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PAPEL

CONTO-NIKOLAI

Roxie Rivera - Her Russian Protector 6.1 conto 1

Tradução: Perséfone
Revisão Final: Selene
Formatação: Afrodite
Disponibilização: Afrodite
Grupo Rhealeza Traduções
PAPEL

—Olha, isso tem que ser perfeito, Sergei. — Nikolai caminhava em seu
escritório, na sua casa, com passos determinados. —Eu não quero ver uma
partícula de poeira, ou cheiro, até mesmo um toque de pintura borrada
quando eu entrar por aquela porta.
—Está perfeito, chefe. Eu verifiquei o espaço pessoalmente. — Sergei
assegurou. —Quando eu sair, vou decorar as portas da frente com o arco
vermelho que Bianca fez. Vai ser exatamente o que você queria.
Certamente Sergei não iria decepcioná-lo, Nikolai relaxou. —Tenho
certeza de que vai estar.
—Boychenko está à espera de sua mensagem. Dei para ela a chave da
porta dos fundos. Ele vai entrar, arrumar tudo e sair antes de Vivian vê-lo.
—Obrigado, Sergei. — Sabendo muito bem que ele havia exigido mais de
Sergei do que ele teria de qualquer outro empreiteiro para reformas, ele
acrescentou: —Eu aprecio todo o trabalho duro que você colocou nesse
presente para mim.
—Não tem problema, chefe. Vejo você por aí.
Terminando a chamada, Nikolai pegou o paletó limpo que tinha
estendido sobre as costas da cadeira e vestiu. Ele colocou o telefone no bolso e
pegou a caixa de joias em sua mesa. Embora ele tivesse planejado dar-lhe o
presente após o nascimento de Lev, ele recusou-se a chamar a pulseira de um
presente de compensação. O termo fez sua pele arrepiar.
Ele nunca quis que Vee pensasse que ele estava recompensando-a com
bugigangas e um tapinha na cabeça por todo o esforço, francamente, e
perigoso, trabalho de parto de seu filho. Ele esperava que quando ele desse a
ela, Vee iria entender a razão para isso. Ele queria que ela tivesse algo que ela
pudesse usar todos os dias para lembrá-la da família que estavam construindo
juntos e o quanto a amava por lhe dar a chance de ter uma vida que ele nunca
tinha ousado sonhar que um dia poderia ser a sua.
Depois de correr os dedos pela trança de ouro delicada e o pequeno
leão, com uma coroa brilhante de rei, que Zoya havia projetado especialmente
para Vivian, ele a guardou no cofre. O dia para presentear Vee chegaria em
breve.
Avistando o mais recente livro sobre paternidade que estava lendo em
seu tempo livre, ele o guardou na gaveta com o resto dos livros que Dimitri lhe
dera. Considerando-se a total merda de infância que tinham tido, esses tipos
de livros eram sua melhor chance de não foder tudo como pai, mas ele não
queria que Ten ou Boychenko os vissem quando eles fizessem as suas rondas
de segurança. Boychenko não ousaria dizer uma palavra, mas Ten? Ten iria
apreciar a oportunidade de alfinetar com piadas sobre Oprah ou Dr. Phil.
Falando no diabo...
Ten bateu na porta e enfiou a cabeça dentro do escritório.
—Chefe, os meninos estão prontos para montar escolta. —O executor
guarda-costas olhou para o relógio e fez uma careta. —Tenho que pegar a
estrada, se quiser chegar antes do toque de recolher. Meu oficial da
condicional tem estado na minha bunda recentemente. Acho que ele ainda
suspeita de algo sobre toda essa merda que aconteceu em outubro. Agora ele
tem uma porra de um pau duro, para me pegar quebrando as regras.
—Portanto, não as quebre. —Advertiu Nikolai. —Você é muito
importante para Vee. Ela conta com você, ela confia em você. —Ele apertou o
ombro de Ten. —Eu sei que é difícil, mas você só tem um ano e alguns meses.
Nós faremos tudo o que pudermos para mantê-lo longe de problemas. Você
trabalha aqui com nossos negócios que têm os registros mais limpos. Você não
porta uma arma. Você não bebe. Você está jogando pelas suas regras, e você
está fazendo bem.
Ten esfregou o rosto entre as mãos.
—Isto é pior do que a prisão, chefe. Pelo menos quando eu estava lá
dentro, eu não tinha nada dessa tentação me olhando diretamente na porra do
rosto. Mas aqui? Está em toda parte.
—Eu sei. — Nikolai odiava que Ten ainda sofresse por um crime que não
tinha cometido. —Eu já pedi tanto de você. Em primeiro lugar, os seis anos que
você ficou preso por nós, para proteger a família e agora mais dois? É errado, e
eu gostaria que houvesse alguma outra maneira.
Ten exalou rudemente e acenou com a mão.
—Está tudo bem, chefe. Estamos quites.
—Nós não estamos nem perto disso, Ten. Devo-lhe muito. Quando
chegar o momento certo? Você vai ser reembolsado. —Ele agarrou a mão
calejada de Ten, cheia de cicatrizes. —Eu juro isso a você.
—Eu sei que você é bom. — Ten sorriu e bateu-lhe nas costas antes de se
retirar do escritório. —Divirta-se hoje à noite.
Nikolai olhou para Ten com cabeça indicando a porta e esperou que
Boychenko a fechasse atrás de si antes de subir as escadas em busca de sua
esposa. Ele correu através de sua lista mental para a chegada iminente do
bebê. Os sacos hospitalares já foram embalados e estavam esperando lá
embaixo. Ele tinha verificado e novamente verificado os assentos de carro em
ambos os veículos. Eles já tinham escolhido e se reunido com o seu futuro
pediatra. Ele tinha as rotas para o hospital mapeadas e planos de contingência
no local para manter a calma e tranquila na cidade.
O médico de Vee tinha dito que os primeiros bebês muitas vezes iam
além de suas datas previstas, e ela esperava o mesmo. Embora a data prevista
de Vivian faltasse ainda nove dias, Nikolai tinha um sentimento inabalável de
que seu filho estaria aqui em breve.
Quando ele se aproximou da porta fechada do berçário, ele não se
conteve. Abriu-a, entrou, acendeu a luz e logo sorriu. Vee tinha se superado.
Ele não sabia muito bem o que esperar quando ela tinha mencionado o tema
de conto de fadas, mas ele sabia que ela iria criar algo maravilhosamente doce
para o seu filho.
