Você está na página 1de 27

16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

pt.internationalism.org

Hoje em dia, o Proletariado


continua sendo a classe
revolucionária
33-42 minutes

Na primeira parte desse artigo desenvolvemos as


razões pelas quais o proletariado é a classe
revolucionária na sociedade capitalista. Vimos por que
é a única força capaz, ao instaurar uma nova
sociedade libertada da exploração e com a capacidade
de satisfazer plenamente as necessidades humanas, de
resolver as contradições insolúveis que estão
corroendo as entranhas do mundo atual. Esta
capacidade do proletariado, já colocada em evidência
desde o século XIX, especialmente pela teoria
marxista, não é um simples resultado do grau de
miséria e opressão que sofre cotidianamente. Muito
menos, ao contrário do que alguns ideólogos
burgueses pretendem que o marxismo diz, baseia-se
sobre qualquer "inspiração divina" que faria do
proletariado o "Messias dos tempos modernos". Essa
capacidade se baseia em condições muito concretas e
materiais: o lugar específico que a classe operária
ocupa nas relações de produção capitalistas, sua
posição de produtor coletivo do essencial da riqueza
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 1/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

social e de classe explorada por essas mesmas relações


de produção. Esse lugar ocupado no capitalismo não
permite à classe operária, contrariamente a outras
classes e camadas exploradas que subsistem na
sociedade (como, por exemplo, o pequeno camponês),
aspirar retornar ao passado. Ela é obrigada a olhar
para o futuro, para a abolição do salário e a edificação
da sociedade comunista.

Todos esses elementos não são novos. Fazem parte do


patrimônio clássico do marxismo. No entanto, um dos
meios mais traiçoeiros com os quais a ideologia
burguesa tenta desviar o proletariado do seu projeto
comunista é convencê-lo que estaria em vias de
extinção, ou mesmo que já desapareceu. A perspectiva
revolucionária fazia sentido quando os operários
industriais eram a imensa maioria dos assalariados,
porém com a atual redução dessa categoria, tal
perspectiva tornou-se ultrapassada. Há de se
reconhecer que semelhante discurso não afeta
somente os operários menos conscientes, mas também
alguns grupos que se reivindicam do comunismo.
Razão maior para lutar com firmeza contra tais
bobagens.

O pretendido desaparecimento da classe


operária

As "teorias" burguesas sobre o "desaparecimento do


proletariado" já vem de longe. Durante algumas
décadas, elas se baseavam no fato de que o nível de
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 2/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

vida dos operários conhecia certas melhorias. A


possibilidade para estes adquirirem bens de consumo,
antes reservados à burguesia ou pequena burguesia,
significaria o desaparecimento da condição operária.
Mesmo naqueles anos, essas "teorias" não se
sustentavam: quando o automóvel, o televisor ou a
geladeira, graças ao incremento da produtividade do
trabalho humano, se tornaram mercadorias
relativamente baratas, e além do mais, se fizeram
indispensáveis devido ao contexto de vida dos
operários [i], o fato de possuir esses artigos não
significava, absolutamente, livrar-se da condição
operária, nem sequer ser menos explorado. Na
realidade, o grau de exploração da classe operária
nunca esteve determinado pela quantidade ou
natureza dos bens de consumo que pode dispor em um
determinado momento. Já faz tempo, Marx e o
marxismo deram uma resposta a essa questão: em
linhas gerais, o poder de consumo dos assalariados
corresponde ao preço da sua força de trabalho, ou
seja, à quantidade de bens necessários para a
reposição da referida força de trabalho. O que o
capitalista busca quando paga um salário ao operário
é que este continue participando no processo
produtivo e nas melhores condições de rentabilidade
para o capital. Isso supõe que o trabalhador consiga
não só se alimentar, se vestir-se e se alojar, como
também descansar e adquirir a qualificação necessária
para fazer funcionar os meios de produção em
constante evolução.

chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 3/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

