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. Como estabelecer uma rede de cuidados?

“O modelo de rede de atenção à saúde compreende organizações poliárquicas e um


conjunto de serviços de saúde que permitem ofertar uma atenção contínua e integral a
determinada população, coordenada pela atenção primária à saúde, prestada no
tempo certo, no lugar certo, com custo certo, com qualidade certa, e com
responsabilidade sanitária e econômica sobre esta população”.
A implantação de rede de atenção a saúde tem como princípio que cada nível de
atuação deva operar de forma cooperativa e interdependente. Para estabelecer uma
rede de cuidados em saúde devemos:
• Considerar a rede como organização flexível em seus arranjos: a rede não está
pronta e acabada, constrói-se no cotidiano frente às necessidades dos usuários;
• As redes se formam em certos sentidos sobre uma suposta linha de cuidado, que é
expressão de projetos terapêuticos, isto é, do conjunto de atos assistenciais pensados
para resolver determinado problema de saúde do usuário;
• A rede se entrelaça, não duplica o serviço, não fragmenta, faz-se em ação conjunta e
não tem dono; a construção de uma rede na saúde implica mais do que ofertas de
serviços em um mesmo território: implica colocarmos em questão como eles estão se
relacionando.
• Deve ser educativa;
• Busca construir um plano de fortalecimento da Atenção Básica e reorganização de
Urgência e Emergência;
• Modelo de atenção à saúde atrelada à escuta qualificada, formação de vínculos e
potencialização da singularidade;
• Territorialização;
• Ordenar a referência e a contra - referência do usuário nas unidades de serviço,
levando em consideração a integralidade, continuidade e responsabilização, facilitando
o “caminhar do usuário” na rede;
• Pactuação clara dos serviços - é necessária a pactuação entre os diversos sujeitos e
serviços envolvidos para a implementação das linhas de cuidado;
• Gestão colegiada envolvendo os diversos atores que controlam recursos
assistenciais;
• Integração horizontal e integração vertical;
• E ainda a busca de garantia da intersetorialidade como política estruturante na
intervenção positiva e também na questão dos processos de saúde/doença.

2. Como deve ser o processo de capacitação em Saúde Mental das equipes da


Atenção Básica?
“Sensibilizar para não estigmatizar”
• Sensibilizar e capacitar à atenção básica para identificação de situações e grupos de
riscos (violência, álcool, drogas). A partir dessa análise situacional, construção de
projetos terapêuticos;
• Educação permanente, não capacitação pontual - Consideramos que o
estabelecimento de espaços para a implantação de educação permanente em saúde
mental, na atenção básica é fundamental, com a utilização de uma metodologia ativa e
possa fazer com que todos os profissionais sejam sujeitos do processo de formação.
• Capacitação e supervisão para as equipes de Atenção Básica completa,
desenvolvendo temáticas relacionadas aos direitos de cidadania e direitos humanos,
dos portadores de transtornos mentais, princípios da reforma psiquiátrica, grupos de
rede social, família, intervenção na crise, problemas relacionados ao álcool e outras
drogas;
• Criação de uma equipe matricial de Saúde Mental, para o desenvolvimento das
ações junto a Atenção Básica, por meio de ações de supervisão, atendimento
compartilhado e capacitação em serviço, realizado por uma equipe de saúde mental
para equipes ou profissionais da atenção básica;
• Integrar a Saúde Mental nas diversas atividades de grupo oferecidas pela Atenção
Básica (caminhada, ginástica, oficinas);
• Articulações com diversas formas de organizações populares (Ass. de Bairros,
grupos de auto-ajuda), buscando construir novos espaços de reabilitação psicossocial.
Os profissionais envolvidos no cumprimento destas ações devem ser conforme
Lancetti (BRASIL, 2000, p. 46) “pessoas corajosas com vontade de experimentar, pois
vão atuar diretamente com a loucura, com a violência, sem proteção, sem muros,
apenas com o corpo e a inteligência. Apenas uma orelha que escuta uma pessoa com
a capacidade de compreensão".

Referências Bibliográficas

CAMPOS, RO; GAMA, C. Saúde Mental na Atenção Básica. In: CAMPOS, GWS;
GUERRERO, AVP. Manual de Práticas de Atenção Básica Saúde Ampliada e
Compartilhada. Editora HJCITEC, 2008, 221 243 Capítulo 9.

OLIVEIRA, MSO. Apoio Matricial e suas dimensões no contexto do NASF. Conselho


Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Revista CONASEMS. Brasília, ano VI,
nº 30, p. 32-33, maio-junho 2009.

SCÓZ, T.M.X.; FENILI, R.M. - Como desenvolver projetos de atenção à saúde mental
no programa de saúde da família. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 5 n. 2 p. 71 –
77. 2003. Disponível em http:/www.fen.ufg.br/revista. Em 22/02/2010.