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Maria Jacqueline Nogueira Lima

Temas selecionados da educação

Maria Jacqueline Nogueira Lima Temas selecionados da educação

Sumário

CAPÍTULO 1 – A Educação na contemporaneidade

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Introdução

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1.1 Desigualdades e acesso à educação

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1.1.1 Desigualdade social no Brasil

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1.1.2 Educação e desigualdade de cor/raça

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1.1.3 Desigualdade de Gênero

08

1.2 A educação na cidade e no campo

09

1.2.1 Educação e sociedade

09

1.2.2 Educação na cidade e no campo: vocação e trabalho docente

12

1.3 Educação e Novas tecnologias da Informação e Comunicação

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1.3.1

Cultura, Educação e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação

14

1.4 Educação como elemento definidor da cidadania: abordagens a partir da cidade e do campo

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e o uso das tecnologias da Informação e Comunicação

1.4.1 Educação, Cidadania Nacional e Cidadania Global: algumas imbricações

17

1.4.2 Educação e cidadania local: a cidade e o campo

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Síntese

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Referências Bibliográficas

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030303

Capítulo 1

A Educação na

contemporaneidade

Introdução

Este capítulo abordará a temática da Educação na contemporaneidade. A questão das desigual-

dades e o acesso à educação são abordadosno primeiro tópico, contextualizando a desigualdade social e as consequentes desigualdades de cor/raça e gênero. No segundo tópico,abordaremos

a questão da educação na cidade e no campo. Nesse tópico, buscaremos entender os modelos

educacionais vigentes no Brasil a partir da Constituição Federal de 1988 e da Lei de Diretrizes e

Bases da Educação, de 1996, em uma perspectiva de cunho universalista e humanista no caso específico da escola no campo como modelo aplicado por trabalhadores rurais sem-terra e que procura instigar o ideal da cidadania entre os alunos que frequentam tais escolas. Com o modelo da escola na cidade, de cunho também universalista como determina a lei, buscaremos compre- ender em que medida a educação tem reunido recursos em termos de material e pessoal docente com capacidades e capacitação adequadas aos desafios que lhes são colocados em ambiente que é produto de meio social extremamente desigual, principalmente com relação ao tratamento dado a negros e mulheres. A ideia básica que permeia a abordagem é instigar o aluno a buscar mais dados sobre essa realidade que enfrentará ou talvez já enfrente no seu dia a dia como do- cente. No último tópico, vamos tratarda educação e sua relação com as novas tecnologias da in- formação e comunicação, da educação como elemento que pode definir a cidadania e os rumos de uma nação dado seu caráter formador, amparada, na atualidade, pelas novas tecnologias.

1.1 Desigualdades e acesso à educação

Você se lembra de ter percebido em algum momento que o acesso à educação no Brasil se dá de modo diferenciado? Como isso ocorre e por quê? Saberia dizer se renda e classe social são

alguns dos principais determinantes para isso ou se o sistema educacional sozinho faz isso? Bem,

se você ainda tem dúvidas sobre o assunto desigualdade e acesso à educação, nosso percurso

neste tópicoprocura saná-las. Nesse sentido, abordaremos a questão de desigualdade social no Brasil e algumas das suas diferentes faces como a desigualdade de cor/raça, além do efeito da diferenciação social de origem na renda e por consequência da classe social determinando o acesso a uma educação de boa qualidade ou não. Além disso, poderá compreender como a organização do sistema educacional, influenciado fortemente pelo sistema social no qual está inserido, tende a se mostrar desigual na realidade a ser observada.

1.1.1 Desigualdade social no Brasil

A desigualdade social no Brasil, objeto de vários trabalhos em Sociologia, é um tema recorrente

na área. No que concerne ao âmbito educacional, mostra-se mais visível no que tange a alguns estratos específicos da população brasileira como cor/raça.

O termo desigualdade social remete ao termo estratificação social. Este último significa o lugar

onde o indivíduo se situa na sociedade conforme o ponto de vista, seja econômico, político ou social. Essa estratificação se localiza no campo profissional e no campo étnico, entre outros. A desigualdade social, nesse sentido, significa que o indivíduo não conseguiu, devido a sua ori-

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gem social ou sua escolha profissional, atingir um patamar que o localize de modo aceitável na pirâmide social, ou no lado mais acima ou “abastado” da pirâmide social, do ponto de vista da renda e do padrão de conforto que consegue obter. A desigualdade social observada no Brasil se refere prioritariamente a cor/raça, gênero e classe. Conforme a Síntese de Indicadores Sociais de 2009 (p. 26), dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tratar de temas sociais no Brasil significa observar sempre a questão das desigualdades espaciais, de renda e de oportunidades, características da sociedade brasileira. Nesse aspecto, podemos perceber como a desigualdade de oportunidades acaba gerando diferenciação social na escola, na medida em que o acesso à educação por indivíduos oriundos de grupos étnicos, como os negros, visto que o caráter universalista da escola brasileira na atualidade não tem como assimilar as diferenças de origem de maneira satisfatória ao ponto de dirimir as diferenças sociais a partir da escolarização.

Dito de outro modo, a escola, de caráter universalista, que tem seu acesso ampliado de forma excepcional a partir dos anos de 1990 principalmente, não consegue dirimir as diferenças sociais entre brancos e negros, pobres e ricos frequentando o mesmo sistema de ensino. As constatações desse fato estão nas diversas pesquisas sobre o tema no Brasil e no exterior, além de constarem de modo elucidativo na Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE. Alguns dos dados coletados indi- cam a diminuição do analfabetismo no Brasil desde a década de 1999 até 2009 (de 13,3% para 9,7%), ainda que as diferenças entre analfabetos de origem branca (5,9% do total da população) sejam bastante significativas se comparados aos de origem negra (13,3% da população) e parda (13,4% da população). Quanto aos analfabetos funcionais (pessoas com menos de quatro anos de estudo ou que não concluíram a 4ª série do Ensino Fundamental), o indicador, que abrange parte da população de 15 anos ou mais de idade no País, apurou que sua concentração maior está entre negros (25,4%) e pardos (25,7%), e entre os brancos atinge o percentual de 15%.

Portanto, entender a desigualdade social no Brasil implica conhecer ao menos alguns dos meca- nismos que a compõem como a desigualdade de raça/cor ou gênero para citar alguns. Os indi- cadores de renda e pertencimento a determinada classe social somente corroboram o contexto dessa desigualdade que existe no País e se reflete na educação.

desigualdade que existe no País e se reflete na educação. Figura 1 - Desigualdade de rendimentos
desigualdade que existe no País e se reflete na educação. Figura 1 - Desigualdade de rendimentos
desigualdade que existe no País e se reflete na educação. Figura 1 - Desigualdade de rendimentos

Figura 1 - Desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres. Fonte: Shuterstock, 2015.

