:

Ocorrência periódica Águas do Oceano Atividade de pesca do Peru


(época do Natal) Pacífico

Águas frias das regiões Inflete para oeste antes de atingir o


polares para as regiões equador
Corrente marítima (costas da Austrália e das Ilhas
de Humboldt sul-equatorianas
Salomão)

Microrganismos animais e vegetais de Alimentos para


vida aquática (plâncton) os peixes
FENÔMENO
EL NIÑO

Desvio da corrente de Inflete para oeste, antes de atingir as


águas frias costas do Peru

Ventos provindos Aquecimento das águas


do oeste Ar quente costeiras do Peru

Diminuição da Queda do rendimento


quantidade de plâncton pesqueiro

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Uma outra forma de apresentar um esquema é através de uma listagem hierarquizada por diferenciação de espaço
e/ou subdivisão numérica, como o seguinte:

FENÔMENO EL NIÑO
1. Ocorrência periódica (época do Natal).
1.1. Águas do Oceano Pacífico.
1.1.1. Atividades de pesca do Peru.
2. Corrente marítima de Humboldt.
2.1. Águas frias das regiões polares para as regiões sul-
equatorianas.
2.1.1. Inflete para oeste antes de atingir o equador (costas da Austrália e das Ilhas Salomão).
3. Microrganismos animais e vegetais da vida aquática (plâncton).
3.1. Alimentos para os peixes.
4. Desvio da corrente de águas frias.
4.1. Inflete para oeste, antes de atingir as costas do Peru.
5. Ventos provindos do oeste
5.1. Ar quente.
5.1.1. Aquecimento das águas costeiras do Peru.
6. Diminuição da quantidade de plâncton.
6.1. Queda do rendimento pesqueiro.

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Como resumir:
O resumo é uma técnica empregada para a condensação de um texto, sendo bastante útil quando há necessidade de
uma rápida leitura, para recordar o essencial do que se estudou e a conclusão a que se chegou.
A Norma NB-88, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define resumo como “apresentação concisa
dos pontos relevantes de um texto”. Em outras palavras: apresentação sucinta, compacta, sintética, dos pontos mais importantes
de um texto, selecionando as principais idéias do autor.
Para fazer um resumo é aconselhável uma primeira leitura, seguida de um esboço do texto, na tentativa de captação
da idéia principal. Duas questões deverão ser levantadas: de que trata este texto? O que pretende demonstrar? Acreditamos que
ao proceder desta maneira, o estudante identificará a idéia central e os propósitos que nortearam o autor a escrever o texto.
Segue-se a este procedimento a tentativa de descoberta das partes principais que estruturam o texto.
Galliano (1986:90) destaca três itens que apresentam as normas práticas de elaboração do resumo:
‫ ٭‬Não resumir antes de levantar o esquema ou preparar as anotações da leitura.
É praticamente impossível resumir o que não se conhece. Por isso, para elaborar o resumo o estudante deve
basear-se em suas anotações prévias e guiar-se pelo esquema do texto. É possível resumir o que se conhece sobre algum
assunto. No entanto, resumo de texto implica, necessariamente, fidelidade ao texto original e, neste caso, não se pode confiar na
memória.
‫ ٭‬Ao redigir, usar frases breves, diretas e objetivas.
O resumo tem a finalidade essencial de abreviar. É preciso ser conciso e claro ao transpor o pensamento do autor.
Para isso, use as idéias mais importantes do texto, tratando de abrevia-las em poucas palavras e encadeá-las em seqüência.
Mas não se deve ser tão conciso no resumo quanto no esquema. Havendo necessidade, as transcrições devem ser
feitas e colocadas entre aspas, completando a referência com o número da página entre parênteses, a fim de indicar o local onde
se encontra no texto original.
‫ ٭‬Acrescentar referências bibliográficas e observações de caráter pessoal, sempre que necessário.

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Como o esquema, o resumo é também um instrumento de trabalho e deve ser o mais funcional possível. Portanto,
pode e deve oferecer, ainda que de maneira concisa, todos os elementos necessários à evocação do que se estudou, sem que
seja necessária uma nova leitura do texto original. Como a fidelidade do texto é obrigatória, assegure-se de que fique clara a
diferenciação entre o que é resumo do texto e o que é complementar e resultado do estudo, tais como idéias integradoras,
referências bibliográficas, e observações de caráter pessoal ou citações de outras fontes.
As regras para a elaboração de um resumo, segundo Serafini (1986:149), citado em Medeiros (1997:104), são:
supressão, generalização, seleção, construção.
A supressão elimina palavras secundárias do texto. Em geral são os advérbios, adjetivos, preposições, e outras,
desde que não necessários à compreensão do texto.
A generalização permite substituir elementos específicos por outros genéricos. Por exemplo:
“Em geral as águas frias são ricas em microorganismos animais e vegetais de vida aquática”.
Generalizando, temos:
“Em geral as águas frias são ricas em plâncton”.
A seleção cuida de eliminar obviedades ou informações secundárias e ater-se às idéias principais. Exemplo:
“Mas periodicamente, por ocasião das festas natalinas, havia um desvio dessa corrente, que infletia para oeste antes
de atingir as costas do Peru. Ao mesmo tempo, ventos provindos de oeste traziam ar quente, que causava um aquecimento
anômalo das águas costeiras do Peru”.
Selecionando alguns elementos, temos:
“Por ocasião das festas natalinas, as correntes infletidas para o oeste e ventos provindos, também do oeste, traziam
ar quente, causando aquecimento das águas costeiras do Peru”.
A construção de uma nova frase (paráfrase), respeitando-se, porém, o conteúdo daquela que lhe deu origem, torna
este texto anterior apresentado como:
As águas costeiras do Peru apresentam aquecimento no período natalino, devido a dois fatos: águas correntes que
inflete para oeste e ventos com ar quente trazidos desta mesma região.

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O resumo difere do esquema quanto à forma de apresentação, mas ambos apresentam a mesma finalidade:
sintetizar as idéias do autor, mantendo fidelidade.
Para Lakatos e Marconi (1992:74), os tipos de resumo são: indicativo ou descritivo, informativo ou analítico, e
crítico. Ele é indicativo ou descritivo, quando faz referência às partes mais importantes, componentes do texto. Esta forma de
resumo utiliza frases curtas, cada uma correspondendo a um elemento importante da obra. Não é simples enumeração do
sumário ou índice do trabalho e não dispensa a leitura do texto completo, pois apenas descreve sua natureza, forma e propósito.
Conforme Medeiros (1997:119), o resumo do tipo indicativo caracteriza-se como um sumário narrativo, que elimina dados
qualitativos e quantitativos e refere-se às partes mais importantes do texto. O resumo informativo ou analítico é mais amplo do que
o indicativo contém todas as informações principais apresentadas no texto e permite a dispensa da sua leitura. Tem a finalidade
de informar o conteúdo e as principais idéias do autor, salientando:

‫ ٭‬Os objetivos e o assunto (a menos que se encontre explicitado no título);


‫ ٭‬Os métodos e as técnicas (descritivas de forma concisa, exceto quando um dos objetivos do trabalho é a
apresentação de novas técnicas);
‫ ٭‬Os resultados e as conclusões.

Este tipo de resumo não deve conter comentários pessoais ou julgamento de valor, do mesmo modo que não deve
formular críticas. Deve ser seletivo e não mera repetição sintetizada de todas as idéias do autor. Utilizam-se, de preferência, as
próprias palavras de quem fez o resumo, e quando citam-se as do autor, estas são apresentadas entre aspas. Ao final do resumo,
deve-se indicar as palavras-chaves do texto e evitar expressões como: o autor disse, o autor falou, segundo o autor ou segundo
ele, a seguir, este livro (ou artigo, ou documento) e outras do gênero. Ou seja, todas as palavras supérfluas. Nesse tipo de resumo
deve-se dar preferência à forma impessoal.
O resumo crítico é aquele onde se efetua um julgamento sobre o trabalho. É a crítica da forma, no que se refere aos
aspectos metodológicos; do conteúdo, quanto ao desenvolvimento da lógica da demonstração; da técnica da apresentação das

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idéias principais. No resumo crítico não pode haver citações. Medeiros (1997:120) enfatiza que o resumo crítico também é
denominado de resenha e compreende a análise e interpretação de um texto.
Segundo a NB 88, da ABNT, deve-se evitar o uso de parágrafos no meio do resumo. Portanto, o resumo é
constituído de um só parágrafo.

Análise de Texto:
É necessário o leitor relembrar que análise significa estudar um todo, dividindo em partes, interpretando cada uma
delas, para a compreensão do todo. Quando se faz análise de texto, penetramos na idéia e no pensamento do autor que originou
o texto. Para que o estudo do texto seja completo, temos que decompô-lo em partes e, ao fazê-lo, estamos efetuando sua análise.
Para a análise do texto, Galliano (1986:91), apresenta um esquema que inclui:
a) Análise Textual – leitura visando obter uma visão do todo, dirimindo todas as dúvidas possíveis, e um esquema
do texto.
b) Análise Temática – compreensão e apreensão do texto, que inclui: idéias, problemas, processos de raciocínio,
comparações e esquema do pensamento do autor.
c) Análise Interpretativa – demonstração dos tipos de relações entre as idéias do autor em razão do contexto
científico e filosófico, de diferentes épocas, e exame crítico e objetivo do texto: discussão e resumo.
Severino (2000:54) elaborou um modelo de análise de texto, com o acréscimo de mais dois itens: problematização e
síntese pessoal.
A problematização consiste no levantamento dos problemas e discussão, enquanto a síntese pessoal trata da
reunião dos elementos de um todo, após a reflexão.
Lakatos e Marconi (1992:23) enfatizam que “a análise do texto ou a maneira de estudá-lo depende sempre do fim a
que se destina. Os textos de estudo de caráter científico requerem, por parte de quem os analisa, um método de abordagem e
certa disciplina intelectual”. Afirmam ainda que a análise do texto tem como objetivo levar o estudante a:
‫ ٭‬aprender a ler, a ver, a escolher o mais importante dentro do texto:

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‫ ٭‬reconhecer a organização e estrutura de uma obra ou texto;


‫ ٭‬interpretar o texto, familiarizando-se com idéias, estilos, vocabulários;
‫ ٭‬chegar a níveis mais profundos de compreensão;
‫ ٭‬reconhecer o valor do material, separando o importante do secundário ou acessório;
‫ ٭‬desenvolver a capacidade de distinguir fatos, hipóteses e problemas:
‫ ٭‬encontrar as idéias principais ou diretrizes e as secundárias;
‫ ٭‬perceber como as idéias se relacionam;
‫ ٭‬identificar as conclusões e as bases que as sustentam.

