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jQ.
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.
. CONHEÇA AS OBRAS DA L TC

Transmissão de Calor
Mecânica
Órgãos de Máquinas
lnstalàção de Ar Condicionado
Elementos Orgânicos de Máquinas vols. 1 e 2
Curso de Mecânica vcils. 1, 2, 3 e 4
Fresadora
Materiais de Construção Mecânica
Máquinas de Serrar e Furar
Instrumentos e Ferramentas Manuais
Torno Mecânico
Termodinâmica Clássica
Mecanisrri.;>s
8inâmica das Máquinas
Dinâmica
Estática
Máquinas de Fluxo
Elementos de Máquinas v oi. 2
Tubulações Industriais - Materiais, Projeto e Desenho
Tubulações Industriais- Cálculo
Mecânica Geral
Automatismos
Mecânica dos Sólidos vols. 1 e 2
Mecânica Técnica vols. 1 e 2
JOSEPH EDWARD SHIGLEY
Professor Emérito
The University of Michigan

Tradução de:
Edival Ponciano de Carvalho

Engenheiro Mecânico
Professor do Instituto Militar de Engenharia

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IICIICIS I
CIINIIfiCOS IOIJORI S.l.
Rio de Janeiro· RJ • São Paulo·SP
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Copyrlght C , 1984
CJ
LTC- LIVROS Ti:CNICOS E CIENTÍFICOS EDITORA S.A. ( ';
Copyright C , 1981
CJ
McGraw-Hill 8ook Company
()
A 11 rights reserved.
Titulo ~!lri!J_!!III1 . ~,1!9is:~~EÇI!~IÇAL ENGIN.EERI~G DESI(;,.. -:c 3rd. ~.: __ (')
PREFÁCIO
.( J
Proibida a reprodução, mesmo parcial, ( I
e por qualquer processo, sem autorização.
expressa do autor e do edito r. (!
( J
Coordenlldor de Área de Engenharia Mecânica: Capa:
Professor José Rodrigues de Carvalho Ag Comunicação Visual Assessoria e Projetos Ltda.
rI C.l
Revisão Tllcnica: Paginação e Diagramação:
Jorge Antônio Muniz Fernandes
()
Professor José Rodrigues de Carvalho Este livro foi escrito para estudantes que se iniciam em cursos de projetos de engenharia
Revisora do texto: Revisores de Pro11as: mecânica, que já possuam conhecimentos básicos. de matemática e computadores e que tenham (l
Maria Lúcia Freire Esteves Peres Renaldo Di Stasio e Marcos Romeu Alves suficiente desembaraço em linguagem para se exprimirem corretamente tanto por escrito como
( i
or.Umente. Tais projetos envolvem muitos esboços e desenhos, de modo que os conhecimentos
CIP·Brasil. C.nologação-na-tonte
Sincliato Nac:tonal dos Editores de Livros. RJ
citados, associados à geometria e à habilidade na parte gráfica, constituem uma boafe"amenta ( i
de trabalho.
Sh9e'Y. Joseph Edward. Admite-se ainda o conhecimento de ciências como Física, Mecânica, Materiais, Escoa-
( ;
S558e Eltmentr)f de máQuinas I Josep~ Edward Sigtey;
2v. ~ de Edjyll Ponciano de Carvalho. - Rio de
mento de Fluidos e Calor . Essas "ferramentas" e ciências são a base para se realizar a engenharia (
Janeiro: LTÇ - Uvros Tfcnicos • Cientíheos Edi- e. neste estágio de instrução, é interessante ressaltar-se o .seú~ aspecto profissional, que deve
tora S.A .• 1984.
integrar e usar tais ferramentas e ciências na conqui~\i'm determinado objetivo. As pressões (}
Tradução de: Mec:han;ul engineering design. -
Jnl. od.
que hoje existem sobre os currículos, em nível dc!<graduação, exigem que isto se faça da maneira (i
mais eficaz pos~ível.
c
Apóncfices.
Bibliografia.
A maiorià dos professores de Engenharia concorda que o projeto mecaruco integra e
1. M6quinoK - Projeto 2 . Engenharia mecânica -
Problem•. e•ttr"cfcios ate. I . Título
utiliza um número maior de disciplinas básicas e de ciências do que qualquer outro curso profis- c\
84.()327
CDD - 621.81 5
621.076
sionaL O projeto é também o verdadeiro coração de outros campos na Engenharia Mecânica.
Assim, os estudos visando ao projeto mecânico parecem ser o método mais eficaz e econômico c:
CDU ·- S21.01 de iniciar o estudante na prática da Engenharia Mecânica. ( \
Os livros, como os carros, parecem aumentar cada vez mais de preço a cada tiragem. E os
ISBN : 85-216-()370-3 t1o101 . 11
ISBN: 85-216-0371 -1 lvol. 21 livros têm estado sujeitos às mesmas pressões inflacionárias que os automóveis sofreramnos C',
ISBN : 85-216-0369-X fotHa comp~td últimos ànos, com preços sempre crescentes. Neste livro, o autor tentou opor-se a esta tendên-
cia, cortando os assuntos supérfluos, sempre que possível. O resultado foi uma obra compacta e c
Direitos reservados por: concisa e que custará menos ao estudante do que outra, com maior número de páginas. (.~
t1t LIVROS HCNICOS f ClfNIIfiCDS f0110RA S.A.
A necessidade do uso do Sistema Internacional de Unidades (SI) e sua conseqüente apli-
cação ao projeto mecânico resultou em sua apresentação, neste livro, exatamente de acordo c
MATRIZ FILIAL
com as regras e recomendações do National Bureau of Standards (EUA), na Publicação Espe-
cial n.o 330, edição de 1974 .
c\
Rua Vieira Bueno, 21 Rua Vitória, n? 486- 2? andar A calculadora eletrônica de bolso apareceu a tempo de ajudar a introdução do SI na c
20.920 - Rio de Janeiro - RJ
Brasil- End. Telegráfico: LI TECE
01.210- São Paulo- SP
Tet.: (011) 223-6823
Engenharia. A capacidade de notação científica é realmente o que se necessita. Pode-se, entre-
tanto, esperar que a calculadora afete o ensino e a prática de projeto de muitas outras maneiras. c
T eis.: 580-6055
Ve~as: 580-9374
Caixa Postal: 4.81 7 Em futuro próximo, o uso de cartas, gráficos, interpolações gráficas e tabelas, tenderá a desapa- C!
recer . Exemplos disto podem ser encontrados na Seç. S.11, onde não se necessita mais do
\ diagrama S-N, e nas Seçs. 7.5 e 10.2.
(_!
;.
•,
Outros aspectos deste livro também devem ser observados. O Cap. 2 apresenta as funções
de singularidade, que são usadas para diagramas de momento fletor e de esforço cortante no
L'
( '
( , VI I PREFACIO

( I
Cap. 3, quando é feita a análise das deflexões. O Cap. 3 apresenta um estudo avançado sobre
c flámbagem.

c No Cap. 6, aborda-se carregamento de fadiga e de cisalhamento de uniões aparafusadas. O


Cap. 9, dedicado a uniões soldadas, brasadas e coladas, faz uma abordagem analítica, que é
c usada na análise de tensões de uniões sujeitas a cisalliamento, torção e flexão. O Cap. I O, sobre
mancais de rolamento, aborda vida de mancais, confiabilidade, carregamento sobre mancais e AGRADECIMENTOS
( rolamentos cônicos. O Cap. 8, sobre eixos e árvores, contém os métodos de Sines e de Kece-
( cioglu para projeto e análise de eixos e árvores.
Outro objetivo ao reescrever este livro foi o de sanar deficiências que existem em edições
c anteriores , dando maior clareza em certas passagens e melhorando a redação c ilustração dos ..'
( problemas. Muitos exemplos foram subs~uídos ou revisados e é nova a maioria dos problemas
deixados para trabalho a domict1io. Os das edições anteriores que se mostraram adequados,
( dando excelente resultado no trabalho de auto-aperfeiçoamento do estudante , foram mantidos
( e, na sua maioria, renumerados, nesta edição.
Este livro pode ser empregado, como as edições anteriores foram, por engenheiros de O autor expressa sua gratidão , pelas sugestões, a:
( projeto na prática de sua profissão . Por esta razão, em muitas partes, este texto dirige-se ao ·
( engenheiro ·s eparadamente do estudante, reconhecendo-se que suas necessidades são um pouco Robert W. Adamson, California State Polytechnic College , San Luiz Obispo, Califórnia.
diferentes e que ele pode dispor de melliores meios para desenvolver o projeto completo . As O!arles W. Allen, California State University, Chico, Califórnia . /
( decisões tomadas por um engenheiro na resolução de um problema dependerão desses meios e, Rolin F. Ba"ett, North Carolina State Uiliversity, Raleigh, Carolina do Norte .
( portanto, podem variar bastante de uma indústria ou de um departamento de Engenharia para W. K. Bodger, Fresno State College, Fresno, Califórnia .
outro. O estudante, entretanto, deseja obter a resposta cqrreta, que é a resposta obtida pelo O. M. Browne Jr., University of Washington, Seattle , Washington .
c professor. Não tem sido difícil alcançar-se este duplo objetivo . O problema inteiro é explicado
ao engenheiro, de modo que, considerando as limitações da resolução dos problemas, ele possa
Milton A . O!ace , The University o f Michigan, Ann Arbor, ·Michigan .
( Frederick A. Costello , University of Delaware, Newark, Delaware.
escollier uma solução ótima. Para os estudantes, sugere-se uma seqüência apropriada de ações. Joseph Datsko, The University of Michigan , Ann Arbor, Michigan.
( Assim, os estudarúes encontram algumas ambigüidades e linhas de ação opcionais para seus Winton M Dudley , Sacramento State College , Sacramento, Califórnia.
propósitos; os engenheiros têm diversas opções. G. A. Fazekas, University of Houston, Houston, Texas.
( O autor espera que os usuários desta edição enviem seus comentários e sugestões e infor- Ferdinand Freudenstein, Columbia University, Nova Iorque .
( ma que todos os capítulos da presente obra foram influenciados pelas informações recebidas Franklin D. Hart, North Carolina State University, Rayleigh, Carolina do Norte.
dos leitores das edições anteriores. Robert C. Juvina/1, The University o f Michigan, Ann Arbor, Michigan.
(
William C. Kieling, University ofWashington, Seattle, Washington.
( JOSEPH EDWARD SHIGLEY W. A. Kleinhenz, University of Minnesota, Minneapolis, Minnesota.
c O!arles Lipson, The University of Michigan, Ann Arbor, Michigan .
Robert A. Lucas, Lehigh University, Bethlehem, Pensilvânia.
( Charles R. Mischke, lowa State University, Ames, lowa.
Larry D. Mitchell, Virginia Polytechnic lnstitute and State University, Blacksburg, Vir-
(
gínia.
( Olllrles Nuckolls, Florida Technical University, Orlando, Flórida.
O!arles B. OToole, Pennsylvania State University, McKeesport Campus, McKeesport,
( Pensilvânia.
( Dan R. Riliikiri, Califôrnia-State College, Los Angeles, Califórnia.
George N. Sandor, Rensselaer Polytechnic Institute, Troy, Nova Iorque.
( Arthur W. Setu, California State College, Los Angeles, Califórnia.
( Walter L. Starkey, Ohio State University, Columbus, Ohio .
Ralph I. Stevens, University of lowa, lowa City, lowa.
( Ward O. Winer, Georgia lnstitute ofTechnology, Atlanta, Geórgia.
(
J JOSEPH EDWARD SHIGLEY
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(
SUMÁRIO
(
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(
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------------------------VOLUME I----------------------- c
Prefácio, V ( '

AV,.decimentos, VD (
.(
I - Introdução, 1
1.1 As Fases de Projetos, I (
1.2 - Reconhecimento e Identificação, 2
1.3 - O Modelo Matemático, J.
c
1.4 Avaliação e Apresentação, 4 (
1.5 - F atores de Projeto , 5
(
1.6 - Resistência, 6
.. 1.7 Aspectos Econômicos, 9 (
1.8 - Sistemas de Unidades, l3 f (
1.9 - Sistemas de Unidades Inglesas , 14
1.10 - Sistema Internacional de Unidades, 15
1.11 Regras para o Emprego das Unidades do SI , 16
c
1.12 - Precisão e Arredondamento de Números, 18 c)
1.13 - Conve rsão de Unidades, 20 (
2 - Análise de Tensões, 22 (
2.1 - Teusões,22
2.2 Círculo de Mohr, 23 c
2.3 Círculo de Mohr para Tensões Tridimensionais. 28 (
2.4 Tensão Uniforme, 29
2.5 Deformação Elástica, 29
(
2 .6 Relações entre Tensão e Deformação, 31 (
2.7 Momento Fletor e Esforço Cortante em Vigas, 32
2 .8 Funções de Singularidade, 35 (
2.9 Tensões Normais na Flexão , 38 (
2 .I O - Vigas com Seções Assimétricas, 42

~ ;j
2.I I - Tensões Cisalhantes na Flexão , 43
2.12 Fluxo de Cisalhamento, 51
2.13 - Torção , 53
2.14 - Cilindros de Parede Fina, 55 ( J
\
\ f'X I WMARIO SUMARIO I XI

( · :! .I S Tensões em Cilindros de Parede Grossa, 55 5.15 DimensõesdaPeça, 176


( :!.16 Ajustagem Forçada e Fretagem, 59 5.16 Confiabilidade. 177
( :!.17 Tensões e Deformações Térmicas, 62 5.17 Temperatura, 180
2.18 Vigas Curvas, 64 / 5.18 Concentração de Tensões, 180
( 2.19 - Tensões de Contato, de Hertz, 69 5.19 - EfeitosDiversos, 183
5.20 Tensões Flutuantes, 186
( 3 - Análise de Deflexões, 88 5.21 - Resistência à Fadiga sob Tensões Variáveis. 187
( 3.1 - Rigidez de Molas, 88 5.22 Resistência à Fadiga na Torção, 192
3.2 - Tração, Compressão e Torção Simples, 90 5.23 - Falha por Fadiga Devido a Tensões Combinadas, I ()4
( 3.3 Deflexão em Vigas, 91 5.24 Resistência Superficial, 197
( 3.4 Cálculo das Deflexões, Usando-se Funções Singulares, 93
3.5 Método da Superposição, 96 6 - Uniões por Parafusos, 209
( I
3.6 - Método da Integração Gráfica, 97 6.1 Padrões de Roscas e Definições. 210
( 3.7 - Energia de Deformação, 99 6.2 Parafuso de Potência, 211
3.8 Teorema de Castigliano, 102 6.3 Tensão nos Filetes da Rosca, 219
( 3.9 Deflexão de Peças Curvas, I 05 6.4 União por Parafusos, 220
'( 3.10 Teoria da Flambagem, 106 6.5 Pré-Carregamento dos Parafusos, :!22
3.11 Projeto de Coluna, li O 6.6 - Montagem- Torque, 226
( 3.12 - Fórmula da Secante, 112 6.7 Resistência de Parafusos e Pré-Carreglpllento, 229
( 6.8 Seleção da Porca, 233
4 - Considerações Estatí~icas no Projeto, 123 6.9 Fadiga, 234
( 4 .I Permutações, Arranjos e Combinações, 123 6.10 - Cisalhamento, 238
4.2 Probabilidade, 126 6.11 Centróide de Grupos de Parafusos, 240
( Carregamento Excêntrico, 241
4.3 Teoremas de Probabilidade, 128 6.12
( \ 4.4 Variáveis Aleatórias, 132 6.13 Chavetas, Cavilhas e Anéis de Retenção, 244
4.5 - Amostra e População, 134
( 7 Molas, 255
4.6 A Distribuição Normal, 138
( i 4.7 Distribuições de Amostra, 140 7.1 - Tensões em Molas Helicoidais, 255
4.8 Combinações de Populações, 144 7.2 Deflexão de Molas Helicoidais, 258
( 7.3 Molas de Traçao. 260
4.9 Dimensionamento- Defmições, 145
( 4 .I O Análise Estatística de Tolerância, 146 7.4 Molas de Compressão, 26 I
7.5 Materiais para Molas, 262
( I 7.6 Fadiga, 264
5 Resistência de Elementos Mecânicos, 151
( I
7.7 Molas Helicoidais de Torção, 267
5 .I - Algumas Notas Sobre Resisténcia, 151
7.8 Molas Belleville, 269
5.2 - Dutilidade e Dureza, 152
( 7.9 - Outros Tipos de Molas, 270
5.3 - Propriedades Mecânicas, 153
7.1 O Freqüência Crítica de Molas Helicoidais, 272
( 5.4 · - Teoria da Tensão Normal Máxima, ISS
7.11 - Capacidade de Armazenar Energia, 272
( \
5.5 - Teoria da Tenslo Cisalhante Máxima, 15 7
5.6 - Teoria da Energia de Distorçao, 158 8 . - Eixos e Árvores, 278
l S.í Falha de Materi3is bliiéis-comCargas Estáticas; 161
8.1 - Introdução, 278
5.8 Falha de Materiais Frágeis com Cargas Estáticas, 162
( )
5.9 Fadiga, 165 · j 8.2 - Projeto para Cargas Estáticas, 279
8.3 - Flexão Alternada e Torção Constante, 279
( \ 5.10 Resistência à Fadiga e Limite de Resistência .à Fadiga, 166
8.4 - Diagrama de Soderberg, 280
5.11 Resistência à Fadiga para Vida Finita, 170
( 85 Caso Geral de Tensões Biaxiais, 285
5.12 Fadiga Acumulativa,l72 8.6 · A Teoria de Sines, 286
( 5.13 Fatores Modificadores do Limite de Resisténcia à Fadiga, 175
8.7 A Teoria de Kececioglu, 288
5J4 - Acabamento Superficial, 176 8.8 Fórmulas para os Fatores de Concentraç~o de Tensões, 290
(
---~"
,,?
XII I SUMARIO

Respostas de problemas selecionados, 296

Apêndice: Tabelas, 301


------------------------VOLUME2----------------~------

Prefácio, V
SUMÁRIO I XIII

'
I

~';I
(
(1

A. I Agradecúnentos, Vll (
Prefixos do Sistema Internacional de Unidades, 301
A.2 Conversão de Unidades Inglesas para Unidades, 302 (
A.3 Conversão de Unidades SI para Unidades Inglesas, 302 9 - Juntas Soldadas e Coladas, 349
A.4 9.1 - Soldagem, 349 '(
Unidades do SI Preferidas para Tensão de Flexão o =Me/I e Tensão de Torção T
= TrjJ, 302 9.2 - Soldas de Topo e Filetes, 351
(
A.S 9.3 - Torção em Juntas Soldadas, 354
Unidades SI Preferidas para Tensão Axial o = F/A e Tensão de Cisalhamento T
=F/A, 303 9.4 - Flexa-o em Juntas Soldadas, 358 c I

A.6
A.7
Unidades SI Preferidas para Deflexão de Vigas y = f(F/ 3 /E!) ou y =f( wf /EI), 303
Constantes Físicas de Materiais, 303
9.5
9.6
- Resistência de Juntas Soldadas, 359
- Solda por Resistência, 363 c I

A.8 Propriedades de Perfis Estruturais- Cantoneiras de Abas Iguais- Padrão Americana, 304 9.7 - Juntas Coladas, 364 ( J
A.9 Propriedades de Perfis Estruturais - Cantoneiras de Abas Desiguais - Padrão Ameri-
lO - Mancais de Rolamento, 369 (
cano, 305
A. lO Propriedades de Tubos Redondos, 305 I0.1 - Tipos de Mancais de Rolamento, 369 (
A.! I 10.2 - Vida do Rolamento, 372
Propriedades de Perfis .Estruturais- Perfil [- Padrilo Americano, 306
A.l2 10.3 - Carga no Mancai, 376 (
Esforço Cortante, Momento Fletor e Deflexão de Vigas, 307
A.l3
A.l4
Ordenadas da Curva de Distribuição Normal, 315
Áreas Subentendidas pela Curva de Distribuição Normal, 316
10.4 - Seleção de Rolamentos de Esfera e de Rolos Cilíndricos, 378
10.5 - Seleção de Rolamentos de Rolos Cônicos, 383
c
A.l5 Alfabeto Grego,317 10.6 - Lubrificação, 387 (
A.l6 10.7 - Invólucro, 388
Tubos- Padrão Americano,317
10.8 - Detalhes do Eixo e do Encaixe, 389
(
A.l7 Propriedades Mecânicas de Aços, 318
A.l8 Propriedades Mecânicas de Ligas de Alumínio Forjadas, 319 (
li - Lubrificação e Mancais Radiais, 397
A.l9
A.20
Propriedades Mecânicas de Ligas de Alumínio Fundidas, 320
Propriedades Típicas do Ferro Fundido Cinzento, 320 11.1 - Tipos de Lubrificação, 398 c
A.21 Propriedades Típicas de Algumas Ligas de Cobre,321 11.2 - Viscosidade, 399 {
A.22 11.3 - Lei de Petroff, 401
Propriedades Mecânicas Típicas de Aços Inoxidáveis Forjados, 322 ( )
A.23 Propriedades Típicas de Ligas de Magnésio, 323 li .4 Lubrificação Estável, 403
A.24 Equivalentes Decimais de Bitolas, de Arames e de Chapas de Aço, 3 23 11.5 - Lubrificação com Película Espessa, 403 (
I 1.6 - Teoria Hidrodinâmica, 405
A.25
A.26
Fatores Teóricos de Concentração de Tensões, kt, 325
Parafuso de Cabeça Cilíndrica e Arredondada, com Fenda (Reprodução parcial da
11.7 - Fatores de Projeto, 410
li .8 - A Relação das Variáveis, 411
c
ABNT-P-PB-167), 332 (
A.27 11.9 - Considerações sobre Temperatura e Viscosidade, 424
Parafuso Sextavado com Rosca Parcial- Acabamento Fino e Médio(Reprodução parcial
da ABNT-P-PB-54). 334 11.10 - Técnicas de Otimização, 425 (
A.28 Parafuso Sextavado (ASA B 18.2- 1952), 336 11.11 - Mancais Alimentados sob Pressão, 426
Il.l2 - Equilíbrio Térmico, 432
(
A.29 Porca Sextavada- Acabamento Grosso (Reprodução parcial da ABNT-PB-44), 337
A.30 Propriedades das Seções, 338 11.13 - Projeto de Mancai, 434 (
A.JI Massa e Momentos de Inércia de Formas Geométricas, 339 11.14 - Tipos de Mancais, 436
ll.l5 - Mancais de Escora, 437 (
Lista de.. Abreviaturas, 340 ll.l6 - Lubrificação Limite, 439 (·
11 .1 7 - Materiais para Mancais, 439
fndice de Autores, 341 11.18 - Projeto de Mancais com Lubrificação Limite, 441 (
(1
Índice Remissivo, 343 Engrenagens Cilíndricas Retas, 445
12.1 - Nomenclatura, 446 (
12.2 - Ação Conjugada, 447
(
(
r
(
c
(
(
r XIV I SUMÁRIO

12.3 '
12.4
-
-
/

Propriedades da Evolvente, 448


Fundamentos, 449
15 - Elementos Flexíveis, 579
15.1 - Correias, 580
SUMARIO I XV

12.5 - Raza'o Frontal de Transmissão, 456 15.2 - Acionamento por Correias Chatas, 581
( 12.6 - Interferência, 457 15.3 - Correias Trapezoidais, 583
( 12.7 - A Fabricação de Dentes de Engrenagens, 459 15 .4 - Transmissão por Corrente, 588
12.8 - Sistemas de Dentes, 462 · 15.5 - Cabos de Acionamento, 594
( 12.9 - Trens de Engrenagens, 464 15.6 - Cabos de Aço, 594
( 12.10 - Análise Cinética, 467 15.7 - Eixos Flexíveis, 598
12.11 - Tensões no Dente, 470
( 12.12 - Estimativa do Tamanho da Engrenagem, 474 16 - Métodos Numéricos em Sistemas Mecânicos, 602
12.13 - Tensões de Fadiga nos Dentes, 476 16.1 - O Modelo Matemático, 602
(
12.14 - Resistência à Flexão, 481 16.2 - Sistemas Concentrados, 603
c 12.15 - Fator de Segurança, 484 16.3 - Resposta Dinâmica de um Sistema Distnõuído, 603

c 12.16
12.17
-
-
Durabilidade Superficial, 485
Resistência ã Fadiga Superficial, 488
16.4
16.5
-
-
Resposta Dinâmica de um Sistema de Parâmetros Concentrados, 609
Modelando as Elasticidades, 613
( 12.18 - Dissipação de Calor, 489 16.6 - Modelando Massas e Inércias, 619
12.19 - Materiais de Engrenagens, 489 16.7 - Modelando Atrito e Amortecimento, 624
( 12.20 - Projeto de Discos para Engrenagens, 490 16.8 - Modelos Matemáticos para Análise de Impacto, 625
( 12.21 - Estrias Evolventais, 493 16.9 - Tensão e Deflexão Devido ao Impacto, 627

c J 16.10 - Sistema de Carnes, 632

c
J
J (l'+
l. )
Engrenagens Helicoidais, Cônicas e Parafusos Sem Fim, SOl
13.1 - Engrenagens Helicoidais Paralelas- Cinemática, 501
16.11 - Uso da Calculadora Programável, 638

J.
( J. '----- · 13.2 - Engrenagens Helicoidais -Proporções dos Dentes, 504 Respostas dos Problemas Selecionados, 651
c "
A
13.3 - Engrenagens Helicoidais -Análise das Forças, 505
13.4 - Engrenagens Helicoidais- Análise da Resistência, 508 Apêndice: Tabelas, 655
c A 13.5 - Engrenage~ Helicoidais Esconsas, 511 A.l
A.2
PrefiXos do Sistema Internacional de Unidades, 655
Conversão de Unidades Inglesas para Unidades SI, 656
( A 13.6 - Cinemática do Par de Coroa e Sem Fim, 513
A 13.7 - Coroa e Sem Fim- Análise das Forças, 515 A.3 Conversão de Unidades SI para Unidades Inglesas, 656
c A 13.8 - Capacidade do Par de Coroa e Sem Fim, 523 A.4 Unidades do SI Preferidas para Tensão de Flexão a =Me/I e Tensão de Torção r =
= TrfJ, 656
( A 13.9 - Engrenagens Cônicas de Dentes Retos- Cinemática, 525
A 13.10 - Engrenagens Cônicas- Análise Cinética, 527 A.5 Unidades SI Preferidas para Tensão Axial a = F/A e Tensão de Cisalhamento r
( A 13.11 - Engrenagens Cônicas- Tensão de Flexão- Resistência à Flexão, 531 =F/A, 657
A.6 Unidades SI Preferidas para Deflexão de Vigasy = f(Ft 3 fEl) ouy = f(wi" fEl), 657
c A
13.12 - Engrenagens Cônicas- Durabilidade Superficial, 533
13.13 - Engrenagens Cônicas Espirais, 533 A.7 Constantes Físicas de Materiais, 657
c ) A.8 Propriedades de Perfis Estruturais - Cantoneiras de Abas Iguais - Padrão America·
no,658 ·
( A.
A. 14 - Embreagens, Fmos e Acoplamentos, 548 A.9 Propriedades de Perfis Estruturais - Cantoneiras de Abas Desiguais - Padrão Ameri·
( 14.1 - Estática, 549 cano,659 .
Ai
A) 14.2 -- -Freios.e Embreagens Tipo Tambor com Sapatas Internas, 550 J\,10 Propriedades de Tubos Redondos, 659 _______ _____ _
( 14.3 - Freios e Embreagens Tipo Tambor com Sapatas Externas, 559 A.11 Propriedades de Perfis Estruturais- Seção [ -Padrão Americano, 660
( ü 14.4 - Embreagens e Freios de Cinta, 56Z A.12 Esforço Cortante, Momento Fletor e Deflexlio de V"JgaS, 661
145 - Embreagens de Contato Axial, 564 A.13 Ordenadas da Curvâãenistn"buição Normal, 669
( IÍ11 14.6 - Embteageój e Freios Cônicos, 566 A.l4 Áreas Subentendidas pela Curva de Distribuição Normal, 670
c 14.7 - Embreagens e Acoplamentos de Tipos Diversos, 569
14.8 - Materiais para GuarniçOes, 570
A.IS
A.I6
Alfabeto Grego, 671
Tubos- Padrão Americano, 671
( I
14.9 - Considerações sobre Energia, 570 A.l7 Propriedades Mecânicas dos Aços, 672
14.10 - Dissipaçlo de Calor, 572 A.l8 Propriedades Mecânicas de Ligas de Alumínio Foijadas, 673
l
1 I
't(
( )
XVI I SUMARIO
(
A.19 Propriedades Mecânicas de Ligas de Alumínio Fundidas, 674
1
! (
)
)
A.20 Propriedades Típicas do Ferro Fun!ijdo Cinzento, 674
A.21 Propriedades Típicas de A]gumas Ligas de Cobre, 675 .
( )
A.22 Propriedades Mecânicas_Típicas de Aços Inoxidáveis Foljados, 676 ( )
A.23 Propriedades Típicas de Ligas de Magnésio, 677 ·
A.24 Equivalentes Decimais de Bitolas, de Arames.e de Chapas de Aço (pol) • 677 (
A.25 Fatores Teóricos de Concentraçio de Tensões, K,, 619 (
A.26 Parafuso de Cabeça Cilíndrica e Arredondada, com Fenda (Reprodução parcial da
ABNT-P-PB-167), 686 (
JUNTAS SOLDADAS E COLADAS
A.27 Parafuso Sextavado com Rosca Parcial - Acabamentos Fino e Médio (Reprodução (
parcial da ABNT-P-PB-54), 683
A.28 Parafuso Sextavado (ASA B18.2 - 1952), 690 (
A.29 Porca Sextavada- Acabamento Grosso (Reproouçao parcial da ABNT-PB-44), 691
(
A.30 Propriedades das Seçôes, 692
A.31 Massa e Momentos de Inércia de Formas Geométricas p =peso específico, peso/unidade (
Hoje em dia, na fabricação de peç~. usam-se extensivamente processos tais como: soldas
de volume, 693
autógenas, soldas fortes, solda branca, cimentação e colagem. Sempre que se vai confeccionar
ou montar alguma peça é provável que se considere um desses processos no trabalho preliminar
( .
Lista de Abreviaturas, 694
do projeto. (
Uma das dificuldades encontradas pelo engenheiro projetista quando trabalha com esses (
Índice de Autores, 695
processos é que eles não foram beneficiados pelos rigorosos tratamentos que tantos outros
processos, materiais e elementos mecânicos tiveram. Não é muito claro porque isto ocorreu, po- -(
Índice Remissivo, 697 rém, é provável que a geometria dos elementos sujeitos a esses processos não tenha permitido um
estudo matemático adequado dos mesmos. Assim, há grande incerteza, que deve ser compensa-
c
da por fortes fatores de segurança nos projetos. Entretanto,~ fato de tantas estruturas e dispo- c
sitivos importantes estarem utilizando esses processos atesta o fato de que os engenheiros de
hoje conseguem superar com .grande sucesso esses problemas.
(
(
(
( '

(
(
/ (

lal (b) c
(
Fia. 9-1 Exemplos de soldagens; {a) Uma base de mancai; pode ser feita de partes relativamente imas que
fornecem uma boa rigidez em ambas as direções. (b) Ou tio detalhe da base; feita de um perfil em U lamina-
( '

do a quente e um pequeno número de plaCas cortadas. (Tirado do livro "Procedure Handbook of Are ('
WeldinK", 11 th ed., pgs.: 5-219 e 5-226, Lincoln Electric Company, Ceveland, 1957. Reproduzido com P!'f-
missfO dos editores.) (
9-1 - SOLDAGEM c\
As peças a serem soldadas são montadas na configuração desejada e fixadas, geralmente, (
por braçadeiras, prendedores ou gabaritos. A Fig. 9-1 mostra dois exemplos. Um hábil projetiS- (
;7 .
( .
.· '
-~ ..
~, --

_350 I ELEMENTOS DE MAQUINAS


JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 361
( )
I
( ) ta, familiarizado com ~vários tipos de perfis laminados e os·métodos de cortá-los, está capaci· Como a operaçã'o de soldagem exije calor, há sempre a possibilidade de haver mudanças
(I tado a projetar soldagens que podem ser fácil e rapidamente executadas, com simples disposi- -na estrutura do maten pr XlillO a so em.
tivos de montagem. odem também a r rea ai de o ou, às vezes,
( As Figs. 9-2 até 94* ilustram os tipos de soldas usadas com maior freqüência. Para devido ordem de soldagem. Usualmente essas tensões residuais não são grandes o bastante para
os elementos mais comuns das máquinas, a maioria das §!<Ias são cord~ embora usem-se bas- causar preocupação; em alguns casos um leve tratamento térmico após a soldagem é bastante
( ' tante soldas de topo em vasos de pressão. ~ claro que as peças a serem unidas devem estar colo- útil na eliminação dessas tensões residuais. Quando as partes a serem soldadas são grossas, um
( , cadas de modo que haja suficiente espaço para a operação de soldagem. Necessitando-se de pré-aquecimento é muito útil. Para que a confiabilidade do elemento seja bastante ~ta, deve-se
uniões incomuns onde o espaço de soldagem não é suficiente ou deVido ao formato da peça, o estabelecer um programa de testes que permita determinar as mudanças a serem fettas nas ope-
( projeto pode nã"o ficar satisfatório e, ent5o, o projetista deve rever seu trabalho de modo a ima- rações de soldagem de modo a a5Jegurar-se a melhor qualidade da mesma.
( ginar uma nova solução.
(

c
(I_
l

(I,
('
f
(CI) (b) t\
I (a) (bJ
h
/ / Vso-1oo
(I
CI Fig. 9·2 Cordões de solda. (a) A fiação indica o comprimento da pema; a seta deve apontar somente para
( \ uma das soldas quando ambos os Íados são iguais. (b) O símbolo indica que a solda é descontínua intercalad"
I com 50 mm de comprimento do cordão e afastamento de 100 mm, de centro a centro. / v (c)
( I

(
Fig. 9-4 Juntas chanfradas especiais. (a) junta de ângulo em T, para chapas grossas; (b) com chanfros em U e
( 1 para chapas grossas; (c) junta de ângulo em quina; podem ter também um cordão por dentro para aumentar
a resistência. Não deve ser usada para grandes carregamentos; (d) junta de aresta para soldagem de chapas fi-
( nas e pequenos carregamentos.

