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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA QUIMICA

BARBARA LOPES BORGES


FRANCIELI CAROLINA SOUZA RIBEIRO
JUAN CARLO BALLAN SANTOS
VICTOR EIDY RIBEIRO TAKIGAMI

PERFIL DE TEMPERATURA EM SÓLIDOS: ALETAS

RELATÓRIO DE LABORATÓRIO DE ENGENHARIA QUÍMICA B

Apucarana
2019
BARBARA LOPES BORGES
FRANCIELI CAROLINA SOUZA RIBEIRO
JUAN CARLO BALLAN SANTOS
VICTOR EIDY RIBEIRO TAKIGAMI

PERFIL DE TEMPERATURA EM SÓLIDOS: ALETAS

Relatório apresentado como requisito para


obtenção de nota parcial na disciplina de
Laboratório de Engenharia Química B, do
curso de Engenharia Química, Universidade
Tecnológica Federal do Paraná.

Docente: Profª. Drª Maraisa Lopes de


Menezes

Apucarana
2019
RESUMO

As aletas são superfícies estendidas, utilizadas quando se tem o objetivo de


aumentar a taxa de transferência de calor por meio da convecção. Essa por sua vez
ocorre devido a dois fenômenos, a condução no interior do sólido e a convecção
entre o sólido e o fluido. O material do qual a aleta é feita bem como o seu diâmetro
influenciam diretamente nessa transferência de calor. O presente experimento teve
como objetivo determinar os perfis de temperatura para aletas cilíndricas de
diferentes materiais, encontrar o calor trocado em regime permanente e a
efetividade das aletas, além de ajustar modelos da literatura aos dados
experimentais para obter os coeficientes médios de transferência de calor,
possibilitando, assim, um melhor entendimento sobre o desempenho das aletas.

Palavras-chave: Aletas. Convecção. Eficiência. Temperatura. Superfície.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Representação do uso de aletas ................................................................ 8


Figura 2 - Módulo experimental de aletas. ............................................................... 10
Figura 3 - Perfil linearizado de temperatura ao longo da aleta de cobre (1/2”) ......... 13
Figura 4 - Perfil linearizado de temperatura ao longa da aleta de Aluminio 1/2'' ...... 14
Figura 5 - Perfil linearizado de temperatura ao longo da aleta de Aço (1/2”)............ 14
Figura 6 - Perfil linearizado de temperatura ao longo da aleta de Aço (1”) .............. 15
Figura 7 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Cobre (1/2”) semi-infinita ...... 19
Figura 8 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Alumínio (1/2”) semi-infinita .. 19
Figura 9 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Aço (1/2”) semi-infinita .......... 20
Figura 10 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Aço (1”) semi-infinita ........... 20
Figura 11 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de cobre (1/2”) comparação
adiabática, semi-infinita e experimental .................................................................... 23
Figura 12 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de alumínio (1/2”) comparação
adiabática, semi-infinita e experimental .................................................................... 24
Figura 13 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de aço (1/2”) comparação
adiabática, semi-infinita e experimental .................................................................... 24
Figura 14 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de aço (1”) comparação
adiabática, semi-infinita e experimental .................................................................... 25
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Valores experimentais obtidos das aletas................................................ 11


Tabela 2 - Valores de 𝜃 ao longo da aleta ................................................................ 12
Tabela 3 - Valores de ln θ ao longo da aleta............................................................. 13
Tabela 4 – Dados obtidos para o cálculo do coeficiente convectivo ......................... 16
Tabela 5 – Taxa de transferência de calor e efetividade de cada aleta .................... 17
Tabela 6 – Temperatura experimental, teórica e desvios. ........................................ 18
Tabela 7 – Temperatura experimental, teórica e desvios. ........................................ 22
Tabela 8 - Valores de m, h e erro minimizado para a condição de contorno com
extremidade adiabática ............................................................................................. 23
Tabela 9 – Taxa de transferência de calor e efetividade de cada aleta .................... 26
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 7
2. MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................... 9
2.1. MATERIAIS ................................................................................................... 9

2.2. MÉTODOS ................................................................................................... 10

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................... 11


3.1 Caso para aleta infinita ................................................................................. 11

3.2 Caso para aleta adiabática ........................................................................... 21

4 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 26
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 28
1. INTRODUÇÃO

