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06/02/2018 Edmund Burke – Wikipédia, a enciclopédia livre

Edmund Burke
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Edmund Burke (Dublin, 12 de janeiro de 1729 —
Edmund Burke
Beaconsfield, 9 de julho de 1797) foi um político
liberal, filósofo, teórico político e orador irlandês,[1]
membro do parlamento londrino pelo Partido
Whig.[2][3]

Sua principal expressão como teórico político foi a


crítica que formulou à ideologia da Revolução
Francesa, manifesta em Reflexões sobre a
revolução na França e sobre o comportamento de
certas comunidades em Londres relativo a esse
acontecimento, de 1790.[4]

Advogado, dedicou-se primeiramente a escritos


filosóficos, entre os quais destaca-se o tratado de Pintura de Edmund Burke c. 1767
estética A Philosophical Inquiry into the Origin of Nascimento 12 de janeiro de 1729
Our Ideas of the Sublime and Beautiful Dublin
("Investigação filosófica sobre a origem de nossas Reino da Irlanda
ideias do Sublime e do Belo") (1757).[5][6] O livro Morte 9 de julho de 1797 (68 anos)
atraiu a atenção de proeminentes pensadores Beaconsfield
continentais, como Denis Diderot e Immanuel
Nacionalidade irlandês
Kant.
Alma mater Trinity College (Dublin)
Sua participação na política interna inglesa foi
igualmente relevante. Defendeu a restrição dos Ocupação Filósofo, Advogado,
poderes reais e introduziu novos conceitos
Cientista Político
constitucionais referentes aos partidos e seus Influências
respectivos membros. Burke é ainda lembrado por Lista
apoiar causas como a Revolução Americana, a
Emancipação Católica e o impechament do general Influenciados
Warren Hastings da Companhia Britânica das Lista
Índias Orientais.[7]
Escola/tradição Conservadorismo
No século XIX Burke inspirou tanto conservadores Principais Filosofia social e Filosofia
quanto Liberais.[8] Subsequentemente, no Século interesses política
XX, Burke foi amplamente reconhecido como o
fundador do conservadorismo moderno.[9][10]

Índice
Biografia
Controvérsia Histórica: Liberal ou Conservador
https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Burke 1/6
06/02/2018 Edmund Burke – Wikipédia, a enciclopédia livre

Conservadorismo político
Obras
Ver também
Referências
Ligações externas

Biografia
Iniciou sua carreira política em 1761 como primeiro-secretário particular do governador da Irlanda, Willian Gerard
Hamilton. Rompe com Hamilton em 1765 e é nomeado, neste mesmo ano, secretário do Primeiro-Ministro e líder do
partido Whig; Rockingham. Foi depois eleito para a Câmara dos Comuns, onde tornou-se conhecido por suas posições
economicamente liberais e politicamente conservadoras: era favorável ao atendimento das reivindicações das colônias
americanas, à liberdade de comércio, era contra a perseguição dos Católicos, mas sempre defendendo um mínimo de
prudência e moderação e rejeitando o culto ao progresso característico ao iluminismo. Chegou mesmo a denunciar as
injustiças cometidas pela administração inglesa na Índia. No entanto, não podia aceitar facilmente os excessos da
Revolução Francesa de 1789, expondo tais críticas na obra Reflexões sobre a revolução na França, de 1790. Burke
acreditava que a revolução francesa foi um marco de ignorância e brutalidade, acusando principalmente a execução
brutal de "homens bons" como Lavoisier e a opressão do chamado "Reino do Terror" .

De temperamento impetuoso e pouco inclinado à sistematização, Burke não escreveu nenhum tratado sobre teoria
política. Seus pensamentos são expostos em cartas, discursos, panfletos e obras de circunstância. Expressa-se através
de aforismos, por efusões líricas ou polêmicas, visando a maior parte das vezes a um resultado prático.

As aparentes contradições de seus pensamentos tem origem nas diferentes circunstâncias que nortearam suas
emoções. A inspiração, no entanto, é sempre a mesma. Em primeiro lugar, tinha desprezo aos filósofos iluministas (em
especial Rousseau e Voltaire), que denomina "audaciosos experimentadores da nova moral" e "confusos decadentes".

Burke advoga a teoria da soberania do povo, embora sustentada na ideia de que a razão e a teoria não são referências
válidas por si mesmas para a vida das sociedades. Afirma que a história é feita de um longo depósito de tradições, de
prudência, de moral, incorporadas nos usos e nas civilizações, e não da elaborações intelectuais, como querem os
filósofos. Nessa mesma linha de raciocínio, Burke nega que as constituições possam ser feitas ou produzidas; uma
constituição só pode surgir graças à experiência acumulada durante séculos.

