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2 A Le Ao... Ojprecesso do couhodinshto contraste de nancire surprendente do,processo da vi- 4 ‘yoda. A experiénoia vivengial que tenho ao comer mag& 6 de uma simplicidade . Ronciftiea, O-eothecimento que tezho dessa experifncia é de una complexidade ¢ variedade pr&ticamente inesgotével. A simplicidade vivénoial é destrocada e ir eparévelmente destruida pelo processo do conhecimento. A vida 6 destrogada ¢ irrepardvelmenté destruida pelo pensamento. © pensamento que procura conheaer @ vivéncia funciona como agente analisador que seciona a vivéneia em multiples camadas, A meta do pensamento é alcancar um conhecimento integral, isto é re- compor, no final do seu progresso, a vivéneia viyisecionada. 0 conhecimento in tegral seria a resgureicao da vivéncia,' que seria doravente uma vivénctla acresci 4a de uma nova dimensaos uma vivéncia conhecida. Todo o progresso do pensamento teri cssa mota. Procura uma vivéncle mais intensa e mais profunda, e para tanto mata a vivénoia ingSma, 0 pensamento, j4 que mata para ressuscitar, 6 absurdos © homem, come sey pensante, 6 um ser absurdo, Has trata-so de uma absurdidade metédica, © homem como ser pensante é absurdéporque mata a sua vivéncia ingenua em ‘tua busca metédica da omnicjéncia, a qual lhe proporcioneria, se alcangada, ums vida mais plena, 4 absurdidade do homem reside na sua tentative metédica de superar—se a si mesmo. © pensamento 6 o método pelo qual o homem, qual Muench- © basin, quer ‘elevar-se s8bre si metmo puxande-se pelos cabelos. Schopenhauer e 6 £12ésofos ‘aa vida" chamam & nossa atengdo pare a agdo destruidora do ‘pense . Mento, Os-filésofos existenciais salientan e absurdidade da situagéo humana. : Enbo’ manospresam a nobrese desesperada que 0 pensanento © a situagéo Inimana delc A600: sente representam, Consideremos, embora de maneira superficial, (Bregéo des traidora do pensanento, a abeurdidade de situago humana dela decomrenta; ean - bres densa eituacSo, tomando como exemplo o vivéncias “como uma maga", © progresse do pensamente com sua anflise implacdvel da vivéncia destrinchou ela em diversas camadas de conhecimento, Consideremos as mais caracterfaticas, Na camada da ffsica cldasica a vivéncia pode ser compreendida como um processo me- edntte. “Comer maga" stgnifica levar uma mga A boca, trituré-le com os dentes, transporter os detritos pela agdo peristditica do eséfago até o estémago, des— truir a sua organisagio molecular no estémago e nos intestines, tronsportar pola prespio oamética csrtos detritos das moléctlas até as celulas do corpo,-e expe-- lir outros detritos pela agao peristdéltica dos intestinos e do anus. Eete pro- o % adompanbade de complekos acontecimentos mecdnicos do ambiente. Involve ‘uma tremenda massa de movimentos, todos eles influenciades pelo campo erayitact onal és terra, e sua compreensio total, isto ¢ sua eee en equagses me tendticas, & préticamente impossivel, dada a sua complexidade, A compreensdo da vavénoie "comer maga" na camada de conhecimento "fisica cldssica" ultrapassa 6 capacidade do pensamento. Ne camada da quimica eldssica “comer magi” pode ser. compreendide como um proces- so de andlise e sfntese de compostos orginicos. Os doidos, os agiicares, os és ves, os Sleos aromiticos eto, contidos na L magi Go atacados pelas pepainas, pti~ alinas, as béses e os decides do corpey so decompostos, as suns ostruturas mo— _p lectibizon eo rompidas, e sf Zormados novos compostos assimilados ao corpo. Re te Jogo quimico entran catalisadores ¢ encimas de tremenda complexidade, Como ae subjetivismo fs Gono _obmer maga: bjetiviamo ou um +640 0 préceséo & extrotermico, embdta apresentfe qualidades’ termioas com plexas em suas fases individuais. -£ scompanahado de processdés elétromagnetioo: @ oristalogréficos de andlise diffoil, A repetigao do processo no laboratério 4mpossfvel, dada a sua complexidade, e dadas as fdses ainda insufioientemente compreendidas pela quimica, A prépria composicéo e estrutura de mitos dos com Postos involvidos no processo é desconhecida, A compreenséo da vivéneia "comer magi" na camada de conhecimento “quimica cldssica” ultrapassa a capacidade do pen saiento. 4 qufmioa moderna 9 a ffsica nuclear representan um desdobrar do processo a ponto 4e formaram novas camadas de conhecimento. "Comer mac&" pode ser compreentide co mp interaglo de diversos campos eletromagnéticos e gravitacionais que trax. consige movimentos e cargas eletrénicas, ionisagoes, sendo um processo termodindmics ‘@-wrave problema da entropfa. Nosta canada a prépria “realidade" do processo tor na=se problemftica, j4 que os conceitos materiais de “macé" e "corpo", @ o conceit: Opexacional de "comer" tomnam-se fluidos. 0 processo todo adquire um cardter qui- Atdgtico, apontando pera o fim do mundo, jé que involve o princfpio da entropfa, isto de oportunidade definitivamente perdida, Nesta camada o pensamento se spro ximaperigogamente daquile que é chamado “ontologfa" na filosofia, As tentativas dé Apatasin-Wprocesso para equagoes da matemAtica avangada sie grandemente preju adeadiis:pela complexidade do processo e pela insuficiencia dos conhecimentos, A compresrisio da vivéncia “comer maga" ultrapassa de longe a capacidade do pensanen— to, se considéeradas a partir da camada de conhecimente "fisica moderna", q Estas sio entretanto as camadas relativamente mais simples e mais ben pesquisadas. Nas camadas da fisiologfa, da psicologfa behaviorista, Gestalt, e de profundidade, Ba economfa, ete, o processo adquire ume complexidade inteiramente insuperdvel, ‘A magi adguire ora o oardter de "alimento", ora de "Sensagao", ora de “desafio", ora de "objeto carregado de libido", ora de “simbole arquetipico", ora de “produ- to de trabalho", “Comer” adquire ora o cardter de “atividade neuro-somftica", o- ra de "ter sensacoes externas e internas", ora de jeolha", ora de “oompensagao de complexos reprimidos", ora de “realisagac do ego", ora de “consume de capital". A complexidade que surge em todas estas camadas de conhecimento desatia qualquer tentativa de explicagSo, 0 pensamento lmmano tateia em todas estas camadas e n&o passa de hipSteses mal formiladas, 4 prépria exieténcia destas camadas milltiplas representa um problema formiddvel. Nao basta dizer que as camadas se cruzame se sobrepoem uma A outra, Nao basta @izer que a camada da ffoica por exemplo, invade a camada da quinica, e 2 .camada ée psicologfa invade.a camada da economfa. 2 preciso confessar que, embers as camadas se cruzem, oles So se toleram mtuamente, A camada da ffsica, por, éxemph lo, nao tolera a camada da economfa, A ffsioa tende a "explicar™ totalmente. vivéneia "comer magi" e nie deixa espace para uma “explioagso" economioa da vivén, ofa, Com efeito, a fisica diz respeito a uma “realidade" totalmente incongruente com a “realidede* & quel diz respeito a economfa, As camadas de conheoimento ori, am outras tentas “realidades" completas e tudo-abrangentes. Cancelem-se mutyanen te. Felizmente, o pensamento humano & incapas nao sémente a compreender a. vivén~ ede em cada camada individual, mas mais ainda de sbranger em seu seio mais de uma camada por véz, Se o pudesse, teria b& tempos perdido qualquer senso de realide— de e ostaria vagando mmm odos de realidades