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RODOLFO NERI VELA

Aceitação e desejo são premissas do êxito. Em uma palestra,


Rodolfo Neri Vela, primeiro astronauta estrangeiro a ser aceito na
NASA, refere-se à origem humilde em um vilarejo mexicano como um
dado autobiográfico, não como impedimento histórico.
Nostalgicamente, Rodolfo alude à mãe como provedora exemplar e
a seu pai como o anunciador do seu destino, pois a família nada
mais poderia lhe oferecer além de comida e roupas limpas. Para se
tornar engenheiro teria que pagar pelos estudos. Tomou isso como
dado de realidade e levou avante os seus projetos. O desejo pela
profissão começou pelo avô, a quem reserva a fala mais longa. Esse
advogado frustrado que sonhava em ser engenheiro foi o instigador
de seu interesse por matemática, a partir do livro de sua autoria. A
mente infantil que se assustou com os revezes dos cálculos, também
entendeu que se era humanamente possível resolvê-los, ele também
poderia fazê-lo. E Vela continua desse lugar de autoconfiança,
indicando que deficiência e superação estabelecem uma dinâmica da
possibilidade. No entanto, é imperativo que se amplie os olhares para
além das fronteiras do presente. Por exemplo, os exoplanetas são
confinados às fronteiras telescópicas que limitam a possível infinitude
de um habitado arquipélago planetário. Só a resignação a essa ideia
é que pode estimular a busca por meios de se ampliar o escopo do
olhar terreno/terráqueo. Para Rodolfo, as viagens espaciais são
como as missões de vida as quais devem ser pautadas por
agradecimento, carinho, respeito e responsabilidade para si e para
os outros, já que acredita que só há êxito na coletividade. Se vencer
a força da gravidade foi a prerrogativa para a conquista do espaço,
esse rapaz latino americano içou sua Vela para muito alto, contanto
com ventos fortes, levitando nas quimeras de suas realizações.