Aletas são extensões acrescentadas à uma superfície com o objetivo de


incrementar a área de transmissão de calor, aumentando a quantidade total de calor
transmitida por meio da convecção. A taxa de transferência de calor pode ser
elevada por meio de um aumento do coeficiente convectivo (h) com o uso de
sistemas que aumentem a velocidade do fluido que escoa na sua superfície ou que
diminuam a temperatura do mesmo. Porém, estas soluções podem ter custos muito
elevados tornando-as inviáveis. Assim sendo, as aletas são a alternativa mais
utilizada, sendo estas superfícies estendidas de material condutor, disponível em
diversos formatos, como retangulares, triangulares, parabólicas, circulares e de pino
(DUARTE, 2012).
O presente trabalho tem como propósito determinar os perfis de temperatura
em regime permanente de diferentes barras metálicas com diâmetros variados,
realizando um ajuste das equações propostas na literatura aos dados experimentais
para obter os coeficientes médios de transmissão de calor. Tem-se também como
objetivo a determinação do calor trocado pelas barras com o ambiente e a
efetividade de cada aleta.
Frente à necessidade do aumento da taxa de transferência de calor existente
principalmente no meio industrial, faz-se necessária a utilização de superfícies
estendidas ou aletas. Nas aletas a transferência de calor ocorre por meio de
condução no interior do sólido e por radiação e/ou convecção para um fluido
adjacente nas fronteiras do sólido. As aletas são feitas de materiais altamente
condutores, sendo estes soldados sobre a superfície que se deseja resfriar. Nelas, a
direção da transferência de calor nas fronteiras é perpendicular à direção principal
da transferência de calor no interior do sólido, como pode ser observado na figura a
seguir (ÇENGEL, 2009 ; INCROPERA, 2014).
Figura 1 - Representação do uso de aletas

Fonte: Incropera (2014).

São diversos os tipos de aletas projetadas, sendo as mais conhecidas as aletas


adiabáticas, infinitas ou com a extremidade isolada, podendo possuir ainda
geometria plana, triangular parabólica, circulares ou uniformes, sendo que para a
determinação da taxa de transferência associada à uma aleta é necessária a
obtenção da distribuição de temperatura ao longo da mesma.
Essa distribuição em uma aleta de seção transversal uniforme fixada à uma
superfície com temperatura de base Tb e que se estende para o interior de um fluido
à temperatura T consiste em admitir o fluxo de calor como unidimensional, como
representado a seguir na Equação 1:

𝑑2 𝜃
𝑑𝑥 2
− 𝑚2 𝜃 = 0 (1)

Onde:

𝜃 = 𝑇 − 𝑇∞ (2)

ℎ∗𝑝
𝑚 = √𝑘∗𝐴 (3)

No qual h é o coeficiente de transferência de calor por convecção, p o


perímetro, k a condutividade térmica e A a área da seção transversal.
A quantidade de calor pode ser calculada pelo calor transferido por convecção
na superfície da aleta, conforme a Equação 4 a seguir.

𝑞𝑐𝑜𝑛𝑣 = ∫ ℎ[𝑇 − 𝑇∞ ]𝑑𝐴𝑠 (4)

Sendo As a área superficial total da aleta, incluindo as extremidades.


Essa taxa de transferência de calor também pode ser calculada relacionando-
se o calor transferido por condução e o calor transferido por convecção na superfície
da aleta:

𝑑𝜃
𝑞𝑐𝑜𝑛𝑣 = 𝑞𝑐𝑜𝑛𝑑 = −𝑘𝐴𝑡𝑟 𝑑𝑥 (5)

Sendo Atr a área da seção transversal da aleta.


Porém, mesmo sendo utilizadas para o aumento da transferência de calor, a
aleta em si apresenta uma resistência condutiva a transferência de calor na
superfície original, sendo assim, mesmo com a utilização de aletas, não há garantia
de um aumento na taxa de transferência de calor. O parâmetro para avaliar essa
situação é a efetividade da aleta (εa), apresentado a seguir por meio da Equação 6.

