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Maria Jacqueline Nogueira Lima

Profissão e
Formação Docente
Sumário
CAPÍTULO 4 – CULTURA ESCOLAR ..................................................................................05

Introdução.....................................................................................................................05

4.1 Cotidiano escolar .....................................................................................................05

4.1.1 Cotidiano escolar e contexto social....................................................................05

4.1.2 Como o professor pode contribuir para modificar a realidade

em favor dos seus alunos ..........................................................................................07

4.2 Influência da cultura escolar nas práticas e ações dos sujeitos........................................11

4.2.1 Cultura escolar e cidadania...............................................................................12

4.2.2 Moldando sujeitos sociais e novas práticas..........................................................13

Síntese...........................................................................................................................21

Referências Bibliográficas.................................................................................................22

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Capítulo 4 Cultura escolar
Introdução
Neste estudo, você compreenderá como a cultura escolar está inserida no contexto social e pode
ser determinante e definidora do processo de ensino e aprendizagem. Também identificará como
o cotidiano escolar pode contribuir ou não para o processo de ensino e aprendizagem. Verá
ainda de que forma a conduta do docente e de toda a comunidade escolar pode determinar
mudanças sociais e culturais positivas.

Você já se perguntou como a cultura escolar pode mudar um contexto social? Como o cotidiano
escolar pode contribuir positivamente para diminuir a evasão e a repetência escolar? E a cultura
escolar, realmente, pode determinar o futuro dos alunos? Estas são algumas das questões que
pretendemos elucidar neste conteúdo.

No primeiro tópico, você conhecerá e entenderá as práticas cotidianas na escola atual. Já no


segundo tópico, você verá como a cultura escolar, amparada na cultura geral, pode contribuir
para moldar os sujeitos sociais e as suas práticas.

4.1 Cotidiano escolar


O cotidiano escolar pode propiciar a melhora de perspectivas dos seus alunos conforme a me-
todologia adotada no processo de ensino e aprendizagem.

Nesse sentido, a atuação do professor e de toda a equipe da instituição é fundamental para pos-
sibilitar a permanência dos seus alunos na escola pelo tempo necessário para que concluam um
processo de formação que os leve a um futuro distinto do de seus pais – caso esses estudantes
sejam provenientes de um contexto social e econômico menos favorecido. Você sabe em que
momento e por que a evasão é um dos problemas mais comuns nas classes sociais mais pobres?
E por que as instituições, em larga medida, não conseguem conter esse ciclo de abandono na
maior parte das escolas do Brasil? Qual o papel do docente no sentido de mudar essa realidade?
Estas são algumas das questões sobre as quais você refletirá aqui.

4.1.1 Cotidiano escolar e contexto social


De acordo com Simon Schwartzman (2005), a educação no Brasil atualmente precisa ser contex-
tualizada antes de se pensar na necessidade de expansão do sistema escolar com mais escolas.
Além disso, o cotidiano e a cultura escolar ainda carecem de melhorias se comparados ao pa-
drão europeu, por exemplo.

A sua crítica contundente preconiza que o ensino deve, antes de tudo, resolver questões que lhe
são anteriores, como a falta de equidade no acesso à educação de qualidade e uma organiza-
ção realista da educação que atenda aos pressupostos que levem o país, de fato, ao caminho
de um desenvolvimento econômico-social adequado. Nesse sentido, a sua crítica e o seu ques-
tionamento sobre o quanto o Brasil precisa do ensino superior e sobre o que se espera que esse
ensino construa como premissa ao ensino básico necessário para a sua população vem a seguir:

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De quanto ensino o Brasil precisa e com que propósito? Podemos prontamente concordar com
que o ensino básico universal de qualidade é um requisito e uma exigência moral de todas as
sociedades modernas, pelo bem da equidade social, dos valores culturais e da funcionalidade
econômica. Também podemos concordar com que os governos deveriam se envolver no apoio
à educação de nível superior como fonte de conhecimento e competência para a sociedade
como um todo. (SCHWARTZMAN, 2005, p. 13-14).

