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DIREITO ADMINISTRATIVO I

02/08

INTRODUÇÃO

A história nos narra que, no passado, o governante e a lei eram expressões sinônimas, uma vez
que o governante da época entendia que a vontade dele já significava uma lei.

Com o avanço das democracias pelo mundo, ficou evidente que a tirania e a ilegalidade não
eram as únicas formas de se governar, ocasião em que foi surgindo o modelo de governo representado
pelo Estado de Direito, cujo império é da lei, e não do governante tirano.

Nos países onde se experimentou o modelo Estado de Direito, houve maior proteção aos direitos
fundamentais, políticos, sociais e econômicos, ficando bem evidenciado que, mesmo dividindo o poder
em três (Legislativo, Executivo e Judiciário), nenhum de seus representantes estavam sobre a lei, mas
abaixo dela.

Esse novo modelo de governo surgiu na França, com a Revolução Francesa, em 1789, onde
ficou muito mais evidenciado um direito administrativo como atividade concreta e material, coincidindo
com as funções do poder Executivo, que tipicamente deve executar o conteúdo das leis.

Com essa evolução, embora o direito administrativo também existisse no modelo de governo
ditatorial chamado de Estado, tornou-se muito mais conhecido com a separação de poderes. Por isso,
alguns autores alegam que esse ramo do direito público nasceu na França, cujo pai é o Estado de
Direito, e a mãe a Teoria da Tripartição de Poderes.

ESTADO ESTADO DE DIREITO

Todos os poderes nas mãos de um só, Prevalece a lei, devendo todos, até o
podendo ser um Rei, Tirano ou Ditador. Presidente, obedece-la. Há a divisão de
Apenas um cria, executa e julga as leis poderes.

Obs. em ambos existia o Direito Administrativo.

DIREITO ADMINISTRATIVO NO BRASIL

Durante o Brasil Colônia inexistiam autores especializados em direito administrativo, vigorando


entre nós, por muitos anos, a legislação administrativa Lusitana.

Em 11 de agosto de 1827, foram introduzidos os cursos jurídicos no Brasil, mais especificamente


em São Paulo e em Olinda, dia o qual ficou conhecido como “dia do pendura”, pois alunos de direito
iam em bares, comiam e bebiam e mandavam “pendurar” o valor devido. No entanto, somente em
1851 a disciplina de direito administrativo surgiu como matéria curricular autônoma.
09/08

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CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO: é o ramo do Direito Público constituído pelo
conjunto de normas e princípios que regem a estrutura, os bens e a atividade administrativa, para a
realização concreta e imediata dos fins do Estado.

- Princípio da Legalidade: Servidor público sempre deve verificar se há lei que o ampare em
seus atos. Toda e qualquer atividade administrativa deve ser autorizada por lei. Os servidores públicos
só pode fazer aquilo que a lei autoriza, diferente dos indivíduos no campo do direito privado que podem
fazer tudo o que a lei não veda.
- Direito público: Visa o interesse público, a gestão dos interesses coletivos executada pelo
Estado. Se estivéssemos no mesmo patamar, o Estado não conseguiria impor regras a nós. Por isso,
é necessário a supremacia de poder.

- Realização concreta e imediata: executa o que a lei determina. Se já há lei, basta executar.
Quem deve pensar se é bom ou viável é o direito constitucional, pois possuem o poder de vetar o
projeto de lei. Se chegou ao direito administrativo, quer dizer que isto já foi pensado.

- Função típica e atípica: o Poder Executivo possui a função tipicamente administrativa, mas
desempenha também funções atípica normativa, quando, por exemplo, edita medidas provisórias ou
leis delegadas.

Relação com outros ramos do Direito: o Direito é um só, isto é, representa o conjunto de
normas que regem a atividade humana em sociedade. Desse modo, apenas para facilitar o
entendimento é que ele é dividido por áreas.

a) Relação com o Direito Constitucional: o Direito Administrativo guarda íntima relação com
a Constituição Federal, porque é nela, através do Direito Constitucional, que vemos a estrutura do
Estado, estabelecendo as suas finalidades, cuja organização, no plano material compete ao Direito
Administrativo.
É na Constituição que encontramos os Princípios da Administração Pública, as normas sobre
servidores públicos e as competências do Poder Executivo.