𝑞
𝜀𝑎 = ℎ𝐴 (6)
𝑡𝑟 𝜃𝑏

2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1. MATERIAIS

No experimento utilizou-se do módulo experimental de aletas, com sensores


termopares tipo K, com 10 em cada aleta e 7,5 cm de distância um do outro,
fabricado pela ECO Educacional Soluções Práticas para Ensino e Pesquisa.
Composto por:
 Dreno
 Nível da cuba
 Filtro coalescente
 Banho termostático
 Ventilador
 Proteção de acrílico para o conjunto de aletas
 Chave liga/desliga
 Sensores da aleta de Inox AISI 302 1”
 Sensores da aleta de Inox AISI 302 1/2”
 Sensores da aleta de Aluminio 1/2”
 Sensores da aleta de Cobre 1/2”
 Termopares

Figura 2 - Módulo experimental de aletas.

Fonte: ECO educacional (2019).

2.2. MÉTODOS

Ligou-se o módulo experimental de aletas, o qual já estava com água no


reservatório interior. Posteriormente, estabeleceu-se a temperatura de 70°C do
banho no painel de controle.
A cada 15 minutos, as temperaturas de cada aleta foram anotadas, após o
sistema atingir a condição de equilíbrio térmico, registrou-se as temperaturas de
todos os termopares presentes em cada aleta.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Caso para aleta infinita

A Tabela 1 apresenta os dados das temperaturas obtidas após o equilíbrio


térmico do sistema.
Tabela 1 - Valores experimentais obtidos das aletas
Temperatura das Aletas (°C)
Termopar
Cobre (1/2") Alumínio (1/2") Inox (1/2") Inox (1")
1 55,4 54,7 38 48,5
2 51,8 47,7 34,5 38,6
3 46,6 42,7 32,8 33,8
4 44,1 38,6 31,6 31,1
5 40,2 36,4 30,2 30
6 38,6 34,9 30,2 29,3
7 37,2 33,3 29,7 28,5
8 35,9 32,2 29,5 28,1
9 36,3 31,6 29 27,7
10 34,5 31,1 28,4 27,4
Média 39,4 35,7 30,2 29,7
Fonte: Autoria própria (2019).

A temperatura ambiente (𝑇∞ ) registrada durante a prática foi de 27,3 °C.


Considerou-se que a temperatura da base da aleta na posição 𝑥 = 0, corresponde a
temperatura do banho, ou seja, 70,5 °C. A distância entre cada termopar ao longo da
aleta é de 7,5 cm um do outro.
A Tabela 2 apresenta os valores de 𝜃, calculados a partir da equação: 𝜃 =
𝑇 − 𝑇∞ .
Tabela 2 - Valores de 𝜃 ao longo da aleta
θ (°C)
Termopar x (cm)
Cobre (1/2") Alumínio (1/2") Inox (1/2") Inox (1")
0 0 43,2 43,2 43,2 43,2
1 7,5 28,1 27,4 10,7 21,2
2 15 24,5 20,4 7,2 11,3
3 22,5 19,3 15,4 5,5 6,5
4 30 16,8 11,3 4,3 3,8
5 37,5 12,9 9,1 2,9 2,7
6 45 11,3 7,6 2,9 2
7 52,5 9,9 6 2,4 1,2
8 60 8,6 4,9 2,2 0,8
9 67,5 9 4,3 1,7 0,4
10 75 7,2 3,8 1,1 0,1
Fonte: Autoria própria (2019).

Em que o termopar de número 0 representa a temperatura da base da aleta,


ou seja, a temperatura do banho.
Para o caso de aletas infinitas, utiliza-se a Equação 7, para expressar o perfil
de temperaturas.

θ = θ𝑏 𝑒 −𝑚𝑥 (7)

Esta equação pode ser linearizada aplicando o logaritmo natural, a fim de se


obter os valores de 𝑚 e θ𝑏 , que resulta na Equação 8.

ln θ = ln θ𝑏 − 𝑚𝑥 (8)

Os valores de ln θ encontram-se na Tabela 3.


Tabela 3 - Valores de ln θ ao longo da aleta
ln θ
x (m)
Cobre (1/2") Alumínio (1/2") Inox (1/2") Inox (1")
0 3,7658 3,7658 3,7658 3,7658
0,075 3,3358 3,3105 2,3702 3,0540
0,15 3,1987 3,0155 1,9741 2,4248
0,225 2,9601 2,7344 1,7047 1,8718
0,3 2,8214 2,4248 1,4586 1,3350
0,375 2,5572 2,2083 1,0647 0,9933
0,45 2,4248 2,0281 1,0647 0,6931
0,525 2,2925 1,7918 0,8755 0,1823
0,6 2,1518 1,5892 0,7885 -0,2231
0,675 2,1972 1,4586 0,5306 -0,9163
0,75 1,9741 1,3350 0,0953 -2,3026
Fonte: Autoria própria (2019).

