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DESENVOLVIMENTO DE UMA SONDA DE MEDIÇÃO DE

TEMPERATURA DE SOLO PARA DIFERENTES PROFUNDIDADES


UTILIZANDO SENSORES DS18B20 E PROTOCOLO 1-WIRE
Guilherme Frick de Oliveira
Jean Rodrigo Mello Severo
Willian Lippert
Paulo Sérgio Molina
Universidade de Passo Fundo, BR 285, São José, Passo Fundo/RS, CEP: 99052-900
142684@upf.br, 142689@upf.br, 142713@upf.br, molina@upf.br

Resumo: Neste trabalho foi um dispositivo capaz de realizar medição de temperatura do solo em diferentes camadas.
Foram utilizados vários sensores de temperatura em diferentes camadas do solo para que fosse possível fazer tais
medições. Os sensores são constantemente monitorados por um microcontrolador, o qual faz o processamento dos
dados e a gravação dos mesmos em um cartão SD (Secure Digital). Visando a economia de recursos de hardware do
microcontrolador foi utilizado o sensor DS18B20 o qual utiliza a tecnologia 1-wire. A vantagem a qual motivou a
exploração deste sensor é de que se torna possível conectar inúmeros sensores em um único barramento de dados
exigindo apenas um único pino digital do microcontrolador.

Palavras-chave: Sensor, temperatura, solo, DS18B20, microcontrolador,1-wire.

1. INTRODUÇÃO

A temperatura do solo é um elemento meteorológico de grande importância agrícola pela função que desempenha
nas interações entre o solo e as plantas. A temperatura do solo depende, em grande parte, da densidade de fluxo, da
duração da radiação solar e das condições do solo, especialmente cobertura superficial e teor de água (DERPSCH,
SIDIRAS e HEINZMANN, 1985). A temperatura do solo influencia em vários processos que ocorrem no solo como:
germinação de sementes, crescimento do sistema radicular (divisão celular), absorção de água e nutrientes,
decomposição de matéria orgânica e na ocorrência de doenças nas plantas (UFSM, 2014).
A temperatura média do solo, adequada para semeadura da soja, por exemplo, vai de 20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a
temperatura considerada ideal para uma emergência rápida e uniforme das sementes. Semeadura em solo com
temperatura média inferior a 18ºC pode resultar em drástica redução nos índices de germinação e de emergência, além
de tornar mais lento todo o processo.
Com esta monitorização das condições térmicas do solo é possível aprimorar o cultivo de diversas espécies,
colaborando com o maior rendimento nas colheitas.

2. METODOLOGIA E RESULTADOS

A superfície do solo com ou sem cobertura vegetal é o principal trocador e armazenador de energia nos
ecossistemas terrestres. O fluxo de transporte de calor proveniente do aquecimento do solo durante o dia, faz com que a
energia térmica seja armazenada no seu interior, causando a sua elevação de temperatura (Fig. 1 a). Ao anoitecer a
temperatura na superfície é menor do que a das camadas mais subjacentes no solo, isto faz com que o fluxo se inverta e
emita energia térmica na forma de radiação terrestre (Fig. 1 b). Estre processo é conhecido como balanço de radiação na
superfície.(PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2002; UFSM, 2014).
G. F. de Oliveira , J. R. Mello Severo , W. Lippert, P.S. Corrêa Molina.

Fonte: UFSM (2014).


Figura 1: Processo diário de condução de aquecimento (a) e resfriamento (b) do solo, sendo Z a profundidade e t a
temperatura de cada camada.

2.1 Fatores determinantes da temperatura do solo

De acordo com Pereira, Angelocci e Sentelhas (2002), a variação da temperatura do solo é dependente de
alguns fatores como: poder emissor de radiação solar, textura do solo, umidade e densidade do solo e também das suas
propriedades térmicas como:
Condutividade térmica (K): a capacidade do solo em transmitir energia térmica, onde o valor da condutividade térmica
(K) é representado pela quantidade de calorias (Cal) que flui pelo tempo(s) através de uma unidade de volume de solo
( ). Logo sua unidade de medida é Cal/ s.
Calor específico volumétrico (Cpv): considerado como a capacidade do solo em variar a temperatura em função das
trocas de energias, representado pela quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de de solo em 1°C.
Sendo sua unidade de medida Cal/ .

