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A Modernidade Insustentável: as críticas do


ambientalismo à sociedade contemporânea

Article in Ambiente & sociedade · December 1999


DOI: 10.1590/S1414-753X1999000200014

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Gustavo Ferreira da Costa Lima


Universidade Federal da Paraíba
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RESENHAS/BOOK REVIEWS

. a crise ambiental no contexto da


A Modernidade Insustentável
Insustentável: as glo-balização;
críticas do ambientalismo à . a precária governabilidade dos pro-
sociedade contemporânea. blemas socioambientais globais;
Héctor Ricardo Leis. . o declínio da política e da teoria
Petrópolis, Vozes e Florianópolis, polí-tica no mundo atual e as
UFSC, 1999. perspectivas para sua reconstrução e;
. o potencial de renovação política e
civilizatória do ambientalismo.
GUS
GUSTTAVO F
F.. DA COS
DA COSTTA LIMA* Explora, nesse sentido, o flagrante
descompasso entre um mundo que se
O presente livro de Héctor Leis é uma globaliza a passos largos e o compor-
versão reformada e atualizada de sua tese tamento dos atores políticos que insistem
de doutoramento em filosofia política. em se orientar pelos parâmetros do
Nele, o autor desenvolve uma análise estado e da soberania nacional. Parte
político-filosófica e histórica da formação desse descompasso se revela na ausência
e significado do ambientalismo na de autoridades e instituições globais,
sociedade contemporânea. capazes de coordenar e responder à
Esta tarefa, que se reveste de singular escalada de problemas globais que, além
complexidade, é tratada de forma daqueles relativos ao meio ambiente,
original, crítica e criativa ultrapassando englobam também o tráfico de drogas e
os limites das reflexões ortodoxas de armas, o desemprego estrutural, a
publicadas sobre o tema e desafiando os fome e a ex-clusão social, a violência e
cânones e a unidimensionalidade da o terrorismo internacional. Mostra-se
razão cientificista. também na incompatibilidade da
O cerne de sua proposta é refletir sobre convivência entre uma ética
os valores, teorias e práticas do ambi- individualista e competitiva e um cenário
entalismo com o intuito de identificar o mundial cada vez mais marcado pela
sentido de seu “ethos”, significado interdependência entre povos e nações.
essencial, ou espírito- anima. Diante dessa realidade levanta a
Para realizar seu intento constrói um questão de como construir pontes entre
roteiro tripartite que organiza dia- uma concepção política realista, que tem
leticamente o conteúdo de seus argu- na força e na guerra sua principal moeda
mentos. e uma outra concepção, política utópica,
Na primeira parte (capítulos 1 a 3), que articula sua linguagem através da
apresenta os pressupostos do trabalho cooperação e da paz. Essa é, para o autor,
discutindo os dilemas da política mundial a magnitude do desafio que se apresenta
contemporânea que se expressam através à sociedade hoje. Como superar as
de realidades como: dicotomias que separam a crise
conjuntural da crise civilizatória, que
dividem as dimensões material e
*Doutorando em Ciências Sociais pelo IFCH- espiritual da realidade e desintegram a
UNICAMP e docente do Departamento de Ciências sociedade da natureza? Quais os
Sociais da Universidade Federal da Paraíba-UFPB. caminhos dessa transição?

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Na segunda parte do trabalho, que individual, social e de nossas relações com


