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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ – UNESA

CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DISCIPLINA: CONVERSÃO ELETROMECÂNICA DE ENERGIA I


CAPÍTULO 2.1 – TRANSFORMADORES PARA
INSTRUMENTOS

Prof. Leonardo Domingues

Edição: 02/2018
Sumário
1.1 Transformadores de Corrente ......................................................................................3
1.1.1 Características Construtivas..................................................................................3
1.1.2 Características Elétricas ........................................................................................5
1.1.3 Correntes Nominais ..............................................................................................6
1.1.4 Polaridade ............................................................................................................7
1.1.5 Segurança .............................................................................................................7
1.1.6 Carga (“Burden”) de TC: .......................................................................................8
1.1.7 Classe ....................................................................................................................8
1.1.8 Fator de sobrecorrente .........................................................................................8
1.1.9 Cargas nominais....................................................................................................8
1.1.10 Tensão do ponto de joelho ...................................................................................9
1.1.11 Classe de Exatidão ..............................................................................................10
1.2 TRANSFORMADOR DE POTENCIAL .............................................................................11
1.2.1 CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS TÉCNICAS .............................................................11
1.2.2 TENSÃO PRIMÁRIA NOMINAL E RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO NOMINAL .....11
1.2.3 NÍVEL DE ISOLAMENTO.......................................................................................11
1.2.4 CARGA NOMINAL...............................................................................................11
1.2.5 ERRO DO TP E FATOR DE CORREÇÃO DA RELAÇÃO ............................................12
1.2.6 CLASSE DE EXATIDÃO..........................................................................................13
1.2.7 GRUPO DE LIGAÇÃO ...........................................................................................13
1.2.8 POTÊNCIA TÉRMICA NOMINAL ...........................................................................13
1.1 Transformadores de Corrente
Os transformadores de corrente são equipamentos que permitem aos instrumentos de medição
e proteção funcionarem adequadamente sem que seja necessário possuírem correntes
nominais de acordo com a corrente de carga do circuito ao qual são ligados. Na sua forma mais
simples, eles possuem um primário, geralmente poucas espiras, e um secundário, no qual a
corrente nominal transformada é, na maioria dos casos, igual a 5 A. Dessa forma, os
instrumentos de medição e proteção são dimensionados em tamanhos reduzidos com as
bobinas de corrente constituídas com fios de pouca quantidade de cobre.
Os TC's transformam, através do fenômeno de conversão eletromagnética, correntes elevadas,
que circulam no seu primário, em pequenas correntes secundárias, segundo uma relação de
transformação. Desta forme podemos dizer que os TC’s fornecem uma “amostra” da corrente a
qual queremos monitorar, com mesmas características só que com amplitude menor.
A corrente primária a ser medida, circulando nos enrolamentos primários, cria um fluxo
magnético alternado que faz induzir as forças eletromotrizes Ep e Es , respectivamente, nos
enrolamentos primário e secundário.
Dessa forma, se nos terminais primários de um TC, cuja relação de transformação nominal é de
20, circular uma corrente de 100 A, obtém-se no secundário a corrente de 5A , ou seja : 100/20
= 5A.

1.1.1 Características Construtivas


1.1.1.1 TC tipo Barra
É aquele cujo enrolamento primário é constituído por uma barra fixada através do núcleo do
transformador, conforme mostrado abaixo.

1.1.1.2 TC tipo enrolado


É aquele cujo enrolamento primário é constituído de uma ou mais espiras envolvendo o núcleo
do transformador, conforme ilustrado abaixo.

1.1.1.3 TC tipo janela


É aquele que não possui um primário fixo no transformador e é constituído de uma abertura
através do núcleo, por onde passa o condutor que forma o circuito primário, conforme abaixo.
1.1.1.4 TC de núcleo dividido
É aquele cujas características são semelhantes às do tipo janela, em que o núcleo pode ser
separado para permitir envolver o condutor que funciona como enrolamento primário,
conforme mostrado abaixo.

