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DE AVAREZA E AVARENTOS:

O TEMA DA SOVINICE EM PLAUTO, MOLIÈRE E SUASSUNA

OF AVARICE AND AVARICIOUS:

THE THEME OF STINGINESS IN PLAUTO, MOLIÈRE AND SUASSUNA.

José Fernando Marques de Freitas Filho


Professor Adjunto do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de
Brasília - UnB

Resumo: O gênero cômico tem atravessado as épocas sustentando traços que lhe garantem unidade
e permanência, o que se nota ao serem analisadas as peças A comédia da marmita, de Plauto, O avaro,
de Molière, e O santo e a porca, de Ariano Suassuna. Esses textos, por outro lado, diferenciam-se em
aspectos importantes que devemos sublinhar. Percebe-se neles o poder crítico do gênero, que
exagera e deforma o real com vistas a melhor representá-lo.
Palavras-chave: Comédia. Crítica de costumes. Convenções teatrais.

Abstract: The comedy genre has crossed the ages upholding features that ensure unity and
permanence, which is noted when analyzing the plays Plautus’ The pot of gold, Molière’s The miser
and The saint and the sow, by Ariano Suassuna. These texts, on the other hand, differ in significant
ways that we underline. It can be seen in them the critical power of the genre, which exaggerates and
distorts reality in order to better represent it.
Key words: Comedy. Criticism of customs. Theatrical conventions.

Denunciando os defeitos Harpagão, na francesa, e Eurico Arábe, na


humanos, o gênero cômico mantém viva, brasileira. Partimos da sugestão
atual, uma tradição longa e coerente. No entrevista no livro de Magaldi para a
capítulo dedicado a Ariano Suassuna, redação deste artigo.
intitulado “Em busca do populário O parentesco entre A comédia da
religioso”, no Panorama do teatro marmita, O avaro e O santo e a porca foi
brasileiro, Sábato Magaldi deixa implícita mencionado também por Manuel
uma sugestão de trabalho em torno da Bandeira e Carlos Drummond de Andrade,
comédia quando relaciona as peças A em comentários reproduzidos em edição
comédia da marmita, do latino Plauto, O do texto brasileiro. Molière e Suassuna
avaro, de Molière, e O santo e a porca, de inspiraram-se declaradamente em Plauto,
Suassuna. As três obras ligam-se pelo mesclando elementos de enredo,
tema da avareza, defeito materializado atmosfera e personagens da comédia
nos protagonistas: Euclião, na peça latina, clássica à paisagem humana da França do

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século XVII, no caso de Molière (1622- onde trabalha arduamente. Tem uma
1673), ou à humanidade brasileira, mais filha, Fedra, seu único patrimônio: moça
especificamente nordestina, no caso de bonita, Fedra e seu pai não possuem, no
Suassuna (1927). Existem não apenas entanto, dote a oferecer, de modo a atrair
afinidades, mas também diferenças um pretendente de posses que, com o
relevantes entre as peças nos planos da casamento, venha a minorar os problemas
forma e do conteúdo, o que buscaremos de Euclião, sempre às voltas com bens
ressaltar ao longo da análise. escassos. Fedra, nas festas de Ceres,
Plauto nasceu em torno de 254 tradicional ocasião de excessos, fora
a.C., tendo vivido cerca de 70 anos – mas seduzida por Licônides, de quem espera
as datas são incertas: há quem sustente um filho – circunstância que Euclião
que ele tenha nascido três décadas depois comicamente desconhece, apesar do
e vivido apenas 42 anos. A Aululária, para estado avançado da gravidez. Diga-se que
nós A comédia da marmita (ou Comédia da a própria garota não sabe quem foi seu
panela, na tradução de Agostinho da sedutor.
Silva), foi escrita em sua fase madura, O protagonista descobrira, em sua
entre 195 e 186 a.C., segundo calculam “os casa, a marmita cheia de ouro que dá
últimos estudiosos que se têm ocupado da nome à peça, informa o deus Lar,
cronologia” da peça, informa Walter de responsável pelo prólogo em que os
Medeiros em texto introdutório à sua antecedentes da história são contados ao
tradução da comédia (PLAUTO, 1994: 17). público. Euclião imagina ter, na marmita,
A Aululária figura, ao lado do a garantia de velhice menos sofrida, e essa
Anfitrião, entre as peças mais conhecidas ideia fixa faz dele um avarento
e imitadas de Plauto. O próprio autor destemperado, constantemente a
latino teria ido buscar tema e personagem desconfiar que todos à volta lhe querem
em texto grego da Comédia Nova, hoje roubar o tesouro. Assim ele nos é
perdido, mas provavelmente de autoria apresentado logo na primeira cena,
de Menandro. A imitação de modelos quando o vemos desancar e espancar a
gregos era procedimento comum entre os escrava Estáfila, que o velho julga poder
romanos e continuaria frequente, na Itália descobrir seu segredo – a marmita e o
e na França (mais do que na Espanha e na local onde ele a esconde.
Inglaterra), em fases posteriores. A cena será reaproveitada em
Euclião, o protagonista da Molière e Suassuna, que, como Plauto,
comédia, é homem pobre, já velho, dono com ela tornam transparente o caráter da
apenas de um pequeno pedaço de terra personagem, a quem a posse do tesouro

