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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da

Produção Acadêmica e Científica

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA 2011

CURSO DE GRADUAÇÃO DISCIPLINA

Pedagogia METODOLOGIA DA PRODUÇÃO ACADÊMICA E


CIENTÍFICA

DOCENTE

PROFA. DRª TANIA SUELY AZEVEDO BRASILEIRO

CRÉDITOS CARGA HORÁRIA


04 80 horas/aula

BIBLIOGRAFIA BÁSICA E COMPLEMENTAR

▪ALVES, Ruben. Filosofia da Ciência. Introdução ao jogo e suas regras. 10ª ed. São Paulo: editora
brasiliense, 1987.

▪ANDRADE, Maria Margarida. Como Preparar Trabalhos para Cursos de Pós-Graduação. Noções
práticas. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.

____. Introdução à Metodologia do Trabalho Científico. 6º ed. São Paulo: Atlas, 2003.
ARNAL, J.; RINCON, D.; LATORRE, A. Investigación Educativa. Fundamentos y Metodologia.
Barcelona: LABOR, 1992.

▪BIANCHETTI, Lucídio e MACHADO, Ana Maria N.(orgs.). A Bússola do Escrever. Desafios e


Estratégias na Orientação de Teses e Dissertações.Florianópolis: Ed. Da UFSC: São Paulo: Cortez,
2002.

▪ BRASILEIRO, Tania S. A. Los Metodos Cualitativos e Cuantitativos – Una perspectiva integradora.


Anais do II Encontro Internacional de Educação. Guajará-Mirim/RO, 2007.

▪CAMPOS, Luiz F. L. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Psicologia.Campinas, São Paulo: Alínea,


2001.

▪ DEMO, Pedro. Introdução à Metodologia da Ciência.2ª ed. São Paulo: Atlas, 1987.

▪____. Pesquisa. Princípio Científico e Educativo. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.

▪ FAZENDA, Ivani (Org.). Metodologia da Pesquisa Educacional. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 1997.

▪FLORES, Javier Gil. Análisis de datos cualitativos. Aplicaciones a la investigación educativa.


Barcelona: PPU, 1994.

▪GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projeto de Pesquisa. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1993.
LACATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho Científico. 4ª ed.
São Paulo: Atlas, 1995.

▪LUCKESI, Cipriano et al. Fazer Universidade: uma proposta metodológica. 6 ed. São Paulo: Cortez,
1991.

▪LÜKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A.Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo:
EPU, 1986.

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▪MACRAE, Sandy. Modelos y Métodos para las Ciencias del comportamiento. Barcelona: Ariel
Psicología, 1995.

▪MEDEIROS, João Bosco e ANDRADE, Maria Margarida. Manual de Elaboração de referências


Bibliográficas. A nova NBR 6023:2000 da ABNT. Exemplos e Comentários. São Paulo: Atlas, 2001.

▪ Normas da ABNT.

▪ RUIZ, J. Álvaro. Metodologia Científica – Guia para eficiência nos estudos. 3ª ed. São Paulo: Atlas,
1991.

▪SANTOS, Izequias E. Textos selecionados de Métodos e Técnicas de Pesquisa Científica. TCC.


Monografia.Dissertação. Tese. 4ª ed. Rio de janeiro: Impetus, 2003.

▪SANTOS, Gildenir C. e PASSOS, Rosemary (col.).Manual de Organização de referências e citações


bibliográficas para documentos impressos e eletrônicos. Campinas, São Paulo: Autores Associados:
Editora da UNICAMP, 2000.

▪SEVERINO, Antônio Joaquim. 22ª ed. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2003.

▪ZABALA, M. A. LOS DIARIOS DE CLASE. Documento para estudiar cualitativamente los dilemas
prácticos de los profesores. Barcelona: PPU, 1991.

DIRETRIZES PARA A LEITURA, ANÁLISE

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E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS14

1. Os maiores obstáculos do estudo e da aprendizagem, em ciência e em filosofia, estão


diretamente relacionados com a correspondente dificuldade que o estudante encontra na exata
compreensão dos textos teóricos. Habituados à abordagem de textos literários, os estudantes,
ao se defrontarem com textos científicos ou filosóficos, encontram dificuldades logo julgadas
insuperáveis e que reforçam uma atitude de desânimo e de desencanto, geralmente
acompanhada de um juízo de valor depreciativo em relação ao pensamento teórico.
Em verdade, os textos de ciência e de filosofia apresentam obstáculos específicos, mas
nem por isso insuperáveis. É claro que não se pode contar com os mesmos recursos
disponíveis no estudo de textos literários, cuja leitura revela uma seqüência de raciocínios e o
enredo é apresentado dentro de quadros referenciais fornecidos pela imaginação, onde se
compreende o desenvolvimento da ação descrita e percebe-se logo o encadeamento da
história. Por isso, a leitura está sempre situada, tornando-se possível entender, sem maiores
problemas, a mensagem transmitida pelo autor.
No caso de textos de pesquisa positiva, acompanha-se o raciocínio já mais rigoroso
seguindo a apresentação dos dados objetivos sobre os quais tais textos estão fundados. Os
dados e fatos levantados pela pesquisa e organizados conforme técnicas específicas às várias
ciências permitem ao leitor, devidamente iniciado, acompanhar o encadeamento lógico destes
fatos.
Diante de exposições teóricas, como em geral são as encontradas em textos filosóficos e
em textos científicos relativos a pesquisas teóricas, em que o raciocínio é quase sempre
dedutivo, a imaginação e a experiência objetiva não são de muita valia. Nestes casos, conta-se
tão-somente com as possibilidades da razão reflexiva, o que exige muita disciplina intelectual
para que a mensagem possa ser compreendida com o devido proveito e para que a leitura se
tome menos insípida.
Na realidade, mesmo em se tratando de assuntos abstratos, para o leitor em condições de
"seguir o fio da meada" a leitura torna-se fácil, agradável e, sobretudo, proveitosa. Por isso é
preciso criar condições de abordagem e de inteligibilidade do texto, aplicando alguns recursos
que, apesar de não substituírem a capacidade de intuição do leitor na apreensão da forma
lógica dos raciocínios em jogo, ajudam muito na análise e interpretação dos textos.

2. Antes de abordar as diretrizes para a leitura e análise de textos, recomenda-se atentar


para a função dos mesmos em termos de uma teoria geral da comunicação, estabelecendo-se
assim algumas justificativas psicológicas e epistemológicas fundamentais para a adoção destas
normas metodológicas e técnicas, tanto para a leitura como para a redação de textos.
Embora sem aprofundar a questão do significado e função do texto neste nível, que
ultrapassaria os objetivos deste trabalho, serão apresentadas aqui algumas considerações para
encaminhar a compreensão dos vários momentos do trabalho científico.'
Pode-se partir da consideração de que a comunicação se dá quando da transmissão de
uma mensagem entre um emissor e um receptor. O emissor transmite uma mensagem que é
captada pelo receptor. Este é o esquema geral apresentado pela teoria da comunicação.
Para fins didáticos, pode-se desdobrar este esquema, o que fornecerá mais elementos
para a compreensão da origem e finalidade de um texto.
Com efeito, considera-se o emissor como uma consciência que transmite uma mensagem
para outra consciência que é o receptor. Portanto, a mensagem será elaborada por uma
consciência e será igualmente assimilada por outra consciência. Deve ser, antes de mais nada,
pensada e depois transmitida. Para ser transmitida, porém, deve ser antes mediatizada, já que a

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SEVERINO, Joaquim Antônio. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2002. p. 47-
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comunicação entre as consciências não pode ser feita diretamente; ela pressupõe sempre a
mediatização de sinais simbólicos. Tal é, com efeito, a função da linguagem.
Assim sendo, o texto-linguagem significa, antes de tudo, o meio intermediário pelo qual
duas consciências se comunicam. Ele é o código que cifra a mensagem.
Ao escrever um texto, portanto, o autor (o emissor) codifica sua mensagem que, por sua
vez, já tinha sido pensada, concebida e o leitor (o receptor), ao ler um texto, decodifica a
mensagem do autor, para então pensá-la, assimilá-la e personalizá-la, compreendendo-a: assim
se completa a comunicação.
Em todas as fases desse processo, o homem, dada sua condição existencial de
empiricidade e liberdade, sofre uma série de interferências pessoais e culturais que põem em
risco a objetividade da comunicação. É por isso que se fazem necessárias certas precauções
que garantam maior grau de objetividade na interpretação dessa comunicação.
Tal a justificação fundamental para a formulação de diretrizes para o trabalho científico
em geral e para a leitura e composição de textos em particular.
O processo de realização do trabalho científico pode ser visualizado no seguinte
fluxograma:

3. As diretrizes metodológicas que são apresentadas a seguir têm apenas objetivos


práticos. Este capítulo visa fornecer elementos para uma melhor abordagem de textos de
natureza teórica, possibilitando uma leitura mais rica e mais proveitosa. Frise-se ainda que tais
recursos metodológicos não podem prescindir de certa preparação geral relativa à área em que
o texto se situa e ao domínio da língua em que é escrito.

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1. DELIMITAÇAO DA UNIDADE DE LEITURA

A primeira medida a ser tomada pelo leitor é o estabelecimento de uma unidade de


leitura. Unidade é um setor do texto que forma uma totalidade de sentido. Assim, pode-se
considerar um capítulo, uma seção ou qualquer outra subdivisão. Toma-se uma parte que
forme certa unidade de sentido para que se possa trabalhar sobre ela. Dessa maneira,
determinam-se os limites no interior dos quais se processará a disciplina do trabalho de leitura
e estudo em busca da compreensão da mensagem.
De acordo com esta orientação, a leitura de um texto, quando feita para fins de estudo,
deve ser feita por etapas, ou seja, apenas terminada a análise de uma unidade é que se passará
à seguinte. Terminado o processo, o leitor se verá em condições de refazer o raciocínio global
do livro, reduzindo a uma forma sintética.
A extensão da unidade será determinada proporcionalmente à acessibilidade do texto, a
ser definida por sua natureza, assim como pela familiaridade do leitor com o assunto tratado.
O estudo da unidade deve ser feito de maneira contínua, evitando-se intervalos de tempo
muito grandes entre as várias etapas da análise.

2. A ANÁLISE TEXTUAL

A análise textual: primeira abordagem do texto com vistas à preparação da leitura.

Determinada a unidade de leitura, o estudante-leitor deve proceder a uma série de


atividades ainda preparatórias para a análise aprofundada do texto.
Procede-se inicialmente a uma leitura seguida e completa da unidade do texto em estudo.
Trata-se de uma leitura atenta, mas ainda corrida, sem buscar esgotar toda a compreensão do
texto. A finalidade da primeira leitura é uma tomada de contato com toda a unidade,
buscando-se uma visão panorâmica, uma visão de conjunto do raciocínio do autor. Além disso,
o contato geral permite ao leitor sentir o estilo e método do texto.
Durante o primeiro contato deverá ainda o leitor fazer o levantamento de todos aqueles
elementos básicos para a devida compreensão, do texto. Isso quer dizer que é preciso assinalar
todos os pontos passíveis de dúvida e que exijam esclarecimentos que condicionam a
compreensão da mensagem do autor.
O primeiro esclarecimento a ser buscado são os dados a respeito do autor do texto. Uma
pesquisa atenta sobre a vida, a obra e o pensamento do autor da unidade fornecerá elementos
úteis para uma elucidação das idéias expostas na unidade. Observe-se, porém, que esses
esclarecimentos devem ser assumidos com certa reserva, a fim de que as interpretações dos
comentadores não venham prejudicar a compreensão objetiva das idéias expostas na unidade
estudada.
Deve-se assinalar, a seguir, o vocabulário: trata-se de fazer um levantamento dos
conceitos e dos termos que sejam fundamentais para a compreensão do texto ou que sejam
desconhecidos do leitor. Em toda unidade de leitura há sempre alguns conceitos básicos que
dão sentido à mensagem e, muitas vezes, seu significado não é muito claro ao leitor numa
primeira abordagem. É preciso eliminar todas as ambigüidades desses conceitos para que se
possa entender univocamente o que se está lendo.
Por outro lado, o texto pode fazer referências a fatos históricos, a outros autores e
especialmente a outras doutrinas, cujo sentido no texto é pressuposto pelo autor, mas nem
sempre conhecido do leitor.
Todos esses elementos devem ser, durante a primeira abordagem, transcritos para uma
folha à parte. Percorrida a unidade e levantados todos os elementos carentes de maiores
esclarecimentos, interrompe-se a leitura do texto e procede-se a uma pesquisa prévia no
sentido de se buscar esses informes.

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Esses esclarecimentos são encontrados em: dicionários, textos de história, manuais


didáticos ou monografias especializadas, enfim, em obras de referência das várias
especialidades. Pode-se também recorrer a outros estudiosos e especialistas da área.
Note-se que a busca de esclarecimentos tem tríplice vantagem: em primeiro lugar,
diversificando as atividades no estudo, torna-o menos monótono e cansativo; em segundo
lugar, propicia uma série de informações e conhecimentos que passariam despercebidos numa
leitura assistemática; em terceiro lugar, tornando o texto mais claro, sua leitura ficará mais
agradável e muito mais enriquecedora.
A análise textual pode ser encerrada com uma esquematização do texto cuja finalidade é
apresentar uma visão de conjunto da unidade. O esquema organiza a estrutura redacional do
texto que serve de suporte material ao raciocínio.
Muitos confundem essa esquematização com o resumo do texto. De fato, a apresentação
das idéias mais relevantes do texto não deixa de ser uma síntese material da unidade, mas ainda
não realiza todas as exigências para um resumo lógico do pensamento expresso no texto, que é
atingido pela análise temática, como se verá no item seguinte.
A utilidade do esquema está no fato de permitir uma visualização global do texto. A
melhor maneira de se proceder é dividir inicialmente a unidade nos três momentos redacionais:
introdução, desenvolvimento e conclusão. Toda unidade completa comporta necessariamente
esses três momentos. Depois são feitas as divisões exigidas pela própria redação, no interior de
cada uma dessas etapas.
Tratando-se de unidades maiores, retiradas de livros ou revistas, cada subdivisão é
referida ao número da página em que se situa; tratando-se de textos não paginados, deve-se
numerar previamente os parágrafos para que se possa fazer as devidas referências.

