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Novo Testamento

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Novo Testamento (do grego: Διαθήκη Καινὴ, Kaine Diatheke) é o nome dado à coleção de livros que
compõe a segunda parte da Bíblia cristã, cujo conteúdo foi escrito após a morte, ressurreição e ascensão
de Jesus Cristo e é dirigido explicitamente aos cristãos, embora dentro da religião cristã tanto o Antigo
Testamento (a primeira parte) quanto o Novo Testamento são considerados, em conjunto, Escrituras
Sagradas.[1]

Os livros que compõe essa segunda parte da Bíblia foram escritos à medida que o cristianismo era
difundido no mundo antigo, refletindo e servindo como fonte para a teologia cristã. Essa coleção de 27
livros influenciou não apenas a religião, a política e a filosofia, mas também deixou sua marca
permanente na literatura, na arte e na música.[2]

O Novo Testamento é constituído por uma coletânea de trabalhos escritos em momentos diferentes e
por vários autores. Em praticamente todas as tradições cristãs da atualidade, o Novo Testamento é
composto de 27 livros. Os textos originais foram escritos por seus respectivos autores a partir do ano 42
d.C.,[3] em grego koiné,[4] a língua franca da parte oriental do Império Romano, onde também foram
compostos. A maioria dos livros que compõe o Novo Testamento parece ter sido escrito por volta da
segunda metade do século I.[5]

Fazem parte dessa coleção de textos as 13 cartas do apóstolo Paulo (maior parte da obra, escritas
provavelmente entre os anos 50 e 68 d.C.[6]), os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João
(narrativas da vida, ensino e morte de Jesus Cristo, conhecidos como os Quatro Evangelhos), Atos dos
Apóstolos (narrativa do ministério dos Apóstolos e da história da Igreja primitiva) além de algumas
epístolas católicas (ou universais) menores escrito por vários autores e que tem com conteúdo
instruções, resoluções de conflito e outras orientações para a igreja cristã primitiva. Por fim, o
Apocalipse do apóstolo João.

Nem todos esses livros foram aceitos imediatamente pelos primeiros cristãos. Alguma dessas cartas
foram contestadas na antiguidade (antilegomena), como Apocalipse de João e algumas Epístolas
católicas menores (II Pedro, Judas, Tiago, II e III João).[7] Entretanto, gradualmente eles se juntaram a
coleção já existente que era aceita pelos cristãos, formando o cânone do Novo Testamento. Outros
livros, como o Pastor de Hermas, a epístola de Policarpo, as de Inácio e as de Clemente (I e II
Clemente), circularam na coleção antiga de livros que era aceita por algumas comunidades cristãs.
Porém, esses livros foram excluídos do Novo Testamento pela Igreja primitiva.[8]

Curiosamente, apesar do Cânone do Antigo Testamento não ser aceito uniformemente dentro do
cristianismo (católicos, protestantes , ortodoxos gregos, eslavos e armênios divergentes quanto aos
livros incluídos no Antigo Testamento), os 27 que formam o Cânon do Novo Testamento foram aceitos
quase que universalmente dentro do cristianismo, pelo menos desde o século III. As exceções são o
Novo Testamento da Igreja Ortodoxa da Etiópia, por exemplo, que considera autêntico o Pastor de
Hermas (séc. II) e a Peshitta, Bíblia da Igreja Ortodoxa Síria, utilizada por muitas Igrejas da Síria, que
não inclui o Apocalipse de João na lista de livros inspirados.[9]

Índice
Livros do Novo Testamento
Evangelhos
História
Epístolas paulinas
Hebreus
Epístolas católicas (ou epístolas universais ou epístolas gerais)
Profecia
Ordem dos livros
Extensão do Novo Testamento
Pseudepígrafos
Apócrifos
Idioma
Etimologia do termo Novo Testamento
Formação do Cânon do Novo Testamento
Autoria
Epístolas Paulinas
Hebreus
Evangelhos
Data da composição
Manuscritos do Novo Testamento
Papiros
Autoridade
Catolicismo e ortodoxia oriental
Protestantismo
Protestantes e evangélicos fundamentalistas
Ver também
Referências
Bibliografia
Ligações externas
Grego

Livros do Novo Testamento


Os 27 livros do Novo Testamento foram escritos em diversos lugares e por autores diferentes que
classificaram seus escritos como inspirados, ao lado dos escritos do Antigo Testamento. Entretanto,
diferente do Antigo Testamento, o Novo foi produzido em um curto espaço de tempo, durante menos
de um século.[10] Esses livros eram respeitados, colecionados e circulavam na igreja primitiva como
Escrituras Sagradas. O fato desses livros terem sido lidos, citados, colecionados, e passados de mão em
mão dentro das igreja do início do cristianismo, assegura que a Igreja Primitiva os tinham como
proféticos ou divinamente inspirados desde o começo.[11] A divisão do Novo Testamento em seções e
versículos é atribuída a Amônio de Alexandria,[12] do século III, e a Eutálio de Alexandria,[13] no século
V d.C., que continuou o trabalho de Amônio.

Evangelhos
A palavra Evangelho significa "Boas Novas". Eles referem-se ao nascimento do Messias prometido.
Cada um dos quatro evangelhos do Novo Testamento narra a história da vida, da morte e da
ressurreição de Jesus de Nazaré. Esses evangelhos são composições anônimas que levam o nome dos
seus autores no título.[14] Assim, no século II esses livros eram denominados na seguinte fórmula: "O
Evangelho de..." ou "O Evangelho segundo..." (Em grego: τὸ εὐαγγέλιον κατὰ ...) + nome do
evangelista que foi o autor do evangelho. Todos os quatro evangelhos foram reunidos logo após o
Evangelho de João ter sido escrito.[15] A coleção de quatro livros era conhecida como "O Evangelho" no
começo do segundo século. Assim, o cristianismo primitivo sempre aceitou esses evangelhos porque
conheciam seus autores.[16] Os evangelhos de Mateus, Marcos e João parecem ter sido escritos como
biografias, seguindo o modelo da antiguidade, enquanto Lucas e Atos parece ter sido composto como
uma monografia histórica em dois volumes.[17] São eles:

