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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

PPGEC – Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil

RONALDO PILAR

AVALIAÇÃO NOS ESTADOS FRESCO E ENDURECIDO DE


CONCRETOS AUTOADENSÁVEIS DE ALTO DESEMPENHO
COM ADITIVOS REDUTOR E COMPENSADOR DE
RETRAÇÃO

Tese submetida ao Programa de Pós-


Graduação em Engenharia Civil da
Universidade Federal de Santa Catarina
para obtenção do grau de Doutor em
Engenharia Civil.

Orientador: Prof. Dr. Wellington


Longuini Repette.

Florianópolis, SC
2017
Ronaldo Pilar

AVALIAÇÃO NOS ESTADOS FRESCO E ENDURECIDO DE


CONCRETOS AUTOADENSÁVEIS DE ALTO DESEMPENHO
COM ADITIVOS REDUTOR E COMPENSADOR DE
RETRAÇÃO

Esta Tese foi julgada adequada para obtenção do Título de “Doutor”, e


aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil.
Florianópolis, dia 07 de abril de 2017.

________________________
Prof. Glicério Trichês, Dr.
Coordenador do Curso
Banca Examinadora:

________________________
Prof. Wellington Longuini Repette. Dr.
Orientador - Universidade Federal de Santa Catarina

________________________
Prof. Luís Alberto Gómez Dr.
Universidade Federal de Santa Catarina

________________________
Prof. Luiz Roberto Prudêncio Jr, Dr.
Universidade Federal de Santa Catarina

________________________
Prof. Philippe Jean Paul Gleize, Dr.
Universidade Federal de Santa Catarina

________________________
Prof.ª Maryangela Geimba Lima, Dr.ª
Instituto Tecnológico de Aeronáutica

________________________
Prof. Rafael Giuliano Pileggi, Dr.
Universidade de São Paulo (Videoconferência)
AGRADECIMENTOS

Muitas pessoas e instituições foram essenciais para o término desta


tese e gostaria de agradecê-las.
Aos meus pais, Jacira e Jonoval (in memoriam), e a Rudiele, pelo
apoio, carinho e compreensão. Com certeza foram, são e serão os pilares
da minha vida.
Ao professor Wellington Longuini Repette, pela sua orientação e
incentivo durante a realização deste trabalho. Obrigado por me apoiar a
fazer doutorado sanduíche e pelo suporte durante todos esses anos de
mestrado e doutorado. Tive a felicidade de estar inserido em projetos de
pesquisas, que facilitaram meu acesso a equipamentos e demais recursos,
além de proporcionar grande conhecimento técnico e científico, e sou
muito grato por ter tido essa oportunidade.
To my UT supervisor, professor Raissa Douglas Ferron, and my
co-workers, that have received me so friendly in USA.
Agradeço também ao professor Prudêncio, que me recebeu no
GTec e esteve sempre disposto a trocar informações e contribuir para o
meu conhecimento.
Ao professor Luís Gómez, pelo suporte técnico no
desenvolvimento dos equipamentos usados nesta tese.
À Universidade Federal de Santa Catarina, especialmente ao
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, a seus
professores e funcionários.
Ao grupo Nanotec, ao Laboratório de Materiais de Construção –
LMCC, e aos órgãos de fomento CAPES, CESP e FAPESC.
Aos amigos da pós-graduação, em especial aos do GTec e do
Nanotec, pela ajuda, horas de descontração e amizade de sempre.
Aos amigos Cézar Augusto Casagrande e Lidiane Fernanda
Jochem.
À Itambé, pela doação de todo o cimento utilizado nesta pesquisa.
À Grace, pela doação do aditivo.
À CAPES, pelo indispensável apoio financeiro.
Por último, mas não menos importante, a Deus, pelas
oportunidades que me concedeu, pela família que me deu e pelas pessoas
que colocou no meu caminho.

Muito obrigado!
RESUMO

O concreto de autoadensável de alto desempenho (CAAAD) é tipo de


concreto que tem sido desenvolvido para apresentar elevada fluidez e
estabilidade e, ao mesmo tempo, elevada resistência mecânica e durabilidade.
Entretanto, em decorrência de grandes quantidades de cimento Portland,
aditivo superplastificante e adições minerais, junto com uma baixa relação
água/aglomerante empregada, essas misturas se tornam vulneráveis aos
fenômenos autógenos de retração. Com o objetivo de mitigar os efeitos da
retração autógena, este trabalho estudou composições de CAAAD com os
aditivos redutor de retração nos teores 0,5; 1,0 e 1,5% e compensador de
retração para os teores de 5, 10 e 15% em composições com relações
água/aglomerante de 0,25 e 0,32. No estado fresco foi avaliado o
comportamento reológico das misturas, por meio de um reômetro de
concreto, para os intervalos de 10, 25, 40, 60 e 90 minutos. Os ensaios de
espalhamento, funil V, anel J e segregação também foram realizados. No
estado endurecido, foram avaliadas as propriedades mecânicas, retração
autógena livre e restringida pelo anel de restrição. Em pastas, foram
realizados ensaios de calorimetria de condução isotérmica e ensaios
reológicos, para os mesmos teores de aditivos mitigadores de retração
empregados nos concretos. De posse dos resultados, pôde-se observar que
todos os concretos com os aditivos redutor e compensador de retração
puderam ser classificados como CAA aos 10 minutos, com valores de
espalhamento variando entre 650 e 710 mm. As misturas com aditivo
compensador de retração apresentaram os maiores consumos de aditivo
superplastificante e as maiores perdas de fluidez, ao contrário das misturas
com aditivo redutor de retração que apresentaram as menores reduções. Pôde-
se perceber que todas as composições com aditivos mitigadores de retração
geraram os menores valores de retrações autógena livres até os 7 dias de
hidratação e não apresentaram fissuras no ensaio retração autógena
restringida para o mesmo período. As composições com aditivos
compensadores (10 e 15%) e relação água/aglomerante 0,32 apresentaram
expansão aos 7 dias de hidratação. As propriedades mecânicas não foram
comprometidas pelo uso dos aditivos redutor e compensador de retração,
exceto para a composições com 15% de aditivo compensador de retração.

Palavras-chave: Concreto de alto desempenho. Retração autógena. Reologia.


ABSTRACT

High performance self-compacting concrete (HPSCC) is a type of concrete


that has been developed to exhibit high flowability and mix stability and, at
the same time, high strength and durability. However higher amounts of
Portland cement, superplasticizer, and mineral admixtures, together with low
water/binder ratios are used to produce these concretes. Thus, these mixtures
became susceptible the autogenous shrinkage. Shrinkage-reducing admixture
(SRA) and compensating admixture (SCA) were used in high performance
self-compacting concrete (HPSCC) to mitigate autogenous shrinkage. The
mixtures were designed with a water/binder ratio of 0.25 and 0.32. Three
different dosages of SRA (0.5%, 1.0%, and 1.5%) and SCA (5%, 10%, and
15%) were used. In the fresh state, the rheological behavior of each concrete
was obtained at 10, 25, 40, 60 and 90 min after mixing begins. The slump
flow diameter, J-ring diameter and V-funnel flow time tests were conducted
simultaneously. In the hard state, mechanical properties, autogenous
shrinkage and shrinkage-restrained ring were evaluated. Conduction
calorimetry and rheological tests were carried out on pastes with the same
contents of shrinkage-reducing and shrinkage-compensating admixture used
in concretes. Based on the results, it was observed that concretes with the
shrinkage-reducing and shrinkage-compensating admixture could be
classified as SCC (10 minutes after the start of the mixture) with slump flow
between 650 and 710 mm. The mixtures with shrinkage-compensating
admixture required the highest superplasticizer content and had the highest
losses of fluidity, in contrast to the mixtures with shrinkage-reducing
admixture that showed the highest workability retention. All compositions
with shrinkage mitigation admixtures presented the lowest autogenous
shrinkage values up to 7 days of hydration and they did not show cracks in
the restrained shrinkage study for the same period. The mixtures with
shrinkage-compensating admixture (10 and 15%) and water/binder ratio 0.32
showed expansion at 7 days of hydration. The use of shrinkage-reducing
admixture and shrinkage-compensating admixture were not effect on
mechanical properties of concretes, except for compositions with 15%
shrinkage-compensating admixture.

Keywords: High performance self-compacting concrete. Autogenous


shrinkage. Rheology.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Propriedades do CAA para diversos tipos de aplicação......... 38


Figura 2: Modelo esquemático da influência da retração e da fluência na
fissuração do concreto. .......................................................................... 43
Figura 3: Causas de fissuras em concretos. ........................................... 44
Figura 4: Representação esquemática de uma seção transversal de uma
pasta de cimento avançando no processo de hidratação. A parte (a)
representa um baixo grau de hidratação e (b) elevado grau de hidratação.
............................................................................................................... 47
Figura 5: Perfil típico de variação de comprimento de concretos com
retração compensada e concretos com cimento Portland ...................... 51
Figura 6: Organograma esquemático das reações de hidratação do
aditivo compensador de retração à base de sulfoaluminato de cálcio. .. 53
Figura 7: Efeito da concentração do aditivo redutor de retração na tensão
superficial da água. ................................................................................ 55
Figura 8: Curvas de fluxo e curvas de viscosidade. .............................. 61
Figura 9: Exemplo esquemático da tixotropia de pastas de cimento
submetidas a rampas ascendente e descendente de taxa de cisalhamento.
............................................................................................................... 62
Figura 10: Alteração nas propriedades reológicas do concreto pela
incorporação de alguns constituintes na mistura. .................................. 64
Figura 11: Organograma das composições especificadas no programa
experimental (concretos e pastas).......................................................... 69
Figura 12: Distribuição granulométrica, a laser, do cimento e Sílica
ativa. ...................................................................................................... 70
Figura 13: Espectro de Raio-X obtidos para o aditivo compensador de
retração - ACR com a identificação dos seus principais constituintes. . 71
Figura 14: Equipamento para análise de FTIR. ..................................... 73
Figura 15: Espectro de infravermelho do aditivo redutor de retração e do
hexileno-glicol ....................................................................................... 73
Figura 16: Distribuição granulométrica, a laser, do cimento, sílica ativa
e aditivo compensador de retração. ....................................................... 75
Figura 17: Espectros de Raio-X obtidos para Cimento Portland. .......... 75
Figura 18: Espectro de infravermelho do aditivo superplastificante ..... 76
Figura 19: Espectros de infravermelho do aditivo superplastificante e
água. ...................................................................................................... 76
Figura 20: Esquema explicativo da nomenclatura das misturas adotado
na tese.................................................................................................... 80
Figura 21: Ensaios tecnológicos da mistura REF25, (a, b) espalhamento;
(c, d) anel-J; (e) funil-V e (f) equipamento para medir a segregação das
misturas. ................................................................................................ 83
Figura 22: Reômetro ICAR. .................................................................. 84
Figura 23: Representação esquemática do aparato para medir o módulo
estático de elasticidade à compressão. .................................................. 88
Figura 24: (a) forma metálica, (b) vista superior da forma metálica
moldada com concreto, em destaque as paredes revestidas com isopor;
(c) detalhe da conexão do pino solidarizado ao concreto e ao transdutor
de descolamento. ................................................................................... 90
Figura 25: Vista geral da banca de retração. ......................................... 92
Figura 26: Repetitividade do ensaio de deformação autógena livre para o
traço de concreto ACR25-5. As barras de cada curva representam ± 1
desvio padrão. ....................................................................................... 92
Figura 27: Repetitividade do ensaio de deformação autógena livre para o
traço de concreto ARR25-0,5. As barras de cada curva representam ± 1
desvio padrão. ....................................................................................... 93
Figura 28: Repetitividade do ensaio de deformação autógena livre para o
traço de concreto ARR32-1,5. As barras de cada curva representam ± 1
desvio padrão. ....................................................................................... 93
Figura 29: Ilustração dos anéis concêntricos para medir a idade de
fissuração do concreto pela restrição à retração. ................................... 94
Figura 30: Circuito em ponte inteira. R1 e R2 são resistência
adicionadas a ponte, enquanto R3 e R4 são os strain gauges
posicionados na vertical e horizontal, respectivamente. ....................... 95
Figura 31: Ensaio de retração autógena restringida (a) e detalhe da
impermeabilização dos anéis de concreto (b). ...................................... 96
Figura 32: Minislump. ........................................................................... 99
Figura 33: Ensaio no minislump em pastas ........................................... 99
Figura 34: Misturador empregado na confecção de pastas, prescrito pela
ASTM C1738. ..................................................................................... 100
Figura 35: (a) reômetro; (b) geometria usada no ensaio reológico das
pastas. .................................................................................................. 101
Figura 36: Representação esquemática da curva Taxa de liberação de
calor em função do tempo e critérios para determinação das variáveis.
............................................................................................................. 103
Figura 37: Período de indução obtido por meio de calorimetria de
condução isotérmica das pastas ARR (0,5; 1,0; 1,5) e ACR (5; 10; 15) e
misturas referência para as relações a/ag 0,25 e 0,32. ......................... 106
Figura 38: Calor total liberado na hidratação de pastas ARR (0,5; 1,0;
1,5) e ACR (5; 10; 15) e misturas referência para as relações a/ag 0,25 e
0,32 até 26 horas.................................................................................. 107
Figura 39: Taxa de calor liberado obtido por calorimetria isotérmica de
condução para as pastas REF25 e REF32. .......................................... 108
Figura 40: Tensão de escoamento dinâmica segundo modelo de
Bingham obtida para as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25
(5%; 10%; 15%) e REF25 ao longo do tempo. ................................... 109
Figura 41: Tensão de escoamento dinâmica segundo modelo de
Bingham obtida para as misturas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32
(5%; 10%; 15%) e REF32 ao longo do tempo. ................................... 110
Figura 42: Viscosidade plástica segundo modelo de Bingham obtida
para as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%)
e REF25 ao longo do tempo. ............................................................... 111
Figura 43: Viscosidade plástica segundo modelo de Bingham obtida
para as pastas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e
REF32, ao longo do tempo. ................................................................. 112
Figura 44: Correlação entre índice de consistência e a razão c/ obtida
para as composições de pastas 0,25 e 0,32 com aditivos redutor e
compensador de retração mais as misturas de referências ao longo do
tempo. .................................................................................................. 113
Figura 45: Variação entre os valores dos teores de ar incorporado obtida
nas composições de CAAAD com e sem aditivos mitigadores de
retração. ............................................................................................... 114
Figura 46: Variação entre os valores de segregação estática obtida nas
composições de CAAAD com e sem aditivos mitigadores de retração.
............................................................................................................. 116
Figura 47: Correlação entre os valores de segregação estática e os
valores de espalhamento obtida nas composições de CAAAD com e sem
aditivos mitigadores de retração. Os pontos marcados na figura são
referentes aos concretos ARR25-1,5 e ACR25-15.............................. 117
Figura 48: Variação entre os valores de abertura para o ensaio de
espalhamento com 10 e 90 minutos após a mistura, e a variação do teor
de superplastificante para os CAAAD. ............................................... 117
Figura 49: Taxa de calor liberado obtido em calorimetria de condução
de pastas com aditivos mitigadores de retração. ................................. 121
Figura 50: Variação entre os valores do tempo de escoamento pelo funil-
V e restrição no anel-J obtida nas composições de CAAAD com e sem
aditivos mitigadores de retração.......................................................... 122
Figura 51: Correlação entre os valores de segregação estática e os
valores de espalhamento obtida nas composições de CAAAD com e sem
aditivos mitigadores de retração.......................................................... 123
Figura 52: Torque versus velocidade rotacional obtidos por reômetro
para os concretos REF25 (a), ARR25-0.5 (b), ARR25-1.0 (d), ARR25-
1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-10% (e) e ACR25-15 (g)..................... 126
Figura 53: Torque versus velocidade rotacional obtidos por reômetro
para os concretos: REF32 (a), ARR32-0.5 (b), ARR32-1.0 (d), ARR32-
1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-10% (e) e ACR32-15 (g)..................... 127
Figura 54: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica
segundo modelo de Bingham obtida para as misturas ARR25 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25................................ 128
Figura 55: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica
segundo modelo de Bingham obtida para as misturas ARR32 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF32. Em destaque a
composição REF32, a qual apresentou redução da tensão de
cisalhamento aos 60 e 90 min. ............................................................ 128
Figura 56: Curva de fluxo aparente de um fluido com tensão de
escoamento obtido a partir de uma rotina com rampa ascendente e
descendente de tensão ou taxa de cisalhamento. O sentido ascendente
corresponde à linha pontilhada e o descendente a linha contínua. ...... 129
Figura 57: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica
segundo modelo de Herschel-Bulkley obtida para as misturas ARR25
(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25. ................... 131
Figura 58: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica
segundo modelo de Herschel-Bulkley obtida para os concretos ARR32
(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32. ................... 133
Figura 59: Tensão de escoamento dinâmica medida no reômetro ICAR e
os repetidos valores de espalhamento, medido pelo ensaio de
espalhamento, para cada um dos concretos ARR (0,5; 1,0; 1,5) e ACR
(5; 10; 15) e misturas referência para as relações a/ag 0,25 e 0,32, aos 10
minutos. ............................................................................................... 133
Figura 60: Tensão de escoamento medida usando um reômetro
BTRHEOM para vários tipos concretos autoadensáveis e os respectivos
valores de abertura obtidos no ensaio de espalhamento. ..................... 135
Figura 61: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica
segundo modelo de Herschel-Bulkley obtida para as pastas ARR25
(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25. ................... 135
Figura 62: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica
segundo modelo de Herschel-Bulkley obtida para as pastas ARR32
(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 .................... 136
Figura 63: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida
em concretos e em pastas, para as composições ARR25 (0,5%; 1,0%;
1,5%) e mistura REF25. ...................................................................... 137
Figura 64: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida
em concretos e em pastas, para as composições ACR25 (5%; 10%;
15%) e mistura REF25. ....................................................................... 137
Figura 65: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida
em concretos e em pastas, para as composições ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%) e mistura REF32. ...................................................................... 138
Figura 66: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida
em concretos e em pastas, para as composições ACR32 (5%; 10%;
15%) e mistura REF32. ....................................................................... 138
Figura 67: Correlação entre o consumo de superplastificante em
concreto e em pasta, com aditivos redutor e compensador de retração e
misturas referência. ............................................................................. 139
Figura 68: Variação da tensão de cisalhamento, obtida na pasta ACR25-
10, aos 90 min, para os patamares de taxa de cisalhamento de 10, 20, 30,
40 e 50 s-1. ........................................................................................... 140
Figura 69: Variação com o tempo do índice de consistência segundo
modelo de Herschel-Bulkley obtida para as misturas ARR25 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25................................ 141
Figura 70: Variação com o tempo do índice de consistência segundo
modelo de Herschel-Bulkley obtida para as misturas ARR32 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32................................ 142
Figura 71: Variação da tensão de escoamento dinâmica, com o tempo,
segundo modelo de Bingham modificado obtida para as misturas
ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25. ...... 144
Figura 72: Variação da tensão de escoamento dinâmica com o tempo
segundo modelo de Bingham modificado obtida para as misturas
ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32. ...... 144
Figura 73: Variação com o tempo da razão entre os termos de segunda e
primeira ordem, segundo modelo de Bingham modificado, obtida para
as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%) e REF25.
............................................................................................................ 145
Figura 74: Variação com o tempo da razão entre os termos de segunda e
primeira ordem, segundo modelo de Bingham modificado, obtida para a
mistura ACR25-15. ............................................................................. 145
Figura 75: Variação com o tempo da razão entre os termos de segunda e
primeira ordem, segundo modelo de Bingham modificado, obtida para
as misturas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e
REF32. ................................................................................................ 146
Figura 76: Correlação entre o índice de consistência e a razão c/ obtida
para as composições CAAAD com aditivos mitigadores de retração e
misturas referência referente aos intervalos de tempo 10, 25, 40, 60 e 90
min. ..................................................................................................... 147
Figura 77: Deformação autógena livre total dos concretos REF25 (a),
ARR25-0.5 (b), ARR25-1.0 (d), ARR25-1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-
10% (e) e ACR25-5 (g). Em destaque a expansão inicial das misturas
com ARR. ........................................................................................... 148
Figura 78: Deformação autógena livre total dos concretos REF32 (a),
ARR32-0.5 (b), ARR32-1.0 (d), ARR32-1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-
10% (e) e ACR32-15 (g). .................................................................... 149
Figura 79: Deformação autógena livre total (média aritmética de três
prismas) referente à última hora de leitura das misturas de CAAD com
ARR (0,5; 1,0; 1,5) e ACR (5; 10; 15) e misturas referência com a/ag
0,25 e 0,32. .......................................................................................... 150
Figura 80: Deformação autógena livre (média de três prismas) a partir
no início de evolução da temperatura das composições ARR25 (0 ,5;
1,0; 1,5%) e ACR32 (5; 10; 15%) e REF25. ....................................... 151
Figura 81: Deformação autógena livre (média de três prismas) a partir
no início de evolução da temperatura das composições ARR32 (0,5; 1,0;
1,5%) e ACR32 (5; 10; 15) e REF32 .................................................. 152
Figura 82: Estrutura química do hexileno-glicol e sua fórmula. ......... 154
Figura 83: Representação das forças de atração entre as moléculas da
água e as moléculas da superfície pura (a) e na presença do ARR (b).154
Figura 84: Variação da umidade interna dos concretos ARR25 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%) e REF25 até os sete dias................. 155
Figura 85: Variação da umidade interna dos concretos ARR32 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 até os sete dias. ...... 156
Figura 86: Taxa de calor liberado obtido em calorimetria de condução
de pastas REF32 e ARR32-1,0. ........................................................... 157
Figura 87: Deformação autógena livre total (média aritmética de três
prismas) obtida nos concretos ACR25 (5; 10; 15), ACR32 (5; 10; 15) e
misturas de referência até os sete dias (a,c); e até as primeiras 24 horas
(b e d). As flechas indicam o deslocamento do pico de retração em
função do teor do ACR. ....................................................................... 160
Figura 88: Umidade interna (a) e taxa de liberação de calor (b) para
composições de concreto e pasta ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 até
as 18 horas de hidratação..................................................................... 161
Figura 89: Retração restringida (anel) dos concretos REF25 (a), ARR25-
0.5 (b), ARR25-1.0 (d), ARR25-1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-10% (e) e
ACR25-15(g)....................................................................................... 163
Figura 90: Retração restringida (anel) dos concretos REF32 (a), ARR32-
0.5 (b), ARR32-1.0 (d), ARR32-1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-10% (e) e
ACR32-15(g). ..................................................................................... 164
Figura 91: Resistência à compressão dos concretos ARR25 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 aos três, sete e 28 dias.
............................................................................................................ 165
Figura 92: Resistência à compressão dos concretos ARR32 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 aos três, sete e 28 dias.
............................................................................................................ 166
Figura 93: Módulo estático de elasticidade à compressão dos concretos
ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 aos três,
sete e 28 dias. ...................................................................................... 169
Figura 94: Módulo estático de elasticidade à compressão dos concretos
ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 aos três,
sete e 28 dias. ...................................................................................... 169
Figura 95: Resistência à tração por compressão diametral dos concretos
ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF25 aos três,
sete e 28 dias. ...................................................................................... 171
Figura 96: Resistência à tração por compressão diametral ARR32
(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 aos três, sete e
28 dias. ................................................................................................ 171
Figura 97: Correlação entre a resistência à compressão e a resistência à
tração por compressão diametral para os concretos com aditivo
mitigadores de retração e misturas referência aos três, sete e 28 dias. 172
Figura 98: Taxa de liberação de calor para as pastas ARR25 (0,5%;
1,0%; 1,5%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. ...................... 208
Figura 99: Taxa de liberação de calor para as pastas ACR25 (5%; 10%;
15%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. .................................. 208
Figura 100: Taxa de liberação de calor para as pastas ARR32 (0,5%;
1,0%; 1,5%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. ...................... 209
Figura 101: Taxa de liberação de calor para as pastas ACR32 (5%; 10%;
15%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. .................................. 209
Figura 102: Calor total liberação obtido nas pastas ARR25 (0,5%; 1,0%;
1,5%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. ................................. 209
Figura 103: Calor total liberação obtido nas pastas ACR25 (5%; 10%;
15%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. .................................. 210
Figura 104: Calor total liberação obtido nas pastas ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. ................................. 210
Figura 105: Calor total liberação obtido nas pastas ACR32 (5%; 10%;
15%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação. .................................. 210
Figura 106: Tensão de cisalhamento versus taxa de cisalhamento obtidos
em reômetro rotacional para as pastas REF25 (a), ARR25-0.5 (b),
ARR25-1.0 (d), ARR25-1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-10% (e) e
ACR25-15 (g)...................................................................................... 212
Figura 107: Tensão de cisalhamento versus taxa de cisalhamento obtidos
em reômetro rotacional para as pastas REF32 (a), ARR32-0.5 (b),
ARR32-1.0 (d), ARR32-1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-10% (e) ACR32-
15 (g). .................................................................................................. 213
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Principais propriedades, métodos de ensaio e classificação do


CAA. ..................................................................................................... 38
Tabela 2: Classes de características de desempenho para concreto
estrutural de alto desempenho. .............................................................. 40
Tabela 3: Diferentes classes do CAD. ................................................... 41
Tabela 4: Efeito do redutor de retração na tensão superficial da água. . 54
Tabela 5: Influência da redução na tensão superficial no fenômeno de
secagem causada pela adição de ARR (BENTZ, 2005). ....................... 56
Tabela 6: Casos particulares do modelo HB. ........................................ 60
Tabela 7: Caracterização química e física do cimento CP V ARI ......... 70
Tabela 8: Composição química (óxidos) do cimento CP V ARI, sílica
ativa e aditivo compensador de retração (ACR) pelo método de
espectrometria de fluorescência de raio-X (FRX). ................................ 70
Tabela 9: Distribuição do percentual retido acumulado dos agregados
que serão usados no programa experimental. ........................................ 72
Tabela 10: Caracterização química e física do cimento P CSA. ........... 74
Tabela 11: Composição química (óxidos) do aditivo compensador de
retração (ACR) pelo método de espectrometria de fluorescência de raio-
X (FRX). ............................................................................................... 74
Tabela 12: Composição teórica dos materiais constituintes para cada
mistura de concreto. .............................................................................. 81
Tabela 13: Resumo dos ensaios realizados em concreto. ...................... 97
Tabela 14: Composição teórica dos materiais constituintes para cada
mistura de pasta. .................................................................................... 98
Tabela 15: Resumo dos ensaios realizado em pasta. ........................... 104
Tabela 16: Coeficiente de determinação (R²) obtido pelo ajuste linear
(modelo de Bingham) em pastas com relação a/ag de 0,25. ................ 110
Tabela 17: Coeficiente de determinação (R²) obtido pelo ajuste linear
(modelo de Bingham) em pastas com relação a/ag de 0,32. ................ 111
Tabela 18: Consumo real dos materiais constituintes para cada
composição de concreto produzido. .................................................... 114
Tabela 19: ANOVA para o consumo de aditivo dos concretos para uma
mesma abertura no slump flow. .......................................................... 119
Tabela 20: ANOVA para os resultados do estado fresco dos concretos
............................................................................................................ 125
Tabela 21: Variação dos principais constituintes encontrados na
literatura para o aditivo compensador de retração............................... 167
Tabela 22: ANOVA para os resultados de resistência à compressão axial
aos 3, 7 e 28 dias. ................................................................................ 168
Tabela 23: ANOVA para os resultados de módulo de elasticidade
estático à compressão aos 3, 7 e 28 dias. ............................................ 170
Tabela 24: Parâmetros reológicos, obtidos reômetro, pelos modelos de
Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para as composições
de CAAD com a/ag 0,25 e aditivos mitigadores de retração e mistura
referência............................................................................................. 206
Tabela 25: Parâmetros reológicos, obtidos reômetro, pelos modelos de
Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para as composições
de CAAD com a/ag 0,32 e aditivos mitigadores de retração e mistura
referência............................................................................................. 207
Tabela 26: Parâmetros reológicos, em obtidos reômetro, pelos modelos
de Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para as
composições de pastas com a/ag 0,32 e aditivos mitigadores de retração
e mistura referência. ............................................................................ 214
Tabela 27: Parâmetros reológicos, obtidos em reômetro, pelos modelos
de Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para pastas com
relação a/ag 0,32, com aditivos mitigadores de retração e referência. 215
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

a/ag – Relação água/aglomerante

a/c – Relação água/cimento

AASHTO – American Association of State Highway and Transportation

ABNT NBR – Associação Brasileira de Normas Técnicas

ACI – Agente de cura interna

ACR – Aditivo compensador de retração

ARR- Aditivo redutor de retração

ASTM – American Society for Testing and Materials

C – Columb

C3A – Aluminato tricálcico

C3S – Silicato tricálcico

C4AF – Ferroaluminato tetracálcico

C50 – Classe de resistência à compressão do concreto (50 MPa)

CAA – Concreto autoadensável

CAD – Concreto de alto desempenho

CAR – Concreto de alta resistência

CC – Concreto convencional

CP V ARI RS – Cimento Portland de alta resistência inicial, resistente à


sulfatos

EFNARC European Federation for Specialist Construction Chemicals and


Concrete System
F - Distribuição de Fisher (estatística)

Fck – Resistência característica do concreto

FHWA – Federal Highway Administration

HPSCC – High Performance Self-Compacting Concrete

LMCC – Laboratório de materiais de construção civil

MF - Módulo de Finura

MF – Módulo de finura dos agregados

MIA – Material incorporador de água

MPa – Megapascal

MQ - Médias quadradas (estatística)

NanoTec – Núcleo de Aplicações de Nanotecnologia em Construção Civil

Pc – Módulo dinâmico de elasticidade relativo

SQ - Soma dos quadrados (estatística)

UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina


SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................ 29
1.1. JUSTIFICATIVA ................................................................. 30
1.2. OBJETIVOS ......................................................................... 31
1.2.1. Objetivo geral ............................................................... 31
1.2.2. Objetivos específicos .................................................... 32
2. REVISÃO DE LITERATURA ..................................................... 35
2.1. CONCRETO AUTOADENSÁVEL (CAA) ......................... 36
2.2. CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO ........................... 38
2.3. RETRAÇÃO EM CONCRETO À BASE DE CIMENTO
PORTLAND ..................................................................................... 41
2.3.1. Formas de retração e fluência ....................................... 44
2.3.2. Retração autógena em concreto de alto desempenho ... 48
2.4. ADITIVOS MITIGADORES DE RETRAÇÃO .................. 50
2.4.1. Aditivos compensadores de retração ............................ 50
2.4.2. Aditivos redutores de retração ...................................... 53
2.5. COMPORTAMENTO REOLÓGICO DO CAAAD ............ 57
2.5.2. Tensão de escoamento e viscosidade aparente ............. 62
2.5.3. Estudo reológico de misturas com aditivos mitigadores
de retração ..................................................................................... 65
3. PROPOSIÇÃO EXPERIMENTAL .............................................. 67
3.1. GENERALIDADES DAS MISTURAS ESTUDADAS ...... 67
3.2. MATERIAIS ........................................................................ 69
3.2.1. Cimento Portland e Sílica ativa .................................... 69
3.2.2. Agregados..................................................................... 71
3.2.3. Aditivos químicos ........................................................ 72
3.3. MÉTODOS ........................................................................... 77
3.3.1. Estudos em concreto .................................................... 77
3.3.1.1. Composição das misturas de concreto ..................... 77
3.3.1.2. Procedimento de mistura.......................................... 81
3.3.1.3. Ensaios tecnológicos no estado fresco ..................... 82
3.3.1.4. Ensaios de reométricos ............................................ 84
3.3.1.5. Resistência mecânica à compressão, resistência
mecânica à tração por compressão diametral e módulo estático de
elasticidade à compressão ............................................................. 87
3.3.1.6. Bancada de retração autógena livre ......................... 88
3.3.1.7. Retração autógeno restringida - Anel....................... 93
3.3.2. Ensaios realizados em concreto ................................... 96
3.3.3. Estudos em pastas ........................................................ 97
3.3.3.1. Composição das pastas ............................................ 98
3.3.3.2. Processo de mistura das pastas ................................ 99
3.3.3.3. Ensaios reológicos ................................................. 100
3.3.3.4. Ensaios de calorimetria de condução ..................... 102
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES .............................................. 105
4.1. Estado fresco ...................................................................... 113
4.1.1. Composição e resultados dos ensaios tecnológicos no
estado fresco dos concretos autoadensáveis de alto desempenho -
CAAAD 113
4.1.2. Comportamento reológico dos concretos autoadensáveis
de alto desempenho com aditivos mitigadores de retração ......... 125
4.1.2.1. Comportamento do fluxo ajustado pelo modelo de
Bingham 127
4.1.2.2. Comportamento do fluxo ajustado pelo modelo de
Herschel-Bulkley ........................................................................ 131
4.1.2.3. Comportamento do fluxo ajustado pelo modelo de
Bingham modificado ................................................................... 143
4.2. Deformação autógena livre de prismas de CAAD com
aditivos mitigadores de retração...................................................... 147
4.3. Retração restringida (Anel) de CAAD com aditivos
mitigadores de retração ................................................................... 161
4.4. Propriedades mecânicas ...................................................... 165
4.5. Calorimetria de condução das composições de pastas ........ 105
4.5.1. Comportamento reológico de pastas com aditivos
mitigadores de retração ............................................................... 108
5. CONCLUSÕES .......................................................................... 173
5.1. Consideração finais ............................................................. 173
5.2. Recomendações para trabalhos futuros............................... 175
6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................ 177
7. Apêndice ..................................................................................... 205
7.1. Parâmetros reológicas de composições de concreto
autoadensável de alto desempenho com aditivos redutor e
compensador de retração e misturas referência, com relação a/ag de
0,25 e 0,32. ...................................................................................... 205
7.2. Calorimetria de condução das composições de pastas com
aditivos redutor e compensador de retração e misturas referência, com
relação a/ag de 0,25 e 0,32. ............................................................. 208
7.3. Propriedades reológicas de composições de pastas com
aditivos redutor e compensador de retração e misturas referência, com
relação a/ag de 0,25 e 0,32. ............................................................. 211
29

1. INTRODUÇÃO

O avanço no entendimento dos materiais usados na dosagem de


concretos1 e argamassas proporcionou uma melhor compreensão dessas
misturas, além de estimular o surgimento dos mais variados tipos de
produtos à base de cimento Portland. Deve-se destacar, também, que
muitos desses avanços foram fomentados por desafios encontrados nas
fases de projeto e/ou execução, os quais necessitavam de soluções
inovadoras. No campo dos materiais, um exemplo disso é o surgimento
do concreto autoadensável, e, por conseguinte, os de alto desempenho,
que, neste texto, serão chamados sucintamente de concreto autoadensável
de alto desempenho (CAAAD) ou High Performance Self-Compacting
Concrete (HPSCC).
O concreto autoadensável surgiu na década de 1980 no Japão, com
o objetivo de sanar falhas na execução de peças estruturais de concretos
provenientes, principalmente, da ineficiência do processo de
adensamento (OKAMURA; OUCHI, 1999). Desde então, vários estudos
vêm sendo realizados com o objetivo de consolidar os conceitos
inicialmente propostos, bem como avançar em frentes cruciais para o seu
desenvolvimento, as quais pode-se citar dosagem, materiais constituintes,
métodos para caracterização da mistura e validação do material em
estruturas, entre outros.
Os primeiros documentos referindo-se ao termo concreto de alto
desempenho (CAD) ou High Performance Concrete (HPC) foram
publicados na década de 1990 para misturas de concreto que possuíam,
ao mesmo tempo, alta trabalhabilidade, elevada resistência e
durabilidade. Inicialmente, a resistência mecânica à compressão era o
principal critério adotado para avaliar o desempenho dos concretos
convencionais (CC2). Entretanto, taxas inaceitáveis de deterioração em
muitas estruturas de concreto recém-construídas e expostas a ambientes
agressivos mostraram que somente esse critério não era mais adequado
para assegurar a durabilidade ao longo do tempo e, por conseguinte, o alto
desempenho do concreto (MEHTA; AITCIN, 1990).

1
Neste texto, o termo “concreto” refere-se a misturas de concreto plásticos
dosados com cimento Portland.
2
A expressão “Concreto Convencional” refere-se a concretos plásticos
convencionais, bombeados ou não, que necessitam de algum mecanismo
externo de adensamento.
30

Estudos já demostraram que concretos com elevada resistência,


à custa de baixa relação água/cimento (a/c) e elevado consumo de
cimento, não terão, necessariamente, a sua integridade garantida. Embora
os CAD possam oferecer elevada resistência mecânica e baixa
permeabilidade, esses concretos estão vulneráveis aos fenômenos
autógenos de retração, o que os torna suscetíveis a fissurações,
independentemente, em alguns casos, do processo de cura externa. Tal
consequência pode comprometer a integridade do material, uma vez que
as fissuras podem tornar-se um vetor para futuras manifestações
patológicas, colocando em risco a durabilidade e a estabilidade mecânica
do material.
Uma alternativa no combate à retração autógena de misturas de
concreto é a incorporação de aditivos químicos mitigadores de retração,
como os aditivos redutor de retração e compensador de retração. Contudo,
a incorporação desses aditivos no CAAAD não deve comprometer as
propriedades da mistura no estado fresco, pois almeja-se concretos com
baixa retração e, ao mesmo tempo, autoadensáveis. Assim, a viabilidade
da incorporação desses aditivos em CAA passa pela avaliação nos estados
fresco e endurecido das composições.
No estado fresco, destaca-se os ensaios tecnológicos para
caracterizar e aceitar os CAA. Entretanto, tais testes mostram-se
insuficientes para se ter um completo entendimento sobre as propriedades
reológicas dos concretos. Nesse sentido, torna-se imprescindível o
conhecimento dos efeitos da incorporação dos aditivos mitigadores de
retração no comportamento reológico das composições, não somente no
instante da dosagem, mas também ao longo do tempo, logo após a
homogeneização dos materiais constituintes.
Paralelamente, os aditivos devem se mostrar eficientes no
combate da retração autógena dos concretos, sem detrimento das
propriedades mecânicas.

1.1. JUSTIFICATIVA

O avanço do conhecimento no campo da tecnologia do concreto


propicia uma demanda crescente por concretos com elevada resistência e,
ao mesmo tempo, elevada durabilidade, enquadrando-se o concreto
autoadensável de alto desempenho (CAAAD). Embora ainda seja pouco
empregado no Brasil, em nações com alto grau de desenvolvimento, esse
tipo de concreto é amplamente usado e normatizado por órgãos de
controle. O concreto de alto desempenho é sugerido em situações nas
quais o custo total de manutenção é elevado, como em pontes localizadas
31

em regiões isoladas e de difícil acesso à estrutura para realizar o reparo.


Pode-se citar também situações nas quais se deseja um material com
elevado desempenho e, principalmente, retração controlada ou anulada.
Por exemplo, pode-se citar concretos usados no reparo de barragens e
pavimentos rígidos, entre outros. A própria ABNT NBR 6118 (2014) já
se aplica às estruturas de concreto com resistência características de até
90 MPa.
Notadamente, o emprego de concreto autoadensável de alto
desempenho com relações água/cimento (a/c) inferiores a 0,40 necessita
de avaliações prévias de seu comportamento tanto no estado fresco,
quanto no estado endurecido. Cusson e Repette (2000) demostraram que
a durabilidade do concreto de alto desempenho não é garantida apenas
com a baixa relação a/c. Concretos dosados com elevado consumo de
cimento e baixa relação a/ag (água/aglomerante) podem ser solicitados
por tensões de tração decorrentes da retração autógena. Para esse tipo de
concreto, estudos vêm sugerindo que os processos de cura tradicionais,
como a cura úmida externa, têm a sua eficiência reduzida, devido,
principalmente, à dificuldade de a água penetrar no concreto. Outro
aspecto relevante é o fato de que, em determinadas condições de
geometria e de tempo de desforma, a retração autógena pode ser uma das
principais fontes de redução dimensional de elementos de concreto.
Assim, este trabalho justifica-se pela necessidade de encontrar
alternativas para combater a retração autógena de misturas de CAAAD,
sem prejudicar as propriedades no estado fresco. Embora existam
trabalhos tratando do efeito da incorporação de aditivos químicos no
combate à retração e suas consequências nas propriedades mecânicas e na
durabilidade de CAD, poucos estudos se propõem a entender seus efeitos
nas propriedades reológicas do CAAAD. Sabe-se que as propriedades de
fluxo e estabilidade da mistura influenciarão no processo de moldagem e,
consequentemente, nas propriedades no estado endurecido do CAAAD.
Logo, torna-se necessário o estudo de misturas de CAAAD, com
incorporação de aditivos redutor de retração e compensador retração,
ambos dosados com diferentes teores, e as consequências desses aditivos
nos estados fresco e endurecido.

1.2. OBJETIVOS

1.2.1. Objetivo geral

Verificar a possibilidade de se produzir concretos autoadensáveis


de alto desempenho com retração autógena controlada, pelo uso de
32

aditivos mitigadores de retração, sem detrimento das propriedades no


estado fresco e endurecido.
Este trabalho é parte integrante de um projeto UFSC-CESP, sobe
a coordenação do Professor Wellington Longuini Repette, com motivação
no reparo e construção de obras do setor elétrico. O projeto se pautou em
obter concretos autoadensáveis de alto desempenho com retração
controlada, sem detrimento das propriedades no estado fresco, sendo os
resultados dessa fase apresentados neste texto. Na sequência, os trabalhos
foram divididos em duas linhas. A primeira avalia a durabilidade dos
concretos frente a carbonatação e cloretos (SAKATA, 2017)3. A segunda
avalia os efeitos da incorporação de fibras poliméricas nos concretos de
referência (ONGHERO, 2017)4. Ambos os trabalhos se encontram em
fase final e ainda não foram publicados.

