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Olá, querido aluno e querida aluna, sejam bem-vindos a mais uma seção! Preparados para mais
Olá, querido aluno e querida aluna, sejam bem-vindos a mais uma seção! Preparados para mais
Olá, querido aluno e querida aluna, sejam bem-vindos a mais uma seção! Preparados para mais

Olá, querido aluno e querida aluna, sejam bem-vindos a mais uma seção!

Preparados para mais um desafio? Vamos dar continuidade ao processo que

iniciamos nas seções passadas. Você terá a oportunidade de conhecer e

elaborar mais uma peça processual utilizando seus conhecimentos de Direito Constitucional e Direito Processual. Curioso? Vamos saber então qual a nova situação fática que você terá de solucionar.

Nas seções anteriores o Promotor de Justiça Luiz ajuizou uma Ação Civil Pública

visando à criação de vagas para o ensino fundamental de um município do interior paulista. Foi requerida tutela de urgência em razão de as crianças não terem acesso à escola e correrem o risco de perderem o ano letivo.

Contudo, o magistrado indeferiu a tutela liminar fundamentando a sua decisão

no fato de o direito à educação ser um direito social e, por isso, teria natureza de

norma programática não cabendo ao judiciário interferir na Administração

Pública para concretizar tais direitos.

Vimos que o Agravo de Instrumento é o meio recursal cabível para as decisões

interlocutórias, isto é, aquelas que não dão fim ao processo, aquelas decisões que não dão a solução final à lide.

O recurso cabível era o Agravo de Instrumento, é ele o meio recursal cabível

contra as decisões interlocutórias, isto é, as decisões que não dão fim ao processo, que não solucionam de forma final à lide.

Pois bem, caro(a) aluno(a), o seu recurso foi conhecido e provido no tribunal . Parabéns!

de forma final à lide. Pois bem, caro(a) aluno(a), o seu recurso foi conhecido e provido
Contudo, após a decisão do Tribunal, o juiz de primeiro grau sentenciou a ação, julgando-a

Contudo, após a decisão do Tribunal, o juiz de primeiro grau sentenciou a ação,

julgando-a extinta sem o julgamento do mérito. Foram opostos embargos de

declaração para que esclarecesse a sua decisão, mas foram eles acolhidos. Na sentença, o magistrado fundamenta que deveriam ter sido propostas ações

individuais, de conhecimento ou até mesmo Mandados de Segurança para discutir as peculiaridades de cada um dos casos, não sendo a ACP o meio processual adequado.

Além disso, alegou que não pode haver a interferência do Poder Judiciário nas

políticas públicas em razão da impossibilidade de interferir na discricionariedade dos atos administrativos, sendo inadequada a judicialização da medida.

O Ministério Público foi intimado pessoalmente da decisão no dia 2 de outubro de 2017.

Agora é com você, doutor(a)!

Simulando novamente o papel de promotor de justiça, você deverá elaborar a

peça processual cabível. Lembre-se do conteúdo que estudamos nas seções anteriores que, somados aos desta seção, ajudarão a fundamentar e construir a sua peça processual.

ajudarão a fundamentar e construir a sua peça processual. OS REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS E A ACP A

OS REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS E A ACP

A nossa constituição não previu a ACP como o único instrumento para a

defesa de direitos. A própria constituição prevê ações de natureza especial chamadas de remédios constitucionais.

Os remédios constitucionais são ações especiais previstas pelo constituinte como garantias de direitos fundamentais. Veja bem, como a

constituição prevê direitos ela também prevê instrumentos para a sua proteção.

fundamentais. Veja bem, como a constituição prevê direitos ela também prevê instrumentos para a sua proteção.
Cada um dos remédios pode ser utilizado para a finalidade para a qual foram criados,

Cada um dos remédios pode ser utilizado para a finalidade para a qual

foram criados, mas isso não impede que mais de um meio de proteção

possa ser utilizado no direito. Isso que r dizer que os remédios constitucionais não impedem que sejam ajuizadas Ações Civis Públicas

ou ações individuais de amplo conhecimento (como as ordinárias) para a

obtenção do bem da vida buscado pela parte.