A instauração do descanso remunerado e seu


incremento em dias que foram instituídos ao longo do
século XX nos países desenvolvidos não se devem,
tampouco, a não se sabe que "filantropia" da
burguesia. Tornaram-se necessários pelo
impressionante aumento da produtividade do
trabalho e, portanto, dos ritmos de tal trabalho e da
vida urbana em seu conjunto, característico de nossos
tempos. Do mesmo modo, o desaparecimento
(relativo) do trabalho infantil e da ampliação da
escolaridade, que é apresentada como outra
manifestação do quanto a classe dominante é
bondosa, se devem, essencialmente, à necessidade
para o capital de dispor de uma mão de obra adaptada
às exigências de uma produção de tecnologia cada vez
mais complexa (embora, atualmente, isso também tem
se convertido em uma camuflagem do desemprego).
Além disso, no "aumento" do salário do qual tanto
alardeia a burguesia, especialmente desde a Segunda
Guerra Mundial, temos que levar em conta que os
operários devem manter os seus filhos por um período
maior que no passado. Quando as crianças iam
trabalhar aos doze anos ou menos, aportava durante
alguns anos uma renda extra para a família operária
antes de constituir um novo lar. Com uma
escolaridade até os 18 anos, esse apoio desapareceu
praticamente. Dito em outras palavras, os "aumentos"
salariais também foram, em grande parte, um dos
meios mediante os quais o capitalismo preparou a
camuflagem da força de trabalho para as novas
condições da tecnologia.
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 4/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

Durante certo tempo o capitalismo dos países


desenvolvidos produziu a ilusão de ter reduzido os
níveis de exploração dos seus assalariados. Na
realidade, a taxa de exploração, ou seja, a relação
entre a mais-valia produzida pelo operário e o salário
que recebe [ii], tem se incrementado continuamente.
Isso é o que Marx chamava pauperização "relativa" da
classe operária como tendência permanente no
capitalismo. Durante os anos que a burguesia de
alguns países europeus batizou de "Trinta Gloriosos",
a exploração do operário se incrementou
continuamente, por mais que isso não se tenha
concretizado em uma queda do nível de vida. Mas,
hoje, não se trata mais de uma pauperização relativa.
Os aumentos salariais já não são possíveis hoje em
dia, e a pauperização absoluta, cujo desaparecimento
definitivo fora anunciado por todos os apologistas da
burguesia, está ressurgindo bruscamente nos países
mais "ricos". Agora que a política de todos os setores
nacionais da burguesia diante da crise é a de desferir
golpes e mais golpes no nível de vida dos proletários,
com o desemprego, a redução drástica das prestações
"sociais" e inclusive o rebaixamento do salário
nominal, todas aquelas estúpidas análises sociológicas
sobre a "sociedade de consumo" e o "aburguesamento"
da classe operária têm se desmentido por si mesmo.
Por isso, agora o discurso sobre a "extinção do
proletariado" tem mudado de argumento e, cada vez
mais, se apóia, sobretudo, nas modificações que têm
afetado as diferentes partes da classe operária e,
especialmente, a redução dos efetivos industriais, da
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 5/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

proporção de operários "manuais" na massa total dos


trabalhadores assalariados.

Semelhantes discursos se baseiam em uma falsificação


grosseira do marxismo. O marxismo nunca limitou o
proletariado ao proletariado industrial ou "manual". É
certo que nos tempos de Marx a maioria da classe
operária estava formada por operários chamados
"manuais". Mas em todas as épocas existiram no
proletariado setores que trabalhavam com uma
tecnologia sofisticada ou que exigiam importantes
conhecimentos intelectuais. Alguns ofícios
tradicionais, praticados por alguns ramos
profissionais, exigiam uma maior aprendizagem. Da
mesma forma, ofícios, como os dos revisores de
imprensa, exigiam uma preparação grande que se
assemelhavam aos "trabalhadores intelectuais". E isso
não impediu, em nada, que esses trabalhadores se
encontrassem muito frequentemente na vanguarda
das lutas operárias. De fato, essa oposição entre
trabalhadores de "colarinho azul" e de "colarinho
branco" é um desses recortes que agradam os
sociólogos e os burgueses, que os empregam para
causar divisões nas fileiras dos trabalhadores. Essa
oposição não é nova, pois a classe dominante
compreendeu há bastante tempo que podia enganar a
muitos empregados que não pertenciam a classe
operária. Na realidade, o pertencimento ou não à
classe operária não depende de critérios sociológicos
e, muito menos ainda, ideológicos, ou seja, da idéia de
que um proletário, ou um grupo de proletários, tem de
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 6/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

sua própria condição. São fundamentalmente critérios


econômicos os que determinam tal pertencimento.

Os critérios de pertencimento à classe


operária

Fundamentalmente, o proletariado é a classe


explorada específica das relações de produção
capitalista. Infere-se disso, como já vimos na primeira
parte deste artigo, os seguintes critérios: Em linhas
gerais, "o fato de estar privado de meios de produção
e de estar obrigado, para viver, a vender sua força de
trabalho aos que os detenham e os utilizam em seu
proveito para apropriar-se de uma mais-valia,
determina o pertencimento à classe operária". Mas,
diante de todas as falsificações que, de forma
interessada, têm se infiltrado nessa questão, é
necessário tornar esses critérios mais precisos.

