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MEMORIAL

Tenho interesse pelo ambiente de pesquisa desde quando me lembro. Na


adolescência não me via fazendo outra coisa senão pesquisando, embora naquele
momento meu interesse fosse voltado às ciências naturais. Durante a graduação me
envolvi em quatro pesquisas de iniciação científica, sendo duas na área de filosofia, uma
na letras e uma na psicologia, além de atividades de assistência didática e grupos de
estudo. Assim, o doutorado, e a pesquisa como um todo, coadunam com minhas
aspirações acadêmicas, profissionais e de vida em geral.

No mestrado concentrei-me numa pesquisa essencialmente teórica, tratava-se


de estabelecer relações entre esquemas e conceitos lacanianos para que, com isso, eu
associasse a psicanálise a uma temática específica do período da filosofia conhecido como
Idealismo Alemão. Deparei-me, nesse percurso, com duas decorrências, as quais me
chegaram de maneira um tanto natural, conforme a pesquisa avançava: primeiro alguma
necessidade de recorrer a Marx para pensar a psicanálise – tendo em vista que no mestrado
eu trabalhara Kant e Hegel; segundo, me senti bem amparado teoricamente e com vontade
de me lançar a uma pesquisa que tocasse um ambiente diverso àquele abstrato do tipo de
teoria que eu vinha estudando.

Surge daí o tema da religião, relativo ao projeto que aqui apresento. A


religiosidade no contemporâneo é coisa que vem me interrogando há um tempo. As
análises com as quais tomei contato me pareciam essencialmente unilaterais; um grande
contraste com Marx e Freud. Em Marx a religião não é somente “o ópio do povo” – slogan
da maioria das análises –, mas uma posição sensata num mundo embrutecido – “o espírito
de um mundo sem espírito”. Numa linha semelhante, Freud, com sua visão aguda sobre
o fenômeno religioso, consegue captar o tipo de envolvimento libidinal que a religião
exerce sobre nós e, tal como Marx, não se inclina a racionalizações simplistas sobre o
fenômeno. Balizado por esses autores acabei me aproximando da literatura sobre o tema
e também tinha conhecimento de pesquisas que visavam analisar a religião pela
psicanálise na UFSJ.

Me formei em São João em 2017 e embarquei imediatamente para o Rio de


Janeiro onde cursaria o mestrado. A experiência de pesquisa correu, ela toda, sem nenhum
percalço, mas não consegui me acostumar muito com a cidade. Assim, além da minha
clara afinidade com os professores da casa, São João é o tipo de lugar que me agrada e no
qual acho a vida mais fácil de se viver.

Ijaci-MG, 11 de Abril de 2019

Philippe Augusto Carvalho Campos