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APOSTILA DE SEMIOLOGIA VETERINÁRIA

AULAS: JOÃO PAULO SAUT, SOFIA BORIN, DIEGO DELFIOL


RESUMO: TATIANE MARQUINI RIBEIRO

Introdução
Métodos de exame clínico, pesquisar os sintomas e os interpretar, com a finalidade de
construir um diagnóstico e presumir um prognóstico.

1° método: Inspeção

Ex: esquerdo dorsal tem o rúmem que pode ter aumento e ser timpanismo; direito ventral
abdominal pode ter aumento sugestivo de prenhez, aumento de útero por hidropsia (pode
aumentar os 2 lados).

 Diagnóstico (conclusão)
- Presuntivo, provável ou provisório;
- Diferencial;
- Terapêutico (sinais clássicos, demora nos exames);
- Laboratorial (exames laboratoriais complementares).
 Prognóstico
Evolução das doenças, com ou sem tratamento
- Quanto à vida;
- Quanto à função;
- Quanto ao valor;
Pode ser bom, mau / desfavorável, reservado.
 Sinal (escola americana) ou Sintoma (escola alemã)
Na veterinária ambos significam +/- a mesma coisa.
Ex: Anemia não é diagnóstico, sim sinal! Claudicação é um sinal.
Disfagia: dificuldade de apreensão, mastigação e/ou deglutição (3 tipos).
- Sinal patognomônico (característico)
Ex: Tétano – protusão da 3ª pálpebra. Outros sinais são cauda em bandeira e disfagia.
 Síndrome (conjunto de sinais)
Não é diagnóstico!
Ex: Síndrome febre – aumento da temperatura corporal (hipertermia), aumento da
frequência respiratória (taquipnéia), diminuição do apetite (inapetência ou hiporexia),
diminuição da produção de urina (oligúria), aumento da frequência cardíaca
(taquicardia).
Ex: Síndrome cólica – desconforto abdominal, náusea, aumento das frequências
cardíaca e respiratória.

Exame clínico

I. Identificação (resenha)
II. Anamnese / histórico
III. Exame físico geral
IV. Exame físico especial ou específico
V. Exames complementares

I. Identificação do paciente

 Nome, registro, número, marcas;


 Espécie;
 Raça;
 Sexo;
 Idade;
 Peso;
 Coloração de pelagem.

II. Anamnese ou histórico

 Fonte e confiabilidade;
 Queixa principal;
 História médica recente (o que, quando e como);
 Comportamento dos órgãos:
- Sistema digestório;
- Sistema cárdio-respiratório;
- Sistema genito-urinário;
- Sistema nervoso;
- Sistema locomotor;
- Pele e anexos.
 História médica pregressa;
 História ambiental e de manejo;
 História familiar ou do rebanho.

III. Exame físico geral e IV. Exame físico especial

São métodos de exploração.

1) Inseção;
2) Palpação;
3) Percussão;
4) Auscultação;
5) Olfação.

1) Inspeção:

Sempre crânio -> caudal

Classificação:
A. Direta
Usa seus olhos / mãos.
B. Indireta
Usa algum equipamento:
- Otoscópio, laringoscópio, oftalmoscópio;
- Raio-X;
- Ultrassom;
- Eletrocardiograma.

Observar:
 Animais em conjunto/relação com o ambiente;
 Animais em movimento;
 Animais em estação;
 Animais em decúbito;
 Deitar-se e erguer-se.

Principalmente em animais de produção.

2) Palpação
 Propriamente dita (temperatura, consistência);
 Por pressão (ver reação à sensibilidade para chegar em algum órgão, ver grau de
dor);
 Por tato ou palpação cega (não consegue ao mesmo tempo fazer inspeção e
palpação, ex: palpação retal).

Consistência:

 Mole (gordura);
 Firme (fígado, músculo);
 Dura (osso);
 Consistência pastosa (edema – Sinal de Godet);
 Flutuante (hematoma, abscesso, cisto);
 Crepitante (enfisemas subcutâneos).

Direta: com as mãos.

Indireta: equipamento/instrumento (sondas, cateteres, pinças, agulhas).

3) Percussão

Determina a vibração das estruturas que estão sendo examinadas, as quais produzirão um
som, variável na dependência da resistência das porções que vibram.

Direta: usa digitais.

Indireta: digito-digital ou com martelo plessimétrico.

2 movimentos, um mais superficial e um mais profundo.


Máximo estruturas a 7 cm de profundidade.

Percussão comparada e percussão topográfica (ambas muito usadas no sistema


respiratório).

Tipo de som:

 Som mate ou maciço: agudo, pouco intenso e de pequena duração, ex:


musculatura, fígado, sinusite, etc.;
 Som submaciço: ex: abscessos;
 Som timpânico: som grave, intenso e de longa duração, ex: cavidade contendo gás
e cujas paredes não estejam distendidas – rúmem na região dorsal;
 Som claro: grave, intenso e cheio, ex: órgãos cavitários contendo gás cujas paredes
estejam distendidas, região pulmonar, seios nasais;
 Som hipersonoro: paredes bem distendidas contendo em sua maioria gás, ex:
rúmem com timpanismo;
 Som metálico: cavernas grandes com paredes bem tensas contendo gás e líquido,
ex: dilatação gástrica em cães, dilatações cecais em equinos e deslocamento de
abomaso em bovinos.

4) Auscultação

Ruídos.

Direta: encosta o ouvido (não usa).

Indireta: estetoscópio/fonedoscópio.

Classificação dos ruídos:

 Aéreos (movimentos respiratórios);


 Hidro-aéreos;
 Líquidos (sopros cardíacos, sopro anêmico);
 Sólidos (roce pericárdico nas paricardites).

5) Olfação

Exame físico geral

Generalista.

1) Nível de consciência
 Ausente (coma, não responsivo);
 Diminuído (apático);
 Normal (responsivo);
 Aumentado (excitado).
Varia com as características da espécie, raça, indivíduo, estresse.

2) Postura
Avaliar:
 Decúbito;
 Levantar-se, deitar-se;
 Movimento.

3) Estado nutricional
 Caquético;
 Magro;
 Normal;
 Gordo;
 Obeso.

4) Avaliação geral da pele


Crânio -> caudal (bilateral).
Aula específica!
Relação com a saúde:
 Grau de desidratação;

- Elasticidade da pele (turgor);

- Enolftamia (olho fundo);

- Ressecamento de mucosas;

- Nível de consciência (se desidratado estará apático);

- Postura.

Avaliação de estruturas anexas: cascos, unhas, cornos, glândula mamária, prepúcio e


testículos, pavilhão auricular.

5) Avaliação dos parâmetros vitais


 Frequência cardíaca;
 Frequência respiratória;
 Frequência intestinal/ruminal;
 Temperatura corporal.

6) Exame das mucosas


a) Oculopalpebrais:
Conjuntivas palpebrais (superior, inferior, 3ª pálpebra) e conjuntiva bulbar ou
esclerótica).
b) Nasal;
c) Bucal;
d) Vulvar, prepucial;
e) Anal.
Observar:
 Coloração;
 TPC;
 Umidade.

Coloração:
- Anêmica -> hipocoradas;
- Congestas -> hipercoradas;
- Cianóticas -> azuladas;
- Ictéricas -> amareladas;
- Normais -> normocoradas.

Alteram mucosas:
- Hematose pulmonar;
- Circulatório (cardíaco, anemia, desidratação, choque);
- Outras alterações.

7) Avaliação dos linfonodos


a) Mandibulares;
b) Retrofaríngeos;
c) Cervicais superficiais ou pré-escapulares;
d) Pré-femorais ou pré-crurais;
e) Poplíteos;
f) Mamários;
g) Ingnais superficiais ou escrotais.

Semiologia do Aparelho Respiratório de Grandes Animais


Funções do sistema respiratório

 Oxigenação sanguínea (hematose);


 Eliminação de CO2;
 Equilíbrio ácido-básico;
 Termorregulação;
 Metabolização de drogas.

Lobo médio do pulmão + lobo cranial direito parte caudal = mais acometidos por lesões.
Trato respiratório

Anterior/ superior Posterior/ inferior

- Narinas; - Traqueia;

- Fossa nasal; - Brônquios;

- Seios paranasais; - Bronquíolos;

- Nasofaringe; - Dutos alveolares;

- Orofaringe; - Alvéolos.

- Laringe.

Anamnese

Animais jovens:
 Anormalidades congênitas;
 Imunidade;
 Animais jovens (prematuros/colostro).

Animais velhos:
 Doenças neoplásicas;
 Doenças degenerativas.

Geral:
 Instalações;
 Entrada de animais;
 Vacinações/ vermifugação.

Características respiratórias
1. Ritmo respiratório;
2. Frequência respiratória (movimentos respiratórios);
3. Amplitude ou profundidade respiratória;
4. Tipo respiratório.

Eupnéia Dispnéia
- Normal; - Dificuldade;
- Características normais. - 1 ou + características anormais.

1. Ritmo
A. Ritmia
B. Arritmia

2. Movimentos / frequência

Já tem uma esperada/ desejada.


a) Apnéia (0)
b) Bradipnéia ↓
c) Taquipnéia ↑

Fatores que influenciam:


- Idade: menor em + velhos;
- Porte: menor em maiores;
- Ambiente: menor no frio e seco.

3. Amplitude ou profundidade

A. Respiração superficial (+ curta);


B. Respiração profunda (hiperpnéia) (dilata cavidade torácica);

 Diminuição da amplitude:
- Processos dolorosos de pleura ou parede costal;
- Algumas situações que levam à taquicardia.
 Aumento da amplitude:
- Após exercícios físicos;
- Estenose (dificulta a passagem de ar);
- Aumentos abdominais (pressão na cavidade torácica).

 Barulho quando se esforça para respirar: estridor ou ronco.

4. Tipos de respiração
Avalia a participação do tórax e/ou da parede abdominal nos movimentos
respiratórios.
5 tipos:
A) Respiração tóraco-abdominal (costo-abdominal);
B) Respiração torácica;
C) Respiração abdominal;
D) Inspiração em 2 tempos (dupla inspiração);
E) Expiração em 2 tempos (dupla expiração).

Dispneia
I. Dispneia inspiratória (problemas no trato respiratório superior geralmente,
atrapalha entrada de ar);
II. Dispneia expiratória (trato respiratório inferior);
III. Dispneia mista (+ comum).