O constituinte trouxe as garantias dos chamados remédios como uma

forma a mais de proteção constitucional, alargando assim a proteção de

direitos.

Assim, não há impedimento, por exemplo, na propositura de uma ACP para tutelar o patrimônio público, assim como o faz com a Ação Popular.

Também não há impedimento na propositura de uma ação anulatória de

um ato público lesivo, ao invés do ajuizamento de um Mandado de Segurança. Nem mesmo a propositura de um recurso penal ao invés do ajuizamento de Habeas Corpus.

Veja, tal afirmativa fica ainda mais evidente ao analisarmos o artigo 103

do Código de Defesa do Consumir que regula o alcance da Coisa Julgada,

em todas as ações de natureza coletiva, como é a ACP.

Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará

coisa julgada: (

§ 1° Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe.

§ 2° Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual.

)

Como vimos, as ações coletivas podem ser promovidas para a proteção de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos e, mesmo que

coletivas podem ser promovidas para a proteção de direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos e, mesmo
sejam julgadas improcedentes, não afetam os direitos das partes, que poderão interpor ações individuais para

sejam julgadas improcedentes, não afetam os direitos das partes, que poderão interpor ações individuais para a defesa de seus interesses.

Dessa forma, independentemente da tutela individual, as ações coletivas como as ACPs são um instrumento eficaz de proteção.

Lembre-se de algo muito importante, como são garantias constitucionais

previstas no artigo 5º, assim como os direitos fundamentais, possuem uma proteção constitucional especial no artigo 60 §4º, as chamadas

cláusulas pétreas. Isso quer dizer que nem mesmo por emendas à

constituição esses remédios podem ser revogados ou terem o seu alcance de proteção diminuído.

PONTO DE ATENÇÃO

As chamadas cláusulas pétreas estão previstas no artigo 60 §4º da Constituição Federal e impedem que mesmo por emendas à constituição sejam abolidas ou ameaçadas de abolir conquistas trazidas pelo constituinte originário. Essas conquistas são: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais.

As cláusulas pétreas compõem o chamado núcleo constitucional intangível ou imutável, ou seja, assuntos que não podem em nenhuma hipótese ser alterado pelo legislador, nem por emendas constitucionais.

AÇÃO POPULAR:

A ação Popular é um instrumento decorrente da adoção do Princípio Republicano 1 e pode ser proposta por qualquer cidadão para proteção de

1 Para Roque Antonio Carrazza, “República é o tipo de governo, fundado na igualdade formal das pessoas, em que os detentores do poder político exercem-no em caráter eletivo, representativo (de regra), transitório e com responsabilidade.” CARRAZZA, Roque Antonio. Princípio republicano. Enciclopédia jurídica da PUC-SP. Tomo: Direito Administrativo e Constitucional. 1. ed. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017. Disponível em: <https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/93/edicao-1/principio-republicano>. Acesso em: 20 ago. 2018.

< https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/93/edicao-1/principio-republicano > . Acesso em: 20 ago. 2018.
do Administração Pública. patrimônio público que esteja sendo lesado por um ato da REPÚBLICA RES

do

Administração Pública.

patrimônio

público

que

esteja

sendo

lesado

por

um

ato

da

REPÚBLICA

RES PUBLICA (COISA PÚBLICA)

A Ação Popular está prevista no art. 5º, LXXIII ,que dispõe: “qualquer

cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à

moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”.

Esse remédio constitucional

4.717/85.

tem sua aplicação regulada

pela

Lei nº

Caro(a) aluno(a), preste atenção em uma especificidade desta ação!

