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Tipo de Fichamento

DADOS-CITAÇÃO

Assunto (TEMA) Local em que se encontra a obra:

LIVRO DIDÁTICO Livro


(CÓPIA DE CAPÍTULO PDF)
Referência bibliográfica:

BITTENCOURT, Circe. Livro didático e construção do saber escolar. In: BITTENCOURT, Circe.
Livro didático e saber escolar (1810-1910). Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p. 23-61 (Capítulo 1)

Observações:

A obra corresponde a publicação da tese de doutorado da professora aposentada da USP e


professora da PUC-SP Circe Maria Fernandes Bittencourt, defendida no PPGSS em História Social
da USP no ano de 1993 e publicada como livro em 2008.

Seções:
1. Título: Livro didático e construção do saber escolar.
a. Concepções e projetos de redação do livro didático.
i. Concepções iluministas de livro didático.
ii. Planos de redação dos livros escolares.
b. Livros didáticos e concepções de ensino.
i. Instrução pra quem?
ii. Livros de leitura e ensino elementar.
c. Vigilância e controle da produção didática.
i. Legislação sobre os livros escolares.
ii. Vigilância dos Conselhos de Instrução.

Desenvolvimento de uma nova sociedade [...] A escola não poderia continuar a dedicar-se
emergente no ideário Liberal, adaptado aos exclusivamente, à educação de classe dirigente
interesses políticos vigentes tradicional, de aristocratas. Existiam outras
 necessidades oriundas de novos
empreendimentos que precisavam garantir o
aumento da produtividade.
p. 24
[...] O estabelecimento da educação escolar foi
planejado e acompanhado pelo poder
governamental, que passou a utilizar vários
mecanismos para direcionar e controlar o saber a
ser disseminado. Nessa perspectiva, o livro
didático constitui instrumento privilegiado do
controle estatal sobre o ensino e aprendizado dos
diferentes níveis escolares.
p. 24

 Projeto de elaboração, tradução e [...] As propostas de “nacionalização” da


adaptação de livros elaborados a partir de literatura escolar correspondem ao período de
modelos estrangeiros, sobretudo crescimento da rede escolar, decorrente, em parte,
franceses e alemães; das mudanças sociais sugeridas com a
 Críticas por menosprezar obras urbanização, imigração do esfalecimento do
nacionais, em especial os livros de trabalho escravo e modernizações tecnológicas
leitura; nos meios de comunicação [...] p. 26
 Tensão no controle político entre Estado
e Igreja; Estado defende a [...] As propostas de “nacionalização” da obra
“nacionalização” das obras didáticas, didática representavam o grupo de educadores
bem como seu domínio na escola favoráveis ao domínio do Estado na escola
pública. pública, em detrimento do poder da Igreja,
o Projeto civilizatório; Nova evidenciando conflitos de setores em luta pelo

organização social; poder no nível central ou para obter o controle


político nas esferas regionais
Mas, nos dois momentos, permaneceu a crença
na força do livro escolar coo peça importante na
viabilização dos projetos educacionais. A obra
didática era concebida como principal
instrumento para divulgação do ideário
educacional, dependendo dela, a formação do
professor e doa aluno. p. 26

[...] um livro lido é um livro apropriado que


induz a novos hábitos [...] “não existem tiranos
para os que sabem ler” [...] p. 26
[...] o livro escolar deveria condicionar o leitor,
refrear possíveis liberdades diante da palavra
escrita, impressa. [...] p. 27
 Livros didáticos para o professor e para o [...] Existiam os compêndios ou manuais
aluno, com concepções distintas: escolares, dos alunos, e os livros dos mestres dos
o O livro escolar surge no final do professores. [...] O livro do mestre serviria,
século XVIII em uma dinâmica sobretudo, para suprir as deficiências dos
de “educação institucionalizada”. docentes mal preparados, recrutados de maneira
(p. 28) pouco rigorosa dada a ausência de cursos
o Livro dos mestres: anotações especializados e sua formação. p. 27
sobre o método de ensinar;
o Compêndios/manuais [...] O livro escolar aparecia, no final do século

escolares: destinado aos alunos; XVIII, como principal instrumento para a


formação do professor, garantindo, ao mesmo
tempo, a veiculação de conteúdo e método de
acordo com as prescrições do poder estabelecido.
p. 28

[...] O livro didático visava, portanto, no seus


primórdios, prioritariamente, atender o
professor. No decorrer do século XIX, embora o
manual escolar mantivesse esse caráter intrínseco
em sua elaboração, ele passou a ser considerado
também como obra a ser consumida diretamente
por crianças e adolescentes, que obtiveram o
direito de posse sobre ele. [...] P. 29

