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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR.

CORREIA MATEUS
Ano lectivo 2010/2011

CEF – ACOMPANHANTE DE ACÇÃO EDUCATIVA – ASSISTÊNCIA DE CRIANÇAS AO DOMICÍLIO


– 9º F – 2º ANO

FICHA INFORMATIVA Nº 1

TEMA: HÁBITOS DE ALIMENTAÇÃO NA CRIANÇA – Elementos da dieta alimentar

Alimentação e a Nutrição

A alimentação consiste em obter do ambiente uma série de produtos,


naturais ou transformados, que conhecemos pelo nome de alimentos, que
contêm substâncias químicas denominadas nutrimentos.
A nutrição, que se inicia no momento da ingestão dos alimentos, consiste no
conjunto de processos mediante os quais o ser vivo, neste caso o Homem, utiliza, transforma e
incorpora nas suas próprias estruturas uma série de substâncias que recebe do mundo exterior
através da alimentação, com o objectivo de obter energia, construir e reparar as estruturas orgânicas
e regular os processos de funcionamento do nosso organismo. A criança, por se encontrar em fase de
crescimento, é extremamente dependente de uma alimentação saudável e, por isso, mais sensível às
carências, desequilíbrios ou desadequação alimentares.

Se a alimentação da criança não for adequada quer em quantidade, quer em


qualidade, o seu crescimento pode ser afectado, podendo surgir diversas
situações de doença ou de comprometimento global do desenvolvimento.
Durante o período pré-escolar – dos 3 aos 6 anos – em que se verifica um
crescimento acentuado, embora de ritmo mais ou menos constante, a qualidade
da alimentação é determinante, para a maturação orgânica e a saúde física e psicossocial. Sendo um
período menos vulnerável aos atrasos de crescimento por má nutrição do que os dois primeiros anos de
vida, é, no entanto, particularmente importante, porque é durante ele que muitos dos comportamentos
relacionados com a alimentação se adquirem e muitos dos erros alimentares do adulto se iniciam, como
seja o excesso de ingestão de doces e gorduras, acompanhado por um défice de ingestão de
hortaliças, legumes e frutos. Trata-se, portanto, de um período óptimo para o início da educação
alimentar.
Os grupos de alimentos – A roda dos alimentos

A roda dos alimentos é um instrumento de educação alimentar largamente


reconhecido pela população portuguesa pela sua utilização desde 1977 na
campanha “Saber comer é saber viver”.

É uma imagem ou representação gráfica que ajuda a escolher e a


combinar os alimentos que deverão fazer parte da alimentação diária.
É um símbolo em forma de círculo que se divide em sectores de
diferentes tamanhos e que reúnem alimentos com propriedades
nutricionais semelhantes.

Como é constituída?
A nova Roda dos alimentos é composta por 7 grupos de alimentos de diferentes dimensões, os quais
indicam a proporção de peso com que cada um deles deve estar presente na alimentação diária.

Grupo %
Cada um dos grupos apresenta funções e características
Cereais e derivados, tubérculos 27%
nutricionais específicas, pelo que todos eles devem estar
Hortícolas 23%
Fruta 20% presentes na alimentação diária, não devendo ser substituídos
Lacticínios 18% entre si.
Carnes, pescado e ovos 5%
Dentro de cada grupo estão reunidos alimentos nutricionais
Leguminosas 4%
semelhantes, podendo e devendo ser regularmente substituídos
Gordura e óleos 3%
uns pelos outros de modo a assegurar a necessária variedade.

Não possuindo um grupo próprio, a água assume a posição central na roda dos alimentos.
Isto porque, está representada em todos eles pois faz parte da constituição de quase todos os
alimentos.
Por ser um bem tão essencial à vida recomenda-se o seu consumo diário na ordem dos 1,5 e 3 litros.

O que nos ensina?


De uma forma simples, a nova Roda dos Alimentos transmite as orientações para uma Alimentação
Saudável, isto é, uma alimentação:

• Completa – comer alimentos de cada grupo e beber água diariamente

• Equilibrada – comer maior quantidade de alimentos pertencentes aos grupos de maior dimensão
e menor quantidade dos que se encontram nos grupos de menor dimensão, de forma a ingerir o
número de porções recomendado;

• Variada – comer alimentos diferentes dentro de cada grupo variando diariamente,


semanalmente e nas diferentes épocas do ano.
Como se utiliza?
Diariamente devem comer-se porções de todos os grupos de alimentos. O número de porções
recomendado depende das necessidades energéticas individuais. As crianças de 1 a 3 anos devem
guiar-se pelos limites inferiores e os homens activos e os rapazes adolescentes pelos limites
superiores; a restante população deve orientar-se pelos valores intermédios.”