1.1.1.5 TC’s para média tensão


São semelhantes aos de baixa tensão, são normalmente construídos em resina quando
instalados abrigados
Fonte: AST Elétrica

1.1.1.6 TC para alta tensão


Os transformadores de corrente de alta tensão para uso ao tempo são dotados bucha de
porcelana vitrificada com saias, comum aos terminais de entrada da corrente primária. A
Figura abaixo mostra um TC para uso ao tempo isolado 72,6 kV

1.1.2 Características Elétricas


Os transformadores de corrente, de um modo geral, podem ser representados eletricamente
através do esquema da Figura abaixo, em que as resistência e reatância primárias estão
definidas como R1 e X1, as resistência e reatância secundárias estio definidas como R2 e X2 e o
ramo magnetizante está caracterizado pelos seus dois parâmetros, isto é, a resistência Rfe , que
é responsável pelas perdas ôhmicas, através das correntes de histerese e de Foucault,
desenvolvidas na massa do núcleo de ferro com a passagem das linhas de fluxo magnético, e Xm
responsável pela corrente reativa devido à circulação das mesmas linhas de fluxo no circuito
magnético.

Uma carga conectada ao secundário, absorve da rede uma certa corrente Ip que circula no
enrolamento primário do TC, cuja impedância (Z1 = R1 + jX1 ) pode ser desconsiderada, devido
à que normalmente o primário é composto por uma barra de cobre, como visto ou o próprio
condutor de fase, nos TC’s tipo janela. A corrente que circula no secundário do TC, Is provoca
uma queda de tensão na sua impedância interna (Z2 = R2 +jX2) e na impedância da carga
conectada (Z2= R2 +jX2) que afeta o fluxo principal, exigindo uma corrente magnetizante Ie
diretamente proporcional.
O erro do TC é resultado sensivelmente da corrente que circula no ramo magnetizante, isto é,
Ie.
Quando o núcleo entra em saturação, exige uma corrente de magnetização muito elevada,
deixando de ser transferida para a carga Zc provocando assim um erro de valor considerável na
medida secundária.
Para melhor se conhecer um transformador de corrente, independentemente de sua aplicação
na medição e na proteção, é necessário estudar as suas principais características elétricas.

1.1.3 Correntes Nominais


As correntes nominais primárias devem ser compatíveis com a corrente de carga do circuito
primário.
As correntes nominais primárias e as relações de transformação nominais estão discriminadas
nas tabelas abaixo, para relações nominais simples e duplas, utilizadas para ligação
série/paralelo no enrolamento primário.
CORRENTE CORRENTE RELAÇÃO CORRENTE CORRENTE RELAÇÃO
PRIMÁRIA SECUNDÁRIA NOMINAL PRIMÁRIA SECUNDÁRIA NOMINAL
PADRONIZADA PADRONIZADA PADRONIZADA PADRONIZADA
5 1:1 300 60:1
10 2:1 400 80:1
15 3:1 500 100:1
20 4:1 600 120:1
25 5:1 800 160:1
30 6:1 1000 200:1
40 8:1 1200 240:1
50 10:1 1500 300:1
60
75
100
125
150
200
250
5 12:1
15:1
20:1
25:1
30:1
40:1
50:1
2000
2500
3000
4000
5000
6000
8000
5 400:1
500:1
600:1
800:1
1000:1
1200:1
1600:1
1.1.4 Polaridade
A polaridade de um TC indica a direção instantânea relativa das correntes primárias e
secundárias. A polaridade representa a forma de enrolar o TC. A polaridade pode ser
subtrativa, que é a polaridade “default” no Brasil, ou pode ser aditiva.

Polaridade subtrativa

1.1.5 Segurança
Nunca se deve deixar o secundário do TC aberto. No circuito equivalente do TC (apresentado na
Figura 8) pode-se observar que, ao abrir seu secundário, toda corrente, que normalmente vai
para a carga, só tem agora um caminho através do ramo magnetizante, o qual se sabe que
apresenta impedância muito elevada. Ao se passar esta corrente elevada nesta impedância
também elevada, surge uma sobretensão que pode chegar a alguns kVs, colocando em risco a
vida das pessoas que estão “trabalhando” em seu secundário, bem como o risco de sua explosão
por este não suportar sobretensões por tempo prolongado.
1.1.6 Carga (“Burden”) de TC:
Potência secundária que um TC pode entregar. O “burden” é normalmente expresso
em VA ou em Ohms.
1.1.7 Classe
Os TC’s para serviço de proteção, quanto à impedância, se subdividem nas classes:
a) classe A: TC que possui alta impedância interna.
b) classe B: TC que possui baixa impedância interna,
1.1.8 Fator de sobrecorrente