Por exemplo, uma lei que autoriza a edificação de uma unidade de saúde, com a criação de 10
cargos públicos, deverá ser de competência do Direito Administrativo em providenciar o prédio que
abrigará a unidade, realizar os concursos públicos, fazer licitações para compra de material e etc.
b) Relação com o Direito Penal: no Código Penal Brasileiro há um capitulo destinado a
cominar penas a certas condutas que são definidas crimes contra a administração pública
praticados por agentes ou particulares. Ex. peculato.

c) Relação com o Direito Civil: na administração pública utiliza-se regras de Direito Civil, de
forma supletiva para a elaboração dos contratos administrativos. Na Lei 8666 encontramos formas de
realizar um contrato, mas, no que faltar a lei, encontramos no Direito Civil.

d) Relação com o Direito Eleitoral: de 2 em 2 anos temos eleições no Brasil, ocasião em


que a justiça eleitoral através de resoluções disciplinam as regras a serem adotadas, para que o Direito
Administrativo as executem para atingir as finalidades do Estado.

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Ex. justiça eleitoral determina que precisará de escolas para realizar as eleições. É o direito
administrativo que cuida de solicitar e preparar as escolas para os eleitores.

Finalidade do Direito Administrativo: endentem os doutrinadores que a finalidade dele é a


mesma finalidade do Estado: prestar serviço público. Por ser um instrumento de trabalho do Estado,
eles se confundem.

FINALIDADE DO ESTADO

(prova)

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação.

Sociedade dividida em Setores:

1º Setor – Estado: incumbido de trazer tudo aquilo que está previsto no artigo acima. Para
prestar qualquer serviço, o Estado precisa de dinheiro, e o consegue tributando alguém, no caso, as
pessoas físicas e jurídicas. Tem a função de ofertar à sociedade, de forma ininterrupta, todos os
serviços garantidos pela Constituição Federal e aplicar os princípios da legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência.

2º Setor - Econômico e Produtivo (mercado): é formado por todas as empresas privadas


que exercem atividades no país. Quanto mais tributos pagarmos, mais dinheiro o Estado terá para
atribuir melhorias para a população. Estado deve atrair investidores para o Brasil, para que a economia
cresça (ex. fábricas, industrias, serviços). É do setor produtivo que vem o dinheiro, através dos tributos
que o Estado arrecada.

3º Setor - Voluntariado: formado pelo conjunto de organismos, instituições ou


organizações sem fins lucrativos, que não é nem pública, nem privada, dotadas de autonomia e
administração própria que tem como objetivo e função principal atuar junto à sociedade, visando o
seu melhoramento. É representado pelos asilos, creches, ongs, etc. Pessoas altruístas, que pensam
em ajudar o próximo, sem esperar da ajuda do Estado.

4º Setor – Economia Informal: não é reconhecida pelo Estado, mas é tolerada, pois paga
uma carga tributária, mesmo que menor. São aquelas atividades sem firma registrada, sem
emitir notas fiscais, sem empregados registrados e sem contribuir com impostos ao governo. Ex.
vendedores ambulantes,

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5º Setor – Miseráveis propriamente ditos: aqueles que não possuem condições
nenhuma. Papel do Estado é de combater o 5º setor, transformas em serviço, o que geraria tributos e
mais dinheiro a ser convertido em benefícios sociais.

FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO


1- Lei: Princípio da Legalidade. Fonte primária. Se não encontrar, procurará nas outras.
Nenhum gestor público pode praticar ato que não esteja amparado em lei. Pode solicitar a criação de
uma lei, se houver interesse social.
2- Doutrina: obras criadas pelos operadores/estudiosos do Direito.
3- Jurisprudências: julgados anteriores.
4- Princípios;
5- Costumes;

PRESSUPOSTOS JURÍDICOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

Os pressupostos jurídicos representam os pilares/alicerces que suportarão a construção do


Direito Administrativo como um ramo autônomo do direito público. Portanto, faltando um dos
pressupostos abaixo, não daremos sustentação ao Direito Administrativo:

1- Supremacia do interesse Público sobre o Privado: as atividades administrativas são


desenvolvidas pelo Estado para o benefício da COLETIVIDADE. Deve atuar visando o interesse
público, e se não estiver previsto este objetivo, haverá o chamado desvio de finalidade.
No direito privado, enquanto as partes estão no mesmo plano em igualdade, no direito público,
o Direito Administrativo estará caracterizado pela preponderância/supremacia do Estado em relação
ao particular, significando que o interesse coletivo predomina sobre o interesse individual, mas nem
por isso, este deve ser desrespeitado, como veremos adiante.

