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TIJUCA Adeus, Tijuca risonha!

Ausente; contigo sonha


(A D. HELENA COCKRANE) Quem te viu encantos mil.
Adeus, formosa montanha,
SALVE, rochedos agrestes! Ai, que saudade tamanha!...
Salve, Tijuca louçã!
Quando, ao raiar da manhã, (28 de fevereiro 1864.)
As alvas névoas tu vestes,
Como és formosa,
montanha, José de Alencar
Ao sol que a face te banha! ZELOS

Vós, Senhora, que habitais Jose de Alencar


Aqui, na mansão florida,
Sabeis como é doce a vida
Neste remanso da paz. TENHO ciúme
Que dias gozei serenos, Do ar que gira
Sob estes climas amenos! E que respira
O teu perfume.
Traz a brisa aqui, na asas,
Da celeste eflorescência Tenho ciúme
Doce pólen de existência, Da luz que bebe
Coado por entre as gazas Nos olhos d'Hebe
Deste azul sempre luzente, O brando lume.
Que aveluda um céu
ridente. Tenho ciúme
Desse retiro
Aqui a rosa floresce Que ouve o suspiro
Nos campos, porém mais Do teu queixume.
bela
Tenho ciúme
Vem nas faces da donzela,
Da flor, senhora,
Donde nativa parece.
Que em ti adora
Celeste nume.
Ai, que rosas de carinhos,
Têm perfumes sem Tenho ciúme
espinhos! De quanto existe
Nesta serra alcantilada, Que me fez triste
Que o cimo às nuvens E me consome.
remonta,
Como que o éden esponta Cidade do Rio, 25 de
À alma na terra exilada; fevereiro de 1889.
E os anjos dos vales seus
Ficam mais perto de Deus.

Calmo e doce paraíso!


Não dar-me o Senhor poder
Sempre em teu seio viver!...
Me fora a vida sorriso,
E a delícia do teu ermo
Me sanara o corpo enfermo.

Adeus, ó serra gentil,