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PNE: 10 PERGUNTAS PARA

ENTENDER O PLANO NACIONAL DE


EDUCAÇÃO
Foi sancionado no último dia 26 de junho o Plano Nacional de Educação (PNE), lei que
tramitou no Congresso Nacional durante quatro anos e estabelece 20 metas para serem
cumpridas até 2023. Entre os objetivos estão ampliar o acesso desde a educação iInfantil
até o ensino superior, melhorar a qualidade de forma que os estudantes tenham o nível
de conhecimento esperado para cada idade, e valorizar os professores com medidas que
vão da formação ao salário dos docentes.

Abaixo, listamos 10 perguntas básicas que ajudam a entender melhor o PNE, como
ele será colocado em prática e quais serão as suas consequências:

1. O que é o Plano Nacional de Educação?

O Plano Nacional de Educação (PNE) é uma lei ordinária, prevista na Constituição


Federal, que entrou em vigência no dia 26 de junho de 2014 e valerá por 10 anos. Ela
estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da educação.

A partir do momento em que o PNE começa a valer, todos os planos estaduais e


municipais de Educação devem ser criados ou adaptados em consonância com as
diretrizes e metas estabelecidas por ele.

2. Quais são as metas do PNE?

O PNE tem 20 metas que abrangem todos os níveis de formação, desde a educação
infantil até o nsino superior, com atenção para detalhes como a educação inclusiva, a
melhoria da taxa de escolaridade média dos brasileiros, a formação e plano de carreira
para professores, bem como a gestão e o financiamento da Educação. O plano também
dá grande peso ao financiamento e ampliação dos investimentos. Conheça cada uma das
metas.

3. Quanto o Brasil investe em educação atualmente?

A porcentagem do investimento público direto em educação, em relação ao Produto


Interno Bruto (PIB) do país, foi de 5,3% em 2012, segundo o Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A meta do PNE é que o país
passe a investir o equivalente a 10% do PIB em educação. Isso deverá significar o
montante de R$ 50 bilhões investidos anualmente em educação.

Ou seja, o dinheiro destinado à educação deverá ser quase o dobro ao fim da vigência
do plano, em 2023. Lembrando que a meta é que o investimento cresça gradualmente: a
ampliação deve ser para 7% do PIB nos próximos cinco anos, chegando a 10% no prazo
dos cinco anos seguintes.
4. De onde vai sair o dinheiro para aumentar o investimento em educação para 10% do
PIB?

A lei de destinação dos royalties do petróleo, sancionada em 2013, estabelece que 75%
desses recursos e 50% do Fundo Social do Pré-Sal serão destinados à educação. Esta é
uma das principais fontes para se atingir, em 10 anos, a meta equivalente a R$ 50
bilhões anuais para a área.

No decorrer da vigência da lei deverá também haver uma redistribuição orçamentária,


especialmente do governo federal – que passará a ter maior participação no
investimento total em educação, além da criação de novas fontes de recursos que
garantam que o objetivo do PNE seja atingido.

5. O que é Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi)?

No prazo de dois anos a partir da vigência do PNE, será implantado o Custo Aluno-
Qualidade inicial (CAQi), um valor nacional mínimo que deverá ser invetsido por
estudante para garantir a qualidade do ensino a cada etapa da educação básica.

O indicador será referenciado no conjunto de padrões mínimos estabelecidos na


legislação educacional, e terá o financiamento calculado com base nos respectivos
insumos indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem. O CAQi será
progressivamente reajustado até a implementação plena do Custo Aluno-Qualidade
(CAQ).

6. O dinheiro do PNE poderá ser investido na educação privada?

O PNE prevê investimento na educação privada uma vez que estabelece, como
estratégia para o aumento de matrículas no ensino superior, a ampliação de programas
como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e o Programa
Universidade para Todos (Prouni).

Para a expansão de matrículas na educação profissional, também há a previsão de


aumentar a oferta de financiamento estudantil que é oferecida em instituições privadas
de nível superior.

7. O salário dos professores vai aumentar?

Este é um dos grandes desafios do PNE. Algumas das metas do plano envolvem
diretamente o professor, a valorização do magistério e o investimento na formação e na
carreira de docentes.

A meta 17, por exemplo, estabelece o respeito a profissionais de magistério das redes
públicas da educação básica, com o objetivo de equiparar seu rendimento médio ao dos
profissionais com escolaridade equivalente. Portanto, o salário dos professores deve,
sim, aumentar. Isto deve acontecer até o final do sexto ano da vigência da lei.
8. O PNE vai aumentar o número de vagas em creches?

Sim. A primeira meta do PNE trata da Educação Infantil, e estabelece até o fim da
vigência da lei deve-se ampliar a oferta de vagas em creches para atender pelo menos
50% das crianças de zero a 3 anos.

A meta é, também, que esta fase do ensino seja universalizada até 2016 para crianças de
4 a 5 anos de idade. Ou seja: em 2023, metade das crianças de até 3 anos de idade
deverão estar matriculadas em creches, e 100% das que têm 4 ou 5 anos de idade devem
frequentar a escola.

9. O PNE vai aumentar o número de vagas no Ensino Superior?

Sim. A meta número 12 do Plano é elevar a taxa bruta de matrícula na Educação


Superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurada
a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas, no
segmento público.

10. Quem vai fiscalizar o cumprimento do PNE?

O próprio PNE estabelece que a execução e cumprimento deverão ser monitorados de


forma contínua, com avaliações periódicas. São responsáveis por esta fiscalização o
Ministério da Educação (MEC), a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e a
Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, o Conselho Nacional de
Educação (CNE) e o Fórum Nacional de Educação.

O monitoramento será realizado por meio de documentos, como estudos do Instituto


Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que devem ser
publicados a cada dois anos durante a vigência da lei para mostrar a aplicação do Plano,
e a realização de atividades como Conferências Nacionais de Educação. Os cidadãos
que desejarem acompanhar o cumprimento das metas podem monitorar os índices no
Observatório do PNE.