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Direito Previdenciário | Material de Apoio

Professor Guilherme Biazotto.

SEGURIDADE SOCIAL
ORIGEM E EVOLUÇÃO LEGISLATIVA NO BRASIL
No Brasil, a primeira iniciativa nesse sentido se deu em 1554, com a criação da Santa Casa de Santos, que se inspirou
em um modelo utilizado em uma colônia portuguesa na África.
Vários momentos históricos revelam a preocupação de garantir ao indivíduo o sustento em caso de eventualidades,
tais como a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e o advento do socialismo.
Em tais situações, a iniciativa privada imbuía-se de prover ao prejudicado condições para subsistência.
Posteriormente, o Estado passou a desempenhar esse papel, mediante previa contribuição daqueles a ele filiados.
Com foco nos seus estudos, seguem abaixo as datas históricas sobre a Seguridade Social.

CF – 1824:
O Brasil, por sua vez, acompanhou essa atitude mundial, sendo a Constituição de 1824 a primeira a consagrar essa
preocupação, ao prever que “os socorros púbicos são um dever do Estado para com a comunidade”.

CF – 1891:
A 2a constituição brasileira, em virtude da proclamação da República ocorrida dia 15.11.1889, traz pela 1a vez no
Brasil o benefício de aposentadoria por invalidez somente para os militares.
1923 – LEI ELOY CHAVES – Caixa de Aposentadoria e Pensão:
Em 1919, houve a promulgação da Lei de Acidentes do Trabalho, sendo seguida pela Lei Eloy Chaves de 1923, que
traduzia a proteção a uma categoria especial de trabalhadores, quais sejam, os ferroviários.
A Lei Eloy Chaves cria caixas de aposentadorias e pensão (CAPS): natureza privada, caráter voluntário, organizadas
por empresas, para os ferroviários.

Importante:
→ previa aposentadoria por invalidez, aposentadoria ordinária (equivalente à aposentadoria por tempo de
contribuição), pensão por morte, medicamentos com preço especial e socorros médicos.
Conhecida como marco inicial da previdência social.

1933 – IAP’S: Institutos de Aposentadoria e Pensão


Em 1933 são criados, a partir da era Vargas, os Institutos de Aposentadorias e Pensões, os IAP’S, Autarquias
organizadas por categorias profissionais, com atuação nacional (e não mais por empresas, como as CAPS).
Consolida o controle público sobre a previdência social.
Temos como primeiro IAP o dos marítimos, seguidos pelos bancários, comerciários, industriários, transportadores de
carga, ferroviários e empregados em serviço público.
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Os IAPAS foram originados de Decretos e Leis diferentes.


Cada IAP operava de forma autônoma em relação aos outros.