Em primeiro lugar, cabe dizer que, se o fato de ser


assalariado é condição necessária para pertencer à
classe operária, não é suficiente. Do contrário os
policiais, os padres, alguns diretores gerais de grandes
empresas (especialmente das públicas) e até os
ministros seriam gente explorada e, potencialmente,
companheiros de luta daqueles que reprimem,
embrutecem e fazem trabalhar e que recebem salários
dez ou cem vezes mais baixos [iii]. Por isso, é
indispensável destacar que uma das características do
proletariado é a de produzir mais-valia. E isto
significa duas coisas:
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 7/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

o salário de um proletário nunca supera


determinado nível [iv]; acima disso, uma
remuneração só pode ser derivada de mais-valia
extraída de outros trabalhadores;

um proletário é um produtor real de mais-valia e


não um agente assalariado do capital cuja função é
fazer reinar a ordem capitalista entre os
produtores.

Entre o pessoal de uma empresa, por exemplo, certos


executivos técnicos (e inclusive engenheiros) cujo
salário não supera muito o de um operário
qualificado, pertencem à mesma classe que este,
enquanto aqueles cuja remuneração se aproxima
muito mais à do patrão (embora não tenha uma
função de enquadramento da mão de obra), não fazem
parte da classe operária. De igual maneira, em alguma
empresa, um ou outro "chefe de limpeza" ou "agente
de segurança", cuja remuneração é na maioria dos
casos mais baixa que a de um técnico e inclusive a de
um operário qualificado, mas cuja função é a de um
"chefe" de presídio industrial, não poderá ser
considerado como pertencente ao proletariado.

Por outro lado, fazer parte da classe operária não


implica necessariamente participar direta e
imediatamente na produção de mais-valia. O
professor que educa o futuro proletário, a enfermeira,
e inclusive o médico assalariado (cujo salário é muitas
vezes menor que a de um operário qualificado), que
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 8/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

"recupera" a força de trabalho dos operários (mesmo


que cure policiais, padres, dirigentes sindicais ou até
ministros) pertencem sem dúvida nenhuma à classe
operária assim como o cozinheiro de um refeitório de
empresa. É óbvio que isso não quer dizer que seja
assim também com um cacique da universidade ou da
enfermeira que se estabelece por sua própria conta. É
necessário esclarecer ainda que o fato de os
professores, mesmo os do fundamental (cuja situação
econômica, em geral, não é das mais confortáveis),
seja consciente ou inconscientemente, voluntária ou
involuntariamente, um dos transmissores dos valores
ideológicos da burguesia, não os exclui da classe
explorada e revolucionária como também, por
exemplo, os operários metalúrgicos que fabricam as
armas [v]. Além disso, podemos constatar que, ao
longo de toda a história do movimento operário, os
professores (especialmente os do fundamental)
sempre proporcionaram grande quantidade de
militantes revolucionários. Do mesmo modo, os
operários dos arsenais de Kronstadt faziam parte da
vanguarda da classe operária durante a revolução de
outubro de 1917.

É necessário reafirmar também que a grande maioria


dos funcionários públicos também pertence à classe
operária. Se tomarmos o exemplo de uma empresa
estatal como os Correios, não se poderia dizer que os
mecânicos que fazem a manutenção dos caminhões
postais ou quem os dirige, bem como os que
transportam os malotes de correios, não pertençam ao
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 9/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

proletariado. Não é difícil compreender, a partir


daqui, que seus companheiros que distribuem o
correio ou atendam no guichê, estejam na mesma
situação. Do mesmo modo, os empregados do banco,
os agentes das companhias de seguros, os
funcionários subalternos da previdência social ou dos
tributos, cuja situação ou condição são equivalentes
aos daqueles, também pertencem à classe operária.
Não se pode arguir que esses teriam melhores
condições de trabalho que os operários da indústria,
por exemplo, de um ajustador ou um fresador.
Trabalhar um dia inteiro atrás de um guichê ou diante
de uma tela de computador não é menos penoso,
porque ficam com as mãos mais limpas, que operar
uma máquina-ferramenta. Além disso, o caráter
associado do seu trabalho, que é um dos fatores
objetivos da capacidade do proletariado tanto para
levar a cabo sua luta de classe como a de derrubar o
capitalismo, não é, de modo algum, colocado em
dúvida pelas condições modernas da produção, muito
pelo contrário.