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traz angústias de todo tipo. Como diz completamente patrocinada pelo noivo, já
Euclião para si mesmo, ao final da que Euclião, reafirmando a própria
passagem, depois de afastar a perplexa avareza, não compra mais do que
Estáfila, sem dúvida inocente das insignificâncias em sua visita à feira. A
intenções que seu senhor lhe atribui: chegada de Pitódico, escravo de
“Agora vou ver se o ouro está como o Megadoro, acompanhado de cozinheiros e
escondi. Esse ouro que, de tantas flautistas, à casa de Euclião para preparar
maneiras, atormenta um desgraçado o jantar de bodas irá provocar outros
como eu!...”. Em seguida, bate a porta, incidentes, sempre lastreados na sovinice
trancando-se em casa (1994: 30). e nos receios do pai de Fedra. Aqui, Plauto
A história avança com o pedido de recorre aos recursos farsescos que
casamento que Megadoro, vizinho também aparecem no Anfitrião, com as
maduro e rico de Euclião, faz a Fedra. Ou pancadas desferidas por Euclião contra
melhor, a moça não chega a ser um dos cozinheiros, que, por infelicidade,
consultada acerca do assunto, e o pedido, falara em marmita – instrumento de que
na prática, é dirigido a seu pai, que os profissionais da cozinha obviamente
relutantemente concorda em ceder a filha necessitam, mas que, para o avarento, só
ao vizinho. A hesitação do homem deve-se poderia ser a panela onde guarda o
a imaginar que Megadoro só quer se tesouro.
tornar seu genro por conhecer o segredo Outra vítima de Euclião será
da marmita; o sujeito ambicionaria um Estrobilo, escravo de Licônides – este
bom dote, mais do que se ligar à menina. pretende casar-se com Fedra, afastando o
O encontro entre os dois homens dá-se na obstáculo representado por Megadoro,
segunda cena do segundo ato (a comédia, seu tio. Estrobilo recebe a incumbência de
como de praxe na época, tem cinco atos), sondar a quantas andam os preparativos
e a desconfiança de Euclião, contraposta para a festa, abrindo caminho para a
às gentilezas de Megadoro, oferece a base intervenção de Licônides. Àquela altura,
para a comicidade. Um jogo de porém, o avarento, apavorado com a
aproximações e afastamentos responde possibilidade de que lhe descubram o
pelo riso nessa passagem. esconderijo onde guarda o ouro, resolve
Depois de se certificar de que o mudá-lo de lugar e o leva de sua casa para
vizinho não sabe da existência da marmita o templo da Boa Fé, situado nas
nem almeja dote, Euclião admite o proximidades. Em seguida, vê o escravo,
casamento. A festa de bodas será quase que até o momento ignora a existência do

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tesouro; Euclião toma-o imediatamente avaro levará seu tesouro ao bosque de


como suspeito pelo furto da marmita – Silvano, mas o escravo o seguirá e, do alto
furto que ainda não aconteceu. de uma árvore, verá o ponto em que a
Temos, então, a quarta cena do panela será escondida. Estrobilo, assim,
quarto ato, outra passagem que será afana a marmita, acreditando que, com o
reproduzida nas peças de Molière e ouro, poderá comprar a própria
Suassuna. Note-se a graça das réplicas liberdade.
que mostram, pelo absurdo, a que Aqui temos o ponto mais alto do
extremos chega a inquietação do conflito, com o desespero de Euclião ao
proprietário: a certa altura do inquérito a perceber que a marmita milionária fora
que o avaro submete o escravo, vamos furtada. O homem desfaz-se em
ouvi-lo dizer, “abanando a cabeça”, sem lamentações. A rubrica informa: nesse
acreditar nos protestos de inocência de instante, “correm-lhe lágrimas grossas”.
Estrobilo: Ele se lastima: “Sim, que precisão tenho
eu da vida?... Um monte de ouro que eu
Euclião – Mostra-me as mãos. trazia guardado com tanto desvelo!... Eu,
(O escravo espalma imediatamente eu, por minhas próprias mãos burlei o
as mãos vazias e aproxima-as dos
olhos de Euclião.)
meu gosto de viver e o meu gênio tutelar...
Estrobilo – Aqui as tens. Já mostrei. E agora – eis o resultado – outros se
Aqui estão!... alegram com a minha desgraça e
(O velho examina-as com atenção e prejuízo...” (1994: 100). O gênio a que ele
suspicácia.)
Euclião – Estou vendo... Anda, se refere “é a divindade tutelar de cada
mostra ainda a terceira (1994: 89- indivíduo”, em cuja existência os latinos
90). acreditavam, informa Walter de Medeiros
(1994: 171).
O avarento, convencendo-se de A dor em que o velho mergulhou
que Estrobilo não lhe deve nada, manda-o se acirra quando Licônides, que já havia
embora – mas Euclião acaba de fazer um dobrado seu tio Megadoro, convencendo-
inimigo. O velho sai do templo o a desistir do casamento com a moça em
sobraçando a marmita e fala consigo seu favor, arma-se de coragem e resolve
mesmo, em voz alta, sobre onde escondê- confessar a Euclião o seu delito, do qual
la com segurança. Com o monólogo, revela está amplamente disposto a se reabilitar.
inadvertidamente seu segredo a Estrobilo, A cena, a décima e última do quarto ato,
que permanecera nas imediações, está entre as mais importantes da peça.
estimulado pelas humilhações sofridas. O Nela, opera o mecanismo do