1.2.2. Objetivos específicos

a) Produzir concretos com aditivos redutor de retração e compensador de


retração que sejam autoadensáveis de alto desempenho e caracterizá-
los no estado fresco por meio de ensaios tecnológicos;

b) Analisar os efeitos da incorporação dos aditivos redutor de retração e


compensador de retração no comportamento reológico de concretos
autoadensáveis de alto desempenho;

c) Avaliar a influência dos aditivos redutor de retração e compensador


de retração nas propriedades mecânicas de concretos autoadensáveis
de alto desempenho;

d) Estudar os efeitos incorporação dos aditivos redutor de retração e


compensador de retração na retração autógena livre e autógena
restringida – anel de restrição, de concretos autoadensáveis de alto
desempenho;

3
SAKATA, R. D.: Estudo da durabilidade de concretos autoadensáveis de
alto desempenho com aditivos mitigadores de retração. Dissertação de
mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina. 2017.

4
ONGHERO, L.: Combate à retração e fissuração em concretos de alto
desempenho reforçados com microfibras de vidro. Dissertação de
mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina. 2017.
33

e) Analisar a influência dos aditivos redutor e compensador de retração


nas propriedades reológicas de pastas de cimento Portland.
34
35

2. REVISÃO DE LITERATURA

O Brasil é o quarto maior consumidor de cimento do mundo, sendo


que a construção civil representa, aproximadamente, 6% da economia do
país (SNIC, 2012; CBIC, 2014). Esses números demonstram a robustez
da produção de concreto e, consequentemente, sua relevância no mercado
nacional. Consequentemente, avanços nessa área tem um fator de impacto
considerável na sociedade brasileira.
Paralelamente, pode-se citar que o avanço tecnológico do
comportamento mecânico do concreto e do aço, contíguo com a evolução
do dimensionamento estrutural, tornaram possível a especificação de
estruturas cada vez mais arrojadas em concreto armado e protendido.
Entretanto, tais progressos não dispensaram a necessidade de as estruturas
de concreto preencherem alguns requisitos normativos. Conforme a
ABNT NBR 6118 (2014), as estruturas de concreto devem atender aos
requisitos mínimos de qualidade durante sua construção e serviço, os
quais são divididos em capacidade resistente, desempenho de serviço e
durabilidade.
Deve-se destacar, também, a recente aprovação de um conjunto de
normas referente ao desempenho das edificações habitacionais, a ABNT
NBR 15575 (2013). Nestes documentos, foi especificado o período de 50
anos para vida útil mínima de projeto para os elementos estruturais. Isso
implica em um maior rigor ao especificar os parâmetros de durabilidade
dos concretos, como a relação a/ag, que, comumente, era definida apenas
em função da resistência mecânica de projeto. Em muitos casos, com um
bom trabalho tecnológico de dosagem de concreto, podia-se alcançar a
resistência de projeto sem, necessariamente, atender à relação
água/cimento mínima da classe de durabilidade, especificada pela ABNT
NBR 6118 (2014). Entretanto, com as novas exigências de desempenho,
a durabilidade assume metas quantitativas, ou seja, a estrutura terá que se
manter utilizável por um período de tempo previamente estipulado em
norma.
Neste contexto, podem estar inseridos os concretos de alto
desempenho, uma vez que atendem às novas exigências de projeto, além
de serem aplicáveis para estruturas especiais com difícil acesso de
manutenção e reparo. Isso ocorre porque o alto desempenho está
relacionado à elevada resistência mecânica, à trabalhabilidade, à estética,
ao acabamento, à integridade e à durabilidade dos elementos estruturais
(TUTIKIAN; HELENE, 2011).
Outra característica positiva do uso de concretos de alto
desempenho é o fato de serem, comumente, dosados com uma relação
36

água/cimento inferior a 0,40, ou seja, são concretos com resistência


elevada e, consequentemente, possuírem um menor índice de intensidade
de ligante, conforme proposto por Damineli et al. (2010), Equação 1. A
título de comparação, algumas centrais dosadoras de concreto da região
da Grande Florianópolis têm buscado atingir valores médios entre 9 e 10
kg/(m³.MPa)5, para os seus concretos de linha. Conforme resultados
obtidos neste trabalho, as composições estudadas de CAAAD podem
alcançar valores referentes ao índice de intensidade de ligante inferiores
a 7,5 kg/(m³. MPa), ou seja, uma redução média de 21% no consumo de
aglomerante por MPa.

𝐶
𝐼= Equação 1
𝑅𝑐

Onde:
I = Índice de intensidade de aglomerante (kg/m³.MPa);
C = Consumo de aglomerante (kg/m³); e
Rc = Resistência à compressão aos 28 dias (MPa).

2.1. CONCRETO AUTOADENSÁVEL (CAA)

Segundo EFNARC (2002), o concreto autoadensável CAA foi o


mais revolucionário desenvolvimento em construções de concreto. O
CAA pode ser definido como um concreto capaz de fluir e autoadensar-
se pelo seu próprio peso, preenchendo completamente os espaços vazios
nas formas, enquanto se mantém homogêneo e estável, sem a necessidade
de qualquer adensamento adicional (EFNARC, 2005).
Conforme Rilem (2006), as exigências funcionais no estado fresco
do CAA diferem-se das indicadas para um CC. Enquanto o primeiro
preenche as formas como uma suspensão líquida, o segundo necessita de
adensamento externo para ocupar esses mesmos espaços. Um concreto
será considerado autoadensável se alcançar, simultaneamente, três
propriedades básicas: habilidade de preenchimento (fluidez), habilidade
passante (coesão) e resistência à segregação (EFNARC, 2002; RILEM,
2006).
Com relação aos materiais constituintes, pode-se dizer que o CAA
é produzido, na sua grande maioria, com os mesmos materiais

5
Valores não publicados, fornecidos diretamente pelos representantes de
cada uma das centrais consultadas.
37

empregados no CC. De modo geral, o CAA, quando comparado ao CC,


demanda maiores teores de finos e necessita de aditivos dispersantes de
grande eficiência, conhecidos como superplastificantes de “terceira
geração” (REPETTE, 2011). Em alguns casos, pode haver a necessidade
do uso de promotores de viscosidade. Contudo, fica evidenciado que as
propriedades do CAA, principalmente no estado fresco, são largamente
afetadas pelas características e proporções dos materiais constituintes
(OKAMURA, 1999).
No que diz respeito aos métodos de dosagem do CAA, pode-se
citar alguns trabalhos, como Gomes (2002), Okumura e Ouchi (2003),
Repette & Mello – Mello (2005), Tutikian & Dal Molin – Tutikian e Dal
Molin (2008). Deve-se destacar, também, outros documentos que
especificam alguns parâmetros de referência para a dosagem do CAA, por
exemplo, teor de finos, relação água/finos e volume de agregados, entre
outros (ACI 237R, 2007; EFNARC, 2005).
Com relação à normatização do CAA, a American Society for
Testing and Materials (ASTM International), sob a jurisdição do
subcomitê C09.47 de CAA, possui um conjunto de normas, em vigência,
que trata do tema (ASTM C1611/C1611M-09; ASTM C1610/C1610M-
10; ASTM C1621/C 1621M-09; ASTM C1712-09; ASTM
C1758/C1758M-13). No Brasil, o primeiro conjunto de normas referentes
ao CAA foi publicado em 2010.
A Tabela 1 resume as principais propriedades, métodos de ensaio
e classes prescritos pela ABNT NBR 15823 (2010). Nota-se que o CAA
é classificado em função das suas propriedades no estado fresco por meio
de ensaios tecnológicos (espalhamento, funil-V, anel-J, caixa-L). A
ABNT NBR 15823 (2010) assume como critério aceitação do CAA os
resultados dos ensaios de espalhamento, t500 e o ensaio utilizando o anel
J. Com base na classificação do CAA, proposta na Tabela 1, estabelece-
se os requisitos mínimos em função de diferentes aplicações. Na Figura
1, estão apresentadas algumas indicações de uso, na qual é possível
observar a existência de uma relação direta entre as habilidades do
concreto no estado fresco com a dificuldade moldagem. Por exemplo,
peças densamente armadas demandam concretos com elevada fluidez
(classe SF3 - 760 a 850 mm), enquanto pisos e lajes demandam concretos
menos fluídos. Entretanto, cabe destacar que cada situação de uso deve
ser devidamente analisada, afim de compatibilizar as propriedades das
misturas com as dificuldades do processo de moldagem para otimizar as
composições de CAA empregadas.
38

Tabela 1: Principais propriedades, métodos de ensaio e classificação do CAA.


Parâmetro avaliado e método de Classes e valores
Propriedade avaliada
ensaio limites
(valores em mm)
Fluidez pelo método do espalhamento, SF1 - 550 a 650
Habilidade de preenchimento
Cone de Abrams (fluxo livre) SF2 - 660 a 750
SF3 - 760 a 850
(valores em s)
Viscosidade plástica aparente t500,
Habilidade de preenchimento VS1 - ≤ 2 (s)
Cone de Abrams (fluxo livre)
VS2 - ≥ 2 (s)
(valores em mm)
Habilidade de preenchimento
Capacidade fluir pelo anel J PJ1 - 0 a 25
e habilidade passante
PJ2 - 25 a 50
H2/H1 (mm/mm)
Habilidade de preenchimento Capacidade de fluir pela caixa L
PL1 - ≥ 0,80
e habilidade passante (fluxo confinado)
PL2 - ≥ 0,80
(valores em s)
Habilidade de preenchimento Viscosidade plástica aparente pelo
VF1 -  9
e habilidade passante funil V (fluxo confinado)
VF2 - 9 a 25
(valores em %)
Resistência à segregação Resistência à segregação pela coluna
SR1 - ≤ 20
estática de segregação (fluxo confinado)
SR2 - ≤ 15
Fonte: Adaptada de Repette, 2011 e ABNT NBR 15823-1(2010).

Figura 1: Propriedades do CAA para diversos tipos de aplicação


Fluidez Resistência à
Viscosidade segregação (SR)/
SF 1 SF2 SF3
habilidade passante
Especifique a
VS2
VF2
Rampa* habilidade passante
**dfgsdf Paredes e para SF1 e SF2
VS1 ou VS2 g Pilares Peças armadas Especifique SR
ou um valor
sdfgsfasd densamente para SF3
específico
fasdf*
VS1 Pisos e Lajes Especifique SR
VF1 para SF2 E SF3

Fonte: Adaptada de Walraven, 2003 e ABNT NBR 15823-1(2010).


* A técnica construtiva deve garantir a exequibilidade do elemento.

2.2. CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO

Concreto de alto desempenho (CAD) é um concreto com


características especiais quando comparado ao concreto convencional
(CC), por exemplo, elevada durabilidade e resistência à abrasão (AITCIN,
2008). Segundo Mehta e Aitcin (1990), o termo CAD deve ser dado a
misturas de concreto que apresentem, ao mesmo tempo, elevada
trabalhabilidade, alta durabilidade (impermeabilidade e estabilidade
39

dimensional) e alta resistência mecânica. Conforme o ACI 237R (2007),


o CAA pode ser considerado um concreto de alto desempenho no estado
fresco.
Embora tenham sido propostas várias definições para CAD,
atualmente não existe um consenso universalmente aceito em relação ao
tema (MEEKS; CARINO, 1999; AITCIN, 2008). O ACI 116R-00 define
CAD como sendo um concreto que reúne combinações especiais de
desempenho e uniformidade, requisitos que nem sempre podem ser
obtidos rotineiramente com o uso de componentes convencionais e
práticas normais de mistura, lançamento e cura. Para Aitcin (2008), pode-
se definir CAD como um concreto dosado com baixa relação a/c,
usualmente variando de 0,3 a 0,4.
Nota-se que os concretos com elevada trabalhabilidade e dosados
com relação a/ag de 0,4, ou menor, demostram pouca ou nenhuma
permeabilidade e, consequentemente, elevada durabilidade frente a
ambientes agressivos (MEHTA; MONTEIRO, 2014). Assim, torna-se
coerente o adjetivo “alto desempenho” para misturas de concreto com
baixa relação a/ag.
Em 1993, a Federal Highway Administration (FHWA), dos
Estados Unidos, iniciou um programa nacional para implementar o uso
de CAD em pontes (RUSSELL et al., 2006). Como parte do projeto, a
FHWA propôs uma definição quantitativa para CAD, identificando um
conjunto de parâmetros de desempenho suficiente para estimar a
durabilidade a longo prazo e a resistência dos concretos usados em
estruturas rodoviárias (GOODSPEED et al., 1996).
Atualmente, a FHWA define o CAD por meio de parâmetros e
critérios que o enquadram em classes, conforme apresentado na Tabela 2
(RUSSELL et al., 2006). Tutikian e Helene (2011) citam que, no caso do
Brasil, é conveniente considerar a resistência à carbonatação, a resistência
à flexão e o rendimento aos 28 dias (MPa/kg x 100) em substituição à
durabilidade ao gelo-degelo, sugerida pela FHWA. Aitcin (2004) também
propõe a divisão do CAD em classes, ainda que o único critério adotado
tenha sido a resistência à compressão, conforme exposto na Tabela 3.
Embora a ABNT NBR 12655 (2006) defina concretos de classe de
resistência superior a C50 (fck igual a 50 MPa) como sendo de alta
resistência (CAR), no Brasil, não existe uma norma que especifique ou
defina o CAD. As únicas classificações referentes ao concreto, citadas
pela ABNT NBR 8953 (2011), são em função da massa específica
(concreto leve, normal e denso), da resistência mecânica (classes de
resistência de até 100 MPa) e da consistência (classes de abatimentos do
tronco de cone).
40

Outro ponto relevante é que a ABNT NBR 6118 (2007) reportava-


se somente às estruturas de concretos de densidade normal, com
resistência variando entre 10 e 50 MPa. No entanto, ABNT NBR 6118
(2014) já admite concretos com resistência à compressão de até 90 MPa.
Para a dosagem do CAD, todos os constituintes da mistura devem
passar por uma seleção adequada, visando proporcionar um concreto
resistente, durável e que apresente condições de trabalhabilidade
condizentes com o seu emprego. De modo geral, pode-se dizer que um
traço de CAD é constituído de cimento, adições minerais, agregados, água
e aditivos químicos. No entanto, pode ser necessária a incorporação de
algum constituinte especial, por exemplo, fibras e pigmentos.

Tabela 2: Classes de características de desempenho para concreto estrutural de


alto desempenho.
Características Método de Classes de desempenho para CAD
de desempenho Ensaio 1 2 3
Durabilidade ao AASHTO T 161 70% ≤ Pc1 70%≤ Pc 70%≤ Pc
gelo-desgelo ASTM C 666/03ª Pc1 80% Pc 80% Pc 80%
Resistência à 3,0 ≥ CS2 2,0 ≥ CS 1,0 ≥ CS
ASTM C 672/12
delaminação CS 2,0 CS 1,0 CS 0,0
Resistência à 2,0 RA3 1,0 RA
ASTM C 944/12 0,5 RA
abrasão RA ≥ 1,0 RA≥0,5
Resistência à ASTM C 1202/12 2500 ≥ C4 1500 ≥ CP
500 ≥ CP
penetração de Cl- AASHTO T 277 C 1500 CP 500
Reatividade 0,20  RAS 5 0,15 RAS
ASTM C 441 0,10 RAS
álcali-sílica RAS ≥ 0,15 RAS ≥ 0,10
Resistência à RS ≤0,10
6
RS ≤0,10 RS ≤0,10
ASTM C 1012
sulfatos Até 6 meses Até 12 meses Até 18 meses
Abatimento/ ASTM C 143 SL7 > 190 500 ≤ SF
600 < SF
Fluidez AASHTO T 119 SF8 < 500 SF ≤ 600
Resistência à ASTM C 39 55 ≤ fc 69 ≤ fc
97 MPa ≤ fc
compressão AASHTO T22/11 fc < 69 MPa fc < 97 MPa
34 ≤ Ec9 41 ≤ Ec
Elasticidade ASTM C 469 48 GPa ≤ Ec
Ec < 41 GPa Ec < 48 GPa
ASTM C 157 800 > S10 600 > S
Retração AASHTO T 160 S ≥ 600 S ≥ 400
400 > S
75 ≥ R11 55 ≥ R
Fluência ASTM C 512 30/MPa ≥ R
R > 55/MPa R > 30/MPa
Fonte: Russell et al., 2006.
1
módulo de elasticidade dinâmico relativo a 300 ciclos;
2
classificação visual da superfície depois de 50 ciclos;
3
média de profundidade de desgaste (mm);
4
coulombs;
5
expansão até 56 dias (%);
6
expansão (%);
7
abatimento do tronco de cone (mm);
8
espalhamento (mm);
41
9
módulo de elasticidade estático à compressão;
10
deformação específica (10-6 mm/mm); e
11
razão entre deformação específica e tensão (10-6/MPa).

Tabela 3: Diferentes classes do CAD.


Resistência à Acima de
50 a 75 75 a 100 100 a 125 125 a 150
compressão (MPa) 150
Classe I II III IV V
Fonte: adaptado de Aitcin (2004).

Para Aitcin (2004), com relação à escolha do cimento Portland, é


necessário ter atenção, principalmente, em relação à finura e à
composição. Segundo o autor, a distribuição granulométrica do cimento
deve atender aos requisitos de resistência mecânica e, ao mesmo tempo,
manter-se adequado às exigências reológicas da sua aplicação. Em
relação à composição do cimento, é necessário ter o conhecimento prévio
da morfologia e da quantidade de C3A, assim como da quantidade, da
origem e da taxa de solubilização do sulfato de cálcio. Também é
desejável, do ponto de vista da resistência à compressão, a redução das
fases intersticiais (C3A e C4AF) presentes do cimento (NEVILLE, 2016).
Com relação aos agregados, deve-se almejar uma proporção, entre
os materiais constituintes, que demande o menor consumo de água (l/m³)
para a dosagem do concreto. É preciso buscar, também, o conhecimento
prévio do desempenho mecânico dos agregados, pois tal fator poderá
influenciar a resistência à compressão e à tração e o módulo de
elasticidade, entre outras propriedades (WU, 2001; DONZA, 2002).
As adições minerais podem ser incorporadas por questões
financeiras ou por razões técnicas (AITCIN, 1995). Como razões técnicas
pode-se citar a influência no calor de hidratação, a estabilidade da
mistura, a resistência a sulfatos, a mitigação das reações álcali-agregado,
os refinamentos dos poros da matriz cimentícia e a influência nas
propriedades mecânicas (LANGAN, 2002; SNELSON, 2008; DAL
MOLIN, 2011; JOHARI et al., 2011; ELAHI et al., 2010).

2.3. RETRAÇÃO EM CONCRETO À BASE DE CIMENTO


PORTLAND

Embora uma peça de concreto possa expandir ou contrair, é dado


ênfase, principalmente neste texto, aos fenômenos que promovem o
encolhimento do material. Essa atenção especial é fruto da anisotropia do
concreto, o qual apresenta uma resistência à tração inferior à compressão,
e, também, por possuir uma baixa capacidade de se deformar (NEVILLE,
42

2016; RANAIVOMANANA et al., 2013). Admitindo a correlação


sugerida pela ABNT NBR 6118 (2014), Equação 2, um concreto de fck
igual a 90 MPa, terá uma resistência média à tração de 5,06 MPa, ou seja,
aproximadamente, 5,6% da resistência característica à compressão.
Assumindo que o módulo de elasticidade seja o mesmo à tração que à
compressão, pode-se concluir, hipoteticamente, que os concretos
suportariam dezoito vezes mais deformação à compressão que à tração,
para as mesmas condições de contorno. Contudo, a relação tensão-
deformação no concreto é muito mais complexa do que sugerido
anteriormente, isso por não se tratar de um material puramente elástico;
portanto, as deformações e restrições não são uniformes por toda a peça
de concreto (MEHTA; MONTEIRO, 2014). Cabe destacar, também, que
a razão entre a resistência à tração e à compressão pode variar em função
de diversos parâmetros, como, o grau de hidratação e o nível de
resistência do concreto (FRANCIS et al., 1991; ARΙOGLU et al., 2006).

𝑓𝑐𝑡,𝑚 = 2,12 × ln(1 + 0,11. 𝑓𝑐𝑘 ) Equação 2

Onde:
fct,m = Resistência média à tração do concretos (MPa); e
fck = Resistência característica à compressão do concretos (MPa).

Como consequência direta das deformações, de acordo com o grau


de restrição, podem surgir tensões no concreto e, eventualmente, as
fissuras, caso as tensões ultrapassem a resistência do material. Nesse
sentido, pode-se supor que o concreto está mais suscetível à fissuração
quando submetido a esforços de tração, sendo essa uma das principais
complicações que pode afetar peças de concreto armado. As fissuras
podem promover o comprometimento estrutural devido à redistribuição
de esforços (diminuição da área resistente), ou reduzir a durabilidade das
peças, que ficam sujeitas à ação de agentes agressivos. O posterior reparo
das fissuras e dos danos, por elas causados direta ou indiretamente, são
de difícil execução e, em muitos casos, de custo elevado. Folliard et al.
(2003) citam estudos que assinalam a preocupação com a fissuração em
concreto, os quais apontaram, em 1996, nos EUA, a existência de mais
cem mil tabuleiros de pontes que apresentavam fissuras nas primeiras
idades. Desse modo, prevenir a retração e, consequentemente, a
ocorrência de fissura é a melhor alternativa dentro da conjuntura
apresentada.
43

A rigor, pode-se dizer que a probabilidade de ocorrer fissuras,


assim como a magnitude destas, depende não somente da retração, mas
também da restrição, que pode ser, interna ou externa, parcial ou total; da
resistência à tração, da fluência e do módulo de elasticidade (KELLY,
1964). Isso significa que um concreto se torna menos suscetível à
fissuração quando apresenta baixa retração, baixo módulo de elasticidade,
elevada resistência à tração e fluência, em um estado livre para deformar.
Infelizmente, essas condições não são obtidas concomitantemente para o
mesmo concreto, como, elevada resistência e baixa rigidez, além de não
serem adequadas aos estados limites último e de serviço definidos para as
estruturas.
Na Figura 2, é mostrada a interação entre as tensões de tração
elásticas induzidas por deformações de retração e alívio de tensão devido
ao comportamento viscoelástico dos concretos, sob condições de
restrição. Desse modo, só evitar-se-ia fissuras nos concretos caso a tensão
resultante da retração, reduzida pela fluência, fosse sempre menor do que
a resistência à tração do concreto. Já na Figura 3, são apresentadas as
principais causas de fissuras em estruturas de concreto.

Figura 2: Modelo esquemático da influência da retração e da fluência na


fissuração do concreto.

Fonte: Adaptada de Kelly, 1964.


44

Figura 3: Causas de fissuras em concretos.

Fissuração em Concretos

Retração Temperatura Grau de Restrição

Plástica Ciclo de Interna Externa


Temperatura
Ambiente

Autógena Armaduras Vigas


Calor de
Hidratação
Carbonatação Agregados

Secagem

Fonte: Adaptada de Folliard et al., 2003.

2.3.1. Formas de retração e fluência

As deformações no concreto, que, comumente, levam a um estado


de fissuração, ocorrem como consequência da reação mecânica do
material a esforços externos e à interação com o ambiente. Pode-se
classificar as variações volumétricas ocorridas pela retração do concreto
como sendo devido à variação de temperatura, à carbonatação, à secagem
(estado plástico e endurecido) e autógena. Na sequência, serão abordadas
apenas a retração por secagem e autógena, pois ambas estão dentro do
escopo do tema da tese.
Quando a retração por secagem ocorre antes do final de pega, é
chamada de retração plástica. A retração ocorre quando a taxa de
evaporação da água da superfície exposta do concreto é superior à taxa de
exsudação, resultando em fissuração superficial em forma de mapa, que
pode causar problemas de durabilidade e de desempenho, principalmente
em pisos e pavimentos (REPETTE, 2011). A intensidade da retração
plástica é influenciada pela temperatura, pela umidade relativa do
ambiente e pela velocidade do vento, geometria da peça e da mistura do
concreto. A principal forma de combater a retração plástica é fazer a cura
úmida do concreto. Sugere-se que o concreto não deva apresentar uma
evaporação de água pela superfície superior a 1 kg/m² por hora, embora
45

para concretos com baixa relação a/c e adição de sílica ativa, sugere-se
valores de 0,025 kg/m² por hora (ACI 305 R, 2009).
A retração por secagem que se dá após o final de pega recebe,
também, o nome de retração hidráulica. A exposição em ambiente com
umidade relativa inferior a 100% causa a saída da água de poro e,
consequentemente, a redução do volume do concreto. A retração por
secagem tem sido explicada pela teoria da tensão capilar (equações de
Kelvin & Laplace). A diminuição da umidade nos poros do concreto
promove o surgimento de tensões internas na parede do sólido,
implicando na redução do seu volume. Contudo, em poros com diâmetros
inferiores a 2 nm, o mecanismo de retração é referente à redução da
pressão de desligamento pela redução da água adsorvida, uma vez que,
nesse diâmetro de poro não há formação de menisco capilar
(KOENDERS; BREUGEL, 1997; MEHTA; MONTEIRO, 2014).
A água está presente no concreto em diferentes formas, e é
classificada em função do grau de dificuldade ou facilidade com que pode
ser removida. A remoção da água dos poros com diâmetro superior a
50 nm (macroporos) pouco interfere na retração por secagem, uma vez
que o volume de água está livre da influência das forças de atração
exercidas pela superfície sólida (MEHTA; MONTEIRO, 2014). No
entanto, a retirada da água dos poros menores que 50 nm (microporos)
pode promover acentuadas reduções no volume da pasta de cimento, e,
consequentemente, do concreto. Logo, em situações nas quais ocorre o
refinamento dos poros do concreto, constata-se um aumento na retração
devido ao incremento na tensão capilar.
Retração autógena, por sua vez, é a redução volumétrica causada
pela retração química e pela autodessecação decorrentes do processo de
hidratação do cimento. É quantificada sem incluir as variações de volume
devido à perda ou ao ingresso de água (sistema fechado), à variação de
temperatura, aos esforços externos e restrição (TAZAWA et al., 2000).
Os resultados da retração são, principalmente, relevantes na análise
estrutural a partir do instante em que o concreto apresenta comportamento
viscoelástico. A retração química é o resultado da redução no volume dos
hidratos6 comparados com os componentes antes das reações (BENTUR,
2000). A autodessecação corresponde à diminuição do volume provocada
pela redução da umidade interna dos poros do concreto em decorrência
da hidratação do cimento (JENSEN; HANSEN, 2001b).

6
Produtos da reação do cimento com a água.
46

Uma consequência direta da retração química de hidratação é a


redução da umidade interna da pasta de cimento, causada pelo surgimento
de poros preenchidos por gás, decorrentes da retração química. Enquanto
a pasta de cimento é fluida, a retração resultante da diminuição do volume
que experimentam os compostos do cimento quando sofrem hidratação é
totalmente convertida em variação externa de volume (LURA, 2003). No
entanto, quando estiver formado um esqueleto resistente, a retração
química, inevitavelmente, causa a formação de volumes gasosos no
interior da pasta, sob condição autógena. Quanto mais avança a
hidratação, mais poros vazios são produzidos na pasta, reduzindo o
equilíbrio entre a pressão de vapor de água com a da água (HUA et al.,
1995). Embora que, segundo Jensen e Hansen (2001-b) a variação
autógena da umidade relativa (autodessecação) não é capaz de atingir
valores abaixo de 75%, aproximadamente, ocorre a formação de meniscos
e a redução da umidade relativa interna. A presença de menisco capilar
provoca o surgimento de tensões internas no concreto e a redução do seu
volume. Segundo Jensen e Hansen (2001-b), a variação autógena da
umidade relativa (autodessecação) não é capaz de atingir valores abaixo
de 75%, aproximadamente.
A Figura 4 ilustra as consequências do processo de hidratação de
uma pasta de cimento. As regiões cinza escuras representam os materiais
sólidos (produtos hidratados, cimento anidro e adições minerais, entre
outros materiais). A água de poro é demarcada pela cor cinza claro e o
volume de poros vazios é representado pela região branca. Nota-se que a
evolução da hidratação reduz a quantidade de água de poro, pois os
hidratos incorporam uma fração do volume de água na sua estrutura.
Consequentemente, ocorre um refinamento dos poros da matriz e o
aumento do volume dos materiais sólidos. Forma-se, concomitantemente,
poros vazios, devido à retração química. Por conseguinte, o raio da
curvatura dos meniscos é reduzido e a retração é potencializada, isso por
causa do aumento na tensão de tração nas paredes dos poros da matriz.
Como já citado no capítulo anterior, outra variável no processo de
fissuração do concreto é a fluência. Restringindo as análises ao domínio
da retração restringida, a fluência, no sentido da tração, é a que deve ser
avaliada. Pode-se definir fluência como o aumento da deformação, ao
longo do tempo, sob tensão mantida (NEVILLE, 2016). Por outro lado, a
relaxação pode ser entendida como a redução progressiva da tensão
aplicada quando mantida a deformação constante ao longo do tempo
(ROSS, 1958). Com relação ao fenômeno na compressão, acredita-se que
a fluência e as retrações por secagem e autodessecação são relativas à
mesma origem: a remoção ou deslocamento da água da pasta de cimento
47

hidratada. No entanto, a força motriz para ocorrência difere entre as três


situações. As retrações por secagem e autodessecação ocorrem devido à
diferença de umidade relativa entre o concreto e o ambiente ou pela
redução da umidade interna devido a retração química; e a fluência, pela
tensão constante aplicada. (JENSEN; HANSEN, 2001b, MEHTA;
MONTEIRO, 2014).

Figura 4: Representação esquemática de uma seção transversal de uma pasta de


cimento avançando no processo de hidratação. A parte (a) representa um baixo
grau de hidratação e (b) elevado grau de hidratação.

(a) (b)
Fonte: Jensen e Hansen (2001-b).

Os ensaios de fluência à tração de materiais à base de cimento


Portland são frequentemente limitados ao comportamento nas primeiras
idades. Atualmente, não existe um consenso sobre a existência de uma
função que correlacione a fluência à tração com à compressão, devido,
principalmente, à dificuldade de encontrar um consenso sobre as rotinas
de ensaio (RANAIVOMANANA et al., 2013). Nota-se que a tensão
aplicada, a idade e o tempo de carregamento, o mecanismo de aplicação
de carga e a geometria dos corpos de prova diferem muito entre os
pesquisadores (IGARASHI et al., 2000; REINHARDT; RINDER, 2006;
KRISTIAWAN, 2006; JI et al., 2013;).
Com relação ao efeito da incorporação de adições minerais, foi
demostrado que a incorporação de sílica ativa aumentou a fluência
específica (m/m.MPa) para concretos convencionais (BISSONNETTE;
PIGEON, 1995). Kovler et al. (1999) estudaram o comportamento da
fluência na tração de concretos de elevada resistência nas primeiras
idades, e concluíram que a adição de sílica ativa na mistura aumentou a
deformação por fluência. Cabe destacar que, em ambos os estudos, os
autores obtiveram a mesma tendência para dois tipos distintos de ensaios:
48

sistemas restringidos e o carregamento constante. Assmann e Reinhardt


(2014) estudaram a incorporação de PSA, à base de
poliacrilatos/poliacrilamidas copolimerizados, em concretos com relação
a/c de 0,42. Os autores observaram que a incorporação de 0,25% de PSA,
em relação a massa de cimento, reduz a fluência à tração em,
aproximadamente, 50% aos 150 dias de carregamento. Foi demostrado,
também, que o uso de aditivo redutor de retração reduz a fluência
específica nas primeiras idades (KRISTIAWAN, 2006).

2.3.2. Retração autógena em concreto de alto desempenho

A retração autógena passa a ser uma preocupação de engenharia a


partir do momento em que peças estruturais de geometria considerável
são construídas em concreto de elevada resistência, visando elevada vida
útil da edificação. A retração autógena também é relevante em situações
caracterizadas como concreto massa, pois o núcleo da mistura estaria em
uma situação autógena (sistema fechado). As misturas plásticas de
concreto com baixo consumo de água só foram possíveis com o advento
dos aditivos redutores de água de alto desempenho. Nesse sentido, a
retração autógena, muitas vezes negligenciada em concretos
convencionais, passa a ter um papel relevante em concretos de baixa
relação a/c com adições minerais.
Sabe-se que a diminuição da relação a/c promove redução na
porosidade total, assim como o refinamento do diâmetro dos poros da
pasta (COOK; HOVER, 1999). Outro fator que contribui para o
refinamento dos poros é a adição de pozolanas, principalmente sílica ativa
(MEHTA, 1981; ZHANG; GJORV, 1991). Foi demostrado que a retração
química da hidratação de um cimento puro tipo I, ASTM C 150 (2012),
está entre 6 e 7 ml para cada 100g de cimento (POWERS;
BROWNYARD, 1948). Uma elevada retração é encontrada também na
reação da sílica ativa com o hidróxido de cálcio, aproximadamente, 22
ml/100g de sílica reagida (JENSEN; HANSEN, 2001). Assumindo que a
tensão capilar é inversamente proporcional ao raio dos poros da pasta
(Equação 4) e que a relação a/c necessária para hidratar todo o cimento é
0,42 (NEVILLE, 2016), fica evidenciada a potencialidade da retração
autógena em CAD.
Nesse sentido, o CAD com adição de sílica ativa com relação a/c
inferior a 0,40 sofre, concomitantemente, os feitos da retração química e
da autodessecação. Uma vez que não há água suficiente para hidratar todo
o cimento, surgem tensões capilares, as quais são majoradas pelo efeito
de refinamento dos poros, além da redução química inerente ao processo
49

de hidratação do cimento. Nessa situação já foi demostrado, em defensas7


de concretos de alta resistência, nas primeiras idades, que a retração
autógena foi mais pronunciada que a retração por secagem (CUSSON;
REPPETE, 2000). Com relação à taxa de deformação em CAD, foi
mostrado que grande parte da retração autógena se dá nos primeiros dias
de hidratação do cimento, podendo chegar a 260 µm/m com um dia
(CUSSON; HOOGEVEEN, 2007).
A retração autógena varia em função da relação a/ag, composição
e finura do cimento Portland (TAZAWA; MIYAZAWA, 1995; JENSEN,
2000; BENTZ et al., 2001; HOLT; LEIVO, 2004; BENTZ, 2008). A
retração autógena é maior quando se incorpora sílica ativa no concreto,
sendo que a diferença aumenta ao longo do tempo (TAZAWA;
MIYAZAWA, 1995; PERSSON, 1997; IGARASHI et al., 2000). No
entanto, até os seis dias, não foram encontradas diferenças significativas
de retração autógena em CAA com diferentes fílers (CRAEYE, 2010).
Foi observado que a redução da relação a/ag aumenta a
contribuição da retração autógena em relação à retração total (autógena
mais secagem). Concretos com relação a/ag igual a 0,17 apresentaram
deformação referente apenas à retração autógena (TAZAWA;
MIYAZAWA, 1995 b). Situação semelhante foi relatada por Persson
(1997), que observou uma contribuição autógena na retração total de
80%, aproximadamente, aos 28 dias, com uma relação a/ag de 0,19. Como
a retração autógena é um fenômeno que ocorre na pasta de cimento, o teor
de agregado do concreto interfere na variação volumétrica, ou seja, a
retração autógena é reduzida quando se aumenta o volume de agregado
no concreto (TAZAWA; MIYAZAWA, 1995 b).
Foi demonstrado, também, que a temperatura de cura influencia a
retração autógena. Mounanga et al. (2006) avaliaram os efeitos da
temperatura de cura (10, 20, 30, 40 e 50°C) na retração de pastas de
cimento Portland, com relação a/ag de 0,25; 0,30; 035 e 0,40. Os autores
observaram que o aumento da temperatura promove um incremento na
retração autógena das pastas, independentemente da relação a/ag, nas
primeiras 20 horas de hidratação. No entanto, Lura et al. (2001)
estudaram o efeito da temperatura de cura (10, 20, 30, e 40°C) e do tipo

7
Sistema de proteção rígido e contínuo, com forma, resistência e dimensões
projetadas para redirecionar à pista veículos eventualmente desgovernados.
DER/PR. Obras complementares: defensas de concreto (barreiras).
Disponível em: <http://www.der.pr.gov.br/arquivos/File/PDF/pdf_Obras
Complementares/ES-OC14-05DefensasConcreto.pdf>. Acesso em: 25 maio
2014.
50

de cimento na retração autógena de CAD, nas primeiras idades, e


constataram que não existiu uma tendência para a retração autógena em
função da temperatura, embora seus valores fossem alterados para cada
temperatura de cura e do tipo de cimento usado.

2.4. ADITIVOS MITIGADORES DE RETRAÇÃO

Nesta seção, serão abordados dois tipos de aditivos químicos


empregados no programa experimental. Notadamente, ambos atuam de
forma distinta.
Deve ficar claro que, no presente estudo, o único aglomerante
usado será uma composição de cimento Portland CPV ARI com sílica
ativa. Contudo, as misturas que serão estudadas com agente expansor
terão uma fração de aglomerante substituída pelo cimento expansivo. Em
razão do pequeno teor de substituição de aglomerante por cimento
expansivo, este será chamado, convencionalmente no texto, de aditivo
expansor.

2.4.1. Aditivos compensadores de retração

Pode-se dizer que uma das primeiras tentativas de solucionar os


efeitos da retração do concreto foi o desenvolvimento de estudos sobre
cimentos expansivos e aditivos expansores (MELO, 2007). O mecanismo
de ação dos agentes expansivos consiste em neutralizar a deformação
induzida pela retração, por meio da expansão ocorrida nos primeiros dias
de hidratação (REPETTE, 2010). Os dois principais fenômenos
responsáveis pela expansão induzida nos aditivos ou cimentos expansivos
é a formação de etringita (trisulfoaluminato de cálcio hidratado) e a
hidratação do CaO supercalcinado (MEHTA; MONTEIRO, 2014).
De acordo com o ACI 233 (2010), o cimento expansivo, quando
misturado com água, forma uma pasta que, após a pega, sofre aumento de
volume maior do que uma pasta de cimento Portland comum. Assim, o
concreto com retração compensada é um concreto produzido com
cimento expansivo ou aditivo expansor, que, ao ser devidamente
restringido, expandir-se-á em quantidade igual ou um pouco maior que a
soma das retrações por secagem e autógena esperadas. As características
típicas de variação de comprimento de concretos com agente expansor é
mostrada na Figura 5.
51

Figura 5: Perfil típico de variação de comprimento de concretos com retração


compensada e concretos com cimento Portland

Fonte: Adaptado de ACI 233 (2010).

Em casos específicos, pode-se observar vantagens em permitir


uma pequena expansão final do concreto. Nesses casos, tem-se uma
protensão obtida pela restrição das deformações de expansão por meio da
armadura de aço: o aço é tracionado e o concreto comprimido. Contudo,
convém deixar claro que o uso de cimento expansivo não impede o
desenvolvimento da retração (NEVILLE, 2016). Segundo Lees et al.
(1995), são divididas em duas as principais utilizações do cimento
expansivo, as quais são classificadas de acordo com a magnitude da
expansão, e, consequentemente, a sua aplicação:

• concreto com retração compensada: a expansão restringida


induz tensões de compressão que compensam as tensões de
tração resultantes da retração; e

• concreto protendido quimicamente: as tensões induzidas pela


hidratação do cimento são suficientes para resultar em
significativas tensões de compressão residual no concreto
após a retração por secagem ter ocorrido.

Atualmente, são normalizados três tipos principais de cimento


expansivo; porém, apenas um, Tipo K, está comercialmente disponível
nos Estados Unidos (NEVILLE, 2016) e Japão. Os cimentos expansivos
são classificados em função dos agentes que promovem a expansão e o
mecanismo de expansão. A ASTM 845/C845M (2012) define três tipos
de cimento expansivos:
52

• cimento expansivo tipo K, constituído por sulfoaluminato de


cálcio anidro (4CaO·3Al2O3·SO3), sulfato de cálcio e cal
virgem;

• cimento expansivo tipo M, constituído por aluminato de


cálcio e sulfato de cálcio; e

• cimento expansivo tipo S, constituído por aluminato


tricálcico (C3A) e sulfato de cálcio.