( (CI) (bJ
( /
c
y
(
(
( (dJ
'
-- --~-

<..
( Fia- 9-3 Juntas ele topo. (a) Junta de topo sem challfro; (b) Com cbaof1o em V de 6Ó" e abertun de raiz de 9-2- SOLDAS DE TOPO E FILETES
1,5 mm; (c) Com dwlfro em X; (d) Com chanfro em meio V.
( A Fig. 9-5 mostra umà juirta COlh ·âiaüfro em V, suportando uma força de traç!O ·F.
( Tanto para esforços de traçã'o como para. de compressão, a tenslo normal média é dada por
• Tlndo de "Desipers Guide foi- Welded Constructlon ", The Lincoln Electric Co., Cleveland, sob pe.nnisdo.
(_ ' :2 uma publkação de cinco píciDas contendo um summo de todos os símbolos de soldas e outras informa·
_ çGes úteis 4itponíms tanto para projetistas como para estudantes.
(9-l)
l
352 I ELEMENTOS DE MAQUINAS

onde h é a abertura e l o comprimento da solda, como se vê na figura. Note-se que o valor


JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 353
2l
(,
('
Vê-se na Fig. ·.9-1a um áfico a roximado dos resultados ~te-;;e a concengão
de h não inclui o reforço. O •tefOWJ é updn para compensar possíveis falhas. mas produz de tensões existe em e B afúiba horizon~e em · ver · . Norris disse não
concentri!Çáo de tensões no ponto A da fi&u.JJ. Se existirem carre&IPD!lntos de fadiga é conve- (
poder determinar com grande certeza as tensões em A e B. ·~
~aixar o reforço com a utilização de um rebolo, ou mesmo por usjnaif!m. (
Salakian* apresenta dados para a distribuição de teilsões através da garganta de um cor-
A'temfo m6<fia n"""ooldade _1op0 ~nto ci>olhantc '' dão (Fig. 9-7b). Este gráfico é de particular interesseporque taJ1to projetistas como analistas de
(
tensões consideram que a falha vai ocorrer na garganta da solda, quando estão dete do a
(
b-) (9-2) resistência de uma solda. Novamente a figura mostra uma ncentração de tensõe o ponto B
Note-se que a Fig. 9-1a. aplica-se tanto pua o metal da so como para o metal próXI·
mo à mesma. A Fig. 9-7b dá a distribuição da tensão somente na solda. Não há nenhum mé- (
A distribuição da tensão nos cordões tem sido investigada por rocessos fotoelásticos mas
as tentativas para resolver o problema usando-se a teoria da elastici e não têm obtido grandes todo analítico satisfatório para se determinarem as tensões nessas duas figuras. Conseqüente- (
'\€:ces§J Com facili~de, prepara-se um modelo de corda'o transversal, como na Fig. 9-6, com mente, deve-se utilizar os métodos desenvolvidos anteriormente neste livro, isto é, de medirem-
se as seções transversais ou áreas de modo a resultar em tensões satisfatórias médias ou nominais (
propósitos fotoelásticos, com a vantagem de se ter carregamento equilibrado. Norris* co.ns-
truiu um modelo e analisou a distribuição de tensões ao longo dos lados AB e BC da solda. quando se aplicam os carregamentos; quando as juntas estão sujeitas a carregamentos de fadiga, (
aplicam-se os fatores de redução da resistência à fadiga (Kr) à resistência da solda ou à resis- '
tência da chapa, dependendo do tipo de cálculo que está sendo feito. (
(
( I

(
F
(
(
Fig. 9-ó Cordão duplo transversal.
(
c I
Fig. 9·8 Uma junta sobrc"posta com mete duplo.
'\.
(
+
(
(
(
B (
Fig. 9·9 Solda com cordões paralelos.
(
A junta sobreposta carregada à tração, como na Fig. 9-8, tem uma área de penetração de (
0,707 h/ por solda. O método usado mais freqüentemente neste tipo de problema é o de consi·
(a) derar que a seção de penetração está sofrendo cisalhamento. A tensão média será então
(
(b)

c
e;J
Fig. 9-7 Distribui'ÇJo da tensio no cordão de solda. (or) Distruição da tensio nas Jlllrnas do cordão como i /
foi mencionado por Norris. (b) Distribuição das tensões principais e da tensão máxima de cisalhamento, co· {9-3) (
mo foi mensionado por Salakian.
(

*C. H. Norris, Photoclastic Invcstigation of Strcss Distribution in Transverse Fillet Welds, Welding J., vol. 24, * A. G. Salakian e G. E. Claussert, Stress Distribution in Fillet Welds: A Review of the Literatme, Welding
c
·.:.·
;t·SS7s, 1945. J., voL 16, págs.: 1-24, maio 1937. (

. . .. ---·---·····. - . . . ~.
:4 \.
~
c'> 354 I ELEMENTOS DE MAQUINAS

s)( )
Note que a expressão "tensão média,. significa que se Considerou que estas tensões estio unifor-
JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 355

Quando se conhecem as dimensões da solda, pode-se resolver estas equações e combinar os re-
menÍente distribuídas sobre toda a área. Além domais, desde que se .usern estas.tensões para di- sultados para obter"se o esforço cisalhante máximo.
; I
() mensionar-se a solda, o uso da ·Eq. (9-3) implica que toilas as tensões normais na penetração O procedimento iilverso é aquele no qual sabe-se a tensão de cisalhamento admissível
sejam iguais a zero. Isto está muito longe da verdade, como mostram os resultados experimen· e deseja-se detenn1nar as dimensões da solda.. O procedimento natural seria estlmar.as dimensões
() tais na Fig. 9-7. Entretanto, usando-se a equação com os valores máximos das tensões permiti· da solda, computar J e A, calcular e combinar os valores r' e r". Se a tensão máxima obtida for
dos em diversos códigos de construção, as soldas são peÍfeitamente seguras.
( )
No caso de cordões paralelos (Fig. 9-9) torna-se o cálculo mais realístico, admitindo-se
muito grande, estimam-se novas dimensões para a solda e repete-se o processo. Depois de algu-
mas tentativas deve-se obter um resultado satisfatório.
( ) uma tensão cisalhante ao longo da penetração. Já que há então duas soldas, a área de penetra· Uma solução bem mais usual para este tipo de problema é aquela que considera cada
ção para ambas é A = (2) (0,707hl) = I ,414hZ. A tensão média de cisalhamento será então cordão da solda como uma linha. mento de inércia polar .resultante será então equivalen-
( r = F/1,414hl, que é a mesma da Eq. (9·3). E bastante provável que a distribuição de tensões te ao momento de tntrci!J poliu unit · . A vantagem de se considerar a solda como uma linha é
( ao longo do comprimento das soldas não seja unifonp.e. que .o momento de m rcia po ar unitário é o mesmo, independente das dimensões da solda.
Como a largura da penetração ·do cordão é 0,707h, a relação entre o momento de inércia polar
< )
unitário e o momento de inércia polar de um cordão é:
( ) 9-3 -TORÇÃO EM JUNTAS SOlDADAS

( ) A Fig. 9-1 O ilustra uma viga em balanço com o comprimento I soldada a uma coluna por
dois cordões. A reação no apoio de uma viga em balanço é sempre uma força cisalhante V e um
t:7;,~~) (9-6)

( )
momento M . A força cisalhante !y
(\ 6-jt--200--Jr-·6
(I)
( \
( I

(
( I

c Fig. 9-11
c
no qual, acha-se Ju por métodos convencionais, para uma área com largura unitária. A fórmula
c de transformação para ó momento de inércia polar unitário deve ser utilizada quando as soldas
c I ocorrem em grupos, como na Fig. 9~10. A Tab. 9-l mostra a listagem de áreas de penetração e
momentos de inércia polar unitários dos cordões mais comuns. O exemplo a seguir"ilustra os
( F"'3. 9·10 Uma ligaçfo ~rtando momento.
cálculos que se fazem normalmente.
( produz um/ctsalhamento p~ nas soldas com intensidade
( L-- - - --. EXEMPLO 9-1 ·
~Ã) . (9-4) Uma peça soldada a um períll de aço em (, de 200 mm, recebe uma carga de SO kN, como mostra a
l Fig. 9-11. Achar a teosi'o míxima na solda.
onde A é a área de penetraçl"o de todas as soldas;~'=' ~:::::-- '=·-~- - "···· ' ··· ·
(
O momento no apoio produz um~~~-~ ou torçiio das soldas, e o valor
SOLUÇÃO

( Como IIC 'fê na f"JIUIIl, cada placa é soldada !10 perfB em ( por meio de. três cordões de tolda de 6 !!1111.

& ]
da tensão será
Dcve...é então diYidir o carrepmento na metade e considerar somente uma placa na anáJbc que IIC IICI\IC. Dlias
l das trêstoldas têm comprimento de 56 mm c a terceira:, 190 mm. Usando-te a Tab. 9-1 primeiro localiza-:tc o
- .
(9-5) c::cnuo de pavidade do papo de soldas.
(_
_ b2 (56) 2 ·
l 10 4
Y = 2b + d = 2(56) + 190 = ' mm.
onde r é a distância do centro de gravidade do grupo de soldas ao ponto de interesse da solda, e
{. J é o momento de inércia polar do grupo de soldas em relaçio ao centro de gravidade do grupo. x = d/2 = 190/2 = 95 mm

(
356 I ELEMENTOS DE MAQUINAS JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 357
(
Ta bel.~-;-~ Propriedades dos Cordões d~'Solda à Torção:(; é o <:entro de Gravidade do Grupo de Soldas:H i E ~tas dim~mõts :>5o vista$ no diaç3Jlla de corpo livre da Fil!. 9-l2a e localizam a oril!em O do sistema de refe- c
- o Tamanho da Solda . rcinda xy. O mom~nt~r~;~JirP .i
I
(
')

Solda Área de Penetração Locali:açõo de G Jlomemo de lnérda M = 25(110,4) = 2760 N m (


Polar Unitário
(Q r:; c1t por placa.
(
Feito isto, vai-se à Tab. 9·1 e acha-se o momento de inércia polar unitário
c
(
A =0,707/u/ \=0 .1. = .t-'/12
4
,. = d/2 8b 3
+ 6bd + d 2 3
b (
J. = 12 - 2b + d
(
8(56) 3 + 6(56)(t9<W + (190)3
12 2(56) + 190
c
d(JI>' + d'l (
A= 1,414hd '= 1>/2 .1. = 1,67(10)6 mm 3
(
I= d/2
c
c
A = 0,707h(l> + d)
,, (h + d)' - óh'cl'
.1. = _:___:__ _ c
':=---
2(1>,+ c/) 12(1> +ti)
c
\·::::--
' 2(1> +c/) c
c
I ,,
(
.A= 0,707h(21> + d) .X:::::: - -
Hh-' + 6hcl' +•'d
J = -------- ---
h' 3
(
2h +d • 12 21> + ,/
r= ci/2
(
(a) (b) (
Fig. 9-12 (
(h+,/))
(
A= 1,414h(b + d) Então, da Eq. (9-Q),
\ = h/2

\ = d/2
J =--
• 6
J = 0,1fflhJu =0,7ff7{6)(1,67)(10t = 7,ff7 (10) mm
6 4
c
(
Usando-se novamente a Tab. 9-l, acha-se o valor da área de penetração de uma solda em uma placa: (
(
A= 1~4nhr A = 0,107h(2b + d) = 0,707(6)[2(56) + 190] = 1280 mm 2
(
A tensão cisalhante primária será:
c
(
i v
=- = --~----
2.5(10f .- ·,·, ' '
= 195 MPa
t
XA 1280. c
·- J (
( "7'
Yf'.
( 358 I ELEMENTOS DE MAQUINAS JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 359
/
(
(
Pode-se .determinar a tensão cisalhante secundária em componentes paralelas a x e y. b componente y será I área de penetração. Considerando-se as duas soldas da Fig. 9-13b'Como linhas, encontra-se para
o momento de inércia unitário o valor
( 2760( lO )3 (95)
7,0 7(10) 6 = 371 1 MPa
(
( E o componente x será
j
( 2760(10) 3 (10,4) Então, o momento de inércia baseado na penetração da solda é
r"=Mry
( X j 7,07(10) 6 = 4,06 MPa

(
( Estes componentes combinam-se para formarem as tensões -máximas, as quais ocorrem nos cantos A e B. En-
tão, para A tem-se
I= 0,707h :f] (c)

(
( fara a tensão normal encontra-se
r= Jr; +r;= j(37,1) 2 + (19,5 + 4,06) 2 = 43,9 MPa
( I
f

( 1,414M ( (b)
bdh I
( h
''-'!
(
O momento de inércia na Eq. (d) é baseado na distância dentre as duas soldas. Se o momento
( de inércia fosse calculado tratando-se as soldas como dois retângulos, a distância entre os centro
c
X
de gravidade das soldas seria (d + h). Isto conduziria a um momento de inércia ligeiramente
maior e resultaria num valor menor para a tensão. Logo, Q..Olét.o-d.a..de..tratarem.auoldas corno.
( ji@as pro_d-ºz ~~sult~d~s mais~g_I!~S. Talvez a segurança adicionada seja conveniente, em vista
la I
( da distribuição de tensões da Fig. 9-7.
Fig. 9- q Peça retangular em balanço soldada a um suporte nos bordos superior e inferior. Os componentes de tensão a e r, determinados para soldas submetidas à flexão, devem ser
( combinados usando-se um diagrama de círculo Mohr para se achar a tensão principal de cisalha-
( mento ou a tensão máxima de cisalhamento. Aplicando-se uma teoria apropriada de falha, de-
termina-se a probabilidade de falha ou a segurança. Devido às grandes incertezas na análise de
( tensões em soldas, geralmente preferem-se as teorias que consideram as tensões de cisalhamento
( máximas.
A Tab. 9-2 relaciona as propriedades mais comumente encontradas na análise de flexão
(
94 -FLEXÃO EM JUNfAS SOIDADAS de barras soldadas.
(
( A Fig. 9-13a mostra uma peça em
balanço soldada a um suporte através de cordões nos
bordos superior e inferior. Um diagrama de corpo livre mostrará uma força cisalhante reativa V
( e um momento reativo M. A força cisalhante produz um cisalhamento primário nas soldas, de "9-5- RESISTI!NCIA DE JUNTAS SOLDADAS
intensidade:
( A combinação das propriedades dos eletrodos com as do metal das chapas não é tão im-,
(_ portante quanto velocidade, perícia do operador e aparência da junta ~pronta. As propriedades
(a)

(l
dos eletrodos variam consideravebnente; a Tab. 9-3 reáne o mínimo de propriedades para al-
( I gumas classes de eletrodos. ·
onde A é a área total de penetraçii:>. . Projetando-se peças soldadas é preferível selecionar-se um aço que resulte numa soldará-
O momento M produz uma ~nsão normal de flexão a na solda. Embora não rigoroso, cos- pida e econômica, embora isto possa sacrificar algumas outras qualidades tal como usinabilida-
1
'- tuma-se na análise de tensões nas soldas considerar que esta tensão age perpendicularmente à de. Pode-se soldar qualquer aço sob condições adequadas, porém obtém-se os melhores resulta-
/
()
(
360 I ELEMENTOS DE MÀOUINAS \ )
JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 361
( )
Tabela, 9-2-)Propriedades de Cordões de Solda a Flexão: Con,idcrd-'>1: o .\fomcnt~ de Inércia L'nitário 1 em Tabela: 9-2. tontinuaçio ·
. .' Torno de um Eixo lloriwnial Atra,·é, do Centro de (;ravidade r; du Grup,; d~ Solda,.() Tama·
( )
nho da Solda é Dado por H. ( )
Solda Area de Pene'tração LocalizDÇaõ de G Momento de Inércia
Unitdrio ( )
Solda Area de Penetração l.ocalização di' G Momemo de Inércia ( )
Cnitório
2d3 . ( )
A= 0,707h(b + U) x = b/2 I.= J- 2d2 y + (b + 2d)y2
(
,J·' I
(
A= 0,707/rd I
., = I:!
:r=,, 2 X
.j ()
(
d'
'1
(
~ = I,·H4/r,/ .\: = 1>2
A= 1,414h(b + d) x= b/2

y = d/2
I.= "6 (3b + d)
Ii (
r = ,J., ~ (
i
j (
( I
A= 1,414nhr
,);it = 1,414/lh X= h/2
hd'
I.= 2
(
(
2( .S_É '762) f
.i ·= ri/2 I

.!!f[ ~ j lfJt; b 2 LtJÓ X (

f-b-j
/ .
()'L/ ah X ~
( '

f ~: ~88~ J0- 5hY'\ h":'


d'
t A = 0,707h(2h + d) X=
2b +d t. = 12 (61> + d)
y J
d
_I· = d/2 ~ -~
_T_a_be_l_a_9_-J___P_ro_p_r_ie_d_ad_e_s_M_í_n_im_a_s_da_Sol_d_a_ _ _ _2...;,_~_o_,_JO __~____
__....., h :: X
(
(
X
Número A WS do
Eletrodo*
Resistência à Tração
MPa
Tensão de Esc011mento
MPa
Alongamento
Percentual j (
2rl 1 (
A ""0,707/r(h + 2<1) x= h/ 2 I. - 2<1'.1· + (h + 2d)_v ' E 60xx 427,20 344,52 17-25
3
E 70xx 482,33 392,75 22 (
d' E 80xx 551,23 461,66 19
I"=
b + 2rl E 90xx 620,13 530,56 14-17 (
ElOO XX 689,04 599,46 13-16
E120 XX 826,85 73?_,27 14 (

-~
- r'7lJ
(
A =
\
1,414/r(h +c/) s= h "2 I.=
d' .
(3b + d)
• Sistema de numeração para especificação de eletrodos, de acordo com o código da So-
(
ciedade Americana de Solda (AWS). Este sistema usa um prefiXo E para um sistema de
6
numeração de quatro ou cinco dígitos, no qual os dois ou três primeiros dígitos indicam

~
y aproximadamente a resistência à tração. O último dígito indica variáveis na técnica de (
-lx soldar, tais como o fornecimento de corrente. O penúltimo dígito indica a posição da
solda, como por exemplo, plana, vertical ou de topo. O conjunto completo de especi-
~I

~ (
ficações pode ser obtido com o código (A WS) mencionado. F
(
. ,. 1.1
1J (
,....,
( )
362 I ELEMENTOS _
DE MÁQUINAS
JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 363
I
( i
modo 0 projetista será legalmente responsável. Em geral, esses códigos tendem a ocultar a real
( , dos usando-seaços com especificações UNS entre G 10140 e Gl0:!30. Todos esses aços têm re-
sistê~cia à tração, nas condições de aço laminado a quente, entre os .valores4l3 MPa a 48::! -MPa. mugem de segurança envolvida. · · , '· . .
( Sugere-se usar os fatores de redução da fadiga listados na Tab. 9-5, como fo1 proposto
O projetista pode escolher coeficientes de segurança ou tensões adnússíveis com mais con- por Jennings. * Esses fatores devem ser usados tanto para o metal base como para o metal de
( fiança, se estiver a par dos valores usados pelos outros. Um dos melhores padrões para se usar é solda propriamente dito. .
( i do "American Institute of Stell Construction" (AISC) código para construção civil.* As ten-
sões admissíveis são agora baseadas na carga de escoamento do material em vez da carga de rup- 9-6 - SOLDA POR RESIST~NCIA
( tura e o código permite o uso de uma variedade de aços estruturais ASTM que têm a carga de
( l escoamento variando de 227 MPa até 344 MPa. Para um mesmo tipo de carregamento, o código O aquecimento e a soldagem que ocorrem quando uma corrente elétrica passa através de
permite a mesma tensão tanto na solda como no metal base. Para esses aços ASTM .. ac = O•5or· diversas peças prensadas entre si caracterizam a solda por resistência. Solda por pontos e solda
( I A Tab. 94 relaciona as fórmulas. especificadas pelo código para o cálculo dessas tensões admis- autógeTIIl com costura são as formas mais comuns de soldas por resistência. As vantagens da
s~veis para várias ~ondições de carregamento. Os coeficientes de segurança implícitos no código solda por resistência sobre os outros tipos de soldagem são: a velocidade, a acurada regulagem
( '
sao calculados facilmente . Para tração n = 1/0,60 = I ,6 7. Para o cisalhamento 11 = 0,577/0,40 = de tempo e calor, a uniformidade da solda e as propriedades mecânicas resultantes da eliminação
c = I ,44 , aceitando-se a teoria da energia de distorção como critério de falha . do revestimento de eletrodo ou fluxos e o fato de o processo ser fácil de se automatizar.
Os processos de solda por pontos e solda autógena com costura estão ilustrados esquema-
( )
ticamente na Fig. 9-14. Uma solda autógena com costura é na realidade uma série de soldas por
( pontos, já que se aplica a corrente em pulsos enquanto a obra move-se entre os eletrodos rotati-

c I
Tabela 9-4. Tensões Admissíveis pelo Código AISC para as Soldas tivos.
A falha de uma solda por resistência pode ser tanto por cisalhamento da solda como por
( ' Tipo de Ca"egamento Tipo de Solda Tensões Admiss{veis 'I ruptura do metal em torno da solda. Por causa da ruptura, é de praxe evitar-se o carregamento à
tração de uma junta de solda por resistência. Logo, na maioria das vezes, projetam-se as soldas
c' por pontos ou soldas autógenas com costura, de modo que sejam carregadas por cisalh~ento
( \
Tração Topo 0,60oe puro. A tensão de cisalhamento é simplesmente a carga dividida pela área do ponto. D~Vldo ao
Torção Topo 0,90oe
fato de que a folha mais fma do par, a ser soldada, possa romper-se, geralmente espectfica-se a
( Flexão Topo 0 ,60oe - 0 ,66oc
Compressão Simples Topo 0,60oe resistênCia da solda por pontos estabelecendo-se a cuga por ponto, baseando-se na espessura da
( Cisalhamento Topo ou Cordão 0,40oe folha mais fma. Obtém-se melhores resultados para essas resitências, experimentalmente.

c /
( --------~
(
Tabela 9·5. Fatores de Redução da Resistência à Fadiga

· Tipo de Solda
:~~
l
( t. S.
Solda de TopO ReforÇada 1,2
( Cordões Transversais l,S
Extremidade de Cordões Paralelos 2,7
( Soldas de Topo em T com Cantos Agudos 2,0
(
(
o código :AISC asmncomo·o -cMigo AWS, para p<,ritc:s, ifldicam tensões'admis8íveis pua (a) (b)
( carregamento de fadiga. O projetista não terá nenhuma dificuldade no uso desses códigos, mas
Solda por pontos. Solda autóp:na com costura.
( sua natureza empírica tende a obscurecer o fato de que eles foram estabelecidos pelos mesmos
conhecimentos 4efalha por_Ja!liga já estudados no Cap. 5. Natura1mente, para u estruturas
(._ abrangidas por esses códigos u tensões reais rrão podem exceder a tensão admissível; de outro
(._ I

l r-. -~-ara-ob_t_er_có-pia esaeva pua AISC, Nova Io~que. • C. H. JeJUiinp, Weldin& Design, Tam. ASME, vol. 58, ~s.: 497-509, 1936.

<..
.......,. { Í

364 I ELEMENTOS DE MAQUINAS


f JUNTAS SOLDADAS E COLADAS 1·365
(
(
De qualquer modo, deve-se usar grandes fatores de segurança quando se soldam peças por
\ 9-1 ·Todas as bmas com espessur.a de 3/8 de polegada. (
soldas por ponto, para compensar as alterações sofridas pelo material devido à soldagem. o que
não ocorre com rebites ou parafusos. I
),
(
(
(
9-7- JUNTAS COLADAS (
(
Quando se juntam dois materiais ou duas peças por meio de um terceiro material diferente
dos ou.t ros dois, o processo chama-se colagem. Logo, solda forte, soldo fraca, ci,;entação ou • (G) • (b) (
união por cola são tipos de colagem.
(
(
(
(
(
(c) (d) (
(ai (b)
Probl. 9-1
(
(
(
(d (d)
(
Fig. 9·1 5 (11) Seção da asa de um avião obtida soldando-se colmeia de alumínio às capas, usando-se cola de rc· (
sina sob pressão e calor; (b) tubo colado a uma folha metálica por solda forte ; (c) peças de folhas metálicas
unidas por solda fraca ; (á) peças de madeira unidas por colagem . (
(

Deve-se projetar as conexões entre peças que vão ser coladas de modo que o material de F (
colagem fique submetido somente a cisalhamento puro. Uma vez que a resistência do material (
da cola deve ser provavelmente bem menor que a das peças a serem coladas, deve-se obter uma
área de colagem suficiente para garantir uma boa margem de segurança. A Fig. 9-15 mostra (
(a) (b)
alguns exemplos de uniões por colagem, o que representa uma boa prática de projeto. Deve-se (
obter as propriedades dos componentes da cola diretamente do fabricante.
F
(
(
( I
PROBLEMAS ·'
(
Seção 9-1 até 9-3.
( i
(c) ldl
9-1 até 9-3 A tensão de cisalhamento admissível para as soldas abaixo é de 20 kpsi em Unidades Inglesas e ( I
de 140 MPa no Sistema Internacional. Para cada caso, achar o carregamento F que causaria
Probl. 9-2
tal tensão . ( l 1·· ·

ia.:. · j . (
'-- ...~-- -
r) 366 1 •ELEMENTOS DE MAQUINAS JUNTAS SOLDADAS E COLADAS I 367
( )
( ) ~ Dimensões em milímetros. no Sistema Internacional ou. 20 kpsi em Unidades Inglesas, determinar o carregamento de cisalha-
mento que cada um dos perfiS pode suportar. (Sugestão: Ver o exemplo 2-9.)
(i
( )
(
( '
( I
5
( )

(
(
(a) (bl (c)
( )
lbl
( Probl.9·5
Probl. 9·3
( ) 'I 'Y·

(
E-3 ~ fi; ~J1B1c.JJ g -5 ~ @ l-q;5 J().J
{g) !)~o ~6J/5;AÔ UY!Lh~ ..
(
( pJSSUJ tJE {6)12) 3 H.)J
ft(;,lJln . .
&&J;'i,~J)
( Paxa cada uma das peÇá!soÍI«as abaixo achar o torque T que pode ser aplicado se a tensão cisalhante
admissível da solda for 140 MPa.
( )
(
' ( J

c
(
Dimensões em polegadas
(
l
(
( \

;( \
(a)
(' 1•

l ) Probl. 9-4

I
I
(a) (b)

Vê-se um coJijunto de seções transversais de alguns perfis, os quais obtêm-se soldando-se vários outros
perfiS de aço estrutural. Baseado numa tensão de cisalhamento admissível para a solda, d!ll40 MPa Probl. 9-6


368 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS
g_ '1 +@'CflA~ :- l~f H(J!;J. (
( ,

Seção94 @[J1Ax;: lf ~fSf J/A b~ 2 4 .A~(: 55 0 4-:l


(
(
9-7 até 9-9 As barr_u da f~ a~o sio ~ldadas ~ suportes flXos ou a placas, como se vê. Em cada caso,
detennllllll a tensao maxuna de cisalhamento combinada, no metal soldado. (
).
(
Dimensi5es em polegadas .

y~72"~
I 10 (
(
I
3 ..
i6
MANCAIS DE ROLAMENTO
c
w = 151bf/pol ' (
( l

( '

(a)
(
(b)
Usa-se o termo mancai de rolamento ou simplesmente rolamento para descrever um tipo
de mancai em que a carga principal é transferida por meio de elementos em contato por rola- c
Probl. 9-7
mento em vez de deslizamento. Num mancai de rolamento o atrito estático é aproxima&mente c
o dobro do atrito dinámico, mas ainda é desprezível em relação ao atrito estático de um mancai
de deslizamento. A carga, a velocidade e a viscosidade do lubrificante afetam sensivelmente as c
9-7 (a) A barra é um perlil C de aço estrutural, pesando 4,llbf/pé; (b) a barra é composta de duas canto-
caràcterísticas de atrito de um mancai de rolamento. A designação "antifricção", que vez por
outra aparece para indicar um mancai de rolamento, é incorreta e não deve ser usada.
c
neiras de aço estru~al unidas (ver a Fij!.), com as mesmas soldas em cada ~xtremidade.
Do ponto de vista do projeto, os mancais de rolamento diferem, em diversos pontos, dos c
projetos mecânicos comuns. O especialista no projeto de mancais de rolamento defronta-se com
c
yl tF=850N .· o problema de projetar elementos que formarão o mancai de rolamento; estes elementos devem
ser projetados para ocuparem espaços cujas dimensões são especificadas; devem ser projetados c
~-~ para receber uma carga com determinadas características; e, finalmente, devem ser projetados
para terem uma vida satisfatória quando utilizados sob as condições especificadas. Portanto, os
c
~~6 X
especialistas devem considerar assuntos tais como:[i:esistência à fadiga, atrito, calor, resistência
à corrosão, problemas cinemáticos, ptop~des de materiais, lubrificação, tolerâncias de usina-
(

L Tubo
250
.
gero, montagem, uso e custo. Considerando todos estes fatores, os especialistas em mancais
chegam a um compromisso que, segundo eles, é uma boa solução para o problema apresentado.
(
c
(a) (b)
(
Probl. 9-8

10-1 -TIPOS DE MANCAIS DE ROLAMENTO


c
(
Os mancais de rolamentos são fabricados para suportarem cargas radiais, cargas axiais, (
ou uma combinação das duas. A Fig. 10-1 apresenta a nomenclatura de um mancai de rolamen-
to de esferas, bem como suas quatro partes principais: o anel externo, o anel interno, as esferas (
ou elementos rolantes e o porta-esferas ou separador. Para diminuir o custo, às vezes, omite-se o
(_
porta-esferas, que tem a importante funçao de separar os elementos de forma a não haver atrito
!ai lbl
entre as esferas. Alguns dos diversos tipos de mancais normalizados encontram-se na Fig. 10-2. (_
O rolamento de esferas de carreira simples e pista profunda suporta cargas radiais como
também alguma carga axial. As esferas são inseridas na pista deslocand()-se o anel interno para ( J
ProbL 9-9
uma posição excêntrica. Separam-se, então, as esferas e coloca-se o separador. (J
(a) Dimensões em polegadas. (b) Dimensões em milímetros.· O uso de rasgOs de enchimento (Fig. 10-2b) nos anéis interno e êxtemo permite a inser-
ção de um maior número de esferas, aumentando-se, enta'o, a capacidade de carga. No entanto, ,.,.i
C
(
'r-
(
( 370./ ELEMENTOS DE MAQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 371

(
a capacidade de carga axW'~ pÕr caÚsa do choque das esferas contra a extremidade do rolos se desviarem e saí!~@~ilê li$. Por isso, o separador deve ser pesado. Os rolamentos de
( rasgo quando cargas axiais estão presentes. ,, rolos cilíndricos evidentemente rild: suportam cargaS axiais.
Os rolos helicoidais sio feitos pelo enrolamento de material retangular, sendo, em seguida,
(
endurecidos e retificados.. Devido à sua inerente flexibilidade, suportam considerável desalinha-
( I mento. Se necessário, pode-se usar o eixo e o suporte do mancai
r ~
( ~/ //

(
c Encosto do rolamento

(
Arredondamento
( 1
(a) (b) (c) (d) (e)
( Pista profunda Rasgo de Contato angular Com blindagem Hermético ou
enchimento selado
(
(
(
c
(
anel externo
( ({J (h) (i) (j )
Autocompensador Autocompensador De escora De escora
c Flg. 10-1 Nomenclatun de um mancai de rolamento de esferas. (Cortesia de New-Departwe-Hyatt Division
externamente ou axial autocompensador

( General Motors Corporation.) '


Fig. 10-2 Vários tipÓs de rolamentos de esferas.
(
( como pistas em vez de pistas interna e externa separadas. Isso será espe~ente importante se o
O rolamento de contato angular (Fig. 10-2c) oferece uma maior capacidade de carga axial.
( Todos podem ser obtidos com blindagem em um ou ambos .os lados. As blindagens não dã"o ve- espaço radial for limitado.
dação completa, mas realmente oferecem boa proteçlo contra sujeira. O rolamento axial de rol~s esféricos {Fig. I0-3b) é útil onde ocorrem grandes cargas e
c Muitos rolamentos são produzidos com vedação em um ou íunbos os lados. Quando ave- desalinhamento. Os elementos esféricos têm a vantagem de aumentar sua área de contato com o
\ dação existe em ambos os lados, os rolamentos são lubrificados na fábrica. Embora admitind<>- aumento da carga aplicada.
se um rolamento selado como lubrificado para a sua vida útil, às vezes prevê-se um método·para Os rolamentos de agulhas (Fig. l0-3d) sa:o muito úteis quando o espaço radial é limitado.
( nova lubrificaçlo. . Suportam elevadas cargas quando se utilizam os separadores, mas podem ser encontrados sem ·
( Os rolamentos de carreira simples suportam peq~no desalinhamento de eixos ou defle- separadores. Sfo fornecidos com ou sem pistas.
xio, mas se esta for grande, deve-se usar rolamentos autocompensadores. · Os rolamentos de rolos cônicos (Fig. 10-3e, f) combinam as vantagens dos rolamentos
- . - -·-·-··-- . . ...--·---·--:-:-----
( . ·- · -· .... Os rolamentos de carreira dupla sfo feitos em tipos e tamanhos variados para suportarem de esferas e de rõlot cilíndrjeos, uma vez que podem suportar tanto cargas radiais, como axiais,
( grandes cargas mdiais e axiais. -~ !C~~~lléJlQISrownenfóSMCãJtejra simples juntos ou qualquer.,combinaçio~deJ.mb.as~ AlÇnuli~. têm a capacidade de suportar elevadas cargas
pelo mesmo motivo, embora um rofáíneõto de carreira dupla oomi8ííiiêiíte exija menospeça$ como os rolamentos de rolos cilíndricos. O rolamento de rolos cônicos é projetado de mOdO-
( e ocupe menos espaço. . que todos os elementos na superfície do rolamento e nas pistas interceptam-se num só ponto no
.. ~ JOlamentos axiais de esferas, unidirecionais (Fig, l_Q.-~ü•.~ fet~Q~-~111 cJ.iversos !ipos e eixo do mancai.
tamanhos. Os rolamentos aqui-descritos representam apenas uma pequena fração dos vários que exis-
.. . .. A Fig. 10-3 apresenta alguns tipos da grande variedaac:derolamentos de rolos existentes. tem disponíveis para seleçfo. Fabricam-se muitos rolamentos para fins especiais, como também
·Os rolamentos de rolos cfiíndricos suportam uma caiga. maior .q ue os de esferas de mesmo rolamentos para claSses ·~culares de maquinaria, como por exemplo. rolamentos para instru.
!*manho devido à maior área de contato. Entretanto, apresentam a desvantagem de requere- mentação. Um desses, denominado bucha esférica, tem esferas que são recirculadas. A vantagem
.. ... . geometria quase perfeita das pistas e dos rolos. Um pequeno desalinhamento fará os da bucha esférica é permitir rotaçfo ou movimento deslizante linear ou ambos.
(
372 I ELEMENTOS DE MAQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 373 (
(
mentô ou ·o enrugamento de uma área de 6,45 nirn 2 (0,01 pol?). Porem a tirnken observa que
a vida útil pode se estender consideravelmente além deste ponto.
(
· · ·· Vida 'nomiluzté 11m termo sancionado pela AFBMA e utiliiadopelamá.ioria dosfabricantes (
de rolamentos. A vida nominal de um grupo de mancais de rolamento apa.rénternente idênticos
(
é definida corno o número de revoluções, ou de horas, a uma determinada velocidade constante,
· que90% de umgrup() (ie rQlamentos completarão .ou excederão para-oco.rrer o critério de-falha. (
·- se
Utilizam~ também os termos vida m(nima e vida L 1 0 como vida nominal.-
;(
Os termos vida média 7 vida mediaTI!Jr sa-o ambos utilizados com muita generalidade na I
análise da longevidade dos rolamentos. Ambos os termos pretendem ter o mesmo significa- '(
\.. do. Quaiido se testam grupos de inúmeros rolamentos até ocorrer falha, acha-se a média das
(a) (b) (c) vidas medianas. Então esses termos realmente significam a vida mediana média. Neste livro o (
termo vida .mediana será usado para significar a rnédiit destas medianas. (
Em grupos de testes de rolamentos, o objetivo é determinar a vida mediana e a vida L 1 0
ou nominal. Quando se testam muitos grupos de rolamentos encontra-se uma vida mediana em (
algum ponto entre 4.te ~-· vezes a vida i. 1 0 • O gráfico da Fig. 10-4 mostra aproximadamente (
como se distribuem as falhas. Esta curvli .~ apenas aproximada; não deve ser usada para fins de
análise ou de previsão. · (
(
(d) (e) (f) ·(
Fig. 10·3 Tipos de mancais de rolamento: (•) de rolos cilíndricos; (b) de rolos esféricos, de escora; (c) de ro- "'
"jij
i(
los cônicos, de escora; (d) de agulhas; (e) de rolos cônicos;(/) de rolos cônicos com grandes ângulos. (Cortesia
.
u
c
de The Timken Company.)
..
E
"O
(
10-2- VIDA 00 ROLAMENTO"
E ,g (
.. lit
i'~
E & i(
Quando a esfera ou o rolo de um mancai de rolamento se encontra na zona de carga, sur- ~ o
5 E
a.. .. (
gem tensões de Hertz no anel interno, no elemento rolante e no anel externo. Devido à. dife-
rença de curvatura existente das direções axial e radial dos elementos em contato, as fórmulas (
para estas tensões são muito mais complicadas que as equações Hertzianas apresentadas na
Seção 2-19 .*" Se um mancai está limpo e devidamente lubrificado, é montado e selado contra (
Fig. 10-4 Curva típica da expectativa de vida de um mancai.
a entrada de poeira ou sujeira, é mantido nesta condição e operado a temperaturas razoáveis,
então a fadiga do material será a única causa de falha. Como isto implica vários núlhões de apli- Ic
cações de tensões, o termo "vida do rolamento" é de uso geral. (
A importância de se saber a vida efetiva provável de um grupo de rolamentos ft>ode ser
Defme-se a vida de um certo rolamento como o número total de revoluções ou o número (
examinada usando-se a Eq. ( 4-22) . Deve-se considerar que a probabilidade de falha dj{ um dado
de horas de operação do rolamento, a uma determinada velocidade constante, necessárias para
rolamento é independente dos outros na mesma máquina. Se a máquina é montada com um
se desenvolver o critério de falha. Sob condições ideais,a falha por fadiga consistirâ num descas- (
total de N mancais, cada qual tendo a mesma confiabilidade R , então a confiabilidade do grupo
carnento das superfícies que recebem carga. As noffitas da Associação dos Fabricantes de Man-
se rã (
cais de Rolamento (AFBMA) estabelecem que o critério de falha é a primeira evidência de fa-
diga. Observe-se, no entanto, que vida útil é freqüentemente usada como definição de vida até (
à fadiga . O critério de falha utilizado pelos laboratórios da Tirnken Company ** * é o descasca-
' (
pela Eq. ( 4-22). Suponha-se. que se tenha uma caixa de redução de engrenagens consistindo de (
• Para informação adicional vide "AFBMA Standanls", Jtbti.Friction Bearing Manufacturers Association, seis mancais, todos carregados de forma que as vidas L 1 0 sej ~m iguais. Como a c?nfia~ilidadede (
New York, 1972. cada mancai é 90%, a confiabilidade de todos os mancais-no.conjunto si:tá · ' ·· ·· .' ~!: ~'> _, , .•
• • Estas equações não são necessárias aqui Pm'apreSenUtção completa vide Hudson T. Morton, "Anti-Friction
Bearings", 2!1 edição, págs.: 223-236 , HudSÔn ~ 'Moíton; .Ann Arbor; Mich., 1965.
. ;• . · ·-· t...;_.,. _.
l
* • * Timken Engineering Joumal, voL 1, Pít;;~7,2, 1'Jili ;J;lrnten <.;oJJipany, 1972.
.. ' :~ (0,90) 6 0,531
·CJ
) ;( ·.-
~ 374 I ELEMENTOS DE MAQUINAS
( MANCAfS DE ROLAMENTO I 375

( Isso indica a necessidade de se selecionarem rolamentos comco~d:iabilidades maiores que 90%. ou


( A distribuição de falhas de rolamentos segue apiO)timadamel1te a distribuição de Weibull. *
Esta distribuição é amplamente utilizada em Engenharia e é particularmente útil no estudo de
( falhas por fadiga. Upson** mostra como a maioria das distribuiÇÕes pode ser caracterizada
lllb = 9,491178 (b)
por dois ou mais parâmetros. No caso da distribuição normal, o valor médio p. traduz a qualida-
(
de, enquanto que o desvio-padrão a traduz a uniformidade da distribuição. No caso da distri- Agora escrevendo-se a Eq. (10-2) novamente, usando-se R ""0,50, correspondendo a L= 5 L 1 0 ,
c buição de Weibull, os parâmetros correspondentes são 8, wn valor característico, e b. o expoen- tem-se ·
te de Weibull. Uma forma da função de Weibull pode ser escrita como
(
c
R= exp. f- urJ (lO-I)
0,50 = exp. [- (~~~~:rJ = exp f- (~rJ (c)

c
( Aplicando-se o logaritmo neperiano a ambos os lados desta equação, tem-se
onde R confiabilidade
c t
8
tempo
vida de projeto 5b
( -0,693147 = - -·;; (d)
b = expoente de Weibull m
( Para nossas aplicações, a equação é mais útil na forma

c ( 10-2)
Agora substituindo-se o valor de m 6 da Eq. (b) em (d) e resolvendo-se para b, encontra-se:

c 5b
c onde .R = confiabilidade correspondente à vida L
1
L o = vida nominal (R = 0,90)
-0,693 147 = - ---
9,491 178
c m =constante de escala 5b = (9,491179)(0,693146)
( b log 5 = log 9,491178 + log 0,693147
Pode-se encontrar a constante de escala e o expoente de Weibull se dois pontos da curva de ex-
( pectativa de vida forem conhecidos. Como observado por Mischke;*** a equação resultante é b = 1.17
( aproximada para todos os demais pontos da curva. Para ser conservativo, deve-se considerar,
como Mischke faz, que a vida mediana é 5 vezes mais longa que a vida nomin;ll .... Então, da Eq. (b)
( R
Para se acharem os dois parâmetros de Weibull, primeiro substitui-se = 0,90, e L = L 1 0
( na Eq. (10-2), obtendo-se · ' m = (9,491178) 111 •17 = 6,84
(
(
0,90 = exp. [- (~~:orJ = exp. ~b] f- (a) E então a Eq_ (I 0-2) pode fmalmente ser escrita como

( Aplicando-se o logaritmo neperiano a ambos os lados: R=exp,


L
- (- - -
)1,17]
[ 6,84L10 (10-3)
( 1
-0105361 = - -
( ' mb /

(
( '· EXEMPLO 10-1•

(i • Uma análise e um desenvolvimento excelentes da distribuição de WeibuU está contida em Charles Lipson e Certa aplicação requer um rolamento que dure 1800 h com conf!abüidade de 99%. Qual deve ser a vida·
Narendra J. Sheth, ''Statistical DesCn and Analysis ofEIJ8ineering Experiments", págs.~36-44, 84-87, 111-113, nominal do rolamento selecionado para esta àplicaçio?