Por dia quantas


O que é um porção porções são
necessárias

Cereais e derivados, tubérculos 4 a 11

1 pão (50g)
1 fatia fina de broa (70g)
1 e 1/2 batata - tamanho médio (125g)
5 colheres de sopa de cereais de pequeno-almoço (35g)
6 bolachas - tipo Maria / água e sal (35g) =
2 colheres de sopa de arroz / massa crus (35g)
4 colheres de sopa de arroz / massa cozinhados (110g)

Hortícolas 3 a 5
2 chávenas almoçadeiras de hortícolas crus (180g)
1 chávena almoçadeira de hortícolas cozinhados (140g)

Fruta 3 a 5
1 peça de fruta - tamanho médio (160g)

Lacticínios * 2 a 3
1 chávena almoçadeira de leite (250ml)
1 iogurte líquido ou 1 e 1/2 iogurte sólido (200g)
2 fatias finas de queijo (40g)
1/4 de queijo fresco - tamanho médio (50g)
1/2 requeijão - tamanho médio (100g)

Carnes, pescado e ovos 1,5 a 4,5


Carnes / pescado crus (30g)
Carnes / pescado cozinhados (25g)
1 ovo - tamanho médio (55g)

Leguminosas 1 a 2
1 colher de sopa de leguminosas secas cruas (ex: grão de bico, feijão,
lentilhas) (25g)
3 colheres de sopa de leguminosas frescas cruas (ex: ervilhas, favas) (80g)
3 colheres de sopa de leguminosas secas / frescas cozinhadas (80g)

Gorduras e óleos 1 a 3

1 colher de sopa de azeite / óleo (10g)


1 colher de chá de banha (10g)
4 colheres de sopa de nata (30ml)
1 colher de sobremesa de manteiga / margarina (15g)

chávena almoçadeira copo de galão

colher de:
sopa sobremesa chá chá

*A generalidade da população deve consumir 2 porções, com excepção de crianças


e adolescentes, que necessitam de 3 porções.

Distribuição das refeições

O total de alimentos, ingeridos ao longo do dia, deve respeitar as proporções da roda dos alimentos,
incluindo hortaliças, legumes e frutos, não esquecendo os alimentos do grupo do leite, os cereais e
derivados como o pão, passando pelas leguminosas. O consumo de carne deve ser moderado, sendo de
retirar as gorduras visíveis e de preferir o peixe uma vez por dia. Reduzir o sal, as gorduras e o
açúcar na confecção e tempero dos alimentos. Usar gorduras com moderação, preferindo o azeite. E,
finalmente, variar o mais possível, dando primazia aos produtos de cada estação do ano.

Os alimentos devem distribuir-se ao longo do dia, por 5 a 6 refeições diárias, a intervalos regulares.
O pequeno-almoço é uma refeição fundamental para a criança, nunca devendo ser omitido. O leite,
acompanhado de pão ou cereais, deve fazer parte desta refeição. A quantidade diária de leite
recomendada ronda o 1/2 litro, podendo ser gordo ou meio-gordo.
A meio da manhã deve ser fornecida uma pequena refeição, a fim de evitar que a criança fique mais do
que 3 horas sem comer.
Meia carcaça ou papo-seco, duas ou três bolachas sem creme ou uma peça de fruta são suficientes.
As duas principais refeições devem começar com uma sopa de legumes da época. Os produtos
hortícolas devem ser predominantes nas sopas e no prato. Em conjugação com a fruta, devem ser
consumidos diariamente. Pão de mistura e cereais escuros podem ser fornecidos à vontade. Carne e
peixe não precisam de ultrapassar os 50 g limpos a cada uma das duas principais refeições, os ovos
podem chegar aos 3 por semana. Sal e açúcar, o mínimo possível. Água e sumos naturais são as bebidas
mais adequadas. A sobremesa deve ser constituída por fruta. Em dias especiais pode ser fornecida
uma sobremesa doce.
A meio da tarde deve ser fornecida uma merenda, em que o leite ou derivados e o pão não devem
faltar.
O jantar será semelhante ao almoço, devendo começar também com uma sopa de legumes e terminar
com uma peça de fruta.
Antes de ir para a cama, algumas crianças gostam de beber um copo de leite.
A seguir às principais refeições e antes de ir para a cama a criança deve ser ensinada a lavar os
dentes e a utilizar uma pasta dentífrica, a partir da altura em que já consegue bochechar e não engole
o produto.

Evidentemente que as crianças que sofram de determinadas doenças crónicas, de obesidade, de


atraso de crescimento ou de outros problemas de saúde deverão ser acompanhadas pelo médico,
nutricionista ou outro profissional de saúde, no sentido de adoptarem uma alimentação adequada à sua
situação.

Proposta de trabalho:

Realiza individualmente ou em grupo uma roda dos alimentos com materiais variados.

A professora : Ana Cordeiro