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CAPÍTULO 19 - A FÉ TRANSPORTA AS MONTANHAS

PARÁBOLA DA FIGUEIRA SECA

Jesus não transmitia o seu ensinamento espiritual apenas quando


falava, mas, sobretudo, quando agia, explicando que toda ação de Jesus
carrega um conteúdo superior, um simbolismo que exige da parte de quem
presencia ou daquele que lê, olhos de ver e ouvidos de ouvir.
Era comum na cultura (Hebraica) em que Jesus nasceu, viveu e cumpriu
sua missão sublime, os profetas expressarem uma mensagem de fundamento
espiritual através de uma encenação simbólica (parábola).
No velho testamento a figueira é um símbolo de Israel, da ação religiosa
de Israel. E o fato de Jesus procurar o figo na figueira representa uma espécie
de afeição, uma prova, um teste. É como se Jesus buscasse em Jerusalém
elementos espirituais que aquelas pessoas já tinham condição de oferecer,
afinal de contas, elas haviam recebido investimentos de mais de mil anos de
missionários que nasceram e ensinaram a lei divina naquele local.
Então, era razoável que se esperasse uma compreensão mais profunda
deles, que se esperasse deles religiosos uma conduta mais condizente com
aquilo que eles pregavam. E o fato de não se encontrar este fruto, o fato de a
vida deles não revelar o que eles acreditavam e o que eles pregavam é
simbolizado numa figueira incapaz de dar frutos, uma figueira que é florida, que
apresenta exuberância precoce, mas que não é capaz de dar frutos. Ela
apresenta folhas verdes lindas. E ao secar a figueira é como se houvesse uma
sentença, um juízo no sentido de que a verdadeira religiosidade, a verdadeira
espiritualidade é aquela que se mede pelos frutos e não pela exuberância das
folhas. Não bastam as palavras, não bastam os discursos, por mais geniais e
precoces que eles sejam, é preferível um pequeno fruto do que muita folhagem
sem nenhum fruto.
Difícil aceitar que Jesus iria fazer secar uma figueira, por estar sem
frutos, não sendo a época da frutificação (pois era Abril – precoce – e a figueira
já estava cheia de folhas, sendo que ela só fica assim em Maio. Pois quando
ela está cheia de folhas é sinal de que logo irá dar frutos, mas não foi o que
aconteceu com esta figueira precoce). Todavia, como Jesus nada deixou
escrito e seus ensinos foram escritos, mais tarde, conforme a memória dos que
conviveram com Ele, é necessário procurar entender estas palavras em seu
contexto intelectual e moral. E entender que a linguagem simbólica de uma
parábola é para ninguém pensar que Deus não fala com as pessoas
diretamente, mas em nosso coração,
Aprendemos então que a figueira seca é o símbolo das pessoas que tem
apenas as aparências do bem, mas na verdade não produzem nada de bom.
São pessoas que querem passar uma imagem que não corresponde ao que
realmente são (oradores, palestrantes). Aqui na Terra temos um ditado que
simboliza isso “Por fora, bela viola, por dentro pão bolorento”.
A figueira seca também representa as pessoas que tem a chance de
serem úteis e não o são. Podemos nos perguntar quais são os recursos que
temos para sermos úteis à obra de Deus. Alguns dizem “não tenho dinheiro,
como posso ser caridoso”, outros “não tenho tempo, como posso ajudar meu
irmão”. Não podemos esquecer que testemunho se dá em todos os lugares, a
qualquer momento. O cristão é chamado a servir a todo momento. Quem disse
que fazer caridade é dar esmola? Quem disse que para ajudar é preciso
renunciar às nossas atividades e responsabilidade do dia-a-dia?
Nós temos a chance de produzir frutos, em todos os lugares aonde
vamos, através do nosso exemplo. Ao nos comportarmos com educação em
uma fila de banco, ao respeitarmos os idosos no transporte público, etc. Além
dos locais de trabalho, de estudo, de convívio social, devemos dar frutos em
primeiro lugar, dentro de nossos lares. De que adianta, da porta pra fora
sermos um cristão exemplar, se dentro do lar somos carrascos daqueles a
quem amamos? Temos que começar criando dentro de nossas casas, um
verdadeiro LAR. O Lar é o que reina entre as pessoas que vivem debaixo do
mesmo teto.
Se minha árvore familiar somente produz intrigas, discussões,