se estende por seis capítulos ( 4 a 9), o o mundo natural. Essa evidência se
autor se detém na análise de seis manifesta no teor antropocêntrico da
momentos históricos que se articulam na cultura ocidental, que engendra e
constituição do ambientalismo. Esses perpetua a separação entre a sociedade e
momentos compreendem os campos da a natureza, na instrumentalidade da razão
estética (cap. 4), das ciências (cap. 5), e do conhecimento hegemônicos, no
da sociedade civil (cap.6), do sistema individualismo quase autista das
político (cap.7), do mercado (cap. 8) e multidões modernas e na indigência
da espiritualidade (cap. 9). Em cada um espiritual expressa na autofagia
desses momentos traz à tona os valores, consumista e no império do mercado e
as ideologias, as críticas, as teorias, as das mercadorias. Esses sinais, para o autor,
contradições, as polêmicas e os atores que compõem o caráter simultaneamente
povoam e caracterizam cada um desses conjuntural e civilizatório da crise
campos do ambientalismo. Examina, contemporânea. E, paradoxalmente, é
criticamente, como cada um desses desse diagnóstico pouco animador que
elementos e setores se incorporam ao retira a esperança para vislumbrar a
debate ambientalista e vão gradualmente possibilidade de uma outra sociedade
dando sentido à feição multissetorial, global inspirada em princípios ético-
complexa e global que o caracteriza na espirituais.
atualidade. O fio que tece essa complexa Na terceira e última parte do livro
rede do ambientalismo parece ser seu (cap. 10) o autor formula sua conclusão,
potencial inovador e sua capacidade de combinando as partes anteriores numa
integrar as múltiplas dimensões da síntese que as ultrapassa. Nela revisita
realidade, geralmente consideradas de autores que representam o pensamento
maneira fragmentária e reducionista. crítico da tradição moderna em busca de
Nesse sentido, o ambientalismo tem respostas para os dilemas e paradoxos
propiciado novas reflexões e sínteses entre colocados pela crise ambiental e
a economia e a ecologia, a ética e a civilizatória contemporâneas. Com essa
política, a cultura e a natureza, a ciência, intenção recupera o pensamento de Marx,
a religião, as artes e a filosofia. Para Leis dos frankfurtianos e de Habermas no
essa característica do ambientalismo contexto da insustentabilidade global.
define sua natureza de movimento Reconhece a rica contribuição que
histórico-vital, que consiste numa agregam à teoria social moderna, mas
articulação plural de atores, valores e admite suas limitações e incapacidade de
interesses sociais que, apesar de pensar a crise ambiental, de superar o
diferenciados, se complementam na reducionismo antropocêntrico e a
composição de um quadro de grande distância entre a sociedade e a natureza.
riqueza cultural. Observa na obra de Marx uma noção de
O resultado dessa avaliação crítica da liberdade antropocêntrica que entende
sociedade e civilização contemporâneas, o progresso como a superação do reino da
sob a ótica do ambientalismo, confirma, necessidade material e, portanto,
por diversas perspectivas, a insus- desatenta à degradação que produz sobre
tentabilidade de nossos estilos de vida o mundo natural. Os frankfurtianos (à

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exceção de Marcuse) embora tenham ido responsabilidade com a preservação do


