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GILDA Que o génio d'arte te

inspira.
(A LAGRANGE)
Mas se contemplo outra
Eu TENHO visto sorrisos imagem
Brilhar num rosto gentil; Esquecida por momento,
Tenho ouvido as melodias Como pode o pensamento
Do céu em noite de abril. Conceber tanta paixão
Em corpo sem coração?...
Mas sorrisos-melodia,
Que brincam numa volata,
Ou melodias-sorriso
Como o teu lábio desata; NORMA
Sorrisos que são gorjeios.
Melodias que têm cor, (A LAGRANOE)
Som e luz cristalizados
Em um êxtase de amor; TODA a harmonia sublime
Tem uma tecla, uma fibra,
Pérolas que se desfiam Uma palavra que a
No trinado que cintila, exprime,
Eflúvios que se congelam Corda suave que vibra.
Numa flor ou voz que trila; Canta o poeta na lira,
Na praia a vaga suspira,
Ondas de pura harmonia,
Gemendo soluça o vento
Que borbulham num
Dos mares na solidão;
arpejo,
Mas a ti por instrumento
Notas que a boca desfolha
Deu-te Deus o coração.
Soltas nas asas de um beijo,
Nessa harpa do sentimento
Destes sorrisos sonoros,
Todas as vozes são hinos,
Que os olhos podem ouvir,
Transforma-se o
Que sem olhos podem ver-
pensamento
se,
Em mil poemas divinos.
Só tu os; sabes sorrir.
Quando tua alma celeste
Formas do génio reveste,
Há no canto um drama
"Dl TE SCORDARMI" vivo,
Cada som cria uma ideia,
(A CHARTON) E com teu gesto incisivo
Escreves uma epopeia.
SOLTA do lábio inspirado
Essa palavra sublime!
Tanto amor como ela
exprime
Nunca mulher o sentiu:

Nunca! Teu lábio mentiu.


Quando a voz num grito
d'alma
Convulsa te parte o seio,
Hesito, e eu mesmo creio
Nessa divina mentira