Segundo Neville (2016), a expansão da pasta de cimento resultante


da formação de etringita começa logo que a água é adicionada à mistura,
mas só é eficiente no combate à retração quando à expansão é restringida.
Logo, não existe restrição quando o concreto ainda está no estado plástico
ou quando o seu módulo de deformação é muito pequeno. A formação de
etringita – e consequente expansão – só é favorável quando controlada e
uniformemente distribuída. Conforme Repette (2011), quando o concreto
expande e quanto ele expande são parâmetros que definirão o seu
desempenho no combate à fissuração. Nesse sentido, a ASTM
845/C845M (2012) estabelece a 7 dias uma expansão máxima para
argamassa entre 400 x 10-6 e 1000 x 10-6, e, aos 28 dias, a expansão não
pode exceder em mais de 15% o valor obtido aos 7 dias.
Com relação ao estado fresco de concretos com retração
compensada, Repette (2011) afirma que uma possível redução do tempo
de pega e, consequentemente, alteração na trabalhabilidade, são
decorrentes da incompatibilidade do aditivo compensador de retração
com o cimento utilizado. Assim, supondo que haja uma boa interação
química entre o aditivo e o cimento, não deve ocorrer alterações
significativas nas características da pasta no estado fresco. No estado
endurecido, pode-se esperar uma maior resistência mecânica dos
concretos dosados com cimento expansivo em relação aos dosados com
cimento Portland, para uma dada relação a/ag. Segundo Monteiro e Mehta
(1986), esse incremento na resistência pode ser explicado pela
modificação na zona de transição pasta/agregado, a qual possui um
incremento de etringita, enquanto apresenta um filme descontínuo de
hidróxido de cálcio nas misturas dosadas com cimento Portland.
Embora o concreto com retração compensada seja usado desde
meados da década de 1960, a inovação mais recente, que impulsionou
novamente o emprego desse tipo de concreto, foi o desenvolvimento de
aditivos promotores de expansão de alta eficiência (ACI 223, 2010;
53

REPETTE, 2011). Para Taylor (1997), é vantajoso empregar o agente


promotor de expansão como um aditivo, ao invés de fixá-lo no cimento.
Essa concepção otimiza a uso do agente expansivo, uma vez que permite
alterar a finura e a quantidade do aditivo, desvinculando a taxa e a
magnitude da expansão do consumo de cimento no concreto.
Os aditivos compensadores de melhor desempenho são aqueles à
base de sulfoaluminato de cálcio, pois promovem a formação controlada
de etringita, resultando em expansão suficiente para compensar a
diminuição volumétrica causada pela retração (NAGATAKI; GOMI,
1998; REPETTE, 2011). Um organograma esquemático das reações de
um tipo de hidratação do aditivo compensador de retração à base de
sulfoaluminato de cálcio é apresentado na Figura 6.

Figura 6: Organograma esquemático das reações de hidratação do aditivo


compensador de retração à base de sulfoaluminato de cálcio.

Fonte: Adaptada de Nagataki e Gomi (1998).

2.4.2. Aditivos redutores de retração

Conforme Hartmann (2011), os aditivos redutores de retração


(ARR), ou Shrinkage Reducing Admixtures (SRA), foram desenvolvidos
no Japão, na década de 1980, com o objetivo de reduzir os efeitos
causados pela retração de concretos e argamassas. Os aditivos redutores
54

de retração atuam diminuindo a tensão superficial da fase aquosa dos


poros do concreto e, consequentemente, reduzindo a tensão capilar
(SHOYA et al., 1990). Este mecanismo atua diretamente na redução da
retração por secagem e na parcela da retração autógena causada pela
autodessecação (REPETTE, 2011).
Atualmente, as principais moléculas usadas atualmente como
aditivo redutor de retração são (COLLEPARDI et al., 2005; HE et al.,
2006; GAGNÉ, 2016):
• Monoálcoois com um grupo funcional OH- (R-HO).
• Glicóis: esses álcoois apresentam dois grupos funcionais
hidroxila ligados a dois átomos de carbono adjacentes.
• Ésteres alquílicos de polioxialquileno glicol: o radical alquilo
cíclico constitui a cauda hidrofóbica do tensoativo, enquanto
que a cabeça hidrofílica é a cadeia oxialquileno hidratada.
• Surfactantes poliméricos.
• Aminoálcoois.

Foi demostrado, por meio de ensaios experimentais, o efeito do


aditivo redutor de retração na tensão superficial da água, o qual pode
alcançar um fator de redução superior a dois, conforme apresentado na
Tabela 4. Como pode ser observado na Figura 7, o efeito do ARR é função
do teor de incorporação na solução, até o limite de saturação.

Tabela 4: Efeito do redutor de retração na tensão superficial da água.


Redução da tensão
Autores Teor* (%)
superficial da solução (%)
SHOYA et al., 1990 5 50
BENTZ et al., 2001 6 57
MORA-RUACHO et
3 50
al., 2009**
*Percentual em relação à massa de água.
**Valores médios para diferentes tipos de redutor de retração.

Uma fração considerável da retração do concreto durante a


secagem (externa ou interna) é controlada pela pressão capilar
desenvolvida nos poros parcialmente preenchidos com água (BENTZ
2005; BENTZ 2006). Para poros cilíndricos, a equação de Kelvin
descreve a relação entre o raio do poro e a umidade relativa acima do
menisco, assumindo que as paredes do poro estão completamente úmidas
pelo líquido, Equação 3 (SILBEY, 2005). Admitindo a equação de
55

Laplace para raio único, Equação 4, obtém-se a equação Kelvin-Laplace,


Equação 5 (ISRAELACHVILI, 2011). Desse modo, nota-se que a tensão
capilar é diretamente proporcional à tensão superficial da solução dos
poros; consequentemente, uma redução da tensão superficial irá implicar
na redução da tensão capilar. Com relação à umidade relativa, a sua
redução promove um incremento na tensão capilar.

Figura 7: Efeito da concentração do aditivo redutor de retração na tensão


superficial da água.

Fonte: Adaptada de RONGBING; JIAN (2005).

𝑈𝑅 −2𝛾𝑉𝑚
𝑙𝑛 ( )= Equação 3
100% 𝑟𝑅𝑇

Sendo:
UR = umidade relativa (%);
 = tensão superficial da solução do poro (N/m);
Vm = volume molar da solução do poro (m³/mol);
r = raio do poro (m);
R = constante universal do gás [8314 J/(mol.K)], e
T = temperatura absoluta (Kelvin).

2𝛾
𝜎𝑐 = Equação 4
𝑟

Sendo:
c = tensão capilar;
 = tensão superficial da solução do poro (N/m);
56

 = ângulo de contato entre a solução de poro e a parede do poro;


e
r = raio do poro (m).

𝑈𝑅
𝑙𝑛 ( ) × 𝑅𝑇
𝜎𝑐 = 100% Equação 5
𝑉𝑚

A influência da redução na tensão superficial da solução dos poros


do concreto na retração por secagem, retração autógena e a perda de água
por evaporação nas primeiras idades pode ser resumida na Tabela 5. Com
relação à menor perda de massa por secagem, quando adicionado ARR
nas misturas, Bentz et al., (2001b) e Bentz (2008) citam a hipótese de que
a secagem inicial da superfície aumenta a concentração de ARR na
solução dos poros, dificultando a evolução da perda de água nas camadas
inferiores.

Tabela 5: Influência da redução na tensão superficial no fenômeno de secagem


causada pela adição de ARR (BENTZ, 2005).
Fenômeno Influência da redução da tensão superficial
Redução no equilíbrio de saturação
Retração por
Redução na taxa de secagem (menor perda de
secagem
massa)
Retração Redução da tensão capilar
autógena Redução da umidade relativa interna
Evaporação nas Modificação no perfil da curva de secagem
primeiras idades Redução da taxa de secagem

Estudos experimentais vêm mostrando que a adição de ARR em


misturas de materiais à base de cimento Portland reduz a retração em
condições autógenas e de secagem. Em alguns casos, foi alcançada
redução superior a 50% (BENTZ et al., 2001b; HOLT; LEIVO, 2004;
RONGBING; JIAN, 2005; BENTZ, 2008; SALIBA et al., 2011). Como
desvantagem do uso do ARR, pode-se citar uma possível redução na
resistência à compressão e módulo de elasticidade, bem como aumento
do tempo de pega (FILLIARD; BERKE, 1997). Brooks et al. (2000)
citam o efeito do ARR na redução da tensão superficial da água como
possível causa da redução das forças de atração entre as partículas na fase
de floculação do aglomerante e, consequentemente, o retardo no tempo
de pega.
57

Embora alguns estudos demonstrem que o uso de ARR não


implica, necessariamente, em perda das propriedades mecânicas (MORA-
RUACHO et al., 2009; MAIA et al., 2012), Fulliard e Berke (1997)
ressaltam a importância de se realizar a cura úmida adequada do concreto
para se extrair a máxima eficiência do ARR.

2.5. COMPORTAMENTO REOLÓGICO DO CAAAD

O CAAAD é um material compósito, o qual pode ser entendido


como uma concentração de partículas sólidas em suspensão (agregados)
em um líquido viscoso (pasta de cimento), que, no estado fresco,
consegue fluir como um líquido (HU; DE LARRARD, 1995;
FERRARIS, 1999), que é moldado ainda no estado plástico. Nesse
sentido, torna-se adequado aplicar conceitos da reologia ao estudo do
comportamento desse tipo de concreto (CASTRO et al., 2011).
Segundo a International Union of Pure and Applied Chemistry
(IUPAC), a reologia é a ciência que estuda o fluxo e a deformação dos
materiais submetidos à influência de esforços mecânicos. A reologia é
uma ciência relativamente nova, fundamentada na década de 1929, por
Bingham e Reiner, com a criação da The American Society of Rheology
(BOTELLA, 2005).
A caracterização quantitativa das propriedades reológicas é de vital
importância para a sustentabilidade e a racionalização do processo para a
indústria do concreto. Tanto o desempenho quanto a exequibilidade de
peças de concreto estão intimamente relacionados ao aspecto do concreto
no estado fresco. Desse modo, a reologia permite um maior entendimento
do concreto no que refere à trabalhabilidade, ao processo de moldagem
(transporte, bombeamento e lançamento), aos defeitos de homogeneidade
e à estabilidade da mistura (CHIDIAC; MAHMOODZADEH, 2009).
Como consequência direta, essas propriedades influenciam a
produtividade, o acabamento, as propriedades mecânicas e a durabilidade
das peças produzidas.
Dessa forma, surge a necessidade de mensurar e quantificar os
parâmetros reológicos das misturas, ou seja, fazer uso da reometria, a qual
consiste em determinar, experimentalmente, o comportamento do fluxo
(BOTELLA, 2005). O emprego normatizado do CAA está associado à
realização de ensaios tecnológicos para tentar descrever o comportamento
da mistura no estado fresco – como exemplo, cita-se o ensaio de
espalhamento e os demais especificados pela ABNT NBR 15823 (2010).
No entanto, nota-se que os ensaios normatizados, muitos deles
monopontos, determinam, individualmente, uma ou no máximo duas
58

propriedades de fluxo da mistura, o que torna necessária, muitas vezes, a


realização simultânea de outros ensaios para melhor entender o
comportamento do concreto. Deve-se destacar, também, que em alguns
casos, os ensaios tecnológicos refletem pontos de vista pessoais e pouca
precisão científica.
Aliado a isso, o concreto, no estado fresco, comporta-se,
aproximadamente, como o modelo matemático de Bingham, ou seja, um
fluido não-Newtoniano (TATTERSALL, 1990; DOMONE et al., 1999).
Assim, por possuir um comportamento mais complexo, fica evidenciado
a fragilidade dos ensaios tecnológicos que medem o fluxo de um fluido
em um único conjunto de condições (tensão ou taxa de cisalhamento),
enquanto que o modelo de Bingham necessita de, pelo menos, dois
(BANFILL, 2006).
Os ensaios de reometria buscam descrever o comportamento
reológico de um material em função da resposta que ele oferece, a um
esforço ou a uma deformação aplicada (BOTELLA, 2005). Os métodos
de ensaio reológico de concreto foram classificados de acordo com o
procedimento de medida do fluxo ou de cisalhamento. Com o objetivo de
estabelecer uma nomenclatura uniforme, o NIST (National Institute of
Standards and Technology - USA) dividiu os métodos de ensaio
reológicos em quatro categorias (HACKLEY; FERRARIS, 2001):

• Teste de fluxo livre: o material flui devido à ação do seu


peso próprio, sem nenhum confinamento, ou um objeto
penetra no material em função da força gravitacional;

• Teste de fluxo confinado: o material flui devido ao seu


próprio peso ou sob uma pressão aplicada através de um
orifício restrito;

• Teste de vibração: o material flui sob a influência da


vibração aplicada; e

• Reômetro rotacional: o material é cisalhado entre duas


superfícies paralelas, podendo uma ou as duas estarem
rotando.
59

2.5.1. Perfis reológicos – curvas de fluxo e de viscosidade

Os fluidos, de maneira geral, apresentam perfis reológicos para


cada tipo distinto de comportamento de fluxo (BOTELLA, 2005). A
evolução no entendimento da reologia resultou em uma série de modelos
matemáticos que buscam descrever, da melhor maneira possível, o
comportamento reológico dos materiais. Nesse sentido, ao longo do
tempo, pesquisadores buscaram enquadrar o comportamento do concreto
no estado fresco a equações de fluxo estudadas previamente. Conforme
mencionado, o modelo matemático de Bingham é assumido por muitos
pesquisadores para simular o comportamento de misturas de concreto no
estado fresco. O modelo de Bingham e o de Newton são apresentados
pelas equações 6 e 7, respectivamente. Nota-se que a diferença entre os
modelos é a ausência da tensão de escoamento no modelo de Newton.
Pode-se observar que os fluidos plásticos de Bingham (Equação
6) necessitam de uma tensão de cisalhamento mínima para que ocorra
o fluxo. Isso significa que esforços inferiores à tensão de escoamento
teriam uma resposta elástica (BOTELLA, 2005), embora a tensão de
escoamento possa variar com a taxa de deformação aplicada ao
material (BARNES; WALTERS, 1985). Hu e De Larrard (1996)
demostraram que concretos de alto desempenho apresentam tensão de
escoamento em situações de baixas taxas de cisalhamento. Nesse
sentido, a tensão de escoamento reflete a resistência ao fluxo imposta
pela estrutura tridimensional do material em repouso. Quando é
superada essa barreira, o material pode comportar-se como um fluido
Newtoniano.

𝜏 = 𝜏0 + 𝜂 × 𝛾̇ Equação 6

𝜏 = 𝜂 × 𝛾̇ Equação 7

Onde:
τ = tensão de cisalhamento (Pa);
τ0 = tensão de escoamento (Pa);
𝛾̇ = taxa de cisalhamento (s -1); e
 = viscosidade plástica (Pa.s-1).
Deve-se destacar que o modelo de Bingham é um caso particular
do modelo de Herschel-Bulkley (HB), Equação 8. Consequentemente, o
comportamento reológico de concretos convencionais e de alto
60

desempenho pode ser descrito pela equação de HB (DE LARRARD et


al., 1998). Segundo De Larrard et al. (1998), o modelo HB ajusta-se
melhor e não apresenta valores de tensão de escoamento negativos, como
acontece em alguns casos, quando o modelo de Bingham é aplicado.
Contudo, foi demostrado no estudo que a tensão de escoamento obtida
por Bingham se correlaciona melhor com os resultados dos ensaios de
abatimento e fluidez. Na Tabela 6 e na Figura 8 são apresentadas as
derivações do modelo Herschel-Bulkley. De Larrard et al. (1998)
demostraram, também, a possibilidade de se determinar os dois principais
parâmetros reológicos (tensão de escoamento e viscosidade) por meio do
modelo de HB. Nesse caso, a tensão de escoamento é definida pela
equação de HB, enquanto que a viscosidade é calculada segundo a
Equação 9.

𝜏 = 𝜏0 + 𝑘 × 𝛾 𝑛 8

Onde,
τ = tensão de cisalhamento (Pa);
τ0 = tensão de escoamento (Pa);
γ = taxa de cisalhamento (s-1);
k = índice de consistência; e
n = índice de comportamento do fluido.

3𝑘 𝑛−1 9
𝜇′ = 𝛾
𝑛 + 2 𝑚𝑎𝑥
Onde,
μ’ = viscosidade plástica;
γ max = taxa máxima de cisalhamento alcançada no ensaio; e
k e n = constantes retiradas da equação de ajuste do modelo de HB
(determinadas por mínimos quadrados).

Tabela 6: Casos particulares do modelo HB.


Modelo K n σ0
Herschel-Bulkley >0 0<n<∞ >0
Newton >0 1 0
Fluidificante (pseudoplástico) >0 0<n<1 0
Espessante (dilatante) >0 1<n<∞ 0
Plástico de Bingham >0 1 >0
Fonte: Bontella (2005).
61

No entanto, o conhecimento da tensão de escoamento e da


viscosidade aparente, no final da fase de mistura, não é suficiente para
descrever o comportamento observado a partir do instante de lançamento
e moldagem do concreto (KOVLER; ROUSSEL, 2011). Alterações no
perfil reológico do material são frequentemente observadas após um
período de repouso devido ao comportamento tixotrópico dos materiais
cimentícios. Nesse sentido, vários autores demostram que, quando
deixado em repouso, o concreto constrói uma estrutura interna,
aumentando a tensão de escoamento aparente ou estática. Por outro lado,
em movimento, um incremento na fluidez do material é observado em
função do aumento da taxa de cisalhamento aplicada (BANFILL;
SAUNDERS, 1981; ROUSSEL, 2006).

Figura 8: Curvas de fluxo e curvas de viscosidade.

Fonte: Adaptado de Botella (2005).

A tixotropia de materiais cimentícios tem sido quantificada pela


medida da área entre as curvas de subida e de descida, em um programa
no qual varia-se a taxa de cisalhamento e mede-se a tensão de
cisalhamento. Essa rotina se assemelha a adotada para outros materiais.
Contudo, Banfill e Saunders (1981) fizeram ressalvas em relação ao
procedimento experimental, uma vez que o resultado obtido pode ser
dependente do equipamento e da rotina aplicada no ensaio. Esse método
é baseado no fato de que, durante a rampa de subida (aumento da taxa de
cisalhamento), ocorre a de-floculação, porém, esta não é rápida suficiente
para alcançar a tensão do estado estacionário. A tensão medida é sempre
maior do que seria obtida se o estado estacionário fosse alcançado
(ROUSSEL, 2006).
Por outro lado, durante a curva de descida (redução da taxa de
cisalhamento), a floculação ocorre, mas, novamente, não é
62

suficientemente rápida para alcançar o estado estacionário, e a tensão


medida é menor do que a do estado estacionário (ROUSSEL, 2006).
Assim, a área entre as duas partes da curva de cisalhamento é medida e
considerada como uma representação do trabalho por unidade de volume
e unidade de tempo necessário para romper algumas ligações inicialmente
presentes. Na Figura 9, é apresentado um exemplo que ilustra a rotina de
subida e descida da taxa de cisalhamento, sendo que a área escura
representa, quantitativamente, a tixotropia. No entanto, só é possível
modelar a tixotropia do concreto em um curto período de tempo após o
contato do cimento com a água (período de indução), período qual, as
evoluções irreversíveis de hidratação podem ser desprezadas (ROUSSEL,
2006).

Figura 9: Exemplo esquemático da tixotropia de pastas de cimento submetidas a


rampas ascendente e descendente de taxa de cisalhamento.

Fonte: Adaptada de ROUSSEL (2006).

2.5.2. Tensão de escoamento e viscosidade aparente

Os ensaios multipontos de concreto possibilitam identificar e


quantificar, simultaneamente, os parâmetros reológicos fundamentais,
como a tensão de escoamento, a viscosidade e o perfil reológico, quando
o ensaio é submetido a diferentes condições de tensão e taxa de
cisalhamento (ROMANO et al., 2011). Assim, pode-se explanar a tensão
de escoamento e a viscosidade em termos práticos, para possibilitar o
melhor entendimento do comportamento, no estado fresco, de misturas de
concretos.
63

Para uma ampla variação de consistência e fluidez apresentado na


literatura, o concreto fresco pode comportar-se como um fluido plástico
de Bingham, conforme apresentado na Figura 8. Nota-se que o modelo é
representado por uma equação de reta, Equação 6. Sendo a viscosidade é
o coeficiente angular da reta e a tensão de escoamento é o termo
independente. Nota-se, então, que para haver fluxo, o concreto necessita
de uma tensão inicial mínima, ou seja, a mistura se tornará mais fluida
quanto menor for a sua tensão de escoamento. A viscosidade é uma
propriedade que representa o custo, em termos de esforço, necessário para
manter o fluxo em uma determinada deformação (taxa de cisalhamento).
A tensão de escoamento está relacionada à capacidade de
preenchimento, e, de modo geral, se a mistura irá fluir ou não para uma
dada condição de carregamento (KOVLER; ROUSSEL, 2011). A
viscosidade plástica está associada à velocidade do fluxo, quando iniciado
com bombeamento, e à velocidade de moldagem. Também pode-se
associar essa propriedade à resistência à segregação, uma vez que, se a
viscosidade da pasta for muito reduzida, o concreto poderá apresentar
separação de fases (ROMANO et al., 2011). No entanto, como no
processo de moldagem do concreto, a aplicação de esforços se dá,
principalmente, devido à ação da gravidade. A tensão de escoamento é o
parâmetro reológico mais importante (ROUSSEL, 2007).
Para o CAA, a tensão de escoamento deve ser baixa, isso para
garantir a maior fluidez possível, e a viscosidade deve ser moderada, para
promover a estabilidade necessária. Níelsson e Wallevik (2003) indicam
que a tensão de escoamento e a viscosidade podem atuar juntas na
garantia da resistência à segregação, de forma que, quando a viscosidade
for muito baixa, a tensão de escoamento deve ser alta, sendo o contrário
válido. Segundo Shah et al., (2009), a segregação dinâmica, a qual ocorre
quando o concreto se encontra em movimento, a viscosidade aparente tem
um papel relevante. Durante o movimento, a estrutura do fluido pode
quebrar e não ser mais capaz de sustentar os agregados, caso a tensão de
escoamento seja muito reduzida. Nesse caso, uma viscosidade mais
elevada da mistura manterá o concreto coeso até a paralização do
movimento, quando a estrutura do fluido é reconstruída, restaurando a
tensão de escoamento inicial e aumentado os impedimentos à segregação.
O uso da reometria para a determinação dos parâmetros reológicos
ainda é restrito aos laboratórios de materiais. Por isso, estudos foram
realizados com o objetivo de correlacionar os resultados dos testes em
campo, ensaios tecnológicos, à tensão de escoamento e à viscosidade
aparente de mistura de concreto no estado fresco.
64

Murata e Kikukawa (1992), De Larrard (1999) e Wallevik (2006)


propuseram correlações entre a tensão de escoamento do concreto e o seu
abatimento no tronco de cone. Os estudos mostraram que, quanto maior
o valor do ensaio de abatimento do tronco de cone, menor é a tensão de
escoamento da mistura de concreto. De acordo com Kovler e Roussel
(2011), durante o slump teste, o fluxo paralisa quando a tensão de
cisalhamento na amostra torna-se igual ou menor que a tensão de
escoamento. Wallevik (2006) realizou tentativas de determinar uma
relação entre a viscosidade plástica e o espalhamento do tronco de cone.
No entanto, o autor não encontrou boas correlações para essas variáveis.
Sabe-se, porém, que a viscosidade de mistura de concreto pode ser
estimada (empiricamente) em função do tempo de escoamento do
concreto no funil V.
Os parâmetros reológicos de um concreto, no estado fresco, são
influenciados pelos materiais que compõem o traço da mistura. Banfill
(2011) explicou, de forma concisa, o efeito da incorporação de alguns
materiais na tensão de escoamento e na viscosidade aparente, conforme
mostra a Figura 10. Por exemplo, pode-se esperar um aumento da fluidez
e da viscosidade com o avanço do teor de aditivo superplastificante na
mistura, sendo o oposto observado para água, cinza volante e teor de
incorporado.

Figura 10: Alteração nas propriedades reológicas do concreto pela incorporação


de alguns constituintes na mistura.

Fonte: Adaptado de BANFILL (2011).


65

2.5.3. Estudo reológico de misturas com aditivos mitigadores de


retração

Existe um número reduzido de trabalhos relatando os efeitos da


incorporação de aditivos mitigadores de retração no comportamento
reológico do CAAAD. Os trabalhos em reologia concentram-se em pasta
e argamassas ou concretos com relação a/c superior a 0,40. Isso indica
que a preocupação com o estado fresco do CAAAD, dosados em esses
aditivos, é eminente e deve ser investigada.
Corinaldesi (2012) estudou o comportamento reológico de CAA e
pastas de cimento Portland branco com a incorporação de ARR (à base
de polietileno glicol) e ACR (à base de CaO), para uma relação a/c fixa
de 0,45. O autor observou que os valores de tensão de escoamento de
pastas com adição de 0,95% de ARR ou 8,33% de ACR (percentuais em
relação à massa de cimento) pouco diferiram. No entanto, houve uma
redução na viscosidade plástica em, aproximadamente, 50%, para ambos
os aditivos, em relação à pasta referência. Os resultados em concreto, para
os mesmos teores de aditivos usados na pasta, foram semelhantes nos
ensaios de espalhamento (2 cm) e escoamento no funil-V (1 s).

2.6. Síntese da revisão de literatura

De modo sucinto será apresentado, na sequência, um resumo dos


temas abordados na revisão de literatura, os quais nortearam as tomadas
de decisões deste trabalho.
Pode-se dizer que, em meio à demanda crescente por materiais com
alto desempenho focados na durabilidade e vida útil das estruturas de
concreto, surge o concreto autoadensável de alto desempenho. Esse
concreto apresenta, ao mesmo tempo, elevada durabilidade, resistência
mecânica e trabalhabilidade. Entretanto, quando dosado com adições
minerais em conjunto com baixa relação água/aglomerante pode
apresentar elevada de retração autógena. Uma consequência direta da
retração é a possibilidade do surgimento de fissuras no material, em um
sistema com deformação restringida, o que pode levar ao
comprometimento da durabilidade da estrutura.
Para o evitar o surgimento das fissuras, pode-se combater a
retração do concreto adotando algumas soluções, como o emprego dos
aditivos redutor e compensador de retração. O aditivo redutor de retração
atua na tensão superficial da solução dos poros do concreto de modo a
reduzi-la e, consequentemente, reduz a tensão capilar no interior da matriz
cimentícia. Como resultado, tem-se uma redução das tensões que
66

promovem a retração no material. O aditivo compensador atua de modo


a formar compostos expansivos, principalmente, etringita. A expansão é
dada nas primeiras horas ou dias, de modo a combater a retração do
concreto.
Como premissa de alto desempenho, as soluções adotadas para
essas composições de concreto não devem comprometer as propriedades
nos estados fresco. Para avaliar a interferência dos aditivos mitigadores
de retração pode-se fazer uso da reologia. A reologia é o campo da ciência
que estuda as deformações e escoamentos da matéria. Logo, os ensaios
reométricos fornecem informações sobre o comportamento do concreto
em determinadas situações de cisalhamento. Por meio de modelos
reológicos, pode-se obter as principais propriedades de fluxo do material,
como: tensão de escoamento, viscosidade, tixotropia, entre outras.
67

3. PROGRAMA EXPERIMENTAL

Com base nos objetivos traçados, o programa experimental foi


proposto visando avaliar o desempenho no estado fresco e endurecido de
CAAAD com aditivos químicos mitigadores de retração. O presente
estudo está inserido no projeto “Combate à retração para prevenção da
fissuração do concreto de alto desempenho e de materiais de base cimento
usados na construção e no reparo de estruturas” - PD-0061-0001/2010.
Trata-se de um projeto ANEEL, ciclo 2010, gerenciado por Luiz Roberto
da Silva (Companhia Energética de São Paulo – CESP) e coordenado pelo
Professor Wellington Longuini Repette (Universidade Federal de Santa
Catarina – UFSC). O projeto foi realizado entre 2 de fevereiro de 2012 e
31 de dezembro de 2016. Muitas pesquisas têm sido desenvolvidas pelo
grupo NanoTec, as quais buscam avaliar alternativas para combater a
retração de materiais à base de cimento Portland (MELO NETO, 2007;
KUMM, 2009; ONGHERO; REPETTE, 2010; ONGHERO; PILAR;
REPETTE; 2012). Soma-se ao citado anteriormente, a busca pelo
entendimento do comportamento reológico das misturas de concreto.
Neste capítulo, serão descritas as variáveis do trabalho, os
materiais utilizados e os procedimentos experimentais adotados em cada
ensaio. Na sequência, serão abordadas as etapas do programa
experimental e as justificativas que nortearam as tomadas de decisões.

3.1. GENERALIDADES SOBRE AS MISTURAS ESTUDADAS

Independentemente da fase do programa experimental, existiram


alguns parâmetros que foram fixados igualmente para as misturas tanto
de pasta de cimento como concreto autoadensável de alto desempenho, as
quais serão adequadamente justificadas e explicadas nos itens
subsequentes deste texto. Desse modo, pode-se afirmar que foram usados
apenas: um tipo de cimento (CP V); um aditivo redutor de água, à base
de policarboxilato; um aditivo redutor de retração (ARR), um aditivo
compensador de retração (ACR).
Para essa pesquisa, foram assumidas duas relações
água/aglomerante (a/ag) de 0,25 e 0,32, em massa, com o objetivo de
obter concretos de elevada resistência mecânica. O proporcionamento das
misturas com aditivos mitigadores de retração respeitou as mesmas
proporções tanto em pasta como em concreto, uma vez que tais aditivos
foram incorporados em percentuais fixos em função da massa de cimento
Portland. O aditivo redutor de retração foi proporcionado nos percentuais
de 0,5%, 1,0% e 1,5%. Já o aditivo compensador de retração foi dosado
68

nos percentuais de 5%, 10% e 15%. As misturas chamadas de referência


foram proporcionadas sem a incorporação de nenhum aditivo mitigador
de retração.
A fração aglomerante das misturas foi uma composição, em massa,
de 90% de cimento Portland e 10% de sílica ativa, exceto nas misturas
com aditivo compensador de retração. A incorporação dos percentuais de
aditivo compensador de retração, citados anteriormente, se deu por
substituição do cimento, em massa.
No que refere especificamente aos CAAAD, pode-se pontuar que
todos os concretos possuíram, aproximadamente, o mesmo volume de
pasta e agregados e a mesma proporção entre os agregados miúdos e
graúdos, independentemente da relação água/aglomerante, embora o teor
de aditivo superplastificante tenha variado pela necessidade de fixar a
consistência pelo ensaio de espalhamento dos concretos dentro de uma
faixa comum para todos.
Com relação aos agregados, foram empregados dois tipos de areia
natural: uma areia fina de duna e outra areia média de cava. Para compor
a fração graúda, foi empregado apenas agregado de britagem de origem
granítica, pertencente à faixa granulométrica 4,75/12,5 (brita 0),
conforme a ABNT NBR 7211(2009).
Notadamente, os aditivos escolhidos para combater a retração
atuam de forma completamente distinta. Os teores predefinidos
representam valores encontrados em publicações, na quais obteve-se
êxito no combate parcial ou total da retração autógena de CAD. Assim,
embora tenha-se o objetivo de encontrar um teor ótimo de aditivo, admite-
se partir de pontos preestabelecidos.
Para o desdobramento dos traços são fixados o volume de agregado
graúdo e miúdo. Todas as misturas de concreto dosados nesta fase da
pesquisa possuíram 35% do volume total de concreto composto por
agregado graúdo. Para a fração do volume restante (argamassa), 30% foi
composta por agregado miúdo. A proporção entre as areias naturais fina
e média será de 60% e 40%, respectivamente. Também foi fixada a
proporção de 10% de sílica ativa em relação à massa de cimento. O
resumo dos traços em massa das misturas de concreto é apresentado no
item 3.3.1.1. Nota-se que todos os CAAAD dosados tiveram os mesmos
materiais constituintes e na mesma proporção entre eles, o que é
justificado pela necessidade de se avaliar de forma comparativa os efeitos
da incorporação dos aditivos mitigadores de retração.
Com os traços predefinidos, buscou-se dosar CAAAD com
aditivos mitigadores de retração que atendessem à classe SF2 da ABNT
NBR 15823 (2010), ou seja, com abertura no ensaio de espalhamento
69

entre 66 e 75 cm. Para atingir tais objetivos, foram empregados diferentes


teores de aditivo superplastificante à base de policarboxilatos. Nos
estudos reológicos de pastas, também, buscou-se uma abertura padrão
para as misturas de 120 mm, por meio do minislump, a qual foi alcançada
com diferentes teores de superplastificante. Na Figura 11 é apresentado
um organograma com as relações água/aglomerante e os percentuais de
cada um dos aditivos mitigadores de retração usados neste trabalho.

Figura 11: Organograma das composições especificadas no programa


experimental (concretos e pastas).
a/ag = 0,25 a/ag = 0,32
ARR ACR Ref. ARR ACR Ref.
0,5% 5% 0,5% 5%
1,0% 10% 1,0% 10%
1,5% 15% 1,5% 15%

3.2. MATERIAIS

A seguir, são abordados os materiais empregados na pesquisa,


com dados de caracterização, os quais, embora sejam resultados, ficaram
no item Materiais para facilitar a leitura deste trabalho.

3.2.1. Cimento Portland e sílica ativa

Foi utilizado, neste trabalho, o cimento Portland de alta resistência


inicial (CP V ARI), de massa específica 3,12 kg/dm³, determinada
conforme a ABNT NBR NM 23 (2001). Essa escolha deu-se uma vez que,
entre os cimentos comercializados atualmente, é o que apresenta as
menores quantidades de adições minerais na sua composição, fabricado a
partir de clínquer, gesso e material carbonático. A sílica ativa empregada
nessa pesquisa foi a 920 U, fabricada pele Elken. A
Tabela 7 apresenta as características químicas e físicas do cimento
informadas pelo fabricante, estando todas em conformidade com a ABNT
NBR 5733 (1991). Paralelamente aos dados fornecidos pelo fabricante,
foi realizado a determinação química quantitativa dos óxidos por meio de
espectrometria de fluorescência de raio-x (FRX), com pastilha fundida,
conforme apresentado na Tabela 8.
70

Tabela 7: Caracterização química e física do cimento CP V ARI


Área específica Blaine (NBR 7224/84) (cm²/g) 4071
Expansibilidade a quente (NBR 11582/91) (mm) 0,20
#200 (%) 0,47
Caracterização física

Finura - resíduo na peneira


#325 (%) 3,05
Início (min.) 145
Tempo de pega (NBR 11581/91)
Fim (min.) 183
1 dia (MPa) 22,4
Resistência à compressão 3 dias (MPa) 37,5
(NBR 7215/91) 7 dias (MPa) 42,8
28 dias (MPa) 51,1
Caracterização

Perda ao fogo 2,93


química (%)

Resíduo insolúvel 0,64


MgO 4,51
SO3 2,85
Fonte: Cimentos Itambé (abril de 2014).

Tabela 8: Composição química (óxidos) do cimento CP V ARI, sílica ativa e


aditivo compensador de retração (ACR) pelo método de espectrometria de
fluorescência de raio-X (FRX).
Óxidos
SiO2 AlO3 K2O Na2O Fe2O3 CaO MgO SO3 P.F*
(%)
Cimento 18,9 3,69 0,47 0,40 2,76 62,94 4,22 3,09 3,20
Sílica 94,6 0 1,34 0,49 0 0,2 0,3 0 2,68
*
Perda ao fogo.

A distribuição granulométrica das partículas do cimento e sílica


ativa foram obtidas no equipamento Microtrac s3500, sem meio
dispersante, a qual é mostrada na Figura 12. Nota-se que o d50 do cimento
foi 15m, enquanto d50 da sílica ativa foi de 13m. O d50 refere-se que
50% das partículas, em volume, ficariam retidas em uma peneira de malha
de diâmetro especificado como o valor do próprio d50.
A caracterização do cimento pela técnica de raio-X foi realizada
no Laboratório Nanotec, no Departamento de Engenharia Civil da UFSC,
utilizando o equipamento Rigaku, modelo Miniflex II Desktop X-Ray
Difractometer, com radiação Cu K-alfa; =1,5406 Å; 5º ≤ 2 ≤ 85º com
passo de 0,01° por segundo. Na Figura 13 é apresentado o espectro de
raio-X obtido para o cimento Portland. As fases cristalinas identificadas
foram alita e a belita.
71

Figura 12: Distribuição granulométrica, a laser, do cimento e Sílica ativa.


10
CP V
8 Silica ativa
Retido (%)

0
0,1 1 10 100 1000
Diametro das Partículas (um)

Figura 13: Espectro de Raio-X obtidos para o aditivo compensador de


retração - ACR com a identificação dos seus principais constituintes.

3.2.2. Agregados

O agregado graúdo de britagem usado na dosagem dos CAAAD


foi de origem granítica, pertencente à zona granulométrica 4,75/12,5
(brita 0), conforme a ABNT NBR 7211(2009). A massa específica da
brita é de 2,64 kg/dm³, com módulo de finura igual a 5,89. Os agregados
miúdos são duas areias naturais, uma fina de duna e outra média de cava.
A areia fina possui massa específica de 2,64 kg/dm³ e módulo de finura
igual a 0,98. A areia média possui massa específica de 2,55 kg/dm³ e
módulo de finura igual a 2,99. A percentagem retida acumulada de cada
agregado é mostrada na Tabela 9.
72

Tabela 9: Distribuição do percentual retido acumulado dos agregados que serão


usados no programa experimental.
Peneiras Porcentagem retida acumulada (%)
# Brita Areia Média Areia Fina
19 0,00 0,00 0,00
12,5 0,00 0,00 0,00
9,5 1,85 0,00 0,00
6,3 53,79 0,00 0,00
4,8 89,35 0,00 0,00
2,4 99,52 16,15 0,00
1,2 99,58 39,00 0,10
0,6 99,58 61,66 0,22
0,3 99,58 81,27 2,14
0,15 99,58 93,84 95,01
0,075 99,58 98,59 99,01
Pulverulento 100 100 100

3.2.3. Aditivos químicos

a) Aditivo redutor de retração – ARR


O aditivo redutor de retração utilizado foi adquirido por meio de
doação junto à Empresa Grace do Brasil Ltda e está à venda no mercado
brasileiro. Foi fornecido na forma líquida, translúcida com massa
específica de 0,92 g/cm³.
O aditivo redutor de retração foi analisado pela técnica de
espectroscopia de infravermelho (FTIR) em um espectrômetro
JASCO modelo FT-IR-4200 (Figura 14a), com acessório de ATR
(refletância total atenuada) PRO450-S/470-H, o qual possui cristal de
seleneto de zinco (Figura 14b). Foram realizadas 2 varreduras (scans)
com 0,5 cm-1 de resolução por espectros, no intervalo de número de
onda de 4000 a 550 cm-1. Para a análise, colocou-se uma gota de
amostra no compartimento cobrindo todo o cristal do acessório ATR.
Todos os espectros foram avaliados pelos programas Spectral analysis
da empresa JASCO e pelo Knowitall® da Bio-Rad Laboratories, em
conjunto com espectros de infravermelho obtidos na literatura do
assunto.
Como resultado da caracterização por infravermelho (FTIR),
pôde-se perceber que a base química do aditivo redutor de retração é
o hexileno-glicol, conforme o banco de dados do software Spectral
Analysis. Concomitantemente, foram comparados os espectros de
73

infravermelho do aditivo redutor de retração e do hexileno-glicol,


conforme mostrado na Figura 15.

Figura 14: Equipamento para análise de FTIR.

(a) FTIR-4200 Jasco (b) Acessório ATR

Figura 15: Espectro de infravermelho do aditivo redutor de retração e do


hexileno-glicol

Nota-se que ambos são semelhantes nos mesmos números de


onda. O espectro do hexileno-glicol foi obtido no banco de dados do
NIST8 (acessado em http://webbook.nist.gov).

b) Aditivo compensador de retração - ACR


O aditivo expansor empregado nesta pesquisa é o cimento P CSA
(Calcium Sulphoaluminate), um sulfoaluminato de cálcio, fabricado pela

8
National Institute of Standards and Technology – U.S. Deportment of
Commerce
74

Denki Kagaku Kogyo Kabushiki Kaisha (DENKA). O cimento P CSA foi


adquirido por meio de importação do Japão, em sacas de 25kg, na forma
granular. A caracterização do cimento P CSA é apresentada na Tabela 10.
Nota-se que a resistência alcançada em corpos de prova dosados com o
cimento P CSA é inferior àquela obtida com cimento Portland CPV ARI,
até os 7 dias de idade. A composição em óxido é mostrada na
Tabela 11. Pode-se observar que, aproximadamente, 87% do
aditivo compensador de retração composto pelos óxidos cálcio e
sulfúrico.

Tabela 10: Caracterização química e física do cimento P CSA.


Área específica Blaine (cm²/g) 3740
Expansão, variação 7 dias 0,039
de comprimento (%) 28 dias 0,003
Tempo de pega Início (min) 90
3 dias (MPa) 26,9
Resistência à
7 dias (MPa) 38,5
compressão
28 dias (MPa) 54,8
Perda ao fogo (%) 2,0
Massa específica (g/cm³) 3,10
MgO (%) 0,9
K2O (%) 0,2
Fonte: Denka. As especificações do cimento, assim como as rotinas de
caracterização física e química, atendem à normalização japonesa.

Tabela 11: Composição química (óxidos) do aditivo compensador de retração


(ACR) pelo método de espectrometria de fluorescência de raio-X (FRX).
Óxidos
SiO2 AlO3 K2O Na2O Fe2O3 CaO MgO SO3 P.F*
(%)
ACR 1,77 4,66 0,1 0,12 1,27 68,48 0,87 18,2 4,45
*
Perda ao fogo.

Na Figura 16, é mostrada a distribuição granulométrica do aditivo


compensador de retração com o objetivo de comparar a fração finos dos
materiais. Foi plotado junto a destruição granulométrica do cimento e da
sílica ativa. Nota-se que a distribuição granulometria do aditivo
compensador de retração apresenta um perfil distinto do observado no
cimento e na sílica ativa, com um d50 de 26 m.
75

Figura 16: Distribuição granulométrica, a laser, do cimento, sílica ativa e aditivo


compensador de retração.
10
CP V
8 ACR
Retido (%)

Silica ativa
6

0
0,1 1 10 100 1000
Diametro das Partículas (um)

O espectro de Raio-x do aditivo compensador de retração é


apresentado na Figura 17. Nota-se que as principais fases cristalinas
identificadas foram a anidrita, calcário e Ye'elimite (sulfoaluminato de
cálcio).