2- Indisponibilidade do interesse público: gestor público não pode em hipótese alguma


abrir mão do interesse público. A Administração não tem a livre disposição dos bens e interesses
públicos, pois atua em nome de terceiros. Ex. enfermeiro não pode escolher quantos pacientes
atender.
Significa que o gestor público não é o dono da coisa pública, mas apenas o seu gerente ou
administrador, razão pela qual nenhum gestor público pode abrir mão de suas competências, sob pena
de responsabilização.
3- Respeito aos direitos fundamentais: Estado deve respeitar os direitos fundamentais de
todos. Ex. desapropriação de maneira adequada, pagando o preço real.
O Estado ocupa posição privilegiada frente aos particulares, no entanto, não está autorizado a
violar direitos de terceiros, devendo atuar conforme a lei, indenizando eventuais prejuízos que venha
a causar.

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SISTEMAS ADMINISTRATIVOS

São mecanismos de controle que o Estado adota para corrigir atos administrativos ilegais,
praticados por agentes em qualquer esfera de poder. Para a doutrina, existem dois sistemas que os
países adotam:

1. Sistema do contencioso administrativo, sistema da dualidade de jurisdição ou


Sistema Francês: caracteriza-se pelo fato de que, ao lado da Justiça do Poder Judiciário, o
ordenamento contempla uma Justiça Administrativa. Em ambas as Justiças, as decisões proferidas
ganham o revestimento da res iudicata, de modo que a causa decidida numa delas não mais pode ser
reapreciada pela outra. O Poder Judiciário julga conflitos da sociedade comum, enquanto os conflitos
da Administração Pública são julgados pelas cortes administrativas, ou seja, quando adm publica
comete um erro, criam uma corte (um tribunal próprio) para julgar aquilo.
Este sistema preconiza a proibição do Poder Judiciário de conhecer e julgar os atos dos
agentes no exercício da Administração Pública, o que deve ser feito pelos próprios órgãos
administrativos, através de comissões processantes, cortes ou tribunais administrativos.

2. Sistema da jurisdição única ou inglês: os órgãos públicos administrativos podem ter suas
cortes administrativas, mas quem dá a palavra final é o poder judiciário. Judiciário julga todos os
conflitos, sejam da sociedade comum ou da Administração Pública. Este é o sistema adotado pelo
Brasil. Não é impedido que se criam cortes administrativas para julgar, mas suas decisões não fazem
transito em julgado. Após ser julgado por essas cortes, o réu pode promover recurso pro Judiciário,
pois apenas os órgãos do Judiciário exercem a função jurisdicional e proferem decisões com o caráter
da definitividade.
Significa que TODOS os litígios devem ser solucionados pelo Poder Judiciário, art. 5º, XXXV -
“A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” - Isso quer dizer que
o preceito constitucional atribui ao Poder Judiciário o MONOPÓLIO DA FUNÇÃO JURISDICIONAL,
não se importando se a demanda envolve a administração pública. No entanto, mesmo com essa
posição firmada, o judiciário não impede que a administração pública, em seus âmbitos internos,
também apurem as infrações administrativas, as quais não terão força de definitividade, restando ao
inconformado com a decisão, se o caso, recorrer ao judiciário, que dará a palavra final.
CODIFICAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO

Os doutrinadores e legisladores brasileiros ainda não atingiram um consenso para decidir sobre
a codificação ou não do Direito Administrativo. Temos três correntes com pensamentos divergentes,
enquanto que a primeira nega totalmente a sua necessidade, temos uma segunda que já se
conforma com a codificação parcial, especificamente o Código Administrativo de Água, Caça e de
Pesca. Por fim, a corrente que defende a codificação total alega que a pesquisa se tornaria mais
eficaz. Por ora, enquanto não houver um amplo acordo, continuaremos com as leis esparsas servindo
ao Direito Administrativo.
CARACTERÍSTICAS/ PRESSUPOSTOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO:

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1. Desigualdade jurídica entre Administração e administrados: nunca vamos estar em um
plano de igualdade. Deve haver uma DESIGUALDADE JURÍDICA, exceto em algumas situações do
direito privado. De resto, o Estado estará sempre em uma situação de SUPERIORIDADE para a
imposição de regras. Estado persegue interesse público/bem comum.
A desigualdade jurídica deve existir e prevalecer em favor do Estado, porque, regra geral, este
deve perseguir apenas o bem comum/ coletivo, enquanto que o particular está em busca da defesa
de seus interesses privados. Portanto, o Estado deve agir com essa supremacia ou superioridade
para impor suas regras à sociedade, como de fato faz. Ex. aumento de tarifas.

