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Milton, contrariando o princípio do livro III, apresenta o livro IV perspectivando agora

Satanás no Éden, de onde Satã não é tomado por assombro. Mas sim, por inveja1 e perto
de onde deve agora tentar a audaciosa missão que sozinho empreendeu contra Deus e o
homem. Enquanto Satã olha ao redor deste novo reino, ele amaldiçoa o Sol, pois, os
feixes do orbe fazem lembrá-lo do que ele era, e da altura da queda que sofrera, Milton
nos deixa uma impressão de que Lúficer jamais poderá escapar do inferno porque o
verdadeiro inferno está dentro dele2. Ele odeia a Deus por submetê-lo e, segundo sua
perspectiva, escravizá-lo. A partir deste inferno eterno e interno, Lúcifer reassume seu
caráter trágico e demasiadamente humano. Lúcifer contraria a razão intuitiva angélica,
presente em Santo Tomás de Aquino, e confronta-se com dúvidas, paixões, medos, inveja
e desespero em um primoroso solilóquio. Porém, no fim, Lúcifer confirma-se no mal, ''O
Mal seja o meu Bem''. As emoções e confrontos internos em Lúcifer são grandes de tal
forma que ele muda de forma constantemente, passando a ser, portanto, identificado por
Uriel que percebe isso regendo a orbe solar. Lúcifer viaja ao Paraíso, cuja situação e
paisagem exterior se descreve. O Anjo caído transpõe os limites estabelecidos, senta-se
sob forma de um corvo-marinho, na árvore da vida, a maior no jardim, de onde pode
observar à vontade o que o rodeia. O jardim nos é descrito por Milton. Logo após,
Satanás vê pela primeira vez Adão e Eva e a sua admiração pelo estado feliz do casal é
tão grande que ele novamente se confronta, porém, permanece resoluto quanto a provocar
a sua queda. Satanás, à espreita, visando escutar o diálogo, depreende que os frutos da
árvore do conhecimento lhes foram interditados, sob pena de morte. Questiona-se, ao
tomar ciência de tal proibição, sobre o motivo de vedar o fruto3. Depois disso, decide
deste modo tentá-los à transgressão.

O foco do poema muda para Uriel que, descendo de um raio de sol, avisa Gabriel, que era
responsável por guardar o Paraíso, fazendo-lhe saber que um anjo mau escapara do
abismo, e passara pela sua esfera disfarçado de anjo bom em direção ao Paraíso,
desmascarado mais tarde pelos gestos de fúria. Gabriel promete encontrá-lo.

Ao cair da noite, Adão e Eva prestam louvores de agradecimento a Deus, dirigem-se ao


caramanchel e adormecem. Gabriel, líder do grupo de anjos que tinham como tarefa fazer
a segurança do Paraíso, efetua sua ronda noturna pelo território. Gabriel, suspeitando das
intenções do anjo mau, até então desconhecido, designa dois anjos, Ituriel e Zefão, para
observar o caramanchel de Adão e Eva, chegando lá atestam o espírito caído a atentar
contra o sono dos pais da humanidade. Encontraram-no soprando aos ouvidos de Eva,
pertubando-a em seus sonhos. Ituriel toca Satã com sua lança e pergunta ao canjo caído o
quem ele é. Voltando a sua forma normal, Satanás os insulta e os menospreza, dizendo
que não puderam reconhecer o líder dos demônios por serem anjos pequenos. Porém, um
dos anjos, contrapõe o anjo caído ao dizer que ele está diferente de antes, e dada a queda,
perdeu-se o brilho e assemelha-se ao inferno. Gabriel, ao encontra-los, reconhece
Satanás. Gabriel então questiona ao anjo apóstata o motivo dele ter deixado o inferno.
Satanás, com escárnio, insulta Gabriel perguntando se ele perde sua sabedoria, pois
Gabriel era tido como um dos mais sábios do céu, e o responde lhe perguntando, quem
não gostaria de deixar o inferno? Gabriel, com semelhante sarcasmo, diz que era uma
infelicidade o céu perder um excelente juíz de sábios. Gabriel suspeitava dos interesses
de Satanás, e após conflitos, ensaiam uma luta. Porém, por uma intervenção de um sinal
do Céu, sinal este que indicava a vitória dos anjos etéreos, Satanás voa deixando o
Paraíso.