Evangelho de Mateus - atribuído ao apóstolo Mateus. Este evangelho começa com a genealogia
de Jesus e a história do seu nascimento. Termina com o comissionamento dos discípulos por
Jesus depois de ressuscitado. O principal objetivo do evangelho de Mateus é mostrar para os
judeus que Jesus era o Messias. Apesar dos vários debates sobre sua datação, ele
provavelmente foi escrito depois da morte de Jesus (31 d.C.) entre os anos 50-65 d.C.[18] Era
considerado o manifesto da Igreja de Jerusalém e, por conseguinte, o documento fundamental do
início da fé cristã.[19]

Evangelho de Marcos - atribuído a Marcos, o Evangelista. Marcos não era um dos doze apóstolos
de Jesus, mas foi um dos ajudantes de Paulo e depois de Pedro.[20] Segundo os pais da igreja, o
evangelho de Marcos foi escrito com base no ensino do apóstolo Pedro, depois de uma palestra
feita em Roma para os pagãos por volta do ano 65 d.C.[21]<[22][23] Este evangelho começa com a
pregação de João Batista e o batismo de Jesus. Alguns manuscritos antigos não trazem os
versículos 9-20 do último capítulo.[24] outros manuscritos apresentam finais diferentes.[25]

Evangelho de Lucas - atribuído a Lucas, que também não foi um dos doze apóstolos, mas é
mencionado no Novo Testamento como companheiro do apóstolo Paulo (II Timóteo 4:11) e
médico (Colossenses 4:14).[26] O autor não foi testemunha ocular das coisas que registrou, mas
fez uma minuciosa investigação com essas pessoas que presenciaram os fatos contidos nesse
evangelho (Lucas 1:1-4). Ele é dirigido para alguém chamado Teófilo, que até hoje é
desconhecido. Este evangelho começa com histórias paralelas do nascimento e da infância de
João Batista e Jesus e termina com as aparições de Jesus ressuscitado e sua ascensão ao céu.
Seu objetivos era contar a história de Cristo a partir dessas testemunhas oculares. Foi escrito
provavelmente no ano 63 d.C.[27]

Evangelho de João - atribuído ao apóstolo João, filho de Zebedeu. Este evangelho começa com
um prólogo filosófico e termina com as aparições de Jesus ressuscitado. Foi escrito no final do
século I[28] e tinha como objetivo complementar de diversas maneiras o registro que tinha sido
fornecido sobre a história de Jesus pelos outros três evangelistas.[29]
Os três primeiros evangelhos listados acima são classificados como os Evangelhos sinópticos. Isso
porque eles contêm relatos semelhantes da vida e ensino de Jesus. Esses três evangelhos possuem
várias dependências literárias. Há várias possíveis explicações para sua formação: Há quem afirme que
o evangelho mais antigo seria o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada entre os anos 55 e
65 d.C. e pode ter servido de fonte sobre a vida de Jesus para Mateus e Lucas. Outra corrente de
estudiosos mais liberais afirma que eles foram escritos com base em uma Fonte “Q” (de quelle, que
significa "fonte" em língua alemã) que é desconhecida até os dias de hoje; Ou então com base no
Evangelho segundo os Hebreus (65-100 d.C.), que sobreviveu apenas em fragmentos encontrados nas
citações feitas por vários pais da igreja primitiva. Uma terceira explicação para a dependência literária
dos evangelhos sinóticos afirma que o evangelho de Mateus foi escrito primeiro. Depois, Lucas
utilizaria o evangelho de Mateus e o Evangelho segundo os Hebreus, além de outros evangelhos que
circulavam na época. Por fim, o evangelho de Marcos seria fruto de uma palestra que Pedro deu com
base nos evangelhos de Mateus e de Lucas.

Já o Evangelho de João é estruturado de forma diferente dos evangelhos sinóticos e inclui histórias de
vários milagres e palavras de Jesus que não são encontradas nos outros três evangelhos.

Esses quatro evangelhos foram unanimemente aceitos como parte do Cânon Sagrado do Novo
Testamento. Porém, eles foram apenas alguns entre os muitos outros evangelhos cristãos. A existência
de tais textos é mencionada no início do Evangelho de Lucas (Lc 1:1-4). Outros evangelhos, como os
chamados "evangelhos judaico-cristãos" ou o Evangelho de Tomé, oferecem uma ajuda precisa para
entender o contexto do cristianismo primitivo. Além disso, esses outros evangelhos que não foram
incluídos no Cânon Sagrado podem fornecer alguma ajuda na reconstrução do Jesus histórico.

História
Atos dos Apóstolos - É a continuação do Evangelho de Lucas (At 1.1 e 2) e conta a história de
como a mensagem cristã foi anunciada em Jerusalém, Samaria e as demais regiões do Império
Romano (At 1.8). Nesse livro, destacam-se duas pessoas: Paulo e Pedro. Pedro dirige o trabalho
cristão em Jerusalém, Samaria (At 1.12 – 8.25), Lida, Jope e Cesareia Palestina (At 9.32-11.18).
Esse livro também trata da conversão do apóstolo Paulo (At 9) e de suas viagens missionárias
pelo Império Romano (At 13-28). Examinando o estilo, a fraseologia e outras evidências internas,
a maioria dos estudiosos atribui a Lucas a autoria desse evangelho. Ele foi escrito provavelmente
antes da morte do apóstolo Paulo por Nero, por volta de 67-68 d.C. Isso porque esse livro não cita
a morte de Paulo, fato que seria muito relevante para a história cristã antiga.