3. A ANÁLISE TEMÁTICA

De posse dos instrumentos de expressão usados pelo autor, do sentido unívoco de todos
os conceitos e conhecedor de todas as referências e alusões utilizadas por ele, o leitor passará,
numa segunda abordagem, à etapa da compreensão da mensagem global veiculada na unidade.
A análise temática procura ouvir o autor, apreender, sem intervir nele, o conteúdo de sua
mensagem. Praticamente, trata-se de fazer ao texto uma série de perguntas cujas respostas
fornecem o conteúdo da mensagem.
Em primeiro lugar busca-se saber do que fala o texto. A resposta a esta questão revela o
tema ou assunto da unidade. Embora aparentemente simples de ser resolvida, essa questão
ilude muitas vezes. Nem sempre o título da unidade dá uma idéia fiel do tema. Às vezes apenas
o insinua por associação ou analogia; outras vezes não tem nada que ver com o tema. Em
geral, o tema tem determinada estrutura: o autor está falando não de um objeto, de um fato
determinado, mas de relações variadas entre vários elementos; além dessa possível
estruturação, é preciso captar a perspectiva de abordagem do autor: tal perspectiva define o
âmbito dentro do qual o tema é tratado, restringindo-o a limites determinados.
Avançando um pouco mais na tentativa da apreensão da mensagem do autor, capta-se a
problematização do tema, porque não se pode falar coisa alguma a respeito de um tema se ele
não se apresentar como um problema para aquele que discorre sobre ele. A apreensão da
problemática, que por assim dizer "provocou" o autor, é condição básica para se entender
devidamente um texto, sobretudo em se tratando de textos filosóficos.
Pergunta-se, pois, ao texto em estudo: como o assunto está problematizado? Qual
dificuldade deve ser resolvida? Qual o problema a ser solucionado? A formulação do problema
nem sempre é clara e precisa no texto, em geral é implícita, cabendo ao leitor explicitá-la.
Captada a problemática, a terceira questão surge espontaneamente: o que o autor fala
sobre o tema, ou seja, como responde à dificuldade, ao problema levantado? Que posição
assume, que idéia defende, o que quer demonstrar? A resposta a esta questão revela a idéia
central, proposição fundamental ou tese: trata- se sempre da idéia mestra, da idéia principal

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defendida pelo autor naquela unidade. Em geral, nos textos logicamente estruturados, cada
unidade tem sempre uma única idéia central, todas as demais idéias estão vinculadas a ela ou
são apenas paralelas ou complementares. Daí a percepção de que ela representa o núcleo
essencial da mensagem do autor e a sua apreensão torna o texto inteligível. Normalmente, a
tese deveria ter formulação expressa na introdução da unidade, mas isto não ocorre sempre,
estando, às vezes, difusa no corpo da unidade.
Na explicitação da tese sempre deve ser usada uma proposição, uma oração, um juízo
completo e nunca apenas uma expressão, como ocorre no caso do tema.
A idéia central pode ser considerada inicialmente como uma hipótese geral da unidade,
pois que é justamente essa idéia que cabe à unidade demonstrar mediante o raciocínio. Por
isso, a quarta questão a se responder é: como o autor demonstra sua tese, como comprova sua
posição básica? Qual foi o seu raciocínio, a sua argumentação?
É através do raciocínio que o autor expõe, passo a passo, seu pensamento e transmite
sua mensagem. O raciocínio, a argumentação, é o conjunto de idéias e proposições
logicamente encadeadas, mediante as quais o autor demonstra sua posição ou tese. Estabelecer
o raciocínio de uma unidade de leitura é o mesmo que reconstituir o processo lógico, segundo
o qual o texto deve ter sido estruturado: com efeito, o raciocínio é a estrutura lógica do texto.
A esta altura, o que o autor quis dizer de essencial já foi apreendido. Ocorre, contudo,
que os autores geralmente tocam em outros temas paralelos ao tema central, assumindo outras
posições secundárias no decorrer da unidade. Essas idéias são como que intercaladas e não são
indispensáveis ao raciocínio, tanto que poderiam ser até eliminadas sem truncar a seqüência
lógica do texto. Associadas às idéias secundárias, de conteúdo próprio e independente,
complementam o pensamento do autor: são subtemas e subteses.
Para levantar tais idéias, basta ler o texto perguntando se a unidade ainda é questão de
outros assuntos.
Note-se que é esta análise temática que serve de base para o resumo ou síntese de um
texto. Quando se pede o resumo de um texto, o que se tem em vista é a síntese das idéias do
raciocínio e não a mera redução dos parágrafos. Daí poder o resumo ser escrito com outras
palavras, desde que as idéias sejam as mesmas do texto.
É também esta análise que fornece as condições para se construir tecnicamente um
roteiro de leitura como, por exemplo, o resumo orientador para seminários e estudo dirigido.
Finalmente, é com base na análise temática que se pode construir o organograma lógico
de uma unidade: a representação geometrizada de um raciocínio.

4. A ANÁLISE INTERPRETATIVA

A analise interpretativa é a terceira abordagem do texto com vistas à sua interpretação,


mediante a situação das idéias do autor.
A partir da compreensão objetiva da mensagem comunicada pelo texto, o que se tem em
vista é a síntese das idéias do raciocínio e a compreensão profunda do texto não traria grandes
benefícios. Interpretar, em sentido restrito é tomar uma posição própria a respeito das idéias
enunciadas, é superar a estrita mensagem do texto, é ler nas entrelinhas, é forçar o autor a um
diálogo, é explorar toda a fecundidade das idéias expostas, é cotejá-las com outras, enfim, é
dialogar com o autor. Bem se vê que esta última etapa da leitura analítica é a mais difícil e
delicada, uma vez que os riscos de interferência da subjetividade do leitor são maiores, além de
pressupor outros instrumentos culturais e formação específica.
A primeira etapa de interpretação consiste em situar o pensamento desenvolvido na
unidade na esfera mais ampla do pensamento geral do autor, e em verificar como as idéias
expostas na unidade se relacionam com as posições gerais do pensamento teórico do autor, tal
como é conhecido por outras fontes.
A seguir, o pensamento apresentado na unidade permite situar o autor no contexto mais
amplo da cultura filosófica em geral, situá-lo por suas posições aí assumidas, nas várias

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orientações filosóficas existentes, mostrando-se o sentido de sua própria perspectiva e


destacando-se tanto os pontos comuns como os originais.
Nas duas primeiras etapas, busca-se ao mesmo tempo o relacionamento lógico-estático
das idéias do autor no conjunto da cultura daquela área, assim como o relacionamento
lógico-dinâmico de suas idéias com as posições de outros autores que eventualmente o
influenciaram ou que foram por ele influenciados. Em ambos os casos, trata-se de a abordagem
genérica.
Depois disso, já de um ponto de vista estrutural, busca-se uma compreensão
interpretativa do pensamento exposto e explicitam-se os pressupostos que o texto implica. Tais
pressupostos são idéias nem sempre claramente expressas no texto, são princípios que
justificam, muitas vezes, a posição assumida pelo autor, tornando-a mais coerente dentro de
uma estrutura rigorosa.
Em outro momento, estabelece-se uma aproximação e uma associação das idéias
expostas no texto com outras idéias semelhantes que eventualmente tenham recebido outra
abordagem, independentemente de qualquer tipo de influência. Faz-se uma comparação com
idéias temáticas afins, sugeridas pelos vários enfoques e colocações do autor. Uma leitura é
tanto mais fecunda quanto mais sugere temas para a reflexão do leitor.
O próximo passo da interpretação é a crítica. Não se trata aqui do trabalho metodológico
da crítica externa e interna, adotado na pesquisa científica. O que se visa, durante a leitura
analítica, é a formulação de um juízo crítico, de uma tomada de posição, enfim, de uma
avaliação cujos critérios devem ser delimitados pela própria natureza do texto lido.
Tal avaliação tem duas perspectivas: de um lado, o texto pode ser julgado levando-se em
conta sua coerência interna; de outro lado, pode ser julgado levando-se em conta sua
originalidade, alcance, validade e a contribuição que dá à discussão do problema.
Do primeiro ponto de vista, busca-se determinar até que ponto o autor conseguiu atingir,
de modo lógico, os objetivos que se propusera alcançar; pergunta-se até que ponto o
raciocínio foi eficaz na demonstração da tese proposta e até que ponto a conclusão a que
chegou está realmente fundada numa argumentação sólida e sem falhas, coerente com as suas
premissas e com várias etapas percorridas.
A partir do segundo ponto de vista, formula-se um juízo crítico sobre o raciocínio em
questão: até que ponto o autor consegue uma colocação original, própria, pessoal, superando a
pura retomada de textos de outros autores, até que ponto o tratamento dispensado por ele ao
tema é profundo e não superficial e meramente erudito; tratasse de se saber ainda qual o
alcance, ou seja, a relevância e a contribuição específica do texto para o estudo do tema
abordado.
Resta aludir aqui a possível crítica pessoal às posições defendidas no texto. Porque exige
maturidade intelectual, essa é a fase mais delicada da interpretação de um texto; é viável desde
o momento em que a vivência pessoal do problema tenha alcançado níveis que permitam o
debate da questão tratada. Observa-se ainda que o objetivo último da formação filosófica é o
amadurecimento da reflexão pessoal para o tratamento autônomo dessas questões. A atividade
filosófica começa no momento em que se explica a própria experiência. Para alcançar tal
objetivo esbarra-se na abordagem dos textos deixados pelos autores. É por isso que a leitura
analítica metodologicamente realizada é instrumento adequado e eficaz para o amadurecimento
intelectual do estudante.

5. A PROBLEMATIZAÇÃO

A problematização é a quarta abordagem da unidade com vistas ao levantamento dos


problemas para a discussão, sobretudo quando o estudo é feito em grupo. Retoma-se todo o
texto, tendo em vista o levantamento de problemas relevantes para a reflexão pessoal e
principalmente para a discussão em grupo.

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Os problemas podem situar-se no nível das três abordagens anteriores; desde problemas
textuais, os mais objetivos e concretos, até os mais difíceis problemas de interpretação, todos
constituem elementos válidos para a reflexão individual ou em grupo. 0 debate e a reflexão são
essenciais à própria atividade filosófica e científica.
Cumpre observar a distinção a ser feita entre a tarefa de determinação do problema da
unidade, segunda etapa da análise temática, e a problematização geral do texto, última etapa
da análise de textos científicos. No primeiro caso, o que se pede é o desvelamento da situação
de conflito que provocou o autor para a busca de =a solução. No presente momento,
problematização é tomada em sentido amplo e visa levantar, para a discussão e a reflexão, as
questões explícitas ou implícitas no texto.

6. A SÍNTESE PESSOAL

A discussão da problemática levantada pelo texto, bem como a reflexão a que ele
conduz, devem levar o leitor a uma fase de elaboração pessoal ou de síntese. Trata-se de uma
etapa ligada antes à construção lógica de uma redação do que à leitura como tal. De qualquer
modo, a leitura bem feita deve possibilitar ao estudioso progredir no desenvolvimento das
idéias do autor, bem como daqueles elementos relacionados com elas. Ademais, o trabalho de
síntese pessoal é sempre exigido no contexto das atividades didáticas, quer como tarefa
específica, quer como parte de relatórios ou de roteiros de seminários. Significa também
valioso exercício de raciocínio - garantia de amadurecimento intelectual. Como a
problematização, esta etapa se apóia na retomada de pontos abordados em todas as etapas
anteriores.

CONCLUSÃO

A leitura analítica desenvolve no estudante-leitor uma série de posturas lógicas que


constituem a via mais adequada para sua própria formação, tanto na sua área específica de
estudo quanto na sua formação filosófica em geral.
Com o objetivo de fornecer uma representação global da leitura analítica, assim como
permitir uma recapitulação de todo o processo, são apresentados a seguir um esquema
pormenorizado com suas várias atividades e um fluxograma com suas principais etapas.

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ESQUEMA

Recapitulando: a leitura analítica é um método de estudo que tem como objetivos:

1. favorecer a compreensão global do significado do texto;


2. treinar para a compreensão e interpretação crítica dos textos;
3. auxiliar no desenvolvimento do raciocínio lógico;
4. fornecer instrumentos para o trabalho intelectual desenvolvido nos seminários, no
estudo dirigido, no estudo pessoal e em grupos, na confecção de resumos, resenhas, relatórios
etc.

Seus processos básicos são os seguintes:

1 . Análise textual: preparação do texto;


trabalhar sobre unidades delimitadas (um capítulo, uma seção, uma parte etc., sempre um
trecho com um pensamento completo); fazer uma leitura rápida e atenta da unidade para se
adquirir uma visão de conjunto da mesma; levantar esclarecimentos relativos ao autor, ao
vocabulário específico, aos fatos, doutrinas e autores citados, que sejam importantes para a
compreensão da mensagem; esquematizar o texto, evidenciando sua estrutura redacional.

2. Análise temática: compreensão do texto;


determinar o tema-problema, a idéia central e as idéias secundárias da unidade;
refazer a linha de raciocínio do autor, ou seja, reconstruir o processo lógico do
pensamento do autor;
evidenciar a estrutura lógica do texto, esquematizando a seqüência das idéias.

3. Análise interpretativa: interpretação do texto;


situar o texto no contexto da vida e da obra do autor, assim como no contexto da
cultura de sua especialidade, tanto do ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico;
explicitar os pressupostos filosóficos do autor que justifiquem suas posturas teóricas;
aproximar e associar idéias do autor expressas na unidade com outras idéias
relacionadas à mesma temática;
exercer uma atitude crítica diante das posições do autor em termos de:
a) coerência interna da argumentação;
h) validade dos argumentos empregados;
c) originalidade do tratamento dado ao problema;
d) profundidade de análise ao tema;
e) alcance de suas conclusões e conseqüências;
f) apreciação e juízo pessoal das idéias defendidas.

4. Problematização: discussão do texto;


levantar e debater questões explícitas ou implicitadas no texto;
debater questões afins sugeridas pelo leitor.4

5. Síntese pessoal: reelaboração pessoal da mensagem;


desenvolver a mensagem mediante retomada pessoal do texto e raciocínio personalizado;
elaborar um novo texto, com redação própria, com discussão e reflexão pessoais.

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TRABALHO ACADÊMICO E CIENTIFICO15

1- VISÃO GERAL

Entende-se por trabalho científico aquele que, para ser executado, exige a utilização de
métodos e técnicas de investigação, e que no decorrer de sua realização são usados processos
de observação, descrição, análise, demonstração, com uso de normas metodológicas. O
trabalho científico se caracteriza por ter base em processo cumulativo e não ser um produto
pronto, dado como verdade única e eterna. Por outro lado, reveste-se de conhecimento em
permanente movimento. Constitui verdade provisória e produz ciência ou deriva de parte dela.
Este capítulo tem por objetivo descrever o que são trabalhos acadêmicos, suas
modalidades, princípios gerais, tipologia e normas e passos necessários para a sua elaboração,
apresentação e sustentação. Embora existam muitos livros que tratam desse assunto, existem
muitas discrepâncias em relação ao que determina a normalização feita pela ABNT, que regula
o assunto por meio da NBR 14724/2001. Outras normas da ABNT podem ser consultadas a
respeito desse tema, tais como NBR 6023/2002, NBR 6024/1989, NBR 6027/1989, NBR
6028/1989 e NBR 10520/2002, além das normas de tabulação do IBGE e Código de
Catalogação Anglo-Americano editado pela FEBAB. Os principais tipos de trabalhos
acadêmicos são a tese, a dissertação, a monografia, o trabalho de conclusão de curso de
graduação(TCC), trabalho de graduação interdisciplinar (TGI), trabalhos de disciplinas ou
módulos de cursos de graduação e outros trabalhos para serem apresentados para instituições,
bancas, comissões examinadoras, especialistas, etc.
Outros tipos de trabalhos acadêmicos e científicos são a comunicação cientifica, o artigo
cientifico, o informe científico, o ensaio teórico e a resenha crítica ou ressenção crítica. Estes
trabalhos podem ser apresentados em eventos científicos.
Conquanto a ABNT, pela NBR 14724/2001, trate da tese e da dissertação no mesmo
nível dos trabalhos propriamente ditos, acadêmicos, como o TCC, o TGI e outros de
conclusão de disciplina, módulos, estudos independentes, etc., optou-se nesta obra por dar ao
leitor a oportunidade de ter em mãos esquemas diferenciados e enriquecidos de tese,
dissertação e monografia, por entender que são trabalhos que exigem um esforço maior do
estudante, considerando que titulam o nível de pós-graduação com graus terminais de doutor,
de mestre e não terminal de especialistas, todavia sem desrespeitar a normalização oficial.
Quanto aos trabalhos ditos acadêmicos propriamente, estes serão descritos em parte
especial, em que se observam as normas determinadas. Considerando que são trabalhos em
nível de graduação, o tratamento será com mais detalhamento e com todos modelos e padrões
aceitável, com vistas a dar ao estudante elementos para que possa elaborar trabalhos de
elevado padrão de qualidade.