Assim, quando se avalia o contexto escolar, o cotidiano ainda carece de aperfeiçoamentos – e


que cabem aos docentes, em larga medida. Esses profissionais precisam ter em conta que a edu-
cação se modifica somente com uma ação mais efetiva das políticas públicas governamentais
e também por meio das suas atitudes cotidianas diante dos desafios da formação de crianças
e jovens oriundos de uma realidade social e econômica desigual. O cotidiano escolar precisa,
portanto, contribuir para eliminar essas desigualdades desde o princípio.

É papel do professor, sim, enfrentar esse desafio. Quando se prontifica a ensinar, precisa pen-
sar no quanto pode contribuir para mudar a realidade social ao menos no contexto em que
se encontra em termos sociais, econômicos e geográficos durante a sua atuação profissional.
Os desafios da educação no Brasil são imensos e estão aí para quem os quiser ver. Cabe aos
docentes perceber em que medida podem remodelar essa realidade díspar. Além disso, devem
entender que as diferenças de ordem social, racial e econômica, entre tantas outras, precisam
ser dirimidas. O país precisa caminhar sem depender de programas de governo para que a po-
pulação que vive abaixo da linha da pobreza finalmente alcance a escolarização adequada, de
forma que a manutenção ou a sobrevivência das famílias resulte do produto do seu trabalho, e
não dependa de programas sociais.

Como você pode perceber, há um longo caminho a ser percorrido. Isso porque o contexto social
brasileiro não é igualitário na distribuição de recursos, entre os quais uma educação de quali-
dade a todos os indivíduos em idade escolar. A realidade social continua a produzir diferenças
gritantes no que tange ao acesso aos cursos universitários nas carreiras de maior prestígio, bem
como na qualidade do ensino básico público, deficitário em sua maioria.

Figura 1 – Cotidiano escolar na atualidade: a música como elemento construtor da cidadania.


Fonte: Shutterstock, 2015.

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Conforme demonstra Perrenoud (2002, p. 2), a escola e o cotidiano escolar passam por pro-
blemas que, muitas vezes, são estruturais e não se resolvem facilmente. Segundo esse autor, a
educação, enquanto parte de um contexto mais amplo, sofre como consequência desses mesmos
problemas:

Um professor de quarenta ou cinquenta anos poderia pensar, de boa fé, que o sistema educativo
que o emprega ‘tudo fez’ para eliminar o insucesso escolar e as desigualdades sociais com
que a educação se defronta: reformas estruturais, ciclos de orientação, desenvolvimento da
educação pré-primária, diversificação de vias de ensino além da escolaridade obrigatória,
modernização dos programas, ligação à vida, formação mais exaustiva dos professores,
audiovisuais e novas tecnologias, diálogo mais aberto com as famílias, respeito pelos direitos
dos alunos, sensibilidade em relação às diferenças culturais, apoio pedagógico, trabalho de
grupo pelos alunos, projectos das escolas, zonas de educação prioritária. À força de tanto se
ouvir falar, poderia mesmo acrescentar-se: avaliação formativa, pedagogia diferenciada, ciclos
de aprendizagem e abordagem por competências, imaginando que estas ideias já estão em
prática…
Desta abundância de medidas, somos tentados a concluir que se os insucessos escolares, os
abandonos a meio dos estudos e as desigualdades subsistem, se ‘a realidade resiste’ (Hutmacher,
1993), temos de nos render à evidência: chegamos ao limite dos nossos meios. Esta sensação
de impotência poderia apossar-se de nós tão mais facilmente quanto é certo que as finanças
públicas estão no vermelho e a desaceleração do crescimento económico permanece, se bem
que a fuga para a frente para novas reformas choca com interesses mais terra-a-terra: manter
o emprego e as condições de trabalho, fazer funcionar a escola num mundo em crise, onde a
intenção de instruir já não é um dado adquirido. A violência e a falta de civismo parecem, neste
final do século XX, preocupar mais os sistemas educativos do que o insucesso escolar. Como se
se tratasse de outro problema. (PERRENOUD, 2002, p. 1-2).

Diante do exposto, você pode compreender que a realidade exterior à escola reflete diretamente
na qualidade e no cotidiano escolar. Mas como se pode modificar esse ciclo? Esta é uma ques-
tão que remete à incansável boa vontade, entre outras qualidades, que os professores devem ter
para tanto.