O mural na parede principal levou quase três semanas para ser
concluído. As pequenas cenas de contos de fadas que ela tinha pintado sobre a
cômoda branca e trocador ficaram absolutamente perfeitas. Ela tinha escolhido
uma cama macia, exuberante para complementar as cores suaves e encheu as
prateleiras e caixas com brinquedos e livros.
A ele tinha sido dada a tarefa de escolher a mobília do bebê. Escolher um
berço tinha sido a parte mais fácil. Dimitri tinha avisado que a mobília do bebê
foi irritantemente difícil de montar, e ele não estava errado.
Eventualmente, ele admitiu a derrota e chamou Ten para ajudar. Juntos,
eles finalmente conseguiram montar todo o quarto.
Pelo fato de ser paranoico sobre acidentes, Nikolai tinha insistido em
fixar cada peça individualmente. Isso tinha atraído olhares de descrença de
Ten, que lhe advertia sobre mimar o menino. Ele tinha ignorado essas
preocupações com um aceno de mão. Depois de tudo o que ele e Vee tinham
sobrevivido quando eram crianças? Bobagem. Ele iria envolver Lev em uma
bolha de plástico se isso fosse poupá-lo de experimentar um segundo sequer
de dor ou trauma que seus pais haviam conhecido.
Quando ele se virou para sair da sala, o seu olhar caiu sobre as
fotografias artisticamente dispostas na parede mais próxima da porta. Vee
tinha falado sobre colocar algumas fotografias de família esta semana. Parecia
que ela tinha finalmente encontrado algum tempo para resolver seu projeto
final do berçário.
Vee tinha anexado pequenas tiras de quadro-negro na parte superior e
inferior de cada quadro. Na faixa superior, ela tinha escrito a palavra Inglês
para cada relação. No fundo, ela tinha impresso a palavra em russo. Movendo-
se ao longo da parede pela galeria de fotografias, ele notou que ela tinha
marcado os seus amigos mais próximos como tios e tias, mas ela também tinha
colocado uma foto da festa de Natal do Samovar com Boychenko, Ilya, Ten e
Danny e rotulado como os homens da família.
Qual seria a sensação de Lev crescer cercado por tantas pessoas que se
importavam com ele e queriam protegê-lo? Ele contrastou essa experiência
com sua própria infância sombria e muitas vezes aterrorizante e queria cair de
joelhos para agradecer a Deus por ter dado seu filho a chance que ele nunca
tinha tido.
Ele ficou na frente da fotografia de Eric Santos e franziu a testa. Ele não
tinha certeza se gostou da ideia de olhar o detetive o encarando toda vez que
ele entrasse no quarto de seu filho. Mas, ele lembrou a si mesmo em silêncio,
que Eric era da família de sangue de Vivian e isso significava alguma coisa.
Quando seu olhar pousou sobre as fotos dos avós e mãe de Vivian, ele foi
levado de volta para seus primeiros dias em Houston. Para o Natal ocidental
que haviam comemorado em dezembro, quando ele tinha dado a Vivian uma
caixa de fotografias com cartas e outros pedaços de sua história familiar que
Maksim tinha mandado para ele. Ela tinha colocado algumas fotografias na
parede principal da entrada no andar de baixo, mas ela tinha escolhido a dedo
estas para o quarto de Lev.
Pedir ao chefe-pai esse favor não tinha sido fácil, mas Maksim tinha
aproveitado a chance de fazer algo de bom para Vivian. A reação de Maksim
tinha perturbado Nikolai. Ele temia que o velho quisesse um maior
envolvimento na vida de Lev do que ele estava disposto a conceder, mas só o
tempo diria.
A imagem de Romero o pegou de surpresa. O sogro montava sua amada
Dyna Street Bob (Harley Davidson) na rua e estava recostado no assento de
couro desgastado. Vestindo suas cores do clube, ele parecia tão intimidante e
perigoso como era, mas ele estava sorrindo para a câmera. O efeito do sorriso
combinado com os tons preto e branco da fotografia faziam Romero parecer
quase um avô. Quase.
Para ensinar ao Lev as palavras mamãe, papai, pais e amor, Vee tinha
escolhido fotos de sua sessão de fotos grávida, que havia ocorrido logo após o
dia de Ação de Graças. Ele não tinha se entusiasmado ao fazer a sessão, mas
não podia negar a Vee qualquer coisa que ela quisesse. Sua única condição era
que a sessão fosse feita em sua casa. Olhando as fotos agora, ele não podia
acreditar que ele tinha sido tão teimoso e chato sobre posar para elas. Elas
eram deslumbrantes e capturou momentos que ele queria lembrar para o resto
de sua vida.
Quando ele caminhou de volta para a porta, notou que a posição do avô
do seu lado da árvore da família havia sido deixada vazia. Maksim não tinha
tornado público o fato, o reconhecendo como seu filho, e ele não iria forçar.
Por agora, era mais seguro manter esse segredo. Com o stress do bebê e da
nova vulnerabilidade que caía sobre ele, ele não precisava das complicações do
mundo saber que ele era filho de Maksim.
Quando chegasse o momento certo, eles poderiam fazer isso com mais
planejamento.
Percebendo a foto no local da avó paterna, ele se inclinou para dar uma
olhada melhor e congelou com o choque.
Minha mãe.
Mama.
Flashes de memórias quebradas, de uma infância de muito tempo atrás
que pareciam quase um sonho, invadiram sua mente. De repente, ele tinha
quatro anos de idade e pulava nas poças de água, enquanto sua mãe,
brincando o repreendia pelos salpicos em seu vestido. Ele se enrolava ao lado
de sua mãe, enquanto tentavam manter-se aquecidos em seu pequeno
apartamento durante uma noite fria de Moscou. Era um menino assustado
assistindo uma enfermeira arrastar um lençol manchado de sangue sobre o
corpo sem vida de sua mãe…
Afastando essas memórias indesejáveis, ele estendeu a mão para tocar a
moldura de vidro e, um pouco aflito segurou a foto de sua mãe. Marina. Ela era
jovem quando ele nasceu, ainda apenas uma adolescente e tão incrivelmente
bonita com seus cabelos loiros. Na foto, ela abria um grande sorriso, sua
inocência juvenil era um forte contraste com a abatida, mulher frágil que mal
se lembrava.
Mas onde diabos Vee tinha conseguido esta fotografia?
Não. Claro que não…
Mas não havia outra explicação, havia? Maksim deve ter colocado na
caixa que ele havia enviado da Rússia. Por alguma razão, Maksim tinha
guardado esta foto por todos esses anos. Ele a guardou e quis que fosse deles
agora.
Mas porquê?
Não querendo pensar nisso, Nikolai se afastou da parede de fotos,
apagou a luz e saiu do berçário. Ele respirou fundo e tentou limpar sua mente.