~.i
McGzaw-JiillBook Company, New York,l973,
•• Op cit., pág. 84.
••• Charles Mischke, Bearing Reliabüity and Capacity,Machine Design, vol. 37, n!> 22, págs. 139-140, 30 se-
• Vide também Eugene Shube, Bali-Bearing Survival, Machine Design, vol. 34, n? 17, págs. 158-161, 19. ju-
tembro, 1965. lho,l962.
( _
. MANCAIS DE ROLAMENTO I 377 (
6 I ELEMENTOS DE MAQUINAS
37_
(
Pl)rém. a equação é m:iis utilizada na fonna
SOLUÇÃO (
Substituindo na Eq. (1().3) como se segue:
C= FiJia (10-6) (
0,99 = exp. [ -
~ J800 ) I • I
\6.84L.o
"1 (
Por exemplo, se desejamos urna vida de 27 milhões de revoluç~s para um rolamento de rolos,
-· - ·· -- --- ------ - - - - ----- --:---- então a capacidade dinâmica de carga devetã ser: ··~ ~~ "~---~ - --= · (
Aplicando o logaritmo neperiano em ambos os lados e simplificando o resultado:
i(
C= F(27) 3110 = 2,6.9f c
( 1800)1. 1 7 678,7
-0,010050=- (6,S 4 )1,17(L )LI7 = (L 10 p.•7 (
10
ou 2,69 vezes a carga radial real. - (
L
10
=( 678,7 ) u,•7 = 13 4(10)3 h Rcsp.
t uma prática comum entre os fabricantes de mancais especificar a carga radial nominall
0,010050 ' 111 (
correspondendo a uma certa v~~ocidade angular em rpril e urna certa vida L 1 0 em horas. Por
exemplo, o Timken Engineering Joumal contém tabelas de cargas nominais com3 000 h de vida (
_L__._~oo rp~. Adotando-se o índice D para os valores de projeto .eRpara os
valores--de. _j cãiáiO:
go ou nominais, pode-se reescrever a Eq. (I 0-6) como: (
(
10-3 -CARGA NO MANCAL

Experiê~cias mostram que dois grupos de mancais idênticos, testados com diferentes car-
(10-7) c
(
regamentos pl eF2' terão vidas respectivas L I e L2 segundo a relação
(
onde~ é a capacidade dinâmica de carga corres{>Ondendo a L.R horas de vida L 10 à velocidade
(
L
L
1= (F
F
2 .) "
(10-4)
de nR -rpm. A força f é a carga radial real atuante no mancal;Teve ser aplicáda pur LD horas de
vidãi. 1 0 a urna velocidade de n'D rpm. '- (
2 1

( "
onde a 3 para mancais de esferas :c
a I 0/3 para os demais mancais de rolamento
EXEMPLO 10·2
c
A AFBMA estabeleceu uma carga nominal padrão para mancais onde a velocidade não é (
Deve-se selecionar um rolamento de rolos para suportar urna carga radial de 4 kN e ter uma vida
considerada. Este valor é denominado capacidade dinâmica de carga. Define-se a mpacidade di-
nâmim de mrga C wrw:J a mrga radial constante que um grupO de manmis aparentemente idb]- .
L 10 de I 200 h, à velocidade de 600 rpm. Que capacidade dinâmica de carga deveria ser escolhida no Tim· '(
ken Engineering Journal.'
.t.(cos é capaz de sUP(}rtar para uma vida nominal de um milhão de revoluçôes do anel interng.
(carga estacionária e anel externo estacionário). A vida nominal de um milhão de revoluções é SOLVÇÃO ~
c
um valor de base selecionado de forma a facilitar o câlculo: A carga nominal correspondente é Os valores a serem usados na Eq . (10-7) são F= 4 kN ,LD =I 200 h,LR = 3 000 h, nD = 600 rpm, (
tão elevada que produziria deformação plástica das superfícies de contato caso fosse efetiva- nR = 500 rpm e a= 10/3. Então, deve -se ter
(
mente aplicada. Conseqüentemente, a capacidade dinâmica -de carga é apenas um dadQ de refe-
_rência; uma grande carga como essa provavelmente nunca seria aplicada. (
Outros nomes que são utilizados correntemente para a capacidade dinâmica de carga são : c R= 4 ( 1200) (600) 13/10 = 3,21 kN (
carga nominal dinâmica, catga nominal básica; capacidade dinâmica básica e capacidade dinâmi- r 3000 500
ca especifica. ,. ,. (_
Usando-se a Eq.'(l0-4), a vida de um rolamento sujeito a qualquer outra carga F será Os valores de Timken estão listados em Unidades Inglesas e em decanewtons (ver Tab. A-1). Então, a capa-
cidade dinâmica de cargà usada para entrar no catálogo é 321 daN_ ··· (
II/I (
(10-5)
v( . ··'

f'.
l}, 378 I 'ELEMENTOS DE MAQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 3~

r ~
(I Também é possível desenvolver-se uina relação para detett'itillar os valores nominais cata-
logados correspondendo a qualquer confiabilidade desejada. Para esta relação. deve-se observar
que terá o mesmo efeito ·na vida .do mancai que as cargas aplicadas. A equação da. AFBMA
para a carga radial equtyâlente para rolamentos de esfera é o maior dos dois valores
( que o inverso da Eq. (I 0-3) é
'( F,= VF, (10-10)
1( , 1 ( L ] •.n (a)
R= exp. 6,84L
k 10
F.= XVF, + YF, ( 10-11)

onde L é a vida desejada, correspondendo a uma confiabilidade R. Aplicando-se logaritmo ncpe-


onde Fe =carga radial equivalente.
riano a ambos os lados, tem-se
Fr = carga radial aplicada .
Fa = carga axial aplicada .
1 ( L )l,t7 V = fator de rotação.
In R= 6,84 -:(:-:-L-7) 1,...,'1'"7
10 X = fator radial.
Y = fator axial .
Resolvendo-se para L to,
Na utilização destas equaçÕes o fator de rotação V é para corrigir as várias .condições de
rotação dos anéis. Para um anel interno rotativo, V = 1. Para um anel externo rotativo, V= I ,2.
L I
L 10 = 6,84 [In (I/R)JI 11 • 17 (I 0-8) O fator 1,2 para rotação dos anéis externos deve-se simplesmente à observação que a vida até à
fadiga se reduz nestas condições. Os rolamentos autocompensadores são uma exceção; possuem
V= I para rotaçfo de qualquer dos anéis.
A Eq. (I 0-8) expressa a vida nominal correspondente a qualquer vida L com confiabilidadc R . Os fatores X e Y da Eq. (10-I1) dependem da geometria do rolamento incluindo-se o nú-
Incorporando-se esta expressão à Eq. (I 0-7), tem-se: mero e os diâmetros das esferas. Quando se faz dedução teórica dos fatores X e Y encontram-
se curvas resultantes que podem ser aproximadas a pares de retas. Então, há dois valores de X

LD) ("n) ( l
C~~,= F [( L 11 n11 6,84
) ] l/a I
[In (1/R)Ji 11 ' 17"
( 10-9)
e Y listados na Tab. 10-1. Deve-se usar sempre o conjunto de valores que fornece a maior car-
ga equivalente .
A AFBMA estabeleceu dimensões padronizadas para rolamentos, definindo o diâmetro
interno, o diâmetro externo, a largura e os tamanhos dos fJletes nos ressaltas do eixo e do en-
caixe. O quadro básico cobre todos os mancais de esfera e de rolos cilíndricos. O quado é bem
EXEMPLO 10-3 flexível pois, para um dado diâmetro interno, há uma variedade de larguras e diâmetros exter-
Que capacidade dinâmica de carga seria utilizada se a aplicação no exemplo 10-2 deve ter .uma confia- nos. Além disso, os diâmetros externos selecionados sã"o tais que, para um diâmetro externo
bilidade de 99%? particular, pode-se normalmente achar uma variedade de rolamentos com diãmetros .intemos e \
larguras diferentes.
SOLUÇÃO
Os dados sfo idênticos aos do exemplo 10-2 e além disso,R = 0,99, A Eq. (10-9) fornece:
Tabela 10-1. Fatores de Cup Radial Equinlente

[( 1200) (600) ( I )] I
3 1

C~~,= 4 3000 500 6,84


1 0
[In (l/0,99)]1"•·•7KIOi31 = 5,86 kN
Tipo de RolluMnto XI . yl x2 y2

Então, entra-te no catálogo com CR = 586 daN.


Rolamentos de eSfcn;de-ôóDíaiõ ~-" ~~=~~c.. --

radial o 0,5 1,4


Rolamentos de esfera, de contato anguiai
104 -SELEÇÃO DE ROLAMENTOS DE ESFEitA E D~ ROLOS._(:R.Iltm~S l com pequena deflexão
Rolamentos de esfera, de contato qular
com grande deflexfo 1
1,25

0,75
0,45

0,4
1,2

0,75
· Com exceção dos rolamentos axiais, como na Fig. 10-2í, empregam-se rol8mentos de esfe- Rolamentos de esfera, catreila dupla e
ra geralmente com alguma combinaçã"o de cargas radiais e axiais. Como os dados de catálogo tipo dúplex (DB ou DF) 0,75 0,63 1,25
baseiam-se apenas em cargas radiais, é conveniente defmir-se uma CIP'grJ radial equivalente Fe
(~:.
380 I ELEMENTOS DE MAQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 381
cJ
(
~·~~.~{·· ·-'~,_,..,...,o~r..·-·•''~4 ~: ._!c.; .._,.•...
" ·' '" O quadro básico da AFBMA está ilustrado na Fig. 10-5 . Os rolamentos sàQ identificados 2 3
por um número de dois algarismos denominado o código das stries de c1fmensões. O primeiro (
algarismo do código é da série de larguras, O, I, 2, 3, 4. 5 e 6. O segimdo algarismo é da série
de diâmetros (externos) 8, 9, O, 1, 2, 3 e 4. A Fig. 10-5 mostra uma variedade de rolamentos
1(
que podem ser obtidos com um único diâmetro interno. C'omo o código das séries de dimensões
não mostra estes tamanhos diretamente, é necessário recorrer a tabelas. As séries 02 e 03 de ro-
Séries de
dimensões ...,._
k
I .

fameritos sio aS mais usadas na indústria, e as dimensões de 31~~35-;lest~ · ;tão-Í~tad~s ~as ···· >(
(
i
Tabela 10-2. DimensOes e Capacida4es Dinâmicas de Carga par:a a Série 02 di Rolãmeiitos .d e ESferas i(
Fig.l0-5 Quadro~ da AFB~ pala.~nsõés de rolame~tos. Aplicam-te a rolamentos de esCem, de
rolos cil{ndrlcos e de rolos esCúicOs, mas Dio a rolamentos de rolos cônicos ou de esfera da série em polega-
k
Diâmetro
Interno
Diâmetro
Externo
Largura Raio do
Filete
Diâmetro dos reÚaitos ' capaCidade das. O contamo das arestas nfo é espocifiéado; pOde ser aoedondado ou chanfmdo, mas dew ser pequeno o k
(mm} (mm) (mm} (mm}
(mm)

eixõ · suporte
Dinlimica
de Carga
suficiente para n1o intervir no mio do filcto especificado nas noDiliS.
k
I
ds cJH (kN} dações a respeito da vida do rolamento para algumas classes de máquinas. Os fatores de apli- (
!
cacfo de carga na Tab. 10-6 têm a mesma função dos fatores de segurança; deve-se _!!_sá~los
para aumentar-se a carga equivalente antes de se selecionar um rolamento.
!C
10 30 9 IIJ> 1.:!5 :!7 .15X
1.:! 32 10 11,6 14,5 .:!X 5.::!1
:(
15
17
35
40 "
12
0 ,6
0,6
17,5
19,5
·'I
J4
5.117
7J4
:c
I

2.<!.. .1L 14 IJI ~ 41 _'UL- Tabela 10-3. Dbnensl}es e Capaddades Diniuíieas de Cazp.para a Série 03 de Rolamentos de Esfens
:c
i
25 52 15 30 41
30
35
62 16
1.0
1,0 35 55
111,11
14,9
Dúimetro Rlliodo Diâmetro dot reualtos Capacidade
:c .:
40
12
80
11
18
1,0
1,0
41
46
65
12
19,K
22,5
Diâmetro
Interno Externo
ÚlrgUTrl
Filete (mm) DintimJCII :c .
45

50
85

90
19

20
1,0

1,0
52

56
77

!12
25.1

26,9
(mm) (mm) (mm) (mm) eixo suporte
de Cargo

(lcN)
c:
55 100 21 63 90
d, dh ·( ·~
1,5 33,2 _; ·~
'60
.

11Ô 22 1,5 70 99'' 40,3


65 120 23 1,5 74 109 44,1
70 125 24 1,5 79 114 47,6 35 11 0,6 12,5 31
("
10 6,23
12 37 12 1,0 16 32 7,48 (
75 130 25 1,5 86 119 50,7 15 42 13 1,0 19 37
80 140 26 93 127 ---ª·72
2,0 55,6 17 47 14 1,0 21 41 10,37 ( i
85 150 28 2,0 99 136 64,1 20 52 15 1,0 25 45 12,24
90 160 30 2,0 104 146 73,9
95 170 32 110 156
(
2,0 83,7 25 62 17 1.0 31 55 16,2
30 72 19 1,0 . 37 65 21,6 (
35 80 21 1,5 43 70 25,6
40 90 23 1,5 49 80 31,4
45 100 25 1,5 54 89 40,5
(
50 110 27 2J) 62 97 47,6
(
Tabs. 10-2 e 10-3. Os diâmetros dos ressaltas do eixo e do encaixe, listados nas tabelas (Fig.
55 120 29 2,0 70 106 55,2
I 0-6), devem ser usados sempre que possível a fim de asSegurar uma fixação adequada do 60 130 31 .2,0 15 116 62,7 (
e
rolamento e resistir a maiores cargas axiaiS. A Tab. 10-4 lista as dimensões capacidades dinâ- 65 140 33 2,0 81 125 71,2
(_ .
micas de carga para alguns rolamentos de rolos cilíndricos. 70 150 35 2,0 87 134 80,1
A fim de ajudar () projetista na seleção de rolamentos, a maioria dos manuais dos fabri- 75 160 37 2,0 93 144 87,2 !C
153

~~c··
cantes contém dados sobre a vidado rolamento para diversas classes de máquina.$, bemcomo in- 80 170 39 2J,) 99 94,8
85 180 41 2,5 106 161 101.9
formações sobre fatores de aplicação de carga. Tais informações foram obtid~ 4e~módope_n~, 90 190 43 2,5 111 170 110,8
isto é, a.través de experiências, e o projetista inexperiente deve utilizá-las até adquirir experiên- 95 200 45 ' 2,5 117 . 179 117,9 .
cia suflCiente para saber quando é que pode fazer modificações.A Tab. lQ-5 ç,o~t~m ~cxmte.~-
; 1

r
382 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 383
:
Tabela 10-4. DimensOes e C.p.cidades DiDâmk:as de Cup .,úa R.olameatos de Ro~ Cilíadricos
I
i
' Tabela lO:.S) ~eé:ÓinênciaÇões para Vida de Rolamentos para Várias Classes de Máquinas
" - ;'"·-· ; .~ '·l.'

( \

r SiTie 02 SlrkOJ
Tipo de Aplicàção Vida,JOOOh

r Di4metro
Interno
{mm)
Diâmetro
Externo
(m.m)
úugunz

{mm)
CIITga

(kN)
Di41netro
Externo
(mm)
lATgurll

(mm)
Cargll

(kN) Instrumentos e aparelhos de pouco uso até 0,5


Motores de aviões 0,5-2
Máquinas para operação curta ou ihtermitente onde a interrupção do serviço é de pouca
importância 4-8
25 52 15 10,9 62 17 23,1 Máquinas para serviço intermitente onde é muito importante uma operação conf"láve1 8-14
30 62, 16 18,0 72 19 30,3
Máquinas para 8 h de serviço diário nem sempre utilizadas inteiramente 14-20
35 72 17 26,0 80 21 39,2
34,0 23 46,3 Máquinas para 8 h de serviço diário, utilizadas inteiramente 20-30
40 80 18 90
45 35,6 100 25 63,6 Máquinas para serviço contínuo de 24 h 50-60
85 19
Máquinas para serviço contínuo de 24 h onde a oonimbilidade é de extrema importância 100-200
50 90 20 36,9 110 27 75,7
55- 100 21 45,4 120 29 92,6
60 110 22 55,6 130 31 103,0 ·
65 120 23 65,0 140 33 116,0
Tabela 10-6. Fatores de Aplicação de Carga
70 125 24 65,8 150 35 \36,0

75 130 25 80,1 160 37 162,0


80 \40 26 87,2 170 39 163,0 Tipo de Aplicação Fator de Carga
85 150 28 99,7 180 41 196,0
90 160 30 126,0 190 43 211,0
95 170 32 140,0 200 45 240,0
Engzenamento de precisão 1,0-1,1
100 180 34 154,0 215 47 274,0 Engrenarnento comercial 1,1-1,3
!lO 200 38 205,0 240 50 352,0 Aplicações com rolamentos selados ordinários 1,2
120 215 40 220,0 260 55 416.0 Máquinas sem cazga de choque 1,0-1,2
130 230 40 239,0 280 58 489,0 Máquinas com cazga de pequeno choque 1,2-1,5
140 250 42 280,0 300 62 538,0
Máquinas com carga de choque médio 1,5-3,0

10-5 - SELEÇÃO DE ROLAMENTOS DE ROWS CONICOS

A nomenclatura de rolamentos de rolos cônicos difere em alguns aspectos da dos rola-


mentos de esferas e de rolos cilíndricos. O anccl interno é denominado de cone e o externo, de
anel de rolamento, como mostra a Fig. 10-7. Pode-se também ver que em um rolamento de
rolos cônicos o anel de rolamento pode ser removido do conjunto cone-rolos.
Um rolamento de rolos cônicos é capaz de suportar tanto cargas radiais quanto axiais ou
qualquer combinaçlo da,s duas. No entanto, mesmo quando uma carga axial externa nfo está
presente, a carga radial induzirá ullla reaçã"o axial no rolamento devido à conicidade. Para evi-
-tar-se a separaçfo entre as pistas e os rolos, tal carga axial de'\'e ser anulada por uma força igual
de sentido·con:tttno:·Utfil"'forma de se gc:nir estaforça é_"'sar sempre pelo menos doiS iolamen~
tos de rolos cônicos num eixo. Estes podem ser montados com à partes traseiras em oposição,
denominada montagem indireta, ou com as frentes em opooiÇio, .denominada montagem direta.
O componente axial Fa produzido por uma carga puramente radial Fr é especificado pela
Timken como · · ·· ··

~ 10-6 . O. diimetros dos reaabos.do mo e do encaixe d1 e dH ~ ser adequados pca uaeauzar uma F = ~47~
boa~ pca o JDIDcaL • K (10-12)
\ .
1:'
. aB4 I ELE"'ENTOS [)E MÁQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 385 (~
(
onde K é a raZão entre as capacidades nominais rad,i;tl e :IX.ial (do ~oJan~nto). A constante 0,4 7 A Fig, 10-8 tÍtostia uma montagem típica de mancais sujeitos a uma carga axial externa
(
é derivada do somatório dos componentes dos roletes que suportant a éarga. O valor de K é de Te. As reações radiais F,A e F, 8 são obtidas pelo cálculo de momentos em relação aos centros
aproximadamente 1,5 para mancais radiais e 0,75 para mancais de·gmnde deflexão. Estes valo- efetivos de carga G. A distâitcia a (Fig. 10-7) é obtida no catál<?~o de especificações (Timken (
res podem ser usados para uma seleção preliminru; de mancais depois da qual os valores exatos Engineering Journal). Calculant-se as cargas radiais equivalentes' usando-se uma equação seme-
(
podem ser obtidos pelo Timken Engineering Journal a fim de verificar a seleção. lhante à Eq. (lO-i 1), exceto pelo fator de rotação, não empregado para rolamentos de rolos
cõnicos. _Usam~~os..indices..A . e-B .para designar-se cada -um dos dois rolamentosda -Fig:-10-8: t(
A carga radial equivalente no rolamento A é
(
Raio da face nn•n•.,·íor- Raio da face
(
da capa r (10-13)
(
(
Separador e para o rolamento B,
ou porta rolos (
Ressalto da ---til.~
face anterõo r (
0,47f,A
Cl do cone F, 8 = 0,4F, 8 + K 8 ( ---y:;- - '4) (10-14)
(
w
o
.
a.
c
..
~ Se a carga radial real em qualquer dos mancais é maior que o valor ~rrespondente de F,, en- ( ''
2
"O
g
à;
..,~
tão usa-se a carga radial real em vez de Fe para aquele mancai .
A Fig. 10-9 é uma reprodução de parte de uma página de um catálogo típico do Timken c;
x.. õ Engineering Journal.
( '}

~~---1
Para o mancai B, aplica-se a Eq. ( 10-14). Então
e
lõ Raio da face posterior
c ";
do cone, R _ ·((),41F,A ) [(0,47) (3892) ] ( - -~
F ~B = 0,4F,B + K B ~ - '4 + 1,5 --~~Ss-
_ - -
= (0,4) (2780)

= 1214N
1112 =
'
( . .... r
.(
Observa-se que foi usado o valor real de K A , mas K 8 foi considerado igual a 1,5, como antes. · ~ -
Fig. 10-7 Nomenclatwa de um rolamento de rolos cônicos. O Ponto G é o centro efetivo de carga; usa-se
este ponto para se calcular a carga radial do rolamento. (Cortesia de The Timken Company .) ,C :
C.
EXEMPLOJ0-4
·C
Na montagem vista na Fig. 10-10, o anel de rolamento gira, enquanto que o cone pennanece estacio-
nário. O rolamento A está submetido a uma carga axial de 1112 N e a uma carga radial de 3892 N. O rola- c·
mento 8 está submetido .a uma carga radial pura de 2780 N. A velocidade angular é de 150 rpm. A vida
L 10 desejada é de 90 000 horas. Os diâmetros de eixo desejados são 35 mm (~ I 3/8 pol.) e~m A e 31,8 mm !C.-
T, ( ~ 1 1/4 ") em 8. Selecionar rolamentos de rolos cônicos adequados, usando como fator de aplicação a unidade.
Ic
! c
SOLUÇÃO
C,;
Como só há carga radial em 8,a <:aJga axial em A é aumentada pela carga axial induzida devido aB.
Aplica-se a Eq. (10-13). Por tentativa, fazendo-se K = 1,5·, tem-se 0
c~
F~,.= 0,4f,,. + .KA(?·~:''+ T+= (0,4)(3892) + 1,5 ( ( ' :.~
0 47 2780
A B ) + 1·112] =
p~~h,o esc1ue1má1tico mostrando um par de rolamentos de rolos cônicos colocados num só ei'lo, . •_.;_r;,~--- ~ .• -~~ ·.
c.:
~
As forças radiais dos rolamentos sio F,A e F,a· Te é a carga axial externa. = 4537 N
.
386 I ELEMENTOS DE MAQUINAS
MANCÂlS OE RÓLAMENTO I 387
Então FeA > I·~A, daí usar-se 4537. N como a carga r.tdial equivalente p:ua a seleção do mancai A. A se-
guir usa-se a Eq. {10-7) para obter-se a especificação /.,'o •.Usando•se /. R = 3000 h c "R = 500 rpm, ~m

[(-LRLo) (no) ]''•= 10


c R = F -
nR
4537 .[(90) (150).].
-
3 500 ·
- .3 8763 N (1969 lkfl

Usando-se este resultado e um diâmetro interno de 35mm entra-se nas foUtas do catálogo (Fig. 10-9 é tí-
pica) e seleciona-se um cone LM 48548 e um anel de rolamento LM49510 . Este rolamento tem uma espe-
cificação L 10 de 9523 N (21001bf) e K =1,55 . Como considerou-se K = 1,5 , a diferença é pequena c não há
necessidade de recalcular-se FeA. ·

Fig. 10-10 Rolamentos de rolos cônicos aplicados a uma unidade de redução por engrenagem.

Como FeB < FrB• usa-se FrB · Aplicando-se novamente a Eq. (10-7), encontra-se a especificação L 10 dese-
jada

... ....
!);6oft. Oi...
-~
-
"-•
L,. •lUGO•
.....
.......
-
--
--. . - .... -·.
... ... .._.,.,.....
...
.,_
Cone

........ .,.......
Capa

-·-· ......... Oõlm.tfCJa

r-.--·
Este rolamento deve ter diâmetro interno de 31,8mm. Portanto, da Fig. 10-9, seleciona-se um cone 08125 e
um anel de rolamento 08231. A especificação L 10 é de 5696 N (1280 lbf) com K = 1,23. Como empregou-se
d o T K a@ R<i> B db da r<i> c ob o. a carga real, em vez da menor carga equivalente, não há necessidade de recalcular-se FeB·
1,2500 2,3125 0,5711 12!0 1040 1,23 ~IT> 0,04 0,5937 1,48 1,42 0,4219 2,17
•l:rs 11231 0,04 2/T>

-
"'JJI-
1,2500 2)210 o,6250 ISIID 1110 1,42 ~.12 s.e<. 0,6600 1,67 1,42 0/T> 0,4650 2,0S 2,20
11111111
1,2500 2,4404 0,6250 ISIID 1110 1,42 -G,I2 0,03 · 0,66011 L46 1,42 o,os 0.4650 2.13 2,24
IJI5lll14
1,2500 2,4409 0,7150 mo 1190 1,67
~~' 151n Spec. 0,1500 1.57 0,5625 2,17
i\ I~ 7 LUBRIFICAÇÃO
15Z4S . 1,44 o,os 2,28 1
1,2500 2,4409 0,7500 1990 1190 1,67 ~,23
~.~ 1 2.11

--
I ~.14 ú,lll'l UI
\~/
151:15 15Z4S ! ~44
'·'' 2,28
/

1,3125 3,0000 1~553 3110 36lO 1p7 ~;n


-11 0~5 1~250 2,09 1,75 0,03 0,9063 2,56 2,17 ~ícies .que . entranu:m .contato em mancais.dÚolamentQ.tênunovimento relativo
1,3125 3,4843 1,0000 3110 4250 0,75 0,1)! oMIJI o,oa 0,9330 2,01 1,19 0,06 0,6875 2.95 3.31
de rolamento e <ksliz~nto, de !l!O!i9..q~-~ j._ifí~_e!l~l.l.!ier·se exat~ll~ Q que ocorre. Se a
1,3750 2,5625 0)100
velocidade relativa das superfícies que deslizam é suficientemente elevada,· entlo a açf'o do lu-
2140 13110 1,55 -0,15 s,ec. 0,7200
~ UMISII 1,11 I.SI 0,05 0,5500 2,28 2,40
brificante é hidrodinâmica. (Ver Capítulo 11.) Lubrificaçiio eklstoidrodinâmica_(~~)__~o fe~
1,3150

1,3750
2,5625 0,1300

2,6250 D,l125
mo

2520
13110 1,55

1520 l,lli
~~5

~p
...
"'ll44$44l UMI$11A Op3 0,7200 I,St 1,66 0,06 0,6700 2,28 2,40 nõmeno que ocorre quando um lubrificante é introduzidQJmbeJU,pe.-{icies que est!"o em con~
fâto de rolamento~pi®. _Q ~~nta~_? d~Aen!es d(: en~nagens...L~~ 4e_ r()lamento e superfí-

·-
-1· 0,14 0,1125 1,13 1,57 0,119 0,6563 2,28 2,34
1,3750 2,&1175 0,1125 2330 1410 1,a -0,23
14525 0,14 0,1125 1,11 1.57 O/f9 0,6250 2,32 2,48 ~s !ipo carne-seguidor slo exemp!~..Jípicos. Quando wn lubrificante é .força~-~~~- duas
su.perfícies em :ontato por~~~. ~~!~~ . o ~..!19..1!l.húf!.J!!!Dte aume.~~~-~. entame
.. .n-
.te~~~dade-!e-r~l~iona,~.ltltODell.~-ª-ç_om apresslo,~de-aumen-·
1,3750 2)148 0,7113 2110 1420 I,SS . ~J 141J7l "" t42JU-- .O.AIJ. o,mo. 1,65 l.57 0,13 0,6250 2,32 2,41

1,3150

1,3750

1,3750
2,71U 0)113

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2,1150 0,1751
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1420 I,SS

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-··
141. .

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0,14

0,09

0,14
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0,1150
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1,91

1.'1
1,57

I.M 0/19
1,55 0,13
0,13 0,6250

0,7112

0,6875
2,32

2,36

2,44
2,48

2,72

2,61
· to de viscesid~....D.Q.Jub!!_fic.ant~ si~9 ~n~~ -~ -~~_r!~ciei']:.efi>CnS{iêJEer• observa que a
varil&!o dé vlscosida~ dentro e fora da pre~~contato é equivalente·( ,diferença entre asfal-
t'Q.(gº e_.ó~.o fino d~ máquina de costura. · - · .... --- · -·· .., . ~....
1,3150
·· Pode-se resuniir:·o:s objetivÔs dC wn lubrificante para mancais c1e· rolamento ·da seguin-
2,1150 0,1750 2620 2030 1,21 ~.ts Op3 0,1750 1,17 1,15 0,1! 0,6875 2,44 2,68
lll7t te maneira:
Fia, 10-9 Uma parte das tabelas de rolamentos TS do 1imún EtJKineerlfiK lour1111l, Seção 1. A página ori-
ginal contém equivalentes em SI escritos na cor vennelha embaixo dos valores em polepdas. • R. ·L, Leibensperger, When Selecting a Bearing, Mcclrine Deli8n, vol. 47, n.0 8; págs.: 142-147, 3 de abril,
1975. . .
(
388 I ELEMENTOS DE MAQUINAS MANCAIS DE ROl-AMENTO. / 389: (
(
Fornecer um filme de lubrificante entre as -sUperfícies de rolamento e deslizamento. O vedador de labirinto é particularmente eficiente em instalações de alta velocidade e po-
(
Ajudar a d~tribuir e dissipar calor. de ser \1~~~ tanto com óleo como com graxa. Algumas vezes, é usado_COf!l__<l.~.fletore~,_ Pelo me-
Evitar corrosão das superfícies do niancàf. T - - nos três ranhuras devem ser usadas, e podem ser feitas tanto no diâmetro interno como no ex- 1(
Proteger as peças con'tra a entrada de matéria estranha. temo. O espaçamento entre elas pode Variar entre 0,254 e 1.016 mm, dependendo da velocida-
de e da temperatura. . · - ··· . . . ·. . (
Pode-se empregar comojpbrificante,.tanto..óleó.-CO~a. As regras seguintes podem (
ajudar na decisão entre eles: · ..•.. ·;. ' : · ,..·
10-8- DETALHES DO EIXO E DO ENCAIXE (
~-- .' .· ~- ~:'~~f_~i>~~
(
Há tantas maneiras de se montar um mancai de rolamento que cada novo projeto é um
USIIr graxa quando USilr óleo quando
verdadeiro desafio à imaginação do projetista. O diâmetro interno do encaixe e o -diâmetro c
externo do eixo devem ter tolerâncias muito pequenas, o que evidentemente aumenta o custo. (
1. A temperaturn não é superior a 93•c 1. As Wllocidades são elevadas. Há, geralmente, urna ou mais operações de rebaixamento, diversas.operações de revestimento e
2. A velocidade é baixa. 2. As temperaturas são elevadas. operações de furação e abertura de roscas internas e externas, todas devendo ser executadas no (
3. Necessita-se de proteção-não usual contrn a
entrada de matéria estranha
3. Empregam-se vedações herméticas. eixo, no encaixe dO rolamento ou na placa que o cobre. Cada uma destas operações coptribui
para o custo do produto de forma que o projetista, ao especificar urna montagem livre cie pro-
c
4. Desejam-se invólucros simples para os mancais 4. O tipo de mancai não se presta à lu brilica~'ào blemas e de baixo custo, vê-se diante de um problema difícil e importante. Os diversos manuais (

5 Deseja-se operação por longos períodos sem 5.


por grnxa.
O mancai é lubrificado por uma unidade central
dos fabricantes de rolamentos fornecem muitos detalhes de montagem em quase todas as áreas
de projeto. Porém, num texto desta natureza, somente será possível tratar dos detalhes mais c
,, manutenção. também usada par.l outras partes da máquina. simples.
O problema de montagem encontrado com mais freqüência é o que requer um rolamento
c
(
em cada extremidade do eixo. Tal projeto poderia usar um rolamento de esferas em um lado e
____ c
um de rolos cônicos no outro, ou um rolamento de esferas em um lado e um de rolos cilíndri-
10-7 -INVÓLUCRO cos no outro. Um dos rolamentos, normalmente, tem a função complementar de posicionar ou
localizar axialmente o eixo. A Fig. 10-12 mostra uma solução muito comum para este proble- (
Para impedir a entrada de sujeira e de matéria estranha e para reter o lubrificante, na mon- ma. Qs an~is ipternos são encaixados nos res::altos do eixo e presos através· de porcas de formato í(
tagem dos mancais deve-se incluir um vedadoi. Os três principais métodos de vedação são atra-
vés do vedador de feltro, vedador comercial e o vedador de labirinto.
circular, rosqueadas ao eixo. O anel externo do mancai da esquerda é encaixado num ressalto
do encaixe e preso através de um dispositivo que não é mostrado. O anel externo do mancai da
:c
Vedadores de feltro podem ser usados com lubrificação por graxa quando as velocidades direita fica livre no encaixe. (
são baixas. As superfícies onde ocorre deslizamento devem ser muito polidas. Os vedadores de Há muitas variações possíveis para o método mostrado na Fig. 10-12. Por exemplo, a
feltro devem ser protegidos da sujeira colocando-os em ranhuras usinadas ou utilizando chapas função do ressalto no eixo pode ser substituída por anéis retentores, pelo cubo de uma engrena- (
metálicas como protetores.
O vedador comercial é um conjunto que consiste do elemento de deslizamento e, geral-
gem ou uma polia, ou por tubos ou anéis espaçadores. As porcas de formato circular podem ser
substituídas por anéis de retenção ou por arruelas ftxadas através de parafusos, chavetas ou c
mente, uma mola de retenção, inseridos num invólucro de metal. Estes vedadores são geralmen- pinos cônicos. O ressalto do encaixe ·pode ser substituído por um anel retentor; o anel externo (
te montados sob pressão na capa do rolamento. Como a ação vedadora é obtida pelo atrito, (
não devem ser usados para altas velocidades.
c
.c·
c
c
c~.