4.1.2 Como o professor pode contribuir para modificar a realidade em


favor dos seus alunos
O cotidiano escolar é permeado por distintos modelos a serem adotados pelos docentes no pro-
cesso de ensino e aprendizagem. Esses modelos são determinados pela maneira como o sistema
de ensino é organizado, e os parâmetros curriculares são determinados conforme a legislação
vigente no país. Além disso, o professor pode adotar técnicas de ensino e aprendizagem que
sejam condizentes com o que acredita e que possam surtir efeitos positivos, elevando, de fato, o
conhecimento desses alunos.

A principal função do docente seria essa. No entanto, no contexto do cotidiano escolar, muitas
vezes, o processo de ensino e aprendizagem não pode ser conduzido da maneira desejável,
mas apenas da maneira possível. O professor pode mudar essa realidade e reorganizar esse
padrão atuando de modo que compreenda como os seus alunos se comportam diante de cada
metodologia de ensino aplicada com o objetivo de expor o conteúdo das disciplinas conforme
determinado no currículo escolar.

Há várias formas de modificar o cotidiano escolar em favor do processo de ensino e aprendiza-


gem. Por exemplo, se o cotidiano escolar é permeado por uma cultura de evasão e repetência,
compete ao professor aceitar o desafio de remodelar a realidade com metodologias adequadas
para tanto, o que implica um trabalho de pesquisa constante em torno das preferências e dos
desejos dos alunos em relação ao processo de ensino e aprendizagem.

O primeiro desafio seria equalizar os métodos de ensino com as necessidades dos alunos e com
as suas aspirações. Somente com a consideração desta, entre outras questões, o professor pode
obter sucesso no processo de ensino e aprendizagem.

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VOCÊ O CONHECE?
Pierre Bourdieu, um dos mais iminentes sociólogos de origem francesa no século XX,
trouxe importantes contribuições à pedagogia com as suas publicações sobre educação
e outros estudos da cultura escolar. Vale a pena pesquisar sobre alguns dos conceitos
que cunhou, sobre algumas questões apreendidas no ambiente cultural ou na comuni-
dade em que se vive, como o conceito de habitus, por exemplo. A sua contribuição à
sociologia (além de disciplinas como a sociologia da educação e a pedagogia), como
nos estudos sobre o poder simbólico, alçaram-no à categoria de uma das maiores in-
fluências nos estudos da cultura e educação em contexto mundial.

Considerando a realidade social existente no Brasil, o professor não pode deixar de tomar para
si uma responsabilidade que é sua e que deveria ser compartilhada entre todos os docentes, ou
seja, o compromisso de dirimir diferenças sociais, como, por exemplo, diferenças de raça/cor e
etnia, de gênero, entre tantas outras.

O processo de ensino e aprendizagem, portanto, deve ser um desafio a ser empreendido de


maneira constante e apresentado no cotidiano escolar como uma ferramenta que atenda ao
público-alvo para o qual é direcionada. Isso significa que não se pode pensar a educação como
a aplicação de um mesmo método a todos os alunos. Os contextos familiares, de renda, sexo,
etc. são diferenciados e devem ser observados no cotidiano escolar desde a origem. Somente se
o professor assumir esse papel é que pode orientar corretamente os seus alunos e modificar as
realidades social e econômica.

Figura 2 – O respeito às diferenças deve ser incentivado no cotidiano escolar.


Fonte: Shutterstock, 2015.

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O cotidiano escolar deve ser visto como um desafio constante a ser alterado em favor dos alunos,
de forma que o processo de ensino e aprendizagem produza os resultados esperados: redução
da evasão e da repetência, com melhora posterior das condições de vida dos alunos devido à
continuidade dos estudos.

Figura 3 – A escolarização é fator que contribui para a igualdade no cotidiano escolar.


Fonte: Shutterstock, 2015.