além de Marx, ao evitar seu reducionismo mundo, embora reconheça as dificuldades
econômico e ampliar a crítica social aos culturais e políticas para institucionalizar
campos da cultura e da ciência, não valores biocêntricos. Diverge, entretanto,
acreditavam que fosse possível uma da utilidade de uma moral ou pedagogia
reconciliação entre a sociedade e a do medo como instrumento de respon-
natureza. Com relação a Habermas é sabilização com a preservação da vida.
inegável a contribuição de sua teoria da Para Leis, a pedagogia do medo já deu
ação comunicativa para pensar o provas suficientes de não ser a estratégia
ambientalismo como agente de resistência mais adequada para uma reforma criativa
à colonização sistêmica do mundo da vida. da sociedade.
Contudo, a institucionalização política da Divide com Serres a hipótese de que
razão comunicativa se dá num plano a pedagogia do amor é não apenas
abstrato, sem vínculo direto com atores superior à do medo, como a única
sociais concretos que possam dar-lhe linguagem capaz de superar os obstáculos
lastro, o que termina inviabilizando-a. Por e diferenças entre todos os seres, além de
outro lado, ao abordar a emancipação de possibilitar um Contrato Natural que
uma perspectiva antropocêntrica que contemple simultaneamente o mundo
exclui os seres não-humanos, Habermas humano e não-humano. Nesse sentido,
levanta obstáculos que impedem a atenta para o caráter ao mesmo tempo
concepção de uma sustentabilidade avançado e limitado das conquistas
integral articuladora dos mundos biofísico iluministas que universalizaram os direitos
e social. de todos os humanos enquanto esqueciam
Diante da insuficiência do pensa- os direitos das criaturas não-humanas.
mento moderno para responder à crise Converge também com Serres sobre a
ambiental recorre à contribuição de necessidade de resgatar uma visão
pensadores vinculados à tradições não- espiritual-transcendante como pré-
modernas - como Hans Jonas, Michel requisito para reconstruir ou “religar” os
Serres, Louis Dumont e Nietzsche - para laços perdidos que uniam os homens e o
superar o antropocentrismo dos modernos, mundo. Essa tarefa de religação,
compreender o espírito-anima do entretanto, não caberá à política nem à
ambientalismo e conceber uma reforma ciência, mas ao amor. Contudo, embora
criativa da sociedade contemporânea. aceite a hipótese básica de Serres, pensa
De Jonas, resgata a crítica à não ser realista pretender resolver os
modernidade por sua incapacidade de problemas ambientais apenas recomen-
integrar eticamente a humanidade e a dando uma política amorosa. Mesmo
natureza, decorrente, em última porque os seres humanos não tem
instância, de uma redução da finalidade condições históricas, sociais e políticas
humana à sua reprodução material. para o exercício do amor.
Concorda com ele sobre a necessidade de É diante desse impasse que introduz,
uma renovação ética que integre o em diálogo com Louis Dumont, algumas
homem, a natureza, a ciência e a religião. condições de possibilidade para a
Concorda também com Jonas sobre a operacionalização do amor no plano
necessidade de se cultivar uma ética de político e social. Segundo Dumont, a

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modernidade instituiu uma separação Argumenta que, ao considerar todos os


entre o princípio da hierarquia e da indivíduos humanos como sujeitos de
igualdade, rejeitando o primeiro e se direito relativamente iguais, estabeleceu-
apoiando exclusivamente no segundo. se a impossibilidade de atribuir os mesmos
Considera, entretanto, o igualitarismo direitos aos seres não-humanos, por
uma construção social imaginária, natureza diferentes de nós. Esse processo
abstrata e artificial que não tem implicou numa a ampliação da separação
correspondência no plano empírico, já entre a humanidade e a natureza.
que a maioria das relações sociais não é Por outra perspectiva, pode-se
igualitária. Para Dumont, a vida social e observar que o processo de constituição
também natural são regidas pela do paradigma científico clássico em sua
conjunção dos princípios da hierarquia e busca de um conhecimento “verdadeiro”,
da igualdade e não pela supressão de um objetivo, regular e quantificável tendeu
deles absolutizando o outro como fez a a enfatizar a igualdade e a suprimir as
modernidade. Para ele, o homem está diferenças da realidade. Nesse processo
constantemente fazendo escolhas e de homogeneização da realidade
adotando valores o que supõe uma favoreceu a expansão da racionalidade
hierarquia que afeta as idéias, as coisas e instrumental e de uma ciência positivista,
as pessoas. De fato, nessa conjunção entre neutra e descomprometida de consi-
a hierarquia e a igualdade, a hierarquia derações éticas.
ocupa uma posição principal e a O igualitarismo moderno é também
igualdade uma posição complementar. inseparável do individualismo, porque
Essa hierarquia, entretanto, embora diferentemente do princípio hierárquico,
suponha a diferença, não implica em que engloba seu contrário - numa relação
dominação que seria o resultado de uma de interdependência que favorece o
degradação da hierarquia. A relação diálogo e a solidariedade - tende a
entre a igualdade e a hierarquia, estabelecer relações unidirecionais, que
característica da modernidade, se negam a dinâmica dialógica da realidade.
expressa pelo predomínio quase absoluto Segundo Leis, tanto a hierarquia
do igualitarismo na organização da vida degradada, que produz um mundo
política e social. Esse predomínio, que desigual regido pela dominação, quanto
marcou historicamente o paradigma da a igualdade degradada, que gera um
modernidade, continua a produzir mundo homogêneo e totalitário sem
consequências profundas nas relações respeito às diferenças, favorecem relações
sociais e políticas entre os homens, nas que impedem a complementação e a
relações entre a sociedade e a natureza, reciprocidade necessárias numa relação
no processo de construção do pensamento amorosa. E, exatamente por não propiciar
científico, nas relações afetivas e culturais o desenvolvimento de relações amorosas,
e na cosmovisão dominante na sociedade. o princípio da igualdade é funcional à
Para Leis, o principal obstáculo para a sociedade moderna, ao contrário do
modernidade superar o impasse do princípio hierárquico. Portanto, conceber
reducionismo antropocêntrico é a ênfase e viver hierarquicamente as relações
que a racionalidade moderna atribui ao sociais passa a se constituir num requisito
princípio da igualdade e a correspon- necessário para construir o Contrato
dente negação do princípio hierárquico. Natural.