Com os valores da Tabela 3, gerou-se as figuras 3, 4, 5 e 6, que corresponde


ao ln θ vs x de cada aleta.

Figura 3 - Perfil linearizado de temperatura ao longo da aleta de cobre (1/2”)

3.5 y = -2,2271x + 3,5331


R² = 0,9565
3

2.5
ln(ϴ)

1.5

0.5

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

Fonte: Autoria própria (2019).


Figura 4 - Perfil linearizado de temperatura ao longa da aleta de Aluminio 1/2''

3.5
y = -3.1664x + 3.5203
3 R² = 0.9755

2.5
ln(ϴ)

1.5

0.5

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

Fonte: Autoria própria (2019).

Figura 5 - Perfil linearizado de temperatura ao longo da aleta de Aço (1/2”)

3.5
y = -3.7964x + 2.8503
3 R² = 0.8668

2.5
ln(ϴ)

1.5

0.5

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

Fonte: Autoria própria (2019).


Figura 6 - Perfil linearizado de temperatura ao longo da aleta de Aço (1”)

5
y = -7.0531x + 3.6338
4 R² = 0.9738

2
ln(ϴ)

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
-1

-2

-3
x (m)

Fonte: Autoria própria (2019).

Sendo assim, 𝑚 representa o valor do coeficiente angular da reta obtida pelos


gráficos acima.
A fim de determinar a quantidade de calor trocado, é necessário o valor do
coeficiente convectivo (h), que é obtido utilizando a Equação 9. Assim a Equação 10
representa o coeficiente convectivo.

ℎ∗𝑝
𝑚=√ (9)
𝑘∗𝐴

𝑚2 ∗ 𝑘 ∗ 𝐴
ℎ= (10)
𝑝

Em que, 𝑘 é a condutividade térmica do material, 𝐴 é a área seção transversal


e 𝑝 é o perímetro. Substituindo o perímetro (𝑝 = 𝜋 ∗ 𝑑) e a área (𝐴 = (𝜋 ∗ 𝑑 2 )/4) em
função do diâmetro para uma aleta cilíndrica, obtêm-se a Equação 11.

𝑚2 ∗ 𝑘 ∗ 𝑑
ℎ= (11)
4
Com base no anexo A, foi possível obter-se os valores das condutividades
térmicas de cada aleta. Na Tabela 4, est os valores de m, θb, d, p, A e k, necessários
para o cálculo do coeficiente convectivo (h) demonstrado pela Equação 11.

Tabela 4 – Dados obtidos para o cálculo do coeficiente convectivo


Aletas Cobre (1/2") Alumínio (1/2") Inox (1/2") Inox (1")
m 2,2285 3,1664 3,7964 7,0531
θb 34,25 33,79 17,29 37,86
d (m) 0,0127 0,0127 0,0127 0,0254
p (m) 0,0399 0,0399 0,0399 0,0798
A (m²) 0,0001 0,0001 0,0001 0,0005
k (W/mK) 401,0 237,0 15,1 15,1
h (W/m²K) 6,3229 7,5444 0,6910 4,7699
Fonte: Autoria própria (2019).

Nota-se por meio da Tabela 4, que o coeficiente convectivo ficou abaixo de


10 W/m²K, o que evidencia uma transferência de calor por convecção natural.
Incropera (2014), sugere que quando existe uma parede separando um fluido liquido
de um gás, é preferível que adiciona-se a aleta do lado com menor coeficiente
convectivo, no caso o lado com escoamento gasoso, como por exemplo em um caso
prático, o radiador de um carro, ou seja, depende das condições na camada limite
de troca térmica, as quais por sua vez, são influenciadas pela sessão transversal,
tipo de material, natureza do escoamento do fluido (natural, misto ou forçado, por
exemplo), e propriedades termodinâmicas.
Com posse de todas as variáveis, calculou-se a quantidade de calor trocado
(Equação 6) pelas aletas para o ambiente.