(8) Vedador de feltro lbl Vedador comercial (c) Vadador de labirinto


c
(_'
Fll• 10-11 Métodos típicos de vedação. (Cortesia.do New:J>ilpartui&.Hyatt Divislon, General Moton Cor-
c;~
poration.) Fig. 10-12 Montagem comum de rolamentos.

;(
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(
t
390 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS MANCAIS DE ROLAMENTO I 381

(
t Fig. 10-~5 Disposições duplas para rolamentos de contato angular. <•> Montagem DF; (b) Montagem DB ;
(c) Montagem DT. (Cortesia da Miniature Precision Bearings, Inc.).

compensação de forma que, quando se aperta fnmemente um par de rolamentos, estabelece-se


automaticamente uma pré-carga. Como mostra a Fig. 10-15, usam-se três montagens. A monta-
Fig. 10-13 Montagem alternativa de rolamentos. gem face a face, denominada DF, suporta elevadas cargas ndiais e axiais de qualquer direção. A
montagem DB (parte traseira com parte traseira) tem a maior rigidez de alinhamento e é tam-
bém boa para elevadas cargas radiais e axiais de qualquer direção. A montagem "tandem", de-
do mancai pode ser flletado para um anel retentor, ou pode-se usar um anel externo com um nominada montagem DT, é usada quando a carga axial está sempre no mesmo sentido; como os
flange. A força contra o anel externo do mancai do lado esquerdo é normalmente aplicada pela dois mancais têm seus empuxos no mesmo sentido, se necessário, deve-se conseguir a pré-carga
placa que o cobre, mas se não há carga axial, o anel pode ser fiXado por anéis de retenção. de outra forma.
A Fig. 10.13 mostra um método alternativo de montagem onde os anéis internos são en- Os rolamentos são montados geralmente com uma ajustagem forçada no anel .rotativo,
caixados nos ressaltas do eixo como antes, mas sem requerer dispositivos de fiXação. Com este seja ele interno ou externo. O ane•.estacionário é então montado com ajustagem deslizante. 1sto
método, os anéis externos ficam completamente fiXos. Isto elimina os ftletes ou roscas, que pro- permite que o anel estacionário gire lentamente no encaixe, mudando continuamente o setor
vocam concentração de tensões na extremidade saliente, mas exige dimensões precisas numa sob carregamento, tendendo a homogeneizar o desgaste.
direção axial ou emprego de meios de ajustagem. Este método apresenta a desvantagem da dila-
tação do eixo, devido ao aumento da temperatura durante a operação, poder ser suficiente para
quebrar os mancais·, caso a distância entre eles seja grande. PROBLEMAS
Freqüentemente, é necessário usar dois ou mais rolamentos numa extremidade de um
eixo. Por exemplo, podem-se usar dois rolamentos para obter-se rigidez adicional ou maior capa- 10-1 O rolo impressor acionado por engreru.gem, mos1rado na fipra, pa a 300 rpm. A força F;; 900 N
atua como indica a fJgU.ta. Uma força uniformemente distnõuída w = 3500 N/m atua contra a super-
fície inferior do rolo 3, na direção positiva do eixo y. DCliHe selecionar rolamento de esferas, de con-
tato radial, da série 02, para esta aplicação e montá-los em O e A. Usar fator de aplicação 1,2 c vida
L •• de 30000 horas e determinar o tamanho dos mancais a serem utilizldos. Ambos os mancais devem
ser do mesmo tamanho.

(a) (b)

F~g. 10-14 Montaps com dois ro~entos. (Cortesia de The Timkem Company.)

cidade de carga, ou pua engaStU wn eixo. A Fig. 10.14 mostra várias montagens com dois rola-
mentos. Podem ser usados rolamentos de rolos cônicos, como mostrado, ou rolamentos de
esferas. Em ambos os casos, deve-se notar que o efeito da montagem é de pré-carregar os rola-
mentos na direção axial. .. . ·
Quando se deseja rigidez e resistência máximas ao desalinhamento de um eixo, usam-se,
freqüentemente, pares de rolamentos de esferas de contato angular numa disposiçlo denominada
dúp/ex. Os rolamentos fabricados pua a montagem dupla têm seus anéis retificados com uma Probl.lG-1
392 I ELEMENTOS DE MAQUINAS MANCAIS DE ROlAMENTO I 393
Ir
,(

10-2 A f~gura mostra uma áno~ eom cll&fCn:tgens com um pinhão em balan,-o ,·m C. Selecionar um rola- 104 Deve-se selcciorJar rolamentos de esfera. de contato radial, da série 02 e colocá-los em O e B, para su- k
;
mento de esferas. de contato rad\&1, Pan a montagtm em o.,. um rolam,•nto de rolos L'ilíndricos. para
a montagem ·em ·B; -A·força na engrenagem -:A-é F1(= 2700 N e a áivorc •kvc girar a 480 rpfil. llsar
portarem uma more com polia em balanço, como mostra a f"JgUra. As trações das correias são par.ile-
las e dispostas conforme indicado na f"JgUra. A tellsão no ramo-frouxo da polia A é 20% da tensão no
!(
fator de aplicaçio 1,4 e Yjda L 10 de. 50000 hor:as e determinar o tamanho dos rolan~ntos da Série 02 lado tenso. A velocidade da árvore é de 720 rpm. Os rolamentos deYCm ter conf"mbilidade de 90%, cor- :(
que devem ser empregadoS. respondendo a uma vida de 24000 horas. Usar fator de aplicaçfo unitário e o mesmo tamanho para os
mancais em cada apoio. Determinar um tamanho de rolamento apropriado. (
'(
(
;(
'(
(
(
/-
: Engrenagem 3 (
.p600 mm
(
(
X
Probl. 1Q-4 (
(
Probl. JQ-2 10-5 A árvore da f~gui-a tem correias paral~las. sendo que a tensio no ramo frouxo da polia 4 é 20% da ten-
são no ramo ~nso . A árvore gira a 840 rpm e os rolamentos radiais de esfw a serem selecionados,
c
10-3 A f~gura é um desenho esquemático de uma árvore com duas polias tipo V. i)cvc-sc sdecionar rolamen- para os pontos ire B, devem apresentar confJabilidade de 99%, correspondendo à vida de Z-4000 horas. (
tos radiais de esferas da série 02 e colocá-los em O c H_ A árvore gira a I I 00 rpm c os rolamentos devem Usar fator de aplicação unitário, mesmo tamanho de rolamentos e especificar as dimensões do rola-
ter vida de 12000 horas, com 99% de. cpnfmbilidade, utilizando fator de apliração unitáiio. A tensão mento da série 02 a ser utilizado. (
da correia no lado menos tracionado da polia A é 15% da tensão no lado mais tracionádo. Que tama-
nho de rolamentos deve ser usado se ambos de.:em ser iguais? y (
y (
(
(
(
(
(
550
c:
(.
X
(
Probl JQ-5
\ '( "

ser IC
I 0-6 Determinar as capacidades radiais de carp para um par de rolamentos de rolos cõnioos ,que dei-em
colOCados nos apoíos da árvÕre de ellgrenagens, como mostia\li ~- A árvore gira a 400 ipm. Os
mancais devem tervidaL, 0 lle 40000horas. Usar fator de aplicàçãÓ -unitáiiÔe K iPàJ
à l,S. - ·
c
~
Probl. 10-3
: ( ).~'.(
'
1.·
r
i
(I
(!
394 I ELEMENTOS DE MAQUINAS

)'l
1 2so
MANCAIS DE ROLAMENTO I 395

(
-Engrenagem 5,
( 1050N
</>600
(
(I

Engrenagem 4,1/> 300

I
Probl. 10-6 I

\ I Engrenagens 3 e 4,
i 28,5 1/>300
kN

I O· 7 Determinar as capacidades radiais de carga, em daN, para um par de rolamentos radiais de rolos côni-
cos, para montagem nos suportes D e C da árvore das engrenagens, com<> mostra a figura. As dimen- Probl. 10-8
sões longitudinais localizam os centros efetivos de carga dos rolamentos e das engrenagens. Os mancais
devem ter vida de 24000 horas, correspondendo à confiabilidade de 99,9%. A velocidade da árvore FA = 0,470 i - 0,342 j + 0,814 k e Fc =- 0,470 i - 0,342 j + 0,814 k. A notação F significa
é de 360 rpm. Usar fator de aplicação 1 ,2 e K igual a 1 ,5. /
F /I F I . Nes4! problema deseja-se determinar as capacidades radiais requeridas pelos rolamentos de
rolos cônicos a serem montados nos suportes em O e D. As dimensões da árvore mostradas na figura
determinam as posições dos centros efetivos de carga dos rolamentos e das engrenagens. Os rolamentos
devem ter vida L 10 de 60000 horas. Usar fator de aplicação unitário e K igual a I ,5, A velocidade da
árvore é de 1200 rpm.

10-9 A figura mostra parte de uma transmissão contendo uma engrenagem helicoidal e, em balanço, uma en-
grenagem cônica. Deve-se usar rolamentos de rolos cônicos em O e B, sendo que o rolamento em O de·

z~450
r
~
I

.z

I
Probl. 10·7 I
I I

~
I

-~X
I
I
I
I Engrenagem 4,
I _,-'
10-8 A ÍJgUra mostra .a árvore 4e um redutor com engrenagens helicoidais onde uma f01ça-f,= O"" 7,5 ,i+ lc."' ... 1/> 375 no crrculo
28,5 j - 10,2 K (kN) atua na engrenagem B como mostrado. As forças FA e Fc, demeSJilaintensidade, ', I ,.~ maior
resistem à força aplicada. As direções destas duas forças podem ser indicadas pelos vetoret unitários Probls. 10-9 e 10-10....... ._l......"'
c
396 I ELENU!NToS DE MAQUINAS (
(
ve suportar a maior carga axial. As dimensões referem-se aos centros efetivos de carga das engrenag..."'IS
e dos mancais. O -~tor força Fo; na engrenagem éõnica pode ser expresso~.na forma geral, por. Fo=
_= Fx i:+- !y_i + F1 k ou, para esta engrenagem cônica em partk--ular. na fomta !(
j(
F D = - 0,:!4:!F D i - 0,:!4:!F" j + o, 94(JFJ) k (kN)

_. Qs__!'9~rn_cmt~ <l~l'em te:r: Yi!la_L,. _de }6000 )toras concspondt:ndo _à w:locidadc da :ín-oredc 900.rpm. 11 I(
- j (

Usar 1,5 para K, fator de aplicação unitário e determinar a capacidade radial de cada mancai.

I O-I OUm rolamento de esferas, de contato angular, de pequena deflexão, deve ser colocado em O, na ftura,
kI
para suportar tanto carga radial como axial. O rolamento em Bdcvc ser de rolos cilíndricos. Determi-
nar as capacidades radiais necessárias a cada rolamento baseado na vida /. 1 • de 36000 hor.IS c na velo-
LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS ' :c
I

cidade de 900 rpin, na árvore. !c


I(
c
O objetivo da lubrificação é reduzír o atrito, o desgaste e o aquecimento das peças ·q ue se c
movem umas em relação às outras. Lubrificante é qualquer substância que quando introduzida (
entre as superfícies em movimento atende a esses propósitos. Em um mancai de deslizamento,
uma árvore ou munhão gira ou oscila dentro de uma bucha ou mancai e o movimento relativo é c
de deslizamento. Em um mancai de rolamento, o principal movimento relativo é o de rolamento. (
Um seguidor(tucho) pode rolar ou deslizar sobre a came.(excêntrico). Um dente de engrenagem
trabalha com uma combinação de rolamento e deslizamento. 0$ êmbolos deslizam dentro de (
seus cilindros. Todas essas aplicações requerem lubrificação para reduzir o atrito, o desgaste e o
(
aquecimento.
(
O campo de aplicação para mancais radiais é imenso. Os mancais da árvore de manivelas e '
das bielas do motor de automóvel _devem operar por milhares de quilômetros a altas tempera- --· (
turas e sob variadas condições de carga. Os mancais radiais usados eni .turbina a vapor de uma
(
usina geradora são escolhidos com uma confiabilidade quase que de 100 por cento. Por outro
lado existem milhares de aplicações nas quais as cargas são leves e o serviço relativamente sem (
importância. Usa-se , então, um mancai _simples, de fácil instalação, com pouca ou nenhuma /
lubrificação. Em tais casos, um mancai de rolamento pode ser umá solução inadequada, por ,
(
causa do preço, dos alojamentos trabalhados, das tolerâncias apertadas, do espaço radial neces- - (
sário, das altas velocidades, ou dos maiores efeitos de inércia. Em vez disso, um mancai de náilon •
não necessitando lubrificação, um mancai sinterizado com lubrificação mantida por ele próprio (
ou um mancai de -bronze com anel de óleo, copo com mecha, fllme ou película de lubrificante (
sólido, ou lubrificação à graxa, pode ser uma solução muito satisfatória. Os recentes desenvol-
vimentos na metalurgia dos materiais empregados em mancais, combinado com o aumento dos (
conhecimentos dos processos de lubrificação, agora -tornam possível projetarem-se mancais
(
radiais com vidas satisfatórias e confiabilidades muito boas.

Muito da matéria já apresentada neste livro foi baseada nos estudos fundamentais da En~e­
iC
! .
nharia, tais como estática, dinâmica, mecânica dos sólidos, trat~ento e usinagem de peças me- ;C
tálicas, matemática e metalurgia. No estudo da lubrificação e dos mancais r.1diais, deve-se utili-
zar, no desenvolvimento do assunto, estudos adicionais e fundamentais, tais como química, me-
:c i
cânica dos fluidos, termodinâmica e transferência de calor. Embora. não se utilize tudo isso no
aSsunto a ser aqui ventiládo, o leito(p{)a~, ágorlt;·ê~niêÇar;a'apreââr melhor como um projeto
c
de Engenharia Mecânica é realme~te utna .int~ràçlo de;*\íJt:ê>S' d~::seus estudQS prévios, todoS
agora orientados para se alcanÇar um único objétivo~ .., . .
c
r
{
398 I ELEMENTOS DE MAQUINAS

11·1 -TIPOS DE LUBRIFICAÇÃO


LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADI.AIS I

Quando ()S ~~çais devemHperar a temperaturas extre~, deve-se usar uma pelíÇll/a de
lubrificante sólido, tal como a grafita ou o bissulfeto de molibideno, porque os óleos minerais
399

(
Cinco formas distintas de lubrificação podem ser consideradas: comuns não são satisfatórios. Muitas pesquisas estão sendo realizadas atualmente num esforço
( para encontrarem-se composições para materiais de mancais que apresentem baixas relações de
1. Hidrodinâmica desgaste, bem como pequenos coeficientes de atrito.
(
2. Hidrostática
( 3. Elastoidrodinâmica
4. Limite 11-2- VISCOSIDÀDE* 0f4...
(
5. Filme sólido
( Na Fig. 11-1, seja A um móvel se deslocando com uma velocidade U numa película de
A lubrificação hidrodinâmica é aquela em que as superfícies do mancai, que suportam a lubrificante de espessura h. Imagine-se a película composta de uma série de camadas horizontais
( e uma força F forçando essas camadas a se deformarem ou deslizarem umas sobre as outras,
carga, estão separadas por uma película de lubrificante relativamente espessa de môdo a prevenir
( o contato de metal com metal e que o equilíbrio então obtido possa ser explicado pelas leis da como cartas de um baralho. A camada em contato com o corpo em movimento será considerada
mecânica dos fluidos. A lubrificação hidrodinâmica não depende da introdução do lubrificante como tendo velocidade U; enquanto que a camada em contato com a superfície estacionária
( sob pressão, embora possa sê-lo, porém requer um suprimento adequado de lubrificante todo o será considerada como tendo velocidade zero. As camadas intermediárias terão velocidades que

ç tempo. A pressão da película é criada pelo movimento das próprias superfícies, impelindo o lu-
brificante para a zona convergente (cunha de óleo) a uma velocidadfrsuficientemente alta para
dependerão de suas distâncias y da superfície fJXa. A lei de Newton para fluxos viscosos estabe-
lece que a tensão de cisalharnento no fluido é proporcional à taxa de variação dá velocidade,

~
criar a pressão necessária para separar as superfícies em contato, devido à carga no mancai. A com respeito ay. Assim
lubrificação hidrodinâmica é chamada também de lubrificação de filme completo ou fluida.
A lubrificação hidrostática é obtida pela introdução do lubrificante, o qual é, às vezes, ar ou F du
água, dentro da área carregada do mancai, a uma alta pressão, suficiente para-separar as superfí- T = - - =Jl-- (11-1}
A dy
cies com uma película de óleo relativamente espessa. Assim, diferentemente da lubrifi~ hi-
drodinâmica, não é necessário o movimento de uma superfície relativamente à out:l'll.Neste li-
vro,* não será abordada a lubrificação hidrostática, mas o assunto deverá ser considerado ao se onde Jl é a constante de proporcionalidade e defme a viscosidade absoluta. A derivada du/dy
projetarem mancais onde as velocidades são pequenas ou nulas e onde a resistência ao atrito é a taxa de variação da velocidade com a distância e pode ser chamada de grau de cisalhamento
deve ser mínima. ou gradiente de velocidade. A velocidade Jl é então uma medida da resistência de atrito interno do
~--.J'
A lubrificação elastoidrodinâmica é o fenômeno que ocorre quando o lubrificante é in- V r sro::;,/ DA-::)f~
.~
troduzido entre superfícies que estão em contato de rolamento, tais como as engrenagens ou
mancais de rolamento. A explicação matemática requer a teoria de Hertz das tensões de contato
e a mecânica dos fluidos.**
Uma área superficial insuficiente, uma queda na velocidade do movimento da superfície,
uma redução na quantidade do lubrificante fornecida ao IJl31lcal, ~umento na carga do man- um
cai ou um aumento na temperatura do lubrificante, reS1Jltando~
num .dêcrÇ5ch1lo
:;,'J" .J.j:.>,'.. · ,• .. '-·, '
·.·' . ·.. I ,.) /.·
da viscosidade-
{ C'' J . ~
'·\. ·..

qualquer .uma dessas causas - pode impedir a formação de uma pelíc\lla espessa necessária à
lt~blificaÇão com filme completo. Quando isto acontece;·a8 ~or~._aspeiezas da superfície po-
dem ser separadas pela película lubrificante apenas' por espessil~ moleculares. Isto ê chamado
de lubrificação limite. A mudança da lubrificação rudrodiriãnlicâ
.Para a lirÍrite não é realizada
e
subitamente ou ~ maneira abrupta. provável que ocorrà'pripteir() uma mistura dos dois"tipos Fig. 11-1
de lubrificação bidrodinâmica e lubrificaçlo limite e, ~o. as suP,d'ícies se movem muito u
__ pró~as.. 'lliilll. da_ outra, o tipo de lubrificação liriiit~-~-l.!_()_p~c:lº--imn~!e._ A ~dade do fluido. Se considerarmos que o grau de cisalhamento é uma constante, então du/dy = - e da
Eq. (11-1). - . - - -~- - ~·~ __ , .... .. h
~o é tio importante na lubrificação l,iriüte como o é a composição química..
- . -------- (ll-2)