 Posição ortopneica: visa liberar mais as vias respiratórias na dispneia.

Ruídos de origem respiratória ouvidos externamente


I. Espirro (esternutação);
Expiração forte e curta pelo nariz.
Origem: irritação da mucosa nasal por acúmulo de secreção ou corpos estranhos no nariz.

II. Estridor;
Sons sincrônicos com a respiração, devido ao estreitamento nas vias respiratórias anteriores,
com ou sem presença de exsudato.
Localização da obstrução da corrente de ar: estridor nasal, estridor laríngeo, estridor faríngeo,
estridor traqueal.

III. Tosse.
Pode ser estímulo cardíaco/digestório também.
Rápida e ruidosa expulsão de ar através da glote com a finalidade de expulsar o muco ou outro
material da árvore traqueobronquial.
Reflexo de tosse: irritação das terminações nervosas sensitivas (mucosa da traqueia, mucosa
dos brônquios, pleura, parênquima pulmonar).
Exame do estímulo ao reflexo de tosse:
- Tosse seca e persistente, não produtiva;
- Tosse persistente, produtiva.

Exame físico específico do Sistema Respiratório

Ar inspirado e expirado
I. Avaliar se a corrente de ar inspirado/expirado nos lados direito e esquerdo tem a
mesma intensidade;
II. Avaliar o odor do ar expirado.
Cavidade nasal
Focinho ou mufla: úmido e brilhante, coberta por um líquido claro e seroso, frio à palpação.
Fluxo nasal
I. Vias aéreas superiores
- Secreção unilateral ou bilateral:
a) Serosa, mucosa ou purulenta;
b) Hemorrágica (epistaxe).
II. Vias aéreas inferiores
- Secreção deglutida (+ importante) ou eliminada pela tosse;
- Bilateral.
a) Serosa, mucosa ou purulenta;
b) Espumosa – congestão e edema pulmonar;
c) Hemorrágica (hemoptise).

Seios paranasais, seios frontais


Percussão
a) Seio normal: cavidade percutida recoberta por ossos finos (som claro);
b) Seio preenchido por pus (empiema): som sub-maciço ou maciço, sensibilidade
na área percutida.

Faringe e laringe
I. Inspeção externa
II. Palpação
- Assimetria;
- Sensibilidade;
- Temperatura.
III. Inspeção interna (abre-bocas, laringoscópio, endoscópio, endoscopia – exame
complementar)

Taqueia
- Avaliação apenas da porção cervical.
I. Inspeção e palpação
- Presença de tumor;
- Mobilidade em relação aos órgãos adjacentes;
- Estreitamentos (colapsos traqueais);
- Sensibilidade.
* Reflexo de tosse pode dar falso positivo e falso negativo!

Inspeção e palpação do tórax


- Temperatura;
- Palpa toda a área pulmonar;
- Sensibilidade;
- Enfisemas subcutâneos;
- Frêmitos (ruído que sente com a mão – “movimento da secreção”) (com esteto ->
crepitação).

**Frêmito Pleural
- Atrito entre as pleuras (parietal e visceral) ásperas, infladas, rugosas, cobertas de exsudações.

**Frêmito Brônquico
- Crepitação adquire bastante intensidade e as vibrações chegam à superfície da caixa torácica;
- Observa-se em broncopneumonias.

Percussão do pulmão
- Indireta (martelo plessimétrico, digito-digital).
- Topográfica:
1º topográfica, depois comparada.
Delimitação mais fácil do lado direito – “fígado”.
Área pré-escapular – sem significado clínico.
- Comparada:
Som claro – pulmão normal.
Crânio-caudal.
- Superficial e profunda:
1 movimento fraco + 1 movimento forte.
Entre os espaços intercostais.
Normal: som claro.

Auscultação
Nomenclatura:
1. Ruído laringotraqueal;
2. Ruído traqueal;
3. Ruído traqueo-brônquico;
4. Ruído broncobronquiolar.

Auscultar pelo menos esses 4 pontos:

Cranial-----------------------------------------Caudal
 Alguns microorganismos patológicos tem preferência por algumas localizações no
pulmão.
 Para melhorar o ruído:
o No equino: monta e da uma volta;
o No bovino: faz ele andar;
o Sacola: tampa a respiração por um período curto (às vezes com a mão
mesmo);
o Animal não pode estar muito doente (enfisema).

Ruídos pulmonares patológicos:


 Respiração rude:
- Ruído broncobronquiolar: torna-se áspero, rude e duro;
- Altera-se na inspiração e expiração;
- Crepitação grossa: aumento de líquido no interior de brônquios, inflamatório
ou não, secreção muco purulenta
- Crepitação fina: descolamento das paredes das pequenas vias aéreas
preenchidas por líquido ou muco.
- Sibilo: ruído agudo, de alta intensidade (chiado, assovio). Indica
estreitamento de vias aéreas.
 Silêncio respiratório:
- Não se consegue auscultar nada;
- Áreas pulmonares consolidadas (hepatizadas), não arejadas.

Exames complementares
- Toracocentese;
- Hemograma;
- Exame parasitológico;
- Sorologia;
- Radiografia;
- Ultrassonografia;
- Endoscopia -> traqueoscopia/broncoscopia;
- Lavados traqueobrônquico e broncoalveolar;
- Hemogasometria;
- Biópsia pulmonar;
- Necropsia.

Semiologia do Sistema Cardiovascular de Grandes Animais

Funções
Manutenção da circulação do sangue
- Transporte de O2 e CO2;
- Hematose (nos pulmões);
- Transporte de nutrientes e eletrólitos;
- Transporte de substâncias metabolizadas e eliminadas por fígado e rim.
Localização do coração
- Cães: 3º a 6º espaço intercostal;
- Gatos: 4º a 7º espaço intercostal;
- Bovinos: 3º a 5º espaço intercostal;
- Pequenos ruminantes: 3º a 6º espaço intercostal;
- Equinos: 3º a 6º espaço intercostal.

Importância da idade: anomalias congênitas x anomalias adquiridas


- Cardiopatias congênitas:
o Levam à morte quando incompatíveis com a vida;
o Quando compatíveis com a vida ocorre uma compensação e o indivíduo pode
se tornar um indivíduo normal, doente ou com uma compensação temporária.

Amamnese
Queixa principal:
 Início e duração;
 Evolução;
 Medicação;
 Exercício.

Sinais e sintomas da insuficiência cardíaca congestiva


- Esquerda
 Congestão venosa de pulmonar;
 Edema pulmonar;
 Dispneia (evidenciada normalmente por taquipneia);
 Tosse.

- Direita
 Congestão venosa da grande circulação;
 Coleções de líquidos em órgãos;
 Ascites;
 Edemas.

Sinais e sintomas gerais


- Fadiga, cansaço fácil, fraqueza, intolerância ao exercício;
- Diminuição da performance atlética;
- Taquipneia, dispneia;
- Abdução dos membros torácicos (posição ortopnéica);
- Taquicardia;
- Tosse improdutiva;
- Ascites (transudato modificado);
- Edemas periféricos (membros, barbela, submandibular);
- Síncope (perda súbita e transitória de consciência);
- Síndrome febre (processos infecciosos);
- Emagrecimento progressivo (aumento do catabolismo – caquexia cardíaca mediada por
TNFα);
- Desenvolvimento retardado e incompleto;
- Distensão veia jugular e mamária (bovinos);
- Coloração das mucosas (hipocoradas ou anêmicas e azuladas ou cianóticas);
- Presença de petéquias;
- Morte súbita.

Exame físico específico do sistema cardiovascular


I. Coração;
II. Vasos sanguíneos – artérias, capilares e veias.

Inspeção direta
 Sinais e sintomas;
 Avaliações feitas já no exame físico geral;
 Avaliação da jugular;
- Aparentemente vazia;
- Pulsação reflexa da artéria (artéria carótida);
 Teste de estase venosa (se negativo fisiológico, se positivo anormal);
- Causas: ICC direita (pericardite, endocardite, miocardite); lesões expansivas
ou massas na entrada do tórax.
 Pulso da veia jugular;
- Pulso venoso negativo (fisiológico): fase final da diástole; anterior à sístole
ventricular (S1);
- Pulso venoso positivo (patológico): fase de sístole; logo após 1ª bulha
cardíaca; regurgitação da átrio-ventricular direita.
 Pulso venoso positivo x pulsação de carótida.

Palpação
Choque cardíaco (pré-cordial) – sístole ventricular (mitral):
 Bovinos: 4º a 5º espaço intercostal;
 Equinos: 4º a 5º espaço intercostal.
 PIM: ponto de intensidade máxima;
 Posição normal ou deslocado;
 Normal, aumentado ou diminuído.
Avaliação do pulso arterial (artérias):
 Facial (maxila externa);
 Femoral;
 Carótida;
 Metacárpica;
 Digital (palmar e plantar);
 Caudal (coccígea ventral).
- Características avaliadas:
o Frequência (taquisfigmia, bradisfigmia);
o Ritmo (ritmia, arritmia ou disritimia);
o Amplitude (amplo, pequeno);
o Tensão (dureza) (forte, fraco);
o Celeridade (rápido, lento).
- Rendimento cardíaco;
- Pressão sanguínea.
Auscultação (indireta – estetoscópio)
1. Frequência cardíaca;
2. Ritmo cardíaco;
3. 4 bulhas cardíacas (principal S1 e S2);
4. Focos de auscultação:
- pulmonar: +/- 3º espaço intercostal;
- aórtica: +/- 4º espaço intercostal;
- mitral: +/- 5º espaço intercostal;
- tricúspide: +/- 4º/5º espaço intercostal, lado direito, no equino da pra auscultar
do lado esquerdo também.
- Sopros cardíacos: vibrações sonoras que decorrem de alterações de fluxo sanguíneo
pelas câmaras e válvulas cardíacas, causando turbulência do fluxo sanguíneo;
- Finalidade: identificar o foco do sopro; avaliar o significado do sopro.

Sistema Digestório de Ruminantes


- Alta casuística;
- Muito relacionada à produção;
- Muitas particularidades.

Casuística: conjunto de casos pregressos e/ou prevalentes em um local, região ou contexto


maior, a partir dos quais são elaboradas analogias e comparações com novos casos e assuntos
temáticos correlacionados, passíveis de investigação.