disparatas. : ae, _° “sy As camadns até agora consideradas #85\todas do meano tipo de conhebimento. ze te tipo § chamado, de maneira muito imprecisa, de “conhecimento oientffico". ft um conhecinento "objetivor, isto § um conheoimento comnichvel © experinental- mente repetivel por qualquer sujeito, ntretanto, estes camadas nem de longe eg gotam a profundidade da vivéncia em sue simplicidade monolftica, muito pelo con ‘rGrio, parecem no efeta-la. A vivéncia que tenho ao comer mag% nada parece ter em comim com este tipo de “realidade" que as camadas de conhecimento "obje- tivo" revelam E&, entretanto, um outro tipo de conheoimento que podemos chamax “de "aubjetivo". § um conhecinento que pertence ao sujeito eubmetido & vivénoia. $ aitfotinente comunicével, embore ossa comunicaglio tenha sido eisatada sempre 4 novos 0 ponsanento, ao ter © formar este tipo de conhecimento, procede a uma viviseoHo da vivénote em tudo identica com a-viviglo empreendida pelo conhe- cimento "objetivo". surgom tantas camadas de conhecinento "aubjetivo, quantas G de conhecimento "objetivo". sto camadas que dicem respeito nos aspectos ea- t8ticos, Sticom @ religtoson da viv8ngie, sto commicadas oblfquanente pelos postas, os espfritos religiosos e og mfatioos. "Comer mah" pode significar to- da uma gama de conhecimentos estéticos, os quais, por sua ves, podem dar origem 8 toda una gama de ostilos de arte. "Comer magi" pode ter um aspecto ético a dar origem a toda ume teolog-fa, como no caso da mag comida por Agostino, Fi- nalmente, “oomer magi" pode proporoionar ao aujeito uma vie$o imediata, um conhe_ einento profunds de toda a realidade. Ao comer uma mag o mujeite pode identits car-se’e fundir-se com o tudo, pode conhecer a "unio nyatida"..” Hic aeidd lesftia ente comniciveis estas camadas de conhecimento, nutre o penamaneto. "objeti- vor una certa desconfianca quanto a elas, sta desconfianga nfo se -Justificas Aq parentSsiente eles dizem respeito & vivnola mais imediatamente que as camadas "ob- detivas" do conkecimento, embora tio pouco eagotem a vivéneia, Peb sontrirlo, o que ee justifica 6 uma desoonfienga quanto eo valor ontolégico dos conhecimentos Nobjetives". Ss ocidentais nfo inclinamos para este tipo de desconfianga, J6 que somos deslucbrados ‘pelos éxitos praguaticos do conhecimento "oient{tioo" dos 41timos quinhentos anos, Uma retomada de contacto com a vivéncla fas ressurgix esse tipo de desconfianga, © papel da‘filosoffa 6, ente outros, a tentativa de englobar todas estas camadag de conhecinento "eubjetivo" @ "objetivo", e, desta forma, reasuscitar a vivincia diesecada num nfvel mais elevado. . Bm outras palavras 0 papel da filosofia a focalisago © completa do processo chamado "pensamento# zeta tarefa ultrapassa entretanto a cpacidade do pensamento, As camadas nfo se deixam focalisar no mes- mo foe0, porque s&o'mutuamente contraditérias. 4 filosoffa nBo consegue Tessusci tar a vivénoia., Muito pelo contrdrio, completa aquele cpime de aseagsinato da vi vénola que o pensamento especialisado tinha inioiado. 0s restos vivénciais da vivénesa que o peneamento especidlisado porventura nfo atacou, (Justamente por ser q°spectalisado), oflo liquidados pelo pensamento universal da filosoffe. 0 pensa~ “mento filoa6fico move-se num mundo de vivéncias mortas. As suas doutrinas cho outros tantos "post-mortems". Ha filosoffa torna-se palpfvel a absurdidade do Pensamento, Posso filosofar infinitanente a respeito do "comer magi", mas quanto: mais especulo, tonto mata irreal torna-se eate “comer mapf". Com efeitos ce o “gonhecimento especialisado, por exemplo o ffsioo, torna diffoll o prérpic ato de