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reconhecimento, pelo qual o protagonista essa lei, uma coisa pode ser outra, e esta
informa-se da situação da filha e da segunda pode ser uma terceira. Isso é
identidade daquele que, muito aquilo. No gênero cômico, o princípio de
brevemente, será pai de seu neto. identidade é, ao menos provisoriamente,
O reconhecimento não ocorrerá posto em suspenso, brinca-se com ele.
antes de o encontro entre Euclião e o As certezas sociais, mas também
futuro genro dar oportunidade a um as de ordem lógica, revelam-se suspeitas.
diálogo marcado pelo equívoco, também O mundo balança, vacila por alguns
objeto da imitação criadora de Molière e instantes, para depois tudo voltar a seu
Suassuna: o jovem se confessa lugar – mas transformado. O princípio de
responsável pela malfeitoria que aflige a identidade, enfim, restaura-se; os que
vida do avaro, imaginando que a tristeza cometeram enganos de percepção ou de
deste se ligue à descoberta da gravidez de apreensão intelectual costumam receber
Fedra (fato que Euclião, no entanto, ainda o seu castigo. Erros intelectuais e erros
desconhece). O equívoco se instala e morais confundem-se aqui (o que se
produz o riso: enquanto o rapaz fala da revela moral ou imoral depende também,
moça – “ela”, tocada por ele por “culpa do naturalmente, das inclinações ideológicas
vinho e do amor” –, Euclião pensa na do escritor). Esse tipo de exercício,
marmita. No decorrer da cena, a confusão propiciado pela comédia, tem a função de
irá desfazer-se (1994: 101-110). desopilar, de desobstruir os canais de
Plauto recorre constantemente pensamento e percepção, arejando-os.
aos equívocos para produzir o riso; o A comédia da marmita chegou
quiproquó torna-se mola da comédia. O incompleta à posteridade. Em fins do
autor organiza a ação de modo a século XV, “quando aumentava o interesse
promover os enganos e, com eles, pelas comédias latinas”, diz Walter de
desenvolver as situações engraçadas. Na Medeiros, o humanista Codro Urceo,
figura cômica do equívoco, dois sentidos professor em Bolonha, redigiu com base
se superpõem num só signo: uma palavra no prólogo e nos resumos do enredo, que
ou um gesto pode ter dois significados, sobreviveram com a peça, a sua parte
ambos aparentemente plausíveis, a final, possibilitando assim que o texto de
depender apenas do ponto de vista – ou Plauto fosse representado (1994: 18).
da falta de visão – do observador. Assim, O trecho final não consta da
uma lei básica de nosso conhecimento das tradução de Walter de Medeiros, mas
coisas é burlada: ao contrário do que diz pode ser lido na de Agostinho da Silva:

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Licônides, depois de obrigar seu escravo protagonista preso, de uma forma ou de


