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JUSTIFICATIVA

A absorção de recursos externos deve ser disciplinada por uma política que tenha em conta
seus efeitos positivos e negativos. [...] Não se pode perder de vista que o comércio exterior é o
pulmão pelo qual se respira o avanço tecnológico. Se mal administrado, esse comércio pode
levar a economia a uma paralisia progressiva. O formidável sobreendividamento que sofremos
entre 1995 e 1998 – o déficit em conta corrente somou algo como 100 bilhões de dólares –
ocorreu num período em que o crescimento econômico foi praticamente zero. Ora, esses
foram anos em que dobrou o grau de controle por grupos estrangeiros do capital fixo
reprodutivo do país. Furtado (1999, p. 36-38) FURTADO, Celso. Formação econômica do
Brasil. 19. ed. São Paulo: Nacional, 1984.

INTRODUÇÃO

O Brasil é a maior potência industrial do Hemisfério Sul. Uma rápida observação


da pauta de exportações revela a complexa diversificação de nossa economia.
Se até os anos de 1950 vendíamos para o exterior essencialmente bens
primários, sem grande transformação industrial, hoje dentre os principais
produtos exportados estão aeronaves, automóveis, autopeças e produtos
siderúrgicos. E o que é mais significativo: a proporção de bens
manufaturados exportados supera a de bens com pouca ou nenhuma
transformação industrial. Mas o sofisticado parque industrial brasileiro não visa
apenas ao consumidor estrangeiro. O nosso mercado interno, ainda que
reduzido se comparado aos países mais desenvolvidos, segue atraindo capitais
nacionais e estrangeiros. Somos importantes consumidores em nível mundial de
alimentos e bebidas industrializados, automóveis, computadores e uma série de
máquinas e equipamentos que abastecem nossas indústrias, todos esses bens
produzidos em nosso próprio território. Além disso, mesmo os bens primários
aparentemente mais simples, como as laranjas, o feijão e o arroz que
consumimos, têm assistido importante impacto da industrialização, na medida
em que são produzidos cada vez mais com máquinas agrícolas e fertilizantes
produzidos industrialmente. Em tudo o que comemos, na água que bebemos,
nos meios de transportes que nos locomovem e na energia gerada para manter
o País em funcionamento, encontramos algum tipo de transformação realizada
pela indústria nacional. E a indústria nacional não se limita mais, atualmente, a
produzir em solo brasileiro; ela se internacionaliza cada vez mais. Assim,
colombianos, franceses, peruanos, canadenses, argentinos, argelinos agora
também consomem produtos brasileiros fabricados em seus países por plantas
industriais de capital brasileiro que se deslocam em busca de novas fronteiras e
novos mercados. Porém, alguns elementos negativos de nosso modelo de
industrialização não deixam de chamar a atenção e devem ser igualmente
destacados. O processo de abertura econômica iniciado na década de 1990, sem
acompanhamento de políticas adequadas de proteção de setores estratégicos,
provoca uma competição desigual, de um lado, com os novos países
industrializados, especialmente da Ásia, que, beneficiando-se de custos de
produção bem mais baixos, desbancam a indústria nacional em diversos
setores. De outro lado, as multinacionais de países desenvolvidos dominam
amplos segmentos de alta tecnologia em nosso mercado interno, deixando
pouco espaço para o equivalente nacional. Em muitos casos, como ocorre com
parte da produção da indústria automobilística, os componentes de maior valor
agregado são importados e o produto final montado no Brasil e reexportado
para grandes centros consumidores. Como resultado, a economia brasileira
assiste atualmente a um processo inédito de retração quantitativa e qualitativa
do setor industrial, cuja característica central é a estagnação* tecnológica, e a
especialização na produção de commodities industriais. A transformação de
nossa economia produziu um modelo subdesenvolvido industrializado, ainda
muito dependente de capitais estrangeiros, na avaliação de intérpretes centrais
de nossa história econômica, como Furtado (2003) e Bresser-Pereira (2007).

O crescimento explosivo da China e sua rápida transformação estrutural de uma sociedade


rural para uma economia de base urbano-industrial introduziram fissuras na tradicional
política de autossuficiência alimentar da China. Como resultado, a China foi forçada a
implementar uma abertura seletiva do mercado de alimentos para as importações de produtos
agrícolas, especialmente soja e carne bovina. Nos últimos vinte anos, o Brasil tornou-se o
maior fornecedor de produtos agrícolas para o mercado chinês, e as exportações para a China
aceleraram e aprofundaram as transformações tecnológicas e organizacionais da agricultura
brasileira, que estão na base da competitividade do agronegócio brasileiro. Enquanto a China
investe na diversificação das suas fontes de abastecimento alimentar, a agricultura brasileira
está, em certa medida, se “especializado” em atender a China. Se, no curto prazo, a China
parece não ter muitas alternativas de fornecimento, no longo prazo a situação pode mudar (a
assincronia entre a China e o Brasil pode crescer, o que levanta uma série de preocupações
sobre a crescente dependência brasileira das importações chinesas de alimentos). Este
trabalho traz essas questões para o debate, e tenta responder à pergunta do título: o Brasil vai
alimentar a China ou a China engolirá o Brasil? (EDITAR P/ ENERGIA)

Brasil e China são dois candidatos a potências globais. Nesses países tudo é superlativo, a
começar pelos territórios, passando pelos desafios e terminando nas oportunidades. A China,
apesar do seu território extenso, tem o desafio de compatibilizar o uso dos escassos recursos
naturais com a dimensão das necessidades em uma perspectiva de sustentabilidade, nacional
e global. Já o Brasil, com menores limitações ambientais e de recursos naturais do que a China,
tem o desafio de gerar riqueza para garantir o seu desenvolvimento, tendo por base
justamente seus recursos naturais. Nesse cenário, a China terá dificuldade de alimentar a sua
população e garantir matéria-prima sem recorrer às importações, enquanto o Brasil pode
projetar a geração sustentável de excedente agropecuário. Entretanto, o Brasil enfrenta
dificuldades para viabilizar os investimentos necessários para assegurar o crescimento
eficiente da produção agrícola, enquanto a China dispõe de riqueza para fomentar produções
em qualquer lugar do planeta. Ou seja, no contexto atual, Brsail e China, além de competirem
em vários mercados relevantes, apresentam desafios e oportunidades complementares.

Brasil e China: modelos econômicos no contexto histórico


Breve contextualização histórica, abordar passado colonial brasileiro, abertura da
economia chinesa em 1970 etc.

É importante reafirmar que, após a independência do Brasil de Portugal, o País avançou


bem pouco no rumo da industrialização, mantendo-se agrário e com poucos recursos
que levassem ao desenvolvimento da indústria. Somente na segunda metade do século
XIX o excedente gerado pelo setor cafeeiro conseguiu uma expansão maior, passando a
ser investido na expansão industrial, na construção de ferrovias e na urbanização de
cidades.