• Ver Oscar Pinkus e Beno Stemlicht, ''Theozy of Hidroclynamic Lubrlcation", Capítulo 6, McGmw-Hill
~~~m_pany, New York, 1961. Ver também Dudley D. Fullet, "Theozy anel Practice of Lubrication for
~'',Capítulos: 3 e4,John Wiley &Sons,lnc.,New YÓJ:k,l9S6. - -- -- .
f!-J~~:j )·· o- , '- • ' ·. • , · ·- ' ;- _ :_ : ' i
• Pam wna completa discussão, ver qualquer texto de mecânica dos fluidos, por exemplo. W. M. Swanson,
"Ver A. Cameron, "Principies of Lubrification", Caps.: 7-9, John 'Wiley & Sons, Inc., New York, 1966. "Fluid Mechanics", págs.: 17-30, e 740, Holt, lUnehart e Winston, Inc., New York, 1970.
...
(
liGO I ELEMENTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 401 (
(
A urudade de visoosidade no sistema inglês é libra força-=or polegada quadrada; isto é. Então, a Eq. ( 11-3) fica
o mesmo que tensão ou pressa'o multiplicada pelo tempo. Esta unidade é chamada de reyn, em (
homenagem a Sir Osbome Reynolds. ·
No sistema internacional (SI), a viscosidade absoluta, também chamada de viscosidade di-
n4mica, é medida em pascal-segundo (Pa.s); é o mesmo que newton-segundo por metio quadra-
180) (lo- 6 )
. v= .( o,22r- -,- 01-4)
~~
. .<I.o.,.A c;onversão da unidade inglesa para unidades SJ -~ Jg_u!l~ª-ºa t~q_$,;TQ_,_Por~xemplo. multipli-
ca-se a viscosidade absoluta em reyns por 6890 para convertê-la para Pa.s.
- --- o ·--k
A Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (ASME) publiêou uma relação das uni- ' fi I. I I - , t -·
!c
dades cgs que não são empregadas em documentos da ASME. * Esta relação resultou da reco-
Ic
mendação feita pelo Comitê Internacional de Pesos e Medidas ( CiPM) para que seja desencoraja-
do o uso de unidades cgs com nomes especiais. Incluída nesta lista e.stá: uma unidade de força
chamada dina ( dyn), uma unidade de viscosidade dinâmica chamada poise (P) e uma unidade de
'K -~
"
(
viscosidade cinemática denominada stoke (St). Todas essas unidades tênt'~do e ainda são usadas
5 .. " .. ~
r"
~ ~ 10" 1
(

~~
largamente em estudos de lubrificação. (
O....PPJse é unidade cgs de viscosidade dinâmica ou absoluta e sua unidade é o dina-segundo .
por centímetro quadrado (din_a .~glf_m~. É habitual o uso do ~_!i~ise (cP) nas análises por-
que seu valor é mais conveniente. Quando a viscosidade é expressa em centipoises. é designada
I
i
I!
~ ::::: ~
10" 2
G.
.;
:;
(
(
por Z. A conversão da unidade cgs para as unidades do SI e do sistema inglês é a seguinte: ~
.
i ' ~ I-.... l (
p(Pa·s) = (10r 3 Z(cP) 7 Ag~~a 1o·• "O
·;;
o c
Gasolina 1- ~
Z(cP)
p(reyn) = 6,89(10) 6
10- 8
10".
> c
.';.'
Ar
c
O método padrão ASTM para determinação de viscosidade usa o Viscosímetro Saybolt (
g 1o· •
Universal, e consiste em medir o tempo, em segundos, para 60 m1 de lubrificante se escoar, a 10- o
uma temperatura especificada, através de um tubo de 17·,6 mmde dlâ.I1letro e 12,25 mmde com-
50 100 150
Temperatura. • F
200 25Ó c
primento. O resultado é chamado de viscosidade cinemática e, no passado, usou-se a unidade de (
centímetro quadrado por segundo. Um centímetro quadrado por segundo é definido como um Fig. 11·2 Comparação das viscosidades de vários fluidos.
stoke. Pelo uso da lei de Hagen-Poiseuille** a viscosidade cinemática baseada em segundos (
Saybo/t, também chamada Viscosidade Saybolt Universal (SUV) em segundos, é (
Para converter para viscosidade dinâmica multiplica-se v pela massa específica em unidades do
(
Z = ( 180)
O 22r- ·-,-- ( 11-3)
Sistema Internacional. Designando-se a massa específica como p, em quilograma por metro
cúbico, tem-se
1 ' t (_

onde Zk está em centistoke (cSt) e t é o número de segundos Saybolt. ( 180)


J.! = p 0,22t- -,- (10 - 6 ) (11-5) c
No SI a viscosidade cinemática v tem como unidade o metro quadrado por segundo
(m 2 /s) e a conversão é .
c.
com p. em pascal~o. (_
· A Fi8.c·n:-2repte;nta a viscosidade absoluta par;t vários fluidos, usados com freqüência
para fins lubrificantes, e a variação com a temperatura. r (.
:(_
:(
I .
i(:
()<V


11-3- LEI DE PETR.OFF
• ASME: Orientation and Guide for Use of Metric Units, 2!1 ed., pág.: 13, Sociedade Americana de Engenhei- ' , 'o t ~:

~.sMecânicos, 1972. O fenômeno do atrito e~ um ffilUlCal foiprimeirameníe explicado por Petroff, admitindo
.; '/~.~Ver qualqúer compêndio de Mecânica de Fluidos, por exemplo,.Çhià-Shwi:Yib, ''Fluid Mechanics"; pág.:
·i_3l4, McGxaw-Hill Book Company, New York, 1969. · ·.·, ' ·- ,. · ' ·. ·. · · ·
que a árvore e o màncalfoSiem :c~Cêntricos.Ain~a que raramente se faça uso do método de
análise de Petroff no assunto. a seg~r; ele é impo"rtante porque defme grupos de parâmetros adi-
4o2 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 403

mensiqnais e porque o coeficiente de atrito éonsiderado por esta lei é uma ) ~dicação muito boa, ll-4 --:- L\.JBRIFICÀÇÃO ESrÁVEL
mesmo quando a árvore não é concêntrica com o mancai. #-. o )(' .
..·i
Considere-se agora uma árvore vertical, girando em um mancal guia. Considere-se que o A diferença entre a· lubrificação limite e a hidrodinãmica pode ser esclarecida pçla Fig.
mancai suporta uma carga muito pequena; que ~ folga c está completamente cheia de óleo e que 114. Este diagrama da variação do coeficiente de atrito versus o parâmetro foi obtido pç· lj/i
a fuga é desprezível (Fig. 11-3). Chamem,se o raio da árvore de r , a folga radial de c, e o compri· los irmãos McKee, em um teste real de atrito.* O diagrama é importante, porque defme a esta-
mento do mancai por 1, todas as dimensões estando em ~etros. Se a árvore gira a N rps, suave- bilidade da lubrificação e auxilia a compreensão da lubrificação hldrodinâmica e da limite.
locidade tangencial é U = 2rrrN m/s. Como a tensão de cisalhan1ento no lubrificante é igual ao Suponha-se que se esteja operandó à direita da ordenada BA, o que mu~tas vezes acontece,
gradiente da velocidade vezes a viscosidade, da Eq. (I t-2) tem-se e que se tenha um aumento na temperatura do lubrificante. Isto resulta em uma viscosidade
'-" / _·. ~· · / mais baixa e então um menor valor'd;Êf . O coeficiente de atrito decresce, o que acarreta me-
'x U 2nr11N ~ ",~ \;,!/
I ."""' T = Jl- = - -
h c
t{) V, _ (a) nor calor no cisalhamento do lubrificante e, conseqüentemente, a temperatura do lubrificante .cai.

A
onde a folga rádial c substitui a distância h . A força necessária para cisalhar a película de óleo é .._ I
a tensão vezes a área. O torque é a força vezes o braço de alavanca. Então, g \ :
r- --~--
l -
"i Pel(cula: Pel(cula espessa , '--(
(
J
- ,
-8 ~elgada 1 í -
(estáwll
i
( ',k L~~-~rA)(r) = cn~tN)(2nrl)(r) = ~4n r:./JIN !! 1/ (b) j (•nst\wll - -------

8
o ~
,_ J~·· · ·
'? .
. -:

8
Caracterlstica do mancai,,.N/P

l l
Fig. 11· 4 Variação do coeiJCiente de atrito com .l!!:!.
p

Então, a região à direita da ordenada.BA defme uma lubrificaç#o estável, porque as variações
J são autocorrigidas. 1 vL- · .
·Para a esquerda da ordenada BA, um decréscimo na viscosidade aumentaria o atrito. Have-
ria um aumento da tempçratura e a viscosidade seria reduzida ainda mais, O resultado seria um
atrito em que os metais interfeririam, não apenas o lubrificante.** A região ã esquerda da or-
Fig. 11-3 denada BA representa a lubrificação instável. >::-'
~ também útil ver que uma pçquena viscosidade, e portanto um pequeno valor de ~ ,
significa que a pçlícula lubrificante é muito delgada e que haverá maior possibilidade de conta-
Denominando-se uma pequena força n o r ;w . a pressão P, em Newtons
J , em ·'Newtons, ~
to de metal com metal, e entlo de mais atrito. Portanto, o ponto C, representa, provavelmente,'
por metro quadrado de área projetada, P= . -~ . A força de atrito é /W. onde f é o coefi-
' 2 r 1\ -o início do contato metal Com metal quando~: tomar-se menor. i /~
ciente de atrito e, portanto, o torque de a · ·/ , .

1' =f Wr = (f)(2rlP)(r) = 2r2/IP (c)-


11-S -LUBRIFICAÇÃO COM PEI.iCULA ESPESSA

. SJJb~iDJin4o-St:o valor da Eq. (c) em (b) e tirandQ-sç o_valo.r .4.o_~fiçjçp~ _c1C?at!ito, acha-se Passem.~~~_!_ex~--~ f()nnllÇáo do filme lubrificante em um mancai radial. AFis.
11-Sa mostra uma árvore justamente no instante de começar a girar no sentido lioí:árlô =·soo-- -
as condições de partida; o mancai estará seco ou no mínimo parcialmente seco, e portanto a
(11-6) árvore so!'e
ou rola para cima, no lado direito do mancai, como mostra a Fig. 11-Sa. Sob as con- ·

A Bq. (ll-6) é chamada Lei de Petroff e foi primeko public:ada em 1883. As duas
.... ·- .. .... p.N . . - . .. ....., .... ........ .
• S. A. McJC.ee' eT. JClfc~JOtUiial Beüi.. Friction in The Region ofThinFilm Lubtication: SAE'Joumàt; - -
'huantidades -P . e
.
..!....
c
_ rtantes
são parâmetros mwfo .inlpo
. .
ém lubrificação.
.
A substituição das VoL 31, pq..;'(1) ' 37í-31~; l1)~2. · ·· '· d ;'''
unidades apropriadas mostrará que tais puim&tros sfo adirnensionais . . •• N. do R.: Tal Jeiião ~ conheàcla como "regiio de ab:ito combinado".
~ .:.< :.c: . ;..~ ---r, ·.--~ 'p.~ .
~c
a I ELEMENTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIA_IS I. 405 (
(
dições de mancai seco, o equilíbrio será obtido quandO a força de. àtpto for contrabalançada AFig; U-6 mostra a nomenclatura de um mancai radial. A dimensão e é afolgiuadial e
pelo componente tangencial da carga no mancai. · v'·J
_Agora, suponha-se que um lubrificante seja introduZido na parte superior do mancai como
é a difc;:J:ença_c:ntr~ o raio do mancai e o da árvore. Na Fig. 11-6, o centro da árvore ~stã ~mO e
o centro do mancai em O'. A distância entre estes centros é a excentricidade e é designada por
,c
mostra a Fig. 11-Sb. A rotação da árvore conduz o lubrificante em tómo do mancai no sentido e. A espessura mínima da película é designada por h 0 e ocorre na linha de centros. A es.pessura Ir
hormo. O lubrificante é bombeado no espaço em forma de cunha e força a árvore para o outro d~ película em qualquer outro ponto é de_~~~_p~r.!!.: Defme-se também.[fiação de excentri- JC
lado. Forma-se, então, um filmule1ubrificante_J:()Q}Jl1Jl8.-~~o, nio ~~OOmQ.,--~~'-----'---- ~----- ··=~--=~.;-~----·
na parte de baixo da árvore, mas deslocada no sentido horário comO
indica a Fig. 11-Sb. Expli-
. - -- ------. ... --- .. m ------ •
j(
I
ca-Se isto pelo fato de que a pressão atuante na metade ~onvergente da peücula atinge um valor !(
máximo em algum local à esquerda do centro do martcai. Q·C c=- R-rc
Ic
(
O mancai mostrado na figura é conhecido como mancai parcial Se o raio do mancai é o
mesmo raio da árvore, ele é conhecido como um mancai ajustado. Se o mancai envolve a árvore, (
como indicado pelas linhas tracejadas, é um mancai completo. p ângulo {3 caracteriza o mancai
(
parcial. Por exemplo, um .II!ªºC::_a.l parcial de 1.10~ Jem.um_ªº~iiDLal-ª-.120°.
(
c
(
Lubrificado (
Fig. 11-S Formação da película. N(vel de lubrificante
(
(
c
(
(
Fig. 11·7 Representação esquemática de um mancal parcial usado por Tower.
(
(
ll-6 - TEORIA HIDRODINÂMICA
(
A presente teoria da lubrificação hidrodinâmica originou-se no laboratório de Beauchamp (
Tower, nos primórdios dos anos de 1880, na Inglaterra. Tower tinha estado ocupado no estudo
do atrito em mancais de estrada de ferro e informava-se dos melhores métodos de lubrificação (
deles. Foi um acidente ou erro, durante o desenrolar destas investigações, que incitou Tower a
(_
olhar o problema com mais 1etalhe e que resultou na descoberta que eventualmente orientou o
desenvolvimento da teoria. "'- . (
A Fig. ll-7 é um desenho esquemático do mancai radial. investigado por Tower. É um
mancai parcial de 4 polegadas de diâmetro por 6 polegadas de comprimento, com um ,arco de L
Fig. 11-6 Nomenclatura de um mancal radial. IS'f e tendo lubrificação tipo banho, conforme indicado. Os COeficientes de atrito obtidos por L
Tower em suas investigações neste mancai foram muito baixos, o que agora não é surpreenden-
te. Depois de testar este mancai, Tower, mais tarde, abriu um furo lubrificador de 1/2 polegada c.
A Fig. 11-5 mostra como determinar a posição excêntrica da árvore, sob lubrificação hi-
()rocJirlãmica, se no lado direito ou no esquerdo do mancai. Imagin~~ a árvore iniciando a rota-
de diâmetro, atfavé~,tla parte ~perior. Mas, quarido o aparelho era colocadoem m~~.2:!PJ o
óleo fluía para·forá deste furo. Num esforço para evitar isto, usou uma rolha de,çl;)ttiça,,,~
c
,.. • Acha-se o lado do mancai sobre o qual a árvore tende a rolar e,_ ~ntlo, se a lubrificação for
Iódinãmica, coloca-se a árvore no lado oposto.
esta era lançada fora e f~i necessário colocar um _tarugo de madeira no furo. QuandO" o -tatu~
go de madeira foi emin~rrádo tainbém. para fora, Tow'er, nesté instante, indubitayeJníliUte,
c
~
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l LUBRIFICAÇÃO E MANC~IS RADIAIS I 407
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406 I ELEMENTOS DE MAQUINAS
/
'(
I
)
constatou que estava no limiaf da descoberta.::Um medidor de pressfo ~nectad_o ao furo indi· :A :fig; l1 ~9a mostra uma árvore girando no sentido dos ponteiros di
um telógio,suporta-
( ) cava UIÍla pressão superior ao dobro da carga unitma do mancai. Finalmente, ele investigou, em da por um filme lubrificante de espessura variável Ir, em um mancai par.cial fixo. Especifica-se
detalhe, as pressões na película do lubrificante; ao longo da largu~ e do comprimento do man· qUll a árvore tem uma velocidade tangencial constante U. Empregando a hipótese de Reynolds
( ) cal e apresentou uma distribuiçio similar àquela <14 Fig. il-&.* ~·- de que a curvatura pode ser desprezada, fixa-se para referência um sistema de eixos ortogonais
Os resultados obtidos por Tower tinham tal regularidàde, que Osbome Reynolds concluiu para o mancai estacionário. Fazem-se agora as seguintes hipóteses adicionais:
(
que ·deveria existir uma lei defmida relacionando atrito, l;n;:ti.~o e velocidade. A presente te~ria 6. Con~erl!m:~ . o mançll! ~. ~. ªryore prolongando-se indefinidamente _!la direção z.;_íst_o
( ) matemática da lubrificação está baseada nos trabalhos de Reynolds, que se seguiram aos expe· significa quenão pode have.r fluxo lub.rifican.te .nes.ta_<!!n:_ção:
rimentos de Tower. • *A equaçã'o diferencial original, desenvolvida por Reynolds, foi usada por 7. A pressão na película é constante na direção y. Assim a pressão.depcndc somente da
(
ele para explicar os resultados de Tower.
coordenada x .
( ) 8. A __v~_\Qçjd..!.~_Q~_gl!ll.lq\ler Pll!tíc~_a _<!~ Ju~rincJmte llQ_!11:ne d~JX:~l~c . somente das
( ) r- coordenadas x e y.

l. l. I.LI. l.U.I. I.L.l. l.L-U .~~-·


( )
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( i
f!VA'HIHA'.#A'.#A'.UA'.U~
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+ - - -.- ----+----1--+--
...---- ,_6.
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.{

(152,4 mm)
c
c
c Fig. 11-8. Curvas aproximadas da distnbuiçlo das pressões obtidas por Tower. ...

A solução é um problema desafiante que tem interessado muitos pesquisadores desde então, e
ainda é um ponto de partida para estudos de lubrificaçio. ~'\-
Reynolds imaginou o lubrificante como aderindo a ambas as superfícies e sendo arrastado
(a)
pela superfície em movimento dentro de um estreito espaço em cunha, de maneira a criar uma Munhão rotativo
pressão no fluido com intensidade suficiente para suportar a carga no mancai. Uma das impor-
tantes suposições simplifJ.Cadoras, resultado dos estudos de Reynolds, é que as películas fluidas y u=-U
eram tão delgadas em compalllÇfo como raio do mancai que a ~~deria ser desprezada.
Isto autorizou-o a substituir o mancai parcial curvo por um mancai plano, chamado de 1TIIl1ICill
de deslizamento plano. Outras suposições feitas foram:
. fluxo de.
l. O lubrificante obedece As Leis de Ne~ para escoamento viscoso. lubrificante
2. Desprezam-se as foiÇas devidas à inércia do lubrificante.
:.:_;:j./t..:·
3. Considera-se o lubrificante como incompressívet . ' ··:--:':.-:-·-· - --- -- ·-·-·
4. Considera-se a viscosidade constaíité-emtocti.apeiícufa;-- ·.
S. A pressfo nio varia na direçfo axial.:

• Beaucbunp Tower, Fint Repcnt on Frictiém E,q,eiimen... Proc. IDJt. Mech. Eq., novembro de 1883, (b)
pqa.~ 632-666; Segunda Nota, 1885, p4p.: 58-70; Terceira NaU; 1888, p{gs.: 173-205; Quarta Nota, 1891,
pfp.: 111·140.
•• Osbome Reynolds, Teoria da Lubrif"JCaÇio, 1!1 Parte, PhnTnns. Roy. Soe. Londres, 1886. Fig. 11-9
408 I ELEME~TOS DE ~QUINAS
;
LUBRIFICAÇAO E MANCAIS RADIAIS I 409 (
Escolhe-se agora um volume. elementar de lubrificante no filn~ (·Fig. H-~) de dimensões (
Esta equação dá a distribuição de velocidade, do lubrificante no fllme como uma função da
dx, dy e dz e determinam-se as forças que atuan1 nos lados deste volume •. Como se vê na Fig.
t(
11-9b, forças normais, devidas à pressão, atuam-sobre -os lados direito e esquerdo do volume ele- coordenada y e do gradiente de pressão .frx A equação mostra-que a-distribuição de velocidades I

mentar e forças cisalhantes, devidas ã viscosidade e à velocidade, atuam sobre os seus lados
superior e inferior. Somando-se as forças, obtém-se _ através da película {de y = O a y = h) é obtida superpondo-se uma distribuição parabólica (o ii c
I? termo) em uma distribuição linear (o 2? termo). A Fig. 11-10 mostra a superposição desses \(
___ !JQ.i!_1ermQs para Qbtet::~ ...a _veJpcj_clªlie pat:a y_lllores particl.!l~L~ x e .dp[~.J!ernlmente, o I
:(
.(
I
Isto reduz-se a
f(
i
(h)
y !(
\c
Da Eq.(I 1-1), tem-se I(
I
(c)
:c
'(
onde se usa a derivada parcial porque a velocidade u depende ao mesmo tempo de x e y. Substi- (
tuindo-Se a Eq. (c) em (b), obtém"se:
(
(
(d)
Fig. 11·10 Velocidade do lubrificante.
(
Mantendo-se x constante, integra-se esta expressão duas vezes em relação ay. Isto dá (
termo parabólico pode ser aditivo ou subtrativo em relação ao termo linear, dependendo do
ôu I dp
iJy =pdxy+ cl
e
sinal do gradiente da pressão. Quando a pressão é máxima, dp/dx = o, a velocidade é (
(e) (
1 dp (g)
u = 2Jl dx y2 + C t y + C2 fI uma relação linear
(
(
Observe-se que o ato de manter-se X constante significa que cl e c2 podem ser funções de X. i A seguir define-se Q como volume do lubrificante escoando segundo a direção x, na
Considera-se agora que não há deslizamento entre o lubrificante e as superfícies limites. Isto unidade de tempo. UsanJo-se uma largura unitária, na direção z, o volume poderá ser obtido (
daexpre~o
produz dois conjuntos de condições limites para avaliarem-se constantes C e C : (
1 2

y=O
U=O
y=h
U= -U (j)
X º .h
= 1 u dy
.o
(h) (
(
Observe-se, na segunda condição, que h é uma função de x. Substituindo-se estas condições na Substituindo-se o valor deu da Eq. ( 11-7) e integrando-se (
:--~ --
Eq. (e) e resolvendo-se para as constantes dadas
'f. Uh h
3
dp (i) (_
u h dp \ Q= -2 - l2Jl dx
C------
1- h 2JldX
._l ___ ____________ - c
ou .O próximo passo é considerar o lubrificante como incompressíve1 e estabelecer que o { __
fluxo é o mesmo para qualquer secção transversal. Assim, :~

~
-. dp 2 u
U=--(y -hy)-~y
2Jl dx . •· -·., h {11-7) ~=0
dx ·

....._. (
r 4,0 I ELEMENTOS OE MAOUIN~S

Da Eq. (i),
LUBRIFICAÇÃO E MANOAIS RADIAIS

· No segundo grupo estão as variáveis dependentes; ,Q projetista não pode controlá-las, exce-
to indiretamente, variando uma ou mais do primeiro grupo. São:
r9
l. O coeficiente de atrito,[
2. o alimento de temperatura, t:.t. r ~J_Q.> )/_
3. O fluxo de óleo, Q. .
ou
4. A espessura mínima da película de óleo, li0 •

(11-8) Pode-se considerar este grupo como fatores do projeto, porque é necessário marcar com segu-
rança as limitações dos seus valores. Estas !imitações são especificadas pelas características dos

t que é a equação clássica de Reynolds para um escoamento unidimensional . Ela despreza a .fll~
lateral, isto é.,_na_Mreção z. Usa-se um desenvolvimento semelhante quando não se despreza a --
materiais dos mancais e do lubrificante. O problema fundamental no projeto de mancais, por-
tanto , é defmir limites satisfatórios para o segundo grupo de variáveis e então decidir sobre os
valores do primeiro grupo, de modo queasllmitações não sejam excedidas.

f fuga lateral. A equação resultante é

( 11-8- A RELAÇÃO DAS VARIÁVEIS


( 11-9)
( Antes de se prosseguir no problema do projeto, é necessário estabelecerem-se relações
~ms entre as variáveis. A. A. Raimondi e John Boyd, do Laboratório de Pesquisa da Westlnghouse,
c Não há uma solução geral para a Eq. (I 1-9); têm-se obtido soluções aproximadas usando-se usaram uma técnica de tentativas para resolver a equaçã'o de Reynolds no computador digital.*
( analogia elétrica, somatório matemático, Jnétodos de relaxação e métodos numéricos e gráficos. Essa foi a primeira vez que dados tão extensos ficaram disponíveis para uso dos prójetistas e,

t UJ:!l.a. das soluções _!!IIPO.!~tes deve-se a Sommerfeld e pode ser expressa na forma
·---- ·-····- .... __ ___·,:_ _____ _
conseqüentemente, serão empregados neste livro.**
As notas de Raimondi e Boyd foram publicadas em três partes e contêm 45 gráficos de -
talhados e 6 tabelas de informações numéricas. Nas três partes, foram usados gráficos para defi-
nir as variáveis para as relações comprimento-diâmetro (1/d), com valores de 1/4, 1/2 e 1 e para
\

/\
' :j{ ~~= ~f(~r ~~ ( 11-10) ângulos (j de 60° a 360°. Sob certas condições, a solução para a equação de Reynolds dá pressões
negativas na zona divergente do fUme de óleo. Como normalmente o lubrificante não pode su-
~~.'!~..;... ~- ...: ~:::.. , -
portar tensões de tração , a parte 111 das notas de Raimondi-Boyd assinala que <?_filmuLrQIDpido
onde tP indica uma relação funcional . Sommerfeld achou as relações para meios mancais e man- ~uand~_ ~gr~_Q!!._~_lfEula toma-se nula. A parte III também contém dados para m_ançais infi-
cais completos, admitindo não haver fuga lateral. nitamente longos; como ele não tem extremidades, não haverá fuga lateral Os gráficos existentes
íiêste- Íivro são da parte IH dessas notas e são para mancais completos (fi = 360°), some!~_!_:_. A
falta de espaço não permite a inclusão dos gráficos para mancais parciais. Isto significa que deve-
['{'~ rão ser usadas as notas originais quando se desejarem ângulos beta menores que 360° . A nota~ão
11-7- FATORES DE PROlE~ \l é aproximadamente a mesma deste livro e dessa maneira nio deverio surgir problemas-/? ',
As Figs, 11-11 e 11-12 indicam a variação da viscosidade com a temperatura para um cer-
Pode-se juntar em dois grupos as variáveis que aparecem no projeto de mancais de desliza- to número de óleos SAE, sem a necessidade de convertê-la para um diferente sistema de unidades.
mento. No "primeiro grupo estão aquelas cujos valores são dados ou estão sob o controle do pro- Define-se o número caracterz'stiço do manqJl, ou número de Sommerfeld, pela equação .
. -··--· .. . __.._ /"· _- ·
jetista. São:
----·- ---- · ;:2c/k:k'...-
I. A viscosidade p.. s = (~r p.: (11-11)
2. A carga por ulildade de átea projetada do mancai, P.
3. A velocidade angular N. - ----"- - -" = ---
4. As dimensões do man'Cal r, c, Pe L
- - - .· . <.... ___ ...... ____ _

Destas quatro variáveis, o projetista normalmente não tem controle sobre a velocidade, porque • A. A. Raimondi e John Boyd, A Solution for The Finite Journal Bearinl and its Application to Analysis and
ela é especificada pela exigênci• do projeto _da máquina. Às vezes a viscosidade é especificada Design, }>...Ws 1,11 e _lll, Tr~.ASLE, vol. l, n? 1, páp.: 159-209.~ "l-1,1WiçationSciçnceand_Technology",
Pe11arnon Press, New York, 1958.
inicialmente, como por exemplo, quando o óleo é armazenado em reservatório e é usado para
lubrificar e arrefecer uma variedade de mancais. As variáveis restantes, e algumas vezes a viscosi- •• Outros dados em fontes estão disponíveis; veja Fulb, p2as. 150, 157,175, 177, 195 e 201. Veja também,
da~, podem ser controladas pelo projetista e sio, portanto, as decisões. Em outras palavras, John Boyd e Albert A. Raimondi, Applying BeariQg Theory to the Analysis and Design of Journal Bearing,
quando as quatro variáveis esta-o defmidas, o projeto está completo. Partes I e 11, J . Appl. Mechanics, vol. 73, pip.: 298 a 316, 1951.
412 I ELEMENTOS DE MAQUINAS
LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 413 ,~
onde S = número característico do mancai.
r = raio do mancai, mm.
Ic
c = ·folga radial, mm.
p. = viscosidade absoluta, Pa. s.
/
!(
N = velocidade relativa entre· a árvore e o mancai, rps. (
P = c~.'l-~!.~d-~~~-~ á_reaproje!~da, P.d .
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10 20 30 40 50 60 o lb ~ib 100 110 120 130 140
Temperatura, •c
0,3
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Fia. 11-12 Gráfico vDcosidade-temperatura em unidades S~ (Adaptado da Fia. 11-11.)

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30 50 100 150 200
250
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· Ta~Y~Peratura, o F . '
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Fia. 11·11 Gníftco Viscosidade-temperatura em unidac:les IPS. (Boyd e Ralmondl.)
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414 I ~LEf.'ÍEI\ITOS DE MÁQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 415

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Razão de Excentricidade E (adimensionaiJ (

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::§ Número caracterlstico do mancai


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Fig. 11·14 Gráfico pan determinar a posição da espessura mínima da peücula de óleo h0 . Par11 locação da
origem ver a Fig. 11·20. (Raimondi e Boyd.)

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o 0,01 o.oi 0,04 0,06 0,1 811,1 0,4 0,6 0,8 1,0 8 10
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Número caracterrstlco dÓ IMfiCIII, S =(f) p .

I Fig.ll·15 Gráfico para coefiCiente de atrito. (Raimondi e Boyd.J


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~16 I E.LEM.I;NTOS DE MAQUINAS f7 _/1/ 1(.:{· .4. , . ~RIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 417 (
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-{ (
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f-" -
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o H-
.c ; g
o 0,01 0,(12 0,04 0,06 0,1 0,2 o. 0,4 0,6 0,8 1,0 2 4 6 . 8 10
"'..:_E 1,0
f - - -· (

Número caracter(stiCQ do mancai, S = (f ~ t .


, Q. ILd·- (
(
Fig. I 1-16 Gráfico para o fluxo. (Raimondi e Boyd.) E
'i
O número de Sommerfeld contém todas as variáveis normalmente especificadas pelo pro- e (
jetista, é adimensional e tem sido usado como abscissa nos gráficos. . iI!? (
A Fig. 11-15 mostra a variável de atrito (-{--) f em função de S, para vários valores da re-
- compnmento
. -di-ametro d'
I usa-se esta carta da seguinte maneira:
..
a.

(
Iaçao
Os seguintes dados são para.um mancai radial completo: .
~ (_
,L\ = 0,0276 Pa.s. I .
..;a (
N = 30rps(1800rpm).
~
W = 2224 (carga no mancai).
/__...-..-
'_;.) }lcn : Cc :.
'
:.. (.)
·- ----'
I
~) .." (_
r
c =
19mm.
0,038 mm . . .: "'---"'
i~
(_
a: (_
I = 38,1 mm. (/\ ). ,\-_: z..: 0o o,o1 o,02 o,04 o,O& 0.08 0,1 0,2 · o,4 0,6 1}8 1.0 2 4 6 s 10
Número caracter(stico do mancai, S~ (f) ~ (_
. Wlitúiaé
p =- w = 2224
1,53 MPa Fig. 11-18 GráfiCQ para determlnàr a pressão máxima na película. (Raimondi e Boyd.)
L
2rl 2 X 0,019 X 0,0381
(
'y' 1 ';)-~
/; ( I
i
-,
( 418 I ~LEMENTOS DE MÁQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 419
(
.:,- .
(1
:,. - Da Eq. ( 11-11) o n~ro caràcterístico do mancai é:

(
(
S ( J-
'r
= --; . ~p
jJ]V
=
~0,038jl
. 19 . 0,0276 X 30.
• il,53 X 10 6
0 135
'
( "' o
"' ~ on·. oo
"' "'
. ..Ir r
( .., crr
..,
::::: -- ' '!
i+ f
11
!
ao Para este mancall/d = 38,1/(2)(19) =I. Conseqüentemente da Fig. 11-15, a variável de l!trito
( T
H
T tt •l i I
;

LKI I I "' é (+)t = 3,50. Portanto, o coeficiente de atrito será:


(
.- · c ,038~·(O · -..
c ·
f= 3,50- = 3,50 - - = 0,007 \
r 19 -
c "'
~H- t; I
i "'- '. 1iP r· ;li r 'TT. ;_'. I· 1
( !,. Pode-se agora determinar outros elementos referentes ao desempenho. Por exemplo, o torque
~i!+ 1j · 1I r : 1!I 1' I 1 I -~ ~
J J
1-+-r--.--H'++-+: t ' !. devido ao atrito é:
( I-++++H'"\Ttltft1N{I ~ .I 1. !111 rl l Hl! 1
( i/
fT .
-
C!.
~
o ~IQ.
!__--=_&r.,= 0,007 X 2224 X 0,019 =0,296 N.m
- ······· ..•

( "'ó
N

-
.:±. A ~da de_po_tê_nçütno '::lJP..cal, em,:atts, é: / ' ;f
( r -
( P= 1(c:> = (0,296) (3o) (27r) = 55,8 w
c Uma importante variável na avaliação do desempenho de um mancai é a espessura mínima
( d}"pefícula de óleo h 0 • Se for menor do que um certo valor de segurança, haverá perigo de con-
tato de metal com metal durante a sobrecarga ou de que a película sendo tão delgada não per-
mita a passagem de alguma partícula de impureza contida no óleo. Além disso, o fluxo de óleo

!
depende da espessura mínima da película; com pequeno fluxo, o aume-nto de temperatura pode-
rá ser excessivo.
A variável da espessura mínima da película é h 0 /c e é detenninada na Fig. 11-13.
Um outro parâmetro ütil é a relação de excentricidade;.+ . Como mostra a Fig. 11-6,
( se e = O, o mancai está centrado e h 0 =c,' isto corresponde a uma carga muito leve ou nula, e a
relação de excentricidade é iero. Quando a carga anmeota, a 4rvore é _forçada para baixo e atin·
( ~ a posição limite quando ha = O e e= ç; isto é, a úvore está tocando o mancai. ~ara esta con~
( dição a relação de excentricidade é a unidade. Então

( - h 0 =c-e (11-12)
(I dividind~se ambos os membr_o s por~ •.tem.~.&

lCO~
c
-1-e \
--
(11-13)
\
Assim pode-se usar a curva da variável da espessura mínima para a relação de excentricidade e
este elemento também poderi ser detenninado na Fig. 11-13.
Projetos ótimos, usados freqüen~nte, são de càrga mb.ima ou perda de potência míni·
ma . As linhas tracejadas da _Fig. l-l-13, ·para ambas as condições, forctm traçadas de modo que
420 / ELEMENTOS DE MÃQUIN.A S LUOIRIFICAçAo E MANCAIS RADIAIS 6 (
(
(
pudessem ser encontrados facilmente os valores ideàis de~ · ou ~:· Pode-se considerar. portanto,
· a zona escurecida entre os limites definidos por essas duas condições 6timas . como a zona de / )
operação recomendada. . ... _ . -~ - - -· _ . . .. !(
Desta discussão conclui-se que os mancais, com cargas leves, operam .com número de
Sommerfeld grande, enquanto os mancais com cárgas pesadas operanl com número pequeno.
A Fig. 11-14 dá a localização da espessura mínima do filme como está definido na Fig.
U:.~Q. __ . .· ,~ ; --~"~-- -
1
, . 1( )
.. ., -···--- ---.. - --_.-, .. --=·~--..
\ (
I
'

. Para o exemplo, com 1/d = 1 e S = 0,135 determina-Sé; iiâ Fig. 11-13. h 0 jc = 0,42 ( )
e e= 0,58. Então,a:erssu:ra mínima será · . (
h 0 =0,42c =0,42 X 0,038 = O,Ol6mm (
(
Usa-se a variável de fluxo r c~ , determinada na Fjg. 11-16, P-ara calcular-se a quantid~
1
de de lubrificante Q que é bombeada dentr1 do espaço convergente;, pela rotação da árvore._ As
c
~~
curvas da Fig. 11-16 foram construídas considerando a pressão atmosférica e ·inancal sem ranhu-
ras. Assim, o fluxo aumentará se a pressão de admissão for acima da atmosférica. A-quantidade
de óleo fornecida ao mancai deve ser igual a Q se o mancai tem um desempenho de acordo com
I
os gráficos. Da quantidade de óleo Q requerida pelo mancai, perder-se-á uma quantidade Q5 IC 1
pelas extremidades, que é a Ju.ga lateral. Pode-se calcular a fuga lateral a partir da relação
Qs - -· !>.
- d a Fig. 1 -17.\
r' v-- ~. .., } ,..) . j / q J ic
II ( I
Q Usando-se o exemplo precedente novamente, entra-se na Fig. 11-16 com S = 0,135 e Fig. 11·20 Diagrama polar da distribuição da pressão na película, mostrando anotação empJegada. (R&imondi

f/d =Listo dá rc't 1 = 4,28. Portanto, o fluxo total: será


e Boyd.) Ic
( -1>
(
3 Então, da Fig. 11-19 acham-se
Q = 4,28 r c N I = (4,28)(19)(0,038}(3b)(38,1) = 3540 mm /s (
(
Da Fig. 11-17 QJQ ,;, 0,665 e então
Como a árvore realiza trabalho sobre o lubrificante, há geração de calor como já se viu. (
Q5 = 0,665 X 3540 = 2354 mm /s 3 Este calor deve ser dissipado por condução, convecção e radiação e levado para fora do mancai
i( )
pelo fluxo de óleo. t muito difícil calcular-se o fl~xo de calor com alguma precisão. Posterior-
mente, será examinado este problema com mais detalhes, mas no momento faz-se a hipótese de ( )
Pode-se calcular a pressão máxima da película pela relação P/Pmáx . da Fig. 11 -18 . Esses Q!l~·~_11xo de óleo retira todo o calor gerad~ . Assim, em relação à temperatura do óleo, traba-
daçlos foram obtidos, n4 hipóteSe de que a pressão ambiente era a atmosférica. Se o óleo for !( )
,, lhar-se'-á a favor da segurança. I
ad.Ínitido a urna pressão maior, tõdos os pontos no diagrama da distribuição da pressão da Fig. :......:./ As, publicações de Raimondi-Boyd contêm gráficos do aumento da temperatura baseados
11-20 serão aumentados do mesmo valor. em hipóteses semelhantes a estas. Ao invés de apresentarem-se tais gráficos neste livro, far-se-á
\
.l ~~~-pQ~Ç..~º--~essão ~ª f1ª,~jçqlª-~or meio da Fig.J_t.J2..e..da.nota- uma abordagem analítica baseada em informação já obtida. ( )
! ~ão da Fig. 11-20, ~ . ~~bé~~~~tém_c:lª.!:loª,p.ara_a.J.P_ç~~ão do .P.onto.~ .Pr~~[Q_ l&.~,istQ
!~~nto que limita a ~ücula hidro~_ârnica. Raimondi e Boyd dizem que nenhum desses
Considere-se a seguinte notação adicional: '(
'ângulos de posição é tão preciso quanto os oÜiros dados, porque foram retirados de gráficos da /~· = equivalente mecânico do calor, 4,19J/cal c)
distribuição da pressão ao longo da linha de centros do mancai. Não obstante, a informação será C = calor específico dolubrificante, sendo 428 cal/kgfoC um valor médio usado nos cál-
muito útil no posicionamento de ranhuras de lubrificaçlio. culos. ()
Da Fig. 11-18, arazão de pressão na película P/Pmáx. = 0,42. Cónseqüentemente "! = peso por unidade de volume do lubrificante, a uma densidade média de 0,86, "Y =
= 860 kgf/m 3 .
ATe = acréscimo de temperatura, °C.
X = (!:.)f= variáve(dó atrito.
Pmáx. =P/0,42 = ~1~ =3,643 MPa c . ;, ''
Y = QjrcNl = variável de fluxo.
'
-,ç)
422 I _ELEMENTOS DE MAQUINAS
LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIA.IS I 423
(
( ot;;~-g:rado ~
---__j
(
\. 8,30P (rfc)f
c (a) · LlTc =
(I - 1/2 (QsfQ)] QjrcM ""'--!-
\
(I 1-15)
(
Substituindo-se/ por (e/r) X. vem:
( Nesta equação, a pressão Pé em ~~ e dTc em graus Celsius. A equação correspondente, usan-
( H~('•;N} (b)
do o sistema inglês, é

c'
Admitindo-se agora que o fluxo de óleo Q retira todo ~calor, o acréscimo de temperatura do
0,103P
dTF=------
(rjc)f
( I - 1/2 (QsfQ)] QfrcM
(11-16)
( óleo será:
/{ ondef está em psi e à T F em graus Fahrenheit.
( t.T =~ (c)
( ===- -yCQ
Para o problema do exemplo, a Eq. (11-15) dá um acréscimo de temperatura de

( Substituindo-se Q por (rcN/) Y 8,30 ·i ,53 N\ ;--, 3,50

( H li -(0,5)·(0,655)) 4,28
(ú)
('Y CrcNI) Y
(
Multiplicando-se e dividindo-se a Eq. (d) pelá pressão P, observando-seque P
w
2 r/ c Interpolação
