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TÍTULO

Revista do Recursos
Para Líderes
de Igreja

jan-mar,2011
jul-set, 2007
EXEMPLAR AVULSO: R$ 5,85. ASSINATURA: R$ 19,00

O profeta e a Bíblia
Indicadores de um profeta verdadeiro

Batismo da Primavera
Como preparar os juvenis para uma nova vida
DE CORAÇÃO A CORAÇÃO

Mortos ou vivos?
Divulgação AG

Jonas Arrais
Secretário associado da
Associação Ministerial da
Conferência Geral

O
antigo Israel se tornou prisioneiro de outras misericórdia que Deus nos oferece, reconhecendo que
nações porque se distanciou de Deus – aban- Ele nos aceita por meio de Cristo.
donou Seus mandamentos e Sua proteção. A Inevitavelmente, quando percebemos nossa com-
fim de trazer a nação de volta ao Senhor, o profeta pleta incompetência, sentimos o absoluto senso de pe-
Samuel apresentou ao povo uma poderosa mensagem cado. Mesmo fracos, podemos abraçar a misericórdia,
de reavivamento. Como os israelitas ouviram o profeta, o amor e a compaixão de Deus. Isso é submissão à obra
reconhecendo o quanto haviam se afastado, confessa- do Espírito; é por meio do Espírito Santo que o reavi-
ram seus pecados e foram reavivados espiritualmente. vamento ocorre.
“Hoje há necessidade do reavivamento da verda- E como resultado do reavivamento, da vida espiritual
deira religião do coração como o que foi experimenta- renovada, o povo de Deus sentirá especial interesse pelos
do pelo antigo Israel. O arrependimento é o primeiro membros da sua família que ainda não conheceram a
passo que deve ser dado por todos os que desejam Jesus. Contará a eles e a outras pessoas a respeito do amo-
voltar a Deus. [...] Devemos individualmente humilhar rável Salvador. Agirá impulsionado pelo poder do Espírito.
nossa alma perante Deus, e lançar fora nossos ídolos” Ellen G. White afirma com toda segurança: “Se a
(Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 590). vida de Jesus estiver em vocês, vocês ficar cheios de
Reavivamento significa “trazer de volta a vida”. Há vigor. A igreja não ficará fria, no estado de apostasia,
necessidade de reavivamento para renovar a vida e res- mas experimentará o reavivamento do espírito mis-
suscitar o ser humano da apatia e da morte espiritual. sionário. Vocês [...] procurarão levar as boas-novas de
Nossa espiritualidade e a espiritualidade de nos- salvação aos parentes, vizinhos e amigos” (Signs of the
sas congregações estão necessitando de reavivamento, Times, 22/02/1892). Esse reavivamento será resultado
de serem revigoradas? O que nos impede de um re- de corações que buscam em oração o derramamento
lacionamento mais profundo com Deus? Estamos tão da chuva do Espírito Santo.
ocupados com os cuidados diários que não nos sobra Você tem orado em favor do derramamento do Es-
tempo para ficar um pouco mais com Ele? pírito? Você anseia pelo reavivamento em sua vida e na
Como gastamos nosso tempo? Temos orado com igreja? Deus está esperando nosso retorno e a entrega
frequência, buscando conhecer a vontade de Deus; ou total do coração a Ele. Deus pretende realizar maravilhas
os esportes, a TV e os hobbies prendem nossa atenção? entre nós. Ele espera que sejamos fiéis aos Seus manda-
Sem reavivamento, estamos espiritualmente mor- mentos e motivados por Sua misericórdia e amor. Ele
tos, a letargia espiritual nos vencerá. Mas a boa notí- promete novamente derramar Seu Espírito. Todos jun-
cia é que o reavivamento pode nos alcançar. A chave tos, roguemos para que Ele torne a estender a mão sobre
é dedicar tempo a Deus em oração e estudo da Sua Seu povo para que, pelo nosso testemunho, Seu nome
Palavra. Necessitamos obter profunda compreensão da seja glorificado e engrandecido entre as nações.
2 Revista do Ancião jul-set 2011
EDITORIAL

Evangelismo e
Foto: William de Moraes

Paulo Pinheiro
Editor
serviço social

P
arece não existir dúvida de que a congregação local é o foco central e a força motriz da Igreja Adventista como
um todo. O Dr. Monte Sahlin (pesquisador adventista), ao interpretar uma pesquisa feita em 2001 pela Faith
Comunities Today (Fact), explica por que algumas congregações adventistas americanas crescem, enquanto ou-
tras declinam. O estudo indica que as igrejas que mais crescem são aquelas que têm menos conflitos
internos, dedicam mais de seu orçamento para a obra missionária e combinam o serviço à comu-
nidade com espiritualidade, intencionalidade de crescer e cultos direcionados para não adventistas.
“Amado, acima de
Cem anos atrás, Ellen G. White já defendia uma estratégia missionária, unindo serviço social e evan- tudo, faço votos por
gelismo: “Deve-se primeiramente satisfazer as necessidades temporais dos pobres e aliviar suas pri-
vações e sofrimentos físicos, e depois se encontrará acesso ao coração, onde se pode plantar as boas tua prosperidade e
sementes da virtude e da religião” (Testemunhos Para a Igreja, v. 4, p. 227). Ela ainda afirmou que a “pre-
gação é pequena parte da obra a ser feita pela salvação das pessoas” (Review and Herald, 22/08/1899).
saúde, assim como
O serviço social dá visibilidade à igreja porque a torna um espaço atrativo e agradável dentro da é próspera a tua
comunidade. Nos Estados Unidos, esse é o diferencial entre as igrejas que crescem e aquelas que de-
clinam. As igrejas que crescem fazem pesquisas de opinião pública na vizinhança para descobrir suas alma.” 3 João 2
maiores necessidades. A partir daí, providenciam atendimento compatível às necessidades reais.
O estudo feito pela Fact também sinaliza que as congregações americanas que estão declinando são aquelas
que evitam o serviço comunitário e focalizam seus esforços unicamente no evangelismo, ou as que evitam o
evangelismo e se dedicam inteiramente ao serviço comunitário. Não podemos nos esquecer de que os pioneiros
adventistas, além de serem evangelistas, se envolveram em movimentos pacifistas e de libertação dos escravos,
promoveram a temperança e a reforma de saúde.

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Bruno Raso e Marcos Bomfim www.cpb.com.br Editora dos Adventistas do Sétimo Dia
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Uma publicação Colaboradores: Jonas Arrais; Edilson sac@cpb.com.br Caixa Postal 34; 18270-970, Tatuí, SP
da Igreja Adventista do Sétimo Dia Valiante; Ivanaudo Barbosa de Oliveira; Revista do Ancião na Internet:
Antônio Moreira; Horacio Cayrus; Samuel www.dsa.org.br/anciao Tiragem: 42.000 exemplares
Ano 11 – No 43 – Jul-Set 2011 Jara; Jair Garcia Gois; Bolivar Alaña;
Revista Trimestral Augusto Martínez Cárdenas; Leonino Todo artigo, ou correspondência, para a Exemplar Avulso: R$ 5,85
Santiago; Nelson Suci; Luís Martínez; Revista do Ancião deve ser enviado para Assinatura: R$ 19,00
Editor: Paulo Pinheiro Walter Sánchez; Daniel Romero, Heriberto o seguinte endereço: Caixa Postal 2600;
Editor Associado: Nerivan F. Silva Peters, Geovane de Souza. 70279-970, Brasília, DF ou e-mail: Todos os direitos reservados.
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Foto da Capa: Daniel Oliveira 7180/24247

Revista do Ancião jul-set 2011 3


SUMÁRIO

ARTIGOS
8 O profeta e a Bíblia Aquisição da Revista do Ancião
Indicadores de um profeta verdadeiro O ancião que desejar adquirir
esta revista deve falar com o

Foto: Daniel Oliveira


pastor de sua igreja ou com o
10 Ajustes dentro de casa ministerial do Campo.
O ancião e sua família

11 Fale com clareza SEÇÕES


A importância de tornar a voz audível
2 De Coração a Coração
26 Batismo da Primavera Reflexão sobre reavivamento
Como preparar os juvenis da igreja
5 Entrevista
32 O uso sábio do dinheiro O ancião e sua atividade espiritual
Sugestões para fugir da dívida
12 Informática & Pregação
33 A liderança e a igreja Revistas ricas em conteúdo religioso
O sacerdócio na igreja atual
13 Esboços de Sermões
Material para pregadores

23 Igreja em Ação
A dupla missionária modelo

29 Perguntas & Respostas


Foto: William de Moraes - Arte sobre foto: Vandir Dorta Jr.

29 Posição oficial sobre ministérios independentes

31 Consultoria
Como fazer votação na igreja

34 De Mulher para Mulher


8 Confiança e relacionamentos

CALENDÁRIO
Data Evento Departamento Responsável
Sábado 02 Sábado Missionário / Recolta Brasil Ministério Pessoal
09 – 16 Semana de Oração JA / Dia do Amigo / Semana Ministério Jovem / Minist. da Criança e Adolesc./
Julho A Voz Juvenil Escola Sabatina
Sábado 23 Dia do Colportor Ministério das Publicações
Sábado 30 Dia da Educação Cristã Educação

Sábado 06 Sábado Missionário / Dia de Ação Solidária e Serviço ADRA


à Comunidade
Agosto Sábado 13 Programa da Igreja Local
Sábado 20 Programa da Igreja Local
Sábado 27 Projeto “Quebrando o Silêncio” Ministério da Mulher
Sábado 03 Sábado Missionário / Evangelismo Integrado Ministério Pessoal
Setembro
Sábado 10 Programa da Igreja Local
Sábado 17 Evangelismo e Batismo da Primavera / Dia do Jo- Evangelismo / Minist. Pessoal / Minist. Jovem
vem Adventista
Sábado 24 Evangelismo e Batismo da Primavera Evangelismo / Minist. Pessoal / Minist. Jovem
4 Revista do Ancião jul-set 2011
ENTREVISTA
GILVAN SANTOS DE ALMEIDA

A atividade
espiritual
do ancião

Foto: Gentileza do entrevistado


G
ilvan Santos de Almeida é for- muitas religiões, ainda estava muito Quais as principais necessidades de
mado em Direito pela Univer- longe da verdade. Fiquei impressio- sua igreja?
sidade Federal do Ceará e fun- nado quando descobri que o sába- Reavivamento e reforma. E, como
cionário do Tribunal Regional Federal, do é bíblico e a alma não é imortal. resultado disso, maior integração en-
da 5ª Região, em Pernambuco. Ele A seguir, decidi dedicar minha vida tre os departamentos da igreja, tendo
também exerce a função de primei- por completo à pregação do evange- em vista maior atuação na pregação
ro ancião da Igreja de Vila do Ipsep, lho em honra ao Deus que me salvou. do evangelho.
em Recife. É casado com Liduína Alves
e pai de Virgínia (16 anos) e Clarice Qual é a sua visão do ministério do Que temas doutrinários você gosta de
(12 anos). Gilvan concedeu esta entre- ancião? pregar?
vista a Nerivan Silva, editor associado O ancião presta relevante apoio à Escatologia, criacionismo e histó-
da Revista do Ancião. igreja, sendo responsável em fazer a ria do Israel antigo e da igreja.
ponte entre o pastor, os membros e os
Ancião: Como o senhor se tornou ad- demais oficiais da igreja. Sua atuação Para você, a Revista do Ancião é uma
ventista? é ampla, envolvendo a visitação aos fonte de pesquisa?
Gilvan: Fui batizado em setembro de membros, o preparo de candidatos Sim, sem dúvida. Temos na Revista
2001, em Fortaleza. Tive contato com ao batismo, a direção dos cultos e a do Ancião uma boa fonte de consulta
a mensagem adventista por meio da administração da igreja, em har- para sermões, esclarecimentos teoló-
tia de minha esposa. Então, percebi monia com a orientação do pastor. gicos e, principalmente, orientações
que, apesar de ser católico e conhecer Ele também é guardião das doutrinas. no campo pastoral.
Revista do Ancião jul-set 2011 5
Por que nem sempre as pessoas pres- Por ser uma cidade grande, em Re- tica de uma boa liderança. A família
tam atenção aos sermões? cife as pessoas têm receio de se reunir não deve ser esquecida. Atividades
Em geral, o problema é com o em residências. Elas têm a tendência em família, como o culto doméstico e
pregador. Não estou me referindo ao de buscar o isolamento e, dessa forma, a recreação, são fundamentais para o
estilo da pregação, pois cada um tem resolver seus problemas. Só quando crescimento espiritual do ancião.
o seu. Falo da falta de preparo espi- já estão nas últimas é que procuram
ritual. Muitos pregadores confiam na por ajuda. Também o povo aqui gos- De que forma o ancião pode participar
própria experiência, no conhecimen- ta muito de novidades, quando algo no programa de visitação aos membros?
to que possuem, e pregam como um deixa de ser novidade, o ânimo se vai. Primeiro é preciso ter uma visão
avião que voa no automático. Quando Foi o que aconteceu com os pequenos das necessidades da igreja, princi-
nos preparamos em oração e jejum, grupos. No começo foi uma febre, de- palmente aquelas situações que re-
antes de ir ao púlpito, o Espírito San- pois esfriou. Mesmo assim, temos le- querem uma visita de imediato (afas-
to age de modo extraordinário. Nesse vado a Cristo muitas pessoas por meio tados, enfermos, etc.) Em seguida,
período de preparo é necessário que dos pequenos grupos. Acredito que é juntamente com os demais líderes,
oremos em favor daqueles que esta- um método que dá certo, mas depen- priorizar tempo para isso. Um progra-
rão na igreja a fim de que Deus os pre- de de um líder espiritual e persistente. ma compartilhado acaba sendo exe-
pare para ouvir a mensagem que será cutado com mais facilidade.
transmitida. De fato, o sermão começa Como o ancião pode conciliar traba-
bem antes de assumirmos o púlpito. lho, família e atendimento ao progra- Como você vê o projeto “Amigos da Es-
ma da igreja? perança”?
O que a igreja pode fazer para reduzir Quem trabalha mais de 8 horas Excelente. Tem trazido bons resul-
o índice de apostasia? por dia tem certa dificuldade para tados para a igreja através de muitas
Elaborar e executar um bom pro- conciliá-los. Alguns ainda estudam conversões.
grama de visitação, envolvendo toda a depois do trabalho. Creio que, numa
liderança da igreja. É no lar que surgem condição dessas, o ancião deve tra- Fale de sua experiência missionária ao
os conflitos que abrem as comportas balhar com maior equilíbrio, tendo distribuir o livro Ainda Existe Esperança.
da apostasia. Durante a visitação po- cuidado de não acumular funções Tenho distribuído muitos exem-
dem ser identificados os reais motivos que requeiram mais tempo em seu plares desse livro a amigos, familiares
do afastamento do membro e, assim, exercício. Além disso, precisa lembrar e vizinhos. Em meu local de trabalho,
podemos ajudá-lo a se restaurar. que delegar tarefas é uma caracterís- tenho alcançado desembargadores e