2- TESE

Do grego Thésis, significa o ato de pôr, proposição; do latim THESE. É uma


“proposição” que se expõe para, em caso de impugnação, ser defendida “(DICIONÁRIO
Aurélio, 1979,p. 1371).
Para os propósitos deste trabalho, tese pode ser conceituada como uma opinião,
proposição, enunciado que é apresentado e, havendo dúvida, oposição ou contestação que
deve ser defendida e colocada à prova. Para outros, tese é uma proposição que trata de

15
SANTOS DOS, Izequias Estevam. Textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa
científica. Rio de Janeiro: Ímpeto, 2003.

12
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

demonstrar assuntos enunciado ou doutrina. È um “ato culminante do pensar reflexivo”.


Outros ainda consideram tese “um instrumento de pesquisa destinado a promover a aquisição
de novos conhecimentos com o objetivo de interpretação, predição e controle do fenômeno em
estudo” (LEITE, 1978, p.1). É, portanto, de difícil conceituação.
Teve origem na Idade Média, quanto em aulas públicas o autor defendia sua tese para
obtenção do grau de doutor. Era um momento sublime, culminante e de grande significado
intelectual.
São trabalhos que concedem ao seu autor, após cumprir vários requisitos acadêmicos,o
título de doutor. A tese vem desde os primórdios de universidade, já a dissertação de um todo
é criação mais recente. Quanto ao tamanho da tese, ou seja, o número de páginas, existem
muitas opiniões divergentes. Para Beaud(1997,p.19), a tese deve ter de 300 a 500 páginas. Já
para Eco:(1988, p.27), uma tese de doutoramento deve ter um tamanho médio entre 100 a 400
páginas.
Mais importante que dimensionar o tamanho de uma tese pelo número de páginas é
relacionar esse tamanho com a pergunta feita na pesquisa e a consequente resposta. Se
pesquisa parte de uma questão que precisa ser respondida, e, se a resposta foi alcançada,
pouco importa o número de páginas, mas sim a resposta ao problema investigado.
É evidente que, em se tratando do nível do curso, a resposta e a formação do plano de
estudo, somando-se às exigências metodológicas, o número de páginas não vai ser muito
pequeno, devendo se aproximar das indicações citadas.
Nos dias atuais serve para obtenção do título de livre-docente, além do douramento. A
tese mostra que seu autor pode avançar nos estudos de sua área de saber e manter a
capacidade de planejar, exercitar e concluir uma pesquisa, além da habilidade de reflexão,
análise e síntese. Inicia-se a tese pelo levantamento do problema colocado em bases científicas,
estudo de indicação correta da solução, quanto apresenta razão e evidência dos fatos com o
intuito de provar se as hipóteses são falsas ou verdadeiras. A tese pode ser desenvolvida num
período de um a quatro anos e deve ser apresentada perante um tribunal de cinco membros,
todos doutores.
Quanto ao tamanho, depende do problema enfocado e da área da ciência em que se situa.
A estrutura da tese é igual à da dissertação e da monografia pré-textual e pós-textual e,
segundo Lakatos(1990,p.166), na introdução deve constar. “[...] delimitação do tema,
delimitação da pesquisa, localização no tempo e no espaço, justificativas, objetivos,
conceituação dos termos e metodologia usada”.
Para a parte textual da tese, a mesma autora indica: “[...] metodologia ou procedimentos
metodológicos, construção dos argumentos e apresentação, análise e interpretação dos
dados”.
Entre os predicados indispensáveis ao autor de uma tese, para que alcance nível
metodológico, estão a calma, a resignação, a precisão e a persistência.
Para Salvador”[...] a redação de uma tese pode ser feita de madeira informal,
popular(coloquial); estética, elegante(literária) e cognoscitiva, racional( técnica). Melhor é que
acompanhe as regras de trabalhos científicos: clara, objetiva, técnica, simples e sem
ambigüidades”.

3- DISSERTAÇÃO

Dissertação é discorrer sobre um assunto em sentidos aberto. No sentido estrito dissertar


significa discorrer sobre um tema, servindo-se de técnicas e métodos de trabalho. No sentido
didático e cientifico dissertação significa:[...] um estudo teórico de natureza reflexiva ,que
consiste na ordenação de idéias sobre determinado tema”. É um tipo de trabalho científico para
o estudante que deseja obter o título de mestre. Seu referencial teórico está situado entre a
monografia e a tese, considerando-se que é mais profunda e extensa que a primeira e contém
grau de reflexão e rigor metodológico , propriedades indispensável à segunda.

13
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

São dois os tipos de dissertação, conforme Salomon(1994, p.182-183): “[...] dissertação


monográfica, que cuida do estudo escrito e de caráter didático; e dissertação científica, que
decorre de pesquisa pura ou aplicada e segue metodologia própria”.
Outra classificação é a de Salvador, que distingue dois tipos de monografia, a expositiva
e a argumentativa. A primeira relaciona material diverso, organiza classifica, expõe e
comunica. O segundo tipo reflexiona sobre idéias, posiciona, argumenta e apresenta, dando
idéias de valor.
Quanto ao tema, o problema, esquema, linguagem e estrutura, a dissertação acompanha
os demais tipos de trabalhos científicos.
Entre os demais tipos de trabalhos científicos, os mais comuns são: a comunicação
científica, o artigo científico, o informe cientifico, o ensaio teórico, a resenha crítica e o
relatório.
São os trabalhos comuns nas universidades, centros de pesquisas e em qualquer
instituição de produza conhecimento.

5. ESQUEMA RESUMIDO DE DISSERTAÇÃO E TESE


. Introdução
. Revisão de literatura
. Desenvolvimento
. Conclusão
. Recomendação

6. DESCRIÇÃO DOS ELEMENTOS DA PARTE TEXTUAL DO ESQUEMA


SIMPLIFICADO DE DISSERTAÇÃO E TESE

6.1- Introdução
Apresentação do assunto como um todo.
Elemento explicativo do autor ao leitor.
Colocação ou estabelecimento claro do assunto
Definição objetiva e clara sem deixar dúvidas do campo abrangido.
Indicação da finalidade e o objetivo do estudo, informando sob que ponto de vista é
tratado o assunto.
Exposição sobre tópicos principais do texto, dando a ordem e roteiro de exposição.
Descrição do que se pretende no estudo a ser feito.

6.2- Revisão de Literatura

. É a parte essencial das dissertações e Teses.


. Relata o que já foi publicado sobre o tema.
. Fala da solução do assunto
. Cita nome de todos os autores no texto, ou em notas rodapé ou ao final de capítulo e
obrigatoriamente nas referências bibliográficas.
. Pode aparecer em algum trabalho sobre a denominação de “Base Teórica” ou
“Fundamentação Teórica”.
. Nas monografias e trabalhos acadêmicos , ela aparece incorporada à introdução.

6.3 - Desenvolvimento
. Todo trabalho intelectual ou cientifico tem este item
. Pode ser dividido em capítulos.
. Nas Dissertações e Teses contar os seguintes itens:
. Materiais, técnicas e métodos, responde à questão: como?
. Resultados: devem ser agrupados, analisados e utilizados.

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

. Discussão: concordância ou discordância, explicação.


. Conclusão: descrição resumida do que conseguir.

6.4 - Conclusão

. Recapitulação resumida do que conseguir de resultado no estudo feito.


. Mostra o alcance das suas contribuições para aplicação prática.
. Baseia a conclusão em dados comprovados.
. Recomendações:

Neste item o autor faz as sugestões que julgar pertinentes.

6.5- PARTE TEXTUAL DE DISSERTAÇÃO E TESE, CONFORME KUAE,


NASUMO
. Introdução
. Revisão de literatura
. Material e métodos
. Resultados
. Discussão
. Conclusão

Observação: Nas monografias, parte textual pode ser dividida em capítulos ou ser
disposta da seguinte forma: introdução, explicação, discussão, demonstração, conclusão,
recomendação.

6.6- ESQUEMA COMPLEXO DE DISSERTAÇÃO E TESE

Parte Pré-Textual
. Capa inicial
. Folha de rosto
. Ficha catalográfica
. Errata
. Página de aprovação
. Página de dedicatória
. Página de agradecimento
. Resumo
. Resume
. Abstract
. Índice ou sumário
. Lista de quadros, lâminas, gráficos, esquemas, siglas, apêndice e anexo(cada um
em folha separada).

Parte Textual

Capítulo I – O Problema
. Introdução
. Formulação da situação – Problema
. Objetivo, delimitação e importância do estudo
. Questões e/o hipótese a investigar
. Referencial teórico – Conceitual
. Definição de termos

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

Capítulo II – Revisão de Literatura

. Objetivos de revisão
. Fontes de revisão

Capítulo III – Metodologia

. Introdução
. População e amostra
. Tratamento experimental
. Tratamento experimental
. Instrumento de medida
. Coleta de dados
. Tratamento e análise dos dados
. Limitação de método

Capítulo IV – Conclusão e Discussão dos Resultados

. Apresentação
. Discussão

Capítulo V – Conclusão e Recomendação


. Conclusão
. Recomendação

Parte Pós-textual

. Bibliografia
. Apêndice
. Anexos
. Glossário
. Capa final

6.7- ARRUMAÇÃO GRÁFICA DE DISSERTAÇÃO E TESE

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

6.8 - COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

É transmitir informações, idéias, fatos, opiniões. Por ela se compartilha conhecimentos,


experiências e sentimentos. Todo estudioso necessita fazer uso da comunicação científica.

6.8.1 - Onde é feita a apresentação

Apresentação é feita em:

- Congressos - Simpósios - Seminários


- Jornadas - Semanas - Painéis
- Academias - Entidades científicas

6.8.2 - Conteúdo

Observações sistemáticas traduzidas em pesquisa original, inédita e criativa. Não necessita de


abundância de aspectos analíticos. Basta que as idéias sejam bem fundamentadas.

17
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

Não reproduz experiências, para verificar se estão certas, como acontece nas dissertações e
nas teses.

6.8.3 - Finalidade

Comunicar aos ouvintes o resultado de seu trabalho e seu saber. Levar outras pessoas a
reflexionarem e a perceberem coisas e fatos do cotidiano que estão próximas, de forma
diferente. Influenciar, motivar, despertar outras pessoas para produzirem saber e
conhecimento.

6.8.4 - Público

Em geral é formado de especialistas, estudantes, que se interessam pelo tema em questão.


Técnicos, pesquisadores, professores em geral, administradores, políticos. profissionais
liberais.

6.8.5- Estrutura

Mesmo padrão exigido nos trabalhos científicos em nível internacional. Deve ser observado que os
assuntos podem diferir quanto ao conteúdo e material, mas nunca quanto ao aspecto formal, que
possui três fases:

 Introdução: formulação clara do tema, apresentação sintetizada do problema, algumas


referências a trabalhos anteriores, justificativa, objetivo, metodologia, delimitação, tipos de
abordagem e exposição precisa da idéia central.

 Desenvolvimento: Corpo do trabalho, descrição e argumentação, demonstração das


principais idéias. Deve ser dividido em itens para facilitar a exposição e compreensão dos
ouvintes e leitores. Frases curtas e intercaladas com as maiores, se houver. Parágrafos curtos.

 Síntese dos resultados: Resumo das informações do trabalho.

6.8.6- Linguagem

Mesmas normas observadas em quaisquer trabalhos científicos. Linguagem técnica e objetiva,


sem rodeios, sem elogio ou crítica demasiadamente forte.

6.8.7- Redação: estrutura

Folha de rosto:

Designação do evento (congresso, simpósio, seminário, etc.). Local e datado evento.


Patrocinador (pessoa, instituição, etc.). Título do trabalho e nome do autor. Cargos e
credenciais do autor.

Sinopse da apresentação:

É um resumo, ou apresentação, redigida pelo autor. Em caso de publicação, poderá ser feita
pelo editor. Pode ser colocada antes da introdução ou no final. Deve ser escrita na língua
pátria, inglês ou outro idioma de grande alcance internacional.
Conteúdo :

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

Introdução. Texto de trabalho. Conclusão ou recomendação. Referências bibliográficas.

6.8.8- Fases da Comunicação Científica

PREPARAÇÃO: Toda a elaboração e domínio do problema proposto.

APRESENTAÇÃO: Ler com clareza e formalmente o que está escrito. Prender a atenção dos
ouvintes. Dar ênfase às palavras-chaves.

ARGÜIÇÃO: Responder aos questionamentos com atenção e respeito. Não sabendo, ser
sincero, não responder.

6.8.9 - Apresentação da Comunicação

Deve ser formal, tendo a reunião um dirigente ou presidente da mesa, um secretário e o orador
(autor do trabalho). A apresentação é previamente acertada quanto: ao tempo de exposição,
tempo de argüição, se as perguntas serão de forma oral ou escrita. É melhor por escrito, se
houver bastante tempo para a argüição.

7- ARTIGO CIENTÍFICO

Estudo reduzido, mas completo, quanto aos assuntos tratados. Não é livro, mas pode
constituir parte dele. É o resultado de pesquisa, porém reduzida.

7.1- Divulgação

Revista e periódicos especializados não podem ficar sem divulgação; podem ser lidos e
discutidos por grupos especializados (pesquisadores, professores, técnicos).

7.1.1- Tipos

 Artigo de argumentação teórica: é um argumento teórica: é um argumento teórico, com


opinião contra ou a favor, mas analisada de forma crítica e responsável. Requer pesquisa
profunda e intensa sobre o terna.

- Roteiro:

Exposição da teoria. Fatos apresentados. Síntese dos fatos. Conclusão.

 Artigo de Análise :

É analisada cada parte do texto em estudo. Descreve, classifica, define, entra em detalhe, dá
exemplo.

- Roteiro:

Definição do assunto. Aspectos principais e secundários. As partes ou divisões de trabalho.


Relações existentes entre as diversas partes do trabalho.
 Artigo Classificatório:

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

Classifica os aspectos de um determinado trabalho ou assunto. Explica suas partes. Define,


analisa e descreve objetivamente.

- Roteiro:

Definição do assunto. Explicação dadivisão. Tabulaçãodos tipos. Definição de cada espécie.

7.1.2- Exigências para o artigo

É feito quando se conhecem controvérsias sobre determinado assunto. Tema antigo é


apresentado novamente de forma diferente, nova, podendo questionar, refutando-o, ou não,
quando se tratar de material de pesquisa que seja em pequena quantidade. Ser a linguagem
técnica, clara, objetiva, precisa, correta e simples. Equilíbrio, unidade, honestidade, exatidão,
imparcial, inédito, original. Linguagem ao promédio (ao nível) do público alvo.

7.2- INFORME CIENTÍFICO

a) Serve para divulgar os resultados parciais ou totais de uma pesquisa.

b) É o meio para dar publicidade aos resultados de descobertas realizadas ou os resultados


parciais de um estudo em andamento.

c) É o mais sucinto dos trabalhos científicos.

d) Baseia-se apenas na descrição dos resultados obtidos em trabalho de campo, de laboratório


ou de documentos.

e) Deve ser observado: redação clara, simples, técnica, de modo a ser entendida por todos.

f) Pode ser divulgado por escrito, oralmente ou em periódico. Pode ser discutido de várias
formas.

7.3- ENSAIO TEÓRICO

a) É uma exposição lógica, reflexiva e analítica.


b) Argumentação rigorosa, com alto nível de interpretação e julgamento pessoal.
c) Estudo desenvolvido formalmente e de maneira discursiva.

d) Permite mais liberdade ao autor para defender uma determinada posição sem ter de se
apoiar no rigor da metodologia científica (pesquisa e bibliografia).

e) São encontrados ensaios teóricos em dissertações e teses de mestrado e doutoramento, bem


como de livre-docência.

f) Não dispensa o rigor lógico e a coerência da argumentação.

g) Exige grande informação cultural e muita maturidade intelectual.

h) É preferido por grandes pensadores e pode ser feito em quaisquer áreas do conhecimento
humano.

