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CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO

AMBIENTAL PARA EMPREENDIMENTOS


DE SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL

MÓDULO 1
VISÃO GERAL DO GRAU DE IMPACTO
SOBRE OS ECOSSISTEMAS
CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO
AMBIENTAL PARA EMPREENDIMENTOS
DE SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL

A elaboração do curso “Cálculo da Compensação Ambiental para Empreendimentos


de Significativo Impacto Ambiental” foi apoiada pelo Projeto Consolidação do
Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC/LifeWeb, que tem como
parceiro o Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e
sua implementação é realizada pela Deutsche Gesellschaft für Internationale
Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, no âmbito da Iniciativa Internacional de Proteção do
Clima (IKI), financiado pelo Ministério Federal do Meio Ambiente, Conservação da
Natureza, Construção e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUB).

MÓDULO 1
VISÃO GERAL DO GRAU DE IMPACTO
SOBRE OS ECOSSISTEMAS

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CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO
AMBIENTAL PARA EMPREENDIMENTOS
DE SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL

Unidade 1
MÓDULO 1 Aspectos introdutórios
VISÃO GERAL DO GRAU DE IMPACTO
SOBRE OS ECOSSISTEMAS
Sumário

Apresentação....................................................................................................... 5

Separação modular............................................................................................... 6

Unidade 1 - Aspectos Introdutórios...................................................................... 8

Introdução............................................................................................................ 9

O que é compensação ambiental?................................................................. 13

Lei nº 9.985/2000......................................................................................... 23

Regulamentos e outros normativos............................................................... 26

Regulamentação da compensação ambiental no âmbito do Ibama................ 28

Contexto de aplicação da Compensação Ambiental............................................ 31

Licenciamento Ambiental e Avaliação de Impacto Ambiental......................... 31

Informações necessárias à Compensação Ambiental..................................... 34

Plano de Compensação Ambiental – Estudo Ambiental....................................... 39

Metodologia de cálculo da Compensação Ambiental........................................... 40


MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Apresentação

Olá! Seja bem-vindo(a) ao curso de Compensação Ambiental, que está dividido em


dois módulos, com duas unidades cada.

Neste estudo, faremos um apanhado introdutório acerca do tema, detalharemos


os índices utilizados para mensurar o Grau de Impacto (GI) a fim de chegarmos à
metodologia utilizada para calcular a compensação.

Você está pronto para dar início?

Vamos lá! Bons estudos!

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Separação modular
Este curso está dividido em dois módulos, a saber:

Clique sobre cada um dos módulos para conhecer a estrutura do curso.

Módulo 1

UNIDADE 1 – Aspectos introdutórios

Introdução

O que é a compensação ambiental?;

Contexto de aplicação da compensação ambiental;

Plano de Compensação Ambiental – Estudo Ambiental;

Metodologia de cálculo da compensação ambiental.

UNIDADE 2 – Composição da fórmula de Grau de Impacto (GI)

Conceituação de Grau de Impacto (GI);

Índices;

Fórmula;

Limite Máximo permitido;

Recursos administrativos quanto à definição do Grau de Impacto.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Módulo 2

UNIDADE 1: Valor de Referência

Definição do Valor de Referência (VR);

Apresentação do VR;

Definição pelo Órgão Ambiental quanto ao valor da compensação


ambiental devida por empreendimento de significativo impacto ambiental;

Recursos Administrativos quanto ao cálculo da compensação ambiental.

UNIDADE 2: Definição da divisão e forma de aplicação do recurso da


Compensação

Ambiental Federal;

Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF);

Câmara de Compensação Ambiental;

Critérios para definição das unidades de conservação elegíveis a


receberem os recursos da compensação ambiental;

Definição das ações para execução dos recursos da compensação


ambiental;

Previsão do artigo 33 do Decreto n.º 4.340/2002;

Celebração de termo de compromisso para cumprimento da compensação


ambiental;

Acompanhamento do cumprimento da compensação ambiental;

Quando dar como cumprida a condicionante da licença ambiental relativa


à compensação ambiental.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Unidade 1 - Aspectos Introdutórios


Nesta unidade, serão apresentados os instrumentos legislativos e normativos que
tratam da criação ou regulamentação da Compensação Ambiental. Além de serem
pormenorizados seus diferentes aspectos, será feito levantamento temporal desses
dispositivos, até se chegar às regras atuais.

O objetivo desta unidade é trazer as bases históricas e conceituais sobre o assunto,


fundamentando assim o conhecimento necessário para avançarmos às questões
práticas, que serão apresentadas a partir da unidade seguinte. Acompanhe
atentamente o conteúdo nos tópicos desta unidade.

Bons estudos!

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Introdução
Criada em 31 de agosto de 1981 pela Lei 6.938, a Política Nacional do Meio Ambiente
determinou uma série de ações de gestão ambiental com o objetivo de manter a
qualidade ambiental e, consequentemente, as condições propícias à vida – em
todas as suas formas.