Qual é sua estratégia no atendimento às


pessoas interessadas em estudar a Bíblia?
O elo de amizade é fundamental.
Sempre que possível, suprir as neces-
sidades individuais, mediante conta-
to pessoal e oração. Nesse processo
é necessário avaliar a sua condição
particular para que o estudo bíblico
a ser oferecido seja compatível com
sua realidade.
Foto: Gentileza do entrevistado

Como se deveria incentivar a forma-


ção de pequenos grupos em cidades
como Recife?
6 Revista do Ancião jul-set 2011
servidores. Creio que no devido tem- bedoria e tato, a administração da igreja. sempre em conformidade com as me-
po irão responder ao chamado. Isso é necessário para que o ministério tas do pastor e da Associação/Missão.
de ambos seja uma bênção para a igreja. Isso é trabalhar em unidade conforme
De que forma o ancião pode apoiar o a ordem do Mestre: “A fim de que to-
ministério jovem na igreja local? Em sua opinião, o que o ancionato da dos sejam um; e como és Tu, ó Pai, em
Estando sempre à disposição dos igreja espera do seu pastor? Mim e Eu em Ti” (Jo 17:21). Se assim
jovens para ouvi-los e ajudá-los a Amizade e aconselhamento sábio agirmos, certamente Deus nos fará
concretizar as boas ideias, de modo nos momentos difíceis. prosperar grandemente e contaremos
que desenvolvam seu ministério com sempre com Sua direção e aprovação.
maior e melhor alcance. Em que pontos o ancião pode incenti-
var ou ajudar o pastor na execução de O que gostaria de dizer para outros
Como deve ser o relacionamento entre seu trabalho? anciãos?
o pastor e o ancião na igreja local? O ancião deve envidar todos os es- A base para o sucesso de todo an-
Sempre amistoso e baseado na cor- forços para que a igreja cresça tanto cião é a persistência na oração, desde
dialidade e respeito. O ancião deve ser na sua estrutura física como na ques- as coisas simples da vida até as mais
amigo do pastor e compartilhar, com sa- tão espiritual. Esse trabalho deve estar complexas.

Diferenças entre
membro de igreja e discípulo
MEMBRO DISCÍPULO
Ganha-se Faz-se
Espera pães e peixes É um pescador
Luta por crescer Luta por reproduzir-se
Se apóia no pastor É um apoio ao pastor
Gosta de elogio Gosta do sacrifício
Entrega parte de seus ganhos Entrega sua vida
Pode cair na rotina É um renovador
Espera que se designe a tarefa Tem iniciativa e está pronto para assumir responsabilidade
Murmura e reclama Obedece e nega-se a si mesmo
É regido pelas circunstâncias Aproveita as circunstâncias
Reclama que o visitem É um visitador
Vale para somar Multiplica
Só é forte como soldado na trincheira Está à frente da batalha
Cuida das estacas da sua tenda Amplia o espaço de sua cabana
Cria hábitos Rompe os paradigmas
Sonha com a igreja ideal Entrega-se para conseguir a igreja ideal
Sua meta é ganhar o Céu Sua meta é conduzir pessoas ao Céu
Prega o evangelho Faz discípulos
Gosta de campanhas Vive em campanhas
Espera um reavivamento Inicia o reavivamento e é parte dele
Quer uma almofada Quer uma ferramenta
Diz “Talvez!” Diz “Eis-me aqui!”
É importante É indispensável
É transtornado pelo mundo Transforma o mundo
Vê problemas Vê o poder de Deus

(Extraído de O Comunicador, Associação Sul-Paranaense)

Revista do Ancião jul-set 2011 7


PROFECIA

O profeta
Gerhard Pfandl
Diretor associado do
Divulgação AG e a Bíblia
Instituto Bíblico de
Pesquisas da O chamado profético de Ellen G. White
Associação Geral

C
om frequência, a “palavra de
Deus” se refere ao que Deus diz;
e “o testemunho de Jesus” acom-
panhado dessa palavra significa o tes-
temunho que o próprio Jesus dá de Si
mesmo. Como Cristo testificou disso?
Enquanto esteve na Terra, Ele testificou
pessoalmente ao povo na Palestina.
Depois de Sua ascensão, Ele falou atra-
vés dos profetas. Assim, em Apocalipse
19:10, João esclarece que “o testemu-
nho de Jesus é o espírito de profecia”.

O QUE É O ESPÍRITO DE PROFECIA?


O termo “espírito de profecia” ocor-
re uma única vez na Bíblia, somente
em Apocalipse 19:10; mas os leitores,
contemporâneos de João, sabiam exa-
tamente o que ele queria dizer nessa
frase. Eles estavam familiarizados com
essa expressão que era com frequência
usada na tradução aramaica do Antigo
Foto: William de Moraes - Arte sobre foto: Vandir Dorta Jr.

Testamento. Por exemplo, Gênesis 41:38,


na tradução aramaica do texto, diz:

8 Revista do Ancião jul-set 2011


“O Faraó disse aos seus servos: ‘Podemos é uma interpretação meramente adven- porque Deus não se contradiz (Sl 15:4;
achar um homem como este em quem tista, pode ser vista nos escritos de outros Ml 3:6). Embora Ellen G. White não ti-
há o Espírito do Senhor?’” (Bernard eruditos. Por exemplo, Hermann Strath- vesse formação teológica, suas mensa-
Grossfeld, The Targum Onqelos to Gen- mann, erudito luterano, diz a respeito da gens estão de acordo com a Bíblia.
esis, The Aramaic Bible, p. 138). E, em frase “testemunho de Jesus”, em Apoca- 3. O testemunho de Jesus – 1 João
Números 27:18, “O Senhor disse a Moi- lipse 19:10: “De acordo com o paralelo 4:1, 2. Qualquer pessoa que conhece
sés: Toma a Josué, filho de Num, um ho- em 22:9, os irmãos mencionados não são bem os escritos de Ellen G. White, como
mem que tem dentro de si o espírito de os crentes em geral, mas os profetas. [...] os livros O Desejado de Todas as Nações
profecia e impõe sobre ele a tua mão” Esse é o tópico do verso 10. Se eles têm e Caminho a Cristo, vai reconhecer que
(Targum Onqelos to Numbers, p. 145). o marturia Iesou (do grego, “testemunho ela não apenas aceitava tudo o que a
Para os cristãos primitivos o “es- de Jesus”), eles têm o espírito de profecia; Bíblia ensina sobre Jesus, mas orienta-
pírito de profecia” era uma referência ou seja, eles são profetas como o anjo, va as pessoas a aceitá-Lo como seu Se-
ao Espírito Santo que concede o dom que simplesmente se mantêm no serviço nhor e Salvador.
profético aos mensageiros de Deus. Is- de marturia Iesou” (Theological Dictionary 4. Profecias cumpridas – Jeremias
so fica evidente quando comparamos of the New Testament, v. 4, p. 501). 28:29. A prova de um profeta verdadei-
Apocalipse 19:10 com 22:8, 9. Apocalip- Sintetizando, podemos afirmar que ro está, em parte, no cumprimento de
se 19:10: “Prostei-me ante os seus pés um dos sinais identificadores da igreja suas predições. Embora a obra de Ellen
para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, remanescente que, de acordo com a G. White não consistisse, primariamen-
não faças isso; sou conservo teu e dos profecia, surgiu após o período proféti- te, em predizer o futuro, ela predisse
teus irmãos que mantêm o testemunho co dos 1.260 dias/anos, isto é, depois de muitos eventos que, de maneira notá-
de Jesus; adora a Deus. Pois o testemu- 1798, é o testemunho de Jesus, que é o vel, se cumpriram. (Herbert Douglas,
nho de Jesus é o espírito de profecia.” espírito de profecia ou o dom profético. Mensageira do Senhor, p.150-165).
Por sua vez, Apocalipse 22:8, 9 diz: Desde seu início, a Igreja Adventista do 5. A prova dos frutos – Mateus
“Prostei-me ante os pés do anjo que Sétimo Dia acredita que, em cumpri- 7:20. Essa prova não é imediata. Ellen
me mostrou essas coisas, para adorá-lo. mento de Apocalipse 12:17, o espírito G. White viveu e trabalhou por setenta
Então, ele me disse: Vê, não faças isso; de profecia foi manifestado na vida e anos sob o olhar crítico de milhões de
eu sou conservo teu, dos teus irmãos, obra de Ellen G. White. pessoas extremamente céticas, incré-
os profetas, e dos que guardam as pala- dulas, desconfiadas e, em alguns casos,
vras deste livro. Adora a Deus.” PROVAS DO VERDADEIRO PROFETA abertamente hostis. Qualquer declara-
A situação é a mesma em ambas as Como podemos saber que o dom ção da parte dela que aparente inconsis-
passagens. João caiu aos pés do anjo profético, no caso de Ellen G. White, tência tem sido exposta com ironia por
para adorá-lo. As palavras do anjo são foi genuíno e não uma contrafação? A seus opositores. Não obstante, os frutos
quase idênticas, embora haja uma dife- Bíblia estabelece critérios para testar o de sua vida e ministério dão testemunho
rença significativa. Em Apocalipse 19:10, dom profético: de sua sinceridade, zelo e piedade cristã.
os irmãos são identificados pela frase 1. Sonhos e visões – Números 12:6. Embora falsos profetas sejam apro-
“que mantêm o testemunho de Jesus”. De acordo com a Bíblia, os profetas vados em um ou dois desses testes, o
Em Apocalipse 22:9, esses irmãos são verdadeiros recebiam sonhos e visões profeta verdadeiro passará incólume
chamados simplesmente de profetas. proféticos. Ao longo de setenta anos por todos eles. Esse foi o caso de Ellen
De acordo com o princípio de inter- (1844-1915), Ellen G. White recebeu G. White. A direção graciosa de Deus
pretar a Escritura com a Escritura, che- aproximadamente duas mil visões e so- através do dom profético no ministério
ga-se à conclusão de que o “espírito de nhos proféticos. de Ellen G. White nos torna mais cons-
profecia”, em Apocalipse 9:10, não é uma 2. Harmonia com a Bíblia – Isaías cientes da responsabilidade que temos
posse dos membros da igreja em geral, 8:20. O que um profeta reivindica ter como membros da igreja remanescen-
mas somente daqueles que são chama- recebido de Deus deve estar em harmo- te. Isso deve nos motivar a concluir a
dos por Deus para ser profetas. Essa não nia com o restante da Palavra de Deus, obra que Deus nos confiou.
Revista do Ancião jul-set 2011 9
FAMÍLIA