Epístolas paulinas
As epístolas paulinas (ou Corpus Paulinum em latim) são cartas escritas pelo apóstolo Paulo. Essas
epístolas tratam de pontos teológicos importantes para o desenvolvimento da doutrina cristã no
cristianismo primitivo. Geralmente, essas epístolas foram escritas tanto para indivíduos, quanto para as
primeiras comunidades cristãs que estavam se formando fora do território atual de Israel, nesse caso na
capital do Império Romano, em cidades gregas, cidades frígias na Ásia Menor e até mesmo numa região
habitada por um povo de etnia celta, a Galácia.
Podem ser divididas em:

Eclesiáticas:

Romanos
I Coríntios
II Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
I Tessalonicenses
II Tessalonicenses
Pastorais:

I Timóteo
II Timóteo
Tito
Pessoal:

Filémon

Hebreus
Hebreus - Sua autoria é incerta. A ciência moderna rejeita ter sido escrita por Paulo. Até mesmo
na antiguidade sua autoria foi debatida. Orígenes escreveu:

“ Os homens dos tempos antigos afirmaram que Paulo foi o autor, mas
quem escreveu essa Epístola apenas Deus sabe. ”
O que se sabe é que ela foi escrita na segunda geração de cristãos (Hb 2.1-4) e após um intervalo
considerável de tempo depois da conversão do destinatário (Hb 5.12). Assim, o livro de Hebreus parece
ter sido escrito no final do ano 60 d.C.

Epístolas católicas (ou epístolas universais ou epístolas gerais)


Compreende as epístolas escritas para a igreja em geral. O termo "católico" [grego: καθολική, katholike,
que significa "universal"] é usado para descrever essas cartas já nos manuscritos mais antigos onde
essas cartas estão presentes. As cartas também são conhecidas como Epístolas Gerais.

Epístola de Tiago - escrito por Tiago;


Primeira Epístola de Pedro - escrita por Pedro;
Segunda Epístola de Pedro - escrita por Pedro;
Primeira Epístola de João - escrita por João;
Segunda Epístola de João - escrita por João;
Terceira Epístola de João - escrita por João;
Epístola de Judas - escrita por Judas Tadeu.
Profecia

Apocalipse - Último livro do Novo Testamento, o Apocalipse de João foi escrito pelo apóstolo
João, filho de Zebedeu. Alguns sustentam a posição de que seu autor foi outro João, da cidade de
Patmos. Mas a evidência interna aponta o autor do Evangelho de João e das três epístolas
joaninas como seu autor. O livro começa com cartas para sete igrejas das província da Ásia.
Depois toma a forma de um apocalipse, gênero literário popular tanto no judaísmo quanto no
cristianismo antigo.

Ordem dos livros


A ordem em que os livros do Novo Testamento estão ordenados difere entre algumas tradições
eclesiásticas. A Bíblia protestante, por exemplo, segue o ordem da organização encontrada na Bíblia da
Igreja Católica Romana. Entretanto, a ordem do Cânon de Lutero é diferente. Fora da Europa
Ocidental, onde se encontra a maioria católica e protestante, a Bíblia está organizada em ordens
diferentes: o Novo Testamento da Bíblia eslava, siríaca e etíope não seguem a mesma ordem que das
Bíblias ocidentais.

Extensão do Novo Testamento


Os livros que entraram no Cânon Sagrado do Novo Testamento não foram às únicas obras da literatura
cristã escrito nos primeiros séculos de nossa era. O processo de canonização dos livros dessa parte das
Escrituras começou cedo, com textos sendo explicitamente rejeitados já no tempo dos discípulos. Essa
decisão não eram necessariamente baseada em avaliações da ideias religiosas ou da teologia da obra em
questão, e sim em uma série de fatores (ver: Cânon do Novo Testamento).

Pseudepígrafos
Os livros que foram rejeitados pela igreja primitiva são chamados de pseudepígrafos. Eram livros
considerados espúrios e heréticos pela igreja cristã dos século II e III, época em que surgiram esses
textos. Nenhum pai da igreja, Cânon, ou Concílio declarou que qualquer um dos pseudepígrafos seria
canônico. Eusébio, assim com a maioria dos pais da igreja, chamou esses livros de "totalmente
absurdos e ímpios".

Os livros pseudepígrafos foram escritos por comunidades gnósticas, docéticas e ascéticas. Os gnósticos
eram uma seita filosófica que ensinava que a matéria é má, além de negarem a encarnação de Cristo. Já
os docetas ensinavam a divindade de Jesus, mas negavam sua humanidade; diziam que Ele só tinha a
aparência de ser humano. Os ascéticos ensinavam que Cristo tinha uma única natureza, que era um
fusão entre o divino e o humano.

Esses livros contém certa curiosidade sobre os fatos não relatados nos livros canônicos, como a infância
de Jesus, por exemplo. Segundo Norman Geisler, existem cerca de 280 obras dessa natureza. Para os
cristãos, o único valor que esses livros têm são históricos, pois revelam a crença e o contexto de seus
autores.

Apócrifos
Os livros apócrifos do Novo Testamento diferencia-se dos pseudepígrafos por gozarem de grande
estima por pelo menos um dos pais da igreja. Entretanto, os apócrifos, na maior parte, não foram
aceitos pela igreja cristã primitiva nem pelos pais primitivos e ortodoxos da igreja. Por isso, não foram
considerados canônicos.

Alexander Souter define bem a autoridade desses livros ao afirmar que eles tiveram uma "canonicidade
temporal e local". Ou seja, os apócrifos haviam sido aceitos por um número limitado de cristãos,
durante um tempo limitado, sem contudo ter recebido um reconhecimento amplo ou permanente.
Norman Geisler fornece três razões do por quê esses livros são importantes e faziam parte das
bibliotecas devocionais e homiléticas da igreja primitiva:

Revelam os ensinos da Igreja do século II;


Fornecem documentação da aceitação dos 27 livros do NT;
Fornece informações históricas a respeito da igreja primitiva.