Somente o cidadão pode entrar com uma Ação Popular, isto é, somente aquela pessoa que esteja no gozo de seus direitos políticos ativos, ou

seja, somente aqueles que podem votar, poderão ingressar com essa ação.

Portanto, pessoas que não estejam no gozo de seus direitos políticos, ou

até mesmo empresas ou outras pessoas jurídicas 2 públicas ou privadas, não podem ingressar com a Ação Popular.

A prova de ser cidadão para a propositura da ação deve ser feita através

da certidão de quitação eleitoral ou do título eleitoral, que deve ser

2 De acordo com a Súmula 365 do STF, pessoas jurídicas não podem promover a ação popular.

eleitoral, que deve ser 2 De acordo com a Súmula 365 do STF, pessoas jurídicas não
obrigatoriamente anexada à petição inicial, conforme dispõe o art. 1º, §3º da Lei 4.717/85. PONTO

obrigatoriamente anexada à petição inicial, conforme dispõe o art. 1º, §3º da Lei 4.717/85.

PONTO DE ATENÇÃO

O Princípio Republicano é importantíssimo fundamento constitucional do

nosso país que, aliás, tem o nome jurídico de REPÚBLICA FEDERATIVA

DO BRASIL.

O patrimônio público não pertence àqueles que exercem os cargos públicos, eles apenas administram coisa alheia. O verdadeiro titular das coisas públicas é o POVO.

Caro aluno, assim como o síndico de um prédio administra bens que são de todos os moradores (os chamados condôminos, cujo nome significa serem donos juntos), os políticos administram bens que não pertencem a eles, mas sim a todos nós.

Em decorrência disso, eles devem ser eleitos para que cumpram os seus mandatos por um período certo de tempo, devem respeito às leis e à constituição e precisam prestar contas de tudo o que fazem de forma clara, transparente e pública, com responsabilidade pelos seus atos.

Antes de tudo, os políticos devem respeito às leis, pois são elas a vontade do povo materializada pelos seus representantes eleitos.

Portanto, único titular de todo o poder do Estado é o povo.

É o que diz a nossa Constituição no parágrafo único do artigo 1º:

Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Como dito, a Ação Popular tem como objetivo a anulação de um ato lesivo

ao patrimônio público ou entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

Além de anular o ato lesivo, a ação poderá pleitear o ressarcimento aos cofres públicos dos valores eventualmente perdidos, é o que preceitua o

artigo 11 da Lei 4.717/85: a sentença que, julgando procedente a ação popular, decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao

pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e os

decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela
beneficiários dele, ressalvada a ação regressiva contra os funcionários causadores de dano, quando incorrerem em

beneficiários dele, ressalvada a ação regressiva contra os funcionários causadores de dano, quando incorrerem em culpa”.

MANDADO DE SEGURANÇA.

Dentre os remédios constitucionais, o Mandado de Segurança ou MS é o dos mais abrangentes. Ele tem aplicação residual ou subsidiária, isto é,

quando não puder ser proposta uma ação específica, como o caso do Habeas Corpus e do Habeas Data, pode ser proposto o MS. Vejamos:

O art. 5º, inc. LXIX dispõe que: “conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou

habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.”

O MS é uma ação judicial civil, de rito sumário especial ou sumaríssimo

que é utilizada quando direito líquido e certo do indivíduo for violado por

ato de autoridade governamental ou de agente de pessoa jurídica privada que esteja no exercício de atribuição do Poder Público.

Quando dizemos que o rito é especial, significa dizer que o processo

caminha com a prática de atos muito mais simplificados, visando a

agilidade (celeridade) da justiça a fim de evitar a ocorrência ou o agravamento de lesões a direitos da parte autora, que recebe o nome de impetrante, enquanto a autoridade recebe o nome de impetrada.