Ajustes dentro
Nerivan F. Silva
Editor associado
Divulgação DSA de casa

O
ministério do ancião na igreja conduzir de modo sábio e coerente os contribuído para aumentar os conflitos
local não é diferente do servi- filhos (ver Gn 18:19). familiares. É bem verdade que a con-
ço pastoral e a família exerce Parte dos problemas familiares en- juntura de muitas famílias exige essa
influência significativa em suas ativida- frentados pelos anciãos se deve à falta dinâmica, mas, é necessário que se bus-
des religiosas. Entretanto, muitos des- de equilíbrio entre suas atividades na que equilíbrio, principalmente quando
ses líderes da igreja vivem situações de- igreja e a assistência que eles precisam os filhos ainda estão em idade que re-
licadas na família. Uma delas é a falta dar à família. Muitos deles têm uma quer acompanhamento mais próximo
de apoio da esposa e filhos no trabalho dedicação quase que exclusiva para a dos pais. Nenhum sucesso profissional
do ancião como líder espiritual na con- igreja; isso é uma demonstração de que por maior e mais glorioso que seja po-
gregação local. existe a consciência imperativa do cum- de compensar o fracasso na família.
Ao descrever a atuação dos bispos primento de seu ministério. Porém, O acúmulo de atividades (reuniões,
na igreja apostólica, Paulo menciona Cristo disse: “Devíeis [...] fazer estas coi- visitas, comissões e outros programas)
a necessidade do exercício de sua lide- sas, sem omitir aquelas!” (Mt 23:23). não é justificativa para se colocar em
rança espiritual entre seus familiares. Reservar tempo para a família é algo segundo plano a assistência e o apoio à
“É necessário, portanto, que o bispo [...] fundamental na vida do ancião. Ellen G. família. É necessário estabelecer equi-
governe bem a própria casa, criando White escreveu: “Coisa alguma pode des- líbrio em todas as atividades do dia a
os filhos sob disciplina, com todo res- culpar o pastor de negligenciar o círculo dia. Na igreja, o ato de delegar funções
peito” (1Tm 3:2, 4). Já nos tempos do interior, pelo mais amplo círculo exter- é fundamental na execução de proje-
Antigo Testamento, uma vez que a re- no. O bem-estar espiritual de sua família tos, programas e reuniões.
ligião era ministrada em família, o pai vem em primeiro lugar” (O Lar Adventis- Portanto, é essencial que o ancião
exercia essa liderança espiritual tendo ta, p. 353). Lembre-se de que, como an- exerça sua liderança num programa equi-
como congregação a esposa e os filhos. cião, você é um pastor na sua igreja. librado que atenda a seguinte ordem:
Vemos o exemplo de Abraão. O seu cha- Muitos pais, em função de trabalho, Deus, família e igreja. Isso vai ajudá-lo a
mado foi feito levando-se em conta o viagens e outros compromissos, ficam continuar exercendo forte influência es-
Imagem: Shutterstock

aspecto familiar. Como pai e sacerdote ausentes de casa por período de tem- piritual entre os membros, tendo o apoio
da família, ele tinha a incumbência de po considerável. Atualmente, isso tem indispensável de sua esposa e filhos.
10 Revista do Ancião jul-set 2011
ARTE DE FALAR

Fale com
Ellen G. White
A.F.C

clareza

P
astores e professores devem dar especial atenção ao voz deve ser cultivada para benefício daqueles com quem nos
cultivo da voz. Devem aprender a falar, sem nervosis- pomos em contato. Sinto-me penalizada ao ver quão pouco
mo e precipitação, mas enunciando pausada, distin- apreciado é o dom da linguagem. Na leitura da Bíblia, na ora-
ta e claramente, conservando a harmonia da voz. A voz do ção, ao dar testemunhos nas reuniões, quão necessária é a
Salvador era como música aos ouvidos dos que se achavam dicção clara, distinta! E quanto se perde, no culto de família,
habituados à pregação monótona e sem vida dos escribas quando o que faz a oração curva a cabeça e fala em voz baixa
e fariseus. Ele falava devagar e de modo impressivo, acen- e fraca! No entanto, assim que o culto doméstico termina, os
tuando as palavras a que desejava que os ouvintes dessem que na oração não podiam falar alto bastante para se fazerem
especial atenção. Adultos e jovens, ignorantes e instruídos po- entender, falam em geral em tons claros, distintos, não ha-
diam compreender plenamente o sentido das palavras. Isso vendo dificuldade em ouvir o que dizem. A oração feita assim
seria impossível falasse Ele de forma apressada, precipitando será apropriada para o aposento particular, mas não é edifi-
frase após frase, sem pausas. O povo escutava-O com muita cante no culto familiar ou público; pois a menos que as pes-
atenção, e diziam a Seu respeito que Ele não falava como os soas reunidas ouçam o que se diz, não podem dizer “Amém”.
escribas e fariseus; pois Sua palavra era como a de alguém Quase todos são capazes de falar suficientemente alto pa-
que tinha autoridade. ra ser ouvidos na conversação comum, e por que não falam
O modo de ensinar de Cristo era belo e atrativo, caracteri- do mesmo modo quando chamados a dar testemunho ou a
zando-se sempre pela simplicidade. Desdobrava os mistérios fazer oração? Quando você fala de coisas divinas, por que não
do reino do Céu por meio de imagens e símbolos familiares usar tons distintos, de maneira a manifestar que sabe aquilo
aos ouvintes; e o povo comum O escutava com boa vontade, de que fala? Por que não orar como quem tem a consciência
pois podiam entender a palavra. Não havia expressões erudi- livre de ofensa, e se pode chegar ao trono da graça humil-
tas, que para entendê-las fosse necessário consultar o dicio- demente, não obstante com santa ousadia, erguendo mãos
nário. Jesus ilustrava as glórias do reino de Deus por meio de santas, sem ira nem contenda? Não se curve, cobrindo o ros-
experiências e fatos da vida diária. Possuído de compassivo to como se algo houvesse que deseja ocultar. Erga, porém,
amor e ternura, animava, confortava e instruía a todos que O os olhos para o santuário celeste, onde Cristo, seu Mediador,
ouviam; pois em Seus lábios fora a graça derramada, a fim de Se acha perante o Pai para apresentar as suas súplicas, de
que pudesse transmitir aos homens, de forma mais atrativa, mistura com Seus próprios méritos e imaculada justiça, qual
os tesouros da verdade. agradável incenso.
Foto: Daniel Oliveira

Esse é o modo que Ele quer que apresentemos a verda- (Extraído do livro Conselho aos Pais, Professores e Estudan-
de aos outros. De grande valor é o poder da linguagem, e a tes, p. 239-241)
Revista do Ancião jul-set 2011 11
INFORMÁTICA & PREGAÇÃO

Duas revistas e um ótimo conteúdo


Muitas das boas revistas com conteúdo religioso reito superior da tela, na mesma barra que contém o
de qualidade começaram a circular na forma impres- logo da revista, está o menu para selecionar o idio-
sa, mas atualmente disponibilizam na internet uma ma, uma caixa de seleção para restringir a busca por
parte ou todo o seu conjunto de textos publicados. uma das seções da revista e outra para indexar por
Para o pregador ou líder de igreja que necessita autor, edição ou título da matéria.
encontrar bons materiais, explicações sobre temas bí- Outra revista adventista internacional, esta mais
blicos ou comentários a respeito de assuntos da atuali- recente, mas igualmente utilíssima como fonte de
dade, que possam ser utilizados em sermões, palestras, material para líderes de igreja, pregadores e progra-
reuniões de jovens, estudos bíblicos ou outros progra- mações locais é a revista Adventist World.
mas na igreja, uma rápida busca na internet é uma É uma revista mensal e tem edições disponíveis
forma de conseguir boas ideias ou fontes de conteúdo. na internet a partir de dezembro de 2007. Direciona-
Uma dessas revistas adventistas começou a circu- da ao público adventista em geral, seus artigos são
lar em 1989, e atualmente publica três edições por de fácil compreensão, embora tenha conteúdo com
ano, em quatro línguas: inglês, francês, espanhol e boa base bíblica e fortemente inspiracional. Perfis,
português, mas não é muito conhecida do público notícias e informações sobre as condições da Igreja
em geral, pelo fato de ser direcionada especialmente Adventista em várias partes do mundo, além de estu-
para os universitários adventistas, desde os estudan- dos bíblicos e tira-dúvidas completam o conjunto
tes até os profissionais e pós-graduados. Trata-se da de materiais que podem servir de base para bons ser-
revista Diálogo. mões e programas na igreja.
Embora tenha esse direcionamento, a maior parte O endereço do site é:
de seus artigos (que tratam de assuntos contempo- http://portuguese.adventistworld.org/
râneos ou mostram como aprofundar nosso compro-
misso com Cristo, a Bíblia e a missão da igreja) bem
como as entrevistas, perfis e outros textos oferecem
inspiração e subsídios ótimos para quem tem que fa-
lar na igreja.
Então, aqui está o endereço desse conteúdo na
internet:
http://dialogue.adventist.org/index_p.htm

Para ter acesso a todas as edições, clique em Ar-


quivos, na barra de menus, que fica no alto da tela, à
direita, logo abaixo do logo.
Não há como não exagerar no valor do conteúdo
dessas duas revistas, seja para seu crescimento pes-
soal ou como fonte de pesquisa para fundamentar
sua participação nas atividades da igreja. E o melhor:
O material disponibilizado corresponde às edições tudo gratuito, ao alcance de uns poucos cliques de
de 1994 a 2009. A busca é bem simples. No canto di- mouse. – Márcio Dias Guarda

“A experiência deve ser um poste de sinalização, “Cabeças quentes e corações frios nunca
não de amarração.” – D. W. Williams resolveram nada.” – Billy Graham

12 Revista do Ancião jul-set 2011


ESBOÇO DE SERMÃO

Um testemunho que faz a diferença


INTRODUÇÃO ram uma Bíblia e depois de algum tem- e lava os teus pecados, invocando o no-
1. Nosso século é marcado por milhares de po ele voltou à casa desses missionários me dEle” (At 22:16).
segmentos religiosos. O cristianismo é pedindo o batismo. O missionário bus-
dividido em ramificações aos milhares. cou um prato fundo com água. O índio III – QUAL É O MOTIVO DO BATISMO?
Nesse contexto, segmentos cristãos e pa- perguntou: 1. Purificação. Entretanto, é mais do que is-
gãos dividem o mundo religioso. – Para que esta água? so. Deus pede que testemunhemos – que
2. Ninguém pode dizer que o pagão é me- – Para batizá-lo! – disse o missionário. mostremos para o mundo que morremos
nos sincero que o cristão. Ele faz os maio- – Mas isso é pouca água! – disse o índio. para o pecado, fomos crucificados com
res sacrifícios para seguir sua religião. – É assim que se batiza hoje em dia – dis- Cristo – e ressuscitamos para andar com
Está disposto a andar descalço sobre bra- se o missionário. Ele. Podemos mostrar isso na bela ceri-
sas quentes, ou deitar-se numa cama de – Então o senhor me deu o livro errado – mônia do batismo!
madeira cheia de pregos com as pontas disse o índio. – A Bíblia que o senhor me a) O batismo é uma cerimônia parecida
para cima – tudo para obter paz espiri- deu não ensina assim! com a do casamento. O cristão se une
tual. Ele é sincero! 3. O livro de Atos dos Apóstolos nos apresen- com Cristo e com a igreja pelo batismo
3. Qual é a grande diferença entre paganis- ta a história de Filipe batizando o eunuco (Gl 3:27). Não há dúvida de que o noivo
mo e cristianismo? A diferença não é a (ler Atos 8:35-39). pode amar sua noiva tanto antes quan-
sinceridade. O pagão é tão sincero como a) Juntos, eles entraram e saíram da água. A to depois do casamento. Legalmente
o cristão! Mas três elementos tornaram palavra “batizar” significa imergir ou se- porém, ela só pertence a ele depois da
a religião cristã diferente das outras: a pultar. Como pode outro tipo de batismo cerimônia do casamento. A cerimônia
morte, o sepultamento e a ressurreição representar o sepultamento? batismal estabelece a ligação da pessoa
de Cristo, nosso Salvador. Esses aconteci- 4. No início do cristianismo, havia somente com Cristo e Sua igreja.
mentos são representados na cerimônia uma forma de batizar: a imersão. Ainda
batismal. (Ler Rm 6:3-5). no século 12, o cardeal Robert Pullas CONCLUSÃO
escreveu: “A imersão do candidato re- 1. O batismo em si não salva, mas é o sinal
I – O QUE SIGNIFICA O BATISMO? presenta a morte de Cristo. Enquanto de nossa aceitação de Cristo.
1. Efésios 4:5 diz que “há um só Senhor, está debaixo da água está representan- 2. É verdade que alguém pode ser desleal
uma só fé, um só batismo”. Séculos atrás, do o sepultamento de Cristo. Quando sai a Cristo, pode ser hipócrita, e ainda ser
Jesus nos mostrou o caminho do batis- da água, a ressurreição é representada” batizado. Mas o cristão leal não recusará
mo. Nas águas barrentas do rio Jordão, (Sententiarun, livro 5, cap. 17). o batismo. Ele desejará seguir os passos
Ele foi batizado. a) As palavras desse cardeal estão de acordo de Jesus.
a) Lemos a história em Mateus 3:13-17. com as palavras do apóstolo. Quão dife- 3. Lá no rio Jordão Jesus mostrou o cami-
b) O batismo representa a purificação. Jesus rente é o costume de hoje! nho. Ele nos convida dizendo: “Segue-
não pecou e não precisava ser purifica- Me.” Perguntamos agora com as palavras
do. Ele foi batizado para nos mostrar o II – QUANDO ALGUÉM das Escrituras: “E agora, por que te de-
caminho. DEVE SER BATIZADO? moras? Levanta-te, recebe o batismo e
2. Que tipo de batismo foi o de Jesus? A Bí- 1. Quando é que uma pessoa deve ser bati- lava os teus pecados, invocando o nome
blia afirma que Ele “saiu logo da água”, zada? Logo depois de nascer? Vamos ver dEle” (At 22:16).
depois do Seu batismo (Mt 3:16). Por que o que a Bíblia diz a respeito, em Mateus
João batizava no rio Jordão? João 3:23 28:19-20 (ler). Anotações:
responde: “Ora João estava também ba- a) Notemos que primeiro temos que ensinar
tizando em Enon, perto de Salim, porque e depois batizar. Podemos ensinar uma
havia ali muitas águas, e para lá concor- criança recém-nascida sobre o batismo?
ria o povo e era batizado.” Veja Marcos 16:16 – a pessoa precisa crer
a) Por que precisava de “muitas águas”? Para antes de ser batizada.
colocar só um pouco de água na cabeça, b) Depois ela precisa se arrepender dos pe-
não seria necessário entrar num rio. Cada cados (At 2:38). Um bebê recém-nascido
viajante levava água consigo para beber. comete pecados? Pode se arrepender?
Mas João escolheu esse lugar porque ha- c) É necessário que a pessoa tenha certa
via muita água. Eles entravam no rio. maturidade para entender as palavras
b) Um índio na América do Norte aprendeu do apóstolo Paulo: “E agora por que te
a ler com os missionários. Eles lhe de- demoras? Levanta-te e recebe o batismo
Revista do Ancião jul-set 2011 13
ESBOÇO DE SERMÃO