A exploração do Brasil [...] foi uma empresa concebida nos mesmos termos do Império
das Índias: como um simples empreendimento comercial. As necessidades da
colonização mudarão, entretanto, a fisionomia externa da nova empresa. Essa mudança,
porém, afetará apenas a roupagem exterior. O sentido de empresa comercial se
conservará bem marcado. Esse sentido, que será o da evolução econômica da colônia,
presidirá a formação da sociedade. A análise da economia colonial é tão importante para
a compreensão da economia brasileira quanto a da formação histórica de Portugal para
compreender-se a razão de ser das grandes expedições e o sentido que tomou a empresa
de colonização. FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 19. ed. São
Paulo: Nacional, 1984.

a introdução do trabalho assalariado foi um dos resultados da inserção do Brasil na


organização do capitalismo mundial e que acabou preparando o terreno para a
industrialização em um determinado tipo de capitalismo que foi chamado de
“capitalismo tardio” (MELLO, 1998, p. 177). MELLO, João Manuel Cardoso de. O
capitalismo tardio. São Paulo: Brasiliense, 1998.

Foi a fase do predomínio da agricultura como o setor-chave da economia, embora a


indústria viesse se constituindo desde a segunda metade do século XIX, a duras penas.
De 1889 a 1930, a economia brasileira enfrentou uma série de dificuldades, como:
ff os impactos da Primeira Guerra Mundial sobre o comércio exterior; ff fortes
oscilações no preço do café; ff a Crise de 1929, que abalou o mundo; e ff a
transformação na condução da economia a partir de 1930.

No período de 1930 a 1964, instala-se no País a fase do populismo, que ainda hoje
guarda suas marcas na maneira personalista de condução da Administração Pública. O
Estado brasileiro adquire no populismo características patrimonialistas em que o
público tornase quase que uma extensão do privado, inaugurando uma outra fase na
economia nacional, na qual o setor dinâmico deixa de ser a agricultura. Nesse momento,
a indústria passou a ser o centro das atenções.

É nessa fase, portanto, que começou o processo induzido de industrialização por


substituição de importações (Produtos anteriormente importados que passaram a ser
produzido internamente. Substi tuir importações não signifi ca diminuílas, pelo
contrário, pode até vir a aumentálas, dependendo da necessidade. neste caso, então,
substi tuição de importações é o fato de o país modifi car a pauta dos importados por
bens intermediários e de capital visando ampliar e diversifi car a capacidade de
produção. Contudo, com o passar dos anos, alguns problemas parecem ameaçar o
processo de substi tuição de importações: o tamanho e a forma de estruturação do
mercado, a característi ca do desenvolvimento tecnológico e a organização dos recursos
de produção.)

Apesar de já existirem algumas instituições científicas desde o século XIX, o


desenvolvimento tecnológico brasileiro não tem sido suficiente para que o país possa
impor uma lógica de desenvolvimento econômico mais independente dos avanços
obtidos por outros países. Apenas na primeira metade da década de 50, instituições
como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico (CNPq) e a
Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível Superior (CAPES) foram
fundadas. Na segunda metade da década de 50, no governo de Kubitschek, a busca de
autonomia tecnológica brasileira foi abandonada com a implementação do Plano de
Metas. Nesse Plano, dado o objetivo de implantar em um curto período de tempo
segmentos industriais com uma maior complexidade tecnológica, o desenvolvimento
tecnológico brasileiro foi posto em segundo plano, já que a importação de tecnologia e o
desenvolvimento tecnológico feito pelas filiais das empresas transnacionais – obtidos
das matizes localizadas nos Países Centrais – eram vistos como mais importantes.
Araújo (2004, p. 29), ARAÚJO, Rogério Dias de. Desempenho inovador brasileiro
e comportamento tecnológico das firmas domésticas e transnacionais no final da
década de 90. Dissertação de Mestrado (UNICAMP). Campinas: São Paulo, 2004.

O período do governo militar foi dividido em quatro fases, segundo Gremaud, Saes e
Toneto Júnior (1997), assim descritas:
Primeira de 1964/1967: fase marcada pela estagnação das atividades econômicas,
grandes reformas institucionais e preparação para entrada da economia brasileira na
economia mundial.
Segunda de 1968/1973: fase conhecida como a do “Milagre Econômico”, tendo o país
colhido os frutos dos ajustamentos anteriores, além da situação internacional apresentar
um quadro animador.
Terceira de 1974/1979: fase do recrudescimento da economia, com instabilidade na
economia internacional, após o choque do petróleo, que atingiu o mundo em cheio. Foi
nesse período que foi criado o II Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico com
vistas a organizar a economia diante das dificuldades.
Quarta de 1980/1984: fase assinalada internamente por recessão, inflação elevada,
redução do investimento estatal; e externamente por um quadro desfavorável devido à
elevação dos juros, ao segundo choque do petróleo e à instabilidade cambial.
GREMAUD, Amaury Patrick; et al. Formação econômica do Brasil. São Paulo:
Atlas, 1997.

Após uma sucessão de governos e políticas monetárias catastróficas e instáveis, com a


implantação do Plano real a economia conseguiu retomar o crescimento, adquirindo
credibilidade externa, fortalecendo o mercado interno, tanto que a crise vivida a partir
de 2008 não surtiu os efeitos que em uma outra situação poderia causar, pelo contrário,
o País tem enfrentado as dificuldades e os desafios de forma firme e controlada e dado
provas de que conseguiu reservas capazes de auxiliar o País diante das dificuldades
inesperadas. Nesse sentido, cabe registrarmos que a situação favorável da conjuntura
internacional do limiar do século XXI favoreceu a situação nacional.

Até pouco tempo atrás, o setor primário de nossa economia ainda era predominante em nosso
PIB. Somente partir dos anos 1960 a indústria superou a agricultura no valor agregado para o
conjunto de nossa economia. Contudo, a dinâmica de nossa economia já era considerada
industrial desde o fim da década de 1940. De qualquer forma, é importante chamarmos a
atenção para o caráter tardio em que se dá o processo de industrialização no Brasil, se
comparado aos países de capitalismo mais avançado, como os da Europa Ocidental, os Estados
Unidos, a Rússia e o Japão.
A primeira razão para entender o retardamento em nosso salto industrial consiste no longo
período de regime de trabalho escravista em nosso território. E é apenas por meio da
generalização da relação assalariada, a partir da abolição da escravatura, em 1888, que
podemos falar de capitalismo no Brasil, quando surgiriam, gradativamente, as condições
econômicas e políticas para o desenvolvimento industrial.
Essa é a segunda razão para entendermos a demora na industrialização no Brasil, na medida
em que as políticas econômicas adotadas ao longo de toda a República Velha tiveram como
preocupação central atender às necessidades da elite cafeeira, que, além do poder econômico,
detinha o poder político no período.

Vimos ainda que a estratégia brasileira de industrialização foi caracterizada por uma políti ca
de substi tuição de importações, que ganhou em complexidade até ati ngir o seu ápice no
início de 1970, com a nacionalização da produção de bens de capital. A ditadura militar (1964-
1984) marcou o fi nal do processo de industrialização por substi tuição de importações, por
causa de uma série de escolhas feitas pela equipe econômica no poder nesse período, como a
políti ca salarial regressiva e o aumento da dependência de capitais estrangeiros. Por fi m,
vimos que a estagnação econômica dos anos 1980, com altos índices de infl ação e dívida
externa crescente, afetou duramente o setor manufatureiro nacional. Dá-se início a um
processo de desindustrialização no País com a abertura comercial a parti r de 1990.