20
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

7.4- RESENHA CRÍTICA OU RECENSÃO CRÍTICA

a) Descrição minuciosa que envolve certo número de fatos e não apenas um.

b) Consiste na leitura, estudo, resumo, crítica e na formulação de um conceito de valor sobre o


trabalho que está sendo analisado.
c) É feita por pesquisadores, cientistas, professores que tenham elevado juízo crítico.
d) É utilizado também em cursos de pós-graduação e graduação.

e) Nela se mostra de forma cortês a contribuição do autor (suas abordagens, teorias,


novos conhecimentos, valia da obra, etc.).
f) Elogia-se nela com moderação e sinceridade.

7.4.1 - Estrutura da Resenha

A resenha deve responder a alguns questionamentos, tais como: qual o assunto, suas
características e as suas abordagens; quais os saberes anteriores descritos na obra e qual o seu
direcionamento; se é acessível, se é bom, agradável e aconselhado ao público; se o conteúdo
servirá ao grupo. Estas indagações e quesitos devem ser respondidos, também, em relação ao
autor, na elaboração da resenha.

7.4.2- Roteiro da Resenha

a) Referência Bibliográfica :Autor, Título, Imprensa (local, edição, editora, data). Número de
páginas, ilustrações (tabelas, gráficos, fotos).

b) Credenciais do autor: informações gerais sobre sua formação, atividades, experiência de


quem fez o estudo, quando, por quê, onde.

c) Conhecilnento: resumo detalhado das idéias principais. De que trata a obra, o que ela diz. Se
possui característica especial. Como foi abordado, e se exige outros conhecimentos.

d) Conclusão do autor: existe conclusão ou não. Onde está (final do livro ou nos finais dos
capítulos. Quais foram as conclusões).

e) Quadro de Referênci do autor: modelo teórico, que teoria serviu de base, que método usou:
apreciação, mérito da obra, estilo, forma, indicação da obra.

7. 4.3- Esquema de resenha bibliográfica

7.4.3.1- Autor e obra

Referência bibliográfica, obedecendo à norma técnica.

7.4.3.2- Credenciais da autoria

Dados biográficos, formação, funções e atividades do autor, além da experiência e trabalhos


escritos.

7.4.3.3- Digesto

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

Discrição parafraseada do conteúdo da obra, podendo ser feita por parte ou capítulo da obra
ou num texto cobrindo todos capítulos ou partes. Não pode ser longa, devendo a escrita ser
simples, clara e objetiva.

7.4.3.4- Indicações do resenhista

Discrição sobre a importância da obra e a quem possa interessar, informando as áreas do


conhecimento abrangidos pelo estudo,

7. 4.3.5- Localização da obra

Onde pode ser localizada, se está esgotada ou não. Informação se a obra está disponível para
venda, empréstimo ou apenas consultas e se onde está em depósito é particular ou público.

7.4.3.6- Resenhista

Após o término da resenha, à direita e abaixo do texto cinco espaços, colocar o nome, título
maior e principal função do resenhista.

7.5- PADRÃO UNESCO DE APRESENTAÇÃO DE TRABALHO CIENTÍFICO

7.5.1- Memórias Científicas Originais

Quando o conteúdo é inédito ou original. Quando contribui de forma elevada para ampliar
conhecimentos. Seus escritos têm de permitir que um pesquisador ou cientista possa
reproduzir os experimentos e obter os resultados do autor. Verificar as observações e obter os
resultados descritos. Repetir as observações e comprovar as conclusões do autor. Verificar a
exatidão das análises e deduções.

7.5.2- Publicações Provisórias ou Notas Prévias

Traz no seu conteúdo informações novas. Não vem redigido com detalhes. Não permite
verificar provas. São escritos que guardam segredos. Em geral estão ligados a órgãos de
pesquisa pertencentes ao setor produtivo. Deve ser publicado rapidamente. Pode aparecer em
forma de carta contendo tópicos principais da descoberta ou ensaio.

7. 5.3- Estudo Recapitulativo ou Informação Secundária

Resumo, estudo de revisão ou atualização. Contém estudo de assunto particular informações já


publicadas. É conhecido como estudo bibliográfico.

7.6- NORMAS DE REDAÇÃO DO TRABALHO ACADEMICO E CIENTÍFICO

Todo trabalho acadêmico e científico é apresentado de forma organizada e plenamente


reconhecida pela comunidade intelectual. 0 trabalho pode ter sido bem elaborado, mas sendo
divulgado sem as regras básicas pode não refletir a serenidade que o autor deseja. Os estudos
ou relatórios de pesquisa, após datilografados ou digitados devem ser encadernados em
espiral, com plástico transparente em capa dura, a critério do autor ou da Instituição onde está
ligado.

22
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

7.6.1- Papel e paginação

0 papel usado para digitação ou datilografia é do tipo A4, tamanho 21 29,7cm, ou a critério da
instituição à qual o trabalho será apresentado. As folhas numeradas a partir da primeira folha
da parte textual em algarismo arábico se entanto, consideradas, mas não numeradas a partir da
folha de rosto. A numeração colocada no anverso no canto direito da folha a 2cm de banda
superior, ficando o número a 2cm da borda direita da folha. No caso de trabalho com mais de
um volume, é mantida uma única seqüência de numeração em todos os volumes. Os apêndices,
anexos e glossário às folhas também são numeradas, dando a seqüência ao texto principal. No
caso de uso de verso da folha, a numeração fica ao alto, à esquerda, a 2cm superior da folha.
Nas teses, dissertações e monografias, TCC, TGI e outros relatórios científicos não editados
somente é usado o anverso da folha.

7. 6.2- Espacejamento, margem e fonte

a) Margem

As margens são de 3cm, esquerda e superior, e de 2,5 cm, a direita e inferior. Os livros e
relatórios editados seguem outras normas.

b) Espacejamento:

0 espaço de entrelinhas é de 1.5cm em trabalhos digitados ou datilografados. Os títulos


das seções são separados do texto que antecede OU sucede por uma entrelinha dupla (espaço
duplo) ou dois espaços simples. As citações curtas feitas no texto seguem espaço de 1.5cm
entrelinhas e as citações largas feitas em destaque são datilografadas ou digitadas em espaço
simples (um espaço). As notas de rodapé são digitadas em espaço simples de entrelinhas
encimadas por um filete (traço).

A numeração das partes ou seções dos trabalhos deve obedecer a algumas regras; se o
trabalho é dividido em grandes partes, devem ser colocadas na margem esquerda em maiúscula
e seguida de letra maiúscula também. Ex.: PARTE A. PARTE B. PARTE C. As partes
podem ser numeradas com arábicos consecutivos separados por ponto. Ex.: 2.1, 2.2, 2.3. A
numeração dos capítulos e feita em arábicos não seguidos de pontos e acompanhados da
palavra capítulo. Se o trabalho é extenso e tem seções, estas são ordenadas com letras
maiúsculas e as subseções são antecedidas por letras maiúsculas. Outra forma de numerar as
partes do trabalho é a progressiva, que utiliza números romanos para os capítulos e arábicos
para as partes.

c) Fonte

Para texto é usada a fonte de tamanho 12; para citações destacadas e notas de rodapé,
fontes de tamanho 10. Títulos de seções fonte de tamanho 11 caixa alta ou baixa. Em dados de
capas, folhas de rosto, devem ser usadas fontes de tamanho 12 e 14cm caixa alta ou baixa,
dependendo da estética.

7. 6.3- Estilo e Escrita

Os trabalhos científicos devem ser elaborados com discursos feitos sem fugir de alguns
princípios e regras básicos, para evitar interpretações ambíguas que possam tirar a legitimidade
e cientificidade dos mesmos.

23
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

0 estilo deve ser de limpeza e zelo, com observância às regras gramaticais inclusive na
separação de palavras, nas formatações e tipos de letras. Os parágrafos devem ter início a oito
ou dez toques da margem esquerda. Cada palavra deve ter o seu sentido próprio, isto é, não
deve ter duplo sentido, dando margem a várias interpretações.

A escrita deve ser informativa, técnica e racional e não pode ter sentido, histórico ou de
preciosismo literário. As frases devem ser feitas na ordem direta, devem ser curtas, assim como
os parágrafos não devem ser extensos. A linguagem simples, cIara, objetiva, impessoal e
concisa, sem ter erros e vícios.

A impessoalidade, evita o uso da primeira pessoa, com frases do tipo "eu fiz", "na
minha opinião". 0 tipo de escrita na primeira pessoa induz o autor a muitos erros e traz ao
trabalho um certo grau de subjetividade. A forma mais indicada são as frases do tipo “tal
estudo", “oestudo pretendido".

Ter estilo simples, mas sem deixar de zelar pela clareza, simplicidade e obediência às
regras gramaticais são pontos de suma importância na redação científica.

A redação científica deve situar-se no campo metodológico e técnico, sem excesso de


pobreza de expressão ou excessiva qualificação. É importante que a escrita seja entendida pelo
leitor, o que envolve a comunicabilidade que não pode faltar a qualquer produção acadêmica.

7.6.4- Sinopse de escrita científica

24
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

25
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

PROJETO E RELATÓRIO DE PESQUISA16

A pesquisa, qualquer que seja ela, tem a priori três fases que se integram e interagem,
que são: o planejamento, a execução e a apresentação. As duas primeiras etapas se
materializam por meio do projeto de pesquisa e a terceira, com o relatório de pesquisa e o
problema da pesquisa.

Antes da elaboração do projeto que antecipa a pesquisa, outros


passos são indispensáveis e necessários, e entre eles estão os estudos
preliminares ou estudos exploratórios, que visam dar ao pesquisador a
idéia exata do estágio em que se encontra a questão a ser desenvolvida.
São, portanto, o ponto de vista teórico de outros estudos de pesquisas já
elaborados no âmbito do tema em questão. Vem a seguir, ainda
precedendo o projeto de pesquisa, a revisão bibliográfica, que consiste na
seleção e análise do material colhido em ordem de importância para a
pesquisa. Em seguida, pode ser elaborado um anteprojeto, que contenha
dados que integram as diversas partes que se referem aos aspectos
teóricos e metodológicos, bem corno a definição de termos. Por último,
prepara-se o projeto de pesquisa de forma detalhada e completa, dentro
do rigor científico.

0 desenvolvimento ou execução da pesquisa consiste numa ação constante, racional e


metódica, sem fugir ao que prescreve o projeto e com atenção sempre redobrada para fazer as
correções e redirecionamentos, às vezes, necessários.. Finalmente, vem a terceira etapa que é a
apresentação da pesquisa, por meio de um relatório.

1. Projeto de Pesquisa

Qualquer tipo de pesquisa requer a elaboração prévia de um projeto, que vulgarmente


se denomina “projeto de pesquisa". Muitas vezes, erroneamente, aparece como "plano de
pesquisa", mas projeto se refere a um todo, enquanto plano significa cada parte da pesquisa
que forma o todo.

Toda pesquisa se inicia quando o estudioso é tomado por unia perplexidade em torno
de um problema e necessidade, surgindo as conjecturas para dar tratamento ou resposta à
questão. Nesse momento começa a elaboração do projeto, quando são formuladas as seguintes
indagações: Quem? 0 que quero descobrir ou o que quero fazer? Por quê? Para que e para
quem fazer? Onde? Como? Quem? Com quanto? Quando fazer? Com quanto fazer?

Estas perguntas, ao serem respondidas, redundarão no corpo ou estrutura do projeto


de pesquisa. Assim:

1º) Quem? Refere-se ao pessoal, autor, coordenador, pessoal técnico, instituições


participantes, instituições financeiras, título, subtítulo, início e término previstos.

Deve este item conter endereços completos das pessoas e instituições.

16
SANTOS DOS, Izequias Estevam. Textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa
científica. Rio de Janeiro: Ímpeto, 2003, p. 191-202.

26
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

2º ) 0 que fazer, ou o que quero descobrir? Constitui a formulação do problema, o enunciado


das hipóteses, se for o caso, e estabelecimento das bases teóricas do estudo a ser feito, além de
demonstrar as conseqüências advindas com o resultado da pesquisa.

3º) Por quê, para quê e para quem? Referem-se às justificativas da pesquisa (por quê), motivos
de ordem prática e teórica que ensejam pesquisar o assunto e o que trará de lucro ou benefício
para a sociedade. Objetivos gerais da pesquisa (para quê) é a definição clara do que se deseja
conseguir com o estudo, exposto de maneira bem geral e abrangente, mas sem ser muito
extensiva. Para quem? Refere-se aos objetivos específicos e deve conter as situações
particulares pela aplicação dos objetivos gerais.

4º) Onde? Como? Com quê? Quanto? Quando? Nesta parte está considerado o trabalho em si,
ou seja, o plano de experimento. Onde e como, referem-se ao campo de observação e variáveis
que sejam importantes para o estudo, catactetísticas da população. Justificativa do uso de
amostras, se for o caso, e plano de experimento que será usado na pesquisa. Os instrumentos a
serem usados (com quê) devem ser descritos e relacionadas as informações que se deseja
colher, quais serão os procedimentos e que resultados se pretende obter com os dados
coletados. Quanto?, relaciona-se com o uso das provas estatísticas, tais como a forma de
obtenção e de tratamento dos dados estatísticos, tipos de tabelas e maneira de elaborá-las, que
tipos e quais as provas que serão dimensionadas para comprovar as hipóteses, além da
previsão da interpretação dos dados. Quando?, responde sobre a definição de tempo para
planejamento, execução e apresentação da pesquisa, compreendendo todas as suas fases. É o
cronograma.

5º) Com quanto fazer? Toda e qualquer pesquisa, para ser feita, envolve gastos e esta pergunta
se refere ao orçamento ou plano de custos. Nele devem ser incluídos os gastos com recursos
materiais e humanos de maneira bem discriminada.

Castro (1977,p. 113-119) dimensiona o projeto de pesquisa em doze etapas, que são:

1ª) 0 que estou querendo descobrir? 2ª) Estabelecimento dos objetivos com a do projeto. 3ª)
Determinação do valor da pesquisa. 4ª) A escolha das variáveis empíricas. 5ª) Cálculo do valor
na precisão e do custo do erro. 6ª) A intimidade da pesquisa. 7ª) A determinação dos
obstáculos mais sérios na pesquisa. 8ª) ) A escolha dos métodos. 9ª) Preparar uma descrição
detalhada dos métodos de análise. 10ª) A coleta de dados. 11 A análise dos dados. 12ª) A
redação do relatório de pesquisa.

Para Gil um projeto de pesquisa deve ser composto das seguintes partes: “Identificação,
Objetivos, Justificativa, Sistema conceitual, Teoria de base, Metodolo Suprimentos e
Equipamentos, Anexos e Bibliografia."

Existem vários modelos de projetos de pesquisa, com nomenclaturas diferentes, mal que
acabarn por significar a mesma coisa. Para efeito puramente didático, é adotado o seguinte
esquema de projeto de pesquisa.

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

1.1. Roteiro de projeto adotado

1- Identificação
2 - Objetivos
3- Justificativa
4- Sistema conceitual
5- Teoria de base
6 - Metodologia
7 - Orçamento ou custo
8- Instrumentos
9- Cronograma
10- Bibliografia
11 - Anexos

Descrição das partes componentes do projeto

1 - Identificação:

Título da pesquisa

• Subtítulo (se houver)

Instituição à qual se destina a pesquisa

Instituição financiadora (se houver

Entidade executora

• Autor do projeto

• Coordenador da pesquisa

Equipe técnica

• Pessoal de apoio

• Início e término previstos

Local e data

Responde à indagação: Quem?