𝑞 = √ℎ ∗ 𝑘 ∗ 𝑝 ∗ 𝐴 ∗ θ𝒃 (12)

Determinou-se, também, a efetividade (εa) para cada uma das aletas,


utilizando-se a Equação 13.

𝑞
ε𝑎 = (13)
ℎ ∗ 𝐴 ∗ θ𝒃
A Tabela 5 apresenta os valores obtidos da taxa de transferência de calor e
da efetividade referente a cada aleta.

Tabela 5 – Taxa de transferência de calor e efetividade de cada aleta


Cobre (1/2") Alumínio (1/2") Inox (1/2") Inox (1")
q (W) 4,8735 4,1046 0,3054 2,3301
εa 141,3330 99,4696 85,1843 22,3278
Fonte: Autoria própria (2019).

Nota-se que as aletas que mais trocam calor em ordem decrescente são,
cobre (1/2”), alumínio (1/2”), inox (1”) e inox (1/2”) respectivamente.
A aleta de cobre teve maior transferência de calor trocado, em comparação
ao alumínio de mesmo diâmetro e também das aletas de inox. Isto acontece devido
ao alto valor da condutividade térmica do cobre. Além disso, comparando-se as
aletas de inox (mesmo material e diâmetros diferentes), nota-se uma discrepância
na aleta de maior diâmetro, pois como o calor é diretamente proporcional a área e
por outro lado sendo a eficiência inversamente proporcional, e por isso o uso muito
comum de aletas finas. No entanto ao escolher o material que irá ser empregado na
aleta, deve-se levar em conta 4 fatores, (1) facilidade de ser trabalhado, no que se
refere a sua moldagem, uma vez que a aleta muitas vezes é fundida ao material,
para que diminua as resistências de contato, (2) Custo relativamente baixo, (3) baixa
densidade, (4) condutividade térmica alta (INCROPERA, 2014).
Em relação as efetividades, as aletas que obtiveram os maiores valores foram
o cobre (1/2”), alumínio (1/2”), inox (1/2”) e inox (1”) respectivamente. Dessa forma,
como estes valores de efetividades encontrados foram maiores que 2, o uso dessas
aletas, considerando aletas infinitas, é justificável (INCROPERA, 2014).
A fim de determinar o perfil de temperatura teórico ao longo do comprimento
da aleta, manipulou-se a Equação (14), obtendo-se assim as equações (15*) e (15):

𝜃 = 𝜃0 exp(−𝑚𝑥) (14)

𝑇 − 𝑇∞ = (𝑇𝑏 − 𝑇∞ ) exp(−𝑚𝑥) (15*)


𝑇𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑎 = (𝑇𝑏 − 𝑇∞ ) exp(−𝑚𝑥) + 𝑇∞ (15)

Para uma comparação dos dados obtidos experimentalmente com os dados


teóricos, calculou-se o desvio para cada temperatura em cada uma das aletas, ao
longo da mesma, por meio da Equação 16:

𝑇𝑒𝑥𝑝 − 𝑇𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜
𝐷𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 =
𝑇𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜 (16)

Gerando assim Tabela 6, com os respectivos desvios.

Tabela 6 – Temperatura experimental, teórica e desvios.

COBRE
o
Texp ( C) 70,40 55,40 51,80 46,60 44,10 40,20 38,60 37,20 35,90 36,30 34,50
Tteórica (oC) 70,40 63,77 58,16 53,41 49,40 46,00 43,12 40,69 38,63 36,89 35,41
Desvio 0,00 0,15 0,12 0,15 0,12 0,14 0,12 0,09 0,08 0,02 0,03
ALUMINIO
o
Texp ( C) 70,50 54,70 47,70 42,70 38,60 36,40 34,90 33,30 32,20 31,60 31,10
Tteórica (oC) 70,50 61,37 54,17 48,49 44,01 40,48 37,69 35,49 33,76 32,40 31,32
Desvio 0,00 -0,12 -0,14 -0,14 -0,14 -0,11 -0,08 -0,07 -0,05 -0,03 -0,01
AÇO 1/2 ''
o
Texp ( C) 70,50 38,00 34,50 32,80 31,60 30,20 30,20 29,70 29,50 29,00 28,40
o
Tteórica ( C) 70,50 60,04 52,11 46,10 41,55 38,10 35,48 33,50 32,00 30,86 30,00
Desvio 0,00 -0,58 -0,51 -0,41 -0,31 -0,26 -0,17 -0,13 -0,08 -0,06 -0,06
AÇO 1''
Texp (oC) 70,50 48,50 38,60 33,80 31,10 30,00 29,30 28,50 28,10 27,70 27,40
Tteórica (oC) 70,50 52,75 42,30 36,14 32,51 30,37 29,11 28,36 27,93 27,67 27,52
Desvio 0,00 -0,09 -0,10 -0,07 -0,05 -0,01 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00
Fonte: Autoria própria (2019).