Entender a história distorcida que sua mãe adolescente tinha compartilhado
com um homem, com pelo menos o dobro de sua idade, era a última coisa que
ele queria fazer antes de encontrar sua esposa para comemorar seu primeiro
aniversário. A última coisa que Vee merecia esta noite era a sua rotina idiota.
Ela havia sofrido o bastante durante o verão.
—Solnyshka? —Ele gritou para ela enquanto caminhava para o quarto
deles. Quando ele viu o cão enorme descansando em sua cama, ele fez uma
careta e estalou os dedos duas vezes. —Stasi! Desça!
O cão bocejou dramaticamente e desceu do colchão confortável e do
edredom. Ele arqueou as costas e as luzes do teto refletiram os pontos negros
no seu elegante pelo cinza. O cão tinha sido escolhido a dedo pelo tio de
Boychenko do pequeno grupo que ele havia cruzado e criado especificamente
para segurança. Com pouco mais de um ano de idade, o cão de ampla altura
possuía um latido que sacudia as paredes.
Até agora, o animal havia provado ser um bom acerto para a família. Vee
totalmente adorava Stasi, e o cão parecia completamente apaixonado por ela e
intensamente curioso sobre sua barriga de grávida. Nikolai tinha visto o cão
interagir com as crianças no parque, onde Vee gostava de levá-lo para a
socialização. Ele era gentil e doce, mas ele tinha os instintos de um protetor.
Observa-lo perseguir Ilya fora na varanda da frente, na primeira manhã que ele
chegou a casa tinha valido a pena cada centavo que Nikolai tinha pago pelo
cão.
Stasi cutucou seu quadril em busca de um tapinha na cabeça e Nikolai
concedeu, mas só depois de severamente olhar para o cão que prontamente se
sentou como bem treinado que era.
—Não na cama. Não nos móveis. Sim?
O cão bufou e saiu do quarto, provavelmente para saltar para cima de
um dos sofás da sala de estar. Boychenko levaria um bom tempo tentando tirar
Stasi do sofá, se o cão decidisse se deitar sobre ele.
Sacudindo a cabeça com as palhaçadas de Stasi, ele perguntou:
—Vee? Você está pronta?
—Não.
Ele ficou preocupado quando ouviu o som triste e choroso de sua
resposta. Ele seguiu sua voz para o armário principal, onde ele a encontrou
vestindo apenas um roupão de banho e bobs térmicos enquanto ela estava na
frente de uma pilha de seus sapatos favoritos. Lágrimas brilhavam em seus
belos olhos azuis quando ela levantou a cabeça para olhar para ele. Seu peito
apertou dolorosamente.
—Baby, o que há de errado?
Tremendo o lábio inferior, ela gritou:
—Meus sapatos não cabem!
—O que você quer dizer com eles não cabem? — Ele olhou para a pilha
de sapatos de salto atirada e esmo e quis saber como no mundo os que
comprara esse ano já não podiam mais caberem nela.
—Meus pés estão gordos e nojentos. — Ela começou a chorar e ele ficou
atordoado. —Minhas mãos estão gordas. Meu anel de casamento dificilmente
se encaixa mais. E eu o tirei esta manhã! —Cobrindo o rosto com as mãos, ela
soluçou alto e algo como um raio partiu seu coração. —Eu sou uma bagunça
pirada!
—Bobagem! — Ele cruzou o espaço entre eles em passos rápidos e
recolheu-a em seus braços. Mesmo aos nove meses de gravidez, ela ainda era
leve o suficiente para que ele pudesse facilmente levantá-la e carrega-la se
quisesse. —Você não está gorda. Você está grávida.
Ele sabia que ela não queria dizer nada disso. Ela nunca tinha sido o tipo
de mulher que se preocupava com o peso ou que pensava que o valor de uma
mulher era baseado no tamanho impresso em seus jeans. Mas os hormônios
estavam a deixando excessivamente emocional ultimamente!
Os bobs quentes em seu cabelo fizeram o beijar sua testa impossível
então ele ruidosamente beijou a bochecha dela e esfregou a parte inferior das
suas costas. Ele deixou sua mão deslizar ao longo da curva de sua coluna e a
exuberância de seu traseiro gordo. Dando-lhe um tapinha brincalhão, ele disse:
—Mesmo que você tenha engordado dez kilos, eu ainda te amo. —
Querendo saber o que ela tinha em sob esse roupão, ele beijou seu pescoço e
deslizou as mãos sob o tecido. Quando ele encontrou apenas pele quente, nua,
ele sorriu lascivamente e beliscou em sua garganta. Ele gostou do jeito que ela
estremeceu em seus braços e agarrou dois punhados muito gananciosos de sua
parte inferior exuberante. —E eu ainda quero te foder todas as noites e todas
as manhãs.
—Kolya!
—Você sabe que é verdade. — Ele alegou sua boca em um longo beijo
carinhoso. Depois de tudo o que ela tinha sofrido e vencido na vida, Vee
possuía um poço de força interior que rivalizava com a sua própria. Ela era
brilhantemente talentosa, tão incrivelmente bela e o segurava na palma da sua
pequena mão. O amor dela o tinha curado e lhe deu a coragem de sonhar com
uma vida que sempre pareceu impossível. Tudo de bom em sua vida existia por
causa dela.
Mas, durante o verão, a besteira com Tatiana tinha abalado sua
confiança. Hipersensível a seus sentimentos machucados, ele tinha ficado
atento a ela. Ele nunca quis que ela duvidasse de sua devoção e lealdade a ela e
somente ela. Vee era o amor absoluto e incontestável de sua vida.
Mesmo que ele estivesse cego para outras mulheres, isso não as impedia
de tentar obter a sua atenção. Para um homem em sua posição, amantes não
eram de todo incomum. A maioria dos homens casados que estavam em seu
círculo do submundo tinha esposas, amantes e namoradas de uma noite. Era
quase esperado que ele fosse encontrar uma mulher para manter do lado,
agora que sua esposa havia lhe dado um filho.
Ele ignorava os olhares de paquera e sedutores, quando ele estava no
restaurante, ou realizando algum negócio em torno da cidade, mas não era tão
fácil para Vivian. Ela fingia não ver. Ela fingia não se importar, mas ele sabia o
que ela sentia. Ele só podia imaginar o quão difícil era para ela não exigir que
ele dispensasse certas garçonetes ou segurar a língua para não fazer uma cena.
Ela sempre se apresentou como a esposa perfeita em público, sempre
elegante, serena e no controle. Ela não se queixava da atenção feminina
quando estavam sozinhos também.