Segundo o art. 2°, Lei 6.938, os princípios que regem a Política Nacional do Meio
Ambiente são:

I Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar.

II Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando


o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente
assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo.

III Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.

IV Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas.

V Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras.

VI Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso


racional e a proteção dos recursos ambientais.

VII Acompanhamento do estado da qualidade ambiental.

VIII Recuperação de áreas degradadas. (Regulamento)

IX Proteção de áreas ameaçadas de degradação.

X Educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da


comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do
meio ambiente.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Como instrumentos de execução dessa política, foram instituídos o Licenciamento


Ambiental e a Avaliação de Impactos Ambientais (AIA).

A mesma Lei 6.938 criou, ainda, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Um dos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama),


o Conselho é um colegiado representativo de cinco setores – órgãos federais,
estaduais e municipais, setor empresarial e sociedade civil – que tem função
consultiva e deliberativa.

Tome Nota

A partir de então, passou a ser prevista no ordenamento jurídico do país


a necessidade de compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico
com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio
ecológico.

A preocupação ambiental fez com que fosse incluído na Constituição Federal


capítulo específico para o tema meio ambiente.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Em seu Capítulo VI, Art. 225, a Constituição Federal estabelece que:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder
público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e
futuras gerações.

§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o


manejo ecológico das espécies e ecossistemas;

II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País


e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material
genético;

III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus


componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a
supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização
que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente


causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de
impacto ambiental, a que se dará publicidade;

V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas,


métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de
vida e o meio ambiente;

VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a


conscientização pública para a preservação do meio ambiente;

VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que


coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies
ou submetam os animais a crueldade.

§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio


ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão
público competente, na forma da lei.

§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente


sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.

§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o


Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua
utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem
a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos
naturais.

§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por


ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização
definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Nesse mesmo contexto, foi instituído, ainda com a Lei 6.938, o princípio de
responsabilidade objetiva do poluidor, que, independentemente da intenção, é
obrigado a reparar os danos causados ao meio ambiente.

Vêm daí as bases para as subsequentes normas que irão regulamentar o processo
de compensação ambiental.

O que é compensação ambiental?


Então vamos saber o que é a compensação ambiental a partir de agora.

A implantação de qualquer empreendimento pressupõe a alteração física do espaço


e, dependendo da localidade e dos níveis de impacto, poderá afetar negativa e
significativamente o meio ambiente – promovendo, por exemplo, perdas de fauna,
flora ou mudanças geológicas, por vezes, não mitigáveis.

Por isso, são previstas medidas mitigadoras e compensatórias no âmbito dos


programas ambientais que devem ser financiadas pelo empreendedor com recursos
específicos.

Por outro lado, há ainda determinados empreendimentos que, por conta do porte,
local de funcionamento e/ou atividade desempenhada, resultam em impactos
irreversíveis, inevitáveis e imensuráveis.

O ordenamento jurídico institui a obrigatoriedade de apoio à implantação e


manutenção de unidades de conservação, que ocorre por meio da Compensação
Ambiental e é devida pelo empreendedor no licenciamento de empreendimentos de
significativo impacto ambiental.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Tome Nota

A criação de espaços especialmente protegidos, como as unidades de


conservação, é uma alternativa de preservação do ambiente natural,
tendo em vista a crescente degradação do meio ambiente, cada vez
de forma mais acelerada, causada pela explosão demográfica e o
consequente consumo predatório dos recursos naturais. (BORGES,
2015)

Antecedentes

Segundo Borges (2015), a origem das áreas protegidas remonta à preservação de


lugares sagrados ou de recursos naturais específicos.

Ele aponta, por exemplo, a instituição de florestas sagradas e criação de reservas


de caça e reservas de madeira ainda na Antiguidade, prática que segue também
durante a Idade Média.

Yellowstone National Park

A criação do Yellowstone National Park, no ano de 1872, para o meio acadêmico,


marca a concepção das unidades de conservação em moldes semelhantes aos
atuais.

Parque Estadual de São Paulo

No Brasil, o Parque Estadual de São Paulo foi a primeira unidade de conservação


instituída – em 1896. Cerca de 40 anos se passaram até que novas UCs fossem
estabelecidas no país.

Em 1937, foi criado o Parque Nacional de Itatiaia e, em 1939, foi a vez dos Parques
Nacionais do Iguaçu e da Serra dos Órgãos.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Unidades de Conservação não são exclusividade do Brasil, mas existem em todo o


planeta, a fim de que a biodiversidade por estes locais seja preservada.

Ainda de acordo com Borges (2015), elas contribuem para que sejam garantidos,
por exemplo:

o controle de processos erosivos;

a qualidade do ar e da água;

além de outros “serviços ambientais” essenciais.

Sem elas, diversas espécies, populações e ecossistemas teriam sua integridade


comprometida.

Hoje, no Brasil, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, atualizados em 10


de julho de 2017, há mais de duas mil unidades de conservação, que totalizam cerca
de 1,6 milhão de km² – entre áreas de proteção integral e áreas de uso sustentável.

