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EUROCÓDIGO 2

Dimensionamento em situação de incêndio com base em


valores tabelados

1- Objectivos
1. Esta secção fornece soluções de dimensionamento para elementos de betão expostos até
240 minutos ao incêndio padrão. As regras apresentadas estão de acordo com a análise
apresentada em 2.4.2

Nota: As Tabelas foram desenvolvidas numa base empírica e confirmadas pela


experiência e pela avaliação teórica de ensaios de resistência ao fogo. Os valores
tabelados resultam de pressupostos conservadores para os elementos estruturais mais
comuns e são válidos para todo os valores da condutividade térmica apresentada na secção
dedicada às propriedades térmicas dos betões.

2. Os valores apresentados nas Tabelas são para elementos de betão normal (2000 a 2600
Kg/m3 EN 206-1) fabricado com inertes siliciosos.

Se se usar betão com inertes calcários ou com inertes leves no fabrico de vigas e lajes, a
dimensão mínima pode ser reduzida de 10%

3. Quando fizer uso das Tabelas não é necessário fazer a verificação relativamente ao
esforço transverso , torção e aos pormenores de amarração.

4. Quando fizer uso dos valores tabelados não é necessário fazer a verificação relativamente
ao “spalling”, (destacamento explosivo), excepto para as armaduras de pele.

2- Regras gerais de cálculo


1. Os requisitos necessários à função de compartimentação ( Critérios E e I) podem
considerar-se satisfeitos quando as espessuras mínimas das paredes e das lajes estão de
acordo com as Tabelas. As juntas de dilatação devem ser feitas de acordo com 4.6

2. Para a função de suporte (critério R), as exigências mínimas relativamente às dimensões


das secções e do recobrimento, medido ao eixo dos varões, apresentadas nas Tabelas
estão de acordo com:

E d,fi / R d,fi ≤ 1, 0 (1)

Onde:
E d , fi ( t ) -- Valor de cálculo dos efeitos na estrutura devido às acções na situação de
incêndio
R d ,fi ( t ) -- Valor de cálculo da capacidade resistente devido às acções na situação de
incêndio

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3. Os valores tabelados, apresentados nesta secção, são baseados no nível de carregamento
ηfi=0,7, a menos que outras clausulas sejam impostas

Nota: Para os casos em que os factores de segurança especificados nos Anexos Nacionais
de EN 1990 sejam diferentes dos indicados nos em 2.4.2, o valor de ηfi=0,7, acima
indicado, pode não ser válido. Nestas circunstâncias a valor de ηfi para um dado País pode
ser encontrado nos Anexos Nacionais.

4. Por forma a garantir a necessária largura de recobrimento, (distância ao eixo dos varões),
nas zonas traccionados para vigas simplesmente apoiadas e lajes, as Tabelas 5.5, 5.6 e 5.8,
Coluna 3 (lajes armadas numa só direcção), são baseadas numa temperatura crítica para o
aço θcr=500. Este pressuposto corresponde aproximadamente a Ed,fi=0,7Ed e γs=1,15
(nível de tensão no aço σs,fi/fyk=0,60, ver expressão 2), onde Ed representa os valores de
cálculo dos efeitos das acções de acordo com EN 1992-1-1.

5. Para as armaduras de pré-esforço, admite-se que a temperatura para os varões é de 400 ºC


e para os cordões e fios é de 350 ºC. Este pressuposto corresponde aproximadamente a
Ed,fi=0,7Ed, fp0,1k/fpk=0,9 e γs=1,15 (nível de tensão no aço σs,fi/fyk=0,55). Se não for
efectuada nenhuma verificação especial de acordo com a regra (7) nos elementos pré-
esforçados, vigas e lajes, o recobrimento (distância medida ao eixo), deve ser aumentada
de:

10 mm para varões de pré-esforço, correspondente a temperatura θcr=400ºC


15 mm para fios e cordões de pré-esforço, correspondente a temperatura θcr=350ºC

6. A redução da tensão de cedência para os aços das armaduras e pré-esforçados usados nas
Tabelas é apresentada na Figura 5.1 em função da temperatura θ.

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Estas curvas são calculadas com base nas expressões seguintes:

i) aço das armaduras ( aço macio ou endurecido a frio , (hot rolled or cold worked EN
10080))

ii) Varões de pré-esforço (bars: EN 10138-4)

iii) Aço de fios e cordões de pré-esforço (wires and strands: EN 10138-2 e -3)

7. Para os elementos traccionados ou simplesmente apoiados com flexão, (excepto os que


tenham cabos não protegidos), para os quais a temperatura crítica das armaduras é
diferente de 500 ºC, o recobrimento, (distância ao eixo), dado nas Tabelas 5.5, 5.6 e 5.9
pode ser modificado de acordo com as seguintes regras:

a) Para o cálculo da tensão do aço σs,fi, em situação de incêndio, (Ed,fi), usa-se a


equação seguinte:

E fyk ( 20 o C ) A s, req (2)


σs,fi = d,fi x x
Ed γs A s, prov
onde
γs =1,15 (coeficiente de segurança do aço)
fyk(20ºC)=tensão de cedência do aço a 20ºC
As,req área de armadura de aço para o dimensionamento ao estados limites
últimos segundo EN 1992-1-1
As,prov área de armadura de aço existente
Ed,fi/Ed pode ser determinado usando 2.4.2

b) A determinação da temperatura crítica da armadura θcr , corresponde ao factor


Ks(θcr)=σs,fi/fyk(20ºC) para o caso de aço macio, usando a Figura 5.1, (curva 1), ou
Kp(θcr)=σp,fi/fpk(20ºC), usando também a Figura 5.1, (curva 2 ou 3), para o aço de pré-
esforço.