Idioma
Judeus e gentios utilizavam os mesmos idiomas para se comunicarem em Jerusalém na época de Jesus:
aramaico, grego koiné, e até certo ponto, os dialetos coloquiais que constam no Talmude. É provável
que todos os livros que formaram o Novo Testamento foram escritos em grego koiné, o dialeto
vernáculo que na época era falado nas províncias romanas do Mediterrâneo Oriental. Estes livros foram
posteriormente traduzidas para outros idiomas, principalmente, o latim, o siríaco e o copta. Entretanto,
alguns alegam que o Evangelho de Mateus foi escrito em hebraico com base na seguinte declaração de
Papias, citada no livro História Eclesiástica, de Eusébio:

“ Mateus compôs as declarações (ta logia) em um estilo hebraico


(hebraidi dialekto), e cada um registrou como foi capaz.[30] ”
Alguns interpretam que essa declaração mostra que o evangelho de Mateus foi escrito em hebraico.
Entretanto, uma leitura cuidadosa demonstra que Papias afirma que o evangelho foi escrito "em um
estilo hebraico", e não "na língua hebraica". Estudiosos como J. Kurzinger e David Alan Brack apoiam
essa interpretação. O Comentário Bíblico Moody também defende esse posicionamento ao afirmar que:

“ Muitos explicaram a declaração de Papias, dizendo que se referia a


uma forma original do aramaico do qual se traduziu o nosso evangelho
grego. Mas o nosso texto grego não tem as marcas de uma tradução, e
a ausência de qualquer traço de um original aramaico lança pesadas
duvidas sobre tal hipótese. Goodspeed argumenta detalhadamente que
seria contrario à prática grega dar uma tradução grega o nome do autor
do original aramaico, pois os gregos apenas se preocupavam com
aquele que passava a obra para o grego. Como exemplos (ele cita o
evangelho de Pedro) e o Velho Testamento grego, que foi denominado
Septuaginta (os setenta) segundo seus tradutores, não segundo seus
autores Hebreus.[31] ”
Por isso, os estudos modernos sugerem que o Evangelho de Mateus foi composto em grego e não seria
diretamente dependente de nenhuma tradução em uma língua semítica, embora a citação de textos do
Antigo Testamento demonstra que o autor desse Evangelho sabia hebraico.

Todavia, ainda constam na mesma História Eclesiástica, a afirmação do próprio Eusébio e outras
citações de importantes patriarcas da Igreja que confirmam que o Evangelho de Mateus foi escrito
originalmente em hebraico:

“ ...de todos os discípulos, Mateus e João são os únicos que nos


deixaram comentários escritos e, mesmo eles, foram forçados a isso.
Mateus tendo primeiro proclamado o evangelho em hebraico, quando
estava para ir também às outras nações, colocou-o por escrito em sua
língua natal e assim, por meio de seus escritos, supriu a necessidade
de sua presença entre eles." (Eusébio de Cesareia) ”
“ Segundo aprendi com a tradição a respeito dos quatro evangelhos, que
são os únicos inquestionáveis em toda Igreja de Deus em todo o
mundo. O primeiro é escrito de acordo com Mateus, o mesmo que fora
publicano, mas depois apóstolo de Jesus Cristo, o qual, tendo-o
publicado para os convertidos judeus o escreveu em hebraico"
(Orígenes) ”
“ Mateus, de fato, produziu seu evangelho escrito entre os hebreus no
dialeto deles..." (Irineu de Lyon) ”
Outros ainda afirmam que a Epístola aos Hebreus foi escrita em hebraico, sendo traduzida depois para
o grego por Lucas. Essa possibilidade também não é sustentada pelos estudiosos modernos, que
argumentam que a qualidade literária de Hebreus sugere que foi composta diretamente em grego, ao
invés de ter sido traduzidos.

Outra questão importante também é notar que muitos livros do Novo Testamento, especialmente os
evangelhos de Marcos e João, foram escritos em um grego relativamente "pobre". Eles estão distantes
do refinado grego clássico encontrado nas composições feitas pela classe alta, elite governamental, e
filósofos conceituados da época.

Uma minoria de estudiosos considera que a versão aramaica do Novo Testamento seria a original e
acredita que o grego é apenas uma tradução. Este ponto de vista é conhecido como Primazia Aramaica.

Etimologia do termo Novo Testamento


O uso do termo Novo Testamento para descrever a coleção de textos que fazem parte da Bíblia,
originou-se do latim Novum Testamentum, que alguns acreditam ser uma tradução do grego Διαθήκη
Καινή , e era usado com o significado de "último desejo ou testamento", conforme a tradução latina
indica. O significado do termo aponta para um arranjo feito por um grupo que pode ser aceito ou
rejeitado por outro grupo, embora esse não o possa alterar; e ele, quando aceito, une esses dois grupos
de acordo com os termos ali contidos.
Esta frase grega encontra-se no próprio texto do Novo Testamento, onde é traduzido como "nova
aliança". Aliança significa acordo ou contrato que envolve as duas partes que firmam algo. A frase
também aparece mais cedo na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento). Em Jeremias
31:31, a Septuaginta usou essa frase grega para traduzir o original hebraico ‫( ברית חדשה‬b e chadashah
RIT). O termo hebraico é também traduzido geralmente como nova aliança.

E se no século II Tertuliano utiliza pela primeira vez na Grande Igreja os termos de Novum
Testamentum (Novo Testamento) e Vetus Testamentum (Antigo Testamento) para designar uma
coleção particular de livros que alguns acreditavam que incorporavam uma nova aliança, a realidade é
que o termo Novo Testamento foi inventado por Marcião que propunha com o marcionismo dois
deuses distintos, um no Antigo Testamento e outro no Novo Testamento, pelo que foi denunciada pelos
Pais da Igreja e excomungado.[32]

Por exemplo, em Contra Marcion, livro 3 e capítulo 14 (escrito no III século, em 208 d.C.), Tertuliano
escreveu que "Isso pode ser entendido como o Verbo Divino, que é duplamente ligado com os dois
testamentos da Lei e do Evangelho". No livro 4 do capítulo 6, complementou: "Pois é certo que todo o
objetivo a que ele (Marcião) tem trabalhado arduamente, mesmo na elaboração de suas Antíteses ... é
para que ele possa estabelecer uma diversidade entre o Antigo e o Novo Testamento, de modo que o
seu próprio Cristo possa ser separado do Criador, como pertencentes a este deus rival e como
estrangeiro da Lei e dos Profetas".