Dentes:
- saber anatomia;
- incisivos são flexíveis.

Exame clínico:
- Identificação/resenha:
 Raça e função: espécies especializadas e de alta produção são mais susceptíveis à
doenças metabólicas como acidose rumenal, cetose;
 Idade: tamanho dos compartimentos, lactentes, diarreias;
 Sexo: fases de periparto;
 Peso: cetose em animais mais pesados ou pós parto.
- anamnese, exame físico geral.

Exame físico específico:


- Crânio -> Caudal
- Boca, língua, palato duro, palato mole, dentes e faringe:
 Inspeção
o Preensão de alimentos e mastigação;
o Secreções [alimentos, salivação excessiva – ptialismo (alta produção) x
sialorréia (disfagia)];
o Uso abre-bocas e abaixador de línguas (lesões, inflamações, corpos estranhos,
fraturas), ou pode-se abrir de forma manual (puxa-se a língua pela região do
diastema).
 Palpação e olfação (temperatura e sensibilidade).
 Importante: suspeitar de envolvimento de alterações em pares cranianos (exame
neurológico).
 Mastigação:
o 1ª mastigação: improdutiva, lateralização, não reduz muito tamanho da fibra.
o 2ª mastigação: ruminação, produtiva, reduz bastante o tamanho das fibras.
 Termos importantes:
o 3 disfagias: na apreensão, na mastigação ou na deglutição;
o Anorexia: ausência total da ingestão alimentar;
o Inapetência/hiporexia: ingestão de menores quantidades de alimento ou apetite
parcial;
o Normorexia: apetite normal;
o Polifagia: apetite voraz ou excessivo;
o Parorexia/pica/alotriofagia: animal come osso por ter deficiência de fósforo;

Esôfago:
- 3 partes: cervical, torácico e abdominal;
- Inspeção direta: apenas porção cervical;
- Inspeção indireta: endoscopia;
- Palpação direta: porção cervical, apenas quando tiver corpos estranhos/alterações;
- Palpação indireta: sonda orogástrica, ex: para retirada do gás em casos de timpanismo
gasoso.

Rúmen
- Localizado desde a 7ª/8ª costela até a pelve, ocupa a porção esquerda da cavidade
abdominal;
- Inspeção;
- Palpação abdominal:
o É feita na região do flanco esquerdo com o punho fechado por 3 minutos
(sente-se 4-7 movimentos ruminais);
o Contração ruminal;
o Força de contração;
o Consistência (ponta dos dedos);
o Sucução/baloteamento para avaliar a estratificação ruminal (região ventral
com o punho fechado).
- Palpação retal: saco cego caudal dorsal;
- Auscultação:
o Avaliar os ruídos ruminais;
o 2 pontos: fossa paralombar esquerda (na região do flanco) e entre os espaços
intercostais (menos audível);
o Faz-se em dois pontos devido a grande chance de haver deslocamento de
abomaso para o lado esquerdo (nesse caso não auscultamos o rúmen nesse
ponto pois ele ficará localizado mais internamente);
o Fornece a frequência (4-7 mov/3min ou 7-10 mov/5min), a força de contração
e se os movimentos são completos ou incompletos;
o Sons crepitantes periódicos, crescendo fortemente e decrescendo novamente
(mistura das partículas do alimento fibroso, que roçam na parede vilosa do
rúmen);
- Movimentos rumenais:
o 1º - primário ou da mistura;
o 2º - secundário ou da eructação;
o 3º - terciário ou da ruminação (mastigação produtiva).
- Exames complementares: colheita e avaliação do suco rumenal (sonda orogástrica tem uma
extremidade mais pesada para conseguir alcançar o suco rumenal na parte mais ventral do
rúmen, é metálica e possui furos na extremidade), (avalia-se coloração, odor, pH).

Retículo
- Localizado: 6ª a 8ª costelas à esquerda da linha média ventral (linha alba);
- Afecções:
o Alta incidência em bovinos;
o Causa mais comum de dor abdominal anterior em bovinos;
o Afecções relacionadas, na maioria dos casos, com traumas por corpos
estranhos perfuro-cortantes.
- Contração bifásica a cada 40 a 60 segundos;
- Exame dificultoso;
- Exame físico do retículo:
o Posição intra-torácica;
o Pouca importância à auscultação;
o Percussão: som mate/maciço.
- Exames complementares:
o Ultrassonografia;
o Radiografia;
o Detector de metais;
o Hematologia;
o Laparo-ruminotomia;
o Punção abdominal (não é feita no ponto mais ventral do abdômen e as
alterações do líquido peritoneal não indicam necessariamente enfermidades
gastrintestinais, ruminantes tem peritonite circunscrita abscedante diferente
do equino que tem peritonite generalizada);
o Provas de sensibilidade:
 Prova da cernelha: pressiona-se a cernelha para baixo com
força, se o animal relutar, alterar posicionamento ou gemer,
ele provavelmente sentiu dor no retículo;
 Prova do bastão: duas pessoas seguram um bastão, uma de
cada lado do animal, passando-o de baixo do animal, levanta-
se o bastão na região da axila pressionando o retículo, após 3
segundos solta-se o bastão subitamente;
 Percussão dolorosa: com punho fechado dá-se leves socos no
retículo do animal;
 Palpação dolorosa: com o punho fechado pressionamos o
retículo apoiando o braço no nosso joelho e soltamos
subitamente;
 Subir e descer o morro: ao subir a rampa o animal se sente
bem pois o rúmen movimenta-se caudalmente e descomprime
o retículo, mas ao descer a rampa o rúmen movimenta-se
cranialmente comprimindo o retículo e o animal sente dor;
 Prova de Kalchsmidt: hiperalgesia da região cutânea da
cernelha sensibilizada em consequência de dores abdominais,
puxa-se os pelos da região da cernelha para avaliar se o animal
sente dor no retículo.

Omaso
- Porção ventral, à direita da linha alba, entre a 7ª e a 11ª costela;
- Poucas enfermidades, ex: compactação do omaso (sablose);
- Difícil acesso -> exames complementares como a laparotomia exploratória.

Abomaso
- Estrutura alongada ventral, entre o omaso e o rúmen, localizada do lado direito entre o 9º e o
10º EIC;
- Principais afecções:
o Dilatação simples do abomaso;
o Dilatação com deslocamento à esquerda (DAE);
o Dilatação com deslocamento à direita (DAD) com ou sem torção;
o Geosedimentação do abomaso (areia e pedra sedimentam no abomaso de
ruminantes que bebem água em riachos, principalmente);
o Parasitose (Haemonchus);
o Gastrite e úlceras de abomaso.
- Exame físico específico:
o Inspeção: ao dilatar e deslocar-se ele se encontra abaixo do gradiocostal, e
então não se ve alterações, mas pode haver um leve arqueamento do
gradiocostal quando o caso for muito grave;
o Palpação: a direta nos espações intercostais não trás muitas informações se o
deslocamento for do lado esquerdo (animal não sente dor), mas se for do lado
direito e apresentar torção o animal sentirá dor; com a palpação retal
dificilmente se acessa o abomaso a não ser que o deslocamento seja muito
severo;
o Percussão: nos EIC associada à auscultação;
o Auscultação dupla do rúmen: vazio do flanco (ruído de crepitação diminuído),
sobre últimos EIC (ausência de ruído de crepitação ou um ruído metálico);
o Percussão auscultatória: ping (ruído metálico), percutido com os dedos longe
da área auscultada; fácil detectar dilatações com deslocamentos à esquerda e
à direita;
o Auscultação com baloteamento: não fazer.

Alças intestinais
- Não é comum apresentarem enfermidades;
- Dois terços posteriores do lado direito;
- Exame específico:
o Inspeção;
o Dilatação flanco direito: dilatação cecal;
o Palpação (retal): sensibilidade, distensão;
o Percussão: dilatação cecal;
o Auscultação: ruídos hidroaéreos.
- Avaliação das fezes: avaliar se há presença de sangue, parasitos, muco, se estão ressecadas.

Sistema Digestório de Pequenos Animais

Identificação/resenha:
- Data da consulta/retornos;
- Nome;
- Espécie (gato é mais seletivo com alimentação, cão come lixo);
- Raça (doenças específicas da raça, labrador destrói e come as coisas, raças pequenas tem
gastrite nervosa);
- Cor, sexo;
- Idade (corpo estranho em filhotes, tumores em idosos);
- Manejo sanitário, status vacinal e vermifugação;
- Dados do tutor (grau de relacionamento com o paciente, se é habilitado a dar informações
específicas, deixar o cliente falar livremente sobre a queixa principal).

Anamnese:
- Queixa principal, evolução, frequência, progressão, gravidade, intensidade, piora do quadro,
obtenção de informações atuais, histórico pregresso, histórico clínico/terapêutico, hábitos
alimentares e manejo nutricional, antecedentes mórbidos, informações sobre o ambiente.

Sinais de distúrbios digestórios


- Disgafia (dificuldade);
- Odinofagia (dor);
- Halitose (hálito alterado – odor pútrido – proliferação bacteriana – hálito cetônico por
doença sistêmica);
- Sialorreia (salivação excessiva);
- Regurgitação (expulsão de material da boca, faringe ou esôfago);
- Vômito (expulsão de material do estômago e/ou intestino);
- Expectoração (expulsão de material do trato respiratório);
- Hematêmese (expulsão de sangue digerido ou fresco pela boca);
- Hematoquezia (presença de sangue vivo/fresco nas fezes);
- Melena (presença de sangue digerido nas fezes);
- Diarreia (aumento do conteúdo de água nas fezes com aumento concomitante na frequência,
fluidez, volume e dos movimentos intestinais).