2.2 Comportamento térmico diário do solo

Como ilustrado na Figura (1) o solo é dividido em camadas, e cada camada possui propriedades térmicas como
abordado anteriormente. Conforme verificado, a variação de temperatura diária do solo também é dependente de fatores
externos e intrínsecos. As variações de temperatura são decorrentes das trocas de calor, as camadas superficiais são as
que mais recebem e cedem calor, logo apresentam maior variação, tendo maior amplitude térmica. As camadas mais
profundas apresentam menor amplitude térmica, devido ao fato do solo ser poroso e péssimo condutor de calor. O
comportamento térmico diário do solo e da profundidade é estudado a partir da elaboração de perfis de variação da
temperatura (tautócronas, Figura 2). Conforme observado, na medida que aumenta a profundidade a amplitude térmica
vai diminuindo, e a partir de 35 cm ocorre isotermia.(PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2002)

Fonte: Pereira, Angelocci e Sentelhas (2002).


Figura 2: Tautócronas de um solo coberto de vegetação

A termometria do solo é realizada através de termômetros especiais denominados como geotermômetros que se
dividem em quatro grupos, sendo os de dilatação de líquido, bimetálicos, pares termoelétricos, termo resistência e
4th International Congress of Management, Technology and Innovation
October 01-06, 2018, Erechim, RS, Brazil

sensores integrados. Sensores são dispositivos que, sob a ação de grandeza físicas, produzem saídas analógicas ou
digitais. Estas saídas são proporcionais ao valor da grandeza física que está sendo medida (TAYLOR,1997).

2.3 Sensor de temperatura DS18B20 e Sistema 1-Wire

O sensor de temperatura DS18B20 é um dispositivo o qual que trabalha com o protocolo de comunicação 1-wire.
Ele é capaz de medir a temperatura no meio no qual está sendo inserido, convertendo os valores de temperatura em
palavras digitais de 9 ou 12 bits. O tempo de conversão de temperatura para a forma digital é de aproximadamente
200us. Sua faixa de medição é de -55°C a +125°C com resolução de 0,1°C e exatidão de ±0.5°C em temperatura de 0°C
a 70°C (DALLAS SEMICONDUCTORS, 2018).
Cada sensor DS18B20 possui um código de identificação único de 64bits gravado à laser em sua memória
ROM (Read Only Memory). Através deste código é possível identificar cada sensor conectado a um barramento de
dados 1-wire). Desta forma, múltiplos sensores DS1820 podem ser conectados em uma mesma rede 1-wireTM,
possibilitando a aquisição de dados de temperatura em locais diferentes de maneira simultânea.

O Sistema 1-wire é composto por um dispositivo mestre que pode ser um microcontrolador e os escravos que são os
sensores DS18B20. Na Fig. 3 pode se observar como os sensores são conectados a rede 1-wire e ao microcontrolador.
Nota-se que há um resistor de 4,7k Ohms entre o barramento de dados e o de alimentação chamado de resistor de Pull-
up, deste modo os dispositivos ficam ociosos em nível lógico alto até que o mestre coloque o barramento para nível
lógico baixo.

Fonte:Picprojets (2018)
Figura 3: Disposição dos sensores na rede 1 – wire:

