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Lúcia Agostinho Gemusse

TRABALHO DE HISTÓRIA

ESTADO DE GAZA

Trabalho a ser apresentado ao Professor


de historia, 12ª Classe, A2, para fins
avaliativos,
Docente: dr. Paulo.

MUAGUIDE
MAIO DE 2018
ÍNDICE
O Estado de Gaza........................................................................................................................ 2
Origem e desenvolvimento ......................................................................................................... 2
A organização política – administrativa ..................................................................................... 3
Funcionamento ........................................................................................................................... 4
A organização socioeconómica .................................................................................................. 4
O Estado de Gaza

Origem e desenvolvimento
O M’fecane foi o processo de lutas e de transformações políticas, seguidas de grandes
migrações de populações Nguni para o norte, ocorridas na zululandia (actual África do
sul), a partir da segunda metade do século XVIII a princípios do século XIX.
As razoes que explicam este fenómeno foram, entre outras, as seguintes:
 As lutas pelo controlo das rotas comerciais com a baía de Lourenço Marques.
Era partir deste ponto que os Ngunis estabeleciam o contacto com o mundo
exterior, exportando marfim e importando missangas, tecidos, lingotes de
latão e armas. Dai os conflitos entre linhagens;
 A crise ecológica ocorrida na região nos finais do século XVIII e princípios
do século XIX. Esta crise provocou a falta de terra e pastagens, o que, de certa
forma, contribui para as lutas pelo seu controlo.
Por volta de 1770, existiam na zululandia vinte reinos que disputavam entre si
o controlo das rotas comerciais coma baía de Lourenço Marques, bem como o
domínio de terras férteis e pastagens.
Entre 1810 e 1821, estes reinos ficaram reduzidos a dois: o de Nduandue (chefiado por
Zuide); e o de Mtetua (chefiado por Dinguisuaio). Conflitos entre dois reinos culminaram
com a captura e morte de Dinguisuaio pelas forcas leais a Zuide. Tchaka, o zulu, decide
vingar a morte do seu pai adoptivo (Dinguisuaio), perseguindo Zuide e seus amigos ate as
ultimas consequenciais. Uma dos nduandue derrotados submete~se a tchaka, e outra
Entre os fugiram contam₋se:
 Zuangedaba,nqaba msane e nguane maseko,que por algum tempo se fixaram
no interior de moçambique. E assim que, por volta de 1890, estados
dominados por descendentes de maseko e zuangedaba incluiam territorios
moçambicanos do Niassa e Tete;
 Mzilikaze I,que se fixou no território do actual zimbabwe;
 Sobhuza,fixado na swazilandia;
 Sochangana (manicusse), que se fixou no sul de moçambique, onde formou o
Estado de Gaza.
O Estado de Gaza, com capital em chaimite, resultou da conquista do sul de moçambique
por exércitos nguni, chefiados por sochangana, o manicusse (1821 – 1858). Combinando
a estratégia da guerra de conquista com a política de assimilação das populações
autóctones, sochangana criou os alicerces de um novo território, que, na sua extensao
máxima, abrangia as regiões situada entre a baía de maputo e o rio zambeze. Com a sua
morte em 1858, sucede – lhe o seu filho Maueue. Uma vez no trono, Maueue hostiliza os
seus irmãos, em particular Mzila, reinos vizinhos e comerciantes que estavam

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interessados no comércio do marfim. Estes, por sua vez, dirigidos por Mzila e contando
com apoio de alguns membros da aristocracia nguni, de comerciantes de Lourenço
Marques e do Governador de Lourenço Marques, Onofre de Andrade, organizam uma
coligação que vence maueue (1861-64).
Mzila, empossado como o novo Inkosi, procura novos aliados, estabelecendo relações
com o Natal e a Grã – bretanha. Morre em 1884 e a sucessão do trono e disputada por três
dos seus filhos: Mafemane, Mundungawe e Como. Mundungawe leva a melhor e adopta
o nome de Ngungunhane, o «invencível».

1821– 1858 Sochangana forma o Estado de Gaza.