Parâmetros Intestino delgado Intestino grosso


Não altera ou
Volume Aumentado
aumentado
Muco Não Sim
Hematoquezia Não Sim
Melena Sim Não
Esteatorreia (gordura nas
Sim Não
fezes)
+ de 3x a usual (muito
Frequência 2-3x a usual (aumentada)
aumentada)
Vômitos Sim/não (+ frequente) Sim/não (- frequente)
Amolecido, bolo fecal não Amolecido, bolo fecal
Consistência
formado, aquoso formado
Tenesmo (dificuldade de
Não Sim
defecação)
Disquezia (dificulta defecação) Não Sim
Urgência Não Sim
Alimento não digerido Sim Não
Flatulência/Borborigmos Sim Não
Perda de peso Sim/não (comum) Sim/não (rara)

Diarreia Aguda Diarreia Crônica


Início súbito e duração de até 15 dias Mais de duas semanas
Relacionada à dieta, presença de parasitos Má digestão, má absorção com perda de
ou infecções bacterianas proteína e sem perda de proteína

Mecanismos fisiopatológicos causadores de diarreia:


- Diarreia osmótica: excesso de moléculas hidrossolúveis no lúmen intestinal;
- Diarreia exsudativa: por permeabilidade, extravasamento de líquido tecidual;
- Diarreia secretória: substâncias que estimulam a secreção de fluidos para o lúmen intestinal;
- Diarreia por dismotilidade: motilidade desordenada dos intestinos.

Tenesmo e disquezia: ineficiência ou esforço doloroso na defecação ou micção.


Constipação e obstipação (constipação intratável): redução da frequência de evacuação.

Fecaloma: magacólon, fezes ressecadas.

Incontinência fecal: doença neuromuscular ou reflexo anormal.

Efusão abdominal: é necessário abdominocentese e análise da efusão. Teste de baloteamento


com o animal em estação, batendo ligeiramente em um dos lados do abdômen e sentindo o
movimento do líquido abdominal com a outra mão.

Abdômen agudo: distúrbios abdominais que causam choque, sepse ou dor grave e
generalizada.

Distensão ou dilatação abdominal: faz-se inspeção, palpação e percussão completa do


abdômen.

Exame físico geral do TGI:


- Mucosas;
- Linfonodos;
- Hidratação;
- Nível de consciência;
- Escore corporal;
- Auscultação cardiopulmonar;
- Palpação abdominal;
- Temperatura corporal;
- TPC.

Exame físico específico do TGI:


- Cavidade oral, faringe, glândulas salivares, esôfago, estômago, intestinos, fígado e pâncreas;
- Inspeção;
- Palpação;
- Percussão;
- Auscultação;
- Em caso de hérnia diafragmática auscultamos borborigmo na região torácica;
- Abrir a boca do animal é essencial;

- Cavidade oral, faringe e glândulas salivares:


 Cães tem enorme tolerância à dor;
 Lábios, gengivas, dentes, língua, glândulas salivares, palato e faringe.

- Esôfago:
 Sulco jugular;
 Endoscopia;
 Inspeção e palpação das regiões oral, faríngea e cervical.
- Abdômen:
 Estômago, intestinos, fígado e pâncreas;
 Inspeção: avalia-se o formato, perímetro, simetria, equilíbrio, proporcionalidade com o
tórax e com espécie/raça;
 Palpação: animal em estação (rim), e lateral direita e esquerda usando as duas mãos
(palmas e pontas dos dedos) (região epigástrica, mesogástrica e hipogástrica);
 No animal em estação as alças intestinais estão mais ventrais, já os órgãos fixos como
fígado, baço e bexiga não mudam de posição;
 Teste de sensibilidade dos rins pressionando a região com as pontas dos dedos;
 Percussão digito-digital: aumento de volume, sons vão de claro a timpânico sobre
órgão com gás, sons maciços sobre órgãos maciços;
 Auscultação: borborigmos;
 Prova de ondulação/baloteamento: suspeita de efusão abdominal.

- Exames complementares:
 Radiografia abdominal simples ou contrastada;
 Tomografia;
 Ultrassonografia;
 Ressonância magnética;
 Endoscopia;
 Colonoscopia;
 Laparotomia exploratória.

Sistema Digestório de Equinos


Fome: necessidade de alimento.
Apetite: vontade/desejo do alimento.

Avaliação do apetite:
 Tipo de alimento fornecido;
 Modo de preparo;
 Forma de administração;
 Frequência.
Importante saber:
 Cavalo ingere de água: 5% de seu peso vivo (depende de tipo de exercício);
 Apreensão de alimentos: lábios + dentes;
 Mastigação: avaliar movimentos (curto + longo);
 Pelas fezes da pra avaliar se o animal tem problema odontológico ou não
(tamanho das fibras no bolo fecal);
 Deglutição: dificuldade (disfagia), dor (odinofagia);
 Bolsa gutural (aumentos);
 Estômago pequeno, ceco grande, muitas flexuras;
 Dentes: hipsodonte (36 a 44 dentes) (+- 11 em casa hemiarcada);
 Pasteja 16 a 18h/dia, na baia muda (pode dar problema);
 Podem haver úlceras que vão dificultar a mastigação, os alimentos não vão ser
triturados adequadamente e as fibras focam grandes, dificultando também a
deglutição.

Esôfago:
- Liga faringe e estômago;
- 3 pontos de estrangulamento (entrada do tórax, base do coração e passagem pelo
diafragma).

Estômago:
- Dorsal à cavidade abdominal;
- Não permite acesso semiológico direto (não dá para palpar, não da para fazer percussão,
inspeções indiretas apenas);
- 8 a 20L.

Intestino delgado:
- Piloro à curvatura menor do ceco;
- 22m, 40 a 50L;
- Válvula ileocecal (se une ao ceco).

Intestino grosso:
- Muitos problemas em equinos;
- Ceco – cólon ventral direito – flexura esternal – cólon ventral esquerdo – flexura pélvica –
cólon dorsal esquerdo – flexura diafragmática – cólon dorsal direito – cólon transverso – cólon
menor – reto – ânus.
Exame clínico:
- Identificação: idade (neonatos podem ter retenção de mecônio, potros jovens podem ter
úlcera gástrica, adultos podem ter neoplasias ou alterações na mastigação), raça (paint horse
branco neonato com cólica pode ter a doença genética chamada síndrome letal do overo
branco), cor, sexo (fêmeas podem ter torção uterina e machos hérnia ingnal);
- Anamnese: quebra-cabeça, manejo e alimentação, controle parasitário, início do processo
(agudo x crônico), episódios anteriores, tratamento anterior, defecação e micção (urina 4x ao
dia);

Exame físico (avaliar gravidade do problema):


- Inspeção:
 Atitude;
 Comportamento;
 Aparência externa (aumento de volume);
 Modificações no formato do abdômen dorsal ou ventral;
 Sudorese.
- Sinais de dor durante a cólica:
 Escavar o chão, bater com a pata no chão, olhar para o flanco, mexer na água com o
focinho, escoicear abdômen, rolar, sudorese intensa, hiperexcitabilidade ou
depressão.
- Classificação da dor:
 Leve: sem alterações circulatórias, discreta;
 Moderada: alterações respiratórias, cavar, deitar, rolar;
 Grave: sudorese intensa, alterações circulatórias (aumenta FC, FR e TPC, mucosa
congesta), rolar, se jogar;
 Tipo: contínua ou intermitente.
- Avaliação dos parâmetros vitais:
 Avaliar gravidade do problema;
 FC e pulso;
 FR;
 TPC;
 Mucosas;
 Hidratação.

 Se o animal apresentar cólica grave ou outro problema emergencial, faz-se uma


intervenção antes de avaliar a cavidade oral;
 Se o animal apresentar emagrecimento progressivo, faz-se a avaliação da cavidade oral
pois há grande chance da causa estar ali.

Cavidade oral e faringe:


 Apreensão;
 Mastigação;
 Deglutição;
 Palpação externa;
 Simetria;
 Inspeção (dente, língua, bochecha);
 Tracionar língua para observar a faringe (corpo estranho, úlcera, inflamação);
 Usar abre-bocas/espéculo oral;
 Movimento lateral da mandíbula: seguramos a cabeça do cavalo e movimentamos a
mandíbula de um lado para o outro deslizando os dentes da arcada superior sobre os
da arcada inferior (ao chegar na metade da boca o animal abre).
- Sinais clínicos de enfermidades dentárias:
 Comportamento anormal na alimentação;
 Relutância em se alimentar;
 Emagrecimento;
 Halitose;
 Sangue na saliva;
 Movimentos anormais (sacode a cabeça);
 Dor no uso de freios;
 Edema facial e labial;
 Secreção nasal.

Esôfago:
- Palpável até a entrada do tórax (obstrução);
- Observar bolo alimentar e sondas passando;
- Comum: obstrução, estenose, perfurações, megaesôfago;
- Secreção nasal.

Abdômen:
- Palpação externa (teste do rebote): avalia se tem dor, faz uma compressão digital profunda e
em seguida faz-se uma descompressão repentina, se dor o animal vai emitir som;
- Percussão: presença de líquido ou gás, massas sólidas.
- Auscultação abdominal: ver peristaltismo, 4 quadrantes:
 Dorsal direito: válvula ileocecal (descarga, mínimo 1 em 3 minutos);
 Ventral direito: cólon ventral direito (borborigmo, gás);
 Dorsal esquerdo: cólon e intestino delgado (som líquido, borborigmo);
 Ventral esquerdo: cólon ventral e dorsal esquerdo (borborigmo/gás).

Sondagem nasogástrica (se cólica):


- Ver conteúdo do estômago;
- Descompressão (analgesia);
- Tratamento (fluidoterapia, medicamentos);
- Procedimento:
 Lubrificas a sonda (íntegra e com certa flexibilidade, específica);
 Introduz medial/ventral na narina;
 Estimular a deglutição na glote (assoprar);
 Assoprar durante a passagem pelo esôfago (evitar lesões);
 Aspirar para verificar conteúdo.
* Pode ocorrer sangramento na narina (avisar proprietário).

Palpação retal:
- Palpar com cuidado, diferente de bovinos, mais delicado;
- Conter adequadamente;
- Lubrificar luva, lado avesso;
- Retirar fezes da ampola retal (avaliar as fezes);
- Limitação (somente 1/3 da cavidade abdominal é explorada);
- Estruturas palpáveis:
 Ventral:
o Cólon menor (síbalos) (consistência);
o Flexura pélvica (consistência) (pastoso) (localização);
o Bexiga;
o Aparelho reprodutor;
o Anel inguinal (garanhões) (encarceramento de alça);
o Útero (fêmea).
 Dorsal:
o Aorta (pulso);
o Raiz do mesentério (artéria mesentérica cranial);
o Em ambas ver se está “lisinha” (aneurismas por parasitas).
 Lado direito:
o Ceco (consistência – pastoso) (tênias do ceco).
 Lado esquerdo:
o Cólon dorsal esquerdo;
o Baço (bordo caudal);
o Rim;
o Ligamento nefro-esplênico (encarceramento de alça).