2 - Objetivos:

 Identificar com clareza o problema.


 Apresentar a delimitação do problema.
 Apresentação das hipóteses que serão testadas (se foi o caso).
 Definir com clareza os objetivos que pretende alcançar.
 Os objetivos variam de acordo com o tipo de estudo ou pesquisa a ser realizado.

28
Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

 Em estudos práticos, levantamentos e estudos de casos, os objetivos gerais e os


específicos são descritos resumidamente e vêm isolados do dimensionamento do
problema e da formulação das hipóteses Responde à indagação: Para quê? Para quem?

3- Justificativa:

 Descreve oporquê da pesquisa e a sua importância e relevância para o setor ou para a


sociedade.
 Se for pesquisa científica ou acadêmica, mostrar.
 Avanços dos conhecimentos relacionados com o tema da pesquisa.
 Quais as melhorias que poderão advir com a pesquisa, qual a relevância para a
instituição, grupo ou comunidade, e nível de interferência dos resultados para alterar a
realidade virtual.
 Se apesquisa tiver caráter prático, a justificativa pode levarem conta os objetivos da
instituição responsável.
 Em pesquisas que são financiadas, a justificativa deve ser elaborada com objetividade,
clareza e detalhamento.
- Responde à indagação: Por quê?

4 - Sistema conceitual:
 É exigido quando o projeto de pesquisa trata de tema complexo.
 Se for este o caso, deve ser feita a conceituação clara dos termos contidos na questão
a ser estudada e nas hipóteses formuladas.
 Não precisa descrever este item em pesquisas cujas referências empíricas são claras
como nos estudos de grupos por idade, sexo, escolaridade, estado civil, nacionalidade
ocupação, etc..

5 - Teoria de base:

 Somente é exigido quando existe uma ou mais teorias que sustentam o estudo a ser
feito. Depende da área da ciência onde se está se realizando a pesquisa.
 Os estudos nas áreas da Antropologia, Economia, Psicologia, Ciência Política e
Sociologia têm suporte em teorias para o que é importante dimensionar qual ou teorias
fornecem indicação à pesquisa.

6 - Metodologia:

 É o ponto mais complexo da pesquisa, pois nele se faz a explanação e a demonstração


da metodologia a ser adotada.
 Escolha dos métodos de abordagem que serão utilizados, podendo ser o indutivo, o
dedutivo, o hipotético-dedutivo ou o método dialético.
 Escolha dos métodos de procedimentos que serão usados (histórico, comparativo,
etinográfico, mortográfico ou estudo de caso, estruturalista, estático, funcionalista e
tipológico).

 Seleção das técnicas de coleta de dados, demonstrando-os por quais instrumentos será
feita a coleta de dados, como será feita a tabudação, a análise dos dados e qual a forma
do relatório.

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Curso de Pedagogia Disciplina:Metodologia da
Produção Acadêmica e Científica

 Descrição da população ou delimitação do universo da pesquisa, que consiste na


determinação do espaço geográfico, espaço de tempo e indicadores ou aspectos que
serão pesquisados. Caso contrário, o estudo pode ficar inviabiabilizado.

 Para efeito de pesquisa, "população” não significa apenas pessoas ou habitantes, mas
sim, a totalidade de elementos de um determinado universo.

 Descrição do tipo de amostragem que será usado: se Probabilístico (Aleatória Simples


ou Randômica, Sistêmica, Estratificada e por Área) ou probabilística ou por
Julgamento (Intencional OU por Quotas), este pouco usado. Escolhido o tipo de
amostragem deve ser explicado corno será feita a seleção o caracterização das
amostras.

 Descrição de como será processado o tratamento estatístico, nível de significância,


controle das variáveis e a prova das hipóteses, se for o caso.

- Responde às indagações Como? Com quê? Onde? Quanto?

7 - Orçamento ou custo:

• Fazer o orçamento bem detalhado, contendo custos com pessoal e material.

• Fazer o orçamento de forma realista, precedido de um levantamento de preços. Deve ser


colocado um item para despesas imprevistas.

• Os custos com pessoal colaborador devem ser feitos em dias e, para os consultores, em
horas trabalhadas.

 Entre os dados que devem constar de forma detalhada no orçamento estão: salários,
honorários diárias, transporte, computação,etc.
- Responde à indagação: Com quanto?

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Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

COMO FAZER PESQUISA AÇÃO?

Roberto Jarry Richardson

Para Kemmis e McTaggart(1988), fazer pesquisa-ação significa planejar, observar, agir e


refletir de maneira mais consciente, mais sistemática e mais rigorosa o que fazemos na nossa
experiência diária.
Em geral, duas idéias definem um bom trabalho de pesquisa:
- que se possa reivindicar que a metodologia utilizada esta adequada à situação, e
- que se possa garantir de certa forma um acréscimo no conhecimento que existe sobre o
assunto tratado.

Isso pode ser um bom ponto de partida para uma pesquisa-ação.

Tal como o nome implica, a pesquisa-ação visa produzir mudanças (ação) e compreensão
(pesquisa). A consideração dessas duas dimensões, mudanças e compreensão, podem dar uma
importante contribuição na elaboração do projeto de pesquisa. Assim, as possibilidades de uso são
muito grandes, desde um professor em uma pequena escola numa região afastada dos centros
urbanos, até um estudo sofisticado de mudança organizacional com uma grande equipe de
pesquisadores financiado por importantes organizações. Cohen e Manion (1990), apontam três
possibilidades: o professor individual que trabalha em uma sala de aula para produzir determinadas
mudanças ou melhorias no processo de ensino-aprendizagem; a pesquisa feita por um grupo que
trabalha solidariamente, assessorados ou não por um pesquisador externo e, em último lugar, um
professor ou professores que trabalham com um pesquisador ou uma equipe de pesquisa com um
relacionamento permanente.
Ao igual que toda metodologia de pesquisa, as diversas tendências ideológicas do
pesquisador ou do grupo, influenciarão a escolha do marco teórico, a interpretação dos resultados e
as conclusões do trabalho.

Consideremos a idéia de Bob Dick (1997). Feche os olhos e imagine a seguinte situação:

Você tem alguma experiência em pesquisa, formado em ciências sociais e/ou humanas. Foi
contratado como consultor por uma associação de moradores da sua cidade, dentro de um
programa que procura mudanças num determinado bairro. Desconhecem-se os problemas, portanto,
é necessária uma quantidade de diagnóstico inicial. Sabe que o conhecimento sobre a situação da
associação surgirá no transcurso da pesquisa. O tempo é limitado. Portanto, precisa de metodologias
eficientes. Além disso, o grupo de associados espera participar do programa.
Você deseja que o programa seja adequado e que tenha um bom resultado. Portanto, deve
procurar que os membros do grupo compreendam o que estão fazendo. Também, espera melhorar a
sua compreensão das pessoas, sistemas e mudanças. Em outras palavras, quer combinar pesquisa
com a consultoria.
Na sua graduação estudou uma ou outra disciplina de pesquisa social, e já formado
participou em alguns projetos. Aprendeu a importância do empirismo, problemas bem definidos,
variáveis conhecidas e controladas, instrumentos estruturados, técnicas estatísticas de análise de
dados claramente estabelecidas,etc. No entanto, tem constatado as dificuldades práticas de aplicar
as metodologias e técnicas aprendidas.
Neste caso, não conhece o suficiente da situação, de tal maneira que não pode formular uma
pergunta específica de pesquisa, não conhece o número de variáveis a incluir, não pode padronizar
o processo de pesquisa, e o grupo deseja participar do processo.
O quê fazer ?
Muitos “pesquisadores” diriam que não tem possibilidade de fazer pesquisa, pois não existem
as condições metodológicas exigidas para um trabalho “confiável” e “científico”.

Existe uma alternativa : usar a pesquisa-ação.

Para alguns pesquisadores que utilizam métodos e metodologias convencionais, a pesquisa


ação é pobre. Mas, aplicam critérios que são adequados para o seu estilo de pesquisar:
quantificação, controle, objetividade,etc.
Existem situações reais em que a pesquisa-ação pode lidar com determinadas dificuldades
bem melhor que outras formas de pesquisa “mais tradicionais”. O rigor, validade e confiabilidade são

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Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

resultado da discussão e reflexão crítica com os participantes do grupo. Não é fácil, mas vale a pena.
O método científico evoluiu, entre trancos e barrancos para chegar a sua fase atual. A pesquisa-
ação é recente, está evoluindo.

Objetivos da pesquisa-ação.
Seguindo as idéias de diversos autores (Kemmis e McTaggart, 1982; Dick, 1997 e 1998;
Arellano, (s.d); O´Brien, 1998), a pesquisa-ação procura a mudança, mas, uma mudança para
melhorar. Assim, os seus principais objetivos são:
1. Melhorar: - a prática dos participantes;
- a sua compreensão dessa prática; e
- a situação onde se produz a prática.
2. Envolver: - assegurar a participação dos integrantes do processo.
- assegurar a organização democrática da ação.
- propiciar compromisso dos participantes com a mudança.

Etapas ou passos da pesquisa-ação.


Lembrando que você é um consultor contratado pela associação de moradores. A primeira
pergunta a se fazer pode ser formulada da seguinte maneira: O quê é que pode ser feito para
melhorar a vida no bairro e incentivar a participação da comunidade na reflexão e solução dos
problemas dessa comunidade?
Sabemos que pelas características da situação, você escolheu como aproximação e
metodologia, a pesquisa-ação.
Existem diversos modelos que apresentam fases da pesquisa-ação¹, quase todos coincidem
na existência de quatro momentos. Neste trabalho apresentarei uma leve modificação do modelo de
Susman e Evered (1978), graficamente apresentada na Figura 1.

Diagnóstico

Reflexão Ação

Avaliação

Figura 1- Etapas da pesquisa-ação

A primeira etapa, o diagnóstico, o pesquisador identifica e define o problema,


estabelecendo as possibilidades de diversas ações para solucioná-lo. Nesta etapa, o pesquisador
determina os princípios epistemológicos que orientarão a ação, devendo saber como se produz o
conhecimento e a posição dos sujeitos da pesquisa. Por isso, é importante perguntar, questionar,
analisar e escrever o fenômeno investigado. Não podemos esquecer que os fatos sociais e as
informações sobre esses fatos são influenciados por diversos aspectos do quotidiano das pessoas e
das instituições. No caso de nosso consultor, é importante obter informações dos seguintes
aspectos:
- Os motivos para a existência da associação de moradores, seus objetivos gerais e
demandas dos associados.
- Sua evolução histórica. Que elementos originais sobrevivem? Que modificações? Que
elementos novos foram acrescentados?
- Que conflitos (não pessoais) têm acontecido no seu desenvolvimento entre objetivos, ações
e participantes?
- Existe participação da comunidade?
- Quem incentivou a participação da comunidade?
- Quando foi criada a associação?
- Quem foram seus primeiros dirigentes?
- Como chegou a associação à situação atual?
- Existiu alguma mudança?

Essas e outras perguntas podem facilitar a reconstrução da história da instituição (neste


caso, da associação de moradores) para iniciar um processo de mudança que tenha como ponto de
partida a maneira de pensar e agir dos próprios participantes. Isso permitirá reforçar uma visão
relativa e não dogmática dos processos sociais.

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Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

Uma forma de começar poderia ser que todos os participantes escrevessem suas respostas
e comentários em folhas de papel. As folhas seriam colocadas na parede, provocando debates e
interpretações dos assuntos colocados.
Uma outra forma de proceder é aplicar aos participantes um questionário de reflexão, um ou
dois dias antes da primeira reunião de trabalho. O referido questionário inclui perguntas abertas que
permitirão aos participantes especificar e contextualizar a situação e os problemas.

Definido o problema, o grupo discute o planejamento da ação, analisando diversas


possibilidades de ações que contribuam à solução do problema. Devemos lembrar que na pesquisa-
ação, o papel fundamental do pesquisador ou equipe de pesquisa é ajudar ao grupo no processo de
pensar, agir, refletir e avaliar.
Nesta etapa, o grupo deve desenvolver uma boa compreensão dos objetivos, interesses e
possíveis obstáculos a enfrentar na execução do projeto. Devem-se estabelecer diversas alternativas
a seguir e seus efeitos. Em geral, o objetivo desta fase é produzir um acordo substancial, não
necessariamente total, sobre uma única ação a realizar. Em nosso caso, uma mudança específica –
esgoto sanitário, segurança pública, construção de uma escola, desenvolvimento pólo turístico, etc.
Para chegar a tal acordo pode ser necessário incluir ações que não estejam estritamente ligadas ao
projeto.
Decidida a ação, o grupo discutirá os meios para alcançá-la e possíveis mecanismos para
solucionar conflitos. A informação obtida nesse processo passa a ser um recurso que pode guiar a
ação, determinando as potencialidades da organização ou grupo (neste caso, associação de
moradores), seus pontos fortes ou aspectos positivos e suas possíveis limitações.

A segunda etapa inclui a ação propriamente dita. No caso da associação de moradores,


mudanças no bairro. Segundo Arellano (s.d.), organizada a informação obtida na etapa anterior,
inicia-se a ação, através do processo de sensibilização. Neste processo, aproveita-se toda ocasião
para envolver a comunidade:
- Contatos informais, palestras com lideranças do bairro.
- Reuniões periódicas de informação e discussão do observado com o grupo.
- Reuniões coma comunidade para incentivar a sua participação no projeto.
- Em caso necessário e de ser possível, formação de grupos de trabalho, etc.

O pesquisador deve ajudar a criar um ambiente de confiança entre os integrantes da


associação e a comunidade externa. Deve conscientizar os membros do grupo, no sentido de uma
responsabilidade compartilhada por todos os integrantes.

Culminado este processo, organiza-se a próxima etapa: a avaliação.


Usualmente os autores incluem nesta etapa uma avaliação do processo, dos resultados
alcançados e da aprendizagem teórica. Neste trabalho, ao igual que Susman e Evered, prefiro
deixar a aprendizagem para a etapa seguinte. Portanto, a avaliação integra o processo e os
resultados alcançados.
Segundo Arellano (s.d.), partindo do que se tinha e dos logros alcançados far-se-á uma
reflexão do realizado, os acertos e desacertos, a percepção e expectativas dos participantes sobre as
atividades, técnicas y resultados obtidos durante o processo.
Analisa-se, interpreta-se e extraem-se conclusões que permitem avaliar o cumprimento dos
objetivos formulados através das estratégias de ação. Reconsideram-se as oportunidades e
limitações da situação, revisam-se os logros e as conseqüências, discutem-se as contradições e as
mudanças produzidas.
A partir dos objetivos e metas, respondem-se, entre outras, as seguintes perguntas:
- Que objetivos e metas não puderam ser alcançados.
- As pessoas e grupos participantes foram verdadeiros representantes da comunidade?
- Aconteceram resultados não esperados?
- As técnicas estiveram adequadas aos resultados obtidos?
- Quais foram os efeitos do processo, as potencialidades e limitações?
- O que deve ser aprofundado?
- O que deve ser reorientado?
- Quem deve ser incorporado na continuação do processo?
- Com quem se pode contar?
- Que aspectos devem ser reforçados?