Estrobilo a devolver o ouro a Euclião, outra, à sua obsessão. Processo que se
recebe deste não apenas o consentimento complica em Suassuna, como se vai ver.
para se casar com Fedra – que, a essa
altura, já deu à luz um garoto – como, à
O burguês usurário
guisa de dote, a benfazeja marmita
(PLAUTO e TERÊNCIO, s/d: 127-130). A
Molière escrevia o seu Anfitrião,
conclusão, ao que parece, é otimista: o
com base em Plauto, quando, segundo se
homem pode, sob o efeito de choques
especula, se decidiu a adaptar também a
sucessivos, que lhe castigam os defeitos
Aululária para seu tempo. A peça, em
antissociais, chegar à razão; no caso, o
prosa – ao contrário do costume –,
entendimento de que a felicidade de
estreou em 1668 e não agradou às
Fedra – que será também a de seu pai –
plateias contemporâneas do autor. Robert
vale mais que o ouro contido na panela. O
Jouanny, em prefácio, informa que certo
tema da liberdade almejada pelo escravo
duque teria perguntado, na contramão do
constitui outro mote importante.
que se diria hoje: “Como, (...) Molière
Pode-se questionar até que ponto
enlouqueceu e nos toma por idiotas,
o desfecho é fiel ao texto de Plauto ou
fazendo-nos aguentar cinco atos em
deriva, antes, das convicções humanistas
prosa? Onde já se viu tamanha
de Codro Urceo.1 Seja como for, Molière e
extravagância? De que maneira pode
Suassuna iriam recusar o desfecho da
alguém divertir-se com prosa?”
peça clássica, preferindo, talvez em nome
(MOLIÈRE, 1965: 7). Atualmente, a
da verossimilhança – especialmente cara
prática do texto teatral em verso se
aos franceses do século XVII –, manter o
perdeu em boa parte, e é provável que as
falas metrificadas fossem, elas sim,
1 Entre as falas acrescentadas à peça
por Urceo, acham-se profissões de fé consideradas extravagantes.
humanista, bastante enfáticas. Uma delas,
enunciada por Estrobilo: “A todos a natureza O avaro não se inspirou apenas em
jurou livres e todos por natureza pensam na Plauto, mas misturou fontes italianas e
liberdade. O pior de todos os males, a pior de
todas as desgraças é a servidão”. Pouco francesas ao modelo latino. A intriga
adiante, Licônides (ou Licônidas) pontifica:
“Sempre pensei que não ter dinheiro era sentimental ganha, na peça de Molière,
péssimo para todos, moços, homens e velhos. relevo bem maior do que possui na
A indigência obriga os moços a prostituir-se,
os homens a roubar, e os velhos a pedir Comédia da panela, de certa forma
esmola. Mas é muito pior o que vejo agora: ter
muito mais dinheiro do que aquilo que é
preludiando as histórias de tipo
necessário. Ah! Quanto desgosto passou ainda melodramático que, a partir do século
há pouco Euclião por ter perdido a sua
panela” (PLAUTO e TERÊNCIO, s/d: 127; 130). XIX, farão fortuna no teatro europeu,

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particularmente o francês, com Cléante, seu filho, precisa de


repercussão ampla nas Américas. dinheiro para viabilizar os projetos
A importância atribuída ao amorosos com Mariane e encarrega La
aspecto sentimental já se evidencia na Flèche de arranjar quem o empreste. A
decisão de dedicar as duas primeiras confusão cômica levará a uma cena de
cenas às queixas amorosas de Élise e reconhecimento em que o filho irá
Cléante, filhos do avarento Harpagão – encontrar, no próprio pai, o usurário –
nas quais, é verdade, já somos informados credor e devedor até então desconheciam
também da sovinice do protagonista. O a identidade um do outro. Harpagão, em
tema central, embora secundado por lugar de envergonhar-se pelos juros
outros motivos, não se desloca, portanto, extorsivos que estava prestes a cobrar de
para a desventura dos amantes que não seu filho, censura-o por dissipar os
sabem se poderão realizar os seus sonhos. recursos da família com empréstimos
Note-se que, já com o nome dado à daquela ordem...
personagem principal, Molière faz a A figura do jovem que se apaixona
caricatura do avaro – Harpagão procede pela filha do avarento ganha novos traços
de palavra grega e da palavra latina com relação a seu modelo latino e
harpagonem, termos que significam corresponde, aqui, a Valère, enamorado
ladrão. de Élise. O rapaz, de origem nobre, se faz
A passagem que, em Plauto, logo passar por humilde e se emprega na casa
revela a brutalidade do herói da Aululária, de Harpagão como criado, conquistando a
flagrado na abertura da peça surrando a simpatia do patrão para poder, às
escrava Estáfila, reaparece em Molière na escondidas, estar perto da moça que ama
terceira cena de seu texto, quando vemos (e que o ama).
Harpagão zangado com o criado La Molière, nesse aspecto, duplica a
Flèche. O dramaturgo francês imprime sugestão, presente em A comédia da
teor de crítica social à sovinice da marmita, do jovem apaixonado por
personagem quando, um pouco adiante, mulher igualmente jovem, amor que se
transforma Harpagão em mais do que um complica com o obstáculo que, numa e
simples avarento, apresentando-o como noutra peça, é representado pelo rival
usurário capaz de emprestar dinheiro a mais velho, interessado em casar-se com a
juros absurdos, ao mesmo tempo que garota por desfastio ou por puro cálculo.
oferece contrapartidas irrisórias. Os jovens – é a regra em Plauto e Molière,
no que são seguidos por Suassuna –

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terminam vencedores: na peça francesa, se aqui formando uma cena só, a terceira
Mariane casa-se com Cléante, Élise com do primeiro ato em Molière. Um trecho:
Valère. Mostra-se a vitória dos
Harpagão – Vem cá. Quero ver.
sentimentos sobre as convenções, que
Mostra-me as mãos.
incluem a autoridade paterna, com seu La Flèche – Aqui estão.
arbítrio em geral pouco sensível aos Harpagão – As outras.
ímpetos juvenis. La Flèche – As outras?