Exames complementares:
- Hemograma;
- Radiografia (limitação devido ao tamanho do cavalo);
- Endoscopia;
- Ultrassonografia (não consegue avaliar abdome todo);
- Laparoscopia;
- Paracentese abdominal (coleta de líquido peritoneal): ponto mais baixo do abdômen,
tricotomia na região da linha alba, assepsia rigorosa, agulha 40x12 (mais fácil, pode perfurar
alça) ou cânula de teto (ponta romba, tem que fazer “pique” com bisturi na pele para
introduzir), análise do líquido peritoneal (físico/química e etiológica).

Sistema Genital Masculino

Casuística? Não muito alta, mas tem.


Urolitíase ou cálculos uretrais: gatos e pequenos ruminantes (processo uretral).
Impacto na produção.
DSTs.
Impacto direto da reprodução.

Considerar no exame clínico:


- Saúde geral;
- Saúde hereditária;
- Saúde genital:
 Capacidade de cópula (Potencia coeundi);
 Avaliação espermática (Potencia generondi).

Processo uretral (benefício): sêmen passa mais rápido e espalha numa área maior.
Não se sonda ruminantes (motivo): flexura sigmóide e processo uretral.
Orquite (inflamação testículos): trauma, brucelose.

A) Identificação/resenha;
B) Histórico/anamnese: queixa principal, histórico clínico e reprodutivo, alterações
ambientais, manejo nutricional e sanidade;
C) Exame físico geral: importância – doenças estratégicas, atenção ao estado geral,
locomotor e origem hereditária;
D) Exame físico específico: externo x interno.

Exame externo:
- Exame da bolsa escrotal:
 Inspeção: simetria, acúmulo de líquido, aumento de volume;
 Palpação: mobilidade, sensibilidade, alterações inflamatórias.
- Exame dos testículos, epidídimos e cordões espermáticos:
 Inspeção: simetria;
 Palpação: mobilidade, consistência, sensibilidade;
 Palpar toda a estrutura;
 Utilizar as duas mãos;
 Equinos possuem assimetria leve normal entre os testículos (esquerdo maior, mais
penduloso e mais caudal).

1. Anorquia: uni ou bilateral (não tem);


2. Microrquia: uni ou bilateral (pequenos);
3. Macrosquia: uni ou bilateral (aumentados);
4. Monorquidismo: verdadeiro (ausência de testículo) ou criptorquidismo unilateral.
5. Criptorquidismo: uni ou bilateral;
6. Orquialgia: dor;
7. Testículos ectópicos: fora do lugar anatômico.
- Biometria testicular:
 Ruminantes: circunferência escrotal, comprimento, largura, volume testicular;
 Demais espécies: casos de assimetria (comprimento, largura).

- Prepúcio:
 Integridade da pele;
 Livre movimentação do pênis;
 Particularidades entre os pênis.

- Pênis:
 Métodos de exposição:
o Ruminantes: drogas que relaxam e facilitam, massagem à palpação retal,
decúbito dorsal (manualmente), estimula ou eletroejaculador;
o Pequeno ruminante: “cão sentado”.
 Mobilidade;
 Integridade da glande, mucosa e bainha prepucial;
 Desvios;
 Pequenos ruminantes;
 Presença do pênis exposto: priapismo, acepram causa (quando passa o efeito volta ao
normal).

Exame interno:
- Glândulas anexas.

Exames complementares:
- Exame do comportamento sexual;
- Exame do sêmen;
- Exame microbiológico;
- Exame para identificação de doenças infecciosas;
- Ultrassonografia.

Vias de administração de medicamentos

Higiene: utilizar algodão com álcool/iodo, descartar agulhas e seringas usadas.


Agulhas:
 0,45 x 43mm (marrom) – cães e gatos;
 0,7 x 25mm (verde) – ovinos, caprinos, cães e gatos;
 0,8 x 25mm (cinza) – ovinos, caprinos, cães;
 1,2 x 40mm (rosa) – equinos;
 1,6 x 40mm (branca) – bovinos.

Pequenos animais:
- Oral (VO):
 Vantagem e indicação: medicamentos sob a forma de cápsulas, drágeas, comprimidos
e soluções orais; animal dócil que permita a abertura da boca; tratamentos longos
feitos em casa; TGI deve estar em condições de absorver.
 Desvantagem e contraindicação: ação medicamentosa tardia; animais com vômito,
úlceras gástricas ou gastrite; cápsulas e drágeas não devem ser fracionadas.

- Subcutânea (SC):
 Vantagem e indicação: medicamentos injetáveis; grandes volumes; pacientes que não
toleram VO ou quando IV não é possível; região dorsal lateral; assepsia adequada.
 Desvantagem e contraindicação: absorção lenta; não usar soluções hipertônicas;
pacientes em choque, desidratados ou com hipotermia; pode causar abscesso e
granulomas; pacientes com dermatites ou lesões extensas na pele.

- Intramuscular (IM):
 Vantagem e indicação: absorção mais rápida que SC; membros pélvicos; músculos
semitendíneo e semimembranáceo e musculatura lombar (longíssimo no gato).
 Desvantagem e contraindicação: altas concentrações ou pH muito menor ou muito
maior que o do tecido; grandes volumes; atingir nervos.

- Intravenosa (IV):
 Vantagem e indicação: jugular, cefálica e safena lateral; efeito imediato; velocidade de
adm depende do medicamento; permite cateterização.
 Desvantagem e contraindicação: fluidoterapia por infusão rápida; difícil acesso em
caso de edema de membros, queimaduras, flebietes, pacientes hipovolêmicos graves;
evitar cefálica em pacientes com vômito e safena para pacientes com
dilatação/vólvulo gástrico ou com tromboembolismo aórtico; se houver algum
problema não há como recuperar o que já foi infundido.

- Inalatória:
 Vantagem e indicação: anestesia geral; medicamentos na forma de aerossóis; exigem
o uso de máscara apropriada; inalação de mucolíticos e fluidificantes.
 Desvantagem e contraindicação: alguns animais não toleram as máscaras.

- Tópica/dérmica:
 Vantagem e indicação: superfície da pele; carrapaticidas e pulicidas.
 Desvantagem e contraindicação: intoxicação por lambedura ou ingestão do
medicamento.

- Intraóssea:
 Vantagem e indicação: pode substituir a IV; colapso vascular; choque; distúrbios de
coagulação; queimaduras; edemas; variações anatômicas; pacientes pediátricos e de
pequeno porte; cavidade medular dos ossos fêmur (fossa trocantérica), tíbia (platô
tibial) e úmero (tubérculo maior).
 Desvantagem e contraindicação: osteogênese imperfeita; osteoporose; osteomielite;
fraturas das extremidades; infecções de pele no local da inserção do cateter; fármacos
mielossupressores.

- Espinhal:
 Vantagem e indicação: anestésicos ao redor da dura-máter ou abaixo da aracnoide;
pacientes que não podem receber anestesia geral; efeito regional, segmentar e
temporário; manter o animal em decúbito esternal durante a aplicação e por 10-15min
após mantendo a cabeça no nível mais alto; a epidural é feita entre L7 e S1 (região
lombossacra) e entre S3 e C1 (região sacrococcígea) ou intercoccígea.
 Desvantagem e contraindicação: exige técnica; paciente deve ser tranquilizado antes
para não se mover durante a aplicação; efeito regional, segmentar e temporário;
pacientes com infecções cutâneas no local da aplicação.

- Nasal:
 Vantagem e indicação: agir no local como descongestionantes, antibióticos tópicos,
mucolíticos e adrenalina; absorção rápida.
 Desvantagem e contraindicação: alguns animais não aceitam.

- Oftálmica:
 Vantagem e indicação: subconjuntival para medicamentos que devem ser liberados
lentamente; tópica ocular como colírios e pomadas.
 Desvantagem e contraindicação: requer alta frequência de administrações.

- Retal:
 Vantagem e indicação: medicações parenterais e anorretais; pacientes em convulsão;
ótima absorção.
 Desvantagem e contraindicação: pacientes com diarreia.

- Intradérmica:
 Vantagem e indicação: testes alérgicos; antibióticos, antiinflamatórios e
quimioterápicos intralesionais.
 Desvantagem e contraindicação: só comporta pequenos volumes.

- Traqueal:
 Vantagem e indicação: absorção rápida; procedimentos de emergência; lavados
traqueobrônquicos.
 Desvantagem e contraindicação: precisa de intubação.

- Peritoneal:
 Vantagem e indicação: rápida absorção; grandes volumes; lavagem peritoneal;
amostras e drenagem de efusões abdominais.
 Desvantagem e contraindicação: peritonite e perfuração de alças intestinais; não fazer
após cirurgias abdominais e doença visceral abdominal; choque e hipotermia.

Grandes animais:
- Intravenosa (IV):
 Vantagem e indicação: não depende de absorção (efeito imediato); grandes volumes;
em equinos veia jugular, torácica-lateral e safena lateral; em bovinos veias jugular,
mamária, coccígea caudal; em caprinos e ovinos veia jugular, cefálica e safena lateral.
 Desvantagem e contraindicação: se houver algum problema não há como recuperar o
que foi infundido; flebite; alguns medicamentos não podem e outro tem de ser
devagar.

- Intramuscular (IM):
 Vantagem e indicação: em bovinos, caprinos, ovinos e equinos pode ser feito nos
músculos semitendíneo e semimembranáceo, em bovinos na tábua do pescoço, nos
equino delimitar a área de aplicação no pescoço pelos limites das vértebras cervicais,
ligamento da nuca e escápula.
 Desvantagem e contraindicação: absorção não muito rápida; pequenos volumes; pode
causar abscesso; não utilizar medicamentos oleosos; revezar o músculo para
tratamentos longos; cuidado para não atingir nervos.

- Subcutânea (SC):
 Vantagem e indicação: entre a pele e a musculatura; volumes maiores; região do
pescoço e axila; assepsia prévia; aplicação de vacinas.
 Desvantagem e contraindicação: absorção lenta.