considerando o valor de H dado pela Eq. (b ), vem:
...--"' ~ ;___,.J De acordo com Raimondi e Boyd, a interpolação dos dados do gráfico para outras rela-
4rrP X
LlT = ------= (e) ções de 1/d podem ser feitas usando-se a equação:
c J-yC y I

Se, então, considerarem-se as condições médias de lubrificação e substituindo-se os valores de J,


'Y e C, obtém-se fmalmente
(rjc)f
dT = 8 30P- ···--·- (11-14)
c ' QfrcM
onde à Testá em graus Celsius. Esta equação é válida quando todo o fllJX,o de óleo retira todo o
calor gerado. Mas uma parte do óleo flui pelas laterais do mancai, antes que o filme hldrodinâ- onde y é a variável desejada entre os intervalos oo > lfd > 1/4 e y 00, y 1/2 e y l/4 são variáveiS
mico esteja terminado. Se for considerado que a temperatura do fluxo lateral é a média das tem- correspondentes para·as relações 1/d de oo, I, 1/2 e 1/4, respectivamente. ......,
.t'
peraturas de admissão e de saída, o acréscimo de temperatura do fluxo lateral _será Ã Tc/2. ·~

i
Isto significa que o calor gerado aumenta a temperatura do -fluxo,~· de uma quantidade J/)..-;.J···"'"C--(._..-,
.//.c.--- ........
LlTc e o fluxo Qs de uma quantidade à Tc/2. Conseqüentemente. .
\....._;i -..__::_.> "----=:) Hipóteses

- ~ ~- J;;i~- -- 'Y c Q AT --- ---- ~ Muitasvezeslleve~seu-sar·umâetetrninado processo analítico para resolver-se um proble~­
-yC(Q-Qs)LlTc + s c =H (j) ma, sabendo-se de antemão que as hipóteses usadas na análise nãó se ajustam exatamente às
2 necessidades do problema. Isto é, engenharia, de fato, é a arte do emprego do julgamento e da
·-·· e-portanto experiência na avaliaçlTo e alterctção dos resultados de uma determinada análise, de maneira que
ela prediga o-desempenho com mais precisão, ou produza um projeto ótimo e seguro. Esta é a
H razão por que é necessário estar-se familiarizado com as hipóteses usadas em qualquer análise:
ÃTc = ---::.::....~-~-- (g) Na análise de Raimondi-Boyd, algumas· das hipóteses já foram expostas e esclarecidas.
"(c Q [(I - 1/2 (Q,/Q)J ) São:
(
424 I ELEMENTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADJAIS ·r : ; ; ;
(
(
1. Considera-se que a película se rompe depois que passa 0 ponto de espe~""Ura mínima do SOLUÇÃO
fllrne e está na zona divergente. I(
2. O fluxo é baseado no lubrificante fornecido· à -pressão atmosférica e na ausência de Já·se verüicou que uma viscosidade de ~~~1.6 Pa..~ deu um acréscimo de temperatura ATe= B,4"C. !(
ranhuras ou furos de óleo no mancai.
A temperatura média é (
3. O acréscimo de temperatura do lubrificante é baseado na hipótese de que todo o calor
11Tc 15;4 '·. ·
gerado aumenta a te_rn_peratura_d_~lu~-~~~~e.:.. ...~· ~ _" ··· - _ -r
·-c~···- T m "' · ·•·+. -.2 . -- 38 ..+ - 2 · -45
~ ,1"c · 'f (
Viu-se que a temperatura e a pressão do lubrificante varialli quando ele passa através do
mancai. A Fig. 11-11 mostra que a viscosidade varia com a temperatura e é também afetada pela Este ponto no gráfico -de viscosidade - temperatura está abaixo da linha SAE 20. Portanto, escolhe-se iJ = (
pressã'o. Conseqüentemente, uma outra hipótese usada na análise é: = 0,0413 Pa.s para o ~d~ ve(or aib)itrado. Cal(culando): númeroS, tem-se (
2
4 . A viscosidade do lubrificante é constante em todo o mancai. r llN 19 0,0413 • 30
S=- -= -- =0202 (
Esta é uma hipótese usual; a viscosidade usada será; provavelmente, aquela que correspon- c P 0,038 1,53 X 106 '

de à média das temperaturas de admissão e saída: Em outras palavras,~ equação


(
Então, usando-se as Figs. 11-15, 11-16 e 11-17 tiram-54: ( ..:_) f= 4,7; Q/rcNl = 4,1 e Q5 fQ = 0,56. A Eq. (
( 11-15) dá : c
l:lT (
Tm~ = Tm = T • + ( 11 -18) 8,3 P (r/c) • f (8,3) · (1,53) (4,7)
2 t1Tc = - - - = - - - - - - - - = 20,2"C
[1 - 1/2 (Qs/Q)) Q/rcNI 11 ~ (0,5) • (0,56))(4,1)
(
onde T 1 é a temperatura de admissão, dá o valor da temperatura a ser usada para achar-se a visco-
sidade quando se considera que o fluxo do lubrificante retira todo o calor gerado. Portanto, a temperatuxa média é
c
Outras hipóteses, relacionadas com a análise, são que o lubrificante é limpo c fluido (não '· 20,2 (
uma graxa) e que a carga é constante e de direção fixa. T m = 38 + - - = 48,1"C
2 (
11-9- CONSIDERAÇÕES SOBRE TEMPERATURA E VISCOSIDADE Quando ambos os pares de pontos são locados e ligados na Fig. 11-12 eles~ !_IW!;I_~AE 20 a-p =
_:; 0_.037!). Pa s e T m = 4 7 ,2"C. Portanto, esta é a viscosidade correta para uso na complementação da análise.
c
O acréscimo de temperatuxa é o dobro de 9,2 ou 18,4"C. _ (
Em um mança/lubrificado por banho não há método de circulação ou arrefecimento do ,
lubrificante; ele p~sa através do mancai, se aquece mais, e é armazenado em um reservatório. O ' (
calor é removido por convecção, condução e radiação, e , eventualmente, o sistema atinge uma
temperatura de equilíbrio. l
-- ----- -~

I c
Em um sistema de alimentação forçada, o lubrificante frio e limpo é fornecido ao mancal, 11-10- TÉCNICAS DE OTIMIZAÇÃO (/ (
de uma fonte externa.
Para muitos casos é possível especificar-se a temperatura de admissão, mas como a visco- Ao projetar um mancai radial para lubrificação com película espe~sa, o projetista deve (
sidade usada na análise deve corresponder à média das temperaturas de admissão e de sa ída , isto selecionar o óleo a ser ~sado juntamente com valores converuentes para P, N, r, c e 1,_ Uma sele-
não conduzirá a um valor de viscosidade para uso na análise . Uma solução para este problema,
(
ção deficiente ou um controle inadequado, durante a fabricação ou em uso, pode resultar em
quàndo o grau de viscosidade do lubrificante é especificado, é tornar dois valores arbitrados para película muito delgada, de maneira que o fluxo de óleo seja insuficiente, causando o superaque- (
a viscosidade . Um desses valores seria um pouco mais baixo que o esperado, e o outro, mais al- cimento do mancai e, eventualmente, sua falha. Além diSso, a folga radial c é difícil de ser
to. Usando-se cada urna dessas viscosidades, calcula-se o acréscimo de temperatura e determina- obtida com preCisão na ·fabricação e pode aumentar pelo· desgaste. Qual será o efeito de urna (
se a temperatura média pela Eq. (11-18). Com esses pares de resultados registrados na Fig. forte variação da folga radial na fabricação e o que acontecerá para o desempenho do mancai se (
11-11, pode-se traçar uma linha reta, tal corno AB , entre eles, e a intercessão desta linha com o c aumentar por causa do desgaste? Algumas· dessas questões podem ser respondidas e o projeto
grau SAE do óleo dá a correta viscosidade a ser usada na análise . Deve-se observar que uma série pode ser melhorado com o levantl!mento das curvas de desempenho, como uma função das (
de viscosidades arbitradas constituirá uma linha curva, ao invés de uma linha ~~la, se seus valo- variáveis sobre as quais o projetista tem controle.
res diferirem consideravelmente ; portanto, as viscosidades escolhidas não deverão ser muito di- A Fig. 11-21 mostra os resultados obtidos quando se càlcula o desempenho de um .de-
ferentes umas das outras . O exemplo seguinte ilustrará este procedimento . terminado mancai para urna gama inteira de folgas radiais e plotadas usando-se a folga como a
variável independente. O mancai usado para esse gráfico é o do Ex. 11-1, com óleo .SAl:: 20
\ ã temperatura de admissão de 38°C. O gráfico mostra que se a folga for muito apertada, a
EXEMPW 11-1 temperatura será muito alta e a espessura mínima da película será muito ·

,:'f'''i_ ·' Se um óleo SAE 20, admitido na temperatuni de 3s•c; fosse o lubrifi~arite para o exemplo da seção
-':'precedente, que viscosidade seria usada na análise? "' ·· · ,
''T

(
426 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS LUBRIFICAÇÃO E "'1ANCAIS RADIAIS ·/ 427
(
( r prezar-se-á a excentricidade e depois aplicar-se-á um fator de correção para esta:condiçãó. O flu-
(, xo de óleo , então, é a quantidade que flui para fora das duas partes (metades) do mancai. Des-
I prezando-se a rotação da, árvore, obtém-se a situação mostrada na Fig. 11-23. ·
i
(
(
(
(
(
Corte E-E
(
Fig. 11·22 Ranhw:a anular completa , localizada centralmente . (Cortesia da Oeveland Graphite Bronze Com-
( pany, Divisão da Clevite Corporation .)
(
Folga radial c, l'm y
( p,
Fig. 11-21 Levantamento de algumas características de desempenho do mancai do Ex . 11-1, para folgas ra-
( e
mais de 0,0125 a 0,075 mm. T 2 a temperatura de saída do mancai. Deve-se projetar novos mancais para a
zona assinalada, um pouco à esquerda do valor máximo de h 0 , porque o desgaste moverá o ponto de operação
( para a direita. J.

ç
Veremos que uma folga grande permitirá a passagem de partículas e também permitirá um
\ grande fluxo de óleo. Isto baixará a temperatura e aumentará a vida do mancai. Entretanto, se
( · a folga for muito grande a vibração será excessiva, ocasionando ruído, e a espessur.1 mínima da
película começará a decrescer novamente.
( Quando se consideram as tolerâncias de fabricação e o futuro desgaste no mancai vê-se na
Fig. 11-21 que o melhor compromisso é uma faixade folga ligei[!!m~!e para a esquerda do
p~co da curva_~a espes~ra l!l.Ínima da película. Deste modo, o desgaste futuro levará o ponto

I(
(
'

\
para a direita e aumentará a espessura da película, fazendo com que a temperatura de operação
diminua.
Naturalmente, se se especificar a folga aceitável mais apertada ou o acréscimo máximo de
temperatura admissível, os métodos estatísticos introduzidós no Cap. 4 poderão ser usados para
se determinar a percentagem de mancais inaceitáyeis ~a ~ 'C:sperar e~ um dado lote ou conjunto.
Fig. 11-23 Fluxo do lubrificante de um mancai alimentado sob pressão, tendo uma ranhw:a central.

Designando-se a pressão de alimentáção por p 5 , a pressão em um ponto qualquer por P e conside-


rando-se o fluxo laminar, pode-se analisar o equilíbrio estático de um elemento de largura dx , çs-
pessura ~ e altura uriitária. Note-se , parti,cularmente, que a origem do sistema de referéncia foi
e-scolhida no ponto médio do e~ paço da folga .* A pressã"o p + dp atua na face esquerda e p, na fa-
( \
II-I I -MANCAIS ALIMENfADOS SOB PRESSÃO ce direita. Nas superfícies superior e inferior atuam as tensões de cisalhamento r. A equaçãó de
lf equihbrioé
( · Quando a ação hidrodinãmica gera muito calor·e o fluxo normal do lubrificante é insufi-
ciente pàra retirá-lo, deve-se fornecer , sob pressã"o, um suprbnento adicional. Para forçar um
( ' , fluxo máximo através do mancai e então obter-se_uriunaiou:feito.de~arrefecimento, uma práti-
2y (p + dp) - 2yp - 2 rdx o · - ~--·-_(~)
( ca comum é usar uma ranhura circunferencial no centrO do mancai, com um furo de admissão
Desenvolvendo e cancelandQ os termos, acha-se que
localizado no lado o~sto à zona carregada do maneai. Tal mancai é mostrado na Fig. 11-22. o_
(
~to da ranhura é criar dois meios mancais, çada um tendo uma relaçro 1/d menor do que a
T = y .É/!_ (b) _
( ' original; ~divide a , a-distribtf ocdlt ssão"enniois lobos e_~duz a espessura c dx
mínima da p_elícula,_~ &rande aceitação pelos engenheiros de lubrificaçro e supo_!t_~
( \
~a sem superaQYecimento. · - --- · , - - ·
l .... Para estabelecer-se um método de soluÇfõ para o fluxo de óleo, considerar-se-á uma ranhu- •o autor é grato ao Professor Arthur w. Sear, do Califomia State Colle«e, Los Angeles, pelu suaestões con-
ra bastante ampla para que a queda de pressãónaprópriaranhiuasejapequena. Inicialmente, des- cernentes a esta análise. J. E. S.
i )
( l
428 I ELEMENTOS DE MÃOUINAS
LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 429 ( )

A Lei de Newton para fluxos viscosos (Eq. (11"1)] é ( ,.


Substituindo-se esta constante na Eq. (e)
T =JJ.-
du ir ,
dy '
( ,
u= - I -dp (4y 2 -c 2)
No entanto, neste caso tomou-se r no sentido negativo. Também. :ué
negativa porque.u de-
cresce quando y aumenta; Portanto; pode·se ·escrever·a Lei de NewtoW'sob a forma
8JidX (

.. . - - -C~nsidera-se agora q~ a pressão d~ óleo v~~- ~;-~e-;;-~-~~tr·~-para a extremidade '(


- T = J.1. (-~)
' dy (c) do mancai, como mostrado na Fig. 11-24. A equação da reta é ;{
p=Ax+B :c
Agora elinúnando-se r das Eqs. (b) e (c), vem
com p = Ps em x = O e p = O em x = 1'. Considerando-se estas condições fmais chega-se a
·c
(
du 1 dp
(
-=----:-\'
dy Jldx ·
(ú) A=-~ B = P.
r (
(
ou
(
(
p=- rx
P.
+ p. (g)
(
(
e portanto
(

(h)
(
(
Fig. ll-24 Considera-se uma distribuição linear da pressão de óleo.
(
(
Tratando-se dpjdx como uma constante e integrando-se em relação a y, vem (
Superf(cie do mancai
I dp (
U=----y 2 +C. (e)
2J1dX (
c/2
Superf(cie do munhão
Nos limites, onde y ± c/2 a velocidade ué zero. Usando-se uma destas condições na Eq._(e), L___~~~~~~~ (
obtém-se
(
Fig. 11-25 DistribuiçãO parabólica da wlocidade do lubrificante. (
(
Pode-se agora substituir a Eq. (h) na Eq. (/) para obter-se a relação entre a velocidade do óleo (
ou e a coordenaday
i(
I
(11-19) j\
i( ,
l
(
( 4;ro I ELEMENTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO:EMANCAI$cRADIAIS I 431
'.
1
( A Fig . 11-25 mostra um gráfico desta relação, dentro da folga .c, de modo que se pode ver como I onde e ~ é a relação de excentricidade. A espessura máxilnà ~à pelíc~lâ. é
( ,, a velocidade do lubrificante varia da superfície do munhão para a superfície do mancai. A dis-
~/ ~>'fo<;;..rv~m)
. ;
tribuição é parabólica, como mostrada, com a velocidade máxima ocorrendo no centro, onde ~
( y = O. A intensidade dessa velocidade é, da Eq. (11-19),
hmá, =e+ c= c(c + 1)
( \
i$'7A> . ~-~- ·-·· ~i· · '
Como a folga na Eq. (k) está elevada ao cubo, tirando-se a média dos cubos das Eqs. (f) e (m),
( (i) obtém-se
(
( A ordenada média da parábola é dois terços da máxima e portanto a velocidade média será / (n)
( t.>-V é.&-~-~~ ~ .;:,0
~ - r
(
(
tm 3 s,tt· 12'J
(j)
Então, o termo 1 + 3 é deve ser o fator de correção necessário para modificar a Eq. (k) pela nã"o
eoncentricidade. No entanto, Dennison * dá o fator de correção da excentricidade como 1 + 1,5
( Tem-se , ainda, um longo caminho nesta análise; portanto, deve-se ter paciência. Tendo-se ago- e2 • Considerando-se a autoridade de Dennison, a equação (k) torna-se
ra uma expressão para a velocidade do lubrificante, pode-se calcular a quantidade de lubrifican- -~ •• () · 1 ··y'-'Ú;) 1- -) ' ;·/
(

. ~' Q, ~~:i) np3,cl~r ~~~í- .• , }_D (~ í:;O)


te que flui pelas extremidades do mancai. Se o munhão e o mancai são concêntricos, como mos-
·_' r (i .,, • } ;
( trado na Fig. 11-26a, então a área será, com boa aproximação,
. .. IL i
- ------ ---- ---- . ------./
( I
A= 2nrc
K Analisando-se o desempenho de um mancai pressurizado, deve-se tomar o comprimento do man-
Como o lubrificante flui por ambas as extremidades
K
l
cai como I', como definido na Eq. 11-23. Então a carga unitária será
.! n -t,
ti ~ l.
K\ )
J

.....-;::
.

.v
(k)
(11-21)

I ('F-·~· · : .
em metros cúbicos por segundo, porque 11 está em Pa.s. Entretanto, deve-se modificar esta rela- !v\ {\
ção para levar-se em conta o fato de que o munhão não é concêntrico com o mancai. por~ue cada meio mancai carrega metade da carga. f\· v 1
Os. gráficos das Figs. 1 1-16 e 11-17, para variável de fluxo e razão de fluxos, geralmente .
ilãõ se aplicam para mancais lubrificados sob pressão. També~, a pressão máxima no filme dada j
pela :..i&J1:!8~ve ser adicionada à pressão de alimentaç~~ara obter-se no filme a total j
pressao.
Como o fluxo d~ óleo foi aumentado pela alimentaçio forçada, a~ dará um
..acréscimo de temperatura que é muito alto. Da Eq. (c) da Sec. 11-8, tem-se ..
-
H
Q
1 f/VIo,/ ~
7 ~~
l1Tc = ')'CQ, r- (o)

e a perda em calor é

Fig. ll-26b 2nfWrN


H=------- (p)
J

Na Fig. ll-26b a espessu[ll mínima do filme é


• E. S. Dennison, "Film Lubrication Theory and Engine-bearing Design", Trans. ASME, vol. 58, pág.: 25,
h0 =c(l-e) (I)
I 1936.

4
(
432 I ELEMENTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 433 (
(
Substituindo-se as Eqs. (ll-20) e 4') na Eq. (o) e cancelando-se os termos. vem onde
!(
'
/t - '- - ~,
r- ·n,t!.G.v-'1.--.J
'lflT.c = 6JJ]'fWN
(1+1,5€2))-y.C J
51 (11-:!2) H
C
calor dissipado, Joule por hora.
coeficiente combinado de radiação e convecçao, Joule por hora, por m 2 , por °C.
'(

· __.r~,~~ A Área superficial da caixa, m 2 : - · - - :c


TH = -temperatura da superfície da..caixav ~= _ .
0

Para c~ndiçoes- médias de lubrificaÇ<Io, 'Y = 8440 N/m 3


• C = 428--cal/kgf"(\J=-4-;1 9J/éal=No - j(
sistema inglês esta equação toma-se TA = temperatura do ar ambiente, °C.
(
0,0491p.l' f W N
t!T. = - - - - - - (q)
O coeficiente C depende do material, cor, formato -~- asPereza da caixa, da diferença de tempera- (
c ( I + I .5 €2) pi '3 tura entre a caixa e o ambiente, da temperatura:·e da velocidade do ar~
A Eq. (11-25) somente deverá ser usada quan<lo forem suficientes respostas aproximadas. (
Agora, multiplicando-se a Eq. (q) pelo número de Sommerfeld Se dividiJJdo-se por Pode-se obter resultados exatos por experimentação, condições,operacionais e ambientais reais, (
não simuladas. Com estas limitações, C será uma constante' tendo os valores
4rl' p.N
(r)
c
w 40830 J/(hXm2 X C)
0
(

e reagrupando os termos, acha-se


c 0
55120 J/(hXm 2 X C)
120450 J/(h)(m X C)
2 0
para ar tranqüilo
para projetos comuns
para ar em movimento a 150m/mim (2,5 m/s) .
(
:(
Pode-se encontrar uma expressão bastante semelhante à Eq. (11-25) para a diferença de (
( 11-23)
temperatura TL - TH entre a película lubrificante e a caixa. Como o sistema de lubrificação e a
circulação do lubrificante afetam esta relação, a expressão resultante é mais aproximada do que 1(
a Eq. (11-25). U~§.~e lubrificação por banho de óleo, no qual uma parte da árvore está
que é mais fácil de resolver do que a Eq. (q), porque o número de Sommerfeld S sempre tem (
que ser calculado . A Eq. (ll-23) está em unidades IPS (pé, libra força, segundo). A equação cor- realmente imersa no lubrificante._-ll!OPQ!Ck>Ua.J.mla_boa c_trcula~ Um mancal Cõmaiief(fe
respondente em unidades SI é óieo! no quàiÕ-a~~lrola_!l_O_!_<?~-º.l!.-ª!.Yore_ e mergulha dentro do reservatório de óleÕ e .por isso (
leva uma moderada.quantidade_de.lubdficante para dentro da zona carregada do mancai, pro-
·(
~97;-. 10 [(r/c)f)S~
flT. = --- ·-- -- ---
26
-- --- - --~4
!. (11-24)
porciona uma circulação satisfatória ·para muitos casos. Por outro lado se o lubrific~te for apli-
cado por mecha, a circulação será tão inadequada que será duvidoso que algum calor possa ser (
c I + I ,5€2 p,r ' retirado pelo lubrificante. Não importando que tipo de sistema auto-alimentado seja usado, de-
ve-se ter um grande senso de engenharia ao calcular-se o equilíbrio térmico. Baseado nestas limi- (
·- · · ····-- --~ ·· ··-··· ·-·-·
tações, pode-se usar a equação (
onde t.Tc acréscimo de te~ratura, °C.
w carga no mancal~~- (a) (
Ps = pressão de alimentação, kPa.
r = raio,mm.
(
onde TL \ é a temp_~_r~tl:lr.~~_édia da película e n é uma constante que depende do sistema de lu-
brificação, para obter-se uma temperatura aproximada do mancai. A Tabela ll-1 fornece algu- (
ma orientação para um valor adequado de n.
(
11-12 - EQUILIBRIO T~RMICO Como TL e TA são conhecidas usualmente, as Eqs. ( 11-25) e (a) podem ser combinadas,
para darem (
Já foi discutido o caso em que o lubrificante retira todo o calor gerado. Agora serão abor-
dados os mancais em que o lubrificante é armazenado na própria caixa do mancai. Estes man- CA (
H=~
.· - (TL - TA)
cais encontram muitas aplicações na maquinaria industrial; são chamados de mancais de pedes- n +1 (
tal ou caixa de cossinetes e são usados em ventiladores, compressores de ar, bombas, motores e
semelhantes. O problema é analisar a capacidade de dissipação de calor da caixa, com o calor ge- :(
No início de um cálc\ilo de equilfbrio térmico; não _se conhece a temperatura da película
rado no próprio mancai. e, portanto, a viscosidade do lubrificante em um mancai auto-alimentado também é desconheci- (
O a!-or cedidc:> pela caixa pode ser expresso, de modo aproximado, pela equaç!o da. Então, achar a temperatura de equilfbrio é um'p rocesso de tentatiyas, que começa com uma

'" E(TrT•)) (11,25)


temperatura estimada para a película e fmaliza êbm à've:Íificação desta estimativa. Como os cál-
culos s!o longos, deve-se usar um computádor: ' ' · -~ - /}/) __
---- í/ //./ -.:-,« / >
(
c.
(
434 / . ELEMEN:rospE. ~Q~INAS LUBRIFICAÇÃO E _MANCAlS RA~IAIS I 435

Tabela 11-1. As curvas são identificadas como se segue:


A árvores de precisão feitas de .aÇO te~pei:ado, retifiCadas; girando em ITiancais de bronze.fundido, poli·
dos (acabamento de 0,16 a 0,35 ~o~m, Ra), com velocidade superficial menor do que 3 m/s
Sistema de LubrifictiÇifo Faixt1de n
( B fusos de precisão feitos de aço temperado, girando em mancais polidos de bronze fundido (acaba-
mento de 0,16 a 0,35 ,.m, Ra), com velocidade superficial maior que 3 m/s.
( C motores e tétricos, gerado~es e tipos similares de máquinas, com munhões retificados, apoiados em
Anel de óleo Ar em movimento 1 2 mancais de bronze fundido preparados por brocheamento de alargador (0,35 a 0,70 ~o~m, Ra de aca-
( Ar tranqüilo 1/2 1 bamento).
Banho de óleo Ar em movimento i/2 1 D maquinaria em geral que gira continuamente ou com movimento alternativo e usa árvores de aço
( Ar tranqüilo 1/5 2/5 torneadas ou laminadas a frio , em mancais de bronze fundido e acabados com broqueamento e alar-
gadores (acabamento de 0,70 a I ,38 ~o~m, Ra) .
( E maquinaria de serviço de desbaste possuindo árvores de aço torneadas ou laminadas a frio operando
em mancais de bronze fundido (acabamento de 1,43 a 2,75 ~o~m, Ra).
(
11-13- PROJETO DE MANCAL O diâmetro e o comprimento do mancai dependem da grandeza da carga unitãria. En-
(
quanto que um projetista experiente tem uma melhor idéia da faixa satisfatória, o iniciante
( A Fig. 11-27 mostra uma situação típica de um projeto de mancai de deslizamento. Aqui necessita de um ponto de partida.
(
e
uma árvore girando está suportada pelos mancais A e._B. evid~mte que algumas das decisões já A Tab. 11-2 indica a faixa das cargas unitárias de uso corrente. Estes valores serão alterados
foram fixadas por outras: considerações, tais com~s dimensões da ãrvore, tratamento térmico, para cima ou para baixo, dependendo da severidade das condições de operação, mas podem ser
ç e
velocidade e geometria geral. também evidente que o problema ~ãõ está completamente solu- usados para a obtenção de um ~eiro valor de ensaio para ~Havendo-se fixado um valor da
cionado. Qual é a fmalidade da ãrvore? O que é que causa as forças externas? A ãrvore está den- carga unitária, pode-se selecionar valores convenientes para o diâmetro de o comprimento l do
tro de uma caixa? Os mancais são auto-alimentados ou o lubrificante vai de um reservatório e mancai.
também é usado para outros fiiis? Depois que se conhecem as respostas a essas perguntas o pro- O problema seguinte é o da folga radial, que depende do material do mancai, do acaba-
jeto pode começar. mento superficial e da velocidade relativa. Para um anteprojeto, pode-se usar os seguintes dados :
4500N 4500N

Material do mancai Folga máxima, relação rjc

Liga chumbo e estanho 600 -1000


Cobre e chumbo 500-1000
Alumínio 400- 500

Fig. 11-27 Como um guia adicional, o Cast Bronze Bearing Institute (CBBI)* publicou uma lista de folgas
radiais recomendadas para mancais completos de bronze com vários graus de acabamento. Estas
20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
2 recomendações, que pennitem 20% de tolerância, estão.condensadas no gráfico da Fig. 11-28.
'
./
v 300
A relacã"o comprimento-diâmetro 1/d depende de se esnerar ou não que o mancai trabalhe
e!Jl condições de película espessa. Um ~I loneo (grande relaçlo 1/á) reduz o coeficiente de
o
...
õ
Q.
/
v !
250
atrito e o fluxo de óleo pelas extremidãdês e, portanto, é desejável onde existir película delga-
~u l e i o limite Por outro lado, quando oeprrer lubrificação forçada ou positiva, a

..
o
.;
8

6
-·-···- ···- · ,_.. . v
v 200

150 Ê
..:
relaÇlp 'd será relativamente pequena Esses mancais têm um maior fluxo de óleo pelas extre-
midades e, por isso, trabalham mais frios. Em geral, a prática corrente é usar uma relaçlo 1/d
próxima da unidade e então aumentar esta relaça:o se for Provável ocorrer lubrificaçfo com pelí-
l E
- cula delgada ou ·decrescê-la para lubrificação comf'"lííne"esj,ess() ou· altas temperaturas. Se a de-
& 4
-D:::. t:c= ~ ::::::-
100
õ · V flexão da árvore for grande, deve-se usar mancaj$ Curtos para evitar-se o contato metal com
IL
2_/_ .,..........._ f..-: -A- metal nas extremidades dos mancais. . ·
50
· t&~
o~ .... , ..·, .. ;,
2 3 4 5 6 7
Dlimetro da 6rwre d, pol. * Harry C. Rippel, "Cart Bronze BeariJ~ Design W..~''; ,Z! ecl., pp.: 12 e 13, lntemational Copper
Fig. 11·28 Folps radiais recomendadas para mancais de bronze fundido. Research Association, Inc. 825 Third Aw., New York, NY 10022.1965.
( )
43!5 I ELEME:NTOS DI: MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 437 ( )
()
Deve-se, sempre, considerar o uso de ~mancai parcial, quando houve( p(Qblemas de al- metalurgia do pó. A bucha ·encarrliSãda é ús\ialmente de um tipo fendido. Em um método de
tas tern~raturas, porque aliviando-se a área não carregada do mancai pode-se reduzir substan- fabricliÇIO, o material da camisa é fundido e vazado continuamente numa lâmina de aço fina. A i ( )
cialmente o calor gerado. - ---- - -- ---.---- -
Com todas estas tentativas feitas, pode-se selecionar um lubrifica_nte e fazer a análise
.
,. lâmina de babbitt é entâ"o trabàlhada através de premas,
alargadores e brochas, resUltáiído ein
uma bucha encamiSada. O ranhurarnento pode ser feito dentro das buchas. As buchas são
I ()
· hidrodinãmica conforme foi apresentado anteriormente. Os valores dos vários parâmetros de de-
sempenho, plotados como !l.<L5& 11-20, por ex~plo, indicarão se fOi con~guido um projeto
montadas sob forçamento e seu acabamento pode ser feito por broqueamento, alargamento ou
brunimento. _________ _____ __ __ _
i( ;
-~ ·· ·. · ttas tentatiVas·. -- - ---- - ··· --- - -- ··· ·- --- · - · - ---- ~
Os mancais bip~idos - com ou -5em -flanges são mostrados na Fig. 11-30. São utilizáveis { I

em várias dimensões, em ambos os tipos, de parades espessa ou fma, com ou sem material de !r
Tabela 11-2 Faixa de Cargas Unitárias de Uso Couente pua Mui~ d~
Deslizamento · _. " -
revestimento. Um fixador posiciona o mancai e 'efetivamente impede o movimento axial ou
rotacional do mancai na caixa. ·- · .. ·-- 'c
(
Aplicação > Cargapnitáriq
': MPd ''"'
o c.
(

m
I
( I

Motores diesel:
( I
Mancais principais 6-12
Moentes 8-15
14-15
(
Pino do êmbolo
la) Com flange lb) Sem flange
Motores elétricos
Turbinas a vapor
0,8-1,5
0,&~1.5
Fig. 11-30 Mancais bipartidos.
c
Redutores de engrenagens 0,8-,-1,5 (
Motores de automóvel :
Mancais principais L5 (
Moentes 10-15
Compressores de ar: (
Mancais principais 1-2 (a) ___(~) (c) (d)
Moentes 2~ - (
Bombas centrífugas 0,6-1,2
(
(
(c) (f) (g) (h)
(

09$
.f'~ i Y. ~:~ - :. ~,: ~: 1'- Fig. 11-31 Vista planificada de modeÍos típicos de ranhuras. (Cortesia da Oeveland Graphite Bronze Com-
(
- ·-·- - ~ ~ . -- - + .
pany. Divisão da Corporation Clevit.)
"'v. . ~ ~~-~ ~ .- (
f' (a) Bucha inteiriça ( b) Bucha encamisada Alguns modelos típicos de ranhuras são mostrados na Fig. 11-31. Geralmente o lubrifican- (
j i f / .- te pode ser trazido da extremidade da bucha, através da árvore ou da bucha. O fluxo pode ser
Fig. ll-29 Mancais de luva (buchas) (

.~4 ~;~~DE ~ANCAIS


intermitente ou contínuo. A prática preferível é trazer-se o óleo até o centro da bucha, de tal
modo que flua para fora por ambas as extremidades, aumentando assim o fluxo e a ação de (
arrefecimento.
(
Um mancai pode ser tão simples quanto um furo usinado em uma peça de ferro fundido
de uma máquina . Pode, contudo, ser simples e ainda necessitar de procedimentos detalhados
(
11-15 -MANCAIS DE ESCORA
de projeto, como, por exemplo, o moente da biela de um motor de automóvel, de duas peças, (
ranhurado, alimentado sob pressão. Ou pode ser tão trabalhado, como os grandes mancais de Este cap~tulo é destinado ao estudo do mecanismo de lubrificaçfo e suas aplic~ões aos
anel de óleo arrefecido à água e com reservatórios de óleo, usados em-maquinaria pesada. -
(
projetos e análiSes de mancais ra~illis. Entretanto, o projeto e a análise dos mancais de escora
_;q-; A J1ig.J1-29 mostra dois tipos de mancais que muitas vezes sã()_ chamado~ de buchaJ. são, também, aplicação importante da teoria da lubrificação. Não se inclui aqui estudo detalha- (
~- bucha. inteiriça é feita por fundição, por.laminação e usinagem,. ou usando-se o processo da do dos mancais de escora não ~rnél1te ' porquê iíãô contribuiria com algo significatinmente di-
)
438/ ELEMENTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MA{IICAIS RADIAIS I .!139

(
(
(
Fig. 11-34 O mancai de luva com flange recebe cargas radiais e axiais.
(
( '
ll-16- LUBRIFICAÇÃO LIMITE
( I

Quando duas superfícies deslizam uma em relação à outra com somente um filme parcial
( de lubrificante entre elas, então, diz-se que existe lubrificação limite. A lubrificação limite ou de
( Fig. 11·32 Mancais de escoxa de coxins liXOS. (Cortesia da Westinghouse Corporation, Laboxatórios de Pes- película delgada ocorre em mancais lubrificados hidrodinamicamente, quando eles partem ou
quisa.) param , quando a carga aumenta, quando o suprimento de lubrificante diminui, ou quando ocor-
( ' rem outras variações de operação. Há, certamente, um grande número de casos em projetos, nos
( I Distribuição de pressão quais, pode-se usar mancais com lubrificação limite por causa do tipo de aplicação ou da situa-
ção competitiva.
( Pode-se diminuir muito o coeficiente de atrito para superfícies com lubrificação limite,
pelo uso de óleos animal ou vegetal misturados com óleo mineral ou giaXa. Os ácidos graxos tais
(
como ácido esteárico, ácido palmítico ou ácido oléico, ou alguns destes que existem em gordu-
( I · ras animais e vegetais, são chamados de agentes oleaginosos. Estes ácidos parecem reduzir o atri-
to ou devido às suas fortes afmidades com certas superfícies metálicas ou porque formam uma
(
película de sab~o ligando-se às superfícies metálicas por uma reação química. Assim, as molécu-
( las dos ácidos graxos ligam-se à. arvore rotativa e à superfície do mancai com tal resistência que
as asperezas metálicas das partes em deslizamento não sofrem cisalhamento ou caldeamento .
Fig. 11-33 Distribuição da pl\lssio do lubrificante em um mancai de escoxa. (Cortesia da lntemational Copper
( I
Research Corporation.)
Os ácidos graxos entram em colapso a temperatuL8S_g~_ I20° C ou mais, ca!IJ.<~lli!Q_ ª!Jllle.f!.tO
( de atrit"õedeSgaste em mancais lubrificados com película !lç]gadi~i:mJai.s casos, lubrificantes de
A Fig. 11-32 mostra um mancai de escoia consistindo essencialmente. de um elemento extrema pressão ou EP ·· odcmt-se niisturar co "fi tes de ácidos graxos. Estes são compos-
rotativo deslizante sobre um coxim rlXo. O lubrificante é trazido para as ranhUI35 Iadiais e bom~·
( I
tos de su stancias químicas,:tais· cômo;. ésteres clorados ou fosfato de tricresila, os quais formam
( I
beado dentro do espaço em cunha pelo movimento do elemento rotativo. Obtém-se a lubrifica- uma película orgânica entre as mperfície's em atrito. Não obstante o lubrificante EP tornar pos-
ção comp1eta .o u hidrodinlmica se a velocidade é contínua e .suficientemente alta, se o lubrifi· sível operar em temperaturas mais altas, há a possibilidade adicional de corrosão química exces-
cante tem viscOsidade correta e se é suprido em quantidade suficiente. siva das superfícies deslizant~s. _}_!!=:--.::> . ~t:!V"/./"
_./1
A Fig. 11-33 apresenta a distribuiçfo da presslo sob condições de lubrificaçfo com filme
completo.
Dew-se notar que os mancais são feitos freqüentemente com um flange (Fig • .1 1-34), que 11-17 -MA TERJAIS PARA MANCAIS
· ·-'-'-· -- - - ~ ---'-'- ~.:.=.-.=:.:. ~~ --" · ~ ~- - ·.:..:_ _-_ ..c_ __ ..... . _____ ____ ___ _ .
posiciona omancaJ. ·na~caiXa e também recebe uma carga de encosto. MeSmo que séjã.í:inhlli'ãdó; - ·
entretanto, e tenha adequada lubrificaçfo, tal arranjo lo é m mancai . . lubrificado Quando se menciona uma montâgeni lubrificada, é necessário fazer-se uma distinção entre
bidrodinamicamente. ~olga não é em cunha, màs tem espessura ulúíorme. Pode-. os seguintes elementos:
se aplicar um raciocÍilio semelhante a vários projetos de arruelas de encosto. j
'· 1. A árvore, munhio ou peça em movimento.
2. O lubrificante, se existir.
" Ha.uy C Rippel, "Cut Brooze TIÍrust Bearing Design Manual" ,lntematlonal Copper R~ Alsqc:iation, 3. O mancai ou peça fiXa. . . c . ,. , , , . .
lnc,, 82S, ThirdAWI"NewYoik, NY,10022,1967. CBBI, 14600, DetroitAw., CJeWJand, OH, 44107~ 1967. 4. A caixa na qual o ~ancal está montado.
(
440 I ELEMEI'JTOS DE MAQUINAS LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS I 441 (
(
Tabela _11-3 Composiçio e Características de Ligas pm Mancais ~ - alguma lubriflcaçã"o durante a partida. Um outro método de reduzir o atrito é fazer sulcos n-a
parede do mancai e enchê-los com gr'.tfite . !(
Caracrer(sricas relati•·as (. A Tab. 11-4 apresenta alguns materiais usados freqüentemente quando há pouca ou '(
Nome da Liga
Espessura

Pol. mm
SAE
tf?
%
Cu
%
s!'
%
Pb -
%
Sh Capacidade Resistàu·ia
r
nenhuma lubrificação, juntamente com informações sobre temperatura, carga e funites PV. Ic
de C'Ort:a à Corrosão
-- -- - - 11-18- PROJETO DE MANCAIS COM LUBRIFICAÇÃO LIMITE
- l(
Babbitt, h/Estanho O,Q.~ 0,56 12 3,25 89 1,5 1,0 Excelente
I(
Babbitt, h/Chumbo 0,022 0,56 15 1 83 15 1,2 Muito boa
Babbitt, h/Estanho 0,004 0,10 12 3,25 89 " Pode-se analisar o desempenho de mancais com lubrificação limite usando-se a fórmula (
1,5 I,S Excelente
Babbitt, b/Chumbo 0,004 O,IO IS I 83 15 1,5 Muito boa - k{f; --=_-TA) \ '(ll-27)
Bronze de Chumbo S/revest. 792 80 10 io 3,3 Muito boa = \
(
Cobre de Chumbo
Liga de Alumínio
Prata c/sobrecamada
0,022
S/revest.
0 ,013
0,56 480

I7 p
65
I 6
35

·.
I,9
3,0
Boa
Ex<.-clcntc
onde v = velocidãde superficial da ãrvore, m/min.
f ____ _,\ c
0,33 -~
4,1 Excelente (
Cádmio (1,5% Ni) 0 ,022 0,56 18 1,3 Boa f =
coeficiente de atrito ··
Trimetal 88 • 4,1 Exc-clcnk I(
Trimetal 77* •
TA temperatura do ar ambiente, °C
4.1 · Muito boa
T8
k
temperatura no furo do mancai, °C
constante de proporcionalidade
Ic
Há pouco ou nenhum fluxo de lubrificante em um mancai com l~brjficaçã"o limit~, de maneira
lc
Os dois requisitos conflitantes para um bom material para mancai são: deve ter uma resistência i(
que o calor gerado deve ser dissipado pelo próprio mancai. Assim a constante k depende da faci-
satisfatória à compressão e à fadiga para resistir às cargas aplicadas externamente, e ser macio,