Este segundo grupo é composto por sete categorias.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Fonte: Adaptado de MMA (2014); FUNAI (2014)

*inclui unidades de conservação nas esferas nacional, estadual e municipal.

As unidades de proteção integral, por sua vez, são cinco: Estação Ecológica, Reserva
Biológica, Parque, Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Fonte: Adaptado de MMA (2014); FUNAI (2014)

*inclui unidades de conservação nas esferas nacional, estadual e municipal.

Você pode conferir nas tabelas a seguir os detalhes de cada categoria.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Grupo Proteção Integral

Posse e
Categoria Objetivos Exemplos
domínio

EE da Terra do
Preservação da natureza e Meio (PA), EE de
Estação
a realização de pesquisas Públicos Corumbá (MG),
Ecológica – EE
científicas EE Municipal Ilha
do Lameirão (ES)

Preservação integral da biota


e demais atributos naturais
existentes em seus limites,
sem interferência humana di-
RB Comboios
reta ou modificações ambien-
(ES), RB do
tais, executando-se as medi-
Reserva Parazinho (AP),
das de recuperação de seus Públicos
Biológica – RB RB Municipal da
ecossistemas alterados e as
Serra do Japi
ações de manejo necessárias
(SP)
para recuperar e preservar o
equilíbrio natural, a diversida-
de biológica e os processos
ecológicos naturais

Preservação de ecossistemas
naturais de grande relevân-
cia ecológica e beleza cênica,
PN do Tumucu-
possibilitando a realização de
maque (AM), PE
Parque – PN, pesquisas cientificas e o de-
Públicos do Morro do Cha-
PE e PNM senvolvimento de atividades
péu (BA), PNM do
de educação e interpretação
Paragem (MS)
ambiental, de recreação em
contato com a natureza e de
turismo ecológico

MN das Ilhas Ca-


garras (RJ), MN
Preservar sítios naturais ra- Vale dos Dinos-
Monumento Público e/ou
ros, singulares ou de grande sauros (PB), MN
Nacional – MN particular
beleza cênica dos Morros do
Pão de Açúcar e
Urca

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Proteger ambientes naturais


RVS Ilha dos Lo-
onde se asseguram condi-
bos (RS), RVS
Refúgio da Vida ções para a existência ou re- Público e/ou
Corixão da Mata
Silvestre – RVS produção de espécies ou co- particular
Azul (MT), RVS
munidades da flora local e da
da Ventania (RJ)
fauna residente ou migratória

Grupo Uso Sustentável

Posse e
Categoria Objetivos Exemplos
domínio

Proteger a diversidade
APA da Baleia Fran-
biológica, disciplinar o
ca (SC), APA Esta-
Área de Proteção processo de ocupação e Público e/ou
dual de Guaratuba
Ambiental – APA assegurar a sustentabili- privado
(PR), APA de Nova
dade do uso dos recursos
Era (MG)
naturais

Manter os ecossistemas
naturais de importância
ARIE Vassununga
regional ou local e regular
Área de Rele- (SP), ARIE Parque
o uso admissível dessas Público e/ou
vante Interesse JK (DF), ARIE Mu-
áreas, de modo a compati- privado
Ecológico – ARIE seu Parque Seringal
bilizá-lo com os objetivos
(PA)
de conservação da natu-
reza

Uso múltiplo sustentável


dos recursos florestais e FN de Açungui (PR),
Floresta – FN, FE, a pesquisa científica, com FE de Rendimento
Público
FM ênfase em métodos para Sustentado Rio Ver-
exploração sustentável de melho C (RO)
florestas nativas

Público com
Proteger os meios de vida
uso conce-
e da cultura dessas popu- RESEX Chico Men-
Reserva Extrati- dido às po-
lações, e assegurar o uso des (AC), RESEX do
vista – RESEX pulações
sustentável dos recursos Guariba (AM)
extrativistas
naturais da unidade
tradicionais

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Área natural com popu-


lações animais de espé-
cies nativas, terrestres ou
aquáticas, residentes ou
Reserva de
migratórias, adequadas Público
Fauna
para estudos técnico-
-científicos sobre o mane-
jo econômico sustentável
de recursos faunísticos

Preservar a natureza e, ao
mesmo tempo, assegurar
as condições e os meios
necessários para a repro-
dução e a melhoria dos
modos e da qualidade de RDS Itatupã-Baquiá
Reserva de De-
vida e exploração dos re- (PA), RDS do Aven-
senvolvimento
cursos naturais das popu- Público tureiro (RJ), RDS
Sustentável –
lações tradicionais, bem Municipal do Papa-
RDS
como valorizar, conservar gaio (ES)
e aperfeiçoar o conheci-
mento e as técnicas de
manejo do ambiente, de-
senvolvido por estas po-
pulações

Privada, gra-
Reserva Particu-
Conservar a diversidade vada com RPPN Estância Ja-
lar do Patrimônio
biológica perpetuida- tobá
Natural – RPPN
de

Fonte: Ministério do Meio Ambiente.