Em O avaro, o próprio Harpagão Harpagão – Sim.


La Flèche – Aqui estão.
torna-se rival de seu filho. O sovina
Harpagão – Não puseste nada aí
apaixonou-se por Mariane e quer casar-se
dentro?
com ela. A moça, porém, gosta de Cléante. La Flèche – Veja por si mesmo.
O criado deste, La Flèche, consegue Harpagão (apalpa-lhe os calções nos
chegar ao tesouro que o avarento esconde joelhos) – Estes calções tão grandes
numa caixinha – que faz as vezes, aqui, da são feitos para receptar as coisas
marmita –, soma “de bons luíses de ouro e que se furtam; e eu gostaria de ver

pistolas bem pesadas”. Um argumento alguns dependurados.


La Flèche – Ah! um homem assim
demove o pão-duro de se unir a Mariane,
mereceria o que receia! e como eu
cedendo seu lugar ao filho: a possibilidade
folgaria de roubá-lo!
de ter, de volta, o dinheiro furtado. Ainda
Harpagão – Que foi?
aqui, Molière satiriza ferozmente a
La Flèche – O quê?
personagem, que não tem, de modo
Harpagão – Que estás falando de
algum, os bons sentimentos vistos em roubar?
Euclião: ele concorda com as bodas, a La Fléche – Estou dizendo que o
serem financiadas por Anselme, pai de senhor examina tudo, para verificar
Valère e de Mariane (que, no desfecho, se se o roubei.

descobrem irmãos), e está feliz por ter de Harpagão – É o que quero fazer.
(Revista os bolsos de La Flèche.)
volta a sua caixinha.
La Flèche – O diabo carregue a
O texto irá valer-se de outras
avareza e os avarentos!
sugestões colhidas em Plauto. A passagem
Harpagão – Como? Que estás
em que o protagonista de A comédia da
dizendo?
marmita bate na escrava Estáfila e aquela La Flèche – O que estou dizendo?
em que, ainda nessa peça, quer ver “a Harpagão – Sim: que disseste sobre
terceira mão” de Estrobilo, julgando que a avareza e os avarentos?
este esconde a panela consigo, combinam- La Flèche – Eu disse que o diabo
carregue a avareza e os avarentos.
Harpagão – A quem te referes?

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DE AVAREZA E AVARENTOS

La Flèche – Aos avarentos. comentários daquele tipo. Ainda que


Harpagão – E quem são? Molière tenha sido, em maior ou menor
La Flèche – Uns vilões e uns ladrões. medida, sensível a esses argumentos (em
Harpagão – Mas a quem aludes?
O avaro, os solilóquios não são frequentes,
(1965: 21-23)
e os apartes buscam sempre se justificar
com base em probabilidades
A cena prossegue, com La Flèche
minimamente aceitáveis), seus méritos de
dizendo o que não consegue evitar dizer,
comediógrafo ligam-se menos ao retrato
ao mesmo tempo que precisa acomodar
supostamente fiel da realidade que à
suas palavras às que o patrão deseja
capacidade de revelá-la pela deformação e
ouvir. Este, depois de feita a minuciosa
pelo exagero. Ariano Suassuna, no
revista, ainda pede ao criado que devolva
prefácio a O santo e a porca, defenderá
o que lhe tirou... Em seguida, manda-o
justamente uma posição desse gênero.
andar. Curiosamente, a passagem relativa
às mãos – “Mostra-me as mãos.” “Aqui
estão.” “As outras” –, que designa, por
A solidão de Eurico
absurdo, a ideia fixa e a intolerância do
avarento, foi condenada como
Ariano Suassuna compôs O santo e
inverossímil por Fénelon numa Carta à
a porca em 1957, ano de estreia do Auto
Academia, “a despeito da autoridade de
da Compadecida (escrito em 1955), peça
Plauto”, informa Robert Jouanny em nota.
que o tornaria conhecido fora do Recife.
Marmontel imaginava que tivesse havido
Nesta comédia, Suassuna trabalhou com a
erro de impressão no texto de Molière, e
tradição dos autos que remonta a Gil
um terceiro comentarista, o comediante
Vicente e a Calderón de la Barca. Se o
Charles Dullin, na Encenação do Avaro,
teatro dotado de traços medievais é a
“recomenda ao ator que não dê ênfase à
fonte do Auto da Compadecida, O santo e a
palavra” (1965: 21).
porca encontra matriz no clássico latino
A obsessão por verossimilhança
Plauto e em sua Comédia da panela (além
dominou boa parte das ideias sobre teatro
de se basear também no Avaro de
formuladas na Itália e na França dos
Molière). Suassuna, como já o fizera
séculos XVII e XVIII (permanecendo
Molière, conserva algumas passagens e
importante, consideradas as várias
tipos da Aululária, mas altera em vários
concepções discrepantes do conceito, nas
aspectos a estrutura da peça que o
fases seguintes), e responde por
inspirou.