Também denominado fator de segurança, é o fator pelo qual se deve multiplicar corrente
nominal primária do TC para se obter a máxima corrente no seu primário até o limite de sua
classe de exatidão. A NBR 6856/92 especifica o fator de sobrecorrente para serviço de proteção
em 20 vezes a corrente nominal.
A equação abaixo fornece o valor que assume o fator de sobrecorrente, em função da carga
nominal do TC e a carga ligada ao seu secundário:

Cn
F1   Fs ,
Cs
onde:

Cs- Carga ligada ao secundário, em VA;


Fs- Fator de sobrecorrente nominal ou de segurança;
Cn- Carga nominal, em VA.

1.1.9 Cargas nominais


Os transformadores de corrente devem ser especificados de acordo com a carga que será ligada
no seu secundário. Dessa forma, a NBR 6856/92 padroniza as cargas secundárias de acordo com
a Tabela abaixo.

NBR 6856 - Cargas nominais para T.C. para características à 60Hz


Designação Potência Resistência Indutância Fator de Impedância
Aparente  mH potência
VA
C 2,5 2,5 0,09 0,116 0,9 0,1
C 5,0 5,0 0,18 0,232 0,9 0,2
C 12,5 12,5 0,45 0,580 0,9 0,5
C 25,0 25,0 0,50 2,3 0,5 1,0
C 50,0 50,0 1,0 4,6 0,5 2,0
C 100,0 100,0 2,0 9,2 0,5 4,0
C 200,0 200,0 4,0 18,4 0,5 8,0
Ptc 200
Considerando um TC C200, a impedância de carga nominal é de: Zs   2  8
I s2 5

1.1.10 Tensão do ponto de joelho


Ponto sobre a curva de excitação secundária em que uma reta tangente a ela faz uma inclinação
de 45º. com o eixo das abscissas. A curva de excitação secundária deve ser plotada em escala
bilogarítmica, cujas ordenadas e abscissas tenham o mesmo valor de década (década quadrada).
Esta definição se aplica para TC’s sem gap ou entreferro. Veja a Figura abaixo.

A tensão de ponto de joelho é calculada da seguinte forma:

𝑉𝐴𝑛𝑡𝑐
𝑉𝑘𝑝 = (𝑅𝑖𝑡𝑐 + ) 𝑥 𝐹 𝑥 𝐼𝑛𝑡𝑐
𝐼 2 𝑛𝑡𝑐

VKP = Tensão de ponto de joelho expressa em Volts (V)


Ritc = Resistência interna secundária do TC em Ohms (Ω)
VAntc = Potência nominal secundária do TC, expressa em Volt-Ampère (VA)
Intc = Corrente nominal secundária do TC em Ampères (A)
F = Fator de sobrecorrente (fator limite em que o TC mantém o erro com “burden” nominal)

Dado um TC de 200-5A, 10B200, resistência interna (Ri-TC) de 0.2 Ω. Calcular a tensão de


ponto de joelho.

Obs.: Esta nomenclatura significa:


Que o TC é de baixa impedância, que o erro de corrente não excede 10%, para qualquer corrente
variando a 20 vezes a corrente nominal, desde que a carga n80 exceda 2 Ω (2 x 5 x 20 = 200 )j.
Solução
O TC do exemplo apresenta o fator de sobrecorrente (F) por norma é 20 (vezes In) e consegue
entregar 200V (VS), no secundário até 20 x In, com “burden” nominal conectado no
secundário. Isto significa:

𝑉𝑠 = 𝑍𝑏. 𝐼𝑛𝑡𝑐 𝑥 𝐹
𝑉𝑠
𝑍𝑏 =
𝐼𝑛𝑡𝑐 𝑥 𝐹
200
𝑍𝑏 = = 2Ω
5 𝑥 20

Assim, o TC possui uma carga (“burden”) nominal de 2 Ω.