Saiba Mais

Para efeitos de compensação ambiental, parte dos recursos previstos


para a implantação de empreendimentos de significativo impacto
ambiental deverá ser destinado ao apoio à implantação e manutenção
das unidades do grupo de proteção integral.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

A legislação brasileira estabelece, ainda, que, independentemente do grupo, todas


as UCs afetadas pelo empreendimento em questão devem receber recursos da
respectiva compensação ambiental.

O mesmo ocorre com aquelas unidades que também tenham suas zonas de
amortecimento impactadas.

Durante décadas, a manutenção desses espaços foi integralmente financiada pelo


poder público. A primeira mudança veio com a Resolução do Conselho Nacional do
Meio Ambiente (Conama) nº. 10, de 3 de dezembro de 1987, que previu a obrigação
do empreendedor implantar uma Estação Ecológica.

Este é o marco referencial usado pelo Ibama para balizar a cobrança da compensação
ambiental.

Tome Nota

De acordo com Faria (2008), o apoio às Unidades de Conservação


teve origem com a Resolução Conama n°. 10/1987, que está ligada
aos esforços da comunidade científica em promover a conservação
da biodiversidade de áreas negativamente atingidas por amplas
alterações necessárias à implantação de projetos de grande porte do
setor elétrico brasileiro, sobretudo na Amazônia.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

A seguir, você conhecerá o que estabelecia a Resolução nº 10/1987 do Conama.

Essa resolução foi revogada pela Resolução Conama nº. 02, de 18 de abril de 1996,
que atualizou a redação do texto, sem retirar a responsabilidade do empreendedor
com a compensação ambiental. Cabe ressaltar que essa segunda resolução
também foi revogada.

Resolução Conama n° 10/1987

Art. 1º - Para fazer face à reparação dos danos ambientais causados pela destruição
de florestas e outros ecossistemas, o licenciamento de obras de grande porte, assim
considerado pelo órgão licenciador com fundamento no RIMA terá sempre como
um dos seus pré-requisitos, a implantação de uma Estação Ecológica pela entidade
ou empresa responsável pelo empreendimento, preferencialmente junto à área.

Resolução Conama n° 02/1996

Art.1º - Para fazer face à reparação dos danos ambientais causados pela destruição
de florestas e outros ecossistemas, o licenciamento de empreendimentos de
relevante impacto ambiental, assim considerado pelo órgão ambiental competente
com fundamento do EIA/RIMA, terá como um dos requisitos a serem atendidos pela
entidade licenciada, a implantação de uma unidade de conservação de domínio
público e uso indireto, preferencialmente uma Estação Ecológica, a critério do órgão
licenciador, ouvido o empreendedor.

Saiba Mais

A avaliação de Maciel (2012) é de que “a compensação ambiental,


desde suas origens, esteve relacionada ao licenciamento ambiental
de empreendimentos causadores de significativo impacto ambiental,
destinando-se a compensar os impactos irreversíveis e inevitáveis, que
antes eram tratados como externalidades negativas”. Na maioria das
vezes, os impactos a serem compensados também são imensuráveis.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Por sua vez, a 02/1996 foi revogada pela Resolução Conama nº 371/2006 – a qual
será tratada em tópico posterior.

Lei nº 9.985/2000
Até então normatizada por Resolução do Conama, a compensação ambiental
passou a ser prevista, desde 18 de julho de 2000, em lei federal.

Com a Lei n.º 9.985/2000, foi instituído o Sistema Nacional de Unidades de


Conservação da Natureza (SNUC), que, de acordo com o Art. 4º, tem alguns objetivos.

I Contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos


genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais.

II Proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional.

II Contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas


naturais.

IV Promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais.

V Promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza


no processo de desenvolvimento.

VI Proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica.

VII Proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica,


espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural.

VIII Proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos.

IX Recuperar ou restaurar ecossistemas degradados.

X Proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica,


estudos e monitoramento Ambiental.

X Valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica.

XII Favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a


recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

VIII Proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações


tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e
promovendo-as social e economicamente.

DIRETRIZES DA SNUC

Garantia de alocação
Sustentabilidade
adequada de recursos
econômica das unidades
financeiros para gestão
de conservação.
das UCs

O que é a compensação ambiental?

A fim de possibilitar tais diretrizes, a Lei n.º 9.985/2000 também definiu a


obrigatoriedade da compensação em quaisquer empreendimentos que prevejam
significativo impacto ambiental.

Veja o que dispõe o artigo 36.

Art. 36 Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo


impacto ambiental, assim considerado pelo órgão ambiental competente, com
fundamento em estudo de impacto ambiental e respectivo relatório - EIA/RIMA,
o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de
conservação do Grupo de Proteção Integral, de acordo com o disposto neste artigo
e no regulamento desta Lei.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Importante

A partir da Lei 9.985, ficou estabelecida também a competência do


Ibama, ou demais órgãos ambientais licenciadores, em definir as
unidades que serão beneficiadas. Para isso, devem ser analisados os
estudos ambientais e há, inclusive, a possibilidade de criação de novas
unidades de conservação.