Um breve olhar sobre a história chinesa é importante para a compreensão do momento atual
e das perspectivas para a economia chinesa. Defende-se, aqui, que esse percurso analítico que
resgata o passado transcende o que poderia ser entendido como mera ilustração – ou
erudição – histórica, mas fornece as bases para a efetiva compreensão dos (firmes) passos
dados pelo país na metade de século que antecede o período central de análise do artigo, o
século XXI. É necessário recuar ao menos até a Revolução Chinesa, pois a simples menção às
“reformas pró-mercado” pós-1978 – como é comum em muitos estudos – não dá conta de
explicar o vigor da economia chinesa atual e, portanto, de suas potencialidades. De fato, as
reformas iniciadas em dezembro de 1978 não teriam resultado se não fossem as bases
deixadas pelo período maoísta. Popov (2015) afirma que as conquistas mais importantes desse
período foram: i) instituições fortes; ii) capital humano. Deixando de lado qualquer tentativa
de neutralidade semântica e explicitando o que de fato foram essas conquistas, é razoável
anunciá-las como: i) Estado forte; ii) trabalho, saúde e educação para a população4 . Alguns
poucos – mas eloquentes – fatos e números dão a dimensão do grau de radicalidade dessas
mudanças: enquanto no fim do século XIX, o governo central tinha um orçamento de apenas
3% do PIB e o governo do Kuomintang (1912-49) de 5% do PIB, o Estado que Mao deixa para as
reformas de Deng Xiapoping conta com um orçamento de 20% do PIB. Um amplo programa de
reforma agrária permite à população preponderantemente rural a possibilidade de trabalhar
na terra. A expectativa de vida na China, em 1950, era de apenas 35 anos (!) e atinge, no fim
dos anos 1970, 65 anos (Popov, 2015). Contando com “clearly the greatest experiment in the
mass education in the history of the world” (Unesco, 1984) 5 , a taxa de alfabetização saiu de
28% em 1949 para 65% no fim da década de 1970. A taxa de investimento no período pré-
1949 era de algo como 5% do PIB (Perkins, 1997) – insuficiente até para manter o estoque de
capital – e, no período pós-Revolução, avançou rapidamente para 20% e, posteriormente, 30%
do PIB. O investimento governamental – que liderava o processo – foi inicialmente
concentrado na indústria e nos setores de transportes e comunicação. Sob influência da
experiência soviética, o Primeiro Plano Quinquenal (1953-57) teve como objetivo desenvolver
a indústria pesada no país e, simultaneamente, a infraestrutura. Houve de imediato uma
mudança extraordinária no dinamismo econômico e o PIB começou a crescer de forma
acelerada. Se entre 1820 e 1950, o PIB chinês ficara praticamente estagnado6 , entre 1950 e
1973, sua taxa de crescimento médio foi de 5% ao ano, o que significou uma elevação média
do PIB per capita de 2,9% ao ano7 . Mesmo o comércio externo, apesar de ainda assentado em
bens básicos, já não era desprezível. Quando, portanto, Deng Xiaoping inicia as reformas de
1978, o país era outro, com uma parcela não desprezível da população com melhores
condições de vida, um Estado com capacidade de planejamento e execução, e uma economia
já a pleno vapor. De toda forma, o diagnóstico de seu governo indicava um desajuste
estrutural grave na economia chinesa, resultante, em grande medida, de performances
bastante distintas entre os diversos setores. O foco na indústria pesada resultara em baixas
taxas de crescimento no setor agrícola e na indústria de bens leves. Dada a relevância desses
dois setores para, respectivamente, a geração de emprego e a oferta de bens de consumo
acessíveis aos trabalhadores, o bem-estar da população estava sendo comprometido
(Monteiro Neto, 2005). No âmbito internacional, os anos 1970 foram marcados por uma
reaproximação da China com os Estados Unidos (EUA). Antagônicos em muitos aspectos, os
dois países uniam-se pelo desejo de enfrentamento à União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas (URSS). A aproximação se iniciou com a visita de Nixon a Mao, em 1971, e
prosseguiu com Kissinger e depois Carter, resultando na decisão de conferir o status de nação
mais favorecida à China. Mas, ao contrário de Japão, Coreia do Sul e Taiwan, que viveram um
“desenvolvimento a convite”, a China soube conciliar esse apoio com a manutenção de uma
estratégia autônoma (Medeiros, 2008). Nesse contexto, iniciou-se na China um movimento
inequívoco do planejamento econômico centralizado em direção a um uso maior dos
mercados, e das sinalizações e mecanismos de incentivo mercantis (Singh, 1993). No entanto,
esse movimento – e as mudanças institucionais implicadas – foram muito graduais, seguindo à
máxima de “atravessar o rio sentindo cada pedra” (Deng Xiaoping). A estratégia foi modernizar
a economia, mas preservando a unidade nacional, as instituições políticas assentadas no
monopólio do poder pelo PCC e a propriedade preponderantemente pública das terras e do
capital. Houve, de fato, uma conciliação entre a manutenção do planejamento central, mas
com grau maior – e crescente – de descentralização administrativa. Do ponto de vista da
produção setorial, os principais objetivos alinhavam-se com a necessidade de dar uma
resposta ao diagnóstico supracitado com relação aos desajustes estruturais, ou seja, buscava-
se o aumento da produção agrícola e uma transição da indústria pesada para a leve. Isso foi
feito primordialmente por mudanças nos mecanismos de organização produtiva, um pesado
investimento em infraestrutura e a facilitação da aquisição de bens intermediários8 . No
tocante ao comércio exterior, a chamada política das “portas abertas” partia do
reconhecimento da necessidade de importação de tecnologia e, em termos mais amplos, da
pertinência do aprofundamento do comércio exterior chinês como importante vetor para o
desenvolvimento econômico do país9 . Os mecanismos iniciais foram a descentralização
decisória, o aumento do acesso de algumas empresas ao mercado cambial e a criação das
zonas econômicas especiais (ZEE), com menos restrições e regulações. Ademais, foram sendo
gradualmente aliviadas algumas restrições relativas à entrada de Investimento Direto
Estrangeiro (IDE). Adicionalmente, houve reformas na gestão das empresas estatais,
liberalização de uma parte dos preços da economia, realização de uma política monetária
expansionista, uma política cambial favorável e expansão do gasto público. Os resultados
econômicos foram impressionantes. De 1978 a 1989, o consumo per capita dobrou; a
população abaixo da linha de pobreza, que ainda era de 28% em 1978, caiu para 8,6% em 1989
(menos 170 milhões pessoas consideradas pobres); de 1978 a 1991, as exportações chinesas
cresceram de 0,3% para 1,8% das exportações mundiais; já em 1992, 80% dessas exportações
eram de manufaturados. Obviamente, isso aumentou muito a capacidade da China de
importar, sobretudo bens de capital. O ano de 1992 é tido como um novo marco na evolução
da estratégia chinesa. Nesse momento, Deng Xiaoping se afastou do governo e uma nova
rodada de reformas foi colocada em prática. Foi implementada uma estratégia de
diversificação das exportações e de catching up tecnológico que passava primordialmente por
uma abertura adicional para os IDEs, pela criação de novas ZEEs e pela formação de
conglomerados empresariais 10 em setores estratégicos (com o intuito de torná-los
futuramente capazes de competir com as grandes multinacionais globais). O padrão de
crescimento chinês continuou acelerado, assim como os ganhos de participação no comércio
internacional e a entrada em setores e produtos de tecnologias cada vez mais avançadas.
Assim, por meio de uma estratégia absolutamente autêntica – a despeito da inspiração
seletiva em algumas políticas bem sucedidas em outros países –, a China criou seu próprio
caminho, denominado por Deng de “socialismo de mercado”11 . Análises que vinculam o
dinamismo chinês à mercantilização de sua economia não podem jamais ignorar, portanto, o
absoluto protagonismo do Estado na definição dos rumos da economia. Ao final do século XX,
já era clara a re-emergência da China como grande potência mundial. Não era claro, porém, se
a velocidade e a intensidade das transformações poderiam ser mantidas no século que se
iniciaria. (Impactos da economia chinesa sobre a brasileira no início do século XXI: o que
querem que sejamos e o que queremos ser Bruno De Conti Nicholas Blikstad Unicamp. IE,
Campinas, n. 292, abr. 2017)
O paraíso brasileiro natural
Foco no Brasil: falar sobre recursos naturais brasileiros, tanto de terras, commodities,
minérios e um foco especial pra geografia e extensão territorial pra introduzir ao
campo na energia