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1.1.2 Educação e desigualdade de cor/raça

A desigualdade social no Brasil é composta, como dito, de vários indicadores, como os de cor/ raça e gênero. Nesse âmbito, convém relembrar que a desigualdade de cor/raça é constitutiva da realidade brasileira desde a fundação, ou seja, desde o descobrimento. A desigualdade de cor/raça foi construída a partir da escravidão dos negros no País (que durou até 1888, quando foi promulgada a Lei Áurea). ALei Áurea aboliu a escravidão dos negros, mas não os libertou das amarras da desigualdade.

O caráter universalista da escola ou da educação que se adota no Brasil, principalmente a partir dos anos de 1990, tem reflexos nas matrículas no Ensino Fundamental, que na atualidade se encontram acima da casa dos 90% de crianças em idade escolar matriculadas. No entanto, a dinâmica da adesão ao sistema escolar não reflete a realidade social como um todo. Isso signi- fica que a simples matrícula não diminui desigualdades preexistentes como as de cor/raça. Pelo contrário, o fato de cada indivíduo proveniente da raça branca e negra ter identidades sociais diferenciadas indica por si só a existência da desigualdade na escola que se pretende e que tem em seus parâmetros a universalização como meta. Dito de outra maneira, os parâmetros curri- culares nacionais baseados na legislação em vigor na educação, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, entre outros, não têm claro como meta dirimir essas desigualdades que se apresentam nas escolas e muitas vezes interferem no desempenho escolar, como mostram várias pesquisas nesse sentido.

escolar, como mostram várias pesquisas nesse sentido. Figura 2 - Muro “virtual” que separa brancos e
escolar, como mostram várias pesquisas nesse sentido. Figura 2 - Muro “virtual” que separa brancos e
escolar, como mostram várias pesquisas nesse sentido. Figura 2 - Muro “virtual” que separa brancos e

Figura 2 - Muro “virtual” que separa brancos e negros no acesso à educação no Brasil. Fonte: Shutterstock, 2015.

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Temas selecionados da educação

Temas selecionados da educação NÃO DEIXE DE LER BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira. Desigualdade e desempenho:

NÃO DEIXE DE LER

Temas selecionados da educação NÃO DEIXE DE LER BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira. Desigualdade e desempenho:

BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira. Desigualdade e desempenho: uma introdução à sociologia da escola brasileira. Belo Horizonte: Argumentum, 2009.

É a publicação de resultados de pesquisa com alunos da rede pública no município

de Belo Horizonte – MG. A pesquisadora empreende esforços no sentido de entender

o peso de variáveis como a família (pais), o empenho de professores e diretores de

escolas no cotidiano escolar, entre outras, para compreender o efeito destas no de- sempenho dos alunos da educação básica no Brasil (a amostra era representativa da população brasileira em idade escolar na 4ª série do ensino fundamental, por isso se pode fazer generalizações nesse sentido).

por isso se pode fazer generalizações nesse sentido). Assim como outros estudos, a pesquisa citada tenta

Assim como outros estudos, a pesquisa citada tenta entender em que medida a cor/raça pode ser determinante da desigualdade social. Visto que comprovadamente os dados do IBGE dizem da existência dessa desigualdade conforme a cor ou raça do indivíduo em suas séries históricas tanto da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios, que é anual, quanto em pesquisas como o Censo (realizado de 10 em 10 anos), entre outras. Esses estudos, entre outras questões, enfatizam a importância de se entender os possíveis mecanismos de exclusão que pudessem funcionar no interior das organizações escolares, segundo Barbosa (2009, p. 27), de modo a continuar a produzir desigualdade social. Essa desigualdade, que está de maneira mais premente nas periferias dos grandes centros urbanos, portanto nas escolas dessas periferias, por agrega- rem profissionais com qualificações diferenciadas em relação aos que atuam em zonas mais centrais nos grandes centros e em relação aos estratos sociais que vivem nessas periferias, em sua maioria negros ou pardos, reflete-se na qualidade da educação e propicia um círculo vicioso que continua a produzir desigualdades.

Importante atentarmos para a questão central que aqui se coloca: a desigualdade de acesso a bens que deveriam ser universais, como a educação de qualidade para todos, conforme deter- mina a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 206.

1.1.3 Desigualdade de Gênero

A desigualdade de gênero como desigualdade de cor/raça é um fator que é preponderante na

sociedade brasileira. Nada como os dados do IBGE para demonstrar essa realidade nem um pouco lisonjeira para o País quando comparamos as diferenças entre os salários percebidos por pessoas do sexo masculino e feminino nas mesmas funções e com os mesmos anos de estudos. Conforme os dados da PNAD 2009, o rendimento médio das mulheres ocupadas em emprego formal de 16 anos ou mais de idade era de R$1.131,40, enquanto a média dos homens ocupa-

dos nas mesmas condições era de R$1.529,50. Já com relação ao trabalho informal, a média das mulheres era de R$518,70 e dos homens, de R$821,20. Dados mais recentes indicam que

a diferença de salários diminuiu, mas ainda persiste.

A desigualdade de gênero não é preocupante apenas em termos de Brasil, mas em termos mun-

diais. Devido a isso, a Organização das Nações Unidas criou em 2010 a Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), tendo como principais objetivos aumentar os esforços para a promoção da igualdade de gênero, expandindo

oportunidades e combatendo a discriminação de gênero em todo o Planeta.

Como podemos observar, ambos os tipos de desigualdade refletem o processo educacional,a partir da percepção de que os problemas que são gerados também no interior das instituições educacionais como parte de um todo social hierarquizado mostram as diferenças observadas

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entre brancos e negros, homens e mulheres, quando se comparam os anos de estudos entre os dois gêneros e as duas raças.

O

intuito é que o aluno entenda um pouco mais o tema da desigualdade de cor/raça e gênero e

o

que essa desigualdade propicia em termos de atrasos ao País, além do que objetivamos que se

sinta provocado a se aventurar em pesquisar sobre o tema, que é rico em resultados como livros

e artigos científicos disponíveis através dos diversos meios.

1.2 A educação na cidade e no campo

Neste tópico, temos como objetivo entender como se dá a educação no campo e as suas dife- renças em relação à realidade das áreas urbanas. Nesse contexto, buscamos compreender as especificidades de cada ator social envolvido na dinâmica escola-cultura, entendendo a escola como fator de disseminação da cultura, portanto como meio através do qual o indivíduo é socia- lizado para apreender os conteúdos que teoricamente seriam mais importantes na sua vida em sociedade. Diante disto, a discussão a ser empreendida passa pelos modelos diante dos quais

a educação no Brasil tem se pautado para formação desses sujeitos no âmbito da cidade e do

campo. Assim, cabem algumas questões como: você já se perguntou qual o papel da escola no campo? Ela exerce papel civilizador ou é somente mais um elemento sem muito sentido na vida do cidadão oriundo daquela realidade social? Como a educação deveria tratar ambos os sujeitos sociais: o indivíduo que vive no campo e o que vive nas zonas urbanas? São essas as in- dagações que se pretende problematizar neste capítulo, com a exposição de legislação e teorias que enfocam o problema.