Análise Textual:
Para efetivar a análise textual, inicialmente o leitor deve ler o texto do começo ao fim, com o objetivo de uma primeira
apresentação do pensamento do autor. Não há necessidade dessa leitura ser profunda. Trata-se apenas dos primeiros contatos
iniciais, quando se sugere que já sejam feitas anotações dos vocábulos desconhecidos, pontos não entendidos em um primeiro
momento, e todas as dúvidas que impeçam a compreensão do pensamento do autor. Após a leitura inicial, o leitor deve esclarecer
as dúvidas assinaladas que, dirimidas, permitem que o leitor passe a uma nova leitura, visando a compreensão do todo. Nesta
segunda leitura, com todas as dúvidas resolvidas, o leitor prepara um esquema provisório do que foi estudado, que facilitará a
interpretação das idéias e/ou fenômenos, na tentativa de descobrir conclusões a que o autor chegou.
Para Galliano (1986:92), um melhor entendimento da análise textual é “informar-se melhor a respeito do autor.
Freqüentemente uma pesquisa em boas enciclopédias é suficiente para a obtenção de dados muito úteis ao estudo, pois costuma
oferecer referências valiosas sobre a vida, a obra e, quando é o caso, a doutrina do autor. Ao mesmo tempo, o estudante deve
aproveitar a oportunidade para resolver as ambigüidades e dúvidas que por acaso persistirem em determinados conceitos ou
idéias expostas no texto e cuja compreensão deixou a desejar. Muitas vezes as enciclopédias também apresentam pequenos
resumos de obras específicas, dando destaque e explicitando seus elementos fundamentais, o que ajuda consideravelmente a
elucidar questões surgidas durante a leitura. Se o texto faz referência a outros elementos que o estudante não domina, tais como

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fatos históricos, obras, doutrinas, autores etc., é ainda indispensável que obtenha os esclarecimentos requeridos. Para isso deve
recorrer aos dicionários gerais e especializados, enciclopédias, manuais didáticos, apostilas, enfim, às obras de referência que se
façam necessárias, ou consultar especialistas da área em foco”. Severino (2000:51) aborda a análise textual através da leitura,
visando o levantamento de todos os elementos importantes do texto, ou seja, credenciais do autor, metodologia, estilo,
vocabulário, fatos, autores e doutrinas.

Análise Temática:
A análise temática vem logo após a análise textual, cuja finalidade é compreender profundamente o texto. Nesta
etapa o leitor ainda não interpretará o texto, preocupando-se apenas em aprender, sem discutir nem debater com o autor.
Questiona e procura respostas. Nesta análise o leitor deverá descobrir a idéia principal, diretriz do trabalho do autor, tarefa nem
sempre fácil, visto que, às vezes, ela não está incluída no título do texto, dificultando a percepção através da leitura do sumário ou
do índice da obra. Quando a diretriz não está clara, o leitor deve investigar, e Galliano (1986:93) sugere que a maneira mais
prática de se encontrar a temática do texto é durante a leitura, quando se busca permanentemente respostas para as perguntas:

‫ ٭‬De que trata este texto?


‫ ٭‬O que mantém sua unidade global?

Nem todos os textos são redigidos com clareza, alguns são até confusos. Nesses casos, o leitor tem que procurar o
processo do raciocínio do autor, e reconstituí-lo esquematicamente, fornecendo a representação gráfica do que vem a ser,
conforme Galliano (1986:93), a “coluna vertebral” do texto. Este esquema pode ser diferente do realizado na primeira leitura,
durante a análise textual, que após obtido, possibilitará a compreensão de todo o conteúdo essencial exposto pelo autor no
desenvolvimento do seu problema.
A análise temática estará concluída quando o leitor conseguir estabelecer, com segurança, o esquema definitivo do
pensamento do autor, evidenciando que realmente aprendeu o conteúdo do texto.

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Para Severino (2000:53), a análise temática trata da apreensão do conteúdo, isto é, tema, problema, idéias (central e
secundárias), raciocínio e argumentação. É importante a análise para a elaboração de resumos e organogramas.
Análise interpretativa:
Esta análise visa a interpretação do texto. De acordo com Medeiros (1997:86), “interpretação é processo, num
primeiro momento, de dizer o que o autor disse, parafraseando o texto, resumindo-o; é reproduzir as idéias do texto. Num
segundo momento, entende-se interpretação como comentário, discussão das idéias do autor”.
Nas duas análises anteriores, o leitor “ouviu” o autor, mas na análise interpretativa já há um “diálogo”, levando aquele
a tomar uma posição própria a respeito das idéias deste. É o momento do leitor também apresentar suas idéias.
Para realizar a análise interpretativa de um texto, Galliano (1986:94) sugere o seguinte procedimento:
‫ ٭‬Não se deixe tomar pela subjetividade;
‫ ٭‬Relacione as idéias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos dias;
‫ ٭‬Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto;
‫ ٭‬Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao texto.
Essa posição tem de estar fundamentada em argumentos válidos, lógicos e convincentes;
‫ ٭‬Faça o resumo do que estudou;
‫ ٭‬Discuta o resultado obtido no estudo.
Ao finalizar a análise interpretativa, com certeza, o leitor terá adquirido conhecimento qualitativo e quantitativo sobre
o tema estudado.
A análise interpretativa conduz o leitor a atuar como crítico do que o autor escreveu.
Lakatos e Marconi (1992:24) não consideram os três tipos de análises separadamente, mas simplesmente “análise
de texto”. Orientam, portanto, o seguinte procedimento para realizá-la:
‫ ٭‬Escolhida a obra ou selecionado o texto, que deve ter sentido completo, procede-se à leitura integral do mesmo,
para se ter uma visão do todo;

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‫ ٭‬Reler o texto, assinalando ou anotando palavras ou expressões desconhecidas, valendo-se de um dicionário para
esclarecer seus significados;
‫ ٭‬Dirimidas as dúvidas, fazer nova leitura, visando a compreensão do todo. Se necessário, consultar fontes
secundárias;
‫ ٭‬Tornar a ler, procurando a idéia principal ou palavra-chave, que pode estar explícita no texto; às vezes, confundida
com aspectos secundários ou acessórios;
‫ ٭‬Localizar acontecimentos ou idéias, comparando-os entre si e procurando semelhanças e diferenças existentes;
‫ ٭‬Agrupá-los pelo menos por uma semelhança importante e organizá-los em ordem hierárquica de importância;
‫ ٭‬Interpretar as idéias e/ou fenômenos, tentando descobrir conclusões a que o autor chegou.

Fonte: (informações extraídas do livro)

SILVA, Airton Marques da e MOURA, Epitácio


Macário. Metodologia do trabalho científico. Fortaleza,
2000. 188p.

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FICHAMENTO

O Fichamento é o ato de registrar em fichas, isto é, catalogar. Ao ler um livro, é conveniente armazenar suas
informações num arquivo de fichas. De acordo com Medeiros (1997:93), outros arquivos, igualmente importantes durante a fase de
coleta de informações, são: o arquivo de leitura, de idéias e de citações.
‫ ٭‬Arquivo de Leitura – consiste no registro de resumos, opiniões, citações, enfim, tudo o que possa servir como
embasamento que dependerá por ocasião da redação do texto que tem em vista.
‫ ٭‬Arquivo Bibliográfico – registra os livros que devem ser localizados, lidos e examinados.
Um arquivo é constituído de fichas, que são valiosas para os que desejam realizar uma obra didática ou um trabalho
científico. Para o preenchimento das fichas, há um procedimento a seguir.
Um arquivo de fichas, também denominado de fichário, precisa ser funcional, para que possa manusear com certa
facilidade quando se efetuar a consulta.
Qualquer que seja o tipo de ficha, a sua composição é formada basicamente de cinco partes: cabeçalho, referência
bibliográfica, corpo ou texto, indicação da obra e local.
Título genérico
CABEÇALHO Título específico
Nº de classificação da ficha
Letra indicativa da seqüência
(quando se utiliza mais de uma ficha)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA – Deve seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
CORPO OU TEXTO – O conteúdo do corpo ou texto das fichas varia conforme o tipo das mesmas.
INDICAÇÃO DA OBRA – Esta parte é para ser utilizada, quando novamente for empregada, principalmente na vida
acadêmica ou profissional. A indicação da obra será para estudos e pesquisas em disciplinas específicas, ou para estudantes de
determinada área.

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LOCAL – Depois de fichada uma obra, é necessário saber o local onde ela se encontra, permitindo assim voltar a
procurá-la, caso haja necessidade.
Para Medeiros (1997:94), os elementos estruturais de uma ficha são apresentados no quadro seguinte:

Refere-se ao plano de Reservado para o caso


Idéias (esquema, projeto) das fichas serem várias.
Título do texto que o autor vai Use as letras: A, B, C...
Título genérico
específico escrever

Redação
Cabeçalho Forma de desenvolvimento do parágrafo
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 8ª ed. Rio de Janeiro: FGV,
Referência 1980. p. 214
Bibliográfica

Corpo da ficha (texto)

Indicado para estudantes de Comunicação Social e para a disciplina de Português


Biblioteca Mário de Andrade

Indicação
Local onde se encontra a obra dacapacidade
obra
A leitura do texto é primordial para o fichamento. O leitor deverá ter de analisá-lo, separar suas partes e
examinar como estas se inter-relacionam, observar como o texto se relaciona com outros, e competência para resumir suas idéias.