De acordo com Snyder (apud. Dick,1997), existem três etapas no processo de avaliação.
Cada uma oferece uma forma diferente de avaliar e cada fase baseia-se na anterior. A avaliação do

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processo ajuda, entre outros, aos participantes do projeto a compreender o processo, a relação entre
os elementos do modelo, e a importância dos recursos e atividades desenvolvidas para alcançar as
metas e ideais. Inclui o desenvolvimento de ideais, definição de metas, comparação das metas e
ideais, definir atividades e efeitos imediatos, comprar metas e efeitos imediatos, definir recursos,
comparar atividades e recursos e, planejar nos atividades ou mudanças nas atuais.
A avaliação dos resultados refere-se à sua medição. Com base na avaliação do processo, os
participantes podem identificar indicadores válidos e objetivos para medir os resultados alcançados.
Alem disso, a avaliação dos resultados e uma maneira de revisar a avaliação do processo e mostrar
a eficiência do projeto. Inclui, destacar metas mensuráveis, efeitos imediatos mensuráveis,
atividades, e recursos mensuráveis, como também, desenvolver atividades de monitoração.
A avaliação cíclica utiliza os indicadores da avaliação dos resultados para desenvolver uma
efetiva realimentação. Em outras palavras, a avaliação cíclica contribui para que o projeto se
transforme em um sistema auto-desenvolvido com um aperfeiçoamento contínuo. Inclui, a
identificação de critérios de avaliação, informações para a avaliação, fontes de informação, criação
de sistemas de informação, revisão das avaliações de processo e dos resultados e, a criação de
mecanismos de revisão.

Assim, as três fases são as seguintes:

1 2 3
avaliação >>>> avaliação >>>> avaliação
do processo dos resultados cíclica

análise medição desenvolvimento


do processo dos resultados contínuo

Para Dick (1998) os indicadores de desempenho devem ser capazes de mostrar progressos
em direção às metas e poderem ser utilizados por qualquer participante do projeto.
Na prática existem quatro condições que se aplicam ao desempenho dos indicadores:
- Devem ser uma amostra adequada dos elementos que compõem a visão do projeto (o que
se espera do futuro);
- para cada elemento, deve-se incluir os recursos utilizados e os efeitos imediatos, tanto
intencionais, quanto não intencionais;
- são utilizados e periodicamente revisados pelas pessoas que estão mais envolvidas com o
projeto. Não entanto, podem ser utilizados por outros participantes;
- são indicadores e não medidas. Assim, se um indicador não “resulta”, devem-se procurar os
motivos. Não significa, necessariamente, que o desempenho caiu.

No caso de não existir acordo na avaliação, o grupo pode utilizar as formas convencionais de
atividade grupal, como fazer uma votação. No entanto, raramente é necessário. Geralmente, após
um debate demorado é relativamente fácil alcançar um acordo razoável e justo sobre o êxito e os
resultados do projeto coletivo. Durante o projeto, os participantes aprenderam a compreender o
ponto de vista dos outros e, portanto, raramente porfiam na manutenção de suas opiniões originais.
Pelo contrário, com o transcurso do tempo, a atmosfera do grupo tende a ser mais entusiasta, e a
avaliação dos resultados pode chegar a ser muito positiva pelo clima existente. Para comprovar a
solidez da avaliação, o pesquisador pode ter uma segunda avaliação, aplicando, posteriormente, um
questionário ou entrevista aos participantes.
Em todo caso, a prática usual em pesquisa-ação é que o grupo avalia os resultados do
processo. Uma avaliação deste tipo está consoante com o ritmo normal da metodologia, sendo o
único modo eficiente pelo qual o grupo pode finalizar o trabalho, um acordo coletivo no qual os
resultados do trabalho serão confirmados como positivos.
Desenvolvido este processo, passamos à quarta, e última, etapa : a reflexão.
Neste momento procede-se à avaliação do aprendizado dos participantes e os resultados
teóricos. Participar em um projeto de pesquisa-ação é interessante e gratificante, particularmente,
pelo desenvolvimento das formas de pensar e trabalhar dos membros do grupo, suas habilidades,
atitudes e comportamento. Outrossim, durante o desenvolvimento da ação, o grupo pode estabelecer
a capacidade da comunidade de sustentar o projeto, ou outras ações a serem desenvolvidas.
Nesta etapa, o grupo, como um todo, faz uma análise crítica do processo. Possíveis
problemas de comunicação, relacionamento entre pesquisador e outros membros do projeto,
avanços, obstáculos, potencialidades e outros. Geralmente, a análise começa com o cumprimento
das metas.

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A reflexão é o momento de tornar público o aprendido. Inicia-se discutindo e analisando, com


os membros do grupo, o nível de compreensão da realidade, retomando as colocações feitas em
reuniões, assembléias e contatos diretos. É necessário lembrar que a análise deve ser feita
considerando a confluência dos elementos em uma perspectiva de totalidade. Pode-se iniciar a
discussão com a seguinte pergunta: Sabemos o que somos? Se sabemos, então, onde queremos
chegar? Lembremos o que foi colocado no início deste trabalho, queremos melhorar e envolver.
Portanto, devemos vincular a reflexão e a ação.
Ao concluir esse processo, o grupo apresenta à comunidade em geral, a sistematização do
projeto, destacando os principais resultados, análise e interpretação. Esses resultados são objeto de
amplas discussões tanto no grupo, quanto na comunidade. Dessas discussões surge o planejamento
de novas ações comunitárias. Constituindo-se na melhor forma de validação dos resultados.

Coleta de informações
Se esta fosse uma pesquisa convencional, as recomendações levariam o pesquisador a
coletar todos os “dados”. Após dos dados ser coletados, começaria a codificação. Posteriormente,
faria a interpretação dos resultados e o relatório.
Na pesquisa ação, pode-se melhorar substancialmente a rigor do trabalho combinando a
coleta de informações, a interpretação, a revisão da literatura e, do relatório. O desenvolvimento da
interpretação das informações desde o primeiro momento, permite dispor de mais tempo e mais
ciclos para testar essas informações. Neste sentido, apenas um projeto de pesquisa-ação é
semelhante a um programa de pesquisa convencional. Em outras palavras, um ciclo de pesquisa
ação é semelhante a um experimento completo. Cada ciclo da pesquisa ação é menor, pois em cada
projeto existe uma quantidade de ciclos.
De acordo com Dick (1998), uma outra vantagem de fazer a interpretação na medida que se
avança no projeto, é economizar na quantidade de informação normalmente acumulada em uma
pesquisa qualitativa. É necessário, apenas registrar a interpretação feita e as informações que á
confirmam ou rejeitam. Além disso, considerando a natureza convergente do processo, a informação,
mais detalhada, coletada em ciclos posteriores pode substitui informações coletadas anteriormente.
Uma outra vantagem deste processo refere-se à revisão da literatura. Na investigação
convencional, o pesquisador tem que procurar uma vasta literatura sobre o fenômeno estudado, sob
pena de deixar de lado informações que podem ser importantes. No caso da pesquisa-ação, a leitura
está mais dirigida aos resultados do projeto. É necessário procurar conscientemente para achar
trabalhos relevantes, que contribuam na análise das informações. O resultado será uma revisão de
literatura estabelecida pela relevância e não por disciplinas ou matérias.
Alem disso, este processo permite a realização de mudanças no projeto. Se as informações
apontam para revisão das metas, novos objetivos, estratégias ou metodologias de ação.Isso poder
ser muito importante para os participantes e as ações futuras a serem desenvolvidas.
A seguir indicam-se algumas técnicas de coleta de informações utilizadas na pesquisa-ação:
- Resumos de reuniões administrativas ou de aprendizagem.
- Anotações feitas pelo pesquisador.
- Entrevistas com pessoas que não participam do projeto.
- Opiniões do grupo.
- Registros (relatos) anteriores do grupo ou comunidade alvo do projeto.
- Documentos anteriores elaborados pelo grupo ou comunidade.
- Relatórios de conferências de busca.
- Relatórios de oficinas.

Para evitar os efeitos do excesso de subjetividade do pesquisador, é absolutamente


necessário combinar essas técnicas de coleta de informação com outras, tradicionalmente, mais
objetivas: questionários, discussões grupais e entrevistas semi-estruturadas. Esta triangulação entre
opiniões do pesquisador, do grupo e informações mais objetivas, é cansativa, mas, contribui para o
rigor da pesquisa e confiabilidade dos resultados.

O Diário de Pesquisa
Instrumento importante na realização da pesquisa-ação, e o diário de pesquisa. É o registro
diário que o investigador faz do desenvolvimento do projeto. Em geral, as anotações no diário
podem ser utilizadas como dados. No entanto, são diferentes das informações, observações,
registros ou outros dados coletados com a intenção de obter informações para o fenômeno estudado.
O diário contém informações sobre o pesquisador, o que ele faz e o processo da pesquisa.
Complementa os dados obtidos pela metodologia da investigação. De acordo com Hughes (2000),
os principais motivos para manter um diário de pesquisa são os seguintes:
- Gerar a história do projeto, o pensamento do pesquisador e o processo de pesquisa.
- Fornecer material para reflexão.

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- Proporcionar dados para a pesquisa.


- Registrar o desenvolvimento dos conhecimentos de pesquisa adquiridos pelo investigador.
Os investigadores utilizam o diário como uma ferramenta de reflexão da prática de pesquisa.
É uma importante ferramenta da pesquisa-ação participativa, que pode ser utilizada pelos
participantes para suas próprias pesquisas ou interesses profissionais. Além disso, escrever um
diário é importante para que o pesquisador desenvolva e ganhe confiança no registro de pesquisas e
na preparação de relatórios, seja reconhecido como pesquisador compartilhando a experiência com
seus colegas, e se envolva em uma ação de apoio crítica entre colegas e participantes do projeto.
Como manter o diário? È importante escrever regularmente. Deveria anotar-se alguma coisa,
em todo momento que se faz algum trabalho no projeto e em intervalos de tempo (por exemplo,
semanalmente). Vale a pena dividir o diário com diversas chamadas: Reflexão, planejamento, ação,
observação, etc. Não existem normas de estilo ou linguagem. O diário deve ser escrito de uma
forma que o pesquisador considere a mais prática. No caso de trabalhar com um grupo de pesquisa-
ação, deve-se utilizar um estilo e forma discutido e aprovado no grupo.
De acordo com Hughes (2000) o diário pode incluir um resumo dos acontecimentos do dia,
conversações, discussões, questões a serem aprofundadas, observações, pensamentos, planos, etc.
Assim, o conteúdo do diário inclui as idéias do pesquisador e o seu desenvolvimento.

Pesquisa-ação e participação.
Tal como foi colocado anteriormente, a diferença fundamental entre a pesquisa-ação e as
formas convencionais de investigar, está nos objetivos da primeira: melhorar e envolver para
produzir mudanças operacionais, justas e sustentáveis. Portanto, um aspecto crucial da pesquisa-
ação é a participação das pessoas que vivem na situação pesquisada ou que podem ser afetadas
pelos resultados da ação. Por exemplo, uma associação de moradores que procura a instalação de
um posto policial. A pesquisa-ação a ser desenvolvida deve incluir como participantes, os membros
da associação e da comunidade.
Assim, antes de começar o trabalho, propriamente tal, é necessário considerar os graus de
participação das pessoas. Duas perguntas podem ajudar nesta decisão: Quem pediu ajuda? Quais
são as mudanças esperadas? Em uma pesquisa onde a colaboração leal entre os participantes e
fundamental, não podem existir lacunas na comunicação. Assim:
- Deve ser possível a participação de todos os envolvidos.
- Todos devem ser ativos. Cada participante deve colocar a sua opinião e ajudaros outros a
colocar as deles.
- A participação, no pode estar apenas no papel.
- Os graus de participação devem ser amplamente discutidos pelo grupo. Ninguém está
isento das responsabilidades estabelecidas.
Nesse sentido, o papel do pesquisador é muito importante, deve ser mediador e facilitador
de um diálogo que permita chegar a decisões quase consensuais. Neste momento, cabe destacar
que uma maior participação produz um compromisso maior com a ação planejada.
Assim, os participantes que cumprem o papel de co-pesquisadores são essenciais,
informantes e intérpretes. Lembremos, saber é poder.
Seguindo as idéias de Dick (1997) a participação não é um assunto de todo ou nada. Pode
variar em diversas dimensões, e em cada uma dessas, existir ao longo de um contínuo. O autor
distingue sete dimensões. Quatro fazem referência ao conteúdo da situação:
- fornecimento de dados; os participantes são informantes;
- interpretação de dados; os participantes são intérpretes;
- planejamento de mudanças; os participantes são planejadores ou tomam decisões;
- implementação; os participantes são executores.

Duas fazem referência ao processo de pesquisa:


- gerenciamento do processo de coleta de dados e interpretação; os participantes são
facilitadores;
- planejamento da pesquisa; os participantes são pesquisadores e co-pesquisadores.

A sétima dimensão pode se aplicar tanto ao conteúdo, quanto ao processo, ou ambos:


- manter-se informado do projeto a suas implicações; os participantes são receptores.

Em cada uma dessas dimensões existe uma escolha a ser feita:


- quem deve participar?
- até onde chega a sua participação?

A primeira pergunta tem duas partes. Primeiro, existem pessoas que podem contribuir. Por
exemplo, pessoas que conhecem a situação e possuem informações importantes. Segundo, pode

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não ser possível integrar ao projeto, todos os possíveis participantes. Pode ser necessário que o
pesquisador ou equipe de pesquisa tenha que escolher uma quantidade menor de pessoas. Em
outras palavras, quando a participação plena não é possível, podem-se escolher representantes.
No caso da segunda pergunta. É muito possível que as pessoas tenham diversos graus de
participação. Por exemplo, pode-se entrevistar um grupo pequeno de pessoas, em diversas
oportunidades, para aprofundar as informações obtidas. Outros, podem ser entrevistados só em uma
oportunidade. Alem disso, um outro grupo pode responder a um questionário. As informações podem
ser interpretadas pelo grupo responsável do projeto, incluindo ou não, representantes da
comunidade, etc. As possibilidades são múltiplas. Cabe insistir, que se o interesse é a realização de
uma ação acompanhada de uma pesquisa, é de grande vantagem a inclusão de todos.

Participação dos stakeholders

Existem pessoas que não podem deixar de participar em uma pesquisa-ação, são os
chamados stakeholders. Para qualquer decisão ou ação, o stakeholder, é alguém que pode ser
influenciado ou pode influenciar essa decisão ou ação. De acordo com Uhlmann (1995) sua
participação é fundamental:
- estão familiarizados com a situação e podem identificar, claramente, os principais
elementos;
- conhecem a história, podem dizer o que foi feito e o que pode ser culturalmente
problemático;
- são capazes de avaliar a adequação de possíveis soluções a determinados problemas;
- continuaram no grupo ou comunidade após de concluída a pesquisa-ação;
- o seu relacionamento contribuirá à implementação das ações.
- duas cabeças pensam melhor que uma.

Os stakeholders podem ser pessoas, grupos ou combinação de ambos. As estratégias


utilizadas para obter sua participação dependerão do tipo de informação que o pesquisador ou
equipe de pesquisa precisar:
- Informações para a comunidade. Por exemplo: O líder do projeto pode desejar transmitir
um plano de ação para a comunidade.
- Informações da comunidade. Por exemplo: O grupo precisa saber os problemas mais
importantes da comunidade.
- Intercâmbio de informações. Por exemplo: Propostas que procuram respostas a
determinado assunto.
- Procura de consenso nas decisões. Por exemplo: Pode ser que alguma decisão tomada
agrade a um grupo de stakeholders e desagrade a outro; ou, podem surgir problemas no interior da
comunidade por mal-entendidos ou desconfiança.

As categorias indicadas são relativamente artificiais. Por exemplo, é difícil obter ou dar
informações sem produzir algum tipo de influência nas atitudes pessoais ou alguma reação. Mas,
servem como ponto inicial na escolha dos stakeholders.