1.2.1 Educação e sociedade

A educação no contexto de uma sociedade deve ser planejada de forma que essa mesma so-

ciedade possa evoluir de modo contínuo na expansão dos benefícios que o conhecimento pode trazer tanto em termos do conhecimento em si, que já é um bem valioso, quanto em termos de

produção de melhores condições para os indivíduos e a sociedade, visto que a educação melho-

ra os rendimentos do trabalho em não desprezíveis percentuais de 15% a cada ano de estudos,

conforme divulgado pela Fundação Getúlio Vargas e pelo IBGE. Nesse contexto, a escolarização do brasileiro, que tem aumentado em anos de estudo, tem propiciado melhorias nos rendimentos do trabalho assalariado, comprovando que a educação como consequência produz melhorias

na qualidade de vida em decorrência dos melhores ganhos salariais. Essa questão pode ser mais bem visualizada se entendermos como evoluíram os rendimentos do trabalho feminino em anos como 2003, 2004, 2005 e 2011, em perspectiva comparada com os rendimentos do trabalho masculino conforme os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego nas principais regiões metropolitanas do País, desenvolvida pelo IBGE.

Conforme os dados das tabelas a seguir demonstram, a população feminina ocupada com 11 anos ou mais de estudos aumentou nos anos de 2003 e 2011. Do mesmo modo, embora não na mesma proporção, o rendimento do trabalho aumentou, exceto em momentos de crise em que houve uma retração dos rendimentos assalariados. Outra observação importante a respeito dos

dados das tabelas diz respeito à desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres, diferen-

ça essa que persiste apesar da maior escolarização das mulheres frente aos homens.

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Temas selecionados da educação

Profissões

2003

2011

2003

2011

 

Mulheres

Homens

Militar ou func.Público

48,3

60,6

31

40,9

Empregado com carteira setor privado

17,4

22,5

10,4

13,5

Empregado sem carteira setor privado

9,5

14,6

5,5

9,5

Conta própria

12,3

15,9

8,9

11,7

Empregadores

36,7

40

28,5

31,1

Tabela 1 - Participação da população ocupada com 11 anos ou mais de estudo, por posição na ocupação e por sexo (%) – (2003 e 2011)*.

Fonte: Adaptado de IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Mensal de Emprego 2003-2011.

*Média das estimativas mensais.

Sexo

Ano

2003

2004

2005

2011

Masculino 1.519,07 1.500,46 1.524,27 1.857,63 Feminino 1.076,04 1.065,90 1.084,59 1.343,81
Masculino
1.519,07
1.500,46
1.524,27
1.857,63
Feminino
1.076,04
1.065,90
1.084,59
1.343,81

Tabela 2 -Rendimento médio real do trabalho das pessoas ocupadas, por sexo (em R$ a preços de dezembro de 2011) – 2003 - 2011*.

Fonte:Adaptado de IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Mensal de Emprego 2003-2011.

*Média das estimativas mensais.

Conforme demonstrado anteriormente, a escolarização faz diferença em termos de rendimentos do trabalho assalariado, embora de forma desigual conforme o sexo. Como a diferença salarial

existe, podemos entender que a renda familiar mensal tende a propiciar melhores condições ge- rais de vida a essa população que adquire mais conhecimento. Nesse sentido, essa melhora não

se encontra somente no meio urbano, mas também no meio rural, visto que o período citado foi,

com exceção de períodos de crise, período de crescimento econômico vigoroso do País, que se refletiu na melhora das condições da população do campo e da cidade. Portanto, a educação promove não só a melhora do indivíduo, mas da sociedade como um todo, e nessa perspectiva deve ser pensada e planejada conforme determina a legislação corrente, entre elas o documento de referência da Conferencia Nacional de Educação do Ministério da Educação (MEC). O MEC buscou referenciar a educação como o lócus da qualidade e da gestão exercida de maneira de- mocrática, de modo a atender às necessidades do seu público-alvo, os estudantes.

O documento gerado como referência da Conferência Nacional de Educação do MEC em 2009

tratou da questão da educação sob o aspecto da qualidade amparada no tema da gestão demo- crática e da participação, conforme Gadotti (2013). Nessa perspectiva, a educação que prima pela qualidade deve considerar seu público-alvo como elemento fundamental para definir os rumos dessa nova escola. A educação na cidade e no campo, a partir dessa perspectiva e de suas próprias especificidades, não pode ser unívoca, igual em pressupostos e definições, visto que seu público-alvo é bastante distinto, embora também não deva levar em conta somente as demandas desse público. É preciso considerar a educação como formadora de cidadãos e cida- dãs membros de uma sociedade ou todo social com suas regras.

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Maria Jacqueline Nogueira Lima

A educação no campo como exemplo do que poderia ser pensado tem se mostrado ao longo da

década de 1990 e dos anos 2000 como uma experiência de socialização que considera os indiví- duos em sua totalidade, em sua relação estreita com o ambiente do campo. Essa experiência pode ser localizada nos modelos de escolas rurais implementados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), no processo de alfabetização das crianças oriundas dos acampamentos em várias partes do País.

oriundas dos acampamentos em várias partes do País. Figura 3 - A educação plural na cidade
oriundas dos acampamentos em várias partes do País. Figura 3 - A educação plural na cidade
oriundas dos acampamentos em várias partes do País. Figura 3 - A educação plural na cidade

Figura 3 - A educação plural na cidade e no campo como formadora do cidadão. Fonte: Shutterstock, 2015.

O disposto no artigo 206 da Constituição Federal de 1988 preconiza em seu segundo princípio

a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; e no

terceiro, a necessidade de que haja o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas. Nes-

se sentido, a Constituição Federal dá importante passo para reconhecer que a educação deve

ser plural na medida em que seu público-alvo é diferenciado, principalmente se consideramos cidade e campo. Portanto, concordando com autores como Forquin (1997), a escola deve ser o local onde se considere a oferta de uma cultura original, que por um lado considere a demanda

cultural social sem, no entanto, servir somente a este fim. Desse modo, a escola deve estar atenta

às demandas da sociedade em seu entorno sem desprezar os conteúdos essenciais e necessários

a uma formação plural. E mais do que isso, entender a escola significa entender e partilhar o

significado da educação, que em sentido amplo, “[

deve ser entendida como elemento partí-

cipe das relações sociais mais amplas, contribuindo contraditoriamente para transformação e a manutenção dessas relações” (GADOTTI, 2013, p. 3).