Por meio da Equação (15), gerou-se as figuras (7), (8), (9) e (10), abaixo
exibidas.
Figura 7 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Cobre (1/2”) semi-infinita

80
70
60
50
T (°C)

40
30
20
10
0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

T exp T teórica

Fonte: Autoria própria (2019).

Figura 8 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Alumínio (1/2”) semi-infinita

80
70
60
50
T (°C)

40
30
20
10
0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

T exp T teórica

Fonte: Autoria própria (2019).


Figura 9 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Aço (1/2”) semi-infinita

80
70
60
50
T(°C)

40
30
20
10
0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

T exp T teórica

Fonte: Autoria própria (2019).

Figura 10 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de Aço (1”) semi-infinita

80

70

60
50
T (°C)

40

30

20

10

0
0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8
x (m)

Texperimental Tteórica

Fonte: Autoria própria (2019).

Apesar de alguns pontos entre a temperatura experimental e a temperatura


teórica estarem distantes, o comportamento das curvas aproximam-se com o
aumento do comprimento da aleta. Os desvios presentes nos primeiros termopares
podem ser justificados pela falta de isolamento, assim, o gradiente de temperatura
entre o ambiente e o ponto localizado o termopar é maior, que ocasiona uma maior
troca de calor, havendo um alto desvio para temperaturas mais altas.

3.2 Caso para aleta adiabática

Uma hipótese válida para avaliar a transferência de calor em uma aleta, seria
o caso adiabático, com a transferência de calor na ponta, sendo desprezível.
Definida pela equação (17):

𝜃0 cosh[𝑚(𝐿 − 𝑚)]
𝜃= (17)
cosh(𝑚𝐿)

Isolando e manipulando T, na Equação 17, onde 𝜃 = 𝑇 − 𝑇∞ , obtém-se uma


expressão para o cálculo da temperatura que será utilizado posteriormente.

cosh[𝑚(𝐿 − 𝑥1)]
𝑇 = 𝑇∞ + (𝑇0 − 𝑇∞ ) ( ) (18)
cosh(𝑚𝐿)

Onde 𝑇 = 𝑇𝑚𝑜𝑑 , calculou-se inicialmente o erro associado a essa suposição,


aleta adiabática, por meio do método dos mínimos quadrados (mmq), onde a
solução analítica será ajustada aos dados experimentais, e utilizando o solver do
software Microsoft Excel nos fornece o valor de m minimizado, onde de maneira
análoga ao método da aleta infinita obteve-se o coeficiente convectivo. A função
objetivo a ser minimizada é dada por:

2
Φ = ∑(𝑇𝑚𝑜𝑑 − 𝑇𝑒𝑥𝑝 ) 𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑥 (19*)
2
cosh[𝑚(𝐿 − 𝑥1)]
Φ = [𝑇∞ + (𝑇0 − 𝑇∞ ) ( ) − 𝑇𝑒𝑥𝑝,𝑥1 ] (19)
cosh(𝑚𝐿)
Por meio do ajuste fornecido pelo solver do Excel, gerou-se os seguintes
valores de temperaturas teóricas ao longo do comprimento x.

Tabela 7 – Temperatura experimental, teórica e desvios.