E também, com a elevação do nível tecnológico da


produção, esta última passa a exigir uma quantidade
crescente do que a sociologia e as estatísticas chamam
de "quadros" (técnicos e inclusive engenheiros), de
maneira que a maioria deles comprovam, como
dissemos antes, que sua condição social, quando não
seus salários, se aproximam ao dos operários
qualificados. Neste caso, não se trata, de modo algum,
de um fenômeno de desaparecimento da classe
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 10/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

operária a favor das "camadas médias", mas sim de


um fenômeno de proletarização dessas [vi]. Por isso,
os discursos sobre o "desaparecimento do
proletariado" em virtude do constante crescimento de
trabalhadores de "colarinho branco" ou de técnicos
em relação aos operários "manuais" da indústria não
tem outro objetivo senão o de enganar e desmoralizar
a ambos. É irrelevante o fato de que os autores desses
discursos acreditarem neles ou não: sempre servirão
eficazmente à burguesia, mesmo que eles continuem
sendo tão estúpidos a ponto de não ser capaz de se
perguntarem quem fabricou a caneta (ou o
processador de texto) com a qual estão escrevendo
suas sandices.

A suposta crise da classe operária

Para desmoralizar os operários, a burguesia não joga


uma única cartada. Para os que não acreditam no
"desaparecimento da classe operária", ela reserva a
ideia de que "a classe operária está em crise". Um dos
argumentos definitivos dessa crise seria o declínio da
filiação sindical e sua influência nas últimas décadas.
Não vamos desenvolver neste artigo nossa análise
sobre a natureza burguesa do sindicalismo em todas
as suas formas. De fato, é a própria experiência
cotidiana da classe operária, da sabotagem sistemática
e permanente das suas lutas por parte de organizações
que pretendem defendê-la, a que se encarrega,
diariamente, de demonstrar isto [vii]. É justamente
essa experiência dos operários a primeira responsável
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 11/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

por esse rechaço. E por isso mesmo tal rechaço não é


nada menos que uma "prova" de uma suposta crise da
classe operária, mas, ao contrário e, sobretudo, uma
demonstração de um desenvolvimento da consciência
de classe. Um exemplo, entre milhares, do que
afirmamos é a atitude dos operários nos grandes
movimentos ocorridos em um mesmo país, França,
em um intervalo de 32 anos. Ao final das greves de
maio-junho de 1936, em plena época da
contrarrevolução que se seguiu à onda revolucionária
da primeira pós-guerra mundial, os sindicatos se
beneficiaram de um aumento de filiados sem
precedentes. Por outro lado, no final da greve geral de
maio de 1968, que foi o marco da retomada histórica
dos combates de classe e do final do período
contrarrevolucionário, o que se viu foi a quantidade de
desfiliações dos sindicatos e a montanha de carteiras
sindicais rasgadas.

O argumento da desfiliação como prova das


dificuldades que teria o proletariado é um dos indícios
mais seguros de que quem utiliza semelhante
argumento pertence ao campo burguês. Tal
argumento é parecido ao da suposta natureza
"socialista" dos regimes stalinistas. A história
demonstrou, sobretudo após a Segunda guerra
Mundial, a amplitude dos estragos nas consciências
operárias dessa mentira propalada por todos os
setores da burguesia, de direita, de esquerda e de
extrema-esquerda (stalinistas e trotskistas). Nesses
últimos anos, podemos comprovar de que modo o
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 12/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

colapso do stalinismo tem sido utilizado como "prova"


da falência definitiva de qualquer perspectiva
comunista. A maneira de utilizar a mentira da
"natureza operária dos sindicatos" é, em parte,
idêntica: em um primeiro momento, serve para alistar
os operários atrás do Estado capitalista; em um
segundo momento, faz deles um instrumento para
desmoralizá-los e desorientá-los. Existe, ainda, uma
diferença de impacto entre essas duas mentiras. Por
não ter sido o resultado das lutas operárias, o
desmoronamento dos regimes stalinistas foi possível
ser utilizado com eficácia contra o proletariado; por
outro lado, o desprestígio dos sindicatos é
essencialmente resultado dessas mesmas lutas
operárias, o que limita seu impacto como fator de
desmoralização. Além disso, é por essa razão que a
burguesia tem dado origem ao sindicalismo "de base",
encarregado de tomar o terreno do sindicalismo
tradicional. E também por essa razão tem promovido
ideólogos de ares mais "radicais", encarregados de
propagar o mesmo tipo de mensagem.

E é assim que vemos florescer, promovidos pela


imprensa [viii], análises como a do francês Sr. Alain
Bihr, doutor em sociologia e autor, entre outras
produções, de um livro intitulado Da grande noite à
alternativa: o movimento operário europeu em crise.
Em si, a tese deste personagem tem muito pouca
importância. Entretanto, o fato de que este esteja
presente desde algum tempo pelos ambientes que se
reivindicam da esquerda comunista, dentre os quais
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 13/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

alguns não têm o menor reparo em tomar por conta


própria (de maneira "crítica", isso sim) as "análises"
daquele [ix], nos leva a colocar em relevo o perigo que
tais análises representam.