]

a manutenção dessas relações” (GADOTTI, 2013, p. 3). ] NÃO DEIXE DE VER O documentário: Pro

NÃO DEIXE DE VER

relações” (GADOTTI, 2013, p. 3). ] NÃO DEIXE DE VER O documentário: Pro dia nascer feliz

O documentário: Pro dia nascer feliz (2009). O documentário retrata o cotidiano es- colar de estudantes de escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco e transmite a ideia de quanto o cotidiano e a formação escolar podem ser determinantes na formação do indivíduo. Esse documentário está disponível em formato completo no site: <http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/01/02/

conheca-10-filmes-inspiradores-sobre-educacao/>.

site : <http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2013/01/02/ conheca-10-filmes-inspiradores-sobre-educacao/>. 11

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Temas selecionados da educação

1.2.2 Educação na cidade e no campo: vocação e trabalho docente

No âmbito da escola no campo, as práticas educativas antes relegavam a educação dos oriun- dos do meio rural, como se para estes não houvesse a necessidade da formação escolar como

se praticava no meio urbano. A concepção era a de que as crianças que vivem no ambiente

rural não precisariam de uma educação formal devido ao fato de lidarem com a natureza, que teoricamente não demandaria grande conhecimento que a escola propiciaria. Até o presente, a prática no meio rural das escolas multiseriadas é uma realidade. Dessa forma, a educação como

processo de socialização que demanda apreensão de conteúdos distintos de distintas disciplinas

e conforme determinam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) conforme a série/ano, não

podia ser seguida a risca no meio rural, tanto pela ausência de professores em número suficiente para atender à demanda da zona rural quanto pela ausência de formação adequada desses pou- cos docentes. Também porque sempre se considerou que o meio rural não carecia dos mesmos fundamentos escolares ou culturais que o meio urbano. A realidade da zona rural ainda é bem parecida com esse quadro em regiões como norte de Minas Gerais e interior do Nordeste. No entanto, algumas modificações têm despontado como alternativas legítimas à socialização em âmbito escolar desse estrato da população como a já citada experiência dos trabalhadores ru- rais sem-terra, que criaram as Cirandas da Educação, escolas fixas ou itinerantes montadas nos acampamentos, assentamentos e nas reuniões para atender a crianças na faixa de 0 a 10 anos. Tal experiência, tendo os próprios sem-terra como educadores, provocou modificações em mui- tos dos municípios onde se inseriram, de forma que as políticas públicas em educação pudessem

contemplar a entrada posteriordessas crianças no sistema educacional dessas localidades. Esses foram e são mecanismos de adaptação a novos tempos e demandas em educação no campo. A ideia que permeia a educação entre os sem-terra é da pluralidade de conteúdos para a formação cidadã, não somente para lidar no meio rural, com a terra ou o manuseio de animais.

O

ideal pedagógico da escola vocacionada, conforme Antonio e Lucini (2007), ainda persiste

no

Brasil, no entanto algumas iniciativas como as já citadas têm dado importância diferenciada

à ideia de que a educação do campo deve atender às demandas específicas do campo somente.

Tanto dentro dessa perspectiva quanto dentro da perspectiva da educação na cidade, outro pon-

to importante se coloca: o profissional de educação ou docente deve ter um conhecimento mais

abrangente possível da realidade escolar, quando falamos das licenciaturas especificamente. Portanto, antes da saída da universidade, é fundamental para os futuros professores entenderem que, além dos problemas pedagógicos, irão se deparar frequentemente com os problemas so- ciais do País como os oriundos de desigualdade social como a de cor/raça. E isso somente pode ser mensurado na media em que se aproxime o ensino superior da educação básica de forma mais corriqueira, não somente nos períodos de estágio curricular. Como se pode fazer isso? São vários os tipos de metodologias para tanto. Uma delas muito utilizada na antropologia seria a observação participante, método diante do qual o pesquisador é também ator social porque realiza seu trabalho e ao mesmo tempo interage com seu objeto.

seu trabalho e ao mesmo tempo interage com seu objeto. VOCÊ O CONHECE? Paulo Freire (1921-1997),

VOCÊ O CONHECE?

e ao mesmo tempo interage com seu objeto. VOCÊ O CONHECE? Paulo Freire (1921-1997), educador brasileiro

Paulo Freire (1921-1997), educador brasileiro de renome internacional foi um dos principais articuladores de uma pedagogia que imprimisse ao educando a capacidade crítica, de caráter mobilizador. Sua pedagogia crítica implicava, entre outras, que o processo educativo fosse amparado na ação, que a educação seria em princípio polí- tica por sustentar em suas formulações um modelo de sociedade e Estado. Para saber mais, acesse o site: <http://www.paulofreire.org/>

e Estado. Para saber mais, acesse o site : <http://www.paulofreire.org/> 12 Maria Jacqueline Nogueira Lima

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Maria Jacqueline Nogueira Lima

No que concerne à educação na cidade, segue as normas regulamentadoras dos PCNs e tentam

se adaptar aos novos tempos conforme são expostas a novas metodologias e os modelos insti-

tucionais que preconizem a formação plural, que passou a receber maior importância em con- sonância com o que dita a Constituição Federal de 1988 e a legislação pertinente à educação no País. Como se pode verificar, a ideia da educação pluralista é difundida entre educadores e escolas, mas várias pesquisas indicam que ainda há muito a se fazer no sentido de promover essa formação que ajude a constituir sujeitos sociais e políticos dotados de saberes e conhecimentos que façam a diferença para si e para o País. A dissonância entre legislação e prática ainda é muito grande, principalmente no âmbito da educação pública, salvo raros exemplos como as escolas federais de ensino básico que disseminam educação de qualidade. As escolas federais buscam se adequar e se aprimorar dentro de parâmetros atuais.

Também dentro desse amplo espectro da educação no campo, iniciativas da chamada educa- ção popular visam disseminar práticas que não só aquela da educação vocacionada do homem do campo, mas de uma educação pautada pelo compromisso com os interesses e a ascensão das chamadas “classes subalternas”. Nesse sentido, os movimentos operários que começaram

a florescer pouco antes da Proclamação da República, conforme Paludo (2001), seriam os pre-

cursores dessa educação popular com a criação de bibliotecas populares e outros meios para ampliar o conhecimento e a aprendizagem das classes populares. A educação no campo, a partir do diálogo dos atores sociais envolvidos e dos vários municípios do País que tentam acolher essa demanda na atualidade, incorpora essa preocupação com uma formação plural dos sujeitos.

As escolas na cidade, ao contrário, muitas vezes se pautam pela ideia do desempenho escolar

como essencial. No entanto, a premissa da necessidade do desempenho esbarra em outras va- riáveis que determinam o desempenho e o caminho diante do qual educadores e escolas têm

de se guiar para ofertar educação de qualidade a um público-alvo diversificado e muitas vezes

alvo de discriminação, como no caso de negros e pardos. Em que pesem os parâmetros e o Plano Nacional de Educação, a educação na cidade ainda é deficitária porque não apreendeu

o suficiente sobre o sujeito para o qual é direcionada. E como chegar a implementar a política

pública adequada para que esse sujeito não desista no meio do caminho, como mostram as estatísticas referentes a desempenho escolar e abandono na rede pública principalmente? Nesse viés, as carências são as mesmas observadas no campo: poucos e mal formados profissionais

nas licenciaturas, além de baixos salários e outras vicissitudes da profissão docente que desen- corajam a maior parte dos profissionais. No ensino privado e em algumas instituições como os institutos federais de educação ainda se encontram boas condições para se empreender a tarefa

de ensinar e aprender, mas ainda assim nada em educação no Brasil se compara ao que investe

e aplica o Japão ou a China na área.