COBRE
o
Texp ( C) 70,40 55,40 51,80 46,60 44,10 40,20 38,60 37,20 35,90 36,30 34,50
Tteórica (oC) 70,40 60,89 53,54 47,89 43,58 40,31 37,89 36,15 34,98 34,31 34,09
Desvio 0,00 30,09 3,03 1,67 0,27 0,01 0,51 1,11 0,85 3,98 0,17
ALUMINIO
Texp (oC) 70,50 54,70 47,70 42,70 38,60 36,40 34,90 33,30 32,20 31,60 31,10
o
Tteórica ( C) 70,50 58,25 49,49 43,25 38,81 35,68 33,49 32,00 31,04 30,51 30,34
Desvio 0,00 12,58 3,22 0,30 0,05 0,52 1,99 1,69 1,34 1,19 0,58
AÇO 1/2''
Texp (oC) 70,50 38,00 34,50 32,80 31,60 30,20 30,20 29,70 29,50 29,00 28,40
Tteórica (oC) 70,50 41,73 32,12 28,91 27,84 27,48 27,36 27,32 27,31 27,30 27,30
Desvio 0,00 13,90 5,67 15,14 14,16 7,40 8,07 5,66 4,81 2,88 1,21
AÇO 1''
o
Texp ( C) 70,50 48,50 38,60 33,80 31,10 30,00 29,30 28,50 28,10 27,70 27,40
Tteórica (oC) 70,50 49,72 38,94 33,34 30,44 28,93 28,15 27,75 27,54 27,45 27,42
Desvio 0,00 1,49 0,11 0,21 0,44 1,15 1,33 0,57 0,31 0,06 0,00
Fonte: Autoria própria (2019).

Um desvio mais significativo, pode ser observado logo após a temperatura da


base, podendo chegar a 30% para a aleta de cobre, o mesmo deve-se em função da
temperatura adotada na base como a própria temperatura do banho, observa-se que
a diferença de temperatura tende a diminuir com o incremento de x, ou seja, a
medida que há um afastamento da base a temperatura tende a temperatura
ambiente. Outro fator destes desvios deve-se ao isolamento da caixa, onde
teoricamente deveria ser adiabático. Em posse dos valores fornecidos pela Tabela 7,
houve a minimização da função objetivo, afim de obter o valor ótimo de m, por meio
do solver do Excel.
Tabela 8 - Valores de m, h e erro minimizado para a condição de contorno com extremidade
adiabática

Aleta m (m-1) h (W/m2.ºC) Erro mmq


Cobre 3,3805 14,5503 41,696
Alumínio 4,4632 14,9895 23,481
Inox 1/2" 14,6217 10,2498 78,892
Inox 1" 8,7450 7,3328 5,669
Fonte: Autoria própria (2019).

Em comparação com o valor do cobre e alumínio, observa-se uma


similaridade no coeficiente convectivo, o que condiz com o esperado, uma vez que
suas condutividades térmicas são similares, ou seja, são bons condutores de calor.
Ao compararmos o desvio obtido, observa-se que ele é menor na aleta de aço 1’’,
isso quer dizer que o modelo teórico adiabático, fornece uma boa aproximação da
realidade.
Uma outra analise interessante de se ressaltar é que ao compararmos as
hipóteses adiabática e infinita com os dados experimentais, obtidos em cada uma
das aletas, observa-se que novamente o melhor cenário, é empregado pela aleta de
aço 1”, sendo evidenciado pelas figuras (11), (12), (13) e (14):

Figura 11 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de cobre (1/2”) comparação adiabática, semi-
infinita e experimental

80.0

70.0

60.0

50.0
T (°C)

40.0

30.0

20.0

10.0

0.0
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80
x (m)

T exp Tinfinita Tadiabática (°C)

Fonte: Autoria própria (2019).


Figura 12 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de alumínio (1/2”) comparação adiabática, semi-
infinita e experimental

80.0

70.0

60.0

50.0
T (°C)

40.0

30.0

20.0

10.0

0.0
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80
x (m)
T exp Tinfinita Tadiabática (°C)

Fonte: Autoria própria (2019).

Figura 13 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de aço (1/2”) comparação adiabática, semi-infinita
e experimental

80.0

70.0

60.0

50.0
T (°C)

40.0

30.0
20.0

10.0

0.0
0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80
x (m)

T exp Tinfinita Tadiabática (°C)

Fonte: Autoria própria (2019).


Figura 14 - Perfil de temperatura ao longo da aleta de aço (1”) comparação adiabática, semi-infinita e
experimental

80.0

70.0

60.0

50.0
T (°C)

40.0

30.0

20.0

10.0

0.0
0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80
x (m)

Texperimental Tinfinita Tadiabática (°C)

Fonte: Autoria própria (2019).