O Brasil é um país de dimensões continentais, com grande diversidade de riquezas


naturais e culturais. A abundância de recursos naturais, a grande extensão de terras
férteis para a prática agrícola e o extenso litoral elevam as possibilidades de exploração
econômica do território.

A água é um dos principais, sendo que o Brasil possui 12% das águas superficiais
disponíveis no planeta. Além disso, 90% do território recebe chuvas com regularidade e
contamos com uma das maiores reservas de água doce do mundo.

As florestas brasileiras também possuem uma biodiversidade enorme em grandes


porções do território.

A exploração de recursos minerais é uma atividade com grande potencial, e o Brasil está
a par de grandes potências nesse quesito, como Rússia, China e Estados Unidos.

Nosso principal minério é o ferro, com cerca de 90% das exportações de mineração
brasileiras para comerciá-lo. Ele é usado como matéria-prima para fazer o aço. Já a
extração brasileira dos metais nióbios e ferro representa 75% de suas produções
mundiais.

Outro minério muito encontrado no país para fazer aço é o manganês, presente
principalmente na região norte. O Brasil possui também uma das maiores reservas de
bauxita. Esse mineral é mais difícil de ser encontrado e é usado para a produção de
alumínio.

As regiões que possuem mais recursos minerais no Brasil são Minas Gerais, no
Quadrilátero Ferrífero; na Província Mineral de Carajás, no Pará e no Estado do Mato
Grosso do Sul.

O Brasil tem o privilégio de possuir numerosos rios de aproveitamento hidrelétrico, por


serem encachoeirados e de grande vazão. O parque hidrelétrico brasileiro é um dos
maiores do mundo. A energia produzida nas usinas hidrelétricas é renovável graças ao
ciclo hidrológico. As usinas hidrelétricas não necessitam de combustível porque são
“movidas” à água. Por esta razão, o custo de operação e de manutenção de uma
hidrelétrica é bem inferior ao de uma termoelétrica.

O Brasil possui a matriz energética mais renovável do mundo industrializado


com 45,3% de sua produção proveniente de fontes como recursos hídricos,
biomassa e etanol, além das energias eólica e solar. As usinas hidrelétricas são
responsáveis pela geração de mais de 75% da eletricidade do País. Vale
lembrar que a matriz energética mundial é composta por 13% de fontes
renováveis no caso de Países industrializados, caindo para 6% entre as nações
em desenvolvimento.
Plano Nacional de Energia - 2030

O modelo energético brasileiro apresenta um forte potencial de expansão, o


que resulta em uma série de oportunidades de investimento de longo prazo. A
estimativa do Ministério de Minas e Energia para o período 2008-2017 indica
aportes públicos e privados da ordem de R$ 352 bilhões para a ampliação do
parque energético nacional.

Os recursos públicos virão principalmente do Programa de Aceleração do


Crescimento (PAC), iniciativa federal lançada em 2007 para promover a
aceleração da expansão econômica no País.

Para a área hidrelétrica estão previstos cerca de R$ 83 bilhões. Hoje, apenas


um terço do potencial hidráulico nacional é utilizado. Usinas de grande porte a
serem instaladas na região amazônica constituem a nova fronteira hidrelétrica
nacional e irão interferir não apenas na dimensão do sistema de geração, mas
também no perfil de distribuição de energia em todo o País, abrindo novas
possibilidades de desenvolvimento regional e nacional.

Outros R$ 23 bilhões devem ser aplicados na expansão da produção e oferta


de biocombustíveis como etanol e biodiesel. O cenário internacional aponta o
interesse de vários Países em conhecer e adotar o uso dos biocombustíveis em
suas frotas – e, para atendê-los, o Brasil é capaz de fornecedor o produto, os
serviços e o conhecimento.

A Oferta Interna de Energia – OIE, em 2017, ficou em 293,5 milhões de tep


(toneladas equivalentes de petróleo), ou Mtep, e equivalente a 2,12% da
energia mundial.

Fonte: Ministério de Minas e Energia (junho/18)


A superpotência chinesa
Foco na China: Sua alta população, seu crescimento irrefreado, sua economia
diversificada e principalmente sua demanda por recursos naturais externos dado sua
incapacidade de gerar internamente sua demanda, pode já dar um foco na energia
também
Falar da Rota da Seda

A China despontou, rapidamente, como a segunda economia mundial, iniciando intenso


processo de inserção internacional, que vem acirrando a concorrência global, deslocando
tradicionais players dos mais diversos mercados e definindo nova geografia econômica
mundial. Gilmar MasieroI; Diego Bonaldo CoelhoII A política industrial chinesa
como determinante de sua estratégia going global Rev. Econ. Polit. vol.34 no.1 São
Paulo Jan./Mar. 2014

A China possui atualmente uma das economias que mais crescem no mundo, embora
tenha apresentado uma desaceleração nos últimos anos. A média de crescimento
econômico deste país, nos últimos anos é de quase 7,5%. Uma taxa superior a das
maiores economias mundiais, inclusive a do Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB)
da China atingiu, em valores correntes, US$ 12 trilhões ou 82,7 trilhões de iuanes em 2017
(com crescimento de 6,9%), fazendo deste país a segunda maior economia do mundo (fica
apenas atrás dos Estados Unidos). Estas cifras apontam que a economia chinesa
representa atualmente cerca de 15% da economia mundial.
2018 1 394 102 196 0.52 %