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Para Lakatos e Marconi (1992:51), a ficha é um instrumento de trabalho imprescindível para o pesquisador. Como o
investigador manipula o material bibliográfico, que em sua maior parte não lhe pertence, as fichas permitem:
a) Identificar as obras;
b) Conhecer seus conteúdos;
c) Fazer citações
d) Analisar o material;
e) Elaborar críticas.
Abade Rozier, da Academia Francesa de Ciências, foi o criador do sistema de fichas (século XVII), que até hoje é
utilizado nas mais diversas instituições, nas bibliotecas, serviços administrativos etc. Nas bibliotecas existem fichas de autores, de
títulos de séries e de assuntos, todas em ordem alfabética. Convém observar que, com o uso do computador, estas fichas são
apresentadas em programas, armazenadas no disco rígido e disquetes, onde o leitor, para efeito de consulta, acessa o arquivo que
desejar.
Existem vários tipos de fichas. Por exemplo:

Fichas de leitura
Nelas são registradas informações bibliográficas completas, anotações sobre tópicos da obra, citações diretas, juízos
valorativos a respeito da obra, resumo do texto e comentários.
Na realidade, as fichas de leituras contêm todas as informações sobre um livro ou artigo. Medeiros (1997:95) informa
que, de um modo geral, a ficha de leitura pode ter a seguinte padronização:
Ficha pequena:
M439c 7,5 x 12,5
Medeiros, João Bosco
Ficha média: 10,5 x 15,5
Comunicação escrita: a moderna prática da redação / João Bosco Medeiros
Ficha grande: 2. ed. S. Paulo: Atlas, 1992.
12,5 x 20,5
Bibliografia
Ficha de indicação bibliográfica
ISBN 85-224-0327-9

1. Português – Redação 2. Retórica I. Título


Apostila de Metodologia - Prof.ª Nivalda CENTRO DE ESTUDOS-FSL
88-0036 CDD-808.0469-808
19

A indicação das referências bibliográficas é feita segundo as normas da ABNT (NBR 6023). Pode-se valer o
pesquisador da ficha catalográfica das primeiras páginas de um livro, para a transcrição das referências, ou dos elementos
constantes da folha de rosto.

Ficha bibliográfica
A construção do Projeto de Pesquisa
A construção do Projeto Os elementos constitutivos de um projeto de pesquisa 2.3
MINAYO, Maria Cecília de Souza et al. Pesquisa social – teoria, método e criatividade. 13. ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1999, 80p.

Apresenta os 11 elementos constitutivos de um projeto de pesquisa: tema, problema, base teórica e conceitual, hipóteses, justificativa,
objetivos, metodologia, custos ou orçamentos, cronograma, referências bibliográficas, anexos.
Define cada elemento e mostra através de exemplos, como aplicar.
Analisa a relevância dos elementos na construção do projeto de pesquisa.

‫ ٭‬Indicado para estudantes de Ciências Sociais e para as disciplinas do Curso de Serviço Social.
‫ ٭‬Biblioteca da UECE e da UFC (Faculdade de Educação). O MARXISMO

Ficha de assunto REIS, José Carlos. A história, entre a filosofia e a ciência.


S. Paulo: Ática, 1994, p.40-53.

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20

No cabeçalho coloca-se somente o título do assunto, seguido da referência bibliográfica.

Ficha de título de obra

O Método Científico – Teoria e Prática

GALLIANO, A. Guilherme. O método científico – teoria e


prática. S. Paulo: Harbra, 1986.

Semelhante à ficha de assunto, entretanto, o título do assunto é substituído pelo título da obra.

Ficha de resumo ou conteúdo


Ocupações Marginais no Nordeste Paulista
Ocupações Marginais na Área Rural Setor de Mineração 5.3
MARCONI, Marina de Andrade. Garimpos e Garimpeiros em Patrocínio Paulista. S. Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas,

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21

1978, 152 p.

Pesquisa de campo que se propõe a dar uma visão antropológica do garimpo em Patrocínio Paulista. Descreve um tipo humano
característico, o garimpeiro, em uma abordagem econômica e sócio-cultural.
Enfoca aspectos geográficos e históricos da região, desde a fundação do povoado até a constituição do município. Enfatiza as
atividades econômicas da região em que se insere o garimpo, sua correlação principalmente com as atividades agrícolas, indicando que
alguns garimpeiros do local executam o trabalho do garimpo em fins de semana ou no período de entressafra, sendo, portanto, em parte,
trabalhadores agrícolas, apesar da maioria residir na área urbana.
Dá especial destaque à descrição das fases da atividade de garimpo, incluindo as ferramentas utilizadas. Apresenta a hierarquia de
posições existentes e os tipos de contrato de trabalho, que diferem do rural e o respeito do garimpeiro à palavra empenhada. Aponta o
sentimento de liberdade do garimpeiro e justifica seu nomadismo, como conseqüência de sua atividade.
A análise econômica abrange ainda o nível de vida como sendo, de modo geral, superior ao do egresso do campo e a descrição das
casas e seus equipamentos, indicando as diferenças entre ranchos da zona rural e casas da zona urbana.
Sob o aspecto sócio-cultural demonstra a elevação do nível educacional e a mobilidade profissional entre as gerações: dificilmente o pai
do garimpeiro exerceu essa atividade e as aspirações para os filhos excluem o garimpo. Faz referência ao tipo de família mais comum – a
nuclear -, aos laços de parentesco e ao papel relevante do compadrio. Considera adequados a alimentação e os hábitos de higiene, tanto dos
garimpeiros quanto de suas famílias. No que diz respeito à saúde comprova a predominância da consulta aos curandeiros e dos medicamentos
caseiros.
Faz um levantamento de crendices e superstições, com especial destaque ao que se refere à atividade de trabalho. Aponta a influência
dos sonhos nas práticas diárias.
Finaliza com um glossário que esclarece a linguagem especial dos garimpeiros.

Exemplo retirado do livro de Lakatos e Marconi (1992:64)

Existem ainda outros tipos de fichas: de citações e de comentário ou analítica.

Nos fichários das bibliotecas é normal encontrar estes modelos de fichas aqui apresentados. No meio estudantil é
comum a expressão “fazer um fichamento sobre tal livro ou assunto”. Trata-se da leitura de algo, seguida da transposição do
conteúdo lido para uma ou mais fichas, dependendo do que o estudante desejar fazer. Um fichamento pode ser: de transcrição
direta, de resumo, de comentários avaliativos. Ao fazer um fichamento, não devemos esquecer de indicar a modalidade.
De acordo com Medeiros (1997:98), a transcrição direta exige a colocação de aspas no início e no final do texto, e
consiste na reprodução fiel dos textos do autor citado. Exemplo:

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22

“Uma teoria nova afirma que os planetas Urano e Netuno nasceram perto de Júpiter, a 2 bilhões de quilômetros do
Sol, e só milhões de anos mais tarde Migraram...”
Se já houver no texto transcrito, expressão entre aspas, estas devem ser transformadas em aspas simples (‘).
Exemplo:
“Uma viagezinha de 2 bilhões de quilômetros. ‘Ninguém imaginava que mudanças radicais de órbita pudessem ter
ocorrido durante a gênese do Sistema Solar’, disse a Superinteressante Edward Thommes...”
Nos fichamentos, indica-se o número da página de onde foi extraído o texto. Se houver erros de grafia ou
gramaticais, copia-se como está no original e escreve-se entre parênteses (sic). Por exemplo : “Os autores deve (sic)
conhecer...”
A supressão de palavras é indicada com três pontos entre parênteses. Exemplo:
“Usando um supercomputador, a equipe de Thommes mostrou que Urano e Netuno surgiram perto de Saturno e de
Júpiter. (...) Depois, sacudidos pelos puxões gravitacionais de Júpiter, foram expulsos do local de nascimento, iniciando uma
viagem que os levou, lentamente, até às órbitas onde estão atualmente, a quase 4 bilhões de quilômetros da estrela”.
Supressões iniciais e finais não precisam ser indicadas:
“(...) A equipe de Thommes mostrou que Urano e Netuno surgiram perto de Saturno e de Júpiter (...)”.
Prefira:
“A equipe de Thommes mostrou que Urano e Netuno surgiram perto de Saturno e de Júpiter”.
Fichamento de Sem cortes
transcrição direta Com cortes intermediários de algumas palavras
Com corte de parágrafo intermediário

Sem cortes

Transcrição O MOMENTO DE APRENDER

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GALVADON, Luiza Laforgia, Desnudando a Escola, S. Paulo, Pioneira, 1997, p. 18 e 19.

“Existem inúmeras correntes metodológicas, cada uma delas nos mostrando como ensinar aos alunos na escola de maneira mais
eficaz.
Algumas propõem muita liberdade, outras cerceiam essa liberdade, e ambas as formas muitas vezes são apontadas como fracasso do
aluno na escola.
Independentemente do critério disciplinar adotado pela escola, vêm os sérios problemas encontrados pelas crianças das séries iniciais
que ali permanecem muitos anos sem conseguir aprender.
Seria muito simples mostrar um método milagroso que as fizesse aprender rapidamente; é o que todos queriam, com certeza. Nessa
idéia simplista, esquecemos que estamos tratando de crianças, de gente, e que se fossem máquinas desajustadas, seria fácil apertar um
parafuso que estivesse frouxo ou trocar uma peça quebrada, mas estamos falando de gente, de quem não se aperta um parafuso, nem se
troca peça.
Muitas vezes racionalizamos muito, fazemos tudo em ‘caixinhas’ na nossa cabeça. Queremos que todos aprendam ao mesmo tempo,
da mesma maneira. A criança tem de aprender o que nós ensinamos naquele momento.
Deus fez o mundo e tudo o que nele existe. A natureza é sábia, o equilíbrio ecológico incrível. As frutas nas árvores no seu tempo
amadurecem paulatinamente, proporcionando-nos frutas maduras por muito tempo. As flores de uma roseira não abrem todas no mesmo dia e
na mesma hora; vão abrindo aos poucos e quando uma rosa desfolha, um botão já está lindo. E nós estamos sempre descobrindo novos frutos
maduros para nos deliciar e novas flores para nos alegrar.
Quando falamos em educação, em aprendizagem, em criança, parece que o ser humano não pertence ao mundo, que não existem leis
da natureza para ele.
Ao percebermos que determinada criança não aprendeu ‘naquele momento’ como as outras, ficamos angustiados, sentimo-nos
fracassados. Esquecemos que não determinamos o momento em que deveria nascer o primeiro dente, que não determinamos o dia em que a
criança deveria andar; é tudo uma descoberta, uma alegria, e a única coisa que queremos determinar é o dia em que ela deve aprender!
Falta amor pela criança na falta de confiança em sua capacidade, na impaciência pela espera de um momento de descoberta, mágico,
lindo, maravilhoso como o amadurecer do fruto, como o abrir da rosa, o momento certo de aprender“.

Com cortes intermediários de algumas palavras

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Transcrição O MOMENTO DE APRENDER

GALVADON, Luiza Laforgia, Desnudando a Escola, S. Paulo, Pioneira, 1997, p. 18 e 19.