2. Presunção (relativa) de legitimidade de seus atos: presume-se verdadeiro aquilo que o


representante do Estado está fazendo. Presume-se que houve uma avaliação técnica. É relativa, pois
admite prova em contrário.
Na Administração Pública, em razão do Princípio da Legalidade, presumem-se verdadeiros e
que seus atos foram praticados de acordo com a lei. No entanto, essa presunção é relativa uma vez
que admite prova em contrário, principalmente pelo fato de que o agente público é um ser humano,
portanto, falível e que pode cometer erros.

3. Necessidade de Poderes Discricionários: deve-se avaliar a conveniência e a


oportunidade. O oposto disso é a arbitrariedade, o qual a consequência é responder por abuso de
poder. Lei 8429/92- lei de improbidade/imoralidade administrativa. Locupletar: enriquecer ilicitamente.
Ex. verba destinada a merenda escolar, mas o estoque já está cheio. Posso usar a verba para
melhorias na escola, desde que devidamente comprovadas. Identificamos pelo verbo de uma frase.
Ex. “dever”, é ato vinculado. “Pode”, liberdade de ação.
O administrador público não pode ser um mero aplicador da lei para satisfazer os interesses da
Administração. No entanto, deve usar a sua discricionariedade, nos casos que couber, analisando a
conveniência e a oportunidade para prática do ato, visando sempre o bem comum, sob pena de
cometer uma arbitrariedade e, consequentemente, um abuso de poder.

22/08/17

REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO

- Conceito: É o conjunto sistemático de princípios e de normas que dá identidade ao Direito


Administrativo, facilitando o entendimento e tornando possível diferenciá-lo dos demais ramos do
Direito.
- Princípios: não possuem hierarquia entre eles. Cabem em qualquer situação concreta do
direito.
- Princípios Implícitos: são os não escritos, mas igualmente válidos enquanto normas e com a
mesma força coercitiva.
São eles:

1. Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Interesse Privado: também é


um pressuposto do Direito Administrativo. Determina privilégios ou prerrogativas jurídicas, além de
obrigações que não são extensíveis aos particulares.

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As atividades administrativas são desenvolvidas pelo Estado para benefício da coletividade. Sua
atuação deve ser voltado para o interesse público. Desse modo, não é o indivíduo em si o destinatário
da atividade administrativa, mas sim o grupo social num todo.

2. Indisponibilidade do Interesse Público: o administrador público não é o dono, mas o


gestor ou gerente da coisa pública, uma vez que os bens e direitos da população lhe são confiados
para geri-los em benefício da sociedade. Por isso, os mesmos nunca estão à sua livre disposição,
sendo assim denominados de INDISPONÍVEIS, e só podem ser alienados na forma em que a lei
dispuser.

 Princípios Expressos: art. 37 a 43, CF. LIMPE - LEGALIDADE, IMPESSOALIDADE,


MORALIDADE, PUBLICIDADE E EFICIÊNCIA-. Estão escritos na Constituição Federal ou nas leis
infraconstitucionais.

1. Princípio da Legalidade: é a base do Estado Democrático de Direito e garante que todos


os conflitos sejam resolvidos pela lei, sob pena de invalidade e de responsabilização ao infrator.
O administrador não pode fazer prevalecer sua vontade pessoal; sua atuação tem que se limitar
ao que a lei impõe.

2. Princípio da Impessoalidade: baseia-se na ausência de subjetividades, devendo o agente


público atuar sem discriminações, nem para beneficiar e nem para prejudicar. Portanto, não se tolera
nenhum tipo de perseguição. Deve tratar a todos com isonomia.

3. Princípio da Moralidade ou da Probidade: exige retidão de conduta, honestidade e


prática de condutas éticas do servidor público. A probidade tem o sentido de honestidade, boa-fé,
moralidade por parte dos administradores.