Em razão da necessidade de ser rápida 3 , a ação de MS exige que as

provas do direito da parte sejam pré-constituídas,

isto é, sejam todas

juntadas na inicial, bem como impede que sejam produzidas novas provas

3 A rapidez na prestação jurisdicional recebe o nome de celeridade. Afinal, justiça que demora não faz justiça. A celeridade processual passou a ser um direito constitucional expressamente reconhecido após a Emenda Constitucional nº 45, apelidada de a Emenda da reforma do judiciário. Prevê o artigo 5º LXXVIII –“a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação ” . (Incluído pela Emenda Constitucional
no curso do processo. Portanto, não é permitida a o uvida de testemunhas, a realização

no curso do processo. Portanto, não é permitida a o uvida de testemunhas,

a realização de perícias ou o depoimento pessoal em MS.

Em razão dessa agilidade, o prazo para impetração do MS é de 120 dias,

a contar da data em que o interessado tiver conhecimento oficial do ato a

ser impugnado. Esse prazo tem natureza decadencial e não pode ser suspenso ou interrompido. 4

O MS se destina à proteção de direito líquido e certo que deve ser

entendido como aquele que pode ser comprovado por meio de provas

documentais que delimitam a sua extensão, trazem certeza da sua existência e que pode ser imediatamente exercido, e somente não o é em

razão da existência do ato ilegal da autoridade coatora. Portanto, desfeito

o ato a parte deve ser capaz de exercer o direito imediatamente.

Autoridade coatora é a autoridade pública ou que está no exercício de uma função pública, como os diretores de uma de uma concessionária de serviços públicos, de instituição de ensino ou de um hospital, por exemplo.

Essa autoridade não é a pessoa física que ocupa o cargo, mas o cargo

em si. Por exemplo, o cargo de Secretário de Educação ou de Saúde de um ente público. Mesmo que ocorra a mudança do titular com a nomeação

de outra pessoa, o ato continua sendo da autoridade. Autoridade é quem

tem a competência para desfazer o ato lesivo.

O MS pode ser preventivo quando se dirige a uma ameaça de lesão ao

direito líquido e certo, e repressivo quando a lesão já ocorreu.

O MS é individual quando é proposto por uma ou mais pessoas que foram

lesadas pelo ato da autoridade. É chamado de MS coletivo quando a lesão

alcança um grupo ou categoria de pessoas, como veremos adiante. Ambos são regulamentados pela Lei nº 12.016/09.

MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO

O MS coletivo pode ser impetrado por partido político, organização

sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em

4 Súmula 632 STF É constitucional lei que fi xa o prazo para a impetração de MS.

constituída e em 4 Súmula 632 – STF – É constitucional lei que fi xa o
funcionamento há pelo menos 1 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados

funcionamento há pelo menos 1 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados

Ao contrário do MS individual em que o impetrante d efende direito seu, no MS coletivo uma entidade (partido político, associação ou sindicato) defende o direito de um grupo de pessoas. Essa entidade defende direito de outros e não próprios dela, é o que chamamos de legitimidade extraordinária e só ocorre em casos previstos em lei.

A exigência de 1 ano somente recai sobre as associações, não obrigando as organizações sindicais e entidades de classe.

HABEAS CORPUS

Habeas corpus é o remédio constitucional de natureza penal que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou coação à liberdade de locomoção, decorrente de ilegalidade ou abuso de poder, e está previsto no 5º, inciso LXVIII da Constituição e é regulado pelo Código de Processo Penal.

Esse é o remédio com origem histórica mais remota, pois encontra seus primórdios na Carta Magna de 1215 e, devido à sua importância, nomeia instrumentos de proteção de liberdade contra ilegalidades de prisão até os dias atuais. O nome habeas corpus carrega a ideia de submeter ao conhecimento de um juiz a pessoa (corpo) do preso para que o magistrado analise a correição de sua prisão e de seu caso.