A potência de VAN-TC é dada por:


𝑉𝐴𝑛𝑡𝑐 = 𝑍 𝑥 𝐼 2 = 2 𝑥 52 = 50𝑉𝐴

A tensão de joelho é dada por


50
𝑉𝑘𝑝 = (0,2 + ) 𝑥 20 𝑥 5 = 220𝑉
52
1.1.11 Classe de Exatidão
A classe de exatidão exprime nominalmente o erro esperado do transformador.
 para aferição e calibração dos instrumentos de medida de laboratório : 0,1;
 alimentação de medidores de demanda e consumo ativo e reativo para fins de
faturamento: 0,3;
 alimentação de medidores para fins de acompanhamento de custos industriais: 0,6;
 alimentação de amperímetros indicadores , registradores gráficos, reles de impedância,
relés diferenciais , reles de distância, reles direcionais : 1,2;
 alimentação de reles de ação direta, por exemplo, aplicados em disjuntores primários
de subestações de consumidor: 3,0
1.2 TRANSFORMADOR DE POTENCIAL

Os transformadores de potencial (TP) são equipamentos monofásicos ligado em paralelo no


sistema para obter uma amostra da tensão de fase ou de linha do sistema.

1.2.1 CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS TÉCNICAS

Para atender à s exigências operativas deve-se considerar os seguintes dados técnicos para
sua especificações.

 tensão primária e secundária nominal


 relação de transformação nominal
 frequência nominal
 nível de isolamento
 carga nominal
 classe de exatidão
 grupo de ligação
 potência térmica nominal
 uso interno ou externo

Algumas das características elétricas técnicas de TP são análogas as já discutidas para TC.

1.2.2 TENSÃO PRIMÁRIA NOMINAL E RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO NOMINAL

A tensão primária nominal do TP é definida pelo fabricante e deve ser compatível com a
tensão nominal do sistema e deve suportar 10% acima da tensão nominal em regime contínuo
sem nenhum prejuízo de sua integridade.

A tensão secundária geralmente é padronizada em 115V para TP do grupo 1 e 115/√3 para TP


do grupo 2 e 3.

A relação de transformação nominal do TP é :

𝑉𝑛𝑝
𝑅= =𝑎
𝑉𝑛𝑠

A tensão primária nominal e a relação de transformação é f unção da tensão nominal do circuito


e do equipamento ligado no secundário e seus valores são normalizados pela NBR 6855 [4].

1.2.3 NÍVEL DE ISOLAMENTO

O nível de isolamento do TP depende da tensão de linha no circuito no qual está instalado.

O nível de isolamento é definido pelas regras de coordenação do isolamento e valem as


mesmas regras já apresentadas para o TC.

1.2.4 CARGA NOMINAL

As cargas nominais para os TP são especificadas pela tabela 5.6. Define-se a carga
nominal em VA correspondente às tensões de 120V e 69,3V à frequência de 60 Hz com fator
de potência.
1.2.5 ERRO DO TP E FATOR DE CORREÇÃO DA RELAÇÃO

O TP é caracterizado por dois tipos de erro:

• erro de relação de transformação


• erro de ângulo de fase

O erro de relação de transformação mostra o desvio percentual, referido a tensão


primária, entre a tensão eficaz secundária multiplicada pela relação nominal e a tensão eficaz
primária.

𝑉2 − 𝑉1
𝐸𝑟 = 𝑅 𝑥 𝑥 100
𝑉1

Onde:
R= é a relação de transformação nominal
V1 = é a tensão primária eficaz efetiva
V2 = é a tensão secundária eficaz efetiva

Observe que o erro de relação está diretamente ligado à queda de tensão nas impedâncias de
dispersão do enrolamento primário e secundário. Conforme mostra a figura 5.9

Define-se fator de correção (FCR), pela expressão abaixo, para calcular a relação de
transformação efetiva
𝑅𝑒
𝐹𝑐𝑟 =
𝑅
Re= relação de transformação real conhecendo a relação de transformação nominal (R).
O erro de ângulo de fase (γ) mede a defasagem entre a tensão primária e secundária do TC.
Este erro está relacionado com o fator de correção de relação (FCR) e o fator de correção
de transformação (Fct) pela expressão abaixo.

γ = 2600(Fct)

Esta expressão é usada para definir o paralelogramo de exatidão apresentada na norma NBR
6855 [1].

1.2.6 CLASSE DE EXATIDÃO

A classe de exatidão do TP exprime o erro máximo esperado levando em conta o erro


da relação e o erro da fase.
Os TP são enquadrados em uma das seguintes classes de exatidão: 0,3 – 0,6 – 1,2.