Ela confia em mim para ser fiel a ela. Vou cortar as minhas próprias mãos
antes de eu tocar outra mulher e quebrar sua confiança ou seu coração.
E agora aqui estava ela, pesada com seu filho, desconfortável, com as
costas constantemente doloridas e azia, que a mantinha acordada a noite toda,
e tudo o que ela queria era ficar bonita para seu primeiro aniversário e nenhum
de seus sapatos malditos caberia.
—Nós não precisamos de sapatos extravagantes para onde vamos. —Ele
garantiu. —Na verdade, nós não precisamos de roupas extravagantes também.
—Mas você está em um terno. — Protestou ela.
Segurando seu rosto, ele sorriu.
—Vee, estou sempre em um terno.
—Às vezes eu gosto de você de jeans. —Ela admitiu.
—Então eu vou colocar jeans.
—Aqueles? — Ela apontou para um par pendurado em seu lado do closet
de grandes dimensões. Timidamente, ela acrescentou: —Eles fazem o seu
traseiro ficar fantástico.
Ele riu.
—A escolha é sua querida. — Apontando para a pequena poltrona no
canto da área de vestir, ele ordenou: —Sente-se e espere eu me trocar. Vou
ajudá-la a se vestir quando terminar.
Ela não discutiu com ele. Nos primeiros dias de sua gravidez, ela tinha
protestado cada vez que ele tinha puxado o cartão de marido superprotetor,
mas nos dias de hoje felizmente ela obedecia. Demorou um pouco a manobra
para que ela se sentasse na cadeira. Ela se mexeu duas vezes antes de
finalmente encontrar uma posição confortável.
Esticando as pernas, ela enrolou um braço em torno da parte baixa de
sua barriga e deu um tapinha no topo de seu estômago redondo com a outra.
Ela sorriu de repente e pegou sua mão.
—Aqui. Sinta.
Nikolai se afastou do armário e a deixou arrastar a mão no lugar em sua
barriga que estava firme. Mesmo depois de todas essas semanas sendo capaz
de sentir Lev chutar, ele ainda reagia com surpresa quando sentia esses
movimentos poderosos contra a palma da mão. Quando ela sorriu para ele,
com os olhos brilhantes e as bochechas coradas com emoção e felicidade,
Nikolai pensou que seu coração fosse explodir em seu peito.
Esquecendo seu autocontrole, ele se abaixou e beijou o local onde seu
filho tinha chutado.
—Seja agradável com sua mãe. Pare de chutar nas costelas.
Ela riu e encostou-se a cadeira. Estremecendo, ela se mexeu de novo.
—Dr. Vargas não estava brincando quando disse que esse garoto está
pronto. Eu sei que isso vai soar horrível, por favor, não ache que eu sou uma
pessoa terrível ou que eu não estou animada com o bebê, porque eu estou,
mas estou cansada de estar grávida.
Passando os dedos por sua bochecha, ele disse:
—Eu não acho você terrível por querer acabar com esta parte. Nove
meses é muito tempo para esperar para conhecer o nosso filho. —Pensando no
que a esperava, ele perguntou: — Você ainda está certa de que quer fazer isso
sem anestesia?
—Eu quero tentar. Nós vamos estar no hospital, se eu mudar de ideia,
vai ser fácil tomar uma peridural. —Como se estivesse lendo sua mente, ela
agarrou sua mão, virou o rosto e beijou-lhe a palma da mão. —Pare de se
preocupar. Eu quero isso.
Era impossível para ele parar de se preocupar, mas ele não ia
sobrecarregá-la com isso. Mantendo sua camisa, mas jogando para o lado o
paletó e a gravata, ele rapidamente vestiu jeans e suas botas de couro
favoritas. Ele cruzou para o lado de Vee do armário e escolheu as leggings
pretas confortáveis que ele sabia que ela mais gostava e uma bata simples com
corações cor de rosa pálido. Lembrando-se do jeito que ela havia reclamado da
fricção do tecido sobre o estômago sensível, ele agarrou uma camisola branca
que ela gostava de usar sob a roupa.
Quando ele abriu a gaveta de cima para encontrar roupas de baixo, ela
fez um gesto.
—Eu comprei algo especial para esta noite. Eu posso estar gorda no
nosso primeiro aniversário, mas eu ainda vou usar uma calcinha sexy.
—Eu não vou discutir com isso. — Ele alegremente pegou a calcinha
rendada e sutiã combinando e levou para ela. Com suas roupas sobre os
ombros, ele estendeu as mãos e ajudou-a a ficar de pé. Quando teve certeza de
que ela estava bem, ele puxou a faixa que prendia o roupão e o deslizou para
baixo de seus ombros.
Por um longo momento, ele simplesmente olhou para seu corpo gostoso,
levando-se em suas curvas e suavidade. Não contente em apenas olhar para
ela, ele colocou as mãos sobre sua pele e deslizou para baixo da linha do
pescoço até seu seio e quadril. De repente, seus planos para a sua noite já não
tinham o mesmo apelo. Inclinando-se, ele roçou os lábios sobre sua clavícula e
seu seio.
—Eu acho que pode preferir ficar em casa em vez de ir jantar.
—Por mais tentador que seja, eu estou morrendo de fome. — Ela correu
os dedos pelo cabelo e coçou o couro cabeludo dele. —Leve-me para fora e me
alimente. Então você pode me levar para casa e fazer o que quiser comigo.
Ele gemeu com a ideia de ter sua entrega completa. Com o bebê para
qualquer dia, ele estava dolorosamente consciente de que cada encontro
sexual que eles compartilhavam podia ser o último por semanas. Capturando
sua boca em um beijo duro, apaixonado, ele deu-lhe um golpe brincalhão antes
de cair de joelhos. Ele encheu de beijos e cócegas em toda a barriga e em cada
lado do quadril antes de acariciar seu filhote e, silenciosamente, a persuadiu a
levantar a perna. Ele lentamente a ajudou com sua calcinha e sutiã e depois
com resto de sua roupa.
Depois de ter visto ela colocar e remover bobs térmicos durante meses,
ele tinha uma boa ideia de como eles funcionavam. Ele cuidadosamente
removeu cada grampo e puxou cada bob de seu cabelo escuro brilhante. No
momento em que tinha acabado, a pequena bancada do armário estava cheia
de grampos e bobs.
—É melhor Holly tomar cuidado. — Disse Vivian. —Porque eu poderia
começar a querer você para me arrumar.
Aceitando sua provocação, ele brincou:
—Talvez este jeito para hairstyling seja genético.
—Eu gostaria de ver você dizer isso na cara de Maksim.