Lactâncio (séculos III e IV), autor cristão que escreveu em latim a obra Divino Instituto no início de
século IV, relata no livro 4 e capítulo 20 o seguinte:

“ Mas toda a Escritura é dividida em dois Testamentos: o que precedeu o


advento e da paixão de Cristo, isto é, a Lei e os Profetas, é chamado
de Velho Testamento. Mas as coisas que foram escritas após a Sua
ressurreição são nomeadas Novo Testamento. Os judeus fazem uso do
Velho Testamento e nós do Novo. Mas os dois não são discordantes
porque o Novo é o cumprimento do Velho, e em ambos há o mesmo
testador: Cristo, que, depois de ter sofrido a morte por nós, fez-nos
herdeiros do Seu reino eterno (...). Como o profeta Jeremias
testemunha quando fala coisas como: "Eis que dias vêm, diz o Senhor,
que eu vou fazer um novo testamento para a casa de Israel e para a
casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em
que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito, porque não
continuou no meu testamento, e eu a desconsiderei, diz o Senhor"
Jeremias 31:31-32] (...). Por Ele ter dito iria fazer um novo testamento
para a casa de Judá, o Antigo Testamento, que foi dada por Moisés,
não era perfeito. Mas sim o que era para ser dada por Cristo estaria
completo. ”
A tradução da Vulgata do século V utiliza o termo testamentum em II Coríntios 3:6 e 14:

6 Que também nos fez caber ministros do novo testamento, não na letra,
mas no espírito. Pois a letra mata, mas o espírito vivifica. (Douay-Rheims)
14 Mas os seus sentidos foram obscurecidos. Pois, até o dia de hoje, o
véu escuro da leitura do Antigo Testamento, não foi tirado (pois em Cristo
é anulada). (Douay-Rheims)

No entanto, a mais moderna tradução em Português da Bíblia, a Nova Versão Internacional, traduz
esses versos do grego koiné da seguinte forma:

6 Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da
letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.

14 Na verdade a mente deles se fechou, pois até hoje o mesmo véu


permanece quando é lida a antiga aliança. Não foi retitado, porque é
somente em Cristo que ele é removido.

Assim, é comum usar qualquer um desses dois termos em Português para traduzir: ou testamento ou
aliança, mesmo que eles não sejam sinônimos.

Formação do Cânon do Novo Testamento


O cânon bíblico é o conjunto de livros que os cristãos
consideram como divinamente inspirados, formando assim
a Bíblia cristã. Embora a Igreja Primitiva usasse o Antigo
Testamento de acordo com o cânon da Septuaginta (LXX),
ao escrever os seus textos os apóstolos não pretendiam criar
um conjunto definido de novas Escrituras, mesmo com o
reconhecimento deles de que seus escritos eram
divinamente inspirados.

O processo de canonização do Novo Testamento foi


complexo e demorado. Caracterizou-se por uma coletânea
de livros que a tradição apostólica considerou autoritária no
culto e no ensino, e em consonância com o Antigo
Testamento, além de serem relevantes para as situações
históricas em que viviam. Contrário à crença popular, o
cânon do Novo Testamento não foi sumariamente decidido
A folha de P46, um das primeiras em reuniões do Conselho da igreja, mas sim desenvolvido
coleções do século III das epístolas ao longo de muitos séculos.
paulinas.
Os escritos dos apóstolos circulavam entre as primeiras
comunidades cristãs. As epístolas de Paulo estavam circulando já reunidas no final do primeiro século
d.C.. Justino Mártir, no segundo século, menciona as memórias dos apóstolos, que os cristãos chamam
de evangelhos e que eram considerados em pé de igualdade com o Antigo Testamento. Um cânone
contendo os quatro evangelhos (os Tetramorph) já estava circulando na igreja no tempo de Ireneu em
160 d.C.. No início do século III, Orígenes de Alexandria talvez já tenha usado os mesmos 27 livros que
compõe o Novo Testamento moderno, mas ainda havia disputas sobre a canonicidade do livro de
Hebreus, de Tiago, de II Pedro, de II e III João e do Apocalipse. Essas obras cuja autenticidade era
questionada são chamadas Antilegomena. Em contraste, os escritos que foram aceitos universalmente
pela igreja desde meados do século II e que compõe hoje a maior parte do Novo Testamento são
denominadas homologoumena. O fragmento de Muratori mostra que em 200 d.C. já existia um
conjunto de escritos cristãos semelhante ao Novo Testamento atual.

Em sua carta de Páscoa de 367 d.C., Atanásio, bispo de Alexandria escreveu a primeira lista com os 27
livros que viriam a formar o Novo Testamento canônico. O Sínodo de Hipona em 393 d.C. aprovou o
Novo Testamento tal como conhecemos hoje,[33] juntamente com os livros da Septuaginta, uma decisão
que foi repetida pelo Conselho de Cartago em 397 d.C. e em 419 d.C.. Esses conselhos foram liderados
por Santo Agostinho, que considerava o cânone como algo já fechado. Da mesma forma, o Papa
Dâmaso I comissionou Jerônimo de Estridão a fim de organizar a edição Latina da Vulgata em 383
d.C., o que foi fundamental para a fixação do cânon do Ocidente. Em 405 d.C., o Papa Inocêncio I
mandou uma lista dos livros sagrados para Exuperius, um bispo gaulês.

Entretanto, como lembra F. F. Bruce, os livros do Novo Testamento não se tornaram escritos
revestidos de autoridade para a igreja porque foram formalmente incluídos em uma lista canônica;
pelo contrário, a igreja incluiu-os no cânon porque já os considerava divinamente inspirados,
reconhecendo neles o valor inato e a autoridade apostólica direta ou indireta. Assim, por volta do
século IV, já havia uma unanimidade no Ocidente sobre o cânon do Novo Testamento; O Oriente, com
poucas exceções, havia entrado em concordância sobre a questão do cânon por volta do século V. A
única resistência estava relacionada ao livro do Apocalipse. Não obstante, um articulação dogmática
completa do cânon não foi feita até 1546 no Concílio de Trento para o Catolicismo Romano; e em 1563
nos Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra; Em 1647 na Confissão de Fé de Westminster para o
calvinismo; E finalmente em 1672 no Sínodo de Jerusalém para ortodoxia grega.