4. Princípio da Publicidade: regra geral, todos os atos são públicos para amplo
conhecimento da coletividade, exceto em alguns casos, como processos que correm em segredo de
justiça. Além disso, torna válido alguns atos administrativos, que só possuem validade após a
publicação, como uma portaria.

5. Princípio da Eficiência: exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza,
perfeição e rendimento funcional, aliados a produtividade, economicidade e redução de desperdícios
de dinheiro público.

 Princípios Correlatos: guardam relação com os expressos.

1. Princípio da Razoabilidade ou da Proporcionalidade: também conhecido como princípio


da proibição de excessos, o qual exige que o administrador público somente pode agir de forma
proporcional, mantendo um padrão do que é razoável, buscando, portanto, um equilíbrio entre a
providência a ser adotada com o fato concreto, sob pena de ilegalidade do ato praticado.

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2. Princípio da Continuidade: as atividades administrativas do Estado, por serem essenciais
a população, não podem parar, ou sofrer solução de continuidade, exceto em situações legais: 1.
Estado de Sítio; 2. Guerra; 3. Para ampliar esse serviço; 4. Reparar em razão de algum dano.

3. Princípio da Autotutela: a Administração pode e deve controlar os seus próprios atos, seja
para anula-los quando ilegais ou revoga-los quando inconvenientes ou inoportunos,
independentemente de revisão pelo Poder Judiciário.

4. Princípio da Presunção de Legitimidade: todo ato administrativo é presumidamente legal


e legítimo, uma vez que presume-se verdadeiro até que se prove o contrário. Por isso, se trata de
presunção relativa, e o ônus da prova cabe a quem a alega.

5. Princípio da Motivação: representa o dever de justificar os seus atos, apontando-lhes os


fundamentos de direito, assim como a correlação lógica entre a exposição e a providência tomada, o
que vai amparar e orientar o usuário, na hipótese de eventual recurso.

6. Princípio da Segurança Jurídica: é o que possibilita a estabilidade da vida em sociedade


e é um dos alicerces da ótica jurídica e faz parte do próprio conceito de Estado de Direito (Império da
Lei). Tem como objetivo evitar alterações supervenientes, que instabilizem a vida em sociedade,
protegendo a estabilidade das regras sociais.

- Consequências pela inobservância dos princípios: no estudo da ciência jurídica, é


reconhecida a força coercitiva dos princípios que regem o ordenamento jurídico e a sua inobservância:

1. Ofende todo um ordenamento jurídico de um Estado;


2. Revela a forma mais grave de ilegalidade ou inconstitucionalidade;
3. Viola os valores fundamentais de uma sociedade;
4. Pode incidir nas penalidades da lei 8429/92.

23/08

Serviços que o Estado faz sozinho: SEGURANÇA PÚBLICA, FORÇAS ARMADAS, PODER
JUDICIÁRIO, FISCALIZAÇÃO.

Estado delega para um particular a prestação de um serviço público por meio de uma licitação,
ficando responsável pela fiscalização. Fica no papel de regulador. Pode transferir a prestação e fica
com a titularidade, para poder fiscalizar depois. Ex. energia elétrica. Transfere apenas a execução do
serviço. Quem fiscaliza são as agências reguladoras. Cada agencia é criada debaixo de um ministérios
respectivo.

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GOVERNO

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

30/08

Todo Estado, para ser bem governado, o gestor público contará com a Administração Pública já
existente para desenvolver a melhor atividade administrativa em benefício da coletividade. Portanto,
devemos conceituar Administração Pública como todo o aparelhamento do Estado, pré ordenado à
realização de serviços, visando a satisfação das necessidades coletivas, cujo as atividades devem
estar vinculadas à lei (Princípio da Legalidade) ou a normas técnicas, exercendo uma conduta
hierarquizada, sem responsabilidade constitucional, mas com responsabilidade técnica e legal pela
execução.

Atividade Administrativa: é a gestão, o gerenciamento, ou o trabalho de bens e interesses


qualificados da comunidade, no âmbito federal, estadual ou municipal, conforme os preceitos do direito
e da moral, visando ao bem comum. Em toda a atividade administrativa devemos respeitar alguns
princípios básicos, fundamentais, para que o gestor público tenha êxito e sucesso no desempenho de
suas atividades, quais sejam:

1. Princípio do Planejamento: todo trabalho da Administração Pública deve ser bem


planejado. Exige que a Administração elabore planos e programas visando promover o

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desenvolvimento econômico social da cidade ou país, assegurando a população o direito à
prosperidade, respeitando os limites dos recursos públicos.