“Existem inúmeras correntes metodológicas, cada uma delas nos mostrando como ensinar aos alunos na escola de maneira mais
eficaz.
Algumas propõem muita liberdade, outras cerceiam essa liberdade, e ambas as formas muitas vezes são apontadas como fracasso do
aluno na escola.
Independentemente do critério disciplinar adotado pela escola, vêm os sérios problemas encontrados pelas crianças das séries iniciais
que ali permanecem muitos anos sem conseguir aprender.
Seria muito simples mostrar um método milagroso que as fizesse aprender rapidamente. (...)
Muitas vezes racionalizamos muito, fazemos tudo em ‘caixinhas’ na nossa cabeça. Queremos que todos aprendam ao mesmo tempo,
da mesma maneira. A criança tem de aprender o que nós ensinamos naquele momento.
Deus fez o mundo e tudo o que nele existe. A natureza é sábia, o equilíbrio ecológico incrível. (...) As flores de uma roseira não abrem
todas no mesmo dia e na mesma hora; vão abrindo aos poucos e quando uma rosa desfolha, um botão já está lindo. E nós estamos sempre
descobrindo novos frutos maduros para nos deliciar e novas flores para nos alegrar.
Quando falamos em educação, em aprendizagem, em criança, parece que o ser humano não pertence ao mundo, que não existem leis
da natureza para ele. (...)
Esquecemos que não determinamos o momento em que deveria nascer o primeiro dente, que não determinamos o dia em que a
criança deveria andar; é tudo uma descoberta, uma alegria, e a única coisa que queremos determinar é o dia em que ela deve aprender!
Falta amor pela criança na falta de confiança em sua capacidade, na impaciência pela espera de um momento de descoberta, mágico,
lindo, maravilhoso como o amadurecer do fruto, como o abrir da rosa, o momento certo de aprender“.

Ao transcrever textos é preciso rigor, observando aspas, itálicos, negritos, maiúsculas, pontuação etc. Por hipótese
nenhuma se deve alterar o texto, como por exemplo, trocando palavras por outras de sentido equivalente. Mesmo que dois
parágrafos consecutivos sejam de extensão reduzida, eles não devem ser transformados num só.

Fichamento de resumo

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Resumo é um tipo de redação que reduz um texto às suas idéias principais, sem fazer comentários. A ficha de
resumo apresenta uma síntese das idéias do autor. Não é um sumário ou índice das partes da obra. As idéias contidas no resumo
devem ser expostas abreviadamente, sem citações.

Resumo O MOMENTO DE APRENDER

GALVADON, Luiza Laforgia, Desnudando a Escola, S. Paulo, Pioneira, 1997, p. 18 e 19.

“Para tornar o ensino mais eficaz usam-se diferentes tipos de metodologia. Entretanto observa-se que as crianças das séries iniciais,
nem sempre apresentam um bom rendimento em sua aprendizagem. Uma das razões é porque geralmente o educador esquece que a criança
é gente, e que nem todas vão aprender ao mesmo tempo e naquele momento. Praticamente, na natureza tudo tem o tempo certo de
acontecer. Temos que respeitar as fases de desenvolvimento da criança e ensinar os conteúdos no momento certo de aprender”.

Fichamento de comentários
Para a elaboração da ficha de comentários, o leitor deve analisar os aspectos quantitativos e qualitativos do texto.
Para Medeiros (1997:108), os aspectos quantitativos relacionam-se com a “extensão do texto, sua constituição
(ilustrações, exemplos, bibliografia, citações), conceitos abordados”. Nos aspectos qualitativos temos a análise, detectando a
hipótese do autor, objetivo, motivo pelo qual escreveu o texto e as idéias que o fundamentam.
Ao começar um texto, conforme Medeiros (1997:108), devemos atentar para os seguintes detalhes:
‫ ٭‬organização (se o comentário é claro, lógico e consistente);
‫ ٭‬exemplificação (se é genérico ou específico);
‫ ٭‬exposição (se é formal ou informal);
‫ ٭‬argumentação (se há pontos fortes e fracos)
‫ ٭‬terminologia (se é preciso).

Não se deve elaborar uma ficha de comentários sem antes fazer uma avaliação detalhada da obra.

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Comentário O MOMENTO DE APRENDER

GALVADON, Luiza Laforgia, Desnudando a Escola, S. Paulo, Pioneira, 1997, p. 18 e 19.

“O texto de GALVADON aborda a aprendizagem da criança, chamando atenção do educador para ensinar no momento certo. Algumas
vezes esquecemos deste fato e comparamos a idade da criança com a nossa, e não percebemos que ela tem fases de desenvolvimento.
Quando temos que ensinar um determinado conteúdo para as crianças, além da metodologia a ser empregada, levar em consideração se elas
estão no momento certo para aprender este conteúdo. Enfim, falar a linguagem delas e não a nossa, verificando se o que vamos repassar para
elas é compreensível para a sua idade mental. Quando isso acontecer, com certeza o rendimento da aprendizagem será bem melhor”.

OUTRA MANEIRA DE CONSTRUIR FICHAMENTOS


Capa Páginas seguintes Observações:
CENTRO DE ESTUDOS Não somente a capa como também as páginas seguintes, têm
CURSO TÉCNICO EM ...
1) OBJETO DE ESTUDO DO TEXTO que obedecer às orientações emanadas pela ABNT, quanto
ao:
2) OBJETIVO (s) ▪ papel
Nome do aluno (S) ▪ margens (superior/esquerda – 4 cm; inferior/direita – 2cm)
3) METODOLOGIA
▪ tamanho da fonte (18 ou 16 para títulos, 16 ou 14 para sub-
4) FONTE (s) títulos, 12 para texto normal.
FICHAMENTO ▪ tipo de fonte (Arial ou Times New Roman)
5) PRINCIPAIS CONCEITOS (nº da
SILVA, Airton Marques da;MOURA, Epitácio página no final) ▪ recuo de parágrafo (2,5 cm)
Macário. Metodologia do trabalho científico. ▪ espaço entre linhas (1,5cm ou duplo)
Fortaleza, 2000. p. --- a --- . 6) PRINCIPAIS CONCLUSÕES (idem)
7) COMENTÁRIO PESSOAL
ARACAJU/SE 8) PALAVRAS-CHAVE
MÊS/ANO

Fonte: (informações extraídas do livro)


SILVA, Airton Marques da e MOURA, Epitácio Macário. Metodologia do trabalho científico. Fortaleza, 2000. 188 p.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO E OUTRAS FORMAS DE CONHECIMENTO

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c
Cotidiano e conhecimento científico
O Cotidiano
O cotidiano é a vida de todo dia. Todo indivíduo e toda sociedade tem um cotidiano. Até mesmo a guerra pode tornar-
se cotidiano. E isto porque a vida cotidiana é o mundo da familiaridade. Tudo que se repete diariamente torna-se parte do
cotidiano. Uma novidade quebra ou suspende a vida cotidiana. Mas tão logo ela passe a repetir-se sistematicamente, deixa de ter
o poder de suspensão do cotidiano e passa a ser parte deste.
É a familiaridade dos fatos e ocorrências do cotidiano que nos capacita a atuar, respondendo às demandas que se
nos apresentam. A familiaridade e a freqüência com que ocorrem os fenômenos do cotidiano é o que cria o hábito. Assim, as
coisas cotidianas são resolvidas muito mais por hábito, na esfera dos costumes, que por exame acurado e crítico. É precisamente
a familiaridade, o hábito e o costume que nos tornam desatentos quanto às ocorrências de todo dia.
Pelo hábito, nossa conduta é mais de aceitação da realidade imediata que de recusa, agimos espontaneamente e
não por esforço metódico, nossos atos tornam-se automáticos e não refletidos. A vida cotidiana envolve todo homem e o homem
por inteiro. Nossa existência se realiza no cotidiano. Eis porque uma de suas características é precisamente a insuprimibilidade. É
nessa esfera que realizamos os atos utilitários da vida, por isso não a podemos suprimir.
O cotidiano é fragmentado e caótico, isto é, os fatos que vivenciamos apresentam-se como singularidades em meio a
outras singularidades. Julgamos as demandas e ocorrências que nos cercam pela sua imediatez e não enxergamos a conexão
devida entre os fatos.

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28

É a vida cotidiana que engendra um tipo particular de compreensão do mundo, um tipo particular de consciência: uma
consciência comum ou senso comum. Neste, concepções, visões de mundo já bastante ultrapassadas pelo movimento histórico
somam-se a preconceitos e noções vulgarizadas, perfazendo um complexo conjunto que orienta os atos dos indivíduos. Por outro
lado, encontram-se sedimentados no senso comum elementos da atualidade, das descobertas científicas, dos avanços do
conhecimento racional. Assim, pois, podemos dizer que o senso comum é um tipo particular de consciência, de visão do mundo
formado a partir da sedimentação espontânea de valores, de representações e conceitos em torno dos fatos sociais e naturais,
onde se encontram desde concepções ultrapassadas e preconceitos os mais diversos, mas também fragmentos do que há de mais
avançado no conhecimento científico-racional da atualidade.

A ciência emerge do cotidiano


O conhecimento científico – enquanto fenômeno humano-social – tem no cotidiano o impulso e a razão de sua
existência.
Não obstante, deve-se ter claro, que ciência e cotidiano só coincidem no ponto de partida e no ponto de chegada.
Todavia, todo o processo de descoberta da realidade estudada pela ciência dá-se numa esfera extra-cotidiana, além do cotidiano.
O conhecimento enraizado no senso comum, a consciência comum acerca das coisas e fenômenos da realidade são insuficientes
para explicar estas coisas e fenômenos. Este conhecimento comum não nos fornece uma visão completa e estruturada das coisas
e, por isso, impossibilita-nos de desenvolvermos uma ação mais eficiente. Não nos possibilitando conhecer o em-si1 das coisas
(dos fenômenos), não nos possibilita controlar os fenômenos adequadamente.
É comum, pois, que o conhecimento espontâneo do cotidiano nos dê uma visão bem distante do que são os
fenômenos em-si.
1
Todo objeto de conhecimento tem duas dimensões: o seu em-si e o para-nós. O em-si das coisas constitui aquilo que elas são em si mesmas, mesmo antes que entrássemos
em contato com ela. O para-nós das coisas significa o conjunto de símbolos, de representações e conceitos que construímos em torno delas. Assim sendo, o em-si não coincide
com o para-nós. A ciência só pode manipular os fenômenos da forma eficaz como o faz porque tenta aproximar, cada vez mais, os conceitos e representações construídos
acerca dos fenômenos (o para-nós) com aquilo que eles são realmente (com o seu em-si). Embora estas duas dimensões nunca coincidam – porque uma é a realidade em-si
mesma e a outra é apenas a realidade para-nós, realidade ideal (conceitual) – quando pretendemos explicar cientificamente um fenômeno qualquer temos que procurar
investigá-lo de forma imanente, fazendo um esforço de consciência para construirmos uma representação (teoria) o mais próximo possível da realidade estudada. É por esta
via que a ciência pôde já compreender várias manifestações da natureza e da sociedade, capacitando-nos, em alguns casos, atuar controladamente sobre elas.
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Como é, então, que ciência e cotidiano, conhecimento científico e senso comum se ligam?
Como demonstrar que a ciência parte do cotidiano e a ele retorna?
Quando Galileu Galilei, depois de Nicolau Copérnico, afirmou que o Sol era o centro do sistema e que a Terra girava
ao seu redor, ele partiu de uma prática e de uma pergunta tão antiga quanto a humanidade: a de observar os céus e se questionar
em torno dele. Um fato, portanto, do cotidiano.
Marx criou seu sistema explicativo da sociabilidade capitalista questionando um fato que para todos, ainda hoje, é
natural e evidente em si mesmo: o fenômeno histórico de todas as relações entre as pessoas, no capitalismo, serem medidas por
mercadorias.
Se todos partiram da realidade cotidiana mesma questionando fatos e ocorrências que a todos pareciam
inquestionáveis, porque evidentes em si mesmas, resta lembrar que tanto Galileu como Marx desenvolveram um procedimento de
apreensão dos seus objetos de estudo bastante peculiar, isto é, a forma de efetivação desse conhecimento foi bastante diferente
daquela com que se constrói o conhecimento do senso comum. Quais as diferenças, então?