Já chegou a 2,84 a.a. em 1964

1 400 806 978 População atual

Para preservar o crescimento econômico vigoroso, a economia chinesa está passando por
mudanças estruturais profundas que envolvem a urbanização, a elevação da produtividade e
da eficiência em setores intensivos de mão de obra, o controle da poluição e a maior
preocupação com o meio ambiente e os recursos naturais. Também são relevantes a
introdução de uma rede de proteção social e da melhoraria contínua dos meios de vida da
população nas dimensões cultural e da justiça social. O desenvolvimento futuro da China
depende de transformações econômicas e da modernização, com ênfase na expansão do
consumo interno decorrente tanto de uma “nova” indústria, calcada na tecnologia e no
“verde”, quanto do crescimento do setor de serviços. Essas mudanças, fortemente baseadas
em aplicações da tecnologia da informação (TI) e das novas ciências (nanotecnologia,
biotecnologia e microeletrônica), assim como na mudança da matriz energética e na
urbanização, não serão sustentáveis sem a modernização agrícola. As reformas devem
considerar desafios, como o meio ambiente e o padrão de vida da população, o que tem
implicações com o consumo e a geopolítica. Todas essas questões determinarão o apetite
chinês e, consequentemente, dizem respeito à agricultura, tanto em escala regional quanto
global. Nesse sentido, nos próximos subtópicos serão discutidas as causas e as consequências
do apetite chinês, bem como a capacidade da China em saciar a sua fome.
Tanto a política energética da China quanto o avanço na direção da tecnologia e dos serviços
corroboram a estratégia de industrialização de produtos agrícolas com maiores possibilidades
de agregações de valor ao longo da cadeia. Isto significa que a China vem buscando a
construção de novas bases para sua competitividade, até pouco baseada na abundância e na
baixa remuneração da mão de obra, e que aos poucos vão deslocando-se para a tecnologia e
os ganhos de eficiência sistêmica.
O BRASIL ALIMENTARÁ A CHINA OU A CHINA ENGOLIRÁ O BRASIL? Pedro Abel Vieira1 Antônio
Marcio Buainain2 Eliana Valeria Covolan Figueiredo, revista tempo do mundo | rtm | v. 2 | n. 1
| jan. 2016

a Iniciativa One Belt, One Road (OBOR) representa uma ampliação e aprofundamento de
proatividade da China na configuração da dinâmica de integração regional. Antes centrada
num vetor a leste (ASEAN+1) e outro a oeste (OCX), agora alcança grande parte da Europa,
Oriente Médio e até África. É nitidamente um transbordamento do protagonismo diplomático
chinês e um alargamento do sistema sinocêntrico.
O cinturão e a Rota perpassam a Ásia, a Europa e a África, conectando o vibrante eixo
econômico da Ásia Oriental com a Europa, englobando diversos países com enorme potencial
de desenvolvimento econômico. O Cinturão Econômico tem como foco trazer junto China, Ásia
Central, Rússia e Europa (Báltico); ligando a China com o Golfo Pérsico e o Mar Mediterrâneo
através da Ásia Central e Ásia Ocidental; e conectando a China com o Sudeste Asiático, Ásia
Meridional e Oceano Índico. A Rota da Seda Marítima está desenhada para ir da costa chinesa
a Europa através do Mar do Sul da China e do Oceano Índico em uma rota, e do Mar do Sul da
China para o Sul do Pacífico em outra rota (CNRD, 2015). NATIONAL DEVELOPMENT AND
REFORM COMMISSION (CNRD). Vision and Actions on Jointly Building Silk Road Economic
Belt and 21st-Century Maritime Silk Road. 2015.

De maneira geral, as autoridades chinesas relacionam a Iniciativa OBOR aos Cinco Princípios da
Coexistência Pacífica e à busca por relações “win-win”, fundadas em “bases comuns de
cooperação e desenvolvimento” (CNRD, 2015). Em consonância, Yiwei (2016) argumenta que a
Iniciativa OBOR se difere da globalização tradicional na medida em que a sua proposta possui o
potencial de proporcionar uma globalização inclusiva, sem assimetrias entre o marítimo e o
terrestre; o urbano e o rural; os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. A inserção e a
inclusão estariam centradas no que o autor denominou como “cinco fatores de
conectividade”, nomeadamente: a) comunicação política; b) conectividade de infraestrutura;
c) comércio desimpedido; d) circulação monetária; e) entendimento entre pessoas. No que diz
respeito à comunicação política, percebe-se que a RPC se encontra em um processo de
estabelecimento de “parcerias estratégicas” no plano externo, sobretudo com países
associados ao Cinturão e a Rota Marítima. ZHANG, Feng. China as a Global Force. Asia &The
Pacific Policy Studies, vol.3, no.1, pp.120- 128, 2015 YIWEI, Wang. The Belt and Road
Initiative. What Will China Offer the World In Its Rise. New World Press. 2016
A entrada da China na OMC, a queda da tarifa média de importação ao longo da década de
199014 e os esforços adicionais empreendidos pelo país, a partir de 2001, para a abertura de
novos mercados (Zana, 2016), propiciaram uma maior integração comercial do país com o
resto do mundo. Ao mesmo tempo, a aceleração da economia internacional, a partir de 2002-
2003 – assentada em um círculo virtuoso de estímulos recíprocos notadamente entre as
economias chinesa e estadunidense – manteve e até acelerou a tendência de forte dinamismo
das exportações e importações da China, com uma taxa de crescimento anual superior aos
20% em grande parte do período 2002-2008 (ver Tabela 1). Com a eclosão da crise financeira
global, em 2007-2008, ocorreu uma desaceleração da taxa de crescimento do comércio
mundial e a China não passou ilesa, com uma expressiva contração de 11% das exportações
em 2009. A despeito de uma recuperação pontual no ano seguinte, as taxas de crescimento
das exportações e importações totais chinesas se reduziram drasticamente desde então,
havendo até uma rara contração das exportações em 2015. Impactos da economia chinesa
sobre a brasileira no início do século XXI: o que querem que sejamos e o que queremos ser
Bruno De Conti Nicholas Blikstad Unicamp. IE, Campinas, n. 292, abr. 2017

ZANA, E. O papel do setor externo no crescimento da economia chinesa (1978-2008).


Dissertação (Mestrado)–IE/Unicamp, 2016.

O acelerado crescimento econômico vivenciado pela China a partir do início dos anos 2000
aumentou vertiginosamente a demanda interna por diversas matérias-primas. Devido à sua
escassez relativa de recursos naturais, a produção chinesa de bens baseados nos mesmos não
conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento do consumo, fazendo com que a dependência
de importações se elevasse rapidamente. Para assegurar o fornecimento de longo prazo, o
país asiático criou uma sistemática de acesso global, através de três vias, ou seja, importação,
investimento estrangeiro direto e financiamento externo. A América Latina vem se tornando
cada vez mais importante no fornecimento de matérias-primas para China e é muito provável
que, no futuro, a região venha a assumir uma posição de ainda maior destaque. Entre 2000 e
2015, o valor das importações chinesas com origem na região latino-americana se multiplicou
por 21. Recentemente, o país asiático também vem realizando investimentos no setor de
recursos naturais da região de forma crescente, e firmando diversos contratos de empréstimo
com contrapartida em petróleo. Rocha, Felipe Freitas da. Acesso chinês a recursos naturais na
América Latina / Felipe Freitas da Ro- cha. – 2016.