Dez maneiras de identificar a igreja de Deus

INTRODUÇÃO b) Muitas das doutrinas religiosas de Roma proclama essas importantes doutrinas,
a. Em meio a tantas ramificações religiosas são um renascimento da religião da an- apegando-se à fé em Cristo, o Criador, o
e filosóficas, muitos perguntam: Como tiga Babilônia. Legislador e o Redentor.
podem as pessoas de coração sincero en- c) Babilônia é um poder idêntico ao do
contrar o caminho verdadeiro em meio a pequeno chifre de Daniel 8:9; 7:25. Ela 7. Ela crê no Espírito de Profecia. (Ler Ap
tantas filosofias e religiões? perseguiu os santos e governou sobre os 12:17; 19:10).
b. Este tema pretende revelar à igreja o que reis da Terra. a) Essa igreja é fruto de cumprimento profé-
foi profetizado por Deus para os últimos tico e, ao longo de sua história, tem a di-
dias. (Leia Ap 14:6-12). 3. Ela adverte contra a imagem e o sinal reção de Deus através do dom profético.
c. No fim da história do mundo, com a da besta: (Ler Ap 14:9, 10).
crescente exaltação do poder humano, a a) Ela adverte contra receber o sinal da 8. Ela resistirá às acusações, escárnio e
chegada da hora do juízo e a iminente besta. A marca da besta, ou a guarda do perseguição (Ap 12:11).
volta de Cristo, Deus envia à humanidade domingo, terá o apoio das leis civis, mas a) Aqueles que são fiéis a Deus passam por
uma poderosa mensagem simbolizada Deus está advertindo os homens e cha- uma grande prova, mas também rece-
por três anjos. Pela pregação dessa men- mando à adoração ao Criador. bem uma grande recompensa.
sagem, Ele descreve as características da b) Ela adverte quanto à ira de Deus sobre os
igreja remanescente: que não aceitam Suas advertências (Ler 9. Ela atende à ordem de Deus para sair
Ap 14:9,10; 15:1, 6). de Babilônia (Ap 18:1-4).
1. Ela prega a todo o mundo a mensagem a) Deus convida os verdadeiros adoradores
da hora do juízo: (ler Ap 14:6, 7). Essa 4. Ela conclama à adoração do Criador em para sair da confusão religiosa. Milha-
mensagem tem cinco características: lugar da besta e sua imagem. res de pessoas ouvirão a voz de Deus
a) Ela leva o evangelho a toda nação, tribo, a) Deus previa a época exata em que Seu chamando-as para deixar Babilônia. Por
língua e povo. Pois, é um movimento re- povo deveria surgir. Não apenas o sába- Sua graça, são convidadas a guardar os
ligioso mundial que cumpre a profecia do como sinal do Criador tinha sido posto mandamentos de Deus e a fé em Jesus.
bíblica. (Ler Ap 10:11; 14:6, 7). de lado séculos antes, mas, nos últimos
b) Ela convida a humanidade a temer a dias, a teoria da evolução estaria ampla- 10. Ela aguardará e anunciará a volta de
Deus. As pessoas têm se esquecido de mente difundida, negando a criação co- Cristo (Ap 14:12-15). Enquanto prega a
Deus e dos Seus mandamentos. (Ler mo uma série de atos específicos de Deus mensagem de Deus, essa igreja continua
Ec 12:13). no período de seis dias. A observância do a esperar a vinda de nosso Senhor.
c) Ela conclama os homens a dar glória a sábado é, por essa razão, o sinal daqueles
Deus. Cristo é glorificado em Seus santos que creem, servem e adoram o Criador. CONCLUSÃO
(2Ts 1:10). 1. No contexto profético dos últimos dias,
d) Ela anuncia a hora do juízo investigativo 5. Ela guarda os mandamentos de Deus. essa igreja preenche os requisitos que a
simbolizado pela purificação do santuá- a) A perpetuidade da lei de Deus é defendi- identificam como a igreja verdadeira, o
rio que começou no Céu em 1844. Nesse da por essa igreja. Enquanto a humanida- povo remanescente de Deus. Muitos de
tempo, Deus levantou o remanescente de atribui aos mandamentos de Deus um seus leais seguidores ainda estão em ou-
para pregar a mensagem do juízo. A pre- caráter transitório, o remanescente prega tros apriscos, vivendo conforme a luz que
gação precisa alcançar os quadrantes da que a lei é transcrição do cárater de Deus. receberam, porém ouvirão o chamado
Terra (Ler Mt 24:14; At 1:8). Essa mensa- Portanto, imutável (Mt 5:17; Ml 3:6). de Deus. O apelo do Senhor hoje é: “Sai
gem está sendo proclamada e impres- dela, povo Meu.”
sa em centenas de línguas e dialetos. A lei 6. Ela guarda e exalta a fé em Jesus. Quan-
de Deus é a norma do juízo e Jesus Cristo do o homem nega a criação, ele natu- Anotações:
é o advogado daqueles que O aceitam. ralmente nega a queda do homem, e
assim a lei de Deus é também colocada
2. Ela apresenta a mensagem da queda de de lado. Se o homem não foi criado, e
Babilônia: (Ler Ap 14:8). não houve queda, ele não precisa do san-
a) Essa é a Babilônia mística que perseguiu gue expiatório de Cristo. A mensagem de
os santos (Ap 17:5, 6). É chamada “a gran- Deus hoje é chamar o homem para reco-
de, a mãe das meretrizes e abominações nhecer a criação, a lei de Deus, o sábado
da Terra” (Ap 14:8; 17:5, 18). e a cruz de Cristo. O povo remanescente

14 Revista do Ancião jul-set 2011


ESBOÇO DE SERMÃO

Explorando a Bíblia

INTRODUÇÃO a) O Antigo Testamento O apresenta como 3. Outro método para estudar a Bíblia é a
1. A Bíblia é a Palavra de Deus. Viajamos uma promessa. No Novo, é relatado Seu sistematização de assuntos.
por suas páginas a fim de descobrir sua nascimento, Seu ministério e a obra re- a) Fazer comparação de texto é o método
vital importância para nós. dentora que Ele realizou como Cordeiro recomendado pela própria Bíblia. (Ler
2. Paulo VI disse: “É necessário um retorno de Deus (Jo 1:29). Isaías 28:10-13).
à Bíblia. Nunca é demasiado recomendar b) É interessante observar como uma obra
que mantenhamos viva nossa fé, abebe- preparada por diferentes homens, em IV. BENEFÍCIOS DA
rando-nos dessa fonte prodigiosa.” diferentes épocas e lugares se harmoniza LEITURA DA BÍBLIA
3. A História nos diz que séculos atrás as pes- em sua mensagem. 1. A leitura da Bíblia contribui para a for-
soas comuns não tinham acesso à Bíblia. mação de cidadãos úteis à sociedade
Muitos foram perseguidos e mortos por que- II. A FONTE DE VERDADE (2Tm 3:14-17).
rer conhecê-la. Na Idade Média, João Huss, 1. A Bíblia é a única fonte de verdade. 2. É um excelente compêndio educacional
um dos reformadores, foi queimado vivo a) Escutemos o que diz um de seus escrito- para as crianças. Jesus foi educado des-
por pregar a Palavra de Deus. Outros foram res em João 17:17 (ler). de a infância com os textos sagrados. E
queimados vivos por venderem a Bíblia. 2. Como foi dada ao homem e qual é sua quando visitou Jerusalém, aos doze anos,
4. Sendo que estudaremos temas prove- utilidade? surpreendeu com o Seu conhecimento os
nientes do Livro Sagrado, gostaríamos de a) Foi dada por inspiração divina (2Pe 1:21). doutores da lei (Lc 2:46, 47).
começar conhecendo-o de perto. b) Deus escolheu homens consagrados e ma- a) Mais tarde, Ele diria em Seu ministério o
nifestou-Se a eles pedindo-lhes que escre- que está em Mateus 19:14 e 18:3.
I. A SANTA BÍBLIA vessem (Ap 1:10, 11). 3. É uma fonte de consolo, esperança e mo-
1. Conta-se que o célebre novelista Walter c) Em meio a uma sociedade turbulenta, tivação nos momentos de tristeza, desâ-
Scott, na beira da morte, chamou seu a Palavra de Deus é uma terapia ne- nimo e desencorajamento.
genro e pediu-lhe que lesse alguma coi- cessária. Bem faríamos em sentar-nos 4. Suas mensagens conduzem a humanida-
sa do “Livro”. Quando o genro escutou por um momento cada dia, para abe- de a Cristo, fundamento de nossa reden-
aquilo, ficou surpreendido, pois enorme berarmos nas suas fontes de conforto ção e salvação.
quantidade de volumes enchia as estan- e esperança. 5. Eis a ordem do Senhor em João 5:39:
tes da biblioteca de Scott, e assim per- “Examinais as Escrituras, porque julgais
guntou ao doente: “Que livro o senhor III. COMO ENTENDER ter nelas a vida eterna, e são elas mes-
quer que eu leia?” Respondeu Scott: “Não AS SAGRADAS ESCRITURAS mas que testificam de Mim.”
há mais que um livro!”, referindo-se à Bí- 1. Um bom método para estudar e enten- a) Leiamos este livro, caros amigos, e desfru-
blia, as Sagradas Escrituras. der a Bíblia, recomendado por muitos, é temos da bênção preparada para aquele
2. A Bíblia é chamada de: Santas Escrituras, lê-la do começo ao fim, ou seja, do Gêne- que o faz.
O Livro dos Livros, A Carta Divina, o Livro sis ao Apocalipse. b) Ela diz em Apocalipse 1:3: “Bem-aventu-
Santo, etc. a) A prática da oração é fundamental no es- rados aqueles que leem e aqueles que
3. Foi escrita em épocas, línguas e lugares tudo da Bíblia. ouvem as palavras da profecia e guar-
diferentes e vários autores participaram b) Fazer comparação de textos. dam as coisas nela escritas, pois o tempo
de sua produção literária. c) Sublinhar e destacar passagens para estu- está próximo.”
a) Línguas: hebraico, grego e partes em dos mais detalhados.
aramaico. 2. O Espírito que inspirou os autores duran- CONCLUSÃO
b) Aproximadamente quarenta homens par- tre a escrita da Bíblia é o mesmo que ilu- 1. A Bíblia é a palavra escrita de Deus para
ticiparam como escritores. mina a todos que investigam as verdades a humanidade.
4. A palavra “Bíblia” significa “Coleção de nela contidas. 2. Sua produção literária não é fruto da
Livros”. É uma biblioteca com 66 livros a) Ilustração: Conta-se que numa escola vontade humana.
dividida em duas partes: havia um professor que muito influen- 3. Jesus o convida agora para dedicar tem-
a) O Antigo Testamento – 39 livros. ciava positivamente os alunos. Todos po diariamente para estudar Sua Pala-
b) O Novo Testamento – 27 livros. queriam saber qual era o segredo dele. vra. Você achará nela consolo, alegria,
c) Cada livro divide-se em capítulos e Descobriram que aquele professor es- esperança e a eterna salvação.
versículos. tudava e colocava em prática os prin- 4. Encontrará nela descanso e paz que só
5. O tema central da Bíblia é Jesus Cristo cípios morais e espirituais contidos Cristo, o centro das Escrituras, pode lhe
(ler Jo 5:39). na Bíblia. oferecer. (Ler Mt 11:28-30).