O parágrafo primeiro do Art. 36, mencionado anteriormente,


estabelece ainda que o órgão ambiental licenciador fixará o valor da
compensação de acordo com o grau de impacto ambiental causado
pelo empreendimento.

Em 2008, no entanto, com a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 3.378-


6-DF, foi proferido Acórdão, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que modificou os
limites de cobrança da compensação ambiental.

Até então, 0,5% do custo total do empreendimento era o valor mínimo a ser destinado
à compensação ambiental. Na decisão do STF, entretanto, ainda que tenha sido
ratificada a constitucionalidade da cobrança de compensação ambiental, esse piso
foi declarado inconstitucional.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Por conta disso, para que os procedimentos se adequassem ao estabelecido pela


justiça, foi editado o Decreto nº 6848, de 14 de maio de 2009 – detalhado a partir
do próximo tópico.

Saiba Mais

Em que pese a completude do julgamento, esta ainda não foi alcançada


na medida em que as partes (CNI e Governo Federal) impetraram
embargos de declaração que ainda precisam ser julgados.

Regulamentos e outros normativos


A Lei n.º 9.985/2000 foi regulamentada pelo Decreto n.º 4340/2002, que trouxe,
sobretudo, esclarecimentos acerca de quais impactos deveriam ser considerados
para efeitos de compensação ambiental – somente os negativos, não mitigáveis e
que possam causar danos aos recursos naturais ou oferecer riscos à região (Maciel
2012).

O Decreto 4340 também estabeleceu a ordem de prioridades na aplicação desses


recursos.

ARTIGO 33

Art. 33 - A aplicação dos recursos da compensação ambiental de que trata o art.


36 da Lei nº 9.985, de 2000, nas Unidades de Conservação, existentes ou a serem
criadas, deve obedecer à seguinte ordem de prioridade:

I - regularização fundiária e demarcação das terras;

II - elaboração, revisão ou implantação de plano de manejo;

III - aquisição de bens e serviços necessários à implantação, gestão,


monitoramento e proteção da Unidade, compreendendo sua área de
amortecimento;

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

IV - desenvolvimento de estudos necessários à criação de nova Unidade de


Conservação;

V - desenvolvimento de pesquisas necessárias para o manejo da Unidade de


Conservação e área de amortecimento.

PARÁGRAFO ÚNICO

Parágrafo único. Nos casos de Reserva Particular do Patrimônio Natural, Monumento


Natural, Refúgio de Vida Silvestre, Área de Relevante Interesse Ecológico e Área
de Proteção Ambiental, quando a posse e o domínio não sejam do Poder Público,
os recursos da compensação somente poderão ser aplicados para custear as
seguintes atividades:

I - elaboração do Plano de Manejo ou nas atividades de proteção da Unidade;

II - realização das pesquisas necessárias para o manejo da Unidade, sendo


vedada a aquisição de bens e equipamentos permanentes;

III - implantação de programas de educação ambiental;

IV - financiamento de estudos de viabilidade econômica para uso sustentável


dos recursos naturais da Unidade afetada.

Em 2006, a Resolução do Conama nº 371 foi editada.

Qual era a finalidade?

De acordo com a análise de Borges (2015), era a seguinte:

“de estabelecer diretrizes para o cálculo, a cobrança, a aplicação,


a aprovação e o controle de gastos de recursos advindos de
compensação ambiental”.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Saiba Mais

Segundo Maciel (2012), no Grupo de Trabalho que formulou as


sugestões que deram origem à Resolução 371, chegou a ser proposto
pelo setor privado a fixação de 1% do valor do empreendimento como
percentual máximo da compensação ambiental. A ideia, no entanto,
não foi aceita, e a resolução estabeleceu, conforme o art. 15, que o
“valor da compensação ambiental fica fixado em meio por cento dos
custos previstos para a implantação do empreendimento até que o
órgão ambiental estabeleça e publique metodologia para definição do
grau de impacto ambiental”.

Dois anos depois de publicada a Resolução nº 371/2006, o STF, em


resposta à Adin nº 3.378-6-DF, como já mencionado, declarou como
inconstitucional o piso de 0,5%. No ano seguinte, então, o Decreto nº
6.848/2009 estabeleceu a metodologia de cálculo da compensação –
cuja fórmula será detalhada na Unidade 2 deste Módulo – e, atendendo
às exigências em vigor por conta da Adin, definiu 0,5% do valor do
empreendimento como teto máximo para a compensação ambiental.

Regulamentação da compensação ambiental no âmbito do


Ibama
O Art. 32 do Decreto 4340/2002 estabeleceu que os órgãos licenciadores deveriam
instituir Câmaras de Compensação Ambiental.

Qual era a finalidade?