O TP deve garantir sua classe de exatidão para:

 variação de tensão de 90% a 110% da tensão nominal com frequência nominal e


 para todas as cargas, desde vazio até a carga nominal especificada, mantido o fator de
potência desta.

1.2.7 GRUPO DE LIGAÇÃO

Os TP’s são classificados em grupos , conforme ABNT – NBR 6855, de acordo com o ti
po de conexão e do aterramento do sistema onde estes estão instalados.

 GRUPO DE LIGAÇÃO 1 – Neste grupo o TP é ligado entre fases e deve


suportar, continuamente, uma sobretensão de 15% sem exceder os limites de elevação
de temperatura.

 GRUPO DE LIGAÇÃO 2 – Neste grupo o TP é ligado entre fase e neutro de


sistemas diretamente aterrados e deve suportar, continuamente, uma sobretensão de
15% sem exceder os limites de elevação de temperatura.

 GRUPO DE LIGAÇÃO 3 – Neste grupo o TP é ligado entre fase para neutro de


sistema com aterramento por impedância e deve suportar, continuamente, uma
sobretensão de 90% sem exceder os limites de elevação de temperatura.

1.2.8 POTÊNCIA TÉRMICA NOMINAL

Potência térmica nominal do T P é a máxima potência que es te pode suprir


continuamente sem que seja excedido o limite de temperatura nominal especificado pelo
fabricante. Portanto, a carga total alimentada pelo TP não deve ser superior a potência térmica
do TP.

Os TP ligados entre fases ou entre fase e neutro de um sistema diretamente aterrado grupo de
ligação 1 e 2, devem ter sua potência térmica nominal não inferior a 1,33 vezes a carga mais
alta, em VA, referente à classe de exatidão do TP.

Os TP ligados entre fase e neutro de sistemas não diretamente aterrados grupo de ligação 3
devem ter sua potência térmica nominal não inferior a 3,6 vezes a carga mais alta, em V A,
referente à classe de exatidão do TP.
Segue a tabela da potência Térmica Nominal
Grupo FS FS2 PTn
1 1,15 1,33 1,33Cn
2 1,15 1,33 1,33Cn
3 1,9 3,6 3,6Cn

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO

Para fixar os conceitos apresentados considere um barramento de 4,16kV de onde parte um


alimentador para uma determinada carga conhecida e Pretende-se instalar dois TCs e um TP
neste alimentador com a finalidade de proteção e medição conforme ilustrado na figura abaixo.

Conhecendo as características da instalação e dos instrumentos conforme tabela abaixo


especifique os transformadores de instrumentos.
Observe que o relé de proteção usa dois transformadores decorrente: TC1 e TC2. O TC1 é
usado para a função de proteção de fase e outros para a função de proteção de terra (“ground
sensor”) e, ainda, note que o TC1 possui dois enrolamentos secundário: um para medição e
outro para proteção.

Solução
Dimensionar os TC1 e TC 2

O primeiro passo é determinar a corrente de carga:


𝑃𝑐 1000
𝐼𝑐 = = = 163𝐴
√3 𝑉𝑛 𝑐𝑜𝑠𝜙 √3 4.160.0,85

O TC1 de serviço de medição pode ser escolhido igual a 150-5 pois admitindo um
fator t érmico de 1,2
tem-se:

150 × 1,2 = 180 A > 163 A

Como este TC irá alimentar um amperímetro e um wattímetro com a potência nominal de 13VA
e 10 VA e respectivamente, utilizando um cabo de 2,5mm 2 a uma distância de 10 metros tem-
se o consumo total da carga igual a:

S = 13 + 10 + 0,009 × 10 × 52

S = 13 + 10 + 2,25 = 25,2 VA

Portanto, pode-se adotar uma carga nominal de 50 VA para o TC1 para medição.

Finalmente admitindo que se deseja uma exatidão de 0,6% tem-se um TC1 de medição:
Para o TC1 de serviço de proteção, adota-se inicialmente a relação do TC1 de medição, isto é,
150-5 e passa-se a verificar se tal TC atende as condições de curto-circuito.

