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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Instituto de História

Países Ibéricos Professor Carlos Ziller

Cláudio Robledo Pinto de Oliveira 110092458

Primeira questão: O que você pode dizer da tradicional caracterização de "União


Ibérica" dada aos 60 anos em que Portugal esteve integrado na Monarquia Católica de
Castela?

Essa caracterização é inadequada e equívoca. Ao se falar de “União Ibérica”


pressupõe-se um integração política entre os diversos reinos que compõe a península
Ibérica, onde haveria a vontade mútua das diversas elites em se unir. Porém o que
acontece na realidade é uma integração forçosa e artificial baseada na conquista militar,
e isso se evidencia ainda mais no caso de Portugal, onde a coroa de Castela era vista
como a coroa de um rei estrangeiro, negando assim a voluntariedade lusitana em favor
da integração à Monarquia Católica.

Outro ponto a ser analisado é o fato de Portugal ter se levantado contra Castela
em 1640, sessenta anos após a sua integração à Monarquia Católica. Na época da
conquista castelhana Portugal possuía uma rainha legítima e um rei aclamado, de forma
que a pretensão de Felipe II à coroa portuguesa não possuía raízes legais capazes de
legitimá-lo como soberano daquela terra, o que fez com que o rei católico tomasse o
trono pela força. De forma que a presença de Castela em Portugal sempre possuiu um
caráter artificial, onde o monarca era visto como um estrangeiro E mesmo depois de
sessenta anos de domínio castelhano, uma parcela da nobreza portuguesa, da fidalguia e
da elite política coroaram o Duque de Bragança e romperam com a coroa de Castela.

Sendo assim o conceito de União Ibérica se torna equivocado pois o desejo de


independência ainda se mantinha mesmo depois de três gerações de domínio da
Monarquia Católica, fato que não caracteriza um situação de união, mas sim de
imposição baseada na força.
Quarta questão: Por quais motivos parte da nobreza de Portugal resistiu ao
Projeto de "União de Armas" de Olivares?

O projeto de União de Armas proposto pelo Conde Duque de Olivares consistia


num pacto de apoio mútuo entre os reinos que compunham a Monarquia Católica de
Castela no sec. XVII e exigia que cada região recrutasse e mantivesse um exército
profissional fixo que poderia ser acionado em momentos de necessidade. Essa medida
foi proposta pelo duque para que as forças católicas pudessem fazer frente às das demais
monarquias européias e as da federação formada pelos principados dos Países Baixos.

Tal tentativa de integração entre os exércitos encontrou resistência ferrenha e


gerou um sentimento ainda mais fragmentador entre as nobrezas dos diversos reinos que
compunham a monarquia. Em Portugal a resistência veio principalmente por parte da
fidalguia e por parte da nobreza, que não possuía interesse em se envolver nas guerras
travadas por Castela, e viam ainda como desvantagem a sua integração na Monarquia
Católica. Argumentava-se que o recrutamento de um exército voltado para as
necessidades castelhanas viria a desguarnecer as conquistas ultramarinas portuguesas,
deixando-as a mercê de ataques inimigos. Além disso, argumentar-se também que eram
as contendas de Castela que provocaram a hostilidade dos holandeses em relação a
Portugal, e que isso teria sido a causa da perda de Salvador. De forma que não seria
interesse da fidalguia lusitana militar em campanhas castelhanas.

Essa oposição por parte de Portugal à União de Armas de Olivares evidencia a


artificialidade da Monarquia Castelhana, que mantinha sua unidade através da força e
não possuía legitimidade perante a grande parte da nobreza portuguesa, que se recusou a
tomar parte nos conflitos enfrentados por Castela.