Autoria
Por ser uma coleção de livros, o Novo Testamento foi escrito por vários autores. A visão tradicional é
que esses livros foram escritos ou por apóstolos, como Mateus, João, Pedro e Paulo; ou por discípulos
que trabalharam sob a direção desses apóstolos, como Marcos e Lucas. Todos esses escritores dos livros
do Novo Testamento eram judeus, com exceção de Lucas. Três deles, Mateus, João e Pedro, faziam
parte do grupo dos apóstolos de Jesus. Outros autores do Novo Testamento, como Marcos, Judas e
Tiago foram ativos na igreja primitiva. Os três também já tinham contato com o grupo de apóstolos
mesmo antes da morte de Jesus. Lucas e Paulo, embora não tenham sido testemunhas oculares da vida
de Cristo, eram bem conhecidos daqueles que o foram. Nada se sabe sobre o autor de Hebreus.

Epístolas Paulinas
Treze das epístolas foram escritas pelo apóstolo Paulo. Alguns estudiosos aceitam apenas sete como
autênticas. Entre essas cartas estão incluídas Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Filipenses, I
Tessalonicenses e Filémon. Os outros livros do novo testamento, para os estudiosos liberais, foram
escritos por pessoas que estavam próximas do apóstolo Paulo.
Entretanto, boa parte dos estudiosos concordam que as 13 epístolas que levam a autoria de Paulo,
foram escritas ou ditadas por ele. F F Bruce afirma que "já se foi o tempo em que se ousava negar a
autenticidade e a autoria desses documentos".[34] Algumas dessas epístolas paulinas mostram
claramente que foram ditadas por Paulo e escritas por um escriba: o livro de Romanos foi escrito por
Tércio (Romanos 16:22) e o livro de I Coríntios parece ter sido escrita por Sóstenes (I Coríntios 1:1).

Das treze epístolas que levam o nome de Paulo, três foram escritas no fim de sua prisão em Roma.[35] I
e II Timóteo e a carta de Tito são conhecida como epístolas pastorais.[36] As outras dez são conhecidas
como epístolas de viagem, porque foram escritas nas viagens missionárias do apóstolo Paulo.

Hebreus
A Epístola aos Hebreus constitui o maior problema de autoria do Novo Testamento. Na verdade, a
questão sobre a autoria de Hebreus é antiga, remontando ao século III.

O escritor eclesiástico Caio não considerava Hebreus como sendo escrita por Paulo.[37] Orígenes
afirmava que

“ se pois alguma igreja considera essa epístola proveniente de Paulo,


que seja louvada por isso, pois tão pouco esses homens da
antiguidade a transmitiram como tal sem causa; mas só Deus sabe
quem realmente escreveu essa epístola”.[38] ”
Eusébio declarou que Clemente de Alexandria afirmava que essa epístola foi escrita por Paulo em
hebraico, e traduzida para o grego por Lucas.[39] Já Tertuliano atribuía a autoria a Barnabé;[40] e Apolo
foi uma sugestão de Martinho Lutero.[41]

Entretanto, a única certeza que se tem é que o autor não era discípulo imediato de Cristo (Hebreus 2:3).
Era judeu, uma vez que empregava a primeira pessoa do plural para se referir ao seu público judaico.
Era amigo de Timóteo e pertencia ao círculo paulino (Hebreus 13:23). Além disso, era muito versado no
Antigo Testamento, fazendo uso da versão grega da Septuaginta (LXX).

Evangelhos
Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), tem uma inter-relação única. Eles descrevem muitos
dos mesmos acontecimentos e atribuem a Jesus palavras semelhantes ou iguais. A visão dominante
entre os estudiosos para explicar essa inter-relação é a hipótese das duas fontes. Esta hipótese propõe
que Mateus e Lucas estruturaram seus evangelhos de forma significativa sobre o Evangelho de São
Marcos; e outra fonte que continha os ditos de Jesus, conhecida como "Q" (derivado de quelle, palavra
alemã para "fonte"). A natureza e até mesmo a existência de uma fonte escrita contendo esse material
partilhado por Mateus e Lucas e designada como Q tem sido questionada por alguns estudiosos, alguns
dos quais propuseram a hipótese de variantes a fim de nuançar ou mesmo acabar com a fonte Q.

Os estudiosos que reconhecem a existência de Q argumentam que este era um documento único de
escrita, enquanto alguns sugerem que o "Q" foi realmente um número de documentos ou tradições
orais. Se fosse uma fonte documental, não há informações sobre o seu autor ou autores, e é
praticamente impossível obter essa informação a partir dos recursos atualmente disponíveis.

Data da composição
Embora não se tenha nenhum dos documentos originais, mas tão somente manuscritos dos séculos
posteriores, de modo geral acredita-se que os livros do Novo Testamento teriam sido escritos no século
I da era comum. As datas exatas de escrita dos livros propostas por pesquisadores possuem variações.
Alguns consideram que o Novo Testamento praticamente completo (com exceção de Apocalipse) já
estava escrito antes do ano 70, com alguns livros tendo sido escritos apenas alguns anos após os
eventos que narram. De outro lado estão pesquisadores que consideram que todos os livros do Novo
Testamento foram escritos bem depois dos acontecimentos relativos à morte de Jesus.

Apesar do Evangelho de Mateus figurar como o primeiro livro do Novo Testamento bíblico, é de
maneira geral aceito entre pesquisadores que este não foi o primeiro a ser escrito, nem entre os
evangelhos e quanto às demais obras. Isto porque o Evangelho mais antigo teria sido o de Marcos, cuja
data de escrita costuma ser calculada entre os anos 55 e 65 da era comum e pode ter servido de fonte
para Lucas e Mateus ampliarem as informações sobre a vida de Jesus na terra, embora contenha 31
versículos a mais relativos a outros milagres não relatados pelos demais evangelistas.