O HC possui procedimento especial 5 e não precisa ser impetrado por um advogado. Assim, qualquer do povo pode ser impetrante, ou seja, aquele impetra a ordem de habeas corpus a favor do paciente (aquele que está preso ou ameaçado de ser preso de forma ilegal). Além disso, o HC pode

de ser preso de forma ilegal). Além disso, o HC pode 5 Apesar de contar com

5 Apesar de contar com requisitos previstos no Código de Processo Penal , o HC pode ser analisado mesmo que seja extremamente precária a sua apresentação. Há clássicos exemplos de HCs escritos em papel de pão, papel higiênico e, recentemente, o STJ recebeu e conheceu de um HC escrito em um lençol. Foi o HC nº 295085CE (2014/011 9492-1), autuado em 21/05/2014, 6ª turma, sob relatoria da ministra Maria

em

Thereza

uisaGenerica&num_registro=201401194921>. Acesso em: 20 ago. 2018.

de

Assis

Moura.

Disponível

ser dado de ofício pelo magistrado que, diante de uma ilegalidade no curso do processo,

ser dado de ofício pelo magistrado que, diante de uma ilegalidade no

curso do processo, concede a ordem mesmo sem a provocação das partes.

O indivíduo que sofre a coação, a ameaça, ou a violência recebe o nome

de paciente e o HC é isento de custas, não havendo qualquer custo na sua impetração.

HABEAS DATA

Constituição de 1988, no artigo. 5º inciso LXXII, incluiu um novo remédio constitucional que tem a finalidade de assegurar ao impetrante (autor) o

conhecimento de informações relativas à sua pessoa constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público e para permitir a retificação de dados.

O Habeas Data, HD, é regulamentado pela Lei 9.507, de 12 de novembro

de 1997.

Essa lei criou mais uma hipótese de cabimento do remédio para a

anotação de observações em registro público, quando a questão estiver sob análise em um processo, prevista no artigo 7º, inciso III da Lei.

Art. 7° Conceder-se-á habeas data:

I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à

pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público;

II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê -lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;

III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de

contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas

justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.

ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
Preste atenção , caro(a) aluno(a), para demonstrar o seu interesse na propositura da ação, a

Preste atenção, caro(a) aluno(a), para demonstrar o seu interesse na

propositura da ação, a parte é obrigada a comprovar que o seu pedido de

acesso, alteração ou anotação em dados públicos foi negada pela autoridade competente.

Lembre-se!

O HD somente pode ser impetrado quando as informações se referem à pessoa do impetrante, nunca para informações de terceiros. Quando as

informações desejadas forem de outra pessoa, em tese, o remédio cabível será o MS.

MANDADO DE INJUNÇÃO

O remédio do mandado de injunção, previsto no artigo 5º, LXXI, é cabível

“sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício

dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

Esse remédio constitucional pode ser utilizado quando falta de uma norma

regulamentadora inviabilize o exercício dos direitos, liberdades e garantias constitucionais prescritas.

Ele se destina a remediar a ausência de uma norma, a chamada lacuna ou anomia. Contudo, não é qualquer lacuna que pode ser combatida pelo

MI, somente aquelas que inviabilizem o exercício de um direito constitucional.

Ocorrerá a omissão do legislador sempre que um direito previsto na constituição não puder ser gozado sem a sua regulação.

Como vimos na nossa seção anterior, existem normas constitucionais que não gozam de aplicabilidade e eficácia plena, necessitando de um

complemento normativo para que ganhe concretude. Quando a omissão legislativa atinge esse direito, surge a possibilidade do ajuizamento do MI.

para que ganhe concretude. Quando a omissão legislativa atinge esse direito, surge a possibilidade do ajuizamento
A SEPARAÇÃO DE PODERES, JUDICIALIZAÇÃO E ATIVISMO Como já vimos, a Constituição Federal de 1988

A SEPARAÇÃO DE PODERES, JUDICIALIZAÇÃO E ATIVISMO

Como já vimos, a Constituição Federal de 1988 foi extremamente generosa na narração de direitos fundamentais, marcad a pelo desejo dos constituintes por um país melhor, fazendo com que recebesse o positivo apelido de Constituição Cidadã.