Explorando novas formas de cooperação entre a China e a América Latina e o Caribe


A China tem sido um dos motores mais importantes do crescimento do PIB global, e
sua contribuição tem sido ainda mais notável após a crise financeira global. ■ Em 2000,
a China cresceu a uma taxa anual de 8,5% e respondeu por cerca de 3,6% do PIB
mundial, contribuindo com cerca de 0,3 ponto percentual para o crescimento global. Em
2010, a economia da China cresceu a uma taxa anual de 10,6% e representou perto de
9,2% do PIB global. Desde 2010, o país contribuiu com quase 1 ponto percentual ao
ano para a taxa de crescimento do PIB global e, em 2016, foi responsável por mais de
40% da expansão. B. ■ Em 2016, a economia chinesa representou mais de 15% do PIB
mundial e foi a segunda maior economia do mundo depois da dos Estados Unidos. Tem
o maior PIB industrial do mundo, na medida em que representa 22,5% dessa métrica
global. Da mesma forma, é o maior produtor agrícola do mundo, representando 30% do
valor agregado da atividade agrícola global. ■ O país é a segunda maior economia em
termos de consumo final das famílias (9,6% de participação), atrás apenas dos Estados
Unidos, que representaram 28,9% do consumo mundial em 2016.
O crescimento econômico chinês está se estabilizando entre 6,4% e 6,7% para o período
2016-2018. Apesar de esta taxa de crescimento ser inferior ao nível de dois dígitos
registrado pelo país após a crise financeira global, ela continua sendo uma das mais
altas do mundo. ■ Além disso, a economia chinesa continua sua transição de um
paradigma de investimento e manufatura para um novo modelo baseado em consumo e
serviços. ■ Esse maior ímpeto no setor de serviços é, em parte, atribuível ao
crescimento do consumo - que é mais intensivo em serviços - superando o da formação
bruta de capital fixo. Os menores níveis de investimento são parcialmente conseqüência
do declínio na construção, especialmente em cidades pequenas e médias, mas esses
níveis ainda são muito mais altos do que os investimentos em outras economias.
■ Atualmente, a China produz muitos insumos que antes precisavam importar, como
pode ser visto na queda de 9 pontos percentuais (de 57% para 48%) na participação de
partes e componentes em suas importações não petrolíferas desde 2000. ■ Mais de Nas
últimas décadas, a China vem transformando seu setor manufatureiro, evoluindo para
indústrias com um crescente conteúdo tecnológico e baseado em conhecimento. Hoje é
o maior produtor mundial de aço e muitos outros produtos industriais, como os
automóveis. ■ Ao mesmo tempo, o país está usando cada vez mais a produção
doméstica para substituir suas importações de peças e componentes de alta tecnologia e
baseados em conhecimento. Essa tendência é impulsionada por uma série de políticas
que constituem o plano Made in China 2025, lançado em 2015 e que tem como um dos
objetivos elevar o conteúdo nacional de componentes e materiais para 40% em 2020 e
70% em 2025
A Iniciativa Belt and Road é uma expressão do crescente papel global da China ■ Em
2013, o Presidente Xi Jinping anunciou a Iniciativa Belt and Road, um projeto de
infraestrutura de grande escala para conectar Ásia, Europa e África e impulsionar o
crescimento econômico e a cooperação internacional. ■ A Iniciativa Faixa e Estrada tem
dois componentes principais: o Cinturão Económico da Rota da Seda, um corredor
terrestre e a Rota Marítima da Seda do Século XXI, uma rota marítima. A iniciativa
envolve a construção de estradas, linhas ferroviárias, oleodutos e portos. Além disso, as
rotas aéreas serão criadas e a cooperação nas áreas da economia digital, inteligência
artificial, computação em nuvem e cidades inteligentes será fomentada para criar uma
Rota da Seda Digital. ■ A Iniciativa Faixa e Estrada será financiada pelo Fundo da Rota
da Seda, com o apoio do Banco de Desenvolvimento da China, do Banco de Exportação
e Importação da China, do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, do Novo
Banco de Desenvolvimento dos BRICS (Brasil, Rússia). Federação, Índia, China e
África do Sul) e outras instituições. O financiamento total para a Iniciativa Faixa e
Estrada pode chegar a um trilhão de dólares. O governo da China anunciou vários tipos
de apoio financeiro, incluindo um aumento de US $ 14,5 bilhões para o Fundo da Rota
da Seda, uma ajuda ao desenvolvimento no valor de 60 bilhões de yuans (US $ 8,7
bilhões) para os países envolvidos na construção do Fundo. iniciativa nos próximos três
anos, US $ 300 milhões para programas emergenciais de alimentos nos países
participantes e US $ 145 milhões em subsídios de cooperação Sul-Sul.
Mapa de investimentos Brasil-China
Gráficos de investimento interno e externo, ainda geral, mostrando o foco e o boom
dos investimentos chineses no brasil em energia. aqui o trabalho afunila de vez para o
campo energético

O financiamento chinês na região é focado em infraestrutura e energia ■ Os bancos


chineses canalizam mais da metade de seu total de empréstimos na região para infra-
estrutura, quase um terço é gasto em hidrocarbonetos e geração e distribuição de energia
e o restante é usado para financiamento comercial e orçamentário. apoio e outros
projetos mistos. ■ Além dos empréstimos e linhas de crédito, o financiamento chinês na
região faz uso extensivo de um instrumento inovador no qual os empréstimos são
concedidos em troca de petróleo, e esses acordos “empréstimo por petróleo”
representam cerca de 50% do financiamento total. Por meio desse mecanismo, os
bancos chineses garantem que seus empréstimos sejam pagos na forma de remessas de
petróleo. Esse tipo de instrumento garante à China retornos melhores em mercados mais
arriscados, porque os prêmios de risco mais baixos são garantidos à medida que os
países tomadores que desejam exportar seus produtos para a China o fazem pagando
suas dívidas. ■ Tais instrumentos foram usados para canalizar mais de US $ 74 bilhões
em apenas quatro anos. Os principais destinatários foram a República Bolivariana da
Venezuela (seis empréstimos desde 2008, para US $ 44 bilhões), o Brasil (em 2009, um
empréstimo no valor de US $ 10 bilhões) e o Equador (quatro empréstimos desde 2009,
para um total de US US $ 5 bilhões). ■ As taxas de juros dos empréstimos chineses
podem ser ligeiramente superiores às de outras opções de mercado para muitos países
da região; isso nem sempre é o caso, especialmente para países com acesso mais restrito
ao capital internacional (o que é verdade para vários dos principais tomadores de
empréstimos da China). As menores taxas de juros (2%) foram concedidas pelo Banco
de Exportação e Importação da China em empréstimos ao Estado Plurinacional da
Bolívia e à Jamaica em 2010, que a China publica em seus livros como parte de sua
assistência oficial ao desenvolvimento.
Com um excedente em commodities e manufaturas baseadas em recursos naturais que é
apenas um pouco menor do que seu déficit em outros produtos manufaturados, a
balança comercial global da América do Sul com a China fica próxima do ponto de
equilíbrio. Em contraste, dada sua especialização em exportação, o Caribe, a América
Central e o México registram um déficit geral com a China, que aumentou
constantemente desde o início do século, de US $ 3,0 bilhões em 2000 para US $ 78,0
bilhões em 2016. todo esse déficit é resultado do comércio de bens industriais.

Tradicionalmente, apenas três países da região geraram superávits comerciais com a


China, e todos os três são da América do Sul: a República Bolivariana da Venezuela, o
Brasil e o Chile. As exportações de um pequeno número de commodities respondem
pelos superávits dos três. Em 2016, esse grupo se expandiu para incluir o Peru. No outro
extremo está o México, que sozinho responde por dois terços do déficit comercial total
de todos os países da região que enfrentam déficits com a China. Isso porque, enquanto
apenas 1,4% das exportações do México em 2016 foram para a China, 18% de suas
importações naquele ano vieram de lá.