lidade do mancai dissipar o calor. A Tab. 11-4 relaciona um PV máximo de I 05 Mpa. m/min. (
ter baixo ponto de fusão e baixo módulo de elasticidade. Este segundo c?rjunto de requisitos é
e uma elevação de temperatura de 139°C. Usando-se uma temperatura ambiente de 24oC e um
necessário para perrrútÍr que o material se "amacie" podendo assim se conformar às ligeiras, irre- coeficiente mínimo de atrito f= 0,02, pode-se resolver a Eq. (11-27), obtendo-se k = 0,015. c
gularidades e absorver;e desprender as partículas estranhas. A resistência ao desgaste e o coefi-
ciente de atrito são também importantes, porque todos os mancais devem operar, pelo menos
Então para o mancai de bronze poroso a Eq . (11-27) fica c
parte do tempo, com lubrificação com película delgada: _ PV - 0 ·0l5 <18 - 7Ã) (11-28) (
Outras considerações na seleção de um bom material para mancais são sua capacidade de re-
f ' (
sistir à corrosão e, naturalmente, o custo de produção do mancai. Alguns dos materiais usados
comumente estão relacionados na Tab . I I -3, juntamente com suas composições e característi- (
cas .
~_!!1-~_çaLpGde-ser-aume_ntada..substancialmente-de.~~a de Tabela 11-4 Alguns Materiais para Mancais com Lubrificação Limite e seus Limites de Aplicação • (
babbi1_1, ou outro metal branco, em espessums de 0,025 a 0,350 mm sobre uma base de aço. De (
fato : uma liga de cobre-<:humbo em aço proporciona resistência, e com uma sobrecamada de PV mdxi111()
Pressão Temperatura Velocidade
babbitt proporciona características superficiais e contra a corrosão, tais que fazem excelente Material · Mdxiina Mdxima Mdxima P =Pressão(MPa) (
mancai. MPa •c mfmin. V= Velocidade (m{min)
(
Pequenas buchas e anéis de encosto muitas vezes operam com filme delgado de lubrifica-
ção. Neste caso, podem ser feitos melhoramentos no. material do mancai para aumentar signifi- Borracha 0,34 66 I220 (
cativamente sua vida. Uma bucha' de metalurgia do pó é porosa e pç,rmite que o óleo penetre no
material. Algumas vezes tais buchas são apoiadas por material impregnado de óleo para propor-
Bronze poroso
Carbono grafite
29,6
4,1
66
400
451
762
lOS
31,5 \
cionar espaço adicional de armazenamento. Os mancais têm, freqüentemente, pequenas depres- Delrine 6,9 82 305 6,3 (_
sões serrú--esféricas para armazenagem do lubrificante enquanto a árvore está parada. Isto fornece Fenóis 4I 93 762 31,5
Ferro poroso
Madeira
55
13,8
66
66
244
610
105
31,5
c
Náilon 6,9 93 305 6,3 c__ .
• 2,1
• Este tem uma camada de 0,20 mm do cobre-chumbo em Suporte de aço mais 0,025 mm de babbitt base de
estanho.
Teflon
r eflon reforçado
3,4
I7,2
~.f'
260
260
260
30
305
15
21,0
52,5
c
*" Este tem uma camada de 0 ,33 mm de cobre-chumbo em suporte de !IÇo_iluiis0 1Ó2S mm de babbltt base de
-,"ChÚJnbo. .,.,_ · Cc. v<c, h ·,·;-.,' ·.- .
Tela de teflon
.--:_-
...
. ;;_: · --- -'::-;::·::-::,~~-_:~·- ~;· -···<-· ;~
413,4
_-:; __::,· ''•; -' ;'/ :. '
c
• E. R. aooser; lhe Bearings BÓOk,éap. 4, pág.:}4,Mach. Design, 13 julho, I963.
c-/
i(
. '. \
LUBRIFICAÇÃO E MANCAIS RADIAIS 1. Ma
442 1 ELEMENTOS DE MAQUINAS

limitações de tempe!llturd e valores para PV para outros materiais ·estão relacionados na Tab. calor, o fluxo pelas él(tremidades, o flu"o total, a espessura mínima de película de óleô e o ácrés~
114 . . cimo de temperatura; '
.{
O coeficiente de atrito para ser usado nas Eqs. ( 11-27) e ( 11 -28) depende muitas vezes do 11-8 Um mancai de deslizamento tem 32 mm de diâmetro e 32 mm de comprimento coma árvore na
g).1lu de lubrificação e pode ser estimado da seguinte tabela: velocidade de 3600 rpm . O mancai suporta uma carga radial de 3 kN. A lubrificação é com óleo
SAE 10 a uma temperatura média de trabalho de 6o•c. Determiite a folga radial parah 0 f.c = 0,50 .

Lubrificação wejiciente de atrito


11-9 Um mancai de deslizamento tem 20mm de comprimento e 40 mm de diâmetro. A folga é de O,04

r Película mista 0,02 0,08


mm e usa um lubrificante SAE 20 a uma temperatura de trabalho de 6o•c. O mancai suporta uma
carga de 1 ,S kN. Calcule o calor gerado nas velocidades de 1000, 2000 e 4000 rpm e construa um
gráfico do resultado . ·

t
(
Película delgada
A seco
0,08
{),20
0,14
0,40 Seção 11·9
11-10 Um mancai de 40 mm de comprimento e 40 mm de diâmetro tem uma relação r/c de 1000. Ave-
locidade da árvore é de 1200 rpm, a carga é de 2,5 kN e o lubrificante é o SAE 40 na temperatura
( de admissão de 38•c.
Nesta tabela, película mista significa lubrificação hídrodinâmica parcial e limite. tal como pode
( ~" .
ser obtida com dispositivos de lubrificação por mecha ou conta-gotas. A película delgada é lu-
(a) Ache a espessura mínima da película de óleo e a temperatura de saída do óleo.
(b) Determine a grandeza e a localização da presslo máxima na película.
( brificação limite usando graxa ou lubrificantes de ácidos graxos. E a seco significa a completa
ausência de um lubrificante. Um óleo SAE 60, admitido à temperatura de 27°C, é usado para lubrificar um mancai de desliza-
( I mento de ISO mm de comprimento e 50 mm de diâmetro (lfd = '"').A carga no mancai é de

( j/~/'" ~........ f L· r I ' >l, .- 8 kN e a velocidade da árvore é de 160 rpm. Usando a relaçfo r fc igual a 600 ache o acréscimo de
temperatura, a pressão máxima e a espessura mínima da película de óleo.'
PROBLEMAS
11-12 Um mancai de deslizamento tem 10 mm de diâmetro e 10 mm de comprimento e é lubrificado com
[ Seção 11-8
11-1 Um mancai radial completo tem 50 mm de comprimento e 50 mm de diâmetro. A carga no mancai
óleo SAE 10, na temperatura de admissfo de so•c. A folga radial tem 0,008 mm. A velocidade da
árYore é de 3600 rpm e a carga radial é de 65 N. Ache o acréscimo de temperatura do lubrificante e
é de 3,0 kN e a árvore gira a 1200 rpm . Empregando uma folga de 0 ,025 mm e uma visçosidadc a espessura mínima da película de óleo .
K média de 137,8 MPa.s., calcule a potência de atrito.
11-13 Um mancai de deslizamento tem 30 mm de diâmetro e 30 mm de comprimento. A árvore gira a

t 11-2 Adquira um litro de seu óleo favorito, de multiviscosidade, c determine a viscosidade em seu la-
boratório de lubrificação, de acordo com as normas ASTM. Trace a curva da vi~cosidadc absolu-
1750 rpm e a carga radial no mancai é de 1,0 kN. A folga é de 0,02 mm. Usando óleo SAE 30 na
temperatura de admissão de so·c. ache o acréscimo de temperatura e a espessura mínima da pelí-

l ta em função da temperatura na carta da Fig. 11 -11 , para uso posterior. cula de óleo .

t 11-3 Um mancai de 200 mm de diâmetro tem 100 mm de comprimento, suporta uma carga de 33 kN e
gira a 900 rpm. Usando uma folga radial de 0,100 mm, achar a potência de atrito para os seguiittcs
11-14 Repita o Probl. 11-13 para óleos SAE 10, 20 e 40 e compare os resultados. Que lubrificante deve
ser usado?

t· lubrificantes: SAE lO, 20, 30 e 40. Considere a temperatura de operaçio de 1o•c. \ .. "-
11-15) Um mancai de deslizamento tem 38 mm de diâmetro e tem uma relaçio lfd unitária. Outra especi-
114 Repita o Probl. 11-3, mas use um lubrificante SAE 40 e as seguintes folgas radiais: 0,050 mm ; '· fiCação inclui uma relação de folga de 1000, uma carga radial de 2,5 kN e uma velocidade da árvore
( de 1200 tpm. O rl1arical é lubrificado com óleo SAE 40 a uma temperatura de admissão de 35°C.
0,075 mm; 0,100 mm; 0,125 ml)l; 0,150 mm. Trace uma curva mostrando a relação entre o coefi-
ciente de atrito e a folga.
li ·-=-· (a) Ache a temperatura média do óleo.
(b) Qual é a espessura mínima da película do óleo?
K 11-5 Um mancai de 75 mmde diâmetro e 75 mmde comprimentosuportaumaárvorequegiraa400rpm,
e está submetido a uma carga radial de 2,7 kN. O mancai é-lubrificado com óleo SAE 30,que flui (c) Ache a presslo máxima na película de óleo.
t para dentro do mancai a uma temperatura de 1o•c. A folga radial é de .0,03Smm. Calcule a perda
· "-~-de"i:alor; o fluxo 'Pelas extremidades, o ·nuxo ·total, a espesliwa riú~
. -~ · aa·-perícula de óleO e o 11-16 Um manarde~cieSJiÍame-nlO~de-60 mm de diámetro e 60 IDmde comprimento é lut;rifie3doooiri -
acréscimo db..tempera~•-- ' ~... --. . ""'- óleo SAE 30 na temperatura de admisslo de 40•c. O mancai suporta uma carga radial de 4 lc:N e a
árYore tem uma velocidade de 1120 rpm. A folga radial é de 45 ~tm. Calcule:
11~ Um mancai de deslizamento de 30 mm X 30 mm, suporta uma carga de 3 ,O lc:N com a árYore girando
a 3600 rpm. Usando óleo SAE 10 a uma temperatura de tiabalho de 10•-C, especifique a folga ,+. (a) o acréscimo de.temperatura e a temperatura média do lubrificante;
radial para hJc igual a 0,662. (b) o coeficiente de atrito;
(c) a grandeza e a ~çiOda espessura mínima da película de óleo;
Um maitcal de deslizamento tem diâmetro de 75 mm e comprimento de 1S ~m. A ve!Óclcbde da

l
11-7 - (d) o fluxo pelu extremidades e · o fluxo total;
árVore é de 420 rpm. O óleo fornecido é o. SAE 30 a uma temperáiiuà cié admissfo de 1o•c. o (e) a pressfo máxima da película de óleo e sua localizaçlo angular;
mancai suporta uma carga radial de 2,7 lc:N c tem uma folga radjal de 3S,:.m. Calcule a perda de (0 a posiçio em que termina a película de óleo .
444 I ELEMENTOS· DE MAQUINAS

..Um óleo SAE 20 é usado· para IIJb.rif~-~~~ ~de deslizamento de 75 mm de eompnmento c


~de diâmetro. O óleo entra no mancai na temperatura d~. A ~gir.l a 1200 rpm ~ 0
mancai suporta uma carga radial de.6,7 kN. A folga radial é de 37 .5 11 m. Dct~rminc : i(
(a) o valor e a localização da espessura mínima da película de óleo: ( ,

n
(b) o coeficiente de atrito; ··
(c) o fluxo lateral e o fluxo total .de óleo·
(d) a pressão máxima-da peJ.ícula-de-ó5•e sua localização:
{e) a posição em que termina a película de óleo;
<O a temperatura média do óleo fluindo "lateralniente do mancai c a temperatura do óleo na posi-
12 .(
(
• ção terminal da película: . ' ·· • · ·
ENGRENAGENS CILINDRICAS RETAS
:(
;(
11-18 ~ma árvore de um mancai tem um diâmetro de 64 mm e um comprimento de 32 mm. A árvore
e para operar na velocidade de 1800 rpm e carregar uma carga de 3,3 kN. Se for usado óleo SAE 20
na temperatura de admissão de 43"C, qual será a folga.radial para capacidade ótima de carga? ' (
Seção 11 -li. c
íl-1"""9' Jl u. m mancai com 45 mm de diárnetro e 50 mm de comprimento tem uma ranhura anular central d~ (
o_Ieo de 5 mm ~e ~ura que é alfrnent~a por óleo SAE 10 a 50" C c 200 kPa de pressão de admi•- A transnússão de movimento rotativo de um eixo para outro ocorre em quase toda má-
sao. A folga rad~l e_de 38~m. A arvore gua a 3000 rpm c a carga média é de 4 MPa na área projeta-
da. Achar o acresc1111o de temperatura, a espessura mínima do filme de óleo c a máxima pressão
quina que se possa imaginar. As engrenagens constituem um dos melhores meios dentre os vá- c
no filme. rios disponíveis para essa transmissão. (
Quando se constata que as engrenagens de um diferencial de automóvel, por exemplo,
;(
11-20 Um moto~ diesel de 8 cilindros tem o mancai principal dianteiro de 87,5 mm de diâmetro c 50 mm possa funcionar por 150.000 quilômetros ou mais antes de necessitarem substituiçã"o, e quando
de comp~ento. O mancai tem uma ranhura anular central de óleo de 5 mm de I&Jgura. f. lubrifi- se conta o número real de engrenamentos ou de revoluções, começa-se a avaliar o fato de que o
cado com oleo SAE 30 numa temperatura de admissão de 80"C c urna pressão de admissão de
(
projeto e a fabricação destas engrenagens é realmente uma realização notável. As pessoas, geral-
345 kPa. P~a.•uma folga radial de 65~m. uma Yelocidadc de 2800 rpm e.:Jlma carga radial de 20 kN,
achar o acresc,1111o de tempe:ratu.ra e a espessura mínima da pelícuia de óleo.
mente, não imaginam como tomaram-se sumamente desenvolvidos o projeto, a engenharia e a ·c
~ ·· . ~
fabricação de engrenagens porque são peças muito comuns nas máquinas. Há muitas lições a :(
~m mancai de 50 mm de diâmetro tem 55 mm de comprimento c uma ranhura central anular de serein aprendidas sobre engenharia e projeto em geral através do estudo de engrenagens porque
oleo_ d~ 5 mm de lar~ que é alimentada por óleo SAE 30 a 55"C c 200 kPa de pressão de
adm1ssao. A folga Ill;d1~ e de 42~m. A velocidade da ârvore é de 2880 rpm e a carga no mancai, de
empregam-se a ciência e a ar:te da engenharia. Esta é outra razão para o estudo de projeto .e aná-
lise de engrenagens. Talvez as lições aprendidas possam ser aplicadas alhures. ·
c
I O kN. A~ar o a~SCII11o de temperatura do lubrificante, o fluxo total de óleo c a espcss_u ra.míni· (
ma da pehcula de oleo. ::..,.. ·
. 1:' (;1( ._ 1. -,· -; Este capítulo consiste essencialmente de quatro partes: (
!' \.i
- (
...... l. A cinemâtica de dentes de engrenagem e trens de engrenagem. Nesta parte aprender-se-á
algo sobre a forma do dente de engrenagem, junto com os problemas. causados por esta (
forma e o que fazer em relação a eles. Também aprender-se-á sobre a râzão de velocida-
' ,. f.,.: des de várias espécies de trens de engrenagens. Os estudantes que já tiveram cursos de (
i : fÍ mecanismos ou cinemâtica de máquinas devem usar esta parte do capítulo como uma (
!\ i-- revisa:o e uma referência para a nomenclatura de engrenagens e depois prosseguir para
•{i ' ( '
as outras partes. C.
\,
•"-)k ·- c .:Jo ~~ . ~ " 1 ~\ (
-é . 2. A análise cinética de engrenagens e trens de engrenagens.
ho=--::/(._ ,v·::;.,•'ttj ~: : '"' ·· (
ç.,~ u -- ,.,' ,,-...· MO.
., p
- --
_(.;.~ c . . 3. O projeto de engrenagens baseado na resistência dos materiais usados, isto é, a determi-
( r -. :J.i-'r ; (
n~a:o do tamanho das engrenagens.
h)!:.
G
· ,. '1. · ·-
,
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'
I• · - (
4. O prÔjeto de engrenagens baseado em considerações de desgaste .
.:_ Ol " ~J :rA,_() -:. ___ , .

·'·" A- '..
:c
I
Mesmo com as engrenagens representando um alto nível de realização em termos de enge- !(.
nharia, os ~néto_tlos de projeto têm mudado rapidamente nos últimos anos, devido, possivelnlen- · ·
te, aa uso do .computadoi;. Comissões compostas de autoridades no campo de engrenàg~ns (.
~
!( -
~
T
(
'!'" IH'M'NTOSO,MAOUINAS . .. ENGRENAGEI\IS CILfNDRICAS RETASl-'447
()
( ) revêem e mudam constantemente os códigos de projeto. A i~;~~enção aqui não é a de apresentar i Aalturti,:, ~ iÇabe,fa o.u saliência h0 é a distância radial entre a circunferênciádtrcabeça.e. a
uma. abordagem de padronização que possa tornar-se obsoleta em poucos anos. mas. ao contrá- I circunferenciàcpriliiitiva. .
( ) rio, preparar o leitor em relação aos fundamentos, usando sua experiência de projeto já adquiri·
da nesta altura. O leitor estará apto a ler, compreender e utilizar os códigos de projeto existen' A altura 'ae pé ou profundidade ht é a distância radial entre a circunferência de pé e a cir-
( cunferência primitiva.
tes. ~ muito mais importante apresentar aqui o assunto, de maneira a capacitar o leitor a parti- (0.~
( cipar do desenvolvimento de códigos de projeto no futuro. A altura de dente h r é a soma da altura de ~e com a altura de pé.
( __, A folga no fundo do dente c é a distância, sobre a linha de centros, entre a superfície de
pé de uma engrenagem e a superfície de cabeça da engrenagem conjugada.
( 12-1- NOMENCLATURA
O jogo primitivo jt é o comprimento de arco medido sobre a circunferência primitiva que
( Usam-se engrenagens ciUndricas retas para a transmissão de movimento rotativo entre exprime a diferença entre um vão frontal de dentes de uma engrenagem e a espessura frontal
do dente da engrenagem conjugada.
( eixos paralelos; os dentes são retos e paralelos ao eixo de rotação.
A terminologia dos dentes de engrenagens está ilustrada na Fig. ·12-1 e algumas definições
( são as seguintes: O leitor deve provar por si mesmo a validade das seguintes relações úteis:
I .

- ·-· . I =; (
( Circunferência pn"mitiva é uma circunferência teórica sobre a qual baseiam-se todos os
cálculos. As circunferências primitivas de um par de engrenagens acopladas são tangentes. {12-1)
( p
Um pinhão é a menor das duas engrenagens em contato. A maior chama-se, geralmente. ...- _.>-~:· ~-<:-., ~-- _)
( de engrenagem. onde l' ·,~díâmetral pit~', dentes por polegadas*
( ) O passq_.frontall!.J_ é o comprimeyto d~ÇQ.Jl.a ct.r&.\ll!fei-ência J?ri!lll!i.~~~ compreendido z = númerode derttês ......___- - ·- --.. .
entre dois flancos homólogos CO(l~Ç_!l!\Y<>.S. Assim, o passo frontal é igual à soma da espessura d diâmetro primitivo, em polegada.
,.,
( l fivntareõõ--iiliôJronrâl-.~ .. -· · . !~ ! · •.

( e módulo m é a razão entre a diâmetro primitivo e o número de dentes, expresso em L.---··-d-·-7 ·


e
milímetros. módulo indica o tamanho do dente no Sistema Internacional (SI) . -,j ,...m=-;- (12-2)
K
'
( '
.!_::!.~~.l!f!ll!.i~c;h..~ !' é
a razão eo.lre .o número .if~_.d~~~-~- ~ll: «:!!&renllgem e o .diâmetro onde m = módulo, mm ~( ..-:__;
~Conceitualmente, é o inverso do módulo . Como o "diametral pitch" é usado somente d = diâmetro primitivo, mm .
( , com unidades inglesas, é expresso em dentes por polegada.
rrd
[
I

' Pr = - - =rrm / (I 2-3)


z

Pt P = rr (124)

12·2 -AÇÃO CONJUGADA

A apresentação Seguinte considera os dentes com formato perfeito, absolutamente rígi-


dos e perfeitamente lisos. Tal suposição, naturalmente, não corresponde à realidade, devido às
limitaçõeS. das.máquinas"usadas para gerar os dentes e porque -a aplicação 'Cle "forfSS~causará- ·
de flexões .
. A'açi() ú ·ât;ls "derites em <Xintato para produção de moVimento rotativo é semelfumte à
e
ação de cimes seguidores. Quando os perfts de dentes, ou de carnes, são projetados de modo
a prodUZirenrliD'Ià:Tazfcn:orrstartte de velocidades angulares durante o engrenamefitó õu ac0pl•
menta, diz-se c:'(~ têm açQ0 cofriugada. Teoricamente, pelo menos, é possível selecionar arbitra~

Fig. 12-1 Nomenclat~ de dentes da eapenqem.


• Nota do Tndutor - O "diametral pitch" P nlo é objeto de padroniuçfo nas normas brasüeiras.

J
·(
448 I ELEMENTOS DE MAoutNAS ·
.
ENGRENAGENS CILI'NDRICAS RETAS I 449 (
i(
riamente qualquet,perfil pm um dente e ent:io determinar um perfil paià o dente ·c::om o qual sempre tangente ao cilindro A. A circunferência em tOmo da qual a evolvente é gerada chama-se
será engrenado e possibilitar aç!'o conjugada. Uma dessas soluções é o perlil evolYental, o qual, circunferência de base. (
com poucas exceÇõeS. é ·ae uSo UniverSal para dentes de engrenagem e é o (tnico que-serhqui De~-se examinar agora o . perfll evolventat para se verificar se ele satisfaz as exigências (
abordado. para a transmissão de movimento uniforme. A Fig.12-3b mostra duas engrenagens com os cen-
Quando uma SUperfície curva empurra outra (Fig. 12-2), o ponto de contato situa-se no tros fixos em 01 e 02 e circunferências de base cúje>Sraie>Srespectivossfo 0 1a e 0 2b. Imagina-se (
ponto de tan~~~-~Ç9.ID.tmt__!ls_duat _superfícies (ponto c) e as forças, em qualquexJmtante, agora que uma corda esteja enrolada ~m_ tQmo da ~erência .de .base da engrenagem 1, no (
situam-se sobre a nonDai comum ab às duas curvas. A reta ab, representando a direçl'o das for- sentido horário, esticada entre os pontos a e h e enrolada, no sentido anti-horário, em torno da
ças, chama-se linhll de açãt), e cruza a linha de centros (F() em um pontoP. A razão de velocida~ circunferência de base da engrenagem 2. Se, agora, as circunferências de base girarem em senti- (
des angulares entre as Alias peças é inversamente proporcional aos seus raios medidos até o _dos contrários de modo a manterem a corda esticada, um ponto g sobre a corda descreverá as '(
ponto P. As circwlferenciaS que passam pelo ponto P, com centros nos pontos O, chamam-se evolventes cd sObre a engrenagem 1 e e[ sobre a engrenagem 2.
circunferências primitivas e os raios de cada uma são os rrzios primitivos. O ponto P é chamado
de ponto primitivO.
:c
Para a tninsmisslro de movimento a uma razão constante de velocidades angulares, o pon- (
to primitivo deve permanecer flXo, isto é, todas as linhas de ação para cada ponto instantâneo (
de contato deve passar pelo ponto P. No caso de um perfil evolvental mostrar-se-á que todos os
pontos de contato ocorrem sobre a mesma linha reta.ab, que todas as normais aos perfis dos
.(
dentes nos pontos de contato coincidem com a reta ab, e, assim, que todos esses perfis transmi- (
tem movimento de rotação unifonne.
(
primlt~, (
.(
a Clrcunfen1ncia (
de base ~------~H (
102 (
(a) (b)
(
Fig. 12-3 (a) Geraçlo de uma ewl~nte; (b) açlo eYOI~ntal.
(
As evolventes são assim geradas simultaneamente pelo ponto traçante. O ponto traçante repre- (
senta, portanto, o ponto de contato, enquanto a parte ab da corda é a linha gera triz. O ponto de (
contato desloca-se ao longo da geratriz, a qual não muda de posiçfo porque é sempre tangente
às circunferências de base e como a geratriz é sempre normal às evolventes no ponto de conta- (
to, cumpre-se a exigência para a transmissão Wliforme de movimento.
(
Fig. 12-2 12-4 - FUNDAMENTOS · (
Entre outras coisas, é necessário que o leitor esteja apto realmente a traçar os dentes de (
um par de engrenagens em contato. Deve-se compreender, entretanto, que nfo é necessário
12-3 -PROPRIEDADES DA EVOLVENfE (
deserihar dentes de engrenagens para fms de fabricaçfo ou de reparação. Ao contrário, dese-
Pode-se gerar uma curva evolvental conforme indica a Fig. 12-3a. Prende-se uma aba B em nham-se dentes de engrenagens visando a compreensão dos problemas decorrentes do engre- (
' .
um cilindro A, em tomo do qual enrola-se uma corda de[; rvantém-se a corda esticada. O ponto ! namento de dentes de.um par de engrenagens.
h sobre a corda representa um ponto traçante e i medida que enrola e desenrola a corda em l Primeiro é necessário aprender como construir uma curva evolvente. Conforme indica a
(
t~rpo do cilindro, o ,PQnto.h ,deSCJeverá a curva evolvente ac. O raio de curvatura da evolvente
varia continuamente, sendó zero rio ponto a e máximo no ponto c. No ponto h o raio é igual
f
Fig. 12-4, divide-se a circunferência de base em um m1mero de partes iguais e traçam-sé linhas
radiais OAo, OA1, OAl etc. Partindo de A h consq~~~.as perp_endiculares A 1B~o A 2B 2 ,
c
i _distância be, porque o segmento, de gira instantaneamente ein torno do ponto e. AssiÍn, a
linha gera triz de é. normal A.ewl~nte 'emtodos os pontos de interstiÇió e; ao mesmo tempo, é
A~3 etc. Entio, marcam-se a distância A .Ao na direçfo A 1B t. duas vezes a distância A 1A 0 c
na direçã'o A2B2 etc. produzindo pontos pelos quais constrói-se a curva evolvente.
~)
(
()
450 I ELEMENTOS DE MAQUINAS ENGRENAGENSCILfNDRICASRElAS I 451
() :,r~-"~
() Para se investigar os fundamentos da ação qos dentes de engrenagens deve-se examinar Aseguirespecifica-se um pinhão de 18 dentes que deve acionar uma el1gtenagení,de 30
passo a passo o processo de construção de dentes de um par de engrena·gens. · ·dentes. sendo o módulo do par i&ual a 12 mm. PelaEq. (12-2) osdiâmetrosprimitivosdopinhão
( ) Quando duas engrenagens estão acopladas, suas circunferências primitivas rolam uma e da engrenagem serão, respectivimente,
( sobre a outra sem deslizamento. Designando os raios prinútivos por r 1 e r2 c as velocidades an-

G_~j ::::;:::: :::


-gulares por w 1 e w 2 , respectivamente; a velocidade linear na circunferência primitiva será
(
(
( Assim, a relação entre os rai~e as_v<:_locidades angulares é
f --"---....._:______ ~,

(
(
(
L'2,- = :~.~ (

Supondo agora que se deseje projetar um redutor de velocidade tal que a velocidade de entrada
( ""

seja 1800 rpm e a de saída, 1200 rpm, a razão de velocidades será 3:1, e os diâmetros primiti-
( ) vos deverão ter a mesma razão, por exemplo, um pinhão de I 00 mm de diâmetro movendo uma
( ) engrenagem de !50 mm de diâmetro. As diversas dimensões encontradas em engrenagens são
baseadas sempre nas circunferências primitivas.-
c
( Circunferência de b / Evolwnte Fig. 12.-6

(
(
c
( )
( Fig. 12-7 Gabarito para desenho de dentes de engrenagem.

~
( O primeiro passo no desenho de dentes de um par de engrenagens acopladas está apresentado na
Fig. 12-4 Construção de uma curva evolvcntc.
Fig. 12-5. A distância entre eixos é a soma dos raios primitivos, neste caso 288 mm. Marcam-se
(
então os centros 0 1 e 0 2 afastados de 288 mm. Traçam-se as circunferências primitivas de raios
( r 1 e r 2 , tangentes no ponto P. ponto primitivo. Em seguida, traça-se a linha ab, tangente comum,
pelo ponto primitivo. Designa-se agora a engrenagem 1 de motora e, como está girando no sen-
( Circunferência de pé tido anti-horário, traçá-se uma linha cd pelo ponto P fazendo um ângulo a com a tangente
~--"-''-+--+4::'± Circunferência primitiva comum ab. A linha cd tem três nomes, todos usados normalmente: linhll de preuiio, linha gera-
( Circunferência de base triz e linha de açãO. Representa a direçã"o em que a força resultante atua entre as engrenagens.
(
Evolwnte O ângulo a chama-se ângu/õ de pressão frontiíl e, usuatmente, tem valores de 20° ou25", embo-
Circunferência de cabeça 6
ra já se tenha usado 14,5 .*
·~~~~~~~~b

r
A seguir, em cada engrenagem traça-se uma circunferência tangente à linha de açfo. São as
circun{mncila de-base;- Sendo tangentes à linha de açfo, o ângulo de pressão frontal de~ ·
os seus tamanhos. Da Fig. 12-6, o raio da circunferência de base é

G='::f
Circunferência primitiva
(12-6)
Circunferência de base

onde r é o raio primitivo.

F11.12-S Esquemadeiunengrenamento. * N. do R.- O autor refere--se • pritica ameiiCilla.


(
452 '1 ELEMENTOS DE MAQUINAS
' ENGRENAGENSCILi'NDRICAS RETAS I 463 (
(
- Agora,:·pode-se traçar uma evolvente em relação a cada circunferência de base, conforme Portanto, a espessura fr<>ntal é ·
deScrito previamente e mostrado na Fig. 12-5. Esta evolvente deve ser traçada para um lado de · ~-- .........._;...---- (
um· dente· da· engrenagem. Não é necessário traçar outra curva·panro~outro lado do·dente por~ ~ ..•. ·p. · ' 3770
(
que pode-se usar um gabarito que invertido possibilitará o traçado do outro perftl. .• s1 =-1= - ' - = 18 85mm
2 2 '
As alturas de cabeça h4 e de pé h,, para dentes padronizados intermutáveis, são, como !(
I
SC:~~~to ~~~ante, m e 1,2 m, _respec?~amente. Port~~~· p~a -~par~~.!.~~n_a~~ns en1_g~estão, I '
medidos sobre a circunferênciJlpiiüiitivã;::t.Jsan<JO.:'se este valor para a espessura frontal do dente · ·······i (
h0 = m = l2mm h1 = l,2m = l4,4mm assim como para o vao frontal, pode-se ~senhar tantos dentes quantos desejados, usando-se o :(
gabarito, depois de marcarem-se os pontos sobre a circunferência primitiva. Na Fig. 12-8 dese-
Usando estas dimensões, traçam-se as circunferências de cabeça e de pé do pinhão e da engre- nhou-se apenas um dente em cada engrenagem. Pode-se alguma difi~dade no traçado desses
ter (
nagem, conforme mostra a Fig. 12-5. dentes se uma das circunferências de base for maiOr do que a circunferência de pé. A mzão disto (
Em seguida, usando-se uma folha de papelão, ou, de preferência, uma folha de plástico é que a evolvente começa na circunferencia de base e é indefinida para raios inferiores. Assim,
claro de 0,4 a 0,5 mm de espessura, corta-se um gabarito para cada evolvente, tendo-se o cuida- ao desenhar um dente de engrenage.m, traça-se usualmente uma linha radial para o perfll abaixo (
do de localizar os centros das engrenagens corretamente em relação a cada evolvente. A da circunferência de base. A formuéal, entretanto, dependerá do tiPo
de máquina operatriz (
Fig. 12-7 é uma reprodução do gabarito usado para criar algumas das ilustrações deste livro. usada para o corte dos dentes na fabricaçã'o, isto é, de como os perfis são gerados.
Observa-se que há somente um lado do perfil de cada dente no gabarito. Para obter-se o outro (
lado inverte-se o gabarito. Para alguns problemas .pode ser necessário construir um gabaÍito (
para o dente completo.
(
Cirçunferênçia de pé (
Cirçunferênçia de base
Cirçunferênçia primitiva c
-T'--:--4-H-f-
Cirçunferênçia de çabeça
c
;c
:(
·c
Fig. 12-9 Pinhão e aemalheira evohentais (
(
Há um arredondamento no ponto de encontro do perftl do dente com a circunferência de
pé. Neste exemplo, o raio de arredondamento, que é igual à folga no fundo do dente, é (
(
c= ht - h0 = 14,40- 12,00 = 2,40 mm. c = o, 2W\
(
Engrenagem O desenho estará concluído após o traçado do arredondamento.
Movida
(
Com relação à Fig. 12-8 novamente, o pinhão com centro em 0 1 é a engrenagem motora e (
gira no sentido .anti-horário. A linha de pressão ou geratriz é a mesma que a corda usada na Fig.
(
Fig. 12-8 Ação dos dentes. 12-3a para a geração da evolvente, e o contato ocorre ao longo desta linha. O contato iniciai
ocorrerá quandó o flanco ·da engrenagem motora encostar-se à extremidade superior do dente (
da engrenagem movida. Isto acontece no ponto a da Fig. 12-8, onde a circunferência de ~abeça
., da engrenagem movida cruza a linha de açã'o. Construindo-se agora perfiS de dentes passando i(
Para__ se desenhai um dente deve-se conhecer a sua espessura frontal. Da Eq. (124) o passo pelo ponto a e traçando-se linhas radiais passando pelas interseções desses perflS•ÇOill as·circun- !(
frontal é ferências primitivas, obtêm-se osdngulosd~aproximizção; ·. · ·.· ·

Pt = = 7T(12) = 37,7~
'
Prosseguindo o engrenamentof o·pontode contato deSlizatá pelo lado do dente do pinhoo
até chegar à sua extremidàde superior;onde .tenriinará·o contato. O ponto final de contato será,
c
!~ '
1rm
454 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS ENGRENAGENictu'NoRJcAS RETAs ' 455

portanto, no cruzamento da circl.Ulferéncia de cabeça do pinhão oom a linha de ação. Este é o tangentes, uma a outra, no ponto primitivo. Assim;;as·circunferêilciasprimitivas de duas engre-
( ) ponto b na Fig. 12..S. Construmdo:se outro par de perfiS de dentes paSsando pelo ponto b, nagens realmente só vêm a existir quando elas se engrenam.

(
obtêm-se os ângulos de afastamento para cada eógrenagem, de modo semelhante ao realizado ,...• A variação da distância entre eixos não tem efeito sobre as circunferências de base porque
para os ângulos de aproximaçlo. A soma do ângulo de aproximação com o ângulo de afasta- '· estas foram usadas para gerar os perfis dos dentes. Assim, a circl.Ulferência de base é fundarnen·
( mento, para cada engrenagem, dá o ângulo de ação. A linha ab chama-se linha de ação. tal em uma engrenagem. Aumentando-se a distância entre eixos aumenta-se o ângulo de pressão
Uma cremalheira pode ser considerada como uma ~ngrenagem reta que possui um raio frontal e diminui-se o co~primento da linha de ação, mas os dentes continuam conjugados e a
( ·' primitivo infinitamente grande. Portanto, a cremallieira tem Upl número infinito de dentes e uma exigência para transmissão uniforme de movimento fica ainda satisfeita;!_~zão d~__velocidades
( I
circunferência de base situada a uma distância infmita do ponto primitivo. O perfil dos dentes angulares não varia . O/) , & JYJ d.,(V> t).!l.~-\.t.o{;:~c:,.<.(0 .L. ~~ {""""" ~V\I'o .cW.., · •c,
evolventais de uma cremallieira é formado por retas fazendo um ângulo com a linha entre eixos
( igual ao ârigulo de pressão frontal. A Fig. 12-9 mostra uma cremalheira evolvental engrenada
com um pinhão.
(
EXEMPLO 12·1
( Uma transmissão consiste de um pinhão de 16 dentes acionando uma engrenagem de 40 dentes. O
c módulo das engrenagens é 12 e as alturas de cabeça e de pé são me 1,2 m, respectivamente. As engrenagens
são usinadas usando-se um ângulo de pressão frontal de 20° .
( } (a) Calcular o passo frontal , a distância entre eixos e os raios das circunferências de base.
(b) Na montagem dessas engrenagens, a distância entre eixos ficou 6 mm maior do que a prevista.
( Çalcular os novos valores para o ângulo de pressão frontal e diâmetros primitivos.
(
( SOLUÇÃO

( (a) Pt = rrm = rr(12) = 37,70mm Resp .

( Os diâmetros primitivos do pinhão e da engrenagem são, respectivamente,

( d1 = (16) (12) = 192 mm d, = (40) (12) = 480 mm


Fig. 12-10 Pinhfo e engrenagem interna
( Portanto, a distância entre eixos é
(
Os lados correspondentes de dentes evolventais são curvas paralelas; o passo de base fron- d, +d, 192 +480
( tal é a distância constante entre os lados dos dentes ao longo de uma normal comum, conforme a = - - = - - - - - = 336,00mm
2 2 Resp.
mostra a Fig. 12-9. O passo de base frontal relaciona-se com o passo frontal pela equação
(
( Pb = p1 cosa (12-7) Como os ·dentes foram usinados com um ângulo de pressão frontal de 20°, detenninam« os raios das cir-
cunferencias de base, usando-se 'h ~ r cos Q
( onde Pb é o passo de base frontal.
( 'b, (pinhão) = 96 cos 20° = 90,21 mm Resp.
A Fig. 12-10 mostra um pinhão acoplado com uma engrenagem interna, isto é, de dentes
( internos. Nota-se que ambas as engrenagens agora têm seus centros de rotàção do mesmo lado
'b, (engrenagem) = 240 cos 20° = 225,53 mm Resp.

( do ponto primitivo. Assim, as posições das circunferências de cabeça e de pé, em relaçlo à (b) Designando-se d '1 e d', como os novos diâmetros primitivos, ou seja, diâmetros primitivos de fun-
circunferéncia primitiva, siQ trocadas; a circunferência de cabeça da engrenagem interna fica ciopaJl!e_l!.tg,_o. ~-~·~.!mo. .d~ 6 mm na distância entre eixos exige que _ o -~- - - - · · • ·· ·•

( dentro da ciiCunferêJ!C~ p~tt't'!l..~O~rtambém,na- Fig.-1 ~-10, que a circl.Ulferência de


d', + d',
base da engrenagem interna flC8 dentro da circunferência primitiva, perto da circunferência de 336,00 + 6,00 342,00mm (1)
cabeça. .
2
Outra observaçfo interessante consiste no fato de que os diâmetrós de funcionamento das
circunferên~primitivas . de-um- par-de ~nagens: aoopladas não necessitam ser os mesmos Também, a razfo de ove1ocilades angulares ni'o varia, logo
que os respectivos diimetros primitivos de referência das engrenagens, embora tenham sido
maneira
constnlidos .desta na' Fig.':l2-KAumentando.se a distincia entre eixos criam-se duas ,
d'
16 (2)

)
novas circunferénciis
;
'P rimitivas
. .
de _funcionamento com diimetros maiores porque devem ser d'• 40
466 I ELEMENTOS DE MAQUINAS ENGRENAGENSCILINDRICAS RETAS I 457

Resol'o'llndo-sé as equações (1) e (2) simultanc:al1)ente, obtém-se ~ · · -------:··-· --·- ..... ."; ··:-· ...
Devido à natureza desta transmiss!'o, ora um ora dois pares de dentes em contato, é co~
mão
- 0~'Pa~
veniente definir-se o termo frontal de transmissão, &a, como
.... -~ ~ - -- -- - ---- - ---.....,....-.,.--. - -·· · · ·- ~-"' - ,.... . ...,...
á 1 = 195,43 mm d', = 488,57 mm Resp. [(
I
Como r,; = r cos a, o novo ângulo de pressio frontal será . . & - (12~) i(
'h 1 ) (90,210)·_· •. _, .
-~ ~~~~~--~~- -- - ~ - - -;; - - --~--~-~ (
a' = are cos · -- = are cos - = 22,60~ Rcsp.
( .r,, 97,715 _ que indica o número médio .de pares de dentes em contato. Nota-se que esta razão é também 1 (

igual ao comprimento de transrnissã'o dividido pelo passo de base frontal. Geralmente, as engre- I(