A ciência afasta-se do cotidiano


Os metodólogos nos dizem que é exatamente pela forma com que se constrói o conhecimento científico que este se
distingue do senso comum. O fato é que o conhecimento que dá base a nossas ações automáticas, do dia-a-dia, é construído
sempre espontânea e historicamente através da sedimentação de costumes e hábitos. Isto nos leva a concluir que o conhecimento
do senso comum é comodista, muito mais aceita que questiona os fatos. Bem diferente é o que ocorre com o conhecimento
científico. Este parte do cotidiano, porém, questionando-o, problematizando-o. Não aceita os fenômenos assim como eles se
apresentam e levanta uma dúvida, uma pergunta acerca deles. Tendo formulado a questão-chave em torno do objeto que quer
conhecer, o pesquisador parte das primeiras impressões (hipóteses) que já tem sobre uma possível resposta. A partir daí,
prossegue investigando o fato exatamente procedendo a sua decomposição para estudá-lo separadamente. Ao final desse
processo o pesquisador tem uma compreensão muito maior acerca do objeto estudado, podendo, então elaborar sua base
conceitual, ou seja, criar uma teoria do objeto. O conceito e a teoria são, pois, resultado final do processo investigativo e não o

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ponto de partida. As pré-noções ou hipóteses levantadas pelo pesquisador no início da investigação são, agora, comprovadas ou
refutadas.
Podemos resumir afirmando que o processo de construção do conhecimento científico é que o diferencia do
conhecimento do senso comum. Tal processo é eminentemente metódico, organizado, sistematizado. A construção do
conhecimento científico força-nos, obrigatoriamente, a realizar um distanciamento do cotidiano. Tal distância significa, exatamente,
que não nos conformando com as impressões primeiras acerca do objeto, partimos para um processo investigatório.
Tendo saído da esfera da pseudo-concreticidade e atingido a dimensão do concreto-pensado, ou seja, tendo partido
do objeto tal como se apresenta imediatamente e tendo já adquirido a compreensão de si e de suas relações com os demais
fenômenos circundantes, agora o conhecimento tem uma ação de volta ao próprio cotidiano; o conhecimento volta, portanto, ao
fato tal como se passa na vida de todo dia.
É nesse momento, quando a concreticidade do objeto foi já captada e construída mentalmente, que surge a teoria
científica. A teoria é, pois, o resultado final de uma investigação científica que pretende representar o fenômeno estudado naquilo
que ele é realmente, na sua dimensão concreta.

O conhecimento científico volta ao cotidiano


Se podemos afirmar que a vida do dia-a-dia é o ponto de partida e de chegada da ciência, temos de admitir, porém,
que quando do seu retorno o conhecimento científico traz uma iluminação muito mais densa do objeto, capacitando-nos a enxergá-
lo de vários ângulos.
O percurso de retorno, pois, da teoria (concreto pensado) para a prática (cotidiano), faz com que enxerguemos os
fatos que nos cercam com maior precisão e possamos, assim, agir mais eficientemente sobre eles. Nesse sentido, a teoria
científica, uma vez retornando à vida prática, provoca inúmeras mudanças e pode impulsionar até verdadeiras revoluções – como
a que provocara Galileu com sua teoria heliocêntrica. Por isso afirmamos que o conhecimento científico parte do cotidiano,
distancia-se deste e a ele retorna. O cotidiano é o ponto de partida e de chegada. Porém quando o sujeito volta ao cotidiano,

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munido de um conhecimento teórico profundo sobre os fenômenos, sua prática se enriquece e as possibilidades de uma ação
transformadora começam a perfilar-se na própria realidade histórica. A realidade torna-se iluminada pelo conhecimento.

QUATRO FORMAS DE CONHECIMENTO

CONHECIMENTO POPULAR

As principais características do conhecimento aqui denominado de popular (expressão que os autores utilizam para
representar o conhecimento calcado no senso comum) são:
▪ valorativo: significa que se constrói e realiza de acordo com o estado de ânimo e as emoções do sujeito
cognoscente. Diz-se que a compreensão obtida por via desse tipo de conhecimento é permeada, do começo ao fim, por valores
subjetivos, ideológicos, crenças etc. É muito comum em tempos de eleições as pessoas comuns julgarem os candidatos e
tomarem posicionamentos em virtude da sua religião, da sua simpatia ou até de seu aspecto físico.
▪ direto e imediato: forma-se a partir de uma reflexão do sujeito cognoscente. Entretanto o grau de reflexão aqui
envolvido não ultrapassa a esfera do que é bastante familiar, daquilo com o que o sujeito já é acostumado. Os dados da
experiência imediata é que dão base a esta reflexão, não permitindo que se possa formular uma regra geral do objeto. Assim, as
coisas, os fatos, os fenômenos são intuídos pelo que apresentam imediatamente, não se buscando uma verificação que atinja o
fundo do problema.
▪ assistemático: baseando-se na experiência imediata, fragmentada do sujeito não pode ser sistematizado;
apresenta-se caótica e desordenadamente. Isso dificulta seu ensino e transmissão, só sendo possível através dos costumes e
tradições.
▪ verificável: pode ser verificado na imediatidade do cotidiano.
▪ falível: em se conformando com a aparência imediata dos fatos, não permite a formulação de hipóteses gerais que
sejam válidas para todas as situações.

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CONHECIMENTO RELIGIOSO (Teológico)

Diz Galliano: “De modo geral, o conhecimento teológico apresenta respostas para questões que o homem não pode
responder com os conhecimentos vulgar, científico ou filosófico”. Assim, pois, os sujeitos lançam mão da busca de verdades
reveladas por divindades (por Deus) que justifiquem sua existência. Suas características são:
▪ valorativo e inspiracional: parte de doutrinas onde se encontram proposições sagradas, revelações divinas
interpretadas por sujeitos inspirados pela (s) divindade (s).
▪ sistemático: traz uma explicação sobre a origem do mundo e do ser humano, o significado de sua existência e seu
destino.
▪ não verificável e infalível: por se tratar de revelações não pode ser verificado empiricamente, nem através de
experimentos. Trata, muito antes de um dogma, de fé. Por isso é inquestionável e infalível.

CONHECIMENTO FILOSÓFICO

O conhecimento filosófico ao se preocupar, perguntar pelo sentido da história humana e pelos princípios norteadores
da ação prática dos indivíduos na sociedade, aproxima-se do conhecimento teológico, pois este também tem como objeto tais
princípios de vida. Porém, seu ponto de partida difere radicalmente deste outro conhecimento. Não obstante, ele também difere do
conhecimento popular e científico pelo objeto com que se debate, assim como pelo procedimento metodológico adotado. Suas
características são:
▪ valorativo: precisamente porque as hipóteses formuladas no nível filosófico partem da experiência e não da
experimentação e, por isso mesmo, trazem as marcas do sujeito cognoscente (suas visões de mundo, seus princípios etc). Seu
ponto de divergência com o conhecimento teológico reside no fato de partir sempre da pergunta, do questionamento (e não da fé),
acerca dos fatos da realidade.

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33

▪ sistemático: partindo da questão, da pergunta, tenta levantar hipóteses e enunciados coerentes e organizados
acerca da realidade. Sua coerência e sistematização permitem que seja transmitido metodicamente.
▪ não verificável e infalível: ao contrário do que ocorre na ciência, seus postulados não podem ser verificados por
experimentos tampouco podem ser invalidado pela experiência. Um dos procedimentos metodológicos fundamentais da Filosofia é
que ela busca a explicação da totalidade dos fenômenos, ou seja, ela não fragmenta a realidade para poder estudá-la, mas, pelo
contrário, tenta entender os fatos a partir da sua cadeia de relações concretas. Eis aqui um dos fatores que impossibilitam sua
experimentação empírica. Infalível não quer dizer inquestionável.
Do ponto de vista racional todo e qualquer sistema filosófico pode ser questionado, isto é, o que existe são visões
filosóficas que se debatem no campo do conhecimento humano. Mas, nenhum deles pode ser considerado falido, superado por via
experimental, por via da comprovação empírica.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Se a aparência dos fatos coincidisse com sua essência o conhecimento científico seria desnecessário. Donde pode-
se afirmar que o conhecimento científico não se satisfaz com a aparência imediata dos fenômenos e parte em busca daquilo que
eles não apresentam na sua face mais visível, parte em busca do que está oculto. Ele não é resultado do espontaneismo, pois
“...resulta de investigação metódica, sistemática da realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os
para descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem”. 2 Torna-se claro que o conhecimento científico apresenta
características peculiares, que são:
▪ real (factual) e verificável: porque lida com toda e qualquer forma de existência, isto é, tem como preocupação
ocorrências e fatos verificáveis na realidade empírica.
▪ metódico: não é imediato e espontâneo, mas é resultado de uma busca organizada através de um método. É fruto
de uma construção histórica onde o sujeito cognoscente busca pesquisar primeiro o fenômeno para depois apresentá-lo

2
Cf. GALLIANO, op. cit., p.19.
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34

teoricamente. Não nasce da inspiração, mas da pesquisa realizada com ferramentas apropriadas, cujo percurso também conta
com regras básicas.
▪ sistemático: procura organizar logicamente os dados conseguidos na pesquisa objeto investigado, relaciona tais
dados em tabelas, descreve-os, analisa-os e elabora teorias. Por conta disso, pode ser facilmente transmitido para outros
pesquisadores e/ou estudantes, tornando-se facilmente generalizável para toda a sociedade.
▪ falível e aproximadamente exato: não é definitivo. Revela sempre aproximações da realidade.
Não consegue exaurir o objeto absolutamente. Não obstante, revela algum teor de verdade sobre os objetos
estudados ao ponto de possibilitar a intervenção prática dos sujeitos, seu controle e transformação. Diz-se, por isso, que a ciência
está sempre em construção não existindo postulados e/ou teorias eternas.