Por outro lado, essa farta previsão de direitos não ficou imune a críticas, muito em razão de entenderem utópica a previsão de direitos sem que fossem também garantidos meios materiais (financeiros, administrativos e jurídicos) para que fossem eles exercidos.

Entretanto, no início dos anos 1990, um importante instrumento judicial passou a ser utilizado. O ponto de partida foram ações judiciais para o fornecimento de tratamentos e medicamentos, em especial antivirais para o tratamento do vírus HIV. Foi o começo da chamada judicialização, ativismo judicial ou controle de políticas públicas por parte do Poder Judiciário 6 .

Isto é, naquelas hipóteses em que a constituição tenha criado direitos subjetivos individuais ou difusos, passaram esses a ser exigidos do Poder Público por meio de ações judiciais, tendo o Poder Judiciário passado a exercer um papel de destaque na concretização de direitos, tidos como unicamente programáticos na Constituição, em especial em relação aos direitos sociais, aqueles que necessitam de uma ação por parte do Estado, como a prestação de saúde e na educação.

Além desse papel concretizador de direitos pres entes na judicialização, o Judiciário passou a agir com o denominado ativismo, assumindo o papel

6 Dentre outros , confira os artigos “A diferença entre o remédio e o veneno está na do sagem. A judicialização da saúde e as portas escancaradas do Judiciário”, de José Luiz Souza de Moraes. Disponível em: <https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-diferenca-entre-o-remedio-e-o-veneno-esta-na- dosagem-05082017>; e “Da falta de efetividade à judicialização excessiva: direito à saúde, fornecimento gratuito de medicamentos e parâmetros para a atuação judicial”, de Luís Roberto Barroso. Disponível em:

<https://www.conjur.com.br/dl/estudobarroso.pdf>. Ambos com acesso em: 20 ago. 2018.

Disponível em: < https://www.conjur.com.br/dl/estudobarroso.pdf > . Ambos com acesso em: 20 ago. 2018.
de decidir questões de grande repercussão social que, a princípio, deveriam ser decididas pelo Poder

de decidir questões de grande repercussão social que, a princípio, deveriam ser decididas pelo Poder Legislativo por meio de leis. São exemplos desse ativismo a questão das células tronco 7 , o aborto de fetos com anencefalia 8 , a “ficha limpa” 9 e o casamento homoafetivo 10 , entre outros temas de elevado impacto na sociedade.

A crítica sobre o ativismo judicial recai em especial no que tange à

separação dos Poderes, e a invasão pelo Poder Judiciário em competências típicas do Poder Executivo e do Poder Legislativo.

SEPARAÇÃO DOS PODERES

A Constituição Federal aponta no seu artigo 2º: são Poderes da União,

independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o

Judiciário.

A ideia de Separação dos Poderes foi o produto de pensamentos

iluministas e eclodiu com a Revolução Francesa de 1789, estando expressa na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 11 e até hoje

vigente na Constituição Francesa 12 .

7

Britto,

2018.

ADI

3510,Rel.

min.

Ayres

8 Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamenta 54 Distrito Federal. Relatoria min Marco Aurelio.

Disponível

em: <http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticianoticiastf/anexo/adpf54.pdf >. Acesso em: 20

ago. 2018.

9 RE

10 Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e

929670 - Recurso Extraordinário Rel. Ricardo Lewandowski .

a Arguição de

Descumprimento de Preceito

Fundamental

(ADPF)

132.

Rel.

Ayres

Britto.

Disponível

 

em:

Acesso

em:

20

ago.

2018.

Acesso

em: 20 ago. 2018.