A cesta de exportação que a China recebe da América Latina e do Caribe é muito


menos sofisticada do que os envios da região para o resto do mundo: em 2016, as
commodities representaram 72% das exportações da região para a China,
comparado a 27% de seus embarques para o resto do mundo; Em contraste, os
fabricantes de baixa, média e alta tecnologia responderam por apenas 8% das
exportações da região para a China, comparado a 57% de suas exportações
globais. Para as importações, a situação se inverte: em 2016, enquanto as
manufaturas de baixa, média e alta tecnologia responderam por 91% das
importações da região da China, sua participação nas importações do resto do
mundo - ainda alta em termos absolutos. , em 68% - foi substancialmente menor
em termos comparativos. Em outras palavras, o comércio entre a América Latina
e o Caribe e a China permanece claramente intersetorial: matérias-primas para
manufaturas.
Algumas mercadorias dominam os envios da região para a China ■ Apenas cinco
produtos, todos eles commodities, representam 70% do valor total das exportações da
região para a China. As 20 principais exportações para a China vêm quase
exclusivamente dos setores de mineração e hidrocarbonetos, juntamente com alguns
produtos agrícolas e florestais. Os únicos bens industriais que aparecem na lista são
caixas de câmbio e veículos; estes, no entanto, representam apenas 1% dos embarques
da região para a China. Em consonância com isso, na maioria dos países da região, o
número de produtos exportados para o próprio mercado da região supera o número de
produtos exportados para a China em mais de um fator de dez.

Em 2016, a China tornou-se o segundo maior país investidor depois dos Estados Unidos
O IDE na China caiu 1% em 2016, enquanto a participação do país nos investimentos
no exterior continuou a crescer. Uma década atrás, as saídas de IDE da China
representavam apenas 1,3% dos fluxos globais, comparado com 16,5% para os Estados
Unidos (o maior investidor). Em 2016, a participação da China nos investimentos
externos em IDE subiu para 12,6%, tornando-se o segundo maior investidor mundial
depois dos Estados Unidos (20,6%). ■ A estratégia “Go Global” da China, lançada há
mais de uma década, consolidou seu papel de player global que se integra ao
funcionamento de setores cada vez mais sofisticados, engajando-se ativamente nas
novas tendências tecnológicas da quarta revolução industrial, particularmente por meio
de fusões. e aquisições. ■ Os investimentos da China no exterior atingiram o recorde de
US $ 183,1 bilhões em 2016 e, pela primeira vez, superaram os ingressos de IED,
tornando esse país um investidor líquido.

A análise das fusões e aquisições chinesas revela uma estratégia diferenciada,


dependendo do mercado geográfico. ■ Cerca de 60% do valor das fusões e aquisições
feitas por empresas chinesas entre 2015 e 2016 foi concentrado na Europa e nos Estados
Unidos. A Ásia continua sendo um importante destino para as empresas chinesas, que
representam 23% do total de aquisições na região. Enquanto isso, uma pequena
porcentagem das aquisições de empresas chinesas, apenas 4% do total, foi na América
Latina e no Caribe. ■ A análise dos setores de destino na Europa, nos Estados Unidos e
na América Latina e no Caribe revela uma estratégia diferenciada, dependendo da
região. A maioria das fusões e aquisições na Europa e nos Estados Unidos estava em
atividades de alta tecnologia e bens de capital, indicando que as empresas chinesas
buscam ativos estratégicos de alta qualidade. ■ No entanto, as empresas chinesas
investiram em apenas alguns setores na América Latina e no Caribe. A grande
maioria das aquisições (88%) foi nos setores de energia e mineração, indicando que
a estratégia das empresas chinesas na região é explorar os recursos naturais e
abastecer o mercado de energia.
Desenvolvimento indústria nacional - Ciência, tecnologia e
inovação
A América Latina destina apenas 0,7% do PIB para pesquisa e desenvolvimento (P &
D), contra 2,2% da China.

A China está se tornando líder mundial em inovação tecnológica por trás da promoção
do desenvolvimento tecnológico, sua participação no valor agregado da atividade
manufatureira global e o desenvolvimento e uso de novas tecnologias de produção,
como tecnologias digitais e de automação e avanços em robótica. As estratégias e
políticas implementadas pelo Governo incluem o Plano Nacional de Médio e Longo
Prazo para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (2006-2020), a decisão do
Conselho de Estado para acelerar o desenvolvimento de indústrias emergentes
estratégicas (2010) e o Made in Programas China 2025 (2015) e Internet Plus (2015).
O programa Made in China 2025 identifica 10 setores prioritários: tecnologia da
informação da próxima geração; máquinas de controle numérico e robótica de ponta;
equipamentos aeroespaciais e de aviação; equipamentos de engenharia marítima e
fabricação de embarcações marítimas de alta tecnologia; equipamento ferroviário
avançado; veículos de poupança de energia e de nova energia; equipamento elétrico;
máquinas e equipamentos agrícolas; novos materiais; e dispositivos médicos de
biomedicina e de alto desempenho.
A China aumentou sua participação no investimento global em P & D de 4,7% para
24%, enquanto a América Latina continua pairando em torno de 3% do total mundial

O investimento global em P & D dobrou nos últimos 15 anos, superando o crescimento


econômico global. Depois de estagnar o briefing em 2008 e 2009, recuperou o ritmo
graças ao ímpeto gerado nas economias emergentes. A China se tornou o segundo maior
investidor em P & D global depois dos Estados Unidos, gastando mais do que o dobro
do Japão e superando todos os países da União Européia juntos. ■ Embora os Estados
Unidos continuem sendo o principal investidor (respondendo por 29% do gasto global
em P & D em 2015), sua hegemonia começou a ficar ameaçada pelos avanços da China,
que aumentaram sua participação de 4,7% em 2000 para 24% em 2015.
A China elaborou uma estratégia de crescimento baseada no fortalecimento de sua
presença internacional por meio do desenvolvimento tecnológico, fornecendo
prontamente o elo entre a oferta e a demanda por conhecimento. Isso permitiu que a
China se posicionasse como líder em manufatura avançada. ■ A América Latina não
conseguiu capitalizar o boom nos preços das commodities para desenvolver uma
estratégia focada em ciência, tecnologia e inovação como o principal motor do
crescimento e desenvolvimento. Como resultado, o progresso da região em termos de P
& D foi fraco em comparação com o da China e outras economias emergentes.
Enquanto a região respondia por 3,2% do investimento global em P & D em 2000, em
2015 esse número subiu apenas para 3,5%. ■ O pequeno aumento regional, refletiu
principalmente o crescimento do investimento em P & D no Brasil; o crescimento em
gastos com P & D no resto da América Latina foi marginal. O desenho e a
implementação das políticas de ciência, tecnologia e inovação na região tendem a ser
lentos e acompanhados por instrumentos fracos. As razões para isso incluem os baixos
gastos contínuos em ciência, tecnologia e inovação e pouco envolvimento do setor
privado; a continuidade da subordinação de P & D a outras políticas econômicas,
condicionada pela ideia de que, quando os sinais macroeconômicos estão certos, a
produção e a tecnologia seguem o caminho do crescimento; fraqueza institucional; e,
por fim, uma coordenação limitada entre política de ciência, tecnologia e inovação e
uma estratégia de mudança estrutural. ■ O resultado de todos esses fatores é que essas
políticas permanecem limitadas por uma estrutura produtiva pouco sofisticada e
diversificada, capacidade tecnológica endógena limitada e fraca demanda do setor
privado, sem incentivos para priorizar a criação de conhecimento e a inovação na
atividade produtiva.
Os países mais avançados, como Israel, os Estados Unidos, a República da Coréia e a
China, que basearam suas estratégias de crescimento no desenvolvimento tecnológico,
alocam entre 60% e 80% de seus investimentos em P & D para o desenvolvimento
experimental. Nos países europeus, essa proporção cai para 40%. Os países da América
Latina canalizam uma parcela menor de gastos em desenvolvimento experimental e
dedicam a maior parte desse investimento à pesquisa básica e aplicada.