Para o caso da aleta de alumínio o modelo da aleta infinita, ajustou-se melhor


aos dados, já para a aleta de aço ½”, o modelo adiabático foi mais satisfatório,
ressalta-se que os modelos se ajustaram muito bem as aletas de aço inox 1’’ e cobre
½”, em ambas as hipóteses, adiabática e infinita, sendo indiferente a escolha de
uma hipótese ou de outra, obviamente, sem levar em conta a sua efetividade, assim
mesmo em condições experimentais, de certa maneira inadequadas, uma vez que
não havia um isolamento ideal, no caso da aleta com a extremidade adiabática, e
sendo uma hipótese tecnicamente grotesca no caso da aleta infinita, visto que o
comprimento era inferior a 1 m, e além de um outro fator, que a sua temperatura da
base foi considerada como sendo a do banho. Uma sugestão para melhoria dos
resultados, seria um equipamento com maior comprimento de aletas, e um
isolamento mais adequado. Ao analisarmos a efetividade do caso adiabático, obtém-
se de maneira análoga ao caso de aleta infinita, os valores da troca térmica e
efetividade.
Tabela 9 – Taxa de transferência de calor e efetividade de cada aleta

Cobre (1/2") Alumínio (1/2") Inox (1/2") Inox (1")


q (W) 7,3976 5,7857 1,2076 2,8891
εa 93,1612 70,5623 21,5405 18,0898
Fonte: Autoria própria (2019).

Observa-se que como esperado, as maiores efetividades encontram-se com


os materiais mais condutivos e na sequência com menor diâmetro. Sendo um
resultado satisfatório, uma vez que qualitativamente, era esperado estes valores,
assim como na hipótese infinita.

4 CONCLUSÃO

A partir da realização desta prática, observou-se que nos modelos teóricos de


aletas semi-infinitas e aletas adiabáticas, a superfície estendida de cobre apresentou
a maior transferência de calor, devido a influência da condutividade térmica, como
esperado. Apesar da condutividade térmica ser um fator decisivo no desempenho da
aleta, notou-se que o diâmetro da aleta também é um fator determinante para uma
troca térmica, sendo a aleta de inox de maior diâmetro, que mostrou-se com uma
maior troca térmica comparado a inox de menor diâmetro, em ambas as
abordagens, adiabática e infinita.
Ao comparar as temperaturas experimentais e as teóricas, notou-se que a
falta de isolamento do sistema provoca um alto desvio para temperaturas superiores,
e a medida que há um incremento de temperatura ao longo de x, a temperatura da
barra tende à temperatura ambiente. Assim, com o aumento do comprimento da
aleta, os desvios eram menores.
O uso das superfícies estendidas foi analisado por meio da efetividade, que
conclui-se que é bastante viável a utilização da mesma, uma vez que em todos os
casos, seja a hipótese adiabática ou semi-infinita, a efetividade para todos os
materiais foram superiores a 2, sendo o recomendado pela literatura (INCROPERA,
2014).
REFERÊNCIAS

INCROPERA, Frank P; DEWITT, David P. Fundamentos de transferência de


calor e de massa. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014.

ÇENGEL, Yunus A. Transferência de calor e massa: uma abordagem


prática. 3. ed. São Paulo, SP: McGraw-Hill, 2009.

DUARTE, D. F. ESTUDO, COMPARAÇÃO E ANÁLISE ECONÔMICA DA


TRANSFERÊNCIA DE CAOR EM ALETAS DE MOTORES ELÉTRICOS
FABRICADOS COM ALUMÍNIO E FERRO FUNDIDO. In: ENCONTRO NACIONAL
DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 32., 2012, Bento Gonçalves. Disponível em: .
Acesso em: 05 abr. 2019.

ECO Educacional. [S. l.], 2005. Disponível em: https://ecoeducacional.com.br/.


Acesso em: 5 abr. 2019.
ANEXO A - PROPRIEDADES TERMOFÍSICAS DE SÓLIDOS METÁLICOS

Fonte: Incropera (2014).


ANEXO A - PROPRIEDADES TERMOFÍSICAS DE SÓLIDOS METÁLICOS

(continuação)

Fonte: Incropera (2014).


Anexo A - PROPRIEDADES TERMOFÍSICAS DE SÓLIDOS METÁLICOS

(continuação)

Fonte: Incropera (2014).