De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (2012, p. 117),

A educação é um bem coletivo essencial para a promoção da cidadania e apresenta um visível


impacto nas condições gerais de vida da população, o que a torna cada vez mais imprescindível
para a inserção social plena. Além disso, a educação é reconhecidamente a principal mediadora
de oportunidades existentes nas sociedades democráticas, participando de forma inequívoca na
determinação dos rendimentos do trabalho e da mobilidade social. Nesse sentido, a elevação
do nível educacional da população e a maior igualdade no acesso à educação de qualidade
devem ser objetivos prioritários das políticas públicas educacionais.

Contextualizando a questão do cotidiano e da cultura escolar, Alves (2003) nos brinda com a
ideia de que o cotidiano escolar pode ser modificado nos seus parâmetros “oficiais” com o intui-
to de fornecer aos alunos melhores condições de apreender o conteúdo curricular. Nesse sentido,
de acordo com Stenhouse (apud ALVES, 2003, p. 64):

[...] os professores, à medida que vão questionando suas diversas práticas, identificadas,
conhecidas e analisadas através de processos de pesquisa, são os que podem efetivar
intervenções no cotidiano das escolas, desenvolvendo alternativas às propostas oficiais. Essa
possibilidade/necessidade, Stenhouse e seus seguidores percebem-na a partir da compreensão
das diferenças culturais existentes em nossa sociedade.

Pensar em cotidiano escolar e em uma realidade social díspar, portanto, significa entender que
o papel do professor compreende um alcance muito maior do que ele próprio pode conceber,
mas que não pode negar: promover o conhecimento ainda que em ambiente permeado por di-
ferenças de toda ordem.

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Você verá, a seguir, um exemplo interessante sobre as possibilidades infinitas de os professores


conduzirem um processo de ensino e aprendizagem que leve ao sucesso escolar.

Caso prático
Em determinada escola da periferia de uma cidade do interior do Paraná, os alunos demonstra-
vam apatia e falta de vontade de prosseguir os seus estudos. Para tentar desconstruir esse qua-
dro, os professores se reuniram e propuseram a formação de grupos de estudos para entender
como poderiam melhorar o cotidiano escolar, promovendo ensino e aprendizagem de forma
satisfatória aos seus alunos.

Para tanto, os grupos de estudos (4 grupos de 3 professores cada) passaram a observar os seus
alunos e, posteriormente, compilaram as informações para determinar as características desses
alunos e as suas aspirações, além de como e quando se sentiam à vontade no ambiente escolar.
A partir do que colheram, os grupos de estudos se reuniram novamente e propuseram estraté-
gias, ou métodos de ensino e aprendizagem, que motivassem os alunos a aprender.

Após coletarem as informações que consideraram mais relevantes, os grupos se reuniram e che-
caram o conteúdo dos dados, comprovando que:

• os alunos, da comunidade local e muito carente, eram, em sua maioria, provenientes de


lares em que os pais tinham baixa escolarização;

• muitos desses alunos tinham dificuldades em fazer as tarefas de casa porque não tinham
ajuda dos pais;

• muitas vezes também não tinham como ir à escola por falta do passe escolar;
• muitospassavam boa parte do tempo, inclusive durante o período em que estudavam,
perambulando pelas ruas e já haviam tido contato com drogas ilícitas;

• além disso, a escola era um lugar, conforme relatos, que não os atraía porque não tinha
“nada de interessante para fazer”.

Diante dessas constatações, os professores decidiram propor formas de entreter os alunos no


ambiente escolar, mudando alguns hábitos do cotidiano da escola, como:

• instituir o reforço escolar;


• aumentar a carga horária em esportes, inclusive em horários distintos dos turnos escolares,
instituindo a prática desportiva como atividade corriqueira com possibilidade de inscrição
de alunos em competições oficiais;

• rever a maneira de expor o conteúdo e incentivar a maior participação dos alunos após
ouvir e registrar as suas preferências;

• promover debates e seminários entre as turmas, de forma mais frequente, sem deixar de
estabelecer a responsabilidade e a cooperação como limites a serem respeitados.

Essas intervenções, simples de serem implementadas, modificaram substancialmente o quadro


de permanência e evasão escolar e diminuíram a repetência. Os alunos esportistas passaram
a frequentar mais a escola – praticamente em período integral – e começaram a disseminar a
prática desportiva entre os demais, que aderiram rapidamente.