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Elementos de comicidade popular, a Diderot no seu Tratado da poesia


presentes a ambos os textos, granjearam dramática: ‘Acaba-se a peça e não
ao dramaturgo a simpatia de Drummond tornamos a ver Frosine nem a baixa-bretã
(a quem a edição de O santo e a porca é que continuamos a esperar’” (1965: 81).
dedicada) e o elogio de críticos como O mesmo não ocorre no texto de
Sábato Magaldi. O santo e a porca estreou Ariano Suassuna. Desde o início, Caroba é
em 1958, no Rio de Janeiro, tendo no a grande promotora dos encontros e
elenco Ziembinski, também diretor, desencontros em que a peça é pródiga.
Cleyde Yáconis e Cacilda Becker. Dodó Boca da Noite, fazendo eco ao
É preciso lembrar, de saída, a Valère de Molière, insinua-se como
figura de Caroba, mulher capaz de atar e empregado na casa de Euricão Arábe, o
desatar os fios do enredo, empregada de avaro que guarda numa velha porca de
Euricão Arábe (como eram conhecidos os madeira as suas economias, lastro da
árabes, sírios ou turcos no Nordeste), o velhice que se aproxima. Dodó gosta de
avarento. Caroba é, nesse sentido, única. 2 Margarida, filha de Euricão, e pretende
No texto de Plauto, a irmã de Megadoro, casar-se com ela. Largou os estudos em
Eunômia, tem certa importância no enlace Recife para onde o pai, Eudoro Vicente, o
da história quando convence o maduro havia mandado; usa disfarce – traz a boca
Megadoro de que chegou a hora de casar e torta e uma corcunda, entre outros
de que ele deve pedir Fedra em atributos – e vive à espera de uma saída
casamento. Mas o trabalho de Eunômia para seu amor pela menina.
limita-se a esse gesto, e a personagem A rivalidade entre jovens e velhos,
praticamente desaparece no decorrer do típica da comédia clássica, reaparece na
entrecho. De forma ainda menos marcada, peça brasileira com a intenção de Eudoro
Frosine, em O avaro, ensaia intervir nos Vicente de fazer uma visita a Euricão
destinos de Harpagão e demais Arábe, anunciada em carta trazida por
personagens, mas seu papel de alcoviteira Pinhão, criado de Eudoro. Repete-se aqui
fica na promessa – o que rendeu críticas a o tema da desconfiança que aflige o avaro,
Molière, segundo conta Jouanny: “Essa já visto em Plauto e Molière: a notícia de
intriga termina antes de começar. Critica- que Eudoro Vicente vem vê-lo, somada à
sugestão infeliz de Pinhão de que o
2 Poderíamos aproximar Caroba de motivo da visita só pode ser um pedido de
Estáfila, a escrava de Euclião (como Sábato
Magaldi o fez), dada a condição social dessas empréstimo, conduz Euricão ao
personagens. Adotamos, no entanto, outro
critério, relativo ao papel de alcoviteira,
desespero, tratado em tom de farsa. O
exercido na peça latina por Eunômia, irmã do homem lastima-se em voz alta, recusa-se
abonado Megadoro, e não por Estáfila.

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DE AVAREZA E AVARENTOS

a ler a carta, com medo de seu conteúdo, e saber, lendo os “Dados biobibliográficos
se convence de que Eudoro pensa em lhe do autor” redigidos por José Laurenio de
dar uma facada antes mesmo de se Melo para a edição de O santo e a porca,
certificar do que se passa: o velho Eudoro que “caracteriza esse período a
quer casar-se com Margarida. O sovina é preocupação de conciliar a influência dos
incapaz de ouvir observações sensatas, e clássicos ibéricos, sobretudo Lope de
suas palavras remetem à crítica social: Vega, Calderón de la Barba e Gil Vicente,
com os temas e formas hauridos no
Caroba – Mas Seu Euricão, Seu romanceiro popular nordestino” (2011:
Eudoro é um homem rico! 10). Preparava-se o chão de onde o Auto
Euricão – E é por isso mesmo que eu da Compadecida iria brotar em 1955.
estou com medo. Você já viu pobre
Outro aspecto a observar, agora
pedir dinheiro emprestado? Só os
de volta a O santo e a porca, liga-se às
ricos é que vivem com essa
sugestões contidas no texto, relacionadas
safadeza! Santo Antônio, Santo
a certa visão do mundo. Envolvido pelas
Antônio!
Margarida – Mas papai já leu a maquinações de Caroba, que pretende ver