Todavia, supõe-se que os livros mais antigos teriam sido as epístolas de Tiago e de Paulo aos gálatas,
cuja época teria sido, aproximadamente, em torno do ano 49 da era comum, antes do Concílio de
Jerusalém.

Já os últimos livros a serem escritos têm a sua autoria atribuída ao apóstolo João e seriam o seu
Evangelho, as três epístolas e o Apocalipse. Este, por volta do ano 95 da era comum, em Patmos, no
período da perseguição do imperador Domiciano.

Importante observar que o período que pode ter sido o de maior produção dos escritos do Novo
Testamento corresponderia à década de 60 do século I, talvez como uma iniciativa de preservar as
informações sobre as origens do cristianismo na época das perseguições de Nero, quando a maioria dos
apóstolos foram martirizados, entre os quais Pedro e Paulo.

Por outro lado, as epístolas de Paulo foram muito utilizadas pelo apóstolo para fins de comunicação
com as comunidades cristãs e com os pregadores durante os tempos de suas viagens missionárias e na
época de Nero. Algumas cartas, como a epístola aos gálatas teriam sido bem antes da primeira
perseguição aos cristãos do Império Romano. Outras teriam sido após os últimos relatos que constam
no livro de Atos.

Manuscritos do Novo Testamento


Como outras literaturas da antiguidade, o texto do Novo Testamento era (antes do advento da
imprensa) preservado e transmitido em manuscritos. De acordo com a última contagem, existem cerca
de 5.700 manuscritos gregos do Novo Testamento. Além disso, existem mais de nove mil manuscritos
em outras línguas (siríaca, copta, latim, árabe). Alguns desses manuscritos são Bíblia completas, outros
são livros ou páginas, e somente alguns são apenas fragmentos.
O Novo Testamento foi escrito em letras de imprensa, conhecidas pelo
nome de Unciais (ou maiúsculas). A partir do século VI esse estilo caiu em
desuso, sendo gradualmente substituído pelos manuscritos chamados
minúsculos. Esses predominaram no período que vai do século IX ao XV.

O Rylands Library Papyrus ou Papiro P52 é geralmente aceito como o


mais antigo registro sobrevivente de um livro que viria a ser o Novo
Testamento. É datado em algum momento entre 117 d.C. e 138 d.C.. A parte
frontal desse papiro contém as linhas do Evangelho de João (João 18:31-
33). No verso estão registrados os versículos 37 e 38. Os manuscritos do
Novo Testamento são divididos em três categorias: papiros, unciais e
minúsculos. O que os diferencia são suas características diferenciadas. Fragmento do Papiro
P52 ou Rylands
Library Papyrus, que
Papiros contém cinco
versículos do
Esses manuscritos datam do século II e III. Eles foram escritos quando o Evangelho de João
cristianismo ainda era ilegal e as cópias do Novo Testamento eram feitas no (18.31-33,37,38). Ele
material mais barato possível. Atualmente, existem cerca de 26 é datado entre 117-
manuscritos do Novo Testamento em papiro. 138 d.C.

Como esses textos surgiram apenas uma geração depois dos autógrafos
originais, eles são valiosíssimos para a montagem do texto original através da critica textual do Novo
Testamento. O fragmento P52, por exemplo, faz parte dessa categoria.

Outros documentos valiosos são o P45, P46 e o P47, conhecidos como Papiros Chester Beatty (250),
consistem de três códices que abrangem a maior parte do Novo Testamento.

P45 – são trinta folhas de um códice de papiro que contém os evangelhos e Atos;

P46 – traz a maior parte das cartas de Paulo, bem como Hebreus, faltando, porém, algumas partes de
Romanos, I Tessalonicenses e e todas II Tessalonicenses;

P47 – Contem partes do Apocalipse.

A mais importante descoberta de papiros do Novo Testamento são os Papiros Bodmer (175-225). Eles
compreendem o P66, o P72 e oP75.

P66 (200 d.C.) - contém algumas porções do evangelho de João;

P72 (séc. III) – É a mais antiga cópia de Judas e de I e II Pedro que se conhece; contém vários livros,
alguns canônicos e outros apócrifos;

P75 (175-225 d.C.) – contém Lucas e João em unciais cuidadosamente impressos, com toda clareza. É a
mais antiga cópia de Lucas que se tem noticia.

Autoridade
Todas as igrejas cristãs aceitam o Novo Testamento como parte de suas Escrituras Sagradas.
Entretanto, os vários ramos do cristianismo diferem em sua compreensão da natureza, extensão e
relevância da Autoridade do Novo Testamento.

Geralmente, o papel que uma vertente cristão tem do Novo Testamento como Autoridade depende
muito do conceito de inspiração, que esta relacionado com o papel de Deus na formação do Cânon
Bíblico. Assim, quanto maior o papel de Deus na doutrina da inspiração, mais se aceita a doutrina da
inerrância bíblica e/ou da Bíblia como regra de fé e prática.

As condições para definir esses termos são difíceis, visto que muitas pessoas as usam indiferentemente
ou com significados muito diferentes. Aqui, utilizaremos os termos da seguinte forma:

Infalibilidade diz respeito à legitimidade absoluta da Bíblia em questões de doutrina.


Inerrância diz respeito à legitimidade absoluta da Bíblia em afirmações de fatos científicos e
históricos. Em outras palavras, a Bíblia não possui erro de natureza nenhuma.
Fonte Ética diz respeito à legitimidade da Bíblia em questões de moral, fé e prática.
Todos esses conceitos dependem de seu correto significado para pressupor de que o texto da Bíblia foi
interpretado de maneira certa. Assim, partindo de um dos pressupostos acima, tem-se um panorama da
hermenêutica do texto que leva em consideração a intenção do autor que escreveu, quer seja literal,
histórica, alegórica, simbólica ou poética. A doutrina da inerrância, por exemplo, é entendida de várias
formas, de acordo com o peso dado pelo intérprete.