O Senhor Bihr se apresenta como um genuíno


defensor dos interesses operários. Daí não poder
supor que a classe operária estaria em vias de
desaparecimento. Começa afirmando, ao contrário,
que: "... as fronteiras do proletariado se estendem
hoje em dia muito mais longe que o tradicional
"mundo operário"". Todavia, isto serve para fazer
passar a mensagem central: "Mas, ao largo de quinze
anos de crise, na França como na maioria dos países
ocidentais, assiste-se a uma fragmentação crescente
do proletariado, que, ao colocar em dúvida sua
unidade, tende a paralisá-lo como força social" [x].

A intenção principal do doutor em sociologia é, assim,


demonstrar que o proletariado "está em crise" e que o
responsável por essa situação é a própria crise do
capitalismo, causa que há de se acrescentar,
evidentemente, as modificações sociológicas que
afetou a composição da classe operária: "De fato, as
transformações da relação salarial em curso, com
seus efeitos globais de fragmentação e de
"desmassificação" do proletariado, , (...) tendem a
dissolver as duas figuras proletárias que forneceram
seus grandes batalhões durante o período fordista de
um lado, a do operário qualificado, que as
transformações atuais modificaram profundamente,
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 14/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

tendendo a extinguir as antigas categorias do


operário qualificado ligadas ao fordismo, enquanto
novas categorias de "qualificados" surgem ligadas
aos novos processos de trabalho automatizados: de
outro, a do operário especializado, ponta de lança da
ofensiva proletária das décadas de 60 e 70, sendo os
operários especializados progressivamente
eliminados e substituídos por trabalhadores instáveis
dentro desses mesmos processos de trabalho
automatizados". [xi]

Deixando de fora essa linguagem pedante (que tanto


enche de gozo os pequenos burgueses que se colocam
enquanto "marxistas"), Bihr nos traz os mesmos
tópicos com os quais nos castigaram gerações de
sociólogos: a automatização da produção seria
responsável pelo debilitamento do proletariado (como
se pretende marxista, não diz "desaparecimento"), etc.
E ele acerta o passo com aqueles quando pretende que
a dessindicalização também seria um sinal da "crise da
classe operária" visto que "todos os estudos efetuados
sobre o desenvolvimento do desemprego e da
precariedade mostram que estes tendem a reativar e
reforçar as antigas divisões e desigualdades no
proletariado (...). Esta fragmentação em condições
tão heterogêneas tem produzido efeitos desastrosos
nas condições de organização e de luta. É testemunho
disso, o fracasso das diferentes tentativas do
movimento sindical em organizar os precários e
desempregados..." [xii]. Assim, por trás das suas
frases mais radicais, atrás do seu suposto "marxismo",
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 15/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

Bihr quer nos vender o mesmo azeite adulterado que


todos os setores da burguesia vendem: os sindicatos
seriam ainda hoje "organizações do movimento
operário" [xiii].

Assim é o "especialista" no qual se inspira gente como


GS ou publicações como Perspective Internacionaliste
(PI), que acolhe com simpatia seus escritos. Certo é
que Bihr, que não é estúpido, para contrabandear sua
mercadoria, tem cuidado em dizer que o proletariado
será capaz de superar, apesar de tudo, suas
dificuldades atuais e conseguirá se "recompor". Mas a
maneira como diz isso tenderia melhor a convencer do
contrário: "As transformações da relação salarial
lançam, assim, um duplo desafio ao movimento
operário; elas o obrigam simultaneamente a se
adaptar a uma nova base social (a uma nova
composição "técnica" e "política" da classe) e a fazer
síntese entre categorias a priori tão heterogêneas
como as dos "novos qualificados" e dos instáveis,
síntese muito mais difícil de se realizar do que aquela
entre operários especializados e operários
qualificados, durante o período fordista (...) Enfim, o
enfraquecimento efetivo do proletariado, devido à
sua fragmentação, provoca entre o conjunto dos
proletários, um enfraquecimento do sentimento de
pertencer a uma classe, e assim pode abrir caminho
para a recomposição de uma identidade coletiva
imaginária em outras bases" [xiv]

chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 16/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

É assim que, com toneladas de argumentos, a maioria


deles especiosos, destinados a convencer o leitor de
que tudo anda mal para a classe operária, após haver
"demonstrado" que as causas dessa "crise" devem ser
buscadas na automatização do trabalho e no
afundamento da economia capitalista e na queda do
desemprego, fenômenos todos eles que continuarão se
agravando, se acaba afirmando de modo lapidar e sem
argumento algum que "Tudo irá melhor... talvez!.
Porém é um caminho muito difícil de encarar". Se
depois de ter engolido as historinhas de Bihr alguém
continua pensando que o proletariado e sua luta de
classe têm futuro é porque é um otimista crédulo e
incorrigível. O doutor Bihr pode estar contente: com
suas redes grosseiras capturou os tolos que publicam
PI e que se apresentam como os autênticos defensores
dos princípios comunistas que a CCI teria jogado na
sarjeta.