“de analisar e propor a aplicação da compensação ambiental,


para a aprovação da autoridade competente, de acordo com os
estudos ambientais realizados e percentuais definidos”.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

A Portaria Ibama nº 7, de 19 de janeiro de 2004, foi publicada a fim de criar a Câmara


de Compensação Ambiental (CCA) no âmbito do órgão.

Portaria Ibama nº 7
a qual atuou regularmente realizando mais de quarenta
19 de janeiro de 2004
reuniões, definindo procedimentos e deliberando a
destinação e aplicação de recursos da compensação
ambiental desde o seu estabelecimento pela Portaria
criou a Câmara Ibama nº 7/2004
de Compensação
Ambiental (CCA)
até a criação do
ao qual foi atribuída a administração das Instituto Chico Mendes
unidades de conservação federais, por meio da de Conservação da
Lei nº 11.516 de 28 de agosto de 2007. Biodiversidade (ICMBio)

Portaria Conjunta MMA/Ibama nº 513


5 de outubro de 2007

Foi publicada dada a necessidade de atualizar a Portaria nº 7/2004.

Importante

Principalmente devido às interrupções provocadas pela criação do


ICMBio e pelo julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade
nº 3378, a partir de 2007, os registros de atas das antigas câmaras
apontam que o número de reuniões para deliberações sobre os recursos
da compensação ambiental caiu sensivelmente.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Saiba Mais

A edição do Decreto n°. 6.848/2009, que alterou o Decreto n.º


4.340/2002, previu, em seu § 4º, art. 31-B, que caberia ao Ibama
definir a destinação de recursos da Compensação Ambiental, ouvido
o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Neste contexto, foi criado o CCAF.

Em 2011, por meio de Portaria Conjunta n.º 225 entre o Ministério do Meio Ambiente,
o Ibama e o ICMBio, foi criado o Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF).

Segundo a Portaria nº 225/2011, o Comitê é formado por dois representantes de


cada instituição e, entre outras atribuições, deve deliberar sobre como os recursos
da compensação ambiental, em nível federal, são destinados e aplicados (BORGES,
2015).

Tome Nota

Atualmente, no âmbito do Ibama, o principal orientador das questões


em torno da compensação ambiental é a Instrução Normativa (IN) n.º
08 de 2011. Conforme seu Art. 1º, a IN regula “os procedimentos para
o cálculo e a indicação da proposta de Unidades de Conservação a
serem beneficiadas pelos recursos da Compensação Ambiental”.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Contexto de aplicação da Compensação Ambiental


Apesar de o processo formal de compensação ambiental ser instaurado apenas
em etapas posteriores do licenciamento ambiental, as informações que serão
necessárias para embasá-lo são coletadas desde o início do processo e, por isso,
a fim de que a compensação seja devidamente calculada e cobrada, é necessário
extremo cuidado em todas as etapas do licenciamento.

Licenciamento Ambiental e Avaliação de Impacto


Ambiental
Um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, o licenciamento
ambiental é um processo administrativo no qual são formalizadas as condições e
as medidas de controle ambiental que devem ser obedecidas pelas atividades ou
pelos empreendimentos utilizadores de recursos ambientais e que tenham potencial
de causar poluição ou qualquer forma de degradação.

O Licenciamento Ambiental Federal (LAF) é regido pelo Ibama.

Nesse contexto, entra a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), que é o processo


de análise sistemática dos impactos ambientais que podem ser causados por um
projeto sujeito ao licenciamento ambiental.

AIA

Propõe medidas voltadas a:

e/ou compensar possíveis danos


evitar reparar
ambientais

31
MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Essas medidas são formalizadas como condicionantes das licenças e dos demais
documentos autorizativos do processo de licenciamento.

Normalmente, o licenciamento ambiental é divido em três etapas:

Planejamento
Instalação
Operação do projeto

Ressalta-se, no entanto, que existem casos que podem fugir desse trâmite padrão
– permitindo que o licenciamento ocorra em menos fases.

Importante

Em alguns tipos de empreendimentos na área de petróleo e gás, as


licenças podem ser emitidas em uma única fase.

Nestes casos, entretanto, as informações para cálculo do valor da


compensação ambiental deverão ser apresentadas de uma única vez.

Confira na tabela a seguir as relações entre as etapas do processo de Licenciamento


Ambiental Federal (LAF) e as etapas do processo de Avaliação de Impacto Ambiental
(AIA), incluindo os principais documentos de entrada e saída.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Entrada Etapa LAF Etapa AIA Saída

Fase de Planejamento do Projeto

Registro CTF
+ Projeto sujeito a
Analisar
FCA Triagem AIA
Competência
+ +
Processo Instaurado

Termo de referência
+
Processo Administra- Tipo de Estudo
Instruir Proces- Definição de
tivo classificado como +
so Escópo
processo LAF
Enquadramento do
tipo de Licencia-
mento

Estudo Ambiental
Analisar Parecer Técnico
+
Requerimento Análise Técnica +
Requerimento de Licen- de Licença Licença Prévia
ça Prévia