Fonte: (informações extraídas do livro)

SILVA, Airton Marques da e MOURA, Epitácio


Macário. Metodologia do trabalho científico. Fortaleza,
2000. 188p.

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35

MÉTODO
O que é Método?

Dependendo do autor, existem várias maneiras de se conceituar método, não havendo, porém, necessidade de
adoção de apenas uma das definições. O importante é entender o verdadeiro significado de método, para que possa, no momento
seguinte, saber o que representa para pesquisa o método científico.
Ao acordar, as pessoas seguem regras elementares que estão relacionadas com o seu comportamento diário.
Quando seguem estas mesmas regras durante todos os dias, estão seguindo um método. Neste caso, método corresponde a uma
série de regras para tentar resolver uma situação.
Devido a distrações no emprego de métodos, mesmo que referentes às atividades simples e corriqueiras, não
alcançamos, na primeira tentativa, o resultado desejado. Para tal fim, devemos voltar ao início da seqüência correta das ações, ou
seja, observar o método. Na realidade, quando a distração foi cometida, o método deixou de ser aplicado, e quando isso acontece,
o objetivo não será atingido, e daí você gastará tempo e energia inutilmente.
Mesmo sabendo que existem inúmeras definições de método, adotamos uma bem simples, mas esclarecedora:
“caminho para se chegar a um determinado fim”.
Para se atingir um determinado fim procuramos o caminho mais viável. Isso é método.

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36

Normalmente você está cercado de métodos por todos os lados, mesmo que em alguns momentos não tenha
consciência disso. O método não é único, nem permanece exatamente o mesmo, porque reflete as condições históricas concretas
(as necessidades, a organização social para satisfazê-las, o nível de desenvolvimento técnico, as idéias, conhecimentos já
produzidos) do momento histórico em que o conhecimento foi elaborado.
Técnica quer dizer: “como percorrer o caminho indicado pelo método”. De acordo com Nérici (1981:54), metodologia
é o conjunto de procedimentos expressos pelos métodos e técnicas, que visam levar a alcançar os objetivos propostos.

PROCEDIMENTO DE ELABORAÇÃO DO MÉTODO CIENTÍFICO

Segundo Galliano (1986:32), método científico é um instrumento utilizado pela ciência na sondagem da realidade,
formado por um conjunto de procedimentos, mediante os quais os problemas científicos são formulados e as hipóteses científicas
são examinadas. O método científico proporciona uma orientação geral que facilita ao cientista planejar sua investigação, formular
suas hipóteses, realizar suas experiências e interpretar seus resultados. Dependendo das circunstâncias e do objeto de
investigação, o método científico pode falhar em alguns casos. Entretanto, ele pode ser aperfeiçoado. “Uma das características
básicas do método científico é a tentativa de resolver problemas por meio de suposições, isto é, de hipóteses, que possam ser
testadas através de observações ou experiências. Uma hipótese contém previsões sobre o que deverá acontecer em
determinadas condições. Se o cientista fizer uma experiência e obtiver os resultados previstos pela hipótese, esta será aceita, pelo
menos provisoriamente. Se os resultados forem contrários aos previstos, ela será considerada falsa, e outra hipótese terá que ser
buscada”. (Gewandsnajder, 1989:3).
O método científico implica em utilizar de forma adequada a reflexão e experimentação. Para tanto, o seu
instrumental é evocado pautando a orientação a ser seguida. Não há ciência sem o emprego de métodos científicos.
Para ficar bem claro, vamos aproveitar o exemplo dado por Gewandsnajder (1989:4) que descreve os procedimentos
usados por um médico para diagnosticar e tratar de uma doença em uma criança:

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Cláudia, uma menina de oito anos é levada ao médico com dor de garganta, febre e dificuldade de engolir. O médico
constata, imediatamente, que há uma doença, mas ainda não sabe sua causa: ele percebe que há um problema a ser resolvido. É
a descoberta do problema. Se a informação da doença for clara, ele sairá a procura de conhecimentos ou instrumentos
relevantes a este tipo de doença, como dados já existentes de outros pacientes com os mesmos sintomas, estudo das teorias
sobre o assunto, uso de um termômetro, para medir a temperatura, envio de material retirado da garganta de Cláudia para
examinar em um laboratório. Se por acaso as informações da doença não forem claras, isto é, a menina não sabe se é a garganta
que dói ou se é um dente com cárie, que a febre é inconstante, e dependendo do alimento tem dificuldade em engolir. Neste caso,
o problema precisa ser mais preciso, isto é, melhor colocado. Para isso o médico deve conversar melhor com Cláudia, colocá-
la em observação, até ter clareza de sua doença. Após vencer estas etapas, o médico, provavelmente, devido a seus estudos e
sua prática poderá diagnosticar a doença da criança através de tentativa de solução da doença com auxílio dos meios
identificados, e daí obterá uma solução exata ou aproximada, entretanto se a tentativa de solucionar o problema for inútil,
passa a formular uma hipótese, que é imaginar que Cláudia esteja com uma infecção na garganta, surgindo então a invenção de
uma nova idéia. Passa então a procurar outros sinais de infecção: observa a garganta da criança e mede sua temperatura. Se a
criança realmente estiver com uma infecção, sua garganta estará inflamada, o termômetro deverá indicar febre e o exame do
laboratório acusará a presença de germes causadores da doença. O médico estará então realizando observações e experiências
para testar sua hipótese. Caso a hipótese de infecção se confirme, ela será aceita, pelo menos provisoriamente. Se os testes não
indicarem infecção, outras hipóteses terão de ser testadas, ou talvez alguns testes tenham de ser refeitos e desse modo, a
hipótese poderá ser confirmada ou refutada pela experiência. Após diagnosticar a doença, o médico deverá investigar as
conseqüências que a doença provocará caso não seja combatida e daí ele receitará os medicamentos adequados para combater
a doença. Normalmente o médico solicita o uso dos remédios por um determinado período (talvez duas semanas), e pede para
Cláudia retornar a seu consultório, e quando isso acontecer e ela estiver totalmente curada, teremos a prova da solução do
problema, e a pesquisa é dada como concluída, até novo aviso. Entretanto, se a criança não estiver curada, então o médico fará a
correção da hipótese, novos procedimentos serão realizados, novos dados deverão ser empregados na obtenção de uma
solução correta do problema, tendo início um novo ciclo de investigação.

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Um médico quando atua desta maneira atua como um cientista e, portanto, estará aplicando o método científico
para resolver seu problema. É importante compreender que, mesmo que os testes aparentemente confirmem a presença de uma
infecção, outras observações ou experiências, como por exemplo a evolução do doente, podem lançar dúvidas sobre o diagnóstico
ou sobre os resultados de alguns testes. É necessário, na investigação científica, que todos estes procedimentos sejam revistos,
iniciando-se então um novo ciclo de investigações. Esta é, na realidade, uma das principais características do conhecimento
científico, ele é autocorretivo, capaz de colocar sempre em dúvidas antigas “verdades” quando encontra provas mais adequadas,
corrigindo-se, progredindo, aperfeiçoando-se.

Fonte: (informações extraídas do livro)

SILVA, Airton Marques da e MOURA, Epitácio Macário.


Metodologia do trabalho científico. Fortaleza, 2000.
188p.

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METODOLOGIA

COMO?

COM QUÊ?

QUANTO?
ONDE? ??

A especificação da metodologia da pesquisa é a que abrange maior número de itens, pois responde, a um só tempo,
as questões: como?, com quê?, onde?, quanto? Corresponde aos seguintes componentes:

MÉTODO DE ABORDAGEM

Este método se caracteriza pelo modo mais amplo de como a pesquisa é abordada e segue uma característica
rigorosamente filosófica, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da sociedade. É, portanto,
denominado método de abordagem, que engloba:
▪ método indutivo – cuja aproximação dos fenômenos caminha geralmente para planos cada vez mais abrangentes,
indo das constatações mais particulares às leis e teorias;
▪ método dedutivo – que, partindo das teorias e leis, na maioria das vezes prediz a ocorrência dos fenômenos
particulares;
▪ método hipotético-dedutivo – que se inicia pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos acerca da qual
formula hipóteses e, pelo processo de inferência dedutiva, testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela hipótese;

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40

▪ método dialético – que penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca, da contradição inerente
ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.

MÉTODOS DE PROCEDIMENTO

Constituem etapas mais concretas da investigação, com finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos
fenômenos menos abstratos. Pressupõem uma atitude concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio
particular. Alguns métodos de procedimento:
Método Histórico:
As atuais formas de vida social, as instituições e os costumes têm origem no passado, é vital pesquisar suas raízes
para compreender sua natureza e função.
Método Comparativo:
Considera o estudo das semelhanças e diferenças entre diversos grupos, sociedades ou povos. Este método realiza
comparações com a finalidade de verificar similitudes e explicar divergências.
Método Monográfico:
Parte do princípio que qualquer caso que se estude em profundidade pode ser considerado representativo de muitos
outros, ou até de todos os casos semelhantes. Consiste no estudo de um item em especial visando obter generalizações.
Método Estatístico:
Significa redução de fenômenos sociológicos, políticos, econômicos etc. a termos quantitativos e a manipulação
estatística, que permite comprovar as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua natureza, ocorrência ou
significado.
Método Tipológico:
Procura comparar fenômenos sociais complexos, onde se cria tipos ou modelos ideais, construídos a partir da análise
de aspectos essenciais do fenômeno.

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Método Funcionalista:
É mais um método de interpretação do que de investigação. O método estuda a sociedade do ponto de vista da
função de suas unidades, isto é, como um sistema organizado de atividades.
Método Estruturalista:
Parte da investigação de um fenômeno concreto e eleva-se a seguir, ao abstrato, por intermédio da constituição de
um modelo que represente o objeto de estudo, retornando por fim ao modelo concreto.