Figura 17: Espectros de Raio-X obtidos para Cimento Portland.

c) Aditivo superplastificante
O aditivo superplastificante empregado nesta pesquisa foi um da
família ADVA, à base de policarboxilatos e fabricado pela Empresa
Grace do Brasil Ltda. O superplastificante é comercializado no mercado
brasileiro, e possui massa específica de 1,04 g/cm³. O seu uso é
recomendado em pré-fabricados e concreto autoadensável.
76

Pela análise de infravermelho (Figura 18) pode-se assumir,


conforme Janowska-Renkas (2013), que a região do pico de transmitância
no comprimento de onda de 2924 cm-1 refere-se ao grupo alifático (CH2
e CH3). A região do pico de 1639 cm-1 é correlata ao grupo carboxílico
(R-COOH). Por fim, a região do pico de onda de 1084 cm-1 é referente ao
grupo éter poliglicol (CH2-O-CH2).
As leituras nas regiões dos picos de transmitância no comprimento
de onda de 3375 cm-1, 1639 cm-1 e 629 cm-1 estão, possivelmente,
majoradas, pela presença de água na composição aditivo
superplastificante, conforme pode ser observado na
Figura 19, a qual sobrepõe os espectros de infravermelho da água
com o do aditivo superplastificante. A região do pico 3446 cm-1 é
referente a hidroxila (OH).

Figura 18: Espectro de infravermelho do aditivo superplastificante

Figura 19: Espectros de infravermelho do aditivo superplastificante e água.


77

3.3. MÉTODOS DE ENSAIO

Todos os ensaios tecnológicos no estado fresco das composições


de concreto e pasta foram feitos no Construction Materials Research
Group (CMRG)/Concrete Durability Center (CDC), na Universidade do
Texas, em Austin (EUA). Os ensaios mecânicos (resistência à
compressão, resistência à tração e módulo de elasticidade) foram feitos
no laboratório de materiais de construção (LMCC). Os ensaios retração
autógena livre e restringida, assim como os ensaios de calorimetria e
caracterização dos materiais, foram feitos no laboratório de aplicações de
nanotecnologia em construção civil (NANOTEC-Lab). Ambos os
laboratórios são alocados no Departamento de Engenharia Civil da
Universidade Federal de Santa Catarina, campus Florianópolis/SC.

3.3.1. Estudos em concreto

A seguir serão abordados os procedimentos para compor os


concretos, processo de mistura e ensaios nos estados fresco e endurecido
dessas composições.

3.3.1.1. Composição das misturas de concreto

Como ponto de partida para a obtenção dos traços, foram fixados


alguns parâmetros como a fração volumétrica ocupada pelos agregados
graúdo e miúdo em 1 m³ de concreto.
Com o intuito de não haver reduções significativas no módulo
estático de elasticidade à compressão dos concretos estudados, foi
adotado o percentual volumétrico de 35 % para compor a fração do
agregado graúdo, em relação ao volume total de concreto. Sabe-se que a
fração volumétrica, a densidade e o módulo de elasticidade dos principais
componentes, além das características da zona de transição na interface,
determinam o comportamento elástico do concreto. Em muitos casos,
pode-se assumir que o módulo de elasticidade à compressão do concreto
está entre os valores de módulo da pasta e do agregado.
Consequentemente, o aumento da fração volumétrica do agregado será
acompanhando por um incremento do módulo de elasticidade (MEHTA
e MONTEIRO, 2014). Nesse sentido, optou-se por um teor,
relativamente, alto de agregado graúdo de britagem (35%) e seu teor foi
fixo para todas as misturas. Como este estudo baseia-se em avaliar
concretos autoadensáveis, foi limitado o diâmetro máximo do agregado
graúdo. Estudos preliminares indicaram que a brita pertencente à faixa
78

granulométrica 4,75/12,5 (ABNT NBR 7211, 2009) era condizente com


fluidez desejada das misturas. Cabe destacar que o agregado graúdo, antes
de ser usado, foi lavado com o objetivo de reduzir e homogeneizar o teor
de material pulverulento presente no lote de agregado graúdo utilizado.
Do volume restante (argamassa), 30% foi composto por agregado
miúdo. O agregado miúdo foi composto por duas areias naturais, uma fina
e outra média, com uma proporção entre ambas de 60% e 40%,
respectivamente. Todos os agregados foram secos em estufa e guardados
em tambores plásticos com tampa.
Como consequência do exposto anteriormente, para cada 1 m³ de
concreto produzido, o consumo de brita e de areia (fina + média) foi de
0,35 m³ e 0,195 m³, respectivamente. O volume de pasta foi de
0,455m³/m³ de concreto. Para obter-se o consumo dos agregados, em
massa, foi multiplicado o volume de cada material pelo seu, respectivo,
valor de massa específica. O consumo de aglomerante, em massa, é obtido
pela Equação 10. Percebe-se que o consumo de aglomerante é
inversamente proporcional à relação a/ag, e que os demais parâmetros
serão mantidos, relativamente, constantes para todas as misturas de
concretos.
𝑣𝑝
𝑚𝑎𝑔𝑙𝑜𝑚𝑒𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒 = Equação 10
1 𝑎
+
𝜌𝑎𝑔 𝑎𝑔
Onde:
maglomerante: massa de aglomerante (kg);
vp = volume de pasta/m³ de concreto (m³);
ag = densidade do aglomerante (kg/m³), e
a/ag = relação a/ag (kg/kg).

Nota-se que a densidade do aglomerante é a soma das massas do


cimento Portland e da sílica ativa pela soma dos respectivos volumes.
Admitindo uma proporção fixa de 10% de sílica ativa em relação à massa
de cimento, pode-se obter a densidade do aglomerante, conforme
Equação 11.

𝑚𝑐 + 𝑚𝑠
𝜌𝑎𝑔 = Equação 11
𝑣𝑐 + 𝑣𝑠

Onde:
ag = massa específica do aglomerante (g/cm³);
79

mc = massa de cimento (g);


ms = massa de sílica ativa (g);
vc = volume de cimento (cm³), e
vs = volume de sílica ativa (cm³).

Com base nos objetivos desta pesquisa, buscou-se produzir


concretos de alto desempenho autoadensáveis, o que implica em compor
essas misturas com baixas relações água/aglomerante (inferior a 0,40) e
incorporar à mistura alguma adição mineral, em muitos casos (AITCIN,
2004).
Como limite inferior, optou-se pela relação a/ag 0,25, em massa.
Esse valor foi baseado em estudos preliminares, os quais mostraram uma
grande dificuldade em homogeneizar os materiais constituinte em
betoneira e, consequentemente, atingir um valor espalhamento próximo a
70 cm para relações a/ag inferiores a 0,25. Cabe destacar que as misturas
com relação a/ag de 0,25 já necessitavam de uma ordem de mistura
especial, com adição inicial de toda a água de amassamento e,
aproximadamente, 80% do aditivo redutor de água. Caso não fosse
respeitada essa ordem de mistura, esses concretos não alcançavam o
objetivo de se tornarem concretos autoadensáveis, para teores usuais de
superplastificante. Para o limite superior, assumiu-se o valor de 0,32 para
a relação a/ag por representar um valor intermediário entre o 0,25 e o 0,40.
Portanto, todas as misturas estudadas neste trabalho podem ser
classificadas como de alto desempenho pelo critério da relação
água/aglomerante.
A composição das misturas com aditivos mitigadores de retração
respeitou as mesmas proporções tanto em pasta como em concreto, uma
vez que tais aditivos foram incorporados em percentuais fixos em função
da massa de cimento Portland. Assim, o aditivo redutor de retração foi
incorporado nos percentuais de 0,5%, 1,0% e 1,5% e o aditivo
compensador de retração nos percentuais de 5%, 10% e 15%. As misturas
chamadas de referência foram proporcionadas sem a incorporação de
nenhum aditivo mitigador de retração. Os teores de incorporação de
aditivo redutor de retração estão dentro da faixa e recomendação do
fabricante, ou seja, os percentuais de 0,5% e 1,5% são os limites inferior
e superior. Para o aditivo compensador de retração, o fabricante
recomenda um percentual, fixo, de 8% de substituição ao cimento. Com
o intuito de otimizar esse percentual dentro da realidade dos concretos
estudados, buscaram-se três teores distintos com o valor central de 10%.
Com o objetivo de facilitar a leitura dos resultados em gráficos,
tabelas ou no próprio corpo do texto, o nome das misturas foi abreviado,
80

respeitando o tipo de cada aditivo mitigador de retração utilizado, relação


a/ag e teor de aditivo mitigador de retração incorporado. Por exemplo, na
Figura 20, a sigla ARR32-1,5 refere-se a um concreto ou pasta com
1,5% de incorporação de aditivo redutor de retração (ARR) para uma
relação água/aglomerante de 0,32. Já as misturas com aditivo
compensador de retração foram abreviadas pela sigla ACR. REF25 e
REF32 referem-se, respectivamente, as misturas referência com a relação
a/ag de 0,25 e 0,32.

Figura 20: Esquema explicativo da nomenclatura das misturas adotado na tese

Aditivo mitigador
Teor incorporado de
de retração ARR32-1,5 aditivo mitigador de
retração
Relação
água/aglomerante

A incorporação do aditivo redutor de retração se deu em


substituição à água de amassamento da mistura, em massa. O aditivo
compensador de retração foi adicionado à mistura em substituição ao
cimento Portland, em massa, pois o mesmo é considerado um
aglomerante. Na Tabela 12, é apresentado o consumo, teórico, dos
materiais constituintes para cada uma das 14 composições de concreto
autoadensável de alto desempenho estudadas. Nota-se que, em ambas as
situações, os concretos apresentam uma pequena variação de volume de
mistura produzida devido à diferença no valor de massa específica dos
materiais.
Para as misturas com incorporação de aditivo redutor de retração
(ARR25 e ARR32), pode-se observar que todas as misturas partiram,
inicialmente, com o mesmo consumo de cimento para a mesma relação
água/aglomerante. Entretanto, o consumo de água variou em função do
teor de incorporação do aditivo redutor de retração. Por exemplo, a
mistura ARR25-1,5 teve uma redução, aproximada, de 3 litros de água.
Isso ocorreu, conforme mencionado, devido à forma com a qual o aditivo
redutor de retração foi incorporado à mistura em substituição a água de
amassamento.
As misturas com aditivo compensador de retração (ACR25 e
ACR32) apresentaram um consumo de água igual para a mesma relação
água/aglomerante; no entanto, o consumo de cimento Portland foi
reduzido em função do teor incorporado do aditivo. Por exemplo, a
81

mistura ACR32-15 apresentou uma redução no consumo de cimento


Portland de 95 kg, aproximadamente, em relação ao concreto referência
(REF32). Nota-se que o incremento de aditivo compensador para a
mesma mistura foi de 94,5 kg.

Tabela 12: Composição teórica dos materiais constituintes para cada mistura de
concreto.
Nº Concreto a/ag Cimento Sílica ativa Areia Brita Água ACR* ARR**
(kg/m³)
1 REF25 0,25 706 78 511 922 196 - -
2 REF32 0,32 630 70 511 922 224 - -
3 ARR25-0,5 0,25 706 78 511 922 193 - 3,5
4 ARR25-1,0 0,25 706 78 511 922 189 - 7,1
5 ARR25-1,5 0,25 706 78 511 922 186 - 10,6
6 ARR32-0,5 0,32 630 70 511 922 221 - 3,1
7 ARR32-1,0 0,32 630 70 511 922 218 - 6,3
8 ARR32-1,5 0,32 630 70 511 922 215 - 9,4
9 ACR25-5 0,25 671 78 511 922 196 35,3 -
10 ACR25-10 0,25 635 78 511 922 196 70,6 -
11 ACR25-15 0,25 600 78 511 922 196 105,9 -
12 ACR32-5 0,32 598 70 511 922 224 31,5 -
13 ACR32-10 0,32 567 70 511 922 224 63,0 -
14 ACR32-15 0,32 535 70 511 922 224 94,5 -
*
Aditivo compensador de retração.
**
Aditivo redutor de retração.

3.3.1.2. Procedimento de mistura

Todo o processo de mistura, assim como os ensaios no estado


fresco do concreto foram realizados em sala climatizada a 23 ± 2 °C. Para
cada concreto, os materiais foram pesados com um dia de antecedência e
deixados na sala de mistura climatizada. Esse processo permitia que a
temperatura dos materiais se equilibrasse com a temperatura da sala.
Com o intuito de obter uma condição usual de mistura de concreto
e de fácil reprodutibilidade, optou-se pelo uso de betoneira de queda livre
com eixo inclinado para homogeneizar os materiais constituintes das
misturas especificadas no programa experimental. Cabe destacar que
atualmente existe um entendimento de como absorver e replicar,
independentemente da escala de produção, os resultados obtidos nesse
tipo de misturador. Isso decorre da larga utilização de betoneiras em
estudos de dosagem de concreto, tanto em laboratórios com em canteiros
de obra. Consequentemente, acredita-se que com o uso desse tipo de
82

misturador aumenta a probabilidade de ser ter sucesso em reproduzir as


composições estudadas neste trabalho, no que se refere ao processo de
mistura.
Os aditivos superplastificante e redutor retração, quando presentes
na mistura, foram dissolvidos na água de amassamento e, posteriormente,
colocados na betoneira. Devido à dificuldade de se obter com precisão,
inicialmente, o teor do aditivo superplastificante de cada mistura, na etapa
anterior foi homogeneizado, em água, apenas 80% do total estimado do
aditivo. Na sequência, foi adicionada toda a brita. O aglomerante foi
adicionado em 2 etapas. Por fim, todo o agregado miúdo foi adicionado,
também, em duas etapas. O processo inicial de lançamento dos materiais
dentro da betoneira, contado a partir do aglomerante posto, foi de 1 min.
Todos os concretos foram misturados, inicialmente, por 5 minutos
e mantidos por repouso por mais 30s para acertar a fluidez por meio do
acréscimo de aditivo superplastificante. Na sequência, era misturado por
mais 1 min e 30 s. Parava-se mais 30s, para novamente acertar a fluidez,
se assim necessário e, por fim, misturava-se por mais 1min e 30s.
O processo de mistura totalizou 10 min para todas os concretos,
dos quais 1 min foi de repouso. Ao término desse procedimento, foram
realizados, concomitantemente, os ensaios no estado fresco das misturas
estudadas. Todos os concretos tiveram o teor de aditivo superplastificante
ajustado para que as misturas apresentassem abertura, no ensaio de
espalhamento, dentro da classe SF2 (66 por 75 cm), especificada pela
ABNT NBR 15823 (2010). A escolha do ensaio de espalhamento se deve
pela ampla aceitação do seu resultado como referência para caracterizar a
fluidez do concreto autoadensável.

3.3.1.3. Ensaios tecnológicos no estado fresco

Os ensaios de espalhamento, anel-J e Funil-V foram realizados


seguindo as prescrições na ABNT NBR 15823 (2010). O ensaio de
resistência à segregação seguiu as recomendações da ASTM C1712
(2014). A Figura 21 mostra algumas imagens da execução desses ensaios.
Foi obtido, também, a massa específica do concreto para posterior cálculo
do consumo real dos materiais, assim como o teor de ar incorporado pelas
misturas, segundo a ABNT NBR 33 (1998) e a ABNT NBR 9833 (2009),
respectivamente.
Imediatamente após o termino do processo de mistura dos
concretos, foi realizado o ensaio de espalhamento (slump flow test), uma
vez que este foi o parâmetro de aceitação das composições no estado
fresco. O critério de aceitação dos concretos foi alcançar um valor médio
83

de aberturas dentro da classe SF2. Após a conferência do espalhamento


foram, paralelamente, realizados os demais ensaios tecnológicos, citados
anteriormente, junto com os ensaios reológicos.

Figura 21: Ensaios tecnológicos da mistura REF25, (a, b) espalhamento; (c, d)


anel-J; (e) funil-V e (f) equipamento para medir a segregação das misturas.

(a) (b)

(c) (d)

(e) (f)
84

3.3.1.4. Ensaios de reométricos

As misturas de CAAAD propostas neste programa experimental


foram ensaiadas no reômetro ICAR, um instrumento portátil para medir
as propriedades reológicas do concreto no estado fresco. O reômetro foi
desenvolvido no International Center for Aggregate Research (ICAR),
localizado na Universidade do Texas, em Austin (EUA), o qual é
apresentado na Figura 22 (a), e o modelo utilizado é o apresentado na
Figura 22 (b).
O equipamento é composto de um recipiente para armazenar o
concreto fresco, um controlador para o motor elétrico e um torquímetro,
pá misturadora de quatro palhetas, um quadro de fixação do conjunto e
um computador portátil com o software de gerenciamento do reômetro.
O recipiente contém uma série de hastes verticais em torno do perímetro,
para evitar o escorregamento do concreto ao longo da parede do recipiente
durante o ensaio. O tamanho do recipiente e o comprimento do eixo do
misturador são selecionados com base na dimensão nominal máxima do
agregado. Para este estudo foi selecionado um perfil tipo vane com 4
laminas com diâmetro (d) de 127 mm e altura (h) de 127 mm.

Figura 22: Reômetro ICAR.

(a) (b)
Fonte: (a) Eric Koehler W.R. Grace & Co9.

Os concretos foram vertidos dentro do recipiente de 300 mm de


diâmetro, após decorrido 10 minutos de mistura, até uma altura de 280
mm. Cada composição foi pré-condicionada com uma taxa de
cisalhamento de 0,5 rotações por segundo (rps) por um intervalo de tempo
de 20 s para o breakdown. As medidas de torque foram obtidas para sete

9
(a) Arquivo disponibilizado pelo autor.
85

patamares de rotação em ordem descendente, a cada 5 segundos, entre 0,5


rps até 0,05 rps. As curvas de fluxo (torque e velocidade rotacional) foram
obtidas nos intervalos de 10, 25, 40, 60 e 90 min. Para análise dos
parâmetros reológicos dos concretos no estado fresco foram empregados
os modelos reológicos de Bingham, de Herschel-Bulkley e de Bingham
modificado.
Para o modelo de Bingham, os dados foram ajustados, para cada
tempo de leitura, para uma função linear por meio do método dos
mínimos quadrados para determinar, respectivamente, a inclinação e o
ponto de interceptação da reta (Equação 12). A variável dependente T é o
torque medido pelo reômetro (N.m); GB é uma constante que representa
o ponto de intersecção da reta com eixo do torque (N.m), a qual é
relacionada com a tensão de escoamento; HB é a outra constante que
representa a inclinação da reta (N.m/rps), e está associada com
viscosidade plástica, e, por fim, a variável independente N é a velocidade
rotacional (rps), a qual foi inicialmente pré-estipulada, conforme citado
anteriormente. A tensão de escoamento de acordo com o modelo de
Bingham é referido subsequentemente como a tensão de escoamento
dinâmica, uma vez que este parâmetro reológico é corretamente
caracterizado apenas quando o respectivo material está no estado
estacionário dentro intervalo de velocidade de cisalhamento avaliado
(BILLBERG, 2012).
Com o objetivo de estudar o comportamento reológico pelo
modelo reológico de Herschel-Bulkley, os resultados experimentais no
estado estacionário, para cada tempo, foram ajustados para uma função
não-linear (Equação 13) por meio do método dos mínimos quadrados. A
constante GHB representa o ponto de intersecção da reta com eixo do
torque (N.m), a qual é relacionada com a tensão de escoamento dinâmica;
HHB é a outra constante, a qual é correlata ao índice de consistência
(N.m/rpsJ) e, por fim, a última constante J referente ao índice de
comportamento do fluido. No mesmo sentido, para o modelo de Bingham
modificado (Equação 14) as constantes GBm, HBm, CBm são relacionadas,
respectivamente, com a tensão de escoamento dinâmica (N.m); termo de
primeira ordem (N.m/rps); e o termo de segunda ordem (N.m/rps 2).

𝑇 = 𝐺𝐵 + 𝐻𝐵 𝑁 Equação 12
𝑇 = 𝐺𝐻𝐵 + 𝐻𝐻𝐵 𝑁𝐽 Equação 13
𝑇 = 𝐺𝐵𝑀 + 𝐻𝐵𝑚 𝑁 + 𝐶𝐵𝑚 𝑁 2 Equação 14
86

Os resultados em torque versus velocidade de rotação devem ser


convertidos em termos de unidades físicas fundamentais para não
dependerem de detalhes geométricos do reômetro com o qual eles foram
obtidos (WALLEVIK, WALLEVIK, 2011). Para se determinar tensão de
escoamento dinâmica e a viscosidade plástica pode-se fazer uso da
equação Reiner-Riwlin adaptada para o modelo de Bingham, conforme
as Equações 15 e 16 (HEIRMAN et al., 2008; HEIRMAN et al., 2009;
FEYS et al., 2013). Nota-se que tais equações não fornecem uma
transformação ponto-a-ponto, mas expressam a relação obtida em
unidades fundamentais (FEYS, VERHOEVEN, SCHUTTE, 2008), onde
h é a altura do cilindro submergido de concreto (m), R1 é o raio da pá do
reômetro (m) e R0 é o raio externo da cuba do reômetro (m).
Similarmente, os parâmetros reológicos, em unidade
fundamentais, para os modelos de Herschel-Bulkley e Bingham
modificado foram determinados pelas Equações 17 a 19 e 20 a 22,
respectivamente.

𝐺𝐵 1 1
𝜏0 = ( 2 − 2) Equação 15
𝑅
4𝜋ℎ 𝑙𝑛 ( 0 ) 𝑅𝑖 𝑅0
Bingham 𝑅𝑖

𝐻𝐵 1 1
𝜇𝑝 = ( 2 − 2) Equação 16
8𝜋ℎ 𝑅𝑖 𝑅0

𝐺𝐻𝐵 1 1 1
𝜏0 = ( − ) Equação 17
4𝜋ℎ 𝑅𝑖2 𝑅02 𝑙𝑛 (𝑅0 )
𝑅𝑖
Herschel-Bulkley 𝐻𝐻𝐵 1 1
𝑛
𝑘 = 2𝑛+1 𝑛+1 𝑛𝑛 ( 2 − 2 ) Equação 18
2 𝜋 ℎ 𝑅𝑖 𝑅0

𝑛=𝐽 Equação 19

1 𝐺𝐵𝑚 1 1
𝜏0 = ( − ) Equação 20
4𝜋ℎ 𝑙𝑛 (𝑅0 ) 𝑅𝑖2 𝑅02
Bingham 𝑅𝑖
modificado
𝐻𝐵𝑚 1 1
𝜇= 2
( 2 − 2) Equação 21
8𝜋 ℎ 𝑅𝑖 𝑅0
87

1 1
( 2 − 2)
𝑅𝑖 𝑅0 (𝑅0 − 𝑅𝑖 ) Equação 22
𝑐= 𝐶
8𝜋 3 ℎ (𝑅0 + 𝑅𝑖 ) 𝐵𝑚
Onde:
0 = é a tensão de escoamento dinâmica (Pa);
p = é a viscosidade plástica (Pa.s);
K = é o fator de consistência (Pa.s-1);
n = é o índice do comportamento do fluxo;
 = é o índice de primeira ordem (Pa.s-1), e
c = é o índice de segunda ordem (Pa.s-2).

3.3.1.5. Resistência mecânica à compressão, resistência mecânica à


tração por compressão diametral e módulo estático de
elasticidade à compressão

Para avaliar a resistência à compressão, a resistência à tração por


compressão diametral e o módulo estático de elasticidade à compressão
das misturas de CAAAD, foram moldados corpos de prova cilíndricos de
5 por 10 cm. Embora essas dimensões não sejam normatizadas para
concreto, Zhutovsky e Kovler (2012) estudaram a resistência à
compressão de concretos de alto desempenho, dosados com brita na faixa
de 4,75/12,5, em cubos de 5 cm de face. Cabe destacar que as dimensões
dos agregados não devem ultrapassar o limite estabelecido pela ABNT
NBR 5738 (2003), a qual prescreve que o diâmetro do molde deve ser, no
mínimo, quatro vezes maior que a dimensão nominal máxima do
agregado graúdo do concreto.
Para cada idade de estudo, foram moldados 13 corpos de prova,
dos quais cinco foram destinados ao ensaio de compressão, três para
módulo de elasticidade e outros cinco para resistência à tração. Os corpos
de prova foram moldados em moldes metálicos, conforme a ABNT NBR
5738 (2003), desmoldados com 24 horas e, posteriormente, selados com
filme plástico e armazenados em câmara climatizada até as datas de
rompimento, segundo a ABNT NBR 9479 (2006). Todos os ensaios
mecânicos feitos em uma prensa Shimadzu, modelo UH-2000KNA.
Os ensaios de resistência à compressão foram executados em
conformidade com a ABNT NBR 5739 (2007). A rotina de cálculo e a
validação dos resultados dos módulos de elasticidade estão de acordo com
a ABNT NBR 8522 (2008). As deformações foram obtidas com
transdutor Solartron, modelo VS/10/GU. A carga foi mensurada com o
88

auxílio de uma célula de carga de 50 toneladas. A aquisição de dados foi


feita por meio de um aquisitor de dados Datataker, modelo DT 85. Na
Figura 23, é apresentada a ilustração esquemática do aparato utilizado
para fazer as leituras de deformação para o cálculo do módulo de
elasticidade. O ensaio de resistência mecânica à tração por compressão
diametral foi realizado segundo a ABNT NBR 7222 (2011).

Figura 23: Representação esquemática do aparato para medir o módulo estático


de elasticidade à compressão.

3.3.1.6. Bancada de retração autógena livre

A deformação autógena livre foi obtida por meio de leituras da


deformação linear medida nas extremidades longitudinais de prismas de
concretos propostos no programa experimental. Para alcançar esse
objetivo, foi utilizada uma bancada formada por quatro formas metálicas
cada uma com 10 cm de altura, 10 cm de base e 28,5 cm de comprimento.
As laterais internas e o fundo de cada forma metálica foram revestidos,
inicialmente, com uma dupla camada de um filme plástico.
Propositalmente, a camada dupla foi colocada com excesso em cada
lateral de modo a permitir que fosse dobrado sobre o concreto recém
moldado, com o objetivo de dificultar a saída de água do prisma de
concreto. Entre as duas camadas plásticas foi adicionado um lubrificante
pastoso altamente viscoso à base de ácidos graxos e cálcio, conhecido
comercialmente como “graxa de patente” com o objetivo de reduzir o
atrito lateral entre a fôrma e os prismas.
Posteriormente, as paredes internas das fôrmas metálicas foram
revestidas com placas de poliestireno expandido (isopor) de 1 cm de
89

espessura, exceto no fundo. Para evitar que o concreto aderisse no isopor,


novamente foi colocado uma dupla camada de filme plástico com
excessos nas laterais, a qual era trocada toda vez que se realizava o ensaio
de retração. O isopor foi uma alternativa adotada para evitar ao máximo
o surgimento de esforços contrários ao sentido de deformação dos
prismas, principalmente para as composições com aditivo compensador
de retração. Na Figura 24a, é mostrada a fôrma metálica e na Figura 24b,
um prisma de concreto moldado, com destaque para as paredes laterais
revestidas com isopor.
As duas extremidades da fôrma metálica tinham uma abertura
central de 10 mm de diâmetro. Essa abertura permitiu que fosse colocado,
em ambos os lados, uma barra de aço rosqueada de 5 mm de diâmetro e
80 mm de comprimento. Esse pino rosqueado foi posicionado 30 mm para
dentro da forma metálica, de modo a permitir a conexão entre o prisma
de concreto e o transdutor de deslocamento. Os dois pinos de cada prisma
foram posicionados com auxílio de um gabarito com o objetivo de
garantir a mesma distância livre (L0) para todas as leituras de deformação.
A conexão entre o pino e o transdutor de deslocamento foi feita por meio
de uma porca de 10 mm de comprimento, como mostrado na Figura 24c.
Duas contra porcas sextavadas foram utilizadas para minimizar a folga na
ligação pino/porca/transdutor. Entre a abertura da forma e o pino
rosqueado foi colocado uma espuma vinílica acetinada (EVA), a qual era
retirada após moldagem os prismas, conforme mostrado na Figura 24c.
Dos quatro prismas moldados com o mesmo concreto da bancada,
três foram instrumentados para retração e um para umidade e temperatura.
Como os concretos foram autoadensáveis, a moldagem dos prismas não
necessitou de nenhum processo de compactação. Assim, após a
moldagem, foi colocado mais um filme plástico na face superior do
prisma e feita as quatro dobras de filme plásticos excedentes, citados
anteriormente. As dobras foram feitas intercalando os lados, com a última
aba fixada com fita adesiva à forma. No prisma de sacrifício, foi colocado
um tubo plástico com o fundo tampado no centro da forma metálica já
moldada com concreto, a uma profundidade de 50 mm em relação ao topo
da forma metálica. Quando a mistura apresentava consistência que
impedisse o concreto de subir pelo tubo, era retirado o sistema que
bloqueava o fundo do tubo e colocada a sonda. Nota-se que a sonda não
ficou em contato direto com o concreto, mas teve acesso livre ao ambiente
interno das composições estudadas. Na Figura 24b é mostrado o furo do
prisma de concreto após a retida do tubo guia e da sonda.
90

Figura 24: (a) forma metálica, (b) vista superior da forma metálica moldada
com concreto, em destaque as paredes revestidas com isopor; (c) detalhe da
conexão do pino solidarizado ao concreto e ao transdutor de descolamento.

(a)

(a) (c)

A bancada de retração foi colocada em uma sala com controle de


temperatura de 23 ± 2 °C. A deformação linear foi obtida nas duas
extremidades longitudinais de cada um dos três prismas, por meio de
transdutores de deslocamento da marca Solartron, modelo VS/10/GU. Os
transdutores de deslocamento foram fixados por meios braços articulados
com base magnética. Antes de cada leitura, os transdutores foram
alinhados e postos no mesmo nível dos pinos inicialmente posicionados.
A temperatura e a umidade interna dos concretos foram monitoradas por
uma sonda da marca Vaisala, modelo HMP 155. Todas as leituras de
deslocamento, temperatura e umidade foram gerenciadas por aquisitor de
dados da marca Datataker, modelo DT 85 com auxílio de um
microcomputador de mesa. As leituras de deformação, umidade e
temperatura foram aquisitadas a cada 5 min. Como a alimentação dos
transdutores de deslocamento e da sonda de umidade é em corrente
contínua, foi utilizado uma fonte de correte contínua da marga Agilent,
modelo 6642a. Todos os equipamentos eletrônicos foram alimentados por
uma fonte de energia ininterrupta de 1500 W (Nobreaks), dimensionada
para suportar, aproximadamente, 6 h de leituras. Na Figura 25, é mostrada
a bancada de retração em uso, com os transdutores de deslocamento e os
braços articulados e as sondas de umidade e temperatura. Nota-se que, ao
mesmo, tempo pôde-se instrumentar dois traços de concretos.
91

A deformação autógena de cada prisma foi calculada conforme a


Equação 23. Devido à elevação da temperatura em decorrência reações
exotérmicas da hidratação do cimento, houve a necessidade de corrigir a
leituras de deformação, por um curto intervalo de tempo, segundo
Equação 24.

(𝐿𝑡1 + 𝐿𝑡2 )
𝐿= Equação 23
𝐿0
𝐿𝑡é𝑟𝑚𝑖𝑐𝑜 = 𝛼 × ∆𝑡 Equação 24

Onde:
L: é a deformação autógena, retração ou expansão (m/m);
Lt1 e Lt2: são as leituras de deformação linear obtidas pelos
transdutores de deformação (m);
L0: é o comprimento livre entre os dois pinos colocados nos
prismas (240.10-3 m);
Ltermico: é a deformação térmica (m/m);
: é o coeficiente de dilatação térmica linear (8 x 10-6/ºC); e
t: é a variação térmica observado pelos prismas de concreto (ºC).

O coeficiente de dilatação térmica do concreto () é função dos


materiais constituintes da mistura, como: cimento, agregados, idade de
hidratação, entre outros fatores (Neville, 2016). Zhou et al. (2014)
demostraram que o coeficiente de dilatação térmica do concreto pode
variar entre 7,3 a 12,8 x 10-6/ºC, dependendo do tipo de agregado graúdo
empregado. Cusson e Hoogeveen (2006) estudaram a variação do
coeficiente de dilatação térmico de um concreto de alto desempenho, nas
primeiras idades, com agregado graúdo de calcário. Os autores
observaram que o coeficiente de dilatação variou de 8 a 10 x 10-6/ºC entre
12 a 168 h. Assim, este trabalho assumiu o valor de 8 x 10 -6/ºC para o
coeficiente de dilatação térmica dos concretos, por se tratar de um
resultado encontrado nas primeiras idades para concretos de alto
desempenho. Cabe destacar que deformação térmica foi, relativamente,
pequena, uma vez que a temperatura interna dos concretos subiu, na
média, apenas 3 ºC dentro de um período de 24 horas.
Com a bancada de retração montada, buscou-se obter alguns dados
sobre a repetitividade dos resultados de deformação autógena. Para tal,
alguns concretos foram misturados e instrumentados em datas diferentes,
compondo dois lotes para o mesmo traço, L1 e L2, respectivamente. Nas
92

Figuras 26, 27 e 28, são apresentados os dados de repetitividade para os


concretos ACR25-5, ARR25-1,0 e ARR32-1,5, respectivamente. Cada
ponto refere-se a média das leituras de três prismas. As barras nas figuras
são referentes a ± 1 desvio padrão.

Figura 25: Vista geral da banca de retração.

Figura 26: Repetitividade do ensaio de deformação autógena livre para o traço


de concreto ACR25-5. As barras de cada curva representam ± 1 desvio padrão.
100
ACR25-5 L1
Deformação autógena

0 ACR25-5 L2
(μm/m)

-100

-200

-300

-400
0 24 48 72 96 120 144 168
Tempo (horas)

De modo geral, pode-se observar que os concretos avaliados


apresentam comportamento semelhante para o intervalo de tempo
analisado. A variação das leituras de deformação autógena entre os dois
lotes do traço ACR25-5 (Figura 26), se deu, principalmente, após 30 h,
enquanto para a composição ARR25-5 ocorreu após 78 h (Figura 27). A
93

dispersão entre os lotes da composição ARR25-1,5 se deu de forma


alternada (Figura 28), sem apresentar uma tendência, para o intervalo de
tempo analisado. As composições ACR25-0,5 L1 e ACR25-0,5 L2
apresentaram os maiores valores de coeficiente de variação médio, na
ordem de 40%, enquanto as demais variaram na ordem de 20%.

Figura 27: Repetitividade do ensaio de deformação autógena livre para o traço


de concreto ARR25-0,5. As barras de cada curva representam ± 1 desvio
padrão.
100
ARR25-0,5 L1
Deformação autógena

0 ARR25-0,5 L2
(μm/m)

-100

-200

-300

-400
0 24 48 72 96 120 144 168
Tempo (horas)

Figura 28: Repetitividade do ensaio de deformação autógena livre para o traço


de concreto ARR32-1,5. As barras de cada curva representam ± 1 desvio
padrão.
100
ARR32-1,5 L1
Deformação autógena

0 ARR32-1,5 L2
(μm/m)

-100

-200

-300

-400
0 24 48 72 96 120 144 168
Tempo (horas)

3.3.1.7. Retração autógena restringida – Anel de restrição

O ensaio de retração restringida pelo anel se deu segundo a ASTM


C 1581 (2009). Essa técnica foi utilizada para avaliar a idade de fissuração
94

em concretos sob retração restringida. O ensaio consiste em moldar o


concreto entre dois anéis metálicos concêntricos, conforme mostrando na
Figura 29.
Nota-se que o anel externo serve apenas de fôrma, enquanto que o
anel interno servirá como barreira restritiva de deformação, impedindo a
retração do anel de concreto. Dessa forma, o anel interno é instrumentado,
com strain gauges, com o objetivo de quantificar as deformações sofridas
pelo aço e, conseguinte, do concreto. A idade de fissuração é obtida pelo
acompanhamento da evolução da deformação produzida no anel de aço
induzida pelo anel de concreto, uma vez que, quando houver um alívio na
deformação, admite-se que o concreto fissurou.

Figura 29: Ilustração dos anéis concêntricos para medir a idade de fissuração do
concreto pela restrição à retração.

Strain
Gauge
Anéis s Anel de
Metálico Concreto
s

Um dos principais fatores que pode interferir nas leituras de


retração restringida no anel é o atrito da base com o concreto. Para evitar
ao máximo essa restrição na base, foi colocado na base metálica um duplo
filme plástico. Entre as duas camadas plásticas, foi adicionado um
lubrificante pastoso altamente viscoso à base de ácidos graxos e cálcio.
Para cada traço, foram moldados três anéis de concreto. Cada anel
interno de aço foi instrumentado por 6 strain gauges, os quais foram
fixados em três pares e colados na superfície que não estava em contato
com o concreto. Cada par strain gauges foi posicionado de modo que as
leituras de deformação do anel fossem obtidas no sentido horizontal e
outra no sentido vertical, a meia altura do anel metálico. Tomando como
referência o centro do anel metálico interno, os pares de strain gauges
foram posicionados de modo a formarem entre si um ângulo de 120.
As leituras dos strain gauges se deram em meia ponto (dois strain
gauges ativos). Para que a ponte fosse formada, foram adicionadas ao
circuito mais duas resistências elétricas, cada uma com 120 ohms, para
cada par de strain gauges. Na Figura 30, é mostrada a representação do
circuito em ponte inteira formada por dois strain gauges e mais duas
95

resistências elétricas. Cabe destacar que, o próprio software do aquisitor


de dados permite escolher o tipo de ponte adotada com os, respectivos,
terminais de excitação elétrica e de leitura. A resistência R4 e R3 são os
strain gauges na horizontal e na vertical, respectivamente e R1 e R2 são
as resistências adicionadas sistema para fechar a ponte.
Para o caso de ligação em ponte inteira, no qual as quatro
resistências são idênticas, pode-se assumir a Equação 25. A tensão de
excitação foi provida pelo próprio aquisitor de dados, o qual fez as leituras
de saída, concomitantemente. Nota-se que as deformações 1 e 2 são zero
por não estarem sujeitas a carregamentos, enquanto a subtração 4 - 3
(deformação horizontal – deformação vertical) retira a deformação
promovida pela variação de temperatura no sentido horizontal da leitura.
Os strain gauges utilizados foram da marca TML, modelo
FLA-6-11-1L, com capacidade de leitura de até 6 mm e resistência
elétrica de 120 ohms. A deformação dos anéis metálicos foi medida a cada
5 min e gerenciadas por um aquisitor de dados da marca Datataker,
modelo DT 85, com auxílio de um microcomputador de mesa. Para
garantir um sistema autógeno, logo após a moldagem, as faces superiores
dos anéis de concreto foram seladas por uma película polimérica de base
acrílica. Decorrido 24 horas, o anel metálico externo foi removido e,
imediatamente, pintada a lateral externa do anel de concreto. Cada anel
recebeu duas demãos de impermeabilizante. Na Figura 31: Ensaio de
retração autógena restringida (a) e detalhe da impermeabilização dos anéis de
concreto (b).Figura 31a, é mostrada os três anéis de concreto, já
impermeabilizados. Buscou-se garantir que a base do anel de concreto
fosse devidamente impermeabilizada, como mostrado na Figura 31: Ensaio
de retração autógena restringida (a) e detalhe da impermeabilização dos anéis de
concreto (b).Figura 31b.

Figura 30: Circuito em ponte inteira. R1 e R2 são resistência adicionadas a


ponte, enquanto R3 e R4 são os strain gauges posicionados na vertical e
horizontal, respectivamente.
96

∆𝐸 𝐾
= (𝜀4 − 𝜀3 + 𝜀2 − 𝜀1 ) Equação 25
𝑉 4

Onde:
E: é a tensão de saída (volts);
V: é a tensão elétrica de entrada (volts);
K: é o fator de correção do strain gauges (1,904761905); e
1, 2, 3 e 4: são as deformações de cada resistência elétrica
(m/m).

Figura 31: Ensaio de retração autógena restringida (a) e detalhe da


impermeabilização dos anéis de concreto (b).

(a) (b)

3.3.1.8. Resumo dos ensaios realizados em concreto

Resumidamente, na Tabela 13 são apresentados os ensaios


executados em concreto com o tempo/idade de cada ensaio e número de
amostras. Todos os ensaios no estado fresco foram executados na
Universidade de Austin – Texas. Os ensaios no estado endurecido foram
realizados na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus
Florianópolis/SC.
Os ensaios em concreto, visaram, inicialmente, obter composições
com retração reduzida ou anulada, por meio do uso dos aditivos redutor
ou compensador de retração. Para alcançar tal objetivo, foram avaliados
97

a retração autógena livre e restringida até os 7 dias de idade. Todavia, a


solução adotada para combater a retração autógena não pode alterar as
propriedades no estado fresco de tal ponto que inviabilize o uso. Por
exemplo, pode-se citar alterações no tempo em aberto para usar o
concreto ou aumentar a demanda por aditivos redutores de água, para uma
determinada fluidez. Nesse sentido, os ensaios tecnológicos, assim como
os reométricos buscam caracterizar e qualificar os concretos com aditivos
mitigadores de retração no estado fresco.
Por fim, não menos importante, são as propriedades mecânicas do
concreto no estado endurecido. O concreto avaliado pode não apresentar
retração e apresentar condições satisfatórias de trabalhabilidade.
Entretanto, a redução, por exemplo, da resistência à compressão tem
potencial de inviabilizar o uso dessa solução no concreto.