1.3 EducaçãoeNovastecnologiasdaInformação e Comunicação

O objetivo deste capítulo é discutir o quanto a educação tem sido favorecida ou não pelo atual

contexto em que as novas tecnologias da informação e comunicação dominam as relações so- ciais de modo jamais visto antes. Nessa perspectiva, pensar a educação desvinculada dos recur- sos da internet faz sentido? Como os alunos da educação básica das grandes cidades e mesmo do campo conseguiriam complementar seus estudos e suas pesquisas caso não tivéssemos a internet? No entanto, esse advento das tecnologias pode ter outro lado, o lado negativo, o de facilitador das “colas” que deterioram o processo de ensino e aprendizagem se o estudante não tem uma visão crítica do conteúdo que tem ao seu dispor e se utiliza deste de maneira que toda a sua vida escolar seja na base do copiar e colar. Como as escolas lidam com a inserção das novas tecnologias da informação e comunicação no cotidiano escolar? Essa pode ser uma ferramenta adequada para melhorar o processo de ensino e aprendizagem? A educação a distância exerce plenamente esse papel? Todo esse conteúdo será exposto nos tópicos a seguir.

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Temas selecionados da educação

1.3.1 Cultura, Educação e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação

A cultura é um dos elementos definidores de uma sociedade que tem nos costumes de seu

povo os princípios que determinam o modo como essa sociedade se organiza. Como contexto,

a cultura é determinante, para cada indivíduo, das características que são comuns ao seu lo-

cal de moradia e vivência. Não faz muito tempo, a cultura do povo tinha características muito mais específicas ou definidas do que as observadas na atualidade. O que determinou mudan- ças no padrão cultural em todo o Planeta é um fenômeno que veio com as novas tecnologias da informação e comunicação, a globalização, principalmente em sua face econômica. Como consequência desse processo que transformou as distâncias em meras demarcações de cunho político-territorial que o mundo virtual consegue superar com um click, houve uma maior troca de informações entre distintos povos e nações, entre distintas culturas.Desse modo, houvesse uma maior influência entre povos e culturas, produzindo um novo estado de coisas que tornaram a cultura muito mais heterogênea do que antes.

Nesse contexto, a educação tende a se beneficiar das novas tecnologias da informação e co- municação conforme o ponto de vista que se assuma para tanto. Conforme Castells (1999), o advento da sociedade em redes facilitou e ao mesmo tempo construiu um novo estado de coisas que modificou substantivamente o padrão cultural no mundo. Desse modo, não é estranha a troca de informações entre indivíduos oriundos do Brasil e da Mongólia em questão de segundos via mundo virtual. Nesse sentido, a educação tem dado importantes passos rumo a uma pers- pectiva mais globalizada,visto que, além dos conteúdos que são basicamente os mesmos, outros elementos têm sido observados de modo a favorecer essa troca de informações constante entre

culturas distintas via mundo virtual. O mundo está conectado e a educação se serve disto, para

o bem ou para o mal.

No mundo virtual atual, os índios em processo de alfabetização (aqueles que frequentam uma

rede de ensino) no interior da floresta amazônica têm acesso ao mesmo conteúdo programático que um aluno da rede pública ou privada de São Paulo via internet ou outras tecnologias da informação e comunicação. Nesse mundo virtual há pouco espaço para as enciclopédias Barsa, que foram fonte de pesquisa de muitos na faixa dos 40 anos nos anos 2000. O mundo em que

a pesquisa era na biblioteca do mundo real ainda persiste, mas na educação básica isso não

tem o mesmo peso que ainda tem no ensino superior, embora nesse caso também já se utilize fartamente do meio informacional para efetivação dos estudos.

A realidade da Educação a Distância (EaD) enfatiza isso, inclusive. O contexto da educação no

Brasil, dadas as suas dimensões continentais, inclusive, pede o auxílio desta que pode ser uma ferramenta positiva no processo de ensino e aprendizagem.

A tecnologia usada para o apoio à educação formal só traz benefícios nesse mundo virtual em

que o acesso à informação e ao conhecimento rápido e preciso é essencial à sobrevivência no mundo. A EaD como meio para que se complemente o processo de ensino e aprendizagem é essencial nesse contexto. Poucas instituições de ensino no País, em âmbito privado e público, no segmento do ensino superior e, principalmente em âmbito privado, no segmento da educação básica, consegue prescindir do apoio das novas tecnologias da informação e comunicação, seja para EaD, seja para envio de notas, dados de alunos, dados sobre andamento de processo pe- dagógico ou outras tarefas do dia a dia das escolas.

Conforme Gadotti (2000, p. 5), a aprendizagem a distância, sobretudo a baseada na internet, parece ser a grande novidade educacional do novo milênio. Barros-Oliveira (2008, p.12) des- taca a importância das novas tecnologias da informação e comunicação no sentido de que “[ ]

embora não constitua solução mágica, [

possibilita, no entanto uma melhor aprendizagem,

não apenas na escola, mas em qualquer lugar, criando de algum modo uma escola global.”

]

Nessa perspectiva, a EaD se apresenta como um excelente mecanismo para atrair esse público que não só é mais refratário a uma leitura em papel como se acostumou e mesmo nasceu em um

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Maria Jacqueline Nogueira Lima

ambiente em que o mundo virtual domina boa parte da sua ação como indivíduo. Essa exposição de referências sobre novas tecnologias da informação e educação nos serve para pontuar duas questões: primeiro, a EaD nesse contexto serve para atender a um público-alvo que não está disposto a “perder tempo” nos bancos das escolas e faculdades ou universidades. Segundo, o

mundo virtual é por demais sedutor e atrativo para esse público, que prefere a tela do celular ou smartphone e do computador à face de outro indivíduo à sua frente. Ao mesmo tempo, portanto,

a era da informação traz o benefício de encorajar os esforços em educação a distância de manei-

ra que atraia esse público, mas a educação não pode se limitar a esse meio porque, fora a falta de tempo, a sociedade precisa interagir, e a interação entre indivíduos na maior parte das vezes deve ser face a face, senão a vida social perde seu sentido. E a educação tem um papel funda- mental nesse sentido, porque é formadora de mentes. Dito de outro modo: a EaD é necessária para atender às necessidades dos novos tempos, mas há a necessidade de verificar sempre se é suficiente para, além de promover o processo de ensino e aprendizagem,promover a interação social entre indivíduos e grupos. Mas a discussão não se esgota aqui.

No que concerne àEaD e ao ensino presencial, deve-se atentar para questões como a da cola na web e os seus malefícios para o processo de ensino e aprendizagem. Em um caso prático já observado sobre o uso inadequado dos recursos da internet, o aluno se utiliza desses recursos ao fazer atividades avaliativas propostas, copiando trabalhos prontos na internet.

Ainda que desde o início das aulas o professor faça ressalvas sobre o tipo de fonte de consultas aceitáveis e o como devem ser referenciadas pelos alunos, esta ainda é uma prática comum. Ou seja, a internet e outros recursos que fomentam a EaD e mesmo a educação presencial devem ser utilizados como fonte de consultas, de acordo com o que determinam as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Dessa maneira, o professor espera que

o aluno se esforce para ter, no ensino superior, suficiente discernimento para distinguir um ma- terial de boa qualidade, como artigos científicos, daqueles “trabalhos escolares” postados na internet que não contenham em si elementos que possam alçá-lo sequer à categoria de material de consulta.