2. Princípio da Coordenação: visa harmonizar as ações administrativas mantendo-as nos


limites do planejamento, objetivando evitar duplicidade de atuações, soluções divergentes e
desperdícios de recursos públicos.
3. Princípio da Descentralização Administrativa: consiste em atribuir à pessoa jurídica
distinta daquela do Estado poderes suficiente para que, atuando por sua conta e risco, mas sob o
controle estatal, desempenhe alguma atividade pública.

4. Princípio da Delegação de Competência: subentende-se a transmissão de poderes


decisórios atribuídos originalmente à autoridade superior para a autoridade subordinada caracterizada
pelo caráter transitório e facultativo.

5. Princípio do Controle: exige o acompanhamento sistemático da execução dos planos e


programas governamentais pelos órgãos e chefias competentes.

Administração Pública Direta/Centralizada: é aquela através da qual o PRÓPRIO ESTADO


PRESTA DIRETAMENTE OS SERVIÇOS PÚBLICOS. Acumula as posições de titular e prestador do
serviço público e as várias atribuições são distribuídas entre os diversos órgãos da mesma pessoa
jurídica de direito público. Como, por exemplo, ministérios, procuradorias, delegacias, repartições que
compõe a estrutura administrativa da mesma pessoa jurídica. Nestes casos, é o próprio Estado que
centraliza a atividade, por isso que se chama administração centralizada que, quando necessário
desconcentra esse serviço entre seus vários escalões.
Nestas situações, o serviço público vai diretamente ao usuário ou administrado, sem passar por
qualquer pessoa interposta, ocasião em que esta atividade é PLANEJADA, COORDENADA,
EXECUTADA E CONTROLADA PELO PRÓPRIO ESTADO.

ESTADO EXECUTA SUAS TAREFAS DIRETAMENTE POR INTERMÉDIO DOS INÚMEROS


ÓRGÃOS E AGENTES ADMINISTRATIVOS QUE COMPÕEM SUA ESTRUTURA FUNCIONAL.

Administração Pública Indireta ou Descentralizada: ocorre quando os serviços são prestados


por entidades diversas das pessoas federativas. O Estado, por sua conveniência, TRANSFERE os
encargos da prestação a outras pessoas, nunca abdicando porém do dever de controle sobre elas,
com a dupla finalidade:
1. Fiscalizar a qualidade do serviço prestado;
2. Porquê, mesmo transferindo tal serviço, o Estado não pode deixar de ter alguma
responsabilidade na prestação do serviço público.

Dessa descentralização, o serviço público vai dá Administração Pública ao usuário, através de


uma interposta pessoa jurídica, pública ou privada, que planeja, coordena e o executa, estando ao
Poder Público apenas o controle sobre tais serviços, concretizando assim, o instituto jurídico da
descentralização.

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PELA DESCENTRALIZAÇÃO, ELE O FAZ INDIRETAMENTE, ISTO É, DELEGA A ATIVIDADE
A OUTRAS ENTIDADES

DESCONCENTRAÇÃO OU ATIVIDADE DESCONCENTRADA (DIRETA)


Características:

1. Não há transferência de atividade para outra pessoa, porque trata-se de um processo


interno de divisão de trabalho, onde um órgão superior transfere a um ou mais órgãos inferiores a
execução do trabalho, com o objetivo de melhorar e acelerar a prestação do serviço.
2. Não temos duas pessoas jurídicas, mas apenas uma. PROVA
3. A atividade transferida não está fora da administração, mas em seu interior.
4. Na desconcentração observa-se uma hierarquia.

DESCENTRALIZAÇÃO ou ATIVIDADE DESCENTRALIZADA (INDIRETA)


Características:

1. Transfere-se a execução do serviço da atividade estatal para outra pessoa, integrante ou não da
administração;
2. Passamos a ter duas pessoas jurídicas, isto é, a entidade central e entidade descentralizada;
3. A atividade transferida está fora da Administração Pública;
4. Não se observa o princípio da hierarquia entre a pessoa jurídica central e a pessoa jurídica que
prestará o serviço, mas apenas um vínculo de subordinação para fins de controle.

05/09/17
SERVIÇOS PÚBLICOS

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Serviço público, na sua essência, é quando o Estado vem pra oferecer comodidade, conforto.