Tabela 13: Resumo dos ensaios realizados em concreto.


Tempo/idade Nº de
Ensaios
de ensaio amostras
Espalhamento 10 e 90 min. 1
Anel J 10 min 1
Funil V 10 min 1
Segregação 10 min 1
Massa específica 10 min 1
Reometria 10 até 90 min. 1
Retração autógena livre Até os 7 dias 3
Retração autógena restringida - Anel Até os 7 dias 3
Resistência à compressão 3, 7 e 28 dias 5
Resistência à tração 3, 7 e 28 dias 5
Módulo de elasticidade 3, 7 e 28 dias 3

3.3.2. Estudos em pastas

Como a reologia do concreto é relacionada com a aglomeração das


partículas finas, em especial as partículas de cimento, foram realizados
estudos em pastas, a fim de verificar a influência dos aditivos mitigadores
de retração em pasta de cimento Portland nas propriedades do estado
fresco. Destaca-se que foram adotadas as mesmas relações
água/aglomerante (0,25 e 0,32) tanto para pasta como para os concretos.
Nos ensaios reológicos, foram assumidos os mesmos intervalos de leitura
(10, 25, 40, 60 e 90 min). Com relação ao processo de mistura, buscou-se
adotar um procedimento com potencial de simular as condições de
cisalhamento sofrida pela pasta quando estivesse no interior de um
98

concreto sendo misturado. Os estudos em pastas englobaram ensaios


reométricos e de calorimetria isotérmica.

3.3.2.1. Composição das pastas

Conforme citado anteriormente, as pastas foram dosadas com as


mesmas relações a/ag adotados nos concretos e mantida as mesmas
proporções dos aditivos, em relação ao consumo de cimento. O aditivo
redutor de retração foi incorporado às pastas, em substituição da água de
mistura, nos percentuais de 0,5%; 1,0% e 1,5%, em relação a massa de
cimento. O aditivo compensador de retração foi incorporado, em
substituição ao cimento Portland, nos teores de 5%; 10; e 15%, em massa
de cimento Portland.
A consistência das pastas foi fixada pelo ensaio do minislump, para
uma abertura de 120 mm. O teor de aditivo superplastificante foi ajustado
para todas as pastas em função da abertura. Na Tabela 14, é apresentada
a proporção entre os materiais constituintes para as composições de pastas
estudadas.

Tabela 14: Composição teórica dos materiais constituintes para cada mistura de
pasta.
Nº Pastas a/ag Cimento Sílica ativa Água SP ACR* ARR** TA***
(g/l)
1 REF25 0,25 1543 171 419 14 - - 1,2
2 REF32 0,32 1378 153 484 8 - - 0,7
3 ARR25-0,5 0,25 1543 171 412 12 9 - 1,1
4 ARR25-1,0 0,25 1543 171 403 12 17 - 1,1
5 ARR25-1,5 0,25 1543 171 395 11 26 - 0,6
6 ARR32-0,5 0,32 1378 153 477 8 8 - 1,0
7 ARR32-1,0 0,32 1378 153 469 9 15 - 0,9
8 ARR32-1,5 0,32 1378 153 460 9 23 - 0,5
9 ACR25-5 0,25 1466 171 417 16 77 1,2
10 ACR25-10 0,25 1389 171 417 17 154 1,1
11 ACR25-15 0,25 1312 171 416 17 231 1,3
12 ACR32-5 0,32 1309 153 485 7 69 1,0
13 ACR32-10 0,32 1240 153 483 10 138 1,1
14 ACR32-15 0,32 1171 153 483 10 207 1,0
*
ACR – aditivo compensador de retração.
**
ARR – aditivo redutor de retração.
***
TA – teor de ar incorporado nas pastas (%).
99

O minislump consiste em um molde tronco cônico com as


dimensões apresentadas na Figura 32 (HAN; FERRON, 2014). O ensaio
de minislump tem como resultado a média aritmética de duas medidas
perpendiculares do diâmetro da abertura das pastas, em uma superfície
horizontal plana. Um exemplo da realização do ensaio pode ser
visualizado na Figura 33.

Figura 32: Minislump.

Fonte: Han e Ferron (2014).

Figura 33: Ensaio no minislump em pastas

3.3.2.2. Processo de mistura das pastas

As pastas foram preparadas seguindo as recomendações da


ASTM C1738, que prescreve os procedimentos de mistura de pastas de
cimento submetidas à elevada taxa de deformação. Esse procedimento
100

simula um histórico de cisalhamento que haveria no interior de um


concreto sendo misturado.
O misturador utilizado pode ser visualizado na Figura 34. Além do
misturador, o equipamento dispunha de um sistema regulador de
temperatura, a qual permitia a realização da mistura a 23ºC.
Resumidamente o procedimento prescrito pela norma consiste em:
• Adicionar a água ao recipiente do misturador e iniciar agitação de
4000 rpm;
• Esperar até que o conjunto atinja a temperatura adequada para o
ensaio;
• Iniciar a colocação dos materiais secos, sem desligar o misturador.
Essa operação deve ser concluída em aproximadamente 60 segundos
• Assim que todo o material seco for adicionado, aumentar a
velocidade de mistura para 10 000 rpm, e manter durante 30
segundos;
• Desligar o misturador por 150 segundos (período de repouso). Nos
primeiros 15 segundos, raspar as laterais do recipiente;
• Adicionar o aditivo durante o período de repouso; e
• Misturar por 30 segundos na velocidade de 10 000 rpm.

Figura 34: Misturador empregado na confecção de pastas, prescrito pela ASTM


C1738.

3.3.2.3. Ensaios reológicos

Os testes reológicos foram conduzidos com o reômetro rotacional


Anton Paar MCR 301 (Figura 35a). O equipamento foi configurado com
uma geometria vane, de quatro lâminas, com 22 mm de diâmetro (largura)
e 40 mm de altura (Figura 35b). O vane foi selecionado para evitar
101

deslizamento na parede (SAAK, JENNINGS, SHAH, 2001), o que


poderia implicar em erros nas leituras. Cabe destacar que o reômetro de
concreto empregado neste trabalho (ICAR), também possuía a geometria
vane. O diâmetro do copo era de 28,9 mm e a temperatura do sistema foi
mantida a 23 ± 1.0°C por meio de um sistema Peltier.

Figura 35: (a) reômetro; (b) geometria usada no ensaio reológico das pastas.

40 mm

(a) (b)

A rotina no reômetro de pasta foi configurada de modo a conseguir


se obter o perfil reológico para cada composição de pasta estudada. Desta
forma, a rotina do reômetro foi a seguinte:

• Pré-cisalhamento na taxa de 50 s-1 durante 60 s;


• Período de repouso de 30 s;
• Curva de aceleração e desaceleração, em nove patamares de
30 s cada: 10, 20, 30,40, 50, 40, 30, 20 ,10 s-1.

Em cada patamar de 30s, o reômetro de pasta realizava 60 leituras


de tensão de cisalhamento. Posteriormente, para cada patamar era feita
uma média aritmética das últimas 10 leituras, para garantir que os valores
médios de tensão fossem obtidos no estado estacionário do fluxo. Os
dados da curva de fluxo descendente foram ajustados pelos modelos de
Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado, conforme Equações
26, 27 e 28, respectivamente.

𝜏 = 𝜏0 + 𝜇𝑝 𝛾̇ Equação 26
𝑛
𝜏 = 𝜏0 + 𝑘. 𝛾̇ Equação 27
102

𝜏 = 𝜏0 + 𝜇𝑝 . 𝛾̇ + 𝑐. 𝛾̇ 2 Equação 28

Onde:
: é a tensão cisalhamento (Pa);
0: é a tensão de escoamento (Pa);
p: é a viscosidade plástica (Pa.s);
: é a taxa de cisalhamento (s-1);
k: índice de consistência (Pa.sn), e
c: é constante de segunda ordem (Pa.S2).

Para cada mistura, foram realizados dois ensaios reológicos para


os intervalos de 10, 20 40 60 e 90 min. a fim de verificar a influência do
tempo nas propriedades reológicas. O recipiente (copo) do reômetro era
preenchido com 40 ml de pasta, posicionado no equipamento e iniciado o
ensaio que durava certa de 7 minutos. Após a execução da rotina do
primeiro ensaio reológico, a amostra utilizada era descartada. A nova
amostra de pasta era protegida para evitar a saída de água até o momento
do próximo ensaio. Três minutos antes de iniciar o ensaio, a amostra era
agitada manualmente durante aproximadamente 30 s.

3.3.2.4. Ensaios de calorimetria de condução

O ensaio de calorimetria de condução foi realizado em pasta de


cimento, para as composições apresentadas na Tabela 14. A cinética de
reação do cimento Portland na presença dos aditivos redutor de retração
e compensador de retração foi avaliada por meio de calorimetria de
condução de pastas. O perfil de liberação de calor na hidratação do
aglomerante foi monitorado por 26 h de hidratação, em calorímetro de
condução isotérmico Thermometric TAM AIR de oito canais, com
sistema informatizado de aquisição de dados, com frequência média de
leitura a cada 30 s. Esses ensaios foram realizados no Laboratório de
Nanotec-lab, Departamento de Engenharia Civil, da Universidade Federal
de Santa Catarina.
Os ensaios foram realizados com uma porção de aproximadamente
12 g de pasta, para todas as 14 pastas definidas no programa experimental.
Durante todo o período de aquisição de dados, a temperatura do
equipamento foi mantida constante a 23°C. As pastas foram misturadas
e, logo em seguida, foi retirada uma amostra para o calorímetro. O
registro dos dados de calor liberado deu-se, em média, após 12 min do
contato da água com os materiais secos. Dessa forma, não foi possível
103

quantificar o calor liberado para os primeiros minutos de reação,


atribuído, conforme Mostafa e Brown (2005), à molhagem dos grãos;
solubilização dos aluminatos e sulfatos; hidratação da cal livre; formação
de etringita e; caso haja, hemidratos (CaSO 4.0,5H2O) no cimento, sua
hidratação se processará para formação de gipsita dihidratada
(CaSO4.2H2O).
Com os ensaios de calorimetria, podem-se obter dois tipos de
curvas em função do tempo: fluxo de calor ou taxa de calor liberado e
calor total liberado ou calor de hidratação. Para ambos os casos, os valores
são dados por unidade de massa de aglomerante. As curvas permitiram a
determinação dos seguintes resultados, por meio dos critérios
apresentados a seguir, conforme Mostafa; Brown (2005) e Betioli et al.
(2009):
• Duração do período de indução;
• Calor total liberado em dado momento do ensaio.
Assumiu-se, neste trabalho, que o período de indução começa logo
após a adição de água nos materiais secos (ainda no misturador de pastas),
se estendendo até as leituras no calorímetro. Sendo assim, o ponto final
de indução foi a intersecção das extrapolações do seu trecho horizontal e
da linha de regressão do período de aceleração da taxa de liberação de
calor, conforme é mostrado na Figura 36, representado pelo cruzamento
das duas retas. Na mesma figura, a inclinação da curva de ascensão, é o
próprio coeficiente angular da reta. A taxa máxima de liberação de calor
é obtida pela leitura direta nos dados.

Figura 36: Representação esquemática da curva Taxa de liberação de calor em


função do tempo e critérios para determinação das variáveis.

Fonte: Adaptada de Betioli (2009).


104

3.3.2.5. Resumo dos ensaios realizados em pasta

Os ensaios realizados em pastas tiveram o objetivo de subsidiar as


hipóteses levantadas nas análises em concreto. Essa abordagem foi
facilitada, uma vez que as composições de concreto foram produzidas
com volume de pasta e fração volumétrica dos agregados relativamente
constantes.
O comportamento reológico do concreto pode ser ponderado, em
uma análise relativamente simples, pelas propriedades reológicas da pasta
em conjunto com a fração volumétrica dos agregados. Logo, as tendências
observadas nos ensaios reométricos dos concretos podem, em um
primeiro instante, estar relacionadas às variações nas propriedades de
fluxo da própria pasta. Assim, as análises em pastas podem dar suporte
para explicar as tendências observadas nos ensaios reométricos em
concreto. As calorimetrias de condução das pastas servem ao propósito
de avaliar a cinética de hidratação da fase aglomerante, nas primeiras
horas. Notadamente, variações do período de indução e calor total
liberado estão atrelados a interação do cimento Portland, sílica ativa e os
aditivos redutor e compensador de retração. Na Tabela 15, são
apresentados os ensaios realizados em pasta.

Tabela 15: Resumo dos ensaios realizado em pasta.


Duração/intervalo de Nº de
Ensaios
temo do ensaio amostras
Calorimetria de condução 26 horas 1
Análise reológica 10, 25, 40, 60, 90 min 2

3.3.3. Análise dos resultados

Com base nos resultados obtidos experimentalmente em


laboratório, englobando as etapas de composição de pastas e concretos,
foram realizados os seguintes tratamentos estatísticos para uma
significância de 5%:

• Regressão linear, e
• Projeto de experimentos (experimentos fatoriais): análise de
variância (ANOVA).
105

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

São apresentados, neste capítulo, os resultados obtidos tanto em


concretos como em pastas de cimento, dosados com os aditivos redutor e
o compensador de retração, mais as composições referência. Neste
capítulo, optou-se por apresentar primeiramente os resultados obtidos em
pasta para os ensaios de calorimetria de condução isotérmica e reológicos.
Na sequência do texto, foram unidos os resultados dos ensaios
tecnológicos e reológicos, ambos obtidos em concreto, na seção 4.3
Estado fresco. Os demais ensaios, a saber, retração livre, retração
restringida e propriedades mecânicas dos concretos, serão abordados em
seções especificas, neste texto. Sempre que possível, serão inseridos os
resultados de pasta no contexto dos ensaios em concretos com o objetivo
de alcançar um entendimento do efeito dos aditivos mitigadores de
retração nas propriedades do concreto.
A exposição dos resultados obtidos em cada capítulo foi dividida
em duas partes: apresentação dos resultados, os quais são descritos na
forma de textos, gráficos e tabelas; e discussões sobre os resultados,
buscando atribuir explicações ao comportamento e à tendência dos dados
junto à literatura do assunto.

4.1. Calorimetria de condução isotérmica das composições de pastas


com os aditivos redutor e compensador de retração e misturas
referência

Com relação às pastas, cabe relembrar que foram mantidas as


mesmas relações a/ag em massa, o teor e o tipo de ativo mitigador de
retração usados nos concretos. Consequentemente, as misturas de pasta
ficaram com a mesma nomenclatura das misturas de concreto, visando
facilitar o entendimento dos resultados.
As curvas de calorimetria de condução de todas as pastas
estudadas, referentes à taxa de liberação de calor por grama de
aglomerante, são apresentadas no Apêndice, nas Figuras 98 a 101.
Notadamente, a incorporação dos aditivos redutor e compensador de
retração interferiram no perfil de liberação calor durante o processo de
hidratação da porção aglomerante das pastas. Na Figura 37, é apresentado
o período de indução de cada mistura. O período de indução para a
mistura REF32 (5,6 h) foi 18,8% menor que a pasta REF25 (6,9 h). Pode-
se observar que o período de indução das pastas com aditivo redutor de
retração aumentou quando comparado com o das misturas referência,
exceto a composição ARR32-0,5 (5,5 h), a qual apresentou uma redução
106

de 1,8%. Nota-se ainda que o tempo de indução foi influenciado pelo teor
de aditivo redutor incorporado nas misturas, independentemente da
relação a/ag. Por exemplo, para as pastas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), o
período de indução aumentou para 7,3; 8,0; e 8,9 h, respectivamente.
As composições com aditivo expansor apresentaram um
comportamento contrário às pastas com ARR, ou seja, foi observada uma
redução no período de indução em relação às misturas de referência
(Figura 37). A pasta ACR32-1,5 apresentou o menor valor para o período
de indução (4,1h), consequentemente obteve a maior redução para esse
parâmetro (-26,8%), quando comparada com a mistura REF32. Nota-se
que o período de indução foi influenciado pelo teor de aditivo
compensador incorporado na mistura, porém, esse comportamento é mais
evidente nas pastas com relação a/ag 0,25.

Figura 37: Período de indução obtido por meio de calorimetria de condução


isotérmica das pastas ARR (0,5; 1,0; 1,5) e ACR (5; 10; 15) e misturas
referência para as relações a/ag 0,25 e 0,32.
10
Período de indução (h)

2
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
0,25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

Nas Figuras 102 a 105, apresentadas no Apêndice, são mostradas


as curvas de calor total liberado por grama de aglomerante. Novamente,
observa-se que a incorporação dos aditivos redutor e compensador de
retração interferiu no perfil de liberação calor durante o processo de
hidratação da porção aglomerante das pastas. O calor total liberado por
cada composição de pasta com os aditivos mitigadores de retração e as
misturas de referência é mostrado na Figura 38. Entre as misturas de
referência, a pasta REF32 (196 J) liberou mais calor que a mistura REF25
(181 J).
As pastas com aditivo redutor de retração tiveram valores de calor
total liberado menores que os apresentados pelas misturas de referência,
107

exceto a composição ARR32-5, a qual teve um aumento de 2,3%. A


redução no calor total liberado variou em função do teor de aditivo redutor
adicionado na pasta. O calor total liberado foi maior para as pastas com
aditivo compensador de retração, exceto para as pastas ACR25-15
(-2,6%) e ACR32-15 (-1,1%) quando comparadas com as pastas de
referência. Entretanto, pode-se observar que o calor total liberado foi
reduzindo em função do aumento do teor de aditivo compensador. Por
exemplo, o calor total liberado pelas pastas ACR25 (5; 10; e 15%) foi de
161, 147 e 129 J, respectivamente.

Figura 38: Calor total liberado na hidratação de pastas ARR (0,5; 1,0; 1,5) e
ACR (5; 10; 15) e misturas referência para as relações a/ag 0,25 e 0,32 até 26
horas.
220
Calor total liberado (J)

190

160

130

100
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
0,25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

De modo geral, pode-se observar que o período de indução foi


menor, enquanto que o calor total liberado foi maior para as pastas com
relação a/ag de 0,32 em relação às pastas 0,25. Na pasta REF32, pôde-se
observar claramente um segundo pico pós-período de indução, enquanto
que na mistura REF25 esse pico foi suavizado, conforme demarcado na
Figura 39. Essa aceleração na liberação de calor deve-se à retomada da
hidratação do C3A e à consequente formação secundária de etringita
(SCRIVENER et al., 2015). Para as pastas com aditivos redutor e
compensador de retração, pode-se observar que o pico secundário foi
reduzido, quando aumentado o teor de aditivo incorporado. Foi reportada
anteriormente a possibilidade de o aditivo redutor de retração interferir na
solubilização do C3A pela redução de íons alcalinos na solução. Com
relação ao aditivo compensador, essa diferença pode estar relacionada ao
efeito de diluição, uma vez que o aumento do teor reduz o percentual de
108

C3A na porção aglomerante (cimento Portland, sílica ativa, aditivo


compensador).

Figura 39: Taxa de calor liberado obtido por calorimetria isotérmica de


condução para as pastas REF25 e REF32.
5
Taxa de calor liberado

REF25 Formação
4 REF32 secundaria
3 de etringita.
(mW/g)

2
1
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)

Conforme resultados publicados por Sant et al. (2011), o período


de indução de pastas, assim como o calor total liberado, é menor quando
incorporado nas misturas aditivo redutor de retração. Segundo os autores,
o retardo na hidratação do cimento pode resultar em um grau de
hidratação de 43% para um período de 48 h, avaliado por calorimetria
isotérmica. Esse valor é cerca de 5% mais baixo que a mistura referência
(sem aditivo redutor).
Com relação ao aditivo compensador, os resultados de calorimetria
estão alinhados com os publicados por Saoût et al. (2013), que estudaram
a influência do aditivo à base de sulfoaluminato de cálcio em pastas de
cimento Portland. Os resultados demostram que o período de indução é
reduzido quando incorporado o aditivo compensador nas pastas, assim
como é aumentado o platô durante o referido período.

4.2. Comportamento reológico de pastas com aditivos mitigadores de


retração

Os resultados de tensão de cisalhamento (Pa) por taxa de


cisalhamento (s-1) para as misturas com relação a/ag de 25 e 0,32 são
mostrados no Apêndice, nas Figuras 106 e 107. Os mesmos intervalos de
tempo adotados no programa experimental dos concretos foram adotados
para as pastas (10, 25, 40, 60 e 90 min). Diferentemente do que ocorreu
no estudo reológico em concretos, os dados obtidos em pastas não
precisaram passar por nenhuma rotina de conversão para a obtenção de
109

resultados em unidades fundamentais. Para a análise do comportamento


reológico das pastas, também foram usados os modelos de Bingham,
Herschel-Bulkley e Bingham modificado. As pastas não apresentaram
diferenças significativas entre os modelos. Assim, serão discutidos
apenas os dados ajudados para o modelo de Bingham, embora, no
Apêndice, nas Tabelas 26 e 27, sejam mostrados os parâmetros reológicos
ajustados para os três modelos citados.
A variação da tensão de escoamento dinâmica ao longo do tempo,
obtida em pastas com relação a/ag 0,25, é mostrada na Figura 40. Nota-
se que, nas misturas com aditivos mitigadores de retração, a tensão de
escoamento dinâmica variou de 84,9 (ARR25-1,0) a 108 Pa
(ARR25-0,5), enquanto a mistura REF25 obteve o valor de 61,9 Pa. Nas
pastas ACR25-10 (153,6 Pa) e ACR25-15 (179,7 Pa) foram obtidos os
maiores valores de tensão de escoamento aos 90 min e apresentaram os
maiores aumentos ao longo do tempo, 66,6 e 91,0 Pa, respectivamente.
Os valores do coeficiente de determinação obtidos pelo ajuste linear de
Bingham para composições 0,25 variaram de 0,998 a 0,991, conforme
mostrado na Tabela 16.

Figura 40: Tensão de escoamento dinâmica segundo modelo de Bingham obtida


para as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e
REF25 ao longo do tempo.
250 ARR25-0,5 B ARR25-1,0 B
Tensão de Escoamento

ARR25-1,5 B ACR25-5 B
200 ACR25-10 B ACR25-15 B
REF25 B
dinâmica (Pa)

150

100

50

0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Na Figura 41, são mostrados os valores de tensão de escoamento


dinâmica das composições de pasta com relação a/ag 0,32 ao longo do
tempo. Ao contrário das pastas 0,25, as misturas 0,32 apresentaram
nítidas variações da tensão de escoamento dinâmica aos 10 min, em
função do tipo de aditivo mitigador de retração. As misturas ARR32 (0,5;
1,0; 1,5) obtiveram valores de tensão de 133,9; 133,9; e 144,7 Pa,
110

respectivamente, enquanto as misturas ACR32 (5; 10; 15) alcançaram


valores menores (66,1; 79,1; e 71,7 Pa, respectivamente). No entanto, as
misturas ACR32 (5; 10; 15) obtiveram os maiores incrementos na tensão
até 90 min (77,4; 102,4; e 135,3 Pa). O coeficiente de determinação para
as pastas ARR32 variou de 0,959 a 0,920, e as misturas ACR32 variaram
de 0,983 a 0,944, como mostrado na Tabela 17.

Tabela 16: Coeficiente de determinação (R²) obtido pelo ajuste linear (modelo
de Bingham) em pastas com relação a/ag de 0,25.
Tempo REF ARR25 ACR25
(min) 0,25 0,5 % 1,0 % 1,5 % 5% 10 % 15 %
10 0,998 0,997 0,998 0,998 0,996 0,997 0,996
25 0,995 0,993 0,996 0,996 0,993 0,993 0,994
40 0,993 0,992 0,995 0,997 0,992 0,992 0,994
60 0,994 0,992 0,995 0,996 0,993 0,993 0,992
90 0,991 0,993 0,995 0,995 0,993 0,993 0,994

Figura 41: Tensão de escoamento dinâmica segundo modelo de Bingham obtida


para as misturas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e
REF32 ao longo do tempo.
250 ARR32-0,5 B ARR32-1,0 B ARR32-1,5 B
ACR32-5 B ACR32-10 B ACR32-15 B
Tensão de Escoamento

200 REF32 B
dinâmica (Pa)

150

100

50

0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

A variação ao longo do tempo da viscosidade plástica das pastas


com relação 0,25 é apresentada na Figura 42. Nas pastas com os aditivos
redutor e compensador de retração observou-se que a viscosidade, medida
aos 10 min, variou de 2,8 Pa.s (ARR25-0,5) a 3,4 Pa.s (ACR25-5 e
ACR25-15). A mistura REF25 obteve valor de 2,0 Pa.s, também aos 10
min. Pôde-se observar que nas misturas ACR32 (5%; 10%; 15%), foram
111

obtidos os maiores valores de viscosidade aos 90 min, 4,7; 5,1; e 5,7 Pa.s,
respectivamente, conforme mostrado na Figura 43. Ao mesmo tempo, as
mesmas misturas obtiveram os maiores aumentos na viscosidade entre 10
e 90 min, 1,2; 2,0 e 2,3 Pa.s, respectivamente.

Tabela 17: Coeficiente de determinação (R²) obtido pelo ajuste linear (modelo
de Bingham) em pastas com relação a/ag de 0,32.
Tempo REF ARR32 ACR32
(min) 0,32 0,5 % 1,0 % 1,5 % 5% 10% 15%
10 0,997 0,920 0,929 0,924 0,983 0,979 0,983
25 0,993 0,947 0,959 0,948 0,977 0,975 0,976
40 0,992 0,944 0,949 0,946 0,973 0,968 0,968
60 0,991 0,943 0,947 0,943 0,973 0,964 0,957
90 0,988 0,939 0,952 0,941 0,967 0,954 0,944

A pasta ARR25-1,0 foi a que obteve a menor variação de


viscosidade plástica (0,8 Pa.s) entre as composições 0,25, entre 10 e
90 min. De modo geral, as pastas com relação 0,32 comportaram-se de
maneira semelhante às pastas 0,25 no que refere à viscosidade plástica. A
única exceção foi a mistura REF32, a qual apresentou valores próximos
às misturas com aditivo redutor de retração, enquanto a mistura REF25
obteve os menores valores de viscosidade plástica ao longo do tempo para
as composições 0,25.

Figura 42: Viscosidade plástica segundo modelo de Bingham obtida para as


misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 ao
longo do tempo.
6
Viscosidade plástica

4
(Pa.s)

2
ARR25-0,5 B ARR25-1,0 B ARR25-1,5 B
ACR25-5 B ACR25-10 B ACR25-15 B
REF25 B
0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)
112

Embora não se tenha trazido à discussão os ajustes para os modelos


não lineares de Herschel-Bulkley e Bingham modificado, cabem algumas
observações a respeito da relação entre o índice de consistência e a razão
c/ obtidos nas composições de pastas com relação a/ag 0,25 e 0,32,
conforme mostrado na Figura 44. Nota-se que, independentemente do
tempo, existe um comportamento espelhado para um valor de índice de
consistência igual a 2. Para o intervalo 1,17  n  2, o aumento do índice
de consistência promoveu, concomitantemente, um aumento dos valores
da relação c/. O mesmo comportamento foi observado para o intervalo
2  n  2,53. Assumindo o modelo proposto por Feys et al. (2006) para
correlacionar a razão c/ com o índice de consistência (Equação 29), em
que a é uma constante ajustada pelos dados experimentais. Pode-se fazer
um ajuste por mínimos quadrados para a Equação 29, representado pela
linha cinza tracejada, na Figura 44. O valor da constante a é 26,94 para
95% de confiabilidade e um coeficiente de determinação de 0,979.

𝑐 1 (𝑛 − 1)
= × Equação 29
𝜇 2. 𝑎 (2 − 𝑛)

Figura 43: Viscosidade plástica segundo modelo de Bingham obtida para as


pastas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32, ao
longo do tempo.
6
ARR32-0,5 B ARR32-1,0 B ARR32-1,5 B
Viscosidade plástica

ACR32-5 B ACR32-10 B ACR32-15 B


REF32 B
4
(Pa.s)

0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Pôde-se constatar que existem poucos estudos reológicos


abordando pastas com aditivos redutor e compensador de retração. Com
relação a pastas com adição de aditivo compensador de retração, pode-se
citar dois trabalhos, realizados por García-Maté et al. (2012) e García-
Maté et al. (2013). Entretanto, devido ao tipo de abordagem dada nos
113

estudos citados, ficou inviabilizada a comparação dos resultados


divulgados pelos autores com os obtidos neste trabalho.

Figura 44: Correlação entre índice de consistência e a razão c/ obtida para as
composições de pastas 0,25 e 0,32 com aditivos redutor e compensador de
retração mais as misturas de referências ao longo do tempo.
0,9
10 min 25 min
0,6 40 min 60 min
90 min Ajuste
Relação c/

0,3

0,0

-0,3

-0,6
1,0 1,3 1,6 1,9 2,2 2,5
Índice de consistência - n

4.3. Estado fresco das composições de concreto

A seguir, serão apresentados os resultados obtidos para os ensaios


tecnológicos no estado fresco (espalhamento, funil-V e anel-J), assim
como os resultados dos ensaios reométricos, ambos em concreto.

4.3.1. Composição e resultados dos ensaios tecnológicos no estado


fresco dos concretos autoadensáveis de alto desempenho -
CAAAD

A proporção entre os materiais constituintes, calculadas pela massa


específica, são apresentadas na Tabela 18. Nota-se que todos os traços
inicialmente partiram com o mesmo consumo de agregados miúdo e
graúdo, como foi mostrado na Tabela 12. Entretanto, o consumo dos
agregados graúdo e miúdo variou entre 912 e 905 kg/m³ e 506 e 502
kg/m³, respectivamente.
De modo geral, o consumo de todos os materiais constituintes foi
reduzido em relação ao proporcionamento inicial, apresentado no
programa experimental, mas manteve-se as respectivas proporções entre
cada constituinte, respeitando, por exemplo, a relação a/ag das misturas.
As alterações nos traços decorrem, principalmente, do teor de ar
incorporado obtido em cada composição de concreto, durante o processo
114

de mistura. Na Figura 45, são apresentados os teores de ar incorporado


das misturas estudadas. Observa-se que o teor de ar incorporado ficou
abaixo de 1% para todas as composições. Esse resultado sugere que os
aditivos redutor e compensador de retração não interferiram nessa
propriedade.

Tabela 18: Consumo real dos materiais constituintes para cada composição de
concreto produzido.
Nº Concreto a/ag Cimento Sílica Areia Brita Água Sp ACR ARR
(kg/m³)
1 REF25 0,25 693 77 502 905 193 8,7
2 REF32 0,32 622 69 505 910 221 4,4
3 ARR25-0,5 0,25 694 77 503 906 189 8,2 3,5
4 ARR25-1,0 0,25 696 77 504 909 186 7,3 7,0
5 ARR25-1,5 0,25 697 77 505 910 183 7,2 10,5
6 ARR32-0,5 0,32 622 69 505 910 218 5,2 3,1
7 ARR32-1,0 0,32 622 69 505 911 215 4,8 6,2
8 ARR32-1,5 0,32 623 69 506 912 212 4,3 9,4
9 ACR25-5 0,25 659 77 502 905 193 9,2 34,7
10 ACR25-10 0,25 624 77 502 905 193 9,2 69,3
11 ACR25-15 0,25 589 77 502 905 192 10,2 103,9
12 ACR32-5 0,32 591 69 505 910 221 4,5 31,1
13 ACR32-10 0,32 559 69 504 909 221 4,9 62,1
14 ACR32-15 0,32 528 69 504 909 221 5,2 93,1

Figura 45: Variação entre os valores dos teores de ar incorporado obtida nas
composições de CAAAD com e sem aditivos mitigadores de retração.
1,0
Ar incorporado (%/m³)

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

Os valores de ar incorporado, inicialmente, podem ser


considerados baixos quando comparados com resultados obtidos em
115

CAA, os quais podem variar ente 1 e 2% (HEIRMAN et al., 2009).


Quando se analisa resultados de CAAAD, essa faixa torna-se maior.
Kostrzanowska-Siedlarz e Jacek Gołaszewski (2015) estudaram 76 casos
de CAAAD e concluíram que o teor de ar incorporado médio para essas
misturas foi de 3,6%. Cabe destacar que em algumas composições de
CAAAD, com consumo de água variando entre 194,3 e 213,8 kg/m³, o
teor de ar incorporado obtido foi de 1,1% (KOSTRZANOWSKA-
SIEDLARZ; JACEK GOŁASZEWSKI, 2015). Esses resultados indicam
que o teor de ar incorporado é um parâmetro variável em função dos
materiais constituintes, do tempo de mistura e do tipo de misturador, entre
outros fatores (NEVILLE, 2016). Logo, pode-se considerar os resultados,
referentes ao ar incorporado, válidos, embora não sejam valores
rotineiramente encontrados na literatura.
Na Figura 46, constam os resultados referentes à segregação
estática obtida pelo teste de penetração (ASTM C 1712-09). Pode-se
observar que apenas as misturas ARR25-1,5 (12 mm) e ACR25-15 (16
mm) obtiveram valores de segregação estática maiores que 10 mm.
Conforme ASTM C 1712-09, quando a penetração do aparato for menor
que 10 mm, pode-se dizer que a mistura é resistente à segregação. Quando
a profundidade de penetração varia entre 10 e 25 mm, diz-se que a mistura
apresenta uma resistência moderada. Nesse sentido, assume-se que as
composições estudadas de CAAAD atenderam ao critério de segregação
estática especificado pela ASTM C 1712-09.
Notadamente, a incorporação dos aditivos redutor e compensador
de retração não influenciou nos resultados de segregação estática. Quando
analisado os resultados dos ensaios de segregação com os demais ensaios
do estado fresco, os quais serão abordados na sequencia deste texto, nota-
se que essa propriedade foi influenciada apenas pela abertura dos
concretos, medida pelo ensaio de espalhamento. Embora tenha-se
admitido que o espalhamento era um parâmetro fixo, os valores variaram
dentre de uma faixa de aceitação, o que permitiu fazer a afirmação, citada
anteriormente. Na Figura 47, é apresentada a correlação entre os valores
de segregação e espalhamento dos concretos, com destaque para os dois
concretos que obtiveram valores de segregação superiores a 10 mm.
Embora o coeficiente de determinação (0,674) não seja alto para o ajuste
linear, utilizando análises estatísticas (regressão linear) por meio da
divisão entre a constante da reta e o desvio padrão da inclinação
(distribuição T-student), pôde-se concluir que existe uma relação
significativa entre os resultados de segregação e espalhamento, com 95%
de confiabilidade.
116

De modo geral, era esperado que as misturas não apresentassem


segregação. Quando se propõe um concreto com alto teor de aditivo
superplastificante, elevado consumo de cimento e adição de sílica ativa,
se produz uma pasta de cimento altamente viscosa com elevada fluidez.
Consequentemente, a mistura produzida com essa pasta tende a apresentar
elevada resistência à segregação, para as condições impostas pelo ensaio
de segregação da ASTM C 1712-09. Obviamente, o emprego de teores
excessivos de superplastificante pode levar a mistura a apresentar
segregação, entre a argamassa e o agregado graúdo.

Figura 46: Variação entre os valores de segregação estática obtida nas


composições de CAAAD com e sem aditivos mitigadores de retração.
18
Segregação estática (mm)

15
12
9
6
3
0
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

Inicialmente, foi proposto que os concretos seriam aceitos se o


resultado do ensaio de espalhamento de cada mistura estivesse entre 66
cm e 75 cm e, assim, considerá-los pertencentes à mesma classe (SF2),
conforme é especificado pela ABNT NBR 15823 (2010). No entanto,
algumas misturas foram aceitas com o valor de 65 cm, abaixo do limite
inferior de 66 cm, conforme mostrado na Figura 48.
Ainda que todas as misturas tivessem, inicialmente, potencial para
alcançar valores no intervalo de 70 ± 2 cm de espalhamento, sem prejuízo
da estabilidade dos constituintes da mistura, nos ensaios subsequentes de
reologia, ocorria a segregação do agregado graúdo. Essa segregação dava-
se, principalmente, pela geometria e pelo movimento das pás do reômetro.
Nesse sentido, optou-se por aceitar valores de espalhamento de 65 cm e
evitou-se valores próximos de 75 cm, o qual era inicialmente o limite
superior estipulado. Conforme pode ser visto na Figura 48, os resultados
dos ensaios de espalhamento variaram entre 65 cm e 71 cm. As duas
117

linhas tracejadas demarcam os limites da classe SF2, enquanto que a linha


contínua corresponde ao valor médio de abertura (68 cm) dos concretos.

Figura 47: Correlação entre os valores de segregação estática e os valores de


espalhamento obtida nas composições de CAAAD com e sem aditivos
mitigadores de retração. Os pontos marcados na figura são referentes aos
concretos ARR25-1,5 e ACR25-15.
18
Sregregação estática (mm)

y = 1,634x - 105,93
R² = 0,674
12

0
64 65 66 67 68 69 70 71 72
Espalhamento (cm)

Figura 48: Variação entre os valores de abertura para o ensaio de espalhamento


com 10 e 90 minutos após a mistura, e a variação do teor de superplastificante
para os CAAAD.
80 15
Espalhamento - 10 min Espalhamento - 90 min

Consumo de superplastificante
Superplastificante %
75 12
Espalhamento (cm)

70
9 (kg/m³)
65
6
60

55 3

50 0
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

Como o objetivo de avaliar a perda de consistência ao longo do


tempo, foi realizado o ensaio de espalhamento, novamente, decorridos 90
minutos, após o início do processo de mistura. Pode-se perceber que todos
os concretos apresentaram perda de fluidez após 90 minutos, como
mostrado na Figura 48. De modo geral, as composições com aditivo
compensador foram as que apresentaram as maiores reduções nos
118

resultados de espalhamento no intervalo de tempo citado. Os concretos


ACR32 (5; 10 e 15%) tiveram, por exemplo, reduções nos valores de
espalhamento de 16,0; 16,0; e 19,1%, respectivamente. Já os concretos
ARR32 (0,5; 1,0 e 1,5%) obtiveram reduções de fluidez
significativamente inferiores, 0,1%; 0,1%; e 4,3%, respectivamente. Os
concretos de referência REF25 e REF32 apresentaram reduções de 10,9%
e 9,1%, respectivamente. Cabe destacar que, entre as composições
estudadas, apenas a mistura ACR25-10, com abertura de 52 cm após 90
minutos, não pôde ser enquadrada como concreto autoadensável. Essa
afirmação é sustentada no limite inferior estabelecido pela ABNT NBR
1582 (2010), referente à classe de espalhamento SF1.
Como pôde ser visto na Tabela 18 e na Figura 48, o consumo de
superplastificante (kg/m³) variou para cada mistura de concreto. Nas
composições com relação a/ag de 0,25 foram obtidos os maiores
consumos de superplastificante pelo fato de apresentarem a menor relação
água/materiais secos (9,2% a 9,3%) quando comparadas com as
composições com a/ag de 0,32 (10,7%). Na mistura REF32 foi observado
uma redução no consumo de superplastificante em relação à mistura
REF25, de -49,5%. Nota-se também o progressivo aumento do consumo
de superplastificante dos concretos em função do teor de incorporação do
aditivo compensador. Por exemplo, as misturas ACR32 (5; 10; e 15%)
apresentaram acréscimos em relação à mistura REF32 de 2,6; 10,8; e
18,0%, respectivamente. Comportamento oposto foi observado nas
misturas com adição de aditivo redutor de retração. Por exemplo, as
composições ARR25 (0,5; 1,0; e 1,5%) apresentaram reduções no
consumo de superplastificante de -5,5; -16,7; e -17,9%, respectivamente.
Entre os concretos ARR32, apenas a composição com 1,5% de aditivo
redutor de retração apresentou redução no consumo de superplastificante
(-1,8%).
A Tabela 19 mostra a influência do aditivo redutor ou
compensador de retração presente na demanda de superplastificante dos
concretos para a abertura estipulada no ensaio de espalhamento. O fator
analisado tem influência significativa quando o nível de significância é
igual ou menor que 0,05 (95% de probabilidade). Dessa forma, apenas o
fator água/aglomerante apresenta influência significativa na demanda de
aditivo superplastificante, com 95% de confiabilidade.
119

Tabela 19: ANOVA para o consumo de aditivo dos concretos para uma mesma
abertura no slump flow.
G Probabilida
Fonte SQ MQ F
L de
Tipo de aditivo mitigador de
3,4667 2 1,7333 3,4385
retração 92,7%
52,579 52,579 104,303
Água/aglomerante (a/ag) 1
5 5 6 100,0%
Erro 5,0410 10 0,5041

No que diz respeito à manutenção da fluidez, medida pelo ensaio


de espalhamento, os resultados podem estar atrelados aos elevados
percentuais de superplastificante empregados nos concretos estudados.
Essa hipótese foi assumida por Schober e Flatt (2006), os quais
demostram que a manutenção da fluidez pode estar relacionada com o
teor de aditivo policarboxilato éter empregado. Segundo os autores, teores
próximo ao ponto de saturação podem estabilizar a fluidez de concretos
em até duas horas após o início do processo de mistura.
Com relação aos resultados obtidos nas misturas com aditivo
redutor de retração, pode-se dizer que estão alinhados com o encontrado
na literatura. Palacios e Puertas (2005) estudaram a manutenção da
abertura de pastas com ARR (polipropileno glicol) pelo ensaio do
minislump. Os autores constataram que não houve variação significativa
no resultado de espalhamento entre 3 e 60 min após a mistura das pastas.
Foi demostrado ainda que o início de pega é afetado pelo ARR. Brooks et
al. (2000) estudaram concretos convencionais de alta resistência com
aditivo redutor de retração e observaram um aumento de 49% no tempo
de início de pega em relação à mistura referência (sem ARR). Em outro
estudo em concreto de alto desempenho obteve-se decréscimo de
aproximadamente 36% no tempo de pega (FOLLIARD; BERKE, 1997).
Logo, pôde-se assumir que o aditivo redutor de retração atua de modo a
retardar a hidratação do cimento Portland.
A adição do aditivo redutor de retração reduz a polaridade da água
de amassamento (RAJABIPOUR et al., 2008). Conforme os autores, isso
resulta na diminuição da afinidade dos álcalis (por exemplo, k2SO4) para
dissolverem-se e ionizarem-se na água de mistura. A redução na
concentração alcalina e no pH da solução de poros resulta em um aumento
da concentração de cálcio das misturas (SANT et al., 2011).
Consequentemente, é esperado um retardo na hidratação do C 3S
(GARRAULT; NONAT, 2001; JUILLAND et al., 2010). O retardo na
mistura com aditivo redutor pode dar-se em parte por causa da dissolução
120

retardada de C3A, devido ao menor teor de álcalis na solução de poros


(JAWED; SKALNY, 1977; SANT et al., 2011).
Um aspecto que torna a análise peculiar entre os resultados obtidos
em CAAAD com o ARR, em relação aos encontrados na literatura, é o
fato de os aditivos redutores não apresentarem uma base química comum
(GAGNÉ, 2016). Existe a possiblidade de o próprio fabricante mudar a
sua base química ao longo do tempo, o que pode dificultar a comparação
dos resultados, embora todos atuem de modo a reduzir a tensão superficial
da água de amassamento.
Com relação aos aditivos compensadores de retração, era esperado
um aumento da demanda de água para manter a mesma consistência
(MAILVAGANAM, 1996). No entanto, essa abordagem não foi adotada,
uma vez que a relação a/ag foi mantida constante. Nesse sentido, era
esperada uma perda de fluidez mais acentuada para as misturas com
aditivo compensador de retração ao longo do tempo. Isso ocorre pelo uso
de parte da água de amassamento para formar grandes quantidades de
etringita (NAGATAKI; GOMI, 1996).
No mesmo sentido, foi mostrado por Repette e Mailvaganam
(2003) que argamassas de cimento Portland com aditivos expansores 10 à
base de cimento de aluminato de cálcio e aluminatos de cálcio hidratados
(fase hexagonal) apresentam maiores perdas de espalhamento em relação
à mistura referência. Mailvaganam et al. (1993) estudaram grautes com
aditivo expansor à base de sulfoaluminato de cálcio (semelhante ao ACR
utilizado neste trabalho de tese). Os autores concluíram que o tempo de
pega dos grautes estudados não difere, significativamente, de
composições com cimento expansivo do tipo K, variando entre 8,25 e
7,5 h. Sheikh et al. (1994) mostraram que o tempo de início de pega pode
ser fortemente alterado em pastas de cimento Portland na presença de
ativos expansores, chegando a valores entre 27 e 510 min.
Pôde-se observar, de modo geral, que a perda de fluidez foi maior
para as composições ACR32 quando comparadas com os concretos
ACR25. A maior disponibilidade de água na mistura possivelmente
interferiu na quantidade de produtos hidratados pelo aditivo
compensador. Embora os resultados de calorimetria de condução tenham
sido tratados no item 4.1, na página 105, cabe retomar parte das análises
com o objetivo de facilitar o entendimento do comportamento observado

10
Foi adotado o termo aditivo expansor ao invés de aditivo compensador de
retração com o objetivo de não alterar o texto original. No entanto, as
expressões “aditivo expansor” e “aditivo compensador” estão dentro do
mesmo contexto no que se refere à retração de concretos plásticos.
121

nos concretos. Na Figura 49, são apresentadas as curvas de calorimetria


de condução de pastas de cimento com 10% de aditivo compensador e
1,0% de aditivo redutor de retração para as relações a/ag 0,25 e 0,32.
Observa-se que o período de indução da composição ACR32-10 é menor
que ACR25-10, sem necessariamente reduzir o pico pós indução,
corroborando com a hipótese que a quantidade de água disponível
aumenta a hidratação do aditivo compensador de retração.