Além disso, a questão disciplinar – que sempre fora um problema – melhorou bastante. Os pais
dos alunos passaram a se envolver com os estudos dos filhos e com a escola. Os professores

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começaram, então, a planejar e a expandir o ensino noturno para jovens e adultos, visto que
muitos pais se interessaram em voltar a estudar.

A partir do caso exposto, você percebeu que o cotidiano escolar pode ser melhorado, e muito,
com as referidas práticas? E que essa mudança se reflete diretamente no desempenho escolar,
entre outros benefícios que produz para toda a comunidade escolar e do entorno da escola?

Como você pode notar a partir do que estudou, o cotidiano escolar é composto de meios distin-
tos: currículo escolar oficial com os seus conteúdos e parâmetros; estrutura da escola e condi-
ções de vida dos alunos e da comunidade no entorno da escola. Portanto, o cotidiano escolar de-
pende, também, de condições externas e pode se modificar caso não propicie aos seus alunos o
conhecimento adequado no que concerne à aprendizagem, devido a variáveis socioeconômicas,
por exemplo. Em outras palavras, o cotidiano escolar deve atender aos alunos. Nesse sentido, a
escola precisa atingi-los e resgatá-los a fim de que apreendam o conteúdo adequadamente. Isso
repercute na vida familiar, na vida econômica e em outras esferas relacionadas à sociabilidade
daqueles que frequentam a escola, diminuindo as chances de evasão e de repetência e propor-
cionando possibilidades reais de mobilidade social ao incentivar os jovens a não interromperem
os seus estudos.

A contextualização proposta no tópico que você estudou caminhou neste sentido: primeiro expor
a realidade e a sua influência sobre o cotidiano escolar e, em seguida, empreender esforços para
demonstrar como o cotidiano escolar pode ser recriado no intuito de produzir mudanças sociais
e, porventura, econômicas.

NÓS QUEREMOS SABER!


Como um professor pode promover uma mudança na cultura escolar e da comuni-
dade? Um bom exemplo aconteceu em São Paulo, capital. Nessa cidade, uma escola
abandonada foi reorganizada graças ao empenho de professores, da diretoria da esco-
la e de outros personagens, entre os quais ex-alunos do tempo em que a escola funcio-
nava em boas condições. Hoje, é considerada uma escola modelo e uma das primeiras
a receber um projeto piloto de escola em tempo integral no estado de São Paulo.

4.2 Influência da cultura escolar nas práticas e


ações dos sujeitos
O objetivo deste tópico é mostrar como a cultura escolar, amparada na cultura geral, pode
moldar sujeitos sociais e as suas práticas. A intenção é entender em que medida a cultura pode
ser disseminada a partir da escola com práticas cotidianas firmadas em um processo de ensino
e aprendizagem que promova a inclusão social de alunos provenientes de meios sociais sem
acesso a bens e serviços de qualidade, entre outras variáveis.

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4.2.1 Cultura escolar e cidadania


A cidadania relaciona-se com a cultura na medida em que a primeira precisa que o sujeito social
tenha conhecimento adequado do conteúdo dos direitos de cidadania para, assim, exercê-los
plenamente.

A cultura se insere nesse contexto por ser um elemento fundante de uma sociedade e está pre-
sente, portanto, no cotidiano escolar, ajudando a disseminar os costumes, os usos, as leis per-
tencentes a um povo ou a uma sociedade.

A cultura escolar, como elemento que propicie uma mudança, também pode funcionar como
motivador do exercício da cidadania, uma vez que o trabalho docente deve ser perpassado pela
ideia de que o aluno, ao ser guiado pelo professor na sua busca de conhecimento, aprende,
entre outros conteúdos, conceitos relacionados à cidadania – como igualdade, liberdade, de-
mocracia. Portanto, a cultura escolar deve funcionar, principalmente em uma sociedade como a
brasileira, que contém alto grau de desigualdades de todas as ordens, como meio de esclareci-
mento aos membros daquela comunidade, ou seja, os alunos.