Conceito: Os administrados, para sua boa convivência na sociedade e para desempenhar sua
atividade profissional, necessitam de conforto, comodidades e utilidades, em contraprestação pelos
tributos pagos. Alguns desses serviços, são prestados por particulares, devidamente autorizados, e
outros diretamente pelo próprio Estado. A doutrina aponta dois sentidos para a expressão “serviço
público”:

1. Sentido Orgânico ou Subjetivo: representado pelo complexo de órgãos, seus agentes e


recursos para satisfazer as necessidades da coletividade;
2. Sentido Material ou Objetivo: refere-se a uma tarefa ou atividade da Administração, em
benefício da coletividade, objeto do nosso estudo.

Conceito de Serviço Público: é toda atividade para oferecer conforto, utilidade ou comodidade
(energia elétrica, coleta de lixo, transporte, telefonia) utilizável preponderantemente pelos
administrados, (preponderantemente porque o Estado também usufrui disso, ele tem como objetivo
principal a população) prestado ou por quem lhes faça as vezes (concessionário ou comissionado)
sobre um regime de direito público, porque prepondera a desigualdade jurídica.

Características dos serviços públicos:

1. É a Constituição Federal que institui e distribui os serviços públicos entre a União, Estados,
Distrito Federal e Municípios;
2. É um dos objetivos do Estado que além de planejar, coordenar e executar, tem o dever de
fiscaliza-los;
3. Nem mesmo a delegação descaracteriza o serviço como público;
4. O Estado é o titular do serviço público, podendo apenas transferir a execução da prestação
desse serviço.
5. O serviço público sempre é para atender interesse coletivo, que pode ser primário ou
iminente, quando há urgência na sua execução (ex. vacinação), ou secundário e não iminente, quando
o serviço pode ser realizado em etapas (ex. recape asfáltico). Regra geral permanece o regime de
interesse público em razão da supremacia do Estado sobre o particular. No entanto, há serviços
públicos onde vigorará regras de direito privado.
6. Trata-se de uma atividade material e concreta do Estado, e não uma simples atividade
normativa.

Classificação dos serviços públicos:

1. Serviços Públicos Próprios: são os prestados diretamente pelo Estado, com supremacia de
poder e indelegáveis (segurança, tributação e justiça).

2. Serviços Públicos Impróprios: são os prestados pelo Estado, mas não conseguem atingir a
coletividade, razão pela qual podem ser delegados a particulares.

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3. Serviço de Utilidade Pública: são prestados pelo Estado em razão do reconhecimento de sua
conveniência para a população. Portanto, não são indispensáveis, mas apenas úteis.

Serviços Administrativos.

PROFESSOR DARÁ NA PRÓXIMA AULA

12/09/17

AGENTES PÚBLICOS

A expressão “funcionário público” caiu em desuso.


A administração pública expressa sua vontade e atua por intermédio de pessoas físicas, que
exercem as funções afetas aos órgãos integrantes da pessoa jurídica ou ente estatal.

Conceito: são todas as pessoas físicas que, a qualquer título, de forma definitiva ou não,
qualquer que seja a sua hierarquia, desempenhem função pública, na qual foram investidos. O que há
e comum entre todos os agentes públicos, desde o Presidente da República, até um particular que
eventualmente exerça uma atividade pública, são agentes que exprimem um poder estatal munidos
de uma autoridade porque o Estado lhes emprestou sua força jurídica, isto é, o exercício do poder
estatal.
São agentes públicos aqueles que, por algum momento, exprimem a vontade do Estado.

Classificação dos Agentes Públicos:

1. Agentes Políticos: são os investidos em cargos integrantes da organização política


incumbidos do exercício de funções que consubstanciam a vontade política do Estado. Fazem a
organização do país. Como regra, sua investidura se dá através de eleição, Ex. Presidente, senadores,
deputados, etc.

2. Agentes Temporários: a CF permite em algumas situações excepcionais agentes


temporários. Trabalham temporariamente para suprir uma necessidade momentânea e emergente do
Estado de excepcional interesse público. Não prestam concurso público e sim um processo seletivo
simplificado. Funções sem cargo.
São pessoas contratadas por tempo DETERMINADO para que a Administração Pública possa
atender necessidade temporária, de excepcional interesse público, previsto no art. 37, IX da CF.
Celebram com a Administração Pública com vínculo de CARÁTER EVENTUAL e não ocupam nem
cargo e nem emprego público, mas desempenham funções (não se trata de função de confiança).