É certo que a classe operária teve de enfrentar, nos


últimos anos, uma série de dificuldades para
desenvolver suas lutas e sua consciência. Nós, por
nossa vez, nunca vacilamos em assinalar essas
dificuldades, contrariamente às acusações dos céticos
do momento (ou seja, a FECCI, que é coerente com a
sua função de semeadores de confusão, mas também
Battaglia Comunista, o que é menos lógico porque
Battaglia pertence ao meio político do proletariado).
Mas quando assinalamos essas dificuldades e
baseamos em uma análise da origem delas, também
temos colocado em relevo as condições que permitirão
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 17/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

sua superação. É o mínimo que se espera dos


revolucionários. Basta examinar com um pouco de
seriedade a evolução das lutas operárias durante a
última década para se dar conta que sua atual
debilidade não se deve de modo algum à diminuição
dos números de operários "tradicionais", dos de
"colarinhos azuis". Na maioria dos países, os
trabalhadores dos correios e telecomunicações
aparecem entre os mais combativos. E o mesmo
ocorre com os trabalhadores da saúde. Em 1987, na
Itália, foram os trabalhadores das escolas que levaram
a cabo as lutas mais importantes. Poderíamos
multiplicar os exemplos que ilustram que não só o
proletariado não se limita aos de "colarinhos azuis",
aos operários "tradicionais" da indústria, como
tampouco a combatividade operária. Nossas análises
não estão enfocadas por considerações sociológicas,
boas para professores de universidade ou pequeno
burgueses com dificuldades para interpretar não só o
"mal estar" da classe operária, como também o seu
próprio.

As dificuldades reais da classe operária e as


condições para superação

Não podemos voltar aqui, no marco deste artigo, sobre


as análises da situação internacional que fizemos nos
últimos anos. O leitor poderá buscar praticamente
todos os números da nossa Revista Internacional
durante todo esse período e especialmente nas teses e
resoluções adotadas por nossa organização desde
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 18/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

1989 [xv]. A CCI se deu conta perfeitamente das


dificuldades pelas quais atravessa o proletariado hoje,
o retrocesso da sua combatividade e da consciência no
seu seio, dificuldades nas quais alguns se apóiam para
diagnosticar uma "crise" da classe operária.
Colocamos em evidência, especialmente, que, durante
os anos 80, a classe operária se viu confrontada com o
peso crescente da decomposição generalizada da
sociedade capitalista, que, ao favorecer a
desesperança, o sentimento de "cada um por si", a
atomização, desferiu fortes golpes na perspectiva geral
da luta proletária e solidariedade de classe. Isso
facilitou muito especialmente as manobras sindicais
para aprisionar as lutas operárias no corporativismo.
Mas o peso permanente da decomposição não
conseguiu até 1989 acabar com a onda de combates
operários que havia iniciado em 1983 com as greves
do setor público na Bélgica. Tudo isso foi uma
expressão da vitalidade da luta de classe. Durante todo
esse período podemos presenciar um crescente
ultrapassagem dos sindicatos, os quais tiveram que
ceder, cada vez mais com mais freqüência, o espaço a
um sindicalismo de "base", mais radical para o
trabalho de sabotagem das lutas [xvi].

Aquela onda de lutas proletárias acabaria sendo


enterrada pelos transtornos planetários que vinham
acontecendo desde a segunda metade de 1989. O
colapso dos regimes stalinistas da Europa em 1989 foi,
até hoje, a expressão mais importante da
decomposição do sistema capitalista. Embora alguns,
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 19/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

em geral os mesmos que não tinham visto nenhuma


luta operária em meados dos anos 80, estimavam que
esse acontecimento ia favorecer a tomada de
consciência da classe operária, nós não esperamos
para anunciar o contrário [xvii]. Mais tarde,
especialmente em 1990/91, durante a crise e a Guerra
do Golfo, e depois, com o golpe de Moscou e o
desmoronamento da URSS, colocamos em relevo que
esses acontecimentos também iam repercutir na luta
de classe e na capacidade do proletariado para fazer
frente aos ataques cada dia mais fortes que o
capitalismo em crise dirige contra ele.

