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Magnanimidade Francisco Faus

23 de janeiro de 2014 PeFaus@1928


[PARTE III: ROTEIROS DE MEDITAÇÃO SOBRE VIRTUDES]
26. GUIA: A MAGNANIMIDADE
Um primeiro traço da fortaleza
1. Ao começarmos a meditar sobre a fortaleza (cap. 24), víamos que
essa virtude cardeal tem, como um primeiro traço fundamental, a
capacidade de enfrentar, empreender, assumir ideais, tarefas ou
deveres elevados.
Esse traço básico da fortaleza, manifesta-se na coragem e, mais
especificamente, na magnanimidade, que literalmente quer dizer
“alma grande, “grandeza de alma”.
Santo Tomás de Aquino escreve que «o magnânimo tende para
aquilo que é grande» (Suma teológica 2-2, 129,4). Poderia traduzir-
se também por “lança-se” ao que é grande. Diz ainda o santo
doutor que «o magnânimo é difícil e contentar… Ele vai atrás da
perfeição das virtudes» (Ibidem, 129,1)
É a vitória do amor e da fortaleza sobre a pusilanimidade (alma
pequena), a mesquinhez, o conformismo e o medo.
Aspectos da magnanimidade
2. Uma descrição bastante completa da magnanimidade encontra-
se no livro Amigos de Deus (n. 80), de São Josemaria. Vamos
aproveitar trechos desse texto para meditar:
• A magnanimidade «é a força que nos move a sair de nós mesmos,
a fim de nos prepararmos para empreender obras valiosas, em
benefício de todos». A primeira obra valiosa em favor de muitos é
lutarmos para ser santos (vocação de todo batizado), pois é uma
grande verdade que «essas crises mundiais são crises de santos»
(Caminho, n. 301).
Depois, há grandes metas, objetivos, iniciativas valiosas −
familiares, culturais, profissionais, patrióticas, sociais… −, que é
preciso encarar sem encolher-se. E não esperar que outros as
realizem e nos sirvam de bandeja tudo feito para nós colaborarmos.
O poeta Antonio Machado, através de uns versos famosos, nos
indica o rumo a seguir: «Caminhante, são teus passos/ o caminho e
nada mais;/ caminhante, não há caminho,/ faz-se caminho ao
andar».
Perante a nossa resistência e o receio de aspirar a essas metas
altas, nos fará bem meditar também os versos de Fernando Pessoa
sobre a gesta marítima dos portugueses a caminho da Índia: «Valeu
a pena? Tudo vale a pena/ se a alma não é pequena./ Quem quer
passar além do Bojador/ tem que passar além da dor».
O que custa – como já víamos – é superar o medo do sacrifício e
do sofrimento, sem os quais não se faz nada grande.
• «No homem magnânimo não se alberga a mesquinhez: não se
interpõe a sovinice, nem o cálculo egoísta nem a trapaça
interesseira». É bem claro.
Quem começa a calcular, com medo ou “avareza”, se vai dar ou não
vai dar, se vai custar muito ou pouco, se haverá tempo, se
compensa o esforço, que vantagens haverá…, esse nunca sairá do
acostamento, nunca entrará na estrada grande, nunca sairá da
mediocridade e da passividade, e chegará ao fim da vida com as
mãos vazias.
É interessante o que a Bíblia diz, no livro dos Provérbios, dessas
almas pequenas: O preguiçoso se julga prudente (Pr 26,16). Acha-se
perspicaz e é míope. Morre sem “ver”.
• «O magnânimo dedica sem reservas as suas forças ao que vale a
pena… Não se conforma com dar: dá-se». Essa é a resposta vigorosa
à tentação do calculismo.
A alma grande é generosa. Por isso, detesta os vícios dos falsos
magnânimos: a petulância, o exibicionismo, a vaidade, a ambição, a
procura de compensações. Dá, dá-se sem pedir nada em troca, e
pratica o conselho de Jesus: Que a tua mão esquerda não saiba o que
faz a direita (Mt 6,3).
• «Magnanimidade é ânimo grande, alma ampla, onde cabem
muitos». Esta é uma das mais belas características da
magnanimidade. No coração do magnânimo não cabem apenas os
familiares, os amigos e os colegas. “Cabem muitos”. Tem uma visão
larga, enxerga longe, vê um campo enorme para fazer o bem, e
alguém tem de fazê-lo. Por isso, sabe trabalhar para o futuro, sem
pressa de saborear logo os resultados.

Questionário sobre a magnanimidade

─ Procuro ter uma alma generosa, estando sempre disposto a me


propor ideais e metas elevadas, disposto a crescer sem me deter
antes da hora, a amadurecer nos verdadeiros valores do homem e
do cristão?
─ Quando sinto a tentação de ser “normal”, de ser “como todo o
mundo”, procuro lembrar-me de que o modelo do cristão é Cristo,
e que o ideal da vida é o que Ele nos propõe?
─ Compreendo que a mediocridade não depende das
circunstâncias e limitações externas nem da monotonia dos meus
deveres habituais, mas das disposições do meu coração?
─ Sinto como dirigidas a mim as palavras de Cristo no Sermão da
Montanha, resumo dos ideais cristãos: sede perfeitos, como é
perfeito o vosso Pai que está nos Céus?
─ Ao pensar no que Deus me pede, fico retraído por medo do
sacrifício, sem me lembrar de que Deus ajuda as almas generosas e
«não se deixa ganhar em generosidade»?
─ Tenho grandeza de alma para desculpar, perdoar, compreender e
passar por cima de pequenezes inevitáveis, especialmente em
relação aos companheiros de trabalho em iniciativas educativas,
sociais, apostólicas?
─ Quando me disponho a colaborar em coisas grandes, tenho
presente que «tudo o que é grande começou por ser pequeno»?
Procuro cuidar a constância e a responsabilidade nos detalhes que
vão assentando os alicerces do empreendimento?
─ Compreendo que a perfeição nos pequenos deveres cotidianos é
o trampolim que permite que meus trabalhos “cresçam”? Tenho fé
em que «um pequeno ato, feito por amor» tem um valor grande
aos olhos de Deus?
─ As dificuldades são para mim um freio ou um motivo de
desânimo ou, pelo contrário, um desafio que me espicaça a lutar
sem perder a confiança em Deus e nos meus colaboradores?
─ Peço a Deus um coração grande, alimentado pelo seu próprio
amor, um coração que se assemelhe cada vez mais ao Coração de
Cristo?

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