Revista do Ancião jul-set 2011 15


ESBOÇO DE SERMÃO

O cristão em crescimento
2 Pedro 1:5-7

INTRODUÇÃO d) Não precisamos desenvolver essas quali- tem sido definida como “uma percepção
1. O crescimento é essencial à vida; é a lei dades em ordem cronológica, buscando muito prática de Deus em todos os as-
natural da vida. uma nova virtude só depois de alcançar pectos da vida”.
2. O crescimento espiritual é essencial à vi- a anterior. 7. Fraternidade
da espiritual. e) Se fosse assim, o amor seria a última. a) É a consequência do amadurecido amor
a) Os que não crescem estão a caminho da Elas devem crescer juntas, nutrindo-se a Deus.
morte, ou, quando muito, continuam continuamente na fonte do amor. b) Feliz é a igreja em que reina bondade e
sendo cristãos pouco desenvolvidos. amor fraternal!
b) Esse crescimento começa com o novo nas- II. SUBINDO A ESCADA DE PEDRO c) Seu bálsamo suaviza muitos ferimentos e
cimento. 1. Fé dissolve muitas desavenças.
c) Abandonamos o passado e iniciamos no- a) A fé vai à frente e o amor comanda a 8. Amor
va existência voltada para Cristo. retaguarda. a) É a graça que dá perpetuidade a todas as
d) O cristão em crescimento está empenha- b) É o primeiro degrau e a chave para os as virtudes. Paulo diz: “O maior destes é
do numa “viagem ascendente deste mun- outros. o amor” (1Co 13:13).
do para o mundo futuro”. c) É a capacidade de receber e se apropriar b) Quão fácil é repetir essa frase melodiosa!
e) Desenvolvimento constante produz cará- de cada bênção. E quão difícil é praticar em todas as cir-
ter cristão bem equilibrado. d) É fonte viva de todas as virtudes cristãs cunstâncias o princípio que ela encerra!
3. O tema da segunda epístola de Pedro, no na vida. c) Esse amor emana de Deus, pois Ele é
capítulo 1, é o plano de Deus para o de- e) Ellen G. White escreveu: “Após receber amor (1Jo 4:8).
senvolvimento do caráter cristão que en- a fé evangélica nossa primeira tarefa é d) O amor de Cristo é a motivação de toda
volve: (1) obter vitória sobre o pecado e buscar acrescentar virtuosos e puros prin- a vida cristã.
(2) cooperar em frutífero serviço a Deus. cípios, e assim purificar a mente e o co-
ração preparando-os para a recepção do CONCLUSÃO
I. GRAÇA PARA OS CRISTÃOS verdadeiro conhecimento” (Testemunhos 1. As oito virtudes são inerentes a Cristo.
1. O apóstolo apresenta uma lista de atribu- Para a Igreja, v. 1, p. 552). 2. Elas se tornam nossas quando aceitamos
tos que todos os que aceitaram a Cristo e 2. Virtude Cristo como Salvador e Senhor.
se tornaram candidatos ao reino dos Céus a) É a saudável moralidade que se desen- a) A fé se torna mais forte;
podem cultivar com a bênção de Deus. volve como resultado da fé em Cristo b) O conhecimento é ampliado;
a) O amor de Deus penetra e promove cada como nosso Salvador. c) A paciência aumenta;
estágio do desenvolvimento do caráter 3. Conhecimento 3. Cada dia vivido em harmonia com Cristo
cristão. a) É a compreensão que a pessoa tem das acrescenta brilho e força a essas virtudes.
b) A graça salvadora é dada em igual medi- coisas espirituais. Com a consciência 4. Como cristão, preciso crescer.
da a todos os que creem. limpa, a percepção espiritual fica clara. a) Necessito de contínuo crescimento es-
c) O crescimento na graça é um processo Esse conhecimento não é apenas inte- piritual.
contínuo, calcado no relacionamento lectual. Consiste em experiências espiri- b) Meu crescimento pessoal também deve
com Deus. Somente Deus dá o cresci- tuais pela iluminação do Espírito Santo. beneficiar outros.
mento. 4. Domínio próprio c) Você pode crescer na vida santificada se
2. A escada de Pedro a) É o poder sobre si mesmo. O crente de- cooperar com Deus. O apóstolo Pedro
a) A lista de Pedro (muitas vezes descrita ve saber controlar-se. O controle sobre o mostra como o relacionamento com Je-
como “A Escada de Pedro”) merece toda próprio temperamento, sobre o egoísmo sus torna possível uma vida santificada.
a nossa atenção. Nenhum dos degraus e sobre toda a forma de pecado está em 5. Se subirmos a escada que Pedro coloca
representa autossalvação. foco aqui. diante de nós, nosso crescimento cris-
b) Cada um deles se baseia num atributo 5. Perseverança tão será uma realidade diária, pois em
comunicado pelo Céu que representa a) É o fruto de uma vida equilibrada. Cristo somos mais do que vencedores
cooperação com o que Deus já realizou. b) Denota firmeza, persistência, bem como (Rm 8:37).
c) Os degraus são: fé, virtude, conhecimen- a capacidade de esperar. Essas qualida-
to, domínio próprio, perseverança, pie- des são necessárias em situações pes- Anotações:
dade, fraternidade e amor. (O pregador soais e públicas.
poderá ilustrar com o desenho de uma 6. Piedade
escada e os respectivos degraus). a) Denota reverência ou devoção a Deus e

16 Revista do Ancião jul-set 2011


Sara Campos/ Foto Shutterstock
Douglas Assunção / Imagem: ShutterStock
C om mais de mil páginas, o Tratado de
Teologia apresenta um estudo exaustivo
das principais doutrinas e crenças adventistas.

Deus, Cristo, Espírito Santo, pecado, salvação,


santuário, juízo, sábado, família, profecias,
remanescente, milênio, segunda vinda, grande
conflito... Cada um dos 28 temas é analisado
primeiramente ao longo de toda a Bíblia e depois
na história cristã e nos escritos adventistas.

Uma das mais importantes obras publicadas pela


igreja, com participação de 27 dos mais célebres
teólogos adventistas contemporâneos.
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Jesus quer viver com você

INTRODUÇÃO 2. Quem é a videira verdadeira? “Eu sou a palavras literalmente, como Cristo enfa-
1. Certa vez, um estudante perguntou a Phi- videira verdadeira, e Meu Pai é o agricul- tizou Seu ensino? Ler João 6:53-55.
lips Brooks: “É o relacionamento pessoal tor” (Jo 15:1). e) O que disse Ellen White sobre isso? “Co-
com Cristo uma parte do cristianismo?” a) Que lição espiritual Cristo tirou da videi- mer a carne e beber o sangue de Cris-
Ele respondeu: “Isso é o próprio cristia- ra? Ler João 15:4, 5. to é recebê-Lo como Salvador pessoal,
nismo – o relacionamento pessoal com b) O relacionamento permanente com Cris- crendo que Ele perdoa nossos pecados,
Cristo é o cristianismo.” to produz frutos que se demonstram no e nEle estamos completos. É contem-
a) Quanto mais uma pessoa conhece a Je- cotidiano. plando Seu amor, detendo-nos sobre
sus, mais cristã ela se torna. Ele disse: “A c) Ellen White explica como isso ocorre: “Vo- ele, sorvendo-o, que nos havemos de
vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, cê pergunta: ‘Como posso permanecer tornar participantes de Sua natureza. O
o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, em Cristo?’ Da mesma forma que você O que a comida é para o corpo, deve ser
a quem enviaste” (Jo 17:3). recebeu a princípio. ‘Como, pois, recebes- Cristo para a alma” (O Desejado de Todas
b) Paulo afirma: “Já não sou eu quem vive, tes o Senhor Jesus Cristo, assim também as Nações, p. 389).
mas Cristo vive em mim; e esse viver que, andai nEle.’ (Cl 2:6). ‘O justo viverá pela fé.’ f) Como Cristo explicou isso aos discípulos
agora, tenho na carne, vivo pela fé no Fi- (Hb 10:38). Você se entregou a Deus, para em particular? Ler João 6:63.
lho de Deus, que me amou e a Si mesmo pertencer inteiramente a Ele, para servi- 2. O valor literário e cultural das palavras
Se entregou por mim” (Gl 2:20). Lo e obedecer-Lhe, como também aceitou de Cristo é inestimável, mas o poder real
c) Paulo quer dizer que a velha vida é cru- Cristo como seu Salvador. Você não pode de Sua Palavra está em produzir uma vi-
cificada e enterrada, e que uma nova co- por si mesmo redimir-se dos próprios pe- da transformada (ver 1Pe 1:23-25).
meça. E a espécie de vida que Cristo vive cados nem transformar seu coração; mas a) Em Sua oração modelo, o que Cristo en-
no novo crente é muito diferente da vida entregando-se a Deus, você crê que Ele, sinou-nos a pedir? “O pão nosso de cada
pecaminosa do homem que ainda não se por amor de Cristo, fez tudo isso por você” dia dá-nos hoje” (Mt 6:11).
converteu. Vejamos a resposta das Escritu- (Caminho a Cristo, p. 69, 70). b) Pelo Seu ensino anterior, como é regis-
ras a muitas perguntas sobre a nova vida. 3. Que outros resultados serão vistos na trado em João 6, é evidente que Cristo
vida daqueles que recebem o Espírito planejava incluir tanto o pão espiritual
I. CRISTO VIVE EM NÓS Santo em seu coração? Ler Atos 1:8. como o material, todos os dias, para
PELO SEU ESPÍRITO a) O perdão dos pecados passados e a en- manter a saúde e o vigor.
1. O que Cristo prometeu a Seus discípulos, an- trada do Espírito Santo no coração para c) Devemos participar cada dia do alimento
tes de retornar ao Céu? Ler João 14:16, 17. produzir os abençoados frutos da justiça espiritual que está na Palavra de Deus, se
a) Qual é a relação entre o Espírito e o cren- (Gl 5:22-25) são experiências tão mara- queremos manter uma viva união com
te? Ler João 14:17 e 1Jo 3:24. vilhosas que o cristão não pode deixar Cristo, que é a Palavra viva (Jo 1:1-3, 14).
b) Aí está a explicação de um grande misté- de falar aos outros da salvação que ele
rio. Cristo habita em nós pelo Seu Santo aprecia. CONCLUSÃO
Espírito. 1. Quando o cristão se alimenta da Palavra
c) Como o Espírito Santo nos ajuda no estu- III. ALIMENTO ESPIRITUAL de Deus, ele cresce “na graça e no conhe-
do da Palavra de Deus? Ler João 14:26; PARA O CRISTÃO cimento de nosso Senhor e Salvador Je-
16:13 e 17:17. 1. Que lição espiritual Deus queria ensinar sus Cristo” (2Pe 3:18).
d) A vida do cristão é transformada pela ha- aos israelitas sobre o maná? Ler Deute- a) Temos que experimentar esse poder trans-
bitação do Espírito Santo (Ler Ef 3:14-19). ronômio 8:3. formador cada dia, por isso dependemos
2. Nossa oração deve ser: “Senhor, cumpre a) Como os profetas ampliaram essa ima- do alimento diário da Palavra de Deus.
Tua promessa e envia Teu Espírito para gem de viver pela Palavra de Deus? 2. Que Deus esteja sempre ao seu lado em
habitar em meu coração” (ver At 2:37-39). “Achadas as Tuas palavras, logo as comi; sua jornada para o Céu!
as Tuas palavras me foram gozo e ale-
II. RELACIONAMENTO gria para o coração” (Jr 15:16). Anotações:
PESSOAL COM CRISTO b) Aquilo que é digerido, passa a fazer parte
1. A que planta Deus comparou Seu po- do ser. Então, quando comemos a Pala-
vo nos tempos do Antigo Testamento? vra de Deus, ela se torna parte de nós.
“Trouxeste uma videira do Egito, expul- c) Que aplicação fez Jesus do maná? Ler
saste as nações, e a plantaste” (Sl 80:8). João 6:35, 48-51.
Ler também Jeremias 2:21. d) Quando os judeus interpretaram Suas
Revista do Ancião jul-set 2011 21
ESBOÇO DE SERMÃO

Fé, o segredo da vitória

INTRODUÇÃO a) O pecador está condenado à morte eter- Céu. E aqueles que de todo o coração acei-
1. “Tudo posso nAquele que me fortalece” na por causa da violação da Lei de Deus. tam esse sacrifício, deixam esse mundo e
(Fp 4:13). A morte de um pecador em lugar de seguem o Salvador. Isto significa sacrifício,
a) Uma fé viva em Cristo é essencial para outros pecadores não seria válida. Ne- mas há uma promessa: Mateus 19:29 –
obter e manter uma experiência no Se- nhum anjo poderia morrer para salvar “Todo aquele que tiver deixado casas, ou
nhor que trará crescente satisfação nesta o homem. Sendo a lei divina tão sagra- irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe... por
vida e livramento deste mundo quando da quanto o próprio Deus, apenas um causa do Meu nome, receberá muitas ve-
Cristo voltar. igual a Deus poderia fazer expiação por zes mais e herdará a vida eterna”.
b) “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb sua transgressão. Por isso Jesus veio ao c) Deus recompensa a todos que Lhe são fiéis.
11:6). “Esta é a vitória que vence o mun- mundo e viveu uma vida sem pecado,
do: a nossa fé” (1Jo 5:4). “morreu pelos nossos pecados, segundo III. QUAL É O SEGREDO
2. Deus tem dado uma medida de fé a cada as Escrituras” (1Co 15:3). DO PODER ESPIRITUAL?
um. Fé é um dom de Deus a todos os ho- b) É fundamental a fé no sangue de Cristo, 1. O passo seguinte é ter fé em Cristo co-
mens – ricos e pobres, grandes e peque- pois Sua justiça, mediante Sua vida per- mo Salvador vivo, capaz de nos livrar do
nos, livres e escravos, sábios e simples. feita, nos purifica dos pecados que mar- poder do pecado. Aprender isso é desco-
a) É dever dos homens nutrir e exercitar es- cam nossa vida. brir o segredo do poder espiritual. Não é
sa fé. Embora sendo pequena como um 4. João 6:37 – “O que vem a Mim, de modo suficiente crer na morte de Cristo. Não é
grão de mostarda, ela pode crescer e ser nenhum o lançarei fora”. Todo aquele que suficiente nos entregarmos a Cristo. De-
usada para remover as montanhas do quiser, poderá ir a Cristo, e quem O procu- vemos crer que Cristo é um Salvador vivo
mal e construir templos de justiça. rar com sinceridade não será desprezado. e Todo-poderoso, que trará vitória sobre
3. Fé em Deus, em Cristo, nas promessas das 5. Na conversão, Cristo satisfaz os reclamos o pecado através do Seu Espírito. Tudo
Santas Escrituras e em todos os planos di- da Lei sagrada e imutável, creditando isso é possível através de Sua vitoriosa
vinos – eis o que necessitamos. Sua justiça ao pecador. O passado é per- ressurreição.
doado, não porque o pecador tenha obe-
I. COMO PODE UM decido a Lei de Deus, mas apesar do fato CONCLUSÃO
PECADOR TORNAR-SE JUSTO? de não ter obedecido (ver Rm 3:28). Aqui estão três promessas de poder:
1. Romanos 5:1 – “Justificados, pois, me- a) Deus nos oferece Seu perdão gratuita- 1. Mateus 28:18-20 – “Jesus, aproximando-
diante a fé, temos paz com Deus por mente. Pela fé, nós O aceitamos e somos Se, falou-lhes, dizendo: Toda a autorida-
meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. perdoados. de Me foi dada no Céu e na Terra. ... E eis
2. Se você ler a história do fariseu e do pu- b) Pela graça, recebemos o poder para que, que estou convosco todos os dias até à
blicano (Lc 18:9-14), notará que o publi- como filhos obedientes, cumpramos os consumação do século.”
cano procurava o perdão dos pecados. mandamentos da Lei de Deus. 2. Lucas 24:49 – “Eis que envio sobre vós a
“Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” promessa de Meu Pai; permanecei, pois,
clamava ele. Jesus comentou sobre sua II. QUE NOVO RELACIONAMENTO na cidade, até que do alto sejais revesti-
atitude: “Digo-vos que este desceu justifi- O CRISTÃO EXPERIMENTA? dos de poder.”
cado para sua casa.” 1. Sem reservas, o seguidor de Cristo Lhe di- 3. Atos 1:8 – “Recebereis poder, ao descer
a) Esse ato de justificar o pecador é em fun- rá, como fez Tomé: “Senhor meu e Deus sobre vós o Espírito Santo.”
ção da vida justa de Cristo. meu” (veja João 20:28). Este poder, como todas as outras bên-
b) Todos são pecadores, mas pela fé o ho- a) Devemos honrar e exaltar a Cristo como çãos, vem através de uma fé ativa.
mem é considerado justo. Quando um Senhor e Salvador. 1 João 5:4 diz: “Esta é a vitória que vence
ímpio passa a ser considerado justo, ele 2. Como nosso Senhor e Mestre, Jesus nos o mundo: a nossa fé.”
é “justificado”. É perdoado de todos os convida a segui-Lo. Mateus 4:19, 20:
seus pecados passados, e Deus lhe dá o “‘Vinde após Mim’... então, eles deixaram Anotações:
crédito de uma pessoa justa mediante a imediatamente as redes e O seguiram.”
pessoa de Cristo. a) Muitos ouvem as boas-novas da salvação,
c) 1 João 1:9 – “Se confessarmos os nossos pe- mas não as recebem com alegria. Eles que-
cados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os rem escapar do mal e do sofrimento, mas
pecados e nos purificar de toda injustiça.” não se entregam a Cristo nem O seguem.
3. A purificação da injustiça é pelo sangue b) Jesus deixou o Céu, veio até aqui, tudo
de Cristo. sofrendo para que pudéssemos ganhar o