1 Tal assombrou tomou, não estranho ao Céu, \O maligno, mas mais tomou a inveja,\ À
vista do gentil rosto do mundo.

2 - Mísero eu! P'ra onde erguer / Tamanha raiva, tanto desespero? / Aonde vá o inferno
vai. Eu sou / O inferno. E no fundo mais mais fundo / De espera que corrói sempre mais
se abre, / Que faz do meu inferno quase um Céu. Livro IV, v - 73 - 78. No Livro I, Satanás
afirma que o seu inferno é interior; e nesse momento do poema a ideia é retomada.

3 - Visão de ódio, visão de dor! Vão estes / Num Paraíso de ágenos abraços / De Éden
bem mais feliz, gozar a conta / De bem bom no bem bom, enquanto eu gozo / O inferno,
seu amor, só o feroz cio, / Entre tormentos outros não menor, / Sempre frustro na dor de
ardentes dores; / Mas não esqueça eu o que ganhei / Das suas bocas; tudo não é deles: /
Jaz ali da razão a fatal árvore / De ilicito saber. Razão ilícita? / Suspeito, sem razão. Por
que é que o Dono / Tal lhes inveja? É o saber pecado, / Será morte? Sustidos serão só /
Na ignorância, é esse o feliz estado, / A prova de obediência e sua fé? / Ó bela fundação
onde erigir-lhes / A ruína! Daqui segue-se aguçar-lhes / As mentes com desejos de saber,
/ Rejeitando ordens ínvidas, criadas / Co'o fito de pisar quem o saber / Alçaria igual a
deus; Livro IV, 505 - 526

Os primeiros 30 versos são uma apresentação da situação de Satanás. (Aspectos legais:


confirmação de que o Inferno é um estágio de consciência, satanás pensando em suas
ações).

31 - 133, no Solilóquio de Satanás ele se arrepende, se entristece, dúvida, pensa em


clamar perdão, mas o mal e o ódio cravado em seu peito o faz negar qualquer
possibilidade de conversão e, no fim, aceita o mal como seu destino.

290 - 320 aspectos sobre Adão e Eva

355 - 390 -> Satanás esbraveja ao ver os pais da humanidade tão felizes.

390 - 415: as metamorfoses de Satanás para espiar os pais da humanidade.

415 - 440 Adão fala para Eva sobre a proibição do fruto.

440 - 490 Eva fala sobre sua criação e seu amor por Adão

505 - 535. Satanás toma conhecimento da proibição de Deus sobre a árvore da ciência

560 - 575 Uriel avisa Gabriel da invasão do mal espírito detectado por paixões baixas
ocultas.

635 -655 elogios de Eva a Adão.

735 - 775 é explorada a relação de amor íntima entre Adão e Eva.

775 - 800 os Anjos passam a partilhar e buscar o Invasor.

800 - 820 Satanás é descoberto por Ituriel, ele é avistado tentando corromper Eva através
de um sonho, estes anjos ficam perplexos ao perceberem a aparência Hórrida do Rei
Decaído.

820 - 840 Zefão mostra para satanás, através de palavras, que sua aparência já não é mais
a mesma e, por isso, não pode ser reconhecido, pois, sua aparência, antes Angélica, agora
só remete pecado e baixeza.

845 - 865 reler, Satanás redpill

865 - 875 - Gabriel avista Satanás.

875 - 1015 o diálogo de Gabriel e Satanás (reler, mui interessante).