carta? Margarida casada com Dodó e que deseja,


Euricão – Não! Nem quero ler! Nem ela própria, unir-se a Pinhão, Eurico
quero que você leia! Afaste-se, não Arábe nos é apresentado como um
toque nessa amaldiçoada!
(SUASSUNA, 2011: 36). homem dividido entre Santo Antônio
(elemento que faz eco ao Apolo de
Notem-se contexto e propósitos Plauto), símbolo do desapego material e
que orientaram a redação desse e de de valores mais altos que o da simples
outros trabalhos. Suassuna, em 1946, moeda, e o dinheiro contido na porca de
ligado a outros jovens intelectuais – entre madeira. De um lado, o santo; de outro, as
eles Hermilo Borba Filho e Joel Pontes –, cédulas. No final do texto, de certo modo
fundou o Teatro do Estudante de contrariando o tom de farsa ligeira
Pernambuco. Cerca de três anos antes, adotado até ali, o autor faz com que a
Ziembinski havia dirigido, no Rio de personagem depare-se com a solidão, já
Janeiro, Vestido de noiva, de Nelson sem o apoio representado pela porca, que
Rodrigues, com o elenco de Os Eurico descobre guardar apenas dinheiro
Comediantes, espetáculo que marcaria o saído de circulação, sem valor.
teatro no Brasil. A época incitava à Um passo adiante, ou diferente, é
pesquisa e à renovação, e é interessante dado com relação a Plauto e Molière. No

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José Fernando Filho

autor latino, a solução otimista mostrava “as três histórias de avarentos, por
um homem que, depois dos golpes que métodos diferentes, aproximam-se na
sofreu – o susto com o furto da marmita e, defesa de uma melhor condição humana”.
em seguida, com a notícia de que a filha Sábato lembra ainda que “o quiproquó
lhe daria um neto –, é capaz de corrigir-se, básico”, ou seja, a confusão que, a certa
entregando a Fedra e ao genro os bens altura, os três textos apresentam,
que guardava de maneira obsessiva. No encontra-se no diálogo em que o jovem
francês, Harpagão termina tão apaixonado fala ao velho sobre a filha
mercenário e avaro quanto era no começo deste, quando o sovina entende tratar-se
da história. Em Suassuna, pateticamente, não da menina, mas da marmita, da
Euricão não apenas descobre que sempre caixinha ou da porca – momento em que a
foi pobre, conservando cédulas sem valor, avareza induz a atentar antes às coisas do
como percebe o quanto a sua vida tem que às pessoas. Temos dúvidas com
sido vazia de sentido. Ele saberá, agora, relação ao que diz o crítico, no entanto,
voltar-se para Santo Antônio? em suas restrições a O santo e a porca.
A avareza ganha, portanto, Afirma Sábato Magaldi:
ressonância ética e existencial mais ampla
As confusões de identidade de
na peça brasileira – sem que se esqueça a
pessoas no escuro é que se mostram
crítica social, afirmada, por exemplo, demasiado simplórias na obra de
quando Pinhão reclama da exploração Suassuna. E era também quase
impossível encontrar solução para a
imposta a ele e à família: “Mas onde está o dicotomia do avarento. Foi o
salário de todos estes anos em que dramaturgo hábil, pintando-o como
estrangeiro, já que o tipo não se
trabalhamos, eu, meu pai, meu avô, todos
ajusta muito ao feitio nacional. Mas,
na terra de sua família, Seu Eudoro? Onde para fazê-lo ficar com o santo,
necessitava de um verdadeiro
está o salário da família de Caroba, na
milagre. E o milagre não logrou
mesma terra, Seu Eudoro? Não resta credibilidade: é inverossímil que
nada!” (2011: 148). A questão da terra e Euricão Engole-Cobra guardasse na
porca dinheiro há muito tempo
da relação entre as classes, no Brasil, recolhido. A abjuração final da peça
aparece de modo mais pungente e menos resulta demagógica, conduzida em
demasia pelo dedo do autor. O
lúdico na seção final do texto. avarento permaneceu toda a trama
Sábato Magaldi mencionou, no no mal aspirando ao bem – porca e
santo que Ariano Suassuna não
Panorama do teatro brasileiro, as mesmas
soube juntar (MAGALDI, 1997: 244).
palavras que acabamos de citar.
Concordamos com ele quando diz, logo O dramaturgo, no prefácio a sua
depois de mencionar a fala de Pinhão, que peça, refere-se provavelmente a essas

