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O Contrato Social - Cap.

VI - Do Pacto Social

LIBERDADE E ORDEM SOCIAL -

tiago

O homem nasceu livre e em toda parte é agrilhoado. Quem se julga senhor dos outros não deixa
de ser tão escravo quanto eles.

Enquanto um povo é obrigado a obedecer e o faz, age bem; assim que pode sacudir esse jugo e
o faz, age melhor ainda, pois recobrando a liberdade pelo mesmo direito que lhe foi tirada, ou
ele tem razão em retomá-la ou não tinham o direito de lhe tirá-la.

A ordem social é um direito sagrado, que serve de base para todos os demais. Tal direito não
provém da natureza, mas sim de convenções. Trata-se de saber quais essas convenções.

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CONVENÇÕES E A LEI DA PLURALIDADE DO SUFRÁGIOS

rhendel

Rousseau é contra a ideia de um povo ser subjugado por uma só pessoa. Considera isso uma
relação de "Senhor - Escravo". Não os considerando, pois, um chefe e um povo. O interesse do
líder seria sempre um interesse privado. Se este vir a perecer, seu império "se desfaz e se
converte em um monte de cinzas".

Se não houvesse convenção anterior, a não ser que fosse uma eleição unânime, os menos
numerosos não teriam a obrigação de se submeter às vontades dos mais numerosos. O autor
chama isso de LEI DA PLURALIDADE DOS SUFRÁGIOS, que por si só é um estabelecimento de
convenção e supõe, pelo menos uma vez, a unanimidade.

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ESTADO NATURAL E ESTADO CIVIL

rhendel

Rousseau é um contratualista, e entre seus conceitos está o de Estado Natural e Estado Civil.

*O homem no estado de natureza deseja somente aquilo que o rodeia, porque ele é desprovido
da imaginação necessária para desenvolver um desejo que ele não percebe. ele vive livre sem
ninguém para governar; somente sua consciência é o que lhe dita as regras e normas.

Seus desejos são constituidos de necessidades físicas, os únicos bens que ele tem conhecimento
no seu mundo são a alimentação , uma fêmea e o repouso.

Tiago
*Já quando o homem interage com os outros, passa ao Estado Civil. Essa passagem se dá
através do Contrato Social. É nesse estado que surge a“guerra de todos contra todos”, que se
iniciou com o estabelecimento da propriedade privada e da ausência de instituições políticas e
de regras que impedissem a exploração entre as pessoas.

O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo o
que deseja. O que com ele ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo o que possui.

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O CONTRATO SOCIAL

tiago

Suponhamos que a força que o individuo emprega para se manter no estado da natureza não
seja mais suficiente para sua conservação. Com isso, o ser humano pereceria se não mudasse
seu estado de ser. Como o homem não pode criar mais forças, mas apenas unir e dirigir as
existentes, não tem meio de conservar-se senão formando uma agregação, um conjunto de
forças que possam transcender a resistência.

Deve-se encontrar uma forma de associação que defenda e proteja com toda força comum a
pessoa e os bens de cada associado, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedeça a si
mesmo e permaneça tão livre quanto antes. Segundo Rousseau, é o contrato social que
soluciona essa questão. Violado o pacto social, cada qual retorna a seus primeiros direitos e
retoma a liberdade natural, perdendo a liberdade convencional à qual se redimira.

rhendel

Cada um deve dar-se por inteiro, de tal forma que a condição seja igual para todos, e, assim
sendo, ninguém tem o desejo de prejudicar ao próximo.

A união deve ser tão perfeita quanto possível, de tal forma que nenhuma associado tenha algo a
reclamar. Pois, se restassem alguns direitos aos particulares, o Estado da Natureza subsistiria e a
associação se tornaria tirânica.

Segundo o autor a essência do Pacto Social é : " Cada um de nós põe em comum sua pessoa e
todo o seu poder sob a suprema direção da vontade geral; e recebemos, coletivamente, cada
membro como parte indivisível do todo".

Esse ato de associação produz um corpo moral e coletivo . Essa pessoa pública, assim formada
pela a união de todas as demais outrora denominava-se Cidade, e hoje República, ou Corpo
Político, que, quando passivo, é chamado de Estado, quando ativo, de Soberano e Potência
quando comparado a seus semelhantes.

tiago
Os associados coletivamente recebem o nome de Povo; Súditos quando submetidos às leis do
Estado e, cada indivíduo em particular, Cidadão.

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Referências

* Rousseau, J.J.O contrato social: Princípios do direito político. 3. ed. Tradução de Antônio de
Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

* http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-
Jacques_Rousseau#Transi.C3.A7.C3.A3o_do_estado_de_natureza_para_o_estado_civil