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DECEPÇÃO

OLHOS NEGROS
Volva o riso aos olhos teus,
Não te verei nunca mais.

Jose de Alencar Adeus! Para sempre adeus!


Nem que teu semblante
puro
Perpasse ante os olhos
EU TENHO meus olhos
meus,
negros
Não te verei: eu te juro.
Desta minh'alma o condão,
É por eles que inda vivo Adeus! Para sempre adeus!
E que morro de paixão. De minh'alma a luz cegaste;
São negros, negros, tão A virgem dos sonhos meus
lindos! Tu brincando a trucidaste.
Porém que maus que eles
são! Adeus! Para sempre adeus!
Encantos que me
Muito maus! Nunca me enlevaram
dizem Tua beleza, perdeu-os,
O que bem sabem dizer; Que olhos d'outrem
Não me dão uma esperança profanaram.
E nem ma deixam perder;
Andam sempre me Adeus! Para sempre adeus!
enganando, Foste um anjo, uma visão.
Têm gosto em ver-me Agora aos olhos ateus
sofrer. Sombra és tu de uma
ilusão.
Por mais terno que os
suplique, Para sempre adeus! ADEUS!
Não se condoem de mim; Para sempre adeus!
Às vezes fitam-me a furto, Vou-me de ti; fica em paz.
Porém nunca dizem sim.
Ah! olhos negros tão maus,
Nunca vi outros assim. Repousa
Quem fui no que sou em
Não quero mais estes paz.
olhos! Lê nesta fronte que é lousa:
Amo agora umas estrelas "Morreu sua alma. Aqui jaz".
Que brilham num céu de
anil;
Sem receio de ofendê-las,
Bebo a luz dos olhos seus;
Só vivo agora de vê-las. Jose de Alencar