2.4 Hardware desenvolvido

Para que a amostragem de temperatura de solo em diferentes profundidades fosse possível, desenvolveu-se um uma
sonda de 50 cm que conta com 5 sensores DS18B20 posicionados a cada 10 cm. Para o comando dos sensores e
processamento dos dados, foi utilizada a Lauchpad TM4C123GXL da Texas Instruments como plataforma de
desenvolvimento a qual possui um microprocessador ARM Cortex M4. Foi utilizado um módulo de cartão SD
conectado ao microcontrolador para efetuar o registro dos valores de temperatura obtido pelos sensores em um intervalo
de tempo programável. A comunicação do módulo cartão SD com o microcontrolador acontece através do protocolo
SPI (Serial Peripheral Interface). Para que as leituras decorressem em intervalos de tempo programáveis, utilizou-se
um módulo RTC (Real Time Clock) que tem como interface de comunicação o protocolo I2C( Inter-Integrated Circuit).
Desta forma é possível saber a hora e a data com que as leituras são realizadas. Para a alimentação do circuito foi
utilizado um conjunto de baterias de Lítio de associadas em série totalizando 8.4V. Para que a tensão de alimentação
fosse regulada em 5 V utilizou-se o regulador de tensão LM 7805.
G. F. de Oliveira , J. R. Mello Severo , W. Lippert, P.S. Corrêa Molina.

Fonte: O autor (2018).


Figura 4: Diagrama de blocos do protótipo

2.5 Firmware

Neste Sistema de aquisição de dados de temperatura, o firmware é responsável por comandar todo o processo de
aquisição, desde o controle do barramento 1-wire e dos sensores até o envio e gravação dos dados no módulo cartão SD.
Para isto a programação deve seguir uma rotina de comandos. O código fonte para este projeto foi desenvolvido no
compilador IAR EMBEDDED WORKBANK v.8 IDE ARM. A Fig. 5 mostra o firmware através de um fluxograma
contendo as etapas do processo de aquisição.

Fonte: O autor (2018)


Figura 5: Fluxograma de firmware

O processo de leitura é executado a cada 30 minutos e são gravados no cartão SD em formato de texto(.txt), a
temperatura em sua respectiva profundidade no solo, bem como a data e a hora com que aconteceu a leitura. O processo
é interrompido caso a capacidade de armazenamento da memória é atingida.

2.6 Resultados

A partir dos dados gravados pelo microcontrolador no cartão SD em formato .txt, tornou-se possível a análise dos
mesmos em computador, o que dispensa a necessidade de acompanhamento durante o processo de medição, como pode
ser visto da Fig. 6.
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Fonte: O autor (2018)


Figura 6: Dados de temperatura gravados no cartão SD.

3. CONCLUSÃO

O desenvolvimento do presente projeto possibilitou uma análise muito satisfatória sobre o monitoramento de
temperatura do solo. Utilizando os estudos sobre os sensores de temperatura, protocolos de comunicação e
microcontrolador foi possível fazer a coleta, processamento de dados, testes e desenvolvimento de um protótipo para a
solução proposta. Também pode-se constatar que o sensor DS18B20 ao utilizar a tecnologia 1-Wire apresenta uma
grande vantagem em comparação aos sensores analógicos, pois se para o mesmo propósito fossem usados, seriam
necessários cinco canais conversores A/D (Analógico/Digital) do microcontrolador ou circuitos multiplexadores. Já
com os dispositivos utilizados neste projeto foram poupados estes recursos otimizando ainda mais o hardware. Além
disso, foi comprovada a importância de tal dispositivo de monitoramento agro meteorológico, de modo que possa
contribuir para melhoramento dos cultivos e rendimento na produção.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANGELOCCI, Luis Roberto; SENTELHAS, Paulo Cesar; PEREIRA, Antonio Roberto. Agrometeorologia
fundamentos e aplicações práticas. Guairá: Agropecuária, 2002.

DALLAS SEMICONDUCTOR. DS1820: 1-wire digital thermometer. Disponível via URL: http://www.maxim-
ic.com. Consulta realizada em agosto de 2018.

DERPSCH, Rolf; SIDIRAS, Nikolaos; HEINZMANN, Franz X. Manejo do solo com coberturas verdes de
inverno. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 20, n. 7, p. 761-773, 1985.

UFSM. Agricultura Familiar e Sustentabilidade: Aroclimatologia. Santa Maria: [s.n.], 2014.

TAYLOR, H.R. Data acquisition for sensor systems. London: Chapman & Hall, 1997. 327p.

5. TERMO DE RESPONSABILIDADE

Os autores são os únicos responsáveis pelo que está escrito neste artigo.