TÉCNICAS
São consideradas um conjunto de condutas ou processos de que se serve uma ciência; são, também, a habilidade
para usar essas condutas ou normas, na obtenção de seus propósitos. Correspondem, portanto, à parte prática de coleta de
dados. Apresentam duas grandes dimensões: documentação indireta, abrangendo a pesquisa documental e a bibliográfica e
documentação direta. Esta última subdivide-se em:
► observação direta intensiva, com as técnicas da:
▪ observação – utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver
e ouvir, mas também em examinar atos ou fenômenos que se deseja estudar. Pode ser Sistemática, Assistemática, Participante,
Não Participante, Individual, em Equipe; na Vida Real, em Laboratório;
▪ entrevista – é uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica; proporciona ao entrevistador,
verbalmente, a informação necessária.
Tipos: Padronizada ou Estruturada, Despadronizada ou Não Estruturada, Painel.

► observação direta extensiva, apresentando as técnicas:


▪ questionário – constituído por uma série de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do
pesquisador;

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▪ formulário – roteiro de perguntas enunciadas pelo entrevistador e preenchidas por ele com as respostas do
pesquisado;
▪ medidas de opinião e de atitudes – instrumento de padronização, por meio do qual se pode assegurar a
equivalência de diferentes opiniões e atitudes, com a finalidade de compará-las;
▪ testes – instrumentos utilizados com a finalidade de obter dados que permitam medir o rendimento, a freqüência, a
capacidade ou a conduta de indivíduos, de forma quantitativa;
▪ sociometria – técnica quantitativa que procura explicar as relações pessoais entre indivíduos de um grupo;
▪ análise de conteúdo – permite a descrição sistemática, objetiva e quantitativa do conteúdo da comunicação;
▪ história de vida – tenta obter dados relativos à “experiência íntima” de alguém que tenha significado importante para
o conhecimento do objeto em estudo;
▪ pesquisa de mercado – é a obtenção de informações sobre o mercado, de maneira organizada e sistemática, tendo
em vista ajudar o processo decisivo nas empresas minimizando a margem de erros.

Independentemente da (s) técnica (s) escolhida (s), deve-se descrever tanto a característica quanto a forma de sua
aplicação, indicando, inclusive, como se pensa codificar e tabular os dados obtidos.

DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO

Conceituando, universo ou população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos
uma característica em comum. Sendo N o número total de elementos do universo ou população, o mesmo pode ser representado
pela letra latina maiúscula X, tal que Xn = X1; X2; X3; ...; Xn. A delimitação do universo consiste em explicitar que pessoas ou
coisas, fenômenos etc. serão pesquisadas, enumerando suas características comuns, como, por exemplo, sexo, faixa etária,
organização a que pertencem, comunidade onde vivem etc.

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TIPO DE AMOSTRAGEM
Só ocorre quando a pesquisa não é censitária, isto é, não abrange a totalidade dos componentes do universo,
surgindo a necessidade de investigar apenas uma parte dessa população. O problema da amostragem é, portanto, escolher uma
parte (ou amostra), de tal forma que ela seja a mais representativa possível do todo, e, a partir dos resultados obtidos, relativos a
essa parte. Pode inferir, o mais legitimamente possível, os resultados da população total, se esta fosse verificada. O conceito de
amostra é que a mesma constitui uma porção ou parcela, convenientemente selecionada do universo (população); é um
subconjunto do universo. Sendo n o número de elementos da amostra, a mesma pode ser representada pela letra latina minúscula
x, tal que x = x2; x3; ...; xn onde xn < Xn e n < N. Há duas grandes divisões no processo de amostragem: a não-probabilista e a
probabilista. A primeira, não fazendo uso de uma forma aleatória de seleção, não pode ser objeto de certos tipos de tratamento
estatístico, o que diminui a possibilidade de inferir para o todo os resultados obtidos para a amostra. É por este motivo que a
amostragem não-probabilista é pouco utilizada. Apresenta os tipos: intencional, por júris, por tipicidade e por quotas. A segunda
baseia-se na escolha aleatória dos pesquisados, significando o aleatório que a seleção se faz de forma que cada membro da
população tinha a mesma probabilidade de ser escolhido. Esta maneira permite a utilização de tratamento estatístico, que
possibilita compensar erros amostrais e outros aspectos relevantes para a representatividade e significância da amostra. Divide-se
em: aleatória simples, sistemática, aleatória de múltiplo estágio, por área, por conglomerados ou grupos, de vários degraus ou
estágios múltiplos, de fases múltiplas (multifásica ou em várias etapas), estratificada e amostra-tipo (amostra principal, amostra a
priori ou amostra-padrão). Finalmente, se a pesquisa necessitar, podem-se selecionar grupos rigorosamente iguais pela técnica de
comparação de par, comparação de freqüência e randomização.
Além de caracterizar o tipo de amostragem utilizado, devem-se descrever as etapas concretas de seleção da
amostra.

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44

TRATAMENTO ESTATÍSTICO
Os dados colhidos pela pesquisa apresentar-se-ão “em bruto”, necessitando da utilização da estatística para seu
arranjo, análise e compreensão. Outra parte importante é a tentativa de determinação da fidedignidade dos dados, por intermédio
do grau de certeza que se pode ter acerca dos mesmos. A estatística não é um fim em si mesma, mas instrumento poderoso para
a análise e interpretação de um grande número de dados, cuja visão global, pela complexidade, torna-se difícil. Nesta etapa do
projeto de pesquisa deve-se explicitar:

► se se pretende realizar um experimento, e de que tipo. O pesquisador pode optar pelo método da concordância
positiva ou negativa; pelo método da diferença, ou uma de suas numerosas variantes como: projeto antes-depois, projeto antes-
depois com grupo de controle, projeto ex post facto; pelo método conjunto de concordância e diferença;
► se se exercerá controle sobre determinadas variáveis e quais. Variável de controle é aquele fator, fenômeno ou
propriedade que o investigador neutraliza ou anula propositadamente em uma pesquisa, com a finalidade de impedir que interfira
na análise da relação entre as variáveis independente e dependente;
► qual o nível de significância que se exigirá. Geralmente, para estudos exploratórios, admite-se um nível de
significância de 90%, calculando-se o erro das estimativas segundo as freqüências amostrais. Qualquer manual de estatística pode
fornecer elementos para este item;
► que medidas estatísticas utilizará. As principais medidas da estatística descritiva são:

▪ comparação de freqüências: razão, proporção, porcentagem, taxas etc.;

▪ apresentação dos dados: série estatística, tabelas ou quadros, gráficos etc.

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45

EMBASAMENTO TEÓRICO

Respondendo ainda à questão COMO? aparecem aqui os elementos de fundamentação teórica da pesquisa e,
também, a definição dos conceitos empregados.

TEORIA DE BASE
A finalidade da pesquisa científica não é apenas um relatório ou descrição de fatos levantados empiricamente, mas o
desenvolvimento de um caráter interpretativo, no que se refere aos dados obtidos. Para tal, é imprescindível correlacionar a
pesquisa com o universo teórico, optando-se por um modelo teórico que sirva de embasamento à interpretação do significado dos
dados e fatos colhidos ou levantados.
Todo projeto de pesquisa deve conter as premissas ou pressupostos teóricos sobre os quais o pesquisador
fundamentará sua interpretação.
Pode-se tomar como exemplo um estudo que correlaciona atitudes individuais e grupais de autoridade e
subordinação na organização da empresa, tendo como finalidade discernir comportamentos rotulados como de “chefia” e
“liderança”, relacionando-os com a maior ou menor eficiência no cumprimento dos objetivos da organização. Uma das possíveis
teorias que se aplicam às atitudes dos componentes da empresa é a do tipo ideal de autoridade legítima, descrita por Weber.
Para o autor a autoridade tradicional fundamenta-se na crença da “santidade” das tradições e na legitimidade do
status dos que derivam sua autoridade da tradição; a autoridade em base racional, legal, burocrática, repousa na crença em
normas ou regras impessoais e no direito de comandar dos indivíduos que adquirem autoridade de acordo com essas normas; a
autoridade carismática tem suas raízes no devotamento à “santidade” específica e excepcional, ao heroísmo, ou no caráter
exemplar (sendo o “exemplar” determinado pelas circunstâncias e necessidades específicas do grupo) de um indivíduo e nos
modelos normativos por ele revelados ou determinados. O modelo teórico da autoridade legítima não exclui sistemas concretos de
autoridade que incorporam dois ou mais elementos dos três tipos.

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46

REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA
Pesquisa alguma parte hoje da estaca zero. Mesmo que exploratória, isto é, de avaliação de uma situação concreta
desconhecida, em um dado local, alguém ou um grupo, em algum lugar, já deve ter feito pesquisas iguais ou semelhantes ou
mesmo complementares de certos aspectos da pesquisa pretendida. Uma procura de tais fontes, documentais ou bibliográficas,
torna-se imprescindível para a não-duplicação de esforços, a não “descoberta” de idéias já expressas, a não-inclusão de “lugares-
comuns” no trabalho.
A citação das principais conclusões a que outros autores chegaram permite salientar a contribuição da pesquisa
realizada, demonstrar contradições ou reafirmar comportamentos e atitudes. Tanto a confirmação, em dada comunidade, de
resultados obtidos em outra sociedade quanto a enumeração das discrepâncias são de grande importância.

PESQUISA-PILOTO OU PRÉ-TESTE
Corresponde ao ajustamento do instrumento de coleta de dados. Ela é realizada logo após a elaboração do projeto
de pesquisa. Há necessidade de se testar com antecedência, se este instrumento de pesquisa está correto para ser aplicado. Por
exemplo, se o instrumento for um questionário, antes de distribuir aos indivíduos selecionados para respondê-los (amostra), o
pesquisador deve submeter o instrumento a um pré-teste com alguns entrevistados pré-selecionados (não faz parte da amostra
final, mas o processo de seleção é idêntico ao previsto para a execução da pesquisa) para, respondê-los. Os entrevistados farão
uma análise crítica das perguntas, de tal forma que o pesquisador ainda disponha de tempo para corrigir as falhas apontadas
neste procedimento, tais como: perguntas mal formuladas, que dificultam o entendimento; existência de perguntas supérfluas;
questões polêmicas ou “delicadas”, conduzindo alguns a evitarem responder; perguntas ambíguas; embaraços com questões
pessoais; ordem das perguntas; avaliação quanto à quantidade das perguntas.
Fonte: (informações extraídas do livro)

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina. Metodologia


do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1983.