Ele gargalhou.
—Não nesta vida. — Então, pensando na foto do berçário, ele
perguntou: —Ele enviou a foto da minha mãe?
Ela fez beicinho.
—Você foi para o berçário sem mim?
—Sinto muito. Era uma surpresa?
—Bem...
—Diga. Eu vou deixar você me levar lá e eu vou fingir ficar chocado.
Ela rolou aqueles lindos olhos azuis.
—Não. Mas você gostou? A parede da galeria de fotos, eu quero dizer?
—Elas são perfeitas. — Querendo saber por que ela estava hesitante, ele
a forçou com um simples enunciado de seu nome. Vee.
—Sim. —Ela disse finalmente. —Maksim mandou essa foto.
—E?
—Estava no fundo da caixa em um envelope com meu nome nele. Ele me
escreveu um bilhete.
—Maksim? Escreveu um bilhete? —Ele não podia acreditar. O chefão
nunca colocava nada por escrito. Nunca. Era uma de suas regras.
—Foi curto. Apenas uma única linha. —Ela hesitou. —Você saberá
quando ele estiver pronto. — Ela hesitou novamente. —Ele assinou Dedushka.
—Ele não fez isso!
Ela assentiu com a cabeça.
—Ele fez.
Que jogo Maksim estava jogando? Assinando uma nota como essa?
Vovô? A ideia do velho abraçando seu novo papel de avô o perturbou. O que
ele quer com meu filho? O que ele quer comigo?
—O resto das fotos está no meu estúdio lá embaixo. Eu as tranquei em
uma gaveta. Eu queria falar com você antes que eu as colocasse em seu
escritório e na parede do hall de entrada. —Ela brincou com um botão na parte
da frente da camisa. —Há algumas instantâneas realmente bonitas de você
bebê com sua mãe.
—O quê? Sério? —Uma dor apertou seu coração. Ele não tinha certeza
se era saudade ou tristeza que o atingiu.
—Sim. Você era tão adorável, Kolya. Você tinha uma carinha linda. —Ela
passou os dedos pelo seu cabelo. —Você era loiro. Loiro platinado. —Seus
olhos brilhavam de excitação. —Você acha que Lev será loiro como você ou
terá cabelo escuro como eu?
—Ele vai ter o cabelo escuro e olhos azuis. — Como ele sabia Nikolai não
poderia dizer, mas ele estava certo disso.
—As fotos estão todas marcadas na parte de trás. É caligrafia de uma
mulher. —Relutante, ela disse: — Eu acho que sua mãe enviou-as para Maksim
e acho que ele guardou mesmo depois... —Ela parecia incapaz de mencionar a
morte de sua mãe. —Quando você olhar para elas, você vai entender o que
quero dizer.
—Eu vou olhar para elas amanhã. — Ele não achava que podia lidar com
isso esta noite.
—Eu deveria ter dito a você. — Ela inclinou a cabeça e tentou ler seu
rosto. —Eu deveria ter lhe mostrado quando eu as encontrei.
—Está tudo bem, Vee. Eu tinha tanta coisa acontecendo na última
semana que eu estou realmente feliz que você não as mencionou. Eu teria
ficado muito distraído.
Colocando a mão contra o seu pescoço, ela o acariciou amorosamente.
—Como está o trabalho?
Ele não gostava quando ela perguntava sobre esse lado da sua vida, mas
ele nunca mentia para ela. Depois de quase a perder durante o verão, ele
nunca seria tão estúpido de novo.
—As coisas estão tensas entre certas facções. Isso vai se resolver, mas
que não poderia acontecer num momento pior. —Ele tocou sua barriga. —Eu
gostaria de poder ter licença paternidade como um homem normal, eu passo
longe por muito tempo…
—Kolya, eu entendo. Eu sabia no que eu estava me metendo quando me
casei com você. Depois de tudo o que passamos? Vamos descobrir uma
maneira de superar o trabalho com a paternidade. Mas quando você está aqui
com a gente? Quando você está em casa? Esteja aqui. Dê-nos o seu foco total.
Isso é tudo o que precisamos. A quantidade de tempo não importa. —Ela se
apertou a ele e levantou na ponta dos pés para beijar sua bochecha. —Nós te
amamos, Kolya.
Fechando os olhos, ele se permitiu alegrar com o seu amor. Eu não
mereço isso. Eu não mereço isso depois de tudo, mas eu vou lutar até a morte
antes de desistir.
Ela saiu do seu abraço. Ficando para trás, ele observou com um sorriso
divertido quando ela inclinou a cabeça e balançou os cachos soltos. Ele amou o
look sexy e despreocupado e não podia esperar para agarrar um punhado mais
tarde, enquanto ela o montava forte e rápido.
Depois de verificar o seu reflexo no espelho do banheiro e tirar o excesso
de batom, ela se virou para ele e colocou as mãos nos quadris.
—Isso ainda não resolve o problema dos sapatos.
—O que você usou hoje, enquanto você estava lá fora com Ten e
Boychenko?
—Meus tamancos de jardinagem.
—Os de cor laranja?
Ela assentiu com a cabeça. —Sexy, certo?
Ele riu. —Muito sexy.
—Bem, serão os tamancos de jardinagem ou eu posso ver se Ten deixou
alguns de seus sapatos gigantes na sala.
—Os tamancos estão muito bons. —Ela estreitou os olhos, desconfiada.
—Onde exatamente você vai me levar?
Arrebatando-lhe a mão, ele deu um beijo rápido na sua boca e puxou-a
atrás dele.
—É uma surpresa.
—Hmm. —Ela murmurou com ceticismo quando ele a puxou pelo seu
quarto e no corredor. —A última vez que você me levou para uma surpresa eu
acabei grávida e com uma tatuagem na parte de trás do meu pescoço.
Ele fez uma pausa no topo das escadas e virou-se para sorrir para ela.
—Eu realmente sou exagerado para surpresas, não é?
Ela riu e, em seguida, fez um gesto de medição, com o polegar e o
indicador.
—Talvez pudéssemos deixar o exagero menor hoje à noite?
—Feito. — Ele deu-lhe outro puxão em sua mão. —Venha.
Depois de pegar o casaco e os sapatos, eles deixaram a casa. A viagem
para o seu destino secreto demorou um pouco mais do que ele esperava por
causa do tempo e de um acidente. Ele não se importava. Sentado no trânsito
lhe deu uma chance de enviar uma mensagem de texto para Boychenko e
simplesmente desfrutar segurando a mão dela enquanto estava ocioso e
esperava pelos carros à frente.