PERGUNTA PARA PROVA:

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Pode haver na Administração Pública função sem cargo?
Resposta: Na Administração Pública não podemos ter a criação de cargo ou emprego público
sem as respectivas funções ou rol de atribuições, mas podemos ter função sem cargo, que é
exatamente quando contratamos agentes temporários.
Exemplos: epidemia de gripes, pessoal para aplicar vacinas.

3. Agentes de Colaboração: semelhante aos agentes temporários. São pessoas físicas que
prestam serviços à Administração, porém, não vão ocupar nem cargo e nem emprego público, mas
por algum momento vão desempenhar funções. São de três subespécies:
a) Colaboradores por vontade própria: são os que assumem validamente, de forma
instantânea ou duradoura algumas funções para salvaguardar interesses coletivos. Pelos serviços que
prestam, nada recebem e entre esses agentes de colaboração e a Administração Pública não há
qualquer vínculo formal. Por isso, o tempo de serviço prestado não é computado para qualquer efeito,
todavia eles respondem por seus próprios atos e, para fins penais, são considerados “funcionários
públicos, conforme art. 327, CP.

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

b) Colabores por compulsão: são os requisitados pela Administração Pública, a qual em


dado momento, necessita de seu concurso ou colaboração. Por esta que prestam ao Estado em
princípio nada recebem e entre eles e o poder público, via de regra, não há qualquer vínculo. Pelos
danos que causarem, responderá o Estado, que tem o direito de regresso. Para fins penais são
considerados “funcionários públicos” conforme artigo 327,CP.

c) Colaboradores por concordância: a concordância ou aquiescência é da Administração


Pública e não do agente interessado. Alguns desses profissionais nada recebem e outros recebem
conforme o avençado no contrato. Para fins penais são considerados como “funcionários públicos”.
Exemplos: tabeliães, juízes de paz, os concessionários ou permissionários de serviço público e etc.

4. Servidores Governamentais: são os que se vinculam contratualmente com a


Administração Pública, precisamente com as empresas governamentais (Banco do Brasil, Correios,
Petrobras, Caixa Econômica Federal...) mediante uma relação de trabalho de natureza profissional e
não eventual, caracterizam-se pela perenidade e pela natureza celetista regidos contratualmente pela
CLT. Não ocupam cargos, mas empregos públicos, e são denominados de empregados públicos que
ingressam por meio de concurso público, por meio de provas ou provas e títulos e seu desligamento
deverá estar fundado no interesse público devidamente demonstrado. Do mesmo modo que ocorre
nos cargos, também temos os empregos de carreira que consiste na possibilidade do empregado
ocupar melhores posições dentro da empresa pública, não possui as vantagens da estabilidade,
contudo não devem ser livremente dispensados, exigindo-se motivação de interesse público com
direito a ampla defesa.

5. Servidores Públicos: são os que mantêm o poder público de qualquer ente federativo
relação de trabalho de natureza profissional de caráter não eventual, sob vínculo de dependência de

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relacionamento, baseado na hierarquia, isto é não se permite nenhuma autonomia nas decisões de
trabalho, os quais prestam serviços sob regime estatutário ou celetista.

6. Servidor Público Estatutário: são os que se vinculam com a Administração por um liame
institucional denominado de regime estatutário, regidos portanto por estatuto próprio (lei orgânica de
cada carreira. Ex: lei orgânica da magistratura). Ocupam cargo, portanto se transcorrido o período
de estágio probatório de 3 anos (art. 41 CF) adquiriram a estabilidade. Impropriamente são
denominados de funcionários públicos.

7. Servidores públicos celetistas: se vinculam com a administração por meio de um contrato


de trabalho, regido pela CLT, após aprovação em concurso público e o regime adotado é de emprego
público.

8. Agentes militares: são todas as pessoas que permanente ou temporariamente


desempenham atividade militar no âmbito federal ou Estadual que promovem a defesa da soberania
nacional e a segurança pública em geral. Ingressam no quadro de pessoal por meio de recrutamento
ou por concurso público. Ex: agentes das forças armadas, exército, marinha e aeronáutica, os
pertencentes das polícias militares dos Estados e parte dos agentes dos corpos de bombeiros
militares

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