22 Revista do Ancião jul-set 2011


IGREJA EM AÇÃO

Seis princípios
Jolivê Chaves
Diretor do Ministério
Divulgação DSA

da dupla-modelo
Pessoal da Divisão
Sul-Americana

N
o mês de fevereiro do ano pas- Nos dias 19 de março e 2 de abril Qualquer projeto evangelístico só
sado tive o privilégio de parti- deste ano, o mesmo treinamento ocor- tem sustentação se houver instrutores
cipar do treinamento de 2.500 reu nas cidades de Belo Horizonte e bíblicos, porque em última instância só
duplas missionárias na cidade de Ma- Buenos Aires, de onde o evangelismo há conversão e transformação de vida
ringá, no Sul do Brasil, em preparo para via satélite será transmitido em por- se houver estudos bíblicos. Daí o papel
o evangelismo via satélite que ocorreu tuguês e espanhol, respectivamente. primordial das duplas missionárias.
no fim daquele ano. Foi fundamental Alimentando o sonho de serem leva- Temos hoje na Divisão Sul-Americana
para o sucesso daquele projeto o papel das ao batismo milhares de pessoas 134.181 duplas missionárias, o que re-
Foto: William de Moraes

das duplas missionárias: quase mil ba- durante o evangelismo via satélite de presenta 13% dos nossos membros mi-
tismos aconteceram no encerramento novembro, 4 mil duplas foram treina- nistrando estudos bíblicos. Nossa meta
da transmissão via satélite. das e equipadas. é chegar a 18% dos membros fazendo
Revista do Ancião jul-set 2011 23
parte de uma dupla missionária nos e capacitar as duplas devemos unir o frio, a chuva... tudo para não falhar ao
próximos cinco anos, o que nos permi- um mais experiente com um menos compromisso de ir à casa do interessado
tirá não apenas aumentar onúmero de experiente. O resultado será duplo: o para ministrar o estudo bíblico.
batismos, mas também ter um número ensino bíblico aos interessados e, ao Estima-se que no mundo morrem
maior de membros vivendo uma expe- mesmo tempo, o crescimento do novo 6.178 pessoas por hora, 148.272 por dia
riência de fé mais sólida, como resulta- na fé rumo à maturidade. e 54 milhões por ano e só Deus sabe
do de ser instrutor bíblico. Discipulado é um relacionamen- quantas delas foram sem receber a luz
Todos temos personagens bíblicos to intencional, através do qual ocorre do evangelho! Falando sobre a urgên-
prediletos, com os quais nos identifi- transmissão de vida e crescimento. cia do chamado para a evangelização,
camos. Alguns deles formaram duplas Ellen G. White diz: “Para atender a esse
missionárias de muito sucesso no tra- 2. ELIAS E ELISEU chamado, há necessidade de abnega-
balho de Deus. Veremos em seguida “Partiu, pois, Elias dali e achou a Eli- ção. Enquanto muitos estão esperan-
seis dessas duplas e os princípios que seu, filho de Safate, que andava lavran- do que todo obstáculo seja removido,
podem ser extraídos do trabalho que do com doze juntas de bois adiante de- pessoas perecem sem esperança e sem
realizaram e que são aplicáveis às du- le; [...] Elias passou por ele e lançou o Deus no mundo” (Conselhos Sobre Mor-
plas missionárias de hoje: seu manto sobre ele. Então, deixou este domia, p. 56).
os bois, correu após Elias e disse: Deixa- Ellen G. White complementa: “Ca-
1. MOISÉS E JOSUÉ me beijar a meu pai e a minha mãe e, da dia o tempo de graça de alguém
“Veio Moisés e falou todas as pala- então, te seguirei. Elias respondeu-lhe: se encerra. Cada hora alguns passam
vras deste cântico aos ouvidos do povo, Vai e volta; pois já sabes o que fiz conti- para além do alcance da misericórdia.
ele e Josué, filho de Num” (Dt 32:44). go. [...] Então, se dispôs, e seguiu a Elias, E onde estão as vozes de aviso e rogo,
Josué era o ajudante direto de Moi- e o servia” (1Rs 19:19-21). mandando o pecador fugir desta con-
sés e o acompanhava quando subia Eliseu entendeu que a capa de Elias denação terrível? Onde estão as mãos
ao monte para estar com Deus, quan- sobre seus ombros simbolizava o cha- estendidas para o fazer retroceder do
do entrava na tenda e quando falava mado de Deus para o ministério pro- caminho da morte? Onde estão os que
ao povo. Ele presenciou os momentos fético. Sendo ele um fazendeiro, esse com humildade e fé perseverante inter-
mais difíceis, bem como os maiores mi- chamado representaria uma enorme cedem junto a Deus por ele?” (Patriar-
lagres envolvendo Moisés. Isso tudo foi renúncia. Diz a Bíblia que ele não ti- cas e Profetas, p. 140).
para ele uma escola de preparo para tubeou: imolou os bois com os quais
sua futura liderança. trabalhava, cozeu a carne, deu às pes- 3. PEDRO E JOÃO
Quando Moisés estava bastante idoso soas, despediu-se dos seus pais, então, “Pedro, fitando-o, juntamente com
e já não mais continuaria à frente do po- seguiu Elias e o serviu (1Rs 19:20). João, disse: Olha para nós. [...]Não pos-
vo como líder, Deus escolheu Josué para suo nem prata nem ouro, mas o que
ser seu sucessor: “Disse o Senhor a Moi- Princípio 2: Renúncia, sacrifício, tenho, isso te dou: em nome de Jesus,
sés: Toma Josué, filho de Num, homem prontidão Cristo o Nazareno, anda! [...] De um
em quem há o Espírito, e impõe-lhe as Assim como no caso de Eliseu toda salto se pôs em pé, passou a andar e
mãos; [...]Põe sobre ele da tua autorida- dupla missionária deve sentir que rece- entrou com eles no templo, saltando e
de, para que lhe obedeça toda a congre- beu o chamado especial de Deus para louvando a Deus” (At 3:4, 6, 8).
gação dos filhos de Israel” (Nm 27:18, 20). um ministério transformador de vidas. Pedro e João sabiam que o trabalho
Isso requer renúncia, sacrifício e pron- de um missionário não se limita a fazer
Princípio 1: Discipulado tidão. Talvez não seja um sacrifício tão estudos bíblicos, embora isso seja um
A experiência de Moisés e Josué grande comoo de Eliseu, mas represen- dever sagrado. Ao curar o aleijado eles
nos ensina a importância do discipu- tará algum tipo de renúncia: abrir mão demonstraram sensibilidade para com
lado no trabalho das duplas missio- de mais tempo com a família, do descan- seu sofrimento e atenderam sua neces-
nárias. Isso significa que ao formar so mais cedo à noite, enfrentar às vezes sidade mais evidente.
24 Revista do Ancião jul-set 2011
Princípio 3: Amor em ação; aten- Portanto, o quarto princípio que devem levar a sério a importância de
dimento das necessidades deve nortear a vida de uma dupla fazer um curso bíblico com os interes-
As pessoas querem saber se realmen- missionária é a comunhão com Deus sados. A ordem natural é esta: levar
te nos preocupamos com elas ou simples- e a busca do batismo diário do Espí- primeiro as pessoas a conhecer a Cristo
mente queremos levá-las para a igreja. rito Santo. Quem tem o Espírito Santo e, em seguida, ao conhecimento das
Por isso, a dupla missionária deve exerce uma influência santificadora e grandes doutrinas bíblicas e de nossas
estar disposta a servir, deve buscar o transformadora sobre as pessoas com crenças distintivas como igreja.
bem-estar das pessoas. A pregação das as quais convive.
boas-novas necessita ser precedida e 6. PAULO E TIMÓTEO
acompanhada pelos gestos de boas 5. ÁQUILA E PRISCILA “Prega a palavra, insta quer seja
obras, como Jesus mesmo ensinou (ver “Ele [Apolo], pois, começou a falar oportuno, quer não, corrige, repreende,
Is 58:6-14; Mt 5:16). As necessidades fí- ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, exorta com toda longanimidade e dou-
sicas, mentais e sociais necessitam ser porém, Priscila e Áquila, tomaram-no trina” (2Tm 4:2).
atendidas em conexão com as necessi- consigo e, com mais exatidão, lhe expu-
dades espirituais. seram o caminho de Deus” (At 18:26). Principio 6: Estimule a tomada de
Quando Áquila e Priscila ouviram decisão
4. PAULO E SILAS os ensinos de Apolo, perceberam que Paulo orienta Timóteo sobre a im-
“Por volta da meia-noite, Paulo e sua mensagem, embora eloquente, es- portância de ser mais que um instrutor
Silas oravam e cantavam louvores a tava incompleta. Faltava-lhe o conheci- passivo da Palavra de Deus. Ele usa ex-
Deus, e os demais companheiros de mento mais amplo das Escrituras. Eles pressões fortes como instar, corrigir e
prisão escutavam” (At 16:25). tomaram tempo para expor-lhe toda a mesmo repreender.
Mesmo em meio a uma injusta e verdade, o que fez a diferença. Lucas Alguns defendem a ideia de que
desumana prisão, Paulo e Silas mantive- diz que, como resultado desse gesto, nossa parte é só ensinar e o apelo é
ram sua fé inabalável. Em plena meia- Apolo “convencia publicamente os ju- obra do Espírito Santo no coração das
noite, acorrentados como se fossem ani- deus, provando, por meio das Escritu- pessoas. Mas esse não é um pensamen-
mais selvagens, essa dupla missionária ras, que o Cristo é Jesus” (At 18:28). to bíblico.
orava e cantava louvores! Não é de ad- Um dos segredos para levar pes-
mirar que quando veio o terremoto e as Princípio 5: O ensino da Palavra soas a tomar uma decisão por Cristo
grades e correntes se abriram nenhum (curso bíblico) é fazer apelo após cada tema estuda-
preso fugiu, tão impactados que esta- Áquila e Priscila mostraram clara- do, e acompanhar a pessoa na prática
vam pela presença dos servos de Deus mente o valor do ensino bíblico para da decisão que ela tomou. Esse é um
no meio deles. O próprio carcereiro se aqueles que formam duplas missionárias. princípio fundamental para uma dupla
converteu e foi batizado (At 16:26-30). Como adventistas sempre fomos co- missionária ser bem-sucedida.
nhecidos como “o povo da Bíblia”, de- Ellen G. White diz: “Veementes e
Princípio 4: Comunhão; batismo vido à importância que historicamente fervorosos apelos devem ser feitos ao
diário do Espírito Santo temos dado ao ensino bíblico. Devemos pecador para que se arrependa e con-
Em grande medida, o sucesso de continuar sendo zelosos no preparo das verta” (Evangelismo, p. 188).
uma dupla missionária será propor- pessoas que se batizam, bem como na Que esses princípios norteiem o tra-
cional à sua experiência de comunhão continuada atenção aos recém-batiza- balho das duplas missionárias e que es-
com Deus. A comunhão com Deus abre dos, para que continuem crescendo no tejam firmadas na promessa de Deus:
caminho para o batismo diário do Espí- conhecimento bíblico e no compromis- “Que formosos são sobre os montes, os
rito Santo. É a presença do Espírito San- so com a fé e a missão. É o processo do pés do que anuncia as boas-novas, que
to na vida do missionário que o habili- discipulado, que já começa no preparo faz ouvir a paz, que anuncia coisas bo-
ta a impactar a vida das pessoas como das pessoas para o batismo. as, que faz ouvir a salvação, que diz a
ocorreu com Paulo e Silas. Portanto, as duplas missionárias Sião: O teu Deus reina!” (Is 52:7).
Revista do Ancião jul-set 2011 25
MINISTÉRIO JOVEM