—É bom ver Artyom ao volante de novo. —Disse ela enquanto traçava o
dedo sobre uma das tatuagens em sua mão. O capitão de rua e sua tripulação
estavam no SUV na frente deles. —Estou feliz que ele está de volta com a
gente.
—Ele parece recuperado fisicamente, mas eu me preocupo com ele. Ser
baleado assim? Ver Erin ser sequestrada e sua tripulação morta? Sangrando no
chão? Isso muda um homem.
Nikolai ainda carregava a culpa do que aconteceu naquela noite terrível
em outubro. Artyom quase tinha sido morto tentando proteger Erin. Sua
incapacidade de manter a sua família e os amigos a salvo naquela noite ainda o
assombrava. Tinha sido uma dolorosa lição para aprender, mas não foi um erro
que ele faria novamente.
Naquela noite, durante a sua longa viagem para o México para lidar com
Lorenzo, ele tinha percebido que as pessoas ao seu redor estavam mais seguras
quando ele era o brutal, cruel gangster que atirava primeiro e perguntava mais
tarde. Vee o tinha suavizado em tantas boas maneiras, mas, por vezes, um
homem tinha que ser duro. Ela nunca poderia saber das coisas que ele iria fazer
para mantê-la e a sua família seguras. Aqueles eram segredos e encargos que
levariam à sua morte.
—Devemos fazer algo de bom para ele. —Disse ela, completamente e
maravilhosamente alheia ao rumo sombrio que seus pensamentos tinham
tomado. —Nós devemos enviá-lo em um período de férias em algum lugar
quente.
Era um pensamento doce, mas…
—Ele odeia a praia.
—Oh.
Não querendo que ela se sentisse abatida, ele sugeriu:
—Nós poderíamos mandá-lo para San Francisco ou Seattle. Ele está
sempre falando sobre visitar a Costa Oeste. Ele gosta de grandes cidades.
—Eu vou falar com ele sobre isso depois do bebê nascer. — Decidiu. —Se
você falar com ele, vai dizer que não, mas se eu disser a ele que quero mandá-
lo embora em férias, ele não será capaz de me contrariar.
Os lábios de Nikolai se contraíram com diversão. Ela tinha aprendido
muito rapidamente que os homens que faziam parte de sua guarda pessoal
eram simplesmente incapazes de ferir os sentimentos dela. Boychenko andaria
descalço no vidro quebrado por ela e Artyom faria qualquer coisa para impedi-
la de gritar ou ser perturbada.
—Sim, eu acho que é melhor se você falar.
Ainda segurando a mão dela, ele navegou pelas ruas escuras do bairro da
Galleria e encontrou um espaço para estacionar no terreno baldio em frente do
prédio de propriedade de Alexei. A área estava em construção ainda, mas seria
aberta em breve. Por agora, o estacionamento era uma cidade fantasma.
Claramente confusa, Vivian olhou ao redor do centro de varejo de luxo.
—Há um novo restaurante que você quer tentar?
—Nós teremos alguma coisa entregue. — Ele se inclinou sobre o console
e abriu o porta-luvas. Quando ele retirou a máscara de dormir preta, ela olhou
para ele com surpresa. —Confie em mim.
—Eu confio. — Ela destravou o cinto de segurança e moveu a cabeça
para mais perto dele para que ele pudesse colocar a máscara. —Sempre.
Muito gentilmente, ele colocou a máscara no lugar e beijou sua
bochecha. De todas as pessoas que confiavam nele, ela era a que mais amava.
—Espere aqui, solnyshka.
—Ok.
Ele saiu do carro e pegou o guarda-chuva de Artyom, que estava pronto
para protegê-los. A cidade estava tranquila nas últimas semanas, mas nunca
seria verdadeiramente seguro para Vivian ou seu filho, andar sozinhos nas ruas,
especialmente à noite. Havia muitos homens famintos de poder e muitos
vândalos de rua de baixo nível com rancores para baixar a guarda em público.
—Boy arrumou tudo. —Artyom informou. —Liguei para ele logo antes de
chegarmos aqui. Ele está esperando vocês dois entrarem e, em seguida,
apagará as luzes antes de se esgueirar por trás. Ele vai estar protegendo a saída
traseira com Danny.
—Bom. — Andando até a porta de Vivian, ele abriu o guarda-chuva para
protegê-la da garoa e se aproximou para ajudá-la a sair do carro. Com uma mão
na parte inferior das costas, ele guiou-a em frente no estacionamento e para o
calçadão. Ele parou na frente das portas duplas adornadas com o arco
vermelho de Bianca. Seguros sob o toldo, ele entregou o guarda-chuva para
Artyom que sorriu com a antecipação da reação de Vee.
Ficando atrás de sua esposa, ele colocou as mãos em seus ombros. Ele
baixou o rosto e sussurrou contra seu ouvido:
—Eu tive um trabalho duro para embrulhar o presente, mas eu espero
que você goste.
—Kolya... — censura encheu sua voz. —Você já me deu tanto este ano.
Você me deu presente no dia 25 e no dia 6! Eu não preciso de mais nada pelo
nosso aniversário.
—Eu sou seu marido. É a minha prerrogativa mimá-la. —Ele beijou sua
bochecha. —E isso é diferente.
Com muito cuidado, ele tirou a máscara e a guardou no bolso. Ouviu-a
dar uma ingestão aguda da respiração quando viu o arco nas portas dianteiras.
—Eu não entendi...
Pisando a seu lado, ele retirou a chave do bolso e colocou na mão dela.
—Abra as portas.
Ela olhou nervosamente em sua direção antes de pisar até as altas, largas
portas de mogno que havia ali. Ela tocou a filigrana de ferro na frente antes de
puxar a fita vermelha brilhante e entregar a ele. Quando ela abriu a porta, ele
arrastou-a pelo espaço escuro. Na sua indicação, Boychenko acendeu as luzes e
Vivian engasgou.
—Oh meu Deus! O que você fez? —Ela virou-se para ele em choque e
descrença. —Isto é...? Isto é meu?
Ele amou a sua reação de surpresa, no entanto, ele segurou seu rosto, a
fita ainda oscilava em seus dedos e acenou com a cabeça.
—Esta galeria é sua.
Ela pulou para cima e beijou-o com força, envolvendo os braços em volta
do pescoço e puxando para perto. Sorrindo como uma menina na manhã de
Natal, ela girou para longe dele e andou em círculos lentos enquanto olhava o
espaço da galeria renovado, com seus pisos de madeira reluzentes, paredes
cinza esfumaçadas e iluminação profissional.
—O que o mundo deu em você para fazer isso por mim?