Por isso, as dificuldades atravessadas pela classe


durante o último período não escapou, nem
surpreendeu, a nossa organização. No entanto,
mediante a análise das verdadeiras causas (que nada
tem a ver com a necessidade mítica de "recomposição
da classe operária") pudemos também destacar as
razões pelas quais a classe operária possui hoje os
meios para superar essas dificuldades.

É importante, a esse respeito reconsiderar um dos


argumentos de Bihr que lhe é útil para dar crédito à
idéia da crise da classe operária: a crise e o
desemprego tem "fragmentado o proletariado", "ao ter
fortalecido as antigas divisões e desigualdades" no seu
seio. Para exemplificar sua tese, Bihr não hesita em
carregar as cores confeccionando um catálogo de
todos esses "fragmentos": "os trabalhadores estáveis e
com garantias", "os excluídos do trabalho e até do
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 20/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

mercado de trabalho", "a massa flutuante de


trabalhadores precários". E nesta última categoria, o
doutor Bihr divide e subdivide com fluidez: "os
trabalhadores de empresas que trabalham em
subcontratação", "os trabalhadores a tempo parcial",
"os estagiários" e "os da economia
subterrânea" [xviii]. De fato, o que o doutor Bihr nos
dá como argumento não é mais que uma constatação
fotográfica, a qual corresponde perfeitamente a sua
visão reformista [xix]. É certo que, num primeiro
momento, a burguesia tem desferido seus ataques
contra a classe operária de modo seletivo para, desse
modo, limitar a amplitude das suas reações. Também
é certo que o desemprego, especialmente o dos jovens,
tem sido um fator de chantagem sobre determinados
setores do proletariado e, por isso, tem se reforçado a
passividade, acentuando a ação deletéria do ambiente
de decomposição social e de "cada um por si". Mas, a
crise mesma e seu agravamento inexorável se
encarregarão cada vez mais em nivelar por baixo a
condição dos diferentes setores da classe operária.
Especialmente os setores de "ponta" (informática,
telecomunicações, etc.) que pareciam ter evitado a
crise, hoje estão sendo atingidos em cheio por ela
colocando seus trabalhadores na mesma situação que
os da siderurgia e da indústria automobilística. E
agora são as maiores empresas, como a IBM, as que
demitem em massa. Ao mesmo tempo, e
contrariamente à tendência da década passada, o
desemprego de todos os trabalhadores de idade mais
madura, os que têm vivido uma experiência de
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 21/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

trabalho coletivo e de luta, aumenta hoje com maior


rapidez que o de jovens, o que tende a limitar o fator
de atomização que o desemprego tinha representado
no passado.

Embora a decomposição seja uma desvantagem para o


desenvolvimento das lutas e da consciência da classe,
a quebra cada vez mais evidente e brutal da economia
capitalista, com sua série de ataques que se fazem
sentir nas condições de existência do proletariado, é
um fator determinante da situação atual para a
retomada das lutas e da tomada de consciência. Porém
isso não pode ser compreendido se pensarmos, tal
como afirma a ideologia reformista que se nega a ver a
menor perspectiva revolucionária, que a crise
capitalista provoca uma "crise da classe operária".
Uma vez mais, os fatos têm se encarregado por si
mesmos de destacar a validade do marxismo e a
vacuidade das elucubrações dos sociólogos. As lutas do
proletariado na Itália, no outono de 1992, diante de
alguns ataques econômicos de uma violência sem
precedentes, voltou a demonstrar, uma vez mais, que o
proletariado não morreu, que não tinha desaparecido,
que não renunciou à luta mesmo que, e era de se
esperar, ainda não tivesse digerido os golpes recebidos
nos anos anteriores. Essas lutas não são fogo de palha.
Não fazem mais que anunciar (como ocorreu com as
lutas operárias de maio de 1968 na França, que agora
faz 25 anos), um renascimento geral da combatividade
operária, uma retomada da marcha para frente do
proletariado rumo à tomada de consciência das
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 22/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

condições e dos fins do seu combate histórico pela


abolição do capitalismo. E isso, agrade ou não a todos
os que se lamentam, sincera ou hipocritamente, da
"crise da classe operária" e da sua "necessária
recomposição".

FM (fevereiro 2006)

[i] O automóvel é indispensável para ir ao trabalho e


fazer compras quando são insuficientes os transportes
públicos e quando as distâncias a serem percorridas
não fazem senão aumentar. Uma geladeira torna-se
vital, quando o único meio de adquirir alimentos a um
preço acessível é comprando em um supermercado e
isso não pode ser feito todos os dias. Quanto à
televisão, apresentada nos seus tempos como símbolo
máximo do acesso da "sociedade de consumo", além
do interesse que representa como instrumento de
propaganda e de embrutecimento nas mãos da
burguesia (como "ópio do povo" tem substituído com
muita vantagem a religião), pode ser encontrada hoje
em muitas moradias nas vilas miseráveis do Terceiro
Mundo, fato que diz o quanto esse produto está
desvalorizado.