Batismo da
Areli Barbosa
Diretor do Ministério
Divulgação DSA Primavera
Jovem da Divisão
Sul-Americana Como preparar os juvenis para uma nova vida

U
ma razão importante porque a
igreja foi colocada neste mun-
do é levar pessoas a Cristo,
principalmente os juvenis e filhos da
igreja. A Bíblia diz: “Há alegria no Céu
quando um pecador se arrepende.” E,
em outro lugar, acrescenta: “Deixai vir a
Mim os pequeninos, porque dos tais é o
reino do Céu.” Se o Céu está interessado
na decisão e transformação de adultos
e juvenis, precisamos de criatividade
para tornar essa experiência inesquecí-
Fotos: Daniel Oliveira

vel, principalmente para os candidatos


ao Batismo da Primavera.
26 Revista do Ancião jul-set 2011
Para que um juvenil tome sua de- Contudo, o Batismo da Primavera não têm idade suficiente para serem
cisão, é necessário que ele conheça o precisa de um bom planejamento pré- responsáveis, para se arrependerem de
plano da salvação através do estudo sis- vio, pois será o momento em que o ju- seus pecados e professarem a Cristo”
temático da Bíblia. A classe bíblica é o venil sonha com a transformação para (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 146).
ambiente adequado para que o juvenil um futuro melhor. Assim é importante Os líderes precisam ajudar os pais a
possa aprender e participar com seus que esses candidatos tenham consciên- entender que rejeitar a decisão de um
amigos do conhecimento bíblico. Neste cia de que terão apoio e compreensão juvenil pode acarretar em desânimo es-
preparo do Batismo da Primavera, pais das pessoas adultas para continuarem piritual e possível abandono da igreja.
podem apoiar os filhos, e os assuntos firmes em sua decisão. É certo que devemos ter batismos cons-
religiosos poderão abrir as portas para Alguns questionam o batismo ju- cientes de pessoas preparadas, mas de-
que possam doutrinar os filhos no cami- venil, fundamentados na ideia de que vemos entender que o juvenil não vai
nho da verdade. Por isso, o Batismo da eles são pequenos demais para deci- compreender todo o corpo doutrinário
Primavera ajuda os pais a se aproxima- sões tão importantes. É sempre bom da igreja. Ellen G. White disse também:
rem dos filhos. Através da classe bíblica lembrar que a decisão que um juvenil “O batismo não torna cristãs as crian-
ou do estudo pessoal da Bíblia, os pais ou um adulto toma pelo batismo já foi ças, tampouco as converte; é apenas
podem não só alcançar o coração de influenciada pelo Espírito Santo e que um sinal exterior que demonstra senti-
seus filhos, mas lhes ensinar os princí- o grau de percepção da verdade é di- rem dever ser filhos de Deus, reconhe-
pios da salvação. Ellen G. White diz: “Os ferente em uma criança e num adulto; cendo que creem em Jesus Cristo como
pais precisam avaliar mais completa- mas isso não desabilita o juvenil a to- seu Salvador e que daí por diante vive-
mente a responsabilidade e honra que mar essa decisão. Ellen G. White disse: rão para Ele” (Orientação da Criança,
Deus colocou sobre eles, ao torná-los, “Acautelai-vos, não os embaleis para p. 499, 491).
perante os filhos, Seus representantes” adormecerem à beira do abismo da Esse momento na vida de uma
(Refletindo a Cristo [MD 1986], p. 177). destruição, com a errônea ideia de que criança pode ocorrer em idades bem
Ilustração: JoCard

Revista do Ancião jul-set 2011 27


distintas. “As crianças de oito, dez, ou que vai desde a classe bíblica até a festa ser feita logo após o batismo, ou nos
doze anos, já têm idade suficiente para batismal. O batismo deve ser um dos próximos cultos. Se ela for realizada em
serem dirigidas ao tema da religião in- melhores programas da igreja. A alegria outro momento, pode se tornar uma
dividual. Não ensineis vossos filhos com que existe no Céu, por um pecador que nova oportunidade para convidar ami-
referência a um tempo futuro em que se arrepende, precisa ser bem repre- gos, além de não prolongar demais a
eles terão idade bastante para se arre- sentada durante o batismo em clima cerimônia batismal.
penderem e crerem na verdade. Caso de festa. Na primavera, há uma grande Evite uma mensagem musical para
sejam devidamente instruídas, crianças oportunidade para isso. Portanto: cada candidato, isso pode aumentar o
bem tenras podem ter ideias corretas Organize o programa com antece- tempo da programação e desgastar o
quanto a seu estado de pecadores, e ao dência. Reúna-se com o pastor distrital programa vindo a cansar o público. É
caminho da salvação por meio de Cris- e demais líderes envolvidos, e defina a importante que a programação seja bo-
to” (Orientação da Criança, p. 490). ordem do programa, as tarefas de cada nita, inspiradora e rápida.
Na cena batismal se encontram pe- um e os convidados especiais. Prepare músicas especiais. Esco-
cador e Salvador, velha vida e nova vi- Arrume a igreja para esse dia. A lhendo com antecedência as músicas
da, renúncia e decisão, entrega e trans- beleza da igreja revela o clima de fes- que serão cantadas no momento do
formação. Esse é um momento muito ta e torna o ambiente mais agradável batismo, quem vai tocar e quem vai co-
importante na vida juvenil, por isso a e receptivo. Como será na estação da ordenar esses momentos.
Bíblia diz: “Quem crer e for batizado primavera, e o batismo é alusivo a isso, É importante que os estudos bíbli-
será salvo” (Mc 16:16). Devemos apelar explore bastante o uso de flores e cores. cos comecem em maio para que haja
para os juvenis, eles também precisam Organize a entrada dos candidatos. tempo de passar todas as lições e os
de uma nova vida e da transformação Eles podem entrar pelo corredor cen- alunos possam tirar suas dúvidas. Todo
de Cristo. Todo o trabalho missionário tral da igreja, à medida que vão sendo o processo de aprendizado leva tempo
precisa ser intencional, temos que que- chamados e apresentados. Pode ser e os professores precisam desse tempo
rer salvar pessoas do pecado e levá-las projetada uma foto ou um pequeno para que os juvenis possam conhecer
a Jesus. Essa classe necessita de: vídeo, mencionando o nome, idade, as verdades da Bíblia.
■ Um bom professor, que tenha o que mais gosta na igreja, pessoa de Como ancião, tenha essa classe
habilidade para comunicar-se com os quem recebeu estudos bíblicos, etc. bíblica como “a menina dos olhos da
juvenis. Destaque o nome dos membros igreja”, pois está preparando a futura
■ Regularidade – horário adequa- que prepararam os candidatos ao ba- geração da igreja. Apoie esse traba-
do para os pais trazerem os juvenis à tismo. É importante valorizar esses mis- lho, sempre examinando para ver se
igreja. sionários. Eles podem entrar ao lado as coisas estão indo bem, e motive os
■ Material de estudo. Procure o es- do candidato pelo corredor da igreja, líderes da classe a serem dinâmicos e
tudo bíblico no Departamento do Mi- podem entrar na água para abraçar o perseverantes, pois certamente o re-
nistério Jovem do Campo local. recém-batizado, podendo também en- sultado virá.
No momento do planejamento tregar o certificado. Ninguém que faz o trabalho missio-
para o Batismo da Primavera é impor- Invista no apelo. Ele pode ser feito nário para Deus deixará de ser recom-
tante envolver os departamentos do antes do batismo da última pessoa, pensado. Deus não Se esquece dos fiéis
Ministério da Criança e Adolescente, Mi- convidando a todos para também as- e dedicados obreiros que fazem o tra-
nistério Pessoal, Desbravadores e Aven- sistirem bem de perto à cerimônia. A balho de forma sistemática. Um dia ele
tureiros. Todo esse esforço em conjunto história de conversão do último can- recompensará esse esforço.
fortalece o programa e dá uma visão de didato pode ser usada como apelo, ou Certamente, não haverá alegria
unidade, trazendo um bom espírito às até pedir que o último candidato faça o maior do que a de ver juvenis que as-
programações da igreja. A decisão ao apelo junto com o pastor. sistiram às classes bíblicas, salvos com
Batismo da Primavera deve ser mar- Prepare uma cerimônia de recebi- Cristo no Céu. Neste ano, vamos ter
cada pela organização e planejamento mento dos novos membros. Ela pode uma primavera de esperança.
28 Revista do Ancião jul-set 2011
PERGUNTAS & RESPOSTAS

Ministérios independentes
Qual é a posição da igreja sobre os “ministérios “Sendo que a unidade orgânica da igreja como corpo de
independentes”? Cristo é essencial para o cumprimento da missão (Jo 17:21;
1Co 1:10; 12:12-27), e que Deus ‘está guiando, não ramifi-

P
raticamente todos os ministérios autossustentáveis cações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo’
alegam apoiar a Igreja Adventista do Sétimo Dia, sua (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros, p. 61);
liderança, mensagem e missão. Mas nem sempre essa “Não recomendarmos as atividades de qualquer ministé-
é a realidade. Ao mesmo tempo em que existem ministérios rio, grupo ou pessoa que se sente na liberdade de (1) difamar
que apoiam a igreja, também há aqueles que competem a igreja de forma pública ou privada; ou (2) promover teorias
com a igreja, acusando-a de apostasia do assim chamado doutrinárias em desacordo com as 28 Crenças Fundamen-
“adventismo histórico” como eles o entendem. tais da IASD, tais como o antitrinitarianismo e a negação da
Em resposta aos desafios representados por esses minis- personalidade do Espírito Santo, o perfeccionismo e a teo-
térios acusadores da igreja, a Divisão Norte-Americana publi- ria de que Cristo veio com uma natureza humana moral e
cou em 1992 o livro Issues: The Seventh-day Adventist Church espiritualmente caída, questionamentos ao dom profético
and Certain Private Ministries ([Silver Spring, MD]: North Ame- de Ellen G. White, especulações escatológicas, desequilíbrio
rican Division, [1992]) e o documento “NAD Action on Private na área da saúde, etc.; ou (3) aceitar dízimos; ou (4) exercer
Organizations” (Adventist Review, 3 de dezembro de 1992, p. suas atividades sem o apoio da liderança da respectiva orga-
4-7). Posteriormente, a própria Associação Geral produziu e nização responsável por aquele território (União de igrejas/
publicou os documentos “Report on Hope International and Associação/Missão local).
Associated Groups” (Adventist Review, agosto de 2000, p. 34- “Diante dos prejuízos que podem ocasionar à unidade da
37) e “Decision on Hope International and associated groups igreja e ao cumprimento de sua missão, nenhuma pessoa ou
by a General Conference-appointed committee” (Ministry, agos- ministério com alguma dessas características deve ser convi-
to de 2000, p. 28-31). dado a participar em atividades da igreja.
A exemplo da Divisão Norte-Americana e da própria Asso- “Reconhecemos, porém, a importante contribuição de
ciação Geral, também a Divisão Sul-Americana se pronunciou pessoas e grupos que investem seu tempo e recursos pessoais
sobre o assunto através do voto 2010-117 intitulado “Unida- no desenvolvimento de planos e estratégias de apoio à igreja
de de Doutrina e Missão”, que diz o seguinte: no cumprimento de sua missão. O espírito de colaboração e
“Considerando que a Igreja Adventista do Sétimo Dia apoio dessas pessoas e grupos têm sido fundamental à pro-
(IASD) foi suscitada por Deus como movimento profético clamação do ‘evangelho eterno’ a todo mundo (Ap 14:6).”
em preparação para a segunda vinda de Cristo (Dn 8:14; Ap Portanto, esse documento representa a posição oficial da
10:10, 11; 14:6-12), e que ‘no mundo só existe uma igreja que Igreja Adventista do Sétimo Dia no território da Divisão Sul-
presentemente se acha na brecha, tapando o muro e restau- Americana. Cada membro da igreja deve avaliar cuidadosa-
rando os lugares assolados’ (Ellen G. White, Testemunhos Para mente os postulados dos ministérios independentes à luz dos
Ministros, p. 50); princípios acima expostos.
“Convictos de que aos adventistas do sétimo dia foi con-
fiada por Deus a missão de proclamar as três mensagens an-
Caro ancião:
gélicas ‘a cada nação, e tribo, e língua, e povo’ (Ap 14:6-12),
O Dr. Alberto Timm, reitor do Salt e coordenador do Espírito
e sendo que ‘nenhuma obra há de tão grande importância’ de Profecia na Divisão Sul-americana, é quem responde. Escreva
como esta, eles não devem permitir que projetos particula- para Perguntas e Respostas – Caixa Postal 2600; CEP 70270-970,
Brasília, DF ou revistadoanciao@dsa.org.br. A proposta deste es-
res ou qualquer outra coisa os desviem dessa sagrada missão paço é esclarecer dúvidas sobre assuntos ligados à doutrinas da
(Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 19); igreja. Dentro do possível a resposta será publicada nesta seção.
Revista do Ancião jul-set 2011 29
CONSULTORIA