—Quando estávamos em Londres, na sua exposição, eu percebi que
precisava de seu próprio espaço para mostrar suas pinturas. Você precisa de
um lugar que você controle e que só mostre suas obras ou as de outros artistas
que você selecione.
—Kolya, isso é demais. — Aparentemente, no temor de sua nova galeria,
ela balançou a cabeça. —Isso é tão grandioso.
—Você é grandiosa. — Ele segurou a mão dela e entrelaçou os dedos. —
Você é uma pintora incrível. Você vai ser famosa. Você precisa de uma galeria
que suporta você e sua crescente carreira.
Antes que ela pudesse protestar contra a despesa ou os desafios de
definir o perfil do local, ele disse:
—Deixe mostrar o resto.
Seus olhos se arregalaram.
—O resto? Quão grande é esse lugar?
—Grande o suficiente. —Ele respondeu enigmaticamente e levou-a para
fora do salão principal no térreo. Ele mostrou a recepção antes de levá-la para
os três escritórios na parte traseira. —Eu achei que você iria precisar de um
gerente e, provavelmente, um assistente. Você também vai precisar de alguém
para trabalhar na frente e talvez alguém para lidar com o lado on-line da
empresa. —Ele acenou com desdém. —Mas podemos trabalhar os detalhes
mais tarde.
—O que tem lá atrás? — Ela apontou para um conjunto de portas duplas
no final do corredor curto.
—Venha aqui. — Ele guiou-a para o amplo espaço aberto. —É um lugar
para você pintar e trabalhar. Eu pensei que poderia haver dias em que você
precise estar aqui, em vez de no estúdio de casa. Eu pedi para trazerem todos
os seus móveis, prateleiras e suprimentos do depósito.
Ele não falou do fato de que eles tinham fechado seu antigo estúdio no
armazém após o ataque a sua vida em outubro. Ela não poderia enfrentar
voltar lá, e ele não a culpava.
—Eu pensei que você seria capaz de fazer um pano de fundo aqui para
fotografar suas pinturas. Você pode enquadrar lá e empacotar as coisas aqui.
—Ele apontou para as diferentes estações. —E isso é para Lev.
Ela sorriu docemente para o espaço de canto que ele tinha equipado
para o seu filho para brincar e dormir enquanto sua mãe trabalhava. Havia um
pequeno parque de bebé e um acolchoado e um muito colorido revestimento
de piso, mais brinquedos, caixas e uma cadeira confortável para ela e a
enfermeira. Ela tinha lágrimas em seus olhos quando ela o abraçou novamente.
—É perfeito, Kolya.
Enterrando o rosto na curva do pescoço dela, ele inalou o maravilhoso
perfume de seus cabelos.
—Estou feliz que você gostou.
—Eu me sinto um pouco boba agora. Eu fiz para você uma coisa com
papel. Você sabe, como todos os livros dizem?
—Eu sei. —Disse ele, ficando para trás para olhar para ela. —O primeiro
aniversário é papel e é exatamente isso que eu tenho para você. — Deixando o
melhor para o final, ele lentamente desembaraçou-se e se afastou dela em
direção a mesa de trabalho. Ele pegou a pilha de papéis lá e entregou a ela. —
Feliz aniversário, Vivian.
Cautelosamente, ela pegou os papéis e começou a lê-los. Ela arregalou
os olhos algumas vezes, e ela olhou para ele com o choque. —Isto é...? Você
está falando sério? É tudo meu?
—Isto é tudo seu. Isso é algo limpo e fora da família. Eu quero que você
construa um negócio para si mesma. Eu quero que você tenha algo que seja
seu e só seu. Você merece isso.
—Kolya…
Gesticulando em torno deles, explicou:
—Toda esta rua pertence a Alexei. Ele pegou todo o espaço de varejo
nesses três blocos quando o desenvolvedor perdeu tudo na recessão. Kazimir
vai mudar para o espaço da loja ao lado e a outra loja na esquina? Isso vai ser
uma boutique de luxo para bolsas e vestidos.
—Você certamente escolheu uma área de alto tráfego.
Ele assentiu com a cabeça.
—Equipes de construção de Sergei fizeram todo o trabalho aqui. Ele lhe
deu um preço justo e Alexei concordou em investir em você, num negócio
muito bom, rentável para os primeiros cinco anos. —Não querendo que ela se
preocupasse com o custo de funcionamento da galeria até se tornar rentável,
ele disse: — Vire para a parte de trás duas páginas.
Dando um olhar estranho, ela fez o que disse e leu o contrato. Parecendo
completamente surpresa, ela perguntou:
—Você está falando sério? Não. —Ela balançou a cabeça. —Você não
pode estar falando sério.
—Você merece. Samovar não é Samovar sem você lá. Você se tornou a
alma daquele lugar e todo mundo te ama. É justo que você possua metade
comigo.
—Mas você construiu esse restaurante! Você fez o que ele é, Nikolai.
—E eu quero compartilhar com você. — Ele soltou a fita sobre a mesa de
trabalho e colocou a mão contra seu rosto macio. —Você é minha esposa. Nós
já somos parceiros na vida. Eu não vejo nenhuma razão pela qual não devemos
também ser parceiros no negócio.
—Mas você já compartilha tudo o que você tem comigo!
—Sim, mas isso faz com que seja legal. Isso lhe dá o direito de ter o seu
rendimento e gastá-lo da maneira que quiser. Isso vai te dar algum espaço para
respirar até que a sua galeria seja estabelecida e rentável.
Seu belo rosto se virou para o meu e grossas lágrimas escorriam por ele.
Os hormônios da gravidez e o gesto romântico que ele tinha feito pareciam ser
quase demais para ela lidar. Transportando-a em seus braços, ele sussurrou:
—Baby, venha aqui. — Ele a abraçou apertado e beijou o topo de sua
cabeça. —Lyublyu tebya Ya.
—Eu também te amo. — Ela levantou-se na ponta dos pés novamente
para beijar a boca dele. —Eu te amo tanto. — Seus beijos insistentes enviaram
um choque de calor em seu peito. —Tanto.
Só então, seu estômago roncou alto, interrompendo seu momento
romântico e fazendo-os rir. Ele a arrastou para o jantar à luz de velas que
Boychenko tinha arranjado em uma mesa de trabalho na parte traseira do
estúdio. O soldado tinha sido muito bom e além de trazer uma toalha de mesa,
talheres, até mesmo colocou flores e velas acesas.
Com Vivian instalada em sua cadeira, ela perguntou com conhecimento
de causa:
—Roman?
Ele assentiu com a cabeça.
—Roman.