Fase de Operação do Projeto

Projeto Básico
Ambiental - PBA Parecer Técnico
Analisar
(programas ambientais) +
Requerimento Análise Técnica
+ Licença de
de Licença
Requerimento da Licen- Instalação - LI
ça de Instalação

Acompanha- Parecer Técnico


Relatório de cumpri- mento Ambien- (análise de desem-
mento de condicionan- Acompanhar tal (Mitigação penho ambiental +
tes da Licença de Insta- Condicionantes e Gestão de análise do cumpri-
lação Impactos Am- mento das condi-
bientais) cionantes de LI)

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Fase de Instalação do Projeto

Projeto Básico
Ambiental - PBA Parecer Técnico
Analisar
(programas ambientais) +
Requerimento Análise Técnica
+ Licença de
de Licença
Requerimento da Licen- Operação - LO
ça de Operação

Acompanha- Parecer Técnico


Relatório de cumpri- mento Ambien- (análise de desem-
mento de condicionan- Acompanhar tal (Mitigação penho ambiental +
tes da Licença de Ope- Condicionantes e Gestão de análise do cumpri-
ração Impactos Am- mento das condi-
bientais) cionantes de LO)

Informações necessárias à Compensação Ambiental

A fim de subsidiar as etapas do Licenciamento e da Avaliação de Impacto Ambiental,


algumas informações deverão ser obtidas com vistas à compensação ambiental.

Vamos conhecê-las mais detalhadamente a seguir.

Prévia Operação
Instalação
Autoriza a localidade Autoriza o
Autoriza o início das
e a construção do funcionamento do
obras
empreendimento empreendimento

Licença Prévia (LP)

O início do processo se dá quando o empreendedor apresenta a solicitação de


licenciamento junto ao Ibama, o que ocorre por meio do preenchimento da Ficha de
Caracterização de Atividade (FCA).

34
MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

No preenchimento da FCA, o empreendedor deverá prestar informações relativas


ao custo do projeto, proposta de localização e UCs na região da implantação do
empreendimento.

Considerando essas informações, serão instaurados processos administrativos,


devendo ser feita a análise quanto à competência pelo licenciamento do
empreendimento.

Caso a competência seja do Ibama, o processo será atribuído à coordenação de


área responsável que definirá a equipe técnica para trabalhar no processo. Com
base nas informações e na legislação vigente, a equipe irá definir o tipo de estudo e
elaborar o termo de referência.

Apresentar o Plano de Compensação Ambiental

O Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)


deverá ocorrer se for concluído que o projeto tem significativo impacto ambiental.
Nesses casos, é importante acrescentar ao Termo de Referência um item específico
instruindo o empreendedor a apresentar o Plano de Compensação Ambiental –
(pormenorizado mais à frente nesta unidade).

Em seguida, o estudo ambiental será examinado, partindo para a realização de


vistorias, audiências e coleta de informações para realização da análise técnica.
Durante esses processos, deve ser verificado se há indicação de unidades de
conservação para serem beneficiadas com os recursos da compensação ambiental.

O Grau de Impacto (GI) será calculado, então, com base no Plano de Compensação
Ambiental constante no EIA/RIMA, podendo ser utilizadas também as informações
presentes em outras partes do estudo ambiental.

A Licença Prévia (LP) deve ter o GI como condicionante. Veja a seguir duas
considerações importantes.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Importante

Segundo o Parecer Jurídico nº. 001, de 2015, da Procuradoria Federal


Especializada (PFE), junto ao Ibama, o que define a obrigatoriedade da
compensação ambiental não é não somente o tipo de estudo ambiental,
mas o caráter de significativo impacto ambiental do empreendimento
e/ou atividade. Outros estudos ambientais – diferentes do EIA/RIMA
– podem não ser suficientemente abrangentes para o cálculo do GI, e,
nesses casos, será necessário o complemento das informações por
parte do empreendedor.

Como mencionado anteriormente, a seguinte afirmação também merece destaque.

Se durante a elaboração do parecer técnico, com a análise das informações


apresentadas no estudo ambiental, for verificado que, diferente do previsto, o
empreendimento em questão é de significativo impacto ambiental, e, portanto,
passível da obrigação da compensação ambiental, deverá ser requerido ao
empreendedor a apresentação do Plano de Compensação Ambiental – para
subsequente cálculo da compensação ambiental devida.

Licença de Instalação (LI)

Empreendedor
deverá entregar documento que contém o detalhamento executivo
das medidas a serem adotadas a fim de mitigar os
Plano Básico impactos ambientais identificados no EIA/RIMA.
Ambiental (PBA)

Também deverá ser previsto no PBA o detalhamento do Plano de Compensação


Ambiental.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Junto ao requerimento da Licença de Instalação, o empreendedor deverá entregar


as informações relativas ao Valor de Referência (VR) – com a relação, em separado,
dos valores dos investimentos, dos valores dos projetos e programas para mitigação
de impactos e dos valores relativos às garantias e custos com apólices e prêmios
de seguros pessoais e reais.