O dom inato da palavra transformou Edmund Burke em um dos maiores oradores da história de seu país. Ele destilava
sua veemência em uma linguagem de clássico equilíbrio, qualidade que pode ser verificada, de maneira especial, nos
discursos "Sobre a tributação norte-americana" (1770), quando formulou sua famosa definição de partido, "corpo de
homens ligados por interesse público, que pode funcionar como elo entre rei e parlamento", ao apoiar e moderar, ao
mesmo tempo, a ação do governante.

Esse mesmo espírito de interação política levará Burke a dizer que entende o parlamentar como representante dos
interesses da comunidade - e não um simples delegado de seus desejos particulares.

Burke se opôs à Revolução Francesa - para ele um edifício erguido sobre mentiras e violência. Para ele a democracia
era "capaz de expressar as mais cruéis opressões sobre a minoria." Apreciava a Constituição britânica, cuja sabedoria
profunda, segundo ele, não reside num certo universo de regras e princípios gerais, mas em uma vasta e sutil
harmonia de costumes, de preconceitos, de instituições concretas e estruturadas no decurso dos séculos. Essa antítese
das duas constituições é o pano de fundo no qual Burke projeta, a propósito do início da Revolução Francesa, os
principais temas de uma filosofia do conservadorismo.[11] Burke é considerado, pelos conservadores, como o pai do
conservadorismo anglo-americano.

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Controvérsia Histórica: Liberal ou Conservador


Nas palavras do intelectual Sávio Coelho:

"Obviamente ele é um liberal. Existe um erro conceitual no tratamento para com Burke. Isso se deve, sobretudo, a
uma certa influência do liberalismo francês no debate. Certamente do ponto de vista deles, e devido a crítica
inflamada de Burke à Revolução Francesa, Burke seria um conservador. Entretanto, tal análise sofre de uma séria
limitação dogmática.

Analisando o ponto de vista de Burke apenas de seus trabalhos finais podemos dizer, certamente, que ele era um
conservador. Entretanto isso seria um erro de análise temporal, pois estaria usando os conceitos de nossos tempos
para avaliar o período histórico de Burke. (Assim como é tolo usar os conceitos de Esquerda e Direita da Revolução
Francesa hoje em dia). Olhando o quadro político da Grã-Bretanha de Burke, vemos que ele estava longe de ser um
conservador. Os conservadores do período de Burke, os Tory, eram defensores dos direitos da aristocracia, da
monarquia e da economia mercantilista de Thomas Mun. Burke, por outro lado, era filho legitimo da Revolução
Gloriosa. Sua adesão aos Whigs, o partido que defendia os princípios da Revolução de 1688, não foi por mero
pragmatismo político. Diferentemente dos Tory, Burke era aberto defensor dos poderes do Parlamento em vez do
absolutismo real, dos direitos dos cidadãos enquanto indivíduos e, por sua histórica amizade com Adam Smith,
defensor do livre-mercado capitalista em oposição ao mercantilismo corporativo. Dessa forma, podemos,
ironicamente, classificar Burke como um revolucionário sob o prisma de sua época e de seu país. Não existe
diferenças fundamentais entre o pensamento de Edmund Burke e de nenhum liberal britânico.

Poderemos encontrar divisões entre Burke e os liberais racionalistas da França, devido uma diferença fundamental
entre o liberalismo francês e o britânico: o ceticismo político em oposição ao construtivismo. Burke não era, como
Joseph de Maistre e Charles Maurras, condenadores absolutos da Revolução, uma vez que via justificativas no
ambiente socio-econômico-político francês para que aquele tipo de coisa tivesse ocorrido. Entretanto, Burke,
diferentemente de outros liberais como Thomas Paine, discordava do princípio revolucionário de tentar "abolir a
história" e começar tudo do zero,pois ele via que as instituições de ordem que impediam o caos de reinar somente
eram criadas depois de um longo processo de seleção histórica (no caso, reformas) entre elementos bons e ruins.
Dessa forma, Burke alertava que os desejos revolucionários iriam inevitavelmente criar uma situação que mais
tarde seria classificada por Sir Ralf Dahrendorf como uma situação de Anomia, onde não existe uma força
institucional capaz de validar as normas por meio de sanções do uso de força coercitiva.