nagens não devem ser projetadas para terem razões frontais de transmissão inferiores a 1,20
porque as imprecisões de montagem podem reduzir esta razão ainda mais, aumentando a possi- (
bilidade de impacto entre os dentes assim aumentando o nível de ruído. (
Um modo mais fácil de obter-se a razão frontal de transmissão é medindo-se o compri-
mento de transmissã'o ab em vez do arcoAB. Como o prolongamento do segmentoab é tangen- (
te à circunferência de base, deve-se usar o passo de base Pb para o cálculo de &a em vez do
passo frontal, como na Eq. (12-8). Designando-se o comprimento de transmissão por ga, ara- (
zão frontal de transmissão será

~! - -
(12-9)
Pr cosa
'
J
onde se usou a Eq. (12-7) para o passo de base frontal .
./

Fig. 12·1 I Definição da razão frontal de transmissão.


12-6 -INTERFERBNCIA

12-5 - RAZÁO FRONfAL DE TRANSMISSÃO Chama-se de interferência o contato de partes dos perfis de dentes que não são conjuga-
dos. A Fig. 12-12 mostia duas engrenagens de 16 dentes usinadas usando-se o agora obsoleto ân- (
A Fig. 12-11 mostra a região de contato de duas engrenagens acopladas. Relembra-se que gulo de pressão frontal de 14,5° . A engrenagem motora 2 gira no sentido horário. O início e o
o contato entre dentes começa e termina nas interseções das duas circunferências de cabeça com fim do contato são os pontos A e B, respectivamente, e estão localizados na linha de açã'o. No- (
a linha de ação. Na Fig. 12-11 o contato inicia-se em a e termina em b. Os perfis dos dentes tra- ta-se, agora, que os pontos de-tangência C e D da linha de ação com as circunferências de base
çados por estes pontos cruzam a circunferência primitiva em A e B, respectivamente. Conforme
(
estã'o localizados entre A e B. Existe interferência, portanto.
indicado, a distância AP chama-se de arco de aproximação I{JI e a distância PB de arco de afasta- A seguir, explica-se como ocorre a interferência. Inicia-se o contato quando o flanco do (
mento I{Ja· A soma destes é o arco frontal de transmissão I{Ja· . dente da engrenagem motora começa a empurrar a extremidade superior do dente da engrena-
Agora, considere-se a situação em que o arco de transmissão seja exatamente igual ao pas- gem movida. Neste caso, o flanco do dente motor faz contato com o dente movido inicialmen-
(
so frontal, isto é, 'Per = p1• Isto significa que um dente e um vão frontal ocuparão por inteiro o te no ponto A, e isto ocorre na parte não evolvental do perfil do dente motor. Em outras pala- (
arco AB . Em outras palavras, quando um dente estiver no início do contato em a o dente prece- vras, o contato ocorre .dentro da circunferência de base -da engrenagem 2, portanto, no trecho
dente estará simultaneamente, terminando o contato em b. Portanto, durante a transmissão de não evolvental do flanco do dente. O efeito real é que a face do dente (que tem perfil evolven- ·(
a e b, haverá exatamente um par de dentes em contato. tal) da engrenagem movida tende a escavar o flanco não evolvental do dente motor.
A seguir, considere-se a situação em que o arco de transmissão seja maior do que o passo Neste exemplo o mesmo ocorre quando os dentes terminam o contato. O fnn do contato
l
frontal, porém, nãomtúto maior, por exemplo I{Ja""" 1,2p1 . Isto significa qile quando um par de \ deve ocorrer no ponto D ou antes e como somente o faz no ponto B, o flanco do dente motor t(_'
dentes esql(er entrando em contato em a, outro par, já em contato, ainda nfo terá atingido o i
tende a escavai, ou interferir;_ com o flanco do dente conduzido. , (_
ponto b . Assim, por um curto período, haverá dois pares de dentes em contato, um nas vizi- Quando os dentes de umai:õpnagem são fabricados por um processo de geração, elimi-
,IWanças de A e outro, perto de B . Continuando o movimeqto, o par perto de B teimina o con- a
na-se automaticamente::i a ''futerfeíênci,a'>porque ferramenta remove a parte da interferência l
. __ ;tato, deixando somente um par de dentes em contato até qué tudose repita novamente . · situada nos flancos dos den~s. Este efeitO ch'ama-se ·de adelgaçamento; se o adelgaçamento for
1( 1
\
r
(
458 I ELEMENTOS OE MAQUINAS ENGRENAGENS CILfNORICA$ RETAS I 459
('
( excessivo os dentes ficarão consideravelmente enfraquecidos., Assim, eliminar a interferência r i2-7- A FABRICAÇÁOUEDENTES.D.E'~RENAGENS
· -·· . . ··-- •· ,·----·--

por um processo de geração dos dentes resulta em se substituir um problema por outro.
(

t
O problema de dentes enfraquecidos pelo adelgaçameitto ~capital. Naturalmente, pode-se Há um grande número de maneiras de se fabricarem dentes de engrenagens, tais como
( eliminar a interferência usando-se mais dentes nas engrenagens·. Entretanto, se as engrenagens fundição em areia, fundição em casca, fundição em cera perdida, fUndição em coquilha, fundi-
forem transmitir determinada potência, pode-se usar maior número de dentes somente aumcn· ção sob pressão e fundição centrífuga. _Podem ser fabricadas usando-se o processo da t;netalur-
( I
tando-se o diâmetro prinútivo. gia do pó; ou usando-se extrusão, pela qual deforma-se uma barra de alumínio levando-a ao
( formato transversal de uma engrenagem e em seguida a barra é cortada em fatias, separando-se
as engrenagens. Engrenagens que devem suportar grandes cargas em comparação com seu ta-
(

\.
manho, normalmente, são feitas de aço e usinadas comfe"amentas de fôrma ou comfe"amen-
( •
tas geradoras. Com ferramentas de fôrma, os vãos frontais dos dentes tomam a forma exata da
Engrenagem movida 3
ferramenta. Na geração de dentes, uma ferramenta possuindo uma forma diferente do perfil do
( dente move-se em relação ao disco bruto (futura engrenagem) de modo a obter-se o formato
( adequado do dente .. Um dos métodos mais novos e mais promissores de fabricação de dentes
é o de deformação a frio, ou laminação a frio, no qual matrizes giram sobre o disco bruto da
( engrenagem formando os dentes por deformação plãstica. As propriedades mecânicas do mate-
rial ficam muito melhoradas por este processo de laminação e ao mesmo tempo obtêm-se perfis
(
de dentes de alta qualidade.
As engrenagens podem ser usinadas por fresamento, por geração ou por geração com fresa
f caracol. Os acabamentos podem ser polimento, brunimento, retificação e lapidação.

t Fresamento

Pode-se usinar dentes de engrenagens com uma fresa de forma (fresa módulo) de formato
semelhante ao do vão frontal dos dentes. Com este método, teoricamente, é necessário usar-se
uma ferramenta diferente para cada engrenagem, porque uma engrenagem de 25 dentes, por
exemplo, terá um vão frontal diferente do vão frontal de uma engrenagem de 24 dentes. Real-
mente, a variação de tamanho não é muito grande e descobriu-se que se pode usar oito ferra-
mentas para a usinagem, com precisão razoável, de qualquer engrenagem desde o número de 12
Engrenagem motora 2 dentes até uma cremalheira. Naturalmente, há necessidade de um conjunto de ferramentas para
cada módulo.

Geração

FJB. 12-12 A interferência na ação do dente da engrenagem. Pode-se gerar dentes com uma ferramenta pinhão ou com uma ferramenta cremalheira. A
ferramenta pinhão (Fig. 12-13) desloca:se alternati'!amente ao longo de um eixo vertical e lenta-
l.
mente avança em direção ao. disco bruto ,da engrenagem, para atingir à profundidade desejada.
Isto toma as engrenagens maiores, o que ráramente é desejãvel, e também aumenta a velocidade Quando as circunferências primitivas forem tangentes, a ferramenta pinhão e o disco girarão len-
tangencial na circuiúerência primitiva. Esta velocid1de tangencial aumentada torna as engrena- tamente após cada curso de usinagem. Como cada dente da ferramenta pinhão é uma ferramen-
gens bliiUJiientas_e_redili uiii pouco a potência tràfismitida, embora nio em Iazto direta:· Em- ta de corte; após Unia volta.. ooinpleta"clO diSOO~aitellgrenàgem todos~ os seus dentes estarão
geral, entretanto, o uso. de. um número maior de dentes para eliminar-se a interferência, ou o usinados.
adelgaçamento, raramente é uma solução aceitáveL Os perUs dos dentes de uma cremalheira evolvental são retos. Por esta r.azão, uma ferra-
Pode~se re$1-uziJ: também a~ interferência usando-se wn ãngulo de pressão frontaLmaior. menta cremalheira proporciona um métodopreciso de usinagem de dentes de engrenagens. Esta
Isto resulta em uma circunferência de base menor, de modo que um maior trecho do perfil também é uma operaçlo de geração, estando ilustrada no desenho da Fig. 12-14. Em operação,
do dente .Je. tomaevolvental. A demanda por pinhões menores com poucos dentes assim favore- a ferramenta desloca-se aitemativamente e avança. primeiro em direção do di.sco, até obter-se a
ce o uso de um ãngulo de ptessio frontal de 25°, embora as forçaS de atritO e as cargas nos man- tangência entre sua linha primitiva e a circunferencia primitiva do disco. Então, após cada curso
cais aumentem e a razão frontal de transmissão decresça~ de corte, o disco e a ferramenta movimentaan--SI' lentamente, com rolamento puro, em relação
'~
460 I ELEMENTOS DE MAQUINAS ENGRENAGENS CILfNDRICAS RETAS I 481

!(
ao ponto de tangência anleriormente mencionado; QuandO o~di$co e afemmenta se desl~m dentes, após a usinageJD, pode ser feito através de poliniento ou de brunimento. Diversas máqui- ·
de uma distância correspondente a um passo frontal, a femmerita retoma ao ponto de part1da nas de polir podem relÍ101er pequena quantidade de material, trazendo a precisão do perfil do (
eo processo continua até a usinagem de todos:os dentes-da-engrenagem. ---- .· dente para dentro dos llinites'S;S-pRa. ·
(
(
(
(
(
O disco gira neste sentido
·~ (
(
(
(
(
(
(
A ferramenta cremalheira desloca-se alternativamente
-i numa direção perpendicular à f"tgUra. '(
F11. 12-14 Geraçfo de dentes oom uma ferramenta cremalheira. (
(
(
(
Fig. 12-13 Gexaçio de uma engre~m reta oom pinhão -ferramenta.
(
(
Geração por Fresa Caracol
(
Este processo de geração está ilustrado na Fig. 12-15. A fresa caracol é uma fresa helicoi- (
dal, cujos dentes têm lados retos como uma cremalheira. Para a usinagem de uma engrenagem (
reta deve-se inclinar o eixo da ferramenta segundo o ângulo de hélice de seus dentes. Por esta ra-
zão, os dentes gerados por uma fresa caracol têm uma forma ligeiramente diferente dos gerados (
por ferramenta cremalheira. Tanto a fresa como o disco devem girar segundo uma razão de ve- (
locidades angulares adequada. A fresa, então, avança lentamente de encontro ao disco até a usi-
nagem de todos os dentes. (
(
Acabamento :c
i
A~';' As engrenagens que ·giram a altas rotações e transmitem ~des for~ podem ficar·sujei- (.
'~~á forças dinimicas adicionais devido a erros fuevitfieis noS' perfis dos dentes. Pode-se dimi- -~ -~- ~ ~ (
.t.P~~lÚn pouco esses erros pelo acabame.n to superficial dós perfis dos dentes. O acabamento dos i

,..._._ ..~..._,,_.. ····r".Z: i .'. '" . -~");:~ ,, . ~


:~~:---/~:: -.;~1-.
c
(
(>
462/ ELEM_ENTOS DE MAQUINAS ENGRENAGENt:.CILINDRICAS RETAS I 463
(
( · . Usa-se o. brunimento, como o polimento, em engrenagens que (or;lJ,A u~~wdas, porém não O acréscimo de ,0,002 polegadas, para a altura de pé, apresentado na Tab. 12-1, para
( tratadas:termicamente. No brunimento, fazem-se girar as engrenagens e,ndurecidas e com ligeira passos frontais pequenos, prevê um espaço para acumulação de sujeira nas raízes dos dentes.
superdimensão acopladas com outras, até que suas superfícies se tornem lisas. As alturas úteis apresentadas na Tab. 12-1 são para dentes normais; para dentes rebai-
( ' Usam-se retificação e lapidação para dentes de engrenagens endurecidos após tratamento xados, usa-se 1,60/P.
térmico. A operação de retífica emprega o princípio da geração e produz dentes muito precisos. Deve-se notar, particularmente, que os padrões apresentados na Tab. 12-1 não preten-
(
Na lapidação, os dentes da engrenagem e a ferramenta deslocam-se axialmente de modo que dem restringir a liberdade do projetista. Dentes com dimensões nonnalizadas conduzem à inter-
( toda a superfície do dente fique alisada por igual. mutabilidade e a ferramentas padronizadas que são de preço mais em conta; entretanto, a neces-
( sidade de engrenagens de alto desempenho pode exigir um afastamento considerável desses sis-
temas.
( 12-8 -SISTEMAS DE DENTES Alguns dos sistemas que estão hoje obsoletos são os dois sistemas AGMA de. 14,5°, o
Fellows de 20° com dentes rebaixados e o sistema Brown e Sharpe. Os padrões obsoletos não
( Um sistema de dente é um padrão* que especifica relações envolvendo altura de cabeça, devem ser usados para projetos novos, mas podem ser necessários num projeto de reparação ou
( altura de pé, altura de dente, altura útil, espessura frontal e ângulo de pressão frontal para aten- redimensionamento de máquinas que já utilizam estes antigos sistemas.
der à intermutabilidade de engrenagens de todos os números de dentes, porém de mesmo ângulo
( de_p;~ssão frontal e mesmo módulo. Deve-se conhecer as vantagens e desvantagens dos vários
( sistemas de modo que se possa escollier o tipo de dente ótimo para um determinado projeto c Tabela 12-l Sistemas Normalizados AGMA e ANSI para Engrenagens Retas
ter-se uma base de comparação quando não se usar um perfil padronizado.
( A Tab. 12-1 apresenta as proporções de dentes par.1 engrenagens completamente inter-
mutáveis do sistema inglês e para funcionamento em distâncias entre eixos de' referência. Nos Passos Frontais Passos Frontais
(
Estados Unidos ainda não se estabeleceram padrões para sistemas de dentesJ>aseados inteira- Grandeza Grandes Pequenos
( mente no uso de unidades do SI. De fato, é provável que ainda decorram muitos anos antes de (até 20 P, exclusive} (de 20 P em diante}
se chegar a um acordo: os problemas a resolver são complexos e dispendiosos. Mesmo na Ingla-
(
terra, onde a mudança para o sistema métrico iniciou-se antes, o sistema de medidas em polega-
( das ainda é predominantemente usado para engrenagens. Merritt** declara que entre as razões Ângulo de Pressão Frontal a 20° 25° 20°
para tal acontecer é que novos padrões tinham sido aprovados e adotados um pouco antes de ter
( início a metrificação. Altura de cabeça, h a 1,000 1,000 1,000
( As alturas de cabeça apresentadas na Tab. 12-1 destinam-se às engrenagens que têm núme-
p p p
ro de dentes igual ou maior do que os números mínimos_ apresentados e, para esses números,
c não haverá adelgaçamento. Para um número menor de dentes deve-se usar uma modificação Altura de pé h! 1,250 1,250 1,200 +0,002 pol.
denominada sistema de saliências diferentes***. Neste sistema diminui-se a alturc~ de cabeça da p p p
(
engrenagem somente o suficiente para que o contato não se inicie antes do ponto de interferên- Altura útil h k 2,000 2,000 2,000
( cia (ponto a da Fig. 12-11). Aumenta-se a ai tura de cabeça do. pinllãode um valor equivalente. p p p

c Nesta modificação, não há mudança no ângulo de pressão froJ).tal o\l11as,circunferências primi-


tivas, de modo que a distância entre eixos permanece a niesma:.:J\. intenção é aumentar o ângulo
Altura de dente h (min.) 2,25
--p
2,25
p
2,200
p
+ 0,002 pol.

( de afastamento e diminuir o ângulo de aproximação. ·· ·


Espessura frontal s1 1f 1f 1,5708
( 2P p
* Padronizado pela American Gear Manufacturers Association (AGMA.) e J,J,. American National Standards
2P
Institute (ANSI). Os padrões da AGMA podem ser citados ou resumX~os in~nte contanto que se faça Raio de arredondamento da cremalheira

t uma referencia. por exemplo, "Retirado da Folha de Informação da AGMA;... Resistência de Dentes de En-
grenagens Retas, Helicoidais, Dupla-Helicoidal e Cônicas (AGMA 225.01), com permisslo do editor, a Ameri-
·can~ciation; 1330 Massachusetts~A'Ielllle';-N;W;;"W~OOOS";-Estes
básica

Folga básica no fundo dodentec-(min,)--


0,300
-P-
0,300
--r-
---0,2'50cc- ----- - -{),250-
Não padronizado

0,200 + 0,002 pol.


padrões foram Usados intensivamente neste capítulo e no capítUlo seguinte. Em cada caso apresenta-11e o nú- p p p
mero da foJha de infonnaçf'o. A Tab. 12-1 foi retirada das pub.licaç&s 20t.o2 e 20l.02Ada AGMA, consi- Folga no fundo do dente (dentes polidos
derando-se também a 207.04. Para receber uma lista completados padrões, escrever Jliill a AGMA porque as ou retificados) c 0,350 0,350 0,3500 +0,002 pol.
modifJCaÇISes e_os acn!scimos slo feitos periodicamenbl. p r p
"" H. E. Meuitt, "Gear Engineering", J ohn Wiley & Sons, New Yotk, 1971. Número mínimo de dentes do pinhão 18 12 18
.••• Para uma explicaçio destas modifiCações e outras, ver Joseph E. Shigley, "KinematiC Analysis of Mecha-
-
Número mínimo de d~ntes ~ar
/~Spessura mmirilãdõ' dente no~
-- ·;:-3g 24
0,25 Não padronizado
DisÍns", 2! Ed.,págs.: 268-278, McGraw-Hill BookCompany,NewYork,1969.
{j í -,-- p
(
464 I ELEMENTOS DE MAQUINAS ENGRENAGENSCILI'NDRICAS RETAS l 466 (

Deve~ empregar sempre que possível os passos apresentados na Tab . 12-~ a lim de se
(
manter mínimo o .número_ d~fe_game_l!ta_s de usinagem de engrenagens. (

Tabela 12-2 Passos Diametrais ( ..Diametral Pitches..) de U~ Geral


(
(
Grandes 2, 2 1/4, 2 1/2, 3, 4, 6, 8, 10, 12, 16
(
(
Pequenos 20, 24, 32, 40, 48, 64, 80, 96, 120, 150, 200 Fig. 12-16

t (
mais engrenagens planetárias, conforme mostra a Fig. 12-17. Os .trens planetários são mecanis- (
mos mteressantes porque têm dois ~aus de liberdade; isto é, para um mOVJmento restrito um
12-9 - TRENS DE ENGRENAGENS (
trem planetário deve ter duas 1iJJ1llldas de moyjmento, Por exemplo; na Fig. 12-17 estas duas
entradas podem ser os movimentos de quaisquer dos dois elementos do trem. Pode-se, como (
Consideremos um pinhão 2 conduzindo uma engrenagem 3. A velocidade da engrenagem exemplo, na Fig. 12-17, especüicar que a engrenagem solar gira a 100 rpm, no sentido horário,
movida é e que a engrenagem interna gira a 50 rpm, no sentido anti-horário; estas s4'o as entradas. A saída (
do movimento seria o movimento do braço. Em muitos trens planetários um dos elementos (
. (I ~-10) pode ser fixo e ter, portanto, rotação nula .
A Fig . 12-18 mostra um trem planetário composto de Uina engrenagem solar 2, um braço c
3 e engrenagens planetárias 4 e 5. A velocidade angular da engrenagem 2 relativa ao braço, em (
onde n velocidade angular em rotações por minuto (rpm) rpm,é
z = número de dentes (
d diâmetro primitivo (b) (
Para engrenagens retas os sentidos seguem a regra da mão direita e são positivos ou negativos Também, a velocidade da engrenagem 5 em relação ao braço é (
~iespectivamente, aos_ sentidos antí-horário e horário. O trem de engrenagem
mostrado na Fig . I 2-16 constitui-se de cinco engrenagens. A velocidade da engrenagem 6 é (c)
(
Z2 Z3 zs (
n6 = - · - - n2 (a) Dividindo-se a Eq. (c) pela (b ), obtém-se
z3 Z4 Zb (
Aqui se vê que a engrenagem 3 é uma intermediária, que se cancela na Eq . (a) e, portanto, afeta (d) (
somente o sentido de rotação de 6. Vê-se, ainda, que as engrenagens 2, 3 e 5 são motoras,
enquanto as 3, 4 e 6 são movidas. Defme-se valor do tre"!_ e como
(_
----~:-------,----:-- -·· -· - · ····-·· -- ........ _____, (
produto dos números de dentes motores ;
le =
! produto dos números de dentes movidos ; (12-11) (
' - - - - - - - - - - -· --- ·- ---·---;..
_Pode-se usar diâmetros primitivos na Eg. (12-11) também . Quando se usar a Eq. ( 12-11) para (
engrenagens retas, e será positivo se a última engrenagem girar no mesmo sentido que a primei- (
ra, e negativo, se a última girar no sentido contrário.
Agora pode-se escrever (
(
[Eu_= ,e_nP (12-12)
(
onde "u é a velocidade da última engrenage~ do ire~ e nP é a velocidade 1a primeira.
Em um trem de engrenagens, podem~ obter. efeitos surpreendentes fazendo-se com que jc
algum dos eixos pre em relacio aos dC!fnais. Tais tte'll$ chamam-se de trens planetários ou epici-
~idais. Os trens planetários sempre "consistein de uma engrenagem solar, um braço e uma ou Fis-'12-17
1(.
~~
(
-()---·-
(! 466 I ELEMENTOS DE MAQUINAS ENGRENAGENS CllfNDRICAS RETAS l -467

( )
Li:vand(l~!e e·ste v8Ior à Eq. (12-13),
()
-0,25 o - no
( J (-100)-no
ou
( )

( I no = - 20rpm Resp .

( Fig. 12·18
Para obter-se a rotação da engrenagem 4, segue-se o procedimento indicado pelas equações (b), (c) e (d).
( Assim

( A Eq. (d) exprime a razão entre a velocidade relativa da engrenagem 5 e ·a relativa da engre-
n 43 =n 4 -- n 3
nagem 2 sendo ambas consideradas em relaçã'o ao braço 3. Agora esta razão é a mesma e é
( _Q.roporcional aos números de dentes, quer o bràço e~~eja ou não girando. E o valor do trem . E, portanto,
Portanto, pode-se escrever -- ··
( (1)

( - ~ - · ns- n3
e= (e) Porém,
( n2- n3
. · --·· -- ~ --- - -- -·""
20 2 (2)
( Pode-se usar esta equação para calcular o movimento de saída de qualquer trém planetário. A n., 30
( forma seguinte é mais conveniente.
Substituindo-se os valores conhecidos na Eq . (1), obtém-se

I
(
2 n. - (-20)
t
I

(
( onde np
I
.
e=_nu -no
np -
---·- · ----- -
= velocidade angular, em rpm, da primeira engrenagem
n0
(12-13) 3

n 4 = 33,33 rpm
(-100)- (-20)
Resp.

nu = velocidade angular, em rpm, da 6ltima engrenagem


n8 = velocidade angular do braço, em rpm.
12-10- ANÁLISE CINÉTICA

Antes de . se iniciar a apresentação da análise cinética de trens de engrenagens, deve-se


abordar a notação a ser empregada. Iniciando-se com o algarismo} para a estrutura ou chassi
da máquina, designa-se a engrenagem de entrada do movimento por ~ -e então, sucessivamente,
EXEMPLO 12-2 pelos números 3, 4 etc., até a última engrenagem do trem. Havendo diversas árvores no trem,
Na Fig. 12-17 a entrada do movimento dá-se pela euamnaFm
solar que giia a 100 rpm no sentido hori- ·
com wna ou dq~- engrenagens em cada uma, assim como outros elementos, designam-se árvo- .s
rio. A engienagem interna 5 é flXL Determinar a wlocidade ~do biaço, em rpm. res, usarid~ ~iras Irunúsculas do alfabeto, a, b, c etc .
· Corn"esta' 'riotãçfo pode-se agora falar da força exercida pela engrenagem 2 contr~ a engre-
nagem 3 c:omo F 23 • . A forçada engrenagem 2 conta a árvore a é F 2 •• Pode-se · agora escrever
. tan1bém- F112 para representar a: foiÇa da árvore ·a contra a engrenagem 2 .- lnfelizmente ~ bá-ne­
SOLUÇÃO cesSidade de se usarem índices sobrescritos para a indicação das direções. Indicam-se as ~s
coordenadas normalmente pelas coordenadas x, y e z e as direções radial e tangencial pelos índi-
Designando np = =-
n2 100 rpm, e nu"= n1 =o·, h'lieADdo-te a engrenagem Se mantendo-se esta- ces r e t. Corn ~sta notaçio
cioMrio o bmço, im~nte, encontra-te

e=_ (20'). {30) = _ 0,2S


3Õj\so é o componente tangencial da força da engrenagem 4 contra a engrenagem 3.
(
468 I ELEMENTOS DE MAQUINAS-
ENGlÊNAGENSCILINDRICAS RETAS I 469 (
~
A Fig. 12-19a m9stra um pinhão montado na árvore a e girando no sentido horário, at1 2 onde wt= carga transmitida, kN
(;
rpm e conduzindo UJI1í1. engrenagem sobre a árvore b, a n 3 rpm. Asreações entre os dentes em p potência, kW \/-
contato ocórrem segundo a linha de ação. Na Fig. 12-19b separa-se o pinh~~__p_a~!&f~l!age_!l!_c:_
(
d diâmetro da engrenagem, mm
~~-~~~-e. sul?_~u_em-se os efeitos desse~_ f!l9m.Q.s eJeJI!f!llli~ p~!a.11.f<iiÇãS~~e ~ql!e.. são a n = velocidade angular, rpm (
força e o torque, respectivàmente, exercidos ~la árvore a contra o pinhãQ ~- F'32 é a·torça exer-
cida pela engrenagem 3 contra o pinhão. Usando-se uma abordagem semelhante, obtém-se o dia- (
grama de corpo livre da-engrenagem mostrada na Fig. 12-19c. (
Na Fig. 12-20 de.senha-se novamente o diagrama de corpo livre do pinhão e decompõem-se
as forças em componentes radiais e trangenciais. Define-se. agora (
(
{a)
(
(
(
(
(
(
Fig. 12-20
(
y (
(
(
j50 dentes
{a)
J (
Fig.l2-19
(
X
como a cnrga transmitida. A carga transmitida~ r~aJ.!!Jente o comp..onente..útil,porque.u.compo~ (
nente radial F~1, não t~nL[malid.ade_ útil, pois ~ão transmite potência. O torque aplicado e a
carga transmitida relacionam-se pela equação (
(
(12-14)
(
onde usaram-se T = T02 e d = d 2 para obter-se a relação geral. (a) (b) (
Designando-se, a seguir, a velocidade linear, na circunferência primitiva, por V, onde Fig. 12-21
(
V= rrdn/):2, em pés por minuto, pode-se obtera carga tangencial por intermédio da equação
\~ 4!. (_
v~ 11 c1 'Y\ EXEMPLO 12-3
(__
(12-15)
' ~'L Na Fig. 12-2Ia o pinhão gira a 1750 rpm e transmite 2,5 kW à engrenagem intermediária 3. Os dentes
têm módulo m = 2,5 mm, sistema de 20•, dentes normais. Esboçar um diagrama de corpo livre da engrena- L
gem 3 e mostrar todas as forças que agem sobre ela.
\
i(_
A equação correspondente no SI é '-
>r-·
(_,
j SOLUÇÃO
(12-16)
Os diâmetros primitivos das engrenagens 2 e i~
L
C;·
,(
-,,
(
470 I ELEMENTOS DE MÁQUINAS ENGRENAGENS CtLt"NÕRtCAS' RETAS I 471
(
= z, = 20 (2,5) = 50 mm I
( d, m Neste livip, estudar-se-á a resistência dos dentes de engrenagerts baseada ém' três <espécies
de falhas possíveis: falha estática devido às tensões decorrentes de flexãó, falha por fadiga devi-
( d, = z,m = 50(2 ,5) = 125mm
do às tensões originárias de flexão e falha por fadiga superficial devido às tensões de contato ou
( Da Eq. (12-16) encontra-se a carga transmitida Hertzianas.
. , J·· ..
A fmalidade particular desta seção é obter wna relação para as tensões de flexão dos den-
( , 60(101 3 p . 60(101 3 (2 .51
tes. Wilfred Lewis apresentou primeiro uma fórmula para o cálculo de tensões de flexão em
- - - - ~0.5-4 6 kN
"d:_.nr\ 1r(50)ll7 50l dentes de engrenagens na qual considerou a forma do dente. A fórmula foi anunciada em 1892
(
'
Assim, a forçr'langencia1 da engrenagem 2 sobre a 3 é Fr,. = 0,546 kN conforme mostra a F~. 11-2111. Por-
e ainda permanece como básica para a maior parte dos projetos de engrenagem.
( Pª!f deduzir-se a__esua=~lzwis, considera-se a Fig. l2-22a que mostra uma viga engas-
tanto,
( tada, de dimensões na seção reta b e t, tendo um comprimento l e uma carga Wt distribuída
F~ , = F~ , tg 20° = (0.5461 tg 20° = 0.199 kN uniformemente ao longo da dimensão b.
(
E assim
(
(
(
)
F . "'
f

cos 20°
.(
"
0 .546

cos 20°
= 0,5111 kN

( Como a engrenagem 3 é uma intermediária, nã~ransmite potência (torql!_~W!!a.. própr_i~ :írY<m: c


assim a..reição t angenciafiliengrenagem 4 some a 3 é também igual a k'r · Portanto ,
(
( F~,_= 0,546 kN F~, = 0,199 kN /."43 = 0,5111 kN
I

(
e os sentidos são os mostrados na Fig. 12-21b.
( As reações da ár-vore nas direções x e y são
(a)
I
!( F~, = -(F~, + F~,)=- (- 0,546 + 0,199) = 0 ,347 kN Fig. ll-22

:c F1;, =-(F~, +F~,)='- (0,199- 0,546) = 0,347 kN


O módulo da seção é Ifc = bt2 /6 e, portanto, a tensão normal devido à flexão é
( A resultante é
(
Fb, =JCÕ)47) 2 + (0,347j1 =0,491 kN (a)

A f~gura mostra estas forças._ Com relaçfo agora à Fig. l2-22b, considera-se que a tendo máxima no dente de engrenagem
ocorra no.ponto a. Tem-se

t/2 t2
-=- ou x=- (b)
X t/2 41
'12-11 -TENSÕES NO DENTE
DaEq.(a)
Na especiftcação da capacidâde de qUãlquer-"tr8iíSimsSio por engrenagens, os elementos 6W,I w, 1
a = - - = - 2- - = - - - - -
w, l l
(c)
seguintes são importantes fatores Urnitativos: . . bt2 b t /61 b f/414/6

l. O calor gerado durante o funcionamento. Substj~cl~seo v.l!l.!>f ele x da Eq. (b) em (c) e multiplicando-se o numerador_e o denominador
l
2. Falha dos dentes por fratura. pelo passo frontal p 1 , adla-se
3. Falha por fadigà das superfícies dos dentês.
4. Usura abrasiva das superfícies dos dentes. W,p,
o= (d)"
5. Ruído resultante de altas velocidades ou cargas excessivas. b(2/3)p,
I .,

I.
(
(
472 I ELEMENTOS DE MAQUINAS
ENGRENAGENS CllfNDRICAS RETAS I 473 (

Fazendo-se Y~ ;= .. 2x/3 Pt, tem-se


(
. Usando a equação de I.:ewis muitos engerihieiros empregam o passo diametral {diametral
pitch) na determinação das tensões. Isto é realizado substituindo-se P = rr/p1 e Y = rr y na (
Eq.{l2-17),levando~~; ··· ~ ··· · · ·
(

~ ~-[_ :_:- ~ -
(12-17)
(
(12-18)
Isto tomptelã .o~ de5erivolvimento da equação de Lewis origit1lil. 0 iátori cfiania-se-]átor.de ·(
forma de Lewis e pode-se obtê-lo por construção gráfica do dente da engrenagem ou por com- A Tab. 12-3 apresenta os valores do fator de forma Y. (
putação digital.
Pode-se usar a Eq. (12-18) para obter-se uma estimativa rápida do tamanho da engrena- (
i
•t gem, substituindo-se a resistência do material por um fator de segurança adequado para a tensão
normal o. Entretanto, não se pode usá-la com .propósitos fmais de projeto, porque, como será (
visto mais adiante, necessita-se de considerável refmamento para fazer-se com que a equação
Tabela 12·3 Valores do Fator de Forma Y para Vários Sistemas de Dentes (
conduza a engrenagens confiáveis e de alto desempenho.
(
Súmerode 14,5° Pinhões 20° Transmissão com engrenagem
dentes eml1•ente e pequenos dente interM, 20° dente normal (
composto 20° rebaixado - - ·- ·· ·· · · .. --- -*- ···· -
f obsoleto) normal Pinhão Engrenagem (
. (
1/
0,320 0,322 (
6 0,301 0,322
7 0,282 0,322 ,(
8 0,264 0,324 I
9 0,264 0,324 :c
10
11
0,264
0,264
0,324
0.326 ·c
12 0,211 0,245 0,264 0,312 0,326
lJ 0.223 0,261 0,270 0.324 0,326 (
14 0,236 0,277 0,277 0,340 0,330
(
0,245 o 290
15 ~...l2º~ ·· ... ...Jl.llll, Fig. 12· 23
16 0,154 0,296 0,362 0,333 (
17 0,264 0,303 0,368 0,342
18 0,270 0309 0.378 o; 348 (
19"' 0 ,277 0,314 0,388 0,358
20 0:283 0,322 0,394 0,364
(
21 0,2!!9 0,32R 0,400 0,370 Considerações
22 0,'92 ____fi,JlL_ _ _ __ ____ _ _______ 0,406 -·- 0,3li._ (
24 0,299 0,337 0,416 0,383
26 0,30!! 0,346 0,425 0,393
1 Resolve-se a equação de Lewis usando-se o componente tangencial da carga. Se se (
considerar o componente radial, isto produziria uma tensão uniforme de compressão à
2!! 0,314 0,353 . 0,432 0,399 0,691
qual deve-se adicionar a tensão normal devido à flexão. O efeito do componente radial, (
30 0,31!! 0,359 0,431! 0,405 0,678
34 0 ,327 0)71 0,447 0,414 0,659 portanto, é aumentar a compressão e diminuir a tração. A fotografia da· Fig. 12-23 mostra (
3!! 0,333 0,3!!4 0,457 0,424 0,643 isto claramente, onde as tensões no lado da compressão são maiores.
43 0,340 0,397 0,463 0,430 0,628 (
2 Considera-se que a maior tensão ocorre quando a carga atua na extremidade do den-
50 0,346 0,409 0,476 0,436 0,612
60 0,355 0,422 0,485 0,446 0,596 te. Se as engrenagens forem usinadas com precisão suficiente, a condição da carga na ex- (
75 0,361 0,435 0,497 0,452 0.581 tremidade n:Io será a pior, porque outro par de dentes estará em contato quando isso
(
100
150
0,367
0,374
0,447
0,460
0,507
0,520
0,461
0,468
0.565
0,549
\ ocorrer. Exames de dentes em movimento mostram que as cargas mais intensas ocorrem
perto do meio do dente. Portanto, a tensão máxima ocorre provavelmentequandoum úni- (
300 0,383 0,472 0,535 0,477 0,533 co par de dentes suporta a carga total, puma situação.onde outro par de dentes está pres-
Cremalheira 0,390 0,41S5 0,552
tesa entrar em contato. De~se CónSid~ esufcondiÇão, se o tamanho e o peso forem (
importantes.
. .,
: .; ·:' (-.:··· .. '· . .
. . . . . .
<...I
{
r
()
474 I ELEMENTOS DE~AOUIN~ ENGRENAGENS Cll.fNDRIÇ~S RETAS I 475
(J
( 3 Considera-se .li carga tangencial Wr como sendo uniforn1emente distribuída através do pinhã"o então deve-se resolver a equação duas vezes, uma vez para o pinhão e outra para a
da face da engrenagem. Entretanto, as engrenagens e as árvores são feitas de máteriais elás- éÍÚ!renagem.
( )
.- Para a estimativa dos tamanhos das e ren ens usa-se um fator de se urança entre l!2-..
ticos que se deformam sob aplicação de cargas. Portanto. aparecem detlexões do dente da
( engrenagem, de flexão torcional no disco da engrenagem e deformaçãJ de tlexão na árvore. ba~_;: ~,:'_1Q)i.!!1J!~~-t!_S~?õ!Illent?, Jlar:l:J>!.~mas_çom~s de engr~n~~- Deve-se usar fatores
acarretando distribuição não uniforme de carga. Quando a razão entre a largura do den- de segurança maiores se houver choque ou vibração.
( Geralmente, a largura do d,S!lj~ado b deve ser de 3 a.J vezes o passo frontal.
teado e o passo frontal (b/p,) for grande. digamos. superior a 6. é provável que seja conve-
( niente considerar essas deformações. A menos que as exigências cinemáticas digam o contrário, sempre devem-se usar os números
míni!!lOS de dentes apresentados na Tab. 12-1. Isto conduzirá ao menor sistema de engrena-
( 4 Não se desprezam os efeitos de concentração de tensões. Os fatores de concentração
ge~s e evitará ir1terteréilCíaõuããelgãÇ'àiTiento ãõs dentes.
de tensões não eram usados na época de Lewis. porém investigações recentes indicam a
( prudência de se considerarem tais efeitos.
(
( 12-12- ESTIMATIVA DO TAMANHO DA ENGRENAGEM EXEMPLO 12-4

( Deseja-se um par de engrenagens para um redutor de 4:1 acionado por um motor de 74,6 kW e 1120
A fim de se determinar, na análise de um sistema de engrenagens. a confiahilidade corres- rpm. As engrenagens devem ser de 20°, dente normal e devem ser feitas de aço UNS G10400 estirado a
( pondente à vida especificada ou para se determinar o fator de segurança contra uma falha. é 538°C. Fazer uma estimativa preliminar do tamanho das engrenagens necessárias, considerando que o torque
necessário que se conheçam o tamanho das engrenagens e o material de que são feitas. Esta de partida não deve ser maior do que o torque à toda carga para a velocidade indicada.
( seção aborda, principalmente, como se pode obter uma estimativa preliminar do tamanho da en-
SOLUÇÃO
grenagem para suportar determinada carga. Os resultados serão então úteis como um ponto de
partida para uma análise mais sofisticada. Alternadamente, pode-se usar este método para a Da Tab. 12·1 retira-se o número mínimo de dentes do pinhão para evitar-se o adelgaçamento, 18
obtenção de uma estimativa rápida da resistência de uma engrenagem à flexão. dentes. Assim, escolhe-se uma engrenagem de 72 dentes para acoplar-se com um pinhã"o de 18 dentes e dar a
Primeiro, módifica-se a Equação de L.ewis [Eq. ( 12-1~) I pela inclusão de um fator deve- a redução de 4: 1.
locidade K 1. no denominador. Isto leva à tensão normal devido à flexão no dente como Nll"o se pode resolver a Eq. (12-19) diretamente para o tamanho da engrenagem porque W1 e K v de-
pendem do passo diametral (diametral pitch) P. Portanto, deve-se tentar diversos valores de P até obter-se
um resultado satisfatório. Para as primeiras séries de determinações vamos usar P = 4 dentes por polegada.
w,. f>.,d..oóo ·; Então, o diâmetro do pinhão é d, = z 1 /P = 18/4 = 4,5 pol. = 114,30 mm. A velocidade na circunferência
( 12-19) primitiva é
o= K,.b'f ·
~" ,;~(ll~= Ul 2 0) = 402 m/..Uo.
A finalidade do fator de velocidade é res o to da for a instantânea atuante entre os
~J11ÇJi_em..co.ntª.to ser um pouco maior do que a carga transmitida W1 devido às imprecisões dos ~ntão,
~ ft ~
da Eq. 02-16), tem-se a _c~_tr_~nsmitida
-=:J'Yvl"W\
como
I>_e~~s dos dentes e elos efeitos dinâmicos devido à elasticidade dos dentes e ~~s-~rvor~Jluran­