[...] Os livros que os professores deveriam


utilizar foram pensados pelas autoridades
brasileiras em dois níveis. Inicialmente, pelo
custo e raridade de obras propriamente didáticas,
impunha-se aos professores o uso de livros de
autores consagrados, sobretudo as obras
religiosas. [...] p. 29
 Compêndio - do francês “abrégés”. [...] deve apresentar um quadro exato, resumido e
preciso de uma ciência, ou de uma arte, tal qual
 Livros populares - do francês existe no momento e quem o autor escreve. Mas
“élémentaire”. um livro elementar é um sistema de ensino; ele
abrange um plano dirigido de instrução. O autor
se propões não a compilar todos os fatos, todas as
verdades conhecidas, mas a realizar uma escolha
satisfatória de coisas que, estando ligadas,
apresentem novas articulações, relações
verdadeiras e essenciais. Ele serve então para
desenvolver o espírito, para fazer germinar as
idéias, supondo que seu autor considere quais
sejam os conhecimentos mais importantes, assim
como quais sejam os exercícios, e a constituição
da ciência ou da arte que ele pretende que seja
conhecida. O compêndio serve para a memória,
um livro elementar atinge mais diretamente o
espírito da inteligência. [...] p. 29-30 (cf. Julia,
1986, p. 33-34)
 Ao lado da definição de livros didáticos,
especificando sua natureza e finalidades das
obras de acordo com seu público consumidor, os
administradores encarregados dos projetos
educacionais tiveram o cuidado de estabelecer as
formas como seriam elaborados os textos e
quem deveria escrevê-los. p. 30
Quem poderia escrever os livros escolares: [...] os livros poderiam “ser feitos ou pelos
Três momentos: mestres encarregados deste trabalho em benefício
1. Elite cultural / homes de confiança; (p. de sua pátria, voluntariamente ou por ordem
30) – tarefa patriótica; superior”. A confecção de uma obra didática seria
2. Pessoas menos “nobilitadas” (p. 31) – uma tarefa patriótica, um gesto honroso, digno
prêmios e honrarias (concursos); das altas personalidades da “nação”. p. 30
3. Experiência pedagógica (p. 32) -
[...] os homens de “confiança” do poder [...]
Base religiosa, econômica e moral [...] uma obra didática deveria difundir a
“verdadeira ciência” [..] p. 30
Séc. XVIII, XIX e início do XX: Livros [...] A concepção de livro didático, entretanto,
direcionados para a formação do professor. permaneceu. O livro era fundamentalmente para
a formação dos professores e para garantir os
diversos conhecimentos a serem divulgados pela
escola. [...] p. 32
 Séc. XX [...] A educação escolar precisava de novos
 Formação do sentimento nacionalista por métodos e disciplinas escolares, tendo de
meio dos “conteúdos” escolares; enfrentar as exigências das denominadas ciências
 Constituição das disciplinas; modernas [...] p. 32

[...] formação do “sentimento nacionalista” [...]


sentimento de pertencer ao mundo civilizado
ocidental [...]
p. 32
Currículo: p. 33
 Organizado pelos Dirigentes dos
Estados;
 Disciplinas escolares;
 Níveis de escolarização – etapas e
estágios de aprendizagem;
Nível elementar: [...] Haveriam livros de leitura com histórias
 Livros de leitura com foco nos valores; morais para despertar os bons sentimentos,
benevolência, amizade e tolerância [...] estariam
sob a vigilância constante do Estado para que sua
doutrina não fosse deturpada “pela superstição ou
negligência”. [...] p. 33
Segundo Grau / Nível secundário: [...] maior liberdade para o professor na escolha
dos compêndios [...] p. 33
Papel da Educação: [...] nem sempre foi consensual a idéia de que o
Estado, Igreja e Família ensino primário seria, obrigatoriamente,
atribuição do Estado [...] p. 34