O Relatório da Pesquisa-Ação
Seguindo as ideais de Hughes (2000),em continuação apresentam-se algumas orientações
para escrever o relatório de uma pesquisa-ação. Não é necessário seguí-las ao pé de letra, mas todo
relatório inclui a informação apresentada. O uso da seqüência, aceita consensualmente, permite uma
melhor localização das informações e análise do projeto.

- Relatório de pesquisa tradicional

Cabe lembrar que de acordo com as recomendações feitas por diversos autores, conselhos
editoriais ou órgãos de financiamento, um relatório tradicional de pesquisa inclui cinco partes:

1.- Introdução.
Parte inicial do relatório. O autor responde, brevemente, o quê fez de pesquisa? Por quê
fez? Como fez? A que resultados chegou? Qual é a contribuição do trabalho?

2.- Revisão da Literatura.


O autor deve analisar resultados de pesquisas anteriores e apresentar argumentos para
mostrar a relação entre esse resultados e o fenômeno que está sendo estudado.
3.- Considerações metodológicas.

37
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

A partir da formulação dos objetivos, deve-se indicar ao leitor as variáveis utilizadas, o


universo e amostra, os instrumentos de coleta de dados, o quando e como foram coletados esses
dados e o tratamento estatístico utilizado.

4.- Resultados e discussão deles.


Os resultados devem ser apresentados clara e objetivamente. A discussão deve
relacionar esses resultados com aqueles encontrados em trabalhos anteriores (revisão da literatura).

5.- Conclusão.
O autor conclui os argumentos apresentados no trabalho, recapitulando os resultados
obtidos. Opina em relação à contribuição do trabalho para resolver o problema formulado e avanço
do conhecimento na área.

- Relatório de Pesquisa-Ação

Igual que a pesquisa tradicional, o relatório de pesquisa-ação apresenta cinco partes. As


diferenças estão na organização e conteúdo dessas partes. Baseado nas sugestões de Hughes
(2000), o relatório deve incluir:

1.- Introdução.
- Apresentam-se os objetivos do projeto de pesquisa-ação (a pesquisa e a ação);
- as questões de pesquisa e objetivos;
- particpantes e tipos de participação;
- contexto e importância do projeto, com indicação dos stakeholders (organizações ou
indivíduos) e a relação do projeto com seus interesses;
- definição ou clarificação dos conceitos chaves;
- Pressupostos e escopo do projeto;
- Breve resumo do projeto e dos resultados.

2.- Revisão da literatura.


O relatório deve incluir uma revisão dos trabalhos, teoria e pesquisas sobre o assunto,
para situar o projeto no campo de conhecimento, e mostrar o que acrescentou à teoria,
conhecimento prático ou à nossa compreensão do fenômeno. Essa revisão deve apresentar uma
linha clara de pensamento que oriente ao leitor desde o que está bem desenvolvido na teoria até as
lacunas que os projeto procura preencher no conhecimento e/ou na prática.

3.- Processo de pesquisa-ação e metodologia.


Nesta parte, justifica-se e descreve-se o processo de pesquisa-ação e coleta de
informações; explica-se o processo de participação do grupo ou comunidade; explica-se como a
ação foi utilizada para gerar conhecimento; descreve-se o universo do trabalho, os instrumentos e
técnicas de coleta de informações; a análise dos dados; e as formas de discussão dos resultados. É
importante incluir procedimentos utilizados para aumentar a validade dos resultados.

4.- Discussão dos resultados.


Os resultados devem ser apresentados clara e objetivamente. O pesquisador deve
descrevê-los de tal maneira que o leitor apreenda da sua experiência e possa estabelecer o apoio,
rejeição ou dúvidas que os resultados levantam em relação a trabalhos anteriores, teoria ou prática
no assunto da pesquisa. Gráficos e tabelas ajudam a compreender os resultados alcançados. A
discussão deve incluir as implicações teóricas e práticas (ações futuras) dos resultados.

5.- Conclusão

Na última parte do relatório, o pesquisador deve incluir um resumo do projeto, o problema


ou questão objeto da pesquisa-ação, os principais resultados, as possíveis mudanças nas ações da
organização ou da comunidade participante. Todos esses aspectos devem estar relacionados à meta
inicial da pesquisa. Considerando que os objetivos da pesquisa-ação são: melhorar a participação
das pessoas ou da comunidade e produzir mudanças, a conclusão do relatório deve enfatizar os
resultados e conclusões nesses dois aspectos. É muito importante a discussão do relatório com os
participantes do projeto.

38
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

Em geral, existem os seguintes critérios para avaliar um relatório de pesquisa-ação:


1.- A utilidade do relatório para alunos ou interessados na realização de pesquisa-ação.
2.- A contribuição do relatório para a melhoria dos programas, ações ou condições
sociais.
3.- A contribuição do relatório para o aprofundamento do conhecimento.
4.- A clareza do relatório. A ação e o problema de pesquisa estão claramente
determinados.
5.- A revisão da literatura está adequada.
6.- Existe um argumento lógico baseado em evidência empírica.
7.- O relatório está bem apresentado, conforme as normas de apresentação de trabalhos
científicos.

Avaliação da pesquisa-ação.

De acordo com Bermejo (2000), durante as décadas iniciais da pesquisa-ação existia uma
tendência de avaliá-la aplicando métodos e critérios da pesquisa convencional. Considerava-se a
pesquisa-ação um modelo de experimentação onde a ação era submetida a prova. Isso precisava
definir um grupo a ser testado e outro “grupo de controle” ao qual não se aplicava a ação.
Felizmente, essa prática ficou obsoleta e a pesquisa-ação começou a consolidar um tipo
determinado de pesquisa que enfatiza a participação e a mudança. Assim, a pesquisa-ação não deve
ser avaliada com os mesmos critérios da pesquisa empírica tradicional.
Se os objetivos são melhorar a participação e produzir mudanças, a avaliação deve incluir
pelo menos três momentos:
- solução ou controle do problema que motivou o projeto;
- melhoria da democracia no grupo e na comunidade e aprendizagem dos participantes;
- desenvolvimento de resultados teóricos que apontem a mudanças no grupo.

Avaliação do processo de solução ou controle do problema.


No início de um projeto coletivo, a meta está relativamente clara, com a eliminação de um
determinado problema. Nessa base, no fim do processo pode-se avaliar se essa meta foi alcançada
ou não. Apesar de que o objetivo inicial pode mudar, fruto das reuniões posteriores, sempre se
conserva o fundamento do problema.
Prática habitual da pesquisa-ação é que o grupo estime os resultados do projeto. Esse tipo
de avaliação está em concordância com o espírito desse tipo de pesquisa, sendo o único meio
eficiente para que o grupo determine o fim do projeto com um consenso sobre os resultados
positivos e negativos do trabalho.
Avaliação da aprendizagem dos participantes.
Tal como foi colocado em páginas anteriores, participar de um projeto de pesquisa-ação pode
ser interessante e gratificante pelas novas formas de trabalhar e pensar desenvolvidas pelos
participantes. Aparentemente correspondem com as expectativas das pessoas em relação à vida em
sociedade.
Durante o projeto, o pesquisador tem aprendido gradualmente a conhecer os membros do
grupo. Isso lhe permitirá avaliar o desenvolvimento do pensamento, habilidades e atitudes do grupo.
Alem disso, é possível avaliar o desenvolvimento da comunidade. Terá desenvolvido uma
capacidade suficiente para enfrentar, por conta própria, problemas semelhantes? A resposta só
poderá se conhecer em ações posteriores.

Avaliação de resultados teóricos.


Não obstante, os problemas de grupos diversos podem ser diferentes em cada processo de
pesquisa-ação, existem aspectos invariáveis que podem ser generalizados e aplicados em outras
situações. Essas possibilidades devem ser colocadas no relatório.
Convencionalmente, a validade dos fatos apresentados nos relatórios deve ser avaliada
antes da publicação do relatório. Se o relatório inclui fatos descritivos referentes aos objetivos ou
interpretações que os expliquem, sua validade deve ser julgada da mesma forma que os resultados
teóricos em geral.
A validade pragmática dos resultados, em outras palavras, a sua aplicação em situações
semelhantes que apareçam em outros momentos, só será conhecida quando alguém tente aplicá-los.
Assim, será difícil considerar esse tipo de avaliação, no momento de escrever o relatório do projeto.
Uma possibilidade existe com a organização de um seminário que discuta diversas experiências
relacionadas com a problemática em questão.

39
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

O rigor na pesquisa-ação
Antes de concluir considero necessário fazer algumas referências ao rigor na pesquisa ação.
Cabe destacar, o rigor dela não se baseia nos princípios da pesquisa empírica e experimental
tradicional. A pesquisa-ação utiliza diversas fontes de rigor, característicos da pesquisa qualitativa.
Por exemplo, o uso de metodologias, técnicas múltiplas, diversidade de fontes de informação e
processos para a coleta e análise das informações. A sua natureza cíclica permite uma revisão
constante das informações e interpretações realizadas.
Assim, podemos identificar quatro elementos que contribuem para o rigor científico da
pesquisa-ação:

- Participação.
Ainda na sua forma mais elementar (os informantes), é possível o uso de diversas fontes
para melhor a compreensão de um fenômeno. As discussões em grupo podem resultar em um
desafio para os participantes e os pesquisadores que pode ter grandes benefícios para o processo.

- Qualitativa.
As informações obtidas a través do diálogo, desenvolvidas em um clima apropriado, pode
contribuir para o aprofundamento do conhecimento acumulado. A qualidade permite chegar à
essência do fenômeno.
- A ação.
Considerando que a pesquisa está orientada para uma ação, os planes são testados
imediatamente. Também, os pressupostos podem ser testados. Se você que conhecer um sistema,
tente mudá-lo. A ação e a pesquisa informam-se mutuamente.

- Emergente.
De acordo com Dick (1999), este é um aspecto fundamental da pesquisa-ação. Na medida
que aumenta o conhecimento, a ação está melhor informada. O mesmo acontece com a metodologia
utilizada. É esta sensibilidade às informações, à situação, às pessoas, que da à pesquisa-ação a
possibilidade de mudar programas.

Em conclusão, as idéias colocadas neste trabalho, permitem perceber que a pesquisa-ação


é difícil, um pouco confusa, problemática e, as vezes, inconclusa. Exige bastante tempo e pode
exacerbar os ânimos dos participantes. No entanto, os depoimentos das pessoas que tem participado
e realizado pesquisa-ação, são extremamente favoráveis, pois contribui a melhorar a participação
das pessoas e produzir mudanças nas condições sociais. Convidamos você a se incorporar ao nosso
grupo!

Referências bibliográficas.

Arellano, N.(s.d.) El método de investigación accion crítica reflexiva.


(http:// www.geocities.com/aula/inv-accion.htm)

Bermejo, J. (2000). Arteologia. (http://usuarios.iponet.es/casinada/arteolog)

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Produção Acad~emica e Científica

(http:// www.ariassociates.haverford.edu./inprint/conference/BDick.html)

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Hughes, I. (2000). How to keep a research diary. Action Research E-Reports, 5.


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Kemmis,S. and McTaggart,R. (eds) (1988) The action research planner, 3rd. Ed. Victoria: Deakin
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O´Brien, R. (1988) An overview of the methodological approach of action research.


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Susman, G. and Evered, R. (1978) An asessment of the scietific merits of action research.
Administrative Science Quarterly, 23 (Dec. 1978): 582-603.

ORIENTAÇÕES BÁSICAS NA ELABORAÇÃO DO ARTIGO CIENTÍFICO

PROF. DR. CLARIDES HENRICH DE BARBA - UNIR


RESUMO:

Este texto trata a respeito das Normas da ABNT sobre a publicação de Artigos Científicos procurando
estabelecer, de forma sintética, os principais cuidados a ter na escrita do texto científico. Para esse efeito,
descrevem-se e comentam-se, seqüencialmente, as sucessivas componentes de um documento desta natureza.
Esta abordagem constitui um bom auxiliar aos autores que pretendam reforçar a coerência e adequação dos seus
artigos científicos.
PALAVRAS-CHAVE: Artigo - Pesquisa- Ciência

1. CONCEITUAÇÃO E CARACTERÍSTICAS

41
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

O artigo é a apresentação sintética, em forma de relatório escrito, dos resultados de


investigações ou estudos realizados a respeito de uma questão. Seu objetivo fundamental é o
de ser um meio rápido e sucinto de divulgar e tornar conhecidos, através da publicação em
periódicos especializados, a dúvida investigada, o referencial teórico utilizado (as teorias que
serviam de base para orientar a pesquisa), a metodologia empregada, os resultados alcançados
e as principais dificuldades encontradas no processo de investigação ou na análise de uma
questão. Assim, os problemas abordados nos artigos são os mais diversos: podem fazer parte
de questões que historicamente são polemizadas, ou, ainda de problemas teóricos ou práticos
novos.

2. ESTRUTURA DO ARTIGO

O artigo possui a seguinte estrutura:

1.Título

2. Autor (es)

3. Resumo e Abstract

4. Palavras-chave e Key Words;

5. Barra Divisória

6. Epígrafe (facultativa)

7. Conteúdo (Introdução, Desenvolvimento textual e Conclusão),

8. Referências.

2.1 TÍTULO

Compreende os conceitos-chave que o tema encerra. É numerado para indicar, em


nota de rodapé, a finalidade do mesmo.
2.2 AUTORES

Indicados do centro para a margem direita, em ordem alfabética ou por titulação, sendo
numerados para indicar, em nota de rodapé, os títulos de cada um.

2.3 RESUMO e ABSTRACT

Texto, com uma quantidade predeterminada de palavras, onde se expõe o objetivo do


artigo, a metodologia utilizada para solucionar o problema e os resultados alcançados. O
Abstract é o resumo traduzido para o inglês. Além do Inglês alguns periódicos aceitam a
tradução em outra língua.

2.4 PALAVRAS-CHAVE E KEY WORDS

Palavras características do tema que servem para indexar o artigo, de até no máximo 6.

42
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

2.5- BARRA DIVISÓRIA: utilizada para separar o Resumo, Abstract do texto propriamente
dito.

2.6 EPÍGRAFE

Elemento facultativo que expressa um pensamento referente ao conteúdo central do


artigo.

3. CORPO DO ARTIGO

3.1 INTRODUÇÃO

Situa o leitor no contexto do tema pesquisado, oferecendo uma visão global do estudo
realizado, esclarecendo as delimitações estabelecidas na abordagem do assunto, os objetivos e
as justificativas que levaram o autor a tal investigação para, em seguida, apontar as questões
de pesquisa as quais buscará as respostas. Deve-se, ainda, destacar a Metodologia utilizada no
trabalho. Em suma: apresenta e delimita a dúvida investigada (problema de estudo - o quê), os
objetivos (para que serviu o estudo), a metodologia utilizada no estudo (como).

3.2 DESENVOLVIMENTO E DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS

Nesta parte do artigo serve para que o autor:

- faça uma exposição e uma discussão das teorias que foram utilizadas para entender e
esclarecer o problema, apresentando-as e relacionando-as com a dúvida investigada;

- apresente as demonstrações dos argumentos teóricos e/ ou de resultados que as


sustentam com base nos dados coletados.

O corpo do artigo pode ser dividido em itens necessários que possam desenvolver a
pesquisa. É importante expor os argumentos de forma explicativa ou demonstrativa, através de
proposições desenvolvidas no corpo do artigo.

Nesta parte é importante constar uma Revisão de Literatura que tem por objetivo
informar o leitor sobre as contribuições de outros autores que já tenham escrito sobre o
assunto abordado. O autor demonstra, assim, ter conhecimento da literatura básica do assunto,
onde se procura analisar as informações publicadas sobre o tema até o momento da redação
final do trabalho, demonstrando teoricamente o objeto de seu estudo e a necessidade ou
oportunidade da pesquisa que realizou.