Catolicismo e ortodoxia oriental


Tanto para a Igreja Católica quanto para Igreja Ortodoxa Oriental, existem dois tipos de revelações: a
Bíblia e a Tradição. Ambos são interpretados pelos ensinamentos da igreja.

Na terminologia católica, o ofício de ensinar é chamado de Magistério (do latim magistra). Na


terminologia Ortodoxa a autêntica interpretação da Escritura e da Tradição é limitada ao Direito
Canônico dos concílios ecumênicos. Ambas as fontes de revelação são consideradas necessárias para a
boa compreensão dos princípios da fé. A visão da Igreja Católica está claramente expressa em seu
Catecismo (1992):

§ 83: Como resultado, a igreja, para quem a transmissão e interpretação de Apocalipse foi confiada,
não deriva a sua certeza sobre todas as verdades das Sagradas Escrituras sozinha. Tanto a Escritura
quanto a Tradição devem ser aceitas e honradas com igual sentimento de devoção e reverência.

§ 107: Os livros inspirados ensinam a verdade. Desde que tudo o que os autores inspirados afirmam
deve ser considerado como afirmado pelo Espírito Santo, temos de reconhecer que os livros da
Escritura firmemente, fielmente e sem erro de ensinar a verdade que Deus, por causa da nossa
salvação, quis ver confidenciou a Sagrada Escritura.

Protestantismo
Os protestantes defendem a doutrina do sola scriptura, cujo significado em latim é "somente a Bíblia".
Eles acreditam que a regra de fé, prática e a interpretações devem levar em consideração
exclusivamente os ensinamentos das Escrituras. A tradição não é fonte de autoridade para o
protestantismo.

Como a autoridade das denominações protestantes derivam exclusivamente da Bíblia, suas doutrinas
estão sempre abertas a reavaliações. Essa abertura à revisões doutrinárias deu base para as tradições
protestantes liberais reavaliarem as doutrinas da Escritura em que a Reforma foi fundada. Os membros
dessa tradição chegam a questionar se a Bíblia é infalível em questões doutrinarias, se é inerrante em
outras declarações factuais e históricos e se Ela tem autoridade divina única. As adaptações feitas pelos
protestantes modernos a sua doutrina das Escrituras varia muito de denominação para denominação.

Protestantes e evangélicos fundamentalistas


Alguns evangélicos americanos conservadores acreditam que as Escrituras tem sua origem da união
entre o Divino e o humano: humanos em sua composição; e divino em sua fonte que é Deus. Os
evangélicos acreditam que o Espírito Santo guiou (iluminou) os escritores da Bíblia de tal forma que
eles não escreveram nada contrário à verdade. Os cristãos fundamentalistas também aceitam a
autoridade da Bíblia para questões morais, éticas e científicas.

Para os evangélicos fundamentalistas isso se aplica especialmente a questões como ordenação de


mulheres, aborto, evolução e homossexualidade. No entanto, embora a maioria dos protestantes se
posicionem contra essas questões, um número cada vez maior do protestantismo está cada vez mais
dispostos a considerar que as opiniões dos autores bíblicos são culturalmente condicionado. Essa ala do
protestantismo argumenta que há espaço para mudanças juntamente com as normas culturais e os
avanços científicos.

A maioria dos cristãos fundamentalistas e dos evangélicos professam a crença na inerrância da Bíblia,
ou seja, que os autógrafos originais das Escrituras Sagradas não possuem qualquer tipo de erro.

Já os protestantes mais liberais evitam interpretações da Bíblia que contradiz diretamente as


afirmações científicas que são geralmente aceites de fato. Eles não imputam erro aos autores bíblicos,
mas entendem que as pessoas que escreveram a Bíblia tinham em mente determinadas intenções
literárias que poderiam dar credibilidade para o progresso humano no conhecimento do mundo ao
mesmo tempo em que aceitavam a inspiração divina das Escrituras.

Para os que acreditam na inerrância da Bíblia, a Declaração de Chicago sobre a Inerrância Bíblica
(1978) formalizou as visões evangélicas sobre esta questão. Em resumo, essa declaração afirma que a
Bíblia é:

“ total e verbalmente dada por Deus, sem erro ou falha em tudo o que
ensina, quer naquilo que afirma a respeito de Deus que atuou na
criação, quer seja sobre os acontecimentos da história mundial e sobre
a sua própria origem literária dada pela Inspiração do Espirito Santo,
que em seu testemunho nos concedeu a graça salvadora de Deus na
vida individual. ”
Ver também
Antigo Testamento
Terminologia da Cristologia
Bíblia
Códice Sinaiticus
Gnosticismo
História do Cristianismo
Livros Apócrifos
Sociedade Bíblica do Brasil
YHVH

Referências
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PFEIFFER, Charles. Eusébio em História
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33. «Bona, Argélia» (http://www. Testamento sua origem e
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Vida Nova, 2005. pág. 83.
World Digital Library. 1899. Publicações, 2008. pág. 368

Bibliografia
Frédéric Lenoir - Comment Jésus est devenu Dieu - Livre de Poche - ISBN 978-2-253-15797-7
CHRIST'S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity. Eric Zuesse, Hyacinth
Editions, 301 pp. ISBN 9780615573014

Ligações externas
Bíblia Católica On Line (http://www.bibliacatolica.com.br) Bíblia em várias línguas, incluindo
português, grego e latim.

Grego
Novo Testamento Bizantino Original (http://www.ellopos.net/elpenor/greek-texts/new-testament/def
ault.asp) Lado a lado com a inglesa (King James) e a tradução sinodal russa. Comentado pelos
pais gregos - Ícones do Monte Athos
Novo Testamento, texto grego polifônico conforme o Patriarcado Ecumênico (http://users.otenet.g
r/~gmcr) (Grego)
Novo Testamento grego com léxico adicionado (http://www.greekbible.com)

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