[ii] Marx chamava taxa de mais-valia ou de exploração


a relação "pl/v", onde "pl" representa a mais-valia em
valor-trabalho (a quantidade de horas da jornada de
trabalho que o capitalista se própria) e "v" o capital
variável, ou seja, o salário (a quantidade de horas
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 23/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

durante a qual o operário produz o equivalente em


valor ao que recebe). É um índice que permite
determinar em termos econômicos objetivos, e não
subjetivos, a intensidade real da exploração.

[iii] Evidentemente, esta afirmação desmente todas


essas mentiras que nos contam todos os "defensores
da classe operária" como os social-democratas ou os
stalinistas, que tem uma longa experiência em
reprimir e enganar os operários como dos gabinetes
ministeriais. Quando um operário "vindo de baixo"
ascende a um cargo de direção sindical, de conselheiro
ou prefeito e até de deputado ou ministro, nada tem a
ver com a sua classe de origem.

[iv] Evidentemente, é muito difícil determinar esse


nível, pois pode variar no tempo e de um país para
outro. O que importa é saber que em cada país ou
conjunto de países semelhantes desde o ponto de vista
do desenvolvimento econômico e da produtividade do
trabalho, existe tal limite, que se situa entre o salário
do operário qualificado e o do quadro superior.

[v] Para uma análise mais desenvolvida sobre trabalho


produtivo e improdutivo, veja nossa brochura La
decadencia del capitalismo.

[vi] Embora seja necessário assinalar ao mesmo


tempo que determinada proporção de "quadros" veem
um aumento da sua renda que os integra na classe
dominante.
chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 24/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

[vii] Para uma análise detalhada da natureza burguesa


dos sindicatos, veja nossa brochura Os sindicatos
contra a classe operária.

[viii] Por exemplo, Le Monde diplomatique, mensal


francês humanista publicado também em outros
idiomas, especializado na promoção de um
capitalismo "de rosto humano", publica
frequentemente artigos de Alain Bihr. No seu número
de março de 1991, pode-se encontrar, por exemplo,
um texto desse autor intitulado Régression des droits
sociaux, affaiblissement des syndicats, Le prolétariat
dans tous ses éclats [Redução dos direitos sociais,
enfraquecimento dos sindicatos, o proletariado em
todos seus fragmentos].

[ix] Por exemplo, no nº 22 de Perspective


Internationaliste, órgão da chamada "Fração Externa
da CCI", pode ser lida uma contribuição de GS (que
não é membro da FECCI, mas que parece estar em
acordo com ela em todos os pontos essenciais)
intitulada A necessária recomposição do
proletariado, que cita reiteiradamente o livro de Bihr
para reforçar suas afirmações.

[x] Le Monde diplomatique, março de 1991. Tradução


nossa.

[xi] Alain Bihr - Da grande noite à alternativa, Cap.


4ª : ruptura do compromisso fordista , pg.100.

chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 25/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

[xii] Le Monde diplomatique, março de 1991.


Tradução nossa.

[xiii] Le Monde diplomatique, março de 1991.


Tradução nossa.

[xiv] Alain Bihr - Da grande noite à alternativa, Cap.


5ª : A fragmentação do proletariado, pg.104.

[xv] Ver Revista internacional nº60, 63, 67, 70 e este


número.

[xvi] Evidentemente, quando considera-se, como Bihr,


que os sindicatos são órgãos da classe operária e não
da burguesia, os progressos logrados pela luta de
classes se convertem em retrocessos. E, entretanto,
curioso que pessoas como os membros da FECCI, que
oficialmente reconhecem a natureza burguesa dos
sindicatos, prossigam nessa apreciação.

[xvii] Ver o artigo Dificultades en aumento para el


proletariado na Revista internacional nº 60.

[xviii] Le Monde diplomatique, março de 1991.


Tradução nossa.

[xix] Uma das frases preferidas de A. Bihr é que "o


reformismo é algo muito sério para deixá-lo em mãos
de reformistas". Se, por casualidade, ele acredita ser
um revolucionário, queremos aqui desenganá-lo.

chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 26/27
16/04/2019 Hoje em dia, o Proletariado continua sendo a classe revolucionária :: Reader View

chrome-extension://ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh/data/reader/index.html?id=103 27/27