Figura 49: Taxa de calor liberado obtido em calorimetria de condução de pastas


com aditivos mitigadores de retração.
5 REF25
ARR25-1,0
Taxa de calor liberado

4 ACR25-10
REF32
(mW/g)

3 ARR32-1,0
ACR32-10
2

0
0 5 10 15 20 25
Tempo (h)
Nota-se ainda que a cinética de hidratação da fração aglomerante,
avaliada pela taxa de liberação de calor, é significativamente alterada
pelos aditivos redutores de retração. O período de indução das pastas com
10% de aditivo compensador de retração foi menor, seguido das
composições de referência e dos concretos com ARR, independentemente
da relação a/ag. As pastas com ACR obtiveram os maiores valores de
calor total liberado em relação às pastas com ARR e de referência. Desse
modo, pode-se dizer que os resultados de calorimetria de condução
corroboraram os resultados obtidos nos ensaios tecnológicos até aqui
expostos, uma vez que os concretos com ACR apresentam as maiores
reduções de espalhamento, entre 10 e 90 minutos, enquanto as
composições com ARR apresentaram as menores.
Prosseguindo com os resultados dos ensaios tecnológicos, percebe-
se uma sensível variação no tempo de escoamento pelo funil-V em função
do consumo de água (kg/m³) de cada concreto estudado, conforme
mostrado na Figura 50. Nota-se que os concretos com relação
água/aglomerante de 0,25 precisaram de mais tempo para escoar pelo
funil em relação aos concretos com 0,32. Os concretos 0,25 apresentaram
um aumento do tempo de escoamento para as misturas com aditivo
122

compensador de retração em relação às misturas com aditivo redutor de


retração e concreto referência. A mistura ACR25-15 foi a composição que
precisou de mais tempo (51 s) para fluir pelo funil. As misturas com
relação água/aglomerante 0,32 apresentaram variações no tempo de
escoamento entre 5 e 7 s.

Figura 50: Variação entre os valores do tempo de escoamento pelo funil-V e


restrição no anel-J obtida nas composições de CAAAD com e sem aditivos
mitigadores de retração.
60 10
Funil - V
Tempo de escoamento pelo

Restrição no Anel-J (cm)


50 Anel - J
8
40
funl-V (s)

6
30 Limite classe VF2
4
20
Limite classe VF1 2
10

0 0
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

Observa-se também uma correlação entre os valores de tempo de


escoamento e o consumo de superplastificante, como mostrado na Figura
51 . Utilizando análises estatísticas (regressão linear) por meio da divisão
entre a constante da reta e o desvio padrão da inclinação (distribuição T-
student), pôde-se concluir que existe uma relação significativa entre os
valores de tempo de escoamento pelo funil-V e o consumo de
superplastificante, com 95% de confiabilidade.
O aumento do tempo de escoamento no funil-V observado pelas
misturas ACR25, principalmente as composições com 10 e 15%, poderia
estar relacionado, inicialmente, com a diferença entre a distribuição
granulométrica do aditivo compensador de retração e o cimento Portland.
Conforme mostrado na caraterização dos materiais (Figura 16), o ACR
apresentou um percentual maior de finos abaixo de 1μm, quando
comparado com os demais aglomerante. Consequentemente, sua adição
nos concretos pode interferir no tempo de escoamento pelo funil-V. Cabe
salientar que a substituição do cimento Portland por ACR foi realizada
em massa para não alterar a relação água/aglomerante das misturas.
Todavia, a massa específica do ACR é menor que a do cimento;
123

consequentemente, o volume de finos da mistura aumentou em


detrimento do volume dos demais materiais constituintes da mistura.

Figura 51: Correlação entre os valores de segregação estática e os valores de


espalhamento obtida nas composições de CAAAD com e sem aditivos
mitigadores de retração.
60
Tempo de escoamento
pelo funil-V (s)

40
y = 6,53x - 25,47
R² = 0,84
20

0
4 5 6 7 8 9 10 11 12
Consumo de superplastificante (kg/m³ de concreto)

Consequentemente, ambas as situações descritas podem ter efeitos


nos resultados de viscosidade plástica dos concretos medida pelo ensaio
do funil-V. Conforme resultados publicados por Girish et al. (2010), o
tempo de escoamento tende a ser maior com a redução do tamanho das
partículas da fração finos dos concretos. Assim, acredita-se que ambos os
efeitos atuaram de modo a aumentar o tempo de escoamento pelo funil-V.
Outro fator que pode ter influência no tempo de escoamento das
misturas é o início do processo de hidratação do aditivo compensador de
retração, de modo a formar etringita (C3A.3CaSO4.32H2O), pelo acesso
de aluminatos e gesso presente nas misturas. Seguindo o que foi
mencionado anteriormente, grande quantidade de água da mistura é
sequestrada durante o processo de hidratação do aditivo compensador de
retração, reduzindo a água disponível para lubrificar as partículas. Cabe
destacar que os fatores citados anteriormente interferem no resultado de
espalhamento. Contudo, a abertura de cada mistura foi corrigida em
função do aditivo superplastificante.
No tocante aos concretos de alto desempenho, sem aditivos
mitigadores de retração, podem ser feitas algumas observações com base
na literatura do assunto. Desnerck et al. (2014) fizeram um resumo de 741
documentos sobre diferentes resultados para o tempo de escoamento pelo
funil-V e chegaram ao valor máximo de 57,2 s, com 90% dos valores
inferiores a 16 s. Le et al. (2015) estudaram CAAAD com adição de cinza
124

volante; uma dessa misturas, com relação água/materiais secos de 6,6%,


a qual precisou de 22,3 s para escoar pelo funil-V. Nesse contexto, fica
clara a possibilidade de certas misturas de CAAAD precisarem de mais
tempo para escoar pelo funil-V quando comparadas com composições
convencionais de concreto autoadensável.
A ABNT NBR 15823 (2010), assim como a EFNARC (2005),
classificam os resultados de tempo de escoamento pelo funil-V
(viscosidade aparente) em duas classes, VF 1 e VF2, com intervalos de
tempo menor que 9 s ou entre 9 e 25 s, respectivamente. Para facilitar a
leitura, as classes VF1 e VF2 são demarcadas pelas linhas tracejadas cinza
e vermelha, respectivamente, na Figura 50. Nesse sentido, observa-se que
apenas as misturas REF25 e ARR25-0,5 foram enquadradas na classe
VF2 para as misturas com relação a/ag de 0,25. Ao contrário, todas as
misturas com relação a/ag 32 obtiveram tempo de escoamento dentro do
intervalo da classe VF1. Pode-se observar também que as misturas
ARR25 (1,0 e 1,5%) e ACR25 (5; 10; e 15%) ficaram fora do limite de
classificação dado pela ABNT NBR 15823 (2010) e pela EFNARC
(2005).
A diferença entre os diâmetros de espalhamento livre e com anel-J
(habilidade passante) também é mostrada na Figura 50. Nota-se um
aumento da restrição causado pelo anel para os concretos com relação
água/aglomerante 0,25 em comparação aos concretos 0,32. A mistura
ACR25-10 apresentou a maior restrição, 9,5 cm (diferença entre o
resultado do espalhamento livre e o resultado do espalhamento com o
anel-J). Já as composições ARR32 (5 e 1,0%) obtiveram o mesmo
resultado de restrição, 5,1 cm, o qual foi o menor valor obtido. Valores
acima de 5,0 cm de restrição estão fora dos limites de classificação da
ABNT NBR 15823 (2010). Para a ASTM C1621 (2014), variações acima
de 5 cm referem-se a uma situação entre um bloqueio perceptível e um
bloqueio extremo.
Valores de restrição acima de 5 cm, embora não recomendados
pelas normas vigentes, são encontrados na literatura quando se trata de
concretos de alto desempenho. Najim et al. (2016) estudaram CAAAD
com relação água/materiais secos de 6,1 % e obtiveram valores de
restrição pelo ensaio do anel-J entre 4 e 8 cm. A própria EFNARC em
documento publicado no ano de 2002, estabeleceu como limite máximo
de restrição o valor de 10 cm.
A fim de ratificar as conclusões sobre as variáveis dos testes, a
Tabela 20 mostra a influência da relação água/aglomerante e da presença
de aditivo redutor ou compensador de retração nas propriedades do
estrado fresco dos concretos, por meio de análise estatística de variância
125

(ANOVA). O fator água/aglomerante é a variável de maior influência nos


ensaios analisados, sendo que o aditivo presente (ou a ausência de aditivo,
no caso de misturas referência) apresenta uma baixa influência. Efeitos
de segunda ordem não puderam ser mensurados porque não houve
repetições dessas pastas.

Tabela 20: ANOVA para os resultados do estado fresco dos concretos


Fonte SQ GL MQ F Probabilidade
Aditivos* 3 2 1,5 1,72 77,2%
Anel J Água/aglomerante (a/ag) 5,1 1 5,1 5,84 96,4%
Erro 8,7 10 0,87

Aditivo 249,5 2 124,8 2,33 85,3%


Funil V Água/aglomerante (a/ag) 2297,1 1 2297,1 42,96 100,0%
Erro 534,7 10 53,5

Aditivo 24,4 2 12,2 0,71 48,7%


Sg** Água/aglomerante (a/ag) 60,1 1 60,1 3,52 91,0%
Erro 170,8 10 17,1
*
aditivos – aditivos mitigadores de retração (ARR e ACR).
**
Sg – segregação

4.3.2. Comportamento reológico dos concretos autoadensáveis de alto


desempenho com aditivos mitigadores de retração

Por meio das curvas de fluxo obtidas pelo reômetro ICAR, foram
avaliados, ao longo do tempo, os parâmetros reológicos das composições
dos concretos autoadensáveis de alto desempenho com aditivos redutor e
compensador de retração e as misturas referência. Nas Figuras 52 e 53
(item 4.3.2.1), são apresentadas as relações obtidas entre o torque (N),
medido pelo reômetro, quando aplicados diferentes patamares rotação
(0,50; 0,43; 0,35; 0,28; 0,20; 0,13; 0,05 rps) em uma rotina em ordem
descendente, para cada um dos concretos estudados. Conforme citado na
metodologia, as leituras foram feitas nos intervalos de tempo de 10, 25,
40, 60 e 90 minutos. Nas Tabelas 24 e 25, mostradas no Apêndice, são
apresentados os parâmetros reológicos dos concretos, em unidades
fundamentais, obtidos pelos modelos de Bingham, de Herschel-Bulkley e
de Bingham modificado, por meio das Equações 15 a 22.
126

Figura 52: Torque versus velocidade rotacional obtidos por reômetro para os
concretos REF25 (a), ARR25-0.5 (b), ARR25-1.0 (d), ARR25-1.5 (f), ACR25-5
(c), ACR25-10% (e) e ACR25-15 (g).
8
10 mín 25mín (a)
6 40 mín 60 mín
Torque (N.m)

90 mín
4

0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
8 8
(b) (c)
6 6
Torque (N.m)

4 4

2 2

0 0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
8 8
(d) (e)
6 6
Torque (N.m)

4 4

2 2

0 0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
8 8
(f) (g)
6 6
Torque (N.m)

4 4

2 2

0 0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Rotações por segundo (rps) Rotações por segundo (rps)
127

Figura 53: Torque versus velocidade rotacional obtidos por reômetro para os
concretos: REF32 (a), ARR32-0.5 (b), ARR32-1.0 (d), ARR32-1.5 (f), ACR32-
5 (c), ACR32-10% (e) e ACR32-15 (g).
2,5
10 mín 25 mín
40 mín 60 mín (a)
2,0
Torque (N.m)

90 mín
1,5
1,0
0,5
0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
2,5 2,5
2,0
(b) 2,0
(c)
Torque (N.m)

1,5 1,5
1,0 1,0
0,5 0,5
0,0 0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
2,5 2,5
2,0 (d) 2,0 (e)
Torque (N.m)

1,5 1,5
1,0 1,0
0,5 0,5
0,0 0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
2,5 2,5
(f) (g)
2,0 2,0
Torque (N.m)

1,5 1,5
1,0 1,0
0,5 0,5
0,0 0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Rotações por segundo (rps) Rotações por segundo (rps)

4.3.2.1. Comportamento do fluxo ajustado pelo modelo de Bingham

Os resultados de tensão de escoamento dinâmica obtidos pelo


modelo de Bingham são apresentados nas Figuras 54 e 55. Nota-se que as
128

misturas com relação água/aglomerante 0,25 apresentaram valores de


tensão de escoamento majoritariamente negativos, exceto a mistura
ARR25-0,5 até 60 min, conforme demarcado pela linha vermelha
tracejada na Figura 54.

Figura 54: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica segundo


modelo de Bingham obtida para as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25.
40
0
Tensão de escoamento

-40
dinâmica (Pa)

-80
-120
-160 ACR25-5 ACR25-10 ACR25-15
-200 ARR25-0,5 ARR25-1,0 ARR25-1,5
REF25
-240
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Figura 55: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica segundo


modelo de Bingham obtida para as misturas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF32. Em destaque a composição REF32, a qual
apresentou redução da tensão de cisalhamento aos 60 e 90 min.
55 ARR32-0,5 ARR32-1,0 ARR32-1,5
ACR32-5 ACR32-10 ACR32-15
Tensão de Escoamento

45 REF32
dinâmica (Pa)

35

25

15
0 20 40 60 80 100
Time (min)

Esse comportamento indica que o modelo de Bingham não foi


adequado para descrever o comportamento reológico dessas misturas,
pois sugere tensões de escoamento negativas para iniciar o fluxo.
129

De modo geral, concretos no estado fresco têm um duplo carácter:


comportam-se como sólidos sob algumas circunstâncias e como líquidos
em outras (COUSSOT, 2012). Na verdade, o material se comporta como
um sólido quando aplicado uma tensão de cisalhamento menor que um
valor crítico. Quando aplicada uma tensão de cisalhamento superior ao
valor crítico, o material aparentemente se comporta como líquido, ou seja,
é capaz de fluir, enquanto a tensão de cisalhamento é mantida. Logo,
pode-se chegar à conclusão que o valor referente a tensão de escoamento
pode, no máximo, se aproximar de zero, mas nunca ser inferior a zero. Na
Figura 56, é apresentada a curva de fluxo aparente de um fluido, o qual
passa do regime sólido para se comportar como um líquido viscoso. Nesse
caso, a amostra está inicialmente em repouso no regime sólido. O material
permanece no regime sólido, desde que a deformação total que sofreu
esteja abaixo de um valor crítico. Com o aumento da taxa de cisalhamento
o material passa a se comportar como um líquido no estado estacionário,
sendo a extrapolação da descida, o valor da tensão de escoamento.

Figura 56: Curva de fluxo aparente de um fluido com tensão de escoamento


obtido a partir de uma rotina com rampa ascendente e descendente de tensão ou
taxa de cisalhamento. O sentido ascendente corresponde à linha pontilhada e o
descendente a linha contínua.

Fonte: Adaptada de Coussot (2012).

Um dos possíveis motivos para os valores negativos de tensão de


escoamento poderia ser o baixo coeficiente de determinação (R²), o que
sugeriria elevada dispersão para as retas ajustadas. No entanto, os
resultados referentes ao coeficiente de determinação variaram entre 0,94
e 1,00, descartando essa hipótese.
130

Os valores negativos de tensão de cisalhamento dinâmica estão


relacionados possivelmente ao espessamento por cisalhamento que as
misturas apresentam. Esse comportamento caracteriza-se pelo aumento
da viscosidade aparente com o aumento da taxa de cisalhamento (Shear
Thickening), como observado na Figura 52. Tal comportamento foi
confirmado quando os dados brutos dos concretos foram ajustados para
os modelos não lineares de Herschel–Bulkley e de Bingham modificado.
Análises sobre modelos não lineares serão abordadas nos próximos
capítulos.
Os concretos com relação água/aglomerante 0,32 apresentaram
valores de tensão de escoamento dinâmica superiores a 0 Pa. No entanto,
os valores de tensão podem estar superestimados devido ao
comportamento fluidificante (Shear Thinning) apresentado pelas misturas
quando analisadas pelos modelos não lineares.
Para sustentar a afirmação anterior, pode-se tomar como exemplo
a mistura REF32, a qual apresentou uma redução nos valores de tensão
de escoamento dinâmica a partir dos 40 min. Nota-se que a tensão de
escamento dinâmica passou de 29,5 para 21,4 e 22,8 Pa entre os intervalos
de tempo de 40, 60 e 90 min, respectivamente, como marcado na Figura
55. Conforme será abordado no item 4.3.2.2, na página 142, pode-se notar
que o valor referente ao índice de fluxo (n - Herschel-Bulkley) para essa
mistura, aos 60 e 90 min, foi superior a 1 (Figura 70). Esses valores
indicam que as misturas REF32 aos 60 e 90 min apresentaram um
comportamento do tipo espessante; consequentemente, o ajuste linear
tende a reduzir a sua tensão de escoamento.
A hipótese levantada anteriormente foi confirmada por Yahia e
Khayat (2001). Segundo os autores, os valores da tensão de escoamento
dinâmica de grautes de alto desempenho podem variar em função do
modelo reológico adotado. Para misturas que apresentam o
comportamento fluidificante (pseudoplástico), a tensão de escoamento
será maior quando os dados forem ajustados pelo modelo de Bingham,
seguido pelos modelos de Bingham modificado e Herschel-Bulkley,
respectivamente. O oposto também é observado quando a mistura
apresenta comportamento espessante (WALLEVIK et al., 2015). Assim,
não será realizada nenhuma análise sobre a variação do comportamento
reológico das misturas ajustadas pelo modelo de Bingham, uma vez que
a tensão de escoamento dinâmica e a viscosidade plástica foram
influenciadas pelo ajuste linear. Contudo, o ajuste dos dados
experimentais para os modelos não lineares é válido, principalmente, pela
dificuldade de encontrar resultados reológicos de concreto
131

autoadensáveis de alto desempenho com incorporação de aditivos redutor


e compensador de retração.

4.3.2.2. Comportamento do fluxo ajustado pelo modelo de Herschel-


Bulkley

Os dados ajustados para o modelo de Herschel-Bulkley


apresentaram um coeficiente de terminação (R²) de 1,00 para todas as
misturas. Embora esse resultado possa suscitar, incialmente,
questionamentos, algumas publicações recentes apontam que o valor de
R² igual a 1,0 pode ser obtido quando os dados forem ajustados para um
modelo não linear. Por exemplo, pode-se citar os trabalhos publicados por
Güneyisi et al. (2016) e Li et al. (2017). Em ambos os casos, os autores
estudaram o comportamento reológico de CAA, dosados com baixa
relação a/ag, por meio de um reômetro ICAR. Quando os dados foram
ajustados para o modelo de Herschel-Bulkley, os autores encontraram um
valor de R² igual a 1,00 para todos os concretos avaliados.
Nas Figuras 57 e 58, constam as tensões de escoamento dinâmicas
para as misturas com aditivos mitigadores de retração mais a mistura de
referência com relação a/ag de 0,25 e 0,32, respectivamente.
Diferentemente do que foi observado para o ajuste de Bingham, os valores
de tensão de escoamento dinâmica para o modelo de Herschel-Bulkley
foram todos positivos, independentemente da relação a/ag e do tempo.

Figura 57: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica segundo


modelo de Herschel-Bulkley obtida para as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%;
1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25.
50 ARR25-0,5 HB ARR25-1,0 HB ARR25-1,5 HB
ACR25-5 HB ACR25-10 HB ACR25-15 HB
Tensão de escoamento

40 REF25 HB
dinâmica (Pa)

30

20

10

0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)
132

Pode-se notar que os concretos com relação a/ag 0,25 (Figura 57),
aos 10 min, apresentaram valores de tensão de escoamento semelhantes,
variando entre 1,5 e 20,4 Pa. Esses valores próximos de tensão estão
alinhados com os resultados obtidos no ensaio de espalhamento, no qual
as misturas apresentaram abertura entre 67 e 71 cm.
Foi observado também um aumento da tensão de escoamento em
função do tempo, principalmente para a mistura com aditivo compensador
de retração. A mistura ACR25-10 apresentou o maior incremento na
tensão de escoamento dinâmica (21,9 Pa) ao longo do tempo, atingindo
um valor de 39,8 Pa aos 90 min. Comportamento semelhante foi
observado pelo ensaio de espalhamento, no qual a mesma mistura
apresentou a maior perda de fluidez (-31,1%) entre 10 e 90 min.
Em relação às composições dosadas com relação a/ag 0,32 (Figura
58), nota-se que a tensão de escoamento dinâmica variou entre 3,8 e 16,9
Pa aos 10 min. Essas mesmas misturas tinham apresentado abertura entre
65 e 69 cm, para o mesmo intervalo de tempo. Consequentemente, pode-
se dizer que ambos os ensaios (espalhamento e reológico) apresentam a
mesma tendência, em termos de fluidez aos 10 minutos, sugerindo que as
misturas não se diferem significativamente entre si, independentemente
do tipo e teor de aditivo mitigador de retração.
A tensão de escoamento dinâmica aumentou ao longo do tempo,
principalmente para as misturas com aditivo compensador de retração e
referência. Dentre as composições estudadas, a mistura ACR32-15 obteve
o maior valor de tensão (40,7 Pa) aos 90 min, embora a mistura REF32
tenha apresentado o maior incremento (28,7 Pa) entre 10 e 90 min. Os
resultados reológicos apontam na mesma direção que os resultados
obtidos no ensaio de espalhamento aos 90 min, nos quais as misturas com
aditivo redutor de retração obtiveram as menores reduções de abertura.
De modo geral, independentemente da relação água/aglomerante,
pôde-se perceber que as misturas com aditivo redutor de retração
apresentaram os menores valores de tensão de escoamento dinâmica e, ao
mesmo tempo, as menores variações, embora a mistura REF25 tenha
apresentado a menor tensão inicial (1,5 Pa) e o menor incremento (3,0 Pa)
entre 10 e 90 min. As misturas com aditivo compensador de retração
apresentaram os maiores valores aos 90 min.
Embora tenha sido observado alguma tendência entre os valores de
abertura obtidos pelo ensaio de espalhamento e de tensão de escoamento
aos 10 e 90 min obtida no ensaio reológico, não foi possível encontrar
uma correlação entre ambos, conforme mostrado na Figura 59.
Entretanto, algumas observações cabem a esse respeito.
133

Figura 58: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica segundo


modelo de Herschel-Bulkley obtida para os concretos ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32.
50 ARR32-0,5 HB ARR32-1,0 HB ARR32-1,5 HB
ACR32-5 HB ACR32-10 HB ACR32-15 HB
Tensão de escoamento

40 REF32 HB
dinâmica (Pa)

30

20

10

0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Figura 59: Tensão de escoamento dinâmica medida no reômetro ICAR e os


repetidos valores de espalhamento, medido pelo ensaio de espalhamento, para
cada um dos concretos ARR (0,5; 1,0; 1,5) e ACR (5; 10; 15) e misturas
referência para as relações a/ag 0,25 e 0,32, aos 10 minutos.
80
Espalhamento (cm)

10 min
75

70

65

60
0 5 10 15 20 25
Tensão de escoamento dinâmica (Pa)

Os materiais constituintes do concreto variam, na grande maioria


dos casos, de partículas micrométricas de cimento a agregados na casa
dos centímetros. Com o intuito de superar essa dificuldade no estudo da
relação entre a composição da mistura e as propriedades reológicas, a
abordagem com escalas múltiplas pode ser a mais adequada (FLATT,
2004; TOUTOU; ROUSSEL, 2006). A abordagem de escalas múltiplas
mais simples, conforme Yammine et al. (2008), envolve apenas duas
escalas e, por isso, é frequentemente considerado que o concreto é uma
suspensão de agregados (miúdo e graúdo) em um fluido (pasta de
134

aglomerantes). Logo, a tensão de escoamento pode ser considerada


função da tensão de escoamento da pasta e da fração volumétrica dos
agregados presentes no concreto (YAMMINE et al., 2008; TOUTOU;
ROUSSEL, 2006). De modo geral, o comportamento de fluxo do concreto
se tornará mais sensível às alterações da reologia da pasta quanto maior
for o volume desta na mistura.
Seguindo o raciocínio, poder-se-ia assumir que todas as
intervenções feitas no perfil relógio dos concretos, pela adição dos
aditivos redutor e compensador de retração, foram realizadas na fase
pasta. Logo, é esperado que esses aditivos sejam responsáveis pela
alteração nas propriedades reológicas das pastas e, por consequência, dos
concretos. Como implicação direta, poderia se esperar que a abertura das
composições de CAAAD pelo ensaio de espalhamento também seria
influenciada proporcionalmente pelas pastas, uma vez que o volume de
agregado foi, relativamente, o mesmo para todos os concretos (Tabela
18). Entretanto, conforme Coussot e Ancey (1999), a espessura da
amostra no ensaio de espalhamento, no instante em que o fluxo cessa deve
ser, no mínimo, cinco vezes o diâmetro máximo do agregado graúdo. Essa
condicionante deve ser respeitada para que se possa considerar um fluxo
de uma mistura homogênea. Logo, o espalhamento do CAA, devido à sua
relação final espessura/diâmetro máximo, não pode ser considerado um
fluxo homogêneo. Consequentemente, esse resultado deve ser analisado
com muita atenção quando se busca informações a respeito das
propriedades reológicas dos CAAs (ROUSSEL, 2012).
Por conseguinte, foi demonstrada a inexistência de uma correlação
direta entre a tensão de escoamento e a abertura de CAA. Roussel (2007)
avaliou composições de CAA com aproximadamente a mesma abertura
(700 ± 50 mm) para diferentes esqueletos granulares, tipos de cimento e
aditivos, conforme mostrado na Figura 60. Nota-se que não existe uma
tendência clara entre os valores obtidos no ensaio tecnológico com
aqueles obtidos pelo reômetro, da mesma forma que não existiu para os
dados apresentado, anteriormente, na Figura 59.
Com o intuito de melhorar o entendimento sobre o comportamento
reológico dos concretos, retoma-se alguns resultados obtidos em pastas,
ainda que esses tenham sido apresentados no item 4.2. Na Figura 61 e 62,
são mostrados os valores de tensão de escoamento dinâmica obtidas em
pastas com relação a/ag de 0,25 e 0,32, respectivamente, por meio do
ajuste não linear de Herschel-Bulkley. Pode-se notar a semelhança entre
o comportamento, ao longo do tempo, para a tensão de escoamento
obtidas em pastas com as obtidas em concreto. Observa-se que os valores
de tensão de escoamento das pastas com aditivo redutor de retração não
135

variam, significativamente, ao longo do tempo. O oposto é observado


para as pastas com aditivo compensador de retração.

Figura 60: Tensão de escoamento medida usando um reômetro BTRHEOM para


vários tipos concretos autoadensáveis e os respectivos valores de abertura
obtidos no ensaio de espalhamento.

Fonte: Adaptada de Roussel (2007).

Figura 61: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica segundo


modelo de Herschel-Bulkley obtida para as pastas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25.
300 ARR25-0,5 HB ARR25-1,0 HB ARR25-1,5 HB
Tensão de Escoamento

ACR25-5 HB ACR25-10 HB ACR25-15 HB


250
REF25 HB
dinâmica (Pa)

200
150
100
50
Pastas
0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Nota-se que as pastas com relação a/ag 0,32 não apresentaram o


mesmo comportamento que os concretos, aos 10 min. Quando analisados
os dados de pasta, percebe-se dois grupos distintos. As composições com
aditivo redutor obtiveram valores de tensão de escoamento próximos a
150 Pa, enquanto as pastas com aditivo compensador de retração
136

obtiveram valores próximos a 80 Pa, independentemente do teor de


incorporação de aditivo para ambos os casos. Todavia, com o passar do
tempo, as composições apresentaram um perfil de evolução de tensão de
escoamento semelhante ao observado no concreto.

Figura 62: Variação com o tempo da tensão de escoamento dinâmica segundo


modelo de Herschel-Bulkley obtida para as pastas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32
300
ARR32-0,5 HB ARR32-1,0 HB ARR32-1,5 HB
Tensão de Escoamento

250 ACR32-5 HB ACR32-10 HB ACR32-15 HB


REF32 HB
dinâmica (Pa)

200
150
100
50
Pastas
0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Nas Figuras 63 a 66, são apresentadas as correlações entre os


valores de tensão de escoamento obtidos em concreto com os obtidos em
pastas. Para as composições 0,25, o coeficiente de determinação variou
entre 0,14 a 0,92. As composições com relação a/ag 0,32 apresentaram
valores de R² entre 0,91 a 0,99. Para o ajuste linear, utilizando análises
estatísticas (regressão linear) por meio da divisão entre a constante da reta
e o desvio padrão da inclinação (distribuição T-student), pôde-se concluir
que existiu uma relação linear significativa entre os valores de tensão de
escoamento, obtidos em concreto e em pasta, para todas as composições,
exceto para as misturas REF25, ARR25-1,0 e ACR25 (5%; 10%), com
95% de confiabilidade. Cabe destacar que a correlação linear trabalha
com dois graus de liberdade, ou seja, n-2 e como a validação das
correlações se baseou em apenas cinco leituras por composição (10, 25,
40, 60 e 90 min), o tratamento estatístico se dá com apenas 3 valores.
Logo, fica mais difícil provar uma correlação linear.
Com base no comportamento dos concretos e pastas, ambos
dosados com mesma relação a/ag, para o mesmo teor e aditivo mitigador
de retração, pôde-se observar que as pastas influenciaram o
comportamento reológico dos concretos, embora algumas composições
0,25 não tenham apresentado coeficiente de determinação elevado.
137

Logicamente, que uma correlação direta entre as propriedades reológicas


de concreto com pasta é algo complexo, pois entre ambos os materiais,
existe os agregados. Consequentemente, variáveis como: volume, forma,
distribuição granulométrica e mineralogia dos materiais presentes podem
interferir nessa relação (SCHANKOSKI, 2017).

Figura 63: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida em


concretos e em pastas, para as composições ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%) e
mistura REF25.
50
obtida em concreto (Pa)

REF25
Tensão de escoamento

40 ARR25-0,5
ARR25-1,0 y = 0,09x + 9,62
30 R² = 0,88
ARR25-1,5
y = 0,19x - 3,20
20 R² = 0,73

10 y = 0,07x - 3,17 y = 0,10x - 2,72


R² = 0,53 R² = 0,87
0
0 50 100 150 200 250
Tensão de escoamento obtida em pasta (Pa)

Figura 64: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida em


concretos e em pastas, para as composições ACR25 (5%; 10%; 15%) e mistura
REF25.
50
obtida em concreto (Pa)

REF25
Tensão de escoamento

y = 0,23x - 7,03
40 ACR25-5 R² = 0,92
ACR25-10
30
ACR25-15 y = 0,09x + 8,01
R² = 0,14
20
y = 0,05x - 1,70
y = 0,07x - 3,17 R² = 0,66
10
R² = 0,53
0
0 50 100 150 200 250
Tensão de escoamento obtida em pasta (Pa)

Inicialmente, poder-se-ia atribuir a dificuldade de se provar uma


correlação linear entre os valores de tensão de escoamento, obtidos em
concreto com de pasta, pela variação desproporcional de aditivo
superplastificante entre ambas as misturas. No entanto, como mostrado
138

na Figura 67, pode-se afirmar que existiu uma correlação linear entre o
consumo de superplastificante dos concretos com o consumo das pastas,
para 95% de confiabilidade. Logo, descartou-se essa hipótese para o
conjunto de dados avaliados.
Direcionando o foco para os ensaios reológicos de concreto,
Wallevik et al. (2015), citam as três principais fontes de erro na
interpretação de leituras reométricas de materiais à base de cimento como
sendo: a tixotropia, o plug flow e a migração de partículas. Com
consequência, vai existir uma maior dificuldade em validar correlações
lineares entre propriedades reológicas dos concretos com as de pastas.

Figura 65: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida em


concretos e em pastas, para as composições ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%) e
mistura REF32.
50
REF32
obtida em concreto (Pa)
Tensão de escoamento

40 ARR32-0,5 y = 0,60x - 16,24 y = 0,32x - 30,17


R² = 0,99
ARR32-1,0 R² = 0,91
30 y = 0,24x - 29,70
ARR32-1,5
R² = 0,92
20

10 y = 0,19x - 18,35
R² = 0,94
0
0 50 100 150 200 250
Tensão de escoamento obtida em pasta (Pa)

Figura 66: Correlação entre os valores de tensão de escoamento obtida em


concretos e em pastas, para as composições ACR32 (5%; 10%; 15%) e mistura
REF32.
50
REF32
obtida em concreto (Pa)
Tensão de escoamento

40 ACR32-5 y = 0,60x - 16,24 y = 0,16x + 2,76


R² = 0,99 R² = 0,99
ACR32-10
30
ACR32-15
y = 0,15x + 3,32
20 R² = 0,98

10 y = 0,30x - 17,47
R² = 0,96
0
0 50 100 150 200 250
Tensão de escoamento obtida em pasta (Pa)
139

De fato, materiais à base de cimento apresentam um


comportamento, na grande maioria dos casos, dependente do tempo,
como exemplo, pode-se citar a tixotropia ou reopexia. Logo as
propriedades reológicas precisam de tempo para atingirem seus valores
de equilíbrio. No entanto, aguardar o equilíbrio em cada taxa de
cisalhamento implicada em uma rotina de ensaio demorada, o que pode
acrescentar novas variáveis ao ensaio, como a perda de trabalhabilidade
ou mesmo a migração de partículas.

Figura 67: Correlação entre o consumo de superplastificante em concreto e em


pasta, com aditivos redutor e compensador de retração e misturas referência.
12
y = 0,60x - 0,14
(kg/m³ de concreto)
superplastificante

9 R² = 0,90
Consumo de

0
5 8 11 14 17 20
Consumo de superplastificante (kg/m³ de pasta)

Para ilustrar o que foi citado, pode-se usar as leituras de tensão de


cisalhamento obtida na pasta ACR25-10, aos 90 min, para uma rotina de
ensaio executada com patamares ascendentes e descendentes de taxa de
cisalhamento (Figura 68). Nota-se que a tensão de cisalhamento variou ao
longo do tempo, para cada um dos diferentes patamares de taxa de
cisalhamento, como consequência direta da tixotropia e do breakdown da
mistura. Tal situação explicita a necessidade de se empregar algum
procedimento para garantir que as leituras sejam feitas em um estado
estacionário. Do contrário pode-se obter erros quando feito o ajuste dos
dados para algum modelo reológico, como assumir um falso
comportamento dilatante. No caso específico das pastas, foram feitas uma
média aritmética das últimas dez leituras na rampa descendente, para cada
patamar de taxa de cisalhamento, de um universo de sessenta.
Outra fonte de erros reside na escolha do perfil da pá do reômetro.
Quando se opta por usar pás do tipo vane (o mesmo utilizado neste
trabalho), pode haver separação das fases, em decorrência do movimento
das pás. Foi observado que concretos dosados com aditivos redutor e
140

compensador de retração próximos do limite de segregação, quando


ensaiado no reômetro, apresentam segregação dos agregados. Como
medida corretiva, passou-se a aceitar valores de espalhamentos menores,
para os concretos estudados, como já citado. A própria rotina de leitura
do reômetro ICAR visava minimizar esse efeito. Conforme mencionado
na metodologia, a rotina dos ensaios reométricos consistiu em produzir
patamares de rotação descendentes, cada um com 5s de duração. Logo,
algumas leituras de torque podem ter ocorrido sem, necessariamente, as
misturas terem atingido o estado estacionário, o que implicaria em erros
nos valores de tensão de escoamento dos concretos, quando feito o ajuste
não linear por Herschel-Bulkley.

Figura 68: Variação da tensão de cisalhamento, obtida na pasta ACR25-10, aos


90 min, para os patamares de taxa de cisalhamento de 10, 20, 30, 40 e 50 s -1.
500
Tensão de cisalhamento

50 s-1
400 40 s-1
40 s-1
-1
30 s 30 s-1
(Pa)

300 20 s-1 20 s-1


10 s-1 10 s-1
200

100
0 60 120 180 240 300
Tempo (s)

Outro fator envolvendo erros de leitura no ensaio reológico é o


plug flow, ou seja, uma região entre as pás e a cuba do reômetro, na qual
fluido não está sofrendo cisalhamento. Para concretos com valores de
tensões de escoamento altas, pode existir regiões que não estão sujeitas a
deformação, quando aplicadas baixas rotações. Ao mesmo tempo, pôde-
se observar que a tensão de escoamento, obtida por meio de ajustes não
lineares, é muito sensível às variações nos valores para baixas rotações.
Logo, tem-se potencializado, por ambas os casos, possíveis erros nos
valores de tensão de escoamento dinâmica.
Por fim, pode existir a segregação dos agregados durante o
processo de leitura (torque versus rotação). Existe uma tendência natural
dos agregados saírem da região com maior tensão de escoamento e
migrarem para as regiões de menor tensão, principalmente quando se usa
pá do tipo vane (Wallevik et al., 2015).
141

Prosseguindo com as propriedades reológicas dos concretos para o


ajuste de Herschel-Bulkley, os índices de consistência (n) obtidos pelas
misturas com relação a/ag 0,25 foram todos superiores a 1 (Figura 69),
enquanto que, das misturas com relação a/ag 0,32, apenas a mistura
REF32 aos 60 e 90 min apresentou a mesma tendência (Figura 70).