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Conclui seu diálogo com Dumont conjuntura política tradicional quanto de


afirmando que o ambientalismo é a única uma nova subjetividade capaz de reorientar
expressão capaz de revisar o igualitarismo valores e interesses incompatíveis com a
moderno no sentido de um mundo susten-tabilidade ambiental.
orientado pela aceitação da diferença e pela Com relação ao “ethos do ambien-
solidariedade nas relações entre os homens, talismo”, define-o com atributos plurais que
e destes com os seres não-humanos. articulam uma capacidade de operar
Em Nietzsche, encontra um reforço às sínteses, uma postura transformadora, um
possibilidades de introduzir o princípio da caráter ético-amoroso e uma atitude não-
hierarquia na sociedade moderna e pistas moderna.
valiosas para pensar o “espírito” do ambi- Um dos pressupostos básicos da presente
entalismo. Resgata assim, da obra desse análise entende o ambientalismo como um
autor, a defesa de um indivi-dualismo que projeto “realista-utópico” que só poderá vir
valorize mais a diferença em contraposição à realidade através da construção de pontes
ao individualismo moderno referenciado na e aproximações entre fenômenos percebidos
igualdade. Essa crítica ao indi-vidualismo como opostos, tais como as experiências
igualitário, por sua vez, aponta para a espirituais e materiais, as dimensões
construção de uma nova subjetividade que conjuntural e civilizatória da realidade e
seja capaz de integrar a diversidade, porque os mundos social e natural, entre outras
entende que a verdadeira realidade é a tantas dicotomias inconciliáveis que
diferença. Percebe portanto, em Nietzsche, herdamos da cultura racionalista moderna.
a consciência e a intenção de harmonizar o Para Leis, é justamente aí que repousa a
contraditório numa ordem hierárquica sem força do ambientalismo: nessa capacidade
que se precise mutilar ou excluir nenhuma de articular forças diferentes e mesmo
das dimensões da realidade. Para Leis essa contraditórias num sentido convergente.
compreensão guarda profunda sintonia com Compreende também que o “ethos do
o espírito do ambientalismo e com a idéia ambientalismo” é amoroso porque iguala e
de amor a que se refere neste trabalho. hierarquiza as múltiplas dimensões da
(p.226) realidade ao mesmo tempo.
Tendo incorporado a contribuição dos Caracteriza, por outro lado, o “ethos do
pensadores supracitados Leis retoma, à guisa ambientalismo” como “pré-pós-moderno”
de conclusão, a questão da gover-nabilidade pela insuficiência e incapa-cidade do
dos problemas ambientais e a caracterização pensamento e da prática modernos em
do ethos do ambienta-lismo. responder às suas demandas relativas aos
Sobre a governabilidade ambiental, valores não-modernos.
adianta que ela não pode ser concebida de Todas essas características compõem o
forma tradicional mas antes como uma anti- potencial inovador do ambientalismo que,
política, que integra não só uma diversidade segundo Leis, abre a possibilidade de uma
de atores provenientes de múltiplos setores “reforma criativa da sociedade
sociais e de escalas que vão desde o plano contemporânea” orientada por uma “re-
local até o plano global, como uma complexa ordenação amorosa da realidade”.(p.15)
variedade de valores políticos, éticos, Para alguns leitores mais céticos pode
sociais, estéticos e espirituais. Para o autor parecer inevitável questionar, no contexto
essa governa-bilidade dependerá tanto da da crise ambiental, a possibilidade de uma

