Você está na página 1de 3

SOCIEDADES ANÔNIMAS

I HISTÓRICO

A sociedade anônima, primeira sociedade regulada por norma jurídica estatal,


vai conhecer seu grande impulso no período pós revolução industrial. No entanto,
seus traços característicos podem ser detectados desde os fins da Idade Média do
Velho Continente. Na Itália Renascentista havia desde muito um grande e ativo
sistema negocial baseado na emissão de títulos que serviam para arrecadação de
fundos necessários aos vultosos investimentos estatais cujo lastro se encontrava na
arrecadção de impostos futura. Segundo Fábio Ulhoa esse arranjo permitia aos
credores dos títulos estatais a participação na arrecadação tributária como forma de
garantir a liquidação dos títulos por eles adquiridos. 1
Também se associa a origem das S/As as grandes companhias de
navegações como, por exemplo a Cia das Índias Ocidentais, responsável, dentre
outros feitos, pela invasão do litoral do então território português, onde chegou
dominar as cidades de Olinda e Recife, já então prósperos entrepostos comerciais.
Isso nos idos de 1600, como aponta Tomazzete baseando-se em Ascarelli 2.
A sociedade anônima, subsiste ainda nos dias atuais naquilo que se faz sua
característica fundamental de ser uma sociedade voltada para arrecadação de
significativos montantes de capital no mercado com vistas a altos investimentos de
risco graduado que a sociedade fechada não teria como arcar sozinha, com essa
arrecadação se dando no mercado aberto, onde se tem um dinamismo negocial
próprio voltado a facilitação de capitalização de recursos de forma rápida e objetiva,
sem emvolvimentos pessoais ou mesmo duradouros entre os possíveis sócios do
negócio, que aqui recebe a alcunha de acionistas. E, essas características, em todo
seu conjunto será vista primeiro como outorga real, da qual restam a imprecidível
limitação da responsabilidade dos sócios/cotistas ao valor investido no negócio e
também, naquele momento, um direito de exploração exclusiva sob o veio negocial
autorizado pelo poder estatal.

1 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. v.2. 1 ed. e-book baseada na 20 ed.
impressa. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2016
2 TOMAZZETE, Marlon. Curso de Direito Empresaria; teoria geral e direito societaário. v. 1. 7
ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Atlas, 2016
Com a evolução histórica a dinâmica do mundo empresarial exigiu que se
repensase as normas das sociedades por ações, dispensando-se de forma
irrefutável, num primeiro momento, a figura do ente estatal e suas regulações
despóticas. Já se vivias a plena are das Revoluções Industrias e os chamados
“homens de negócios” e suas grades companhias reinavam absolutos nos mercados
de capitais. A sociedade anônima passa a ser regida por regumentos próprios e
paulatinamente assume papel relevante naquilo que desembocaria na conhecida
globalização que hoje se vivencia.
Parafraseando Mônica Gusmão3, as mega empresas que assumem a ponta
de lança nas pesquisas bioquímicas, farmacêuticas, prestações de serviços,
tecnologias diversas, entretenimentos, estética, em suma, todo e qualquer campo
que exija uma expressiva captação de recursos no universo das companhias que
visam lucro e desenvolvem atividade econômica com esse intuito, não teriam
conseguido alçar voos tão estratosféricos se não fosse a ideia desenvolvida pelo
conceito de sociedade anônima. Graças a esses agentes da economia de mercado
e sua plena coordenação com os pensamentos capitalistas a marcha do “progresso
desenvolvimentista” se amplificaa mundo a fora desde a muito tempo.
No Brasil, a sociedade anônima se estabelece a partir de 1808, passando
pela fase da outorga real, quando D. João VI, a exemplo, autoriza a constituição do
Banco do Brasil. Posteriormente já no período imperial passaou-se a fase da
autorização, isso em 1849. Esse sistema será assimildado pelo Código Comercial de
1850. Com a evolução do sistema capitalista nos países centrais é adotado no
Brasil, que os acompanhou em passos lentos mas permanente, em 1882 a
regulentação como forma de constituição das S/A’s. Desse momento em diante
apenas em casos excepcionais se necessitará da autorização estatal para sua
constituição, a saber: bancos, seguradoras e sociedades estrangeiras.

II CARACTERÍSTICAS

A) Características Gerais:

3 GUSMÃO, Mônica. Lições de direito empresarial. 12 ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense. 2015.
De maneira geral pode-se caracterizar a sociedade anônima como uma
sociedade de capitais de responsabilidade limitada e com um caráter institucional.
Por força de lei as sociedades anônimas são classificadas como sociedade
empresárias e isto leva a se considerar como fator primordial não o objeto da
sociedade e sim a sua forma de organização.
Seu regime jurídico está contido na Lei das Sociedades Anônimas, lei
especial nº 6.604 de 1976. A lei surge após uma fracassada tentativa de
monitoramento dos mercados de capitais geradora de grande especulação nas
bolsas de maior projeção do país e que entrou para a historia como o “boom de 71”
(Ulhoa, 2016). A partir de então foi criado, em 1976, a Comissão de Valores
Mobiliários – agência estatal especializada e responável pela vigilância e
monitoramento do mercado de capitais no país. Também a lei surge, reformulada e
atualizada para fazer frente aos novos desafios dando novas feições ao Direito
Societário tupiniquim: de um lado tem-se o sistema de regulamentação, próprio para
as companhias de capital fechado e por outro o sistema de autorização
governamental para s companhias de capital aberto. (Ulhoa, 2016).
A LASA – Lei das Sociedades Anônimas- permanece bem atual, sofrendo
alterações pontuais ao longo desses anos, apenas no intuito de atender a demandas
necessárias ao atendimento das novas tendências da Governança Corporativa.