Em decorrência disso, Stenhouse (apud ALVES, 2003, p. 64) enfatiza que

[...] os professores, à medida que vão questionando suas diversas práticas, identificadas,
conhecidas e analisadas através de processos de pesquisa, são os que podem efetivar
intervenções no cotidiano das escolas, desenvolvendo alternativas às propostas oficiais.

Ainda conforme Alves (2003, p. 66), as diferenças culturais exercem um papel determinante
sobre o tipo de intervenção que o professor deve fazer no sentido de formar os novos sujeitos
sociais diante dos quais realiza o seu trabalho, fomentando a percepção do outro como um di-
ferente, passível de não ser discriminado:

[...] ao mesmo tempo que reproduzimos o que aprendemos com as outras gerações e com as
linhas sociais determinantes do poder hegemônico, vamos criando, todo dia, novas formas
de ser e fazer que, ‘mascaradas’, vão se integrando aos nossos contextos e ao nosso corpo,
antes de serem apropriadas e postas para consumo, ou se acumulem e mudem a sociedade em
todas as suas relações. É, pois, assim que aprendemos a encontrar soluções para os problemas
criados por soluções encontradas anteriormente.

Compreender o universo da cultura escolar e a sua inserção dentro de um contexto de cultura


geral implica ao docente comprometer-se com a visão de pesquisador, de investigador da rea-
lidade social. Dessa forma, é possível lidar com uma realidade que pode ser adversa aos seus
alunos e fazer o papel daquele que dissemina novas práticas culturais com vistas a diminuir os
impactos futuros da diferenciação, seja ela social, racial ou de outro tipo, nas mentes dos seus
alunos. Um professor não acomodado na difícil tarefa de ensinar e empenhado a trabalhar de
um modo que ajude a promover um tipo de socialização que insira os seus alunos em um mundo
mais igual é portador de imenso poder – e precisa saber usá-lo. Para tanto, deve lançar mão da
metodologia de ensino adequada a cada público-alvo, com o que pode atingir os objetivos de
ensino e aprendizagem.

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Figura 4 – A metodologia de ensino deve ser aplicada conforme o perfil do aluno.
Fonte: Shutterstock, 2015.

Cultura e cidadania somente podem andar juntas se contarem com esse precioso apoio – o pro-
fessor no seu papel de “condutor de mentes” de forma positiva. A desigualdade e a diferenciação
podem começar a deixar de ser tão marcantes na vida de indivíduos oriundos de classes sociais
e de famílias em situação de risco social e que frequentam uma escola. Para tanto, a escola deve
propiciar que os alunos alcancem os objetivos de ensino e aprendizagem, ao mesmo tempo em
que promove a sua inclusão social, política e econômica. Afinal, se o conhecimento que a escola
dissemina faz parte de um rol de elementos que devem ser pensados para fomentar a economia
do país, melhor farão os seus professores se conseguirem fazer germinar entre os seus alunos
o desejo do saber e a busca do conhecimento. E mais: esclarecendo-os sobre o seu status de
cidadão (ou seja, sobre os seus direitos). Como formar sujeitos sociais sem tentar lhes propiciar
o conhecimento que os leve mais longe do que os bancos do Ensino Fundamental? Essa tarefa
ainda está por ser cumprida por muitos docentes Brasil afora.

NÃO DEIXE DE LER...


No livro Culturas híbridas, de Nestor Canclini (2013), muito utilizado na área de pe-
dagogia, o autor mostra um interessante estudo sobre a cultura na atualidade, mobili-
zando conceitos que servem para amparar e fazer entender como conduzir o trabalho
docente em um contexto em constante mudança cultural.

4.2.2 Moldando sujeitos sociais e novas práticas


A cultura escolar, como elemento de uma sociedade, é um componente a mais para produzir
mudança social. Mas você sabe como isso ocorre?

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Figura 5 – Escola e cidadania: criando, desde a infância, os sujeitos sociais.


Fonte: Shutterstock, 2015.

De acordo com Stuart Hall, uma questão pertinente que deve permear inclusive a atuação docen-
te diz respeito às mudanças sociais em curso em contexto global. Nesse sentido, as identidades
de cada sujeito tendem a se modificar e a escola não pode passar ao largo disso. Nessa pers-
pectiva, argumenta Hall (2006, p. 1)

A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social. Em essência, o


argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo
social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo
moderno, até aqui visto como um sujeito unificado. A assim chamada ‘crise de identidade’ é
vista como parte de um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e
processos centrais das sociedades modernas e abalando os quadros de referência que davam
aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social.