Entretanto,podemos tirar Burke da tradição liberal meramente por sua opinião acerca dos princípios
revolucionários? Não. Pois isso seria em última instância negar os outros valores de Burke. Seria tentar restringir o
Liberalismo puramente a visão francesa dele. Seria negar que, em última análise, um liberal é definido por certos
dogmas em comum: defesa do governo representativo, da Liberdade em todas suas esferas, o Estado de Direito e a
integridade das instituições básicas de Lei e Ordem (mas não necessariamente do Status Quo).

Na verdade o movimento conservador anglo-saxão moderno, não tem diferenças significativas para com o
liberalismo clássico. Tanto é que o Partido Conservador Britânico na gestão de Margaret Thatcher tinha como
principais inspirações políticas Gladstone e Hayek , dois liberais mundialmente conhecidos, porém por razões
diferentes, ao invés de tradicionalistas como Disraeli ou William Pitt."[12][13][14][15][16]

Conservadorismo político
A conservação proposta por Burke na política, no entanto, nunca se baseou na manutenção do status quo. Burke
definiu a política como um exercício em que é preciso respeitar “um princípio seguro de conservação e um princípio
seguro de transmissão, sem excluir um princípio de melhoria. Conservação, transmissão e melhoria, portanto
seguiriam uma ordem lógica, e não arbitrária.

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Burke apontava quais dos principais vícios dos revolucionários franceses


estavam na forma como se procuravam evitar a intrínseca dificuldade da
política como ela é. “A dificuldade é um instrutor severo, na medida em
que tende a fortalecer os nossos medos e a apurar a nossa capacidade”,
afirmava o filósofo. O que move Burke é que é perigosa a ideia de
plasticidade do mundo e da natureza dos homens, como se ambos
pudessem ser objeto de transformação radical.

A ação revolucionária, pelo contrário, obedece antes a um “princípio de


preguiça”: a preguiça de quem é incapaz de pacientemente estudar e
reformar a comunidade real, optando antes por “atalhos” e pelas
“facilidades falaciosas” da destruição e da recriação totais. Para Burke,
retroagir forçosamente era como revolucionar – uma utopia. O
conservadorismo burkeano, portanto, define-se pela atitude
geneticamente utópica.[17]

Sua principal expressão como teórico político é a crítica que formulou à


ideologia da Revolução Francesa, manifesta em Reflexões sobre a
revolução na França e sobre o comportamento de certas comunidades em
Londres relativo a esse acontecimento, de 1790.
Primeira edição da obra Reflexões
Traduzida para várias línguas, essa obra se tornou o modelo das atitudes
sobre a Revolução em França
contra-revolucionárias na Inglaterra e outros países da Europa. Nela,
Burke ressalta o conceito de direito natural, que atribui à vida física e
espiritual do homem grande autonomia dentro da estrutura maior da sociedade, desde que não fira a harmonia geral
desta.

Nessa obra, Burke situa-se em uma posição aristotélico-tomista, que busca iluminar o geral com o particular, fazendo
do real o racional, e do abstrato generalizador das idéias especulativas uma ameaça aos valores penosamente
adquiridos pela civilização através dos séculos.

Essas idéias transformaram Edmund Burke em um teórico do conservadorismo, que postulava o crescimento orgânico
das sociedades, ao invés das reformas violentas. Suas reflexões sobre a ideologia revolucionária não só orientaram de
maneira decisiva a opinião pública da Inglaterra contra a reestruturação política francesa, como passaram a constituir,
para o homem inglês, o senso comum da validade do status e da hierarquia.[18]

Obras
Vindication of Natural Society (1756)
A Philosophical Enquiry into the Origin of Our Ideas of the Sublime and Beautiful (1756)
An Account of the European Settlement in America (1757)
The Abridgement of the History of England (1757)
Annual Register editor for some 30 years (1758)
Tracts on the Popery Laws (Early 1760s)
On the Present State of the Nation (1769)
Thoughts on the Cause of the Present Discontents (1770)
American Taxation (1774)
Conciliation with the Colonies (1775)
A Letter to the Sheriffs of Bristol (1777)
Reform of the Representation in the House of Commons (1782)
Reflections on the Revolution in France (1790)
Letter to a Member of the National Assembly (1791)
Appeal from the New to the Old Whigs (1791)
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Thoughts on French Affairs (1791)


Remarks on the Policy of the Allies (1793)
Letters on a Regicide Peace (1795–97)
Letter to a Noble Lord (1796)