Figura 69: Variação com o tempo do índice de consistência segundo modelo de


Herschel-Bulkley obtida para as misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25
(5%; 10%; 15%) e REF25.
2,7
Ìndice de consistência (n)

ARR25-0,5 HB ARR25-1,0 HB ARR25-1,5 HB


ACR25-5 HB ACR25-10 HB ACR25-15 HB
2,4 REF25 HB

2,1

1,8

1,5

1,2
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

A linha tracejada na Figura 70 demarca o limite de transição entre


o comportamento fluidificante para espessante. Conforme Wallevik e
Wallevik (2011), o índice de consistência “n” da equação de Herschel-
Bulkley descreve a dependência do comportamento do material testado
em função da taxa de cisalhamento aplicada. Quando n > 1, a equação
Herschel-Bulkley remete a um comportamento espessante (shear
thickening behavior); com n < 1, a um comportamento fluidificante
(shear thinning behavior); com n = 1, o material apresenta-se como
prescrito pelo modelo de Bingham.
Embora existam outras explicações, uma das principais teorias
sobre o fenômeno do espessamento por cisalhamento é a formação de
aglomerados. De acordo com essa teoria, o cisalhamento induz a
ordenação de partículas e, principalmente, é influenciado pelas elevadas
forças hidrodinâmicas entre as partículas (lubrificação), que supera as
forças de repulsão entre elas, formando conjuntos de partículas
temporários, chamados de aglomerados. Com o tempo, as partículas
podem entrar e sair do aglomerado, fazendo com que este fenômeno seja
transitório e puramente hidrodinâmico. Se um aglomerado é formado na
zona de cisalhamento, pode ocorrer bloqueio e interrupção do fluxo. Esse
142

congestionamento leva a um aumento repentino da viscosidade aparente.


O espessamento por cisalhamento começa em uma tensão de
cisalhamento crítica, na qual a razão entre as forças hidrodinâmicas e as
forças repulsivas torna-se maior do que um. A partir dessa tensão crítica,
o tempo de relaxamento das forças de repulsão é demasiadamente grande
em comparação às forças hidrodinâmicas, fazendo com que a partícula
permaneça no aglomerado. Se a tensão aplicada é reduzida (abaixo da
tensão crítica), as forças repulsivas dominam as forças hidrodinâmicas,
fazendo com que os aglomerados desapareçam (comportamento
reversível) (BRADY; BOSSI, 1988). Segundo Barnes (1989), os
principais parâmetros que controlam o espessamento por cisalhamento
são: concentração de partículas, interação entre as partículas, forma da
partícula e tamanho das partículas

Figura 70: Variação com o tempo do índice de consistência segundo modelo de


Herschel-Bulkley obtida para as misturas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32
(5%; 10%; 15%) e REF32.
1,2
Ìndice de consistência (n)

1,0

0,8

0,6

0,4
ARR32-0,5 HB ARR32-1,0 HB ARR32-1,5 HB
0,2 ACR32-5 HB ACR32-10 HB ACR32-15 HB
REF32 HB
0,0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Desse modo, pôde-se concluir que os aditivos redutor e


compensador de retração não interferiram nessa propriedade. O contrário
foi observado para a umidade das composições estudadas. As misturas
com relação a/ag 0,25 apresentaram um comportamento espessante,
enquanto aquelas com relação a/ag 0,32 tiveram um comportamento
fluidificante. Essas propriedades tornam-se importantes em operações
que ocorrem em altas taxas de cisalhamento, tais como mistura e
bombeamento. Nestes casos, o espessamento de cisalhamento não deve
ser esquecido, a fim de evitar problemas com o misturador, bombas e
tubos (FEYS; VERHOEVEN; SHUTTER, 2009). À medida que a
viscosidade (aparente) aumenta com o aumento da taxa de cisalhamento,
143

um aumento de energia será necessário para que a mistura flua. Desta


forma, segundo Shah et al. (2009) e Romano, Cardoso e Pileggi (2011),
concretos transportados por bombeamento devem, preferencialmente,
apresentar comportamento pseudoplástico, enquanto que o perfil dilatante
não é indicado para lançamento com bomba, mas tem a vantagem
conceitual de reduzir a segregação. De fato, para concretos bombeados,
foi demostrado por Feys et al. (2016) que existe uma forte correlação
linear entre a perda de carga linear na tubulação (Pa/m) e a viscosidade
plástica do concreto (Pa.s). Os autores observaram que o aumento da
viscosidade promove um aumento da perda de carga, para concretos com
deferentes consistências.

4.3.2.3. Comportamento do fluxo ajustado pelo modelo de Bingham


modificado

Os resultados reológicos dos concretos com relação a/ag 0,25,


obtidos pelo modelo de Bingham modificado, diferiram dos encontrados
pelo modelo de Herschel-Bulkley, principalmente no que refere à
evolução da tensão de escoamento dinâmica com o tempo (Figura 71).
Por exemplo, a composição ACR25-10 apresentou a maior tensão (21,1
Pa) aos 90 min, embora o ganho ao longo do tempo tenha sido de apenas
8,8 Pa. Já para o modelo de Herschel-Bulkley, o incremento da tensão foi
de 21,9 Pa. O ajuste dos dados reológicos para o modelo de Bingham
modificado não evidenciou uma diferenciação significativa da tensão de
escoamento dinâmica, ao longo do tempo, entre os aditivos redutor de
retração e compensador de retração. Cabe destacar, na Figura 71, que a
mistura REF25 apresentou valores negativos de tensão de escoamento
para todas as leituras, enquanto que as misturas ACR25-15 e ACR25-5
tiveram valores negativos apenas aos 10 e 90 minutos, respectivamente.
Na Figura 72, é mostrada a evolução da tensão de escoamento
dinâmica das misturas com relação a/ag de 0,32. Os modelos não lineares
de Bingham modificado e Herschel-Bulkley apresentaram uma tendência
similar para os valores de tensão escoamento. Ou seja, observa-se que as
misturas com aditivo compensador de retração e mistura referência
apresentaram os maiores valores e incrementos de tensão. As misturas
com aditivo redutor de retração, ao contrário, tiveram as menores
variações, principalmente após 40 min. Por exemplo, a tensão de
escoamento da mistura ACR32-15 apresentou uma variação de 21,9 Pa
(42,9 - 21 Pa) entre 10 e 90 min. Para o mesmo intervalo de tempo, a
mistura ARR32-1,0, obteve uma variação de 13,2 Pa (19,7 - 31,9 Pa).
144

Figura 71: Variação da tensão de escoamento dinâmica, com o tempo,


segundo modelo de Bingham modificado obtida para as misturas ARR25 (0,5%;
1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25.
40 ARR25-0,5 Bm ARR25-1,0 Bm ARR25-1,5 Bm
Tensão de escoamento

ACR25-5 Bm ACR25-10 Bm ACR25-15 Bm


30
dinâmica (Pa)

REF25 Bm
20

10

-10
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Para o modelo de Bingham modificado, a razão entre os termos de


segunda ordem pelo de primeira ordem (c/) pode ser aplicada para
descrever o comportamento não linear da mistura. Ou seja, indica se é
fluidificante, espessante ou Binghaniano, quando c/ < 0, c/ > 0 e
c/ = 0, respectivamente (FEYS et al., 2008; GUNEYISI et al., 2015). As
implicações envolvendo o comportamento reológico do concreto e
aplicações de campo, foram abordadas no item 4.3.2.2 (ajuste para o
modelo de Herschel-Bulkley), as quais são válidas também para o modelo
de Bingham modificado.

Figura 72: Variação da tensão de escoamento dinâmica com o tempo segundo


modelo de Bingham modificado obtida para as misturas ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32.
50 ARR32-0,5 Bm ARR32-1,0 Bm ARR32-1,5 Bm
ACR32-5 Bm ACR32-10 Bm ACR32-15 Bm
Tensão de Escoamento

40 REF32 Bm
dinâmica (Pa)

30

20

10

0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)
145

As misturas com relação a/ag 0,25 apresentaram um


comportamento espessante, conforme mostrado na Figura 73, ou seja, a
viscosidade aparente aumentava com o incremento da taxa de
cisalhamento. A mistura ACR25-15 foi a única exceção, com a relação
c/ menor que zero aos 25 e 40 min, como mostrado na Figura 74,
demarcada pela linha vermelha tracejada. De modo geral, o
comportamento não linear das misturas 0,25 pelo modelo de Bingham
segue a mesma tendência observada pelo modelo de Herschel-Bulkley.
Logo, foi observado uma relação c/ maior de zero e o índice de
consistência maior que um.

Figura 73: Variação com o tempo da razão entre os termos de segunda e


primeira ordem, segundo modelo de Bingham modificado, obtida para as
misturas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%) e REF25.
1,0 ARR25-0,5 Bm ARR25-1,0 Bm ARR25-1,5 Bm
ACR25-5 Bm ACR25-10 Bm REF25 Bm
0,8
Relação c/

0,6

0,4

0,2

0,0
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Figura 74: Variação com o tempo da razão entre os termos de segunda e


primeira ordem, segundo modelo de Bingham modificado, obtida para a mistura
ACR25-15.
10
ACR25-15 Bm
8
6
Relação c/

4
2
0
-2
-4
-6
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)
146

Na Figura 75, são mostrados os concretos com relação a/ag 0,32.


As misturas apresentaram um comportamento fluidificante (c/ < 0), com
a redução da viscosidade plástica e o aumento da taxa de cisalhamento –
exceto a mistura REF32 aos 60 e 90 min. Esse comportamento é
semelhante ao observado quando os dados foram ajustados pelo modelo
de Herschel-Bulkley para as mesmas misturas (Figura 70).

Figura 75: Variação com o tempo da razão entre os termos de segunda e


primeira ordem, segundo modelo de Bingham modificado, obtida para as
misturas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32.
0,12 SRA32-0,5 mB SRA32-1,0 mB SRA32-1,5 mB
EXA32-5 mB EXA32-10 mB EXA32-15 mB
0,06 REF32
Relação c/

0,00

-0,06

-0,12
0 20 40 60 80 100
Tempo (min)

Na Figura 76, são apresentados os valores da razão c/ versus


índice de consistência para as misturas para todos os concretos estudados,
assumindo o modelo proposto por Feys et al. (2006) para correlacionar a
razão c/ com o índice de consistência (Equação 29), em que a é uma
constante ajustada pelos dados experimentais. Para um ajuste de mínimos
quadrados não linear (representado pela linha cinza tracejada na Figura
76, o valor da constante a é de 1,927 para 95% de confiabilidade e um
coeficiente de determinação de 0,994.
147

Figura 76: Correlação entre o índice de consistência e a razão c/ obtida para
as composições CAAAD com aditivos mitigadores de retração e misturas
referência referente aos intervalos de tempo 10, 25, 40, 60 e 90 min.
9
Resultados experimentais
6 Ajuste
Relação c/

-3

-6
0,50 1,00 1,50 2,00 2,50
Índice de consistência - n

4.4. Deformação autógena livre de prismas de CAAD com aditivos


mitigadores de retração

Os resultados de retração autógena livre total dos concretos


estudados são apresentados nas Figuras 77 e 78 para as composições com
relação a/ag 0,25 e 0,32, respectivamente. Os dados referem-se a leituras
de deformação a partir de 1h ± 15 min a partir do início do processo de
mistura até os sete dias de hidratação. Em cada gráfico, é apresentada a
leitura de retração em microdeformação (m/m) para cada um dos três
prismas de concreto (linha cinza), mais o valor médio (linha preta)
especificado pelo próprio nome da mistura.
Na Figura 79, é apresentado o resultado médio de retração
autógena livre dos três prismas de cada concreto estudado, referente à
última hora de leitura. Essa abordagem negligencia o comportamento da
curva de retração, mas pode ser usada para efeito de comparação ao final
dos 7 dias de leitura. A média se justifica pela necessidade de evitar que
oscilações no instante final da leitura de deformação resultem em dados
destorcidos na retração total e permitir uma análise quantitativa do ensaio.
Nesse sentido, pôde-se notar que os aditivos mitigadores de retração
reduziram a retração total das respectivas misturas. As misturas REF25 (-
622 m/m) e REF32 (-635 m/m) apresentaram os maiores valores de
retração livre aos sete dias.
148

Figura 77: Deformação autógena livre total dos concretos REF25 (a), ARR25-
0.5 (b), ARR25-1.0 (d), ARR25-1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-10% (e) e
ACR25-5 (g). Em destaque a expansão inicial das misturas com ARR.
0
Prisma 1
Prisma 2
Microdeformação

-200 Prisma 3
REF25
-400

-600
(a)
-800
0 1 2 3 4 5 6 7

0
Microdeformação

-200

-400
Prisma 1 Prisma 1
Prisma 2 Prisma 2
-600 Prisma 3 Prisma 3
(b) ARR25-0,5% (c) ACR25-5%
-800
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7

0
Microdeformação

-200

-400
Prisma 1 Prisma 1
-600 Prisma 2 Prisma 2
Prisma 3 Prisma 3
(d) ARR25-1,0% (e) ACR25-10%
-800
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7

0
Micro deformação

-200

-400
Prisma 1 Prisma 1
Prisma 2 Prisma 2
-600 Prisma 3
Prisma 3
(f) ARR25-1,5% (g) ACR25-15%
-800
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias) Tempo (dias)
149

Figura 78: Deformação autógena livre total dos concretos REF32 (a), ARR32-
0.5 (b), ARR32-1.0 (d), ARR32-1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-10% (e) e
ACR32-15 (g).
800
Prisma 1
Prisma 2
Microdeformação

400 Prisma 3
REF32
0

-400
(a)
-800
0 1 2 3 4 5 6 7
800
Prisma 1 Prisma 1
Prisma 2
Microdeformação

Prisma 2
400 Prisma 3 Prisma 3
ARR32-0,5% ACR32-5%
0

-400
(b) (c)
-800
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
800
Prisma 1
Prisma 2
Microdeformação

400 Prisma 3
ARR32-1,0%

0
Prisma 1
-400 Prisma 2
Prisma 3
(d) (e) ACR32-10%
-800
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
800
Prisma 1
Prisma 2
Microdeformação

400 Prisma 3
ARR32-1,5%
0
Prisma 1
-400 Prisma 2
Prisma 3
(f) (g) ACR32-15%
-800
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias) Tempo (dias)

Entre as misturas com aditivo redutor de retração, as composições


ARR25-1,5 (-248 m/m) e ARR32-1,5 (-293 m/m) apresentaram os
150

menores valores de retração. Comparando com a mistura REF25,


representa uma redução na retração autógena total de 60,1% e 53,9%,
respectivamente. As misturas com aditivo expansor ACR25 (5; 10; 15)
apresentaram redução nos valores de retração de 76,3; 71,9; e 54,6%,
respectivamente. As misturas ACR32 (5; 10; e 15%) apresentaram
comportamento distinto. A mistura ACR32-5 apresentou retração total de
-68 m/m, enquanto as misturas ACR32 (10 e 15%) apresentaram
expansão de 301 e 516 m/m, respectivamente.

Figura 79: Deformação autógena livre total (média aritmética de três prismas)
referente à última hora de leitura das misturas de CAAD com ARR (0,5; 1,0;
1,5) e ACR (5; 10; 15) e misturas referência com a/ag 0,25 e 0,32.
600

250
Microdeformação

-100

-450

-800
REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15 REF 0,5 1,0 1,5 5 10 15
0,25 ARR25 ACR25 32 ARR32 ACR32

Admitindo que as deformações ocorridas antes do início de pega


não promovam tensões internas de tração no material, pode-se fazer uma
nova interpretação dos dados de retração autógena livre, para um novo
tempo zero (TAZAWA et al., 2000). Esse tempo zero (t0) foi obtido por
meio de uma análise conjunta das leituras da evolução de temperatura dos
próprios prismas de retração com os resultados de calorimetria de
condução das pastas. Essa abordagem foi a mesma descrita na
metodologia de pastas, para calcular o período de indução das mesmas. O
comprimento de referência passou a ser o observado exatamente no início
de pega e, consequentemente, toda a deformação autógena passou a ser
referenciada em função do comprimento no novo instante t0. Conforme
Mehta e Monteiro (2014), os fenômenos de enrijecimento, pega e
endurecimento são manifestações físicas das reações progressivas de
hidratação do cimento. Esse avanço nas propriedades mecânicas pode ser
avaliado pelo perfil de liberação de calor da mistura, devido à natureza
exotérmica das reações de hidratação (TAYLOR, 1997).
151

Essa nova abordagem é mostrada nas Figuras 80 e 81. Observa-se


que alguns resultados divergem da análise feita inicialmente com base nos
resultados de retração autógena livre total (t0 assumido quando foi
adicionado água ao cimento), os quais serão abordados na sequência do
texto.
De modo geral, observa-se que a partir de 1 dia de medições, as
misturas apresentam um comportamento bem definido para a deformação
autógena, até os 7 dias de leituras. Em outras palavras, as curvas de
deformação dos concretos não se cruzam e respeitaram uma ordem pré-
estabelecida após as primeiras horas, independentemente da relação a/ag.

Figura 80: Deformação autógena livre (média de três prismas) a partir no início
de evolução da temperatura das composições ARR25 (0 ,5; 1,0; 1,5%) e ACR32
(5; 10; 15%) e REF25.
ARR25-0,5 ARR25-1,0 ARR25-1,5
ACR25-5 ACR25-10 ACR25-15
REF25
900

600
Microdeformação

300

-300

-600
0 1 3 2 4 5 6 7
Tempo (dias)
Para as composições ARR25, nota-se que não houve variação entre
os teores ao longo do período de leitura, enquanto as composições ACR25
foram aumentando a expansão conforme foi aumentado o teor de aditivo
compensador de retração. O concreto REF25 foi o que apresentou a maior
retração em todo o período de leitura. O mesmo comportamento foi
observado para as composições com relação a/ag 0,32; com exceção das
misturas ARR32. Nota-se que apenas o concreto com 1,5% de aditivo
redutor de retração, a partir de 36 horas (1,5 d), obteve valores de retração
autógena inferior ao concreto REF32.
152

Figura 81: Deformação autógena livre (média de três prismas) a partir no início
de evolução da temperatura das composições ARR32 (0,5; 1,0; 1,5%) e ACR32
(5; 10; 15) e REF32
ARR32-0,5 ARR32-1,0 ARR32-1,5
ACR32-5 ACR32-10 ACR32-15
REF32
900

600
Microdeformação

300

-300

-600
0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias)

Cabe destacar o comportamento da curva de deformação obtida


nos concretos com aditivo compensador de retração. Observa-se que as
maiores taxas de deformação, para esses concretos, ocorrem durante as
primeiras 24 h. O ápice de deformação autógena ocorreu por volta de 36 h
(1,5 d) se mantendo estável até o término do ensaio (7 dias).
Em termos quantitativos, pode-se fazer algumas observações sobre
a deformação autógena observada aos 7 dias, para cada composição
estudada. As misturas ARR25 (0,5; 1,0; 1,5) apresentaram valores de
retração de -332; -358; e -248 m/m, respectivamente. Esses valores
representam uma redução na retração autógena livre em relação à mistura
REF25 de 23,9; 17,9; e 43,1%, respectivamente. Esses valores
percentuais de reduções de retração são sensivelmente inferiores ao
observado quando se tinha a retração total como referência (47,1; 34,5; e
60,1%, respectivamente). Das misturas ARR32, apenas a composição
com 1,5% apresentou redução nos valores de retração de 30,1%.
Com relação às misturas com aditivo compensador de retração,
pode-se observar que estas apresentaram expansão, exceto a mistura
ACR32-5. As misturas ACR25 (5; 10; e 15%) obtiveram valores de
expansão de 1; 102; e 147 m/m. Já a mistura ACR32-15 obteve a maior
expansão (706 m/m).
153

Como era esperado, o aditivo redutor de retração não eliminou a


retração autógena, ele apenas reduziu a sua magnitude quando comparado
com a mistura referência até os sete dias de hidratação. Resultado
semelhante foi encontrado por Yoo et al. (2012); os autores estudaram
concreto de alto desempenho com aditivo redutor de retração e obtiveram
uma redução na retração autógena de 31%, aproximadamente.
Notadamente, o aditivo redutor de retração atua principalmente na
água, reduzindo a tensão superficial da solução presente nos poros dos
concretos até um limite de saturação, a partir do qual não se tem mais
alterações significativas (RONGBING; JIAN, 2005; LURA et al., 2007;
RAJABIPOUR et al., 2008).
Os aditivos redutores de retração pertencem à classe dos químicos
orgânicos conhecidos como surfactantes (RAJABIPOUR et al., 2008). Os
surfactantes são moléculas anfipáticas constituídas de uma porção
hidrofílica, referenciada como cabeça (polar), a qual é covalentemente
ligada à fração hidrofóbica, geralmente uma cadeia simples ou dupla
alquila11 (CnH2n+1) chamada de cauda (apolar) (ZANA, 2005). A porção
hidrofílica pode ser iônica (aniônica ou catiônica) e é atraída por solventes
de ligação polares e de hidrogênio (tais como água) e superfícies com
cargas opostas. A cauda hidrofóbica é uma cadeia de hidrocarbonetos
apolar, cadeia alquila, e é atraída por solventes apolares (tal como óleo),
mas é repelida a partir de moléculas polares, como a água (DALTIN,
2011).
Conforme apresentado no capítulo de descrição dos materiais, a
base química do aditivo redutor de retração é hexileno-glicol (Figura 82),
embora alguns álcoois possam ser adicionados entre 1 e 5%, segundo
informações do fabricante. Quando o aditivo redutor de retração é
dissolvido em água e migra para a superfície (água - ar), ocorre uma
parcial separação das moléculas de água da superfície entre si (ZANA,
2005).
As hidroxilas serão a fração hidrofílica e se solubilizarão na água,
enquanto as metilas, porção hidrofóbica, se estabilizarão no ar (interface
água/ar). Consequentemente, a tensão superficial é reduzida quanto mais
moléculas de ARR estiverem localizadas na superfície, separando as
moléculas de água e “perfurando” a superfície líquida (DALTIN, 2011).
Entretanto, existirá, naturalmente, um limite de saturação para o número
de moléculas de agente tensoativo que pode ser adsorvido sobre a
superfície. Essa situação decorre da repulsão eletrostática entre as cabeças

11
Alquilas ou alcoílas (também são usadas as variações alquil e alquilo).
154

polares das moléculas surfactantes adjacentes (EVANS;


WENNERSTRÖM, 1999). Correspondentemente, a redução na tensão
superficial da interface água-ar é limitada e está em alta concentração de
surfactantes (PEASE et al., 2005). As moléculas de surfactante em
excesso que não podem ser adsorvidas permanecem na água em volume.
Em baixas concentrações, essas moléculas podem estar presentes como
monómeros dissolvidos em água. Contudo, em concentrações mais
elevadas, os anfipáticos tendem a agregar-se e formar micelas para
reduzir o contato desfavorável entre as caudas hidrofóbicas e as moléculas
de água (ZANA, 2005).

Figura 82: Estrutura química do hexileno-glicol e sua fórmula.


• O hexileno-glicol ou
2-methyl 2,4 pentanediol (IUPAC)
• Fórmula: C6H14O2
(CH3)2C(OH)CH2CH(OH)CH3
Fonte: NIST (acessado em webbook.nist.gov).

A Figura 83 apresenta as forças de atração entre as moléculas da


água e as moléculas da superfície, o que resulta em uma força de atração
voltada para dentro do líquido. Na Figura 83b, são mostradas as forças de
atração entre as moléculas da superfície da água reduzidas pelas
separações provocadas pelas moléculas do ARR estabilizadas na
superfície água/ar. As moléculas que são ativas na tensão superficial são
denominadas tensoativas (DALTIN, 2005).
Com base no exposto sobre os aditivos redutores de retração, fica
clara a sua atuação de modo a reduzir a tensão superficial da solução de
poros dos concretos. Logo, pode-se esperar uma redução diretamente
proporcional da tensão capilar no interior dos concretos, conforme a
equação de Laplace (Equação 3), e, consequentemente, uma redução na
retração autógena das misturas com ARR.

Figura 83: Representação das forças de atração entre as moléculas da água e as


moléculas da superfície pura (a) e na presença do ARR (b).

Fonte: Adaptada Daltin (2005).


155

Outra forma possível de avaliar a tensão capilar é em função da


variação interna da umidade dos concretos, equação de Kelvin-Laplace
(Equação 5). Nessa abordagem, a umidade relativa é diretamente
proporcional à tensão capilar. De tal modo, pode-se analisar os resultados
de variação de umidade das misturas 0,25 e 0,32, os quais são mostrados
nas Figuras 84 e 85, respectivamente. Nota-se que, independentemente da
relação a/ag, as misturas com aditivo redutor de retração apresentaram as
menores variações de umidade em relação às misturas referência. Entre
as composições com aditivo redutor, as misturas ARR25-1,5 e ARR32-
1,5 foram as que apresentaram as menores variações de umidade. Nota-
se que a mesmas misturas tiveram os menores valores de retração
autógena, independentemente do instante zero.

Figura 84: Variação da umidade interna dos concretos ARR25 (0,5%; 1,0%;
1,5%), ACR25 (5%; 10%) e REF25 até os sete dias.
100

90
Umidade (%)

80
ARR25-0,5% ARR25-1,0% ARR25-1,5%
ACR25-5% ACR25-10% ACR25-15%
REF25
70
0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias)
De modo geral, as composições com 0,5 e 1,0% de aditivo redutor
de retração não apresentaram diferença significativa entre si no que se
refere à retração e à variação de umidade. Uma possível causa seria o fato
de ambos os teores estarem muito abaixo do teor de saturação. O
fabricante do aditivo redutor recomenda um consumo de ARR entre 2,5 e
7,5 l/m³ de concreto. Na Tabela 18, pode-se observar que os teores ARR
para 0,5 e 1,0% variaram entre 3,1 e 7,0 kg/m³ de concreto, algo próximo
a 3,4 e 7,6 l/m³. Entretanto, cabe destacar que o aditivo atua diretamente
na água e valores arbitrários sobre o volume de concreto podem
apresentar erros. Essa hipótese fica mais clara quando são analisados os
resultados mostrados nas Figuras 79 e 80. Entre os concretos com aditivo
redutor de retração, as composições com a/ag 0,25 obtiveram os menores
valores de retração, independentemente do tempo zero adotado.
156

Figura 85: Variação da umidade interna dos concretos ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 até os sete dias.
100 ARR32-0,5% ARR32-1,0% ARR32-1,5%
ACR32-5% ACR32-10% ACR32-15%
REF32
Umidade (%)

90

80

70
0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias)

Pôde-se observar também que os concretos com aditivo redutor de


retração, principalmente as composições com relação a/ag 0,25,
apresentaram uma expansão inicial, conforme demarcado na Figura 77 (b,
d, g). Segundo Sant et al., 2011, essa expansão deve-se ao aumento da
supersaturação da portlandita e sua cristalização, a qual causa expansão
nas primeiras idades.
Notadamente, as misturas ARR32 apresentaram um patamar
inicial até a 9h, aproximadamente. Novamente, recorre-se aos resultados
de calorimetria de pastas (Figura 86) para buscar um possível
entendimento. Nota-se que o perfil de liberação de calor é alterado na
pasta com aditivo redutor, o qual é deslocado para frente (aumentando o
período de indução), reduzindo o pico de máxima liberação de calor,
conforme marcado pelas flechas na Figura 86. Foi citado anteriormente
que essa alteração no período de indução pode estar relacionada com a
redução da concentração de álcalis e do pH da solução dos poros,
retardando, consequentemente, a hidratação das fases C3A e C3S.
Nas misturas com aditivo compensador de retração, pôde-se notar
que a deformação autógena foi revertida de retração para expansão para
os teores acima 5% quando se admitiu o tempo zero a partir do término
do período de indução (estimado) de cada mistura. Esses resultados estão
alinhados com aqueles obtidos por Mailvaganam et al., 1993. Segundo os
autores, dependendo do percentual de incorporação do aditivo
compensador de retração, pode-se alcançar expansões de até 600
microdeformação (aproximadamente) aos 28 dias de hidratação. Calvo et
al. (2017) estudaram concretos autoadensáveis com relação a/ag 0,39 e
aditivo compensador de retração à base de sulfoaluminato de cálcio.
157

Conforme os resultados dos autores, pôde-se perceber que a expansão


ocorria principalmente até os primeiros dois dias de hidratação,
independentemente do processo de cura adotado. Esse mesmo
comportamento foi observado nas misturas ACR25 e ACR32, como
mostrado nas Figuras 77c-g e 78c-g.

Figura 86: Taxa de calor liberado obtido em calorimetria de condução de pastas


REF32 e ARR32-1,0.
5
Taxa de calor liberado

REF32
4 ARR32-1,0
(mW/g)

0
0 5 10 15 20 25
Tempo (h)

Conforme abordado anteriormente, o aditivo compensador de


retração usado é à base de sulfoaluminato de cálcio
(3CaO.3Al2O3.3CaSO4 - Hauyne), com adição de cal livre (CaO) e sulfato
de cálcio (CaSO3). Na presença de água, resulta na formação de cristais
aciculares de etringita, que promovem a expansão das misturas
(NAGATAKI; GOMI, 1998).
Várias hipóteses têm sido levantadas sobre o mecanismo pelos
quais a formação de etringita causa expansão, sendo um tema ainda
controverso (COHEN, 1983; MATHER, 1984; COHEN; MATHER,
1991; BIZZOZERO et al., 2014). Resumidamente, pode-se citar duas
teorias, swelling theory e crystal growth theory, entre as mais aceitas
(MEHTA,1973; COHEN, 1983b). Segundo essas teorias, a expansão é
decorrência da pressão exercida pelo crescimento dos cristais de etringita
ou da adsorção de grandes quantidades de água pela etringita pouco
cristalina em meio alcalino (MEHTA; MONTEIRO, 2014). De fato,
acredita-se que ambos os processos ocorram simultaneamente (MIN;
MINGSHU, 1994).
Conforme Repette e Mailvaganam (2003), nenhuma das teorias
propostas para a formação de etringita permite estimar com precisão a
quantidade dos elementos químicos envolvidos nas reações ou a cinética
158

das reações e quantidade de etringita formada. Segundo os autores, ainda


mais complexa é a tarefa de estimar, quantitativamente, a expansão
eventualmente produzida pela formação de etringita, uma vez que
aspectos da formatação de etringita devem ser considerados em conjunto
com características físico-mecânicas dos materiais. Destaca-se também a
inexistência de um modelo matemático aceito para a previsão da expansão
promovida pelo aditivo compensador à base de sulfoaluminato de cálcio.
Segundo Rosetti et al. (1982) e Nagataki e Gomi (1998), a
formação da etringita pelo aditivo compensador de retração à base de
hauyne não ocorre necessariamente na fase líquida. A hauyne e a cal livre
reagem para formar uma solução sólida constituída por cristais em forma
de placas hexagonais de monosulfato e de aluminato de cálcio hidratado
do tipo C4AH13. As reações subsequentes do monosulfato com o gesso
produzem cristais aciculares de etringita. Sob condições idênticas, o
desempenho dos aditivos compensadores de retração à base de hauyne é
melhor que cimentos expansivos do tipo K e outros tipos de aditivo
compensador à base de sulfoaluminato de cálcio (MAILVAGANAM et
al., 1993; REPETTE; MAILVAGANAM, 2003).
Nesse contexto, fica evidenciada a importância de buscar-se um
entendimento experimental de concretos com incorporação de aditivos à
base de sulfoaluminato de cálcio (ACR) em teores, de certa forma,
arbitrários, e, assim, acrescentar mais dados para viabilizar um melhor
entendimento do processo variação dimensional ocorrido nos concretos
por meio da formação de etringita – e, se possível, dar base para novos
modelos matemáticos para expansão devido à formação de etringita.
Pôde-se notar também que a expansão das misturas 0,32 foi maior
que das misturas 0,25 (Figuras 79 e 80), independentemente do tempo
zero adotado. Tal fato deve-se, possivelmente, à maior disponibilidade de
água para o aditivo compensador de retração formar compostos
hidratados, conforme explicado anteriormente. De fato, comportamento
semelhante foi encontrado por Meddah et al. (2011). Os autores
estudaram concretos de alto desempenho com sulfoaluminato de cálcio
como aditivo compensador de retração em conjunto com um teor fixo de
aditivo redutor de retração para todas as composições. Os resultados
demostraram que a deformação autógena passou de retração para
expansão para teores fixos de 20% de aditivo compensador com o
aumento da relação a/ag. Conforme Chen et al. (2012), à medida que a
relação a/ag diminui, há menos espaços para a formação de produtos de
hidratação, incluindo etringita e fases amorfas. Além disso, segundo os
autores, uma vez que existe menos água disponível para reações de
hidratação, formam-se menos produtos de hidratação inicialmente, o que
159

poderá conduzir à expansão mais tarde, quando água externa for fornecida
à mistura.
Embora as composições ACR25 (5; 10; 15) tenham retraído menos
que o concreto REF25, cabe destacar que a deformação autógena total
não reduziu em função do teor de aditivo; ao contrário, aumentou a
retração, como mostrado nas Figuras 79 e 87(a). Esse comportamento
pode ter decorrido da autodessecação da matriz cimentícia promovida
pela hidratação do aditivo compensador em conjunto com os demais
aglomerantes. Essa hipótese pode ser justificada pelos resultados de
variação da umidade interna dos concretos, mostrados na Figura 84. Pôde-
se observar que a umidade interna das misturas com aditivo compensador
foi reduzida em função do teor de incorporação – inclusive, a umidade
interna dos concretos ACR25 (5; 10) foi menor que a mistura REF25.
Outro comportamento peculiar das composições com aditivo
compensador de retração foi a variação da retração autógena livre total,
referente às primeiras horas, como mostrado na Figura 87a,d.
Notadamente, a retração autógena nas primeiras horas foi acentuada pelo
teor de aditivo compensador. A retração das composições ACR32 (5; 10;
e 15%) nas primeiras 24 h não foi maior que a da mistura de referência
(Figura 87b). Entretanto, para concretos ACR25 (5; 10; 15), a retração foi
maior (Figura 87d) que a medida no concreto REF25. Outro
comportamento observado nas primeiras 24 h de deformação autógena foi
o deslocamento do pico de retração em função do teor incorporado de
aditivo compensador de retração. Pode-se observar na Figura 87b-d que
o pico de retração ocorre antes para as composições com 15% de aditivo
compensador, seguidas pelos teores de 10 e 5%.
Novamente, recorre-se aos resultados de umidade dos concretos e
da calorimetria de pastas com o objetivo de entender o comportamento
relatado anteriormente. Como mostrado na Figura 88(a,b), nota-se que a
umidade interna dessas composições com aditivo compensador foi menor
que a da mistura referência, exceto a composição ACR25-10, como
mostrado na Figura 88a, o que pode sugerir o fenômeno de
autodessecação desses concretos. Pôde-se observar ainda que os
deslocamentos referentes ao pico de retração estão alinhados com os
resultados obtidos em calorimetria, Figura 88b. Observou-se que o
aumento do teor incorporado de aditivo compensador de retração reduziu
o período de indução, embora o valor do platô (durante o período de
indução) tenha aumentado.
160

Figura 87: Deformação autógena livre total (média aritmética de três prismas)
obtida nos concretos ACR25 (5; 10; 15), ACR32 (5; 10; 15) e misturas de
referência até os sete dias (a,c); e até as primeiras 24 horas (b e d). As flechas
indicam o deslocamento do pico de retração em função do teor do ACR.
REF25 ACR25-5%
0 ACR25-10% ACR25-15% 0
Micro deformação x 102

-2 -2

-4 -4

-6 -6

-8 -8
0 1 2 3 4 5 6 7 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
(a) (b)
8 REF32 ACR32-5% 3
ACR32-10% ACR32-15%
Micro deformação x 102

2
4 1
0
0
-1
-2
-4
-3
-8 -4
0 1 2 3 4 5 6 7 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
Tempo (dias) Tempo (h x 24)
(c) (d)

De modo geral, pode-se dizer que pouco é relatado sobre a


deformação em um sistema autógeno obtida em concretos com aditivos
mitigadores de retração. Muito deve-se ao fato de acreditar-se que
deformações observadas ainda nas primeiras horas não são capazes de
introduzir, necessariamente, tensões no material. O comportamento
apresentado na Figura 87 foi reportado por Meddah et al. (2011) quando
estudaram concretos com aditivo compensador de retração; entretanto, os
autores limitaram-se a reportar o ocorrido sem mais explicações.
161

Figura 88: Umidade interna (a) e taxa de liberação de calor (b) para
composições de concreto e pasta ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 até as 18
horas de hidratação.
96 5

Taxa de calor liberado (mW/g)


95 4
Umidade (%)

94
3
93
Concretos 2 Pastas
92 ACR25-5% ACR25-5
ACR25-10% ACR25-10
91 ACR25-15% 1
ACR25-15
REF25 REF25
90 0
6 9 12 15 18 0 6 12 18
Tempo (h) Tempo (h)
(a) (b)

4.5. Retração restringida (Anel) de CAAD com aditivos mitigadores


de retração

Os dados de retração autógena restringida por anel de aço


mostraram, de forma significativa, a efetividade do uso dos aditivos
mitigadores de retração, uma vez que apenas as misturas de referência
(REF25 e REF32) e a composição ARR25-0,5 romperam até os sete dias
de idade. Nas demais composições, não foi constatado rompimento dentro
do período de ensaio, conforme mostrado nas Figuras 89 e 90.
Os anéis do concreto REF25 romperam aos seis dias (Figura 89a),
enquanto que para o concreto REF32, os rompimentos ocorreram entre
três e cinco dias (Figura 90a). Apenas dois anéis da composição ARR25-
0,5 romperam até os sete dias, um no quinto e outro no sexto dia.
As análises subsequentes dos CAAD com aditivos mitigadores de
retração que não fissuraram ficaram restritas à deformação que o anel
metálico sofreu por decorrência da retração autógena do anel de concreto
externo. Nessa linha, pôde-se observar que as misturas com relação
ARR25-1,0 e ARR25-1,5 apresentaram deformação semelhante e inferior
àquela observada na composição ARR25-0,5. Mesmo comportamento foi
observado para as misturas ACR25-10 e ACR25-15, que foram
semelhantes, porém, inferiores ao apresentado pela composição ACR25-
5. A deformação sofrida pelo anel de aço foi inversamente proporcional
ao teor de aditivo redutor de retração das misturas ARR32 (0,5; 1,0; e
1,5), ou seja, a mistura ARR32-1,5 apresentou a menor retração. A
misturas ACR32 (5; 10; 15) não apresentaram diferenças significativas de
162

deformação, porém, as três composições apresentaram retração próxima


a zero. Comportamento semelhante foi observado para as composições
ACR25 (10 e 15).
Com relação aos resultados dos concretos com aditivo redutor de
retração, pode-se citar o trabalho realizado por Soliman e Nehdi (2014).
Os autores estudaram concreto de ultra-alto desempenho com relação a/ag
de 0,2 (em massa) com aditivo redutor de retração à base éter poli-
oxietileno alquilo. Neste trabalho, foi constatado que o uso de aditivo
redutor de retração aumentou o período livre de fissura no anel de
concreto. A mistura referência rompeu com aproximadamente 48 h,
enquanto os concretos com 1 e 2% de aditivo redutor romperam com 72
e 96 h. Resultados semelhantes foram publicados por Passuello et al.
(2009). Em comum, ambos os estudos apresentaram deformações no
instante do rompimento, que variaram entre 30 e 55 m/m,
aproximadamente. Os concretos ARR25 e ARR32 alcançaram
deformações na ordem de 100 m/m, sem, necessariamente, haver o
rompimento do anel de concreto. Essa diferença deve-se, principalmente,
ao elevado consumo de cimento adotado nos concretos estudados neste
trabalho, uma vez que as geometrias do anel de retração foram as mesmas.
Choi et al. (2015) estudaram a influência de diferentes geometrias
para o aparato do anel de retração moldado com argamassa expansiva
para uma relação a/ag de 0,5 em massa. Os autores observaram que
independentemente da geometria utilizada, a argamassa com agentes
expansivos fissurava mais tarde quando comparada com a mistura
referência, embora o valor referente à tensão residual (tensão elástica –
fluência) tenha sido, aproximadamente, o mesmo para todas as misturas.
Ou seja, os agentes expansivos desaceleram a taxa de carregamento
aplicada no próprio material, promovida pela retração do concreto.
163

Figura 89: Retração restringida (anel) dos concretos REF25 (a), ARR25-0.5 (b),
ARR25-1.0 (d), ARR25-1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-10% (e) e ACR25-15(g).
40
(a)
0
Micro deformação

-40
-80
-120 Anel 1
Anel 2
-160 Anel 3
REF25
-200
0 1 2 3 4 5 6 7
40
(b) (c)
Micro deformação

0
-40
-80
-120 Anel 1 Anel 1
Anel 2 Anel 2
-160 Anel 3 Anel 3
ARR25-0,5% ACR25-5%
-200
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
40
(d) (e)
Micro deformação

0
-40
-80
Anel 1 Anel 1
-120 Anel 2 Anel 2
-160 Anel 3 Anel 3
ARR25-1,0% ACR25-10%
-200
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
40
(f) (g)
Micro deformação

0
-40
-80
Anel 1 Anel 1
-120 Anel 2 Anel 2
-160 Anel 3 Anel 3
ARR25-1,5% ACR25-15%
-200
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias) Tempo (dias)
164

Figura 90: Retração restringida (anel) dos concretos REF32 (a), ARR32-0.5 (b),
ARR32-1.0 (d), ARR32-1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-10% (e) e ACR32-15(g).
40
(a)
Micro deformação

-40

-80
Anel 1
Anel 2
-120 Anel 3
REF32
-160
0 1 2 3 4 5 6 7
40
(b) (c)
0
Micro deformação

-40

-80 Anel 1 Anel 1


Anel 2 Anel 2
-120 Anel 3 Anel 3
ARR32-0,5% ACR32-5%
-160
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
40
(d) (e)
0
Micro deformação

-40

-80 Anel 1 Anel 1


Anel 2 Anel 2
-120 Anel 3 Anel 3
ARR32-1,0% ACR32-10%
-160
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
40
(f) (g)
0
Micro deformação

-40

-80 Anel 1 Anel 1


Anel 2 Anel 2
-120 Anel 3 Anel 3
ARR32-1,5% ACR32-15%
-160
0 1 2 3 4 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7
Tempo (dias) Tempo (dias)

Esses resultados estão alinhados com aqueles obtidos para as


composições com aditivo compensador de retração, como observado nas
Figuras 89(c,e,f) e 90(c,e,f), as deformações dos concretos com aditivo
165

compensador de retração foram menores que as observadas nas misturas


referência.