Se, conforme a argumentação do autor citado, as identidades estão em crise, o momento é


propício para que o professor insira os seus alunos, a partir da disseminação do conhecimento,
em um contexto social que favoreça a sua formação em caráter diferenciado em relação ao que
ocorria até então. Se a educação como tal pode proporcionar uma formação de caráter plural,
então o docente não pode se furtar a cumprir este que deve ser um objetivo do processo de
ensino e aprendizagem: ensinar os seus alunos a serem sujeitos sociais em consonância com os
novos tempos, em que a desconstrução de preconceitos está na ordem do dia.

O que é a cultura escolar senão uma parte desse amplo escopo da cultura geral de uma socieda-
de? No entanto, ela não abandona uma das suas principais funções: formar sujeitos sociais que
tenham como pressuposto a consecução dos objetivos da cidadania autonomamente constituída
sem precisar da tutela do Estado, como ocorre ainda hoje no Brasil.

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Figura 6 – Padrões de identidade cultural são um legado desde o homem primitivo.
Fonte: Shutterstock, 2015.

As identidades que compunham nossas faces sociais e que asseguravam nossa conformidade
com as necessidades objetivas da cultura estão entrando em colapso, porque conflitam com
mudanças estruturais e institucionais em curso (HALL, 2006, p. 1). Diante desse fato, mais uma
vez, a cultura escolar tem como papel fundamental a produção de identidades coletivas que
permitam aos alunos de cada escola lidar com as mudanças de forma positiva, exercendo plena-
mente os seus direitos e entendendo os seus deveres – principalmente em um contexto em que o
processo de identificação por meio do qual nos colocamos diante de nossas identidades culturais
tornou-se mais provisório, variável e problemático. Multiculturalismo e outras mudanças estão
em processo, e aos docentes cabe encaminhar os seus alunos para a compreensão desse mun-
do que se descortina, diante dos seus olhos, multifacetado como de fato é. Uma das primeiras
tarefas é desvelar o conceito de cultura no contexto atual, em que o multiculturalismo ainda não
está claro nas mentes dos sujeitos sociais (CANDAU, 2002, p. 126). Ainda conforme a autora, o
conceito como vem sendo trabalhado até bem pouco tempo tem problemas porque

[...] a concepção de cultura predominante nas propostas de educação multicultural aproxima-


se de uma perspectiva estática e essencialista, em que a cultura é vista como um conjunto
mais ou menos definido de características estáveis atribuídas a diferentes grupos e às pessoas
que se considera a eles pertencerem. Esta é uma realidade muito presente no imaginário dos
educadores e da sociedade em geral, que tendem a classificar as pessoas segundo atributos
considerados específicos de determinados grupos sociais. Questionar esta perspectiva é um
grande desafio. (CANDAU, 2002, p. 135).

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Profissão e Formação Docente

Figura 7 – O multiculturalismo global é outro elemento que deve permear o trabalho docente.
Fonte: Shutterstock, 2015.

NÃO DEIXE DE LER...


O filme Entre os muros da escola (2008) narra a história de professores que começam
a preparar o início das atividades letivas e se deparam com questões como diferenças
culturais em sala de aulas, o que tende a se desenrolar em conflito. A obra tem direção
de Laurent Cantant e pode ser assistida em: <http://www.filmesonlinegratis.net/assistir-
-entre-os-muros-da-escola-legendado-online.html>.

Ainda de acordo com Candau (2002, p. 135), o conceito de cultura carece de um tratamento
adequado no ambiente escolar, e o docente deve estar atento a isso visto que:

[...] a abordagem da educação intercultural, que parte de um conceito dinâmico e histórico


da(s) cultura(s), como processo em contínua construção, desconstrução e reconstrução, no
jogo das relações sociais presentes nas sociedades. Neste sentido, a cultura não é, está sendo
a cada momento. O interculturalismo, ainda pouco trabalhado pela literatura brasileira, supõe
a deliberada inter-relação entre diferentes grupos culturais.