12 O preâmbulo da vigente Constituição francesa, datada de 1958, adota expressamente, dentre outros instrumentos definidores de direitos fundamentais , a Declaração de 1789. Esses documentos formam o chamado Bloco de Constitucionalidade. Sobre o assunto, MORAES, José Luiz Souza de. L’effet cliquet e o

11

Disponível

em

bloco de constitucionalidade: a influência da jurisprudência do Con selho Constitucional francês na proibição do retrocesso dos direitos fundamentais no Brasil. In: ALMEIDA, Fernando Menezes de; ZAGO,

francês na proibição do retrocesso dos direitos fundamentais no Brasil. In: ALMEIDA, Fernando Menezes de; ZAGO,
PONTO DE ATENÇÃO DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO - 1789 Art. 16.º

PONTO DE ATENÇÃO

DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO - 1789

Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.

Caro aluno, há na verdade uma impropriedade do termo separação de poderes. Isso decorre do fato de o poder do Estado ser apenas um, o Poder é Uno, pois decorrente da soberania popular. Lembrou-se do que dissemos no início da nossa seção? “Todo poder emana do povo”

As constituições têm como uma de suas principais funções realizar a chamada organização do Estado e, assim, por uma escolha do constituinte, adotar a formação e a competência de órgãos que melhor entender. Isso decorre de uma das qualidades que o Poder Constituinte possui, não ser limitado por modelos jurídicos já adotados.

O modelo clássico de “separação” dos poderes adota a disposição apontada por Montesquieu, de que o Estado (Rei ou soberano) possui três funções típicas, a de julgar, a de legislar e a de administrar. Assim, a maioria dos países adota essa forma de divisão das funções típicas do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Marina Fontão (Coords.). Direito público Francês: temas fundamentais. São Paulo: Quartier Latin, 2018. p. 170.

Marina Fontão (Coords.). Direito público Francês: temas fundamentais. São Paulo: Quartier Latin, 2018. p. 170.
Executivo Judiciário Legislativo Título: repartição de poderes na CF/88. Fonte: elaborado pelo autor. O Poder
Executivo Judiciário Legislativo
Executivo
Judiciário
Legislativo

Título: repartição de poderes na CF/88. Fonte: elaborado pelo autor.

O Poder é uno, decorre da soberania popular. O que dividimos são as funções típicas do Estado cujas competências são distribuídas pela Constituição Federal.

Essa separação das funções, no entanto, não é absoluta. Os poderes devem ser harmônicos entre si e entre eles é aplicado um novo sistema de princípios, o chamado sistema de freios e contrapesos, check and balances em sua origem norte-americana; mas o que isso significa?

O desenvolvimento

contrapesos se deve a uma tentativa de conter o chamado “abuso de

poder”.

da ideia da separação dos poderes e dos freios e

Para Montesquieu, em “O Espírito das Leis13 , o abuso do poder é uma experiência eterna, todo aquele que usa do poder, tende a abusar dele. Por esse motivo, o poder deve limitar o poder.

abusar dele. Por esse motivo, o poder deve limitar o poder. 1 3 Tradução l ivre

13 Tradução l ivre de « c'est une expérience éternelle que tout homme qui a du pouvoir est porté à en

abuser : il va jusqu'à ce qu'il trouve des limites [

arrête le pouvoir ». Montesquieu, De l'esprit des lois , Livre XI, Chapitre IV. Disponível em :

],

il faut que, par la disposition des choses, le pouvoir

Acesso em: 20 ago. 2018.

É nesse sentido que, ao dividir o exercício do poder estatal em diversas funções, uma

É nesse sentido que, ao dividir o exercício do poder estatal em diversas

funções, uma exercerá o limite a atuação da outra.

Portanto, enquanto cabe ao Poder Legislativo, a função de criar as leis que regerão o Estado e todos os cidadãos, caberá ao Executivo a

administração desse Estado em execução concreta da lei, e ao Judiciário

o papel de controle de legalidade 14 e a qualidade da definitividade de suas decisões.