4.6. Propriedades mecânicas dos concretos dosados com aditivos


redutor e compensador de retração e misturas referência

Nas Figuras 91 e 92, são mostrados os resultados de resistência


mecânica à compressão dos concretos com aditivos redutor e
compensador de retração mais as misturas referência. Como era esperado,
a resistência mecânica à compressão obtida nos concretos com relação
a/ag 0,25 foi superior à encontrada nos concretos com relação 0,32. Como
exemplo, os valores de resistência mecânica do concreto REF25 foram
82,0; 91,8; e 101,8 MPa aos três, sete e 28 dias, respectivamente,
enquanto que para o concreto REF32 foram 68,5; 76,7; e 93,4 MPa para
os mesmos períodos.
Nota-se também que os resultados de resistência dos concretos
com os aditivos redutor e compensador de retração não foram afetados
significativamente aos 28 dias de hidratação, exceto os concretos com
15% de aditivo compensador. No entanto, nas primeiras idades (três e sete
dias), ambos os aditivos reduziram a resistência quando comparados com
os concretos de referência. Ficou evidenciado que o teor de 15% de
aditivo expansor atuou de modo a reduzir a resistência de tal forma que
inviabiliza o emprego desse teor em concretos estruturais.

Figura 91: Resistência à compressão dos concretos ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 aos três, sete e 28 dias.
120
Resistência à compressão

90
(MPa)

60

30
3 Dias 7 Dias 28 Dias
0
REF 0,50% 1,0% 1,50% 5% 10% 15%
0,25 ARR25 ACR25

Saliba et al. (2011) estudaram concretos autoadensáveis e


convencionais com aditivo redutor de retração. Segundo os resultados
166

publicados pelos autores, a diferença de resistência à compressão em


relação ao concreto referência é maior nas primeiras idades, podendo ser
acentuada com o aumento da relação a/ag. Folliard e Berke (1997)
estudaram concretos de alto desempenho com aditivo redutor e
observaram o mesmo efeito de redução da resistência mecânica acentuado
nas primeiras idades. A redução da resistência nas primeiras idades está
relacionada à redução da alcalinidade da solução de poros. Esse fato tem
impacto direto na taxa de hidratação do cimento e pode contribuir para o
retardo na hidratação e, consequentemente, para o desenvolvimento de
resistência dos concretos com ARR (RAJABIPOUR et al., 2008).

Figura 92: Resistência à compressão dos concretos ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 aos três, sete e 28 dias.
120
Resistência à compressão

90
(MPa)

60

30
3 Dias 7 Dias 28 Dias
0
REF 0,50% 1,0% 1,5% 5% 10% 15%
0,32 ARR32 ACR32

Com relação ao aditivo compensador de retração, existem valores


variados na literatura, muito em função da proporção dos constituintes,
embora sejam à base sulfoaluminato de cálcio. Como exemplo, pode-se
citar os trabalhos de Saout et al. (2013) e Higuchi et al. (2014), os quais
estudaram aditivos à base de sulfoaluminato de cálcio produzidos pelo
mesmo fabricante do aditivo compensador empregado neste trabalho. Na
Tabela 21, são mostrados os principais constituintes para o aditivo
compensador utilizado nos trabalhos anteriormente citados.
Notadamente, a composição pode variar significativamente para os
aditivos compensadores, tornando complexa a tarefa de traçar algum
paralelo entre resultados encontrados na literatura.
167

Tabela 21: Variação dos principais constituintes encontrados na literatura para o


aditivo compensador de retração.
Composições do aditivo compensador (% em massa)
Autores
CaSO4 CaO Sulfoaluminato de cálcio
Saoût et al. (2013) 47,7 18,6 22,5
Higuchi et al. (2014) 31,4 45,4 9,2

Inicialmente, poder-se-ia esperar que a resistência à compressão


dos concretos com aditivo compensador de retração fosse maior que os
concretos de referência. Conforme Monteiro e Mehta (1986), a zona de
transição entre o agregado e as pastas é densificada quando incorporados
à mistura cimentos expansivos à base de sulfoaluminato de cálcio.
Segundo os autores, a densificação é promovida pela formação de
etringita e acompanhada por um filme de hidróxido de cálcio descontínuo
em contato com o agregado, pelo consumo dos íons Ca2+. Entretanto, os
autores fazem uma ressalva: a formação excessiva de etringita poderia
comprometer a resistência mecânica dos concretos. De fato, foi observado
que a resistência mecânica à compressão foi sensivelmente afetada
quando foram incorporados nos concretos teores de 15% de aditivo
compensador de retração.
Na literatura, são encontrados alguns resultados conflitantes a
respeito da resistência mecânica de concretos com aditivo compensador
de retração, conforme exposto a seguir. Natataki e Gomi (1998)
estudaram concretos com aditivo compensador de retração e observaram
que a resistência à compressão dos concretos não foi alterada com a
incorporação de aditivo compensador. Entretanto, outro estudo, de Saout
et al. (2013), mostrou que a resistência mecânica à compressão de pastas
de cimento Portland foi reduzida quando incorporado à mistura o aditivo
compensador de retração.
A análise de variância (ANOVA) foi realizada para identificar os
efeitos individuais e interativos das variáveis sobre a resistência à
compressão dos concretos. Os resultados estatísticos referentes as
resistências aos 3, 7 e 28 dias estão apresentados Tabela 22. Em relação
aos fatores isolados, percebeu-se a presença dos aditivos redutor e
compensador de retração exercem grande influência nos resultados de
resistência à compressão, assim como o fator água/aglomerante dos
concretos. A interação entre o aditivo e a relação água/aglomerante não
apresentou influência, com 95% de confiabilidade.
168

Tabela 22: ANOVA para os resultados de resistência à compressão axial aos 3,


7 e 28 dias.
Fonte SQ GL MQ F Probabilidade
Aditivo* 6611,3 2 3305,7 11,3657 ~100,0%
3 Água/aglomerante (a/ag) 2216,5 1 2216,5 7,6210 99,3%
dias Aditivo* x a/ag 119,8 2 59,9 0,2059 18,6%
Erro 20359,3 70 290,8

Aditivo* 3642,5 2 1821,2 5,6366 99,4%


7 Água/aglomerante (a/ag) 5359,5 1 5359,5 16,5871 ~100,0%
dias Aditivo* x a/ag 1284,4 2 642,2 1,9876 85,4%
Erro 20356,0 63 323,1

Aditivo* 9587,9 2 4793,9 12,0305 ~100,0%


28 Água/aglomerante (a/ag) 1551,7 1 1551,7 3,8940 94,7%
dias Aditivo* x a/ag 65,8 2 32,9 0,0826 7,9%
Erro 25901,4 65 398,5
*
Aditivos – aditivos mitigadores de retração (ARR e ACR).

Os resultados de módulo estático de elasticidade à compressão


obtidos pelos concretos com os aditivos redutor e compensador de
retração são apresentados nas Figuras 93 e 94. Nota-se que não há
resultado para as composições com 15% de aditivo compensador, pois
essas misturas foram descartadas em função dos resultados de resistência
à compressão. Observa-se que valores de módulo de elasticidade dos
concretos com relação 0,25 foram maiores que os encontrados para a
relação a/ag 0,32, exceto a mistura com 1,0% de aditivo redutor de
retração, independentemente da idade avaliada. Para a relação a/ag 0,25,
pode-se observar que o módulo de elasticidade aos três e sete dias, obtido
nos concretos com os aditivos redutor e compensador de retração, foi
maior quando comparado com o concreto REF25. Entretanto, aos 28 dias,
apenas o concreto ACR25-5 (37,4 MPa) obteve valor de módulo superior
à mistura REF25 (37,1 MPa).
Os concretos com relação 0,32 apresentaram comportamento
distinto do observado nas composições 0,25. Notadamente, os concretos
ARR32 (0,5 e 1,0) apresentaram valores de módulo superiores aos obtidos
no concreto REF32, independentemente da idade. Os valores de módulo
de elasticidade para as composições ARR32-1,5 e ACR32 (5 e 10) foram
iguais ou inferiores aos valores obtidos no concreto REF32.
169

Figura 93: Módulo estático de elasticidade à compressão dos concretos ARR25


(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR25 (5%; 10%; 15%) e REF25 aos três, sete e 28 dias.
40
Módulo de elasticidade
3 Dias 7 Dias 28 Dias
35
(GPa)

30

25

20
REF 0,50% 1,0% 1,50% 5% 10% 15%
0,25 ARR25 ACR25

Figura 94: Módulo estático de elasticidade à compressão dos concretos ARR32


(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 aos três, sete e 28 dias.
40
Módulo de elasticidade

3 Dias 7 Dias 28 Dias


35
(GPa)

30

25

20
REF 0,50% 1,0% 1,5% 5% 10% 15%
0,32 ARR32 ACR32

A fim de comprovar as análises anteriormente realizadas, a Tabela


23 mostra a ANOVA para os resultados de módulo de elasticidade
estático à compressão dos concretos. Percebe-se a grande influência de
todos os fatores analisados, com exceção do aditivo aos 7 dias, que
apresentou probabilidade inferior a 95%, no entanto no fator de segunda
ordem permaneceu com grande influência.
Os resultados de resistência à tração por compressão diametral
para as composições com relação a/ag de 0,25 e 0,32 são apresentados nas
Figuras 95 e 96. De modo geral, a resistência à tração das composições
com 0,25 foram superiores as obtidas nas composições 0,32.
170

Tabela 23: ANOVA para os resultados de módulo de elasticidade estático à


compressão aos 3, 7 e 28 dias.
Fonte SQ GL MQ F Probabilidade
Aditivo* 94,66 2 47,33 11,759 ~100,0%
Água/aglomerante (a/ag) 122,61 1 122,61 30,462 ~100,0%
3 dias
Aditivo x a/ag 63,60 2 31,80 7,901 99,9%
Erro 173,08 43 4,03

Aditivo* 14,06 2 7,03 2,10 86,5%


Água/aglomerante (a/ag) 64,22 1 64,22 19,23 ~100,0%
7 dias
Aditivo* x a/ag 120,06 2 60,03 17,97 ~100,0%
Erro 140,26 42 3,34

Aditivo* 42,43 2 21,22 4,006 97,4%


Água/aglomerante (a/ag) 185,40 1 185,40 35,007 ~100,0%
28 dias
Aditivo* x a/ag 59,56 2 29,78 5,623 99,3%
Erro 201,25 38 5,30
*
Aditivos – aditivos mitigadores de retração (ARR e ACR).

Nota-se que a resistência à tração por compressão diametral foi


afetada, principalmente, aos 3 dias de hidratação, quando incorporado os
aditivos mitigadores de retração aos concretos com relação a/ag de 0,25.
As composições 0,32 tiveram reduções sistemáticas nos valores de
resistência a tração, para todas as idades. Independente da relação a/ag
empregada, a redução nos valores obtidos de resistência à tração
diametral foi em função dos teores incorporados de aditivo redutor de
retração.
A resistência à tração por compressão diametral obtida nos
concretos com aditivo compensador de retração foi reduzida,
principalmente aos 3 dias de idade, independentemente, da relação a/ag
adotada. Entretanto, os concretos com 15% de aditivo compensador de
retração apresentaram reduções significativas nos valores de resistência à
tração diametral.
Os resultados obtidos para as composições com aditivo redutor de
retração estão alinhados com os encontrados na literatura sobre o assunto.
Shah et al. (1992) estudaram a influência na resistência à tração diametral
de concretos dosados com de três tipos de aditivo redutor de retração à
base de Álcool alcoxilado, em condição de cura úmida até os 7 dias e na
sequência mantidos em ambiente com 40% de umidade relativa. Os
autores constataram que, aos 28 dias de hidratação, a resistência à tração
é pouco influenciada pelo aditivo redutor, observando variações entre
171

0,92 a 1,03% em relação à mistura referência. Pôde-se observar também


que existem poucos dados publicados referentes a resistência à tração
diametral de concretos com aditivo compensador, principalmente, para
aditivos com base química semelhante à usada neste trabalho.
Consequentemente, não se pode fazer possíveis comparações entre
resultados.

Figura 95: Resistência à tração por compressão diametral dos concretos ARR25
(0,5%; 1,0%; 1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF25 aos três, sete e 28 dias.
10
3 Dias 7 Dias 28 Dias
Resistência à tração por
compressão diametral

8
6
(MPa)

4
2
0
REF 0,50% 1,0% 1,50% 5% 10% 15%
0,25 ARR25 ACR25

Figura 96: Resistência à tração por compressão diametral ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%), ACR32 (5%; 10%; 15%) e REF32 aos três, sete e 28 dias.
10
Resistência à tração por

3 Dias 7 Dias 28 Dias


compressão diametral

8
6
(MPa)

4
2
0
REF 0,50% 1,0% 1,5% 5% 10% 15%
0,32 ARR32 ACR32

Na Figura 97, é mostrada a correlação entre os resultados de


resistência à compressão e de resistência à tração por compressão
diametral, por um ajuste logarítmico. Nota-se que os concretos com
mesma relação a/ag apresentam comportamento semelhante,
172

independentemente do aditivo mitigador de retração usado, entretanto


destoaram das composições referência.

Figura 97: Correlação entre a resistência à compressão e a resistência à tração


por compressão diametral para os concretos com aditivo mitigadores de retração
e misturas referência aos três, sete e 28 dias.
120
ARR25
Resistência à compressão (MPa)

100 ACR25
ARR32
80 ARC32
REF
y = 49,14ln(x) - 8,30
60 R² = 0,97 - ACR32

40 y = 57,78ln(x) - 15,45 y = 53,59ln(x) - 12,65


R² = 0,96 - ACR25 R² = 0,73 - ARR32

20 y = 58,92ln(x) - 11,27 y = 80,12ln(x) - 54,85


R² = 0,97 - ARR25 R² = 0,90 - REF
0
1 3 5 7 9
Resistência à tração por compressao diametral (MPa)
173

5. CONCLUSÕES

Neste tópico, são apresentadas algumas considerações sobre os


resultados mais expressivos obtidos com a realização do programa
experimental desta tese. Ao final deste capítulo, constam também
algumas sugestões para o desenvolvimento de novos trabalhos.

5.1. Consideração finais

De posse dos resultados dos ensaios tecnológicos (espalhamento,


funil-V, anel-J), pode-se concluir que é possível dosar concretos
autoadensáveis de alto desempenho com incorporação dos aditivos
redutor e compensador de retração. Decorridos 90 min após o início da
mistura, os valores de abertura, medidos pelo ensaio de espalhamento,
foram superiores a 550 mm, exceto o do concreto com 10% de aditivo
compensador de retração e relação água/aglomerante (a/ag) igual a 0,25.
Tal fato permite afirmar que a maioria dos concretos estudados podem ser
classificados como autoadensáveis, segundo critérios ABNT NBR 15823
(2010) para esse ensaio especificamente.
Os ensaios reométricos demostraram que o ajuste linear de
Bingham, amplamente aceito na literatura para concretos autoadensáveis,
não se mostrou o mais adequado para analisar o comportamento reológico
dos concretos com e sem incorporação dos aditivos redutor e
compensador de retração. Provavelmente, isso deve-se à baixa relação
a/ag adotada nos concretos. Os ajustes não lineares de Herschel-Bulkley
e Bingham modificado mostram que as tensões de escoamento obtidas
nos concretos, aos 10 min, foram semelhantes. Entretanto, a tensão de
escoamento sofreu aumento, ao longo do tempo, principalmente para as
composições com aditivo compensador de retração. Esse comportamento
deve-se à ação distinta dos aditivos mitigadores de retração empregados.
Enquanto o aditivo compensador sequestra parte da água de amassamento
para formar etringita, o aditivo redutor de retração atua para reduzir a
tensão superficial da solução de poros do concreto e, consequentemente,
alterando a solubilidade do C3S e C3A.
Pôde-se observar, também, que não foi possível obter uma
correlação entre os resultados dos ensaios tecnológicos e os reométricos
dos concretos estudados. Por exemplo, pode-se citar a inexistência de uma
correlação entre a tensão de escoamento e a abertura medida pelo ensaio
de espalhamento. Esse resultado foi reportado por outros pesquisadores,
que justificam que o ensaio de espalhamento não apresenta condições
para ser considerado um fluxo homogêneo. Consequentemente, esse
174

ensaio pode não ser o mais indicado para avaliar o comportamento


reológico de misturas de concreto autoadensáveis.
Os aditivos redutor e compensador de retração mostraram-se
eficientes no combate à retração autógena livre. O aditivo redutor de
retração reduziu a retração autógena livre total em até 60,1% para o teor
de 1,5%. A deformação autógena total passou de retração para expansão
para os concretos com 10% e 15% de aditivo compensador de retração e
relação a/ag 0,32. Consequentemente, apenas os anéis moldados com os
concretos de referência e o concreto com 0,5% de aditivo redutor e a/ag
0,25 romperam até os sete dias de idade no ensaio de retração restringida
pelo anel metálico.
Os resultados de resistência à compressão e à tração demonstraram
que os aditivos redutor e compensador de retração não interferem na
resistência à compressão aos 28 dias de idade, exceto nos concretos com
15% de aditivo compensador de retração, os quais obtiveram reduções
significativas de resistência mecânica, o que inviabiliza o emprego desse
teor. A resistência à compressão foi reduzida nas primeiras idades,
principalmente para os concretos com aditivos mitigadores de retração e
relação a/ag 0,32. O módulo de elasticidade estático à compressão não foi
afetado pela adição dos aditivos redutor e compensador de retração aos
três e sete dias de idade para a relação a/ag 0,25.
Pôde-se observar, por meio dos resultados de calorimetria de
condução, que o período de indução aumentou para as pastas com aditivo
redutor de retração; o contrário foi observado para as pastas com aditivo
compensador. Os resultados reológicos das pastas indicam que a variação
de tempo estudada pouco interferiu na tensão de escoamento das pastas
com aditivo redutor de retração, enquanto o contrário foi observado nas
pastas com aditivo compensador de retração. Nota-se que a viscosidade
das pastas foi semelhante aos 10 min. Contudo, as pastas com aditivo
compensador de retração tiveram os maiores incrementos na viscosidade
entre 10 e 90 min.
Desse modo, conclui-se que é possível dosar concretos
autoadensáveis de alto desempenho com retração autógena livre reduzida
ou convertida em expansão pelo uso dos aditivos redutor e compensador
de retração. Notadamente, as composições avaliadas suportaram as
tensões impostas em sistema autógeno restringido sem fissurar até os 7
dias, o que se mostra encorajador para o uso dessa solução em elementos
estruturais que demandem concretos de alto desempenho.
175

5.2. Recomendações para trabalhos futuros

Alguns aspectos citados neste trabalho podem ser estudados de


forma mais expressiva, a fim de contribuir para a aplicação de concretos
autoadensáveis e de alto desempenho dosados com os aditivos redutor e
compensador de retração.

• Avaliar o desempenho das composições estudadas sob condições


que permitam ao concreto perder água para meio externo. Alguns
trabalhos reportaram o rompimento de concretos de alto
desempenho autoadensáveis com os aditivos redutor e
compensador de retração no ensaio de retração restringida pelo
anel metálico. O anel de concreto rompe depois dos sete dias,
quando é permitida a troca de umidade com o ambiente externo.

• Avaliar a comportamento dos aditivos redutor de retração e


compensador de retração mediante diferentes temperaturas,
principalmente elevações de temperatura nas primeiras idades.

• Buscar um melhor entendimento da microestrutura da pasta dos


concretos com os aditivos redutor e compensador de retração,
visando buscar alternativas dentro do mercado nacional,
principalmente para o aditivo à base de sulfoaluminato de cálcio.

• Avaliar o efeito da incorporação conjunta e/ou separada dos


aditivos redutor e compensador de retração em concretos
autoadensáveis de alto desempenho com baixo consumos de
aglomerante.
176
177

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205

7. Apêndice

7.1. Parâmetros reológicas de composições de concreto


autoadensável de alto desempenho com aditivos redutor e
compensador de retração e misturas referência, com relação
a/ag de 0,25 e 0,32.

Neste item são apresentados os dados obtido no reômetro ICar para


composições de concreto estadas. Os resultados ajustados pelos modelos
de Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado, em unidades
fundamentais, para os intervalos de 10, 25, 40, 60 e 90 min são mostrados
nas Tabelas 24 e 25.
206

Tabela 24: Parâmetros reológicos, obtidos reômetro, pelos modelos de


Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para as composições de
CAAD com a/ag 0,25 e aditivos mitigadores de retração e mistura referência.
Propriedades Tempo REF25 ARR25 ACR25
reológicas (min) 0,5 % 1,0 % 1,5 % 5% 10 % 15 %
10 -23,8 25,9 -9,9 -24,2 -9,3 -10,2 -33,3
dinâmica (Pa)
escoamento plástica (Pa.s) escoamento
Tensão de

25 -42,9 19,9 -17,9 -39,5 -35,6 -36,7 -82,2


Modelo de Bingham

40 -44,2 15,1 -14,4 -36,3 -30,7 -43,7 -87,8


60 -45,1 7,9 -21,0 -35,0 -41,3 -68,5 -121,8
90 -48,9 -4,0 -29,6 -46,0 -62,8 -83,0 -150,9
10 50,0 38,9 60,5 59,3 50,3 60,1 64,3
Viscosidade

25 80,9 69,6 92,6 91,0 85,1 120,3 118,7


40 89,5 62,6 86,4 94,2 87,9 143,5 131,2
60 88,4 75,3 96,9 95,3 115,6 190,9 188,4
90 97,8 95,6 124,1 113,4 129,1 232,6 242,0
10 1,5 36,5 14,7 8,2 16,8 17,9 4,6
dinâmica (Pa)
Tensão de

25 1,7 42,0 21,2 11,5 14,9 27,7 4,8


40 3,6 41,5 18,8 13,3 21,5 31,0 6,3
Modelo de Herschel-Bulkley

60 3,9 41,2 21,6 13,0 22,6 34,0 7,3


90 4,5 40,1 22,9 12,8 26,3 39,8 10,2
10 21,4 26,6 32,3 22,8 20,8 28,1 21,3
consistência
Fator de

25 30,7 44,2 47,9 33,8 28,6 47,7 24,0


(Pa.sn)

40 35,6 32,3 48,3 38,1 29,5 59,0 28,3


60 33,2 37,3 48,3 40,8 43,6 75,2 46,3
90 37,6 45,4 64,9 46,9 39,4 93,7 63,8
10 1,6 1,2 1,4 1,6 1,6 1,5 1,7
consistência
Índice de

25 1,7 1,3 1,4 1,7 1,7 1,6 2,1


40 1,6 1,4 1,4 1,6 1,7 1,6 2,1
60 1,7 1,5 1,5 1,6 1,7 1,6 2,0
90 1,6 1,5 1,4 1,6 1,8 1,6 1,9
10 0,01 0,34 0,14 0,08 0,12 0,12 -0,01
dinâmica (Pa)
escoamento
Tensão de

25 0,02 0,39 0,20 0,11 0,09 0,17 0,09


40 0,03 0,39 0,18 0,12 0,15 0,18 0,08
Modelo modificado de Bingham

60 0,04 0,39 0,20 0,12 0,13 0,18 0,06


90 0,04 0,38 0,21 0,12 -0,06 0,20 0,05
10 4,6 2,9 5,0 5,7 1,3 1,9 1,2
Termo linear

25 7,8 5,4 7,8 8,9 1,3 2,8 -0,9


(Pa.s)

40 8,4 5,2 7,0 8,8 1,4 3,6 -0,6


60 8,6 6,4 8,3 8,7 2,4 4,4 0,2
90 9,4 8,3 10,4 10,5 3,2 5,5 1,1
segunda ordem

10 1,6 1,2 1,4 1,6 3,8 4,0 5,7


Termos de

25 1,7 1,3 1,4 1,7 8,0 9,6 16,1


(Pa.s²)

40 1,6 1,4 1,4 1,6 8,1 11,0 17,1


60 1,7 1,5 1,5 1,6 9,7 15,4 22,7
90 1,6 1,5 1,4 1,6 10,0 18,4 27,6
207

Tabela 25: Parâmetros reológicos, obtidos reômetro, pelos modelos de


Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para as composições de
CAAD com a/ag 0,32 e aditivos mitigadores de retração e mistura referência.
Propriedades Tempo REF32 ARR32 ACR32
reológicas (min) 0,5 % 1,0 % 1,5 % 5% 10 % 15 %
dinâmica (Pa) 10 24,5 21,3 19,9 18,9 27,5 31,1 24,1
escoamento
Tensao de

25 27,0 31,6 24,2 25,2 29,4 36,7 25,5


Modelo de Bingham

40 29,5 35,4 25,7 26,3 28,6 35,4 30,0


60 21,4 35,7 28,1 28,0 41,4 35,2 34,4
90 22,8 32,5 27,5 26,4 42,3 41,6 45,2
10 20,3 8,0 7,2 12,8 9,8 10,9 14,9
plástica (Pa.s)
Viscosidade

25 26,9 10,4 12,3 17,6 22,2 23,2 26,9


40 33,4 12,7 13,8 22,4 16,8 18,4 26,1
60 47,6 11,6 14,8 21,1 24,1 19,2 25,4
90 68,1 12,2 15,5 21,8 29,3 26,1 33,4
10 3,8 14,2 7,6 5,9 4,9 16,9 16,5
dinâmica (Pa)
escoamento
Tensão de

25 12,7 25,1 14,9 16,7 14,0 21,6 24,4


40 19,1 29,2 16,0 20,5 16,8 26,9 28,3
Modelo de Herschel-Bulkley

60 24,0 30,3 17,4 22,6 26,2 28,5 33,4


90 32,5 31,3 19,5 23,7 30,0 34,2 42,1
10 46,2 16,9 22,9 29,0 39,6 28,8 23,6
consistência
Fator de

25 44,4 18,3 23,9 28,0 41,1 41,7 28,1


(Pa.sn)

40 45,9 20,2 25,2 29,3 31,3 28,8 28,1


60 44,5 18,2 27,8 27,6 42,7 27,4 26,6
90 47,4 13,5 25,2 25,1 44,2 34,9 36,5
10 0,6 0,6 0,5 0,6 0,4 0,5 0,8
consistência
Índice de

25 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 1,0


40 0,8 0,7 0,7 0,8 0,7 0,8 1,0
60 1,0 0,8 0,7 0,8 0,7 0,8 1,0
90 1,1 0,9 0,7 0,9 0,8 0,8 0,9
10 16,6 18,7 16,3 13,9 21,7 26,7 21,0
dinâmica (Pa)
escoamento
Tensão de

25 20,4 28,9 20,2 21,3 23,8 30,9 24,5


40 24,2 32,6 22,3 23,5 23,4 31,3 28,9
Modelo modificado de Bingham

60 22,9 32,8 23,4 25,1 35,3 31,6 33,4


90 31,7 31,9 24,0 24,9 36,8 38,0 42,9
10 31,8 11,7 12,3 20,1 18,0 17,3 19,3
Termo linear

25 36,5 14,2 18,1 23,3 30,3 31,5 28,4


(Pa.s)

40 41,1 16,6 18,8 26,6 24,3 24,4 27,6


60 45,5 15,4 21,5 25,3 32,8 24,5 26,9
90 55,3 13,0 20,6 24,0 37,2 31,2 36,7
segunda ordem

10 -2,7 -0,9 -1,2 -1,7 -2,0 -1,5 -1,1


Termos de

25 -2,3 -0,9 -1,4 -1,4 -1,9 -2,0 -0,4


(Pa.s²)

40 -1,8 -0,9 -1,2 -1,0 -1,8 -1,4 -0,4


60 0,5 -0,9 -1,6 -1,0 -2,1 -1,2 -0,4
90 3,0 -0,2 -1,2 -0,5 -1,9 -1,2 -0,8
208

7.2. Calorimetria de condução das composições de pastas com


aditivos redutor e compensador de retração e misturas
referência, com relação a/ag de 0,25 e 0,32.

Neste item são apresentadas as curvas de liberação de calor para as


composições de pastas estudas, obtidas em calorimetria de condução
isotérmica. As taxas de liberação de calor por grama de aglomerante para
cada pasta são apresentadas nas Figuras 98, 99, 100 e 101, enquanto as
curvas de o calor total liberado são apresentadas nas Figuras 102, 103,
104 e 105.

Figura 98: Taxa de liberação de calor para as pastas ARR25 (0,5%; 1,0%;
1,5%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
5
ARR25-0,5
Taxa de calor liberado

4 ARR25-1,0
ARR25-1,5
3 REF25
(mW/g)

REF32
2
1
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)

Figura 99: Taxa de liberação de calor para as pastas ACR25 (5%; 10%; 15%),
REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
5 ACR25-5
Taxa de calor liberado

ACR25-10
4
ACR25-15
3 REF25
(mW/g)

REF32
2
1
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)
209

Figura 100: Taxa de liberação de calor para as pastas ARR32 (0,5%; 1,0%;
1,5%), REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
5 ARR32-0,5
Taxa de calor liberado
4 ARR32-1,0
ARR32-1,5
3 REF25
(mW/g)

REF32
2
1
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)

Figura 101: Taxa de liberação de calor para as pastas ACR32 (5%; 10%; 15%),
REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
5
Taxa de calor liberado

ACR32-5
4 ACR32-10
ACR32-15
3 REF25
(mW/g)

REF32
2
1
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)

Figura 102: Calor total liberação obtido nas pastas ARR25 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
250
Calor total liverado

ARR25-0,5
200 ARR25-1,0
ARR25-1,5
150 REF25
(J/g)

REF32
100
50
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)
210

Figura 103: Calor total liberação obtido nas pastas ACR25 (5%; 10%; 15%),
REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
250
ACR25-5
Calor total liverado

200 ACR25-10
ACR25-15
150 REF25
(J/g)

REF32
100
50
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)

Figura 104: Calor total liberação obtido nas pastas ARR32 (0,5%; 1,0%; 1,5%),
REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
250
ARR32-0,5
Calor total liverado

200 ARR32-1,0
ARR32-1,5
150 REF25
(J/g)

REF32
100
50
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)

Figura 105: Calor total liberação obtido nas pastas ACR32 (5%; 10%; 15%),
REF25 e REF32, até 26 h de hidratação.
250
Calor total liverado

ACR32-5
200 ACR32-10
ACR32-15
150 REF25
(J/g)

REF32
100
50
0
0 4 8 12 16 20 24 28
Tempo (h)
211

7.3. Propriedades reológicas de composições de pastas com aditivos


redutor e compensador de retração e misturas referência, com
relação a/ag de 0,25 e 0,32.

Neste item são apresentados os dados obtido em reômetro para as


composições de pastas estudas no programa experimental, em unidade
fundamentais. Os resultados reológicos, em termos de tensão de
cisalhamento e taxa de cisalhamento, são mostrados nas Figuras 106 e
107. Os resultados ajustados pelos modelos de Bingham, Herschel-
Bulkley e Bingham modificado, em unidades fundamentais, são
mostrados nas Tabelas 26 e 27.
212

Figura 106: Tensão de cisalhamento versus taxa de cisalhamento obtidos em


reômetro rotacional para as pastas REF25 (a), ARR25-0.5 (b), ARR25-1.0 (d),
ARR25-1.5 (f), ACR25-5 (c), ACR25-10% (e) e ACR25-15 (g).
500
10 min 25 min
cisalhamento (Pa)

400 40 min 60 min


Tensão de

90 min
300
200
100
0
0 10 20 30 40 50 60
(a)
500 500
cisalhamento (Pa)

400 400
Tensão de

300 300
200 200
100 100
0 0
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
(b) (c)
500 500
cisalhamento (Pa)

400 400
Tensão de

300 300
200 200
100 100
0 0
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
(d) (e)
500 500
cisalhamento (Pa)

400 400
Tensão de

300 300
200 200
100 100
0 0
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
Taxa de cisalhamento (s-1) Taxa de cisalhamento (s-1)
(f) (g)
213

Figura 107: Tensão de cisalhamento versus taxa de cisalhamento obtidos em


reômetro rotacional para as pastas REF32 (a), ARR32-0.5 (b), ARR32-1.0 (d),
ARR32-1.5 (f), ACR32-5 (c), ACR32-10% (e) ACR32-15 (g).
cisalhamento (Pa) 400
10 min 25 min
300 40 min 60 min
Tensao de

90 min
200

100

0
0 10 20 30 40 50 60
(a)
400 400
cisalhamento (Pa)

300 300
Tensao de

200 200

100 100

0 0
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
(b) (c)
400 400
cisalhamento (Pa)

300 300
Tensao de

200 200

100 100

0 0
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
(d) (e)
400 400
cisalhamento (Pa)

300 300
Tensao de

200 200

100 100

0 0
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
Taxa de cisalhamento (s-1) Taxa de cisalhamento (s-1)
(f) (g)
214

Tabela 26: Parâmetros reológicos, em obtidos reômetro, pelos modelos de


Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para as composições de
pastas com a/ag 0,32 e aditivos mitigadores de retração e mistura referência.
Propriedades Tempo REF25 ARR25 ACR25
reológicas (min) 0,5 % 1,0 % 1,5 % 5% 10 % 15 %
10 61,9 108,0 84,9 97,6 86,1 87,0 88,7
dinâmica (Pa)
escoamento plástica (Pa.s) escoamento
Tensão de

25 82,1 142,1 110,1 125,3 116,3 130,4 137,6


Modelo de Bingham

40 81,0 142,2 109,2 127,3 119,8 140,4 161,7


60 77,7 139,6 106,1 125,7 112,9 143,5 165,3
90 87,2 140,0 106,0 133,5 111,6 153,6 179,7
10 2,0 2,8 2,9 3,3 3,4 3,1 3,4
Viscosidade

25 2,5 3,5 3,5 3,9 4,3 4,3 4,8


40 2,5 3,6 3,8 4,0 4,5 4,6 5,2
60 2,5 3,6 3,7 4,0 4,5 4,7 5,2
90 3,0 3,7 3,8 4,2 4,7 5,1 5,7
10 68,8 122,3 96,6 108,8 104,3 102,4 106,9
dinâmica (Pa)
Tensão de

25 96,7 165,8 128,6 145,3 146,2 159,6 168,3


40 97,5 167,4 131,3 147,3 150,6 173,0 195,0
Modelo de Herschel-Bulkley

60 93,7 164,8 128,3 146,9 143,5 175,1 201,5


90 109,6 165,7 128,9 158,8 142,4 187,9 215,8
10 0,99 0,93 1,26 1,61 1,01 1,04 1,01
consistência
Fator de

25 0,63 0,66 1,06 1,25 0,77 0,81 1,00


(Pa.sn)

40 0,51 0,64 0,94 1,28 0,80 0,79 1,08


60 0,52 0,64 0,92 1,23 0,81 0,90 0,93
90 0,47 0,67 0,90 0,98 0,93 0,98 1,24
10 1,2 1,3 1,2 1,2 1,3 1,3 1,3
consistência
Índice de

25 1,3 1,4 1,3 1,3 1,4 1,4 1,4


40 1,4 1,4 1,3 1,3 1,4 1,4 1,4
60 1,4 1,4 1,3 1,3 1,4 1,4 1,4
90 1,4 1,4 1,3 1,3 1,4 1,4 1,4
10 66,3 117,7 92,5 104,8 98,6 97,4 101,2
dinâmica (Pa)
escoamento
Tensão de

25 92,3 159,4 122,7 138,8 138,3 151,7 159,7


40 93,0 160,8 124,7 140,8 142,5 164,5 185,6
Modelo de Bingham modificado

60 89,2 158,3 121,7 140,2 135,4 166,6 192,0


90 104,1 158,9 122,3 151,4 134,0 178,6 205,6
10 1,63 2,02 2,29 2,65 2,34 2,23 2,33
Termo linear

25 1,62 2,02 2,42 2,76 2,42 2,48 2,87


(Pa.s)

40 1,49 2,03 2,43 2,80 2,51 2,56 3,11


60 1,48 2,02 2,38 2,80 2,53 2,73 2,94
90 1,60 2,10 2,39 2,62 2,74 2,96 3,47
segunda ordem

10 0,01 0,01 0,01 0,01 0,02 0,01 0,02


Termos de

25 0,01 0,02 0,02 0,02 0,03 0,03 0,03


(Pa.s²)

40 0,02 0,03 0,02 0,02 0,03 0,03 0,03


60 0,02 0,03 0,02 0,02 0,03 0,03 0,04
90 0,02 0,03 0,02 0,03 0,03 0,04 0,04
215

Tabela 27: Parâmetros reológicos, obtidos em reômetro, pelos modelos de


Bingham, Herschel-Bulkley e Bingham modificado para pastas com relação
a/ag 0,32, com aditivos mitigadores de retração e referência.
Propriedades Tempo REF32 ARR32 ACR32
reológicas (min) 0,5 % 1,0 % 1,5 % 5% 10 % 15 %
10 30,0 133,9 133,9 144,7 66,1 79,1 71,7
dinâmica (Pa)
escoamento plástica (Pa.s) escoamento
Tensão de

25 44,0 157,2 155,9 174,0 93,8 110,1 116,0


Modelo de Bingham

40 49,5 162,7 168,3 184,0 107,0 129,6 148,6


60 56,7 172,9 177,3 197,1 118,9 151,2 170,5
90 71,3 184,0 192,5 215,7 143,5 181,5 207,0
10 0,7 0,7 0,8 0,8 0,8 0,9 1,0
Viscosidade

25 1,0 1,1 1,3 1,2 1,2 1,4 1,6


40 1,1 1,1 1,3 1,3 1,3 1,5 1,7
60 1,2 1,2 1,2 1,2 1,4 1,6 1,8
90 1,4 1,2 1,4 1,3 1,5 1,7 2,1
10 33,4 143,9 144,3 155,9 73,4 88,4 81,1
dinâmica (Pa)
Tensão de

25 50,8 171,2 171,1 189,2 106,3 124,7 132,1


40 57,1 176,6 184,2 200,3 121,1 146,2 167,9
Modelo de Herschel-Bulkley

60 65,5 187,7 193,0 213,2 133,8 170,0 191,7


90 82,6 200,0 209,5 233,1 160,9 201,8 233,3
10 0,23 0,00 0,00 0,00 0,05 0,05 0,07
consistência
Fator de

25 0,18 0,01 0,02 0,01 0,05 0,05 0,06


(Pa.sn)

40 0,17 0,01 0,01 0,01 0,04 0,04 0,04


60 0,16 0,01 0,01 0,01 0,05 0,03 0,02
90 0,14 0,01 0,02 0,01 0,03 0,02 0,01
10 1,3 2,5 2,4 2,5 1,6 1,7 1,6
consistência
Índice de

25 1,4 2,2 2,0 2,2 1,8 1,8 1,8


40 1,4 2,2 2,2 2,2 1,8 1,9 1,9
60 1,5 2,2 2,2 2,3 1,8 2,0 2,1
90 1,5 2,3 2,1 2,3 1,9 2,1 2,2
10 32,3 146,5 146,5 158,5 72,3 87,2 79,6
dinâmica (Pa)
escoamento
Tensão de

25 49,0 172,6 171,5 190,7 105,0 123,4 130,6


40 55,2 178,3 185,5 202,1 120,0 145,6 167,2
Modelo modificado de Bingham

60 63,4 189,6 194,5 215,1 132,7 169,8 192,5


90 80,3 202,4 210,7 235,5 160,4 203,0 236,5
10 0,50 -0,36 -0,31 -0,36 0,26 0,25 0,34
Termo linear

25 0,55 -0,20 -0,06 -0,22 0,28 0,27 0,32


(Pa.s)

40 0,57 -0,25 -0,21 -0,27 0,21 0,12 0,14


60 0,59 -0,28 -0,24 -0,30 0,23 0,04 -0,14
90 0,59 -0,35 -0,17 -0,35 0,10 -0,18 -0,48
segunda ordem

10 0,00 0,02 0,02 0,02 0,01 0,01 0,01


Termos de

25 0,01 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02


(Pa.s²)

40 0,01 0,02 0,02 0,03 0,02 0,02 0,03


60 0,01 0,02 0,02 0,03 0,02 0,03 0,03
90 0,01 0,03 0,03 0,03 0,02 0,03 0,04