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harmonização entre atores sociais dotados liáveis entre si. Assim, ao invés da opção
de valores e interesses contraditórios. A excludente “isto ou aquilo” afirma a opção
dúvida que se justifica nas incertezas da includente que reúne “isto e aquilo”. Daí
condição humana e na indigência ético- sua insistência nas possibilidades de
espiritual de nossa conjuntura global cooperação, articulação, síntese e de
interroga se estamos, enquanto espécie, relação amorosa abertas pela crise ambiental
maduros para uma transição dessa e pelo ambientalismo envolvendo atores,
magnitude que substitui o princípio do valores e interesses diferenciados e até
egoísmo pelo princípio do amor. Em outras contraditórios.
palavras, seremos capazes de harmonizar o Expressa com fidelidade o espírito de seu
estoque disponível de riqueza, status e trabalho quando conclui que “o ethos do
poder num projeto de sustentabilidade ambientalismo não é um nome para uma
democrático, solidário e eticamente realidade objetiva. Ele é uma aventura
comprometido com a vida? espiritual-civilizatória do indivíduo
O trabalho de Héctor Leis dá um contemporâneo”. Para Leis “o desafio
tratamento original à complexidade da crise ambientalista não se reduz a tornar
socioambiental agregando a seu debate sustentável um dado modelo de sociedade
contribuições inovadoras. moderna. Isto é secundário frente à
Ressalta-se, em primeiro lugar, a necessidade de nutrir o homem contem-
interpretação da crise ambiental como um porâneo com as vivências dos tempos do
processo civilizatório que coloca como heróis gregos e místicos sufis, quando a vida
requisito fundamental de seu equa- era um campo de amor, luta e respeito,
cionamento uma reorientação profunda dos sincrético e mutável, entre os deuses, os
valores e concepções culturais, éticas e homens e a natureza”.(p. 230-231)
espirituais da humanidade. Aponta para a Héctor Leis nos oferece um livro valioso
mesma direção, a importância que o autor que desperta dimensões pouco observadas
atribui à dimensão espiritual da crise da questão ambiental e transcende os
ecológica, abrindo uma perspectiva limites formais de um trabalho acadêmico.
inovadora no debate da sustentabilidade, A despeito das dúvidas que possam ser
pontuado por argumentos tecnológicos, levantadas sobre os destinos do
econômicos, biológicos e políticos e, ambientalismo, é evidente a profundidade,
mediado exclusivamente pelo saber o pioneirismo e a relevância das reflexões
científico. desenvolvidas no presente ensaio que se
Também resgata, ao longo de todo o torna indispensável a todos aqueles que se
trabalho, a possibilidade de um outro tipo interessam pela problemática socioam-
de inteligência ou de compreensão da biental, e pela discussão das possibilidades
realidade e de seus aspectos contradi-tórios, de construção de uma nova civilização onde
que se diferencia da razão formal e se o respeito à vida, em sentido amplo, oriente
identifica com a razão dialética o sentido de nossa aventura terrestre.
característica das tradições orientais. Isto
é, privilegia em sua leitura da realidade uma
visão integradora, que concebe os
antagonismos como forças complemen-tares
e não como elementos apartados e inconci-

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