- Oral (VO):
 Vantagem e indicação: no equino coloca-se o dedo no palato duro para estimular a
deglutição; em bovinos utiliza-se uma pistola de metal com ondulação na ponta na
lateral da boca; boca do animal deve estar limpa (livre de alimentos).
 Desvantagem e contraindicação: absorção muito lenta; no ruminante o medicamento
é inativado no rúmen.
**Coccígea caudal em bovinos:
 Vantagem e indicação: agulha e canhão; excelente assepsia; veia passa no sulco na
parte medial da cauda.
 Desvantagem e contraindicação: risco de infecção por ser uma região contaminada.

Sistema Urinário de Pequenos Animais

 Anamnese:
 Muitas doenças que acometem órgãos urinários resultam de comprometimento
sistêmico. E muitas doenças com sinais sistêmicos e/ou localizadas podem ocasionar
doença renal secundária. Ou seja, faz-se anamnese geral, buscando sinais fora do TGU.
 Obs: ureia não é toxica! Quem causa problemas são as outras toxinas que são retidas
junto. Mas no sangue quantifica-se apenas a ureia, portanto ela serve de marcador.
 Importante saber se fora medicado com diuréticos e corticoides, pois ambos causam
poliúria e polidipsia.
 Importante obter informações sobre o manejo devido a zoonoses.
 Importante saber se fora realizada OSH devido a possível ligadura do ureter ou invés
do útero.
 Obs²: como saber indiretamente se o animal está urinando? Notar sinais como beber
mais água, ter mais locais com urina, poças de urina maiores, animal fica mais tempo
urinando.
 Específica do trato urinário:
o Urina: volume de cada micção; aspecto (coloração, transparência, turvação,
presença de material sólido ou semissólido, viscosidade, presença de sangue,
atração de formigas);
o Micção: frequência (numero de vezes e intervalo); tipo (postura, sinais de
dificuldade, sinais de dor ou desconforto, tenesmo, incontinência);
o Ingestão de água: frequência e volume;
o Doença do trato urinário: histórico completo; tratamentos já efetuados;
o Sinais relacionados com outros órgãos: detalhamento de informações
referente às manifestações que possam ter relação com as causas e
consequências da afecção urinária em curso.

 Exame físico específico:


RINS:
 Palpação simultânea (ponta dos dedos) (fossa paralombar):
o Ambos são palpáveis?
o Tamanho? Simetria? Posição?
o Forma, contorno, consistência?
o Dor/sensibilidade?
BEXIGA:
 Palpação (ambas as mãos/decúbito e em pé ou com uma mão em forma de pinça):
o Posição?
o Tamanho? Espessura da parede?
o Cálculos/massas palpáveis?
PRÓSTATA (importante em cães):
 Palpação (ponta do dedo indicador introduzida no reto):
o Posição, tamanho, consistência, simetria?
o Dor?
 Bilobulada, simetria, lisinha, sem dor.
 Se der problema: disúria.
URETRA (machos):
 Inspeção e palpação (indireta – cateter; direta – expor o pênis):
o Meato urinário externo;
o Secreção uretral ou prepucial?
o Anormalidade periuretral?
URETRA (fêmea):
 Palpação (ponta do dedo com lubrificante):
 Meato urinário externo;
 Secreção vaginal?
 Anormalidades vulvaes/vaginais?
MICÇÃO:
 Inspeção/palpação/olfação:
o Frequência?
o Disúria? Retenção? Tenesmo?
o Incontinência?
o Odor alterado? Cor alterada?
 Incontinência de castração: fêmeas castradas muito cedo.
 Tem que saber o volume normal de urina/dia por espécie.

 Avaliação da micção:
 Frequência da micção:
o Normal: em cães é muito variável, em cadelas vai de 2 a 4 vezes ao dia, em
gatos vai de 2 a 4 vezes ao dia.
o Distúrbios:
 Polaquiúria: micção anormalmente frequente (muitas vezes ao dia);
 Oligosúria: micção rara (poucas vezes ao dia);
 Iscuria: falta persistente de eliminação de urina causada por obstrução
(bexiga permanece cheia);
 Incontinência urinária: perda total ou parcial da capacidade de
armazenar urina. Urina é eliminada sem que haja postura normal de
micção.
 Disúria: dificuldade para urinar:
o Micção dolorosa: gemidos, olhar para o abdômen, sapateado, agitação da
causa;
o
Estrangúria: esforços prolongados, auxílio da prensa abdominal sem eliminar
urina ou eliminação de poucas gotas ou jatos finos acompanhados de dor;
o Tenesmo vesical: esforço constante, prolongado e doloroso para eliminação de
urina (mantém a postura de micção). A vontade de urinar é constante, mesmo
com a bexiga vazia ou com pouco volume.
 Volume de urina em 24h:
o Normal: cães +- 1-2mL/Kg/h; gatos +- 0,5-1mL/Kg/h.
o Distúrbios de volume:
 Poliúria: aumento do volume de urina produzida em 24h;
 Oligúria: diminuição do volume de urina produzida em 24h;
 Anúria: ausência de produção de urina.
 Coloração da urina:
o Vermelha/acastanhada/marrom/preta:
 Hematúria: sangue ou hemácias;
 Hemoglobinúria: presença de hemoglobina na urina decorrente de
hemólise intravascular;
 Mioglobinúria: presença de mioglobina na urina decorrente de lesão
muscular intensa.
o Verde: geralmente decorrente de infecção ou contaminação da amostra.
o Laranja/alaranjada: presença de bilirrubina.
 Como saber a localização e origem de perdas de sangue no TGU: observar o momento
em que a perda de sangue é verificada ou fica mais evidente.
 Perdas de sangue:
FASE DA MICÇÃO
ORIGEM INTERVALO
INÍCIO MEIO FIM
Variável Variável Intensa
BEXIGA (depende da (depende da (coágulos Ausente
intensidade) intensidade) possíveis)
Presente
Discreta perda
URETRA (coágulos Ausente Ausente
de sangue
possíveis)

RIM Presente Presente Presente Ausente

Gotejamento de
PRÓSTATA/ÚTERO/ Presente
sangue ou
VAGINA/PÊNIS/ (coágulos Ausente Ausente
secreção
VULVA possíveis)
sanguinolenta

 Métodos de coleta de urina:


o Micção espontânea:
 Recipiente limpo;
 Lavar prepúcio/vulva;
 Jato do meio da micção.
o Compressão da bexiga:
 Compressão externa da bexiga;
 Lavar prepúcio/vulva;
 Estação ou decúbito dorsal;
 Jato do meio da micção.
o Cateterização:
 Coleta estéril;
 Higienizar prepúcio/vulva;
 Lubrificante;
 Aspirar com auxílio de seringa;
 Desprezar primeiros mL (depois de conseguir mais).
o Cistocentese:
 Não apresenta contaminação dos genitais;
 Coleta estéril;
 Tricotomia;
 Antissepsia;
 Seringa e agulha.

 Exames complementares:
 Urinálise (100% dos casos);
 Provas de função renal;
 Cultura e antibiograma;
 Análise urólitos;
 Ultrassonografia;
 Uretrocistoscopia;
 Urografia excretora;
 Biopsia do trato urinário.

Sistema Reprodutor Feminino de Pequenos Animais

 Resenha:
o Espécie (gata tem mais problemas que cadelas);
o Raça;
o Idade (vaginite recorrente em cadelas que ainda não entraram no cio, e
filhotes que encostam a vulva no chão ao urinar, piometra em animais não
castrados e que receberam anticoncepcionais, neoplasias em animais mais
velhos);
o Peso.
 Anamnese:
o Condições alimentares;
o Manejo sanitário;
o Medidas preventivas reprodutivas;
o Histórico reprodutivo:
 Castração;
 Cio;
 Cruza;
 Partos.
 Sinais relacionados:
o Anestro prolongado (às vezes o tutor nunca notou o cio do animal por diversos
motivos, nesses casos não necessariamente o animais nunca entrou no cio ou
tem anestro prolongado; animais com hipotireoidismo e
hiperadrenocorticismo tem anestro prolongado);
o Ciclos irregulares (desordens ovarianas);
o Ninfomania (libido exacerbada);
o Estros curtos;
o Comportamento masculinizado;
o Defeitos anatômicos no períneo ou projeções anormais exteriorizadas pela
vulva;
o Distensão abdominal;
o Dor;
o Contrações e esforços de expulsivos;
o Crostas aderidas na cauda e períneo;
o Corrimento vaginal sanguinolento;
o Laceração vaginal;
o Metrorragia;
o Corpos estranhos vaginais.
 Exame físico geral
 Exame físico específico:
 Inspeção e palpação externa:
o Abdômen;
o Períneo;
o Vulva;
o Cauda.
 Exame físico das mamas:
o Número e tamanho das glândulas mamárias e tetas;
o Linfonodos responsáveis pela drenagem das mamas;
o Coloração da pele;
o Existência de lesões;
o Secreções;
o Nodulações.
 Exame específico interno:
o Toque digital vaginal:
 Palpação do assoalho e teto vaginal (observar irregularidade, aumento
de volume, presença de corpos estranhos);
 Palpação do óstio externo da uretra (ventralmente).
o Palpação abdominal para cadelas e gatas prenhes.
 Exames complementares:
o Ultrassonografia e radiografia de abdômen;
o Vaginoscopia (introdução da cânula com a luz e lupa em casos de suspeita de
neoplasias, pólipos, corpos estranhos);
o Citologia e histologia (presença de células diferentes conforme a fase do ciclo
estral);
o Dosagens hormonais;
o Exames microbiológicos e sorológicos.

Dermatologia de Pequenos Animais

 Identificação/resenha:
 Data da consulta/retornos;
 Nome, espécie, raça, cor, sexo, idade, dados do tutor, procedência;
 Queixa principal:
o Evolução, frequência, progressão, gravidade, intensidade ou piora do quadro;
o Agudo x crônico.
 Obtenção de informações atuais;
 Obtenção de histórico pregresso:
o Histórico clínico/terapêutico;
o Estado vacinal/vermifugação;
o Ambiente/hábitos/manejo;
o Contactantes;
o Exposição a agentes irritativos (sol, produtos químicos, etc.).
 Avaliação do prurido:
o Fisiológico x patológico (>30%);
o Intensidade (0 a 10);
o Manifestação:
 Lamber excessivamente;
 Mordiscar;
 Roçar;
 Coçar.
o Localização.
 Avaliação de outras alterações sistêmicas:
o Doenças endócrinas.