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DE AVAREZA E AVARENTOS

restrições quando escreve: “Não tem dinheiro, da segurança, do poder, do


mundo (2011: 25).
sentido, portanto, dadas as características
de meu teatro, dizer como disseram
Naturalmente, tanto a posição do
alguns críticos ilustres que é inverossímil
crítico quanto a do dramaturgo têm base
que um avarento ignorasse uma operação
e, sob certos ângulos, são ambas
bancária e perdesse, assim, seu tesouro”
defensáveis. Não é muito plausível, desde
(2011: 25). Além do argumento relativo a
que se adotem exigências realistas, o
essas características,3 Suassuna recorda
avarento desconhecer que o dinheiro, em
que o que parece impossível de fato
tempos instáveis, muda de cor e de nome,
aconteceu: um sovina, por sinal pessoa de
sendo as cédulas recolhidas e trocadas
sua família, guardou dinheiro em casa por
periodicamente. Mas a atmosfera de
tanto tempo e foi tão pouco atento às
comédia justifica, a nosso ver, o recurso
convenções do mundo exterior – bancos,
de que se valeu Suassuna. A esta altura,
cédulas, inflação e juros inacessíveis aos
cabe notar que certa assimetria ou
mais pobres – que, quando quis trocá-lo,
discrepância com relação à realidade – ou
as notas já nada valiam.
seja, certa inverossimilhança – parece
Por outro lado, também somos
constituir a fonte mesma das comédias
reticentes quanto ao que diz o
que, pelo exagero, revelam melhor os
dramaturgo quando afirma que Euricão
defeitos e pecados das personagens.
“descobre, de repente, esmagado” que, à
Perguntaríamos não tanto pela
Dostoievski, “se Deus não existe, tudo é
verossimilhança, ou seja, a relação do
absurdo”. Com essa percepção, declara
texto com a realidade, mas pela coerência
Suassuna, o avarento
interna do enredo e das personagens, isto
é, o laço entre os elementos da peça.
volta-se novamente para a única
saída existente em seu impasse, a Nessa linha, o que nos parece arriscado é,
humilde crença de sua mocidade, o antes, a mudança até certo ponto brusca
caminho do santo, Deus, que ele
de tom e de intenções que leva O santo e a
seguira num primeiro impulso, mas
do qual fora desviado aos poucos, porca, escrita como farsa, a tangenciar o
inteiramente, pela idolatria do drama no desfecho. Aqui, Magaldi tem
3 À mesma altura, o dramaturgo se razão, segundo entendemos: o
autodefine: “Considero-me um realista, mas protagonista preocupa-se bem mais,
sou realista não à maneira naturalista – que
falseia a vida – mas à maneira de nossa durante toda a ação, com a porca do que
maravilhosa literatura popular, que
transfigura a vida com a imaginação para ser com o santo. O risco implicado no
fiel à vida” (2011: 25).

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desenlace consistiria nessa mudança de


registro; a boa peça de Suassuna pode Referências bibliográficas
desabar nos momentos finais.
Seja como for, o modo pelo qual a
história termina sugere antes um final MAGALDI, Sábato. Panorama do
aberto, inconcluso, que, de assertivo, traz teatro brasileiro. 3ª. edição. São Paulo:
apenas a denúncia, como em Plauto e Global, 1997.
Molière, dos valores vãos ligados ao MOLIÈRE. O avaro. In: Teatro
dinheiro e, especialmente, à preocupação escolhido. Volume 1. Tradução de Octavio
doentia com a sua posse. Cabe sublinhar Mendes Cajado. Prefácio e notas de
as palavras do autor de O santo e a porca Robert Jouanny. São Paulo: Difel, 1965.
no momento em que afirma que o público PLAUTO. A comédia da marmita.
procede bem quando “aceita nossos Introdução, versão do latim e notas de
andaimes de papel, madeira e cola”, Walter de Medeiros. Brasília: Editora UnB,
alcançando assim “participar de nossa 1994.
maravilhosa realidade transfigurada” PLAUTO e TERÊNCIO. Aululária
(2011: 27). Dela voltamos um pouco (Comédia da panela). In: A comédia latina.
menos pobres à realidade prosaica. Prefácio, seleção, tradução e notas de
Agostinho da Silva. Rio de Janeiro:
Artigo recebido em 28/03/2012 Ediouro, s/d.
Aprovado em 26/11/2012 SUASSUNA, Ariano. O santo e a
porca. 25ª. edição. Rio de Janeiro: José
Olympio, 2011.

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