Quando após algumas aulas o professor sugere, conforme plano de ensino da disciplina, a elaboração de trabalho escrito a ser entregue dentro de poucos dias, percebe ao receber os trabalhos que um ou outro aluno, que deveria lhe entregar um trabalho escrito sobre um tema específico, entrega um material copiado da internet, sem sequer apagar as marcas características do texto copiado. Sua conduta deve ser em que sentido?

Duas ações são possíveis nesse caso: desconsiderar o texto pelo fato de ter sido copiado – após comprovar, o que é importante, e dar ao aluno nova chance para elaborar o conteúdo solici- tado. Na segunda opção, o professor pode desconsiderar o caso simplesmente sem se dar a oportunidade de esclarecer ao aluno o porquê de ele, como estudante, ter de fazer um trabalho autoral, sem convencê-lo da importância desse trabalho para sua vida profissional. Quando

o aluno estiver atuando no mercado, não terá à sua disposição material para copiar e colar.

Nesse caso específico, da área de Comunicação – Publicidade e Propaganda, ainda que copie algo, terá de lidar com a frustração da recusa do produto pelo cliente e por consequência terá seu trabalho colocado em xeque. Esse caso prático, já vivenciado pela autora em sala de aulas, em que os alunos utilizam recursos da internet para executarem seus trabalhos, demonstra que os recursos devem ser utilizados, mas de modo que o processo de ensino e aprendizagem se mantenha longe das cópias da internet. Senão, o que nos garante que o aluno, seja de EaD ou presencial, apreende o conteúdo da disciplina ou apenas copia? Como esse aluno vai se inserir no mercado se apenas se utiliza desse recurso? O papel do docente então é essencial para a

conduta do processo de ensino e aprendizagem de maneira que seu aluno entenda a importân- cia de uma formação em que apreenda o conteúdo e consiga posteriormente aplicá-lo na sua conduta profissional.

Como o profissional da educação ou o professor tem uma responsabilidade que vai além da sala de aula, é conveniente que se municie de todo e qualquer material e mensagens claras aos seus

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Temas selecionados da educação

alunos sobre os possíveis efeitos da prática da “cola na web” no ambiente acadêmico. O pro- fessor deve ser capaz de ao menos deixar claro ao aluno que suas escolhas no presente podem diminuir ou mesmo extinguir suas chances de sucesso profissional. Se na universidade não for

capaz de agir conforme as regras expostas ex-anti, ou seja, se não for capaz de conseguir produ- zir um texto autônomo, ainda que com a contribuição referenciada de outros autores como deve ser o trabalho responsável, como fará na vida profissional? Pode-se dizer que o papel formador da escola nunca se esgota em uma faixa etária somente. Na realidade, é um exercício diário do professor lembrar aos seus alunos que seu desempenho escolar refletirá seu futuro profissional.

A ética da responsabilidade deve ser o tempo todo chamada à prática do cotidiano escolar, seja

na Educação Básica, seja na Educação Superior. Esse exemplo é ilustrativo do que ocorre todos os dias, e com mais frequência do que os professores gostariam, nas escolas e universidades ou faculdades pelo País. A educação universalista que pressupõe certo grau de liberdade para expor conteúdos didáticos obrigatórios ou não tem sido pouco discutida no sentido de fazer seu público-alvo entender que a liberdade de escolha também deve ser pensada com respon- sabilidade. Quando o professor fecha os olhos para essas mazelas sem tentar contorná-las da forma correta, responsável, corre o risco de contribuir para colocar no mercado um profissional malformado em termos de discernimento com relação a questões como ética e responsabilidade para consigo e com o outro. Esse profissional muitas vezes não conseguirá ter um desempenho profissional eficiente, e a “culpa” pode recair sobre a escola ou os profissionais que o orientaram nessa fase da vida. Nesse sentido, deve-se fazer a reflexão sobre o tipo de profissional docente que cada um pode e deve ser e o quanto isso afeta o seu aluno ao longo da sua vida pessoal e profissional. Conforme ilustra Perrenoud (2003, p.2),

Gostar dos saberes e ter vontade de partilhá-los é bom, mas isso não basta quando se é confrontado com alunos que não veem por si mesmos o sentido da escola, ou não estão dispostos em aceitar o trabalho necessário para aprender. Querer satisfazer o apetite de saber dos jovens é somente um aspecto da profissão.

Além dos benefícios do uso das novas tecnologias, que conecta essa sociedade em rede, é importante que a educação seja entendida como um meio que dissemina conhecimento e está atenta para que o processo de ensino e aprendizagem não passe ao largo do corpo discente,

que pode fazer uso da tecnologia de maneira equivocada prejudicando aquele que mais precisa:

o próprio aluno.

Além da questão da “cola”, outra questão é mais preocupante e estava presente antes mesmo da explosão das novas tecnologias da informação e comunicação, no início do século XX: pes- quisadores do porte de Maurice Halbwachs (apud Myrian Sepulveda dos Santos em artigo inti- tulado Sobre a Autonomia das Novas Identidades Coletivas: alguns problemas teóricos–1998) já apontava que um quadro social da memória não pode ser constituído senão a partir de um grupo de indivíduos. Portanto, pensar a educação no contexto do século XXI ainda implica pen- sar em um quadro social real, que muitas das suas formulações possam ter a contribuição do mundo virtual. A sociedade não pode existir sem estar amparada na experiência de indivíduos reais, de “carne e osso”. Essa questão é essencial para que se perceba que a educação não pode prescindir da internet, por exemplo, mas sua contribuição deve ser benéfica ao ponto de não produzir indivíduos que apenas reproduzem conteúdos, que não se tornam seres pensantes no amplo sentido do pensar o “ser humano”. Pelo contrário, a educação, formação para ho- mens de carne e osso, deve se utilizar desse instrumento para aprimorar e facilitar o processo de ensino e aprendizagem, não para que esse processo seja esquecido e em seu lugar a repetição ou reprodução de conteúdos de forma acrítica seja disseminada. Senão, que indivíduos e que sociedade estaremos criando?

Dito de outra forma, as novas tecnologias da informação e comunicação devem servir de com- plemento ao ensino como ferramenta de trabalho, e não como meio para reprodução acrítica de conteúdos não apreendidos. Se isso acontece, a educação perde o sentido como um dos principais elementos civilizatórios em uma sociedade.