 Exame físico específico do sistema tegumentar:


 Pele, pelame, unhas, glândulas, vasos.
 Palpação:
o Sensibilidade;
o Sinais de inflamação (dor, calor, rubor, tumor);
o Elasticidade da pele (hidratação);
o Edema local ou generalizado;
o Estimular prurido local (reflexo ortopedal).
 Olfação: algumas lesões possuem odores característicos (ex: miíase, malasseziose).
 Inspeção direta:
o Observar animal com distância para observar padrões:
 Pelame;
 Cor de pele;
 Cor de pelame;
 Padrão de alopecia (focal, simétrica, aurotricose).
o Classificação das lesões cutâneas:
 Distribuição:
 Localizadas (1-5 individualizadas);
 Disseminadas (>5);
 Generalizada (+- 60% corpo);
 Universal (+- 100% corpo).
 Topografia:
 Comparar lesões entre si;
 Simétricas x assimétricas;
 Mapa dermatológico de lesões.
 Profundidade e formato da lesão:
 Superficial ou profundas;
 Formato (circular, linear, puntiforme, serpiginosa/arciforme,
geográfica, numular – aspecto de moeda, iridiforme).
 Morfologia:
 Alterações de cor: manchas vasculossanguíneas como eritema,
púrpura (petéquia e equimose) e teleangiectasia; manchas
pigmentadas ou discrômicas como hipocromia, acromia e
hipercromia.
 Formações sólidas: pápula, placa, nódulo, tumor ou
nodosidade, goma, vegetação, verricosidade.
 Coleções líquidas: vesícula, bolha, pústula, cisto, abscesso,
flegmão, hematoma.
 Alterações de espessura: hiperqueratose, liquenificação,
edema, esclerose, cicatriz.
 Perdas teciduais e reparações: escama, crosta, escoriação,
escara, erosão, fístula, ulceração, afta, corarinho/colarete
epidérmico.
 Inspeção indireta (exames complementares):
o Diascopia ou vitropressão (se tiver dilatação do vaso na pressão vai ficar
branco e depois volta; no eritema fica branco e volta também; se for
extravasamento de sangue não volta);
o Luz de Wood (microsporum) (negativo não significa que não tem);
o Teste da fita adesiva;
o Exame direto do pelame;
o Tricograma (avalia pelo inteiro da haste até o bulbo);
o Parasitológico;
o Micológico;
o Citologia;
o Biopsia.
Sistema Locomotor de Equinos

 Membros: conjunto perfeitamente harmônico;


 Esqueleto: arcabouço de todo o organismo do cavalo, alicerce para o sistema de
alavanca que as articulações exercem;
 Importância: exigência no trabalho e no esporte; animal é levado acima de seus limites
naturais; ocorrem muitos problemas – claudicações; causa de vários prejuízos
econômicos;
 Claudicação: sinal clínico de distúrbio estrutural ou funcional; se manifesta em 1 ou +
membros durante a locomoção;
 Claudicação relacionada à dor ou disfunção mecânica com restrição de movimentos ou
disfunção neurológica.
 Causas de problemas:
 Traumas: diretos; fratura por estresse;
 Anomalias congênitas ou adquiridas;
 Infecções;
 Distúrbios metabólicos;
 Alterações circulatórias: laminites;
 Alterações nervosas.
 Exame de claudicação:
 Objetivo: determinar qual membro; localizar a lesão no membro; diagnosticar
qual a patologia;
 No exame físico: grau de claudicação; testes de flexão (foco); exame por
inspeção e palpação;
 Exames complementares (US e RX);
 Não necessariamente nessa ordem.

 Identificação e anamnese:
 Raça, idade, sexo;
 Modalidade do esporte que ele participa;
 Queixa principal;
 Serve para definir prognóstico (de acordo com a função do animal);
 Início da claudicação (ex: síndrome navicular que começa leve e vai piorando);
 Duração sinais clínicos: tempo todo, só no trote, só no passo, só depois de exercício;
 Aparecimento súbito ou gradativo;
 Grau aumenta ou diminui durante o trabalho;
 Aumento de volume ou alteração de postura;
 Casqueamento ou ferrageamento recentes.

 Exame físico:
 Verificar:
o Assimetria de conformação e aprumos;
o Deformações;
o Aumentos de volumes;
o Atrofias musculares (avaliar simetria de musculatura);
o Soluções de continuidade (feridas);
o Cicatrizes ou posturas anormais.
 Inspeção e palpação específicas:
o Sentido disto-proximal do membro;
o Membro apoiado e depois flexionado;
o Ligamentos;
o Articulações;
o Região lombar;
o Coluna (palpar toda);
o Avaliar temperatura, sensibilidade, aumentos de volume.

PÉ:

Inspeção e pinçamento dos cascos (pinçar toda a sola):
o Muralha e muralha;
o Ranilha e ranilha;
o Ranilha e muralha (direita e esquerda);
o Sola e muralha toda com espaçamento de cerca de um dedo.
 Fratura 3ª falange;
 Doença do navicular;
 Laminite (avaliar temperatura – costas da mão);
 Inflamação (cravos).
QUARTELA:
 Pulso das artérias digitais (palmares e plantares) (sente-se se houver alteração);
 Pressão leve comparando-se sempre com o pulso contralateral;
 Aumento de volume, sensibilidade, calor.
BOLETO/ARTICULAÇÃO METACARPOFALANGEANA:
 Sesamóides;
 Avaliar aumento de volume;
 Sensibilidade;
 Temperatura.

 Inspeção e palpação:
 Região 3º metacarpo/metatarso: isolar TFDS e TFDP.
 Região carpo;
 Região úmero-rádio-ulnar e escápulo-umeral;
 Região do tarso (jarrete);
 Região fêmuro-tíbio-patelar;
 Região coxal e lombar.
 Exame de claudicação:
 Primeiro ao passo, depois trote lento, depois trote rápido.
 1º linha reta e superfície plana e terreno duro, depois outros tipos de terreno e
movimentação circular.
 Condutor: acompanhar animal pelo lado e segurar o cabresto de maneira
adequada (frouxo para poder ser analisado movimentos de cabeça);
 Trote: olhar de frente e de lado.
 Observar movimento de cabeça (membro torácico) e garupa (membro pélvico):
levanta quando o membro afetado toca o solo.
 Condução em círculos acentua claudicações de grau leve com sede normalmente
no membro interno do círculo.
 Graus de claudicação (leve, moderada ou grave):
 0: não perceptível em nenhuma circunstância;
 1: vê ao trote mas não vê ao passo;
 2: vê ao passo mas não movimenta cabeça/garupa;
 3: óbvia ao passo, movimenta cabeça/garupa;
 4: impotência funcional do membro (fratura exposta).
 Testes de flexão:
 Flexiona por 1minuto, solta devagar e põe cavalo para trotar cerca de 20 a 30m,
em 3 a 4 passos já exacerba a claudicação;
 Função: exacerbar foco da dor;
 1º membro são e depois no suspeito;
 Disto-proximal;
 Jarrete (tarso) flexiona por 1min30s (teste do esparavão) (mais importante por ter
mais afecções);
 Resposta positiva não significa que o local é o foco da dor, mas indica provável
ponto de dor;
 Observar tamanho de passada.
 Exames complementares:
 Depois de localizar o foco da dor;
 Para saber o que esta gerando a dor naquele local;
 Anestesia perineural e intra-articular: localiza a lesão, sempre iniciar pela porção
distal do membro, lidocaína 2%, mepicaraína ou bupivacaína, rigorosa assepsia,
agulha 30x7;
 Ultrassonografia: tendão (tendinite), tecidos moles;
 Artroscentese (análise de líquido sinovial);
 Artroscopia;
 Termografia;
 Tomografia;
 Ressonância magnética.

Sistema Neurológico de Grandes Animais

 Ptose = ”caído”;
 Doenças que mais causam prejuízos econômicos na pecuária brasileira: raiva e
botulismo;
 Possível e muito importante;
 Identificação – anamnese (saber se tem suíno na propriedade, saber quais plantas
têm) – exame físico geral – exame específico (neurológico) – exames complementares
– diagnóstico – tratamento e profilaxia;
 Importância: sistema muito acometido em grandes, localizar e diagnosticar a lesão,
bons resultados em algumas enfermidades tratadas precocemente, zoonoses, evitar
gastos desnecessários com medicamentos;
 Avaliação funcional: estímulo -> resposta;
 Objetivo:
 Confirmar envolvimento do SNC;
 Classificar lesão;
 Localizar lesão;
 Diagnóstico diferencial;
 Tratamento.
 Baseia-se em:
 Avaliar comportamento;
 Avaliar nível de consciência;
 Avaliar postura e movimentos (andar, trotar, galopar);
 12 pares de nervos cranianos;
 Realização de reflexos espinhais (quando possível).
 Classificação das enfermidades do SNC:
 Aguda x crônica;
 Progressiva x estacionária;
 Degenerativas: crônica, progressiva;
 Anomalias congênitas: crônicas;
 Metabólicas: flutuação clínica, ex: encefalopatia hepática, hipocalcemia;
 Neoplásicas/nutricionais;
 Infecciosas/inflamatórias: agudas ou crônicas, progressivas;
 Traumáticas/tóxicas: agudas;
 Vasculares: agudas geralmente, ex: aneurismas, rompimento de vasos no SNC;
 Depende do tempo e da severidade da lesão.