Veja bem caro(a) aluno(a), a função do Poder Judiciário é dizer o direito

a quem o aciona, dando às partes uma resposta com qualidade de

definitividade denominada coisa julgada 15 . Mas percebe-se na

Constituição que se exige do Judiciário algo a mais, a defesa da constituição e a concretização dos direitos lá previstos, retirando deles

toda efetividade e aplicabilidade.

Em razão disso, caberá ao Poder Judiciário sanar as omissões dos outros

Poderes, seja regulando situações de vida ou grupos minoritários de pessoas que foram deixadas de lado pelo legislativo (em um papel

chamado de contramajoritário), seja tornando efetivos os direitos constitucionais que, em razão da omissão do executivo, não possam ser

exercidos.

A harmonia entre os poderes exige um atuar conjunto com a finalidade

última de tornar efetiva a nossa Constituição.

finalidade última de tornar efetiva a nossa Constituição. 1 4 Veremos em nossas próximas seções a

14 Veremos em nossas próximas seções a importante função do controle de constitucionalidade realizado pelos três poderes, mas de forma especia l pelo Poder Judiciário.

15 Para Luiz Flávio Gomes são cinco as funções do Poder Judiciário: a) aplicar contenciosamente a lei aos casos concretos; b) controlar os demais poderes; c) realizar seu autogoverno; d) concretizar os direitos fundamentais ; e) garantir o Estado Constitucional Democrático de Direito . GOMES, Luiz Flávio. A Dimensão da Magistratura no Estado Constitucional e Democrático de Direito: independência judicial, controle judiciário, legitimação da jurisdição, politização e responsabilidade do juiz. São Paulo:

Revista dos Tribunais, 1997.

legitimação da jurisdição, politização e responsabilidade do juiz. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.
Pronto, querido(a) aluno(a)! Você já relembrou os pontos essenciais do conteúdo para realizar um excelente

Pronto, querido(a) aluno(a)! Você já relembrou os pontos essenciais do conteúdo para realizar um excelente trabalho. Vamos a pratica? Afinal, esse é o objetivo do nosso NPJ!

Fique atento(a) às instruções que lhe daremos a seguir, elas lhe ajudarão a elaborar a peça processual que o examinador espera de você.

Pronto para começar a praticar?

Conteúdo você tem de sobra!

Agora só precisamos organizá-lo para começar a produzir, ok?

Qual o recurso cabível diante da decisão negativa do juiz de primeiro grau?

No papel de um promotor de justiça, vamos propor a medida adequada na comarca em que ocorreram os fatos.

Lembre-se, temos que buscar solução para o problema e providenciar vagas para o ensino fundamental. O que podemos fazer com os instrumentos que o direito nos propicia?

Quanto aos requisitos formais da sua petição, você precisa antes de tudo verificar se há alguma lei específica que regulamenta a questão, bem como aplicar as regras gerais previstas no Código de Processo Civil, ok?

Feito isso, você deverá:

1) Verificar qual o foro competente para o seu julgamento para fazer o correto endereçamento da peça.

2) Apontar corretamente o polo ativo e polo passivo da sua demanda, observando os fundamentos legais;

3) Apresentar a devida fundamentação legal;

polo ativo e polo passivo da sua demanda, observando os fundamentos legais; 3) Apresentar a devida
4) Narrar os fatos que embasam o seu pedido; 5) Enumerar os requerimentos e pedidos

4) Narrar os fatos que embasam o seu pedido;

5) Enumerar os requerimentos e pedidos da petição;

6) Não se tratando de uma petição inicial, não é necessário apontar o valor da sua causa, isso já foi feito;

7) Coloque a data e assine.

Agora é com você, aluno(a)!

O que o promotor Luiz deverá fazer agora?

feito; 7) Coloque a data e assine. Agora é com você, aluno(a)! O que o promotor

Mãos à obra!