Quando o artigo inclui a pesquisa descritiva apresentam-se os resultados desenvolvidos


na coleta dos dados através das entrevistas, observações, questionários, entre outras técnicas.

3.3 CONCLUSÃO

Após a análise e discussões dos resultados, são apresentadas as conclusões e as


descobertas do texto. Procura-se evidenciar com clareza e objetividade as deduções extraídas
dos resultados obtidos ou apontadas ao longo da discussão do assunto. Neste momento são
relacionadas às diversas idéias desenvolvidas ao longo do trabalho, num processo de síntese
dos principais resultados, com os comentários do autor e as contribuições trazidas pela
pesquisa.

Cabe, ainda, lembrar que a conclusão é um fechamento do trabalho estudado,


respondendo às hipóteses enunciadas e aos objetivos do estudo, apresentados na Introdução.

43
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

Não se permite que nesta seção sejam incluídos dados novos, que já não tenham sido
apresentados anteriormente.

3.4 REFERÊNCIAS

Referências são um conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou


em parte, de documentos impressos ou registrados em diferentes tipos de materiais. As
publicações devem ter sido mencionadas no texto do trabalho e devem obedecer as Normas da
ABNT. Trata-se de uma listagem dos livros, artigos e outros elementos de autores utilizados,
bem como os referenciados ao longo do artigo.

4. LINGUAGEM DO ARTIGO

Tendo em vista que o artigo se caracteriza por ser um trabalho extremamente sucinto,
exige-se que tenha algumas qualidades: linguagem correta e precisa, coerência na
argumentação, clareza na exposição das idéias, objetividade, concisão e fidelidade às fontes
citadas. Para que essas qualidades se manifestem é necessário, principalmente, que o autor
tenha um certo conhecimento a respeito do que está escrevendo.

Quanto à linguagem científica é importante que sejam analisadas os seguintes


procedimentos no artigo científico:
- Impessoalidade: redigir o trabalho na 3ª pessoa do singular;
- Objetividade: a linguagem objetiva deve afastar as expressões: “eu
penso”, “eu acho”, “parece-me” que dão margem a interpretações
simplórias e sem valor científico;
- Estilo científico: a linguagem científica é informativa, de ordem racional,
firmada em dados concretos, onde pode-se apresentar argumentos de
ordem subjetiva, porém dentro de um ponto de vista científico;
-Vocabulário técnico: a linguagem científica serve-se do vocabulário
comum, utilizado com clareza e precisão, mas cada ramo da ciência possui
uma terminologia técnica própria que deve ser observada;
- A correção gramatical é indispensável, onde deve-se procurar relatar a
pesquisa com frases curtas, evitando muitas orações subordinadas,
intercaladas com parênteses, num único período. O uso de parágrafos deve
ser dosado na medida necessária para articular o raciocínio: toda vez que
se dá um passo a mais no desenvolvimento do raciocínio, muda-se o
parágrafo.
- Os recursos ilustrativos como gráficos estatísticos, desenhos, tabelas são
consideradas como figuras e devem ser criteriosamente distribuídos no
texto, tendo suas fontes citadas em notas de rodapé. (PÁDUA, 1996, p.82)
Para a redação ser concisa e clara não se deve seguir o ritmo comum do nosso
pensamento, que geralmente se baseia na associação livre de idéias e imagens. Para
conseguirmos explanar as idéias de modo coerente, se fazem necessários cortes e adições de
palavras ou frases. A estrutura da redação assemelha-se a um esqueleto, constituído de
vértebras interligadas entre si. O parágrafo é a unidade que se desenvolve uma idéia central
que se encontra ligada às idéias secundárias devido ao mesmo sentido. Assim, quando se muda
de assunto, muda-se de parágrafo.

Um parágrafo segue a mesma circularidade lógica de toda a redação: introdução,


desenvolvimento e conclusão. Convém iniciar cada parágrafo através do tópico frasal (oração
principal), onde se expressa a idéia predominante. Por sua vez, esta é desdobrada pelas idéias
secundárias; todavia, no final, ela deve aparecer mais uma vez. Assim, o que caracteriza um
parágrafo é a unidade (uma só idéia principal), a coerência (articulação entre as idéias) e a
ênfase (volta à idéia principal).

44
Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

A condição primeira e indispensável de uma boa redação científica é a clareza e a


precisão das idéias. Saber-se-á como expressar adequadamente um pensamento, se for claro o
que se desejar manifestar. O autor, antes de iniciar a redação, precisa ter assimilado o assunto
em todas as suas dimensões, no seu todo como em cada uma de suas partes, pois ela é sempre
uma etapa posterior ao processo criador de idéias.

5. NORMAS DE APRESENTAÇÃO GRÁFICA DO ARTIGO

5. 1- PAPEL, FORMATO E IMPRESSÃO

De acordo com a ABNT “o projeto gráfico é de responsabilidade do autor do


trabalho”. (ABNT, 2002, p. 5, grifo nosso).

Segundo a NBR 14724, o texto deve ser digitado no anverso da folha, utilizando-se
papel de boa qualidade, formato A4 (210 x 297 mm), e impresso na cor preta, com exceção
das ilustrações.

Utiliza-se a fonte tamanho 12 para o texto; e menor para as citações longas, notas de
rodapé, paginação e legendas das ilustrações e tabelas. Não se deve usar, para efeito de
alinhamento, barras ou outros sinais, na margem lateral do texto.

5.2- MARGENS

As margens são formadas pela distribuição do próprio texto, no modo justificado,


dentro dos limites padronizados, de modo que a margem direita fique reta no sentido vertical,
com as seguintes medidas:

Superior: 3,0 cm. da borda superior da folha

Esquerda: 3,0 cm da borda esquerda da folha.

Direita: 2,0 cm. da borda direita da folha;

Inferior: 2,0 cm. da borda inferior da folha.

5.3- PAGINAÇÃO

A numeração deve ser colocada no canto superior direito, a 2 cm. da borda do papel
com algarismos arábicos e tamanho da fonte menor, sendo que na primeira página não leva
número, mas é contada.

5.4 - ESPAÇAMENTO

O espaçamento entre as linhas é de 1,5 cm. As notas de rodapé, o resumo, as


referências, as legendas de ilustrações e tabelas, as citações textuais de mais de três linhas
devem ser digitadas em espaço simples de entrelinhas.

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Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

As referências listadas no final do trabalho devem ser separadas entre si por um espaço
duplo. Contudo, a nota explicativa apresentada na folha de rosto, na folha de aprovação, sobre
a natureza, o objetivo, nome da instituição a que é submetido e a área de concentração do
trabalho deve ser alinhada do meio da margem para a direita.

5.5- DIVISÃO DO TEXTO

Na numeração das seções devem ser utilizados algarismos arábicos. O indicativo de


uma seção secundária é constituído pelo indicativo da seção primária a que pertence, seguido
do número que lhe foi atribuído na seqüência do assunto, com um ponto de separação: 1.1;
1.2...

Aos Títulos das seções primárias recomenda-se:

a) seus títulos sejam grafados em caixa alta, com fonte 12, precedido do indicativo
numérico correspondente;

b) nas seções secundárias, os títulos sejam grafados em caixa alta e em negrito, com
fonte 12, precedido do indicativo numérico correspondente;

c) nas seções terciárias e quaternárias, utilizar somente a inicial maiúscula do título,


com fonte 12, precedido do indicativo numérico correspondente.

Recomenda-se, pois que todos os títulos destas seções sejam destacados em


NEGRITO.

É importante lembrar que é necessário limitar-se o número de seção ou capítulo em, no


máximo até cinco vezes; se houver necessidade de mais subdivisões, estas devem ser feitas por
meio de alíneas.

Os termos em outros idiomas devem constar em itálico, sem aspas. Exemplos: a priori,
on-line, savoir-faires, know-how, apud, et alii, idem, ibidem, op. cit. Para dar destaque a
termos ou expressões deve ser utilizado o itálico. Evitar o uso excessivo de aspas que
“poluem” visualmente o texto;

5.6- ALÍNEAS

De acordo com Müller, Cornelsen (2003, p. 21), as alíneas são utilizadas no texto
quando necessário, obedecendo a seguinte disposição:

a) no trecho final da sessão correspondente, anterior às alíneas, termina por dois


pontos;

b) as alíneas são ordenadas por letras minúsculas seguidas de parênteses;

c) a matéria da alínea começa por letra minúscula e termina por ponto e vírgula; e na
última alínea, termina por ponto;

d) a segunda linha e as seguintes da matéria da alínea começam sob a primeira linha do


texto da própria alínea.

5.7- ILUSTRAÇÕES E TABELAS

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Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

As ilustrações compreendem quadros, gráficos, desenhos, mapas e fotografias, lâminas,


quadros, plantas, retratos, organogramas, fluxogramas, esquemas ou outros elementos
autônomos e demonstrativos de síntese necessárias à complementação e melhor visualização
do texto. Devem aparecer sempre que possível na própria folha onde está inserido o texto,
porém, caso não seja possível, apresentar a ilustração na própria página.

Quanto às tabelas, elas constituem uma forma adequada para apresentar dados
numéricos, principalmente quando compreendem valores comparativos.

Conseqüentemente, devem ser preparadas de maneira que o leitor possa entendê-las


sem que seja necessária a recorrência no texto, da mesma forma que o texto deve prescindir
das tabelas para sua compreensão.

Recomenda-se, pois, seguir, as normas do IBGE:

a) a tabela possui seu número independente e consecutivo;

b) o título da tabela deve ser o mais completo possível dando indicações claras e
precisas a respeito do conteúdo;

c) o título deve figurar acima da tabela, precedido da palavra Tabela e de seu número
de ordem no texto, em algarismo arábicos;

d) devem ser inseridas o mais próximo possível do texto onde foram mencionadas;

e) a indicação da fonte, responsável pelo fornecimento de dados utilizados na


construção de uma tabela, deve ser sempre indicada no rodapé da mesma, precedida da palavra
Fonte: , após o fio de fechamento;

f) notas eventuais e referentes aos dados da tabela devem ser colocadas também no
rodapé da mesma, após o fio do fechamento;

g) fios horizontais e verticais devem ser utilizados para separar os títulos das colunas
nos cabeçalhos das tabelas, em fios horizontais para fechá-las na parte inferior. Nenhum tipo e
fio devem ser utilizados para separar as colunas ou as linhas;

h) no caso de tabelas grandes e que não caibam em um só folha, deve-se dar


continuidade a mesma na folha seguinte; nesse caso, o fio horizontal de fechamento deve ser
colocado apenas no final da tabela, ou seja, na folha seguinte. Nesta folha também são
repetidos os títulos e o cabeçalho da tabela.

5.8- CITAÇÕES

5.8.1- Citação Direta

As citações podem ser feitas na forma direta ou na indireta. Na forma direta devem ser
transcritas entre aspas, quando ocuparem até três linhas impressas, onde devem constar o
autor, a data e a página, conforme o exemplo: “A ciência, enquanto conteúdo de
conhecimentos, só se processa como resultado da articulação do lógico com o real, da teoria
com a realidade”.(SEVERINO, 2002, p. 30).

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Pós-graduação em Educação Infantil Disciplina: Metodologia da
Produção Acad~emica e Científica

As citações de mais de um autor serão feitas com a indicação do sobrenome dos dois
autores separados pelo símbolo &, conforme o exemplo: Siqueland & Delucia (1990, p. 30)
afirmam que “o método da solução dos problemas na avaliação ensino- aprendizagem apontam
para um desenvolvimento cognitivo na criança”.

Quando a citação ultrapassar três linhas, deve ser separada com um recuo de parágrafo
de 4,0 cm, em espaço simples no texto, com fonte menor:

Severino (2002, p. 185) entende que:


A argumentação, ou seja, a operação com argumentos, apresentados com objetivo
de comprovar uma tese, funda-se na evidência racional e na evidência dos fatos. A
evidência racional, por sua vez, justifica-se pelos princípios da lógica. Não se
podem buscar fundamentos mais primitivos. A evidência é a certeza manifesta
imposta pela força dos modos de atuação da própria razão.

No caso da citação direta, deve-se comentar o texto do autor citado, e nunca concluir
uma parte do texto com uma citação.

No momento da citação, transcreve-se fielmente o texto tal como ele se apresenta, e


quando for usado o negrito para uma palavra ou frase para chamar atenção na parte citada usar
a expressão em entre parênteses (grifo nosso). Caso o destaque já faça parte do texto citado
usar a expressão entre parênteses: (grifo do autor).

5.8.2- Citação Indireta

A citação indireta, denominada de conceitual, reproduz idéias da fonte consultada, sem,


no entanto, transcrever o texto. É “uma transcrição livre do texto do autor consultado”
(ABNT, 2001, p. 2). Esse tipo de citação pode ser apresentado por meio de paráfrase quando
alguém expressa a idéia de um dado autor ou de uma determinada fonte A paráfrase, quando
fiel à fonte, é geralmente preferível a uma longa citação textual, mas deve, porém, ser feita de
forma que fique bem clara a autoria.

5.8.3- Citação de citação

A citação de citação deve ser indicada pelo sobrenome do autor seguido da expressão
latina apud (junto a) e do sobrenome da obra consultada, em minúsculas, conforme o exemplo
Freire apud Saviani (1998, p. 30).

5.9- Notas de Rodapé

As notas de rodapé destinam-se a prestar esclarecimentos, tecer considerações, que não


devem ser incluídas no texto, para não interromper a seqüência lógica da leitura. Referem-se
aos comentários e/ou observações pessoais do autor e são utilizadas para indicar dados
relativos à comunicação pessoal.

As notas são reduzidas ao mínimo e situar em local tão próximo quanto possível ao
texto. Para fazer a chamada das notas de rodapé, usam-se os algarismos arábicos, na entrelinha
superior sem parênteses, com numeração progressiva nas folhas. São digitadas em espaço
simples em tamanho 10. Exemplo de uma nota explicativa: A hipótese, também, não deve se

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Produção Acad~emica e Científica

basear em valores morais. Algumas hipóteses lançam adjetivos duvidosos, como bom, mau,
prejudicial, maior, menor, os quais não sustentam sua base científica. 17

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pretendeu-se neste trabalho proporcionar, de forma muito sintética, mas objetiva e


estruturante, uma familiarização com os principais cuidados a ter na escrita de um artigo
científico. Para satisfazer este objetivo, optou-se por uma descrição seqüencial dos
componentes típicos de um documento desta natureza. O resultado obtido satisfaz os
requisitos de objetividade e pequena dimensão que pretendia atingir. Ele também constituirá
um auxiliar útil, de referência freqüente para que o leitor pretenda construir a sua competência
na escrita de artigos científicos. Faz-se notar, todavia, que ninguém se pode considerar perfeito
neste tipo de tarefa, pois a arte de escrever artigos científicos constrói-se no dia-a-dia, através
da experiência e da cultura.

7. REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT, Rio de Janeiro. Normas
ABNT sobre documentação. Rio de Janeiro, 2000. (Coletânea de normas).

FRANÇA, Júnia Lessa et alii. Manual para normalização de publicações técnico-


científicas. 6ª ed., rev. e aum., Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2003.

KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de Metodologia Científica: teoria da ciência e prática


da pesquisa. 14ª ed., Petrópolis: Vozes, 1997.

MÜLLER, Mary Stela; CORNELSEN, Julce. Normas e Padrões para teses, dissertações e
monografias. 5ª ed. Londrina: Eduel, 2003.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22ª edição, São Paulo:
Cortez, 2002.

17
Contudo nem todos os tipos de investigação necessitam da elaboração de hipóteses, que podem
ser substituídas pelas “questões a investigar”.

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