Em outras palavras, a cultura escolar deve atender aos pressupostos de uma sociedade em mu-
dança, esclarecendo aos alunos de que se trata o termo cultura e como ela se insere na vida
de cada um, como, por exemplo, na disseminação de costumes locais, e em que medida isso
repercute na qualidade das relações humanas existentes a se firmarem enquanto tal, sem perder
de vista que compreender a cultura implica conhecer o diferente, o outro e saber lidar com esse
outro de maneira a respeitar a sua identidade cultural.

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Esses são elementos que não se dissociam da contextualização da cultura enquanto componente
curricular a ser trabalhado sempre no intuito de produzir sujeitos sociais capazes de lidar com
a diversidade. Os indivíduos devem ser imbuídos dos seus direitos de cidadania e entender que
estes fazem parte de um conteúdo que diz respeito a todos, independentemente do seu perten-
cimento a um grupo étnico ou racial distinto do seu. A escola é fundamental para disseminar a
igualdade e dar a entender o contexto de cultura em constante processo de mudança na atua-
lidade, fruto principalmente dos novos meios de comunicação e informação disponíveis a todos
(ou quase todos).

NÓS QUEREMOS SABER!


Aqui, uma relação de perguntas frequentes, recorrentes, ou, ainda, uma sigla, uma
data importante, um termo técnico. O objetivo desta vinheta é compartilhar dúvidas
frequentes em relação ao tema, e que podem, inclusive, servir de apoio ao tutor no
momento de mediar discussões e atividades colaborativas.

Conforme você estudou, a educação pode moldar os sujeitos sociais para que eles adentrem o
mundo globalizado de modo menos traumático por meio do esclarecimento, do conhecimento.
E a educação, como elemento fundamental para tanto, tem no professor o seu núcleo, pois um

[...] recurso importante é o comprometimento. Não pode haver melhoria significativa no


ensino em qualquer nível sem a participação efetiva e a emancipação dos professores dos
níveis fundamental, secundário e superior. O ensino é algo que se dá na interação cotidiana
entre professor e aluno ou não se dá de forma alguma, não obstante os avanços recentes da
educação através da informática, do ensino à distância e assemelhados. (SCHWARTZMAN,
2005, p. 38).

A interação é necessária especialmente no âmbito dos ensinos fundamental e secundário, daí a


importância do professor como ator social relevante na vida do seu aluno.

NÃO DEIXE DE LER...


Para aprofundar os seus estudos, no livro A identidade cultural na pós-modernidade, o
autor Stuart Hall discute os conceitos de identidade e cultura sob múltiplos aspectos.

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Síntese Síntese
Ao concluir este capítulo, você:

• compreendeu como o cotidiano escolar pode fomentar a melhora das relações sociais e
culturais entre distintos públicos;

• viu como os professores devem ser agentes de mudança na medida em que assumem o
papel de disseminadores do conhecimento que permita aos seus alunos adentrarem a
sociedade em que vivem em melhores condições – sociais, econômicas e outras – que os
seus pais;

• estudou como o cotidiano escolar pode favorecer a disseminação da cidadania e da


igualdade;

• entendeu como o cotidiano escolar é espaço de reafirmação da cidadania e da diferença


sem preconceitos de origem;

• observou como a escola é responsável direta pela formação de sujeitos sociais;


• identificou
que a escola pode ser determinante para a diminuição de desigualdade
socioeconômica;

• percebeu como a questão da cultura escolar é elemento fundamental para entender a


cultura geral e para auxiliar os alunos a compreenderem o âmbito da cultura enquanto
mudança constante de padrões;

• aprendeu como a cultura em geral pode ser entendida, logo, melhor compreendida
por aqueles que têm como docentes professores comprometidos em ensinar de forma
consciente e em ajudar a desconstruir uma realidade social adversa incentivando a
permanência e diminuindo a evasão pela adoção de uma postura proativa;

• conheceu, portanto, a importância do professor enquanto agente responsável por


formação de sujeitos sociais que entendam o contexto social global em que vivem e como
devem pautar a sua conduta pelos critérios da igualdade entre os diferentes.

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