Investimento interno brasileiro na matriz energética


Dados sobre o investimento do Brasil no país, gráficos, tipo de energia,
empresas públicas privadas ou PPP, nacionais ou estrangeiras, relevância do
investimento em função da capacidade na produção de energia.

Investimento chinês na matriz energética brasileira


Dados sobre o investimento da China no país, gráficos, tipo de energia,
empresas públicas privadas ou PPP, relevância do investimento em função da
capacidade na produção de energia.

O desenvolvimento de energia não convencional apresenta uma oportunidade para o


investimento chinês ■ A composição setorial dos projetos de investimento anunciados na
região mudou substancialmente entre 2005 e 2017, devido ao fim do boom dos preços das
commodities, à expansão da economia digital e à recuperação. na indústria automotiva no
Brasil e no México, e o rápido desenvolvimento de energias renováveis. ■ O valor do
investimento anunciado no setor de combustíveis fósseis caiu de 30% do total da região em
2006 para 10% em 2017. Esse declínio foi compensado pelo forte crescimento das energias
renováveis, com investimentos anunciados aumentando de 1% do total em 2005 para 18% do
investimento na região em 2016, no valor de US $ 13 bilhões. ■ O setor de energia alternativa
foi o principal destinatário dos novos projetos de IED na região em 2016 (a partir de outubro
de 2017, ficou em segundo lugar, atrás do setor de telecomunicações). O aumento do número
de projetos não convencionais de energia renovável reflete o enorme potencial dos países
da América Latina e do Caribe para apoiar uma transformação global que possa enfrentar os
riscos associados às mudanças climáticas e desenvolver fontes de energia alternativas,
limpas e eficientes.

Apesar da influência considerável da China na produção de energia alternativa globalmente, o


investimento anunciado pelas empresas chinesas representou apenas 2% do total do setor na
América Latina e no Caribe entre 2005 e outubro de 2017. No entanto, isso não reflete o
aumento substancial dos investimentos chineses em energias renováveis na região, que
passou de inexistente antes de 2010 para 5% do total anunciado pela China entre 2011 e 2016.

Cerca de US $ 90 bilhões entraram na região da China entre 2005 e 2016, representando


aproximadamente 5% do IDE para a América Latina e o Caribe. ■ No entanto, a informação
disponível sugere que é provável que haja um aumento acentuado tanto no valor absoluto
quanto na participação da China no IDE na região em 2017. Investimento de empresas
chinesas na América Latina e no Caribe em 2017 Estima-se que seja superior a US $ 25 bilhões,
o equivalente a cerca de 15% do total de vazamentos para a região naquele ano. ■ A aquisição
de empresas brasileiras de energia elétrica teve um impacto significativo sobre os números
de 2017, como será visto abaixo

O Brasil recebeu 55% dos investimentos feitos por empresas chinesas na região desde 2005,
incluindo as estimativas de 2017, seguido pelo Peru, com 17%, e pela Argentina, com 9%.
Assim, os três principais países receptores respondem por 81% do IDE chinês na região.
O setor de energia tem sido o principal alvo de fusões e aquisições de empresas chinesas na
América Latina e no Caribe. Com relação às aquisições de empresas chinesas na região, 49%
do total foram para este setor e 12% para energias renováveis. Enquanto isso, mineração e
utilitários representaram 9% e 33% do total, respectivamente. Nesse contexto, o
considerável crescimento dos investimentos chineses em 2017 deveu-se à venda das
principais empresas brasileiras de energia, cujo valor ultrapassou US $ 17 bilhões.
Além de projetos de investimento e fusões e aquisições, os contratos de construção com
empresas chinesas ganharam importância crescente na América Latina e no Caribe. Em muitos
casos, esses contratos de construção são concedidos pelo Estado e recebem financiamento de
bancos chineses. ■ Entre 2011 e 2016, várias empresas chinesas receberam contratos de
construção na região no valor de quase US $ 40 bilhões, 40% acima do valor total de novos
projetos e de fusões e aquisições no mesmo período, que somaram US $ 28 bilhões. ■ A
maioria dos contratos foi nos setores de energia (representando 66% do valor total dos
contratos entre 2011 e 2016) e de transporte (16%). Grandes projetos hidrelétricos
representaram a maioria (40%) desses contratos.

Energia renovável, interconexão energética e infra-estrutura


Nos últimos anos houve um desenvolvimento significativo e promissor em energia renovável e
limpa na América Latina e no Caribe. ■ Na América do Sul, a energia solar foi incorporada à
matriz de energia renovável somente nos últimos três anos. anos. No mesmo período, a
produção de energia eólica se expandiu consideravelmente graças a novas instalações,
particularmente no Brasil e no Uruguai. A hidreletricidade também aumentou
acentuadamente desde 2014. Enquanto isso, a importância relativa da bioenergia diminuiu
desde o boom dos biocombustíveis entre 2008 e 2013 (principalmente no Brasil e na
Colômbia). Ao mesmo tempo, a contribuição de novas usinas geotérmicas na sub-região tem
sido insignificante.
No Brasil, o investimento atingiu o pico em 2008 (US $ 11,5 bilhões), devido principalmente
aos investimentos em grandes usinas de bioetanol e à implementação do Programa de
Incentivo a Fontes Alternativas de Energia (PROINFA), que promove a instalação de usinas
eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e biomassa. Apesar da crise econômica iniciada em
2015, o investimento em energia renovável no Brasil tem se mantido, até o momento, em
cerca de US $ 7 bilhões por ano, principalmente em novas usinas eólicas e de bioenergia.
A China tem um envolvimento limitado em parcerias público-privadas para fornecer infra-
estrutura na região, concentrada em poucos países e nos setores de energia e transporte. ■
Até o momento, as empresas chinesas mostraram pouco apetite por projetos de investimento
público-privado na América Latina e Caribe, que exigem maior comprometimento e
apresentam riscos a longo prazo. Os US $ 7,663 bilhões que a China investiu nos setores de
energia e transporte por meio dessas parcerias em 2000-2016 representaram apenas 1,3% do
total investido na região por todos os países no mesmo período (US $ 592 bilhões). ■ O
investimento patrocinado pela China em parcerias público-privadas tem se concentrado
principalmente no Brasil (60,7% do total), onde quase todos esses fundos (99%) foram
injetados no setor de energia. O investimento restante destinou-se à Colômbia (14,8%),
Jamaica (13,7%) e México (4,0%), onde, diferentemente do Brasil, o setor de transporte foi o
principal beneficiário. Os patrocinadores chineses não investiram nos setores de água e
saneamento ou telecomunicações.