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1.4 Educação como elemento definidor da cidadania: abordagens a partir da cidade e do campo e o uso das tecnologias da Informação e Comunicação

O objetivo deste tópico é discutir como a educação tem se tornado elemento fundamental para

definir a cidadania do discente e mesmo do docente e o quanto isso tem sido facilitado através do uso das novas tecnologias da informação e comunicação. Tal contexto em que as novas tecnologias ampliam o leque das relações sociais entre indivíduos provenientes de lugares tão distantes geograficamente como Brasil e Rússia, por exemplo, faz com que o mundo virtual seja um elemento importante a definir padrões de comportamento e por consequência faz com que

o mundo clame por cidadania em lugares como os países árabes, principalmente após o ad-

vento da Primavera Árabe. Portanto, educação, cidadania e novas tecnologias da informação e comunicação andam de mãos dadas pelo mundo afora. Se considerarmos que tanto na China comunista como na Turquia de regime político não democrático as pessoas se sentem inspiradas pela democracia e a educação é elemento fundamental para disseminar esses “novos ares” em países outrora “fechados” ao Ocidente em termos políticos como os exemplos citados, em que medida a educação toma parte nesse clamor por cidadania e justiça no mundo? Por que as novas tecnologias da informação e comunicação exercem papel fundamental nesse sentido? E como a democracia passa a ser elemento inspirador e necessário àqueles que nunca experimen- taram a liberdade de expressão?

1.4.1 Educação, Cidadania Nacional e Cidadania Global: algumas imbricações

A educação é um dos elementos de uma cultura que faz parte de um amplo espectro que forma um país, uma sociedade política.

amplo espectro que forma um país, uma sociedade política. Figura 4 - Educação de qualidade como
amplo espectro que forma um país, uma sociedade política. Figura 4 - Educação de qualidade como
amplo espectro que forma um país, uma sociedade política. Figura 4 - Educação de qualidade como

Figura 4 - Educação de qualidade como direito do cidadão. Fonte: Shutterstock, 2015

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Temas selecionados da educação

A educação forma os indivíduos que vivem em uma sociedade e aceitam suas determinações, suas leis a regerem suas vidas desde que nascem. A isso chamamos processo de socialização:

elemento que insere o indivíduo no seio da sociedade na qual é criado. Contextualizando a cida- dania, que implica que o indivíduo tem direitos sociais, políticos e civis, a educação pode e deve ser elemento fundamental para disseminar esses elementos que compõem a noção de cidadania exposta de maneira exemplar por Thomas Marshall, como sendo dotada de três elementos: o elemento político, o elemento civil e o elemento social. Conforme esse autor,haveria:

uma espécie de igualdade humana básica associada com o conceito de participação

o qual não é inconsistente com as desigualdades que diferenciam

Em outras palavras, a desigualdade do sistema

de classes sociais pode ser aceitável desde que a igualdade de cidadania seja reconhecida. (MARSHALL, 1967, p. 62).

os vários níveis econômicos na sociedade [

integral na comunidade [

] [

]

]

Portanto, sua noção de cidadania se faz necessária ainda que em contexto de desigualdade so- cial. Sendo o Brasil rico nesse quesito, ainda assim a cidadania, baseada nos princípios cunha- dos por Thomas Marshall, está exposta de maneira exemplar na nossa Constituição, em que pesa o fato de que os direitos civis ainda não são plenamente respeitados conforme manda a lei, visto que o acesso à justiça, por exemplo, ainda não é plenamente respeitado. De todo modo, no Brasil a cidadania está expressa na lei. Essa mesma lei explicita o direito social a uma pensão àquele portador de doença incapacitante, embora em muitos casos as famílias desses indivíduos desconheçam esse direito de cidadania assegurado por lei.

Os exemplos citados no caso brasileiro apenas ilustram uma questão que não deveria existir em princípio: o desrespeito ou desconhecimento dos direitos de cidadania por parte da maioria dos brasileiros, que não se reconhecem como tal em larga medida. E esse também é um problema que repercute porque, entre outros motivos, a educação formal, como elemento que é e que se pretende civilizatório, que insere um indivíduo em um contexto social, não tem conseguido expor esse conteúdo importante e essencial ao indivíduo para que se reconheça membro “de fato” do Estado de Direito em seu país (o entendimento ou conhecimento, mínimo que seja, do que são seus direitos de cidadão, por exemplo). Um exemplo disso é a educação no trânsito. Somente há poucos anos atrás o conteúdo referente a esse assunto entrou no cotidiano da escola básica, em função de problemas causados em grande parte pelo fator desconhecimento da lei, como no caso da Lei Seca. À educação também cabe esse papel do esclarecimento quanto à cidadania em caráter nacional e mesmo global. Na mesma Constituição Federal de 1988, há princípios que definem esse papel da educação. Em que estamos errando então? Além do problema de fundação, de um Brasil colônia e império com direitos “concedidos”, com uma concepção de cidadania que é “concedida” pelo Estado, o que mais está faltando para que o caráter cidadão da educação apareça a todos de modo claro?

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NÓS QUEREMOS SABER!O que é o “Estado de Direito”? Quando falamos em Estado de Direito, estamos assu-

O

que é o “Estado de Direito”? Quando falamos em Estado de Direito, estamos assu-

mindo que o Estado se organiza a partir de leis ou normas e regras que regem a vida de seus cidadãos. Esse Estado de Direito é produto, na atualidade de um “contrato social” entre indivíduos e sociedade que determinam as leis que vão regê-los. Esses elemen- tos de concordância surgiram desde o advento do Estado Moderno e se delinearam primeiro na Europa e depois no resto do mundo. Um dos pontos de partida para isso

foi a Revolução Francesa de 1789. A Lei Seca, como parte da legislação de trânsito no

Brasil, faz parte desse “acordo”, ou contrato. Tem hoje forte apelo porque os meios de comunicação e o próprio Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), através do endurecimento das medidas punitivas ao condutor que dirige alcoolizado, a fazem co- nhecida como nunca antes na história da legislação de trânsito no Brasil. Como outros conteúdos importantes que elevam o indivíduo à categoria de cidadão, os brasileiros deveriam conhecer as leis de seu país que o afetem diretamente, como os direitos políti- cos de votar e ser votado em eleições regulares conforme idade para cada cargo eletivo. Esses conteúdos podem e devem ser repassados pela escola básica, inclusive porque produtores daquilo que em Sociologia se poderia nomear como conformidade com as regras do jogo,ou seja, conhecer para melhor coexistir em determinado contexto social.

para melhor coexistir em determinado contexto social. No contexto do Brasil do século XXI, a educação

No contexto do Brasil do século XXI, a educação ainda deve ao cidadão o esclarecimento de que essas noções, tomadas de forma clara e precisa, possam fazer a diferença na vida de cada bra- sileiro. Ou seja, o esclarecimento pode levar à consecução da cidadania de fato, além do direito que muitas vezes não ocorre conforme exemplos citados e que todos os dias se vê nos jornais, nas revistas e no noticiário da televisão, entre outras mídias. A educação ainda deve ao brasi- leiro esse esclarecimento, como tantos outros que podem torná-lo mais capacitado intelectual e tecnicamente para concorrer de forma menos desigual com japoneses e chineses no mercado profissional global. Esse ponto evidencia a importância e a dimensão do que o conhecimento, que diz respeito não somente aos direitos de cidadania, pode trazer de benefícios aos indivíduos em países periféricos como o Brasil.