intolerância, agressão física (ou verbal, ou psicológica), ela é tão seca quanto a
figueira da história. Agora se eu dou minha cota de participação para a
harmonia do lar (mesmo que os outros não valorizem isso) eu estou permitindo
que os primeiro frutos brotem em mim.
Jesus no final desta parábola também fala da fé.
Sabemos que a fé nos traz esperança em dias melhores, mas os
espíritos nos alertam para que nossa fé não seja cega, pelo contrário que seja
raciocinada. Eles dizem “Ame a Deus, mas saiba porque você O ama; creia em
Deus mas saiba porque você deve crer Nele, sigam nossos conselhos mas
entendam a importância e o valor de segui-los. O milagre é obra da fé.”
Infelizmente, muitos corações se aproximam do Evangelho, como alguém
que procura uma banana, descasca, come a casca e joga a banana fora.
“Pelos frutos os conhecereis”, diz o Mestre. Ou seja, pelas nossas ações
seremos conhecidos. Se cada espírito imortal é árvore, quais são os frutos?
Somos avaliados pelos nossos sentimentos, é ele que define nossa estatura
espiritual (Emmanuel – Pensamento e Vida). Afinal, ninguém é avaliado pela
capacidade intelectual, mas pelo nosso sentimento, pelo nosso coração. Porque
é o sentimento que dirige nossos pensamentos. Ninguém pensa ou planeja um
crime se não alimenta um sentimento de ódio antes. Por essa razão, nós
encontramos PHDs em física no Irã construindo bombas atômica, para matar
milhões de pessoas. Dois segundos podem representar mil anos de resgate. Por
essa razão o que nós pensamos se traduz em atitudes e palavras, ou que
podem nos adoecer ou nos curar.
Em um inusitado caso vivido por Chico Xavier no pequenino Grupo
Espírita da Prece, O Chico atendia pra lá e pra cá como de praxe, chega uma
senhora, dá três tapas no rosto dele, e fala:
– Seu sem vergonha, entra agora naquela sala de passe e me dá um
passe. A tarde inteira que eu estou te procurando.
E o Chico, atordoado, vê o Emmanuel do lado dele e fala: - Emmanuel,
não tenho condição de dar passe. Como é que eu vou dar passe nela? A marca
do dedinho está no meu rosto ainda! O senhor não acha que eu tenho razão?
E Emannuel fala assim: - meu filho, você tem razão, mas ela tem a
necessidade. Você tem razão, mas ela tem a necessidade! E o Chico entrou e
deu o passe.
E como diz o ditado popular: você quer ser feliz ou quer ter razão?
É preciso que a verdade esteja a serviço de um coração amoroso, para
que ela possa fazer a obra silenciosa do amor. Porque Deus usa o tempo e não
a violência. E é assim que devemos avaliar o fruto, não pela aparência, não pela
aparência no bem, mas pelas minhas atitudes e pensamentos.
E Kardec, na sua sabedoria, quando comenta a passagem da figueira
seca, diz assim: - quantas teorias sociais são figueiras cheias de folhas gerando
frutos venenosos! Quantas pessoas são brilhantes no verbo, e destilam veneno
nas mentes invigilantes. Quantos livros tem a capa bonita, mas provocam
tragédias, afinal de contas, o nazismo começou com um livro, chamado Minha
Luta, escrito por Hitler. Não basta beleza exterior! A árvore é conhecida pelos
frutos. Pelos frutos!
Por isso dirá o benfeitor no livro Os Mensageiros – ele diz assim: todo
aquele que opere no bem, de espírito voltado para Deus, deve aguardar sempre
o melhor! Não é promessa de amizade. É lei.
A lição, pois, dessa passagem evangélica, é a da necessidade do homem
sempre, em qualquer situação, em todas as suas experiências de vida, produzir
coisas boas, úteis, belas, coisas, que elevem o homem para algo melhor,
superando as limitações que a imperfeição produz, confiando nas suas
capacidades, nas suas possibilidades, como filho de Deus, imortal e perfectível,
que é.
A vida de aparência caridosa pode enganar aos homens, pode até fazer
prosélitos, mas não consegue ludibriar a Deus, que é eminentemente sabedoria
e justiça.
Este é o convite desta passagem. Utilizarmos todas as oportunidades de
sermos úteis, em primeiro lugar na nossa família, depois no trabalho, na escola,
no centro, na sociedade e termos a fé raciocinada, nunca a fé cega.
É assim que o mundo vai melhorar: quando cada um de nós nos
tornarmos melhores. Esta é a lição que devemos extrair dessa parábola.