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CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
“A pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas, através do emprego
de métodos científicos”.
(Cervo e Bervian, 1996:44)

É uma atividade humana, cujo propósito é descobrir respostas para as indagações ou questões significativas que são
propostas. Para iniciar uma pesquisa, faz-se necessário um problema, para o qual se busca uma resposta ou solução, através da
utilização do método científico.

FINALIDADE DA PESQUISA

De acordo com Ferrari (1974:171), “a pesquisa tem por finalidade tentar conhecer e explicar os fenômenos que
ocorrem no mundo existencial, isto é, a forma como se processam as suas estruturas e funções, as mudanças que provocam, e
até que ponto podem ser controlados e orientados. Por isso é que, de início, a pesquisa começa com interrogações. A finalidade da
pesquisa não é só a acumulação de fatos, mas a sua compreensão, o que se obtém desenvolvendo e lançando hipóteses
precisas, que se manifestam sob a forma de questões ou de enunciados”. A pesquisa atende à necessidade de se conhecer a
natureza dos problemas ou fenômenos, uma vez que trata de validar ou invalidar as hipóteses lançadas sobre eles.
Implícita ou explicitamente, os cientistas admitem que a indagação científica destina-se a duas finalidades mais
amplas que a simples procura de respostas. Estas duas finalidades estão: 1) vinculadas ao enriquecimento teórico da ciência; 2)
implicadas com o valor prático ou pragmático da disciplina. Daí a especificação de pesquisa científica pura e de pesquisa científica
aplicada. Ambas têm as mesmas metas científicas, e a diferença essencial está na definição dos métodos científicos ou nos pontos

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48

de vista do investigador, na maneira pela qual o problema é escolhido, e ainda na aplicação dos resultados, como lembra Hauser,
citado em Ferrari (1974:173).

TIPOS DE PESQUISA

De acordo com Marconi e Lakatos (1990:19), os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam, e a
divisão obedece a interesses, condições, campos, metodologia, situações, objetivos, objetos de estudo etc.
▪ Pesquisa Básica, Pura ou Fundamental – É aquela que procura o progresso científico, a ampliação de
conhecimentos teóricos, sem a preocupação de utilizá-los na prática. É a pesquisa formal, tendo em vista generalizações,
princípios, leis. Tem por meta o conhecimento pelo conhecimento.
▪ Pesquisa Aplicada – Como o próprio nome indica, caracteriza-se por seu interesse prático, isto é, que os
resultados sejam aplicados ou utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade.
▪ Pesquisa Teórica – É aquela que monta e desvenda quadros teóricos de referência. Não existe pesquisa
puramente teórica, porque já seria mera especulação, isto é, reflexão aérea, subjetiva, à revelia da realidade, algo que um colega
cientista não poderia refazer ou controlar (Demo, 1995:23).
▪ Pesquisa Histórica – “Descreve o que era”. O processo enfoca quatro aspectos: investigação, registro, análise e
interpretação de fatos ocorridos no passado, para, através de generalizações, compreender o presente e predizer o futuro.
▪ Pesquisa Descritiva – “Delineia o que é”. Aborda também quatro aspectos: descrição, registro, análise e
interpretação de fenômenos atuais, objetivando o seu funcionamento no presente.
▪ Pesquisa Experimental – “Descreve o que será”. Ocorre quando há controle sobre determinados fatores. A
importância encontra-se nas relações de causa e efeito.
▪ Pesquisa Bibliográfica – Quando utiliza materiais escritos.
▪ Pesquisa Social – Quando visa melhorar a compreensão de ordem, de grupos, de instituições sociais e éticas.
▪ Pesquisa Tecnológica – Quando objetiva a aplicação dos tipos de pesquisa relacionados às necessidades
imediatas dos diferentes campos da atividade humana.
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49

▪ Pesquisa Metodológica – Não se refere diretamente à realidade, mas aos instrumentos de captação e
manipulação dela. É importante a construção metodológica, porque não há amadurecimento científico sem amadurecimento
metodológico (Demo, 1995:25).
Fonte: (informações extraídas do livro)

SILVA, Airton Marques da e MOURA, Epitácio Macário.


Metodologia do trabalho científico. Fortaleza, 2000.
188p.

APRESENTAÇÃO GRÁFICA PARA TRABALHOS ACADÊMICOS

■ Use papel branco, tamanho A4 (21 cm x 29,7 cm), na posição vertical.

■ Tipo de letra – elas devem ser de tamanho médio e redondo, evitando-se tipos inclinados e de fantasias. Sugere-se: tipo

Arial ou Times New Roman, tamanho 12 para texto; 16 ou 18 para capítulos e 14 para sub-títulos.

■ A digitação deve ocupar apenas o anverso da folha, em espaço 1,5.

■ Os parágrafos começam a aproximadamente 2,5 cm da margem esquerda.

■ A marginação – as folhas devem apresentar margens superior e esquerda de 4 cm e margens inferior e direita de 2 cm das

extremidades do papel (Formato A4).

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50

■ A paginação deve ser contada a partir da folha de rosto, entretanto, a primeira folha a ser numerada é a primeira página

após o sumário.

■ Os títulos são digitados centralizados a aproximadamente 4 cm da extremidade superior e os subtítulos a 2,5 cm da

margem esquerda, tal qual os parágrafos.

■ A numeração das laudas (folhas) deverá estar disposta na margem superior direita.

■ As citações diretas devem ser colocadas entre aspas, e em sendo de até três linhas, são inseridas no próprio texto; as que

excederem a este número de linhas devem constituir parágrafos isolados, iniciados a aproximadamente 8 cm da extremidade

esquerda e terminados a 3 cm da direita. Devem ser digitados em espaço simples, separados do texto que as precede e as

sucede por espaço duplo, sempre acompanhadas do sobrenome do autor (a), ano e página da referência, logo após o

término do parágrafo, colocadas entre parênteses (ex: CERVO, 1996, p.32).

■ Os símbolos das unidades de medida são invariáveis e grafados sem ponto abreviativo (ex: 10 m, 15 h); na indicação de

tempo, empregam-se os símbolos: “h”, “min” e “s” na mesma linha de grandeza, sem espacejamento (ex: 12h30min20s).

■ Abra parágrafos com freqüência para “arejar” o texto.

■ A finalidade do trabalho é demonstrar uma hipótese que se elaborou inicialmente, e não provar que se sabe de tudo.

■ Verifique que qualquer pessoa entenda o que você escreveu; não se faça de “gênio solitário”.

■ Não use reticências ou pontos de exclamação, exceto para citações. Não faça ironias.

■ Defina sempre um termo ao introduzi-lo pela primeira vez. Se não souber defini-lo, evite-o.

■Evite o uso do pronome pessoal, prefira a forma impessoal.

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OUTRAS DIRETRIZES IMPORTANTES

Referências Bibliográficas – conjunto de indicações que permitem a identificação de publicações no todo ou em parte. Não
devem constar da lista de referências bibliográficas fontes que não foram citadas no texto. Caso seja conveniente incluir
referências bibliográficas de fontes consultadas e não citadas no texto, isto deve ser feito após as referências bibliográficas, sob o
título de Bibliografia Recomendada.

■ Ordem de apresentação: é apresentada conforme a ordem alfabética dos autores;

■ Forma de entrada: é feita pelo sobrenome do autor em caixa alta, seguido do nome, que pode ser abreviado (ex: RUIZ, João

Álvaro ou RUIZ, J.A.);

■ Os elementos de referência bibliográfica são separados entre si por ponto, seguido de dois espaços;

■ Indica-se a edição do documento, a partir da segunda edição, do seguinte modo: número da edição, seguido de ponto e a

abreviatura “ed”;

■ Na lista bibliográfica final, não se repete o nome do mesmo autor. O nome é substituído por traço (grifo), equivalente a 3 cm

aproximadamente.

■ Ordem de apresentação de livros:

Autor da publicação. Título da publicação. Subtítulo (se houver). Edição (se for o caso). Local da publicação: editor(a), ano,

número de páginas da obra.

Exemplo:

MENDONÇA, Eduardo Prado de. O mundo precisa de filosofia. 4ª. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1976. 107 p.

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Obs.: quando não consta data, escreve-se “s.d.” (sem data);

 Quando não consta editor, escreve-se “s.e.” (sem editor);

 Quando não consta local, escreve-se “s.l.” (sem local).

 Quando constam dois autores ou mais, ex: SARTRE, Jean-Paul et alïi, que é abreviada como “et al”, e significa “e outros”;

■ Para citação na mesma obra do autor, usa-se a expressão “ibid” (ibidem).

■ Em casos de documentos retirados da internet, deve-se iniciar com o título do documento seguido de ponto, posteriormente a

expressão “Disponível em:”, depois o endereço URL completo, entre “< >”, seguido de ponto, e, por fim a indicação de acesso:

“Acessado em:”, citando a data complementada, opcionalmente, com hora minuto e segundo.

Glossário ou Definição de Termos (opcional) – apresenta uma relação de termos técnicos. Palavras especiais citadas
no documento, acompanhadas dos significados que lhes foram atribuídos. O glossário objetiva facilitar a compreensão do texto.
Deve ser apresentado, se for o caso, no final do trabalho, em ordem alfabética, antes do(s) Anexo(s) e depois das Referências
Bibliográficas.

Anexos – são suportes elucidativos e indispensáveis à compreensão do texto. Havendo mais de um anexo, sua
identificação deve ser feita por letras maiúsculas. São objetos de anexo: Tabelas com dados complementares; citações muito
longas, leis ou pareceres de suporte para o trabalho; outros documentos importantes de difícil acesso; textos originais raros,
declaração de estágio observacional, participação em eventos culturais e/ou outros relevantes para o trabalho.

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MODELO DOS ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS PARA TRABALHOS ACADÊMICOS

a) Capa (de fora) b) Folha de rosto c) Sumário

SUMÁRIO
INSTITUIÇÃO INSTITUIÇÃO
CURSO CURSO I – TEMA .............................................................. 01
II – PROBLEMA ................................................... 02
III – JUSTIFICATIVA ............................................ 03
NOME COMPLETO DO(s) AUTOR (es) IV – OBJETIVOS .................................................. 04
V – HIPÓTESES .................................................. 05
NOME COMPLETO DO(s) AUTOR (es) VI – METODOLOGIA ........................................... 06
VII – COLETA DE DADOS .................................. 07
VIII – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................. 08
TÍTULO IX – CRONOGRAMA E ORÇAMENTO................. 13
X – BIBLIOGRAFIA .............................................. 14
TÍTULO
Trabalho apresentado na
disciplina X sob orientação
do prof. Y do curso Z.

CIDADE
MÊS/ANO CIDADE
MÊS/ANO

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