Ver também
Russell Kirk
Adam Smith
Sublime
Conservative Party

Referências
w.bartleby.com/24/1/1002.html) Conservative (em inglês). 21 de
1. Hitchens, Christopher. (introdução à 2ª edição de A fevereiro de 2012
«Reactionary Prophet» (http://w Philosophical Enquiry...). 13. «Edmund Burke: Old Whig -
ww.theatlantic.com/past/docs/is
6. James Prior, Life of the Right The Imaginative Conservative»
sues/2004/04/hitchens.htm).
Honourable Edmund Burke. (http://www.theimaginativeconse
The Atlantic (em inglês).
Fifth Edition (London: Henry G. rvative.org/2013/09/edmund-bur
Washington. “Edmund Burke
Bohn, 1854), p. 47. ke-old-whig.html). The
was neither an Englishman nor
7. Burke lived before the terms Imaginative Conservative (em
a Tory. He was an Irishman,
"conservative" and "liberal" inglês). 16 de setembro de 2013
probably a Catholic Irishman at
that (even if perhaps a secret were used to describe political 14. «The Liberalism/Conservatism
sympathiser), and for the ideologies, cf. J. C. D. Clark, of Burke and Hayek» (http://ww
greater part of his life he upheld English Society, 1660–1832 w.nhinet.org/raeder.htm).
the more liberal principles of the (Cambridge University Press, www.nhinet.org. Consultado em
Whig faction” 2000), p. 5, p. 301. 31 de janeiro de 2018
2. Clark, J.C.D (2001). Edmund 8. Dennis O'Keeffe; John 15. «Edmund Burke's Reflections
Burke: Reflections on the Meadowcroft (2009). Edmund Revolution France, Oct 6 2008 |
Revolution in France: a Critical Burke (https://books.google.co Video | C-SPAN.org» (https://w
Edition (em inglês). Stanford: m/books?id=YVO9QuYUGwwC ww.c-span.org/video/?281723-
Stanford. p. 25. ISBN 0-8047- &pg=PA93). [S.l.]: Continuum. 1/edmund-burkes-reflections-re
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9. Andrew Heywood, Political (em inglês). Consultado em 31
3. Christopher Hitchens (2004).
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«Reactionary Prophet» (http://w
ww.theatlantic.com/past/docs/is Third Edition (Palgrave 16. McLemee, Scott (24 de outubro
sues/2004/04/hitchens.htm) (em Macmillan, 2003), p. 74. de 2004). « 'The Roads to
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Consultado em 12 de janeiro de Volume II: 1784–1797 Philosophers» (https://www.nyti
2013 (Clarendon Press, 2006), p. mes.com/2004/10/24/books/revi
585. ew/the-roads-to-modernity-freed
4. «Seminário discute influência
om-philosophers.html). The
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ISSN 0362-4331 (https://www.w
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orldcat.org/issn/0362-4331)
29281/Cuiaba). Consultado em 301.
14 de julho de 2016 17. As Ideias Conservadoras
12. «Edmund Burke on Adam
Explicadas a Revolucionários e
5. A Philosophical Inquiry into the Smith: The Imaginative
a Reacionários. [S.l.: s.n.] 2014
Origin of Our Ideas of the Conservative» (http://www.theim
Sublime and Beautiful (http://ww aginativeconservative.org/2012/ 18. http://educacao.uol.com.br/biograf
w.bartleby.com/24/2/). Ver 02/edmund-burke-on-adam-smit burke.htm
também: "On Taste" (http://ww h-twice.html). The Imaginative

Ligações externas
Edmund Burke Society de Universidade de Columbia (http://www.wikicu.com/Edmund_Burke_Society)
Textos baseados nos pensamentos de Burke (http://www.fundacionburke.org)
Edmund Burke ensaios no Gettysburg College (http://www.gettysburg.edu/special_collections/collections/manus
cripts/collections/ms016.dot)
Obras de Burke na The Online Library of Liberty (http://oll.libertyfund.org/index.php?option=com_staticxt&staticfil
e=show.php%3Fperson=3807&Itemid=28)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Edmund_Burke 5/6
06/02/2018 Edmund Burke – Wikipédia, a enciclopédia livre

Obras de Edmund Burke (http://www.gutenberg.org/author/Edmund+Burke) no Projeto Gutenberg (incluindo


suas obras em doze volumes)
A Philosophical Inquiry into the Origin of Our Ideas of the Sublime and Beautiful (http://www.bartleby.com/24/2/),
por Edmund Burke

"On Taste" (http://www.bartleby.com/24/1/1002.html) (introdução à 2ª edição de A Philosophical Enquiry into


the Origin of Our Ideas on the Sublime and the Beautiful).

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