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TÍTULO

Letícia Simões Velloso Schuler (UFPB)


Hermano de França Rodrigues (UFPB)
Resumo: De origem imprecisa, inobstante persistente, a loucura ergueu seus “castelos”
e “masmorras” nas mais diversas estações da História, transformando homens e
mulheres em bestas insanas e/ou moribundos extraordinários. Michel Foucault, em sua
História da loucura (1972), oferece-nos um mapeamento factual desse fenômeno,
delineando o modo como as perturbações da razão foram apreendidas pelas instituições,
desde a Idade Média até a modernidade. Durante o medievo, o louco passa a ocupar um
lugar antes reservado aos leprosos, pois, como estes, possuíam uma chaga a ser
controlada, confinada e extinta. Doravante, o ostracismo e a repulsa lhe foram
companheiros de longa jornada. Em solo renascentista, o apanágio ideológico sofre
reviravoltas e os “degenerados” são exilados em embarcações errantes, a nau dos
loucos, que, percorrendo as águas da ignorância, naufragara em visões reducionistas e
inócuas, frente à complexidade do psiquismo humano. No século XVII, quando a
medicina higienista finca suas raízes, a loucura reclama, em definitivo, o internamento
de seus hospedeiros, e, dois séculos mais tarde, a relação entre a psiquiatria e o
ensandecimento se estabelece de forma mais intensa, o que ocasiona a proliferação dos
manicômios e uma mudança, brutal, no “tratamento” dos pacientes. Com o advento da
psicanálise, no século XIX, a loucura ganha novos ornamentos, inscrevendo-se no rol
das estruturas clínicas, ao lado da neurose e da perversão. Sigmund Freud, o fundador
da psicanálise, foi um dos que estudiosos mais corajosos a se lançar no obscuro terreno
do adoecimento psicótico, realizando estudos seminais nessa área. O psicanalista, ao se
debruçar sobre O caso Schreber, publicado em 1911, elucidou mecanismos defensivos,
inconscientemente ativos, mobilizados pelos psicóticos para lidar com as suas
idiossincrasias. Assim, o que ocorre, na psicose, é a rejeição de um fragmento
desagradável da realidade, o que desencadeia o delírio, ou seja, o indivíduo perde a
relação com a exterioridade e a saída encontrada para suportar essa perda, é a
construção delirante. Tal conjectura nos permite diferenciá-la da neurose, visto que,
nesta última, o caminho encontrado para restaurar a realidade se dá por uma satisfação
encontrada através de uma fantasia inconsciente. Dessa forma, o presente trabalho, Commented [.1]:
alicerçado nos constructos teóricos freudianos, propõe analisar o conto Espiral Olá Lê! Resumo Corrigido. Dê uma olhada nas alterações em
vermelho. Veja que suas idéias permanecem.
ascendente, que compõe a coletânea O sofredor do ver, publicada em 1968, da escritora
Havia contradições que conduziam a argumentação para caminhos
brasileira Maura Lopes Cançado a fim de elucidar as questões que se referem à essa que não estavam previstos teoricamente ou que a comprometiam.
perda da realidade por parte da personagem, que narra a história enquanto se encontra
Você escreve muito bem. Cada dia melhor.
internada em um hospício.
É minha função fazer esses ajustes. Não se preocupe. É uma
Palavras-chave: Literatura; Psicanálise; Psicose. parceria. Acertamos e erramos juntos.

Li o conto “Espiral ascendente” e considerei um texto “superficial”


para o seu potencial. O texto do Guimarães Rosa se adequa melhor
à grandeza de sua escrita (sua, Lê).

Abraços
Prof. Hermano