 Avaliação do Encéfalo:
 Nível de consciência:
o Alerta;
o Apático/deprimido;
o Semicomatoso;
o Comatoso;
o Hiperexcitabilidade.
 Comportamento:
I. Andar em círculos;
II. Andar compulsivo;
III. Pressionar a cabeça contra obstáculos;
IV. Lamber ou emitir sons frequentes;
V. Balançar compulsivo da cabeça.
 Postura:
I. Desvio lateral de cabeça;
II. Giro ortotônico da cabeça e pescoço;
III. Tremores;
IV. Opistótono;
V. Pleurotótomo.
 Andar:
0: padrão normal de locomoção;
1: déficits dificilmente observados durante a locomoção em linha reta, mas
confirmados após a realização de manobras especiais (subir/descer rampa, curva, ré);
2: déficits facilmente observados durante a locomoção em linha reta e exacerbados
durante a realização de manobras especiais;
3: o animal pode cair quando manobras especiais são realizadas e geralmente
apresentam posturas anormais mesmo quando parados;
4: quedas espontâneas durante a locomoção;
5: decúbito permanente (lesões vértebras cervicais C1-C5 ou C6-T2).
 Nervos cranianos.
o Alteração em 2 ou + desses para poder afirmar que tem alteração no encéfalo.
I. Olfatório
 Função = olfação;
 Avaliação tem pouca função na clínica;
 Teste = oferecimento de alimento com odor atrativo, mão fechada,
deixar animal cheirar costas da mão;
 Anormalidade = incapacidade total ou parcial de sentir odores.
II. Óptico
 Função = visão;
 Teste = reflexo de ameaça, animal acompanha objetos em movimento
ou desvia de obstáculos, reflexo pupilar (cuidado para não gerar
movimentação de ar próximo ao olho do animal e/ou tocar nos cílios –
reflexo táctil) (fazer em ambos os lados);
 Anormalidade = cegueira parcial ou total;
 Animal cego não necessariamente tem anormalidade do nervo óptico
(ex: problemas no globo ocular) (teste pouco específico).
III. Oculomotor
 Função = controle da pupila e acomodação visual, inerva músculos que
elevam pálpebra superior;
 Teste = reflexo pupilar, avaliar movimentação de pálpebra,
posicionamento e movimentação do globo ocular (mesmos cuidados
nos testes do nervo óptico) (fazer em ambos os lados);
 Anormalidade = reflexo pupilar anormal/ausente, ptose palpebral,
possível estrabismo.
IV. Troclear
 Função = músculo ocular oblíquo superior (movimentação globo
ocular);
 Teste = observar posicionamento e coordenação globo ocular durante
movimentação de cabeça;
 Anormalidade = estrabismo dorso medial.
V. Trigêmio
 Função = sensorial (córnea, pálpebra, cabeça), motora (mastigação –
músculo facial);
 Teste = oferecer alimento (observa se mastiga fazendo os movimentos
corretos, se deixa cair alimento) e teste de sensibilidade da face
(“cutuca” a face e observa se há contração do músculo da face) (fazer
em ambos os lados);
 Anormalidade: dificuldade de apreensão e mastigação; atrofia de
masseter; falta de sensibilidade na face.
VI. Abducente
 Função = músculos reto lateral e retrator ocular (movimentação globo
ocular);
 Teste = observa posição e coordenação do movimento do globo ocular
durante a movimentação da cabeça;
 Anormalidade = estrabismo medial e inabilidade de retrair o globo.
VII. Facial
 Função = inervação motora de orelhas, pálpebras e músculo da
expressão facial (movimentação de narina e lábios) Glândula lacrimal e
salivar.
 Teste = observar simetria e posicionamento de orelhas, pálpebras,
narinas e lábios. Glândula lacrimal: teste de schimer (verifica se esta
produzindo e liberando uma quantidade adequada de lágrimas);
 Anormalidade = diminuição/ausência de movimentação de orelhas,
ptose labial, palpebral e de narina (movimentação ausente),
diminuição de secreção lacrimal.
VIII. Vestibulococlear
 Função = equilíbrio (vestibular), audição (coclear);
 Teste = avaliar posição de cabeça, presença de nistagmos, captação de
estímulos auditivos (produzir som próximo ao animal e em locais
diferentes, observar como ele reage – movimentação de orelhas e
cabeça em direção ao som);
 Anormalidade = rotação de cabeça, dificuldade da captação de sons
(não pode afirmar a inexistência deste), eventualmente presença de
nistagmos.
IX. Glossofaríngeo
 Função = inervação faringe, sensibilidade da porção caudal da língua;
 Teste = oferecer alimentos, passar sonda (deglutição);
 Anormalidade = disfagia.
X. Vago (avaliado juntamente com o IX)
 Função = motora e sensorial de vísceras torácicas e abdominais,
motora de faringe e laringe;
 Teste = oferece alimentos, avalia sons anormais durante a respiração,
slap test (testa abdução da cartilagem aritenóide) (coloca dois dedos
levemente posicionados na região da cartilagem aritenoide, no lado
contrário dá-se tapas de mão aberta na região escapular, sentir-se-á
uma leve vibração da cartilagem se estiver tudo normal) (para uma
melhor avaliação da laringe, usa-se o laringoscópio);
 Anormalidade = disfagia e sons respiratórios anormais (cavalo
roncador) em razão da flacidez da laringe.
XI. Acessório
 Função = motora (músculo do pescoço – trapézio);
 Teste = avaliação da simetria da musculatura do pescoço,
eletromiografia (avalia impulsos nervosos);
 Anormalidade = assimetria da musculatura (compara ambos os lados),
falta ou deficiência de impulsos nervosos.
XII. Hipoglosso
 Função = motora da língua;
 Teste = oferecer alimento, tracionar a língua para avaliar sua
movimentação;
 Anormalidade = perda da função motora da língua (quando tracionada
ela não retorna imediatamente à posição normal) (atenção para
bovinos, tal anormalidade prejudica muito a alimentação).

 Sinais neurológicos de diferentes áreas


 Síndrome cerebral:
o Nível de consciência alterado;
o Comportamento alterado;
o Andar e postura anormais;
o Amaurose (cegueira com reflexo pupilar presente);
o Edema de papila ópica (avalia se tem edema cerebral) (exame de fundo de
olho com oftalmoscópio);
o Convulsões.
 Síndrome mesencefálica:
o Alteração do estado mental;
o Deficiência do terceiro par de nervos cranianos (estrabismo lateral, midríase –
pupila dilatada, reflexo pupilar ausente, visão normal, ptose palpebral);
o Opistótono;
o Reflexos e tônus aumentados nos quatro membros.
 Síndrome pontinobulbar:
o Estado mental alterado;
o Paralisia da mandíbula e diminuição da sensibilidade da face (V);
o Diminuição reflexo palpebral (V eVII);
o Paralisia facial (VII);
o Desvio de cabeça, quedas, andar em círculos, nistagmo (VIII);
o Paralisia faringe/laringe (IX eX);
o Paralisia de língua (XII).
 Síndrome vestibular:
o Central x periférica;
o Depressão;
o Desequilíbrio e quedas;
o Andar em círculos;
o Nistagmo;
o Estrabismo ventro lateral;
o Déficit do V, VI, VII;
o Síndrome de Horner: causas são traumas, injeção mal administrada na região
cervical. Gera ptose palpebral, prolapso de terceira pálpebra, sudorese
unilateral, miose (pupila contraída).
 Síndrome cerebelar:
o Tremores intencionais de cabeça;
o Nistagmo;
o Anisocoria (pupilar de tamanhos desiguais);
o Base de apoio aberta;
o Hipermetria (levanta muito membros para andar, mais evidenciado ao subir
escada/degraus);
o Reações posturais retardadas e exageradas;
o Andar espástico (parece que está travado, membros duros);
o Opistótono;
o Ausência de reflexo de ameaça com visão normal.
 Lesões multifocais.

 Lesões medulares – incoordenação motora


 Anormalidades de locomoção (++) e de micção;
 Atrofias musculares;
 Exame:
o Andar com animal em linha reta;
o Fazer animal recuar (andar de ré);
o Subir e descer rampa;
o Andar em círculos (o membro de dentro do círculo não deve ficar parado e
girar no próprio eixo – nesse caso diz-se teste de pivô positivo);
o Empurrar lateral do animal com o ombro (saltitamento) (avalia propriocepção)
(não é muito usado pois pode levar a novas lesões) (ergue o membro);
o Puxar cauda enquanto animal de movimenta (mesma força em ambos os lados
para o movimento).
 Reações posturais para o movimento (propriocepção):
o Abdução de membro;
o Cruza membro;
o Deixa membro dobrado;
o Em todos os testes citados acima o animal deve arrumar o membro logo em
seguida).
 Desgaste do casco (tal avaliação nos informa se o animal arrasta o membro – paresia);
 Após identificação de alteração de locomoção descobrir em qual seguimento medular
a lesão se localiza:
o A partir de T3-L3: problemas nos membros pélvicos;
o T3-L3: epasticidade (rigidez de membros);
o A partir de S2: tônus de cauda alterado, alteração de bexiga;
o Nos plexos ou em secção: flacidez.

 Neurônio motor superior (NMS): modula o estímulo.


 Neurônio motor inferior (NMI): leva o estímulo.

NMI NMS
Movimentos Voluntários Paresia (flacidez), paralisia Paresia (espasticidade),
paralisia
Percepção Sensorial Perda da propriocepção Perda da propriocepção
Hipo/analgesia Hipo/analgesia
Reflexos Hiporreplexia Normal
Arreflexia Hiperreflexia
Músculos Hipotonia acentuada Hipertonia Moderada
Atrofia Atrofia

 Lesão C1-C5 (região cervical, da pra ver com RX): sinal de NMS nos quatro membros
(epasticidade);
 Lesão C6-T2: sinal de NMI nos membros anteriores com sinal normal ou não nos
pélvicos (clínica mais grave em membros torácico, região do plexo braquial);
 Lesão T3-L3: membros anteriores normais e sinal de NMS nos posteriores
(espasticidade);
 Lesão L4-S2: membros anteriores normais e sinal de NMI nos posteriores (flacidez)
(região lombossacra);
 Lesão S3-S5: quatro membros normais, sinal de NMI bexiga e reto (incontinência
urinária, esfíncter relaxado, reto e cauda flácidos e sem reflexo);
 Lesão Co1-Co5: quatro membros normais e sinal de NMI na cauda (vértebras
coccígeas, cauda flácida).

 Reflexos espinhais
 Fazer com animal deitado em decúbito lateral;
 Membros torácicos: flexor, bíceps, tríceps, carpo-radial;
 Membros pélvicos: flexor, patelar, ciático, tibial (mais fidedigno), gastrocnêmio;
 Reflexo patelar: arco reflexo;
 Testar dos superficial e profunda.

 Exames complementares:
 Avaliação do líquor;
 Exames bioquímicos;
 Sorologia;
 Pesquisa hematozoários;
 Cultivo e antibiograma;
 Isolamento viral;
 Raio-X simples e contrastado;
 Tomografia;
 Endoscopia;
 Eletroneuromiografia;
 Exames biologia molecular (PCR);
 Termografia;
 Determinação produtos tóxicos.

 Obs: colheita de líquor equinos: região atlanto occiptal, lombossacra, entre C1 e C2,
guiado por ultrassom.