Deve-se especificar a corrente térmica e dinâmica do TC1 igual ou superior a corrente de curto-
circuito máximo entre fases. Portanto,

It > 10 kA

Id > 2,5 × 10 kA

Para evitar a saturação do enrolamento de proteção do TC1, a tensão secundária aplicada ao


relé, incluindo o cabo de 4 mm2 deve ser calculada para a corrente de curto-circuito (Icc).

(𝑍𝑟 + 𝑍𝑐 + 𝑍𝑠). 𝐼𝑐𝑐


𝑉𝑠 =
𝑅𝑡𝑐

Onde:
Zr= a impedância do relé
Zc= a impedância do cabo
Zs= a impedância secundária do TC1 adotado

6𝑉𝐴
𝑍𝑟 = − 0,24Ω
52

𝑍𝑐 = 0,005𝑥10𝑚 = 0,05Ω
Zs= 0,10Ω

(0,24 + 0,05 + 0,1). 10000


𝑉𝑠 =
150
5

𝑉𝑠 = 130𝑉

Pode-se adotar um TC1 para proteção 150-5 de 10B200 admitindo uma classe de exatidão de
10%.
Observe que para reduzir a tensão Vs pode-se aumentar a relação do TC isto implica num TC
menor, mas cuidado em não aumentar muito a relação que possa inviabilizar o ajuste do relé
(PRINCIPIO DA SENSIBILIDADE).

O relé faz uso de um TC2 tipo janela para realizar a proteção de fase a terra (50/ 51GS).
Geralmente é comum adotar a relação deste TC2 igual a metade da corrente do resistor
que aterra o sistema (400 A) portanto, pode-se adotar um TC2 de 200-5.
A corrente térmica e dinâmica do TC2 deve ser especificada de tal modo que:

It > 0,4 kA

Id > 2,5 × 0,4 kA

Observe que tais correntes são baixas porque o sistema é aterrado por uma resistência de
aterramento de 400 A.

Para evitar a saturação do TC2, a tensão aplicada ao relé incluindo cabo de 4mm2 de ve ser
calculado para a corrente de curto-circuito fase a terra (Icc0).

(𝑍𝑟 + 𝑍𝑐 + 𝑍𝑠). 𝐼𝑐𝑐0


𝑉𝑠 =
𝑅𝑡𝑐
Onde:
Zr= a impedância do relé
Zc= a impedância do cabo
Zs= a impedância secundária do TC2

6𝑉𝐴
𝑍𝑟 = − 0,24Ω
52

𝑍𝑐 = 0,005𝑥10𝑚 = 0,05Ω
Zs= 0,15Ω

(0,24 + 0,05 + 0,15). 400


𝑉𝑠 =
200
5

𝑉𝑠 = 4,4𝑉

Pode-se adotar um TC2 de 10B50 admitindo uma classe de exatidão de 10%.

4.2 DIMENSIONAMENTO DO TP

O TP será usado para medir a tensão do barramento 4,16 kV entre fases do sistema portanto,
deve escolher:

• Tensão nominal primária: 4600 V


• Tensão nominal secundária: 115 V
• Grupo: 3
• Relação de transformação: 40:1
• Tipo: indutivo

Deve calcular a potência total das cargas ligadas no secundário do T P incluindo o consumo do
cabo de 2,5 mm². No caso em pauta as cargas são: um voltímetro de 9 W de um wattímetro de
10 W e ainda, o cabo entre o TP e os instrumentos será um cabo de 2,5 mm2 de comprimento de
10metros. Portanto, deve-se escolher a carga nominal do TP superior a:

S = 9 + 10 + 0,009 × 10 × 52
S = 19 + 2,25

S = 21,25 VA

Escolhe-se um TP do tipo P25. A classe de exatidão do TP pode ser: 0,3; 0,6 ou 1,2% . Como
se deseja boa precisão adotou-se classe de exatidão: igual a 0,3%. Assim tem-se um TP
especificado por 0,3P25.

A potência térmica nominal do TP será calculada em função do grupo de ligação no caso 3 e


fator de sobretensão conforme a tabela 1.2.8.
PTN = 3,60 × Cn

Onde:

PTN é a potência térmica nominal


Cn é a maior carga do TP

PTN = 3,6 × 10 = 36 VA
Portanto tem-se um PT especificado por 0,3P25 de 100 VA

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