1858– 1854 Maueue, filho de sochangana, herda o poder de seu pai, mas entra
em conflito com outros membros de aristocracia nguni.
1861– 1864 Coligação formada por parte da aristocracia nguni, por Magudzu
Khosa, chefes tsonga, populacoes (principalmente do vale do
Incomati) e alguns comerciantes de marfim que apoiam Mzila na
guerra com o seu irmão Maueue.
1862 A capital de Gaza e transferida no decurso destes conflitos para o
Mossurize (Manica).
1864– 1884 Mzila e chefe do Estado de Gaza. Durante o seu governo,
importantes transformações económicas ocorreram: os Elefantes
começaram a rarear, a principal forca de trabalho procura emprego
na África do sul e o Estado de Gaza integra – se na economia
monetária.
1884– 1895 Ngungunhana, filho de Mzila, herda o trono do pai, tornando-se
ultimo chefe do Estado de Gaza.
1889 A capital e novamente transferida para Manjacaze: o vale do
limpopo e as zonas vizinhas tinham todos os recursos que
escasseavam em Mossurize e procurava – se evitar pressões de
Manica, onde britânicos e portugueses desejavam começar a
mineração do ouro.

A organização política – administrativa


A conquista e administração de um território tão vasto como este foram possibilitadas por
uma política de assimilação praticada pelos nguni, através da qual alguns elementos das
populações conquistadas foram integrados em regimentos nguni e, mais tarde, serviam
como funcionários no exército e na administração territorial. Populações do vale do

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limpopo e os Cossas de Magude foram integrados como assimilados em bloco, razão pela
qual são ate hoje conhecidos como changana (súbditos de sochangane).

Funcionamento
A capital, onde residia o monarca Inkosi, acumulava funções políticas, militar, judiciais,
econômicas e religiosas. Além da capital suprema onde vivia o Inkosi, tinham também
importância administrativa e, sobretudo, ritual as capitais sagradas onde viviam as
rainhas – viúvas ligadas ao culto nacional dos falecidos monarcas.
O império subdividia – se em reinos, a frente dos quais estava o Hossana, responsável
pela cobrança dos tributos, distribuição de terras, resolução de litígios, mobilização de
regimentos, etc.
Os reinos subdividiam – se em povoações, dirigidas por um Induna. As províncias, por
seu turno, subdividiam – se em povoações, dirigidas por um Mununusana.
A administração territorial do Estado de Gaza fazia – se através do «sistemas de casas»,
como eram chamadas as áreas tributárias em que foi dividido o Estado.

IMPERIO
Reinos
Províncias
Povoações

A organização socioeconómica
Várias camadas são identificadas neste Estado. No topo da hierarquia social estava a alta
aristocracia (reis e seus familiares); logo a seguir, a média aristocracia (outros nguni que
não fossem da linhagem real). Estes constituíam a classe dominante aliada aos
«assimilados» (elementos da população dominada já integrados na estrutura social
nguni). Em baixo estavam as populações denominadas que, independentemente do seu
grupo etnolinguístico, eram designadas por Tonga.

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Fonte econômica do poder dos chefes

Além do pagamento de tributos em géneros agrícolas, as populações dominadas


entregavam aos Nguni outros tributos em marfim e em dinheiro (libras), ganhos na africa
do sul com o início do trabalho migratório para aquela região. Os cativos também
constituíam outra fonte de riqueza para os Nguni: trabalhavam nas unidades domésticas
destes. Soldados e mensageiros nguni eram alimentados pelas populações.
Como podes verificar, existira uma grande diferenciação social: no topo estavam os
membros de linhagem real; a seguir, os mabulundlela, os ndau, os tongas, os tinhloko e,
por fim, os membros das chefaturas subjugadas.

Actividades económicas

As principais actividades produtivas no Estado de Gaza eram a agricultura (cultivo da


mapira, mexoeira, amendoim e milho grosso), a caca e a pesca, que eram realizadas pelas
populações dominadas, tanto para o seu sustento como para o pagamento de tributo a
classe dominante.
Também praticavam a criação de gado e o comércio (exportação de marfim e escravos,
importação de tecidos, artigos de ferro e cobre).