No que tange à cidadania de caráter global, um dos exemplos que nos dizem do quão impor- tante é a luta por direitos está nas organizações como o Green Peace e outras que lutam por melhores condições de vida no Planeta. Sua importância se dá do mesmo modo que em caráter nacional conforme exposto anteriormente. Ou seja, o esclarecimento pode dirimir desigualdades como a desigualdade do acesso à água potável, a desigualdade do acesso à vida digna, dife- rentemente do que se observa em países do continente africano, como se vê todos os dias na televisão nas propagandas da organização Médicos sem Fronteiras. Tantas outras desigualdades como a que deu início à chamada Primavera Árabe, a desigualdade política, porque na maior parte dos países árabes o regime político praticado não é democrático, não se preocupa com a questão da cidadania.

NÓS QUEREMOS SABER!democrático, não se preocupa com a questão da cidadania. O que significa Primavera Árabe?A chamada Primavera

O

que significa Primavera Árabe?A chamada Primavera Árabe se constitui em uma

onda de protestos e revoluções que ocorrem em parte do Oriente Médio e norte do continente africano com a população indo às ruas protestar contra governos ditatoriais e por melhores condições de vida.A chamada Revolução de Jasmim ou os primeiros protestos na região se iniciaram em dezembro de 2010 na Tunísia.

vida.A chamada Revolução de Jasmim ou os primeiros protestos na região se iniciaram em dezembro de

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Temas selecionados da educação

As novas tecnologias da informação e comunicação propiciaram a quebra de paradigmas nes- ses países na medida em que o acesso à rede internacional de computadores, a internet, trouxe àqueles povos a certeza de que outro mundo existe e é possível, apesar das desigualdades. A cidadania se espalha como necessidade humana no Planeta nesse começo de século XXI. Apesar das tiranias ainda existentes no mundo, a cidadania avança como necessidade.

existentes no mundo, a cidadania avança como necessidade. Figura 5 - Novas tecnologias da informação auxiliando
existentes no mundo, a cidadania avança como necessidade. Figura 5 - Novas tecnologias da informação auxiliando
existentes no mundo, a cidadania avança como necessidade. Figura 5 - Novas tecnologias da informação auxiliando

Figura 5 - Novas tecnologias da informação auxiliando o processo de ensino e aprendizagem. Fonte: Shutterstock, 2015.

Educação e cidadania local, nacional ou global são elementos que devem coexistir de modo contínuo em todos os lugares possíveis do Planeta. Esse é um papel do educador, assim como de todo cidadão consciente nesse contexto de mudanças globais.

1.4.2 Educação e cidadania local: a cidade e o campo

A educação, como elemento que dissemina a cidadania e de certo modo a define porque em- presta sentido aos direitos de todos os envolvidos em uma sociedade local, nacional ou global, pode ser empreendida de modo a promover os indivíduos à categoria de portadores de direitos.

No âmbito da cidade, a educação, como preconiza a Constituição brasileira de 1988, objetiva tornar os indivíduos cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Até aí nada de novo, se en- tendemos a educação como um elemento de socialização dos indivíduos. A cidadania se expres- sa em municípios brasileiros através de canais participativos no poder local, como no município de Belo Horizonte, em que os cidadãos participam da construção do orçamento anual da cidade no chamado Orçamento Participativo. Nesse sentido, temos um dos exemplos mais profícuos da difusão da cidadania a partir dos direitos políticos que tem em seu cerne e dessa disseminação de propostas que envolvam a cidadania de maneira direta. A educação então como meio que se pretende e tem na legislação caráter universalista, conforme Arroyonos mostra, ao falar da educação do campo, em que a ideia de educar no contexto da educação popular é antes de tudo humanizar (apud Revista Criança, nº 45, MEC, 2007). Ou seja, a educação tem o dever de formar para a cidadania, de informar.

No que concerne à educação no campo, educação de cunho propriamente popular, Arroyo en- foca o caráter formador dessa educação na medida em que serve à melhoria das condições de classe através da formação plural que na concepção da educação no campo é humanizadora,

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cidadã. Isto significa dizer do compromisso dos educadores populares em que antes de tudo a educação deva propiciar conhecimento abrangente o suficiente para promover a diferença na luta por direitos não respeitados, embora garantidos em lei, como enfatizam os membros do Mo- vimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Dito de outro modo, a luta desses trabalhadores em relação a terra remete a um direito a terra inscrito na Constituição, mas cujos canais “normais” não foram capazes de garantir. Nesse sentido, os juristas se dividem: há tanto os que defendem o direito a terra como um direito legítimo de cidadania expresso na Constituição quanto os que defendem que a terra somente pode pertencer a quem for seu legítimo dono, ainda que essa legitimidade tenha sido conquistada de forma duvidosa. As novas tecnologias da informação e comunicação nesse contexto servem tanto na cidade como no campo como mecanismo ou ferra- menta que ajuda a disseminar a educação e os seus pressupostos. Assim como os elementos que incidem sobre as questões que mobilizam cidadãos em ambos os contextos (ora a luta pela terra produtiva, ora a luta por melhores condições de saneamento nas cidades, por exemplo), através da atuação cidadã responsável e responsiva.

através da atuação cidadã responsável e responsiva. NÃO DEIXE DE LER Texto esclarecedor sobre a Educação

NÃO DEIXE DE LER

cidadã responsável e responsiva. NÃO DEIXE DE LER Texto esclarecedor sobre a Educação no campo: ARROYO,
cidadã responsável e responsiva. NÃO DEIXE DE LER Texto esclarecedor sobre a Educação no campo: ARROYO,

Texto esclarecedor sobre a Educação no campo: ARROYO, Miguel Gonzales; CALDART, Roseli Salete; MOLINA, Monica Castagna (orgs.). Por uma educação do campo. Petró- polis: Vozes, 2004.

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Síntese

Síntese

Neste capítulo, trabalhamos a educação na contemporaneidade buscando alguns dos pilares dessa concepção para a abordagem adequada do tema. Dessa forma, pensamos esse contexto a partir do advento das novas tecnologias da informação e comunicação,

que se constitui em um dos capítulos da unidade. Este capítulo teve o intuito de identificar

a influência das novas tecnologias no processo de ensino e aprendizagem.

Foi abordada a questão da desigualdade social no Brasil como a desigualdade de gênero

e de cor/raça no tópico um; duas das mais corriqueiras formas de discriminação existentes

no País. A educação na cidade e no campo foi abordada no tópico dois; procurando definir suas diferenças e semelhanças como modelos que atendem a públicos distintos. Por fim a educação como elemento definidor da cidadania e sua abordagem na cidade e no campo, assim como sua relação com as novas tecnologias da informação e comunicação, foram trabalhadas no último tópico, com o intuito de descrever o modelo educacional e os impactos, positivos ou negativos que pode produzir sobre o exercício da cidadania.

Com relação à desigualdade de gênero, observou-se os dados disponíveis sobre escolarização e rendimentos do trabalho assalariado, fruto de uma sociedade ainda extremamente hierarquizada com forte herança ibérica. Quanto à desigualdade de cor/ raça, produto da colonização portuguesa que escravizou negros desde o princípio, ainda reflete a sociedade hierarquizada do início da nação quando considera o negro inferior em termos cognitivos e outros diante do branco. Os dados do IBGE também demonstram de forma clara essa disparidade, principalmente na escolarização/anos de estudo das duas raças.

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