—Eu não consigo entender por que ele não tem uma namorada! Ele é
tão doce e bonito. Você poderia pensar que as meninas estariam fazendo fila
em volta do quarteirão para namorá-lo.
Nikolai atirou em sua esposa uma olhada.
—Eu preciso me preocupar com você acotovelando as outras meninas
para fora do caminho para tomar a frente dessa fila?
Ela revirou os olhos e bateu nas costas de sua mão com a colher.
—Você sabe que Roman não é meu tipo.
Não, mas você é definitivamente o seu. Mais de uma vez, ele tinha pego
o jovem Boychenko admirando Vivian um pouco perto demais. Ele tinha
considerado tirar o garoto do dever de guarda, mas ele confiava em Boychenko
para não fazer nada estúpido. Muitos homens olhavam para Vivian em um
anseio, mas nenhum homem era estúpido o suficiente para tentar fazer uma
jogada. Nem mesmo o bastardo dinamarquês foi corajoso o suficiente para
tentar atrai-la para longe de seu casamento.
—Ele não namora porque ele gasta todo o seu tempo no trabalho, na
academia com Vanya ou cuidando de sua avó. — Nikolai abriu o guardanapo de
Vee e colocou em seu colo. —Ele não tem tempo para uma vida social.
—Isso é triste.
Incrédulo, ele caiu em seu assento.
—Diz a mulher que trabalhou de garçonete, fez faculdade e que vivia em
sala de aula ou em um estúdio a cada minuto do dia e da noite!
—A pessoa com quem eu queria ter uma vida social não estava muito
interessada em mim no momento. — Ela escorregou uma farpa e arqueou uma
sobrancelha, quase como mandando ele explicar o seu comportamento na
época, e mergulhou a colher na cremosa sopa de abóbora.
—Eu queria você, Vivian. Eu queria você tanto que doía. Mas eu não
estava pronto para ser o homem que você precisava ou merecia. —Ele
dispensou sua sopa e foi direto para a sua entrada. —Eu teria te machucado
naquela época e você era muito jovem.
Ela revirou os olhos para ele novamente.
—Eu ainda sou jovem.
—Sim, o velho está bastante ciente da diferença de idade, solnyshka.
—Senhor. —Disse ela com uma risada. —Podemos concordar agora em
chamar um ao outro de que? Meu velho? Minha velha senhora? —Ela fez um
arrepio exagerado. —Você está me dando flashbacks da minha infância e do
clube em que meu pai andava!
Eles deram uma boa risada sobre isso e, em seguida, gostaram do seu
jantar à luz de velas. A noite foi tranquila, simples e doce, e exatamente o que
eles precisavam. Com o bebê chegando a qualquer dia, essa poderia ser uma
de suas últimas chances de ter uma noite especial. Nikolai gostava de pensar
que seria fácil contratar uma babá para cuidar de Lev para que eles pudessem
ter uma vida social ou viajar a negócios, mas a sua paranoia com a segurança
de seu filho faria dessa uma posição difícil de preencher.
—O que você está pensando? — Vee perguntou enquanto comia a
última fatia de sua sobremesa. —Você pareceu tão sério de repente.
—Eu estava pensando sobre o quão difícil será encontrar uma babá que
podemos confiar para Lev.
—Talvez possamos ver se Ten está interessado em uma pequena
mudança em sua descrição do trabalho. — Ela se recostou na cadeira e colocou
as duas mãos em sua barriga. —Acho que ele seria uma babá fantástica.
Nikolai se engasgou com o vinho que ele vinha tentando engolir. Vivian
jogou a cabeça para trás e riu alegremente quando ele enxugava a boca com
um guardanapo.
—Jesus, Vee! Avise-me antes de dizer algo assim!
—E estragar a surpresa? Eu não penso assim.
—Ten? Uma babá? —Ele balançou a cabeça. —Vamos ver se você será
corajosa o suficiente para repetir isso amanhã no café da manhã quando ele
estiver em casa.
Ela encolheu os ombros com indiferença total.
—Você verá, Kolya. Ele vai ser um grande urso de pelúcia, macio quando
se tratar de Lev.
—Eu não pago a ele para ser grande e macio. Eu pago para ser mal e
duro e dispostos a fazer o que for preciso para proteger você e o bebê.
—Ele pode ser tudo isso e um cuidador. — Ela dirigiu um olhar que o fez
se mexer desconfortavelmente. —Você é todas essas coisas. Você é cruel e
duro quando é necessário, mas você também é maravilhosamente paciente,
amoroso e terno quando eu preciso. —Um sorriso melancólico atravessou seu
rosto quando ela olhou ao redor do estúdio. —Você se lembra da primeira vez
que fizemos amor?
—Claro. — Sua resposta saiu grave e rouca. Memórias de sua vida
amorosa tórrida naquela tela de pintura fizeram o seu sangue correr quente. —
Não foi o meu melhor desempenho.
—Foi bom o suficiente.
Agora ele era o único arqueando uma das sobrancelhas.
—Bom o suficiente? Isso soa como um desafio, Vee.
—Talvez seja. — Ela tinha tirado os sapatos e agora passava a pé
descalço ao longo de sua panturrilha e na sua parte interna da coxa. Segurando
seu olhar, ela amassou seu pênis, que endureceu rapidamente com os dedos
dos pés. Seus olhos estavam cheios com o desejo. —Esta pode ser a nossa
última noite sem um bebê.
Segurando o tornozelo, ele advertiu:
—Se você continuar assim, eu vou transar com você aqui mesmo nesta
mesa.
Ela se soltou de sua mão e esfregou o pé ao longo de toda a extensão de
sua ereção.
—Jura?
—Mulher... — Ele rosnou e capturou seu pé. —Eu estou te avisando.
—Leve-me para casa, Kolya.
Ele fez uma grande produção para dizer sim.
—Você sabe que eu não posso negar a você qualquer coisa.
Ela sorriu maliciosamente.
—Estou contando com isso.
—Solnyshka. — Rindo baixinho, ele se levantou de sua cadeira e deu a
volta para o seu lado da mesa. Olhando para ela, ele arrastou os dedos por sua
bochecha e pensou em todas as maneiras que ele poderia fazê-la corar, uma
vez que ele tivesse ela nua em sua cama. —O que eu vou fazer com você?
Segurando sua mão, ela beijou cada dedo tatuado antes de dirigir esses
olhos azuis em direção a ele.
—Se eu sou uma garota de muita sorte? Mau, coisas más.
Inclinando-se, ele segurou seu olhar travesso.
—Eu tenho autoridade para dizer que esta noite você vai ser a garota
mais sortuda de Houston...

Fim.

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