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Disciplina: Direito Penal

Professor: Gustavo Junqueira


Aula: 02 | Data: 19/08/2017

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

1. Teoria da lei penal

1. Teoria da lei penal


1.1. Lei penal no tempo
Art. 5, XL, CF e art. 2, CP.
O ato jurídico deve ser regido na lei do seu tempo – princípio “tempus regit actum”. Em direito penal o
referido princípio é fortemente mitigado pelo princípio da retroatividade da lei penal benigna (art. 5,
XL, CF). A nova lei penal que de qualquer forma favorecer o autor será aplicada em seu benefício,
mesmo que já transitada em julgada a condenação ou extinta a pena, ou seja, não há limite.

Art. 5, XL, CF - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

Art. 2º, CP- Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa
de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos
penais da sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer
o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por
sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

A. Lei intermediária
É a lei que entra em vigor depois do fato e é revogada antes do julgamento. Se a lei intermediaria
for favorável ao réu será aplicada em seu benefício, pois ao entrar em vigor seus termos são
integrados ao patrimônio jurídico do réu que passa a ter direito a ser julgado de acordo com suas
circunstâncias; o réu não pode ser prejudicado pela demora do Estado em providenciar seu
julgamento.

B. Combinação de leis penais a favor do réu


Súmula 501, STJ – não pode combinar leis para favorecer o réu, porque a combinação da lei A com
a lei B forma, na verdade, uma nova lei AB que nunca passou pelo crivo do legislativo.

Súmula 501, STJ - É cabível a aplicação retroativa da Lei n.


11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas
disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo
da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis.

C. “Abolitio criminis”
Lei penal revogadora de tipo incriminador, ou seja, a conduta que era incriminada deixa de ser por
força de alteração legislativa. A consequência é a causa extintiva da punibilidade e afasta todos os
efeitos penais de eventual sentença condenatória.

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CARREIRAS JURÍDICAS
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D. Retroatividade da alteração benéfica do complemento da lei penal em branco heterogênea
Prevalece que se o complemento por sua natureza oscila no tempo como uma tabela de preços, a
mudança no complemento não retroagirá para beneficiar o réu. No entanto, se o complemento
por sua natureza é duradouro como no caso das drogas, a mudança irá retroagir para beneficiar o
réu.

1.2. Leis de vigência temporária – art. 3, CP


Tem como peculiaridade a característica de trazer em seu bojo a indicação de sua autorrevogação.

Classificação:
A. Temporárias: é aquela que indica a data termo de sua autorrevogação.
B. Excepcionais: vincula sua vigência a uma circunstância excepcional.

A lei de vigência temporário, nos termos do art. 3, será sempre aplicada a conduta praticada durante
a sua vigência, mesmo que o julgamento seja posterior a autorrevogação.
Exemplo: lei geral da copa.

Art. 3º, CP- A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o


período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua
vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

1.3. Tempo e lugar do crime


A. Tempo do crime – art. 4, CP
Foi adotada a teoria da atividade, ou seja, considera-se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

Art. 4º, CP- Considera-se praticado o crime no momento da ação ou


omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.(Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 1984)

B. Lugar do crime – art. 6, CP


Nos termos do referido artigo foi adotada a teoria da ubiquidade, ou seja, considera-se praticado
o crime tanto no lugar da ação ou omissão como no lugar em que ocorreu ou deveria ter ocorrido
o resultado.

Macete: LUTA – lugar ubiquidade tempo atividade

Art. 6º, CP - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu


a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu
ou deveria produzir-se o resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
1984)

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