CF – 1934
Na CF/1934, a palavra “previdência” é usada pela primeira vez, embora não adjetivasse de “social”.
Estabelece-se tríplice forma de custeio com a participação dos empregados e empregadores da União.
A participação dos empregados, empregadores e União. A contribuição social torna-se obrigatória. Os funcionários
públicos eram aposentados aos 68 anos compulsoriamente.
A Constituição de 1937 é muito sintética em matéria de previdência, não evolui em relação as anteriores.
Emprega a expressão “seguro social”, em vez de previdência.
Na Constituição de 1946, a expressão “Previdência Social” é usada pela primeira vez, substituindo a expressão
“Seguro Social”.
Com a criação dos Ias, por diferentes legislações, administrados por diversas autarquias, houve a necessidade de
uniformização da legislação e unificação administrativa. A partir de 1945, várias tentativas foram realizadas.
1960 – LOPS: Lei Orgânica da Previdência Social
Em 28 de agosto de 1960 houve a uniformização da Legislação previdenciária, através da Lei 3.087, chamada de Lei
Orgânica da Previdência Social (LOPS), ou seja, unifica legislativamente todos os IAP’S, porém estes continuaram
existindo.
1966 – INPS: Instituto Nacional da Previdência Social
E em 21 de novembro de 1966, por meio do Decreto-Lei no 72, todos os Institutos de Aposentadorias e Pensões
(IAPAS) foram fundidos em um só́, formando-se o INPS, que foi realmente implantado em 02 de janeiro de 1967.
Com esta unificação, o INPS constituía entidade da administração indireta da União, com personalidade de natureza
autárquica, e gozava, em toda sua plenitude, inclusive no que se refere a seus bens, serviços e ações, de regalias,
privilégios e imunidades da União.
O INPS é considerado como sendo uma raiz do atual.
1977 – SINPAS: Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social
Em 1977, com a Lei n. o 6.439/77, cria-se o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social – o SINPAS – sob a
orientação, coordenação e controle do Ministério da Previdência e Assistência Social- MPAS, com a finalidade de
integrar as funções atribuídas as entidades, as quais passamos a descrevê-lãs:
INPS: Instituto Nacional de Previdência Social.
Função: conceder e manter os benefícios e outras prestações em dinheiro. Ou seja, o INPS fica apenas com a parte
de concessão e manutenção de benefícios, semelhante ao que é o atual INSS.
IAPAS: Instituto de Administração Financeira da Previdência Social.
Função: promover a arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições e demais recursos destinados à
previdência e assistência social.
Ou seja, exercia a função do custeio, semelhante à atual Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), no que diz
respeito à arrecadação das contribuições previdenciárias.
INAMPS: Instituto Nacional de Assistência Medica da Previdência Social.
Função: prestar assistência médica. Atualmente, está competência pertence ao SUS.
CEME: Central de Medicamentos.
Função: distribuir medicamentos as pessoas carentes.
Atualmente está competência pertence ao SUS.
LBA: Legião Brasileira de Assistência.
Função: prestar assistência as pessoas carentes. Atualmente está função pertence ao Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
FUNABEM: Fundação Nacional do Bem-estar do menor.
Função: prestar assistência ao bem-estar do menor.
DATAPREV: Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social.
Função: prestar serviço de processamento de dados.
1988 – Seguridade Social:
Pela 1a vez traz a Assistência Social e a Saúde como um direito de todos, sem o caráter contributivo.
Pela 1a vez iguala os benefícios e serviços entre os trabalhadores urbanos e rurais.

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DICA: A CF/88 deu atenção especial ao “bem-estar social”. Conferindo um capitulo que trata da Seguridade Social,
nos artigos 194 a 204.
Tendo como espécies: Previdência Social, Assistência Social e a Saúde.
1990 – INSS – Instituto Nacional do Seguro Social
Em 1990, o SINPAS é extinto. A Lei n. o 8.029/90 cria o INSS, como autarquia federal, mediante fusão do IAPAS,
responsável pelo custeio, com o INPS, responsável pelo benefício. Desta forma, custeio e benefício unem-se em uma
única entidade, o INSS.
O INAMPS, LBA, FUNABEM e a CEME foram extintos.
A DATAPREV continua em plena atividade, sendo uma empresa pública vinculada ao MPS (Ministério da Previdência
Social). Atualmente está prestando serviços ao INSS e à Secretaria da Receita Federal do Brasil.
SRP: Criação da Secretaria da Receita Previdenciária.
A Lei n. o 11.098/05 atribui ao Ministério da Previdência Social competências relativas à arrecadação, fiscalização,
lançamento e normatização de receitas previdenciárias. Autoriza, também, a criação da Secretaria da Receita
Previdenciária no âmbito do referido Ministério.
Logo, o INSS passa a ser apenas responsável pelo benefício. O custeio deixa de ser competência do INSS e passa a ser
do Ministério da Previdência Social, exercida através do órgão da SRP.
Desta forma, voltou-se à forma anterior, em que o benefício (INPS) era separado do custeio (IAPAS).
Entretanto, é bom lembrar que a SRP, ao contrário do INSS, não era uma autarquia e sim um órgão do Ministério da
Previdência Social.
→ Fusão da Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal:
A Lei n. o 11.457/07 extinguiu a SRP e criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conhecida como a “Super.
Receita”.
Na prática, a criação da Secretaria da Receita Previdenciária, a partir do INSS, foi um preâmbulo para a criação da
SRFB.
Assim, todas as contribuições sociais, inclusive as contribuições previdenciárias, passaram a ser arrecadadas por esta
secretaria.

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