[...] Para os conservadores, a tarefa do ensino


elementar deveria ser atribuição das famílias e da
Igreja. [...]p. 34

[...] posição intermediária [...] que separava o


papel da escola e o da educação fornecida pela
família e pela Igreja [...] p. 34
Educação A educação corresponde, pois, a toda
Ensino modalidade de influência e inter-relações que
Instrução convergem para a formação de traços de
personalidade social e do caráter, implicando
uma concepção de mundo, ideais, valores,
modos de agir, que se traduzem em convicções
ideológicas, morais, políticas, princípios de
ação frente a situações reais e desafios da vida
prática. Nesse sentido, educação é instituição
social que se ordena no sistema educacional de
um país, num determinado momento histórico;
é um produto, significando os resultados obtidos
da ação educativa conforme propósitos sociais e
políticos pretendidos; é processo por consistir
de transformações sucessivas tanto no sentido
histórico quanto no de desenvolvimento da
personalidade. (LIBÂNEO, 2006 p. 22-23)

A instrução se refere à formação intelectual,


formação e desenvolvimento das capacidade
cognoscitivas mediante o domínio de certo nível
de conhecimentos sistematizados. (LIBÂNEO,
2006, p. 23)

O ensino corresponde a ações, meios e condições


para realização da instrução; contém, pois, a
instrução. (LIBÂNEO, 2006, p. 23)

Escola primária:

A partir da Constituição de 1824 torna-se [...] “gratuita para todos os cidadãos” [...] p. 36
“gratuita para todos os cidadãos”, mas não
obrigatória, tem uma função regeneradora das [...]mocidade que vivia rodeada de costumes
mazelas da sociedade (marginalização da pobreza “pervertidos” e “bárbaros” [...] p. 36
e das culturas populares) necessitando assim uma
educação Moral e Religiosa. [...] por que não se há de dar uma educação moral
e religiosa? [...] p. 36

[...] como forma de evitar o vício e o crime, de


diminuir as despesas dos Estado com hospitais,
asilos e cadeias. A escola primária seria um
instrumento de moralização do povo. p. 36

A Instrução no séc. XIX tinha como pressuposto a regeneração das mazelas sociais, a moralização e a
formação para o trabalho, sobretudo dos setores mais amplos da sociedade, que deveriam receber
programas de formação rudimentares, selecionados de forma distinta, segundo sua “divisão social”,
idade e sexo.
Para tanto, Estado, Igreja e Família se complementam no oficio de instruir, tendo na perspectiva
liberal o Estado como propulsor da instrução e a Igreja e Família no que tange a educação moral.

 Literatura escolar em dois gêneros


o Livro da disciplina [...] organizado por nível de idade, cuja
o Livro de leitura – literatura para
complexidade dos conteúdos buscava
a infância, sem um
acompanhar as diversas fases de aprendizagem
caracterização precisa. P
 do aluno evoluindo segundo os programas de
ensino.” P . 43

 Escolas de primeiras letras: p. 44-45


o Método mútuo/Método-Sistema de
Lancaster – baixa utilização de livros
didáticos; uso de textos bíblicos;
rejeitado por oferecer uma educação
pouco dogmática; sem possibilidade
de impor os catecismos e controlar
as falas dos jovens, considerados
moralmente despreparados e sem
autoridade moral.

 Catecismo católico x Catecismo Cívico p. 45-46


o Texto escolar mais utilizado no
período; concentrava-se nos valores
morais e religiosos;
o Anos 80 – catecismos cívicos –
“imposição de uma moral laica em
substituição à moral religiosa” (p.
46); Intuito de desenvolver o
patriotismo; expor os direitos e
princípios de liberdade;

 Cartilhas déc. 70-90 p. 47


o Estudos pedagógicos incitam novos
métodos, sobretudo os analíticos;
o Cartilha (cientificistas) x catecismo
(conservadores);
o Conflitos didáticos e políticos;
 Método analítico – escola
laica; republicanos;
democratização do saber;
 Métodos sintético –
conservadores;

 Livros de leitura p. 47-48


o Difundido no curso elementar,
“formar o espírito”;
o Deviam oferecer: Linguagem
adequada; Conhecimento variado;
Incentivar o gosto pela leitura;
Conteúdo moral;
o Moral religiosos x moral
cívico;
o Em contraponto ao
compêndio.
 Faculdades mais desenvolvidas (p. 48-52) p. 48-52
o Colégios e liceus- ensino secundário;
o Matérias mais centralizadas;
o Destinado à um grupo social
específico: grupos hegemônicos,
masculino; predominantemente
particular;
o Articulado ao ensino superior;
Caráter propedêutico; Formação
para uma vida pública;
o Interesses econômicos
(estabelecimentos privados);
o Cursos especializados;
o Programas e compêndios deveriam
seguir padrões internacionais e
básicos para a formação de uma
elite letrada nos moldes de países
ocidentais “civilizados”;
o Traduções e adaptações de livros
didáticos estrangeiros;