Você verá mais sobre isso no Módulo 2.

A LI indicará o valor da compensação ambiental, calculado com


base no GI e no VR, e deverá exigir, na forma de condicionante de
licença, o cumprimento das obrigações relativas à compensação
ambiental.

Licença de Operação (LO)

Quando da análise do requerimento de LO, algumas etapas se fazem necessárias:

1. O PBA revisado deverá ser entregue para esta fase.

2. Deverão ser realizadas a análise dos programas e a coleta de


informações para planejamento das ações de mitigação e gestão de
impactos durante a operação do projeto.

3. Deverão ser levantadas as informações relativas ao cumprimento da


compensação ambiental.

Com base nas informações sobre o cumprimento da Compensação Ambiental,


poderá ser necessária a inserção/repetição de condicionante específica na licença
de operação.

37
MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Informações necessárias à Compensação Ambiental

Eventualmente, processos antigos de licenciamento ambiental podem não ter


passado pela apuração do GI, apresentação do VR e/ou definição das unidades
de conservação. É preciso, então, que essas informações sejam levantadas para
subsequente cálculo da compensação ambiental.

Compensação Ambiental em empreendimentos em regularização ambiental

Da mesma forma, as informações necessárias para o cálculo do GI e do VR também


deverão ser requeridas ao empreendedor para os processos de regularização
ambiental, para os empreendimentos que se encontram em operação mesmo
sem licença ambiental, ou para aqueles que, apesar de estarem em processo de
renovação da LO, não tiveram a compensação ambiental definida.

Se, no entanto, não for possível chegar a esses dados, deverá ser celebrado um termo
de compromisso com o empreendedor com a indicação do valor da compensação
ambiental – lembrando que a data de publicação da Resolução nº. 10, do Conama,
de 3 de dezembro de 1987, é o marco que define a partir de quando os projetos de
significativo impacto são obrigados à compensação ambiental.

Importante

Como já mencionado, o licenciamento de alguns tipos de


empreendimentos pode ocorrer com menos etapas ou em etapa única.

Nesses casos, as informações necessárias ao cálculo da compensação


ambiental devem ser coletadas de forma condensada em etapas
anteriores e/ou posteriores (em caso de passivo).

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Plano de Compensação Ambiental – Estudo


Ambiental
Como já explicado, o Termo de Referência – elaborado para realização do EIA/
RIMA relativo ao projeto em licenciamento – deve requerer do empreendedor
a apresentação do Plano de Compensação Ambiental, conforme definição da
Instrução Normativa Ibama 08/2011.

Artigo 5º

Art. 5º Constará do Termo de Referência - TR a exigência de apresentação, por


ocasião do EIA/RIMA, do Plano de Compensação Ambiental, do qual deverão
constar, no mínimo:

I - informações necessárias para o cálculo do Grau de Impacto, de acordo com


as especificações constantes do Decreto 4340, de 22 de agosto de 2002; e

II - indicação da proposta de Unidades de Conservação a serem beneficiadas


com os recursos da Compensação Ambiental, podendo incluir proposta de
criação de novas Unidades de Conservação, considerando o previsto no art.
33 do Decreto no 4.340/2002, nos artigos 9 e 10 da Resolução Conama
371/06 e as diretrizes e prioridades estabelecidas pela Câmara Federal de
Compensação Ambiental.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Metodologia de cálculo da Compensação Ambiental


No âmbito do Ibama, de acordo com a Instrução Normativa 08, de 2011, compete à
Diretoria de Licenciamento Ambiental (Dilic):

a realização dos cálculos do Grau a indicação da proposta de Unidades


de Impacto (GI) e do valor da de Conservação a serem beneficiadas
Compensação Ambiental (CA) por esses recursos

Ainda segundo a IN 08, a Dilic,

“por meio de norma de execução, poderá estabelecer critérios


específicos para cada tipologia de empreendimento ou atividade
objeto do licenciamento ambiental, para padronizar a forma de
cálculo do grau de impacto”.

Atualmente, é o Decreto n.º 6.848, de 2009, que estabelece a metodologia de cálculo


da compensação, resumido basicamente ao produto entre o Grau de Impacto e o
Valor de Referência.

CA= GI x VR

Tome Nota

Cada um dos itens que compõem a fórmula do GI serão apresentados


na próxima unidade.

Os critérios para definição do VR, por sua vez, serão detalhados no


Módulo 2 deste curso.

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

Nesta unidade, vimos os instrumentos legislativos e normativos que tratam da


criação ou regulamentação da Compensação Ambiental.

Conhecemos os pormenores de seus diferentes aspectos, bem como o levantamento


temporal desses dispositivos e as regras atuais.

Caso tenha alguma dúvida, você poderá retornar ao conteúdo quantas vezes achar
necessário.

Até a próxima unidade!

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MÓDULO 1
Visão geral do grau de impacto sobre os ecossistemas

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