Votação na igreja

Pergunta: Sou o primeiro ancião de minha igreja e 3. Após ter feito a votação de uma proposta, passa-se
sempre que tenho que fazer uma votação me sinto imediatamente para a proposta seguinte. Caso a maio-
inseguro quanto ao procedimento correto. Poderia ria tenha votado contra a proposta, o presidente sim-
explicar exatamente como fazer isso? plesmente informa que a proposta não foi aceita e
apresenta o próximo item.
Resposta: Preciso lhe dizer que você não é o único a ter 4. Há dois tipos de propostas que não podem ser votadas
dúvidas sobre esse assunto. Recentemente estive numa igreja imediatamente:
e presenciei o ancião realizando a votação de uma ata da co- a. Transferência de membros. Tanto o recebimento
missão. Após ter feito a leitura ininterrupta de uns seis itens, quanto o envio de cartas de transferência devem
solicitou: “Todos os favoráveis levantem a mão.” E finalizou: ser votados uma semana após a apresentação da
“Votado!” proposta. Nesses casos, após ser feita a proposta,
A votação de uma ata deve obedecer aos seguintes cri- o presidente solicita apoio e abre para as obser-
térios: vações. Essas, no entanto, devem ser apresentadas
1. Cada item é apresentado individualmente à igreja. posteriormente durante a semana que se segue. Na
Após apresentar o item, o(a) próprio(a) secretário(a) reunião seguinte, o item é apresentado novamente
finaliza fazendo a proposta para consideração. Isso é à igreja para votação.
feito simplesmente dizendo: “Proponho.” b. Relatório da comissão de nomeações. Tal relatório
2. A pessoa que está presidindo à reunião (pastor ou an- é apresentado à igreja como proposta. O presiden-
cião) segue então os seguintes passos: te solicita apoio e deixa um período de pelo menos
a. “Há um apoio?” Se houver pelo menos um membro uma semana durante o qual os membros poderão
presente que dê seu apoio à proposta, o presidente fazer suas observações. Finalmente, após os ajustes
avança para o passo seguinte. necessários, o relatório é apresentado novamente
b. Confirma: “Apoiado”. ao plenário para votação.
c. Pergunta então: “Há alguma observação?” Aguarda
alguns instantes para ver se alguém terá alguma ob- Em síntese, a votação na igreja segue os seguintes passos:
servação. Se houver, deve permitir que a observação 1. Proposta
seja feita. As observações são feitas obedecendo-se 2. Apoio
à ordem em que as mãos são levantadas. Após ter 3. Observações
permitido todas as observações ou ter verificado 4. Votação
que não há observações, o presidente procede ao 5. Declaração da votação.
passo seguinte:
d. “Todos os que estão de acordo com a proposta le-
vantem a mão.” Caro ancião:
e. Após fazer a contagem ou verificação dos votos, faz Ranieri Sales, pastor titular da igreja do Unasp-EC e tradu-
a próxima solicitação: “Agora os que são contrários tor do Manual da Igreja 2010, é quem responde. Escreva para
Consultoria – Caixa Postal 2600: CEP 70270-970, Brasília, DF ou
levantem a mão.”
revistadoanciao@dsa.org.br. A proposta deste espaço é esclare-
f. Tendo verificado que a maioria votou favoravelmen- cer dúvidas sobre assuntos ligados à administração de igreja.
te, conclui declarando “votado”. Dentro do possível, a resposta será publicada nesta seção.

Revista do Ancião jul-set 2011 31


MORDOMIA E PROSPERIDADE

O uso sábio
Erico T. Xavier
Pastor de igreja no
Divulgação DSA do dinheiro
Paraná, Brasil

A
má administração do dinhei- 2. Não ficar a mercê de nenhuma A impulsividade leva as pessoas a com-
ro tem causado problemas e financeira, agiota ou banco. prar até o que não querem. O pior se
angústia para muitas famílias. Para não se tornar escravo de uma dá quando chega o extrato do cartão de
Quando se gasta mais do que se ganha dívida impagável, é preferível vender crédito. Vem o arrependimento de ter ido
há desequilíbrio no orçamento domés- o carro e comprar um mais velho, ou àquele restaurante caro, da calça que não
tico e vários fatores da vida pessoal po- andar de ônibus durante algum tempo. tinha necessidade de comprar, da bolsa
dem entrar em crise, entre eles o rela- As pessoas sensatas evitam ao máximo que estava em grande liquidação. O me-
cionamento conjugal e a participação fazer empréstimos, principalmente lhor remédio para o uso desenfreado do
nas atividades da igreja. quando os juros são exorbitantes. Elas cartão é passar nele a tesoura. Isso evita
também têm muito cuidado ao assinar brigas em casa, dores de cabeça, insônia
SUGESTÕES PRÁTICAS papéis, especialmente quando sua casa e o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito).
Administrar as finanças é uma arte ou carro ficam alienados.
que precisa ser aprendida e colocada 5. Ser fiel nos dízimos e ofertas.
em prática. A seguir, algumas sugestões: 3. Comprar à vista. O que é de Deus é de Deus e ponto.
Débito prolongado e mal planejado O dízimo e as ofertas voluntárias não
1. Quitar os débitos. tem que ver com disciplina pessoal e foram instituídos para ser questiona-
“Muitas famílias são pobres porque revela a incapacidade de se viver com dos, mas para ser encarados como
gastam o dinheiro logo que o recebem. o dinheiro que recebe. Muitas vezes é uma bênção. Quando alguém separa
Vocês devem considerar que uma pes- mais fácil comprar em suaves presta- a parte que Deus designou para ser
soa não deve dirigir seus negócios de ções do que à vista; porém, as suaves usada na pregação do Evangelho, está
molde a incorrer em dívida [...] Quan- prestações podem virar pesadelos. An- demonstrando total confiança nAque-
do alguém se envolve com dívidas, tes de comprar a prazo, é bom conside- le que prometeu nunca desampará-lo.
caiu na rede que Satanás prepara para rar o seguinte: se hoje não há dinheiro A disciplina nas finanças começa quan-
as pessoas” (Ellen G. White, O Lar Ad- sobrando na poupança, amanhã tam- do se coloca Deus em primeiro lugar
ventista, p. 392). bém não haverá. e se destina a Ele o que Lhe pertence.
É possível quitar as dívidas ape- Felizes são aqueles que sempre estão
nas eliminando gastos desnecessários. 4. Dizer não à tentação. agradecidos ao Senhor pelas muitas
Imagem: Shutterstock

O consumismo desmedido é um dos Não à vitrine atraente, não à socie- bênçãos e são generosos com os mais
principais pecados da humanidade. dade imediatista e não ao supérfluo. necessitados.
32 Revista do Ancião jul-set 2011
ADMINISTRAÇÃO

A liderança
Ekkehardt Mueller
Diretor associado
Divulgação DSA

e a igreja
do Instituto Bíblico
de Pesquisas da
Associação Geral

E
m 1 Pedro 2:9, a própria comu- individualismo ou congregacionalismo Testamento, ao comparar a igreja com
nidade é chamada de “raça elei- desequilibrado. Infelizmente, na histó- um corpo (1Co 12), enfatiza a diversida-
ta, sacerdócio real, nação san- ria da igreja, o sacerdócio dos crentes de dentro de uma unidade mais ampla.
ta”. Através do voto batismal, todos os foi dividido em dois níveis. Ainda hoje, Seus membros são levados a estimar os
cristãos se tornam sacerdotes nos mol- o sacerdócio comum dos cristãos é re- anciãos, pastores, professores e dirigen-
des de Cristo – pregando, sacrificando conhecido, mas com frequência é anu- tes que, por sua vez, se relacionam com
a vida em favor de seus irmãos e irmãs, lado em função dos interesses de um eles de forma humilde.
e se tornando dedicados mordomos do sacerdócio somente para os ordenados. “Os homens a quem o Senhor cha-
Universo. No entanto, a liderança da igreja é ma para ocuparem em Sua obra cargos
O sacerdócio de todos os crentes tem um conceito bíblico. Os líderes desen- importantes, devem cultivar humilde
dimensões importantes. Todos os crentes volvem planos, motivam os membros confiança nEle. Não devem buscar en-
têm pleno acesso ao trono da graça (Rm a adotá-los, executá-los e a levá-los feixar em suas mãos demasiada auto-
10:13; 1Jo 1:9), uma vez que são redimi- adiante. Eles se posicionam pela verda- ridade; porque Deus não os chamou
dos pelo sangue de Cristo (Hb 10:19-22) e de, tomam decisões relevantes e fazem para dominar, mas para estabelecerem
salvos pela graça mediante a fé (Ef 2:8). o melhor pela igreja, muitas vezes com planos e aconselharem-se com os coo-
Eles podem compreender a Bíblia e, por- grande custo pessoal. Uma boa lide- breiros” (Ellen G. White, Testemunhos
tanto, devem ter acesso a ela (At 17:11). rança se abstém de governar como um Para a Igreja, v. 9, p. 270).
Ela ensina também a igualdade dos cren- rei sobre a igreja (1Pe 5:3). Seguindo Quando o conceito de sacerdócio de
tes e, consequentemente, seu envolvi- o exemplo da liderança de Cristo (Mt todos os crentes é colocado em prática,
mento na missão, adoração e compreen- 20:25-28; 23:8, 11), líderes permitem as pessoas se tornam mais maduras e
são da teologia da igreja tão bem quanto a participação de membros na toma- isso contribui para uma atmosfera de
à oferta de sacrifícios espirituais que da de decisões, levando em conta o reciprocidade e crescimento da igreja.
incluem boa conduta (1Pe 1:15; 2:2, 16), fato de que eles têm grande potencial Esse conceito também auxilia os crentes
serviço e dedicação pessoal (Rm 12:1). e habilidades espirituais relevantes e a sentir satisfação pelo chamado que
Foto: Marcos Santos

Visto que a igreja, como um todo, é necessárias para o avanço da causa de receberam de Deus e agir “por todos os
um sacerdócio, não existe espaço para Deus. A figura de linguagem do Novo modos [para] salvar alguns” (1Co 9:22).
Revista do Ancião jul-set 2011 33
DE MULHER PARA MULHER

Sigilo: um
Rosecler Linhares
de Queiroz
Divulgação DSA instrumento para
a paz espiritual
Diretora do Ministério
da Mulher da União
Nordeste Brasileira

A
confiança nos relacionamentos é algo bastante valo-
rizado hoje. Isso acontece porque no mundo em que
vivemos há muita desconfiança nas relações huma-
nas! Sentimentos feridos, vidas frustradas e muitos outros in-
Imagens: Shutterstock

cidentes acontecem porque alguém quebra sigilos que antes

34 Revista do Ancião jul-set 2011


haviam sido confidenciados. É ruim para os relacionamen- Quando as pessoas procuram a esposa do pastor ou do
tos, ruim também para o exercício da liderança. Até líderes ancião para tratar dos dilemas da vida, o sigilo torna-se um
religiosos podem ser afetados pela dificuldade de guardar item fundamental. Afinal, as pessoas se dispõem a expor seus
confidências, especialmente aquelas confiadas com muita problemas para a esposa do líder daquela igreja como forma
restrição, como o aconselhamento. de pedir “socorro”. Para ser uma pessoa assim, você não deve
Espera-se que os líderes responsáveis pela coordenação se envolver em “fofocas”, mas sim ajudar os irmãos a conviver
dos trabalhos da igreja sejam pessoas de bem, que tenham bem uns com os outros.
condições espirituais para dirigir as atividades religiosas de Saiba guardar segredo quando alguém confia a você algum
uma comunidade. Em geral, o ancião ordenado é um dos assunto que não pode ser contado a outra pessoa. Também o
membros de confiança da igreja, pois já demonstrou íntimo segredo que seu esposo lhe conta sobre algo importante não
relacionamento com Deus. É notório também que ele cuida deve ser passado adiante. Seja uma pessoa confiável que sabe
bem da família, com quem mantém bom relacionamento. ouvir os outros e que eles, por sua vez, se sintam bem em lhe
Uma esposa de ancião que é confiável, muitas vezes aju- revelar o que está no coração. Existem segredos que nunca de-
da as irmãs em suas dificuldades relacionais. Uma mulher veriam sair de nossos lábios, mas que devem ser levados em
assim é alguém em quem tanto o esposo como os membros oração a Deus.
da igreja podem confiar. A Bíblia descreve este tipo de esposa Seja uma mulher de oração e peça ao Senhor que faça de
como “mulher virtuosa ... coroa do seu marido” (Pv 12:4). você uma “mãe em Israel”, confiante e cuidadosa ao falar. Pre-
cisamos de pessoas sigilosas em nossa igreja, pessoas que sejam
pacificadoras e cheias do Espírito Santo. E não se esqueça de ser
a esposa ajudadora, companheira e confidente do seu esposo, a
quem Deus confiou a missão de liderar a igreja. Pesa sobre você
a responsabilidade de manter a paz e a serenidade no relaciona-
mento com a igreja. Nunca se esqueça de que “o que guarda a
boca e a língua guarda a sua alma das angústias” (Pv 21:23).

Revista do Ancião jul-set 2011 35




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